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segunda-feira, 23 de abril de 2012

PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO




Texto Básico: Apocalipse 2:12-17

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”(1João 2:15,16)

INTRODUÇÃO

Nesta aula estudaremos a respeito da carta de Jesus enviada ao pastor da igreja em Pérgamo. Havia um perigo que estava assaltando a essa igreja: a linha divisória entre a verdade e a heresia. Manter-se fiel ao Senhor em meio à sociedade idólatra de Pérgamo não era nada fácil. Porém, mesmo passando por muitas perseguições, os crentes de Pérgamo eram fiéis e não negaram a fé em Jesus. A despeito de sua fé inabalável, faltava-lhes um dom indispensável na igreja: o dom do discernimento bíblico e espiritual para combater os falsos ensinos. Alguns membros da igreja toleravam os pseudomestres e práticas contrárias à Palavra de Deus. Sustentavam a “doutrina de Balaão” e defendiam a “doutrina dos nicolaítas” (Ap 2:14-15). A palavra para a igreja em Pérgamo é dura. Aqueles que seguirem as falsas doutrinas e, consequentemente, incorrerem em frouxidão cultual e moral, enfrentarão a espada da boca de Cristo (Ap 2:16). Essa espada está ligada ao derramamento do furor da ira de Deus sobre os ímpios, os não salvos. A carta do Senhor Jesus endereçada à igreja em Pérgamo, também, é um alerta à igreja contemporânea sobre o perigo que ela corre caso se misture com o engano doutrinário e com a imoralidade do mundo, e esqueça-se de sua missão como agência do Reino de Deus. Essa carta é endereça a você, a mim, a nós. Não é uma mensagem diante de nós, mas a nós. Como a igreja contemporânea pode permanecer na verdade sem se misturar com as heresias e com o mundanismo? Como uma igreja que é capaz de enfrentar o martírio pode permanecer fiel diante da tática da sedução? Manejando bem a Espada do Espírito - a Palavra de Deus - subjugaremos os ardis de Satanás.

I. PÉRGAMO, O TRONO DE SATANÁS.

Satanás não apenas habitava na cidade de Pérgamo, mas lá estava seu trono. O trono de Satanás é marcado pela pressão e pela sedução. Onde Satanás reina predomina a cegueira espiritual; floresce o misticismo; propaga-se o paganismo, a mentira religiosa, bem como a perseguição e a sedução ao povo de Deus. Em Pérgamo estava um panteão, onde vários deuses eram adorados; isso atentava contra o Deus criador. Em Pérgamo as pessoas buscavam a cura através do “poder” da serpente; isso atentava contra o Espírito Santo, de onde emana todo o poder. Em Pérgamo estava o culto ao imperador, onde as pessoas queimavam incenso e o adoravam como Senhor; e isso conspirava contra o Senhor Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

1. Pérgamo, a cidade dos livros e da ignorância espiritual. O único livro do Novo Testamento que cita a cidade ou a igreja em Pérgamo é o Apocalipse. A cidade de Pérgamo foi construída sobre uma colina, cuja altura chegava a 300 metros acida da região que a circundava, sendo, portanto, uma fortaleza natural. Com a ajuda dos romanos, Pérgamo ganhou independência dos selêucidas em 190 a.C., e passou a fazer parte do império romano a partir de 133 a.C. Durante mais de 200 anos, foi a capital da província romana da Ásia. Era uma cidade sofisticada, centro da cultura e da educação grega, com uma biblioteca de aproximadamente 200 mil volumes (era a maior biblioteca fora de Alexandria, Egito). Foi o povo de Pérgamo que começou a usar peles de animais para fazer pergaminho, substituindo o papiro. Apesar se ser considerada a cidade dos livros era também o centro da ignorância espiritual. Nela existiam quatro seitas idólatras principais - a Zeus, Dionísio, Asclépio (figura de uma serpente) e Atenas. Por ser o centro dessas seitas malignas, Pérgamo tinha o nome de cidade “onde está o trono de Satanás”(Ap 2:13). O principal deus dessa cidade, Asclépio (o deus da cura e da medicina), tinha como símbolo uma serpente, que fora entronizada na cidade de Pérgamo por uma mulher chamada Nicágora, que era como uma espécie de bruxa, feiticeira. Como Asclépio (a serpente) era considerado o deus que curava as enfermidades, muitas pessoas, de todas as partes do mundo, iam procurar nele o alívio de seus males; então se adorava a serpente Asclépio; por isso o Senhor diz: “onde está o trono de Satanás”. Até hoje em dia, médicos e farmacêuticos têm um símbolo de uma serpente enrolada; umas são com duas cabeças, outros com uma cabeça chegando a beber de uma taça; pode-se ver isso no escudo desses profissionais. Hoje em dia, a cidade de Pérgamo já não existe, foi totalmente varrida. Abaixo do lugar onde ficava Pérgamo que era um planalto, há um vilarejo que recorda o nome de Pérgamo e que se chama Bérgama.

2. A igreja em Pérgamo. É provável que a igreja de Cristo em Pérgamo tenha sido implantada quando da estada de Paulo em Éfeso(At 20:31). Essa igreja encontrava-se inserida numa cidade marcada pela idolatria, onde o trono de Satanás estava estabelecido (Ap 2:12). Embora cercada pela adoração a Satanás, e tendo o imperador romano como um deus, a igreja em Pérgamo recusava-se a renunciar à sua fé, mesmo quando os adoradores de Satanás martirizaram o fiel Antipas, um de seus membros (Ap 2:13). Não era fácil ser cristão em Pérgamo; os crentes estavam sujeitos a sofrer uma grande pressão a fim de transigir e abandonar a fé de Cristo. Nunca é fácil nos colocarmos com firmeza contra as intensas pressões e tentações da sociedade, mas a alternativa é a morte (Ap 2:11). Procure cooperar tanto quanto possível com as pessoas, mas evite qualquer aliança, sociedade ou participação que possa levar as práticas idolátricas e imorais. Saiba que Jesus Cristo está de olho no comportamento dos seus fiéis - “eu sei as tuas obras…”. Pérgamo significa casado, portanto a igreja precisa lembrar-se que está comprometida com Cristo; é a noiva de Cristo e precisa se apresentar como uma esposa santa, pura e incontaminada.

II. A ESPADA DE DOIS GUMES

A igreja em Pérgamo conservava o nome de Cristo, pois não havia renegado a fé (2:13). No entanto, o Senhor dirige-se a ela em termos de juízo fulminante. Ele é aquele que tem “a espada afiada de dois gumes” (2:12). Trata-se da Palavra de Deus(Hb 4:12), com a qual ele julgará os malfeitores na congregação(cf Ap 2:16).

1. A espada afiada de dois gumes. A espada representa autoridade e o poder para julgar e castigar. Cristo não apenas está no meio da igreja (Ap 1:13), mas ele está andando, em ação investigatória, no meio dela (Ap 2:1). Assim como os romanos usavam a espada para impor sua autoridade e seus juízos, a espada de Jesus, com dois gumes afiados, representa a suprema autoridade e o supremo juízo de Deus. Ela também pode representar a futura separação entre os crentes e os incrédulos. Os incrédulos jamais poderão experimentar a eterna recompensa de viver no Reino de Deus. Há muitos males que atacam a igreja: esfriamento, perseguição, heresia, imoralidade, presunção e apatia. Mas Cristo se apresenta para cada igreja como o remédio para seu mal. Para a igreja de Pérgamo que estava se misturando com o mundo, que estava em conflito entre a verdade e o engano (Ap 2:14), Jesus se apresenta como aquele que tem a espada afiada de dois gumes, que exerce juízo e separa a verdade do engano. A Palavra de Deus - que é a Espada do Espírito (Ef 6:17; Hb 4:12) -, é a única arma poderosa contra as heresias, modismos e apostasias.

2. Manejando bem a espada do Espírito. A “espada do Espírito” é a Palavra de Deus(Ef 6:17). Ela é a arma ofensiva do crente, para uso na guerra contra o poder do mal. Sem ela não há nenhuma possibilidade de vitória contra as mentiras, que chegam travestidas de verdades; as heresias, os misticismos e modismos que insistem brotar em nossas igrejas locais. Não é à toa que Satanás tem feito todos os esforços possíveis para subverter ou destruir a confiança do crente na Palavra. A recomendação do apóstolo Paulo a Timóteo foi que seus esforços teriam de estar concentrados em se tornar um obreiro que não tem de que se envergonhar, e fazer isso como alguém que “maneja bem a Palavra da verdade“(2Tm 2:15). Isso significa ministrar as Escrituras corretamente, seguir à risca. Hoje em dia, infelizmente, três quartos do tempo do culto são dedicados ao louvor, o que tem causado grande prejuízo espiritual ao povo de Deus. Vivemos o tempo do “louvorzão” e da “palavrinha”. Desta feita, a maioria dos que cristãos dizem ser está sem habilidade de manejar a Espada do Espírito, ou seja, está despreparado para a guerra. Enquanto soldados de Cristo, militando o bom combate aqui na terra, estamos sujeitos às tentações e males dentro e fora da igreja. Portanto, temos de andar de acordo com as leis do Espírito, lutando sempre com as armas espirituais disponíveis a nós, dentre elas, a Palavra de Deus - a espada do Espírito (ler Ef 6:11-18). Esta é a única arma que Jesus usará em sua segunda vinda. Com ela, ele matará o anticristo e também destruirá os rebeldes e apóstatas. A mensagem da verdade se tornará a mensagem do julgamento. Deus nos fará responsáveis por nossa atitude em face da verdade que conhecemos. Jesus diz que sua própria palavra é que condenará o ímpio no dia do juízo (João 12:47,48). A palavra salvadora tornar-se-á juiz; a espada benfazeja transformar-se-á em carrasco.

III. O DESTINATÁRIO

A carta foi destinada ao anjo da igreja - “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo…”(Ap 2:12). Quem é esse anjo? Alguns intérpretes pensam que são seres celestiais enviados como mensageiros de Deus. Outros crêem que sejam anjos guardiões, um para cada congregação. Entretanto, a interpretação mais consistente, bíblica e historicamente, é que “anjo” aqui deve ser entendido como o pastor da igreja. Isso mostra que o líder é o responsável perante o Senhor, que estabeleceu uma hierarquia ministerial para a sua Igreja (1Co 12:28; At 15:6,22; Ne 8:5).

1. Um pastor numa cidade infernal. A igreja em Pérgamo se encontrava numa situação difícil. Por todos os lados, os vizinhos praticavam idolatria e davam honra aos governantes romanos. Os cristãos não abandonaram a verdade do Senhor, o único verdadeiro Soberano. Mas, tanta influência de falsas doutrinas teve um impacto negativo na igreja, poluindo a congregação com doutrinas falsas que incentivavam os irmãos a praticaram idolatria e imoralidade. Jesus chama a igreja ao arrependimento para evitar o castigo divino - “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca”(Ap 2:16). Cristo não apenas conhece as obras da igreja e suas tribulações, mas também conhece a tentação que assedia a igreja, conhece o ambiente em que ela vive. Cristo sabe que a igreja está rodeada por uma sociedade não cristã, com valores mundanos, com heresias bombardeando-a a todo instante. Apesar de Pérgamo ser uma cidade infernal, o Senhor queria que o líder da igreja nessa cidade permanecesse ali e desse fiel testemunho de Cristo, mesmo que isso resultasse na mais cruenta morte como foi a de Antipas. O autêntico cristão é cônscio de que a perseguição faz parte da caminhada, já que Cristo nos advertiu nesse sentido (Mt 5:11,12; Lc 11:48,51; 21:12; Mc 4:17; João 15:20). Não devemos temê-la, cientes de que a venceremos pela fé em Cristo (1João 5:4). A Igreja sempre prevalecerá.

2. O testemunho e a perseverança de um pastor - “… reténs o meu nome e não negaste a minha fé…” (Ap 2:13). Jesus elogia a perseverança do pastor e dos cristãos de Pérgamo, que foram fiéis à fé de Jesus, mesmo sob perseguição intensa. Ser fiel a Deus no meio das bênçãos é muito fácil. Agora, Ele espera que sejamos fiéis também no momento da dificuldade. Nossa fidelidade deve ser incondicional. Se Deus nos abençoar, seremos fiéis; se ele não nos abençoar em determinada situação, devemos continuar sendo fiéis. Devemos imitar a perseverança do pastor e dos discípulos em Pérgamo, mantendo firme a nossa fé, mesmo se encararmos ameaças e perseguições. Servimos um Deus puro, e devemos manter e defender a doutrina pura que ele revelou. Qualquer doutrina que incentiva a idolatria ou a imoralidade vem do diabo, logo, deve ser evitada. Para aqueles que perseveram até o final receberão a recompensa. Na carta à igreja em Pérgamo, a bênção para o vencedor é descrita em três partes. Jesus disse que os vencedores:

a) Comerão do Maná escondido (Ap 2:17). O maná escondido refere-se ao banquete permanente que teremos no Céu. Aqueles que rejeitam o luxo das comidas idólatras nesta vida terão o banquete com as iguarias de Deus no Céu. No deserto, Israel recebeu o maná - o pão de Jeová (Êx 16:15); era alimento celestial (Sl 78:24). Jesus é o maná dado pelo Pai (veja João 6:31-58). Ele sustenta os fiéis e lhes dá vida. No tribunal de Cristo, receberemos o maná escondido, e Jesus será para nós nosso alimento e deleite por toda a eternidade.

b) Receberão uma pedrinha branca (Ap 2:17). A pedrinha branca pode incluir vários significados, conforme os costumes da época. Pedras brancas foram usadas para indicar a inocência de pessoas acusadas de crimes; Jesus inocenta os seus seguidores fiéis. Pedras brancas foram dadas a escravos libertados para mostrar sua cidadania; os fiéis não são mais escravos do pecado, pois se tornaram cidadãos da pátria celestial (Fp 3:20). Era usada também como bilhete de entrada em festivais públicos; a pedrinha branca é símbolo de nossa admissão no céu, na festa das bodas do Cordeiro (ler Ap 19:6-9). Também foram dadas aos vencedores de corridas e aos vitoriosos em batalha; os fiéis são vencedores que receberão o prêmio (2Tm 4:7-8).

c) Receberão um novo nome (Ap 2.17). Um nome novo, frequentemente, sugeria uma nova direção na vida, especialmente de uma pessoa abençoada por Deus (exemplos: A Abrão, foi dado um novo nome: Abraão; Sarai, foi alterado para Sara; A Jacó, foi dado o nome de Israel). Em Isaías 62:2-4, Desamparada e Assolada recebem nomes novos. “Desamparada” significa “meu prazer está nela”, e “Assolada” significa “desposada”, indicando que Deus tinha renovado seu concerto com Jerusalém. Veja, também, Ap 3:12. Portanto, receberemos um novo nome, pois pertencemos à família de Deus, seremos herdeiros de Deus e entraremos na cidade santa pelas portas! 3. Antipas, a fiel testemunha - “… Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás abita”(Ap 2:13). Antipas significa contra todos. Ele se levantou contra todos e contra todas as falsas doutrinas que foram aparecendo. Acabou morrendo, assim como todos os que seguiram suas pisadas. Apesar de não termos informações adicionais sobre Antipas o mesmo é chamado de “minha testemunha”, sendo que a palavra grega é a mesma de Apocalipse 1:5 (mártir). É possível que tal homem tenha comprovado sua fidelidade ao colocar-se contrário à cultura pecaminosa de Pérgamo. Segundo Tertuliano, “Antipas foi colocado dentro de um boi de bronze, e este foi levado ao fogo até ficar vermelho, morrendo o servo de Deus sufocado e queimado.” Ele resistiu à apostasia até a morte. Agora, caberia o atual pastor da igreja em Pérgamo dar continuidade a luta de Antipas. Sua missão era semelhantemente árdua, pois teria de confrontar os que detinham a doutrina de Balaão e sustentavam o ensino dos nicolaitas.

IV. AS HERESIAS DE PÉRGAMO

Ao estudar a Igreja de Esmirna, vimos que Satanás usou de sua primeira estratégia para banir os cristãos da face da terra: a perseguição física. Porém, Satanás aprendeu que, quanto mais perseguia os cristãos, mais Igreja prosperava e permanecia. Portanto, perseguir não foi uma estratégia bem sucedida por parte do inimigo. Agora Satanás muda a estratégia, não mais violenta e ostensiva, e dá um golpe muito forte, e infelizmente de muita inteligência: Satanás passa a contaminar a Igreja para tentar extingui-la; sutilmente, provocava a união do paganismo com o cristianismo. Na igreja em Pérgamo, havia crentes que permaneciam fiéis, enquanto outros estavam se desviando da verdade. Hoje, como aconteceu na igreja em Pérgamo, a perseguição é camuflada. Satanás, sutilmente, está usando pessoas de dentro da igreja (falsos mestres e falsos pastores) para persegui-la, com disseminação de falsas teologias, falsas doutrinas, falsos ensinos. A proposta agora não é substituição, mas mistura; não é apostasia aberta, mas ecumenismo. Alguns membros da igreja começaram a abrir a guarda e a ceder diante da sedução do engano religioso. Em uma mesma igreja há gente fiel às Escrituras, disposta a sofrer por Cristo e gente que transige com a sã doutrina, que se entrega às novidades do mercado da fé e que se desvia da verdade. Peçamos a Deus o dom de discernimento, ele é indispensável nestes últimos dias da Igreja. A seguir, as duas figuras mostradas na carta à igreja em Pérgamo que provam a entrada do paganismo na igreja (Ap 2:14,15).

1. Doutrina de Balaão. Em Pérgamo, enquanto havia gente disposta a morrer por Cristo, alguns crentes estavam seguindo a doutrina de Balaão (Ap 2:14,15). O grande problema era que, enquanto uns sustentavam a doutrina de Balaão, os demais membros da igreja se calaram em um silêncio estranho. A infidelidade aninhou-se dentro da igreja com a adesão de uns, e o conformismo dos outros. A igreja tornou-se infiel. A doutrina de Balaão sancionava o consumo de coisas sacrificadas a ídolos e a prostituição. A descrição da doutrina de Balaão refere-se à história do Velho Testamento (Nm 22-25; 31:16). No final dos 40 anos de peregrinação, os israelitas chegaram perto da terra prometida. Acamparam-se nas campinas de Moabe, e os moabitas e midianitas ficaram amedrontados. Balaque, rei de Moabe, chamou Balaão para amaldiçoar o povo, mas Deus frustrou todas as suas tentativas de falar contra os israelitas. Balaão desistiu de suas maldições, mas procurou outra maneira de vencer o povo de Israel. Deu o conselho de convidá-los a participarem de uma festa idólatra. Nesta festa, muitos israelitas se envolveram na idolatria e na imoralidade, e Deus mandou uma praga que matou 24.000 israelitas(Nm 25:9). Balaão foi um falso profeta que prostituiu seus dons com o objetivo de ganhar dinheiro. Ele era do tipo de pessoa que prega em troca de lucro financeiro. O deus de Balaão era o dinheiro. Por ganância, aconselhou Balaque a enfrentar Israel não com um grande exército, mas com pequenas donzelas sedutoras. Aconselhou a mistura, o incitamento ao pecado. Aconselhou a infiltração, uma armadilha. Assim, os homens de Israel participariam de suas festas idólatras e se entregariam à prostituição. E o Deus santo se encheria de ira contra eles, e eles se tornariam fracos e vulneráveis. Assim está escrito: “Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a se prostituir com as filhas de Moabe, pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos seus deuses. Porquanto Israel se juntou a Baal Peor, a ira do Senhor se acendeu contra ele“(Nm25:1,3). Era o que acontecia em Pérgamo. Portanto, a “doutrina de Balaão” refere-se a mestres e pregadores corruptos que, em Pérgamo, levavam suas congregações à transigência fatal com a imoralidade, a idolatria e o mundanismo; tudo por amor à promoção pessoal ou vantagem financeira. Segundo parece, a igreja em Pérgamo tinha mestres que ensinavam ser a fé salvífica em Cristo compatível com a prática da imoralidade. O pecado enfraquece a igreja. A igreja só é forte quando é santa. Sempre que a igreja se mistura com o mundo e adota seu estilo de vida, ela perde seu poder e sua influência.

2. A doutrina dos nicolaitas. É impossível dizer ao certo qual era a doutrina dos nicolaítas. De acordo com vários estudiosos da Bíblia, os nicolaítas eram libertinos e ensinavam que quem estava debaixo da graça podia praticar a idolatria e cometer pecados sexuais. Os nicolaítas ensinavam que o crente não precisa ser diferente. Quanto mais ele pecar maior será a graça, diziam. Quanto mais ele se entregar aos apetites da carne, maior será a oportunidade do perdão. Eles faziam apologia ao pecado. Eles defendiam que os crentes precisam ser iguais aos pagãos. Eles deviam se conformar com o mundo. Por essa razão, Jesus odiava as obras dos nicolaítas e elogia os efésios por rejeitar esses ensinamentos (Ap 2:6). Infelizmente, a igreja em Pérgamo tolerava esses falsos mestres. Deus condena a tolerância de falsas doutrinas. Às vezes, os homens valorizam tanto a unidade entre pessoas (dentro de uma congregação ou até entre congregações diferentes) que desvalorizam a doutrina pura de Jesus. Toleram falsos ensinamentos e até práticas proibidas, como a imoralidade e a idolatria, mas insistem na importância de manter uma “igreja unida”. Se persistir nesse erro, o próprio Jesus trará o castigo. A unidade entre discípulos é importante, mas a pureza da palavra é mais importante do que a paz entre homens (Tiago 3:17). Uma igreja que serve a Jesus necessariamente rejeitará falsos mestres e suas doutrinas erradas.


CONCLUSÃO

Pérgamo é aqui! Muitas igrejas estão passando por uma grande crise doutrinária! Estão sofrendo forte influencias de modismos doutrinários, como, por exemplo, “a quebra de maldição hereditária”, a “teologia da prosperidade”, etc., sem falar dos modelos “mercadológicos” de algumas neoigrejas pentecostais. Na questão moral é bastante assustador o que está ocorrendo. Inúmeros divórcios, envolvendo pastores, e pior ainda, estão ocorrendo com os motivos fúteis e escandalosos. A consequência disso é a banalização do divórcio entre os membros da igreja. Se os pastores podem, podemos também, afirmam alguns. Se eles não são disciplinados, não podem também nos disciplinar, declaram outros. Além da questão do divórcio, há os escândalos sexuais, que envolvem do adultério à pedofilia. Portanto, Pérgamo é aqui no Brasil! Diante destes fatos escabrosos, a única saída está no arrependimento e abandono de tais práticas: “Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca” (Ap 2:16). As Escrituras já previam que o mundo invadiria a igreja nos últimos dias. Por isso, o maligno tem alcançado tantos resultados no meio do povo que se diz crente. Entretanto, a mesma Bíblia que disse que isto aconteceria também afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a igreja. Temos pouca força, mas o Senhor prometeu que estaria conosco. Isto nos dá uma esperança, não nos permite que desanimemos diante de tanto desvio espiritual, diante de tanta apostasia. Jesus está voltando, e para aqueles que conseguem ouvir e atender ao seu alerta, em vez de se irritarem diante das verdades aqui expostas, fica a promessa: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe” (Ap 2.17).

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terça-feira, 17 de abril de 2012

ESMIRMA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR



Texto Básico: Ap 2:8-11
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap 2:10).

INTRODUÇÃO
“Esmirna” vem de “mirra”, uma erva amarga. Logo, “Esmirna” significa amargura, um nome bem característico para uma igreja que estava enfrentando perseguição. Esmirna foi uma igreja sofredora, perseguida, pobre, caluniada, que enfrentou a própria morte, mas foi uma igreja que só recebeu elogios de Cristo. Aliás, dentre as sete igrejas que receberam cartas, somente duas receberam elogios, a saber, Esmirna e Filadélfia. Sabemos que não há igreja local isenta de imperfeições, mas na carta endereçada à igreja em Esmirna não foram apresentadas pelo Senhor as suas imperfeições. Isso deve nos servir de lição: uma igreja pobre e perseguida não recebeu repreensões do Senhor, mas elogios, não porque era pobre e perseguida, e sim porque era fiel a Jesus. A igreja de Esmirna representa todas as igrejas, em todos os tempos, que sofreram e sofrem agruras por causa do evangelho, da sua fé e fidelidade a Cristo Jesus. Ser cristão em Esmirna representava o risco de perder os bens e a própria vida. A fidelidade até a morte era a marca dessa igreja. Devemos aprender com essa igreja a sermos fiéis a Cristo e aos seus mandamentos.


I. ESMIRNA, UMA IGREJA MÁRTIR
1. Esmirna, uma cidade soberba.Esmirna era a mais bela cidade da Ásia menor. Era considerada a coroa desse continente. Próspero centro portuário possuía um pitoresco cenário natural. Fazia fronteira com o mar Egeu, sendo ladeada por uma montanha circular chamada Pagos. Nela, havia templos pagãos e edifícios públicos que lhe davam a aparência de una coroa. As ruas bem pavimentadas e delineadas por arvoredos acentuavam-lhe a beleza… Séculos antes, Alexandre, o grande, determinara fazer de Esmirna a cidade-modelo da Grécia. Sua vida cultural florescia. Ela ostentava magnífica um monumento ao seu filho mais ilustre - Homero. Aqui, achava-se também o maior teatro da Ásia. Seu orgulho e beleza estavam gravados em suas moedas…. Todos os deuses eram abertamente adorados em Esmirna. Mas, nesta perversa cidade, havia um pequeno rebanho de Cristo… Em Esmirna não era fácil ser cristão. Muitos eram perseguidos e mortos por sua fé. Ser chamado cristão, aqui, era sobremodo perigoso” (Alerta Final, CPA D, pp. 95 e 96).
Na condição de centro religioso, em Esmirna eram adorados os deuses Cibele, Apolo, Asclépio, Afrodite e Zeus. O culto ao imperador, que incluía a queima de incenso à imagem de César, foi bastante difundido e praticado em Esmirna. Conforme Kistemaker, em 26 d.C. ela dedicou um templo ao imperador Tibério e se gabava de ser a principal no culto ao imperador (KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 163-164).
“No ano 26 d.C, quando as cidades da Ásia Menor competiam pelo privilégio de construir um templo ao imperador Tibério, Esmirna ganhou de Éfeso”(STOTT, John. O que Cristo pensa da Igreja, p. 29). Para a igreja dessa cidade, Jesus disse: “Sê fiel até a morte”.
Esmirna tinha um estádio onde todos os anos se celebravam jogos atléticos famosos dos quais participavam atletas procedentes de todo o mundo; os jogadores disputavam uma coroa de louros. Para os crentes fiéis dessa cidade, Jesus prometeu a coroa da vida.
2. A igreja em Esmirna. Não há registros específicos da chegada do Evangelho e da fundação da igreja em Esmirna, mas podemos sem problema inferir que ela tenha sido estabelecida por influência dos ensinos de Paulo, quando este esteve em Éfeso por ocasião de sua terceira viagem missionária. Perceba isto analisando o contesto de Atos 19.10: “Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos”.
Como na grande maioria dos casos, na medida em que foi estabelecida pela pregação do Evangelho, a igreja em Esmirna começou a provocar e a vivenciar algumas tensões, inquietações e desconfortos, que aos poucos se transformou numa violenta e cruel perseguição. Os crentes em Esmirna estavam sendo atacados e mortos. Eles eram forçados a adorar o imperador como se fosse Deus. Segundo relatos históricos, de uma única só vez 1.200 crentes foram lançados do alto do monte Pagos. Em outro momento, lançaram 800 crentes. Os crentes estavam morrendo por causa de sua fé e fidelidade a Deus.
Um dos mais notáveis bispos de Esmirna foi Policarpo (69-155 d.C), que morreu queimado numa fogueira. Diante do carrasco romano, não negou a fé em Cristo. William Hendriksen, assim descreve esse fato: “É possível que Policarpo fosse o bispo da igreja de Esmirna naquele tempo. Era um discípulo de João. Fiel até a morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira no ano 155 d.C. Seus algozes pediram-lhe que dissesse: “César é Senhor”, mas ele recusou a fazê-lo. Levado ao estádio, o procônsul instou com ele, dizendo: “Jura, maldiz a Cristo e te porei em liberdade”. Policarpo lhe respondeu: “Sirvo a Cristo há oitenta e seis anos, e ele nunca me fez mal, só o bem. Então como posso maldizer o meu Rei e Salvador?” […]. Depois de ameaçá-lo com feras, o procônsul lhe disse: “Farei que sejas consumido pelo fogo”. Mas Policarpo respondeu: “Tu me ameaças com fogo que queima por uma hora e depois de um pouco se apaga, mas tu és ignorante a respeito do fogo do juízo vindouro e do castigo eterno, reservado para os maus. Mas, por que te demoras? Faze logo o que queres […J”. Assim Policarpo foi queimado vivo em uma pira”(HENDRIKSEN, William. Mas que Vencedores, p. 72-73).
A promessa de Jesus é clara: “O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte” (Ap 2:11). “Podemos enfrentar a morte e até o martírio, mas escaparemos do inferno, que é a segunda morte, e entraremos no céu, que é a coroa da vida. Precisamos ser fiéis até a morte, mas a segunda morte não poderá nos atingir. Podemos perder nossa vida, mas a coroa da vida nos será dada”(Rev. Hernandes Dias Lopes).
3. Esmirna, confessante e mártir. A igreja em Esmirna era confessional e mártir. Diante do martírio foi exortada a ser fiel até a morte (Ap 2:10). Não é apenas fidelidade até o último instante da vida, mas, sobretudo, fidelidade até às últimas consequências.
Devemos não apenas viver pela fé, mas, se preciso for, devemos estar prontos para morrer pela fé. O martírio pode ser o cálice amargo que precisaremos beber. Os imperadores romanos, os déspotas e o anticristo podem até matar os crentes, mas estes jamais enfrentarão a morte eterna. Jesus disse: “O que vencer não sofrerá o dano da segunda morte” (Ap 2:11). Jesus está mostrando que não devemos ter medo dos homens. Mesmo que nosso sangue seja derramado; mesmo que selemos nossa fé com nosso sangue; mesmo que os homens nos despojem de todos nossos bens; mesmo que eles nos tirem nossa família e até nossa vida, eles jamais poderão nos roubar a vida eterna.
A salvação é uma dádiva de Deus que jamais poderá ser tirada de nós. Essa salvação é o melhor tesouro, é a pérola de grande valor. Que o digo o destemido apóstolo Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!”(Rm 8:35-39).


II. APRESENTAÇÃO DO MISSIVISTA
Cristo é o missivista. Ele valoriza tanto a Sua igreja que Ele se dá a conhecer no meio dela e não à parte dela. Hoje, muitas pessoas querem Cristo, mas não a igreja. Isso é impossível. A atenção de Cristo está voltada para a Sua igreja. Ela ocupa o centro da Sua atenção.
1. O Primeiro e o Último - “E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último“(Ap 2:8). Essa expressão aponta para a eternidade de Jesus Cristo. É essencialmente o mesmo que “Alfa e Ômega”, título dado ao Todo-Poderoso Deus (Ap 1:8), que representam a primeira e a última letra do alfabeto grego. Deus é o Alfa (Criador) e Ômega (aquele que faz novos Céus e nova Terra). Ele é Senhor de todos (no passado, presente e futuro), como sugerido pela expressão “que é, que era, e que há de vir” (Ap 2:8). A cidade de Esmirna tinha a pretensão de ser a primeira, mas Jesus diz: “Eu sou o Primeiro e o Último” (Ap 1:17). Jesus é o Criador, Sustentador e Consumador de todas as coisas como o Supremo Juiz (João 5:27; Rm 2:16; 2Tm 4:1). Ele cria, controla, julga e plenifica todas as coisas. Glórias sejam dadas ao seu glorioso nome! Portanto, os que se levantavam contra Esmirna já estavam julgados e condenados, a menos que se arrependessem de suas más obras.
2. Esteve morto e tornou a viver - “… foi morto e reviveu (Ap 2:8). Para a igreja de Esmirna, que estava passando pelo sofrimento, perseguição e morte, enfrentando o martírio, Jesus se apresenta como aquele que esteve morto e tornou a viver, mostrando que a morte não é o fim para aqueles que professam o nome do Senhor. O Jesus que venceu a morte é o remédio para alguém que está enfrentando a perseguição e a morte.


III. AS CONDIÇÕES DA IGREJA EM ESMIRNA
1. Tribulação (Ap 2:9,10). Com grande ternura, o Senhor diz a seus santos sofredores que tem pleno conhecimento da sua tribulação: “Eu sei as tuas obras, e tribulação…”(Ap 2:9). A igreja de Esmirna estava atravessando um momento de prova, e o futuro imediato era ainda mais sombrio. A igreja estava sendo espremida debaixo de um rolo compressor. A pressão dos acontecimentos pesava sobre a igreja e a força das circunstâncias procurava forçar a igreja a abandonar sua fé. Mas os cristãos não deviam temer nenhuma das coisas que teriam de sofrer em breve - “Nada temas das coisas que hás de padecer…“(Ap 2:10). Alguns seriam encarcerados e postos à prova por meio de uma tribulação durante dez dias (Ap 2:10). Esse período pode se referir a dez dias literais, a dez perseguições distintas sob os imperadores romanos que antecederam Constantino, ou dez anos de perseguição sob o imperador Diocleciano. Os cristãos, contudo, foram encorajados a ser fiéis até à morte(Ap 2:10), ou seja, a estar dispostos a morrer em vez de renunciar sua fé em Cristo. Receberiam, então, a coroa da vida, a recompensa especial reservada aos mártires.
Somos chamados a ser fiéis até às últimas consequências, mesmo em um contexto de hostilidade e perseguição. Hoje, Jesus espera de seu povo fidelidade na vida, no testemunho, na família, nos negócios, na fé. Não venda seu Senhor por dinheiro, como Judas. Não troque seu Senhor, por um prato de lentilhas, como Esaú. Não venda sua consciência por uma barra de ouro, como Acã. Seja fiel a Jesus, ainda que isso lhe custe seu namoro, seu emprego, seu sucesso, sua vida. Jesus diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (Mt 5:10-12). O mundo perseguiu a Jesus e também nos perseguirá.
Cerca de cinquenta anos depois da carta à igreja de Esmirna, o seu pastor, Policarpo, foi queimado vivo, como mencionei anteriormente. Era um discípulo de João. Fiel até à morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira em 23/02/155 d.C. Ele foi apanhado e arrastado para a arena. Historiadores relatam que os judeus colaboraram de bom grado com o martírio de Policarpo. Tentaram intimidá-lo com as feras. Ameaçaram-no com o fogo, mas ele respondeu: “Eu sirvo a Jesus há oitenta e seis anos, e ele sempre me fez bem. Como posso blasfemar contra o meu Salvador e Senhor que me salvou?”. Os inimigos furiosos queimaram-no vivo em uma pira (fogueira onde se queimavam cadáveres), enquanto ele orava e agradecia a Jesus o privilégio de morrer como mártir.
Jesus conhece quem somos e tudo o que acontece conosco (Ap 2:9). Esse fato é fonte de muito conforto. Jesus conhece nossas aflições, porque anda no meio dos candelabros (isto é, no meio das igrejas). Sua presença nunca se afasta. Nosso Senhor não dormita nem dorme. Ele está olhando para você. Ele sabe o que você está passando. Ele conhece sua tribulação. Ele conhece suas lutas. Conhece suas lágrimas. Sabe que diante dos homens você é pobre, mas ele sabe os tesouros que você tem no Céu. Jesus sabe das calúnias que são atribuídas aleivosamente contra você. Conhece o veneno das línguas mortíferas que conspiram contra você. Sabe que somos pobres, mas, ao mesmo tempo, ricos. Sabe que somos entregues à morte, mas, ao mesmo tempo, temos a coroa da vida.
2. Pobreza. Ao contrário da igreja de Laodicéia, que era rica, Esmirna era uma igreja pobre materialmente. O próprio Jesus reconheceu a sua pobreza: “Conheço a tua […] pobreza“(Ap 2:9). A igreja de Esmirna era uma igreja pobre porque os crentes vinham das classes mais baixas. Pobre, também, porque muitos dos membros eram escravos. Pobres, outrossim, porque seus bens eram tomados, saqueados. Pobres, ainda, porque os crentes eram perseguidos e até jogados nas prisões. Pobres, finalmente, porque os crentes não se corrompiam. Era uma igreja espremida, sofrida, acuada. Embora a igreja fosse pobre financeiramente, era rica em recursos espirituais. Não tinha tesouros na terra, mas os tinha no céu. Era pobre diante dos homens, mas rica diante de Deus. A igreja de Laodiceia considerava-se rica, mas Jesus disse que ela era pobre. A igreja de Esmirna era pobre, mas aos olhos de Cristo era rica (Ap 2:9); ela não tinha ouro nem prata na terra, mas tinha tesouros no céu; ela não tinha nada, mas possuía tudo; era desprovida de bens, mas enriquecia a muitos. A riqueza de uma igreja não está na pujança de seu templo, na beleza de seus móveis, na opulência de seu orçamento, na projeção social de seus membros. Enquanto o mundo avalia os homens pelo ter, Jesus os avalia pelo ser. Pedro não tinha nenhuma moeda para dar uma esmola, mas era rico para Deus - “E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”(At 3:6). A viúva pobre deu apenas duas pequenas moedas, mas, aos olhos Jesus de Cristo, deu mais do que as ricas ofertas dos ricos. Portanto, a verdadeira riqueza não é material, mas espiritual, conforme vimos exaustivamente no 1ºtrimestre de 2012.
3. Ataques dos falsos crentes. Os santos de Esmirna foram alvos de ataques implacáveis dos judeus. Havia uma forte e influente comunidade judaica em Esmirna. Como judeus, afirmavam ser o povo escolhido de Deus, mas, com seu comportamento blasfemo, mostravam que eram “sinagoga de Satanás”(Ap 2:9). Os crentes de Esmirna estavam sendo acusados de coisas graves. Os judeus estavam espalhando falsos rumores sobre os cristãos. As mentes da população de Esmirna estavam sendo envenenadas. O diabo é o acusador. Ele é o pai da mentira. Aqueles que usam a arma das acusações levianas pertencem a “sinagoga de Satanás”. Segundo estudiosos, “os crentes passaram a sofrer várias acusações levianas: (a) canibais - por celebrarem a ceia com o pão e o vinho, símbolos do corpo de Cristo; (b) imorais - por celebrarem a festa do ágape antes da comunhão; (c) separadores de famílias - uma vez que as pessoas que se convertiam a Cristo deixavam suas crenças vãs para servir a Cristo; (d) ateus - por não se dobrarem diante de imagens dos vários deuses; (e) desleais e revolucionários - por se negarem a dizer que César era o Senhor. No século I, os judeus foram os principais inimigos da igreja. Perseguiram a Paulo em Antioquia da Pisídia (At 13:50), em Icônio (At 14:2,5); em Listra, Paulo foi apedrejado (At 14:19). Quando retornou para Jerusalém, os judeus o prenderam no templo e quase o mataram. O livro de Atos termina com Paulo em Roma, sendo perseguido pelos judeus. Eles se consideravam o genuíno povo de Deus, os filhos da promessa, a comunidade da aliança, mas, ao rejeitarem o Messias e perseguirem a igreja de Deus, estavam se transformando em “sinagoga de Satanás”. Quem difama Cristo ou o degrada naqueles que o confessam promove a obra de Satanás e guerreia as guerras de Satanás.
4. Os crentes em prisão - “… Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados”(Ap 2:10). Alguns crentes de Esmirna estavam enfrentando a prisão. A prisão era a ante-sala do túmulo. Os romanos não cuidavam de seus prisioneiros. Normalmente os prisioneiros morriam de fome, de pestilências ou de lepra. Vistas de uma perspectiva mais elevada, as detenções tinham uma outra finalidade: “para que sejais provados“. Os crentes estavam prestes a ser levados à bancada de testes. Deus estava testando a fidelidade dos crentes. Mas Deus é fiel e não permite que sejamos tentados além de nossas forças. Ele supervisiona nosso teste. Em todas os aprisionamentos de cristãos sempre o diabo está por trás. Mas quem realiza seus propósitos é Deus. O fogo das provas só consumirá a escória, só queimará a palha, porém tornará você mais puro, mais digno, mais fiel. Jesus estava peneirando sua igreja para arrancar dela as impurezas. Nosso adversário nos tenta para nos destruir; Jesus nos prova para nos refinar. Precisamos olhar para além da provação, para o glorioso propósito de Jesus. Precisamos olhar para além do castigo, para seu benefício. O rei Davi disse: “Foi bom eu ter sido castigado, para que aprendesse teus decretos” (Sl 119:71). O Senhor não nos poupa da prisão, mas usa a prisão para nos fortalecer. Ele não nos livra da fornalha, mas nos purifica nela. Glórias a Deus!

CONCLUSÃO
A mensagem à Igreja em Esmirna consistia em que os crentes permanecessem fiéis durante as provações, porque Deus estava no controle de tudo e eles poderiam confiar em suas promessas. Jesus nunca disse que se formos fiéis a Ele jamais teremos problemas, sofrimentos ou perseguições. Na verdade, devemos ser fiéis a Ele durante nossos sofrimentos. Somente assim nossa fé poderá se mostrar genuína. Permaneceremos fiéis se conservarmos nosso olhar em Cristo e naquilo que Ele nos promete para esse momento e para o futuro(ver Fp 3:13,14; 2Tm 4:8). Que a igreja de Esmirna nos sirva de exemplo e referencial de fidelidade a Deus, coragem e determinação. […] Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. (Ap 2.10c-11).

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

HISTÓRIA DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM VIÇOSA ALAGOAS


Templo Sede da Assembleia de Deus em Viçosa,AL.

  
 A História da Assembléia de Deus em Viçosa, localizada na Zona da Mata alagoana, é por demais expressiva, marcante e emocionante, assim  como é cada relato histórico, por mais simples ou relevante que venha ser. Assim sendo, segue um breve e sucinto histórico da respectiva igreja nessa cidade.

ONDE TUDO COMEÇOU (1937)

    A Rua do Gurganema, assim denominada no ano de 1937,( atual Tibúcio Nemésio), acolhia na época um expressivo número de comerciante e comerciários, entre os tais, o casal Enoque Cabral de Medeiros e Maria Alves de Medeiros. Segundo relatos fidedignos, o referido casal gozava de  elevado conceito na sociedade viçosense, haja vista sua invejável postura. Seus vizinhos, seus fregueses (clientes) tinham com eles grande estima por terem um comportamento desejável. Ao ser presenteado com uma Bíblia, o irmão Enoque propôs a dedicar-se a leitura junto a sua esposa Maria Alves de Medeiros , que ao se debruçarem na feliz leitura, foram fortemente tocados pela mensagem salvadora. O Espírito Santo de Deus, “agricultor por excelência” estava á limpar a terra para ser lançada a preciosa semente salvadora. Irmão Enoque iniciou a leitura da Santa palavra, pelo livro de apocalipse, que por sua vez foi fortemente tocado pelo Senhor. A medida que lia sentia mais e mais prazer em fazer. Ao passo que a palavra foi adentrando ao seu coração, aqueles que o cercavam começaram ver a mudança na vida do respeitado comerciante. Bem- aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisa que nelas estão escritas...(Apoc. 1.3). Foi isso que o casal fez. A semente havia germinado no coração do casal. O ardente desejo de salvação invadira seus corações, e assim fizeram, decidiram suas vidas para Cristo na primeira Igreja Batista de Viçosa existente até então. Sedentos de Deus, os novos convertidos persistiram na busca do conhecimento de Deus através da meditação diária das Sagradas Letras.


Templo Sede na década de 1990
      A Rua Tibúcio Nemésio, porta de entrada do desenvolvimento econômico de Viçosa, agora era também porta de entrada para a salvação através de Cristo Jesus. Tendo em vista ser irmão Enoque um homem de um conceito elevado em Viçosa, causou tamanha admiração por parte dos comerciantes locais, amigos, vizinhos e parentes a sua tomada de decisão.  

A semente frutificou de forma poderosa, pois nosso Deus conhecia a terra que lançou a preciosa semente. O casal passou testemunhar da salvação na pessoa de Cristo Jesus, testemunhos esses que mediante o conservadorismo religioso imposto, muitos dos seus fregueses (clientes), afastaram-se do seu estabelecimento comercial, principal fonte de renda. Portanto não foram abalados, permaneceram firmes na rocha que é Cristo. Os novos convertidos persistiram na busca do conhecimento Sagrado, agora com a semente plantada, o Senhor que é o lavrador por excelência continuou a regar-lhes. Na sede de Deus e movidos pelo o Espírito Santo, insistiram na leitura das Sagradas Letras, até que um dia Irmão Enoque Cabral deparou-se pela primeira vez com texto do capítulo 2( dois) dos Atos dos Apóstolos, que fala do revestimento de poder, do batismo com Espírito Santo, da Chama Pentecostal. Sem entender muito sobre a doutrina, pois nesse tempo quase não se ouvia falar em evangélicos nem tão pouco da doutrina pentecostal, os servos de Deus foram em busca de explicações do seu líder evangélico e demais líderes religiosos anti-pentecostais. O irmão Enoque e sua esposa não obtiveram a resposta que almejavam, voltaram para sua casa com coração queimando com a bela passagem bíblica. O Espírito Santo já havia feito morada na vida dos novos convertidos, ninguém podia tirar a chama do Pentecoste do coração do irmão Enoque. O Deus que começou a boa obra, havia de aperfeiçoar. O casal  foi informado que em Maceió existia uma Igreja por nome Assembléia de Deus, ( que na época já comemorava seus jubilosos 22(dois) anos de existência na capital alagoana). A chama ardia de tal forma no coração do casal, que foram até a capital cultuar ao Senhor.


Alguns pastores que dirigiram a AD-viçosa, AL.
Nesse tempo, a Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Estado de Alagoas, era presidida pelo então pastor Antônio Rêgo Barros. Em um dos cultos os irmãos foram visitados de maneira poderosa pelo Senhor, a chama foi acesa em seus corações. e assim queriam que sua terra fosse também agraciada com o poder do alto. Ao término de um dos cultos, irmão Enoque propôs ao Pastor Barros enviar um obreiro a cidade de Viçosa.

A feliz solicitação dos pioneiros da Assembléia de Deus em Viçosa, logo foi atendida pelo amado Pastor, que por sua vez não perdeu tempo, logo enviou de forma alternada os fiés desbravadores da causa Santa. Depois de alguns anos, irmão Enoque fixou residência na cidade de Palmeira do Índios, deixando um grande legado, sobretudo, um forte testemunho de um verdadeiro cristão.   Mediante informações colhidas dos crentes mais antigos, os primeiros obreiros que pisaram na fértil terra da Zona da Mata, foram: O Pastor Firmino José de Lima, José Victor e o próprio pastor Barros esteve por varias vezes dirigindo os cultos.

  Pela grande misericórdia do Supremo e eterno Deus, os membros que formam a amada igreja nessa cidade incansavelmente permanecem disseminando a Santa e Poderosa Semente - A palavra de Deus, certos da maior  recompensa - a coroa da vida.


   O referido histórico foi escrito pelo Pb.Efigênio Hortêncio de Oliveira, extraídos de arquivos pessoais da irmã Cícera Ferreira de Lima e Tânia Maria Domingos Pereira e através de informações por diversos irmãos fazem e fizeram esta história.  


HONRA, GLÓRIA, LOUVOR E TODA ADORAÇÃO, TRIBUTAMOS AO SENHOR DOS SENHORES.

Pb. Efigênio Hortêncio de Oliveira










IRMÃOS "PARA NOSSA ALEGRIA VÃO LANÇAR CD

A família do vídeo “Para Nossa Alegria”, que já conta com mais de 15 milhões de visualizações apenas no Youtube, está aproveitando o momento de fama. Além de participar de diversos programas na televisão, como “Pânico na Band” e “Caldeirão do Huck”, Jefferson e Suellen Barbosa fecharam uma parceria com a Pepsi e agora anunciam que lançarão um CD e uma série de camisetas.
Em entrevista ao jornal “O Dia”, a dupla falou sobre a mudança em sua vida: “De um dia paro o outro foram milhões de acessos. A gente não tem internet e não entendeu direito. Quando fui pra escola, no outro dia, todo mundo queria tirar foto com a gente. Minha mãe trabalha no aeroporto e todo mundo queria tirar foto com ela. A gente entendeu uns dias depois a proporção que teve o vídeo. Foi uma coisa muito grande”.
Questionados sobre a possível repercussão que o vídeo teria, Jefferson conta: “Na verdade, foi a nossa vizinha Juliana que postou o vídeo. A gente estava ensaiando no quarto, porque a gente ia cantar na igreja, e pensamos: ‘Vamos ligar a câmera na televisão’. Estávamos nos assistindo como se fosse um espelho, por isso a gente estava sorrindo. Na hora do ‘para nossa alegria’, eu acabei entrando muito forte. Minha irmã começou a rir e minha mãe ficou brava. Mas foi sem querer, nunca imaginava mesmo essa repercussão”.
 
Com a fama, eles já planejam continuar no mundo da música. “Vamos lançar um CD em maio, que vai ser produzido pela Salluz Productions, uma gravadora gospel. Vamos começar a gravar essa semana. Vai se chamar ‘Para Crianças e Adultos Bem Humorados’. Vão ser músicas bem humoradas”, revelou.
De família humilde, Jefferson disse que já estão conseguindo ganhar algum dinheiro com o sucesso. E agradecem: “Graças a Deus estão aparecendo convites para a gente cantar, está sendo uma bênção”.
Os jovens pretendem estudar bastante para melhorar: “Eu e minha irmã gostamos muito de cantar. Eu estudo violão e estou aprendendo também guitarra, e Suellen vai começar a fazer aulas de canto”.
Fonte: UOL

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO


3º Lição do 2º trimestre do Ano: 2012


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Apocalipse 2.1-7.
1 - Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:


2 - Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;


3 - e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.


4 - Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.


5 - Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.


6 - Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.


7 - Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus.


INTRUDUÇÃO
A primeira das sete cartas de Jesus é dirigida à igreja de Éfeso, a mais rica e importante cidade da Ásia Menor. Uma cidade estimada em mais de duzentos mil pessoas, onde ficava o mais importante porto da Ásia. Na aula de hoje, contextualizaremos a epístola, apresentando informações sobre a cidade, destacaremos as virtudes apontadas por Cristo em relação a essa igreja, e ao final, a crítica principal, o esquecimento do primeiro amor.

1. A IGREJA DE ÉFESO
Éfeso era o centro do culto a Diana (At. 19.35), cujo templo é considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Em tal templo havia várias sacerdotisas do sexo, que atuavam como prostitutas. Nesse templo também era adorada a deusa Roma e o imperador romano. Tratava-se, portanto, de uma cidade religiosa, que integrava adoração a essa deusa com práticas de imoralidade sexual (At. 19.19). Essa cidade fora visitada por Paulo por volta de 52. d. C., em sua terceira viagem missionária, a quem enviou uma das suas epístolas. Ao que tudo indica, a igreja de Éfeso fora fundada por Áquila e Priscila, juntamente com Paulo. Mais tarde o trabalho em Éfeso foi conduzido por Timóteo, companheiro do Apóstolo (I Tm. 1.3). De acordo com Irineu e Eusébio de Cesaréia, depois da morte de Paulo, aquela igreja passou a ser dirigida por João, o evangelista, posteriormente exilado na ilha de Patmos, autor do Apocalipse. Inácio, bispo de Antioquia, nos primeiros anos do século II, escreveu uma extensa carta à igreja de Éfeso, na qual a elogia pela unidade e conduta cristã irrepreensível, e por viverem em amor e harmonia sob a liderança de Onésimo, seu bispo.

2. UMA IGREJA VIRTUOSA
Três virtudes são destacadas por Cristo na igreja de Éfeso, inicialmente era uma igreja fiel na doutrina (Ap. 2.2,3,6), que mesmo cercada pela perseguição, e ameaçada por heresias, permanecia fiel à palavra de Deus. O próprio Jesus havia alertado a Sua igreja quanto aos lobos que viriam com peles de ovelhas (Mt. 7.15), bem como Paulo, na mesma cidade de Éfeso, quanto aos os lobos cruéis que tentariam devorar o rebanho (At. 20.29,30). Finalmente esse tempo havia chegado, e os crentes de Éfeso estavam diante de falsos ensinamentos. Mas a igreja de Éfeso tinha discernimento espiritual, por isso tornou-se intolerante com essas heresias, bem como contra o pecado, que geralmente é resultante dos ensinamentos contrários à palavra. O perigo era justamente a doutrina dos nicolaítas, um posicionamento liberal que não atentava para os princípios cristãos. Eles aceitavam a imoralidade sexual como se fosse algo normal, argumentavam em favor de um cristianismo que pactuava com atitudes promíscuas, semelhante ao que fazem algumas igrejas atuais. Outra virtude dessa igreja é que ela estava envolvida com a obra de Deus. Os crentes eram participativos, não apenas expectadores. Infelizmente, em algumas igrejas, as pessoas vão apenas para os cultos, cantam, dançam, mas não há qualquer relacionamento entre os membros. O individualismo do homem moderno está solapando também as igrejas cristãs, que não sabem mais o que é ter comunhão. Jesus também elogiou a disposição da igreja de Éfeso para enfrentar perseguições. A igreja não se abateu por causa das ameaças daqueles que adoravam a deusa Diana, bem como dos que se dobravam perante o imperador. A igreja cristã tem seus princípios, não pode fazer concessões em relação à imoralidade sexual, muito menos com posturas políticas que vão de encontro à Palavra de Deus. Pior do que a perseguição é o marasmo no qual se encontra determinadas igrejas evangélicas, que andam casadas com o liberalismo, a fim de serem politicamente corretas, ou de mãos dadas com políticos corruptos, a fim de tirarem algum proveito financeiro.

3. MAS QUE ESQUECEU O PRIMEIRO AMOR
A igreja de Éfeso esqueceu o seu primeiro amor, restou apenas o ativismo (Ap. 2.4). Há igrejas que estão centradas em meras atividades, têm cronogramas exaustivos, que são seguidos à risca. Muitas dessas igrejas já perderam o primeiro amor, a espiritualidade está comprometida, por isso, as atividades servem apenas para camuflar a ausência do genuíno amor. Não podemos esquecer que o amor sacrificial - ágape em grego - é a marca da verdadeira igreja (Jo. 13.34,35). O principal problema da igreja de Éfeso é que ela identificava o mal nos outros, mas não em si mesma, perdeu a capacidade de fazer autocrítica. De fato, se fôssemos julgados por nós mesmos não seríamos julgados, mas quando somos julgados pelo Senhor é para não sermos condenados com o mundo (I Co. 11.20-32). Éfeso era uma igreja ortodoxa, isto é, que tinha uma doutrina correta, mas que carecia de uma ortopraxia, ou seja, uma conduta correta. Esse equívoco pode levar qualquer igreja à ruina, pois ela acaba se tornando hipócrita, acusa os erros dos outros, inclusive os da sociedade, enquanto age a partir dos mesmos valores que repreende. Mas nem tudo está perdido, Jesus apresenta uma solução para esse tipo de igreja: “lembra-te, pois, de onde caíste” (Ap. 2.5). Mais importante do que saber que caiu é identificar a origem da queda. Somente assim será possível retornar ao lugar correto. O filho pródigo somente encontrou a solução para sua condição espiritual quando percebeu que precisa retornar à casa do Pai (Lc. 15.17). Jesus acrescenta: “volta às obras que praticavas no princípio” (Ap. 2.5). O arrependimento genuíno resulta em prática de vida, em obras que sejam, de fato, dignas de arrependimento (Mt. 3.8).

CONCLUSÃO
Há uma advertência final de Cristo à igreja de Éfeso, que deve ser motivo de reflexão de toda igreja que se diz cristã, caso ela não se arrependa, Ele vira contra ela e tirará o seu candelabro (Ap. 2.5). Para que isso não aconteça é preciso, antes que seja tarde demais, retornar ao primeiro amor, pois, sem amor, de nada adianta profecias e mistérios, tudo não passará de barulho (I Co. 13.1,2). Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Fonte: ebdweb

domingo, 8 de abril de 2012

NÚCLEO DA FAFITEAL EM VIÇOSA REALIZA ÚLTIMA AULA DO CURSO BÁSICO DE 2012



Os alunos do Curso Básico de Teologia da Faculdade de Filosofia e Teologia de Alagoas- FAFITEAL, com núcleo em Viçosa, assistiram a última aula neste domingo (8), finalizando assim mais uma etapa de mais turma do referido curso.
As aulas são realizadas no Centro Educacional Geremias Freitas Amaro no Templo Sede da Assembleia de Deus nesta cidade.
Depois de ler o texto bíblico na carta do apóstolo Paulo aos coríntios 15. 57,58, o professor externou a Deus toda gratidão por lhe ter proporcionado o direito de participar da vitória de cada aluno nessa labuta, ao tempo em que parabenizou cada um por ter concluído essa importante etapa, “não parem por aqui, o curso de bacharel estará vindo pra nossa cidade”, incentivou o professor.
A culminância se deu num clima por demais instrutivo, emocionante e sobretudo espiritual. A disciplina “História do Cristianismo”, foi a última matéria do currículo estudada pelos “teologando”. A respectiva matéria foi marcante para os concluintes, segundo declararam. No momento, mediante a riqueza que a disciplina aborda, podemos ver estampado no rosto de cada aluno a gratidão por terem chegado ao final do curso.

DECLARAÇÕES:

“O curso básico de Teologia é um alicerce para o crescimento espiritual de cada crente, que sentem o prazer em fazer e em viver segundo a vontade de Deus”. disse a irmã Janailde. “Teologia é avivamento”, declarou a concluinte. Irmão Bruno, que mora na cidade vizinha Chã Preta declarou: “ Teologia nos leva a conhecimento o qual lendo apenas a Bíblia não conseguiremos entender de forma tão precisa”, enfatizou. “O curso leva-nos compreender os acontecimentos do passado, do presente e do futuro consequentemente progredir no conhecimento espiritual.” Comemorou a aluno. “Vejo teologia como uma visão moral, intelectual e espiritual para O crente em busca de Deus.” salientou irmão Cícero. A jovem Fransuelly, dirigindo-se ao curso declarou: “ Em um século de trevas, a teologia vem a ser a mais brilhante defesa da fé”
Que Deus em Cristo possa continuar abençoando ricamente a cada aluno concluinte, ao tempo em desejo aos demais que continuarão, muita graça da parte de Deus, do nosso Senhor Jesus cristo e a unção do Espírito Santo.

Cordialmente em Cristo.

Pb. Efigênio Hortencio de Oliveira

AO SENHOR SEJA TRIBUTADA A HONRA, GLÓRIA, LOUVOR E ADORAÇÃO

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO


Introdução
João estava preso na ilha de Patmos em decorrência de sua lealdade à Palavra de Deus e ao testemunho de Jesus (Ap 1:9). Ele foi arrebatado em Espírito e ouviu por detrás dele uma voz com a limpidez, volume e timbre de uma trombeta (1:10). Ao voltar-se para quem falava, João viu “sete candeeiros de ouro”, que simbolizava as sete igrejas descritas no livro de Apocalipse (Ap 1:11; 1:20). A Pessoa no meio dos candeeiros era semelhante ao Filho do homem, cujas vestes externas eram talares, isto é, longas como a beca de um juiz (Ap 1:13). Ele estava cingido pelos peitos com um cinto de ouro, que simboliza a justiça e fidelidade do seu julgamento. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, retratando sua eternidade como o Ancião de Dias(Dn 7:9) e a sabedoria e pureza de suas sentenças. Os seus olhos eram como chama de fogo (1:14), que se referem ao seu conhecimento perfeito, discernimento infalível e escrutínio inescapável. Os seus pés eram semelhantes ao bronze polido (1:15), como que refinado numa fornalha; uma vez que o bronze costuma representar julgamento, sua presença aqui corrobora a ideia de que se tem em vista, a cima de tudo, a função judicial de Cristo. Sua voz era semelhante às ondas do mar ou a cachoeiras majestosas e assustadoras que descem uma montanha. Tinha na mão direita sete estrelas (1:16), uma representação de poder, controle e honra; Cristo está não apenas entre as igrejas, mas as têm em suas próprias mãos. Da sua boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes, representando a Palavra de Deus(Hb 4:12), que se refere aos veredictos incisivos e precisos acerca de seu povo, como se vê nas cartas às sete igrejas. O seu rosto brilhava como o sol ao meio-dia (1:16), com o esplendor ofuscante e transcendente da glória de sua divindade. Esse que João viu é o Cristo Glorificado, que se revela não apenas em glória, mas como o Senhor de toda a glória, o qual está entronizado à destra do Pai e apresenta-se como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 17:14; 19:16). Ao vê-lo, João prostrou-se aos seus pés como morto. É impossível ver a glória do Senhor sem se prostrar. Temos hoje uma visão do Cristo glorificado? I. O CRISTO ENCARNADO

Por ocasião de sua primeira vinda para manifestar o evangelho, Jesus não apareceu glorificado. Teve uma vida semelhante à nossa, e esteve sujeito ao cansaço, à fome, à sede e demais limitações de um corpo não-glorificado. Precisou comer, dormir, andar, falar com as pessoas e tocá-las. Por meio de sua encarnação, Ele falou aos judeus sobre o plano da salvação. Paulo comenta que Jesus “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2:7). Nesse momento, Jesus experimentou a humanidade. Nos primórdios do cristianismo, a igreja foi nuveada com doutrinas heréticas oriundas do segmento gnóstico. Um desses ensinos falsos era que Jesus não veio em carne, ou seja, esses falsos mestres alegavam que Jesus não havia encarnado, mas que um espírito se apossara do corpo do Senhor por ocasião do seu nascimento ou batismo, retirando-se por ocasião da crucificação. Os textos de 1João 4:1-3 denotam a existência desses falsos mestres. O apóstolo João, porém, cuidou logo de refutar esse ensino falso, que pertinaz procurava destruir a fé dos primeiros cristãos. João chamou esses falsos mestres de “anticristos” - “… muitos se têm feito anticristos…”(1João 2:18). E o pior de tudo é que eles saíram do seio da igreja - “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestassem que não são todos de nós”(1João 2:19). Esses falsos mestres se haviam infiltrado na comunidade cristã com o fim de mesclar-se entre os irmãos para perverter a doutrina dos apóstolos. Pareciam cristãos, mas não o eram de fato. Ora, se no início da Igreja foi assim, quanto mais hoje em que a apostasia é o principal tom.

1. A encarnação. “Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”(1João 4:2). O mais importante não é o fato histórico, ou seja, o fato de que Jesus nasceu no mundo em um corpo humano, mas, sim, a confissão de uma Pessoa Viva, de que Jesus Cristo veio em carne, a confissão que reconhece Jesus como o Cristo encarnado. Quem o confessa também se prostra diante dele como Senhor de sua vida. Hoje, encontramos muitas pessoas dispostas a dizer coisas aceitáveis acerca de Jesus, mas não a confessá-lo como o Deus encarnado. Dizem que Cristo é “divino”, mas não que é Deus. Menosprezam a glória de Cristo. São, portanto, falsos profetas, falsos mestres. No início da Igreja, os falsos mestres do gnosticismo negavam tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo. Eles negavam tanto a sua encarnação como a sua ressurreição. Eles negavam tanto a sua concepção virginal quanto a sua morte expiatória. Eles separavam o Jesus do Cristo; faziam uma distinção entre o Cristo divino e o Jesus histórico. Para eles, o Cristo veio sobre Jesus no batismo e se retirou dele na cruz. João classifica esta posição como heresia e procedente do anticristo. Não foi o Cristo que veio “para” a carne de Jesus, mas o próprio Jesus era o Cristo vindo “em” carne. Quem negar isto, ou seja, quem negar que Jesus é o Cristo e que Ele veio em carne não é de Deus; é negar que ele seja o nosso Sumo Sacerdote, que nos abre acesso à presença de Deus; é negar que ele seja o nosso Salvador; é negar a redenção do corpo bem como a possibilidade do encontro entre o humano e o divino. Portanto, a doutrina cristã fundamental, que nunca pode ser transigida, é a da Pessoa divino-humana e eterna de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Nenhum sistema pode ser tolerado, por mais estrondosas que sejam as suas pretensões ou por mais cultos que sejam os seus adeptos, se negar que Jesus é o Cristo vindo em carne, isto é, se negar a sua divindade eterna ou a sua humanidade histórica.

2. O objetivo da encarnação de Cristo. Em Nazaré, a cidade da juventude, Jesus entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume. Lá, Ele levantou para ler as Escrituras do Antigo Testamento. O auxiliar lhe deu o pergaminho no qual a profecia de Isaias estava escrita. O Senhor estendeu o rolo até a parte que agora conhecemos como Isaías 61, e leu o versículo 1 e a primeira metade do versículo 2: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor“(Lc 4:18,19). Quando Jesus disse “hoje se cumpriu a Escritura que acabam de ouvir”, ele estava dizendo de maneira mais clara possível que era o Messias de Israel, e o objetivo de sua encarnação. Jesus veio para tratar dos enormes problemas que têm afligido a humanidade através da história:

· Pobreza: “Levar boas notícias aos pobres”(NTLH). A pobreza não é vista propriamente como escassez de bens materiais, mas como necessidade da alma. No Sermão da Montanha Jesus proclamou: “bem-aventurados os pobres“. Nesse contexto, pobre é o que tem uma carência espiritual! Por conseguinte, é aquele que reconhece suas verdadeiras necessidades espirituais. E por isso almeja um relacionamento mais profundo com Deus como o fez o salmista: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo…“(Sl 42:1,2).

· Tristeza: “Restaurar os contritos de coração”(RC). O pecado escraviza e debilita o homem, os quebrantados de coração são aqueles oprimidos e machucados pelo pecado, portanto Jesus veio proporcionar a cura.

· Escravidão: “Apregoar liberdade aos cativos”. Os prisioneiros do pecado sentem medo da morte, sente-se culpado diante de Deus, praticam tudo aquilo que não agrada ao Senhor, motivos estes que conduziram Jesus ao calvário, dando liberdade integral ao homem oprimido pelo pecado. “Se, pois, o Filho do Homem vos libertar, verdadeiramente, sereis livres”(João 8.36).

· Sofrimento: “Dar vista aos cegos”. Existem cegos fisicamente e cegos espirituais, aqueles que não conseguem perceber a verdade de Deus, como nos mostra as escrituras - “nos quais o deus deste século (satanás) cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”(2Co 4:4). Jesus veio libertá-los desse sofrimento. Ele se apresentou como a resposta para todos os males que nos atormentam. E se pensarmos nesses males em sentido físico ou espiritual, isto também se aplica. Cristo é a resposta.

· Opressão: “Pôr em liberdade os oprimidos”. Isto é, romper os grilhões do mal e proclamar a libertação do pecado e do domínio satânico.

· Perdição eterna: “anunciar o ano aceitável do Senhor“. Jesus encarnou-se para propiciar o amanhecer de uma nova era para o ser humano: a Salvação da sua alma. A salvação do homem anunciada pelo próprio Senhor Jesus cumpre-se na integra na vida daqueles que dão ouvidos as Escrituras Sagradas e deixam o poder de Deus agir em suas vidas. É significativo que Jesus termina a leitura com as palavras “anunciar o ano aceitável do Senhor“. Perceba que Jesus não acrescentou as palavras restantes de Isaias: “… e o dia da vingança do nosso Deus”. O propósito da sua primeira vinda, da sua encarnação, foi “anunciar o ano aceitável do Senhor”. A atual época da graça é o tempo aceitável e o Dia da salvação. Ao voltar à Terra pela segunda vez, será para proclamar o “Dia da vingança do nosso Deus”.

II. O CRISTO HUMILHADO E FERIDO DE DEUS

O capítulo 53 de Isaias é um dos textos mais conhecidos da Bíblia. Nele o profeta dá riqueza de pormenores sobre o sofrimento de Jesus. Após indagar quem havia dado crédito à pregação do Servo do Senhor, apresenta-O sem parecer nem formosura, fala que Ele está desprezado e tornado o mais indigno entre os homens (Is 53:3). Diz que Ele assumiu a posição de vítima no sacrifício, tomando sobre si as nossas enfermidades, as nossas dores. Tornou-se Ele o ferido de Deus e oprimido [humilhado] (Is 53:4). Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades (Is 53:5), ou seja, assumia a condição da vítima dos sacrifícios da lei, levando a culpa do ofertante sobre si (Is 53:6). O profeta afirma que não houve apenas sofrimento, mas morte, pois foi levado como cordeiro ao matadouro (Is 53:7), sendo cortado da terra dos viventes (Is 53:8), devidamente sepultado (Is 53:9), embora fosse justo. Sua morte representou verdadeira expiação do pecado (Is 53:10), que teria o agrado do Senhor e representaria a justificação de muitos (Is 53:11), a ponto de levar sobre si o pecado de muitos e de poder interceder pelos transgressores, embora, para tanto, tivesse tido de ser contado com eles (Is 53:12). Cristo foi humilhado, mas não abriu a sua boca. Diz o profeta Isaias: “Ele foi oprimido [humilhado], mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca“(Is 53:7). Esta observação do profeta Isaias acerca do Sofredor paciente ocorre duas vezes neste versículo. Ele não abriria a sua boca. Em primeiro lugar, Ele não precisava se defender, visto que nenhuma acusação válida foi feita contra Ele. Em segundo lugar, seu julgamento foi apenas uma farsa judicial conduzida por hipócritas sem princípios, reivindicando motivos piedosos, enquanto naquele exato momento estavam violando as leis judaicas da jurisprudência; por conseguinte, nenhuma defesa faria diferença. Diante do Sinédrio, Jesus falou somente quando o silêncio significaria uma renúncia da sua divindade e de ser o Messias(Mt 26:63,34). Diante de Pilatos, Ele somente falou quando o silêncio significaria a renúncia da sua realeza. E diante do incestuoso Herodes, o Tetrarca, não falou uma só palavra(Lc 23:9). Como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim o nosso Senhor suportou em silêncio a sua humilhação. É bom ressaltar que o sofrimento de Cristo e sua morte na cruz são o ponto central da história. Para lá todas as estradas do passado convergem; e de lá saem todas as estradas do futuro. Somente conhecemos a Cristo vendo-o na cruz. Somente encontramos Jesus se pudermos vê-lo como Cristo crucificado. Não podemos vê-lo antes da cruz somente, nem depois somente. Muitos param antes da cruz. Outros tentam encontrá-lo somente como ressuscitado. Muitos evitam a cruz, e assim fazendo rejeitam a Jesus. É bom ressaltar que não estamos simplesmente falando do madeiro em si mesmo, mas da “cruz” de Cristo que representa a sua obra redentora mediante sua morte substitutiva no Calvário. III. O CRISTO GLORIFICADO

João tem uma visão do Cristo na sua glória excelsa (Ap 1:13-18): “E, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro“. “E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os olhos, como chama de fogo”; “E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas”. “E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece”. “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último”; “E o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno”. No versículo 16, veja o que João diz: “E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece”. O que João vê agora não é mais um Cristo servo, perseguido, preso, esbofeteado, com o rosto cuspido, mas do Cristo cheio de glória, Glorificado. A luz do sol supera o brilho dos candelabros. O que João contempla aqui não é mais um rosto desfigurado, ensanguentado, mas um rosto que brilha como o sol. Agora não é mais o Cristo humilhado, mas o Cristo exaltado. Não é mais o Cristo torturado pela sede, esbordoado pelos algozes, ferido pelos soldados, mas o Cristo majestoso diante de quem todo joelho se dobra. Ele disse a João: “fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno“(1:18). Aqui, o Cristo Glorificado mostra a João a sua vitória triunfal. Ele não apenas está vivo, mas está vivo para sempre. Ele não só ressuscitou, ele venceu a morte e tem as chaves da morte e do inferno. Morte, aqui, se refere ao corpo, e o inferno, à alma. A palavra inferno também pode ser traduzida por “Hades”, um termo usado para descrever o reino dos mortos e o estado sem corpo. Quando uma pessoa sem salvação morre, a alma vai para esse lugar, enquanto o corpo desce à cova. Para o cristão, entretanto, esse estado corresponde a estar na presença do Senhor; na ressurreição, a alma será reunida ao corpo glorificado e arrebatada à casa do Pai Celestial. Tanto a morte quanto o Hades serão lançados no lago do fogo no juízo final (Ap 20:14). Quem tem as chaves tem autoridade. Jesus recebeu do Pai toda autoridade no céu e na terra (Mt 28:18). Jesus tem não apenas a chave do céu (Ap 3:7), mas também a chave da morte (túmulo). Agora a morte não pode mais infligir terror, porque Cristo está com as chaves, podendo abrir os túmulos e levar os mortos à vida eterna. João quando viu o Cristo em sua Excelsa Glória ele não suportou, caiu como morto - “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto”(v. 17). O mesmo João que debruçara no peito de Jesus, agora cai a seus pés como morto. Isaías, Ezequiel, Daniel, Pedro e Paulo (Is 6:5; Ez 1:28; Dn 8:17; 10:9,11; Lc 5:8; At 9:3,4) passaram pela mesma experiência ao contemplarem a glória de Deus. Em nossa carne não podemos ver a Deus, pois ele habita em luz inacessível (1Tm 6:16). É impossível ver a glória do Senhor sem se prostrar. O que a igreja necessita hoje é uma clara percepção de Cristo e Sua glória. Necessitamos vê-lo exaltado em Seu alto e sublime trono. Há uma perigosa ausência de admiração reverente e adoração em nossas assembléias hoje. Orgulhamo-nos de nos levantar sobre os nossos próprios pés, em vez de cairmos com o rosto em terra ante os pés do Cristo Glorificado.

1. Ressurreição. A ressurreição é a restituição à vida, ou seja, o retorno à unidade entre corpo, alma e espírito, que havia quando da vida física. É válido ressaltar que a ressurreição de Jesus foi a primeira ressurreição propriamente dita, porque Jesus ressuscitou em corpo glorificado, para não mais morrer, visto que não pecou e venceu o pecado e a morte, morte que é o último inimigo a ser derrotado(1Co 15:54, 55). Por isso, Jesus foi feito “as primícias dos que dormem” (1Co 15:20). É importante observar que Jesus ressuscitou enquanto homem e, portanto, foi o Deus Pai quem O ressuscitou (At 2:32; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30,37; Rm 4:24; 1Co 6:14; 15:15; 1Pe 1:21). Com a ressurreição, Jesus foi exaltado sobre todo o nome (Fp 2:9). A ressurreição de Jesus Cristo é a demonstração de que o seu sacrifício foi aceito por Deus (Is 53:10-12), assim como a saída do sumo sacerdote do lugar santíssimo em vida significava, no tempo da lei, que Deus havia perdoado as iniquidades do povo e que cobrira os pecados por mais um ano (Lv 16:29-34). A ressurreição de Jesus Cristo é a demonstração de que Ele venceu a morte e que, por isso, também nós poderemos nEle vencê-la e alcançar a vida eterna (Rm 8:11; 2Co 4:14; Ef 2:6; 1Ts 4:14). A ressurreição de Jesus Cristo é a principal garantia de que devemos aguardá-lo, pois, assim como Ele ressuscitou, como havia prometido, Ele também voltará para arrebatar a sua Igreja e nos livrar da ira futura (1Co 15:51-57; 1Ts 1:10).

2. Ascensão. A Ascensão de Jesus Cristo é a Sua grande coroação como Rei dos reis e Senhor dos senhores. É o evento pelo qual Cristo cumpriu o seu ministério terreno, concluiu suas aparições pós-ressurreição, deixou a Terra, e subiu ao Céu, de onde aguardamos o seu retorno fisicamente, conforme nos garante a Palavra de Deus. À semelhança do que ocorrera no Monte da Transfiguração, o corpo de Cristo foi elevado aos Céus já revestido de glória, poder e celestialidade. Quando da sua segunda vinda, teremos um corpo semelhante ao dele (1Co 15:50-58; 1João 3:2). No Evangelho segundo escreveu Lucas é descrito esse fato da seguinte forma: “Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o Céu” (Lc 24:50-51 ARA). O Livro de Atos o descreve da seguinte forma: “Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (Atos 1:9-11 ARA). Podemos afirmar ainda que a Ascensão de Cristo é o término de sua missão vicária e de sua presença visível na terra. Se o dia da sua crucificação fosse a Palavra final, estaríamos perdidos e nos restaria a confissão de desespero dos discípulos de Emaús: “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel” (Lc 24:21 ARA); seria o triunfo da lei, de Satanás e do Inferno. Todavia, Cristo triunfou sobre os poderes das trevas, sobre o pecado, a morte e Satanás. Agora, a cristandade pode confessar alegre e vitoriosamente: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”, pois a ascensão de Cristo é a aprovação e a confirmação divina de toda a obra redentora de Cristo, e sua coroação como Rei dos reis e Senhor dos senhores, como Redentor e Juiz de vivos e de mortos. Glórias sejam dadas ao Senhor Jesus Cristo!

3. A Segunda Vinda. A Promessa da segunda Vinda de Cristo é a mais importante para a Igreja, é a razão da sua própria fé. Ela é lembrada no Novo Testamento por 318 vezes. É “a bem-aventurada esperança” de que trata Tito 2:13. Esse tão aguardado evento significará, para a Igreja, o ápice de sua peregrinação neste mundo (Mt 16:18). Ela representa o último estágio do processo da Salvação, que é a glorificação. Paulo, na sua última epístola, mostra que era esta a sua esperança, tanto que diz que esperava a coroa que estava reservada não só a ele, mas a todos quantos amassem a vinda do Senhor (2Tm 4:8), a nos indicar, portanto, que o motivo do bom combate, da guarda da fé e da carreira até o fim era o amor à vinda de Jesus. Em apocalipse 1:7, João faz uma descrição da gloriosa vinda do noivo da igreja para estabelecer o seu reino na terra: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!”. É a verdade mais preciosa que contém a Bíblia. Enche o coração do crente de gozo e o cinge com força para a batalha. Eleva-o por cima das lutas, temores, necessidades, provas e ambições deste mundo, e o faz mais que vencedor em todas as coisas. W. J. Grier diz que na sua gloriosa vinda, as nuvens serão a sua carruagem; os anjos, a sua escolta; o arcanjo, o seu arauto e os santos, o seu glorioso cortejo (W.J.Grier. O maior de todos os acontecimentos. Imprensa Metodista. São Paulo, SP). Na primeira vinda, a glória de Cristo não era autoevidente, mas na segunda vinda o será (Mc 14:61). A igreja triunfa com Ele, enquanto Seus adversários lamentarão (1:7; 6:15-16; Zc 12:10).

CONCLUSÃO

Temos hoje uma visão do Cristo glorificado? Temos honrado o seu glorioso nome? Estamos nos preparando para nos encontrar com Ele, como as virgens prudentes? Nossas lâmpadas estão cheias de azeite?

Fonte: ebdweb