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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

13ª Lição: A Missão Profética da Igreja

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Rua Frederico Maia, 49, Centro
Viçosa - Alagoas
Escola Bíblica Dominical
Pastor: Donizete inácio de Melo
Superintedente; pb. Efigênio Hortencio de Oliveira

TEXTO ÁUREO = “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9).

VERDADE PRATICA = Na adoração, a igreja dirige-se a Deus: no discipulado, dirige-se aos convertidos; na proclamação profética-se ao mundo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Atos 3.18-26

INTRODUÇÃO

A MISSÃO DA IGREJA NO MUNDO = João 20.21

“Missão” vem de uma palavra latina que significa “enviar”. Jesus ordenou aos seus primeiros discípulos, como representantes daqueles que os seguiriam — “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” Jo 20.21; cf. 17.18). Essa missão é ainda válida: a Igreja universal, incluindo cada igreja local e cada cristão, é enviada ao mundo para cumprir uma tarefa especifica.

A tarefa dada à Igreja tem duas partes.

Primeiro e fundamentalmente, é obra de testemunho perante todo o mundo, fazendo discípulos e plantando igrejas (Mt 24.14; 28.1 9-20; Mc 13.10; Lc 24,47-48). A Igreja proclama Jesus Cristo por toda parte, como Deus encarnado, Senhor e Salvador, e anuncia o convite de Deus aos pecadores para que entrem na vida, voltando-se para Custo por meio do arrependimento e da fé (Mt 22.110; At 17,30). O ministério de Paulo como plantador de igrejas e evangelista por todo o mundo, tanto quanto possível, é um modelo para se levar adiante essa tarefa primária ( Rm 1.14; 15.17-29; I Co 9.19-23; CL 1.28-29).

Em segundo lugar, todos os cristãos são chamados para realizar obras de misericórdia e compaixão. Confiando no mandamento de Deus para amar ao próximo, os cristãos devem responder com generosidade e compaixão a todas as formas de necessidades humanas (Mt 25.34-40; LC 10.25-37; Rm 12.20-21). Jesus curou doentes, alimentou famintos e ensinou a ignorantes ( Mt 15.32; 20.34; Mc 1.41; 10.1), e os que são novas criaturas em Cristo devem pôr em prática a mesma compaixão. Ao agirem assim, darão credibilidade ao evangelho que pregam a respeito de um Salvador cujo amor transforma pecadores naqueles que amam a Deus e ao próximo (Mt 5.16; Cf. 1 Pe 2.1 1-12).

Embora Jesus tenha previsto a missão aos gentios (Mt 24.14; Jo 10.16; 12.32), seu um ministério terreno foi dirigido às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15.24). Paulo, o apóstolo aos gentios, sempre ia primeiro aos judeus, quando pregava (At 13.42-48; 14.1; 17.1-4,10; 16.4-7,19). Porque o direito dos judeus em ouvir primeiro o evangelho era determinação divina (At 3.26; 13.46; Rm 1.16), é importante para os cristãos continuarem testemunhando aos judeus. Como Paulo disse, foi de Israel, segundo a carne, que Cristo veio para ser o Salvador do mundo (Rm 9.5).

1. A PROCLAMAÇÃO PROFÉTICA DA IGREJA PRIMITIVA

A Leitura Bíblica em Classe nos mostra que a pregação do Reino de Deus tinha um sentido profético e missionário na vida da igreja primitiva. Um dos termos originais usado no Novo Testamento para descrever a proclamação da igreja é kerygma, traduzido por “pregação” (Rm 16.25; 1 Co 1.21; 2 Tm 4.1 7; Tt 1 .3), e “proclamação” (Lc 4.18; 1 Ts 2.9—ARA).

1. Demonstrada na revelação do mistério da vontade de Deus. As Sagradas Escrituras descrevem a proclamação das boas- novas e o seu conteúdo doutrinário como a revelação do “mistério que desde os tempos eternos esteve oculto em Deus” (Rm 16.25; 1 Co 2.7; Ef 1.9; 3.3,4,9; 5.32; 6.1 9).

Esse mistério não é descrito apenas como uma mensagem (Rm 1 6.2 5; Ef3.3; 6.19), mas como o Verbo encarnado (Cl 1 .26-28; 2.2,3; 4.3). Este revelou a Deus ( Jo 1.18; 8.16; 10.30), a vontade divina (Mt 7.21; jo 4.34) e a Palavra de Deus ( Jo 14; 24 = 17:6 = 14: 17)

a) O mistério revelado à Igreja. Segundo o Novo Testamento, o mistério foi revelado à Igreja para a glória dos santos (1 Co 2.7; CT 1 .26,27); como está escrito: “descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito” (Ef 1 .9). O mistério revelado da salvação em Cristo deve ser anunciado a todos os homens (Ef 3.9; 6.1 9; CI 4.3; 2.2).

b) O mistério desvendado em Cristo. Deus havia planejado a Igreja antes da fundação do mundo e a sua concretização haveria de acontecer na história da humanidade. Todo o plano de restauração e salvação que estava oculto cumpriu-se em Jesus Cristo (Ef 1 .9,10; Cl 1.27; 2.2) “na plenitude dos tempos” (Cl 4.4; Ef 1.10), quando Deus enviou seu Filho para salvar o homem (Lc 1 9.1 0), e despojar a Satanás e seus anjos, triunfando sobre eles (Cl 2.15; 1 Jo 3.5,8).

Este é o “mistério da piedade” que inclui os fatos da encarnação, morte, ressurreição e triunfo glorioso de Jesus Cristo (1 Tm 3.16).

2. Revelada na missão de anunciar o reino de Deus. Os Evangelhos são enfáticos quanto à mensagem de Cristo e dos seus discípulos no sentido de proclamar o Reino de Deus a todas as gentes (Mt 3.1,2; Mcl .14,15; Lc 18.16,17). A centralidade da mensagem está no Reino de Deus o foco principal da proclamação da Igreja em seus primórdios (At 1.3; 8.12; 14.22; 19.8; 20.25;

28.23,3 1). Quando se diz “é chegado o Reino (Mt 4.17), o sentido é profético, referindo-se tanto à presença do Reino no presente quanto no futuro. A atual manifestação do Reino de Deus implica salvação do poder do pecado, mas quanto ao futuro, a libertação da presença do pecado (1 Co 1 5.20-25,42-57).

II. DIMENSÕES DA MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA

1. A Grande Comissão (Mt 28.18-20). A missão profética da Igreja está implícita na Grande Comissão que lhe foi outorgada por Cristo. Vários textos dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos falam da abrangência ilimitada da missão profética da Igreja (Mt 28.1 8-20; Mc 16.1 5-20; Lc 24.46,47; At 1 .8).

Essa missão profética de pregar o evangelho tem seu alicerce na autoridade de Jesus. E função da Igreja proclamar a todos que se arrependam, para que sejam perdoados os seus pecados (Mc 1 .14), e possam ingressar no Reino de Deus.

2. O novo pacto de Deus (Ex 19.1,2; Ef 3.2-5). Da semente de Abraão, Deus suscitou Israel e fez um pacto com esse povo para ser o seu representante na Terra. Israel recebeu de Deus uma missão profética, mas falhou. Então, o Todo-Poderoso elegeu um novo povo constituído de judeus e gentios, estabelecendo através de seu Filho Jesus um novo pacto. Deste modo, as promessas de Deus a Abraão cumprem- se na Igreja (Ef 3.10,11; Hb 8.6).

III. A MENSAGEM PROFÉTICA DA IGREJA (AT 3.18-26)

1. Arrependimento (At 2.38; 3.19; 17.30). O arrependimento requer uma mudança completa na vida de rebelião e pecado do homem contra Deus, para uma nova vida de fé e obediencia ao Senhor Jesus ordenou que em seu nome se pregasse o arrependimento a todas as nações ‘ (Lc 24.47). A mensagem de João Batista (Mt 3.2), de Jesus (Mt 4.1 7) e dos apóstolos (At 2.38) uma veemente chamada ao arrependimento: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1 .1 5). Uma igreja morna perde sua função profética e não prega o arrependimento dos pecados. Todavia, a Igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade (1 Tm 3.1 5). não se associa ao mundo inconverso e perdido; ao contrário, conclama a todos que se arrependam e se convertam, para que sejam perdoados de seus pecados (At 3.19).

2. A segunda vinda de Cristo (vv.20,21; 1 Ts4.13-18). A pregação do evangelho pelos apóstolos anunciava o retorno triunfante de Cristo à Terra, como cumprimento da palavra profética anunciada pelos santos profetas do Antigo Testamento. A missão profética da Igreja, portanto, inclui a proclamação do retorno triunfante de Cristo como juiz dos vivos e dos mortos (At 1 0.42; 1 7.31), não apenas dos cristãos, mas também dos pecadores.

IV. A IGREJA E SUAS PRIORIDADES

LEITURA = JOÃO 4.21-24

Neste primeiro trimestre do ano, estudaremos uma série de lições voltadas para o novo convertido, visando equipar a Igreja para que torne mais frutífero o seu trabalho na área da integração e do discipulado. Faz parte da estratégia da Comissão da Década da Colheita estudar, agora, o tema, já que nesta época cada igreja local formula seus planos de ação para o ano, e os crentes individualmente renovam os votos de dedicação ao Senhor. Neste primeiro domingo, para situar o assunto, vamos estudar sobre quais são as prioridades absolutas da Igreja.

V. A IGREJA FOI ESTABELECIDA PARA ADORAR A DEUS

1. A visão bíblica da adoração. Segundo definição da Bíblia de Estudo Pentecostal, “a adoração se constitui de ações e atitudes que reverenciam e honram a dignidade do grande Deus do céu e da terra. Ela exige uma entrega de fé ao Todo- poderoso e um reconhecimento de que ele é Deus e Senhor”. Essa entrega, no Antigo Testamento, era representada através dos sacrifícios instituídos no Pentateuco, pelos quais o ofertante reconhecia os pecados e se submetia plena e voluntariamente à soberania divina. Mesmo antes das normas dadas por Deus através de Moisés, regularizando o culto divino do povo de Israel, os patriarcas tinham como prática a oferta de holocaustos como testemunho de sua adoração. Ver Gn 12.7,8; 13.4,18; 26.25; 33.20.

No Novo Testamento, a adoração é oferecida mediante o eterno e perfeito sacrifício de Jesus Cristo, que substituiu para sempre o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento e outorgou ao homem o direito de chegar, com ousadia e liberdade, à presença de Deus. Confira Hb 10.19-23. Segundo Romanos 12.1, adoração é a entrega pessoal e incondicional de todo o ser “em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Isto implica em que cada ato praticado, mesmo os considerados mais simples, sob a nova aliança, deve trazer em si o propósito de reconhecer e honrar a Deus como o Senhor soberano sobre todas as coisas.

No encontro entre Jesus e a mulher samaritana (Jo 4.20-24), ele definiu a adoração como algo que deve ser feito em “espírito e em verdade”.

“Em espírito”, porque não depende mais de elementos litúrgicos externos que visibilizem o propósito do ofertante. É algo do coração, para ser recebido por Deus, e não visto pelos homens. Não é, portanto, a aparência que determina o valor da adoração. É o conteúdo. “Em verdade”, porque deve ser fruto da sinceridade do pecador que, contrito, reconhece a sua total dependência de Deus, mediante a obra vicária de Cristo na cruz.

Leia Lucas 18.9-14 e descubra, ali, o contraste entre a hipocrisia do fariseu, com a exterioridade de sua adoração, e a sinceridade do publicano, que, humilhado, mas sem qualquer formalismo exterior, dependia unicamente da misericórdia de Deus. Quem foi abençoado?

2. O povo de Israel chamado à adoração. O pacto de Deus com Israel tinha como selo a adoração ao seu nome. A chamada de Deus a Moisés, do meio da sarça, no Monte Sinai, deixa implícita esta verdade.

Em Êxodo 3.12 o Senhor estabelece como sinal do cumprimento de sua promessa de libertação o fato que os israelitas o serviriam no mesmo lugar onde havia chamado Moisés. Servir, aqui, é plena adoração.

Em Êxodo 3.18, ao orientá-lo sobre como dirigir-se a Faraó, ordena que diga: “Deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor, nosso Deus”. Sacrificar, aqui, é também plena adoração. Posteriormente, quando Moisés e Arão se apresentam ao monarca, afirmam: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto”. Celebrar uma festa, aqui, é mais uma vez plena adoração. A instituição da primeira páscoa, como símbolo da saída do Egito, teve também o mesmo propósito. Ver Ex 12.14,25.

Um estudo pormenorizado das leis estabelecidas para governar o povo de Israel revelará que o fim último das determinações ali explícitas era o reconhecimento da grandeza, sabedoria e soberania de Deus no governo do mundo. No entanto, só a construção do tabernáculo, e mais tarde do templo, propiciou a formalização da prática regular das festas e rituais previstos para a adoração pública. Ver Lv. 1-7; 23.4-43.

3. A Igreja chamada à adoração. Com a rejeição de Israel ao plano divino, a Igreja deu continuidade ao propósito de Deus. Portanto, uma de suas finalidades é a adoração ao Senhor. Todos os seus atos, diretos ou indiretos, visam reconhecer o governo de Deus sobre ela, através de Jesus Cristo, buscando, em primeiro lugar, a perseverança na comunhão íntima e pessoal com o Altíssimo.

Ver 1 Pe 2.5. Compare, ainda, com Efésios 2.21,22 e veja que a Igreja é “a morada de Deus no Espírito”, o que implica em estar plena de sua presença em glória, majestade e poder, manifestando perfeita sintonia entre o Pai e seus adoradores. Confira Jo 4.23.

VI. A IGREJA FOI ESTABELECIDA PARA A COMUNHÃO FRATERNAL

1. O significado da comunhão. A Igreja foi, também, estabelecida para o exercício da comunhão fraternal entre os crentes. Comunhão é uma palavra grega (koinonia) que tem a ver com o relacionamento espiritual, pessoal e social entre os que compõem a comunidade eclesiástica.

Compare 2 Co 13.13; Fp 2.1,2. E muito mais do que simplesmente cumprimentar o irmão e desejar-lhe felicidades. E um intenso compartilhamento de tudo quanto se relaciona à vida cristã. E palmilhar, lado alado, a carreira para a qual os crentes foram chamados. E, no dizer de Paulo, alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram. Ver Rm 12.15. E, sob outro prisma, levar as cargas uns dos outros. Confira GI 6.2.

A igreja primitiva levou a comunhão tão a sério que todos tinham tudo em comum, de modo que não havia nela nenhum necessitado, At 4.32-34. Este é o verdadeiro sentido da comunhão bíblica, que expressa não só mutualidade de sentimentos, mas também compartilha uns com os outros nas suas necessidades. Ver Rm 12.13.

2. A busca da comunhão. Buscar a comunhão com os demais crentes é uma condição básica para o êxito espiritual de cada crente. O salmo 133 expressa essa necessidade e os resultados daí recorrentes: unção, bênção e vida para sempre. A mesma ênfase aparece na oração sacerdotal (Jo 17.20-23).

3. O exercício da comunhão. A comunhão pode ser exercitada no amor ao irmão mais fraco, que depende de ajuda para manter-se de pé (Rm 14.1,13), no companheirismo que honra o próximo ao invés de si mesmo (Rm 12.10), na solidariedade que assiste o irmão necessitado (GI 6.10), na prática da justiça que não toma para si o que é de outrem (Tg 5.4), no uso da misericórdia que aplaca o juízo (Tg 2.13), no cuidado para com os que sofrem (Rm 12.15), na ausência de inveja quanto aos companheiros que galgam patamares mais altos na jornada (Tg 3.14- 16) e na semeadura da paz que elimina os facciosismos e promove a unidade entre todos.

VII. A IGREJA FOI ESTABELECIDA PARA A EVANGELIZAÇAO

1. O lugar da evangelização. É comum colocar-se a evangelização como a prioridade número um da Igreja. Em certo sentido, não deixa de estar correto, pois em relação ao mundo esta é a sua principal tarefa. No entanto, neste comentário ela não foi colocada em terceiro lugar por acaso. Há uma razão. É que a evangelização só terá êxito, se os crentes estiverem bem ajustados quanto aos pontos anteriores. Em João 17.23 esta seqüência aparece de maneira clara: “Eu neles, e tu em mim” (comunhão com Deus); “Para que eles sejam perfeitos em unidade” (comunhão uns com os outros), e “para que o mundo conheça que tu me enviaste” (evangelização de resultados).

Uma igreja que não adora a Deus e onde não se exercita a comunhão uns com os outros não terá o brilho da verdadeira luz que atrai os pecadores. Ver Mt 5.14-16. Antes de sair ao mundo para pregar, a Igreja precisa desenvolver seu relacionamento com Deus e a comunhão entre os membros que a compõem. Isto, por si só, bastará para que ela seja afogueada em seu desejo de ganhar as almas.

2. A ordenança da evangelização. A evangelização é uma ordenança bíblica dada por Jesus à sua Igreja. Ver Mc 16.15. Compare com Mateus 28.19 e At 1.8. Deixar de evangelizar é o mesmo que passar ao largo, enquanto pessoas estão morrendo, abandonadas sob os escombros de um incêndio. Imagine a cena e sinta o quão dura ela é. Esta é, todavia, a exata situação de muitas igrejas que estão encasteladas em sua opulência, enquanto à sua volta muitos resvalam para o abismo do fogo eterno.

Uma igreja assim não merece este título e precisa o quanto antes arrepender-se para não ser achada em falta e sofrer o juízo divino. Confira Ap 3.14-18.

3. O imperativo da evangelização. A evangelização é um imperativo porque este é o meio pelo qual os pecadores podem arrepender-se e chegar ao conhecimento da verdade. Ver Jo 6.39,40. Lembre-se que você foi alcançado por ela e, portanto, deve dar continuidade ao processo para que outros sejam também alvos da mesma bênção. Proclamar o nome de Jesus Cristo significa oferecer a única possibilidade de salvação para o perdido. Compare com At 4.12. Se ele não tiver acesso a este nome que salva, estará irremediavelmente condenado.

4. A evangelização e os seus desdobramentos. Finalmente, a evangelização não se esgota no ato de falar de Cristo a alguém. Ali apenas inicia-se o trabalho. A ordem do Mestre é clara: “Fazei discípulos”. E algo que começa com o anúncio das boas novas e continua até que Cristo seja formado em cada novo convertido. Tem os seguintes desdobramentos:

A. A integração. O ato de tomar o novo crente parte natural do Corpo de Cristo.

B. O discipulado. O processo de formação espiritual do novo crente através do ensino bíblico adequado para esta fase. A integração e o discipulado são, portanto, prioridades da Igreja em sua tarefa de trazer os pecadores a Cristo.

VIII. A IGREJA, O GRANDE MISTÉRIO REVELADO = EFÉSIOS 3.1-13

Nos dois primeiros capítulos de Efésios, a Bíblia revela a profundidade do pecado e a sua libertação mediante a obra expiatória de Cristo, destacando a sua obra maravilhosa da formação de um novo povo, derrubadas as diferenças entre judeus e gentios. A Igreja, formada dentre as nações, é o novo povo de Deus. No capítulo 3, o apóstolo se apresenta como despenseiro da graça de Deus na revelação do grande mistério que é a Igreja.

PAULO REVELA A SUA MISSÃO ESPECIAL

Em Efésios 2.22, o apóstolo declara dos crentes: “edificados para habitação de Deus”. Por esta razão, Paulo foi levado a fazer uma segunda oração em favor dos destinatários dessa epístola (3.14-21).

Antes, porém, ele se identificou de modo especial para que o crédito de sua mensagem não causasse dúvida entre os efésios. Paulo começa o capítulo dizendo “por esta causa” para referir-se a tudo quanto havia escrito anteriormente.

1. Paulo, o “prisioneiro de Cristo”(v.l). Na verdade, ao dizer- se prisioneiro, Paulo referia-se a dois lados dessa situação. Primeiro, estava, de fato, encarcerado numa prisão em Roma e, segundo, essa prisão literal lhe dava oportunidade de servir a Cristo como seu “prisioneiro especial”.

A expressão “prisioneiro de Cristo” tinha o sentido de não poder fazer outra coisa, senão, pregar a Cristo como Senhor e Salvador. Além disso, o fato de estar preso permitiu a Deus comunicar ao seu servo as poderosas verdades destinadas a ser a força e a inspiração de sua Igreja. Ele não lamenta a prisão, mas inverte a situação, e torna o seu cativeiro uma oportunidade para melhor servir ao Senhor.

2. Paulo, o mordomo da graça de Deus (vv.2,3). O apóstolo assume o seu papel mais importante na missão que recebeu de Cristo que é o de ser mordomo da graça de Deus. É a tradução do termo original oikonomia, que significa dispensação, administração dos bens de outrem, administração de uma casa, mordomia (no sentido bíblico). Paulo revela que seu ministério recebido da parte de Cristo era o de revelar, dispensar e mostrar o propósito da graça de Deus a todos os homens. Ele faz questão de afirmar que se tornou ministro do evangelho aos gentios, por isso era chamado “após- tola dos gentios” (2 Tm 1.11; 2 Co 10.1; Gl 5.2,3; Cl 1:23).

3. Paulo, o possuidor da revelação do mistério da graça de Deus (vv.3-5). Não era nenhuma presunção do apóstolo frisar que o evangelho aos gentios lhe havia sido revelado especialmente para que fossem partícipes dos privilégios do reino de Deus, tanto quanto os judeus. A designação do seu ministério aos gentios foi revelada por profecia a um discípulo chamado Ananias, quando o Senhor disse: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel” (At 9.15). No v.9, a palavra “demonstrar” e “mistério” estão intimamente ligadas. Paulo foi o revelador, sob a direção do Espírito Santo, do mistério de Cristo (1 Tm 3.16; 1 Co 12.27; Cl 1.27; Ef 5.32).

4. Paulo, o revelador das bênçãos universais de Deus (vv.5,6). A razão pela qual Paulo enfatizava o direito às bênçãos de Deus em Cristo é porque muitos judeus cristãos tentavam diminuir esses direitos dos gentios. Paulo não aceita as razões sem bases desses judeus e declara que todos, independente, de serem judeus ou gentios, têm os mesmos direitos e privilégios ante a graça de Deus, O apóstolo testifica de modo enfático, que os gentios são “co-herdeiros e co-participantes do mesmo corpo de Cristo”.

Ao ingressarem no reino de Deus, mediante a obra de Cristo no Calvário, os gentios participam igualmente de todas as bênçãos. Eles não são cidadãos de segunda categoria. Eles são participantes das promessas de Cristo e formam um só corpo espiritual com os judeus, resultando na Igreja (1 Co 12.13; Ef 2.13). Os gentios, em Cristo, foram feitos “povo de Deus”, “geração eleita”, “nação santa”, “povo adquirido” juntamente com os judeus.

PAULO, MINISTRO DA REVELAÇÃO DIVINA

No primeiro ponto desta lição estudamos que Paulo declarou a sua missão especial como agente da revelação do mistério da graça de Deus.

Agora, ele se identifica, não apenas como receptor dessa revelação, mas como ministro do evangelho.

1. Paulo, ministro da revelação divina (v.7). As palavras iniciais do v.7 são uma continuação da declaração que Paulo havia feito no v.6, ao afirmar que os gentios eram “co- herdeiros” e “co-participantes” das bênçãos do evangelho. Ele, então, diz “do qual fui feito ministro”. Desse modo, Paulo considerava seu ministério um grande privilégio, porque fora feito ministro, não por qualquer mérito ou dignidade, mas “segundo a operação do seu poder”. Paulo, desde o início do seu ministério sofreu da parte dos judeus e dos gentios, mas superou as dificuldades e manteve-se como aquele que recebeu de Deus a missão de ministrar a graça de Deus aos gentios e, também, aos judeus.

2. A revelação que Paulo menciona (v.8). Diante da magnitude das revelações recebidas de Deus, Paulo se diz “o menor de todos os santos”. A grandeza e alcance dos mistérios de Cristo eram maiores do que ele podia compreender. Quando fala de “riquezas incompreensíveis de Cristo”, ele sabia quão insondáveis eram essas riquezas espirituais. Era algo que superava qualquer conhecimento humano. Tudo que refere-se à gloria de Cristo, sua divindade, sua glória moral e sua glória meritória na cruz do Calvário tem um valor incalculável,”O privilégio de Paulo era pregar aos gentios a Cristo como Salvador, e declará-los incluídos como participantes das bênçãos de Cristo: At 9.15, 22.21; 26.17; Rm 11.13; Rm 15.16-21; Gi 2.7-9.” (Carta aos Efésios, CPAD)

3. A quem mais foi revelado o mistério? (vv.9-11). O mistério da salvação “estava oculto em Deus”. Em sua presciência, Ele estabeleceu o tempo da revelação do mistério da salvação através de Jesus Cristo. O v. 10 declara que “agora” a Igreja se constituiu na proclamadora da revelação, o que indica que ela sempre fez parte do plano divino. A Igreja não foi uma obra acidental de Deus; ela foi criada antes de todos os tempos e manifestada através de Jesus.

Outrossim, essa revelação não ficaria restrita aos homens, pois diz o v.10 que, também, os anjos (“principados e potestades”) teriam conhecimento dessa revelação através da Igreja. O v. 11 afirma que o mistério foi revelado “segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus”. Esse eterno propósito divino, antes de todos os tempos, já tinha Jesus Cristo como a razão de tudo. Tudo quanto foi criado por Deus teve a sua elaboração na eternidade.

4. Três palavras especiais: ou- sadia acesso e confiança (v.12). Essas três palavras tornam possível nossa comunhão mais profunda com Deus. Não há como entrarmos na presença de Deus senão com santa “ousadia”. O “acesso” diz respeito a nossa entrada na presença de Deus (Ef 2.18; Rm 5.2). E, apalavra “confiança” envolve a nossa fé em Deus.

CONCLUSÃO

Segundo o texto de 1 Pe 2.9,10, a igreja deve cumprir plenamente o seu tríplice ministério: real, sacerdotal e profético, para que a sua missão satisfaça o projeto de Deus na Terra.Valorizemos mais o privilégio de sermos a Igreja do Senhor. Desfrutemos das riquezas divinas ao nosso alcance. Mas, não somente isso. Proclamemos ao mundo a salvação que nos alcançou.

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