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domingo, 12 de junho de 2011

LUTA, SE QUISERES VIVER




Que esperais encontrar na estrada da vida cristã? Flores? Glória? Honra? Riqueza? Bem estar? Acaso pensais que, na frente de batalha há perene alegria e banquetes sem fim? Não sabeis que os cristãos são sol­dados do Senhor, e que como soldados tem que lutar para viver? Quem vos apontou este mundo como recanto de paz? Se ainda não percebestes a vossa condição desper­tai e vede que estais em pleno campo de luta espiritual, onde se fere a gigantesca batalha entre as forças do mal e os exércitos do Senhor, e que a única alternativa é lutar a tempo e fora de tempo para alcançar a coroa da vida.
Lutar para viver, aceitar o desafio com altivez e enfrentar os perigos da jornada foi a tarefa imposta à Igreja do Senhor em todos os tempos. Lembrai-vos de que o povo de Deus nos primeiros séculos teve as cata­cumbas por moradas, a fim de poder sobreviver. Acei­tou o desafio dos inimigos, não capitulou ao primeiro decreto de um rei ímpio.  Guardou a fé.  Preferiu carregar a cruz da perseguição a fazer negócios de Judas. Escolheu a senda espinhosa e agreste do desprezo, a um conluio ímpio e satânico. Corajosamente atirou-se à luta para vencer e, vencendo, viveu.
Acaso o Evangelho não declara quão grandes são os perigos, as desvantagens materiais e os sofrimentos a que estão expostos os seguidores de Jesus? Que pro­meteu Jesus aos discípulos que desejassem segui-lo? Ace­nou-lhes com vantagens ou apontou-lhes a cruz?
Percorrei a história da verdadeira Igreja e vereis, a cada passo, que os santos jamais tiveram tréguas pro­longadas. O mundo, o Diabo e a carne jamais oferecem armistício aos salvos. Entrai nas Catacumbas e tereis uma visão clara do que foi a tremenda batalha da fé; parai diante dos sarcófagos e sentireis que ali repousam heróis que lutaram e venceram; sentai-vos nas salas sub­terrâneas em que se reunia esse povo e respirareis san­tidade que ficou por herança. Se tocardes qualquer ob­jeto que haja pertencido a esses heróis, sentir-vos-eis ins­pirados a imitá-los, a lutar para viver como cristãos dignos da vocação que recebestes.
Mas não foi somente nos dias da primitiva Igreja que a fé brilhou, valorosa e robusta, impondo admira­ção ante as ameaças dos poderes apóstatas!
Ao tempo da Reforma, quando um gesto ou uma palavra a favor do verdadeiro Cristianismo represen­tava ser encarcerado, condenado à morte, desterrado, ou ser destituído de cargos de confiança, tratando-se de go­vernadores de Estados, Condados ou Províncias, nesse período, Deus também teve testemunhas que não dobraram seus joelhos diante de Baal.
Entre os muitos casos em que a fé agigantou-se, brilhou e ateou fogo nos corações, citemos apenas como se portaram alguns Príncipes cristãos: O imperador Car­los V dominava a Alemanha e grande parte da Europa, e era por todos temido e obedecido, pois linha o apoio do papa. Vários Príncipes alemães haviam abraçado a Reforma, creram na pureza do Evangelho e na suficiência de Cristo como Salvador.
Isto não agradava ao imperador e seus aliados, que tudo fazia para impedir a luz do Evangelho. Certo dia o imperador recebeu os Príncipes protestantes numa con­ferência particular e pediu-lhes que impusessem silên­cio aos capelães evangélicos que celebravam cultos pú­blicos. Dentre os Príncipes, levantou-se o velho Mal-grave de Brandenburg que avançou alguns passos para o imperador, e num gesto que denotava disposição e ener­gia, levou as mãos ao pescoço, e, inclinando-se, disse: "Era mais fácil a minha cabeça rolar aos pés de Vossa Majestade do que eu privar-me da Palavra de Deus e negar a meu Senhor".
Imaginai o efeito que tiveram estas palavras diante do imperador e de outros Príncipes. Conclui quanta co­ragem o Espírito Santo dá ao coração que se dispõe a lutar pelo céu. Homens desta tempera que amam a Deus mais do que a própria vida, que não se acomodam ante os interesses nem se acobardam diante dos, poderosos, são os que lutam e vencem. Qualquer que não colocar sua vida no altar do sacrifício e da renúncia, para ser oferecida, se necessário for, não alcançará as píncaros alcandorados da graça, onde se preparam os guerreiros que lutam para viver e vencer.
A Reforma deu-nos grande número desses homens. Pena é que a sua história não seja conhecida em todo o mundo evangélico, pois são páginas de heroísmo que arrebatam e atos de amor que sensibilizam.
Outro Príncipe contemporâneo da Reforma, o Elei­tor da Saxônia, o qual abraçou a fé evangélica, foi aconselhado a não assinar a Confissão, para evitar atritos e desgostos aos amigos. Porém o nobre Príncipe, foi nobre também na resposta, quando afirmou: "Estou disposto a fazer o que for justo, sem me importar com a minha coroa. Estou decidido a adorar, a honrar e a ser­vir ao Senhor. Para mim, o Senhor vale mais do que todas as coroas da Europa. Deixarei atrás de mim, tal­vez, ondas de minha humanidade, porém uma coisa é certa:  A graça «de Jesus Cristo me levará ao céu."
Quando a vida espiritual está em contato com Deus e luta com Deus e para Deus, não há inimigos fortes. Até os demônios fogem espavoridos, ante a decisão da alma que prometeu fidelidade a Jeová. O que acima es­crevemos sobre a decisão nobre e corajosa do Eleitor da Saxonia, foi completada pela seguinte declaração, ao assinar o documento, quando afirmou perante todos: "Vou assinar este documento na presença dos represen­tantes do Império. Se meu Deus. requer isto de mim, estou disposto a deixar tudo para alcançar uma coroa imortal. Renunciaria a meus súditos e perderia meu Es­tado; preferia ganhar a vida limpando sapatos de es­tranhos a deixar de assinar este documento que contém os fundamentos da salvação para todos."
Qual o inimigo que não vacila e não teme ante declaração tão positiva é tão enfática de lutar confiado em Quem fez vitoriosas os santos quando enfrentaram as feras, os reis, os tiranos e os demônios?
Mais um fato para tornar ainda mais claro o as­sunto: todos os estudiosos sabem como os Huguenotes (o povo evangélico) foram tratados na França e não desconhecem a culminância da perseguição,   na célebre noite de São Bartolomeu quando, no dizer de Sully, pri­meiro ministro de Henrique IV, foram massacrados, só em Paris, cerca de 70 mil protestantes.
Quando a conspiração havia alcançado o clímax, sendo já público e notório que o povo de Deus estava à mercê de um governo de homens ímpios, o Almirante Colingy, líder dos protestantes, foi convidado a ir à Côrte.
Seus amigos rogaram-lhe que não fosse, pois ir, equi­valia a entregar-se às mãos dos inimigos. Mas Coligny tinha consigo o Deus de Jacó e assim respondeu: "Prefiro morrer mil vezes a, por urna indevida solicitude pela minha vida, dar ocasião a que se avente uma suspeita em todo o reino''.
Com caracteres deste quilate, Deus pode fazer mui­to sobre a terra; com homens armados com esta fé, o cristianismo será honrado. Com soldados como este, o inferno tem muito a perder e o céu muito a ganhar.

Fonte: Nos domínios da fé - Emílio Conde

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