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segunda-feira, 5 de maio de 2014

6ª lição do 2º trimestre de 2014: TEMA: O MINISTÉRIO DE APÓSTOLO

 
Texto Básico: Ef 4:7-16

 
“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4:11).

 

INTRODUÇÃO


Nas Aulas anteriores estudamos os Dons Espirituais de Revelação, de Poder e de Elocução. A partir desta Aula estudaremos a respeito dos Dons Ministeriais, os quais se encontram relacionados em Efésios 4:11, a saber: Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres. O primeiro Dom alistado por Paulo é o de Apóstolo; vamos iniciar nosso estudo por ele. É importante que se faça distinção entre os Dons Ministeriais e os “títulos ministeriais” ou os “cargos eclesiásticos”. Nos nossos dias, muitos têm confundido estes dois aspectos, que são completamente diferentes.

O dom é uma concessão de Cristo, que vem diretamente do Senhor para o crente, dom este que é percebido pelo crente através da comunhão que tem com Deus e pela presença do Espírito Santo na sua vida, e que independe de qualquer reconhecimento humano, mesmo da igreja local.

Já os “títulos ministeriais” e os “cargos eclesiásticos”, são posições sociais criadas dentro das igrejas locais, posições estas que, em sua nomenclatura, muitas vezes estão baseadas na relação de Ef 4:11, como a indicar que o seu ocupante tem o referido dom ministerial, mas que, nem sempre, corresponde a este dom. Como a igreja local, via de regra, é também uma organização humana, acabam sendo criados “títulos” e “posições” com o propósito de esclarecer a hierarquia administrativa, a própria estrutura de governo da organização eclesiástica, mas, a princípio, nada tem a ver com os Dons Ministeriais.

Na igreja primitiva não havia muita preocupação com “títulos” ou “posições”, tanto que, no texto sagrado, os incumbidos do governo da igreja, com exceção dos apóstolos (estes próprios assim estabelecidos pelo próprio Jesus, cujos requisitos se encontram em At 1:21,22) e dos diáconos (At 6:5,6, cuja função é nitidamente administrativa e social), são chamados de vários nomes, indistintamente, como “presbíteros” (1Pe 5:1), “anciãos” (At 14:23) e “bispos” (At 20:28; Fp 1:1), prova de que não havia, àquela época, uma “carreira administrativo-eclesiástica”, como se tem hoje em dia.

I. O COLÉGIO APOSTÓLICO

1. O termo “apóstolo”.Ele mesmo deu uns para apóstolos...” (Ef 4:11). O termo grego “apostolos” significa literalmente “enviado” ou “mensageiro”; ocorre pela primeira vez na literatura do Novo Testamento em Mateus 10:2. O Senhor Jesus Cristo é reconhecido como o Supremo Apóstolo (Hb 3:1), tendo sido o modelo para os Doze, assim como para Paulo, o qual veio a ser escolhido por Deus para ser seu apóstolo entre os gentios (At 13:1-3; Gl 1:14,15; 2:7-8). A partir do Pentecostes, os Doze assumiram a proclamação do Evangelho ao mundo, tornando-se juntamente com os profetas do Antigo Testamento o fundamento da Igreja (Ef 2:20).

2. O Colégio Apostólico. Jesus tinha muitos discípulos, mas apenas doze apóstolos; um discípulo é um seguidor, um apóstolo é um comissionado. Entende-se por colégio apostólico o grupo dos doze primeiros discípulos de Jesus convidados por Ele a auxiliarem o seu ministério terreno. O Salvador os chamou e nomeou. Em sentido especial, eles constituíram o início do alicerce da Igreja (cf  Ef 2:20; 3:5; Mt 16:18; Ap 21:14). Tinham autoridade ímpar na igreja, no tocante à revelação divina e à mensagem original do evangelho, como ninguém mais até hoje (Ef 3:5). Por esta razão, este ofício inicial de apóstolo do Novo Testamento é ímpar e não repetido. Como testemunhas e mensageiros diretos do Senhor Jesus, com exceção de Judas Iscariotes, eles edificaram o alicerce da Igreja de Jesus Cristo, alicerce este que nunca poderá ser alterado, nem admitir acréscimo. Daí, aquele grupo de apóstolos não ter sucessores. São “Apóstolos do Cordeiro” num sentido único (Ap 21:14; 1Ts 2:6; Jd 17).

OBSERVAÇÃO:

Todos os crentes e igrejas serão verdadeiros somente à medida que fizerem o seguinte:

a) Aceitar o ensino e revelação originais dos apóstolos a respeito do evangelho, conforme o Novo Testamento registra, e procurar manterem-se fiéis a eles (At 2:42). Rejeitar os ensinos dos apóstolos é rejeitar o próprio Senhor (João 16:13-15; 1Co 14:36-38; Gl 1:9-11).

b) Continuar a missão e ministério apostólicos, comunicando continuamente sua mensagem ao mundo e à Igreja, através da proclamação e ensino fiéis, no poder do Espírito (At 1:8; 2Tm 1:8-14; Tt 1:7-9).

c) Não somente crer na mensagem apostólica, mas também defendê-la e guardá-la contra todas as distorções ou alterações. A revelação dos apóstolos, conforme temos no Novo Testamento, nunca poderá ser substituída ou anulada por revelação, testemunho ou profecia posterior (At 20:27-31; 1Tm 6:20) (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL - nota a Efésios 2:20,  p.1811).

3. A singularidade dos Doze. O apostolado dos Doze tinha uma singularidade bem destacada em relação aos demais apóstolos narrados no livro de Atos e também nas epístolas. Para se qualificar como apóstolo é preciso que atenda cumulativamente aos seguintes requisitos:

a) Ter visto Jesus Cristo após a ressurreição (ser testemunha ocular da ressurreição - At 1:21,22). Aqui neste texto Pedro diz que o substituto de Judas deve “se tornar testemunha conosco de sua ressurreição”. Além disso, foi “aos apóstolos que escolhera” que “depois de ter padecido se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias” (At 1:2,3; cf 4:33). Quando Paulo defendeu seu apostolado, afirmou: “Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo” (1Co 15:7-9). Estes versículos indicam que só podia ser apóstolo alguém que tivesse visto Jesus após a ressurreição.

b) Ter sido especificamente convocados pelo Senhor como apóstolo (Mt 10:1; Lc 6:13). Mesmo que o termo “apóstolo” não seja comum nos evangelhos, os doze discípulos são chamados “apóstolos” especificamente em um contexto onde Jesus os comissiona, “enviando-os” para pregar em seu nome (cf Mt 10:1-7). Da mesma forma, Jesus comissiona seus apóstolos em um sentido especial para serem “testemunhas [...] até aos confins da terra” (At 1:8). O apóstolo Paulo conta como, na estrada de Damasco, Jesus disse que o estava designando como apóstolo dos gentios (At 26:16,17). Mais tarde, Paulo afirma que foi especificamente designado por Cristo como apóstolo (veja Rm 1:1; Gl 1:1; 1Tm 1:12; 2:7; 2Tm 1:11).

c) Ter o ministério autenticado com milagres especiais (Mc 16:17,18). Os Doze foram revestidos de autoridade de Deus (At 2:4) para expulsar os demônios, curar enfermos, operar maravilhas. Disse Paulo: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós, com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas” (2Co 12:12).

II. O APÓSTOLO PAULO


1. Saulo e sua conversão. A conversão extraordinária de Saulo foi um divisor de águas não só em sua vida, mas também na história da humanidade. Antes dessa insólita experiência, foi o maior perseguidor do cristianismo; depois dela, tornou-se seu maior arauto. Sua vida foi vivida sempre com grande ardor e paixão. Antes de sua conversão, seu zelo sem entendimento o levou a perseguir implacavelmente os cristãos. Depois de sua conversão, seu zelo pela glória de Deus o fez gastar-se sem reservas pelos cristãos.

Parece que a conversão de Paulo não foi repentina. De acordo com a própria narrativa de Paulo, Jesus lhe disse: "... Dura cousa é recalcitrares contra os aguilhões" (At 26:14). Jesus comparou Paulo a um touro jovem, forte e obstinado, e ele mesmo, a um fazendeiro que usa aguilhões para domá-lo. Deus já estava trabalhando na vida de Paulo antes de ele se render no caminho de Damasco. Paulo era como um touro bravo que recalcitrava contra os aguilhões (At 26:14). Jesus já estava ferroando sua consciência quando ele viu Estevão sendo apedrejado e com rosto de anjo pedir ao Senhor para perdoar seus algozes. A oração de Estêvão ainda latejava na alma de Paulo. Jesus estava ferroando a consciência de Paulo quando ele prendia os cristãos e dava seu voto para matá-los, e eles morriam cantando. Mas, como esse boi selvagem não amansou com as ferroadas, Jesus apareceu a ele, o derrubou ao chão e o subjugou totalmente no caminho de Damasco. Paulo precisou ser jogado ao chão e ficar cego para se converter. Nabucodonosor precisou ir para o campo comer capim com os animais para se dobrar. E você, até quando vai resistir à voz do Espírito de Deus?

Se a conversão de Paulo não foi repentina, também não foi compulsiva. Cristo falou com ele em vez de esmagá-lo. Cristo o jogou ao chão, mas não violentou sua personalidade. Sua conversão não foi um transe hipnótico. Jesus apelou para sua razão e para seu entendimento. Jesus perguntou: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". Paulo respondeu: "Quem és tu, Senhor?". Jesus respondeu: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues". Jesus ordenou: "levanta-te...", e Paulo prontamente obedeceu! A resposta e a obediência de Paulo foram racionais, conscientes e livres. A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. Jesus lanceou a mente e a consciência de Paulo com os seus aguilhões. Então ele se revelou através da luz e da voz, não para esmagá-lo, mas para salvá-lo. A graça de Deus não aprisiona. É o pecado que prende. A graça liberta! (1)

2. Um homem preparado para servir. O primeiro chamado de Paulo foi para andar com Deus e, como resultado dessa caminhada, fazer a obra de Deus. Ele serve a Deus ministrando aos homens. Quem serve a Deus não busca projeção pessoal. Quem serve a Deus não anda atrás de aplausos e condecorações. Quem serve a Deus não depende de elogios nem desanima com as críticas. Quem serve a Deus não teme ameaças nem se intimida diante de perseguições. Muitos batem no peito, arrogantemente, dizendo que são servos de Deus. Outros, besuntados de orgulho, fazem propaganda de seu próprio trabalho. Outros, ainda, servem a Deus, mas gostam dos holofotes. Há aqueles que fazem do serviço a Deus um palco onde se apresentam como os atores ilustres sob as luzes da ribalta. Um servo não busca glória para si mesmo. Fazer a obra de Deus sem humildade é construir um monumento para si mesmo. É levantar outra modalidade da torre de Babel. Paulo servia a Deus com lágrimas. A vida ministerial não lhe foi amena. Em vez de ganhar aplausos do mundo, recebeu ameaças, açoites e prisões. Paulo manteve sua consciência pura diante de Deus e dos homens, mas os judeus tramaram ciladas contra ele. Viveu num campo minado. Enfrentou inimigos reais, porém, às vezes, ocultos. Nem sempre Deus nos poupa dos problemas. Às vezes, ele nos treina nos desertos mais tórridos e nos vales mais profundos e escuros.

O apóstolo sintetiza o seu ministério em três verdades sublimes. Ele diz aos presbíteros de Éfeso: "Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus"(At 20:24). Aqui, Paulo fala sobre três verdades: vocação, abnegação e paixão. Paulo diz que recebeu seu ministério do Senhor Jesus. Ele não se lançou no ministério por conta própria. Ele foi chamado, vocacionado e separado para esse trabalho. Paulo não se tornou um pastor porque buscava vantagens pessoais. Não entrou para as lides ministeriais buscando segurança, emprego ou lucro financeiro. Paulo não tinha apenas convicção de sua vocação, mas também consciência das implicações desse chamado. Paulo diz que não considerava a vida preciosa para ele mesmo desde que cumprisse o seu ministério. O coração de Paulo não estava nas vantagens auferidas do ministério. Ele não estava no ministério cobiçando prata ou ouro. Não estava numa corrida desenfreada em busca de prestígio ou fama. Seu propósito não era ser aplaudido pelos homens ou ganhar prestígio entre os homens. Na verdade, ele estava pronto a trabalhar com as próprias mãos para ser pastor. Estava pronto a sofrer toda sorte de perseguição e privação para pastorear. Estava disposto a ser preso, a sofrer ataques externos e temores internos para pastorear a igreja de Deus. Estava pronto a dar a própria vida para cumprir cabalmente seu ministério. A grande paixão de Paulo era testemunhar o evangelho da graça de Deus. A pregação enchia o peito do velho apóstolo de entusiasmo. Paulo se considerava um arauto, um embaixador, um evangelista, um pregador. Sua mente estava totalmente voltada para a pregação. Seu tempo era todo dedicado à pregação. Mesmo quando estava preso, entendia que a Palavra não estava algemada (1). Não haja dúvida, Paulo foi um homem preparado para servir.

3. “O menor dos apóstolos”. Paulo não pertenceu ao grupo dos Doze apóstolos. Ele próprio, humildemente, ao escrever à igreja de Corinto, diz que se considerava o menor dos apóstolos e até não era digno de ser chamado apóstolo, uma vez que havia perseguido a igreja de Deus (1Co 15:9). Todavia, mesmo considerando-se "o menor dos apóstolos", Paulo revelou-se um grande servo de Deus. Ele foi, indubitavelmente, o maior evangelista, o maior teólogo, o maior missionário e o maior plantador de igrejas de toda a história do cristianismo. Nenhum homem exerceu tanta influência sobre a nossa civilização; nenhum escritor foi tão conhecido e teve suas obras tão divulgadas e comentadas quanto ele. Embora tenha vivido sob fortes pressões internas e externas, não deixou jamais sua alma ficar amargurada. Paulo foi o maior bandeirante do cristianismo, seu arauto mais eloquente, seu embaixador mais ilustre. Pregou com zelo aos gentios e aos judeus, nas escolas, cortes, palácios, sinagogas, praças e prisões. Com a mesma motivação, pregou quando tinha fartura e também quando passava por privações. Ele enriqueceu muitos, sem nada possuir. Embora tenha experimentado fome e frio, suportado cadeias e tribulações, passado os últimos dias numa masmorra e enfrentado o martírio por ordem de um imperador insano e déspota, sua vida ainda inspira milhões de pessoas em todo o mundo. Sua última doxologia, mesmo diante do patíbulo e já “sendo oferecido por aspersão de sacrifício”, foi: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda “; a Ele “seja glória para todo o sempre. Amém!” (2Tm 4:7,8,18b).

III. APOSTOLICIDADE ATUAL (Ef 4:11)

1. Ainda há apóstolos? Os apóstolos, em sentido restrito designam os Doze (Lc 6:13; At 1:26; 2:14) - os onze discípulos originais que continuaram após a morte de Judas, e Matias, que o substituiu (At 1:26). Esses Apóstolos “originais” eram testemunhas da ressurreição de Cristo (At 1:22; 1Co 9:1), escolhidos pessoalmente pelo Senhor (Mc 3:13-19; Gl 1:1), formando ao lado dos profetas do Antigo Testamento o fundamento sobre o qual a Igreja está construída (Ef 2:20; cf At 2:42). Tão importante era esse grupo original de doze apóstolos que lemos que seus nomes estão escritos nos fundamentos, e estão sobre estes os “doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21:14). Nesse sentido restrito, o dom de apóstolo não mais existe.

2. Apóstolos fora dos doze. À primeira vista, poderíamos pensar que o grupo dos Doze nunca deveria ser expandido, de modo que ninguém pudesse ser acrescentado a ele. Mas Paulo claramente alega ser também um apóstolo (Rm 1:1; 1Co 9:1; Gl 1:1), o último dos apóstolos (1Co 15:8), no sentido de receber um mandato especial através de um encontro com o Senhor ressurreto para integrar a formação do testemunho inicial e fundamental de Jesus Cristo (cf At 9:3-8; 22:6-11; 26:12-18). E Atos 14:4, também, chama Barnabé apóstolo: “Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo...”. Assim, com Barnabé e Paulo são catorze os apóstolos de Jesus Cristo.

Tiago, o irmão de Jesus(que não era um dos doze discípulos originais), também é chamado apóstolo em Gálatas 1:19. Paulo conta que, quando foi a Jerusalém, ele não viu “outro dos apóstolos senão a Tiago, o irmão do Senhor”. Além disso, quando alista as aparições de Jesus, Paulo prontamente coloca Tiago com os apóstolos (cf 1Co 15:7-9).

Outros apóstolos além destes quinze pode ter havido, embora saibamos pouco ou nada sobre eles e não tenham certeza de que de fato existiram outros. Outras pessoas, é claro, tinham visto Jesus após a ressurreição (“Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez”, 1Co 15:6). Desse grande número é possível que Cristo tenha designado alguns outros como apóstolos – mas é também possível que não o tenha feito. Os dados não são suficientes para decidir a questão. Têm sido sugeridos como apóstolos: Silas (1Ts 2:7), Apolo (1Co 4:6,9), Andrônico e Júnias (Rm 16:7).

3. O ministério apostólico atual. Como o termo “apóstolo” significa “enviado”, esse dom permanece na Igreja contemporânea com uma conotação estritamente missionária, distinguindo os cristãos separados por Deus para a tarefa missionária (Rm 1:5; 1Co 9:2; Gl 2:8), capacitando-os a fundar e consolidar igrejas (2Co 11:28) por meio das missões culturais ou transculturais. O próprio Novo Testamento possui três versículos nos quais a palavra apóstolo (gr. apostolos) é usada em um sentido amplo, não para se referir a qualquer ofício específico na igreja, mas simplesmente com o sentido de “mensageiro”.  Em Filipenses 2:25, Paulo chama Epafroditovosso mensageiro (apostolos) e vosso auxiliar nas minhas necessidades”; em 2Coríntios 8:23, Paulo refere-se àqueles que acompanharam a oferta que ele estava levando para Jerusalém como “mensageiro (apostoloi) das igrejas”; e em João 13:16, Jesus diz: “...nem é o enviado (apostolos) maior do que aquele que o enviou”.

Assim, o termo “apóstolo”, em sentido extensivo, é sinônimo do termo “missionário” (cf. At 9:13-17; 14:21-28; 1Co 9:19-23; Gl 1:15-17;; 2:7-14; Ef 3:6-8). É bom enfatizar que o apostolado não é um título pomposo, especial; também não é um cargo hierárquico; aliás, não há sucessão apostólica, essa é uma doutrina formada pela igreja romana para justificar a existência do poder papal. O ministério dos Doze não existe mais. O que há é o ministério de caráter apostólico. O verdadeiro apostolado baseia-se na pessoa e obra de Jesus, o Apóstolo por excelência (Hb 3:1), e a Igreja somente poderá ser genuína se for alicerçada na revelação infalível, inspirada por Cristo, aos primeiros apóstolos (ver Ef 2:20).

CONCLUSÃO


Ser apóstolo é ter uma missão especifica a cumprir no Reino de Deus. Num sentido geral, todos nós fomos chamados para ser enviados (João 20:21). O verbo grego “apostello” quer dizer “enviar”, e todos os cristãos são enviados ao mundo como embaixadores e testemunhas de Cristo para participar da missão apostólica de toda a igreja. Expressamos nossa convicção de que, hoje, uma igreja apostólica é aquela que segue a doutrina dos apóstolos, e não aquelas que dão a seus líderes o título de apóstolos. Portanto, sendo um Dom Ministerial, uma operação de Cristo, feita pelo Espírito Santo, temos de admitir que se trata de um dom que persiste nos nossos dias, mas não devemos nos esquecer que o Dom de Apóstolo nada tem que ver com os “títulos” que se têm dado na atualidade e que, se alguma base bíblica tem, só pode ser a referência de 2Co 11:13: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo”.
 
Fonte: ebdweb

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