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segunda-feira, 27 de junho de 2011

EM BUSCA DO CONHECIMENTO

  
 "Em busca do conhecimento". A frase supra citada tem feito parte da turma do curso básico de Teologia, da Faculdade de Filosofia e Teologia de Alagoas - FAFITEAL, com pólo em Viçosa no interior do Estado. Neste domingo(27), os respectivos alunos matriculados no referido curso, concluíram mais uma matéria da grade curricular: Cristologia. 

  Foi uma uma manhã maravilhosa, após aplicação da avaliação, houve uma bela confraternização da turma. Alguns dos alunos, expressaram a alegria e satisfação da oportunidade que nos é proporcionada à busca do conhecimento da palavra de Deus através do edificante curso. 

  O Pr. Donizete,  diretor do pólo, transmitiu uma boa palavra de incentivo para alunos. Parabenizamos esses alunos que com muita coragem e dedicação estão em busca do maior conhecimento oferecido ao homem: A palavra de Deus, sustentou o Pastor.

                                                                Turma do curso
Alunas: Aparecida, Vanessa e Viviane 
ALunos: Sávio André e Wlly
Alunos concentrados
Mãe e filha




1ª lição: O Projeto Original do Reino de Deus


Amado irmão, Deus nos concede mas um trimestre de ensinamento da Santa Palavra de Deus na maior "Escola Bíblica do mundo". Estaremos estudando a respeito da Missão Integral da Igreja. Na oportunidade aprenderemos sobre a igreja no contexto do Reino de Deus. Na lição de hoje mostraremos algumas das diversas interpretações do Reino de Deus e sua fundamentação bíblica no Antigo e Novo Testamento. Esse é um tema importante a ser estudado, considerando que o Reino de Deus constituiu-se na mensagem central de Jesus (Mc. 1.14,15; Mt. 4.23; Lc. 4.21). Uma ótima aula e proveitoso trimestre.

1. REINO DE DEUS: INTERPRETAÇÕES
Ao longo da história do pensamento teológico surgiram diversas interpretações em relação ao conceito de Reino de Deus. De Agostinho até o período da Reforma Protestante predominou a interpretação de que o Reino de Deus estava circunscrito à Igreja. Depois desse período, a concepção de Reino passou a ser ampliada. Os estudiosos da Bíblia depois da Reforma assumiram que a Igreja constitui o povo do Reino, mas não pode ser identificada com o Reino. Na perspectiva liberal, Adolf Harnack defendia que o Reino de Deus é totalmente apocalíptico, algo que está sempre porvir. Enquanto outros, de tendência mais existencialista, enfatizaram o Reino de Deus como algo meramente experiencial, isto é, uma identificação religiosa do indivíduo com o Reino. Um dos defensores desse ponto de vista foi Rudolf Bultmann, considerando que o verdadeiro significado do Reino deveria ser compreendido em termos de proximidade e exigência de Deus. Johannes Weiss associa o Reino de Deus com os apocalipses judaicos. Para ele, o Reino somente se dará no futuro, quando Jesus reinar sobre a terra. Esse pensamento também foi assumido por Albert Schweitzer que a interpretou em termos escatológicos. Para C. H. Dodd, o Reino de Deus é descrito em linguagem apocalíptica, mas que adentrou a história através da missão de Jesus. Em Cristo tudo o que havia sido profetizado se concretizou na história, assumindo uma “escatologia realizada”. W. G. Kümmel entendeu que o significado primário do Reino de Deus é eschaton - a nova era, análoga à do apocalipse judaico. Contrário ao pensamento da “escatologia realizada” de Dodd, Joaquim Jeremias propôs uma “escatologia em processo de realização”. Para ele, a mensagem de Jesus a respeito do Reino de Deus e seus milagres irromperam na história, mas é preciso aguardar a manifestação plena desse Reino. A tendência bíblico-teológica comumente assumida nesses últimos tempos, inclusive pelas alas dispensacionalistas, é a de que o Reino de Deus (e dos Céus) é algo em processo, uma tensão entre presente “o já” e o futuro, o “ainda não” (I Jo. 3.2).


2. O REINO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO
Ainda que a expressão “Reino de Deus” não ocorra no Antigo Testamento, ela é pressuposta em toda a mensagem profética. O Antigo Testamento está repleto de alusões à soberania real de Deus, existem várias referências que o caracterizam como Rei de Israel (Ex. 15.19; Nm. 23.21; Dt. 33.5; Is. 43.15) e de toda a terra (II Rs. 19.15; Is. 6.5; Jr. 46.18; Sl. 29.10; 99.1-4). Algumas referências apontam para o dia em que Ele governará sobre o povo (Is. 24.23; 33.22; 52.7; Sf. 3.15; Zc. 14.9). De tais passagens concluímos que Deus é “já” Rei, mais chegará o momento em que Ele finalmente “se tornará” Rei, ou melhor, manifestará a Sua glória real ao mundo. A linguagem profética aponta para uma revelação plena de Deus na história, quando o projeto original de Deus, em relação ao Seu Reino, será concretizado completamente. O Reino de Deus é uma esperança, pois o Senhor, no final dos tempos, manifestará Sua soberania sobre todas as nações. Na literatura rabínica, o conceito de Reino de Deus também tem uma conotação apocalíptica, enfatizando a esperança pela sua concretização plena. Nos livros apócrifos de Enoque e Salmos de Salomão a ênfase é posta exclusivamente no futuro, distanciando-se do sentido de atuação de Deus no presente. Essa tendência judaica tende ao pessimismo em relação ao tempo presente, resultando, às vezes, em escapismo. Os adeptos dessa perspectiva acreditam que resta a este tempo presente somente sofrimento e aflição, a glória somente se revelará no futuro, já que a era presente estaria entregue aos poderes malignos. Esse mesmo pensamento era partilhado pela Comunidade de Qumran, que aguardava a descida dos anjos, que se juntariam aos “filhos da luz” para a luta contra os inimigos, “os filhos das trevas”. Para os Zelotes, líderes judaicos radicais do Primeiro Século, o Reino de Deus deveria ser imediato, resultado de uma intervenção armada.


3. O REINO DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO
O Reino de Deus no Novo Testamento é expresso pelos teólogos a partir da expressão grega “basileia tou theou”. O termo grego basileia (Reino) está relacionado ao hebraico malkuth que aponta para o futuro (eschaton) que tem o sentido de reino, domínio ou governo. Por isso, na oração do Senhor, pedimos ao Pai pela vinda do Reino, isto é, para que a vontade de Deus, Seu governo, seja feito na terra, que o Seu domínio se complete (Mt. 6.10). O Reino de Deus, conforme designado por Jesus para os seus discípulos, é uma “ordem de honra real”, isso porque onde estiver o Rei, ali estará o Reino (Lc. 22.29). O Reino de Deus, nas palavras do Senhor, é prioritariamente eschaton - futuro, mas também presente (Lc. 17.21). Para a Igreja Jesus já é o Rei, mas Ele precisa tornar-se Rei, essa é a temática do Novo Testamento (Fp. 2.10). A vinda plena do Reino de Deus consumará o fim da era presente e inaugurará a Era Vindoura. O final da Era Presente resultará no julgamento do Diabo (Mt. 25.41), a formação de uma sociedade redimida (Mt. 13.36-43) e a comunhão perfeita em Deus (Lc. 13.28,29). Isso poderia ter acontecido no tempo em que Jesus veio a terra, mas os judeus O rejeitaram, por isso, foi tomado pelos outros (Mt. 8.12), por conseguinte, os súditos do reino de Jesus são aqueles que aceitam a Sua palavra (Mt. 13.38). Para esses, o Reino de Deus é uma realidade presente, pois “é chegado a vós” (Mt. 12.28). Satanás continua ativo, ele subjuga os indivíduos, distanciando-os do Reino (Mt. 13.19). A vitória do Reino de Deus é espiritual, quando essa se completar acontecerá o triunfo final de Deus sobre o Inimigo (I Co. 15.25). Os fariseus quiseram saber de Deus quando o Reino haveria de se manifestar, o Senhor respondeu-lhes que este já se encontrava entre eles, ainda que não da maneira que eles aguardavam (Lc. 17.20,21).


CONCLUSÃO
O Reino de Deus é recebido dentro do ser humano, isso fica evidenciado em Mc. 10.15. A mensagem de Jesus se diferencia do judaísmo rabínico, pois Ele modificou a linha do tempo. A igreja, nesse contexto, vive entre duas Eras, a Era do Futuro, inaugurada pelo Cristo ressuscitado (Mt. 28.18), mas que foi invadida pelos poderes satânicos (II Co. 4.4; Ef. 6.12). No futuro, quando o Milênio for instaurado (Ap. 20.4-6), a Era Vindoura será iniciada (Ap. 21.2,3). No presente, os súditos do Reino vivem em amor, devoção, prazer, submissão, dever e gratidão (Rm. 5.5; II Co. 9.13; Lc. 18.1; Jn. 2.9). Esses põem o Reino de Deus em primazia (Mt. 6.33), e por causa do Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap. 19.6) passam por tribulações (At. 14.22).


Fonte: EBDWEB

quinta-feira, 23 de junho de 2011

FÉ EM ÉPOCA DE CRISE



A maravilhosa segurança da fé cristã é que ela foi concebida com um objetivo específico: vencer as tempestades desta vida e dar-nos a certeza da vida vindoura, nos céus. A mensagem de Cristo proclama que os dias deste mundo estão contados. Todos os cemitérios testificam que isto é uma verdade. Nossos dias neste planeta estão contados. Dizem as Escrituras que a vida é apenas um vapor que aparece durante um momento e depois se desva­nece. Nossa vida assemelha-se à erva que murcha, e à flor que fenece. Entretanto, para as pessoas cuja esperança está em Cristo, sabemos que a vitória nos aguarda. O profeta Isaías, numa daque­las maravilhosas passagens que profetizam a vinda de Cristo, assim escreveu:
Mas, os que esperam no Senhor renovarão as suas for­ças. Subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão (Isaías 40:31).
Esta é a esperança de todos os crentes.
Todavia, há outro sentido segundo o qual o sistema mundial chegará ao fim: o mundo propriamente dito acabará. Um dia, em breve, chegará o fim da história. Isto não significa o fim da vida, mas o fim de um mundo que tem sido dominado pela cobiça, pelo mal, pela injustiça. O fato de que a Bíblia fala com tanta insistência acerca do fim do mundo indica que Deus deseja que encontremos segurança no Senhor.
O Apocalipse de João e o ensino de Cristo no livro de Mateus dizem-nos que o atual sistema mundial passará, ao chegar a um final dramático. Essas mensagens também nos dizem que Jesus Cristo voltará, e que ele estabelecerá seu reino de justiça e equida­de social em que jamais penetrarão o ódio, a cobiça, a inveja, a guerra e a morte. O próprio Jesus nos prometeu o fim da presente era, o fim do sistema mundial atual, e o estabelecimento de uma nova ordem a que deu o nome de reino de Deus.
Jesus utilizou imagens de grande força dramática, sem apelar, entretanto, para meras fantasias. Assim se dirigiu o Senhor a seus seguidores: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6), pois ele era a verdade — a veracidade — personificada. Jesus deu indicações de que quando determinadas coisas acontecessem, poderíamos ter certeza de que o fim estaria próximo. Disse o Senhor: "Hipócritas, sabeis inter­pretar a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?" O Senhor ensinou que somente as pessoas que têm iluminação espiritual e discernimento do Espírito Santo podem ter a esperan­ça de compreender as tendências e o significado da história.
Dá-nos a Bíblia indicações seguras de que determinadas con­dições prevalecerão pouco antes do fim do mundo. Por exemplo, o profeta Daniel disse:"... até o fim do tempo... o conhecimento se multiplicará" (Daniel 12:4). Hoje, há mais conhecimentos a respei­to de tudo do que em qualquer outra época da história. Li recen­temente que noventa por cento de todos os cientistas e engenhei­ros que já existiram estão vivos hoje. Nossas escolas secundárias, nossos colégios e faculdades despejam anualmente quatro mi­lhões de formandos na vida prática.
Entretanto, embora nossos jovens estejam obtendo conheci­mento, nem sempre estão obtendo sabedoria a fim de utilizar bem tudo que aprenderam. Em todas as áreas da vida há pessoas perecendo, sofrendo de neuroses e de problemas psicológicos numa escala nunca antes conhecida. Nossa cabeça está cheia de conhecimentos, mas estamos confusos, perturbados, frustrados, e precisando desesperadamente de um bom ancoradouro moral.

Fonte: Tempestade à Vista ( Billy Graham)

terça-feira, 21 de junho de 2011

AVIVA Ó SENHOR A TUA OBRA



Texto Base: Habacuque 3:1-19
Ouvi, SENHOR, a tua palavra e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia“(Hc 3:2).

INTRODUÇÃO



Chegamos ao final de mais um excelente trimestre, não temos dúvida de que o presente trimestre, além de trazer um ótimo relato histórico da maior igreja Evangélica do Brasil, nos proporcionou um substancial conteúdo para servir de base para nossa trajetória  espiritual. A lição de hoje traz a tona a importância de mais uma forte reflexão para os nossos dias: "Avivamento",   avivamento traz nova vida para a igreja. Avivamento significa acordar e viver. Significa que os crentes que vivem na mornidão mornos, cansados, despertem para uma nova vida cheia do Espírito santo e entrem outra vez na águas que saciam a sede espiritual. Desejo que a igreja no Brasil prove do verdadeiro avivamento. Um a boa aula.



I. BUSCANDO O AVIVAMENTOA busca do aviamento deve ser uma constante na vida do povo de Deus. Nossa natureza carnal ainda não foi extirpada, ela continua em stand by, ou seja, a qualquer momento pode vir à tona se não houver uma rigorosa vigilância de nossa posição espiritual diante de Deus. Por isso Jesus alertou os seus discípulos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”(Mt 24:41).
Na Bíblia, foram registrados grandes avivamentos em que um grande número de pessoas voltou-se para Deus e desistiu de seu modo pecaminoso de viver. Os avivamentos foram liderados por alguém que reconheceu a crise espiritual da nação, superou o medo e tornou a vontade de Deus conhecida às pessoas. Destacamos alguns:
· Moisés (Êxodo cap. 32,33). Aceitaram as leis de Deus e construíram o Tabernáculo.
· Samuel (1Samuel 7: 2-13). Prometeram colocar Deus em primeiro lugar em sua vida e destruíram os ídolos.
· Davi (2Samuel cap. 6). Levaram a Arca da Aliança para Jerusalém e louvaram a Deus com cânticos e instrumentos musicais.
· Josafá (2Crônicas cap 20). Decidiram confiar somente na ajuda de Deus, e o desânimo deu lugar à alegria.
· Ezequias (2Crônicas cap. 29-31). Purificaram o Templo, livraram-se dos ídolos e levara os dízimos à Casa de Deus.
· Josias (2Crônicas cap. 34,35). Fizeram um compromisso de obedecer às ordens de Deus e remover as influências pecaminosas de sua vida.
· Esdras (Esdras cap. 9,10; Ageu 1). Pararam de associar-se com aqueles que os faziam transigir em sua fé, renovaram seu compromisso com os mandamentos de Deus e começaram a reconstruir o Templo.
· Neemias e Esdras(Neemias cap. 8-10). Jejuaram, confessaram seus pecados, leram a Palavra de Deus publicamente e prometeram por escrito(Neemias 9:38) servir novamente a Deus, de todo o coração.
1. O Livro da Lei é encontrado. O avivamento é necessário, pois a tendência do homem é a de esquecer-se das coisas de Deus com o passar do tempo. A história de Israel nos mostra exemplos desse fato. Josias, rei em Judá, decidiu reformar o templo do Senhor. Nessa reforma, o sumo sacerdote Hilquias encontrou o Livro da Lei perdido na casa do Senhor(ler 2Cr 34:8-17). Quando o rei Josias leu o Livro da Lei, rasgou suas vestes e conclamou o povo a um conserto com Jeová(ler 2Cr 34:19-33). Dessa forma, aconteceu um avivamento em Judá, quando o povo se arrependeu e retornou às práticas descritas por Deus em sua Lei. Aquele avivamento trouxe maravilhosos resultados ao Reino de Judá. Os judeus puseram-se, com temor e com o coração cheio de júbilo a celebrar as festas do Senhor (2Cr 35:18).
Não é de estranhar que em muitas de nossas igrejas, o “Livro da Lei” de Deus esteja perdido. Não no mundo, mas na própria igreja, vemos a carência de que a pregação genuína e o ensino da Palavra de Deus sejam mais consistentes. Para que possamos ver o verdadeiro avivamento acontecer, precisamos retornar à Palavra. Nenhum avivamento é possível sem um retorno incondicional à Palavra de Deus.
2. Quando a Palavra de Deus é ensinada. Desde o Antigo Testamento, sempre vemos que os momentos de avivamento do povo de Deus são caracterizados por uma busca da lei do Senhor, por uma renovação no interesse e na observância das Escrituras. Todo e qualquer movimento que menosprezar a Palavra de Deus, que não der espaço ao estudo e ao ensino da Palavra, não é um verdadeiro avivamento espiritual, mas um movimento místico, que se misturará facilmente com manifestações sobrenaturais de procedência maligna.
Dizer que se está diante de uma igreja avivada sem que haja ensino, exposição e meditação na Palavra do Senhor, onde há uma seqüência interminável de cânticos, de “operações de maravilhas” (divulgações intermináveis de visões, de revelações, de diálogos intermináveis com demônios, de teatralizações, de sessões de exorcismo e de operações similares, carregadas de misticismo e histeria etc. etc.), é um engano, é mentira, é ilusão. Deus Se revela através da Sua Palavra e as operações e manifestações de poder existem para confirmar a Sua Palavra (Mc 16:20). Não há como se concordar com um “avivamento” que deixa de lado as Escrituras e se apegam a invencionices humanas. Sejamos vigilantes e não deixemos que o adversário, com seus ardis, que não podemos ignorar (2Co 2:10,11), venha a nos enganar e a nos golpear.
O avivamento no tempo de Esdras teve início com a volta incondicional de todos ao estudo e à obediência da Palavra de Deus (Ed 7:10) - “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do SENHOR, e para cumpri-la, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos”. Esdras propôs no seu coração ensinar a Palavra de Deus para preservar a verdade, a retidão e a pureza entre o povo de Deus(ler Ed 10:10-12). A igreja, hoje, precisa de líderes como Esdras.
3. Os frutos do avivamento. O avivamento sempre resulta em frutos que denotam claramente mudança no padrão moral e espiritual das pessoas. Na época de Esdras e Neemias, como frutos do avivamento ocorrido no povo Deus, houve uma notória restauração moral e espiritual da nação judaica (ver Ne 8:1-18;0:1-38;10:29).
O avivamento liderado por Esdras conduziu a um firme compromisso do povo à vontade de Deus. O povo, uma vez dedicado, assim se manifestou: serviram fielmente ao Senhor, segundo os seus mandamentos(Ne 10:29); conservaram-se puros e separados do mundo(10:30,31; cf Tg 1:27); e sustentaram a obra de Deus, dando seu tempo, dinheiro e bens(10:32-39).
Podemos, ainda, dizer que o avivamento na vida do crente produz os seguintes frutos:
a) Mantém o crente afastado do mundo. Em Efésios 4:25-31 encontramos uma relação de vícios e práticas mundanas, emanadas do velho homem, que muitas vezes atingem sorrateiramente a vida do crente. Precisamos não somente abandonar, mas abominar estas coisas que entristecem o Espírito de Deus: “Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as”. Pela renovação espiritual nos mantemos firmes no processo de despir-se do velho homem e revestir-se do novo (Ef 4:22-24).
b) Aprofunda o crente na Palavra de Deus. Quando somos renovados, nosso espírito é impelido pelas verdades eternas da Palavra (João 6:63), e nossa fé cresce abundantemente (Rm 10:17).
c) Perseverança nas orações. Uma igreja avivada não pára de orar, faz contínua oração. A história dos avivamentos mostra que sempre o povo foi levado a buscar ao Senhor, a orar, a jejuar e a adorá-lo na beleza da Sua santidade.
Diz a Bíblia que a igreja recém-nascida era uma igreja que perseverava na oração (At 2:42) e que todos viviam orando, desde os apóstolos (At 3:1) até os crentes mais jovens (At 12:12,13). Paulo afirmou que devemos orar em todo o tempo, sendo a oração o verdadeiro exercício que mantém o soldado de Cristo em forma para que use com eficácia da armadura de Deus (Ef 6:18). A oração é a forma pela qual nos comunicamos com Deus e, se temos comunhão com Ele, quereremos, sempre, orar.
d) Louvor a Deus(At 2:47). Um avivamento exalta o nome de Deus, coloca-o acima de tudo. Quando falamos em louvor, falamos em exaltação de Deus, em cânticos, hinos e salmos que enalteçam o Senhor e não o homem, que trazem enlevo à alma e ao espírito, e, por conseguinte, não agridem o corpo, nem promovem qualquer sentimento carnal. “Avivamentos” feitos com base em “louvorzões”, que suprimem a Palavra do Senhor, que promovam a sensualidade e a emoção, que agitem as pessoas e que se utilizem de ritmos criados para adoração ao diabo ou a seus agentes, que privilegiem o “eu” do crente em detrimento do Senhor, nunca podem ser verdadeiros e autênticos avivamentos.
e) Temor a Deus (At 2:43). Um verdadeiro avivamento não produz bagunça ou anarquia. É um ambiente de ordem e de decência, onde o nome do Senhor é glorificado e onde os incrédulos, ao invés de se escandalizarem, sentem a presença do Senhor. Um avivamento traz ao povo uma devida reverência às coisas de Deus, um respeito a tudo o que se relaciona com o culto.


II. O CLAMOR DO PROFETA HABACUQUEO profeta Habacuque foi contemporâneo de Jeremias e viveu numa época de crescente deterioração moral e espiritual em Judá (o reino do sul). Ele sabia que o juízo de Deus se aproximava e viria por meio da invasão babilônica, ocorrida em 586 antes de Cristo. Ele não se conformava com a iniquidade do seu povo nem com o avanço de Nabucodonosor. É nesse contexto que aparece o famoso clamor por avivamento de Habacuque: “… aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia“(Hc 3:2).
“… NO MEIO DOS ANOS…”. É uma frase difícil de interpretar e muitos simplesmente a ignoram. Alguns estudiosos entendem assim: “Nestes últimos tempos de nossa história, faze a tua obra conhecida”. Esse é o momento mais adequado para que Deus traga o avivamento para o seu povo. É no meio dos anos que a frieza vem, que o desânimo e a incredulidade nos assaltam em meio à obra de Deus. É no meio dos anos que muitos crentes se acomodam com este mundo. E justamente nesse momento Deus traz o avivamento necessário para que seu povo permaneça fiel. Com o avivamento, Ele nos enche de amor por sua obra e Palavra, renovando-nos com seu Espírito e removendo os obstáculos humanos e espirituais que tentam impedir o prosseguimento de sua obra.
1. Um homem preocupado com o estado espiritual do seu povo. Habacuque, apesar de seus questionamentos, sempre demonstrou uma fé inabalável na soberania divina (Hc 2:4; 3:17-19). Como profeta de Deus, tinha ele consciência que o povo de Deus havia pecado, e, consequentemente, seria submetido ao juízo divino. Nestas circunstâncias, faz duas petições:
a) Pede a Deus que apareça entre o seu povo com nova manifestação de poder. Habacuque está ciente de que o povo não sobreviveria se o Senhor não interviesse com um derramamento de sua graça e de seu Espírito. Somente assim haveria verdadeira vida espiritual entre os fiéis.
b) Habacuque ora para que Deus se lembre da misericórdia em tempos de aflição e angústia. Sem a sua misericórdia, o povo haveria de perecer.
Hoje, com os alicerces da igreja sendo abalados, quando há aflição por todos os lados, imploremos ao Senhor que torne a manifestar sua misericórdia e poder para que haja vida e renovação entre o seu povo.
2. A restauração virá(Hc 3:3-16). Lembrando-se dos atos portentosos de Deus na história da nação, principalmente do êxodo do povo de Israel do Egito (Ex 14:1-31), o profeta roga ao Senhor que faça novamente as mesmas obras realizadas no passado. Habacuque estava ciente de que o mesmo Deus que viera com salvação no passado, voltaria em toda a sua glória. Todos quantos esperavam sua vinda viveriam e veriam seu triunfo sobre impérios e nações.
Mesmo em meio ao castigo divino derramado sobre Judá(Hc 3:16), o profeta opta por regozijar-se no Senhor. Deus seria a sua salvação e o manancial inesgotável de suas forças. Ele sabia que um remanescente fiel haveria de sobreviver à invasão babilônica. Essa convicção trouxe-lhe alegria e ânimo: “Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3:18).
3. Avivamento gera mudança de vida. Habacuque estava ciente de que o povo pecara contra o Senhor. Havia injustiças, violência e idolatria entre o povo de Deus (Hc 2:9-11,17-19). Desta feita, era necessária uma mudança de comportamento entre os filhos de Israel. Então, o profeta clama por um avivamento (Hc 3:2).
O avivamento é necessário, porque o pecado é excessivo, a religião é decadente e o julgamento é iminente(Hc 1:4; 2:18-20). O tempo do avivamento é hoje, agora - no meio dos anos. O modo do avivamento é pela oração. A esperança do avivamento está na misericórdia de Deus.
Somente um real e contínuo avivamento é capaz de restringir, deter e neutralizar na igreja a atual avalanche de secularismo, de mundanismo, de comodismo, de conformismo, de transigência com o erro, com o pecado e com o mal. Segundo o modelo bíblico, o reavivamento resulta em santidade do crente em toda a sua maneira de viver (1Pe 1:15). Se um avivamento não resultar nisso - nessa mudança de vida -, tudo não passará de mero entusiasmo, mecanicismo e emoção, como acontece com certos ‘avivamentos’ orquestrados pelos homens. O avivamento sob Esdras e Neemias, nesse sentido, obteve grandioso resultados (Ne 8; 9:1-38).
Portanto, à semelhança de Habacuque, clamemos a Deus para que a igreja destes últimos dias empenhe-se por uma vida de justiça, pureza e santidade e, assim, venha a desfrutar de um genuíno avivamento (1João 1:9).


III. CONSERVANDO A CHAMA DO AVIVAMENTOMuitas pessoas foram batizadas com o Espírito Santo, viveram dias maravilhosos, foram usadas por Deus, mas depois se esfriaram na fé e se esqueceram da gloriosa experiência que tiveram. Para conservar uma vida renovada, cheia da graça divina, é preciso:
1. Leitura bíblica. A Bíblia Sagrada é o único padrão inerrante e infalível de avivamento. Uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, é ela e somente ela que nos pode dar a direção certa deste assunto. A relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um avivamento de verdade sem que a Bíblia faça parte dele.
A Bíblia foi, é e sempre será a espada do Espírito Santo em todo avivamento bíblico. Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na história da igreja, notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Bíblia. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um mero pentecostalismo convencional.
Estabilidade na vida espiritual é resultado de um conhecimento profundo da Palavra - “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido”(Js 1: 8).
A conservação do avivamento só é possível quando a Igreja de Cristo se volta ao estudo sistemático e à obediência incondicional da Bíblia Sagrada.
2. Oração. O livro todo de Habacuque é um diálogo entre ele e Deus. É o único livro na Bíblia apresentado dessa maneira. Como profeta, Habacuque teve de alimentar e liderar o povo, mas, antes, teve de interceder pelo povo. Quantas vezes muitos dos líderes, que assumem posições de liderança, são “agentes” que se esquecem desse papel tão importante. No Novo Testamento, Pedro disse que estabeleceria para si duas prioridades: a Palavra de Deus e a oração. Essa é a primeira responsabilidade de um líder espiritual.
Os cristãos primitivos estavam sempre cheios do Espírito e renovados porque viviam em oração (At 4: 31). É triste ver como muitas igrejas estão perdendo o calor em suas mensagens porque o fervor da oração está desaparecendo. Muitos crentes estão se vendo confusos porque os bens materiais têm tomado o tempo da oração. Oração é questão de disciplina pessoal. Procure reservar alguns minutos, todos os dias, para estar na presença do Senhor.
3. Santificação. A santificação deve ocorrer em ‘todo o vosso espírito, e alma, e corpo’, conforme lemos em 1Tessalonicenses 5:23. Isso significa que devemos ser santos em nosso viver, e em nossa conduta, isto é, em nosso caráter, internamente, e em nosso proceder, externamente. Mantenhamo-nos, pois, separados do mundo pecaminoso. Não nos conformemos, pois, nem com a vida nem com o modo de pensar deste mundo (Rm 12:2).
4. Buscar constantemente a face de Deus. “Muitos, por estarem interessados apenas em milagres, curas e prosperidade material, já não buscam a Deus pelo que Ele é. Na verdade, não querem conhecera Deus, mas somente barganhar com o Senhor. A Bíblia, contudo, através do profeta Oséias, ensina-nos que devemos agir piedosamente: “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Os 6:3). Que possamos ter fome e sede de Deus. Se nos achegarmos a Ele, certamente Ele a nós se achegará (Tg 4:8; Sl 24:3-6)”(pr. Elienai Cabral - LBM-CPAD).


CONCLUSÃOO fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará” (Lv 6:13). Que possamos nos colocar inteiramente nas mãos do Pai, orando como fez o profeta Habacuque: “Aviva, ó Senhor a tua obra no meio dos anos” (Hc 3:2) e obedecendo incondicionalmente a Palavra de Deus.
A chama do avivamento deve permanecer brilhante, pois Deus deseja que a Igreja cumpra sua missão aqui na Terra integralmente. “Uma igreja sem renovação espiritual constante cai na rotina, isto é, fica parada no tempo, no espaço e no trabalho. Ela pode até trabalhar, mas não avança, não progride, porque algum fruto que surja é destruído pelas contendas, inveja, ganância, desunião e outras obras da carne. Tal igreja não resiste, nem supera as rápidas mutações de comportamento da sociedade ímpia ao seu redor”. Que o Senhor Jesus desperte um grande avivamento na sua Igreja; estamos precisando urgentemente.

Fonte: ebdweb

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ENCERRAMENTO DO CENTENÁRIO EM VIÇOSA - AL


     
  A Assembléia de Deus em Viçosa Alagoas, tem bastante motivo de glorificar a Deus e  agradecer-lhe pelo período do centenário da AD Brasil. 

     A razão de toda gratidão se faz jus a forma como o Pr. Donizete envolveu a igreja nas comemorações. O pastor convocou todos para estarem presentes na Escola Bíblica do Centenário, foi uma escola maravilhosa com a presença de  todas as faixas etárias, dando sequência a programação, foi realizado o culto da centésima ovelha, o Senhor nos proporcionou um culto cheio da sua graça, onde no momento 3 ovelhas vieram ao aprisco do Senhor.

    Sequencialmente foi realizado o batismo do Centenário, onde 53 pessoas desceram as águas batismais em conjunto com a igreja da Cidade de Chã Preta , liderada pelo Pr. José Oliveira. Glorificamos a Deus por aquela manhã de domingo. Para fechar a festa do século, realizamos a Santa Ceia do Centenário, muita unção de Deus no fechamento da maior festa Evangélica do Brasil, os órgãos locais louvaram ao Senhor com muita graça e unção. Em seguida o Pr. Donizete fez uso da palavra no livro de Ap. 3.11, logo em seguida fez menção do tema: “Como a Assembleia de Deus deve enfrentar os desafios do mundo até a volta de Cristo”, após expor o referido tema, o servo de Deus foi usado de forma poderosa nas mãos do Senhor transmitindo assim uma edificante mensagem debaixo da unção de Deus. 

   Sobre  os festejos do Centenário, declarou o Dc. Marcos Antônio: “Glorifico a Deus pela gloriosa oportunidade de ser membro da AD-Viçosa e participar das comemorações do centenário, nossa igreja esteve e está antenada com o crescimento, desenvolvimento, evangelismo, batismo com Espírito Santo e com fogo, enfatizou,  isso é motivo de glorificarmos a Deus, minha alegria é saber que também faço parte da história",  comemorou Marcos Antônio.
        
      Nossa gratidão a Deus, ao Pastor Donizete pelo seu dinamismo e a toda amada igreja de Cristo por fazer a história nesta cidade.

“A sua história faz a história da Assembléia de Deus no Brasil”

 Por: Efigênio Hortêncio de Oliveira
                                          
                                                     Escola Dominical do Centenário
                                           No momento mais uma do Pr. Donizete foi lançada
                                                           
                                                             Culto da Centésima Ovelha

Três ovelhas voltaram para o aprisco do Senhor
                                                                       
                                                           Batismo do Centenário


Santa Ceia do Centenário
Pb. Francisco na apresentação do Pão
Dc. Marcos Antônio, aniversariante do dia.
                                                                                                               Fotos: Misael
                                                    

sábado, 18 de junho de 2011

A VIDA DO APÓSTOLO PAULO



“Ele era um homem de pequena estatura”, afirmam os Atos de Paulo, escrito
apócrifo do segundo século, “parcialmente calvo, pernas arqueadas, de
compleição robusta, olhos próximos um do outro, e nariz um tanto curvo.”
Se esta descrição merecer crédito, ela fala um bocado mais a respeito desse
homem natural de Tarso, que viveu quase sete décadas cheias de
acontecimentos após o nascimento de Jesus. Ela se encaixaria no registro do
próprio Paulo de um insulto dirigido contra ele em Corinto. “As cartas, com efeito,
dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra
desprezível” (2 Co 10:10).
Sua verdadeira aparência teremos de deixar por conta dos artistas, pois não
sabemos ao certo. Matérias mais importantes, porém, demandam atenção - o que
ele sentia, o que ele ensinava, o que ele fazia.
Sabemos o que esse homem de Tarso chegou a crer acerca da pessoa e obra de
Cristo, e de outros assuntos cruciais para a fé cristã. As cartas procedentes de
sua pena, preservadas no Novo Testamento, dão eloqüente testemunho da
paixão de suas convicções e do poder de sua lógica. Aqui e acolá em suas cartas
encontramos pedacinhos de autobiografia. Também temos, nos Atos dos
Apóstolos, um amplo esboço das atividades de Paulo. Lucas, autor dos Atos, era
médico e historiador gentio do primeiro século. Assim, enquanto o teólogo tem
material suficiente para criar intérminos debates acerca daquilo em que Paulo
acreditava, o historiador dispõe de parcos registros. Quem se der ao trabalho de
escrever a biografia de Paulo descobrirá lacunas na vida do apóstolo que só
poderão ser preenchidas por conjeturas. A semelhança de um meteoro brilhante,
Paulo lampeja repentinamente em cena como um adulto numa crise religiosa,
resolvida pela conversão. Desaparece por muitos anos de preparação.
Reaparece no papel de estadista missionário, e durante algum tempo podemos
acompanhar seus movimentos através do horizonte do primeiro século. Antes de
sua morte, ele flameja até entrar nas sombras além do alcance da vista.
Sua Juventude:
Antes, porém, que possamos entender Paulo, o missionário cristão aos gentios, é
necessário que passemos algum tempo com Saulo de Tarso, o jovem fariseu.
Encontramos em Atos a explicação de Paulo sobre sua identidade: “Eu sou judeu,
natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia” (At 21:39). Esta afirmação
nos dá o primeiro fio para tecermos o pano de fundo da vida de Paulo.
A) Da Cidade de Tarso. No primeiro século, Tarso era a principal cidade da
província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor. Embora localizada cerca de
16 km no interior, a cidade era um importante porto que dava acesso ao mar por
via do rio Cnido, que passava no meio dela. Ao norte de Tarso erguiam-se
imponentes, cobertas de neve, as montanhas do Tauro, que forneciam a madeira
que constituía um dos principais artigos de comércio dos mercadores tarsenses.
Uma importante estrada romana corria ao norte, fora da cidade e através de um
estreito desfiladeiro nas montanhas, conhecido como “Portas C-licianas”. Muitas
lutas militares antigas foram travadas nesse passo entre as montanhas.
Tarso era uma cidade de fronteira, um lugar de encontro do Leste e do Oeste, e uma
encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as direções, por terra e por mar.
Tarso possuía uma preciosa herança. Os fatos e as lendas se entremesclavam,
tornando seus cidadãos ferozmente orgulhosos de seu passado.
O general romano Marco Antônio concedeu-lhe o privilégio de libera civitas
(“cidade livre”) em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse parte de uma
província romana, era autônoma, e não estava sujeita a pagar tributo a Roma. As
tradições democráticas da cidade-estado grega de longa data estavam
estabelecidas no tempo de Paulo. Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. Em seus
escritos, encontramos reflexos de vistas e cenas de Tarso de quando ele era
rapaz. Em nítido contraste com as ilustrações rurais de Jesus, as metáforas de
Paulo têm origem na vida citadina. O reflexo do sol mediterrânico nos capacetes e
lanças romanos teriam sido uma visão comum em Tarso durante a infância de
Saulo. Talvez fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à
guerra cristã, na qual ele insiste em que “as armas da nossa milícia não são
carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2 Co 10:4).
Paulo escreve de “naufragar” (1 Tm 1:19), do “oleiro” (Rm 9:21), de ser conduzido
em “triunfo” (2 Co 2:14). Ele compara o “tabernáculo terrestre” desta vida a um
edifício de Deus, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Co 5:1). Ele toma
a palavra grega para teatro e, com audácia, aplica-a aos apóstolos, dizendo: “nos
tornamos um espetáculo (teatro) ao mundo” (1 Co- 4:9).Tais declarações refletem
a vida típica da cidade em que Paulo passou os anos formativos da sua meninice.
Assim as vistas e os sons deste azafamado porto marítimo formam um pano de
fundo em face do qual a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais
compreensíveis. Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como “cidade não
insignificante”.Os filósofos de Tarso eram quase todos estóicos. As idéias
estóicas, embora essencialmente pagãs, produziram alguns dos mais nobres
pensadores do mundo antigo. Atenodoro de Tarso é um esplêndido
exemplo.Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.C., quando Saulo não
passava de um menino pequeno, por muito tempo o seu nome permaneceu como
herói em Tarso. E quase impossível que o jovem Saulo não tivesse ouvido algo a
respeito dele.Quanto, exatamente, foi o contato que o jovem Saulo teve com esse
mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos; ele não no-lo disse. Mas as marcas
da ampla educação e contato com a erudição grega o acompanham quando
homem feito. Ele sabia o suficiente sobre tais questões para pleitear diante de
toda sorte de homens a causa que ele representava. Também estava cônscio dos
perigos das filosofias religiosas especulativas dos gregos. “Cuidado que ninguém
vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos
homens... e não segundo Cristo”,foi sua advertência à igreja de Colossos (Cl 2:8).
B) Cidadão Romano. Paulo não era apenas “cidadão de uma cidade não
insignificante”, mas também cidadão romano. Isso nos dá ainda outra pista para o
fundo histórico de sua meninice.
Em At 22:24-29 vemos Paulo conversando com um centurião romano e com um
tribuno romano. (Centurião era um militar de alta patente no exército romano com
100 homens sob seu comando; o tribuno, neste caso, seria um comandante
militar.) Por ordens do tribuno, o centurião estava prestes a açoitar Paulo. Mas o
Apóstolo protestou: “Ser-vos-á porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem
estar condenado?” (At 22:25). O centurião levou a notícia ao tribuno, que fez mais
inquirição. A ele Paulo não só afirmou sua cidadania romana mais explicou como
se tornara tal: “Por direito de nascimento” (At 22:28). Isso implica que seu pai fora
cidadão romano.Podia-se obter a cidadania romana de vários modos. O tribuno,
ou comandante, desta narrativa, declara haver “comprado” sua cidadania por
“grande soma de dinheiro” (At 22:28). No mais das vezes, porém, a cidadania era
uma recompensa por algum serviço de distinção fora do comum ao Império
Romano, ou era concedida quando um escravo recebia a liberdade.
A cidadania romana era preciosa, pois acarretava direitos e privilégios especiais
como, por exemplo, a isenção de certas formas de castigo. Um cidadão romano
não podia ser açoitado nem crucificado.Todavia, o relacionamento dos judeus
com Roma não era de todo feliz. Raramente os judeus se tornavam cidadãos
romanos. Quase todos os judeus que alcançaram a cidadania moravam fora da
Palestina.
C) De Descendência Judaica. Devemos, também, considerar a ascendência
judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa de sua família. Ele se descreve aos
cristãos de Filipos como “da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de
hebreus; quanto à lei, fariseu” (Fp 3:5). Noutra ocasião ele chamou a si próprio de
“israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm 11:1).
Dessa forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai de seu povo,
Abraão. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de Israel, Saul, em
consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado Saulo.
A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança religiosa de
Israel aos filhos. O menino começava a ler as Escrituras com apenas cinco anos
de idade. Aos dez, estaria estudando a Mishna com suas interpretações
emaranhadas da Lei. Assim, ele se aprofundou na história, nos costumes, nas
Escrituras e na língua do seu povo. O vocabulário posterior de Paulo era
fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta, a Bíblia dos judeus
helenistas.
Dentre os principais “partidos” dos judeus, os fariseus eram os mais estritos (veja
o capítulo 5, “Os Judeus nos Tempos do Novo Testamento”). Estavam decididos
a resistir aos esforços de seus conquistadores romanos de impor-lhes novas
crenças e novos estilos de vida. No primeiro século eles se haviam tornado a
“aristocracia espiritual” de seu povo. Paulo era fariseu, “filho de fariseus” (At 23.6).
Podemos estar certos, pois, de que seu preparo religioso tinha raízes na lealdade
aos regulamentos da Lei, conforme a interpretavam os rabinos. Aos treze anos
ele devia assumir responsabilidade pessoal pela obediência a essa Lei.
Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade “aos pés de Gamaliel”, onde
foi instruído “segundo a exatidão da lei.“ (At 22:3). Gamaliel era neto de Hillel, um
dos maiores rabinos judeus. A escola de Hilel era a mais liberal das duas
principais escolas de pensamento entre os fariseus. Em Atos 5:33-39 temos um
vislumbre de Gamaliel, descrito como “acatado por todo o povo”.
Exigia-se dos estudantes rabínicos que aprendessem um ofício de sorte que
pudessem, mais tarde, ensinar sem tornar-se um ônus para o povo. Paulo
escolheu uma indústria típica de Tarso, fabricar tendas de tecido de pêlo de
cabra. Sua perícia nessa profissão proporcionou-lhe mais tarde um grande
incremento em sua obra missionária. Após completar seus estudos com Gamaliel,
esse jovem fariseu provavelmente voltou para sua casa em Tarso onde passou
alguns anos. Não temos evidência de que ele se tenha encontrado com Jesus ou
que o tivesse conhecido durante o ministério do Mestre na terra. Da pena do
próprio Paulo bem como do livro de Atos vem-nos a informação de que depois ele
voltou a Jerusalém e dedicou suas energias à perseguição dos judeus que
seguiam os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Paulo nunca pôde perdoar-se
pelo ódio e pela violência que caracterizaram sua vida durante esses anos.
“Porque eu sou o menor dos apóstolos”, escreveu ele mais tarde, “ pois persegui
a igreja de Deus” (1 Co 15:9). Em outras passagens ele se denomina
“perseguidor da igreja” (Fp 3:6), “como sobremaneira eu perseguia a igreja de
Deus e a devastava” (Gl 1:13).
Uma referência autobiográfica na primeira carta de Paulo a Timóteo jorra alguma
luz sobre a questão de como um homem de consciência tão sensível pudesse
participar dessa violência contra o seu próprio povo. “em outro tempo era
blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na
ignorância, na incredulidade” (1 Tm 1:13). A história da religião está repleta de
exemplos de outros que cometeram o mesmo erro. No mesmo trecho, Paulo
refere a si próprio como “o principal” dos pecadores”(1 T 1:15), sem dúvida
alguma por ter ele perseguido a Cristo e seus seguidores.
D) A Morte de Estevão. Não fora pelo modo como Estevão morreu (At 7:54-60), o
jovem Saulo podia ter deixado a cena do apedrejamento sem comoção alguma,
ele que havia tomado conta das vestes dos apedrejadores. Teria parecido apenas
outra execução legal.Mas quando Estevão se ajoelhou e as pedras martirizantes
choveram sobre sua cabeça indefensa, ele deu testemunho da visão de Cristo na
glória, e orou: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60).
Embora essa crise tenha lançado Paulo em sua carreira como caçador de
hereges, é natural supor que as palavras de Estevão tenham permanecido com
ele de sorte que ele se tornou “caçado” também —caçado pela consciência.
E) Uma Carreira de Perseguição. Os eventos que se seguiram ao martírio de
Estevão não são agradáveis de ler. A história é narrada num só fôlego: “Saulo,
porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres,
encerrava-os no cárcere” (Atos 8:3).
Sua Conversão:
A perseguição em Jerusalém na realidade espalhou a semente da fé. Os crentes
se dispersaram e em breve a nova fé estava sendo pregada por toda a parte (cf.
Atos 8:4). “Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor”
(Atos 9:1), Saulo resolveu que já era tempo de levar a campanha a algumas das
“cidades estrangeiras” nas quais se abrigaram os discípulos dispersos. O
comprido braço do Sinédrio podia alcançar a mais longínqua sinagoga do império
em questões de religião. Nesse tempo, os seguidores de Cristo ainda eram
considerados como seita herética.
Assim, Saulo partiu para Damasco, cerca de 240 km distante, provido de
credenciais que lhe dariam autoridade para, encontrando os “que eram do
caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém”
(Atos 9:2).
Que é que se passava na mente de Saulo durante a viagem, dia após dia, no pó
da estrada e sob o calor escaldante do sol? A auto-revelação intensamente
pessoal de Romanos 7:7-13 pode dar-nos uma pista. Vemos aqui a luta de um
homem consciencioso para encontrar paz mediante a observância de todas as
pormenorizadas ramificações da Lei.
Isso o libertou? A resposta de Paulo, baseada em sua experiência, foi negativa.
Pelo contrário, tornou-se um peso e uma tensão intoleráveis. A influência do
ambiente helertístico de Tarso não deve ser menosprezada ao tentarmos
encontrar o motivo da frustração interior de Saulo. Depois de seu retorno a
Jerusalém, ele deve ter achado irritante o rígido farisaísmo, muito embora
professasse aceitá-lo de todo o coração. Ele havia respirado ar mais livre durante
a maior parte de sua vida, e não poderia renunciar à liberdade a que estava
acostumado.
Contudo, era de natureza espiritual o motivo mais profundo de sua tristeza. Ele
tentara guardar a Lei, mas descobrira que não poderia fazê-lo em virtude de sua
natureza pecaminosa decaída. De que modo, pois, poderia ele ser reto para com
Deus?
Com Damasco à vista, aconteceu uma coisa momentosa. Num lampejo cegante,
Paulo se viu despido de todo o orgulho e presunção, como perseguidor do
Messias de Deus e do seu povo. Estevão estivera certo, e ele errado. Em face do
Cristo vivo, Saulo capitulou. Ele ouviu uma voz que dizia: “Eu sou Jesus, a quem
tu persegues;. . . levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém
fazer” (At 9:5-6). E Saulo obedeceu.
Durante sua estada na cidade, “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada
comeu nem bebeu” (Atos 9:9). Um discípulo residente em Damasco, por nome
Ananias, tornou-se amigo e conselheiro, um homem que não teve receio de crer
que a conversão de Paulo’ fora autêntica. Mediante as orações de Ananias, Deus
restaurou a vista a Paulo.
Sua Personalidade:
As epístolas de Paulo são o espelho de sua alma. Revelam seus motivos íntimos,
suas mais profundas paixões, suas convicções fundamentais. Sem a
sobrevivência das cartas de Paulo, ele seria para nós uma figura vaga, confusa.
Paulo estava mais interessado nas pessoas e no que lhes acontecia do que em
formalidades literárias.À medida que lemos os escritos de Paulo, notamos que
suas palavras podem vir aos borbotões, como no primeiro capítulo da carta aos
Gálatas. As vezes ele irrompe abruptamente para mergulhar numa nova linha de
pensamento. Nalguns pontos ele toma um longo fôlego e dita uma sentença
quase sem fim. Temos em 2 Co 10:10 uma pista de como as epístolas de Paulo
eram recebidas e consideradas. Mesmo seus inimigos e críticos reconheciam o
impacto do que ele tinha para dizer, pois sabemos que comentavam: “As cartas,
com efeito, dizem, são graves e fortes.(2 Co 10:10).
Líderes fortes, como Paulo, tendem a atrair ou repelir os que eles buscam
influenciar. Paulo tinha tanto seguidores devotados quanto inimigos figadais.
Como conseqüência, seus contemporâneos mantinham opiniões variadíssimas a
seu respeito. Os mais antigos escritos de Paulo antedata a maioria dos quatro
Evangelhos. Refletem-no como um homem de coragem (2 Co 2:3), de integridade
e elevados motivos (v. 4-5), de humildade (v. 6), e de benignidade (v. 7).
Paulo sabia diferençar entre sua própria opinião e o “mandamento do Senhor” (1
Co 7:25). Era humilde bastante para dizer “segundo minha opinião” sobre alguns
assuntos (1 Co 7:40). Ele estava bem cônscio da urgência de sua comissão (1 Co
9:16-17), e do fato de não estar fora do perigo de ser “desqualificado” por
sucumbir à tentação (1Co 9.27). Ele se recorda com pesar de que outrora
perseguia a Igreja de Deus (1Co 15.9).
Leia o capítulo 16 da carta aos Romanos com especial atenção à atitude
generosa de Paulo para com os seus colaboradores. Ele era um homem que
amava e prezava as pessoas e tinha em alto apreço a comunhão dos crentes. Na
carta aos Colossenses vemos quão afetivo e amistoso Paulo poderia ser, mesmo
com cristãos com os quais ainda não se havia encontrado. “Gostaria, pois, que
saibais, quão grande luta venho mantendo por vós...e por quantos não me viram
face a face”, escreve ele (Cl 2:1).
Na carta aos Colossenses lemos também a respeito de um homem chamado
Onésimo, escravo fugitivo (Cl 4:9; Fm 10), que evidentemente havia acrescentado
ao furto o crime de abandonar o seu dono, Filemom. Agora Paulo o havia
conquistado para a fé cristã e o persuadira de voltar ao seu senhor. Mas
conhecendo a severidade do castigo imposto aos escravos fugitivos, o apóstolo
desejava convencer a Filemom a tratar Onésimo como irmão. Aqui vemos Paulo,
o reconciliador. E tudo isso ele fez a favor de um homem que estava no degrau
mais baixo da escada da sociedade romana. Contraste essa atitude com o
comportamento do jovem Saulo guardando as vestes dos apedrejadores de
Estevão. Observe quão profundamente Paulo havia mudado em sua atitude para
com as pessoas. Nesses escritos vemos Paulo como amigo generoso, afetivo, um
homem de grande fé e coragem mesmo em face de circunstâncias extremas. Ele
estava totalmente comprometido com Cristo, quer na vida, quer na morte. Seu
testemunho é profundamente firmado nas realidades espirituais: “Tanto sei estar
humilhado, como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já
tenho experiência, tanto de fartura, como de fome; assim de abundância, como de
escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:12-13).
Seu Ministério
Paulo começou, na sinagoga de Damasco, a dar testemunho de sua fé recémencontrada.
O tema de sua mensagem concernente a Jesus era: “Este é o Filho
de Deus” (At 9:20). Mas Paulo tinha de aprender amargas lições antes que
pudesse apresentar-se como líder cristão confiável e eficiente. Descobriu que as
pessoas não se esquecem com facilidade; os erros do homem podem persegui-lo
por um longo tempo, mesmo depois que ele os tenha abandonado. Muitos dos
discípulos suspeitavam de Paulo, e seus ex-companheiros de perseguições o
odiavam. Ele pregou por breve tempo em Damasco, foi-se para a Arábia e depois
voltou para Damasco. A segunda tentativa de Paulo de pregar em Damasco
igualmente não teve bom resultado. Um ano ou dois haviam decorrido desde a
sua conversão, mas os judeus se lembravam de como ele havia desertado de sua
primeira missão em Damasco. O ódio contra ele inflamou-se de novo e
“deliberaram entre si tirar-lhe a vida” (At 9:23). A dramática história da fuga de
Paulo por sobre a muralha, num cesto, tem prendido a imaginação de muitos.
Os dias de preparação de Paulo não estavam terminados. O relato que ele faz
aos gálatas continua, dizendo: “Decorridos três anos, então subi a Jerusalém.“(Gl
1:18). Ali ele encontrou a mesma hostil recepção que teve em Damasco. Uma vez
mais foi obrigado a fugir. Paulo desapareceu por alguns anos. Esses anos que ele
passou escondido deram-lhe convicções amadurecidas e estatura espiritual de
que ele necessitaria em seu ministério. Em Antioquia, os gentios estavam sendo
convertidos a Cristo. A Igreja em Jerusalém teve de decidir como cuidar desses
novos crentes. Foi então que Barnabé se lembrou de Paulo e se dirigiu a Tarso à
sua procura (At 11:25). Barnabé já tinha sido instrumento na apresentação de
Paulo em Jerusalém, num esforço por afastar suspeita contra ele.
A esses dois homens foi confiada a tarefa de levar socorro à Judéia onde os
seguidores de Jesus estavam passando fome. Quando Barnabé e Paulo voltaram
a Antioquia, missão cumprida, trouxeram consigo o jovem João, apelidado
Marcos, sobrinho de Barnabé (At 12:25).
Suas Viagens Missionárias
Deus nos manda fazer missões e além disso ordenou que fosse registrada em
sua Palavra, as viagens missionárias, principalmente as do apóstolo Paulo, para
que todos possam visualizar uma viagem missionária e todas as possíveis
atividades de um obreiro no campo missionário.
1ª Viagem
1. Partindo de Antioquia- Barnabé foi o companheiro de Paulo na sua
primeira viagem missionária que durou cerca de dois anos (entre 46 e 48 d.C) O
objetivo deles era fundar igrejas. Começaram na ilha de Chipre; logo entraram no
continente, passando por Perge e Panfilia, indo imediatamente para Antioquia da
Psídia na Galácia do Sul.
2. Antioquia da Pisídia- Nessa cidade Paulo e Barnabé começaram a pregar
numa sinagoga (At. 13.14). Unas creram e receberam a palavra, isistindo que
Paulo retornasse no sábado seguinte para continuar o assunto. O número dos
assistentes foi grande no sábado seguinte, e isso causou inveja nos judeus,
resultando em perseguição. Paulo e Barnabé foram expulsos da cidade.(At.
13.42-46).
3. Listra, Icônio e Derbe- A cura de um coxo em Listra serviu como ponto de
apoio para a pregação do evangelho (At. 14.8-10). Depois disso Paulo e Barnabé
foram para Derbe (At 14.20), e retornaram para o ponto de partida, visitando as
igrejas em Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia (At. 14.22) e estabelecendo
obreiros nativos, fruto do trabalho missionário.
2ª Viagem
1. Objetivo da segunda viagem- Na Segunda Viagem, Silas foi
companheiro de Paulo. O objetivo era duplo, revisitar as igrejas de Galácia do sul,
que Paulo fundara juntamente com Barnabé na primeira viagem (At. 1,36; 16.1-
6;Gl 1.2), e abrir novas frentes de trabalho, ou seja, fundar mais igrejas locais. O
apóstolo Paulo não pretendia ir para Ásia: “foram impedidos pelo Espírito Santo
de anunciar a Palavra na Ásia” (At. 16.6). Depois Paulo intentou ir para Bitínia,
mas novamente foi impedido (At16.17), sendo em seguida implusionado a rumar
para Troas.
2. As igrejas européias- O apóstolo Paulo visitou muitas cidades européias
do mundo grego, durante a sua segunda viagem. Aqui mencionamos apenas as
cidades que ele fundou igrejas. Em Filipos, começou a igreja na casa de Lídia
(At. 16.14,15,40); em Tessalônica, começou pregando numa sinagoga (At. 17.1.2)
e da mesma forma em Beréia (At. 17.10-12). Em Atenas o trabalho começou
numa sinagoga, e depois continuou nas praças e no centro acadêmico da cidade,
o aerópago (At. 17.17-19). Em Corinto teve início na Sinagoga, como sempre,
depois teve de sair dela, e foi para a casa de Tito justo, recebendo apoio de
Crispo, principal da sinagoga, que creu no Senhor Jesus (At.18.4-8). Essa viagem
durou cerca de três anos (entre 49 e 52 d.C).
3ª Viagem
1.A igreja de Éfeso- Seu propósito era visitar as igrejas para confirmar e
fortalecer os dicípulos (At. 18.22,23). Fez o mesmo caminho da segunda viagem:
Galácia do Sul, região frígio-gálata, chegando a Éfeso, onde havia estado no fim
de sua segunda viagem, ainda que tenha permanecido não mais que três dias na
cidade (At. 18.19-21). Na terceira viagem encontrou um grupo de 12 novos
convertidos, que conheciam apenas o batismo de João (At. 20.31). A viagem
durou cerca de quatro anos (entre 53 e 57 d.C).
2.A cidade de Éfeso- Capital da província romana da Ásia, era a cidade mais
importante da região e cruzamento de rotas comerciais. Nela estava o templo da
deusa Diana (At. 19.35), chamado pelos romanos de Ártemis, uma das setes
maravilhas do mundo antigo. Atualmente, a cidade está em ruínas, e encontra-se
localizada numa região da Anatólia, Tuquia.
4ªViagem
1.A viagem para Roma- Paulo partiu de Cesaréia Marítima, como
prisioneiro, pois havia apelado para César (At 25. 11; 26.32). Foi uma viagem
muito conturbada, por causa do mau tempo, e o apóstolo não perdeu a
oportunidade: evangelizou os demais presos e a tripulação do navio que, em
Malta, naufragou. Apesar dos danos materiais, ninguém pereceu. Nessa ilha, o
apóstolo fundou uma igreja. Depois embarcou para Roma, onde chegariam em 62
d.C. A viagem está registrada em Atos 27 e 28.
2.Paulo em Roma- Enquanto aguardava a audiência com Nero, o apóstolo
atendia os irmãos em casa alugada (At. 28.30).
Conclusão
A história de Paulo não termina aqui. O que se sabe, além, da interrupção que
Lucas faz de sua narrativa, são alguns detalhes que o apóstolo dá em suas cartas
ou então por intermédio dos escritos dos Pais da Igreja. Seu caso foi examinado e
ele foi absolvido. Nessa ocasião, se diz que ele cumpriu seu desejo de pregar na
Espanha (Rm. 15.28). Nas redondezas de Roma, fez um grande trabalho.
Como resultado das viagens de Paulo, surgiram igrejas na Ásia e Europa,
e com elas apareceram as epístolas, que ocupam um terço do Novo Testamento,
e o Cristianismo se tornou universal.

Fonte: A Vida do Apóstolo Paulo - Professor Marcos Gonçalves

sexta-feira, 17 de junho de 2011

CONSERVANDO A PUREZA DA DOUTRINA PENTECOSTAL



Texto base: 2Tm 4:1-4; 2Pedro 2:1-3
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16).


INTRODUÇÃO
Conservar a pureza da doutrina pentecostal é, em primeiro lugar, aderir à doutrina dos apóstolos, ou seja, acolhê-la, passar a segui-la, crer nela. Doutrina esta que não é outra senão a mesma doutrina dada por Jesus em Seu ministério terreno (1Co 11:23; 1Pedro 1:12; 1João 1:5;2:7). A conservação, portanto, está intimamente relacionada com a observância da Palavra de Deus, com a adesão, isto é, a aceitação sem qualquer reserva ou modificação, do que está na Bíblia Sagrada. Adesão é o ato pelo qual alguém, antes alheio a um processo ou a um negócio, a ele se une por consentimento próprio, sem fazer qualquer ressalva ou reserva. Daí a figura do “contrato de adesão”, aquele contrato que, já previamente feito, é aceito por alguém, que não pode alterar nenhuma de suas condições (como acontece, normalmente, nas instituições bancárias). Conservar a verdadeira doutrina pentecostal é, portanto, submeter-se às condições estabelecidas na Palavra de Deus para o homem, sem qualquer modificação do que ali consta. O verdadeiro crente pentecostal é aquele que aceita, sem reservas, o que está contido na Palavra de Deus.


I. FALSOS DOUTORES E PROFETAS

Um dos aspectos da conservação é a vigilância constante, a verificação de tudo quanto se apresenta aos nossos sentidos e à nossa mente, para impedir que alguma coisa venha a nos sair do alvo da nossa vocação, venha a nos distanciar da comunhão com o Espírito Santo, venha a perturbar a nossa vida cristã. Por isso, os conservadores sempre são pessoas cuidadosas, pessoas que não aceitam qualquer “novidade” antes de um profundo exame à luz das Escrituras Sagradas. O verdadeiro cristão não pode sair atrás de “novas coisas”, de sinais ou de maravilhas, notadamente nos dias em que estamos vivendo. Quem o diz é o próprio Jesus que anunciou que, nos últimos dias, apareceriam sinais, prodígios, assim como falsos profetas e falsos mestres, seja fora da igreja, seja dentro da igreja, mas que não poderíamos nem sair atrás disto, nem dar crédito a isto (Mt 24:23-26). “Conservar” é “vigiar”, é “estar atento” para as manifestações espirituais, discernindo aquilo que provém de Deus, daquilo que é ardil do adversário, ardis estes que jamais poderemos ignorar (2Co 2:11).

1. Uma avalanche de heresias. “Heresia” é todo e qualquer ensinamento, todo e qualquer preceito que não se coadune com a verdade de Deus, que se encontra revelada na Bíblia Sagrada. “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evitá-o, sabendo que esse tal está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado”(Tito 2:10-11). Perceba a gravidade que representa uma heresia. O herege é aquela pessoa que embora conhecendo a verdade, desvia-se dela, abraçando uma doutrina falsa, ou uma doutrina contrária àquela revelada pela Bíblia Sagrada.
A falsa doutrina, ou “heresia de perdição”, tem que ser combatida com a verdadeira doutrina. É exatamente aqui que as denominações evangélicas têm falhado. Por falta de conhecimento da Palavra de Deus, seus obreiros não conseguem identificar os falsos mestres. Assim, a doutrina bíblica vai sendo substituída pelas heresias, e os bons costumes estão sendo substituídos pelos maus costumes. O Espírito Santo vai sendo empurrado para fora das Igrejas, enquanto o mundo, o diabo e a carne vão ocupando e preenchendo os lugares que vão ficando vazios. Por falta de conhecimento da Palavra de Deus, muitos crentes, embora bem intencionados “… seguirão suas dissoluções, pelas quais será blasfemado o caminho da verdade”(2Pedro 2:2).
Devemos sempre ser cautelosos com tudo aquilo que se apresentar como “novo”. Vivemos os dias das “novidades”: “nova unção”, “nova visão”, “nova revelação”. Tudo quanto se apresente como “novo” deve ser imediatamente rechaçado pelo servo de Deus. A Palavra de Deus permanece para sempre, a sã doutrina é imutável e, portanto, não cabe aqui falar em qualquer “novidade”. Só se fala em novo quando se tem algo velho e quando se tem algo velho é porque este algo considerado velho está perto de se acabar (Hb 8:13). No entanto, o que Jesus instituiu não foi abolido, permanece para sempre, até porque o Senhor vive eternamente (Ap 1:17,18). Portanto, não há como se aceitar tudo o que se apresentar como “novo”, pois isto será admitir que o que existe envelheceu, ficou velho, perto de se acabar, o que é algo gravíssimo, pois estaremos negando a origem divina das Escrituras, o próprio testemunho do Filho de Deus, o que representa a negação do próprio Deus e a nossa condenação eterna (1João 5:10-13).
A heresia está entre as obras da carne que Paulo listou em Gálatas 5:19-21: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza… idolatria, feitiçaria… heresias… e coisas semelhantes a estas… os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”(Gl 5:19-21).
Contemplando e avaliando a galeria onde as heresias estão colocadas e a sentença de que o herege não herdará o Reino de Deus não se pode deixar de considerar o perigo que uma heresia representa para “uma Igreja”. Paulo, falando sobre o herege, disse “evita-o”.
2. Falsos mestres e falsos profetas. “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição”(2Pedro 2:1).
Nestes tempos pós-modernos, o falso mostra-se tão bem vestido de verdadeiro, que, se possível fosse, enganaria até mesmo os escolhidos. São falsos milagres, falsos milagreiros, falsos ensinos, falsos mestres, falsas profecias e falsos profetas. As igrejas locais estão proliferadas de obreiros corrompidos e distanciados da verdade, como os mestres da lei de Deus, nos dias de Jesus(Mt 24:11-24), e o crente precisa estar informado sobre este fato.
Jesus adverte que nem toda pessoa que professa a Cristo é um crente verdadeiro e que, hoje, nem todo escritor evangélico, missionário, pastor, evangelista, professor, diácono e outros obreiros são aquilo que dizem ser. Muitos desses obreiros “exteriormente pareceis justos aos homens”(Mt 23:28). Aparecem “vestidos como ovelhas”(Mt 7:15). Podem até ter uma mensagem firmemente baseada na Palavra de Deus e expor altos padrões de retidão. Podem parecer sinceramente empenhados na obra de Deus e no seu reino, demonstrar serem grandes ministros de Deus, líderes espirituais de renome, ungidos pelo Espírito Santo. Poderão realizar milagres, ter grande sucesso e multidões de seguidores(ver Mt 7:21-23); 24;11,24; 2Co 11:13-15). Todavia, esses homens são semelhantes aos falsos profetas dos tempos antigos(ver Dt 13:3; 1Rs 18:40; Ne 6:12; Jr 14:14; Oséias 4:15), e aos fariseus do Novo Testamento, cujas vidas eram “cheias de iniquidade e de hipocrisia”(Mt 23:28).
Na época de Jeremias, o reino de Judá foi destruído por causa de falsos profetas que diziam às pessoas coisas que Deus não havia falado. A mesma coisa acontece hoje. Na sua falsidade eles ensinam rebelião contra a palavra verdadeira de Deus. Na sua interpretação errada da palavra de Deus eles caminham para a condenação, levando juntos aqueles que acreditam nos seus falsos ensinamentos. Portanto, tenhamos cautela e não sejamos ignorantes! Os nossos olhos podem ver o pregador mais poderoso do mundo, mas isto não significa nada.
Não devemos ficar impressionados quando o pregador só fala o que o povo quer ouvir: promessas de paz, promessas de prosperidade, promessas de milagres e curas. Numa época de crise e desemprego, muitos se aproveitam, pregando prosperidade e bênçãos, enganando até multidões. Que o povo de Deus não se engane! Que o povo de Deus não seja ignorante, mas conheça a santa Bíblia! Importa ouvirmos a pura e verdadeira Palavra de Deus, a qual nos orienta sobre os nossos pecados e sobre as nossas transgressões. Sejamos como os crentes de Beréia: “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).
3. A falta do estudo bíblico no meio pentecostal. Os crentes evangélicos sérios, de forma especial os Pentecostais, conhecem muito pouco as verdadeiras doutrinas bíblicas. Lê-se pouco a Palavra de Deus e estuda-se muito menos. A maioria não freqüenta nossas Escolas Dominicais nem tampouco os cultos de ensino. Alimentam-se, tão somente, das mensagens ouvidas no domingo, as quais na maioria das Igrejas ficam “espremidas” entre um longo período de louvor e o término do culto.
Assim, a doutrina bíblica vai sendo, sem que se dê conta, substituídas pelas heresias, ou pelas doutrinas de homens; os bons costumes vão sendo substituídos pelos maus costumes; o Espírito Santo vai sendo “empurrado” para fora das igrejas, enquanto que o mundo, o diabo, com suas sutilezas, e a carne vão ocupando os lugares que vão ficando vazios.
Muitos crentes embora bem intencionados, mas, por falta de conhecimento bíblico vão se tornando presas fáceis das sutilezas de Satanás, caindo nas malhas dos “falsos profetas, lobos vestidos de ovelhas”, na expressão usada por Jesus, dos “falsos doutores” referidos por Pedro, “dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” na expressão usada por Paulo.
Caso você não concorde com o que eu disse…! Então responda para você mesmo: qual é a porcentagem do número de membros de sua igreja que freqüenta a Escola Dominical e os cultos de Ensino? Quantos dos membros de sua Igreja já fizeram, ou estão fazendo um curso de teologia, ainda que básico? Caso o número atinja, pelo menos, 50%, então, me perdoe, eu estou errado! Na sua Igreja tem um Curso de Teologia, além da Escola Dominical? Lembre-se, os crentes de Bereia não se deixam enganar e nem são vitimas das sutilezas de Satanás!
Atualmente, nas igrejas ditas evangélicas, há muitas “meninices”. Vivemos uma época de muitos modismos. Tudo se espiritualiza, isto ao arrepio da doutrina sadia e simples da Palavra de Deus. Fala-se em rir, rugir, cair, pular, dançar de poder, “nova unção”, “risada santa”, “vômito santo”, “o dom de lagartixa”, “o cair pelo Espírito”, “o sopro santo”, “o aviãozinho”, “adoração a anjos”, ” coreografia a anjos”, “o paletó ungido”, ” unção de lenços, carteiras de trabalho e outros objetos”, ” sessão de descarrego”, ” rosa ungida”, ” túnel de luz”, “o corredor dos trezentos”, “corrente dos setenta”, “sal grosso”, “a ingestão das ervas amargas”, “sono santo” e outras inúmeras inovações que têm aparecido nos últimos tempos, inovações estas que, muito propriamente, foram denominadas pelo jornalista evangélico Jehozadak Pereira de “neobesteiras”. Todas são práticas que misturam feitiçaria, meninice, despreparo espiritual. Isto acontece por falta de leitura e estudo da Palavra de Deus, ou por deturpação da mensagem e conteúdo do Livro Santo.


II. A SUTILEZA DE SATANÁS NO FIM DOS TEMPOS





Sutileza
 é a arte de agir sem ser notado, ou de conseguir um objetivo sem ter que revelar a verdadeira intenção, apenas insinuando, ou despertando a curiosidade da possível vitima. É usar de astúcia, de artimanha, de artifícios enganadores.

A primeira vez que esta palavra surge nas Escrituras é, precisamente, em relação a Satanás, que é apresentado como a serpente, a “mais astuta de todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito” (Gn 3:1).
1. Os ardis de Satanás. Satanás desde a sua primeira aparição no relato bíblico já é apresentado como sendo um ser que tem a capacidade de quase não ser percebido, que tem uma grande sensibilidade para perceber ou sentir as coisas com antecedência e, desta maneira, elaborar coisas muito engenhosas, que tem grande capacidade de insinuação e que, assim agindo, consegue atingir os seus objetivos. Jamais devemos ignorar os ardis de Satanás(2Co 2:11).
a) Usando de sutilezas ele enganou Eva, no Paraíso. Em nenhum momento Satanás usou sua força para obrigar a mulher a pecar. Ele não foi rude, não foi ameaçador, não levantou a voz com Eva. Quem age com sutileza age com inteligência, procurando angariar a confiança, dando credibilidade às suas palavras. Às vezes procura passar a idéia de inocência procurando levar a vitima a se considerar como superior.
É com sutileza que agem os estelionatários, hoje, conseguindo enganar tantos incautos. Eles se apresentam sempre com a aparência de muita educação e humildade. Foi assim, muito gentil e com voz aveludada que Satanás se aproximou de Eva, dirigindo-lhe uma pergunta aparentemente nada comprometedora: “… É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?”. Diante de tanta amabilidade Eva aceitou o diálogo, porém, não mostrou firmeza, pois, em sua resposta não correspondeu aquilo que, de fato Deus havia dito. Nossas dúvidas e inseguranças na Palavra de Deus tornam Satanás mais ardiloso.
Falseando a Palavra, Eva respondeu: “… do fruto das árvores do jardim comeremos, mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais”. Agora Satanás estava em condições de contraditar o próprio Deus, pois, sentiu que já tinha o controle sobre a mulher. Mais uma vez, com muita sutileza, lançou dúvidas quanto à veracidade da Palavra do próprio Deus: “… certamente não morrereis”. Uma maneira muito sutil de afirmar que Deus havia mentido. Não tendo havido nenhuma reação por ter ouvido que a Palavra do Criador não era verdadeira, então Satanás com maior sutileza deu sua cartada final despertando, agora, a soberba e o desejo de ser como Deus: “Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal”(Gn 3:1-5). Sem qualquer ameaça, sem nenhuma palavra forte, apenas na sutileza, Satanás já estava com a mulher na “palma de sua mão”.
b) Usando de sutilezas Satanás procurou enganar a Igreja Primitiva. Com Eva ele teve que falar, pessoalmente. Na Igreja Primitiva ele procurou infiltrar-se através de seus instrumentos, aqueles que a Bíblia denomina de falsos obreiros.
O Senhor Jesus advertiu contra esse perigo. Disse Jesus: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”(Mt 7:15). Acautelar significa ficar de sobreaviso, prevenido, para não ser pego de surpresa. O Senhor Jesus sabia que eles viriam, por isto afirmou: “que vêm até vós”. Ele não disse: “que poderão vir”. Ele afirmou que viriam! E vieram! Não perderam tempo! Vestir-se de “ovelha” seria a forma de poder agir, livremente, com sutileza.
Os Apóstolos advertiram contra esse perigo das sutilezas de Satanás. “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade”(2Pedro 2:1-2). O Senhor Jesus falou em “falsos profetas” que seriam como “lobos vestidos de ovelhas”, Pedro identificou-os com “falsos doutores”. Oremos e vigiemos(Mt 26:41) para que não venhamos a cair nas muitas ciladas do Diabo.
2. Palavras persuasivas. “E digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas”(Cl 2:4). Neste versículo, Paulo adverte os colossenses que eles não se poderiam deixar enganar por “palavras persuasivas”, expressão que é própria do apóstolo Paulo que não queria que sua pregação fosse confundida com os discursos proferidos pelos grandes oradores, que haviam se notabilizado pelo estudo da arte da retórica, que é a arte de falar bem, do convencimento através do uso da palavra, algo que era muito comum naqueles tempos.
É muito triste vermos, atualmente, pregadores buscando se formar e se aprimorar no conhecimento de técnicas que levem o povo à emoção, ao frenesi (delírio), em especial a chamada “neurolingüística”, gastando horas e horas no aperfeiçoamento destas habilidades ao invés de buscarem a face do Senhor na oração, no jejum e na meditação da Palavra do Senhor. O resultado tem sido desastroso, porquanto há já centenas de pregadores que em nada se distinguem dos “gurus” e “mestres” de movimentos ligados direta ou indiretamente ao movimento Nova Era e, naturalmente, o povo não sente a presença do Senhor e é enganado por emoções e sentimentos que são causados por técnicas persuasivas, que nada têm a ver com a verdadeira manifestação da glória do Senhor. Tomemos cuidado para não sermos presas desses mestres do engano, dando ouvidos a espíritos enganadores (1Tm 4.1).
3. “Ninguém vos faça presa sua”. “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8). Paulo muito se preocupou com a igreja de Colossos. Ela estava sendo invadida por doutrinas heréticas introduzidas por falsos pregadores e mestres. Ele recomendou aquela igreja “para que ninguém vos engane com palavras persuasivas”. Satanás é o príncipe da sutileza, ele utiliza-se de todos os meios possíveis para induzir o povo de Deus ao erro. O desejo dele é levar o maior número de pessoas ao inferno. Para isso ele usa até mesmo líderes disfarçados de “homens de Deus”.
Não nos esqueçamos que os falsos ensinos são sutilezas e, portanto, não são facilmente verificáveis. Não se trata de absurdos que abandonamos tão logo as ouvimos, mas ensinos e pensamentos que nos deixam intrigados, principalmente para aqueles que se encontram distraídos como era o caso de Eva e, pior, que não têm conhecimento da Palavra de Deus. Como igreja do Senhor, estejamos devidamente preparados, alicerçados na Palavra de Deus, para detectar e combater as muitas sutilezas de Satanás.


III. A IGREJA É A GUARDIÃ DA SÃ DOUTRINAA doutrina Bíblica é a manifestação da vontade de Deus para o homem. Ela é a substância da fé. Ela produz um poderoso avivamento na vida daqueles que a amam, a lêem e meditam de dia e de noite, como ordenou o Senhor ao seu servo Josué, capitão e líder do povo de Israel: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido”(Js 1:8).
Seguir a doutrina Bíblica é seguir a vontade de Deus para o homem e é por isso que muitos se têm levantado contra a doutrina, porque ela implica na renúncia do eu, na renúncia do ego, na renúncia de nós mesmos, sem o que é impossível seguir a Jesus (Mt 16:24).
1. A sã doutrina. A primeira nota característica que se escreve a respeito da Igreja Primitiva, a partir do dia de Pentecostes, foi o fato de que “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2:42). Nessa Igreja, o trabalho principal dos crentes era encher Jerusalém da doutrina (At 5:28). A preocupação dos apóstolos era orar e ensinar a Palavra de Deus à igreja, ou seja, dar doutrina (At 6:2,4). Desta feita, estava edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2.20b). Os apóstolos transmitiram os ensinamentos de Jesus com fidelidade: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei” (1Co 11:23a -ARA); “… o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos…” (1João 1:1-3).
Com estas informações que nos vêm do texto sagrado, temos alguma dúvida por que a igreja prosperava, estava sempre avivada e a todo instante o Senhor acrescentava aqueles que haviam de se salvar (At 2:47)? Creio que não! A Igreja prosperava simplesmente porque dava o primeiro lugar, em sua atividade, à sã doutrina. Isto não quer dizer que a igreja não sofresse oposição, nem que não enfrentasse falsos ensinos e heresias, ao contrário, os cristãos foram martirizados por causa de suas profundas convicções doutrinárias; não abriram mão delas. Ninguém arrisca sua vida por algo em que não acredita fortemente. Os cristãos não negaram Cristo nem sua palavra; para eles, os fundamentos de sua fé eram nítidos. A Igreja somente poderá manter-se pura e ataviada para se encontrar com Jesus se preservar a ortodoxia bíblica doutrinária.
2. Examinando tudo. O contexto evangélico brasileiro tem sido marcado nesses últimos anos pelo superficialismo. A ausência de conhecimento bíblico tem trazido conseqüências desastrosas a muitas igrejas. Mas nem tudo está perdido, existem muitos que não se dobraram diante dos profetas de Baal. Precisamos resgatar o antigo interesse pelo estudo da Bíblia, seja na Escola Dominical ou nos cultos de ensino.
Paulo exortou a igreja de Tessalônica: “Examinai tudo. Retende o bem” (1Ts 5:21). Devemos avaliar o que ouvimos e reter o que é bom, genuíno e verdadeiro. O padrão pelo qual devemos provar toda pregação e todo ensino é a Palavra de Deus(ler Hb 5:14), ou mediante a revelação do Espírito Santo - o dom de discernimento (At 5:1-5). O crente não pode deixar-se levar pelos sinais e manifestações sobrenaturais, sem antes ter a certeza de que a sua origem é divina (1João 4:1-3).
3. Sólido mantimento. A Palavra de Deus, simbolizada pelo Pão, é um alimento sólido, básico, e nutritivo. A Bíblia nos fala de uma comunidade cristã que não havia crescido por falta de conhecimento da Palavra de Deus, como alimento sólido: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos da Palavra de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino”(Hb 5:12-13).
Pelo tempo que aqueles crentes Hebreus estavam na Igreja, deveriam ser mestres, diz o escritor. No entanto, não haviam crescido, ou progredido, ou desenvolvido espiritualmente. Continuavam como se fossem novos convertidos, como “meninos inconstantes”, como indoutos.
Todo crente necessita ler e estudar a Bíblia diariamente, para crescer no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2Pedro 3:18). A Palavra também nos diz em 1Pedro 2:2,3 que por mais maduros e por mais que tenhamos experimentado da bondade do Senhor, do seu poder, da sua unção, dos seus dons e de tudo o mais que Ele, por sua infinita misericórdia derrama sobre nós, precisamos ser como crianças inconformadas que choram e clamam por mais de Deus, como bebês choram por leite. E ainda nos diz que precisamos pensar na bíblia, e nos alimentar para crescermos fortes no Senhor.
O que mais se vê nos dias de hoje são crentes que oram em línguas estranhas, profetizam na vida das pessoas, pregam com tanto entusiasmo que impressionam a muitos, mas quando a tempestade vem, eles não resistem e caem por falta de alimento sólido, por não conhecerem as escrituras e nem o poder de Deus (que é revelado em sua própria Palavra).
A recomendação de Pedro é: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo” (1Pe 2:2).


CONCLUSÃOPortanto, conservar a pureza da doutrina pentecostal é manter sem alteração aquilo que o Senhor nos ensinou através da sua Palavra. É manter a simplicidade do Evangelho tal qual o encontramos nas Escrituras. É reconhecer a necessidade da busca do revestimento de poder e dos dons espirituais, a sua atualidade (pois Deus não muda) e aplicar estas dádivas divinas segundo os propósitos estabelecidos pelo Senhor e revelados na Bíblia Sagrada, que é a verdade (João17:17). Este é o verdadeiro “conservadorismo bíblico”, tão criticado por muitos e confundido, inadvertidamente, com uma postura retrógrada e farisaica.


Fonte: ebdweb