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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

9ª Lição: A Conversão de Paulo



Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Frederico Maia, 49
Viçosa - Alagoas

TEXTO ÁUREO

“Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.” (At 9.15,16).

- A conversão de Paulo incluiu não somente uma ordem para pregar o evangelho, mas também uma chamada para sofrer por amor a Cristo. Paulo foi informado desde o início que ele sofreria muito pela causa de Cristo. No reino de Cristo, sofrer por amor a Ele é um sinal do mais alto favor de Deus (At 14.22; Mt 5.11,12; Rm 8.17; 2 Tm 2.3) e o meio de ter um ministério frutífero (Jo 12.24; 2 Co 1.3-6); resulta em recompensas abundantes no céu (Mt 5.12; 2 Tm 2.12). A morte precisa atuar no crente para que a vida de Deus flua dele para os outros (Rm 8.17,18,36,37; 2 Co 4.10-12). Paulo considera-se um apóstolo para os gentios (Rm 1.13,14), assim como Pedro o era para os judeus (Gl 2.8), embora Paulo pregasse muitas vezes nas sinagogas para os judeus.

VERDADE PRÁTICA

Na urgência da evangelização mundial, o Senhor Jesus continua a convocar e a capacitar vasos escolhidos para a sua seara

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 9.1-9

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

- Conhecer a respeito da formação cultural de Paulo;

- Explicar como se deu o encontro de Saulo com Jesus, e

- Compreender os propósitos da vocação de Paulo.

PALAVRA-CHAVE

CONVERSÃO: - Mudança que Deus opera na vida do que aceita a Cristo como seu Salvador pessoal, modificando-lhe radicalmente a maneira de ser, pensar e agir.

COMENTÁRIO

(I. INTRODUÇÃO)

Paulo, em hebraico Sha’ul, natural de Tarso, nasceu cerca de 9 d.C. e foi morto em Roma, cerca de 64 d.C., é considerado pela cristandade como o mais importante discípulo de Jesus e o personagem que deu forma ao cristianismo nascente. Foi um apóstolo diferente dos demais, por ter dado maior ênfase à evangelização dos gentios, devotando-lhes especial atenção, sendo verdadeiramente ‘luz dos gentios’ (At 13.47). Assim como os outros Apóstolos, também teria visto Jesus Cristo (At 9.17, 1Co 9.1; 15.8). Era um homem culto, criado na mais severa seita dos fariseus, seguidor de Gamaliel [neto de Hillel, líder dentre as autoridades do Sanhedrin ou Sinédrio no meio do século I, reconhecido mestre e Doutor da Lei (Torah). Morreu vinte anos antes da destruição do Segundo Templo em Jerusalém.]. É destacado dos outros apóstolos pela sua vasta cultura, poucos podiam se orgulhar de ter mais instrução do que Paulo no que dizia respeito à educação religiosa judaica e poucos se aproveitaram tanto quanto ele da educação que recebeu (Fp 3.4-6), considerando-se que os outros apóstolos em sua maioria eram pescadores. A língua materna de Paulo era o grego. Provavelmente dominasse o aramaico, o idioma da Palestina. Educado em duas culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela difusão do Cristianismo entre os gentios tornando-se uma das principais fontes da doutrina da Igreja. As suas Epístolas formam uma seção fundamental do NT. Alguns teólogos apontam Paulo como o edificador do cristianismo, aquele que deu forma à nova religião, desvencilhando a seita do Caminho definitivamente do Judaísmo. Um dos passos mais importantes na preparação para a missão gentílica foi o chamado de um líder capacitado. E o líder escolhido por Deus foi justamente um a quem homem algum jamais escolheria; pois o líder escolhido foi justamente aquele que se levantou como o inimigo mais animalesco e amargo da Igreja. Que lição temos hoje! Aprendamos com a didática do Senhor em trazer os Seus escolhidos: aguilhoando! Boa aula!
(II. DESENVOLVIMENTO)

I. SAULO DE TARSO

Um escrito apócrifo do segundo século intitulado ‘Os Atos de Paulo’ afirma: “ele era um homem de tamanho mediano, seu cabelo era esparso, suas pernas eram levemente curvadas e seus joelhos eram pronunciados, e tinha grandes olhos (a versão armênia acrescenta “azuis”), suas sobrancelhas eram unidas e seu nariz era um pouco grande, e ele era cheio de graça e bondade; algumas vezes parecia com um homem, noutras com um anjo”. Não sabemos se este retrato falado corresponde à verdade, mas comparando-o com o registro do próprio Paulo de um insulto dirigido contra ele em Corinto: “Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra desprezível” (2Co 10.10), talvez confirmemos este retrato. Este homem de presença insignificante fora outrora o carrasco dos seguidores da seita do Caminho: “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8.3). John Stott afirma que “Alguns dos termos que Lucas usa para descrever Paulo antes da sua conversão parecem ser deliberadamente escolhido para retratá-lo como “um animal selvagem e feroz”. O verbo lymainomai, cuja única ocorrência no Novo Testamento se encontra em 8.3, em referência à “destruição” que Saulo causou a Igreja, é empregada no Salmo 8.13 (LXX), em relação a animais selvagens destruindo uma vinha; o seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animal selvagem”.

1. A formação cultural de Paulo. O primeiro esboço da vida de Paulo é um tanto brutal como sangrento. Durante a nossa vida, adotamos naturalmente uma imagem cristianizada do apóstolo Paulo. Sua aparição em Atos, no entanto, é como ‘um jovem chamado Saulo’, participante do assassinato brutal de Estêvão e que ‘consentia na sua morte’ (At 7.58; 8.1). Este é o Paulo que precisamos ver para apreciar a gloriosa verdade das cartas do NT que escreveu. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como ‘o apóstolo da graça’. Na verdade, quando verificamos como era o ambiente de seu nascimento e infância, descobrimos que não era marcado por ira nem por violência. A vida para Paulo começou, na verdade, muito pacificamente. Tarso, um centro da cultura grega, e a principal cidade localizada no coração da província da Cilícia, a cerca de 19 Km das praias resplandecentes do Mediterrâneo, rodeada pela cadeia de montanhas Taurus. Tornou-se uma via comercial muito usada pelas caravanas que levavam suas mercadorias do Oriente até Roma. A viagem exigia que passassem pelos Portais da Cilícia – uma impressionante seqüência de passagens estreitas lavradas através das Montanhas Taurus acima de Tarso. É provável que o ano tenha sido 1 d.C, mas os detalhes originais do local do seu nascimento são escassos. A indicá-lo, temos a reivindicação do próprio apóstolo: “Eu sou judeu de Tarso, cidade não insignificante da Cilicia… Da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus” (At 21.39). Em Tarso, a família de Paulo não pertencia de forma alguma aos mais humildes da população, já que seu pai possuía a cidadania romana, que nas províncias do império era um privilégio altamente apreciado e possuído por poucos. Charles R Swindoll nos informa que embora órfão de mãe aos nove anos, como filho de um proeminente fabricante de tendas, Saulo tornou-se beneficiário de uma herança religiosa e intelectual igualmente rica. Citando John Pollock, autor de The Apostle: A Life of Paul: “Os pais de Paulo eram fariseus (?????? prushim: “aqueles que se separaram”), membros do partido mais fervoroso do nacionalismo judaico e severo na obediência à lei de Moisés. Eles buscavam proteger seus filhos da contaminação. Embora Paulo soubesse falar grego desde a infância, a língua franca, e tivesse algum conhecimento de latim, sua família falava em casa o aramaico, a linguagem da Judéia, um derivado do hebraico.” [1]. Tarso tinha sua própria universidade, tornada famosa por causa de estudantes locais como Athenodorus, tutor e confi­dente do imperador Augusto, e o igualmente eminente Nestor. Esses ilustres mestres, em sua velhice, haviam retornado a Tarso e eram cidadãos honrados na infância de Paulo. Aos 13 anos já dominava história judaica, a poesia dos salmos, a literatura majestosa dos profetas. Seus ouvidos foram treinados à perfeição, e um cérebro ágil como o seu podia reter o que ouvia tão automática e fielmente quanto a mente fotográfica moderna. Charles R Swindoll continua citando Pollock: “Um fariseu rígido não iria confundir o filho com filosofia moral pagã. Portanto, provavelmente no ano em que Augusto morreu, 14 d.C., o adolescente Paulo foi enviado por mar à Palestina e subiu os montes até Jerusalém. Durante os cinco ou seis anos seguintes, ele sentou-se aos pés de Gamaliel, neto de Hillel, mestre supremo, que alguns anos antes morrera com mais de cem anos.” [1] Como jovem judeu, ele recebera educação ministrada aos jovens judeus de futuro e foi educado aos pés de Gamaliel, poucos podiam se orgulhar de ter mais instrução do que Paulo no que dizia respeito à educação religiosa judaica e poucos se aproveitaram tanto quanto ele da educação que recebeu (Fp 3.4-6). Paulo usava o estilo de perguntas e respostas, conhecido na filosofia como ‘diatribe’, e a expor, pois um rabino não era só parte pregador, como também parte advogado, que processava e defendia os que quebravam a lei sagrada. Tinha uma mente poderosa que poderia levá-lo a uma cadeira no Sinédrio, na Galeria das Pedras Polidas, e torná-lo um ‘principal dos judeus’.

2. Paulo, cidadão romano. Jerônimo, historiador judeu, afirma que os pais de Paulo viveram originariamente na região da Galiléia e que por volta do ano 4 a.C. foram levados como escravos a Tarso, onde obtiveram sua liberdade, prosperaram e se tornaram cidadãos romanos. John Pollock afirma: “Nessa época o civis romanus era raramente concedido, a não ser por causa de serviços prestados ou por bom dinheiro. Quer o avô de Paulo tenha ajudado a Pompeu ou a Cícero quando Roma era governada pela Cilicia, quer seu pai houvesse comprado a cidadania, essa posição conferia distinção local e privilégios hereditários, os quais cada membro podia reivindicar onde quer que se encontrasse em todo o império. Significava também que Paulo possuía um nome latino com­pleto composto de três palavras (por exemplo: Gaius Julius Caesar). As duas primeiras eram nomes comuns a todas as fa­mílias (no caso de César, Gaius Julius). Estas, porém, se per­deram com o tempo, pois a história da vida de Paulo foi escrita pela primeira vez por um seu colega grego. E grego nenhum conseguia entender os nomes latinos. O terceiro nome, cha­mado cognomen, era Paulus. Por ocasião do ritual da circuncisão, no oitavo dia de vida, ele também havia recebido um nome judaico: “Saulo”. Este foi escolhido ou por causa do seu signi­ficado, “pedido”, ou em honra do benjamita mais famoso de toda a história, o rei Saul” [2]. Ser cidadão romano comportava uma notável série de privilégios, variáveis durante o curso da história, tendo sido criadas diversas “graduações” da cidadania. Na sua versão definitiva e plena, todavia, a cidadania romana permitia o acesso aos cargos públicos e às várias magistraturas (além da possibilidade de escolhê-las no dia de sua eleição), a possibilidade de participar das assembleias políticas da cidade de Roma, diversas vantagens de caráter fiscal e, importante, a possibilidade de ser sujeito de direito privado, ou seja, de poder se apresentar em juízo mediante os mecanismos do jus civile, o direito romano por excelência. Jorge Schemes citando James Dunn assevera que Paulo como cidadão romano gozava de privilégios, então desde que Paulo se converteu no apóstolo dos gentios desejava desfrutar de mais liberdade para levar o evangelho ao mundo da época. Desde que Saulo era um nome pouco familiar fora dos círculos judaicos, a transição do uso do seu nome foi um feito natural; assim, Paulo refletia seu compromisso e sua responsabilidade como apóstolo dos gentios. O Doutor Siegfried Horn afirma que Paulo (Gr. Paulos) é mencionado até Atos 13.9 com o nome de Saulo (Gr. Saulos, do Hebraico Shaul = pedido [a Deus]; Cf. Atos 7.58); e dali em diante só é mencionado como Paulo, exceto no relato que ele mesmo faz de sua conversão (Cf. Atos 22.7,13; 26.14). Horn também sugere que o apóstolo tem dois nomes e que em seus contatos com os judeus talvez usasse o nome hebreu Saulo, e por outro lado usava seu nome greco-romano, Paulus, em contato com os gentios, aos quais desejava evangelizar [3].

SINÓPSE DO TÓPICO (1)

A formação cultural e religiosa de Paulo foi importante para a realização da obra de evangelização dos gentios e judeus.

II. A CONVERSÃO DE PAULO

Paulo inicia sua carta aos Romanos jogando fora toda exaltação própria ao declarar que era um servo de Jesus Cristo. Paulo teve toda sua mente e filosofia farisaica de salvação mudada quando encontrou ao seu Senhor. E agora começa escrevendo que é servo, escravo do Senhor dos senhores, Jesus Cristo. Paulo deixa de ser escravo do farisaísmo cheio de justiça própria para tornar-se escravo do “Senhor Justiça Nossa”.

1. O Encontro com Jesus. A Bíblia de Estudo Pentecostal, comentando o texto de At 9.3-19, diz: “Os versículos 3-9 registram a conversão de Paulo fora da cidade de Damasco (cf. 22.3-16; 26.9-18). Que sua conversão ocorreu nessa ocasião, e não posteriormente na casa de Judas (v. 11), fica claro à luz do seguinte: (1) Ele obedece às ordens de Cristo (v. 6; 22.10; 26.15-19), compromete-se a ser um ministro e testemunha do evangelho (26.16) e um missionário aos gentios (26.17-19) e entrega-se à oração (v. 11). (2) Paulo é chamado Irmão Saulo por Ananias (v. 17). Ananias percebe que Paulo é um crente que experimentou o novo nascimento (ver Jo 3.3-6), que se dedicou a Cristo, para fazer a sua vontade e que apenas necessita ser batizado, receber a restauração da sua vista e ser cheio do Espírito Santo” [4]. John Pollock assim descreve o encontro de Paulo com Jesus: “Quase ao meio-dia, repentinamente grande luz do céu brilhou ao redor de mim… uma luz mais brilhante do que o sol, brilhando ao meu redor e ao redor de meus companheiros de viagem.”Todos eles caíram por terra, apavorados com o fenômeno. Não se tratava de apenas um relâmpago, mas de luz terrível e inexplicável. Parece que Paulo permaneceu prostrado, enquanto seus companheiros se levantaram cambaleando. Para ele somente, a intensidade da luz aumentou. Paulo ouviu uma voz, ao mesmo tempo calma e autoritária, dizer-lhe em hebraico (At 26.14): “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Ele levantou os olhos. No centro da luz que o impedia de ver ao derredor, ele encarou um homem de mais ou menos a sua idade. Paulo não podia acreditar no que ouvia e via. Todas as suas convicções, intelecto, treinamento, reputação e auto-estima exigiam que Jesus não estivesse vivo novamente. Assim, pro­curando ganhar tempo, ele replicou: “Quem és, Senhor?” A expressão de tratamento podia não significar nada mais que “Excelência”. “Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas, levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer.” Então ele soube. Em um segundo, que mais pareceu uma eternidade, Paulo viu as feridas nas mãos e nos pés de Jesus, viu-lhe o rosto e compreendeu que estava vendo ao Senhor, vivo, como Estêvão e outros haviam dito, e que Jesus amava não apenas aos que Paulo perseguia, mas também ao próprio Paulo: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões.” Nem uma palavra de reprovação. Paulo jamais admitira a si mesmo sentir as pontadas de um aguilhão ao enfurecer-se contra Estêvão e seus discípulos. Mas agora, instantaneamente, se conscientizava de que estivera lu­tando contra Jesus. E lutando contra si mesmo, contra sua cons­ciência, sua falta de poder, contra as trevas e o caos de sua alma. Deus pairou sobre este caos e o levou ao momento de nova criação. Só faltava o consentimento de Paulo. Paulo se quebrou. Ele tremia e não estava em condições de pesar os prós e os contras para a mudança de idéias. Sabia apenas ter ouvido uma voz e visto o Senhor, e que nada mais importava a não ser descobrir a sua vontade e obedecer a ela. “Que farei, Senhor?” Aqui ele usa o mesmo tratamento de antes, mas toda a obe­diência e adoração, e todo o amor no céu e na terra entraram nessa única palavra “Senhor”. Naquele momento ele se sente totalmente perdoado, totalmente amado. Em suas próprias palavras: “Porque Deus que disse: Das trevas resplandecerá luz — ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” “Levanta-te”, ouviu ele, “e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer.” Ele havia confiado. Agora tinha de obedecer — a uma primeira ordem humilhante, quase trivial. Ao se pôr de pé, estava cego. Estendeu a mão aos compa­nheiros, agora ainda mais espantados ouvindo Paulo responder ao inaudível, os quais o conduziram. Os animais de carga e de montaria alcançaram a pequena caravana que se dirigia a Damasco em maravilhoso silêncio” [5].

2. Ananias visita a Paulo. Lucas dá seqüência à história da conversão de Saulo e às conseqüências dessa conversão. É maravilhoso ver a transformação que agora aflora em suas atitudes, em seu caráter e, de modo especial, em seu relacionamento com Deus, com a igreja cristã e com o mundo incrédulo. Agora, Saulo tinha uma nova referência para com Deus – Ananias. Embora a tradição identifique Ananias como um dos bispos de Damasco, pouco se sabe sobre este homem. Instruído a ir e ministrar ao novo convertido, foi informado de que ele estava orando. Três dias haviam passado desde o seu encontro com o Senhor ressurreto, durante os quais nada comeu nem bebeu, passou aqueles dias em jejum e oração. Paulo ora e jejua, pedindo orientação, em atitude de profunda dedicação a Deus. A fé salvadora e o novo nascimento à que ela conduz, sempre levarão o crente a buscar comunhão com seu Senhor e Salvador, que ele acaba de aceitar. William Barclay chama Ananias de “um dos heróis esquecidos da igreja cristã”. A priori, porém, quando ordenado ir até Saulo, Ananias hesitou e isso é compreensível, era uma reação perfeitamente normal a qualquer ser humano; ir até Saulo seria o mesmo que suicídio. Sua ferocidade era conhecida. Ananias também sabia que Saulo viera a Damasco com autorização dos principais sacerdotes para prender todos os crentes. Mas Jesus repetiu Sua ordem, dizendo “Vai!”; e acrescentou que Saulo era um instrumento escolhido para levar o Seu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel – um ministério que lhe traria muito sofrimento por amor a esse mesmo nome. Assim, Ananias foi até a rua Direita [que ainda é a principal rua que vai de leste a oeste de Damasco], e entrou na casa de Judas, no quarto em que estava Saulo. Lá ele lhe impôs as mãos, talvez para identificar-se com Saulo enquanto orava pela cura de sua vista e pela plenitude do Espírito Santo para dar-lhe poder para exercer seu ministério. Ananias chamou-o de “Saulo, meu irmão!”.

3. Saulo, de perseguidor a perseguido. Saulo permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos, ele sabia que agora pertencia àquele grupo que havia tentado destruir anteriormente, e mostrou isso claramente, fortalecia-se como testemunha e apologista, a ponto de confundir os judeus em Damasco ao pregar nas sinagogas demonstrando que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus. Entretanto, Saulo não ficou entre os cristãos de Damasco. Lucas descreve como ele deixou a cidade decorridos muitos dias. Essa referência ao tempo é intencionalmente vaga, mas sabemos por Gálatas 1.17,18 que “esses últimos dias” somaram três anos e que durante esse período Paulo esteve na Arábia. Depois desse período, ele voltou para Damasco; porém, não por muito tempo: pois os judeus deliberaram entre si a tirar-lhe a vida e dia e noite guardavam as portas, para o matarem. De alguma forma o plano deles chegou ao conhecimento de Saulo, e então seus seguidores [numa indicação que sua liderança já era reconhecida e que tinha atraído seguidores], colocando-o num cesto, desceram-no pela muralha, e ele fugiu para Jerusalém[6].

SINÓPSE DO TÓPICO (2)

Paulo teve um encontro com Jesus quando se dirigia para Damasco, na Síria, a fim de prender os cristãos.

III. PROPÓSITOS DA VOCAÇÃO DE PAULO

Depois desse encontro na estrada de Damasco, Saulo enfrentou a maior crise de sua vida. Ele encontrou-se face a face com o Messias, e viu-se forçado a reconhecer que estava errado, e os seguidores da seita do Caminho, certos: Jesus era o Messias. Naquele momento, toda a sua luta cessou. Uma grande revolução, maior do que qualquer outra que já conhecera, teve lugar no seu íntimo. Humilhado e abatido nas mãos daquele que julgava ser seu inimigo. O próprio fanatismo da perseguição de Saulo traía a sua crescente perturbação interior, “pois o fanatismo só é encontrado em indivíduos que estão compensando dúvidas secretas” – Jung.

1. Conhecer a vontade de Deus. Saulo fora chamado por Cristo para deixar de lado as regras, tradições e todo o passado do qual tanto se gloriara. Outros já o haviam feito e tiveram de enfrentar oposição. O futuro não lhe seria fácil. Ele pensa em Estêvão e como fora este poderoso no Evangelho. Se Saulo tivesse aberto os olhos antes, quantas centenas de crentes não teriam sido poupados! Mas ele tomaria o lugar de Estêvão, e quem sabe, faria para Cristo uma obra ainda maior. Uma vez mais Saulo delibera ser fiel à visão celestial, e passar o resto de sua vida pregando o evangelho aos judeus e gentios.

2. Tornar-se ministro e testemunha de Jesus. Paulo saíra das trevas para a luz. Morrera para a velha vida, sob a Lei, e fora cheio do Espírito. Desejava, agora, provar o seu arrependimento através de uma vida de serviço a Cristo. A nova compreensão sobre o Messias mudou radicalmente sua vida e contrariava não o Antigo Testamento, mas o que o judaísmo pensava a respeito do Libertador. Paulo considerava os judeus e gentios na mesma situação. Em Romanos 1, ele descreve a depravação dos gentios, no capítulo 2, a incredulidade e desobediência dos judeus. No terceiro, põe os dois povos no mesmo bojo: ‘todos pecaram’ (Rm 3.23). Diante disso, levou avante a ordem de Jesus; ‘Por que hei de enviar-te aos gentios de longe’ (At 22.21).

3. Sofrer a favor de Cristo e do evangelho. A conversão de Paulo incluiu não somente uma ordem para pregar o evangelho, mas também uma chamada para sofrer por amor a Cristo. Paulo foi informado desde o início que ele sofreria muito pela causa de Cristo. No reino de Cristo, sofrer por amor a Ele é um sinal do mais alto favor de Deus (14.22; Mt 5.11,12; Rm 8.17; 2 Tm 2.3) e o meio de ter um ministério frutífero (Jo 12.24; 2 Co 1.3-6); resulta em recompensas abundantes no céu (Mt 5.12; 2 Tm 2.12). A morte precisa atuar no crente para que a vida de Deus flua dele para os outros (Rm 8.17,18,36,37; 2 Co 4.10-12). Para outros textos sobre os sofrimentos de Paulo, ver 20.23; 2 Co 4.8-18; 6.3-10; 11.23-27; Gl 6.17; 2 Tm 1.11,12; ver também 2 Co 1.4). Paulo ressalta em Gálatas 6.17 que a vida cristã envolve sofrimento (que deve ser considerado como uma participação ou comunhão com Cristo no sofrimento) e a consolação de Cristo, e em Colossenses 1.24 Paulo se regozija porque lhe é permitido participar dos sofrimentos de Cristo. O Espírito Santo, através das palavras de Paulo, revela-nos a angústia e o sofrimento de uma pessoa totalmente dedicada a Cristo, à sua Palavra e à causa em prol da qual Ele morreu. Paulo comungava com os sentimentos de Deus e vivia em sintonia com o coração e os sofrimentos de Cristo. Ele fala em: “muitas tribulações” enfrentadas ao servir a Deus (At 14.22); sua aflição no “espírito”, por causa do pecado dominante na sociedade (At 17.16); servir ao Senhor com “lágrimas” ( 2.4); advertir a igreja “noite e dia com lágrimas”, durante um período de três anos, por causa da perdição das almas, pela distorção do evangelho por falsos mestres, contrários à fé bíblica apostólica (At 20.31); sua grande tristeza ao separar-se dos crentes amados (At 20.17-38), e seu pesar diante da tristeza deles (At 21.13); a “grande tristeza e contínua dor” no seu coração, por causa da recusa dos seus “patrícios” em aceitarem o evangelho de Cristo (Rm 9.2,3; 10.1); as muitas provações e aflições que lhe advieram por causa do seu trabalho para Cristo (4.8-12; 11.23-29; 1 Co 4.11-13); seu pesar e angústia de espírito, por causa do pecado tolerado dentro da igreja (2.1-3; 12.21; 1 Co 5.1,2; 6,8-10); sua “muita tribulação e angústia do coração”, ao escrever àqueles que abandonavam a Cristo e ao evangelho verdadeiro (2.4); seus gemidos, por causa do desejo de estar com Cristo e livre do pecado e das preocupações deste mundo (5.1-4; cf. Fp 1.23); suas tribulações “por fora e por dentro”, por causa de seu compromisso com a pureza moral e doutrinária da igreja (7.5; 11.3,4); o “cuidado” que o oprimia cada dia, por causa do seu zelo por “todas as igrejas” (v.28); o desgosto consumidor que sentia quando um cristão passava a viver em pecado (v.29); o desgosto de proferir um “anátema” sobre aqueles que pregavam outro evangelho, diferente daquele revelado no NT (Gl 1.6-9); suas “dores de parto” para restaurar os que caíam da graça (Gl 4.19; 5.4); seu choro por causa dos inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.18); sua “aflição e necessidade”, pensando naqueles que podiam decair da fé (1 Ts 3.5-8); suas perseguições por causa da sua paixão pela justiça e pela piedade (2 Tm 3.12); sua lastimável condição ao ser abandonado pelos crentes da Ásia (2 Tm 1.15); e seu apelo angustiado a Timóteo para que este guarde fielmente a fé genuína, ante a apostasia vindoura (1 Tm 4.1; 6.20; 2 Tm 1.14). Nesta era, portanto, Cristo sofre com seu povo e em favor do seu povo, devido à tragédia do pecado no mundo (cf. Mt 25.42-45; Rm 8.22-26). Nosso sofrimento não é primeiramente motivado por desobediência, mas constantemente causado por Satanás, pelo mundo e pelos falsos crentes, à medida que participamos da causa de Cristo[7].

SINÓPSE DO TÓPICO (3)

Os propósitos da vocação de Paulo era que ele conhecesse a vontade divina, se tornasse uma testemunha e sofresse a favor de Cristo e do evangelho.

(III. CONCLUSÃO)

O corpo de Saulo fica marcado para sempre; com orgulho exibiria essas marcas por haverem-no introduzido numa comunhão mais profunda com o Cristo e com os que foram chamados a sofrer pela fé. Paulo já havia sido escolhido por Deus desde o ventre de sua mãe. No entanto, Jesus esperou o tempo certo, depois que ele perseguiu tanto os cristãos, para mostrar-lhe o seu poder e o quanto era necessário padecer pelo Seu nome. Transformado, tornou-se missionário entre os gentios, tornando-se o principal representante da nova religião revelada. Seu ministério entre os gentios, suas viagens missionárias e as epístolas que escreveu capacitam-no como o maior herói que do cristianismo.

Fonte: ebdweb

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Congresso de Jovens Adolescentes em Viçosa ALagoas



A Assembleia de Deus em Viçosa Alagoas, sob a direção do Pr. Donizete inácio de Melo, reallizará no período de Carnaval, o 3º Congresso de Jovens e Adolescente.DIVULGUE, ORE E PARTICIPE.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

8ª LIÇÃO: QUANDO A IGREJA DE CRISTO É PERSEGUIDA



IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS
RUA FREDERICO MAIA, 49 - VIÇOSA - ALAGOAS
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
PASTOR LOCAL: PR. DONIZETE INÁCIO DE MELO
SUPERINTENDENTE: PB. EFIGÊNIO HORTÊNCIO DE OLIVEIRA


INTRODUÇAO
Ao longo da história da igreja de Cristo na terra, podemos destacar a sua grande milícia, milhares de servos e servas de Deus não tiveram suas vidas por preciosas. Esses ilustres servos e servas do Senhor, perderam a sua vida, tudo pela fidelidade a Cristo Jesus, sobre tudo na esperança de uma vida eterna futura. Extraímos diante de tamanhas perseguições, que a marcha da igreja não pôde ser atingida. Na lição de hoje, estaremos estudando mais um pouco desse período que marca a história da amada noiva de Cristo, ao mesmo tempo que chegaremos a entender que o nosso Deus está a contemplar tais situações, e nos ensinará como se comportar meio a perseguição.
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ESTEVÃO, UM MÁRTIR
O relato do caráter de Estevão, nos dado por Lucas, é vibrante: “E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At. 6.8). Quanto maior o poder de Deus atuante na igreja e na vida do cristão, maiores serão as perseguições. Por causa do testemunho corajoso de Estevão, os membros das sinagogas passaram a persegui-lo. Como foram incapazes de detê-lo por meio da argumentação bíblica, apelaram para a violência (At. 6.10). A perseguição pode ficar no campo das idéias, mas quando o perseguidor não consegue responder com base em seus argumentos, geralmente responde na base do falso testemunho (At. 6.13) da força física (At. 7.58). As declarações de Estevão foram firmes, ele se posicionou contra aquilo que era considerado de mais sagrado pelos judeus, o templo (At, 7.30,33,48), por isso eles o acusaram de “proferir palavras blasfemas contra este santo lugar” e de proferir “palavras blasfemas contra Moisés”. A pregação de Estevão, registrada no capítulo 7 de Atos, enfureceu as autoridades religiosas judaicas porque ele mostrou claramente que os líderes israelitas nunca entenderam os planos de Deus. A raiva dos judeus era tamanha que eles, diz Lucas, “enfureciam-se em seus corações e rangiam os dentre contra ele”. A coragem de Estevão não vinha dele mesmo, mas do Senhor, que o encheu com o Seu Espírito Santo (At. 6.5,8). O crente cheio do Espírito Santo não teme a perseguição, nem mesmo a morte, pois sabe que, como aconteceu com Estevão, o Senhor estará nos céus para recebê-lo (At. 7.55,56). Mesmo sendo apedrejado, Estevão não desejou mal aos seus opositores, antes orou por eles, depois entregou seu espírito a Jesus, semelhantemente o que o Senhor havia feito na cruz (Lc. 23.34).

2. QUANDO A IGREJA É PERSEGUIDA
Após o martírio de Estevão, a igreja passou a enfrentar forte perseguição. A palavra mártir, em grego, significa “testemunho”, aqueles que são mortos por amor a Cristo, estão testemunhando do Seu amor a Ele, por isso são bem-aventurados (Mt. 5.11). Na ocasião em que Estevão foi apedrejado, Saulo de Tarso, “consentiu na morte dele” (At. 8.1). A morte de Estevão resultou numa grande perseguição contra a igreja de Jerusalém, mas essa não conseguiu deter a força do evangelho, pois “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria (…) mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra” (At. 8.1,4). A perseguição pode ser uma estratégia permitida por Deus para retirar a igreja do comodismo. Saulo de Tarso, o perseguidor, “assolava a igreja, entrando pelas casas; e arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At. 8.3). O verbo “assolava”, em grego, é lumaino e expressa “uma crueldade sádica e violenta”. O zelo religioso de Saulo de Tarso o conduzia a perseguição dos enviados por Cristo para pregar o evangelho, esse é o perigo da religiosidade humana, destituída do evangelho de Cristo. Seus líderes perseguem os cristãos sem qualquer respaldo no evangelho, pior ainda, fazem tudo “em nome de Deus”. Sempre foi assim, nos dias da igreja primitiva, no período das “santas” inquisições e ainda hoje. A igreja de Cristo não está imune às perseguições, pois, conforme expressou Paulo a Timóteo, “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (II Tm. 3.12). A menos que a igreja partilhe os valores defendidos pelo mundo, e deixe de ser igreja, essa enfrentará oposições. E essas são de diversas ordens: institucionais - através de leis e decretos que sejam contrários à palavra de Deus; cultural - através da produção televisiva, cinematográfica e literária que se afastam do evangelho; e física - através da prisão, tortura e morte daqueles que apregoam a mensagem de Jesus Cristo.
3. ENFRENTANDO A PERSEGUIÇÃO
Como a igreja não está imune à perseguição, ela precisa saber enfrentá-la com fé e coragem. No capítulo 4 de Atos, está registrada a perseguição que Pedro e João sofreram por causa da cura de um coxo. A partir dessa passagem, é possível extrair alguns ensinamentos a respeito de como a igreja deva lidar com a perseguição. Primeiramente, é imprescindível a busca pelo poder do Espírito Santo (At. 4.8). Uma igreja cheia do Espírito Santo declara com intrepidez, aos perseguidores, que Cristo Jesus é o Senhor. Ela não se cala diante da autoridade suprema da Palavra de Deus, pois ainda que as autoridades queiram silenciá-la, os verdadeiros discípulos não podem deixar de testemunhar do que viram e ouviram (At. 4. 18-20). Paulo testemunhou a respeito dessa verdade “nós cremos também, por isso também falamos” (II Co. 4.13). Diante da perseguição, seja ela de ordem institucional, cultural ou física, temos respaldo do Senhor para a desobediência, pois, conforme expressou Pedro diante das autoridades judaicas, “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At. 5.29). O Senhor prometeu está com a Sua igreja, Ele declarou que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt. 16.18). Diante da perseguição, Ele não a deixará sozinha, pois prometeu estar com ela até a consumação dos séculos (Mt. 28.20). Por isso, devemos estar convictos que Ele agira diante das perseguições, realizará proezas no meio da igreja (Mc. 16.15-18). Se a perseguição continuar, e ainda que se tenha que pagar com a própria vida, a igreja tem a certeza de receber, do Senhor, a herança que está reservada aos mártires (II Tm. 4.8; Ap. 2.10).

CONCLUSÃO

Diante desta lição podemos entender que a igreja de Cristo não pode temer diante das perseguições, pois bem sabemos que o nosso Deus está conosco a fim de nos conceder a vitória diante dos nossos perseguidores. Entendemos que ao decorrer dos séculos a igreja teve a crescer nas perseguições.

Neste contexto a ser estudado, leia nossas postagens:
Os Mártires. Sangue que fala ( Jonh Fox)

Que Deus em Cristo possa continuar nos abençoando.

Lição adaptada
Fonte: ebdweb

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ASSISTÊNCIA SOCIAL, UM IMPORTANTE NEGÓCIO



IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS
RUA FREDERICO MAIA, 49
VIÇOSA - ALAGOAS
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
PASTOR LOCAL: PR. DONIZETE INÁCIO DE MELO
SUPERINTENDENTE: PB. EFIGENIO HORETENCIO DE OLIVEIRA


INTRODUÇÃO
A igreja cristã primitiva, após experimentar crescimento significativo, começou a lidar com problemas sociais. Para tanto, fez-se necessário a instituição do diaconato, como alternativa para atenuar as dificuldades sociais. A respeito desse assunto estudaremos na lição de hoje, atentando, a princípio, para o papel da assistência social na igreja, em seguida, para o significado do diaconato. Ao final, destacaremos a relevância da assistência social na igreja.

1. ASSISTÊNCIA SOCIAL NA IGREJA
A assistência social precisa ser entendida tanto como profissão quanto prática social. O assistente social é um profissional com formação universitária que atua em diversos contextos a fim de favorecer auxílio institucional às pessoas necessitadas, e também, promover mudança social, com vistas à ruptura com estruturas sociais injustas. A assistência social, em sentido amplo, conforme tomado nesta lição, diz respeito à atuação direta da igreja cristã, com o intuito de dirimir as dificuldades sociais existentes na igreja. As principais dificuldades sociais com as quais a igreja lida são de ordem financeira, e mais especificamente, com o provimento necessário dos irmãos para o básico, o alimento diário. A igreja cristã não poderá erradicar a pobreza que campeia na sociedade. Na verdade, na situação social controlada pelo pecado, a pobreza continuará existindo (Mt. 26.11). O problema da pobreza é bastante complexo e deva ser analisado à luz das Escrituras e dos estudos sociológicos. Há pobreza que é decorrente do pecado específico de uma pessoa, mas isso não deva ser adotado como regra geral. Existem pessoas que são pobres porque as condições sociais lhes foram desfavoráveis. O mesmo pode ser dito em relação à riqueza, há pessoas que são ricas porque se esforçaram e conseguiram acumular capital, mas outras enriqueceram por meio da exploração dos mais pobres e necessitados. A igreja, sem desprezar a oração, a evangelização e o ensino, tem o desafio de, ao mesmo tempo em que “dar o peixe”, também “ensina a pescar”, isto é, promover coletas para ajudar os pobres, orientar a formação profissional e contribuir com práticas que diminuam a desigualdade social.

2. A INSITUIÇÃO DO DIACONATO NA IGREJA
A igreja de Jerusalém passou por uma experiência singular no tratamento das dificuldades sociais dos irmãos. Lucas registra que “repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (At. 4.35). Essa experiência precisa ser avaliada com critérios bíblico-contextuais, para evitar posições extremas. Há dois versículos: At. 2.44 e 4.32, nos quais está escrito que os discípulos de Jesus tinham tudo em comum, hapanta koina, em grego. A necessidade era tamanha entre eles que ninguém se considerava dono de coisa alguma, antes colocava tudo à disposição dos apóstolos, para que os bens fossem por eles distribuídos (At. 4.34,35). A entrega dos bens pessoais, conforme depreendemos de At. 2.45; 4.35, era proporcional à necessidade dos irmãos, por isso não havia necessitado entre eles (At. 4.34). Essa prática não deva ser confundida com um comunismo, isto é, o sistema de governo baseado nos pressupostos marxistas, que determina o controle da distribuição de renda pelo Estado. A entrega dos bens na igreja se dava voluntariamente, não era uma imposição apostólica. O princípio permanece para a igreja, no intuito de responder às necessidades dos irmãos. Para isso foram estabelecidos os diáconos, pois, “naqueles dias, multiplicou-se o número dos discípulos”. Os gregos começaram a murmurar contra os hebreus, pois “suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (At. 6.1). Na igreja de Jerusalém já era possível identificar dos grupos: os gregos (hellenistai) e os hebreus (heraioi). A solução foi a escolha “de sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos à oração e ao ministério palavra” (At. 6.4). Esses homens receberam o nome de diáconos, cujo significado é “ministério” ou “serviço”. O diácono não era apenas um título, mas uma função, ou seja, aqueles que assim atuavam na igreja, sabiam que seu propósito era o de servir aos irmãos da igreja.
3. INVESTINDO NA ASSISTÊNCIA SOCIAL
O investimento na assistência social na igreja é um ótimo negócio, pois na medida em que os irmãos cuidavam dos necessitados, “crescia a palavra de Deus” (At. 6.7). Para alguns irmãos, a dedicação à obra social é perda de tempo, e até justificam: que “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2.8,9), esquecendo do versículo 10, seguinte: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. O trabalho social da igreja, nesse contexto, não é para obter a salvação, pois, de fato, somos salvos pela graça, por meio da fé, mas após a salvação, devemos nos devotar também às boas obras, dentre as quais, a ajuda aos necessitados. A generosidade é uma prática precisa ser estimulada nas igrejas cristãs, que, infelizmente, por causa do individualismo, e do culto ao sucesso, começa a ser desprezada. Há pessoas que ao invés de demonstrar cuidado com os carentes da igreja, preferem culpá-los por incompetência, e semelhantemente aos “amigos” de Jó, justificam, como causa de necessidade, a existência de algum tipo de pecado. A igreja de Corinto nos deixa um exemplo de generosidade (II Co. 8.7). E essa deva ser exercida em amor, sem alardes, e não apenas com palavras, mas também em atos (Lc. 19.1-10; I Jo. 3.16-18). A preocupação com a pobreza dos irmãos se fundamenta no fato de que Jesus também foi pobre (Lc. 2.7; Lc. 2.24; Lv. 12.6-8); Lc. 9.58).

CONCLUSÃO
A lição mostra que os apóstolos sabiam delegar as tarefas. Infelizmente, hoje, há uma liderança centralizadora na maioria das igrejas e não permitem que outros façam algo em prol da igreja e do próprio líder. Muitos líderes se sobrecarregam com funções que poderiam ser divididas e confiadas à homens fiéis no desempenho da Diaconía, o que acarretaria num maior tempo para dedicar-se ao ofício dos Presbyteroi. O Homem por mais capacitado que seja, não exercerá a contento as diversas funções. Por isso Deus permitiu que fossem escolhidos sete discípulos, os quais serviriam às mesas, enquanto os apóstolos se dedicariam ao estudo e a meditação das Escrituras, a fim de que estivessem em condições de ministrar o ensino bíblico.

Que Deus em Cristo continue nos abençoando.
FONTE: EBDWEB