Seguidores

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A DIREÇÃO DADA AO CRISTÃO

É um fato incontestável que Deus quer dirigir o seu povo, e que Ele disse é capaz. Isso é o que a Escritura nos ensina; em Suas promessas (por exemplo, Prov. 3:6.”Ele endireitará as tuas veredas”), em Seus mandamentos (por exemplo, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor”); e em suas orações (por exemplo, Col. 4:12:...”que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus”).


Mas como descobrirmos a vontade de Deus? Há crentes que afirmam, com certa facilidade, que “o Senhor me disse para fazer isto” ou “o Senhor me chamou para fazer aquilo”, como se tivessem uma linha direta com o céu e estivessem em permanente e direta comunicação telefônica com Deus. Acho difícil acreditar em tais pessoas. Outros há que pensam receber minuciosa direção de Deus fazendo as mais imaginativas interpretações de passagens bíblicas, matando o sentido natural, violando o contexto e não tendo uma base numa exegese segura, nem no senso comum.

Se queremos discernir a vontade de Deus para conosco, devemos começar fazendo uma distinção importante: sua vontade “geral” e sua vontade “particular”. A vontade “geral” de Deus assim pode ser chamada por ser sua vontade para com todo o seu povo em geral, em todas as épocas; ao passo que, a vontade “particular” de Deus assim pode ser referida por ser sua vontade para com pessoas em particular e em ocasiões específicas. A vontade geral de Deus para conosco é que nos conformemos à imagem de seu Filho. A vontade particular de Deus, por outro lado, refere-se a questões tais como a escolha da profissão; a escolha do companheiro ou companheira na vida; e como empregar nosso tempo, nosso dinheiro e nossas férias.

Uma vez feita essa distinção, achamo-nos em condições de repetir e responder aquela nossa pergunta sobre como descobrirmos a vontade de Deus . Pois a vontade geral de Deus foi revelada nas Escrituras. Não que seja sempre fácil discernir Sua vontade nas complexas situações éticas modernas. Precisamos Ter princípios seguros para a interpretação bíblica. Precisamos estudar, discutir e orar. Não obstante, continua sendo verdade, no que se refere à vontade geral de Deus, que a vontade para com o Seu povo encontra- se na Palavra de Deus.

A vontade particular de Deus, por outro lado, não se encontra “pronta” na Escritura, pois a Bíblia não se contradiz, e é uma característica da vontade particular de Deus que ela seja diferente para diferentes membros da sua família. É claro que encontramos nas Escrituras princípios gerais que nos orientam na tomada de nossas decisões em particular. E não nego que muitos homens de Deus, pelos séculos a fora, afirmaram Ter recebido das Escrituras uma direção detalhada. Todavia, devo repetir que está não é a forma de como deus costumeiramente procede.

Considere, por exemplo, a questão do casamento. A Escritura lhe dará uma direção em termos gerais. Ela lhe dirá que o casamento está nos planos de Deus, e que uma vida de solteiro deve ser a exceção, não a regra; que um dos objetivos principais do casamento é o companheirismo, e essa é uma das qualidades a ser procurada na pessoa com que se casar; que como cristão você tem a liberdade de se casar somente com quem seja também crente em Jesus; e que o casamento (o compromisso total e permanente de um homem com uma mulher) é o contexto ordenado por Deus no qual a união e o amor sexual devem ser desfrutados. Estas e outras verdades vitais acerca da vontade geral de Deus para com o casamento, a Escritura lhe mostrará. Mas a Bíblia não lhe dirá se é a Clara, a Mara , a Sara ou a Nara aquela com quem você deverá se casar!

Como então tomar uma decisão a respeito desta importantíssima questão? Há somente uma resposta possível: usando a mente e o senso comum que Deus lhe deu. Você certamente orará pedindo a direção de Deus.

E se você for sábio, pedirá o conselho de seus pais e de outras pessoas mais velhas que o conhecem bem. Mas a decisão final é sua, na confiança de que Deus o guiará no seu próprio raciocínio.

Há uma boa base bíblica, no Salmo 32:8-9, para o uso da mente dessa forma. Estes dois versículos devem ser lidos em conjunto. Eles nos dão um bom exemplo do equilíbrio que há na Bíblia. O versículo 8 contém uma promessa quanto à direção de Deus: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e sob as minhas vistas , te darei conselho”. É, com efeito, uma tríplice promessa: “instruir-te-ei,” “ensinar-te-ei,” e “dar-te-ei conselho”. Mas o versículo 9 acrescenta imediatamente: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem”. Em outras palavras, embora deus prometa nos guiar, não devemos esperar que o faça tal como guiamos cavalos e mulas. Deus não porá um freio nem uma rédea em nós; pois não somos cavalos nem mulas: somos seres humanos. Temos entendimento, o que mulas e cavalos não têm.

É, pois, pelo uso de nosso próprio entendimento, iluminados pela Escritura e pela oração, recebendo o conhecimento de amigos, que Deus nos guiará para conhecermos sua vontade particular para nós.

É urgente atentarmos a essa advertência da Escritura. Já vi muitos jovens cristãos cometerem erros sérios e tolos por agirem sob algum impulso irracional ou “por palpite”, em vez de se valerem poderiam fazer suas as palavras de Bernard Baruch: “Todos os fracassos que tive, todos os erros que cometi, todas as tolices que já vi por aí, tanto na vida pública como na particular , foram a conseqüência de uma ação não pensada.”.

Fonte: Crer é também pensar - John R. W. Stott

A Busca da Santidade

Muitos dos segredos da santidade nos são revelados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos objetivos principais da Escritura é mostrar ao povo de Deus como levar uma vida que lhe seja digna e que lhe agrade. Porém um dos aspectos mais negligenciados na busca da santidade é a parte que compete à mente, conquanto o próprio Jesus tenha posto o assunto fora de qualquer dúvida quando prometeu: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É mediante a sua verdade que Cristo nos liberta da escravidão do pecado. De que forma? Onde se encontra o poder libertador da verdade?


Para começarmos, precisamos Ter um quadro bem claro do tipo de pessoa que Deus pretende que sejamos. Temos de conhecer a lei moral de Deus e os mandamentos. Como o expressou John Owen: “o bem que a mente não é capaz de descobrir, a vontade não pode escolher, nem as afeições podem se apegar”... Portanto, “na Escritura o engano da mente comumente se apresenta como o princípio de todo pecado”.

O melhor exemplo disso pode-se encontrar na vida terrena do nosso Salvador. Por três vezes o diabo aproximou-se dele e o tentou no deserto da Judéia. Nas três vezes Ele reconheceu se má a sugestão que lhe fizera Satanás e contrária à vontade de Deus. Três vezes Ele se opôs à tentação com a palavra grega ptai: “está escrito”. Jesus não deu margem a qualquer discussão ou argumentação. A questão já estava decidida, logo de partida, em sua mente. Pois a Escritura estabelecera o que é certo. Este claro conhecimento bíblico da vontade de Deus é o segredo básico de uma vida reta.

Não basta sabermos o que deveríamos ser, entretanto. Temos de ir mais além, resolvendo, em nossas mentes, a alcançá-la. A batalha é quase sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso caráter e comportamento se transformam. Assim é que, seguidamente, a Escritura nos exorta a uma disciplina mental nesse sentido. “Tudo o que é verdadeiro”, diz ela, “tudo o que respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

De novo: “Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.

De novo ainda: “Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito , para a vida e paz”.

O autocontrole é, antes de tudo, o controle da mente. O que semeamos em nossas mentes, colhemos em nossas ações. “Ler É Viver” foi o lema de uma recente campanha publicitária. É um testemunho do fato de que a vida não consiste apenas em trabalhar, comer, dormir. A mente tem de ser também alimentada. E o tipo de comida que nossas mentes receberem determinará que tipo de pessoa seremos. Mentes sadias têm um apetite sadio. Temos de satisfazê-las com alimento saudável, e não com drogas e venenos intelectuais perigosos.

Há, entretanto, uma outra espécie de disciplina mental a que somos convocados no Novo Testamento. Temos que considerar não somente o que deveríamos ser, mas também o que, pela graça de Deus, já somos.

Devemos constantemente nos lembrar do que Deus já fez por nós, e dizer a nós mesmos: “Deus uniu-me com Cristo em sua morte e ressurreição, e assim acabou com a minha velha vida e me deu uma vida completamente nova em Cristo. Adotou-me em sua família e me fez seu filho. Pôs em mim seu Espírito Santo, fazendo de meu corpo seu templo. Também tornou-se seu herdeiro e prometeu-me um destino eterno, consigo, no céu. Isto é o que Ele fez para mim e em mim. Isto é o que sou em Cristo”.

Paulo não se cansa de nos incitar a que deixemos nossas mentes pensar nessas coisas. “Quero que saibais”, ele escreve. “Porque não quero, irmãos, que ignoreis...”E cerca de dez vezes em suas cartas aos Romanos e Coríntios ele profere esta pergunta incrédula: “Não sabeis...” “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte?” Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos...? “Não sabeis que sois santuários de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?

A intenção do apóstolo nesta enxurrada de perguntas não é apenas fazer-nos sentir envergonhados por nossa ignorância. É antes fazer com que nos dizem respeito, as quais de fato nos são bem conhecidas; e que falemos entre nós sobre elas até o ponto em que se apoderem de nossas mentes e moldem o nosso caráter. Não se trata do otimismo de autoconfiança de Norman Vicent Peale, cujo método procura conseguir que façamos de conta que somos algo que não somos. O método de Paulo é nos lembrar do que realmente somos, porque assim nos fez Deus em Cristo

Fonte: Crer é também pensar - John R. W. Stott

terça-feira, 12 de julho de 2011

A VIDA DO NOVO CONVERTIDO

Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Frederico Maia, 49, centro
Viçosa - Alagoas
Escola Bíblica Dominical
Pastor local: Pr. Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigenio Hortencio de Oliveira 




INTRODUÇÃO


O Novo Convertido é um “recém-nascido espiritual”, logo, deve-se cuidar dele, nos seus primeiros passos, “como a ama que cria os seus filhos”(1Tess 2:7). Paulo assim procedia, como se percebe neste texto. Enquanto o novo convertido for um “recém-nascido espiritual”, um “bebê”, é imperioso que o pregador do evangelho lhe sustente, lhe dê uma assistência nutridora, alimentando-o com a Palavra de Deus, com os rudimentos doutrinários (Hb 6:1), “o leite espiritual” (1Co 3:2).

Assim como o recém-nascido tem de ser objeto de um cuidado específico e diferenciado na vida física, também na vida espiritual o novo convertido deve ser objeto de um cuidado especial, devendo existir, em toda igreja local, um segmento que cuide especificamente dele, de modo a acompanhá-lo na sua nova vida com Cristo, orientando-o e socializando-o, de modo a que possa ser integrado na igreja local como novo membro do corpo de Cristo.

O apóstolo Paulo ia de cidade em cidade, abrindo igrejas, mas jamais se descuidava de passar a essas igrejas os rudimentos doutrinários, o leite espiritual, inclusive voltando pouco tempo depois da evangelização e, quando não o pôde fazer por motivos alheios à sua vontade, como foi o caso de Tessalônica, mandava-lhes duas cartas com esta finalidade - “Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para ver como vão“(Atos15:36). O discipulado é a missão educadora da Igreja!

I. O NOVO CONVERTIDO É UMA NOVA CRIATURA

Por ocasião da conversão, não apenas viramos uma página de nossa vida, começamos uma nova vida sob o controle do Mestre: Jesus Cristo. Os cristãos não são reformados, reabilitados, ou reeducados - somos recriados (nova criação) - e passamos a viver em uma união vital com Cristo(Cl 2:6,7). As Escrituras afirmam: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5:17). Perceba que Paulo não diz se alguém está numa igreja evangélica, mas: “… se alguém está em Cristo”. Mudar, apenas, de religião, passar a pertencer e frequentar a “religião” evangélica, não é o que Deus quer para o ser humano. O que Deus quer é que o ser humano, através de Seu Filho Jesus, se torne um novo homem, ou uma nova criatura, pelo milagre da transformação que é o Novo Nascimento.

Em qualquer Igreja evangélica é possível entrar, ou tornar-se membro, através do batismo nas águas, mas, para alguém estar “em Cristo” é somente através do batismo em Cristo. O batismo nas águas é feito pelo homem, mas, o batismo em Cristo só pode ser feito pelo Espírito Santo, conforme escreveu Paulo à Igreja de Corinto: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo…”(1Co 12:13). Este “um corpo” não fala de denominação evangélica, mas, sim, da Igreja Universal, do Corpo de Cristo, onde existem somente crentes salvos. É neste mesmo sentido que Paulo escreve aos Gálatas: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo”(Gl 3:28). Estar revestidos de Cristo tem o mesmo significado de “está em Cristo”. Isto, biblicamente, só é possível através do Novo Nascimento, de nenhuma outra maneira.

O homem, originalmente, tal como Deus o criou, era justo. Possuía aquilo que, de acordo com a teologia, denomina-se justiça original. O homem era, pois, bom, por natureza. Nem poderia ser de outra forma visto ter sido criado à imagem e conforme a semelhança de Deus”(Gn 1:26). Mas, o homem pecou! Perdeu a condição de justo! Deus, contudo, no seu plano, elaborado desde “a fundação do mundo”(Ap 13:8), já havia previsto um meio para que o homem pudesse readquirir sua condição original de justo. Seria através da justificação pela fé em Cristo.

A Justificação é o processo pelo qual a culpa do homem é transferida para Jesus, que já a pagou através de seu sacrifício expiatório da cruz, e pode cobrir o homem com sua justiça. É por isto que Paulo diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é…”. Note que o texto bíblico não diz “será”, mas, sim, “é”. Isto significa que o novo convertido sofreu uma mudança radical de vida.

A Justificação não é um simples perdão. É muito mais! No perdão não há pagamento, mas na Justificação houve pagamento. O homem é justificado, gratuitamente, porque Jesus pagou o preço exigido pela Justiça de Deus para que o pecador não fosse morto(cf Cl 2:14).

Justificação é, pois, este processo pela qual os pecados dos homens foram transferidos para Jesus, o qual, em consequência deles, sofreu o peso da Justiça de Deus, e o homem é declarado justo, sem nenhuma culpa. Assim, agora, ele deixa de ser um fugitivo, ou um “procurado”, porque - “… nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…”(Rm 8:1).

O homem justificado não é um homem “reformado“, mas, é um novo homem. Este novo homem é visto por Deus como se nunca tivesse pecado. A justificação não deixa resíduos dos pecados dantes cometidos. Isto por causa daquele “… que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus”(2Co 5:21).

Antes da Justificação o homem era culpado, agora não há mais nenhuma culpa - “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”(Rm 8:33).

Antes, o homem estava condenado, agora “quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”(Rm 8:34).

Antes, morto, espiritualmente, o homem estava separado de Deus, agora “quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Rm 8:35).

Portanto, para o homem Justificado não há mais culpa, não há mais condenação, não há e nem haverá mais separação. Isento da culpa do pecado, o homem readquiriu a vida eterna, conforme afirmou Jesus: “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer…”(João 10:28). É realmente uma mudança radical; é uma nova dimensão de vida; é uma nova criatura.

Diante de tudo o que foi exposto, ainda há dúvida de que o novo convertido é uma nova criatura?

II. O PASSADO SE FOI E EIS QUE TUDO É NOVO

“… EIS QUE TUDO SE FEZ NOVO“(2Co 5:17). O Novo Nascimento significa uma mudança completa, total, absoluta. Aliás, ninguém poderá viver como salvo, ou como um crente fiel, sem o Novo Nascimento, pois, o padrão ético do Reino de Deus não pode ser vivido pelo homem natural. O viver como salvo só é possível para aquele que, pelo Novo Nascimento, se torna filho de Deus e, portanto, participante da Natureza Divina, pois, é, agora, filho, conforme afirma o apóstolo João: “Amados, agora somos filhos de Deus…”(1João 3:2).

Quando, de fato, a pessoa é transformada pelo poder do evangelho, é liberta do poder das trevas, do poder do pecado, e passa a ter um novo pensar e agir - “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”(João 8.32). A Palavra de Deus é a verdade. E quem é a Palavra? É o próprio Jesus Cristo (João 1:1-4). O homem liberto do pecado é transformado em uma nova criatura.

Depois que a pessoa crê em Jesus e o aceita como Salvador, tomando séria decisão de obedecer-lhe, uma coisa muito maravilhosa e inexplicável acontece: o desejo de praticar o mal vai desaparecendo à medida que a fé em Jesus vai aparecendo, e tudo se torna novo, diferente; a maneira de pensar, sentir e agir toma outro rumo. Isto indica, então, uma “nova pessoa”, com um desejo ardente de praticar o bem; começa a brotar no coração uma alegria singular que ocupa o lugar da tristeza, surge um conforto espiritual, uma paz que inunda todo o ser, um sentimento de amor vai se apossando e vai crescendo, dia após dia, tornando a pessoa mais cordial, mais compreensiva, mais sensata, perdoadora e com uma imensa vontade de viver para louvar e glorificar a Jesus (Rm 6:10-13). Estes são fatores indicativos da conversão, da transformação, do novo nascimento.

O passado, portanto, ficou pra trás; “eis que tudo se fez novo”. Agora, avançamos, “olhando para Jesus, o autor e consumador da fé” (Hb 12.2). Temos um alvo a atingir: a perfeita união entre nós e Cristo, nossa salvação final e nossa ressurreição dentre os mortos.

No decurso da nossa vida, há todos os tipos de distrações e tentações, tais como os cuidados deste mundo, as riquezas e os desejos ímpios, que ameaçam sufocar nossa dedicação ao Senhor. Necessário é esquecer-se das “coisas que atrás ficam”, isto é, o mundo iníquo e nossa velha vida de pecado, e avançar para as coisas que estão adiante(Fp 3:13), a saber, as responsabilidades da vida cristã, seja a adoração, seja o serviço, seja o desenvolvimento de nosso caráter cristão.

III. QUANDO ESTAMOS EM CRISTO

1. Temos um novo olhar. “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé…”(Hb 12:2). Olhar para Jesus é olhar para a Palavra de Deus, pois Jesus é a Palavra (Ap 19:13). Isto significa que o cristão tem uma nova maneira de viver, pois há diante dele a “regra de fé e prática”. Uma nova maneira de viver só é possível para aquele que “está em Cristo”, ou seja, que experimentou o milagre do Novo Nascimento, ou da Regeneração.

Para o Novo Convertido, seu crescimento na caminhada cristã deve ter como meta não olhar para o passado, mas adequar-se às novas demandas da sua vida para o agora e o futuro. Não dizemos com isso que o passado de uma pessoa deva ser apagado da memória. Ele ainda existirá, mas as histórias do passado não nortearão negativamente a nossa vida, e sim as novas experiências advindas da nova relação com Cristo.

Vivemos agora como salvos. Nenhum crente salvo, filho de Deus, integrante do Reino de Deus aqui na terra, do qual é embaixador(2Co 5:20), poderá pensar ser possível viver de qualquer maneira. Seria triste engano pensar que o Rei Jesus poderia reconhecer como seu embaixador alguém que não pensasse como ele pensa, que não agisse como ele próprio agiria, que não falasse como ele falou.

O salvo, diz a Bíblia, “… deve andar como ele[Jesus] andou“(1João 2:6). Deve andar em amor, santidade, união, honestidade, humildade, dentre outras virtudes. Os não salvos, sem compromissos com Deus e nem com a salvação seguem “… andando segundo as suas próprias concupiscências”(2Pedro 3:3).

2. Temos uma nova atitude - “… as coisas velhas já passaram…”. Quando estamos em Cristo nossas atitudes passam a ser pautadas segundo a Palavra de Deus. Ela é a baliza do cristão. Quando as nossas atitudes ficam fora dos seus limites não podemos afirmar que estamos em Cristo e que Cristo está em nós. Ser “nova criatura” é ter um novo caráter, pois passa a realizar boas obras (Mt.5:16), a produzir o “fruto do Espírito” (Gl.5:22) e não mais as velhas obras, as “obras da carne” (Gl.5:19-21). Trilhamos, agora, “pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne”(Hb 10:20). Portanto, “Andemos honestamente, como de dia, não em glutonaria, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e invejas”(Rm 13:13). “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).

3. Temos uma nova vida abençoada. “O homem fiel será coberto de bênçãos…”(Pv 28:20). “… será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará” (Sl 1:1-3). “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo“(Ef 1:3).

De acordo com as Escrituras Sagradas, as “bênçãos de Deus” podem ser Condicionais ou Incondicionais. Na sua maioria, elas são condicionais e, portanto, dependem que primeiro realizemos a nossa parte, em obediência às orientações de Deus. Nesse sentido, revelação contundente foi feita a Moisés, que foi repassada ao povo Hebreu, conforme registrado no Antigo Testamento, no livro de Deuteronômio, capítulo 28, versículos 1 a 14, quando Deus condicionou a prosperidade do trabalho e da vida à decisão prévia de ouvi-lo e obedecer-lhe.

Também, para os que cristãos dizem ser alcançarem as bênçãos que Deus dispõe ao seu povo, guardar os mandamentos do Senhor Deus, obedecer à Sua voz e fazer o que é reto diante dEle são condições sine qua non.

Muitos pregadores e líderes renomados têm exigido bênçãos divinas, como se Deus fosse um empregado, um almoxarife. E muitos deles ficam descontrolados, quando alguém diz que as bênçãos de Deus são condicionais. Aliás, na vida secular tudo é condicional: se eu pagar a conta da energia elétrica terei luz em casa; se eu pagar o financiamento do carro, um dia ele será meu; se eu obedecer às leis do trânsito, não serei multado. Se no nosso mundo cheio de falhas funciona dessa maneira, por que pensar que Deus é obrigado a nos abençoar, mesmo que não atentemos a nenhuma de suas condições? Portanto, as condições impostas por Deus, exaradas em Deuterômio 28: 1-14 , onde o Senhor promete toda a sorte de benção para os israelitas, são perfeitamente aplicadas ao seu povo na atualidade (a Igreja - o Israel de Deus - Gl 6:16).

Jesus Cristo aprofunda a orientação divina do atendimento de condições prévias para sermos abençoados, ao chamar a atenção para o comportamento esperado dos seus seguidores. O Senhor Jesus deseja um relacionamento íntimo com Ele e que Suas palavras permaneçam no coração. Assim fazendo, as respostas às orações chegarão e as bênçãos de Deus acontecerão. Ele diz: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”(João 15:7).

É bom ressaltar que o compêndio doutrinário da Igreja, o Novo Testamento, não diz que a verdadeira felicidade do cristão é o seu engrandecimento de bens materiais. De acordo com as Escrituras Sagradas, todas as bênçãos são de natureza espiritual (Ef 1:3) e se constitui em boas dádivas do Pai Celestial, doador de todas as coisas às pessoas: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tiago 1:17).

Muitos buscam ser feliz pela aquisição de bens materiais, mas a real felicidade é o resultado de uma mudança radical em nosso ser. A busca da felicidade e da alegria é acima de tudo a busca incessante por Jesus. O ser humano sem Cristo, de modo geral é infeliz. Até as pessoas que parecem ter alcançado tudo o que este mundo pode oferecer em brilho e glória, muitas vezes dão provas de sua infelicidade.

A felicidade que Jesus nos dá não é um constante “andar nas nuvens”, uma contínua sensação de bem-estar, livre de todos os desconfortos, mas é a certeza de estarmos abrigados nEle. Seguindo a Jesus, um filho de Deus não é poupado de todos os sofrimentos; mas a felicidade consiste exatamente em sabermos que, no meio de todo sofrimento, no meio de toda angústia estamos ancorados em Jesus Cristo; que nEle temos uma esperança viva e que o sofrimento jamais é o fim, e sim, a vida com Jesus; vê-lO um dia e estar com Ele por toda a eternidade. A Bíblia diz: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra”(Sl 34:19). Davi diz o seguinte, e nos anima: “Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois não têm falta alguma aqueles que o temem.”(Sl 34:9).

Jó era um homem feliz, a despeito do ambiente hipócrita em que ele estava envolto; talvez abatido, com medo, mas justificado, e isto lhe proporcionara felicidade.

Para o autêntico cristão Deus nos concede bênçãos especiais: a vida (1João 5.12), a liberdade (2Co 3.17), a alegria (João 16.22), o perdão (1João 1.7), a paz (Rm 5.1), o propósito de vida (Fp 1.21), a provisão (Fp 4.19), o futuro com Cristo (João 14.2,3), a vida Eterna(1João 2:25).

BÊNÇÃO INCONDICIONAL. A bênção incondicional de Deus assume outras características. Pela Sua multiforme Graça, Ele decide a quem, quando e de que forma abençoar, conforme Seu plano eterno. Independe do mérito da pessoa. É uma decisão unicamente pela Graça de Deus, manifestando Sua misericórdia e amor ao ser humano.

Deus não é apenas o Criador da Terra, do homem, e de tudo que nela há, mas, pela sua Graça comum, ou universal, ele é também, o Sustentador de todas as coisas, incluindo a existência do homem, conforme afirmou Paulo, em Atenas: “Porque n’Èle vivemos, e nos movemos, e existimos…”(Atos 17:28).

Sem a Graça comum, ou universal, que é um favor imerecido que ele quis e continua concedendo ao homem, não haveria vida sobre a terra. Deus, através de sua Graça Comum, abençoa todos os homens, crentes, incrédulos, ou ímpios. Foi o que o Senhor Jesus deixou claro, quando afirmou: “…porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos”(Mt 5:45).

Assim, quer o homem saiba disto ou não; quer reconheça ou não a misericórdia de Deus; quer seja grato ou não, na verdade a sua vida está nas mãos de Deus e é sustentado pela sua Graça. É ele, Deus, que controla o dia e a noite, que administra as estações do ano, que mantém a regularidade dos movimentos de rotação e translação da terra, que mantém o equilíbrio da cadeia alimentícia, que regula o sistema de defesa do corpo humano, entre tanto outros benefícios concedidos pela sua Graça Comum, ou Universal. Isto são bênçãos incondicionais. Por isto, nós que conhecemos a Palavra de Deus, dizemos que: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim”(Lm 3:22).

CONCLUSÃO

Para que o Novo Convertido permaneça firme na fé é fundamental que ele tenha conhecimento de Deus e a certeza do perdão dos pecados. Daí a necessidade de Classes Especiais em nossa Escola Dominical para que se possa ministrar aos crentes novos o ensino básico e essencial para levá-los ao progresso espiritual, como diz Pedro “…para que, por ele, vades crescendo”.

Esses neófitos precisam firmar a convicção que tudo o que foi feito no passado, mediante o arrependimento e pelo perdão alcançado através do nome de Jesus, caiu no esquecimento de Deus, como ele próprio afirma: “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados me não lembro”(Is 43:25). Precisam firmar a convicção de que toda obra de feitiçaria, todas as pragas que lhe foram rogadas, todas as maldições suas ou de seus antepassados, tudo o que fez ou que lhe fizeram de mal, tudo o que constava da sua “folha corrida”, mediante seu arrependimento e o perdão, tudo, tudo está apagado, através do Sacrifício Vicário realizado por Jesus - “Havendo riscado a célula que era contra nós nas suas ordenanças, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl 2:14). Precisam firmar a convicção de que para um grande pecador, existe um grande Salvador. Por isto, aos novos convertidos, como também a todos nós, Paulo afirma: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(2Co 5:17). Qualquer ensino contrário a este princípio bíblico será uma heresia.



Fonte: ebdweb

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A MENSAGEM DO REINO DE DEUS

Texto Básico: Marcos 1;14,15; Mateus 5:3-12; Romanos 14:17




“… O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho“(Mc 1:15).



INTRODUÇÃO

A mensagem do Reino de Deus é facilmente vista nas palavras de Jesus, descrita por Marcos: “o tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:15). Aqui, o evangelista Marcos expôs o que ele e outros escritores inspirados denominaram o Evangelho (boa nova ou boa mensagem) do Reino. As palavras de Jesus representam boas novas porque oferecem liberdade, justiça e esperança. Tratava-se de uma mensagem simples e objetiva, que diz:

“o tempo está cumprido” - Jesus tinha vindo cumprir tudo quanto havia sido escrito pelos profetas a Seu respeito. Como nos ensina o apóstolo Paulo, havia chegado “a plenitude dos tempos” (Gl 4:4).

“o reino de Deus está próximo” - O reino não havia chegado, mas estava próximo, ou seja, ele não se imporia sobre o povo de Israel, mas, a exemplo da lei, estava sendo oferecido, era tornado acessível a todos quantos o aceitassem.

“Arrependei-vos” - O reino de Deus não era uma estrutura política, social ou econômica que seria imposta aos judeus, mas seria o estabelecimento de uma comunhão entre Deus e cada um dos israelitas. Para tanto, necessário se faria a remoção dos pecados. Para que o reino de Deus se instalasse, era necessário o arrependimento.

“e crede no Evangelho” - As duas coisas que deveriam ser feitas pelo povo judeu seria o arrependimento de seus pecados e a fé na mensagem trazida pelo Senhor.

Entretanto, o reino de Deus não se instalou na nação judaica, porque ela não recebeu o Senhor, não creu nEle nem em Sua mensagem. Ante a rejeição de Israel, a pregação do reino de Deus se estendeu também aos gentios (Mt 21:43; At 11:18; Rm 11:11), ou seja, chegou até nós. Vive-se o momento da oportunidade para que todos aceitem a Cristo como Salvador(Mt 24:14; 28:19;Mc 16:15).

O poder miraculoso de Jesus sobre os demônios, sobre as enfermidades, sobre a morte, provou ser verdadeira a sua mensagem, que anunciou poderosamente a chegada do reino. Foi um golpe mortal em Satanás. Essa boa nova ressoou em todos os cantos do globo e ainda oferece esperança a todos os pecadores. Ela persiste porque o evangelho do reino é: A boa nova de Deus (Rm 1:1); A boa nova do Filho de Deus, Jesus Cristo (1Tess 3:2); A boa nova da graça de Deus (Atos 20:24); A boa nova da salvação (Ef 1:13); A boa nova de paz (Ef 6:15); A boa nova da esperança (Cl 1:23). Como discípulos de Cristo, somos por Ele intimados a dar continuidade a essa mensagem, a mensagem do Reino de Deus, o Evangelho, a toda criatura (Mc 16:15- 18).

I. A NATUREZA DO REINO DE DEUS

1. O Reino é espiritual. A natureza do reino de Deus é essencialmente espiritual. Jesus afirmou isso diante da indagação de Pilatos - “Tu és o rei dos judeus?” - quando disse: “O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui” (João 18:36).

Em Cristo, através do Espírito Santo, o reino de Deus já está dentro de nós (Lucas 17.21) e isto não pode ser tirado. Nós “já” temos o reino, mas “ainda não” completamente, até que Cristo volte. Enquanto isto, nossa vida deve apresentar valores opostos aos do presente século, tais como estes apresentados pelo Senhor Jesus: a humildade (Mt 18:4); o perdão (Mt 18:23-27); a generosidade (Mt 20:1-16); e o total comprometimento com o Reino de Deus (Lc 9:57-62).

Vivamos uma vida na dimensão do reino, anunciando e servindo ao Rei Jesus, “porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em virtude” (1Co 4:20).

2. O Reino é pessoal. Quando o homem ouve e aceita a mensagem do Reino de Deus(o Evangelho), ocorre uma mudança radical em sua vida. Seu comportamento, a partir desta experiência, passa a ser controlado pelo próprio Deus através do Espírito Santo. Ocorre:

a) Mudança na maneira de ser e de agir - mudança de vida(cf 2Co 5:17). A partir da conversão, o comportamento dos filhos do Reino passa a ser controlado pelo próprio Deus através do Espírito Santo. Se uma pessoa se diz “salva”, mas não apresenta sinais visíveis de mudança de vida, alguma coisa deve estar errada! Se disser que está “salva”, mas continuar andando “como andam também os gentios”, então nada mudou. Ora, se nada mudou, biblicamente, não houve Conversão, mudança de vida.

b) Mudança de filiação. Antes de ouvir, crer e aceitar a Palavra de Deus, o homem era “filho da desobediência”, “filho da ira”, ou, na expressão mais pesada, dita pelo próprio Jesus, era “filho do diabo”(João 8:44). Agora, como salvo, o homem se torna “filho da luz”, conforme afirmou Paulo aos tessalonicenses: “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia”(1Tess 5:5), ou, segundo declarou João: “Amados, agora somos filhos de Deus…”(1João 3:2). Assim a mensagem do Reino de Deus(o Evangelho) opera no coração daquele que crê: uma mudança de filiação - o homem passa de “filho do diabo”, para a condição de “filho de Deus”.

c) Mudança de atitude, como afirma Pedro: “Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância”(1Pedro 1:14). Se o homem diz que está salvo, mas, continua conformado e não procura mudar seus hábitos, ou costumes, alguma coisa deve estar errada!

Além dessas mudanças citadas, ocorridas nas pessoas que abraçaram o Reino de Deus, destaco, ainda, outras operações realizadas pela Palavra de Deus, tais como: ela opera o amor; ela opera uma firme convicção sobre a Vinda de Jesus, dando-nos a certeza de que “estaremos sempre com o Senhor”; desta certeza resulta o desejo, e a disposição de nos entregarmos à realização do trabalho, ou da Obra do Senhor, aceitando a recomendação de Paulo: “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”(2Tess 3:13). Tudo isto se torna possível e real pela operação da Palavra de Deus nos corações daquelas pessoas que crêem na mensagem do Reino de Deus.

3. O Reino de Deus e seus princípios (Mt 5.3-12). As bem-aventuranças proferidas por Jesus no Sermão da Montanha expõem o padrão ideal para o cidadão do Reino de Deus. As qualidades descritas e aprovadas são totalmente opostas às que o mundo valoriza. Esse sermão nos mostra que a real vida em Cristo requer a substituição de nosso padrão de justiça. Ser um cidadão do reino independe do que temos ou fazemos, mas do que somos. É um estado interior. O Sermão do Monte é a base a todos os que desejam viver realmente o cristianismo bíblico.

As bem-aventuranças ali proferidas não são mandamentos, são ideais, alvo a ser perseguido. Se fossem mandamentos, estaríamos em situação difícil; com certeza teríamos dificuldade de acreditar em Jesus quanto ao seu “jugo suave e fardo leve” (Mt 11:28). Todos os súditos do Reino, porém, anseiam e procuram viver de acordo com esses princípios do reino.

II. A NOVA VIDA DOS QUE FAZEM PARTE DO REINO DE DEUS

1. Nascer de novo. Nascer de novo é a primeira condição para todo aquele que quiser entrar no Reino de Deus - receber a Salvação. A Palavra de Deus afirma que o homem no pecado está morto - foi o que afirmou Paulo: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados”(Ef 2:1). Morte significa separação. No sentido espiritual, o homem no pecado está separado de Deus. A única maneira desse homem voltar a ter comunhão com Deus é recebendo uma nova vida, através do nascer de novo.

Nicodemos embora fosse um homem rico, culto, de grande projeção social e, também, religioso, espiritualmente estava morto - “Jesus respondeu e disse-lhe: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode entrar no Reino de Deus”(João 3:3). Nicodemos na entendeu e pensou como ainda pensam os espíritas: pensou que o nascer de novo significava tornar a nascer do ventre da mão. Assim, para que não pairasse qualquer dúvida sobre a reencarnação como sendo o “nascer de novo”, o Senhor Jesus explicou que se fosse possível tornar a nascer, no sentido físico, quantas vezes a pessoa pudesse nascer, em nada iria mudar, ou seja, nasceria sempre com a velha natureza carnal. Assim, o Senhor Jesus lhe disse: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”(João 3:6). É somente o Espírito Santo quem pode operar no homem o milagre do Novo Nascimento ou Regeneração. Foi o que afirmou Paulo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”(Tito 3:5).

Através deste nascer de novo o homem se torna participante da natureza de Deus, recebendo a Adoção de filho. Sem o Novo Nascimento o homem será sempre criatura de Deus, não filho. Foi por isto que o Apóstolo João escrevendo àqueles crentes que já haviam passado pela experiência do Novo Nascimento disse: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”(1João 2:2).

Portanto, Nascer de Novo não significa retornar a velha natureza, mas significa transformar o velho homem numa nova criatura. Foi isso o que Paulo queria dizer quando declarou: “Assim, que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já se passaram; eis que tudo se fez novo”(2Co 5:17).

2. Proclamar o Reino de Deus. Os Evangelhos são enfáticos quanto à mensagem de Cristo e dos seus discípulos no sentido de proclamar o Reino de Deus a todas as gentes (Mt 3:1,2; Mc 1:14,15; Lc 18:16,17). A centralidade da mensagem está no Reino de Deus, o foco principal da proclamação da Igreja em seus primórdios (At 1:3; 8:12; 14.22; 19:8; 20:25; 28:23,31). Quando se diz “é chegado o Reino…”(Mt 4:17), o sentido é profético, referindo-se tanto à presença do Reino no presente quanto no futuro.

A atual manifestação do Reino de Deus implica salvação do poder do pecado, mas quanto ao futuro, a libertação da presença do pecado (1Co 15:20-25,42-57). Na grande comissão(Mt 28:18-20) recebemos autoridade para fazer este reino notório entre os homens. Se a igreja não marcha vitoriosa expulsando demônios, curando enfermos, pregando o evangelho, é porque ainda não descobriu sua função na Terra. A igreja é um poder em operação na Terra; é o corpo de Cristo e o governo de Cristo sobre a Terra. Jesus orou e disse “venha a nós o teu reino”; isso quer dizer que devemos desejar que o reino espiritual de Deus seja sobre nós, sobre nossa nação, sobre o mundo inteiro.

O reino de Deus é invisível, mas se torna visível pelas obras realizadas por seus servos à medida que saem de suas casas e exercem a autoridade que Jesus lhes conferiu. Lucas 10:19 diz: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum”. Em Mateus 10:8 está escrito: “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça daí”.

Portanto, proclamar o Reino de Deus trata da responsabilidade que tem a Igreja de ser a portadora da Palavra de Deus, a ser proclamada, divulgada e defendida pela Igreja, não só com palavras, mas, principalmente, com atitudes. A Igreja é a porta-voz de Deus sobre a face da Terra. Ela tem o Espírito Santo (João 14:7), cuja função é guiar a Igreja em toda a verdade e dizer tudo o que tiver ouvido bem como anunciar o que há de vir, glorificando e anunciando tudo o que diz respeito a Cristo (João 16:13,14). Por isso, não pode haver qualquer outro “mensageiro” divino além da Igreja enquanto durar o período da Graça de Deus.

3. Gerar frutos. Uma vez regenerado - nascido de novo -, e andando em novidade de vida, o crente já está devidamente pronto a gerar frutos para o Reino de Deus. Um aspecto importante que observamos na botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico, é o resultado de todo um ciclo vital. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. O fruto é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do fruto do Espírito Santo(Gl 5:22). Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação deste fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que demos fruto, e o nosso fruto permaneça (João 15:16).

Somos de Cristo para que “demos fruto para Deus”(Rm 7:4). Quem não dá fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele(João 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha(Lc 13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor(Mt 21:18-22;Mc 11:12-14). Aliás, é este o único momento do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do seu povo. Para agradar a Deus em tudo é indispensável que frutifiquemos em toda a boa obra(Cl 1:10).

III. O QUE O REINO DE DEUS SIGNIFICA

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Neste texto, o apóstolo Paulo apresenta a natureza do Reino de Deus e começa seu ensino dizendo primeiro o que não é Reino de Deus: não é comida nem bebida porque estas são transitórias, o reino é eterno; comida e bebida falam dos prazeres da carne, reino fala do que é espiritual. Mas o que é, então, o Reino de Deus?

1. Justiça. “Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça“(Sl 15:1,2).

Em sua definição, justiça é a virtude que consiste em dar a cada um, o que por direito lhe pertence. Toda injustiça e tudo o que agride e desvaloriza o ser humano revela o anti-Reino. Jesus mostrou com suas ações que o Reino de Deus estava operando por intermédio dele; reverteu aquilo que era contra o Reino de Deus: enfermidades, possessão demoníaca, religiosidade vazia, fome (alimentou multidões), a exploração econômica (cambistas no templo) e até a morte.

Jesus pregou e praticou a justiça. Nós, continuadores da mensagem do Reino de Deus, devemos fazer o mesmo. Aliás, a forma mais eficaz para pregarmos o Evangelho do Reino de Deus está relacionada com a integridade do testemunho pessoal, principalmente por meio de nossos atos de justiça para com o nosso próximo. Em Salmos 15:1-2a, vemos o exemplo de um homem justo que obedece à Lei de Deus e respeita o direito do seu próximo.

“O efeito da justiça será a paz” (Is 32:17a). Os juristas (estudiosos do direito e da lei) não cansam de dizer que somente haverá paz quando houver justiça, que é impossível alguém construir a paz se não estabelecer a justiça. Por isso, o reino milenial de Cristo será o governo perfeito sobre a face da Terra, pois nele “a justiça e paz se beijarão” (Sl 85:10).

2. Paz. A paz é o desejo mais profundo do ser humano. Não por acaso, ela é uma promessa de Deus aos seus filhos.

Desde muito cedo, os homens de bem se cumprimentava assim: “Paz seja convosco”(Gn 43:23). Os anjos de Deus apresentavam do mesmo modo: “Paz seja contigo!” (Jz 6:23).

O Antigo Testamento ensina-nos a abençoar assim: “O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz” (Nm 6:26).

Jesus saudava seus discípulos e amigos com a expressão: “A paz seja com vocês!”(Lc 24:36). Ele recomendou expressamente aos seus discípulos, quando entrassem na residência de alguém, que dissessem: “Paz seja nesta casa!” (Lc 10:5).

Os apóstolos pediam que o Deus da paz estivesse com todos - “E o Deus de paz seja com todos vós. Amém”(Rm 15:33), mas a saudação que ficou favorita na igreja do Novo Testamento era: “Graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1Co 1:3).

Nas suas últimas instruções aos discípulos Jesus afirmou que lhes deixava a sua paz, que não era a paz do mundo (João14:27). A paz do mundo era uma paz precária, insegura e sujeita a temores constantes, porque era apenas a ausência de conflitos, uma ausência que não era garantida por coisa alguma. Era a situação vivida pelos contemporâneos de Cristo, que viviam a chamada “pax romana” (isto é, a paz romana), que era o período de ausência de guerras e de conflitos nas regiões que estavam sob o domínio romano, nos governos dos imperadores César Augusto e Tibério, que logo passaria, pois se tratava de apenas uma acomodação política instável e que dependia, fundamentalmente, da eficiência dos exércitos e dos órgãos de controle do poder romano.

A paz de Cristo é diferente, é um estado de quietude interior, embora as circunstâncias externas demonstrem a existência de conflitos sociais, econômicos, religiosos, etc. Jesus Cristo, que é nossa paz (Ef 2:14-18), diz: “Vinde a mim…Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim…e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11:28-30). Esse descanso traz paz com Deus e consigo mesmo, e dá ao lar, à igreja e a tudo mais, uma calma celestial. A paz de Cristo excede todo o entendimento(Fp 4:7). Só as pessoas eminentemente espirituais, ou seja, aqueles que nasceram de novo, compreendem e vivenciam isso.

3. Alegria. A alegria espiritual é resultado da salvação, é o sentimento constante de bem-estar íntimo, gerado pelo Espírito Santo, o qual gera em nós o bem-estar de Cristo, que o apóstolo Pedro chama de “gozo inefável e glorioso”(1Pe 1:8). É um sentimento perene de satisfação. Ora, esta satisfação está relacionada com a integridade, com o sentimento de completude que nada mais é do que a paz. Portanto, a paz e a alegria andam juntas, pois a satisfação em que consiste a alegria é o resultado direto, é quase que um outro lado do sentimento de inteireza, de ser completo com a vinda de Deus em nós, que é a paz. Deus nos enche de gozo e de paz - “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo”(Rm 15:13). Também muito nos alegramos pela certeza de termos os nossos nomes escritos no Livro da Vida (Lc 10.20).

Alguém já disse que não existe alegria, o que existem são momentos alegres. Certamente quem faz tal afirmação não leu ou não entendeu as palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 4:11-12: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez“. A alegria promovida pelo reino de Deus em nós independe das circunstâncias. Comida, bebida e vestimenta são coisas boas, porém, secundárias, podem ser dadas e tiradas.

Depreende-se com isso que a alegria no cristão está fundamentada no relacionamento sólido do crente com o Pai (2Pe 3:1; 4:4,10). É por isto que, nas provações, lembramos: “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5).

CONCLUSÃO

A mensagem do Reino de Deus é o Evangelho. Trata-se de uma mensagem que pode ser experimentada por todos, mas a essência é o crer. Crer no Evangelho implica reconhecer que ele é a chance que Deus dá para que o pecador possa ser perdoado por meio do sacrifício de Jesus. Em um mundo dominado por convicções contrárias à existência de Deus, Ele não exige grandes sacrifícios para nos oferecer a salvação. Ele pede tão somente a fé, que creiamos na mensagem transformadora que Jesus oferece. Não tem qualquer sentido alegar-se que, depois da salvação, necessitemos de outras experiências espirituais, místicas ou sobrenaturais para podermos obter uma comunhão com Deus. O sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado e, a partir de então, podemos ingressar, com ousadia, na presença de Deus. Para entrar no reino de Deus, ensinou Jesus a Nicodemos, basta que nasçamos de novo, que sejamos gerados pela Palavra de Deus, a semente incorruptível (1Pedro 1:23). Assim sendo, proclamemos a mensagem do Reino de Deus para que o pecador arrependa-se dos seus vis pecados, converta-se ao Senhor Jesus, mude de vida e seja justificado; desta forma, possa ser considerado cidadão do Reino de Deus(ler Mt 28:18,19).



Fonte:ebdweb

sexta-feira, 1 de julho de 2011

NOVO BATISMO REALIZADO NO DIA 30 DE JUNHO EM VIÇOSA - AL


A ASSEMBLÉIA DE DEUS EM VIÇOSA AINDA EM CLIMA DE CENTENÁRIO REALIZOU NA NOITE DO DIA 30 DE JUNHO DO CORRENTE ANO MAIS UM BATISMO COM MAIS CINCO CANDIDATOS, VISTO QUE ATÉ O DIA 12 HAVIA ALGUMAS PENDENCIAS DE DOIS CASAIS NO QUE DIZ RESPEITO AO CASAMENTO CIVIL, E UMA VEZ CASADOS PEDIRAM PARA SE BATIZAR AINDA NESTE MÊS, EM CLIMA DAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO. FOI REALIZADO UM GRANDE CULTO FESTIVO ONDE TEVE A PRESENÇA DO PR. JOSIVALDO GOMES (QUE FOI O PREGADOR DA NOITE) E MAIS 3 AUXILIARES VINDOS DE CAJUEIRO. A IGREJA ESTAVA LOTADA PARA LOUVAR A DEUS E TAMBÉM VER OS IRMÃOS SE BATIZAREM. NO FINAL DA MENSAGEM FOI FEITO O CONVITE E 5 PESSOAS TOMARAM A DECISÃO EM ACEITAR A JESUS COMO SENHOR E SALVADOR. NO DIA 12 A IGREJA DE VIÇOSA BATIZOU 33 CANDIDATOS, JUNTANDO COM OS 5 DE HOJE FORMARAM 38 CANDIDATOS BATIZADOS, PARA GLÓRIA DE DEUS.

PR. DONIZETE INACIO DE MELO