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terça-feira, 31 de julho de 2012

A DESPENSA VAZIA



“Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37:25)

INTRODUÇÃO
A falta de bens básicos e necessários para a sobrevivência no cotidiano é, sem dúvida alguma, um do mais penosos problemas com o qual o ser humano pode se deparar. É decepcionante ver um genitor sem condições de trazer provisões para o seu lar. É desconcertante saber que o fruto de nosso trabalho não é capaz de suprir as nossas necessidades básicas. São situações de um mundo real, e que poderá ocorrer com qualquer pessoa, seja ela cristã ou não. Muitos são os fatores que podem levar uma família a passar escassez: a morte do provedor ou o descaso deste para com os seus dependentes; desemprego, doenças, etc. É bom saber que estes fatores podem acontecer tanto para os que amam e temem ao Senhor quanto para os que não o temem. É preciso ter equilíbrio e prudência nos momentos de escassez. Temos que avaliar as causas disso. Se Deus está nos provando, não murmure. Muitas vezes somos instados a crer na soberania e na provisão de Deus, ainda que o mundo demonstre o contrário. Se estivermos sob a sua Palavra, não seremos envergonhados. Temos duas escolhas: crer na Palavra de Deus e nos aplicarmos, com fé, aos desafios por ela apresentados, experimentando a vitória, ou desconfiarmos e experimentar a derrota e a vergonha. Muitas vezes a escassez advém de desequilíbrio na família, no tocante ao consumismo. O mal de muitos é não saber distribuir, é não ter método no gastar. Se tem muito, gastam tudo; quando não tem bastante, tomam emprestado. Por isso a vida financeira de muitos evangélicos é uma pedra de tropeço diante dos incrédulos. Sejamos cuidadosos na maneira de gastar o nosso dinheiro, busquemos a direção do Senhor de nossas vidas, para que ele nos ensine a usar o pouco que nos foi entregue. Economize comprando no estabelecimento que é mais em conta. Racionalize os gastos com água, luz, telefone, etc. (ler Gn 41:35,36; Pv 21:20). Fuja das dívidas! Evite o desperdício e o supérfluo. Gaste somente o necessário, dentro da sua capacidade financeira! Liberte-se do consumo irresponsável! Viva dentro do orçamento cabível e, se for possível, reserve um pouco para imprevistos, que sempre aparecem. 

I. LUTANDO CONTRA O IMPREVISTO
Ser tomado pelos imprevistos é muito decepcionante. Ninguém aceita isso. Mas eles acontecem, e devemos estar preparados para esses momentos. Ter equilíbrio e firmeza espiritual, esperança e fé no Senhor é fundamental para enfrentarmos as intempéries. Portanto, quando os imprevistos baterem à nossa porta não devemos nos desesperar; devemos, sim, ir ao Senhor, ou seja, conversar com Ele e crer em sua provisão( ler e medite Sl 147:7-9; At 17:25). A seguir, analisaremos, resumidamente, o imprevisto ocorrido na vida de uma mulher e seus dois filhos, cujo cônjuge falecera e deixou uma grande dívida. Deus interveio e concedeu-lhe a provisão suficiente para atender a necessidade urgente dessa família. Essa história é muito conhecida no meio cristão tradicional e é um exemplo importantíssimo de  como a provisão de Deus funciona na nossa vida. O texto base que relata essa história está em 2Reis 4:1-7.

1. A viuvez. Imagine uma pessoa que é dependente absoluto do seu cônjuge e de repente fica desamparada, ou seja, o seu marido falece e ainda deixa uma grande dívida, que para ela naquele momento era impagável. Foi o que aconteceu com uma mulher, esposa de um profeta. Mas, uma coisa interessante existia nessa família: temor a Deus(2Rs 4:1). E aos seus servos Deus não nega bem nenhum. No tempo apropriado a provisão divina chegará. “Está escrito: Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor bem nenhum faltará”(Sl 34:10).



2. A dívida. Essa mulher já estava muito triste com a perda que sofrera, então vem à tona outro problema: o homem tinha contraído dívidas, e seus credores foram cobrá-las. Achando-se incapaz de saldar a dívida deixada pelo seu marido, enfrentou a possibilidade do credor tomar seus dois filhos para um período de escravidão. Os credores queriam recuperar seu dinheiro logo. Então, a viúva deve ter-lhes dito: “Sinto muito, senhores, eu não tenho recursos para pagar a dívida que o meu marido contraiu”. Ao que eles responderam: “Muito bem, senhora, como não dispõe do valor necessário para quitar a dívida, de acordo com a lei, podemos levar seus dois filhos como pagamento. Eles serão nossos escravos, para compensar a dívida que seu a marido não saldou”. O texto em Levítico 25:39,40 determina que se o devedor não pudesse pagar a sua dívida, ele era obrigado a servir ao credor como escravo até o ano do jubileu. O que seria dela, que tinha acabado de perder seu marido e que poderia perder também seus dois filhos, tendo de viver desamparada? Ela infelizmente não possuía nem dinheiro nem propriedades que pudessem oferecer aos credores para quitar a dívida assumida pelo marido Diante daquela situação, a viúva teve de tomar uma atitude urgentíssima: pedir ajuda a alguém qualificado, que pudesse orientá-la a resolver o problema imediatamente. E quem era esse alguém? Ela sabia que Eliseu era um profeta de Deus e que, por intermédio dele, o Senhor poderia ajudá-la. Aquela mulher procurou um servo de Deus e apresentou seu problema, pedindo socorro. Nosso comportamento deve ser o mesmo hoje. Quando enfrentamos dificuldades, devemos clamar a Deus pedindo Sua ajuda. Ele designará um cristão que o ama e obedece a Ele para nos socorrer. Deus estará sempre à nossa espera para atender e satisfazer todas as nossas verdadeiras necessidades. Por isso nós, servos de Deus, podemos ser usados da mesma maneira que o Senhor usou Eliseu, como o objetivo de auxiliar alguém que esteja passando necessidades. Nesse momento, devemos orar apara que Deus nos mostre como podemos ajudar essa pessoa.

3. A solução. Provavelmente no início, Eliseu não sabia como poderia solucionar o problema daquela viúva aflita. Porém, depois, iluminado por Deus, ele perguntou o que havia na casa dela que pudesse ser vendido e render à família algum lucro. O que restava era uma botija de azeite. Muitas vezes, nós nos sentimos como aquela viúva quando percebemos que o que nos resta parece algo absolutamente insignificante, de modo que nem cogitamos que aquilo possa ser usado por Deus a nosso favor. Contudo, essa história nos mostra que Deus tem poder para transformar em muito aquilo que nos parecia pouco. Eliseu havia compreendido o que Deus podia fazer usando um simples vaso com azeite, a princípio insignificante, e então disse à mulher e a seus filhos para pedir emprestado aos vizinhos a maior quantidade de frascos vazios que pudessem. A viúva voltou para casa, e fez exatamente o que Eliseu ordenara. Ela e seus filhos foram de porta em porta, perguntando aos vizinhos se eles poderiam emprestar quaisquer frascos vazios que tivessem. Depois de reunir os recipientes que conseguiram encontrar, a viúva e seus filhos entraram em casa e fecharam a porta. Ela pegou o pequeno recipiente com óleo e começou a derramá-lo com cuidado em um frasco vazio que havia pedido emprestado. Surpreendentemente, o conteúdo do jarro encheu o frasco até a boca e ainda havia azeite no jarro da viúva. Então ela começou a encher uma panela vazia, e o mesmo aconteceu. Mais uma vez, ela foi capaz de encher aquele recipiente e ainda ter azeite na pequena botija. Imagine como seus filhos se sentiam ao assistir àquele milagre! Sua mãe ia enchendo todos os recipientes, e o nível de azeite do pequeno jarro não acabava! Ela encheu de azeite até o último recipiente que conseguira arranjar com os vizinhos. Finalmente, a viúva e seus filhos olharam para todos os vasos cheios do azeite que viera de sua pequena botija. Eliseu disse para ela vender o azeite e pagar a dívida deixada por seu marido. Com o dinheiro que sobrasse, ela e seus filhos poderiam viver por muito tempo. Aquilo foi realmente um milagre! Deus trouxe àquela família Sua provisão de maneira extraordinária. A partir de um único vaso de azeite que a viúva possuía, Deus foi capaz de multiplicar a quantidade de óleo de modo a atender a necessidade urgente da família. A fé que aquela mulher tinha no Senhor tornou possível que ela saísse daquela situação crítica; permitiu que ela apresentasse seu problema a Deus e confiasse nele para orientá-la no sentido de encontrar a solução. Deus também deseja que você creia e busque em Sua Palavra a orientação sobre o que esperar dele e sobre como agir com sabedoria nos momentos de escassez, de despensa vazia.

II. DEUS AGE COM O QUE VOCÊ TEM




1. A botija de azeite. Quando o profeta Eliseu perguntou à viúva sobre o que ela tinha em casa, a resposta da mulher vem em um tom desanimador: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite“. Ora, se para Deus o nada já é muita coisa, quanto mais uma botija de azeite. A provisão milagrosa lhe veio mediante o que ela já tinha: um vaso de azeite. A provisão foi dada na medida da fé que a mulher tinha e da sua capacidade de armazenamento. Deus usou o que ela possuía para multiplicar-lhe os recursos e realizar o milagre de que ela precisava. Para Deus  operar  um milagre a quantidade não faz nenhuma diferença. Vejamos: ·   Moisés - tinha uma vara: “… e os filhos de Israel passaram pelo meio do mar em seco…” (Êx 14:16,21, 22). ·   Sansão - tinha uma queixada de um jumento: “… e feriu com ela mil homens.” (Jz 15:15). ·   Davi - tinha uma funda e cinco pedras: “E assim… prevaleceu contra o gigante filisteu…” (1Sm 17:40,50). ·   A viúva de Sarepta - tinha farinha na panela e azeite na botija: “… e assim comeu ela… e a sua casa muitos dias” (1Rs 17:12,14,15). ·   Elias - tinha uma capa: “… e passaram ambos (Elias e Eliseu) o rio Jordão em seco.” (2Rs 2:8). ·   Os discípulos - tinham cinco pães e dois peixinhos: “… e deram de comer a quase cinco mil pessoas.” (Mc 6:37-44). ·   O apóstolo Pedro - tinha unção e poder e disse ao paralítico: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta e anda.” (At 3:6). ·   A mulher do profeta - tinha apenas uma botija de azeite. E foi a partir desta botija de azeite que Deus operou o milagre: “E sucedeu que, todos os vasos foram cheios…” (2Rs 4:2,6,7). O milagre, portanto, depende do que se têm. O que é que você tem em casa? Diante da pergunta, você poderia responder: “Não tenho nada”. Não seja tão pessimista para enxergar o quão é suficiente para Deus fazer um grande milagre através daquilo que você considera não ser nada. Um martelo é suficiente para transformar você num homem de grandes negócios. Deus irá operar o milagre em sua vida a partir do que você tem. Se nada oferecemos a Deus, Ele nada terá para usar. Mas Ele pode usar o pouco que temos e transformá-lo em muito. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Nós podemos nem ter tudo, e, contudo, podemos ter conosco alguma coisa que Deus é capaz de abençoar abundantemente - “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”  (Ef 3:20). Não perca a esperança! “O pouco pode ser transformado em muito se for colocado nas mãos do Senhor e por Ele abençoado” (Mc 6:30-44). Creia!
2. A farinha na panela.  Veja outra demonstração impressionante do agir de Deus. Isso ocorreu com a viúva de Sarepta, cuja despensa estava vazia, prestes a morrer de fome, mas foi usada por Deus para sustentar o profeta Elias com o que ela tinha(leia 1Rs  17:8-16). Após dizer que haveria seca em Israel (1Rs 17:1), o profeta Elias recebeu a ordem divina de ir à Sarepta, porque ali residia uma viúva que o sustentaria(1Rs 17:8,9). Por que Deus agiu assim? Deus poderia ter enviado Elias para a casa de um dos líderes religiosos de Sarepta que estivesse em condições de recebê-lo e hospedá-lo durante aquele período de provação. Ou, o Senhor poderia tê-lo encaminhado ao homem mais rico do local e convencesse o homem a manter Elias até quando fosse necessário. Mas Deus ordenou que o profeta buscasse o destino mais improvável, a casa mais humilde, a pessoa mais necessitada naquele momento: uma viúva sem eira nem beira. O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar a sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte. Então, por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele?
A lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. Deus não pensa como o homem, não considera as saídas e soluções que imaginamos, nem se prende ao que vemos e supomos ser o melhor para nós nas situações pelas quais passamos. Está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor“(Is 55:8). Contrário à lógica humana, Deus afirma que os “últimos serão os primeiros”; “que não veio chamar os justos, mas os pecadores”; “que não é o que entra pela boca do homem que o contamina, mas o que dela sai, pois do coração provém toda a imundície e maldade existentes“. O que precisamos saber é que a lógica de Deus não é, nem de longe, parecida com a nossa. Ela leva em conta nossa obediência e nossa fé, e também o fato de Deus ser onisciente, onipresente, onipotente; enquanto a nossa lógica considera apenas superficialmente as coisas, por meio de nossa visão limitada. Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor.
Sempre estamos providos de alguma coisa que satisfaz a necessidade de nosso próximo. Pelo episódio de Elias em Sarepta, Deus nos ensina uma grande lição: Ele nos mostra que mesmo na adversidade, na despensa vazia, temos algo a oferecer, ajuda a proporcionar, uma bênção a transmitir aos outros. Às vezes, é algo que nem mesmo está ao alcance de nossa vista, seja porque não imaginamos que tal coisa seja necessária para alguém, seja porque nenhum valor vemos nela, por ser tão simples ou banal. Note a postura daquela viúva. Quando Elias se aproximou dela, no primeiro momento lhe pediu água. Ela não questionou, nem mesmo reclamou que não tinha. Água aquela mulher possuía em casa, e a deu ao profeta. Leia 1Rs 17:10-12. Ao ler este texto Deus nos revela outro princípio: quando estamos vivendo momentos de escassez, existem coisas de que não dispomos para ajudar nosso próximo, mas sempre temos algo. Pode não ser uma coisa material, como dinheiro, comida, roupa, mas podemos oferecer uma palavra de ânimo, sabedoria, apoio moral; podemos orar e confortar a pessoa, trazendo glória ao nome do Senhor.
Aquela viúva agiu com honestidade e sinceridade. “Vive o Senhor, teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija” (1Rs 17:12a). Na escassez, quando a despensa está vazia, é assim. Você só pode dar aquilo que tem. No entanto, muitas pessoas agem diferente. Querem viver na opulência, na fartura, viver de aparências, quando na realidade de nada dispõem. Estão passando por necessidades terríveis, mas diante dos outros querem demonstrar que nada lhes falta, e ainda “fazem a festa”. “Apanhei dois cavacos e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos” (1Rs 17:12b). Mas também é verdade que em momentos de extrema necessidade, quando estamos enfrentando crises violentas de escassez, nos deixamos vencer pela desesperança, pela falta de perspectiva, pela agressividade da situação. E nesses momentos, que podem atingir qualquer um, agimos como a viúva. Ela simplesmente não acreditava em mais nada, nenhuma visão, profecia ou promessa; é o que percebemos em suas palavras: “para que o comamos e morramos”. Porém, é nesse momento que começamos a vislumbrar como a lógica de Deus funciona na escassez. Vejamos como Elias respondeu à viúva após a declaração dela de que não tinha nada, apenas a certeza da morte. Elias lhe disse: “Não temas; vai e faze conforme a lua palavra”(1Rs 17:13a). A lógica de Deus na escassez começa por afirmar que não precisamos ter medo. O mesmo versículo, em outras versões, deixa isso bem claro: “Elias, porém, lhe disse: “Não tenha medo”(NVI);  - “Não se preocupe!  - disse Elias (NTLH). Deus recomenda isso ao longo de toda a Bíblia. Ele afirma que se o medo, a insegurança destrutiva dominar você, o pavor o invadirá e acabará por neutralizar o potencial e a iniciativa que ainda existem em seu interior. Deus está declarando, nesse versículo, para você que está vivendo um momento de despensa vazia, um momento difícil em sua vida: ”Não temas, pois eu agirei!”. Vai e faze conforme a tua palavra“. Elias orientou a viúva a fazer conforme o quê?Conforme a tua palavra. Ou seja, que aquela mulher agisse conforme o que ela havia dito, conforme sua própria decisão. O que Deus nos ensina aqui? Que a solução para a despensa vazia começa com nós mesmos! Começa com você, por sua própria iniciativa! A viúva havia afirmado que possuía farinha e azeite suficientes apenas para fazer um bolo para ela e o filho. Então, o profeta lhe ordenou que fizesse um bolo primeiro para ele! Ela obedeceu, e Deus multiplicou a farinha e o azeite daquela mulher.
A viúva foi obediente à palavra que lhe foi entregue. Não à palavra do profeta, mas à palavra do próprio Deus, pois Elias falou em nome do Senhor. E ela demonstrou sua obediência e fé alimentando o profeta com a última refeição de que dispunha. A lógica humana afirmaria que, em primeiro lugar, a viúva deveria fazer um bolo para si mesma e para seu filho; e, depois de satisfeitos, as sobras seriam dadas ao profeta. Porém, a lógica de Deus inverte a lógica do homem. Deus orientou que, pela fé, a viúva deveria oferecer a primícia da farinha e do azeite ao profeta, e então crer que seus mantimentos jamais faltariam, até que as chuvas voltassem a cair. A mulher obedeceu, e isso trouxe fartura à sua casa, pois não faltou alimento para ela e seu filho, quando todos à sua volta experimentavam a escassez. Na despensa vazia, as Escrituras requerem fé e atitude, fé e ação. A viúva de Sarepta, ao aceitar a palavra profética de Elias, demonstrou fé e submissão, obtendo a vitória em meio à luta, a fartura em meio à escassez. Assim pode acontecer conosco também!

3. Cinco pães e dois peixes(João 6:1-13; Mt 13:-21; Mc 6:30-44). O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes realizado por Jesus é um dos que mais exerce fascínio nos seres humanos porque atinge seu maior drama: a escassez. Esse milagre nos ensina que o pouco que temos pode ser transformado em muito, se for colocado nas mãos do Senhor e por Ele abençoado. Muitos quilômetros eram percorridas pelas multidões para fora da cidade a fim de ouvirem Jesus Cristo, todos no propósito de receber. Aliás, o homem natural, aonde quer que vá, vai para receber. Nesse afã, cinco mil homens(sem contar as mulheres e crianças) partiram para ouvir Jesus no deserto, mas esqueceram que lá não há comida e não levaram provisão; então veio o mais impressionante problema logístico do ministério de Jesus: multidões que buscaram o pão da vida, o pão que desceu do céu - Jesus - padeciam do pão da terra. Mas havia um jovem precavido com cinco pães e dois peixes e, o mais importante, com um coração aberto para Jesus, disposto a dar. Deus usa o que temos em mãos para nos abençoar, para encher a nossa despensa. O segredo não está em quanto temos, naquilo que possuímos, mas sim na entrega incondicional daquilo que temos a Deus. Tudo que aquele menino do deserto fez foi entregar a Cristo os pães e os peixes que possuía. O que aconteceria depois não dependeria dele: Jesus fez um milagre e alimentou milhares de pessoas a partir daquela entrega significativa. Você quer ser um instrumento dos milagres de Jesus? O que você tem para dedicar ao Deus da sua salvação? Será que você está dedicando o melhor da sua vida para Deus?

III. A PROVIDÊNCIA DIVINA
1. No Antigo Testamento. Muitos são os exemplos no Antigo Testamento que mostram a providência divina, dentre eles está o cuidado com a subsistência alimentar. No tópico anterior, analisamos a multiplicação do azeite de duas viúvas, em circunstâncias diferentes e épocas diferentes. Dois homens de Deus foram usados para que esses milagres ocorressem. Dois elementos foram essenciais para que ocorressem esses milagres: fé em Deus e obediência à sua Palavra. Não poderíamos deixar de citar a providência divina para com Israel no deserto, quando de sua peregrinação em direção à Terra prometida. Em Êxodo 16:15, vemos a providência divina dando a Israel o pão do Céu - o maná. A cada dia o maná aparecia no chão como pequenos flocos, à semelhança de geada(Ex 16:31). O povo juntava-o e fazia bolos que tinham um sabor de mel. Para os israelitas, o maná era uma presente  - chegava todos os dias, na quantidade necessária. Não há Deus como o nosso, que trabalha para aqueles que nele esperam. Ele cavalga nas alturas para nos ajudar. Está assentado na sala de comando do universo, tem nas mãos o controle da história e age de tal maneira que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam. Essa não é a linguagem da conjectura hipotética, mas da certeza experimental. Deus cuida do justo e não o deixa ter fome. Davi disse: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37:25). Glórias ao Deus Soberano!
2. Em o Novo Testamento. Os Evangelhos mostram dois impressionantes milagres de Jesus: as duas multiplicação de pães e peixes(cf  Mc 6:30-44; Mc 8:1-9). Eles demonstram a providência divina presente na vida daqueles que sofrem de escassez. Esta foi a maneira sobrenatural que o Senhor usou para suprir as necessidades dos carentes. Entrementes, assim como no Antigo Testamento Deus usava os seus profetas para socorrer os carentes, no Novo Testamento Deus convida-nos a fazer parte dessa importante missão (ler Rm 12:9-21). Deus deseja que, através de nossas vidas, socorramos aos que, realmente, são necessitados. O apóstolo Paulo exorta-nos a trabalhar para repartir com  aqueles que passam por dificuldades (2Co 8:14; Ef 4:28). Jesus disse: “Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes“(Mt 14:7). Os pobres existem e continuarão existindo, para que os cristãos generosos exerçam a caridade, a maior expressão do cristianismo verdadeiro. A igreja primitiva sobressaia-se neste mister, tanto que foi estabelecida a diaconia ou o serviço de atendimento social(ler At 6:1-10).  O apóstolo Paulo recorda que Pedro, Tiago e João, que eram tidos como as colunas da Igreja em Jerusalém, pediram-lhe que não se esquecesse dos pobres - “recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligencia”(Gl 2:10). A generosidade para com os necessitados é considerada não como um mérito à salvação, mas apenas como “um teste de caráter”. Ajudando os necessitados, estaremos rompendo com nossos próprios interesses egoístas, para acumular “tesouros no Céu” (Mt 6:19-21;Lc 12:33-34). O maior tesouro é, sem dúvida, a salvação eterna, pela graça de Cristo (Ef 2:8-10), daqueles que são levados a glorificar a Deus por nossas boas obras de generosidade (ver Mt 5:16). Você tem ajudado a quem necessita? Você se preocupa em saber quem precisa da sua ajuda? Pense nisso!

CONCLUSÃO
Quero concluir esta Aula dizendo que, assim como aquela viúva(Rs 4:1-7), temos uma dívida que não podemos pagar, que herdamos de Adão e na qual incorremos todos os dias: o pecado. E o pagamento dessa dívida implicaria a morte espiritual e eterna, se não fosse o sacrifício de Cristo Jesus em nosso lugar. Jesus pagou a nossa dívida com Sua própria vida. O apóstolo Paulo com muita propriedade escreveu: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl 2:14). Portanto, no momento em que alguém aceita Jesus, com sinceridade, é salvo, e suas reais necessidades (de perdão, paz, amor, salvação, vida eterna, etc) são supridas. Para sermos perdoados e passarmos a ter direitos a uma vida eterna, no Céu, de nada nos adiantaria nos esforçarmos para, por nossas próprias forças e justiça, sermos bonzinhos, honestos. Também não adiantaria frequentarmos regularmente uma igreja e vivermos de joelhos, pedindo perdão e infligindo-nos sofrimentos e penitências. Nada disse salva o homem. A única maneira de conseguirmos o perdão de Deus, a regeneração espiritual e a vida eterna é aceitando Jesus como nosso Salvador e submetendo-nos inteiramente a Ele. É por intermédio de Cristo, com quem está o “amém”, que Deus opera muito mais além do que pedimos ou pensamos, para a glória do Seu bendito nome e o engrandecimento do Seu reino.


Fonte: ebdweb

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pastor Donizete é homenageado no seu aniversário em Viçosa.


  
  Sob um clima de alegria, a  Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Viçosa , prestou uma mui digna homenagem ao Pr. Donizete Inácio pela passagem do seu aniversário no último sábado (28).
    
   O  momento  foi recheado por diversas homenagens através de louvores, jograis, poesias, num clima por demais descontraído e sobretudo espiritual. O aniversariante sentiu-se como uma criança diante de tamanhas homenagens prestadas por crianças, adolescentes, jovens, senhores e  senhoras.

   Além dos membros da igreja, os pastores presentes enalteceram o importante momento, dedicando assim suas respectivas homenagens.  Estiveram presentes congratulando-se com a alegria do Pastor Donizete, o Pr. José Oliveira ( Chã Preta), Pr.João Barbosa ( Quebrangulo), Pr. Josivaldo Gomes( Cajueiro),Pr. Edvaldo(Mumbaça), e o Pr. Adilson(Areia branca). Bem como o maestro Adiel  e família (maestro da Orquestra Filadélfia - Rio Largo)

    O prefeito do município, Flaubert Filho, esteve acompanhado de sua esposa Ana Paula Calazans Torres, trazendo sua homenagem ao pastor. “ Não podia deixar de vir prestar minha homenagem ao Pr. Donizete. A mais de quatro anos passei a admirar esse homem de significantes qualidades, ao tempo que tornou-se para mim um amigo em particular”, declarou o prefeito

    Uma homenagem através de uma apresentação pela as irmãs Fátima, Rosângela e Clenilda, levou aos presentes um momento sobremaneira descontraente, no momento em que jogaram um balde de pétalas sobre o aniversariante supondo ser um balde de água. O culto transcorreu num belo clima de alegria e gratidão.

      Ao término, tomado por uma expressiva emoção e gratidão, o Pr. Donizete externou toda  gratidão a Deus, a equipe e que juntos a sua esposa fizeram acontecer o feliz momento e toda igreja como todo, como também estendeu a sua gratidão pela presença dos companheiros que compartilharam com sua  alegria.

   AO SENHOR JESUS TRIBUTAMOS TODA HONRA, GLÓRIA LOUVOR E ADORAÇÃO.

Por Efigênio Hortêncio de Oliveira






   
             

terça-feira, 24 de julho de 2012

AS AFLIÇÕES DA VIUVEZ




Texto Básico: 1Tm 5:3-16; Lucas 2:36-38; Tiago 1:27
“Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas” (1Tm 5:3)

INTRODUÇÃO
Dentro dos dramas sociais que o cristão pode se deparar está a viuvez. É um fato comum em nossa sociedade, caracterizado pela perda do companheiro de vida, que abarca milhares de pessoas. Faz parte do processo natural da existência do ser humano, por isso deve-se estar preparado para este estado aflitivo da vida. Quando o cônjuge perde a sua companheira(ou companheiro) significa um rompimento do ciclo  de um convívio íntimo, intenso e profundo; a pessoa viúva enfrentará a solidão e a saudade do cônjuge que se foi. Algumas pessoas suportam com resignação esta lacuna da vida, mas outras se definham diante da amargura que lhe envolve, resultando em insegurança existencial que paralisam a sua sociabilidade e espiritualidade. Quando esta fase da vida chegar na vida de um irmão ou irmã, a Igreja e a família devem estar prontas para dar-lhe total apoio, consolo e carinho, bem como acudi-la no aspecto estrutural necessário à sua convivência social e firmeza espiritual. É, indubitavelmente, parte integrante do serviço social da Igreja.

I. O CONCEITO DE VIUVEZ

1. Definição. A palavra viuvez deriva da forma latina vidua, que significa “ser privado de algo”. É uma situação de desconsolo por desamparo. É um fato dramático, que atinge não só o psiquê e a saúde dos indivíduos, mas também suas relações sociais, tanto dentro da família quanto na sua comunidade. A condição de viuvez pode fazer com que as pessoas após anos de convivência, enfrentem um momento de solidão, processo profundamente sofrido, não só pela perda do marido ou esposa, mas pelas dificuldades em administrar a casa e os filhos na falta do chefe da família. A situação de viuvez é uma situação não planejada, que provoca modificações na vida das pessoas. Representa, por sua vez, uma inesperada quebra do equilíbrio, real ou suposto, das relações familiares, sociais, econômicas, culturais, a qual faz com que o indivíduo, em caráter de urgência, estabeleça novos arranjos em grupo. É também o início de um processo de mudança que leva o homem e a mulher a mudar-se  para outra coisa que não mais o esposo e a esposa. Sendo assim, a viuvez obriga o indivíduo a enfrentar uma transição de identidade, de um novo papel social; de uma mulher ou de um homem só. Segundo pesquisas, o homem ao tornar-se viúvo, não permanece neste estado civil por muito tempo, pois pelas normas sociais e culturais, esses devem casar-se novamente e, com mulheres mais jovens. Essa situação não é a mesma para as mulheres. Ao tornar-se viúva, geralmente, a mulher casa-se com homem mais velho do que ela. Por isso, comparativamente aos homens, há uma maior proporção de mulheres viúvas e a maior parte do tempo nessa condição, levando também em consideração que a longevidade das mulheres é superior a dos homens. Segundo pesquisadores nesta área da viuvez, mostram que as mulheres procuram o atendimento psicológico e psiquiátrico mais do que os homens e que para estes é mais comum ter um ataque cardíaco após a perda da companheira. Todavia, exortam-nos as Escrituras a não entregarmo-nos ao desespero, pois o Senhor cuida dos seus (Sl 146:9).
2. Exemplos nas Escrituras. Poderíamos falar de muitas viúvas mencionadas na Bíblia que se destacaram por suas atitudes de coragem, obediência e fé em Deus. Como, por exemplo: Noemi e Rute(ler Rt cap. 1); a viúva de Sarepta(1Rs 17:8-24); a viúva da despensa vazia que Elizeu, através de ato milagroso, aumentou o azeite e com isso ela quitou o credor de seu ex-marido (2Rs 4:1-7); a viúva que deu uma oferta no Templo e que suscitou admiração em Jesus(Lc 21:3); e Ana(a profetiza, que esperava a redenção de Israel - Lc 2:36-38). Faremos, porém, menção de apenas duas viúvas, que superaram as aflições da viuvez e foram instrumentos usados por Deus, a despeito das circunstâncias.
a) A profetisa Ana - “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2:36-38).A profetiza Ana é uma personagem do Novo Testamento da Bíblia, mencionada unicamente no Evangelho segundo Lucas. Lucas relata que ela era filha de Fanuel e pertencia a tribo de Aser, uma das dez tribos levadas em cativeiro pelos assírios em 722 a.C. Informa também que ela era viúva e tinha vivido com o marido apenas por sete anos. Ela era já avançada em idade(Lc 2:36,37). Como profetiza, sem dúvida ela recebia revelações divinas e servia como porta-voz de Deus. Apesar da dor da sua viuvez, ela foi fiel na sua frequencia  às reuniões públicas no Templo, adorando com jejuns e orações, de noite e de dia (Lc 2:37). A sua idade avançada e a sua situação social não a dissuadia de servir o Senhor. Enquanto Jesus estava sendo apresentado ao Senhor no Templo, e Simeão falava com Maria, Ana chegou a um determinado grupos de pessoas. Ela deu graças a Deus pelo Redentor prometido, e falava a respeito de Jesus aos fiéis em Jerusalém que esperavam a redenção. Ana e Simeão tiveram o privilégio de ver de perto a vinda do Messias ao mundo, tão exaustivamente anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. A exemplo de Ana, buscar a Deus de forma contínua é o melhor procedimento para superar a dor da viuvez.
b) A viúva de Sarepta(1Rs 17:8-24). O nome dessa viúva não sabemos, conhecemos apenas como “a viúva de Sarepta”. Mulher de coração bom que nos deixou um exemplo de coragem, obediência(submissão) e fé no Deus de Israel.Sarepta era uma pequena cidade costeira fora das fronteiras de Israel, pertencia ao domínio de Sidon e era governada por pagãos. Por toda região, no reinado de Acabe, houve uma grande seca. Por três anos e seis meses nem uma gota sequer de água caiu do céu. Essa seca fora predita pelo profeta Elias, que perseguido por corruptos governantes se refugia junto ao ribeiro de Querite. Elias ficou em Querite, sendo sustentado pelos corvos até o riacho secar. Deus cuidou de Elias para que não morresse de fome, já que não podia andar livremente pela região. Certo dia Elias acorda e não vê corvos, nem comida, nem água. O riacho havia secado. Quem ordena que o riacho seque é o próprio Deus que lhe aponta um novo caminho, nova direção: “Levanta-te, vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma viúva que te sustente” (1Rs 17:9). Chegando a Sarepta, à porta da cidade, está uma viúva, apanhando gravetos. Não era lenha, eram gravetos. Lenha é para fogo alto. Gravetos, para pequeninas chamas, que rapidamente se tornam em brasa, sinal de pouca comida. Elias, cansado da viagem, cumprimenta a mulher e lhe pede um pouco de água e também pão: “Não tenho comida em casa, só um punhado de farinha e um pouco de azeite, vês, só peguei dois gravetos, vou prepará-lo para mim e meu filho para que comamos e morramos” (1Rs 17:12). No Antigo Testamento, as viúvas eram personagens marginalizadas. Especialmente se não tinham filhos crescidos para cuidar delas. Eram facilmente vitimadas e tinham limitados recursos materiais e financeiros. Em tempo de uma grande seca, as coisas eram ainda piores para elas. Cada família lutava pela própria sobrevivência e não havia sobras para viúvas pobres. A viúva de Sarepta recebeu o pedido de alimentar o profeta que chega de viagem. Quando consideramos sua realidade social e econômica, ela era, realmente, a candidata mais improvável. Só havia um punhado de farinha e um pouco de óleo entre essa pobre mulher e a morte pela fome. É realmente compreensível e natural a reação dessa mulher: “Não tenho comida...”. A reação de Elias, diante da confissão da viúva, é inusitada: “Não temas; vai, faze conforme a tua palavra; porém faz dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-o aqui; depois farás para ti a para teu filho”(1Rs 17:13). Ele pede que o alimento seja dado primeiramente para ele, assim Deus multiplicaria o azeite e a farinha até a chegada da chuva.
A coragem e a obediência da viúva. Sem questionar, a mulher obedece e a Palavra do Senhor se cumpre, dando-lhe fartura de víveres. Ela não temeu, simplesmente obedeceu. Deus retribuiu-a com bênçãos materiais e espirituais: “Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou, conforme a Palavra do Senhor…”(1Rs 17:16). Os gravetos se multiplicaram em sua casa. Ela e o filho escaparam miraculosamente da fome e tiveram uma fonte constante de comida. É difícil imaginar a surpresa dela ao ver esse milagre incrível acontecer, não uma só vez, mas dia a dia. Ali estava uma viúva solitária em território pagão, falando do Deus de Israel e de suas maravilhas. E ela nem era do povo escolhido! Jesus disse que muitas viúvas havia em Israel na época da grande fome, mas apenas a uma das viúvas, foi enviada providência (ler Lc 4:25).
Outra qualidade notória nessa mulher: a FÉ - “Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a Terra. E ela foi e fez conforme a palavra de Elias…”(1Rs 17:14,15). A fé de uma gentia moveu o coração de Deus. Originalmente, a mulher só tinha o suficiente para uma refeição. Ao dar primeiro aquela comida ao profeta, essa mulher pagã agiu por uma fé pura, confiando no que não podia ver nem entender. Também é surpreendente que essa mulher não fosse nem mesmo israelita, mas alguém que vivia em uma terra pagã, que praticava uma forma degradante de adoração. E ainda, de alguma forma, Deus a usou como um instrumento para a sua Obra (veja 1Rs 17: 9). “Sem fé é impossível agradar a Deus”(Hb 11:6). Onde estariam os judeus? Adorando a Baal? Estariam eles se curvando a Acabe e a sua mundana e idólatra Jezabel, esperando que estes lhes trouxessem chuva? Estariam murmurando? Ao contemplar essa passagem Bíblica, receio por muitos que cristãos dizem ser. Teríamos a mesma fé dessa mulher que atraiu Elias até Sarepta? Ou estaríamos hoje como os judeus da época de Elias?  Qual foi a última vez em que você teve que agir em fé pura, cega, confiando no que não podia ver nem entender? Que lições você aprendeu sobre o que significa para nós, seres pecaminosos, viver pela fé? A viúva se Sarepta venceu o medo e respondeu mostrando uma atitude de Coragem, Obediência e Fé. É um belo exemplo a ser imitado!

II. O ASPECTO SOCIAL DA VIUVEZ

1. No Antigo Testamento. A legislação hebraica sempre se mostrou solícita pelas viúvas e, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, eram alvo de provisões especiais. Deus teve uma atenção especial à viuvez. As recomendações foram claras e imperativas ao povo de Israel. Cito algumas: “Quando no teu campo colheres a tua colheita, e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-lo; para […] a viúvaserá; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos”(Dt 24:19); “Quando sacudires a tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; para …. a viúva será”(Dt 24:20); “Quando vindimares a tua vinha, não voltarás para a rebuscá-la; para … a viúva será”(Dt 24:21); “Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem”(Dt 26:12); “A nenhuma viúva … afligireis”(Ex 22:22). Visto que as viúvas são frequentemente desprezadas pelos homens, Deus mostra cuidados especiais por elas (leia novamente os versículos citados acima; leia também Sl 68:5; 146:9; Pv 15:25). E a bondade a elas demonstrada era louvada como um dos sinais da verdadeira religião (ler Is 1:17). A opressão e a injúria contra as viúvas, por outro lado, faziam o faltoso incorrer em horrenda punição (ler Sl 94:6; Ml 3:5). Visto que dar à luz filhos era algo reputado como grande honra, o que se tornou ainda mais intenso posteriormente quando a nação passou a esperar pelo Messias(Is 11:1), a viuvez  das mulheres que ainda não haviam passado a idade de ter filhos, bem como a esterilidade, eram reputados como uma vergonha e um opróbrio (cf Is 4:1; 54:4). As viúvas dos reis, entretanto, permaneciam em sua viuvez, e eram propriedade, embora nem sempre esposas, do novo rei. Pedir qualquer delas em casamento era a mesma coisa que reivindicar o reino (cf 1Rs 2:13-23).

2. No Novo Testamento. A Igreja Cristã herdou do Judaísmo o dever de cuidar das viúvas. A Igreja primitiva demonstrou profunda solicitude por elas. Tiago, em sua epistola, assevera categoricamente que prestar assistência às viúvas em suas aflições é um sinal da espécie de religião, como era no Antigo Testamento, na qual Deus não encontra qualquer falta - “religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é essa: visitar […] as viúvas nas suas tribulações….”(Tg 1:27). No Novo Testamento, as viúvas tinham poucos meios de auto-sustento; em muitos casos, não tinham ninguém para cuidar delas. Esperava-se da parte dos crentes que lhes demonstrassem o mesmo cuidado e amor que Deus as revelou no Antigo Testamento. Hoje, entre os nossos irmãos e irmãs em Cristo, há os que precisam de ajuda e cuidados. Devemos procurar aliviar suas aflições e sofrimentos e, dessa maneira mostrar-lhes que Deus tem cuidado deles. Ainda que as viúvas tivessem herdado riquezas de seus maridos, e não necessitassem de rendas, precisavam assim mesmo ser protegidas dos inescrupulosos. Uma das coisas que Jesus condenou, no caso de certos fariseus, foi o fato que eles devoravam “as casas das viúvas“(Mc 12:40); e Ele provavelmente estava tirando uma ilustração da vida contemporânea ao relatar a história da viúva que, por sua persistência em exigir justiça, estava importunando o juiz iníquo(ler Lc 18:1-5). O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo, expressa o seu desejo de que as viúvas jovens se casem novamente; e exorta para que às viúvas no pleno sentido da palavra, isto é, aquelas que não contavam com parentes para sustentá-las, e que se mostravam regulares em seus deveres religiosos cristãos, fosse dada uma posição especial na Igreja, e que fossem sustentadas pela irmandade. Deveria haver uma lista dessas viúvas, e só deveriam ser arroladas nessa lista aquelas que já tivessem mais de sessenta anos de idade e que tivessem dado testemunho de boas obras, tendo cuidado das crianças, tendo demonstrando hospitalidade, ou tendo prestado serviço aos aflitos dentre o povo de Deus(ler 1Tm 5:9-16). É bom ressaltar que a igreja primitiva prestava essa assistência porque, nos tempos do Novo Testamento, não havia assistência social do governo, nem aposentadoria para viúvas que não tinham família, nem filhos, para ajudá-las. Os empregos remunerados para as viúvas eram escassos. Além do mais, algumas viúvas eram demasiadamente idosas para prover seu sustento. Daí, as que não contavam com outros meios de sustento deviam receber provisão da igreja. A contrapartida, porém, era que elas demonstrassem possuir certas qualificações espirituais(1Tm 5:9,10), inclusive a perseverança nas boas obras (5:10) e na oração(5:5). Paulo é enfático com relação aos cuidados sociais que a igreja deve ter com as viúvas: as que são realmente viúvas - “Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas“(1Tm 5:3). Honrar aqui não tem apenas a ideia de respeito, mas inclui a noção de ajuda financeira. A verdadeira viúva não tem meios de sobrevivência, não atem para onde ir. Seu refúgio é o Deus vivo, porque na terra ela não depende de ninguém. Foi deixada totalmente sozinha e permanece nessa condição. Não tem filhos, nem neto, nem pessoa alguma que tenha o dever de dar-lhe o sustento. Para aquelas viúvas que tem filhos ou netos, Paulo recomenda: “Mas, se alguma viúva tiver filhos ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus“(1Tm 5:4). Neste caso, os filhos deveriam, e devem, aprender a mostrar piedade em casa retribuindo à mãe(ou avó) tudo o que ela fez por eles. Este versículo ensina claramente que a piedade começa em casa. É um mau testemunho para a fé cristã, proclamar a religião e negligenciar as pessoas vinculadas a nós pelos laços de sangue. É “agradável” a Deus que os cristãos cuidem de seus entes sem sobrecarregar a Igreja. Em Efésios 6:2, Paulo ensina claramente: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa”. Como foi mencionado antes, uma verdadeira viúva é aquela sem recursos financeiros e que constantemente espera em Deus o pão de cada dia.

CONCLUSÃO

Aliviar as aflições da viuvez, isto é, daquelas pessoas dentro deste perfil social que realmente são carentes, é um testemunho de amor cristão. A nossa fé se manifesta em atos de bondade para com aqueles que não têm como retribuir. Muitas vezes podemos fazer muito com pouco. Está escrito: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado“(Tg 4:17). Neste contexto, fazer o bem significa levar Deus em consideração em todos os aspectos da vida e viver na dependência dele a cada momento. Se sabemos que devemos agir desse modo, mas não o fazemos, pecamos claramente. Portanto, a igreja local não pode, em hipótese alguma, desobedecer a Palavra de Deus desamparando quem de fato é viúva ou viúvo. Cito novamente a exortação de Tiago: “religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é essa: visitar […] as viúvas nas suas tribulações….”(Tg 1:27). Isso significa que o resultado prático do novo nascimento é, também, observado em “atos de bondade” .

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

ORQUESTRA FILARMÔNICA FILADÉLFIA ABRILHANTOU O CULTO DE MOCIDADE EM VIÇOSA.



O culto de mocidade  deste domingo(22), da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Viçosa Alagoas, foi presenteado com a glória de Deus.
   
  À convite do Pr. Donizete Inácio, líder da igreja nesta cidade, esteve abrilhantando o culto festivo, a Orquestra Filarmônica Filadélfia, que serve a Deus na cidade de Rio Largo –AL. A belíssima orquestra que tem como maestro o irmão Adiel, tem servido ao Senhor em todo Estado e Alagoas bem como em outros Estados do país no curso dos seus quinze anos de existência.

  Sob a regência do maestro Adiel, hinos sacros e inspirados pelo Espírito Santo, tocaram  os corações da igreja de Cristo.

    “A presença da orquestra nesta noite tem dois grandes objetivos , disse o pastor Donizete. Primeiro  único e exclusivo objetivo é para cultuarmos ao Senhor junto a mocidade local, enfatizou o líder. Em segundo lugar é para trazer incentivo aos 55 aprendizes que à 4 meses estão estudando música com o irmão Adiel, os quais farão parte da futura Orquestra Filarmônica Asafe da Assembleia de Deus em Viçosa. Creio em Deus que até o fim do ano estaremos inaugurando para a glória do nome de Jesus”, concluiu. Após a conclusão podemos ouvir o amém de aprovação da igreja.

   “ Estamos muito felizes e gratos ao Senhor pela presença da Orquestra nesta noite, declarou David Keneth, líder da mocidade. Foi uma noite de louvor e adoração a Deus, além de ter sido um momento de incentivo para os aprendizes da futura orquestra Asafe aqui em Viçosa. Que Deus possa continuar abençoando a juventude de Viçosa”, finalizou o jovem líder.         

AO SENHOR JESUS TRIBUTAMOS A HONRA, GLÓRIA, LOUVOR E ADORAÇÃO.




                              Fotos: Misael Oliveira
                               

terça-feira, 17 de julho de 2012

SUPERANDO OS TRAUMAS DA VIOLÊNCIA SOCIAL.


Texto Básico: Genesis 6:5-12
A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência(Gn 6:11)

INTRODUÇÃO
A violência é o grande mal da humanidade. É resultante de uma vida impiedosa e destituída da presença de Deus. Suas raízes são profundas e remontam ao berço da humanidade. Nasceu no seio da primeira família e nunca mais parou de se estender impiedosamente a todos os seres racionais, haja vista que “violência gera violência”. Seus traumas são dramáticos e difíceis de serem suportados. Em nossos desditosos dias, a violência surge como o sol, dificilmente escapamos de sua presença. Ela está abrigada pela impunidade, porque as autoridades perderam a sua força, a sua moral, pelo mau exemplo que a cada dia nos chega ao conhecimento pelos meios de comunicação. O homem bom se torna prisioneiro em sua própria habitação e o perverso anda lisonjeiramente como que a zombar do infortúnio dos honestos e humildes, caracterizando-se assim um claro e preocupante paradoxo humanitário. Todo esse quadro, gera no homem insuportável aflição, desassossego, insônia, apatia, desânimo, ao ponto de muitos perderem a vontade de viver. Nesse momento, surge uma grande e desesperadora interrogação: a quem recorrer? Quem pode se levantar em auxílio dos desesperados e aflitos? Olhando no plano horizontal, ou seja, buscando auxílio no homem, frustramo-nos e ficamos desolados. Até porque a Palavra de Deus nos afirma: “…vão é o socorro do homem“(Sl 60:11). Resta-nos a única fonte capaz de não somente nos livrar da desgraça da violência, mas também nos proporcionar alívio quando ela nos acometer. Essa Fonte é Jesus Cristo(Deus Conosco - Mt 1:23)) e o Espírito Santo(o Sumo Consolador da Igreja - João 16:7,13). Superar os traumas da violência é um desafio e um exercício de fé em Deus. Que Ele nos ajude!

I. A VIOLÊNCIA IMPERA SOBRE A TERRA.

A violência é uma das consequências da queda do homem. E é lógico que há um interesse das “potestades” em intensificar cada vez mais a violência, pois ela é contrária aos princípios bíblicos e desnecessária na resolução de qualquer problema.

1. Origem da Violência. A palavra “violência” na Bíblia é “Hamas“, que significa, “injustiça, ser violento com, tratar violentamente”. A palavra é usada frequentemente como ideia de violência pecaminosa. É também sinônimo de extrema impiedade. Em Gn 6:11 lemos: “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência”. Neste texto, a associação feita entre “corrupção” e “violência” é assustadora e demonstra que o estado do mundo determina seus aspectos vivenciais e também atrai a ira de Deus! A violência é fruto do pecado. Ela tem origem na queda do homem. Após a queda do homem no Éden, Caim, filho de Adão, matou Abel, seu próprio irmão. Lameque fez uma canção onde contou às suas duas mulheres os motivos pelos quais matou dois homens(Gn 4:23). Por causa do pecado, somos inclinados a resolver as coisas impondo nossa força, não raro, de forma brutal. Para que não façamos tal coisa, Deus permitiu aos homens criar leis que possam inibir a atitude violenta entre os próprios homens, de forma que o preço a ser pago por um ato violento seja reprimido de forma dura pela sociedade.

2. A multiplicação da violência. Nos dias que antecederam o dilúvio, a Terra encheu-se de violência, de forma que ficou insustentável a vida na Terra. O temor a Deus tinha quase desaparecido dos corações dos filhos dos homens. A libertinagem predominava, e quase todo o tipo de pecado era praticado. A maldade humana era aberta e ousada, e o lamento dos oprimidos alcançava os Céus. A justiça estava esmagada até o pó. Os fortes não somente usurpavam os direitos dos fracos, mas forçavam-nos a cometer atos de violência e crimes. A Bíblia diz: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a Terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a Terra de violência. E viu Deus a Terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a Terra. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a Terra está cheia de violência; e eis que os destruirei com a Terra“(Gn 6:5,11-13). No versículo 13, o Deus Criador ordena o fim de todas as coisas. O motivo: a multiplicação da violência. O resultado: “…os destruirei com a terra…“. Deus havia decidido acabar com tudo isso (o mal sobre a terra) e dar-lhe a retribuição por seus atos pecaminosos violentos: a morte eterna! Isso fica claro porque somente oito pessoas (Noé e sua família) são salvas da grande catástrofe que veio sobre a humanidade! O fato de a Terra estar cheia de violência não podia continuar sem controle. Deus tomou a decisão e estava pronto para agir. A punição tinha de ser drástica. O Gênero humano e a todas as demais vidas sobre a Terra seriam destruídos, no decorrer da duração do dilúvio. Antes do Juízo de Deus sobre os ímpios, Deus proveu a Salvação para os justos. Deus mandou que Noé fizesse uma Arca. Nela somente os justos poderiam adentrar e escapar do Juízo divino. Ninguém acreditou que isso iria acontecer, até que Deus tomou a decisão drástica de destruir os ímpios. A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade, a pornografia e a violência dominam a sociedade inteira(ver Mt 24:37-39; ver Rm 1:32). Não resta dúvida que Deus trará forte Juízo sobre todos aqueles que praticam a violência e a promove. A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem“(Mt 24:37).

3. A violência na sociedade atual. Na sociedade atual, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, conseqüentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre os homens, uma verdadeira “cultura da morte”. Na sociedade atual, multiplica-se o pecado e, com ele, multiplicam-se os problemas. Sem dar guarida a Deus e ao seu amor, a humanidade acaba correndo de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt 9:36), sem direção, sem qualquer orientação, o que faz com que surjam inúmeros problemas. Na sociedade atual está acontecendo um alto grau de ferocidade entre as pessoas. O próprio apóstolo Paulo, ao descrever os últimos dias, diz que seriam dias em que os homens seriam amantes de si mesmos, sem amor para com os bons (2Tm 3:2,3). Assim, são pessoas que só pensam em si próprios e cria condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível. Em virtude desta “ferocidade humana”, vivemos dias furiosos, ou seja, dias em que o individualismo, o egoísmo, a vileza com que o homem é tratado faz com que as pessoas se tornem desconfiadas, desacreditadas umas das outras, comportamento que prejudica todo e qualquer relacionamento. A consequência disto é a expansão do ódio, da raiva, da violência. As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados. Na sociedade atual, o homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos, objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias. Vivemos dias em que, mais do que nunca, como afirmava o filósofo inglês Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem” e toda a ferocidade humana é revelada ao seu próximo. Por isso, os homens são desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4). Todos já ouviram falar do Bullying. É um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. Este procedimento violento é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade. Outro ambiente no qual tem se intensificado a violência é o Campo Agrário. Grupos desejosos de reformas agrárias usam a violência para impor suas perspectivas políticas, entrando em fazendas, destruindo plantações e matando animais. Também, nas cidades, traficantes buscam espaço em comunidades menos assistidas, impondo seus desígnios com sangue de inimigos e trabalhadores. Em fim, na sociedade atual, a violência contempla todos níveis sociais e culturais, desafiando quem quer que seja, sem vislumbre de uma solução tangível. Somente o Evangelho de Cristo é o remédio eficaz para debelar a violência sobre a Terra. Como embaixadora do Evangelho da Paz, a Igreja deve postar-se como a voz profética de Deus contra todos os tipos de violência. Até que o Senhor Jesus retorne, faz parte da missão da Igreja fazer deste um mundo menos violento, pregando o Evangelho, praticando a justiça e amparando os menos favorecidos.

II. VIOLÊNCIA UM PROBLEMA DE TODOS

1. Quando o crente é perseguido. A instituição chamada Igreja Cristã tem dois capítulos distintos em sua história: (1) de crescimento glorioso, de avanço destemido e de penetração ousada; (2) de sofrimento, de martírio, de sangue derramado. Mas, a violência física contra os cristãos ao longo de sua história não arrefeceu o seu avanço na busca do engrandecimento do Reino de Cristo. Satanás, então, muda de tática: ele aciona os seus ardis e tenciona ferir o cristão na sua alma, caráter e emoção. As perseguições mais danosas são a psicológica e o assédio moral. Fieis servos de Deus tem sido afrontados com assédio moral no trabalho, na faculdade, no colégio, por causa de seu caráter diferenciado, da sua postura moral e espiritual. É válido lembrar que o reino dos céus é prometido aos crentes que sofrem por fazer o que é correto. Sua integridade condena o mundo que desagrada a Deus, e, em consequencia disso, vem a hostilidade. Os ímpios odeiam uma vida justa, pois ela expõe a injustiça deles(Mt 5:10). O Senhor Jesus sabia que seus seguidores seriam injuriados por se associarem e serem leais a Ele. A história confirma isso. Desde o início, o mundo tem perseguido, prendido e matado os seguidores de Jesus. É bom saber que os maiores profetas de Deus foram perseguidos(por exemplo:Elias, Jeremias e Daniel), e isto nos conforta. O fato de estarmos sendo perseguidos prova que temos sido fiéis. No futuro, Deus recompensará os que usaram de fidelidade, ao recebê-los em seu Reino eterno, onde não haverá mais perseguição(ler Mt 5:11,12).

2. A ação do bom samaritano(Lc 10:30-37). Certa feita, Jesus contou uma parábola em que um samaritano socorreu um homem que foi vítima de roubo e violência física. A vítima do roubo(quase com certeza um judeu) ficou semimorto no caminho para Jericó. O sacerdote judaico e o levita se recusaram a ajudá-lo. Foi um samaritano desprezado que o acudiu, que aplicou os primeiros socorros, que levou a vítima para uma hospedaria e tomou providencias para o seu cuidado. Para o samaritano, um judeu necessitado foi o seu próximo. Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. É bom lembrar que nosso próximo é qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus nesta parábola, e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição. Amparar e cuidar das pessoas vítimas da violência, seja qual for a modalidade, é um dever da Igreja e um ato de amor cristão.




3. A Igreja deve denunciar a violência através de ações. Os cristãos são o sal da terra. Dois dos valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. A violência é a supuração da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e, ao mesmo tempo, militar contra a violência e a corrupção na sociedade. O exercício do amor através de gestos práticos, bem como a pregação do Evangelho são pilares inexoráveis de sustentação da paz e da harmonia em uma sociedade. Oxalá se todos os princípios do Evangelho fossem respeitados e absorvidos, jamais haveria violência; teríamos um ambiente perfeito para se viver. Isso vai acontecer um dia, a saber, no Reino Milenar de Cristo. O serviço cristão envolve atos pelos quais demonstremos nosso amor ao próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor, vítima de algum tipo de violência, oferecendo-lhe conforto espiritual, moral e emocional. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho; e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (ler Rm 12:13-21).

CONCLUSÃO
Qualquer um de nós pode ser vítima da violência. Mesmo servindo um Deus soberano e bondoso, podemos perder nosso ente querido vítima das maiores barbáries praticadas por aqueles que não têm o amor de Cristo no coração. Os traumas são fortes e cruentos, quando isso acontece. Superá-los é um tremendo desafio e, imprescindivelmente, a vítima precisa de apoio dos que lhe são queridos e da igreja. A oração e a leitura da Palavra de Deus jamais devem ser prescindidos nestes momentos cruentos. Saiba que somente Deus pode nos ajudar a superar os traumas e nos dar equilíbrio em nossa jornada. Uma coisa é certa: a herança do violento é ser perseguido pelo mal. Está escrito: “…o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado” (Sl 140:11). Oremos, pois, como Davi: “Livra-me, ó Senhor, do homem mau; guarda-me do homem violento”(Sl 140:1). Clamemos, também, a Deus para que o nosso país, nossa cidade, nosso bairro, nosso lar, tenha paz e harmonia, e que os governantes cumpram o seu dever com ações preventivas contra a violência - “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade“(1Tm 2:1,2).

FONTE: EBDWEB

terça-feira, 10 de julho de 2012

A MORTE PARA O VERDADEIRO CRISTÃO




Texto Básico: 1Co 15:51-57
“Porque para mim o viver e Cristo, e o morrer é ganho”(Fp 1:21)
INTRODUÇÃO

A Morte é a situação mais difícil que o ser humano pode enfrentar. Ela é o terrível legado que herdamos dos nossos primeiros pais, que desobedeceram ao Criador no Éden (Gn 2:15-17; 3:19; Rm 5:12). É o pagamento indesejado que recebemos por ter pecado (Rm 6:23). É o fim para o qual caminhamos a passos largos (Ec 12:1-7). Mais do que isso, é o inimigo implacável que vem em nosso encalço para, no inevitável dia do encontro, nos deixar prostrados (Lc 12:20). É o último inimigo a ser aniquilado(1Co 15:26). Contudo, para o verdadeiro cristão, a Morte é “lucro”. Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Ele chegou a dizer: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp 1:21). Para ele, morrer é partir para estar com Cristoo que é incomparavelmente melhor(Fp 1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor: “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor“(2Co 5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor(2Co 5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso. Caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente. Aqueles que vivem sem essa garantia se desesperam na hora da morte. Na verdade, eles caminham para um lugar de trevas, e não para a cidade iluminada; caminham para um lugar de choro e ranger de dentes, e não para a festa das bodas do Cordeiro; caminham para o banimento eterno da presença de Deus, e não para o bendito lugar onde Deus armará seu “tabernáculo” para sempre conosco. O grande avivalista americano do século 19, Dwight L. Moody, na hora da morte, disse às pessoas que o cercavam: - Afasta-se a Terra, aproxima-se o Céu, estou entrando na glória. O médico e pastor galês, Martyn Lloyd-Jones, prolífico escritor, estadista do púlpito evangélico, depois de uma grande luta contra o câncer, disse para os seus familiares e paroquianos: - Por favor, não orem mais por minha cura, não me detenha da glória. Portanto, o verdadeiro cristão deve aprender a se comportar adequadamente diante da morte

I. O QUE É A MORTE
A Morte é, sem dúvida, um dos fatos que mais intrigam o ser humano. Registros de todas as comunidades humanas, em todas as épocas, mostram que o tema da morte é uma questão com a qual o ser humano sempre se depara, sem saber como dela cuidar. Esta perplexidade do ser humano diante deste tema é, aliás, mais uma demonstração de que a morte surge como um elemento intruso, inadequado e indevido na existência humana. A Bíblia mostra claramente que o homem não foi feito para morrer. O homem foi criado para ser imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26,27), um verdadeiro reflexo da divindade na criação e, por isso, a eternidade, que é um dos atributos divinos mais proeminentes (Gn 21:33; Dt 33:27), tinha de ser vista no ser humano, ainda que como uma eviternidade, ou seja, uma existência que tivesse princípio mas não tivesse fim. No entanto, a morte era uma possibilidade para o homem, pois o próprio Deus assim o quis, dizendo ao homem que a morte seria consequência da sua desobediência (Gn 2:17). O primeiro casal pecou e, como conseqüência do pecado, houve a inserção da morte na existência humana. Por isso, é dito que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23). Portanto, morte significa separação e, a partir do pecado, houve, de imediato, uma separação entre Deus e o homem. Esta separação deu-se logo naquele dia, quando o Senhor Se apresentou no jardim. A Bíblia diz-nos que o primeiro casal procurou fugir da presença de Deus (Gn 3:8), a demonstrar, pois, que não havia mais a comunhão entre Deus e o homem, que o pecado havia produzido a separação entre o Criador e a sua mais sublime criatura sobre a face da Terra (Is 59:2).
A MORTE deve ser vista sob três aspectos:

1. MORTE ESPIRITUAL. A morte espiritual é a separação entre Deus e o homem, é a ausência de comunhão entre Deus e o homem. É chamada de “morte espiritual” porque é o espírito humano que promove este elo de ligação entre Deus e o homem, daí porque se dizer que, quando o homem aceita a Cristo como seu Senhor e Salvador, há a vivificação do espírito (1Co 15:22), bem como que o homem, antes da salvação, está morto em seus delitos e pecados (Ef  2:1). Como consequência da morte espiritual, vemos que houve, também, uma morte moral do ser humano. Tendo sido descoberto por Deus na sua inútil tentativa de dEle se esconder, o homem é posto diante da presença do Senhor e vemos, então, não mais o ser que era a imagem e semelhança de Deus, cônscio de seus deveres e responsabilidades, cientes de seus direitos, mas alguém que não assume qualquer responsabilidade, que procura culpar o próximo, mesmo sendo a pessoa que tanto amava. Adão, diante do seu erro, tenta culpar sua mulher e esta, por sua vez, acusa a serpente.





2. MORTE FÍSICA. A Morte física foi a segunda espécie de morte que surgiu para o homem, morte esta que não escolhe idade nem tem uma causa certa ou predeterminada. Ainda que seja por causas várias, o fato é que ninguém escapa da morte física. Todos quantos nasceram sobre a Terra, morreram fisicamente, sejam ricos ou pobres, doutos ou indoutos, homens ou mulheres, fiéis ou infiéis. A morte física é inevitável, é o resultado de uma sentença dada por Deus a toda a humanidade, através do primeiro casal(Ec 9:5), algo que somente Cristo mudaria. Deus determinou que, por causa do pecado, passasse o ser humano a ter uma degeneração de seu corpo físico, até que ele se separasse do homem interior (alma e espírito), que é a morte física. O corpo, feito do pó da terra, teria de voltar a esta terra, voltar a ser pó, o que ocorreria no momento determinado por Deus, quando, então, ocorreria a separação entre o homem exterior e o homem interior.  Eis a sentença de Deus: “…maldita é a terra por causa de ti; […] No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás…” (Gn 3:17-19). É válido enfatizar que a morte física não estava projetada para o homem, não fazia parte do propósito divino, mas que é resultado do pecado, consequência do pecado. Assim, quando Deus apresentou o Seu plano da salvação, esta teria, necessariamente, de propiciar um mecanismo de erradicação da doença e da morte física. A salvação é o restabelecimento da comunhão entre Deus e o homem, o retorno à condição originalmente prevista para o ser humano, demonstrando, desta maneira, tanto a fidelidade divina, quanto a Sua misericórdia.
3. MORTE ETERNA. Mas, além da morte espiritual e da morte física, a Bíblia fala-nos da Morte eterna ou “segunda morte” (Ap 20:14), que é a separação eterna de Deus, resultado da condenação no julgamento final, quando, então, aqueles que resolveram viver longe da presença de Deus, que recusaram o Seu senhorio em suas vidas, serão lançados no lago de fogo e de enxofre para todo o sempre, onde sofrerão eternamente juntamente com Satanás, a Besta, o Falso Profeta e todos os anjos caídos. Está escrito: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”(Ap 20:15). A eterna separação de Deus é o destino eterno dos incrédulos. É o que a Bíblia considera de segunda morte (Ap 20:14). Esta separação é definitiva e não representa aniquilamento ou fim da existência, mas uma separação eterna e irreversível de Deus. O pior da condenação é nunca mais ver a Deus

II. A VIDA APÓS A MORTE
As pessoas que não acreditam na existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste, Jesus claramente ensinou que a existência não cessa com a morte (Mateus 22:31-32; Lucas 16:19-31). O problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da existência da pessoa (veja Tiago 2:26). Algumas igrejas, seguindo doutrinas de homens, negam a existência do Inferno, mas a Bíblia mostra que todos serão julgados e separados: os justos para a vida eterna; e os ímpios para o castigo eterno, separados de Deus para sempre (João 5:28-29; Mateus 25:41,46).
1.O que diz o Antigo Testamento. A idéia da imortalidade estava presente tanto na cultura grega quanto na cultura judaica. A morte é algo que vai contra o projeto original de Deus. E o homem, no recôndito de seu ser, não aceita a idéia da morte, de forma que não foi difícil a ele chegar à concepção de que a morte física não poderia ser o fim de tudo. No Antigo Testamento, a ideia de imortalidade estava presente entre os judeus. As Escrituras hebraicas contêm afirmações a respeito da imortalidade, da existência após a morte física, desde o seu primeiro escrito, que muitos entendem ter sido o livro de Jó, que teria sido escrito pelo próprio patriarca ou por Moisés, quando ainda estava entre os midianitas. Em Jó 19:25-27, o patriarca exclama que sabia que seu Redentor vivia e que por fim se levantaria sobre a Terra e que, depois de consumida a sua pele, ainda em sua carne veria a Deus. Por mais que se especule a respeito deste texto, por mais que se levantem questionamentos a respeito da passagem, não há como deixar de ver aqui uma noção de uma imortalidade, de uma existência depois da morte física (”depois de consumida minha pele”, diz o patriarca). Esta ideia das Escrituras hebraicas, que perpassará toda a revelação divina através do Antigo Testamento, sempre traz a ideia de uma nova existência após a morte física, mas com o mesmo corpo que foi consumido. “Ainda na minha carne, os meus próprios olhos, e não outros”, dizia o patriarca. Esta mesma crença, aliás, está presente em Marta, quando Jesus lhe indaga, em Betânia, se cria que seu irmão Lázaro haveria de ressuscitar (João 11:23,24).
2. O que diz o Novo Testamento. O Novo Testamento é bastante claro no que diz respeito à imortalidade da alma. Cito alguns textos que ativam a nossa percepção de que a alma sobrevive à morte (Lc 16:19-31; João 14:1-3; 2Co 5:8; Fp 1:23; 1Ts 4:16,17; Ap 6:9-11). Quando o apóstolo Paulo pensava em sua morte, ele afirmou: “…desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2Co 5:8). Ele também diz que seu desejo é “partir, e estar com Cristo…” (Fp 1.23). Jesus também disse ao ladrão que estava morrendo ao lado dele na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23:43). ObservaçãoO Paraíso ou “Seio de Abraão” (Lc 16:19;23:43) era um lugar intermediário de felicidade, em um dos lados do Hades (região dos mortos), onde antes as almas dos salvos aguardavam conscientes a ressurreição (Lc 16:26). Essa região do Hades existiu até o dia da ressurreição de Cristo, quando eles então ressuscitaram (Mt 27:52,53). O Hades tinha dois lados separados entre si por um abismo intransponível. O “Seio de Abraão” era separado do lugar de tormentos. Depois de Cristo, os crentes, quando morrem, vão direto para o Céu “estar com Cristo” (Fp 1:23; 2Co 5:8). Por outro lado, o lugar de tormentos do Hades ainda existe, e é aonde os não-salvos vão depois que morrem, para aguardar o Grande Trono Branco (Juízo Final), que acontecerá depois do Milênio, quando, então, irão de lá para o Inferno (lago de fogo e enxofre), juntamente com Satanás e seus anjos (Ap 20:5,11-15). Quando Jesus morreu, não foi ao Inferno, Ele foi ao Hades(Ef 4:9)), esteve no lado chamado “Seio de Abraão” e trouxe os salvos à ressurreição, e os levou ao Céu (Ef 4:9,10). Alguns segmentos cristãos, como, por exemplo, os adventistas do sétimo dia, acreditam que ao morrer o ser humano a sua alma fica num estado inconsciente, ou seja, ela apenas dorme, esperando a ressurreição do corpo. Dizem isso com base no texto bíblico de 1Tessalonicesses 4:13-15, quando Paulo se dirige aos cristãos Tessalonicenses, esclarecendo-lhes  acerca daqueles que morreram fisicamente - “não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem…”(1Ts 4:13). A expressão “dormiam” empregada por Paulo neste texto tem significado figurado, ou seja, não deve ser considerado do ponto-de-vista literal. Paulo utiliza-se da expressão “dormiam” precisamente para mostrar aos crentes de Tessalônica que a morte física para o crente era um estado de separação da comunidade - mas uma separação temporária, passageira -, assim como é a separação daquele que dorme dos seus familiares. Quando dormimos, separamo-nos daqueles com quem convivemos por um período de tempo, sem, no entanto, deixar de viver, sem que nem sequer deixemos de ter atividades psíquicas e mentais. Quando Paulo usa a expressão “dormiam”, em hipótese alguma estava dizendo que, quando uma pessoa morre, ela passa a ficar inconsciente, a ter um sono espiritual que somente terminará quando da volta de Cristo ou do julgamento final. Se Paulo estivesse dizendo isto, estaria contradizendo o próprio Jesus, que, ao relatar a história do rico e de Lázaro, mostra claramente que, após a morte, a pessoa mantém plenamente a sua consciência, sendo levada a um lugar(o Hades) onde aguardará ou a primeira ressurreição, ou a ressurreição do último dia (Ap 20:5,12 e 13). Outrossim, se Paulo estivesse dizendo que o ser humano, ao morrer, entra num estado de inconsciência, estaria contradizendo o próprio ministério de Jesus Cristo, que, ao se transfigurar, conversou e teve a companhia de Elias e de Moisés, tendo este último morrido fisicamente (Dt 34:5). Outrossim, se Paulo estivesse dizendo que o ser humano, ao morrer, entra num estado de inconsciência, estaria contradizendo o próprio Jesus Cristo que, quando indagado sobre a ressurreição, pelos saduceus, disse que Deus Se identificou a Moisés como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó porque era um Deus de vivos e não de mortos (Mc 12:27), acrescentando ainda que eles, saduceus, erravam muito por entenderem que a morte física era o fim de tudo. Vemos, portanto, que não há como se defender que a morte física é uma circunstância de inconsciência por parte do homem, até porque a morte física é tão somente a separação do corpo do homem interior, pois o que Deus sentenciou foi o retorno do pó à terra e o homem interior não veio do pó da terra, mas do fôlego de vida inserido no homem pelo próprio Deus (Gn 2:7). Também,  o texto de Lucas 16:19-31(”parábola” do rico e do Lázaro), refuta a doutrina do “sono da alma”, a doutrina de que a alma não é consciente entre a morte e a ressurreição. O certo é que quando Cristo ou Paulo dizia que um morto “dormia” estava usando uma metáfora, referindo-se ao sono do corpo, que irá ressuscitar e, portanto, quando morto, fica como se estivesse “dormindo”.

III. MORTE, O INÍCIO DA VIDA ETERNA A morte é, sem dúvida, um absurdo, porque não se encontra no plano original de Deus, mas ela não é o fim da existência,  muito pelo contrário, é apenas o início da eternidade.
1. Esperança, apesar do luto. Embora o salvo tenha grande esperança e alegria ao morrer, os demais que ficam não deixam de lamentar a partida dele. Sendo um ente querido, a dor é ainda maior, mesmo que essa pessoa não seja crente (o que, aliás, aumenta ainda mais a dor para o cristão, por saber que esta separação é definitiva). Quando Jacó faleceu, por exemplo, José lamentou profundamente a perda de seu pai. O que se deu com José ante a morte de seu pai é semelhante ao que acontece a todos os crentes, quando falece um seu ente querido(ver Gn 50:1). Mas, apesar do luto, há uma esperança. O apóstolo Paulo ao ensinar os cristãos de Tessalônica acerca da morte física não admitia que os crentes tessalonicenses a encarassem da mesma maneira que os demais que não tinham esperança, que não tinham a compreensão do significado da morte física para o salvo. Disse ele: “Não quero que sejais ignorantes acerca dos que já dormem para que não vos entristeçais como os demais, que não têm esperança” (1Ts 4:13). O apóstolo sabia que a tristeza era natural aos que ficavam vivos diante de uma morte. Não havia como deixar de sentir tristeza diante da separação de um irmão em Cristo, mormente numa igreja onde havia tanto amor fraternal como a de Tessalônica. Jamais se pode exigir de um crente que não sinta tristeza numa ocasião fúnebre, pois, além da tristeza própria de cada um, sentimos, em situações como esta, a tristeza de todos os que nos cercam, num ambiente que aumenta, ainda mais, a tristeza, tanto que Jesus, mesmo sabendo que ressuscitaria Lázaro, chorou diante do clima fúnebre quatro dias depois do sepultamento de Lázaro. Se Jesus chorou, quem somos nós para não nos entristecermos diante disto? Sentimos tristeza quando alguém querido se separa fisicamente de nós porque somos humanos e isto é perfeitamente natural, não residindo aí a diferença entre o crente e o ímpio. O apóstolo enfatiza que a tristeza do crente, embora natural e perfeitamente compreensível, não pode ter o mesmo sentido da tristeza do ímpio e é este sentido, este significado que faz a diferença entre uma e outra. “Não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança“. O crente fica triste quando alguém morre, mas não pode agir como os ímpios, que não têm esperança. A distinção entre a tristeza do crente e a tristeza do ímpio em ocasiões fúnebres está na esperança que tem o crente de que, além da morte física, existe uma eternidade de delícias com o Senhor, existe uma plenitude da vida eterna que já começamos a gozar aqui. O crente sabe que, com a morte física, há tão somente uma passagem para uma comunhão mais perfeita com o Senhor, é uma etapa a mais na caminhada rumo à glorificação, quando, então, no dia do arrebatamento da Igreja, tanto mortos quanto vivos, que agora são filhos de Deus, terão manifestado o que haverão de ser, pois, quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque assim como é O veremos (1João 3:2). Sabendo disso, temos conforto e consolo face à promessa de nos reunirmos, num corpo glorioso e transformado, com o Senhor naquele dia em que seremos glorificados. Portanto, quando estivermos diante de uma ocasião fúnebre de um servo do Senhor, não devemos nos desesperar, como é costumeiro ocorrer quando se trata da morte de ímpios ou da reação deles diante da morte de entes queridos, como estava acontecendo em Tessalônica, mas, pelo contrário, ainda que entristecidos, porque humanos somos, temos de nos consolar e nos confortar com a esperança que temos de que Jesus virá buscar a Sua igreja e que, vivos e mortos, serão reunidos nos ares e se encontrarão com o Senhor, para vivermos uma plenitude de comunhão com Ele. A morte física do crente, portanto, não é apenas um motivo de tristeza, mas uma fonte de esperança e de estímulo e incentivo em seguirmos ao Senhor até o fim com fidelidade e santidade.
2. A morte de Cristo e a certeza da vida eterna. A grande diferença entre a fé cristã e as demais crenças que o homem tem é o fato de que Deus provou a verdade do evangelho e do perdão dos pecados em Cristo Jesus por intermédio da morte e ressurreição de Jesus. O apóstolo Paulo disse que a fé cristã seria vã, seria vazia, não teria qualquer sentido se Cristo não tivesse ressuscitado(cf 1Co 15:14). O túmulo vazio é a principal e a irrefutável prova de que Cristo é a verdade, que Seu sacrifício foi aceito por Deus e tem poder para reconciliar a humanidade com o seu Criador. Jesus ressuscitou, ou seja, morreu mas reviveu, e reviveu num corpo glorioso, um corpo que não estava submetido às leis da natureza, tanto que ingressou em local onde as portas e janelas estavam fechadas no cenáculo em Jerusalém; desapareceu após abençoar o alimento em Emaús e subiu aos céus, desafiando a gravidade no monte das Oliveiras. A ressurreição de Cristo é a comprovação de que Deus irá, também, ressuscitar os crentes que tiverem morrido até o dia do arrebatamento da Igreja, pois Jesus prometeu que todos os Seus com Ele viveriam para sempre nas moradas celestiais que Ele haveria de preparar(cf João 14:1-3).
3. A morte: o desfrutar da vida eterna. A vida não consiste apenas do breve percurso entre o berço e a sepultura. Há uma dimensão transcendental na vida. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e temos uma alma imortal. Nossa vida não se milita apenas a este mundo. O sepulcro frio não é o nosso destino final. Nossa existência não se finda com a morte. O maior bandeirante do cristianismo, o apóstolo Paulo, disse que se a nossa esperança se limitar apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens(1Co 15:19). A crença de que somos apenas matéria, e de que tudo em nossa vida não passa de reações químicas, leva-nos ao desespero. A falsa compreensão de que não existe vida depois da morte, e de que a morte tem o poder de pôr fim à existência carimbada pelo sofrimento, tem levado muitos indivíduos  a saltar no abismo do suicídio em busca de um alívio ilusório. Na verdade, a morte não põe um ponto final na existência(Lc 16:22,23). Do outro lado da sepultura, há uma eternidade de gozo ou sofrimento, de bem-aventurança ou tormento. Depois da morte, há dois destinos eternos: Céu ou Inferno. Podemos descrer ou negar isso, mas não invalidar essa verdade.

CONCLUSÃO
“Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos“(Salmo 116:15). A Morte do justo é de grande valor para Deus. É a ocasião em que é libertado de todo o mal, e levado vitoriosamente desta vida ao Céu. Para os salvos, a Morte não é o fim da vida, mas um novo começo. Neste caso, ela não é um terror (1Co 15:55-57), mas um meio de transição para uma vida plena de felicidade eterna. Para o salvo, morrer é ser liberto das aflições deste mundo (2Co 4:17) e do corpo terreno, para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5:1-5). Em fim, para o crente a Morte é a entrada da Paz (Is 57:1,2) e na glória (Sl 73:24); é ser levado pelos anjos “para o seio de Abraão” (Lc 16:22); é ir ao “Paraíso” (Lc 23:43); é ir à casa de nosso Pai, onde há “muitas moradas” (João 14:2); é uma partida bem-aventurada para estar “com Cristo” (Fp 1:23); é ir “habitar com o Senhor” (2Co 5:8); é um dormir em Cristo (1Co 15:18; cf João 11:11; 1Ts 4:13); ” é ganho…ainda muito melhor” (Fp 1:121,23); é a ocasião de receber a “coroa da justiça” (ler 2Tm 4:8).

Fonte: ebdweb
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