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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

COMO ESTAMOS CULTUANDO?



COMO ESTAMOS CULTUANDO?Transportemo-nos, por alguns momen¬tos, ao tempo da igreja primitiva e obser-vemos, com calma, um culto diferente dos cultos realizados nas igrejas de nossos dias.
Qualquer pessoa que se extasiou ante o relato do esplendor de um culto na igreja primitiva, tal qual é descrito na história dos primeiros séculos, notará que tudo se transformou. Hoje, nos cultos de nossos dias, não há a vida e a vibração intensa de outrora; falta-nos a liberdade ao Espírito de Deus para usar os vasos que estão cheios de graça e poder.
Alguns dirigentes de cultos estão es¬quecidos da recomendação do apóstolo quando diz que ao se reunirem cada um tenha salmo, hino, louvor ou canção espiri¬tual para apresentar ao Senhor. Se o diri¬gente não tiver os olhos da fé ungidos com colírio do Céu, sua mente ficará ofuscada pelo esplendor do cargo e julgar-se-á o úni¬co capaz, naquele momento, de apresentar algo que alimente a congregação, quando ali pode haver valores que Deus possa e queira usar. Onde o formalismo estabele¬ceu uma ordem mecânica, não há liberda¬de para o Espírito: não pode haver inspira¬ção.
Não era assim na igreja primitiva; a graça não era substituída pelo intelecto; o dirigente ocasional da reunião tinha a vi¬são de João Batista: ocultava-se aos olhos dos homens, a fim de que Cristo fosse visto em todos os atos e em todas as obras, por intermédio de quem Ele quisesse usar. Se havia algum coração inflamado pela graça e transbordante do gozo da salvação, podia levantar-se e transmitir à congregação a vibração da mensagem de Deus, e de tal forma o fazia, que todos reconheciam estar o tal vivendo no brilho e na santificação do Senhor.
- Mas onde está hoje a liberdade que transforma um culto num encontro ines-quecível com Deus, quando a alma sente a atmosfera do Céu perpassar num enlevo sublime que faz esquecer que estamos na Terra? Onde estão os salmos de adoração?
Onde os hinos espirituais? Onde os teste¬munhos simples mas convincentes, pelos quais Deus transtornou tanta sapiência e confundiu a arrogância?
Um culto na igreja primitiva possuía encantos que ninguém podia antecipar. Os que se propunham a assistir a eles, faziam-no unicamente confiados na graça que Deus revelaria à medida que o culto se rea¬lizasse. Nada ali era automático: o culto duma noite diferia do culto da noite se¬guinte. A pregação da Palavra, as orações, os hinos, os testemunhos, tudo, enfim, es¬tava na dependência do Espírito Santo, o que transformava em motivos de louvor e fatores de salvação, o que acontecia.
A variedade da forma do culto dava à igreja um brilho que não podia ser imitado, e transmitia aos corações convicções tão profundas e reais que nenhuma dúvida as podia abalar. Com a convicção, nascia o desejo ardente de viver uma vida mais pro¬funda e mais ativa no amor de Deus.
Antes de terminar este capítulo, dese¬jaríamos conhecesse o leitor alguns fatos históricos que descrevem a forma e a vida dum culto numa igreja apostólica, no tem¬po de Paulo. O brilho da igreja de então não se relacionava com a grandeza exte¬rior, como acontece em nossos dias. A atra¬ção que a igreja exercia não consistia em templos vistosos como os há hoje, por toda a parte. Os locais onde se reuniam eram bem modestos; talvez uma sala numa casa particular ou um salão que tivesse servido de depósito de mercadorias, porém ali re¬fletia, num deslumbramento espiritual, o fulgor da graça salvadora, transbordando dos corações remidos do pecado.
A assistência que acorria às reuniões da igreja não tinha as mesmas características da assistência dos cultos de nossos dias. Hoje, cada igreja ou congregação, é com¬posta de pessoas que moram na mesma re¬gião, têm os mesmos costumes, usam os mesmos trajes.
Na igreja primitiva, principalmente nas cidades comerciais servidas de porto de mar, a assistência era composta de li¬vres e de escravos. Judeus de feições e tra¬ços distintos contrastavam com gentios que o Evangelho iluminara e salvara. Gre¬gos de vestes custosas confundiam-se com homens rústicos, cuja vida fora gasta e en¬rijecida em viagens marítimas, mas agora, alcançados pela Luz do Mundo, estavam transformados e ali estão todos a arder de gozo, pela salvação que receberam.
Havia ainda na assistência, embora não muito numerosa, pessoas nobres às quais a salvação dera mais nobreza. Elas também estavam unidas ao conjunto da massa heterogênea que a graça arrancara do lamaçal.
Entremos em um desses lugares de cul¬tos e vejamos qual a diferença entre os ser-viços divinos que eles realizavam e os que se efetuam em nossos dias. Vamos fazer abaixo a descrição dum culto na igreja pri¬mitiva, visto pelo historiador Stalker, co¬nhecido e respeitado por todos:
"Em vez de uma só pessoa a dirigi-los nas orações, pregações e salmos, todos os presentes tinham a liberdade de contribuir com a sua parte. Talvez houvesse um pre-sidente ou diretor; mas um membro podia ler uma porção das Escrituras, outro podia fazer uma oração; um terceiro podia profe¬rir uma alocução; um quarto, principiar um hino, e assim por diante...
"Membros também havia que tinham o dom de profecia, dom em extremo valio¬so. Não era a faculdade somente de predi¬zer futuros eventos, mas um dom de apai¬xonada eloqüência, cujos efeitos eram por vezes assombrosos: entrando na as¬sembléia um incrédulo e escutando os pro¬fetas, era arrebatado por uma emoção irre¬sistível: os pecados de sua vida passada se lhe assomavam à mente, e ele confessava que Deus verdadeiramente estava no meio deles. Outros exerciam dons mais seme¬lhantes aos que nos são familiares, tais como o dom de ensinar e de administrar. Mas em todos estes casos parece ter havido uma espécie de inspiração imediata, não o efeito de cálculo ou de preparação, mas da presença de um influxo íntimo.
"Estes fenômenos são de tal modo ex¬traordinários, que, se fossem narrados em uma simples história descritiva, suscita¬riam sérias dúvidas à fé. Porém, a evidên¬cia deles é irrefutável, porque ninguém, es¬crevendo a um povo a respeito das suas próprias condições, iria inventar circuns¬tâncias que não existem e, além disso, Paulo escrevia-lhes antes para restringir do que para acoroçoar semelhantes mani¬festações. Revelam elas, entretanto, a vi¬gorosa força com que ao entrar no mundo, o cristianismo se apoderou dos espíritos sob a sua influência.
"Cada crente recebia, em geral, por ocasião do batismo, quando sobre ele se impunham as mãos do batizante o seu dom especial, cujo exercício podia ser tem¬po indefinido, dependendo apenas da fide¬lidade do recipiente.
"Era o Espírito Santo, derramado sobre eles sem medida, e penetrava os espíritos dos homens e repartia estes dons entre eles diversamente, segundo lhe apra-zia. Cumpria a cada membro fazer uso do seu dom particular em proveito de toda a corporação.
"Terminados os serviços aqui descritos, os membros assentavam-se para uma festa de amor, que culminava na Ceia do Senhor. E então, com o ósculo fraternal, eles se despediam e saíam para seus respecti¬vos lares. Era uma cena memorável, ra¬diante de amor fraternal e aureolada por manifestações estupendas de energia espi¬ritual. Ao voltarem aos seus lares, passan¬do por grupos descuidosos de pagãos, eles tinham a consciência de haver experimen¬tado aquilo que o olho não viu nem o ouvi¬do jamais ouviu".
Uma igreja onde os serviços divinos se identificam com os da igreja primitiva, como acima foi descrito, brilhará, sejam quais forem as circunstâncias, porque den¬tro de suas portas há corações que interce¬dem dia e noite pelos dons do Alto.
Na igreja primitiva os cultos eram as¬sim.
- Como são os cultos em nossos dias? São cultos com as mesmas características ou são cultos diferentes.

Fonte: Igrejas Sem Brilho - (Emílio Conde)

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