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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

12ª lição do 3º trimestre de 2013: A RECIPROCIDADE DO AMOR CRISTÃO


Texto Básico: Fp 4:10-13

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4:13)



INTRODUÇÃO


Nesta Aula, trataremos acerca da generosidade da igreja em Filipos para com o apóstolo Paulo. Ela enviara os recursos que Paulo necessitava para suprir suas necessidades na prisão em Roma.Paulo regozija-se em Deus pela atitude amorosa dos irmãos para com a sua vida. O princípio da generosidade está fundamentado na ideia de doar e não de ter. Para que a generosidade seja manifesta exteriormente, o coração deve antes estar enriquecido de amor e compaixão sinceros para com aqueles que servem a Igreja. Dar de nós mesmos, e daquilo que temos, resulta em: suprimir as necessidades dos nossos irmãos obreiros que servem a igreja com abnegação e integridade; louvor e ações de graça a Deus(2Co 9:12); e amor recíproco da parte daqueles que recebem a ajuda(2Co 9:14). "Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; [...] Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12:30,31). Estes mandamentos eram o estrado da prática cristã na Igreja do primeiro século. E precisa ser, também, da igreja hodierna; caso contrário, ela perderá, indubitavelmente, a sua identidade como igreja local de Cristo.

I. AS OFERTAS DOS FILIPENSES COMO PROVIDÊNCIA DIVINA


1. Paulo agradece aos filipenses. Em Fp 4:10-19, Paulo expressa, com ênfase, sua gratidão pela oferta que Epafrodito lhe trouxera da igreja de Filipos. Paulo se regozija uma vez mais (Fp 4:10), pois, passado algum tempo, os filipenses lhe haviam enviado outra oferta para a obra do Senhor. Ele não os culpa pelo tempo em que nada recebeu; antes, lhes dá crédito pelo fato de que desejavam ajudá-lo, mas faltava oportunidade. Neste tributo de gratidão, Paulo dá um belo testemunho de sua relação com a igreja filipense na realização da obra missionária. Paulo nunca pediu a qualquer das igrejas que o sustentassem, contudo, os crentes de Filipos tinham desejado sinceramente ofertar, de forma que Paulo aceitou, porque eles o fizeram voluntariamente e porque ele estava atravessando um momento de necessidade.

2. Reciprocidade entre o apóstolo e a igreja. O amor mútuo e profundo dos irmãos filipenses pelo apóstolo Paulo era forjado nas raias do sofrimento. O apóstolo tinha decidido há muito deixar o conforto do farisaísmo para padecer por Cristo. Ele bem sabia o que isto representava. Por isso, Paulo tinha outro olhar quando recebia a oferta de amor dos da igreja de Filipos: não para o dinheiro, mas para motivação amorosa que se escondia por detrás daquele ato genuinamente cristão da igreja de Cristo em Filipos. Este ato amoroso era o motivo da sua grande alegria; não era o valor da oferta recebida, mas aquilo que ela representava, pois essa não era uma oferta negociada pelas regras comerciais e de mercado, mas gerada pelo amor recíproco da comunidade de Filipos para com seu pai na fé. Paulo compreendia que, através da demonstração de amor dos seus filhos na fé, o próprio Cristo o fortalecera no amor partilhado pelos seus irmãos. Paulo vivia uma vida de grande contentamento em Deus, pois no amor recíproco ele sente-se recompensado por Deus em tudo. O contentamento de Paulo o faz jamais elevar a sua voz para murmurar das circunstâncias que lhe rodeavam. Ele compreende e aceita a vocação de padecer por amor ao Evangelho.

3. A igreja deve cuidar dos seus obreiros. Em 1Co 9:11-18, Paulo escreveu que ele não aceitava ofertas da igreja coríntia porque ele não queria ser acusado de pregar somente para ganhar dinheiro. Mas Paulo ensinou que era uma responsabilidade da igreja sustentar os ministros de Deus, os missionários e os pastores que exercem com dedicação plena a liderança do rebanho de Deus – “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho (1Co 9:13,14).

Não há qualquer fundamento para que se diga, como alguns, na atualidade, que não há qualquer necessidade de uma contribuição financeira na Igreja. O texto bíblico mostra, claramente, que devemos contribuir para a manutenção e sustento da obra de Deus e que esta obra envolve despesas e a necessidade de sustento daqueles que se dedicam integralmente a ela. Acredito que a maior atitude de amor que uma igreja demonstra é aplicar recursos na obra do Senhor, sustentando com dignidade os obreiros que dedicam com amor a obra do Senhor.

Em nossos dias, dias de “amor ao dinheiro” (1Tm 6:10), vemos dois fenômenos totalmente inadmissíveis para o povo de Deus:

- Primeiro, a “mercantilização da fé”. Muitos, aproveitando-se dos mandamentos bíblicos referentes à contribuição financeira, estão a tornar as igrejas locais em verdadeiras “empresas religiosas”, onde há uma sede de arrecadação que tem em vista tão somente a formação de impérios empresariais travestidos de organizações ou empreendimentos eclesiásticos e a nutrição de uma vida nababesca de poucos, que não estão nem um pouco preocupados com a obra de Deus, que se fazem cercar de um sem-número de “parasitas”, aproveitadores das “migalhas” que caem das mesas desses “mercenários”.

- Segundo, o “consumismo desenfreado”. Este fenômeno, característico do pós-modernismo,tem tomado conta dos corações de muitos crentes que direcionam os seus recursos para a satisfação de seus desejos e prazeres incontidos, com o desvio dos recursos que deveriam ser destinados à obra de Deus, e que servem apenas para a satisfação dos interesses materiais e mundanos dos que cristãos se dizem ser, e que fazem com que muito do que poderia ser utilizado na obra de Deus seja destinado para “mercenários” e para pessoas totalmente descompromissadas com o Evangelho.

Quando há compromisso com a Palavra de Deus, também comprometemos o nosso patrimônio com as “coisas de cima”, com aquilo que contribuirá para a salvação das almas e a glorificação do nome do Senhor. Pensemos nisto!

II. O CONTENTAMENTO EM CRISTO EM QUALQUER SITUAÇÃO


1. O contentamento de Paulo. “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho” (Fp 4:11). Embora estivesse muito satisfeito com a generosidade dos filipenses, Paulo esclareceu que tinha aprendido um importante segredo para a vida cristã: que ele poderia se contentar com o que tinha, fosse muito ou pouco. Paulo explicou que a sua suficiência estava somente em Cristo, que provê a força para que enfrentemos todas as circunstâncias.

É importante que os crentes percebam que o “contentamento” bíblico não significa uma acomodação em relação aos desafios da vida, nem tampouco um desinteresse por melhorar o crescimento profissional, educacional, etc. Trata-se de um estado de alma, que possuímos em Cristo tudo quanto nos é necessário para nossa alegria, paz e comunhão com Deus e os homens.

Para Paulo, o contentamento que experimentava na riqueza e pobreza, na fartura ou miséria, eram reflexos de uma mesma realidade vivida na presença de Deus. A certeza de que Deus estava nele, que havia concedido a ele o seu Reino, transcendia suas experiências pessoais e as colocava num universo eterno. Penso que foi isso que Jesus experimentou. Sua vida não foi sempre um arranjo de fatos agradáveis. Experimentou o abandono, angústia, tristeza, traição, alegria e exultação, e todas essas experiências fizeram parte do Reino que havia sido entregue.

O contentamento não será encontrado na próxima curva, na visita ao shopping center, no novo emprego ou nas coisas simples e rotineiras, mas nas experiências que a graça de Deus nos concede dia a dia. Contentamento não significa não passar pelos vales sombrios da morte, mas gozar a plenitude do Reino, do amor, da justiça e da paz.

Para ter o verdadeiro contentamento, lembre-se de que tudo pertence a Deus e que aquilo que temos nos foi dado por Ele. Sejamos agradecidos pelo que temos, não cobiçando o que os outros possuem. Peçamos sabedoria para usarmos sabiamente o que temos. Oremos pedindo ao Senhor a graça necessária para abandonarmos o desejo exasperado pelo que não temos. Confiemos que Deus suprirá as nossas necessidades.

Muitas pessoas que se dizem cristãs têm sido fiéis e leais ao Senhor Jesus enquanto as condições permitem, isto é, enquanto tudo está bem, quando os ventos são favoráveis, quando não falta dinheiro, quando a família está com saúde. Porém, vindo as aflições, perseguições, carência de dinheiro, etc., deixam de olhar para o Autor e Consumador da fé (Hb 12:2), e começam a murmurar e a questionar a Deus pela situação que está atravessando. Daí começa o descontentamento, a tristeza, e em seguida partem para a infidelidade, que é um sinal de desconfiança e incerteza. É fácil ser fiel quando tudo vai bem. Quando as coisas vão mal, a fidelidade é um “sacrifício”. O que o Espírito Santo deposita dentro de nós através da fidelidade atravessa qualquer barreira, transpondo todos os obstáculos contrários à fé. E Deus sempre está provando a nossa fidelidade para com Ele. Devemos estar cônscios de que os desertos não são apenas os momentos difíceis por que passamos aqui, não! Os “desertos” são a trajetória de nossa jornada rumo ao Céu. Pense nisso!

2. “Sei estar abatido” (Fp 4:12). Paulo sabia “estar abatido” ou “humilhado” (ARA), isto é, quando não tinha suprimento para as necessidades básicas da vida, e também sabia “ser honrado”, ou seja, quando recebia mais do que necessitava. “Em todas as circunstâncias”, já tinha experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Como Paulo aprendeu tal lição? Simplesmente porque tinha a certeza de estar na vontade de Deus onde quer que estivesse, fossem quais fossem as circunstâncias. Sabia que estava ali pela vontade de Deus. Assim, se passasse fome, era porque Deus queria que ele passasse fome. Se estivesse fartura,era porque Deus planejou que fosse assim. Estando ocupado fielmente no serviço do Rei, ele podia dizer: “Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Portanto, quer Paulo tivesse muito ou pouco, ele era capaz de manter a vida em equilíbrio por causa do contentamento. Que lição importante para todos os crentes, das igrejas locais de hoje, aprenderem!

III. A PRINCIPAL FONTE DE CONTENTAMENTO (Fp 4:13)

“Tudo posso naquele que me fortalece” (ARA) ou “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”(ARC)A declaração de Paulo aqui não é uma declaração de pensamento positivo. O que Paulo está dizendo é que foi capacitado por Deus para passar por qualquer situação, fosse de abundância ou escassez, de humilhação ou honra, de fartura ou fome. Certamente, o obreiro de Deus precisa estar pronto para tudo isso e não apenas alegrando-se com as riquezas ou abundância.

1. Cristo é quem fortalece. “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Esta expressão, obviamente, não significa todas as coisas no sentido pleno; Paulo não se tornara onipotente. Paulo não pode tudo; ele pode todas as coisas dentro da vontade de Deus. Ele pode todas as coisas em Cristo, e não à parte de Cristo. A razão da “fortaleza” do apóstolo Paulo não é a sua experiência, a sua força, o seu conhecimento, a sua influência ou os seus ricos dons e talentos, mas Cristo. Ele tudo pode porque o Todo-Poderoso Filho de Deus é quem o fortalece. Ele é como uma máquina ligada na fonte de energia, a força do seu trabalho vem não dele mesmo, mas do poder que vem de Cristo. É Cristo quem fortalece.

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece”.  Este versículo pode ser dividido em duas partes:

- Primeira parte: “Posso todas as coisas”. Parar aí e tirar as palavras de seu próprio contexto poderia sugerir a ideia de autoconfiança e presunção. É o tipo de mensagem que frequentemente ouvimos de oradores motivacionais, aqueles que são pagos para animar auditório, entreter o povo: “Você pode fazer tudo o que quiser se colocar a sua mente nisto”. Mas isto não é o que o versículo diz.

- A segunda parte: “naquele que me fortalece”. Esta parte revela a fonte da nossa força:Cristo. Deus quer que realizemos muito para Ele neste mundo, mas somente através de Cristo. Em vez de confiarmos em nossa própria força e habilidades, devemos confiar em Cristo e em seu poder. Pense nisso!

As palavras confiantes de Paulo podem ser pronunciadas por todos os cristãos. O poder que recebemos quando estamos em união com Cristo é suficiente para que tenhamos condições de fazer a sua vontade e enfrentemos os desafios que surgem do nosso compromisso de fazê-la.

2. Cristo é a razão do contentamento. O contentamento de Paulo não veio de uma auto-disciplina estóica. Antes, ele veio de Cristo. Este é a razão do contentamento. No contexto, a frase “todas as coisas” (ARA) refere-se à lista contida em Fp 4:11,12. Em cada circunstância possível, Paulo podia estar verdadeiramente contente, porque ele não deixava que as circunstâncias adversas determinassem a sua atitude. Cristo o estava fortalecendo, para que o apóstolo pudesse dar continuidade ao seu ministério e à obra de anunciar o Evangelho, quer ele tivesse abundância ou padecesse necessidades. Paulo tinha a completa confiança de que, a despeito das circunstâncias, Cristo lhe daria a força necessária para vencer qualquer adversidade.

3. O cumprimento da missão como fonte de contentamento. Para Paulo, o cumprimento da missão que Jesus lhe tinha investido era fonte de seu contentamento. Pregar o Evangelho em toda parte era o seu objetivo precípuo; nenhuma dificuldade financeira, política ou social roubaria a sua visão missionária, o impediria de ganhar almas para o Reino de Deus – “Mas em nada tenho aminha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20:24). Paulo era um obreiro destemido e determinado, não se angustiava pela privação material e social, porque tinha plena confiança no provimento divino. A alegria do Senhor era a sua força (Ne 8:10).

CONCLUSÃO


Diante do que foi exposto aqui nesta Aula, avigora-nos dizer que a obra missionária é um trabalho que exige um esforço conjunto da igreja e dos missionários. A cooperação é o melhor caminho para a realização da obra missionária. Paulo não poderia levar a cabo tudo o que fez sem o apoio e a ajuda da igreja filipense. Essa igreja deu-lhe suporte financeiro e sustentação espiritual. Aqueles que estão na linha de frente precisam ser encorajados pelos que ficam na retaguarda: "... porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais" (1Sm 30:24). Deus chama uns para irem ao campo missionário e aos demais para sustentar aqueles que vão. A sua igreja é uma igreja missionária qual a de Filipos? Caso não seja, infelizmente, ela perdeu a sua identidade original. Pense nisso!

Fonte: ebdweb

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