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segunda-feira, 27 de maio de 2013

9ª LIÇÃO DO 2º TRIMESTRE DE 2013: A FAMÍLA E A SEXUALIDADE




INTRODUÇÃO

A Bíblia Sagrada afirma que o sexo foi obra da criação de Deus que, ao criar o homem, fê-lo sexuado. Diz a Palavra que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, mas os criou “macho e fêmea”(Gn 1:27). Este ponto distingue o homem dos anjos, por exemplo, que foram criados assexuados(Mc 12:25). Sendo assim, não podemos admitir que o sexo seja algo antinatural, ou seja, contrário à natureza do homem ou seja algo ruim, imoral ou danoso para o ser humano, como alguns têm defendido. Tendo sido criação de Deus, nada mais justo e lógico que o próprio Deus tenha determinado os limites desta atividade humana. A primeira observação que temos com relação ao sexo é que ele deve ser realizado entre homem e mulher. Com efeito, ao criar o homem, Deus os fez macho e fêmea. Assim, a atividade sexual deve ser, sempre, feita entre pessoas de sexos diferentes. O homossexualismo é uma aberração e, salvo os poucos casos em que há distúrbios de saúde física e/ou mental, é uma expressão de rebeldia contra Deus(Rm 1:21-28Lv 18:22).


I. QUESTÕES SOBRE A SEXUALIDADE

1. Um mundo dominado pelo erotismo. Decepcionado na sua busca da felicidade, o homem troca a felicidade inatingível pelo prazer, ou seja, pela pura sensação momentânea de bem-estar. Por isso, as atividades que geram sensações e emoções são tão procuradas nos dias de hoje, a começar do prazer sexual instintivo. Os seres humanos comportam-se, na atualidade, como verdadeiros animais irracionais, buscando parceiros para sentir momentos efêmeros de prazer na prática de relações sexuais. A beleza do sexo, em seu propósito divino, dentro do relacionamento conjugal (Hb 13:4) fora banalizada pela corrupção humana. Associado ao dinheiro, o sexo se transformou em um objeto de consumo, através do erotismo, nas revistas e propagandas para vender mercadorias, da pornografia e da prostituição (Rm 1:21-27). Os seres humanos, tomados por esse tipo de sexualidade, não se relacionam mais entre pessoas, apenas com órgãos sexuais. A Palavra de Deus, diferentemente do que é apregoado pelos adeptos do sexo “livre”, que na verdade aprisiona, estão distantes dos saudáveis padrões ensinados por Deus (1Co 6:18-20; 1Ts 4:3-7; 5:23).
Vivemos em uma sociedade em que os meios de comunicação incentivam e exaltam o erotismo, a pornografia, o sexo fora do casamento e toda a sorte de perversão. É preciso ser firme e consciente de que Deus reprova tais atitudes e que vai julgar toda a iniquidade: ”Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade" (Sl 96:13). Não podemos nos tornar complacentes com o pecado. Deus estabeleceu padrões para que tenhamos uma vida santa. Estejamos conscientes de que violar estes padrões é perigoso, pois a consequência é sempre a morte (Rm 8:13).
2. Fornicação é pecado. Fornicação é prática do sexo entre solteiros ou entre casado e solteiro (Enc. Bíblica Boyer). As Escrituras Sagradas são bem claras ao afirmar que os fornicários não herdarão o reino de Deus(At 15:29Ef 5:5; 1Tm 1:10Hb 12:16Ap 21:8).
Como já foi dito acima, o sexo foi estabelecido por Deus, mas tem momento certo para ser exercido: o casamento. Somente no casamento se pode praticar o sexo, sendo totalmente contrária à Palavra de Deus qualquer outra conduta que não esta. É com tristeza, aliás, que vemos, cada vez mais, uma tolerância de muitos na igreja com relação a este princípio bíblico, permitindo-se o sexo antes do casamento entre “pessoas já comprometidas”, como se isto fosse possível. Cuidado, Jesus nos disse que nosso falar deve ser sim, sim, não, não e o que sai disto é de procedência maligna (Mt  5: 37).
As bases do casamento são lançadas no namoro e alicerçadas no noivado. Se essas bases forem lançadas sobre a desobediência a Deus, na prática da fornicação, estão correndo sério risco de não terem a bênção de Deus. Não adiantará uma cerimônia pomposa, com dezenas de testemunhas, vestido de noiva com véu e grinalda, com modelo personalizado, nem uma recepção no melhor clube da cidade. Ter a bênção de Deus no casamento é muito mais importante. Pense nisso!
3. Prazer no casamento. O sexo foi criado por Deus tanto para a procriação quanto para a recreação do casal. Por meio dele, a união heterossexual tem dado prosseguimento à ordem divina de fazer com que homens e mulheres perpetuem suas gerações; e por meio também do sexo, Deus traz o prazer ao casal.
O sexo no casamento é abençoado por Deus. Além de abençoado é responsabilidade de um cônjuge satisfazer a necessidade sexual do outro, como ensinou Paulo: “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes à oração...” (1Co 7:2-5)Nesta passagem bíblica, Paulo doutrina os casais acerca do relacionamento sexual. Ele deixou claro que, com o casamento, um cônjuge tem direito sobre o corpo do outro, ou seja, o corpo de um pertence ao outro.
Mas é bom ressaltar que não havendo atração física, ou desejo carnal entre ambos os cônjuges, a atividade sexual, que deve ser algo espontâneo, pode se tornar uma obrigação; deixa de ser algo agradável, para se tornar um sofrimento, uma tortura, e não um ato de amor.
A falta do “eros”(atração física) tem sido a causa do fracasso de muitos casamentos, na Igreja. Casando-se, apenas, por afinidades espirituais, a atividade sexual vai ser prejudicada, no futuro. Haverá problemas no relacionamento entre os cônjuges.
Por falta de conhecimento bíblico, por não entender todo plano de Deus acerca do casamento, muitos afirmam, e afirmam erradamente, que o que importa é a beleza interior. A beleza interior é importante no altar, mas não na cama. O espírito se compraz com a beleza interior e esta é vista e sentida através do amor “ágape”; mas, o amor “eros”  é alimentado com a beleza exterior, beleza que enche os olhos e desperta o desejo. A beleza interior é importante e necessária para o viver com Deus – “...porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”(1Sm 16:7).
O amor “ágape” faz com que um cônjuge veja a beleza interior do outro – e sintam comunhão espiritual. O amor “eros” faz com que um cônjuge veja a beleza física, ou exterior do outro – e sintam atração física.


II. O VALOR DA PUREZA SEXUAL ANTES DO CASAMENTO

1. No Antigo Testamento. Veja a beleza deste texto sagrado, aplicável a qualquer pessoa temente a Deus; ele é fundamental para a vida do jovem, servo de Deus, em todos os tempos; ele exalta a pureza sexual na vida de um jovem: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. De todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119:9-11).
Conforme afirma o pr. Elinaldo Renovato, no Antigo Testamento, a moral era tão rígida, em termos de pureza sexual que, se uma jovem praticasse sexo antes do casamento seria morta. Sua sentença era a pena capital. Fornicação era o mesmo que prostituição (Dt 22:20,21). Na cultura patriarcal, o homem tinha privilégios que não eram desfrutados pela mulher. A moça que fornicava era morta. O homem que fornicasse tinha que casar com a moça (Dt 22:28,29). Até os lençóis, manchados de sangue, na primeira relação sexual, na "lua de mel", eram valorizados. Se algum homem acusasse uma moça, em Israel, difamando-a, com acusação de não ter sido encontrada virgem, e isso fosse apurado, o difamador seria condenado a pagar pesada multa e ainda ter que continuar casado com a moça (Dt 22:13-19). Um sacerdote não podia casar com mulher repudiada ou prostituta; tinha que casar com uma moça virgem (Lv 21:13,14). Portanto, no Antigo Testamento, em Israel, a pureza sexual antes do casamento era valorizada, incentivada por todas as famílias, inclusive pelo próprio Deus, pois isso é parte integrante de sua Lei Moral (Gn 34:7).
2. Em o Novo Testamento. A Lei Moral estabelecida por Deus no Antigo Testamento, aplica-se cabalmente no compêndio Neotestamentário. Ela é atemporal e imutável. Portanto, a pureza sexual deve ser valorizada e praticada na Igreja, entre aqueles que temem a Deus, e que querem morar no Céu. É bom lembrar que no Céu só entram aqueles que são santos. Sem santidade ninguém pode ser útil a Cristo (2Tm 2:19-22) e, sem santificação ninguém verá a Deus (Sl 15:1-4; Mt 5:8; 1João 3:2-7,24; Hb 12:14).
Ao contrário do que determina a Bíblia Sagrada, o mundo tem defendido e até incentivado que as pessoas, numa idade cada vez menor, venham a manter relações sexuais, deixando a virgindade, algo considerado ultrapassado e até ridicularizado pela mídia e, por extensão, na sociedade por ela influenciada. Entretanto, a Bíblia condena a fornicação do início ao final. Portanto, orientemos os jovens, os adolescentes e as crianças para que se mantenham puras e virgens até o casamento. Isto exige, naturalmente, que o tema seja tratado pelos pais com os filhos e pela igreja com seus membros. O que ocorre, lamentavelmente, é que há um verdadeiro tabu nas igrejas e nos lares, não se comentando o assunto com nossos jovens, crianças e adolescentes, que acabam recebendo tão somente as informações e ensinamentos deturpados da mídia e dos valores éticos mundanos, tendo como resultado a sua erotização precoce e a inexorável queda no pecado de grande parte de nossa juventude e adolescência. É preciso que haja ensino para que não haja perdição na casa do Senhor(Os 3:6; 1Tm 4:11; 2Tm 3:14-17). É preciso distinguir entre sexo divinamente estabelecido e as aberrações resultantes do pecado e do mal. Como Igreja de Cristo, temos de ser santos em toda a nossa maneira de viver.
Faço minha as palavras de Paulo ao jovem Timóteo: “... sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1Tm 4:120.


III. O SEXO QUE A BÍBLIA CONDENA

1. A prática do homossexualismo. O homossexualismo é uma das aberrações que o mundo tem propagandeado e lutado para estabelecer como norma de conduta nos nossos dias. Mas as Escrituras Sagradas descrevem o homossexualismo como sendo um pecado contra Deus, e lei alguma pode mudar essa realidade descrita na Palavra de Deus. Ela nos informa que, quando Deus criou o homem, fê-lo macho e fêmea(Gn 1:27). Assim, o relacionamento sexual é para ser exercido entre homem e mulher. A indistinção dos sexos e a prática homossexual resulta de um desvio do plano divino, sendo, pois, obra do pecado. Tanto o homossexualismo não é tolerado por Deus que foi uma das principais causas para a destruição de Sodoma e das demais cidades da planície(Gn 13:13;18:20;19:4-11). Em toda a Bíblia Sagrada a prática homossexual é condenada(Lv 19:2220:13; 1Rs 14:2415:11,12; 2Rs 23:7Rm 1:26,27; 1Co 6:101Tm 1:9,10).
O homossexualismo tem assumido proporções gigantescas, com apoio de governos, legislativos e judiciários. É uma agressão violenta à Lei de Deus, que tem trazido e vai acarretar muita maldição para a humanidade. Se Deus quisesse o casamento entre pessoas do mesmo sexo, teria feito dois Adões ou duas Evas. Mas não o fez. Todos aqueles que se dizem cristãos e procuram justificar o homossexualismo com base em falsas interpretações dos textos bíblicos, certamente, sofrerão, com ímpeto, o juízo de Deus
2. Educando os jovens na Palavra de Deus. Deus espera que os pais tenham um papel ativo no sentido de conversar com seus filhos sobre a sexualidade. Com base na Bíblia Sagrada, ensinemos nosso filhos que o sexo é permitido por Deus para o prazer de um homem e uma mulher unidos pelo matrimônio. É melhor que nossos filhos ouçam de nossa boca esse assunto, tratado de forma coerente e bíblica, do que ouvir do mundo em um momento de curiosidade e aprender errado sobre questões de sexualidade. O mundo não ensinará nossos filhos a se guardarem da prática sexual antes do casamento. O mundo não valorizará a castidade e a abstinência, mas incentivará uma relação promíscua, adúltera e irresponsável. Para que não pequemos por omissão, busquemos conversar com nossos filhos de forma bíblica e inteligente, mostrando a eles o valor daquilo que Deus diz que é valioso, e as consequências de se desprezar aquilo que Deus considera importante para dar valor ao que o Diabo alega ser importante. “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra”(Sl 119:9).

CONCLUSÃO


Deus criou a sexualidade no homem e na mulher para despertar neles a vontade de unir os seus corpos e satisfazer os seus desejos mais íntimos (1Co 7:32-34). Quando Deus estava criando todas as coisas, em Gênesis 1:10,12,18,21,24, verificamos esta declaração: “E viu Deus que era bom”. Porém, ao criar o homem à sua imagem e semelhança, Ele viu que era muito bom. Isto significa que tudo quanto Deus fez no homem é muito bom. Concluímos, então, que o sexo e a intimidade dentro dos princípios sagrados são muito bons, porque foram instituídos por Deus.
Fonte: ebdwe

segunda-feira, 20 de maio de 2013

8ª lição do 2º trimestre de 2013:EDUCAÇÃO CRISTÃ, RESPONSABILIDADE DOS PAIS

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TEXTO BÁSICO: Dt 6:1-9

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele"(Pv 22:6).

INTRODUÇÃO

Por milhares de anos os pais sempre tiveram um papel decisivo na área de ensinar os filhos. A principal desvantagem do passado era que não havia os recursos educacionais que conhecemos hoje, e a vantagem era que uma educação centrada no lar moldava a formação do caráter de forma direta. Havia tanto convívio familiar que não sobrava aos adolescentes tempo para se envolver com más companhias. O normal era o respeito e o apego às famílias. Hoje a situação se inverte: pouco convívio familiar e muito envolvimento com  pessoas suspeitas, principalmente em escolas públicas, trazendo como resultado infelizes mudanças de comportamento, inclusive desrespeito aos valores aprendidos na família e na igreja 1.

De acordo com o pr. Elinaldo Renovato, a educação cristã é mais abrangente que a educação secular. Ela prepara o individuo, não só para ser um bom cidadão na sociedade, mas para ser um cidadão do Céu, com base nos princípios espirituais e éticos, emanados da Palavra de Deus. A educação crista não é apenas informativa. Ela é prioritariamente formativa, porque se fundamenta em princípios que visam ao fortalecimento do caráter (Rm 15:4).

 

I. EDUCAÇÃO, A MISSÃO PRIORTÁRIA DOS PAIS

1. O que significa educar? O conceito de educar vai muito além do ato de transmitir conhecimento. Educar é estimular o raciocínio, é aprimorar o senso crítico, as faculdades intelectuais, físicas e morais. O homem é um ser que precisa de orientação e informação. Esses conhecimentos são adquiridos na escola, e ela, juntamente com os pais, deve despertar nos alunos a curiosidade e a capacidade para entender o mundo que os cerca, e de ensiná-los os conceitos empregados pela sociedade. 

A educação  formal é função de todos, pois aprendemos até mesmo em uma conversa com uma pessoa de outra cultura, que recebeu educação diferente da nossa, etc. Isto é, nosso aprendizado depende não só da escola, mas também de nossos familiares e das pessoas que convivemos, seja na escola, em casa ou no trabalho. A educação é algo que cabe em qualquer lugar.

Todavia, a educação cristã é exclusiva da família, cujo aluno deve ser instruído nos fundamentos espirituais e morais, cujo fonte é a Palavra de Deus. Como crentes precisamos ser guiados e orientados segundo as Escrituras, pois ela nos protege das sutilezas do Maligno.

2. Educação Cristã. A educação cristã é fundada nos princípios que emanam da Palavra de Deus. Esses princípios são, antes de tudo, espirituais. Contemplam e valorizam a existência do Criador de todas as coisas, conforme a explicação da sua apalavra. Esses princípios são “clausulas pétreas”, em termos absolutos de ética e de moral.

A Educação cristã é diferente da educação secular, a qual só transmite instruções e conhecimentos, deixando de lado os valores éticos, morais e espirituais. Por isso, a base da Educação Cristã é as Sagradas Escrituras.

Também, a Educação Cristã é um dos mais importantes e fundamentais deveres da Igreja. A igreja, enquanto agência divina, possui três funções básicas: evangelização, adoração e ensino. Entre essas funções não existe aquela que possua maior ou menor grau de importância; todas são preponderantes. Porém, é exatamente o ensino o responsável por dar qualidade às demais. Assim, evangelização sem ensino é o mesmo que jogar a semente sem regar com água. Adoração sem ensino é pura cantoria sem propósito. Em suma, cristianismo sem ensino é ritualismo. Portanto, a educação cristã é relevante para a formação do caráter cristão e para a afixação da consciência espiritual. A falta de conhecimento da Palavra leva à destruição do povo (Os 4:6) e é uma porta aberta para a disseminação do ateísmo, inclusive no meio do povo do Senhor.

Objetivos.  A Educação Cristã tem por objetivos:

a) A instrução do ser humano no conhecimento divino, a fim de que ele volte a reatar a comunhão com o Criador, e venha a usufruir plenamente dos benefícios do Plano de Salvação que Deus estabeleceu em seu amado Filho. O apostolo Pauto compreendeu perfeitamente o objetivo da Educação Cristã: ”admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo”(Cl 1:28).

b) A educação do crente, para que este logre alcançar a perfeição preconizada nas Sagradas Escrituras: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:16,17).

c) A preparação dos santos, visando capacitá-los a cumprir integralmente os preceitos divinos da Grande Comissão: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade' (2Tm 2:15)" - (ANDRADE, Claudionor. Teologia da Educação Cristã: A missão educativa da Igreja e suas implicações bíblicas e doutrinárias. 1 .ed. Rio de janeiro: CPAD. 2002, pp.5-6).

3. A educação nas escolas. Concordo com o pr. Elinaldo Renovato, quando diz que “vivemos em uma sociedade permissiva, onde faltam valores morais e éticos. Tanto nas escolas públicas quanto nas privadas as crianças e os jovens estão em contato com filosofias ateístas, materialistas e pragmáticas”. Segundo ele, os currículos que reúnem os conteúdos programáticos a serem transmitidos nas salas de aula são fundamentados nas filosofias e pseudociências materialistas. Tudo começa com a explicação sobre a origem da matéria, da vida, do homem, da inteligência, e de todas as coisas que existem no universo.

“Embora saibam que o melhor lugar para uma criança aprender valores morais é o lar, muitos pais se sentem incapazes de dar aos filhos o conhecimento educacional que as escolas institucionais podem dar. Assim, eles enviam os filhos a essas escolas, muitas vezes temendo por sua segurança moral, espiritual e física.

“As escolas públicas tem hoje uma vasta influência na vida de milhões de crianças. As crianças passam grande parte de seu tempo semanal absorvendo o que aprendem nas escolas. E o que elas estão aprendendo?

“Na escola publica, as crianças estão sujeitas a absorver ensinamentos errados e as experiências negativas dos amigos. É uma socialização que desafia tudo o que ela aprendeu no lar. Nesse desafio, o maior perdedor pode ser a criança e a família.

“Educar uma criança é como cultivar uma planta. Aliás, o Salmo 128:3 diz que nossos filhos são como oliveiras novas. Plantinhas devem ser cultivadas, regadas e tratadas com muita atenção. Embora o capim possa crescer sem nenhum problema em qualquer lugar, plantinhas  valiosas precisam do nosso cuidado direto. Se receber uma educação qualquer, sem princípios morais, a criança corre o serio risco de se tornar como capim, moralmente inútil. Se receber uma educação cuidadosa, ela terá tanto valor e utilidade como a oliveira”(Julio Severo).

“Por isso, os pais não podem negligenciar a educação dos seus filhos. Eles precisam, com a ajuda da igreja, ser instruídos para orientar seus filhos” (Ef 6:1-4).

 

II. A EDUCAÇÃO NO ANTIGO E EM O NOVO TESTAMENTO

1. No Antigo Testamento. Nesse período, todas as normas ou doutrinas, de caráter espiritual, moral, social, educacional ou familiar, emanavam da Lei de Deus. As crianças, desde o berço, eram criadas segundo os mandamentos, os juízes e os estatutos de Deus (Dt 5:31). Os pais tinham a responsabilidade de ensinar os filhos a respeito dos atos do Senhor em favor do povo de Israel (Sl 78:5). Desde a tenra idade, as crianças judias aprendiam e absorviam o shema, ou o credo, que resumia o princípio fundamental de sua fé: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt 6:4,5). Este ensino fazia parte do dia a dia das crianças judaicas. Uma preciosa lição para a educação cristã nos dias presentes. O ditame de Deus ainda ecoa nos corações dos pais: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR jurou  a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra” (Dt 11:18-21).

O ensino também era demonstrado por meio de monumentos, como as doze pedras retiradas do Jordão, que seria memorial para que as futuras gerações se lembrassem de como Deus cumpriu sua promessa de colocar o povo na terra prometida, fazendo com que o Jordão fosse aberto na época das chuvas e o povo pudesse ultrapassar essa barreira geográfica. No futuro, as crianças perguntariam sobre aquele conjunto de pedras, e os pais deveriam contar como Deus havia realizado aquele milagre.

Indubitavelmente, a educação no Antigo Testamento nos dá sugestões válidas para hoje, principalmente para a família cristã. O ensino da Palavra de Deus no lar, a educação constante, como em Deuteronômio 11:18-21, é a única esperança para termos uma família firmada nos princípios da Lei do Senhor. Os pais presentes na vida dos filhos é fator indispensável para a formação do caráter cristão. Confiar apenas na escola secular é entregar os filhos a um sistema que está totalmente contaminado com teorias materialistas e desvirtuação moral.

2. Em o Novo Testamento. Pouca informação se tem da educação nos primórdios da era cristã.  Mas, com certeza as sinagogas eram consideradas um centro de instrução onde as crianças judias aprendiam a respeito da Lei Mosaica. Sabemos que Jesus sabia ler e interpretar as Escrituras e tinha conhecimento bastante para discutir teologia com os doutores do templo (Lc 2:46-48). Ele provavelmente aprendeu em casa  e na sinagoga; recebeu a educação elementar comum à maioria dos meninos judeus daquele tempo. Os doutores da época admiravam-se da inteligência e sabedoria de Jesus, como pré-adolescente. Naturalmente, Ele era divino. mas, na ocasião, comportava-se como um menino judeu, educado pelos pais com todo o cuidado e zelo como era de se esperar. A educação de Jesus no lar e na sinagoga preparou-o para ser um cidadão completo. Além do ensino da Lei, dos livros sagrados, do Antigo Testamento, Ele foi ensinado a ter um oficio. Ele era carpinteiro (Mc 6:3), não somente filho do carpinteiro (Mt 13:55). Portanto, Jesus teve uma educação integral.

Outro exemplo notável no Novo Testamento é o do jovem obreiro Timóteo. Sua educação no lar foi fundamental para a formação do seu caráter. Sua mãe e sua avó foram as responsáveis por isso. O apóstolo Paulo recomenda-o a permanecer inabalável nas Sagradas Escrituras, que havia aprendido ainda menino(2Tm 1:5,6; 3:14-17).

O nosso Mestre por excelência, Jesus Cristo, é o maior incentivador do ensino. Ele não só ordena o ensino como também a observação da prática de seu ensino.  A palavra empregada por Ele na Grande Comissão (Mt 28:18-20), por si só, agrega os valores da Educação Cristã: ensinar e aprender. Neste e em outro contexto Jesus mostra a importância da prática do ensino religioso na vida do cristão (João 14:21

3. Na atualidade. Na atualidade, a Escola Bíblica Dominical é a maior e a mais acessível agência de educação cristã das igrejas evangélicas. É a maior escola do mundo. A Educação Cristã começa no lar. E é fortalecida na Escola Bíblica Dominical, onde os alunos são reunidos em classes de estudo, conforme sua faixa etária. Nela, é ensinada a Palavra de Deus, promovendo excelentes resultados, na formação espiritual, ética e moral de cada pessoa, que se converte ao Senhor Jesus Cristo. Todavia, é bom ressaltar que “a educação de nossos filhos deve começar, prioritariamente, em nosso lar, pois assim Deus recomenda em sua Palavra (Ef 6:1-4)”.

 

III. A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA FAMILIA

1. Os filhos são herança do Senhor. "Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão" (Sl 127:3). De acordo com o pr. Elinaldo Renovato, “galardão” é prêmio. Sempre os pais devem ser gratos a Deus pelo filho ou pela filha que nasceu no seu lar. São prêmios vivos que devem ser cuidados, guardados, e criados com muito amor. Quando alguém recebe da parte de Deus uma bênção material, um bem, como um veículo, uma casa, um dinheiro, normalmente demonstra gratidão. Há quem faça um culto de ação de graças; há quem dê um testemunho, diante da igreja local, exaltando a Deus pelas bênçãos recebidas. Mas, muitos, que são pais, esquecem-se de ser gratos a Deus pelo "galardão" vivo, que são seus filhos. Se considerarem o valor dos filhos diante de Deus, certamente terão o cuidado de dar-lhes a melhor educação que estiver ao seu alcance; procure ensiná-los e educá-los no temor do Senhor (Ef 6:1-4).

2. O ensino da Palavra de Deus no lar. Como foi dito supra, a educação cristã começa no lar. Os pais são, por natureza, os primeiros professores dos filhos. A criança conhece a Deus primeiramente através dos pais, por meio de suas atitudes e, principalmente, através do culto doméstico. Infelizmente, a maioria dos pais não faz o culto doméstico. Os filhos sequer sabem metade dos nomes dos apóstolos de Jesus. Mas grande parte sabe o nome dos personagens das novelas e dos filmes da Disney. A maioria dos filhos de cristãos não sabe o que é doutrina, e muito menos o que é admoestação. Mas, sem esses dois elementos educacionais, os filhos não poderão ter uma verdadeira formação cristã. Portanto, para criar os filhos "na doutrina e admoestação do Senhor", faz-se necessária uma educação permanente, com ensinamentos da Palavra de Deus ministrados no próprio lar. Se isto for efetivado ainda na infância, os resultados poderão permanecer por toda a vida (Pv 22:6).

3. Leve seus filhos a Igreja. “A igreja deve ser a continuação do lar; e o lar, a continuação da igreja. Um deve completar o outro. Quando crianças, os pais devem leva-los à igreja. Quando adolescentes e jovens, devem ser persuadidos a ir à casa do Senhor. Se, desde crianças, forem acostumados a ir à igreja, quando jovens darão valor a essa prática saudável (Mc 10:13-16)” (pr. Elinaldo Renovato).

 

CONCLUSÃO

A educação cristã de nossos filhos deve ser de suma importância para nós, tanto quanto a educação secular nas escolas. Por isso, é importante levá-los à Escola Dominical, onde aprenderão sistemática e didaticamente a Palavra, por meio de histórias, leitura da Bíblia e outros meios utilizados para fazer com que as crianças entendam a fé cristã e tomem uma decisão por Cristo. Além de aprender a Palavra, eles desenvolverão amizades cristãs e já terão contato com ministérios próprios do culto, como a música e a adoração.

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

7º Lição do 2º trimestre de 2013: O DIVÓRCIO




Texto Básico:Mateus 19:3-12


Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt 19:9)


INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos acerca do Divórcio. Um assunto bastante polêmico e que custará ao professor todos os cuidados possíveis a fim de evitar conflitos e discussões infrutíferas que não trará nenhuma edificação espiritual. Ressalte-se que o objetivo desta Aula é o de descrever o que as Escrituras Sagradas têm a falar sobre o divórcio. Assim, teremos o respaldo bíblico para agirmos quanto à realidade deste assunto na igreja local. Acredito que ninguém casa pensando no divorcio. As pessoas casam desejando a felicidade, porém relacionamentos são difíceis, as pessoas são difíceis. Para que um casal viva bem é preciso que esteja sempre vigilantes, em constante oração e estudos das Escrituras Sagradas, em constante comunhão com o Senhor Jesus.
I. O DIVÓRCIO NO ANTIGO TESTAMENTO
No contexto histórico e cultural do Antigo Testamento, a sociedade era patriarcal por excelência. O homem tinha a hegemonia absoluta, no lar, no casamento, e nas decisões mais importantes da vida social. Dessa forma, o divórcio era um direito e um privilégio do homem. Jesus, porém, aboliu esse privilégio, pois, em sua lei, não pode haver acepção de pessoas (Rm 2:11; Tg 2:1).
1. A lei de Moisés e o divórcio. “Quando um homem tomar uma mulher, e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na sua mão, e a despedirá da sua casa”(Dt 24:1). Este mesmo versículo na tradução “A Bíblia na Linguagem de Hoje”, assim descreve: “Moisés disse ao povo: Pode acontecer que um homem case, mas depois de algum tempo não goste mais da esposa porque há nela alguma coisa que não agrada a ele. Nesse caso ele deve preparar um documento de divórcio, entregá-lo à esposa e mandá-la embora”. O versículo 2 afirma que a mulher, saindo de sua casa, estava livre para casar outra vez.
Concordam os historiadores que o motivo da inclusão do divórcio na lei de Moisés foi o de proteger os direitos e até mesmo a integridade física das mulheres, que muitas vezes se tornavam vitimas indefesas de maridos corruptos e carnais. Havia ainda a possibilidade de copiarem os costumes do Egito, de onde saíram. Consta que entre os egípcios era costume permutar esposas. Era um atentado à liberdade da mulher, além de ser desonroso.
Foi, portanto, para coibir abusos e evitar excessos “por causa da dureza dos vossos corações”, conforme o Senhor Jesus afirmou, que Moisés permitiu o divórcio.
Desta forma, se o divórcio foi permitido por Moisés, e tolerado por Deus, por causa da “dureza do coração” dos israelitas, com o objetivo de proteger a mulher da violência, da humilhação imposta por seus maridos, então, quer nos parecer que nós, os cristãos, não podemos nos basear no mau exemplo de Israel para a aceitação do divórcio entre nós. Presume-se que os motivos que justificaram o divórcio em Israel, não existam, hoje, na Igreja.
Foi por causa da “dureza de coração” que Moisés permitiu o divórcio, mas, foi, também, por causa da “dureza de coração” que Israel foi rejeitado como povo de Deus. Não podemos imitar Israel!
Israel não apenas usou, como também abusou da permissão para o divórcio. No tempo do profeta Malaquias, os próprios sacerdotes divorciavam de suas esposas para casarem com mulheres mais novas, até mesmo com mulheres pagãs. Foram acusados de cobrir o altar do Senhor de lágrimas, choro e gemidos, certamente lágrimas, choros, e gemidos de esposas e filhos que ficaram abandonados - “...cobris o altar do Senhor de lágrimas, de choros e gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem aceitará com prazer da vossa mão... Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto” (Ml 2:13-14).
O mal exemplo de Israel não pode ser copiado pela Igreja. Lá, os próprios sacerdotes trocavam “a mulher do teu concerto”, ou seja, a mulher com quem haviam se casado quando jovem - “a mulher da tua mocidade”. Estas, depois de anos de casamento, mãe de vários filhos, envelheciam. Então eram trocadas por mulheres novas. Deus denunciou isto como sendo deslealdade - “com a qual fostes desleal”. Por causa da “dureza de coração” Israel foi, também, rejeitado por Deus.
Conta-nos Flavio Josefo, historiador judeu que foi contemporâneo de Jesus, baseado em análises do Talmude, que os judeus divorciavam de suas esposas por motivos os mais banais, tal como - “se elas queimassem o pão, se estragavam um prato ao prepará-lo, e até se encontrassem outra mais bela”.
Não foi sem razão que Israel foi rejeitado como povo de Deus. Para ocupar o seu lugar, no Plano espiritual, Deus escolheu a Igreja - eu, e você! Deus não quer que a Igreja repita os erros de Israel. Deus espera que sejamos “...um povo seu especial, zeloso de boas obras”(Tito 2:14).
2. A carta de divórcio. “Era um documento legal, fornecido à mulher repudiada, a qual ficava livre para casar de novo. Chamava-se de ‘carta de liberdade’ – ‘documento de emancipação’ – que lhe dava direito a novo casamento”(Elinaldo Renovato).
A lei de Moisés apenas exigia que o repúdio se desse por escrito (daí a expressão “carta de divórcio” ou “carta de repúdio”) – Dt 24:1, bem como proibia a mulher que fora repudiada, depois de viver com outro marido, retornar para o primeiro marido, pois tal atitude era considerada abominação ao Senhor (Dt 24:4).
O homem que tivesse acusado falsamente a mulher de pecado sexual antes do casamento, não poderia repudiar a mulher alvo da acusação (Dt 22:13-19), assim como o homem que tivesse desvirginado uma jovem e fosse compelido a se casar pelo pai da moça, não poderia jamais repudiar a mulher (Ex 22:16,17; Dt 22:28,29). Verificamos, portanto, que, para a lei de Moisés, a perda do direito de repudiar a mulher era uma penalidade ao homem.
Respondendo aos fariseus, o Senhor Jesus posicionou-se contra o divórcio, dizendo: “...o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Daí a pergunta dos fariseus: “Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”. O Senhor Jesus afirmou que “...Moisés por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas no principio não foi assim”. Ficou claro, na opinião de Jesus, que o divórcio foi uma invenção do homem, não de Deus. Isto confere com a declaração feita por Salomão:“Vede, isto tão somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas invenções”(Ec 7:29).
O divórcio foi, sem dúvida, uma destas invenções, toleradas pela vontade permissiva de Deus. Pela vontade permissiva Deus consente ao homem agir de acordo com o seu livre arbítrio. Porém, a responsabilidade dos atos praticados é, inteiramente, do homem. É como se Deus não estivesse no negócio. Dando certo, sorte do homem; dando errado, responderá pelo seu erro.


II. O ENSINO DE JESUS A RESPEITO DO DIVÓRCIO

Conquanto não se encontre no propósito divino o divórcio, ele é visto por Jesus como uma realidade neste mundo contaminado pelo pecado. Jesus, no sermão do monte, onde se contém uma síntese de Sua doutrina, foi bem claro ao mostrar que o divórcio não se encontra no plano de Deus para o ser humano, mas que é consequência do pecado e, como o pecado é, ainda, uma realidade na sociedade humana, devemos saber conviver com o problema do divórcio. É claro no ensino de Jesus que o divórcio é tolerado, embora não seja algo desejado. É uma realidade que temos de enfrentar.
1. A pergunta dos fariseus. “...É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?"(Mt 19:3). Esta foi a pergunta que os fariseus fizeram a Jesus. Mateus afirma que a pergunta foi feita para tentar Jesus. Na verdade, como mestres que eram, eles sabiam que não era lícito. Os mestres, ou ensinadores da Palavra, sabem o que é e o que não é lícito. Se erram, quase sempre é por conveniência. O que eles queriam era indispor Jesus com a sociedade judaica, ou fazê-lo cair em contradição face ao que ensinava a seus discípulos.
Jesus respondeu aos fariseus: “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: não tendes lido que aquele que os fez no principio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem”(Mt 19:3-6).
Recordando o “principio” referido por Jesus, neste diálogo com os fariseus, lembramos que tudo começou quando Deus declarou: “...Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora...”(Gn 2:18). “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão”(Gn 2:21-22).
Perceba a sequência da expressão: “uma adjutora...uma costela...uma mulher”. Quer nos parecer que, do projeto original de Deus, podemos extrair duas verdades:
- Deus consagrou o principio da monogamia.  Podendo fazer diversas mulheres, uma vez que ossos não faltavam, Deus, contudo, preferiu fazer apenas uma. Esta decisão de Deus excluía a poligamia, ou seja, diversas mulheres para cada homem! Pelo projeto original de Deus, uma Família deveria se formar pela união de um homem com uma mulher.
- Ao fazer apenas uma mulher, Deus excluiu o divórcio. Caso Adão repudiasse sua mulher não haveria outra alternativa senão ficar só.
Quando o Senhor Jesus afirmou que “no principio macho e fêmea os fez” ele estava dizendo que não havia para Adão, e nem para Eva, a possibilidade de troca de parceiro. Assim, pelo projeto original de Deus o casamento seria uma união tão perfeita que tornava o casal como se fosse um só corpo, ou uma só carne. A possibilidade de divisão não estava, pois, prevista. Deus não planejou o divórcio.
2. O ensino de Jesus. Diante da resposta de Jesus, os fariseus não imaginavam que Jesus fosse se manifestar contra o divórcio, visto que ele era amplamente aceito pela sociedade judaica, no seu tempo. Porém, pelo que sabemos, o Senhor Jesus, quando se tratava de defender a verdade de Deus ele não se preocupava em ter que contrariar a vontade do povo. Ele colocou, com muita clareza, o pensamento de Deus acerca do casamento e do divórcio: “...Não tendes lido que aquele que os fez no principio, macho e fêmea os fez, e disse: portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne...”.
Acreditamos que o Senhor Jesus não poderia ser mais claro do que foi, em sua resposta. Afirmando que, pelo casamento, o homem e a mulher se tornam numa unidade, “numa só carne”, ou “numa só pessoa”, como diz a Bíblia, na Linguagem de Hoje.
A unidade é indivisível. Assim, ele deixou claro sua posição contrária ao divórcio. Porém, para que não pairasse qualquer dúvida, completou seu pensamento, afirmando - “...Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”.
Esta, segundo Jesus, é a regra geral, porém, a esta regra admitiu uma exceção - “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa da prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”. Pelo exposto, ficou claro e patente o pensamento de Jesus acerca do casamento e do divórcio. Para Ele o casamento é monogâmico e indissolúvel; o divórcio só pode ser admitido numa exceção - no caso de prostituição.
Este ensino de Jesus assustou seus próprios discípulos - “Disseram-lhe seus discípulos: se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar”. Eles ficaram chocados com o ensino de Jesus, que só admite divórcio e novo casamento no caso de infidelidade. Eles que viviam numa sociedade patriarcal e machista, estavam acostumados a ver o divórcio “por qualquer motivo”. Todavia, o Senhor Jesus não fez qualquer emenda suavisadora para contentar seus discípulos - “Ele, porém, lhes disse: nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido...Quem pode receber, receba-o” (Mt 19:10-12).


III. ENSINOS DE PAULO A RESPEITO DO DIVÓRCIO

Paulo, tal como Jesus, como regra geral, sustentou a indissolubilidade do casamento. Escrevendo aos casais crentes, ele diz: “Todavia aos casados, mando, não eu mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido...e que o marido não deixe a mulher”. Esta é a regra quanto a indissolubilidade do casamento.
Em suas epístolas, o apóstolo Paulo menciona a questão do casamento quando indagado a respeito pela igreja que estava em Corinto, demonstrando que havia uma certa preocupação dos cristãos em não repetir os costumes licenciosos e permissivos então vigentes na sociedade helenística daquele tempo. Esta preocupação já nos mostra que o crente deve ter um comportamento diferente, em relação ao assunto, do comportamento mantido pelo mundo, comportamento que é caracterizado pela total banalização do casamento, que é uma das características dos gentios nesta dispensação da graça, às vésperas da vinda do Senhor (Mt 24:37-39Hb 13:4).
Conforme o evangelista dr. Caramuru Afonso Francisco, nesse ensinamento aos coríntios (1Co 7), Paulo trata da questão dos casamentos mistos, ou seja, dos casamentos realizados ANTES da conversão, em que um dos cônjuges é crente e o outro se recusa a aceitar a fé, impondo uma situação-limite entre a comunhão com Deus e a comunhão com o cônjuge. Temos, aqui, uma situação em que o casamento é colocado em xeque por causa da vida de comunhão com Cristo. Era uma situação nova, pois não havia casamentos mistos entre os judeus, mormente após a radical reforma que Esdras e Neemias empreenderam no meio do povo (Ed 9 e 10).
O ensinamento de Paulo é no sentido de que os cônjuges crentes devem preservar o casamento e tentar conquistar seus cônjuges para Cristo, mas que, em havendo uma situação-limite entre a fé e o casamento, havendo iniciativa do cônjuge incrédulo com vistas ao divórcio, o cônjuge crente deve consentir com a dissolução do vínculo, ficando livre para se casar novamente, contanto que seja no Senhor (1Co 7:12-17). Salvo nestas hipóteses, não permite o divórcio, embora tolere a separação, mantido o vínculo matrimonial (1Co 7:10,11), que chamamos de separação pedagógica.
Este ensinamento de Paulo, que não era específico aos coríntios, mas que o texto diz que era o que o apóstolo ensinava em todas as igrejas (1Co 7:17), mostra bem que a igreja deve desconsiderar a vida ANTES da conversão da pessoa, pois a pessoa não tinha conhecimento da salvação e não devemos levar em conta os tempos da ignorância, já que nem Deus os considera (At 17:30). O que a igreja deve, portanto, fazer, é ensinar os novos convertidos a respeito do que ensina a Bíblia Sagrada e orientá-los no sentido de conquistarem seus cônjuges para Cristo mas, em havendo a situação-limite, aceitarem eventuais divórcios, visto que eles são uma demonstração da verdadeira fidelidade do crente a seu Senhor e da dureza do coração do cônjuge descrente. Temos, aqui, caso de divórcio e não de simples separação, como defendem os romanistas, pois o texto de 1Co 7:12-17 é uma situação especial, diferente da regra geral contida em 1Co 7:10,11.
Neste particular, aliás, temos visto que muitas igrejas locais não têm se comportado como mandam as Escrituras, exigindo daqueles que se convertem já divorciados que se reconciliem com seus antigos cônjuges, desconsiderando até, em muitos casos, que já há situações de fato irreversíveis, com constituição de novas famílias por ambos os ex-cônjuges. Se tudo isso ocorreu ANTES da conversão, deve ser totalmente desconsiderado pela igreja, que deverá cuidar para que, doravante, o novo convertido possa estabelecer uma vida familiar de acordo com os ditames da Palavra de Deus.


IV. AS CAUSAS DO DIVÓRCIO

As causas do divórcio são semelhantes às do adultério. Há aspectos específicos a serem considerados, mas, quando um casal não consegue mais viver a aliança conjugal, certamente, é porque um ou os dois deixaram de cumprir as orientações da Palavra de Deus para o matrimônio.
Mencionaremos apenas cinco causas do divórcio:
  • Descuido da vida cristã dos cônjuges.
  • Ausência do perdão.
  • Indisposição às mudanças necessárias.
  • Ausência do Amor.
  • Práticas abomináveis, que desfazem o vínculo conjugal.
1. Descuido da vida espiritual dos cônjuges. A crise em um casamento já é sintoma de que há uma crise espiritual. O Inimigo fica satisfeito quando vê o marido assistindo à TV, horas a fio, ou gasta a maior parte do seu tempo disponível na internet, e não se interessa pela oração e pela leitura devocional e estudo das Escrituras Sagradas; e também, quando a esposa prefere ocupar o tempo vendo novelas, filmes e outros programas que não edificam a vida espiritual. Lemos nas Escrituras que “Se o Senhor não edificar o lar em vão trabalham os que o edificam”(Sl 127:1). Nosso casamento precisa ser regado à oração e leitura da Palavra de Deus.
2. Ausência do Perdão. Sem a disposição para o perdão, nenhum casamento consegue sobreviver por muito tempo. Quantos problemas antigos e mal resolvidos sempre voltam às discussões atuais! Quando o cônjuge permite que os fantasmas do passado continuem assombrando o presente, reavivando antigas amarguras, eles fazem com que as cicatrizes e feridas passadas não se fechem e se curem. Quem não perdoa está matando aos poucos o sonho do casamento. Nos admoesta a Palavra: ”Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Cl 3:13.
3. Indisposição às mudanças necessárias. Se formos bem honestos, teremos que admitir que nem tudo em nosso cônjuge nos agrada. Há hábitos, manias, comportamentos que nos irritam e nos tiram do sério. Porém isto é normal em qualquer casamento. Precisamos aceitar o fato de que somos diferentes do nosso cônjuge em muitas coisas, afinal viemos de famílias diferentes, de costumes e valores que nem sempre são os mesmos. Não obstante termo diferença que são de nós mesmos, há muitas coisas em que precisamos ser mudados, e o que causa tensão no casamento é que os cônjuges não querem mudar, não se dispõem a mudanças necessárias para o bom convívio entre marido e mulher; pelo contrário, concentram grande esforço em tentar mudar o outro. Tal atitude cria fortes resistências, o cônjuge não muda e começa a cobrar mudanças no outro, acentua os defeitos e minimiza as qualidades.
4. Ausência de amor. “Eu não o amo mais”. Essa é uma frase comumente usada pelos cônjuges em crise para dar plausividade e legitimidade ao divórcio. Mas como tudo o que é dito na Bíblia, o amor também sofre de má compreensão. O amor não é um sentimento para ser vivido apenas em bons momentos a dois, ou só na lua-de-mel. Conforme Cristo disse, o marido tem que amar a esposa como Cristo amou a Sua igreja – dando sua vida por ela. Amor é a decisão de agir em favor do outro.
5. Práticas abomináveis, que desfazem o vinculo conjugal. Segundo o pastor Elinaldo Renovato, o divórcio não faz parte dos planos de Deus. Assim como a  poligamia, no Antigo Testamento, que Ele permitiu, ou melhor, tolerou. Há casos em que é impossível manter um relacionamento conjugal. Se o esposo espanca a esposa; se ele vive traindo sua mulher; se ela vive na prática de adultério; se um ou outro entra pelo caminho do homossexualismo; tais práticas são tão abomináveis, que desfazem o vinculo conjugal, e, na permissibilidade de Cristo, Ele admite o divórcio. Não como regra, mas como exceção, como um ‘remédio amargo’ para um mal maior. Se não fosse assim, um servo ou uma serva de Deus seriam atingidos duas vezes: uma pelo Diabo, que destrói relacionamentos; e, outra, pela igreja local, que condenaria uma vítima a passar o resto da vida em companhia de um ímpio, ou viver sob o jugo do celibato, que não faz parte dos planos de Deus. Disse o Senhor, o Criador: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18).
O divorcio não oferece uma oportunidade fácil de começar uma vida nova. Lembre-se que sempre que desobedecemos a Deus sofremos consequências. Levam-se cicatrizes do divórcio para sempre. Note as palavras de um irmão após alguns anos de seu divorcio: ”Acho que a morte é mais fácil de suportar do que um divórcio, porque nela existe um fim. O divorcio simplesmente não acaba”.


V. O DIVÓRCIO ACONTECEU E AGORA?

O casamento chegou ao fim, sonhos desfeitos e tantas outras coisas que não vale a pena mencionar. Quando o divórcio for inevitável o que fazer? Há crentes que quando se divorciam deixam a igreja, se afastam, mas é nessa hora que eles mais precisam de Deus. O crente divorciado precisa fazer uma avaliação do porquê do divórcio, corrigir erros, ou até quem sabe pedir perdão. Mas o que ele precisa saber é que Deus o ama, e que sempre o dará oportunidade de ser feliz. É por isso que Ele é misericordioso e cheio de graça.
Meu irmão divorciado, problemas virão, mas dedique-se a Deus; muitos o criticarão, porque eles não sabem o que o levou a isso, ore por eles.
A história conta e registra sobre um grande terremoto que destruiu a cidade de Lisboa, e o rei de Portugal chamou o seu general e perguntou-lhe o que faço agora? E o general lhe respondeu: “vamos enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.  Portanto:
- Enterre os mortos - seu casamento não deu certo, não se prenda a fantasmas do passado, não se sente em um local e fique a lamentar, não desista da vida.
- Cuide dos vivos - a vida continua, você tem filhos, tem parentes, amigos, tem a igreja.
- Feche os portos - não permita que sentimentos negativos tomem conta de você, levante a cabeça seja um vencedor. Lembre-se, Jesus veio para dar vida e vida em abundância. Recomece com Deus, faça diferente, seja fiel. Amém?


CONCLUSÃO

Deus quer a família unida; Satanás, porém, procura dividi-la, separando casais, deixando crianças para trás, muitas vezes, no abandono, ou entregues a terceiros. Porém, quando o casal faz o propósito e o cumprem, de orar todos os dias por si, por seus filhos e por seu casamento, as brechas são fechadas. De modo que o Adversário não pode ter êxito em seus intentos destruidores do casamento. Além do mais, esse casal pode contar com o segredo do Cordão de três dobras: “...e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4:12). Este “Cordão”, formado pelo esposo, pela esposa, e por Jesus, colocado entre eles é , na verdade, inquebrável. Que assim seja!

Fonte: ebdweb

terça-feira, 7 de maio de 2013

6º aula do 2º trimestre de 2013: A INFIDELIDADE CONJUGAL



“O que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói a sua alma o que tal faz” ( PV 6:32)

INTRODUÇÃO

O casamento é um dos pactos mais vitais que existe. É uma aliança em que deve existir lealdade e fidelidade. Esta, é indispensável para que se mantenham inabaláveis os alicerces do lar. A infidelidade conjugal atenta contra a santidade dessa aliança. Por que o casamento é um dos pactos mais intensos e vitais que existe? Por várias razões bíblicas e lógicas. Eis algumas delas:
·         Porque ele é a primeira instituição sagrada da humanidade: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24).
·         Porque ele é um acordo íntimo de união vital - seus termos são extremos: “na saúde e na doença”, “na alegria e na tristeza”, e cuja abrangência temporal é vitalícia: “até que a morte os separe”.
·         Porque ele é um depositário de total confiança de ambas as partes.
·         Porque nele são depositados todos os sonhos e o projeto de uma vida.
·         Porque ele é a base para a edificação da família, a célula máter da sociedade.

I.  ADULTÉRIO, UM GRAVE PECADO

A prática do adultério na sociedade contemporânea é mais comum do que muitos gostariam de admitir. A tolerância social para com o adultério é claramente propagada pela mídia e “encarnada” como procedimento normal no cotidiano das pessoas. Dessa forma, o relacionamento monogâmico não é mais interpretado como uma virtude, mas como um comportamento ultrapassado. Além do mais, a “sensualidade legal” da cultura brasileira influencia não apenas os incrédulos, mas infelizmente os membros da igreja cristã. Ainda que os cristãos tenham ciência das consequências devastadoras do adultério, pouco se faz com o objetivo de evitá-lo e muitos “flertam com o inimigo ao lado”.
1.  Conceito e origem da palavra adultério. A palavra adultério vem do latim “adulterium”, que significa “dormir em cama alheia”. Segundo o “Dicionário Teológico” do pr. Claudionor Corrêa de Andrade(CPAD), “é o intercurso carnal entre uma pessoa casada com outra que não seja o seu cônjuge”.
Entre os Hebreus, o adultério equivalia ao rompimento de uma aliança avalizada e abençoada por Deus: “Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança” (Ml 2:14). Portanto, um grave pecado, que era duramente apenado na lei de Moisés(Lv 20:10;Dt 22:22). Aliás, “não adulterarás” era um dos dez mandamentos(Ex 20:14Dt 5:18).
Atualmente, o mundo vê o adultério como algo normal, natural e até esperado no casamento (recente pesquisa feita no Brasil demonstrou que dois terços das pessoas esperam ser traídas por seu cônjuge e entendem ser isto natural e compreensível). Entretanto, o adultério é abominável aos olhos de Deus, tanto que seu alcance foi ampliado por Jesus no sermão do monte(Mt 5:27-30). Sua prática é considerada loucura pela Palavra de Deus(Pv 6:32-7:27). Com certeza, não há prática que cause tantos males e denigra tanto o caráter de alguém senão o adultério, que, além de destruir a família - célula máter da sociedade -, dá péssimo exemplo aos filhos que, sem o exemplo dos pais, perdem o referencial do certo e do errado, sendo, a partir de então, alvos fáceis do inimigo de nossas almas. O adultério é a figura da infidelidade; na Bíblia, a prática do adultério é punida com a morte eterna, tamanho o mal que representa (ler 1Co 6:9). As Escrituras Sagradas afirmam que é o próprio Deus quem julgará os adúlteros(cf Hb 13:4). A Palavra de Deus permanece para sempre e ela continua a nos ensinar que ficarão de fora os adúlteros e os fornicários (Ap 21:8; 22:15).
2. É preciso vigiar. A infidelidade conjugal é um processo maligno que tem início na mente. Em uma sociedade erotizada como a contemporânea, onde as expressões eróticas e pornográficas se tornaram mais explícitas e ousadas, a luta contra a tentação do adultério não é uma batalha individual, mas envolve a participação mútua do casal.
Jesus Cristo, ao falar sobre o adultério, deixou claro que o mesmo pode ser um ato mental e emocional e não apenas físico, pois segundo ele “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5:28). A experiência também confirma, através de fatos explícitos e feridas profundas, que a traição emocional e mental é pré-requisito para a conjunção carnal. Além do mais, não se pode esquecer que a pessoa é intimamente tentada por sua própria cobiça, “quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado” (Tg 1:14-15). Nos últimos anos, a cobiça interna do ser humano parece estar sendo especialmente alimentada pelas ofertas de sexo virtual através da internet. Em alguns casos, a infidelidade virtual acaba resultando em vício. O anonimato e a privacidade proporcionados pela internet podem se revelar ferramentas propícias para a quebra de várias barreiras e, eventualmente, para a consumação da traição virtual. Dessa forma, adultério não é algo apenas físico, mas encontra-se enraizado nas fantasias do coração e da mente.
Explica muito bem o pastor Elinaldo Renovato quando diz: “Se a oração é o respirar da alma para não morrer, a vigilância são ‘as câmaras de segurança’ em torno da vida cristã. Além de grades de proteção, as pessoas instalam câmeras de segurança e cercas elétricas em torno de suas residências para evitar a ação dos marginais, que vivem à procura de assaltar os bens alheios. Tais aparatos não impedem, mas podem evitar muitas ações de meliantes. Na vida espiritual, a vigilância é indispensável. Sem a vigilância, a oração pode perder seus efeitos benéficos, pois surpresas e ‘ciladas do diabo’ podem ocorrer a qualquer momento, quando menos se espera. Para evitar cair nas garras do Diabo e ser presa da pratica do adultério, é indispensável vigiar sempre”. Davi, mesmo sendo um homem segundo o coração de Deus (1Sm 13:14), não vigiou. Por isso, ele cometeu um adultério que o arrastou a um homicídio (2Sm 11).
3. Buscar a presença de Deus e não desprezar o cônjuge. A presença de Deus no lar é fundamental para que haja harmonia, paz, equilíbrio, compromisso e felicidade. Sem Deus é impossível evitar os males dos conflitos. E a presença de Deus só se consegue com oração, estudo das Escrituras Sagradas, perdão, união, adoração ao Senhor.... A promessa de Deus a Moisés é válida também para nós: “... Irá a minha presença contigo para te fazer descansar” (Ex 33: 14). A presença de Deus soluciona problemas e resolve conflitos no lar. Todavia é bom ressaltar, que o lado humano da vida no lar não deve ser olvidado. Não adianta manter uma comunhão diária com o Senhor, por intermédio da oração, da adoração, da leitura e estudo devocional da Palavra de Deus, se o lado humano do cônjuge for açoitado com o indiferentismo. Se não houver ações, gestos e atitudes humanas, necessárias para um bom relacionamento conjugal, o fracasso do matrimônio poderá ocorrer. Comunicação, atenção e carinho, são simples atitudes que poderão fazer grande diferença no lar.
Concordo o pastor Elinaldo Renovato quando diz que há uma armadilha que tem prejudicado muitos casamentos: o excesso de atividades na igreja. O marido dedica-se excessivamente às funções que tem na igreja que não sobra tempo para a esposa e para o lar. Isso é uma grande armadilha à infidelidade sorrateira, que é usada pelo maligno para destruir casamentos, lares e famílias. O resultado disso, muitas vezes, é o esfriamento do amor conjugal. Há estudos que comprovam que a falta de diálogo, de conversa a dois, de atenção e carinho um ao outro, contribui sobremaneira para o adultério. Assim, é indispensável o marido refletir sobre sua agenda, e reservar tempo para comunicar-se, de forma significativa, com sua esposa. O esposo cristão deve desenvolver o melhor relacionamento com a sua esposa, para que os impulsos carnais não sejam meios para a destruição do casamento e do seu ministério. A mulher cristã deve ser sábia, para não destruir o seu lar com as mãos (Pv 14:1).

II. AS CONSEQUENCIAS DA INFIDELIDADE

A infidelidade conjugal destrói casamentos e famílias, trazendo grandes prejuízos sociais, econômicos, emocionais e espirituais. O pior de tudo, afasta a pessoa de Deus. Segundo o sábio bíblico, “só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa” (Pv 6:32). Contudo, ainda que alguns tenham ciência das consequências devastadoras desse ato, pouco se faz com o objetivo de evitá-lo, e não são poucos os que “flertam com o inimigo ao lado”.
1. Afastamento de Deus. O adultério é pecado gravíssimo aos olhos de Deus, o Criador do casamento, do lar e da família. Ele divide a família, afasta o cônjuge da presença de Deus e impede as bênçãos divinas. O rei Davi mais do que ninguém sentiu na pele e na alma a tragédia desse pecado. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2Sm 11:27), perdoou-o por se arrepender profundamente do ato impensado e precipitado, mas não o livrou das inevitáveis e trágicas consequências. Muitas pessoas passam a vida inteira chorando por uma decisão errada feita apenas num instante. Pagam um alto preço por uma desobediência. Choram amargamente por tomar uma direção errada na vida. Cuidado com o pecado, pois ele pode levar você mais longe do que você quer ir.
O pecado promete prazer e paga com o desgosto. Levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte. Tem um aroma sedutor, mas ao fim cheira a enxofre. Só os loucos zombam do pecado. O pecado é maligníssimo. Ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença. Enfim, o pecado é pior do que a própria morte. Esses males todos não podem destruir sua alma nem afastar você de Deus, mas o pecado arruína seu corpo, sua alma e afasta você eternamente de Deus.
A maneira correta de lidarmos com nosso pecado é nos arrependermos dele e, com toda a sinceridade, buscarmos em Deus o perdão, a graça e a misericórdia(Sl 51; Hb 4:16; 7:25), e nos dispormos a aceitar, sem amargura nem rebelião, o castigo divino pelo nosso pecado. Davi tanto reconheceu quanto confessou seus pecados terríveis, voltou-se para Deus, e aceitou a repreensão de Deus, com humildade(cf 2Sm 12:9-13,20;16:5-12;24:10-25;Sl 51).
2. Morte espiritual. O adultério leva à morte espiritual, às vezes até à morte física. O mais perigoso é a morte eterna, ou seja, o afastamento eterno de Deus; é a pior consequência da infidelidade conjugal. Alguns minutos de prazer ilícito podem levar um homem, ou uma mulher, para o inferno (ler 1Co 6:10).
É necessário estar alerta para as ciladas do Inimigo. Muitas vezes, a causa do adultério, ou melhor, dos fatores que contribuem para a infidelidade, está sendo fomentada dentro do próprio lar: com o passar dos anos, o esposo e a esposa deixam de cultivar o amor verdadeiro. Aquelas expressões de carinho dos primeiros tempos ficam esquecidas. O afeto vai desaparecendo entre os dois. O lar, em muitos casos, passa a ser uma espécie de pensão, na qual o marido é o hóspede número um, a esposa é a dona da pensão, e os filhos, os outros hóspedes costumeiros. Não mais existe o ambiente acolhedor e amigo no qual se respirava amor, paz e harmonia. Enquanto isso, fora do lar, os cônjuges, no trabalho, no círculo de amizades, encontram sempre alguém que lhes dê atenção e se interessa (ou finge se interessar) pelos seus problemas. Então Satanás, que não dorme, entra em ação. Começa a falar ao coração que é hora de experimentar um caso de amor, um romance, mesmo passageiro. O cônjuge, mesmo sendo cristão, diante de tal sedução, entra em conflito consigo mesmo. A mente começa a estampar a crise de afeto que existe no lar, a falta de atenção e de carinho, a indiferença do outro cônjuge. A consciência bate forte, lembrando a condição de cristão, lavado e remido no sangue de Jesus. Nas primeiras investidas, o servo de Deus pensa, recua, vence. Mas, dia após dia, as coisas se agravam. A voz do Inimigo soa mais forte e sedutora; a concupiscência se aquece. Vem a queda, o ato, o pecado; enfim, a morte espiritual. Tenhamos cuidado!
3. Um lar despedaçado. Quando um cônjuge adultera causa terrível transtorno à sua família. Em primeiro lugar, atinge ao cônjuge. Em segundo lugar, aos demais membros da família, principalmente aos filhos, que ficam confusos e perplexos por saber que o pai ou a mãe foi infiel, traindo a confiança matrimonial e dos filhos. O adultério mina o edifício da família em sua base, que é a confiança do esposo na esposa, e dos filhos nos pais. Em quem confiar, se os líderes traem um ao outro? O resultado dessa quebra de confiança é a tristeza,a  decepção e a revolta dos filhos. Muitos, não tendo estrutura espiritual e emocional, enveredam por caminhos perigosos, envolvendo-se com drogas, bebida e prostituição. Quem pratica a infidelidade conjugal está edificando sua casa sobre a areia (Mt 7:26).

III. CONSELHOS CONTRA A INFIDELIDADE

1. Fuja das tentações. Afirma o pr. Elinaldo Renovato: “O cristão, por mais que se considere santo, não está imune às tentações. Jesus em tudo foi tentado, mas não pecou (Hb 4:15). Se Jesus foi tentado, Davi foi tentado (e caiu vergonhosamente), Sansão foi tentado, Salomão foi tentado; José(filho de Jacó) foi tentado; o crente, nos dias presentes, não pode achar que está livre de cair em tentação”. Ante o perigo, façamos como José: fuja. Ele fugiu (Gn 39:12).
José, por lealdade e fidelidade a seu Deus, bem como por lealdade a Potifar, continuou resistindo ao pecado. Ele triunfou sobre a tentação, porque de antemão já estava firmemente decidido a permanecer obediente ao seu Senhor e a de não pecar (Gn 39:9). O crente em Cristo Jesus vence a tentação da mesma maneira. O apóstolo Paulo, também, aconselhou Timóteo a fugir – “Foge também das paixões da mocidade...”(2Tm 2:22).
Humanamente pensando, José nada teria a perder em aceitar a oferta da mulher de Potifá. Ele era um rapaz jovem vigoroso e essa mulher não devia ser feia. A tentação era realmente forte e, além do mais, Potifar lhe tinha absoluta confiança. No dia em que sofreu o ataque mais decidido da mulher de Potifar, não havia sequer uma testemunha que o pudesse incriminar. Entretanto, José não tinha a dimensão humana em vista, mas tão somente a dimensão divina - “E o Senhor estava com José”, frase que revelava a íntima comunhão que havia entre José e Deus. José não podia, de forma alguma, deixar de cumprir a Palavra de Deus, deixar de observar os princípios demonstrados pelo Deus de seu pai. A calúnia da mulher de Potifar manchou a reputação de José, mas não atingiu a sua integridade, o seu caráter.
É assim que deve agir todo o crente que sofre a tentação. Como José, o cristão necessita constantemente da graça de Deus para manter-se puro e santo, não se iludindo com os efêmeros e falsos prazeres do pecado, pois o "Adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1Pe 5:8). A Bíblia nos admoesta: "Sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus" (Lv 20:7; 1Pe 1:15,16).
2. Honre o seu cônjuge. O homem, como esposo, tem o dever de honrar a esposa - “... far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2:18), ou, como diz a Bíblia, na Linguagem de Hoje: “... vou fazer para ele alguém que o ajude, como se fosse a sua outra metade”. O que Deus fez foi uma “companheira” que deveria estar sempre junto ao homem. No entanto, há homens que têm vergonha de suas esposas. Nunca são vistos juntos. Às vezes, por causa das marcas do tempo em suas mulheres, quando perdem a graça da juventude, deixam de se interessar por suas esposas; isso é brecha para o Adversário penetrar no relacionamento conjugal. Crente salvo não pode esconder a esposa nem negar ser casado - isto é desonra para a esposa. Honrar a esposa, dando-lhe o apreço e o respeito necessário, é fator decisivo para uma vida conjugal ajustada e gratificante. Admoesta-nos o apóstolo Pedro: “... vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco ...” (1Pedro 3:7). Quando esta verdade é entendida, e vivida, então o relacionamento doméstico fica mais fácil. Também há mulheres que, com o passar do tempo, deixam de se interessar e honrar seus maridos. A Bíblia, porém, recomenda à esposa a reverenciar o marido (Ef 5:33).
3. Cuide da parte sexual (1Co 7:3,5). Cuidar dessa parte do matrimônio é importante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico do marido e sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o Diabo procura prejudicar o relacionamento, a fim de destruir a famíliaO Inimigo tem trabalhado de modo constante para levar o marido ou a esposa a pecar nessa área. Muitos pastores tem caído na cilada do Inimigo, por isso seus ministérios foram à bancarrota por causa da infidelidade conjugal. Cuidado! “os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite, mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios. Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno. Afasta dela o teu caminho e não te aproximes da porta da sua casa; para que não dê a outros a tua honra, nem os teus anos a cruéis. Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço. Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor, e ele aplana todas a suas carreiras” (Pv 5:3-5,8,9,15,18,21).

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto nesta Aula, podemos concluir que o preço a se pagar pelo pecado da infidelidade conjugal é alto demais para aqueles que prezam por sua família e pela comunhão com Deus. Uma família bem estruturada tem seu preço, e da mesma forma uma família desestruturada.  Que isso nos sirva de lição para que nos guardemos dos pecados sexuais e de suas consequências. “O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros” (Hb 13:4).
Fonte: ebdweb