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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

9ª Lição do 4º trimestre de 2013: O TEMPO PARA TODAS AS COISAS


Texto Básico: Eclesiastes 3:1-8

 
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do Céu” (Ec 3:1)

 



INTRODUÇÃO

A partir desta Aula estudaremos Lições para a nossa edificação espiritual e moral com base no Livro de Eclesiastes. O termo “Eclesiastes” vem da Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento), derivado de ekklesia, traduzido no Novo Testamento por “igreja”, “assembleia”.

O Livro de Eclesiastes foi incluído na Bíblia, pela inspiração do Espírito Santo, para mostrar que a busca da felicidade é vã, enquanto o homem estiver separado de Deus. Salomão foi colocado, como prova desta verdade bíblica - ele tinha tudo, do ponto de vista material, para ser o homem mais feliz da terra - porém, através do Livro de Eclesiastes ficamos sabendo que ele era, na verdade, o mais miserável e infeliz dentre os homens, de seu tempo. Sem Deus, nada, absolutamente nada, poderá preencher o vazio existente no coração do homem. A mensagem de Eclesiastes não é para que ignoremos a vida, mas que busquemos estratégias para viver melhor.

I. ECLESIASTES, O LIVRO E A MENSAGEM

1. Datação do livro. Alguns eruditos modernos têm argumentado que o gênero filosófico do livro e suas muitas palavras distintas apontam para uma data pós-exílica. Entretanto, os argumentos linguísticos têm sido todos satisfatoriamente respondidos por eruditos conservadores, e uma data preexílica é totalmente justificada. É provável que o livro tenha sido composto próximo ao final do reinado de Salomão, talvez em sua última década (940-930 a.C.).(1)

2. Conhecendo o Pregador. “Palavras do pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém” (1:1). Há um consenso de que Salomão foi o autor deste Livro. Eclesiastes seria o Livro das experiências de Salomão. Estas experiências teriam sido vividas no tempo em que Salomão esteve fora dos caminhos do Senhor. Salomão tinha começado bem - “E Salomão, filho de Davi, se esforçou no seu reino, e o Senhor seu Deus era com ele, e o magnificou grandemente (2Cr 1:1). Porém, ele não deu ouvido à Palavra de Deus, que ao estabelecer mandamentos para os reis, em relação às mulheres, determinara - “Tão pouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie...” (Dt 17:17). Mas, Salomão multiplicou - “E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas... e suas mulheres lhe perverteram o seu coração... e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus” (1Reis 11:1-13). Influenciado pelas suas mulheres, Salomão entregou-se, também, à idolatria - “um abismo chama outro abismo...” (Salmo 42: 7) - “Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel...” (1Reis 11: 9). Não se sabe por quanto tempo Salomão esteve “desviado”, porém, acredita-se ter voltado para o Senhor, já no final de sua vida, quando então teria escrito o Livro de Eclesiastes, relatando suas experiências. Após relatar suas desastrosas experiências vividas longe de Deus, Salomão conclui: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo o homem” (Ec 12:13).

Nem mesmo a enorme sabedoria que era peculiar a Salomão o livrou da insensatez, quando desprezou o bom senso em benefício da satisfação própria (1Rs 11:1-12; Dt 17:14-20). Depois de muito tropeçar, caiu em si e se empenhou em mostrar aos seus contemporâneos, e a nós, que a vida não tem nada a oferecer de permanente e bom a não ser que façamos de Deus o propósito dela.

Salomão nos mostra que a busca da realização mediante o esforço próprio gera mais desilusão do que satisfação. Cedo ou tarde percebe-se que tudo não passa de total futilidade ou “vaidade de vaidades”. A palavra “vaidade” tem como significado básico “fôlego” ou “vapor”. Denota “ausência de substância”. É o mesmo termo usado por Jó para dizer que “a vida é como um sopro” (Jó 7:7-9). Assim, se o prazer da vida está naquilo que se realiza, que se vê ou que se experimenta, a nossa existência perde o sentido, pois tudo é passageiro e logo se evapora.


II. DISCERNINDO OS TEMPOS

1. A transitoriedade da vida. “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece” (Ec 1:4). O livro de Eclesiastes é lido na Festa dos Tabernáculos, precisamente porque nos fala da transitoriedade da vida humana, que é um dos aspectos ressaltados nesta festa, que lembra aos israelitas que eles foram peregrinos na terra do Egito e, num sentido mais profundo, que são peregrinos neste mundo.

Tiago foi enfático com relação a esse tema: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tg 4:14). Sendo a vida tão curta, “que vantagem tem o homem de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?” (Ec 1:3). Este era o dilema que Salomão procurava responder. O ser humano se desgasta como um moinho que gira continuamente e não chega a lugar nenhum. Se perguntar às pessoas por que trabalham tanto, provavelmente responderão: “para ganhar dinheiro, é claro!”. Mas ganhar dinheiro para quê? Para comprar alimentos. E por que comer? Para ter forças. E ter forças para quê? “Para trabalhar e ganhar dinheiro”. E assim o círculo se fecha infinitamenteO homem vive em desespero silencioso.

Ao ver uma mulher chorar em um ponto de ônibus, um cristão perguntou se poderia ajudar, e ela respondeu: “estou tão cansada e enfastiada. Meu marido trabalha muito, mas não ganha tanto quanto eu gostaria. Por isso, arranjei um emprego para mim. Levanto cedo todo dia, preparo o café da manhã para as crianças e depois pego o ônibus para o trabalho. Mais tarde, volto para casa cansada, durmo algumas horas e recomeço tudo outra vez no dia seguinte. Estou cheia dessa rotina interminável”.

Jesus promete vida abundante e permanente. Disse Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). Em que consiste essa abundância? Muitos cristãos interpretam como sendo 'qualidade de vida' econômica e social. Porém, esquecem que o reino de Deus não é comida nem bebida - “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Se a “vida abundante” refere-se às questões de ordem econômica e social, jamais Cristo alertaria para que os seus ouvintes não se inquietassem pelo dia de amanha - "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?" (Mt 6:31) -, pois a vida do ser humano não consiste nas riquezas - "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12:15).

Por certo, essa “vida abundante” que Jesus promete não se refere às condições existenciais do homem, pois todos têm uma expectativa de viver até os setenta anos, sendo que o que disso passar é canseira e enfado. Além disto, o homem comerá do suor do seu rosto, o que implica em enfado e cansaço - "Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando" (Sl 90:10).

Certamente, a “vida abundante” que Jesus prometeu refere-se ao que o reino de Deus proporciona: “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17), pois em tudo os cristãos foram enriquecidos: “... em toda a palavra e em todo o conhecimento” (1Co 1:5); “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo” (Cl 2:2). O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos são abençoados com todas as bênçãos espirituais - “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). E o salmista diz que nada tem falta os que O temem - "Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem" (Sl 34:9).

Com absoluta certeza, a “vida abundante” que Jesus prometeu é a vida eterna, ela sim é abundante – “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”(1João 2:25).

2. A eternidade de Deus. “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim” (Ec 3:11). Deus pôs a eternidade na mente do ser humano. Embora vivam em um universo preso ao tempo, as pessoas têm intuições a respeito da eternidade. Quando pensamos em eternidade, institivamente entendemos como algo que dura para sempre e, conquanto não possamos entender completamente esse conceito, percebemos que, além desta vida, existe a possibilidade de viver sem se preocupar com a passagem do tempo.

O conceito de eternidade é necessário para dar significado ao sentido da vida. Por quê? Porque o Deus que nos criou é conhecido como “O Eterno”. E qualquer princípio de doutrina cristã que negligencie a ideia de eternidade descaracteriza a essência do que expõe.

Somos obrigados a acreditar que Deus não nos criou para sermos joguetes num mundo passageiro. Não somos existencialistas. A vida não termina com a morte. O fim da circulação sanguínea e a ausência total de respiração não decretam o fim de tudo. A eternidade de Deus nos convence de que a fé em Jesus Cristo, que é o Pai da Eternidade (Is 9:6), é uma realidade que não podemos ignorar. A vida eterna, que é uma qualidade e não somente uma quantidade de vida, foi o que Jesus mais prometeu durante Seu ministério terreno. Crer em Jesus significa ter a vida eterna (João 3:36; 17:3).


III. O TEMPO E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

1. Na família. Na vida fugaz, Salomão tem uma palavra para as relações interpessoais no convívio familiar: “Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeçaGoza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade; os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol” (Ec 9:7-9). Aqui, Salomão recomendou que todos desfrutem a vida como um dom de Deus. Ele pode ter criticado os que buscam acumular riquezas, principalmente aqueles que se embaraçam em competição insana. É como se Salomão perguntasse: “Afinal, qual é a sua verdadeira riqueza?”. Pelo fato de o futuro ser tão incerto, devemos desfrutar as dádivas de Deus enquanto podemos! Tanto quanto possível, as alegrias do relacionamento familiar devem ser aproveitadas em sua plenitude. Se a vida é vazia de significado, o melhor é tirar o máximo proveito. Logo, desfrute cada dia, pois isso é tudo o que receberá como recompensa por seu trabalho e por suas fadigas.

2. No trabalho.  Trabalho não é maldição, mesmo que tenha se tornado mais penoso devido à queda (Gn 3:17-19). Antes do pecado, Deus já havia abençoado o homem com um ofício digno (Gn 2:15). E, já que Deus ordenou que labutássemos seis dias e O adorássemos no sétimo, podemos concluir que o ato de trabalhar se harmoniza com o ato de adorar (Ex 20:9,10). Por outro lado, é bom lembrarmos que o homem nada poderá levar do seu trabalho após a morte – “Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão” (Ec 5:15).

IV. ADMINISTRANDO BEM O TEMPO

1. Evitando a falsa sabedoria e o hedonismo. Salomão buscou resposta para seu dilema por meio da razão e do conhecimento. Dedicou-se aos estudos, ao conhecimento intelectual (Ec 12:12). Estudou biologia e botânica, e escreveu cerca de três mil provérbios (1Rs 4:29-34). Depois de tanto estudar, descobriu que todos os conhecimentos não bastam, quando não há temor e obediência a Deus (Ec 12:13). Quanto mais sabemos, mais nos conscientizamos da continuidade de nossos erros; quanto mais se sabe, mais se sofre (Ec 1:17,18).

Outro fator que se deve considerar é que a busca por prazer, por si só, configura uma prática hedonista e contrária a Deus (Ec 2:1-3). Salomão tinha a seu dispor tudo o que alguém possa desejar e imaginar como garantia de felicidade e sucesso. Será verdade que os fins justificam os meios? Foi por pensar assim que o mais sábio caiu na maior estultícia (Ec 2:3,8; cf. 1Rs 11:1-8).

- Salomão entendeu que a melhor coisa que existe é festejar. Investiu boa parte do tempo e patrimônio correndo atrás de prazeres carnais, até descobrir quão passageiro são e quanta ilusão e insatisfação trazem ao coração.

- Abusando ainda de sua autoridade, Salomão conquistou muitas mulheres, casou-se 700 vezes e teve 300 amantes (1Rs 11:1-8). Toda essa ostentação e hedonismo, além de não lhe trazerem o prazer desejado, ainda o conduziram aos caminhos da tolice, deteriorando seu relacionamento com Deus.

- “Vaidade de vaidades! Diz o pregador, vaidades de vaidade! É tudo vaidade” (Ec 1:2). Esta foi uma das conclusões de Salomão: que uma vida baseada em coisas terrenas, na busca de prazeres passageiros, será uma vida vazia, infeliz. Ele tinha tudo o que um homem natural gostaria de ter: era jovem, era rico, era rei. Porém, quando lhe faltou a presença de Deus, então ele sentiu um imenso vazio no seu coração. Procurou preencher esse vazio com “as coisas terrenas” e experimentou uma profunda frustração, por isso declarou: “tudo é vaidade”.

Não há pecado em querer se divertir, pois necessitamos tanto do prazer, da diversão e do riso, quanto do conhecimento, mas tanto um como o outro devem ser dirigidos pelos limites da Palavra de Deus.

2. Evitando a falsa prosperidade e o ativismo. Em Eclesiastes 2:4-11, Salomão descontrói a ilusão daqueles que buscam, nos bens materiais, a razão fundamental para a vida. Disse ele:

4. Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.

5. Fiz para mim hortas e jardins e plantei neles árvores de toda espécie de fruto.

6. Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.

7. Adquiri servos e servas e tive servos nascidos em casa; também tive grande possessão de vacas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim, em Jerusalém.

8. Amontoei também para mim prata, e ouro, e joias de reis e das províncias; provi-me de cantores, e de cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, e de instrumentos de música de toda sorte.

9. E engrandeci-me e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim, em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.

10. E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhos neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.

11. E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol.

A falsa prosperidade leva o homem a correr desenfreadamente para acumular riquezas, alcançar elevadas posições na sociedade e obter notoriedade e fama. Muitos, quando não estão debruçados nos estudos nem entregues aos prazeres, quase sempre estão mergulhados no trabalho, empenhando-se para alcançar o sucesso. Salomão, também, agiu dessa maneira. Por isso, pensou: “Quem sabe se eu me dedicar mais ao trabalho, encontrarei razão para viver!”.

Salomão (2):

- Dedicou-se a construir mansões, palácios, pomares, açudes... e até mesmo um luxuoso Templo dedicado ao Senhor, mas seu coração continuou vazio.

- Pensou que criar emprego traria sentido à sua existência, tornando-se um grande empresário. Chegou a administrar cento e cinquenta e três mil e seiscentos trabalhadores (2Cr 2:1,2), mas ainda assim parecia estar correndo atrás do vento.

- Achou que o acúmulo de riquezas lhe traria felicidade, entesourando prata, ouro, objetos de arte, imóveis e tudo mais que o dinheiro e o poder podem comprar, mas sua alma continuou insatisfeita.

Depois de muito trabalhar, chegou à conclusão de que todo aquele empreendedorismo e acúmulo de riquezas eram destituídos de sentido e de valor permanente. Disse ele: “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e que proveito nenhum havia debaixo do sol” (Ec 2:11).

Quais caminhos você tem percorrido? Porventura tens corrido atrás do vento? Como Salomão, entenda que todo esforço só faz sentido quando Deus está participando do processo. Pense nisso!

CONCLUSÃO

As pessoas verdadeiramente sábias sabem que todo o seu “tempo” está nas mãos de Deus (Sl 31:15) e que há um tempo apropriado para cada atividade humana. A vida só faz sentido quando Deus faz parte dela (Ec 2:24,25). Toda luta e todo esforço valem a pena quando colocamos Deus em primeiro lugar. Todavia, somos cônscios de que a vida é muito curta. Por isso, “devemos saber usar bem o nosso tempo, seja buscando o conhecimento, seja desfrutando da companhia de nossos familiares e, principalmente, servindo ao Senhor”.

Fonte: wbdweb

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