Seguidores

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

9ª aula do 3º trimestre de 2014: A VERDADEIRA SABEDORIA SE MANIFESTA NA PRÁTICA

 
Texto Base: Tiago 3:13-18

“Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria” (Tg 3:13).

 

INTRODUÇÃO


Dando continuidade ao estudo da Epístola de Tiago, estudaremos nesta Aula “a sabedoria como a habilidade de exercer uma ética correta com vistas a praticar o que é certo. Veremos a pessoa sábia como alguém que se mostra madura em todas as circunstâncias da vida, pois é no cotidiano que a sabedoria do crente deve se mostrar”. A Carta de Tiago é um conjunto de sermões que trata de modo muito prático a forma como um servo de Deus deve viver, e isso inclui agir com sabedoria em todos os momentos. Na vida cristã não vale a máxima faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Na visão de Tiago, as atitudes corretas têm mais sentido do que palavras vazias e sem exemplo de vida.

I. A CONDUTA PESSOAL DEMONSTRA SE A NOSSA SABEDORIA É DIVINA OU DEMONÍACA (Tg 3:13-15)

1. Sabedoria não se mostra com discurso (Tg 3:13).Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria”.

Um cristão desejoso de crescer na vida cristã certamente privilegia a palavra falada e escrita. Lemos a Bíblia e ouvimos as pregações em nossas igrejas, e cremos que os discursos são elementos de comunicação que atingem sua finalidade: convencer pessoas e motivá-las a que tenham atitudes que agradem a Deus. Entretanto, devemos nos lembrar de que a sabedoria não é demonstrada apenas em nossos discursos, mas também em nossas atitudes. Palavras, como diz a sabedoria popular, o vento leva. Entretanto, atitudes falam mais alto do que nossas próprias palavras, e ficam marcadas em nossas vidas.

Discursos, por mais elaborados que sejam, tornam-se inócuos se desprovidos de atitudes que os espelhem. Deus espera ver em nós atitudes condizentes com o que ensinamos e pregamos, para que a mensagem do evangelho seja não apenas um conjunto de palavras bem apresentadas, mas acima de tudo, o poder de Deus manifesto em nossas vidas, moldando-nos de acordo com a sua vontade e mostrando ao mundo a diferença que Deus faz. (1)

2. A inveja e facção (Tg 3:14). “Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade”. Inveja e facção são dois sentimentos que andam muito próximos de nós.

A inveja é caracterizada pelo desgosto que uma pessoa tem em relação a outra pessoa e contra o que  essa outra pessoa possui. Diferente da arrogância, que faz com que o arrogante veja outras pessoas como se ele estivesse em uma posição superior, o invejoso vê a si próprio como uma pessoa que está em posição inferior. Ele imagina que a pessoa alvo de seu sentimento não é digna de ter o que tem, e se imagina como merecedora daqueles talentos, dons ou bens que a pessoa tem. (2)

O sentimento facccioso. É outra característica de quem alega ter a sabedoria e não consegue demonstrá-la na prática. A falsa sabedoria manifesta-se através de um sentimento faccioso. Há grandes feridas nos relacionamentos dentro das famílias e das igrejas. A palavra que Tiago usa, erithia, significa espírito de partidarismo. Subentende a inclinação por usar meios indignos e divisórios para promover os próprios interesses. Era a palavra usada por um político à cata de votos. As pessoas estão a seu favor ou estão contra você. Tiago, então, propõe à igreja um desafio àqueles que afirmavam ter a verdadeira sabedoria: eles precisavam observar a verdadeira sabedoria que vem do Céu.

Paulo alertou os crentes de Filipos sobre o perigo de estarem envolvidos na obra de Deus com motivações erradas: vanglória e partidarismo (cf Fp 2:3). Essa exortação é bastante atual!

3. Sabedoria do alto e sabedoria diabólica (Tg 3:15). “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica”.

De modo meio irônico, Tiago agora compara a sabedoria possuída por aquelas pessoas invejosas e facciosas com a sabedoria que desce lá do alto. A verdadeira sabedoria, e as Escrituras deixam isso claro, procede somente de Deus: “... o Senhor dá a sabedoria” (Pv 2:6). É por isso que ela pode ser obtida apenas se a pedirmos a Deus (Tg 1:5).

A sabedoria que não produz um bom estilo de vida (Tg 3:13) é, em suma, caracterizada “pelo mundo, pela carne e pelo demônio”. Em cada uma destas formas, ela é a antítese direta da “sabedoria que desce lá do alto” – celestial em natureza, espiritual em essência e divina em sua origem.

II. ONDE PREVALECEM A INVEJA E SENTIMENTO FACCIOSO, PREVALECE TAMBÉM O MAL (Tg 3:16)

“Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa”.

1. A maldade do coração humano. Uma das questões mais difíceis com que temos de lidar é a capacidade de o coração humano ser mal. Há muitos gestos de bondade, generosidade e altruísmo ao longo da história em todas as culturas, mas há muito mais registros da capacidade má do homem agindo tanto em grupo quanto individualmente.

A maldade humana se desenvolve na mais tenra idade, e não são poucos os atos maldosos cometidos por crianças e adolescentes. Veja o que está escrito em Gênesis 8:21: “... disse o SENHOR em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice...”. Assim sendo, a igreja deve investir com muita dedicação na apresentação do evangelho também para as crianças, a fim de que ainda pequenas tenham a oportunidade de conhecer a Jesus Cristo e receberem a salvação.

A maldade do coração humano é vista não apenas entre as pessoas que não conheciam ao Senhor, mas igualmente entre o povo de Deus houve manifestação de maldades e de pensamentos ruins. Jeremias, usado por Deus, reclamou com os habitantes de Jerusalém sobre suas atitudes: "Lava o teu coração da malicia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os teus maus pensamentos?" (Jr 4:14). Jeremias ainda reitera a capacidade má que o coração humano possui: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jr 17:9). Isso não ocorreu somente com Israel, mas também dentro da própria igreja (Tg 3:12; 4:1-3; 2Co 12:20).

A maldade do coração humano, certamente, terá resultados terríveis. Veja estas palavras do Senhor através do Jeremias: "Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações" (Jr 17:10).

2. A inveja e a facção instauram a desordem. “... aí há perturbação...”. Inveja e sentimento faccioso são evidências da falsa sabedoria. São atitudes a serem evitadas pelos salvos em Cristo, pois, inevitavelmente, trazem desordem no meio do povo de Deus.

A facção é o desejo de divisão. É aquele sentimento que não se contenta em presenciar a unidade de um grupo. Pessoas unidas tendem a ser mais exitosas em seus intentos, mas grupos divididos não costumam ter força suficiente para alcançar desafios. Por isso o sentimento faccioso é tão importante para Satanás. Ele sabe que quando há unidade na igreja local, as pessoas oram mais umas pelas outras, são mais misericordiosas, ajudam-se e buscam sempre a solução de possíveis conflitos, de forma que a igreja fica fortalecida. Mas se uma igreja é dominada pelo espírito faccioso, não poderá crescer, mesmo que seja rica em dons e manifestações espirituais.

A igreja de Corinto é um exemplo clássico de comunidade que foi atingida pela desordem, fruto de facções. Nessa igreja encontravam-se cristãos que haviam recebido dons espirituais de poder, elocução e de revelação. Mas, desconhecia a forma correta de utilização desses dons. Por causa disso, passou por diversos problemas, até que fosse orientada pelo apóstolo Paulo não apenas em relação ao uso correto dos dons, mas igualmente quanto à prática da comunhão.

O problema não estava nos dons espirituais, pois eles foram dados por Deus para a edificação da igreja. O problema estava no partidarismo daquela congregação. Aqueles crentes eram muito divididos. Uns eram de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e outros, de Jesus. Como pode uma igreja ser sadia se seus membros competem entre si, e trabalham em prol de grupos internos? O problema não eram os dons espirituais, e sim a desunião do grupo.

E o que dizer da inveja? De acordo com Tiago, a inveja colabora com a perturbação e toda obra perversa. Pessoas dominadas pela inveja não conseguem contribuir nem com sua própria vida nem com as pessoas que a cercam. A inveja faz a pessoa perder o foco em si mesma e em Deus, além de fazer com que ela se concentre em outras pessoas, como se elas tivessem tudo e o invejoso, nada. Os talentos e bens dos outros são o alvo dos invejosos, que buscam ter justamente aquilo que outras pessoas têm. Não raro, pessoas dominadas pela inveja não desejam apenas ter o que o outro tem, mas se possível, desejam ver aquela pessoa sem aquilo que tem. Quer dizer, não basta para o invejoso ter alguma coisa; ele precisa ver o outro sem nada.

Pessoas invejosas não conseguem ser agradecidas, pois estão em busca do que ainda não possuem e não conseguem agradecer a Deus por aquilo que já conquistaram e receberam. Elas só enxergam o que ainda lhes falta.

Não há possibilidade de crescimento espiritual para pessoas cheias de inveja e facciosas, a menos que elas renunciem esses sentimentos e sejam cheias do Espírito Santo, a fim de que sejam controladas por Ele. (3)

3. Obras perversas. ”... e toda obra perversa”. Tiago trata em sua Carta sobre boas obras, mas ele também fala sobre obras perversas. Enquanto as boas obras são um fruto da sabedoria divina e demonstração da nossa fé em Cristo, as obras perversas são uma extensão da malignidade humana. Pode haver pessoas que se consideram corretas com essas coisas, mas aos olhos de Deus, precisam agir de forma a renunciar tudo isso e abandonar tais práticas, e não ocultá-las. (4)

III. AS QUALIDADES DA VERDADEIRA SABEDORIA (Tg 3:17,18)

“Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia “(Tg 3:17).

1. Características da verdadeira sabedoria. A sabedoria que vem de Deus tem características específicas, e pela forma como estão descritas, entendemos que são demonstradas na prática do dia a dia. Lembremo-nos de que Deus é a fonte dessa sabedoria, e, portanto, suas características estão estampadas na Palavra de Deus.

a) A sabedoria que vem de Deus é pura. Isto quer dizer que é limpa em pensamentos, palavras e atos. É incontaminada de espírito e corpo, na doutrina e na pratica, na fé e na moralidade.

b) A sabedoria que vem de Deus é pacífica. O homem sábio ama a paz e faz todo o possível para mantê-la sem sacrificar a pureza. Esse fato é ilustrado por uma história contada por Lutero. Dois homens se encontraram numa ponte estreita sobre um rio profundo. Não podiam voltar e não desejavam brigar. Depois de uma curta negociação, um deles se deitou e deixou que o outro passasse sobre ele. A “moral”, dizia Lutero, “é simples: fique contente se precisar ser pisado para manter a paz; refiro-me, porém, à sua pessoa, e não à sua consciência”.

c) A sabedoria que vem de Deus é moderada (indulgente –ARA). É tranquila, e não tirana; gentil, e não grosseira. Um homem sábio é um cavaleiro que respeita os sentimentos dos outros.

d) A sabedoria que vem de Deus é tratável. Ou seja, é conciliatória, acessível, pronta a ouvir e ceder quando a verdade assim o requer. Não é, portanto, obstinada e inflexível.

e) A sabedoria que vem de Deus é cheia de misericórdia e de bons frutos. É cheia de misericórdia para com aqueles que trilham o caminho errado e desejosa de ajuda-los a encontrar o caminho certo. É compassiva e bondosa. Em vez de ser vingativa, retribui a indelicadeza com benevolência.

f) A sabedoria que vem de Deus é imparcial. Ou seja, não gera favoritismo. Trata os outros com imparcialidade.

g) A sabedoria que vem de Deus é sem hipocrisia (sem fingimento-ARA). É sincera e genuína. Não simula ser o que não é.

2. O fruto da justiça (Tg 3:18). “Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz”.

Descobrimos aqui que a verdadeira vida cristã é uma semeadura e uma colheita. Nós colhemos o que semeamos. O sábio semeia justiça e não pecado. Ele semeia paz e não guerra. O que nós somos, nós vivemos e o que nós vivemos, nós semeamos. O que nós semeamos determina o que nós colhemos. Temos que semear a paz e não problemas no meio da família de Deus.

Entendendo melhor, a vida cristã é como o processo de plantio, que envolve o agricultor (o sábio pacífico), as condições do tempo (paz) e a colheita (justiça). O agricultor deseja produzir uma colheita de justiça, mas seu objetivo não pode ser alcançado num ambiente de brigas e desavenças. A semeadura deve ocorrer em condições de paz – “para os que exercitam a paz” -, e os semeadores precisam ter disposição pacífica. O resultado é uma colheita de justiça na vida dos semeadores e na vida daqueles a quem ministram.

CONCLUSÃO


A sabedoria que é pura, pacifica, moderada, tratável, cheia de misericórdia, de bons frutos, imparcial e sem hipocrisia, é o padrão de Deus na demonstração de sua sabedoria. Que assim possamos ser, para realmente fazer um diferencial no Reino de Deus neste mundo.
Fonte: ebdweb

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

9ª lição do 3º trimestre de 2014:A VERDADEIRA SABEDORIA SE MANIFESTA NA PRÁTICA


Texto Áureo Tg. 3.13 - Leitura Bíblica Tg. 3.13-18

INTRODUÇÃO
É comum às pessoas desta geração buscarem informações, algumas delas ainda se interessam por conhecimento, mas poucas querem realmente sabedoria. Na aula de hoje atentaremos para a verdadeira sabedoria, como demonstração de temor a Deus, demonstrada em obediência. Mostraremos, a princípio, a partir das orientações de Tiago, o que é a verdadeira sabedoria, em seguida, destacaremos que essa se manifesta na prática, e por fim, que é evidência de uma vida cristã autêntica.
1. A VERDADEIRA SABEDORIA
A fonte da verdadeira sabedoria é o próprio Deus, considerando que os homens, pelas suas investigações, são incapazes de obtê-la. Por isso Tiago pergunta: Quem é sábio e tem entendimento? A concepção de sabedoria em Tiago é bastante parecida com aquela do autor dos Provérbios (Pv. 8.1-21). Para esses a sabedoria é muito mais que mero acúmulo de conhecimento, trata-se de uma compreensão da vontade de Deus, e de uma prática condizente com essa revelação. Os gregos antigos se vangloriavam de sua sophia - sabedoria, por isso faltava-lhes humildade. Como diz Paulo, ao escrever aos Romanos, os intelectuais, dizendo-se sábios, tornaram se loucos e trocaram a glória de Deus imortal por imagens (Rm. 1.22,23). Os sábios segundo o mundo precisam ser mais humildas, reconhecerem que necessitam de Deus, e que não sabem de tudo, admitirem que são ignorantes em relação a muitas coisas, principalmente no que tange às de Deus (Sl. 111.10). A prepotência do neoateismo tem distanciado muitas pessoas de Deus, a falta de humildade e senso de ignorância, conduz o ser humano a pensar que é maior que o Criador. Ser ateu significa fechar-se ao mistério, à possibilidade da revelação divina, a assumir-se dogmático em relação à existência de Deus, a acreditar na eternidade da matéria, mesmo sem ter fundamento científico. Há intelectuais que têm muito conhecimento, graduam-se, fazem seus mestrados e doutorados, por causa disso perdem a singeleza de coração. Isso resulta, no contexto da Epístola de Tiago, em soberba, e dificuldade para manter relacionamentos duradouros e saudáveis (Tg. 3.13,14). A razão dessa condição está na fonte dessa sabedoria, que é da terra, não do céu. A verdadeira sabedoria vem do alto, não é uma empreitada humana, tal como foi a torre de Babel (Gn. 11.9).

2. MANIFESTA-SE NA PRÁTICA
Essa sabedoria humana se caracteriza por: 1) ser terrena (Tg. 3.15), portanto é deste mundo (I Co. 1.20,21), proveniente da mera razão humana; 2) ser animal, ou mais propriamente, física (Tg. 3.15), ou natural ( Co. 2.14); e 3) ser demoníaca (Tg. 3.15), por se respaldar nas mentiras do diabo (Rm. 1.18-25), pois ele é o pai da mentira (Jo. 8.44). A verdadeira sabedoria, a que vem do alto, portanto de Deus, é fruto de oração (Tg. 1.15), é recebida quando alguém a busca, e se predispõe a se apropriar dela, é uma dádiva do Senhor (Tg. 1.17), A manifestação concreta dessa sabedoria é o próprio Cristo, nEle repousa a sophia tou theou - a sabedoria de Deus (I Co. 1.13), os tesouros da sabedoria são encontrados nEle (Cl. 2.3). A maneira de conhecermos essa sabedoria é através da Palavra de Deus, pois são as Escrituras que nos tornam sábios para a salvação (II Tm. 3.15). A sabedoria humana se manifesta: 1) por meio de inveja amargurada (Tg. 3.14,16), busca apenas a autopromoção, rouba a glória de Deus (I Co. 1.23-31); 2) um sentimento faccioso (Tg. 3.14,15), é o partidarismo, na busca pela satisfação dos interesses particulares (Fp. 2.3); 3) fundamentada na mentira (Tg. 3.14), se alimenta da vaidade, e não respeita limites para adquirir fama (I Co. 4.5). Mas a verdadeira sabedoria, que se manifesta na prática, é pura (Tg. 3.17), está livre da ambição e dos sentimentos de vangloria; é pacificadora (Tg. 3.17) não semeia contendas entre os irmãos, estimulando a competitividade (Tg. 4.1,2); é ponderada (Tg. 3.17), não se lança precipitadamente, principalmente para tirar vantagem dos mais fracos. A verdadeira sabedoria também é tratável, se deixa persuadir com facilidade, demonstra abertura para o aprendizado. Há pessoas nas igrejas que, assim como procedeu Nabal, não conseguem maturidade espiritual, pois são intratáveis (I Sm. 25.3,17). A sabedoria do alto também é cheia de misericórdia (Tg. 3.17), não lida com as pessoas demonstrando inclemência, muito pelo contrario, sabem que foram alcançados pela graça de Deus, por isso demonstram amor e compaixão. Essa é uma sabedoria que produz frutos dignos de arrependimento, está fundamentada nas virtudes do Espírito (Gl. 5.22), por isso não mostra parcialidade, principalmente em relação aos mais pobres (Tg. 3.17), e não se revela fingida, com hipocrisia, visando apenas benefícios particulares.

3. DA VIDA CRISTÃ AUTÊNTICA
A vida cristã dever ser marcada pela autenticidade, nela não há lugar para fingimentos, ou palavras frívolas. Os fariseus do tempo de Jesus eram pessoas que se pautavam em uma religiosidade aparente (Mt. 23). Eles foram denunciados por Jesus porque não levavam a sério sua crença em Deus, e mais que isso, se gloriavam das suas exterioridades, em detrimento dos valores interiores. Nestes dias, nos quais as igrejas evangélicas buscam apenas aumentar o número dos seus adeptos, carecemos de uma fé cristã autêntica, diferente do fermento dos fariseus e saduceus, que busca crescimento a qualquer custo (Mt. 6.6,7). A vida cristã autêntica é uma escolha, que se fez apesar de tudo e de todos, uma entrega incondicional, uma disposição a confiar na Palavra de Deus (Rm. 11.8-12). Por esse motivo, os cristãos, em todos os tempos, precisam decidir, se viverão a partir da sabedoria da terra ou do céu. As opções que o mundo oferece são as mais diversas, as obras da carne se apresentam como uma alternativa atraente (Gl. 5.17). Mas não estamos determinados a nos conduzir pela natureza pecaminosa, para isso é preciso investir na vida espiritual, na sabedoria praticada, concretizada na disciplina. O hedonismo tem influenciado muitos cristãos a entregarem-se aos desejos pecaminosos. Há aqueles que não fazem mais a diferença entre o que é certo e o que é errado, estão com as mentes cauterizadas (I Tm. 4.1,2). Um pensador disse, expressando a visão deste mundo, que a melhor maneira de vencer uma tentação é entregar-se a ela. Até mesmo os cristãos estão esquecendo a sabedoria do alto, e se voltando para os prazeres como um fim último. As consequências da falta de sabedoria do alto são desastrosas, de acordo com Tiago, resultam em desordem, e em todo tipo de prática vil. Por outro lado, a sabedoria do alto, traz colheita de justiça. Como bem lembrou Paulo aos Gálatas, e bastante apropriado aos cristãos de hoje, aquilo que o homem plantar, isso também ceifará (Gl. 6.7). Deus não se deixa escarnecer, portanto, sejamos cautelosos em relação às sementes que estamos colocando na terra (Pv. 22.8).

CONCLUSÃO
Há cristãos que desprezam a sabedoria de Deus, o autor de Provérbios nos lembra que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv. 1.7). Salomão, após ter passado pela juventude, e ao se encontrar em idade avançada, lembrou que o melhor é viver para o Criador. Esse é o dever de todo homem e mulher que deseja agradar ao Senhor, e viver autenticamente para Ele (Ec. 12.13). Essa sábia opção, além de satisfazer a Deus, nos faz bem, pois a vontade do Senhor, em Sua sabedoria, não é para o nosso mal, antes para bem (Rm. 12.1,2).

Fonte: ebdweb

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

8ª lição do 3º trimestre de 2014: O CUIDADO COM A LÍNGUA

 
Texto Base: Tiago 3:1-12

 
“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg 3:2).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, veremos o quanto o cristão precisa ser cuidadoso com a língua, pois ela pode ser um instrumento de bênção ou de destruição. Teremos como texto base Tiago 3:1-12. Tiago já demonstrou sua preocupação com os pecados da língua em outros textos: Tg 1:19,26; 2:12; 4:11; 5:12. Em Tiago 1:19, ele encorajou seus leitores a serem “tardios para falar”, enquanto em Tg 1:26, a ação de refrear a língua é destacada como um dos principais ingredientes de uma “religião pura”. Agora, ele ataca o problema com certa minuciosidade. Assim como os médicos de antigamente examinavam a língua para conhecer o estado de saúde do paciente, Tiago avalia a saúde espiritual da pessoa por meio de suas palavras. A primeira etapa do autodiagnóstico são os pecados da fala, que já tratamos sobre isso na Aula 05. Tiago concordaria com a pessoa espirituosa que disse: “Cuide de sua língua. Ela fica num ambiente molhado, onde é fácil escorregar!”.

Como vimos na Aula 05, ninguém pode se dizer religioso sem primeiro refrear sua língua (Tg 1:27). Tiago está dizendo que podemos ter um conhecimento colossal das Escrituras, podemos ter um invejável cabedal teológico, mas se não dominamos a nossa língua, a nossa religião é vã. Para Tiago, para ser um cristão verdadeiro não basta apenas a teologia ortodoxa, é preciso também uma língua controlada.

I. A SERIEDADE DOS MESTRES (Tg 3:1,2)

1. O rigor com os mestres. Os mestres levam sobre si grandes responsabilidades e serão julgados com especial rigor em virtude da influência exercida sobre os outros. Ao referir-se aos “mestres”, Tiago tem em mente exatamente todos aqueles crentes que exercem a atividade de ensino na Igreja. Trazendo para os dias de hoje, aqui estão incluídos os obreiros em geral, professores da Escola Dominical, dirigentes de igreja, ou qualquer irmão em Cristo que exerça, reconhecidamente, um ministério de ensino entre o povo de Deus. Ora, uma vez que só pode dar quem tem para dar, isto é, só pode ensinar quem tem realmente recebido e aprendido o bastante para poder ensinar, e uma vez também que Jesus afirmou que “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12:48), é óbvio que ninguém tem uma responsabilidade maior do que aqueles que ensinam a Palavra de Deus. Trata-se de uma atividade extremamente honrosa e para a qual existe uma promessa extraordinária de Deus: “... os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12:3 - ARC). Entretanto, por outro lado, como toda benção, toda dádiva, todo dom - e o ensinar é um dom (Rm 12:6,7; Ef 4:8,11,12) – traz consigo uma responsabilidade, e essa responsabilidade é ainda maior no caso do dom do ensino, então o juízo será mais severo para os mestres. É o que assevera Tiago, inclusive incluindo-se entre os mestres, entre aqueles que passarão por esse julgamento diante de Deus: “... receberemos mais duro juízo” (Tg 3:1).

2. A seriedade com os mestres (Tg 3:1). Ensinar é coisa séria. Logo, os mestres devem exercer esta missão com muita seriedade. Jesus foi muito enfático e contundente ao advertir os discípulos sobre isso: “Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus” (Mt 5:19). Na igreja do primeiro século da era cristã, o ministério de mestre incluía não só o ensino aos discípulos, mas também a defesa da Palavra diante dos adversários da fé cristã. Estas duas esferas de atuação faziam parte do ministério da liderança didática, objetivando o cumprimento da Grande Comissão: “Ide... pregai o evangelho... fazei discípulos... ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei...” (Mt 28:19,20).

3. Perfeição que domina o corpo (Tg 3:2). Usando como gancho o fato de que mesmo os mestres são passíveis de erro, Tiago insere o tema da língua, ao falar do “tropeço na palavra”, isto é, o tropeço na fala: “... Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo”.

O maior perigo daquele que ensina está no falar desenfreado, que leva a declarações irrefletidas. Tiago não diz que todo mundo usa deliberadamente mau a língua, mas que, às vezes, ela é mal empregada por todas as pessoas, involuntariamente. Tiago diz que, quem nunca é culpado de um deslize cometido com a língua, quem nunca profere uma palavra ociosa ou vã, esse é perfeito, isto é, plenamente instruído, bem equilibrado e bem aparelhado para aceitar a responsabilidade de ensinar a outros e de frear toda a inclinação menos digna. Quem tem o domínio sobre a língua, tem igualmente o coração preservado, pois a boca fala do que o coração está cheio.

Todos nós batalhamos contra a tentação de falar antes de pensar, talvez uma palavra áspera ou crítica usada desnecessariamente, talvez uma expressão de raiva ou ódio. Uma simples palavra mal empregada pode levar uma nação à beira da guerra, destruir uma amizade de toda a vida, desfazer uma família ou arruinar um casamento. Por isso, a advertência de Tiago: "Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19).

Salomão, em Provérbios 6:16-19, elenca seis pecados que Deus aborrece e um pecado que a alma de Deus abomina. Dos sete pecados, três estão ligados ao pecado da língua: a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

O maior problema da igreja em Corinto era os pecados sociais da língua. Foi necessário que Paulo tratasse este problema com muita firmeza. "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer"(1Co 1:10).

Portanto, amados irmãos, discipline-se! Faça um propósito com Deus e consigo mesmo: não empreste os seus lábios para fazer o mal. "Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã"(Tg 1:26). "Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal e os seus lábios não falem engano"(1Pe 3:10). "Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado" (Mt 12:37).

II. A CAPACIDADE DA LÍNGUA (Tg 3:3-9).

1.  As pequenas coisas no governo do todo (Tg 3:3-5).3 - Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. 4 - Vede também as naus que, sendo tão grandes e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. 5 - Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas”.

Aqui, Tiago faz uma analogia acerca da nossa capacidade de usarmos a língua. A língua tem o poder de dirigir tanto para o bem como para o mal. Tiago usa duas figuras para mostrar o poder da língua: o freio na boca do cavalo e a do leme do navio (Tg 3:3,4). As duas ilustrações evidenciam como esses dois objetos menores, essas pequenas partes de um todo, tem o poder de influenciar completamente o todo, de direcionar e dirigir todo o conjunto – o freio dirige as ações do cavalo e o leme conduz o imenso navio na direção que o capitão deseja.

Para que serve um cavalo indomável e selvagem? Um animal indócil não pode ser útil, antes, é perigoso. Mas, se você coloca freio nesse cavalo, você o conduz para onde você quer. Através do freio a inclinação selvagem é subjugada, e ele se torna dócil e útil. Tiago diz que a língua é do mesmo jeito. Se você consegue controlar a sua língua, também conseguirá dominar os seus impulsos, a sua natureza e canalizar toda a sua vida para um fim proveitoso.

A figura do leme. Um navio transatlântico é dirigido para lá ou para cá, pelo timoneiro, por meio de um pequeno leme. Imagine o que seria um navio sem o leme. Colocaria em risco a vida dos tripulantes, a vida dos passageiros e a carga que transporta. Isso seria um grande desastre. Sem leme, um navio seria um instrumento de morte, de naufrágio, de loucura. O leme, porém, pode conduzir esse grande transatlântico, fugindo dos rochedos, das rochas submersas e pode transportar em paz e segurança os passageiros, os tripulantes e a carga que nele está. O que Tiago está dizendo é que se nós não controlarmos a nossa língua, nós seremos como um transatlântico sem leme e sem direção. Se não controlarmos nossa língua, vamos nos arrebentar nos rochedos, vamos nos destruir e vamos ainda destruir quem está perto de nós, porque a língua tem poder de dirigir para bem ou para o mal.

2. “A língua também é um fogo” (Tg 3:6).A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno”.

Aqui, também, Tiago usa outra metáfora da língua: o fogo. Ele diz que uma fagulha pequena incendeia toda uma floresta. Você já parou para perceber que um incêndio de proporções tremendas pode ser causado por uma simples ponta de cigarro ou por um mero palito de fósforo? Aquela chama inicial é tão pequena que, se você der um sopro, ela se apaga. Mas o que adianta você soprar um fogo que se alastra por uma floresta? Aí não adianta mais. O fogo, depois que se agiganta e alastra torna-se indomável e deixa atrás de si grande devastação. Assim é o poder da língua. Onde um comentário maledicente se espalha, onde a boataria cresce e onde a fofoca se infiltra, como labaredas de fogo, vai se alastrando e provocando destruição. Assim como o fogo cresce, espalha, fere, destrói e provoca sofrimento, prejuízo e destruição, assim também é o poder da língua.

Uma pessoa pode corromper toda a personalidade ao usar a língua para maldizer, insultar, mentir, blasfemar e praguejar. Você já parou para pensar quantas pessoas não frequentam mais as nossas reuniões porque foram feridas com palavras?

É preciso usar nossa língua sabiamente, pois “a morte e a vida estão no poder da língua” (Pv 18:21).

3. Para dominar a língua.Porque toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal” (Tg 3:7,8).

Tiago mostra que a natureza humana conseguiu domar e adestrar as bestas-feras, as aves, os répteis e os animais do mar, mas a língua do ser humano até hoje não houve quem fosse capaz de dominar.

O pr. Josué Gonçalves - em seu livro “A LINGUA (Domando essa fera)” – conta que “três jovens foram orar em um monte. Em determinado momento, pararam de orar e resolveram confessar um ao outro ‘o seu ponto fraco’. O primeiro disse: — O meu ponto fraco, é que não posso olhar para as meninas da igreja que eu logo penso bobagem. O segundo disse: — O meu ponto fraco é pior do que o seu, não posso olhar para os rapazes da igreja, porque tenho tendência para o homossexualismo. O terceiro disse: — O meu ponto fraco eu não vou contar, porque é pior do que o de vocês. Mas de tanto insistirem, ele contou. — O meu ponto fraco está na língua. Eu estou com uma vontade incontrolável de descer lá na igreja, e contar para toda a comunidade o que vocês acabaram de contar para mim. Os rapazes então disseram: — vamos orar primeiro por ele, caso contrário estaremos perdidos... Não seria este o ponto mais fraco de algumas pessoas?”.

Por esforço próprio o homem não terá forças para domar o seu desejo e as suas vontades. O próprio Tiago afirma isso: “mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal” (Tg 3:8). Domar a língua é um processo diário e que exige muito autocontrole, disciplina e compromisso com a prática dos princípios bíblicos que devem nortear nossa vida. Quando o cristão mostra equilíbrio no falar, significa que o Espírito Santo está construindo nele o caráter de Cristo. Pedro disse que Jesus nos deixou o exemplo, para que seguíssemos as suas pegadas. Ter a mente de Cristo (1Co 2:16) também é falar como Cristo falou e agir como Ele agiu. Nós falamos aquilo que pensamos. Disse Jesus, o Mestre por excelência: "A boca fala do que está cheio o coração" (Mt 12:34 - ARA). Quando Deus passa a nos governar, a língua do crente deixa de ser um órgão de destruição e passa a ser um instrumento poderoso e abençoador, usado para o louvor da glória do Eterno. "O que guarda a sua boca e sua língua, guarda das angústias a sua alma" (Pv 21:23).

III. NÃO PODEMOS AGIR DE DUPLA MANEIRA (Tg 3:10-12)

1. Bênção e maldição (Tg 3:10).de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim”.

Tiago está enfatizando o mesmo que Jesus Cristo disse, que a boca fala daquilo que o coração está cheio. Se o seu coração é mau, a palavra que vai sair da sua boca é má. A incoerência da língua está no fato de que com ela você bendiz a Deus e também amaldiçoa a seu irmão, criado à imagem e semelhança de Deus.

Como é estranho que a língua consiga bendizer a Deus e Pai, em um momento, e, a seguir, amaldiçoar as pessoas. Devemos ter, pelos seres humanos, a mesma atitude de respeito que temos por Deus, porque eles foram criados à sua imagem. Mas temos esta língua horrível de duas faces, de modo que de uma mesma boca procede benção e maldição. A mesma língua que usamos para falar dos outros é a mesma língua que usamos para louvar a Deus no culto. A mesma língua que usamos para glorificar ao Senhor com nossos cânticos e orações, usamos também para ferir de morte uma pessoa criada à imagem de Deus. A língua não apenas é incoerente, mas também contraditória.

Algumas pessoas pensam que o único limite para os palavrões e a linguagem grosseira é a desaprovação social. Mas a Palavra de Deus condena isto. Tiago diz que a razão pela qual nós não devemos amaldiçoar as pessoas é porque elas foram criadas à semelhança de Deus. Nós não devemos usar nenhuma palavra que as reduza a qualquer coisa inferior à sua estatura plena de seres criados por Deus.

2. Exemplos da natureza (Tg 3:12). “Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce”.

Os exemplos da natureza têm por objetivo lembrar-nos de que nossas palavras devem ser sempre boas. Tiago compara a língua com uma árvore e seu fruto. A árvore fala de fruto e fruto é alimento. Fruto renova as energias, a força, a saúde e dá capacidade para viver. Nós podemos alimentar as pessoas com uma palavra boa, uma palavra vinda do coração de Deus, uma palavra de consolo. Fruto também fala de um sabor especial. Nós podemos dar sabor à vida das pessoas pela maneira como nos comunicamos.

A figueira não pode produzir azeitonas, e a videira não pode dar figos. Na natureza, cada árvore produz somente um tipo de fruto. Como é possível, então, a língua produzir frutos bons e maus?

3. Uma única fonte.Porventura, deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? (Tg 3:11).

Nenhuma fonte jorra água doce e amarga ao mesmo tempo. As duas são mutuamente excludentes. O mesmo princípio deve ser aplicado à língua. O fluxo de palavras tem de ser uniformemente bom. É incoerente e completamente contrário à natureza usar a língua para o bem e para o mal. Num momento a pessoa bendiz ao Senhor e, logo em seguida, amaldiçoa aqueles que são feitos à semelhança de Deus. Que incongruência a mesma fonte produzir resultados opostos! Isso não deve acontecer. A língua que bendiz ao Senhor deve ajudar os outros, e não prejudicá-los. Tudo o que dizemos deve ser testado com três perguntas: “É verdadeiro?” “É amável?”, “É necessário?”.

Que bênção você poder usar sua língua como uma fonte de refrigério para as pessoas, para abençoá-las, encorajá-las e consolá-las. Como é precioso trazer uma palavra boa, animadora e restauradora para uma alma aflita. A principal marca do cristão maduro é ser parecido com Jesus, o varão perfeito. Uma das principais características de Jesus era que sempre que uma pessoa chegava aflita perto dele saía animada, restaurada, com novo entusiasmo pela vida.

Quando as pessoas chegam perto de você, elas saem mais animadas e encantadas com a vida? Elas saem cheias de entusiasmo, dizendo que valeu a pena conversar com você? Você tem sido uma fonte de vida para as pessoas? Sua família é abençoada pelas suas palavras? Seus colegas de escola e de trabalho são encorajados com a maneira de você falar? Pense nisso!

CONCLUSÃO

Devemos pedir constantemente ao Senhor que nos ajude a guardar nossos lábios (Sl 141:3) e orar para que as palavras de nossa boca e a meditação de nosso coração sejam agradáveis na presença dEle, que é nossa força e nosso Redentor (Sl 19:14). Não podemos esquecer que nosso corpo, mencionado em Romanos 12:1, inclui a língua. Em Mateus 12:36 somos avisados de que "de toda palavra ociosa que os homens falarem, dela darão conta no dia do juízo". Tenhamos sempre em mente a admoestação do apóstolo Paulo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4:29). Amém?

Fonte: ebdweb

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Lição do 3º trimestre de 2014: A Fé se Manifesta em Obras


INTRODUÇÃO
As obras dos cristãos não podem ser incompatíveis com sua fé, na verdade, diante dos homens, a fé somente pode ser demonstrada por meio das obras. Na aula de hoje atentaremos para essa relação necessária na vida cristã. Os teólogos costumam explicá-la utilizando duas palavras: ortodoxia (doutrina correta) e ortopraxia (prática correta). Além dessa relação, destacaremos, nesta lição, que somos sal da terra e luz do mundo, e nos voltaremos para alguns exemplos bíblicos de fé manifesta por meio das obras.

1. A RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS
Em sua Epístola Tiago destaca que há uma relação direta e necessária entre a fé (ortodoxia) e obras (ortopraxia). Existe uma tendência aos extremos no movimento evangélico, aqueles que defendem que devemos priorizar a fé, e outros, esse ao que me parece maioria, que defende meramente a prática. Mas uma não se sustenta sem a outra, não existe uma prática apropriada a menos que essa esteja alicerçada na sã doutrina (II Tm. 4.3). No texto de Tiago, a fé e as obras devem ser demonstradas em obediência, isso inclui compromisso com Cristo, esse ensinado coaduna-se a posição paulina (Rm. 1.5; Gl. 5.6). Essa posição precisa ser reafirmada constantemente no movimento evangélico, principalmente porque estamos testemunhando aquilo que Bonhoeffer denominou de graça barata. Para esse mártir alemão, a graça barata é um perigo para a igreja, pois “é um inimigo mortal (…) quer dizer a venda no mercado como qualquer produto (…) dos pecados, as consolações da religião são jogados a preço de queima (…) é a negação da Encarnação, da realidade do Espírito Santo, graça e fruto, figueira sem fruto”. O cristianismo autêntico está em declínio em alguns contextos evangélicos, na ânsia por aumentar seus adeptos, muitos líderes estão fazendo concessões que deveriam ser inegociáveis. A marca da fé cristã continua sendo o amor-agape, sem este não passamos de barulho (I Co. 13), isso pode ser constatado no fato de que muitos lembram Jo. 3.16, mas esquecem do que está escrito em I Jo. 3.16. Além disso, precisamos resgatar, em nossas igrejas, a doutrina do novo nascimento, ao invés de querer transformar nossos encontros em meros espetáculos (Jo. 3.3). Esse cristianismo barato é irrelevante, algumas “igrejas” locais não fazem a menor falta se forem fechadas. Simplesmente porque elas não representam Cristo na terra, na verdade há algumas que prestam desserviço a causa do Reino de Deus. A igreja de Jesus Cristo não pode esquecer que é o Corpo, e deve agir com tal, sendo as mãos do Senhor no auxílio aos necessitados, andando milhas para levar a agradável mensagem de vida eterna (Cl. 1.24).

2. LUZ DO MUNDO E SAL DA TERRA
A igreja de Jesus, para ser relevante, deve saber que é sal da terra e luz do mundo. Sem assumir essa característica, seremos apenas uma agremiação humana (Mt. 5.13). Como sal a igreja tem a missão de evitar que o mundo se torne insípido. Por esse motivo Jesus não nos tirou do mundo, orou ao Pai para que nos livrasse dos mal (Jo. 17.15). Alguns crentes querem se voltam para o isolacionismo, usam até a doutrina do arrebatamento para apregoarem um escapismo irresponsável. Mas como cristãos devemos assumir nossa responsabilidade, não apenas denunciando os pecados morais, também os sociais. O mundo não sabe, mas precisa da igreja, ela é a causa do império do mal não está ainda reinando em sua plenitude, pois o Espírito Santo nela habita (II Ts. 2.6,7). Mas há igrejas que se tornaram como o mundo, se venderam aos caprichos deste tempo presente. Como Demas, amam o presente século, e se afastar da missão para a qual foi chamada (II Tm. 4.10). Há igrejas que perderam o brilho, não podem mais dizer que são luz do mundo, tornando-se insípidas, para nada mais prestam, apenas para ser pisadas pelos homens. Uma igreja relevante é luzeiro no mundo, ela dispersa as trevas, e por causa da sua atitude profética, é temida, até mesmo pelas autoridades (Fp. 2.15). Mas uma igreja que se vendeu à corrupção não consegue mais denunciar o pecado, algumas delas estão em conchavo direto com os poderes mundanos. A igreja profética de Jesus Cristo deve se posicionar diante do pecado, não pode se omitir quando o direito dos mais pobres é vituperado, quando leis injustas são promulgadas para a opressão (Is. 10.1). A luz da igreja precisa brilhar, cada vez mais forte, refletindo a imagem dAquele que nos chama para Deus e o próximo (Mt. 22.37-40). Está na hora de abandonarmos a fé meramente intelectiva, isto é, que se baseia em axiomas, mas que não se materializa em obras, dignas de arrependimento (Mt. 3.8). O verbo crer - pisteuo em grego - revela ação, um compromisso com o objeto da crença. Existem cristãos que conhecem bem as doutrinas bíblicas, são verdadeiras enciclopédias ambulantes, mas que não vivem a partir dos princípios exarados nas Escrituras.

3. EXEMPLOS BÍBLICOS DE FÉ E OBRAS
Tiago destaca alguns exemplos bíblicos de personagens que demonstraram sua fé pelas obras, dentre eles Abraão e Raabe. A fé (gr. pistis) a respeito do qual aborda o apóstolo está em consonância com a galeria da fé de Hebreus 11, que pode muito bem ser traduzida como fidelidade. Existem exemplos bíblicos nesse capítulo que revelam o compromisso daqueles que creem, que se fundamentam não no visível, antes confiam na Palavra de Deus, são esses que agradam a Deus (Hb. 11.1,6). Mesmo diante da perseguição devemos permanecer firmes na Palavra de Deus, cientes que as promessas a nós feitas haverão de se cumprir, o Senhor prometeu e Ele é fiel, passará o céu e a terra, mas Suas palavras não haverão de passar (Mt. 24.35). Abraão foi justificado quando creu, é nesse sentido que o justo vive da fé, tendo ele saído da sua terra, do meio da sua parentela, e seguido em obediência, pelo caminho determinado por Deus (Gn. 12.1; Rm. 4.11-16). Tiago, no contexto da sua Epístola, aborda o aspecto prático da fé de Abraão, que se encontra em Gn. 22.9-12, quando se pôs a sacrificar seu filho Isaque, em obediência ao Senhor (Tg. 2.21-24). O patriarca acreditava que o mesmo Deus que havia lhe dado um filho não permitiria que esse fosse morte, e se isso viesse a acontecer, o Senhor o restauraria à vida (Gn. 22.5,6). Raabe também demonstrou fé através das suas obras, sendo lembrada inclusive na galeria da fé de Hb. 11.31. O reconhecimento da fé de Raabe revela que Deus não faz acepção de pessoas, pois por meio da fé essa prostituta, a fim de preservar a sua vida, protegeu os espias israelitas antes de aquele povo entrar na terra prometida (Js. 2.1-24). Mais interessante ainda é o fato de essa mulher fazer parte da genealogia de Jesus (Mt. 1.5). Não importa os pecados que as pessoas tenham cometido no passado, depois de terem se arrependido e se voltado para o evangelho, a diferença é feita na fidelidade, na disposição para viver e morrer pela causa de Cristo (Mt. 5.11,12).

CONCLUSÃO
A lógica humana é tendenciosa aos extremos, há aqueles que defendem uma fé meramente intelectiva, mas essa até os demônios têm (Tg. 2.19). Os cristãos autênticos demonstram sua fé em Deus através de ações, até mesmo diante das situações adversas, essa é a verdadeira fidelidade. Portanto,”nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hb. 12.1).

Fonte: ebdweb

terça-feira, 5 de agosto de 2014

6ª lição do 3º trimestre de 2014: A VERDADEIRA FÉ NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS


Texto Base: Tiago 2:1-13

 
“Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores” (Tg 2:8,9).

 

INTRODUÇÃO

Acepção é a tradução de uma palavra grega que, literalmente, significa “receber o rosto”, ou seja, fazer julgamentos e estabelecer diferenças baseadas em considerações externas, tais como aparência física, status social ou raça. É uma atitude considerada anticristã pela Bíblia Sagrada (cf. Rm 2:11; Ef 6:9; Cl 3:25).

Tiago 2:1-13 enfatiza, com cabível exortação, que nenhum cristão pode alegar-se ser verdadeiramente cristão se vive desprezando as pessoas devido à condição social delas. O Cristianismo nivela todas as pessoas. Embora os cristãos possam estar em níveis diferentes na sociedade terrena, somos todos iguais diante de Deus; “não há acepção de pessoas”; ninguém é mais importante do que qualquer outro (ler Rm 6:23).

Deus ordena que amemos o nosso próximo incondicionalmente, independente de sua condição social, econômica, física, etc. (Lv 19:18; Mt 22:39). O cumprimento deste mandamento foi muito mais difícil no início da igreja, à época em que a Epístola de Tiago foi escrita, haja vista que o mundo de então era caracterizado por profundas divisões sociais que eram aceitas normalmente pela maioria esmagadora da sociedade. Àquela época, agir com humildade era manifestação de fraqueza, não de virtude, e fazer distinção de pessoas por aparência ou por condições físicas ou socioeconômica era visto como algo absolutamente natural. Logo, a mensagem cristã ao ser proclamada, teria um impacto enorme na sociedade de então, porque ela batia fortemente de frente com toda essa cultura, ao pregar a humildade, o perdão, a misericórdia, a igualdade entre os seres humanos, etc.

Nesta Aula, mostraremos, pelas Escrituras Sagradas, que a verdadeira fé em Cristo e a acepção de pessoas são atitudes incompatíveis entre si e, justamente por isso, não podem coexistir na vida de quem aceitou o Evangelho de Jesus Cristo (Dt 10:17; Rm 2:11; Tg 2:1,9).

I. A FÉ NÃO PODE FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS (Tg 2:1-4)

Tiago diz que nós podemos testar nossa fé pela maneira como nós tratamos as pessoas. Não podemos separar relacionamento humano de comunhão divina (1João 4:20). A maneira como nos comportamos com as pessoas indica o que realmente nós cremos sobre Deus.

1. Em Cristo a fé é imparcial. Tiago diz que a fé verdadeira é conhecida pelo relacionamento imparcial com as pessoas (Tg 2:1-4). Favoritismo e acepção de pessoas não são atitudes de um cristão. Dois visitantes entram na igreja: um rico e outro pobre; oferecer maiores privilégios ao rico e desprezar o pobre é negar a nossa fé no Senhor da glória. Jesus não valorizava as pessoas pela cor da pele, pela beleza das roupas, ou pelo dinheiro. Jesus não julgava as pessoas pela aparência (Mt 22:16). Ele, sendo o Senhor da glória, se fez pobre e não julgou as pessoas pela aparência. Jesus acolheu os ricos e os pobres; os religiosos e os publicanos; os doentes e as crianças; os israelitas e os gentios. Sua Palavra orienta-nos a não julgarmos as pessoas pela aparência (João 7:24).

2. O amor de Deus tem de ser manifesto na igreja local. Conforme Tiago Tg 2:2-4, havia na igreja do primeiro século uma clara acepção de pessoas por parte de alguns que frequentavam as reuniões. Veja o que diz Tiago:

2. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta,

3. e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado,

4. porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?

Pelo que se depreende do referido texto, Tiago deve ter presenciado este pecado bem de perto. Segundo Silas Daniel, à época de Tiago os judeus convertidos ao cristianismo ainda se reuniam nas sinagogas – “ajuntamento” -, ao estilo judaico e, por isso, muito provavelmente, ainda traziam consigo práticas das sinagogas de seus dias que se chocavam com a essência do Evangelho. Tais praticas haviam, inclusive, já sido alvo de repreensão de Jesus, como podemos ver em Mt 23:6 – “e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas”.

Veja os seguintes detalhes retirados do texto supra:

- “... anel de ouro no dedo, com vestes preciosas...” (Tg 2:2). Silas Daniel, citando Harper, diz que o anel de ouro indicava que esse homem era do Senado ou um nobre romano, pois durante os primeiros anos do Império romano, somente homens nessa posição tinham o direito de usar esse tipo de anel. Já “vestes preciosas” é uma referência a belas togas brancas, que eram uma vestimenta usada frequentemente por candidatos a um ofício politico.

- “... abaixo do meu estrado” (Tg 2:3). Segundo Silas Daniel, esta expressão é uma alusão ao fato de que, em uma sinagoga, pessoas de uma posição inferior ficavam em pé ou sentavam no chão. Logo, “abaixo do meu estrado” deve ser compreendido como “aos meus pés”. Isto é, enquanto as cadeiras das sinagogas e os demais assentos do “ajuntamento” eram reservados para os anciãos, escribas, fariseus e saduceus, e a qualquer outra pessoa na congregação que fosse detentora de privilegiada posição social, os pobres ficavam no pé ou no chão.

Pelo que se depreende de Tiago 2:1-4, essas mesmas atitudes estavam ocorrendo nos ajuntamentos dos cristãos judeus. Por isso, Tiago declara contundentemente: “porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (v.4).

A Igreja de Cristo tem como princípio eterno produzir um ambiente regado de amor e acolhimento, e para isto “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).

3. Não sejamos perversos (2:4). “Não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?” (ARA). A discriminação contra o pobre é atribuída a “perversos pensamentos”.

Na comunidade cristã, destinatária da Epístola de Tiago, havia uma excessiva deferência em relação aos ricos e poderosos, resultando em desrespeito e humilhação às pessoas mais pobres. Tal comportamento manifesta uma falha na prática da “lei régia” que eles tinham ouvido (cf. Tg 1:22-25).

Imagine a seguinte cena na congregação local de cristãos: um senhor de aparência distinta, vestindo trajes da moda e usando “anéis de ouro” acaba de chegar. Um membro da congregação com toda gentileza e civilidade conduz o visitante ilustre até ao “lugar de honra” na primeira fileira. Outro visitante chega logo em seguida. Desta vez, é um homem pobre em trajes muito humildes, ou seja, vestimentas velhas e gastas em virtude das condições de vida difíceis dessa pessoa. Desta vez, o homem da congregação procura, habilmente, poupar os presentes de qualquer embaraço e diz ao visitante que fique em pé nos fundos do templo ou se acomode no chão, diante de um dos assentos; esta atitude é quase inacreditável. Gostaríamos de imaginar que se trata apenas de um exemplo exagerado, mas, se perscrutarmos nosso coração, veremos que, muitas vezes, temos preconceito contra pessoas e, desse modo, nos tornamos “juízes tomados de perversos pensamentos”.

Tiago apresenta duas razões pelas quais os cristãos devem evitar este tipo de comportamento discriminatório: Primeira, o tratamento preferencial prestado ao rico estabelece um franco contraste com a atitude de Deus, que escolheu os pobres “para serem ricos em fé” (Tg 2:5-7);Segunda, toda manifestação de favoritismo é condenada pela “lei régia”, que exige o amor ao próximo (Tg 2:8-13).

Infelizmente, ainda hoje, há pessoas que se deixam guiar por esses critérios iníquos. Isso só revela o quão distante os seus corações estão ainda do verdadeiro Evangelho. Que Deus nos livre de cairmos nesse mesmo pecado! Que em nossas igrejas e no nosso dia a dia tratemos a todos com honra, amor e respeito, independente da condição social de cada um. A nossa obrigação é expressar de forma prática o fato de que todos os cristãos constituem um só corpo em Cristo.

II. DEUS ESCOLHEU OS POBRES AOS OLHOS DO MUNDO (Tg 2:5-7).

Hoje há muitos ensinos distorcidos e anti-bíblicos sobre questões financeiras; ensinos que conduzem o crente ao mercenarismo, ao procurar servir a Deus para ser servido ou para ser abençoado, financeiramente.

Se os pobres são ricos na fé e devem ser honrados na Casa de Deus, não há fundamento na afirmação de que a pobreza é uma maldição, estando atrelada ao pecado ou a algum “encosto”. Isso é uma invencionice, e muitos crentes, por falta de conhecimento, estão sendo enganados por homens que mercadejam a Palavra de Deus.

“... Não tenho prata nem ouro...” (Atos 3:6). Estas palavras não foram proferidas por um crente fraco e sem fé; não foram proferidas por um homem fora da direção e da vontade de Deus; não foram proferidas por alguém com problemas espirituais; não foram proferidas por uma pessoa em desespero pela falta de dinheiro. Estas palavras - “não tenho prata e nem ouro” - foram proferidas por um homem de Deus, por um homem chamado por Jesus para ser Apóstolo, por um homem de fé e de oração; ele estava indo orar, no Templo - “E Pedro e João subiam juntos ao Templo a hora da oração, a nona” (Atos 3:1). Pedro e João eram crentes, eram Apóstolos, eram fiéis. Amavam a Jesus e estavam empenhados em fazer a Sua Obra, porém, “não tinham prata e nem ouro”. Se você, meu irmão, não tem recursos financeiros, saiba que Pedro e João também não tinham.

Alguns pregadores usam com frequência a passagem bíblica de Deuteronômio 28:1-14 para fundamentar seus argumentos em favor da riqueza. Destacam as expressões contidas nos versículos 12 e 13 –”... emprestarás a muita gente, porém tu não tomarás emprestado... E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda, e estarás em cima e não embaixo...”Não dizem, contudo, que estas promessas foram feitas à nação de Israel, e com uma condição: “... quandoobedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para guardar e fazer”.A Palavra de Deus coloca a obediência antes da benção e o servir a Deus antes de ser servido.

À luz do Novo Testamento, não é pecado ser pobre, nem ser rico; somos livres para trabalhar e conquistar dignamente os nossos bens. Por isso, o texto de Tiago 2:1-7 apresenta algumas lições quanto à convivência em comunhão entre ricos e pobres na Casa de Deus:

1. Não deve haver acepção de pessoas (vv.1,4). Não podemos nos deixar influenciar por ideologias humanas, e sim pela Palavra de Deus, segundo a qual os ricos não devem menosprezar os pobres; nem estes, valendo-se do complexo de inferioridade, se indignar contra aqueles.

2. Não deve haver desprezo aos pobres (vv.2,3). É uma tendência humana julgar as pessoas pela aparência (1Sm 16:7; João 7:24). No entanto, não devemos tratar melhor alguém só porque exibe um anel de ouro ou usa vestes preciosas. Ninguém é superior perante o Senhor. Todos devem se humilhar diante dEle (Lc 18:9-14).

3. Os pobres devem ser honrados (Tg 2:5). “Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?”. Aqui, trata da soberana escolha de Deus. É claro que a salvação não é apenas para os pobres, porém esse versículo deixa claro que o Senhor prioriza a riqueza da fé, e não a prosperidade financeira.

4. A principal razão para não desonrar o pobre (Tg 2:6,7). “Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos arrastam para tribunais?”. Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?”.

Aqui, Tiago mostra que os crentes, destinatários de sua Epístola, desonravam os pobres porque nãos os tratavam como Deus os trata. Tiago traz à memória da igreja que quem a oprimia era justamente os ricos. Estes os arrastavam aos tribunais. Como podiam eles desonrar os pobres, aos quais Deus tinha profundo apreço, e favorecer os ricos que os oprimia e blasfemavam o bom nome de Cristo?

A discriminação social na igreja é algo reprovável diante de Deus. “Por isso, o favoritismo, a parcialidade e quaisquer tipos de discriminação devem ser combatidos com rigor na igreja local, principalmente pelas lideranças. Quem discrimina não compreendeu o que é o Evangelho!”.

III. A LEI REAL, A LEI MOSAICA E A LEI DA LIBERDADE (Tg 2:8-13).

Em Tiago 2:2-4 é ilustrado o problema da discriminação contra o pobre, ato este atribuído a “perversos pensamentos”(2:4). Em Tg 2:8-13 são apresentadas duas razões pelas quais os cristãos devem evitar este tipo de favoritismo: Primeira, o tratamento preferencial prestado ao rico estabelece um franco contraste com a atitude de Deus, que escolheu os pobres “para serem ricos em fé” (Tg 2:5-7); Segunda, toda manifestação de favoritismo é condenada pela “lei real” que exige amor ao próximo (Tg 2:8-13).

1. A Lei Real (2:8). “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis”.

De acordo com Tiago, tratar o rico com deferência e desconsideração com o pobre constitui uma transgressão da lei, que diz: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. Essa prescrição é chamada de “lei real”, pois foi dada pelo Rei, e governa as outras leis. Muitas vezes, tomamos decisões com base nas retribuições que advirão. Somos egocêntricos. Tratamos bem os ricos porque esperamos recompensas materiais ou sociais. Desprezamos os pobres porque é pouco provável que nos possam trazer benefício semelhante. A “lei real” proíbe a exploração egoísta e nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos. E se perguntarmos: “quem é o meu próximo?”, descobrimos na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37) que ele é qualquer pessoa com uma necessidade que podemos ajudar e suprir.

O amor é o cumprimento de toda a lei. Amar é tratar as pessoas como Deus nos trata. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37), o sacerdote e o levita tinham uma fé ortodoxa. Eles serviam no templo, mas eles falharam em viver a fé amando o próximo. A fé era ortodoxa, mas estava morta (Lc 10:31,32). Tiago estava convidando os seus leitores a obedecerem à lei real do amor, que os proibia de discriminar qualquer pessoa que viesse a participar da sua comunhão. Nós devemos favorecer a todos, seja pessoa rica ou pobre.

Segundo Tiago, dar atenção especial aos ricos, em detrimento do pobre, é pecado. E aqueles que estão envolvidos neste ato são transgressores, por não terem respeitado a “lei real” de Tiago 2:8 – “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores (Tg 2:9). As nossas atitudes e os nossos atos em relação aos outros devem ser guiados pelo amor.

2. A Lei Mosaica. “Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tg 2:11).

Segundo o pr. Eliezer de Lira, “na época em que a Epístola de Tiago foi escrita os judeus faziam distinção entre as leis religiosas mais importantes e as menos importantes, segundo os critérios estabelecidos por eles mesmos. Os judeus julgavam que o não cumprimento de um só mandamento acarretaria a culpa somente daquele mandamento desobedecido. Mas quando a Bíblia afirma: ‘Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás’,está asseverando o aspecto coletivo da lei, isto é, quem desobedece um único preceito, quebra, ao mesmo tempo, toda a lei. Embora os crentes da igreja não adulterassem, faziam acepção de pessoas; eles não atendiam a necessidade dos órfãos e das viúvas e, por isso, tornaram-se transgressores da lei’”.

O mesmo Deus que proibiu o adultério também proibiu o homicídio. Um homem que não é culpado de adultério pode, no entanto, ter cometido homicídio. Acaso ele é transgressor da lei? Sem dúvida! De acordo com o espirito da lei, devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. O adultério certamente constitui uma transgressão desse princípio, e o homicídio também. Pode-se dizer o mesmo do esnobismo e da discriminação; se cometemos um desses pecados, deixamos de cumprir a lei.

Portanto, a lei é como uma corrente com dez elos, o rompimento de um dos elos representa o rompimento de toda a corrente. Deus não permite que guardemos algumas leis de nossa preferência e não outras. Se tropeçarmos em um único ponto da “lei real”, somos culpados da lei inteira - “Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos” (Tg 2:10).

3. A Lei da Liberdade. “Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” (Tg 2:12). Aqui, Tiago está dizendo que como cristãos não estamos sob a servidão da lei, mas sob a ‘lei da liberdade’, ou seja, a liberdade de fazer o que é certo. Quem é verdadeiramente salvo - liberto do pecado, dos preconceitos e da maneira mundana de pensar (Rm 6:18) -, desfruta de tal liberdade (João 8:36; Gl 5:1,13). Entretanto, tal liberdade deve vir acompanhada da coerência: “assim falai e assim procedei...” (Tg 2:12). Esta expressão de Tiago refere-se a palavra e atos. O modo de viver deve ser coerente com a profissão verbal. É a conduta do crente em relação aos demais irmãos que demonstrará se ele é, de fato, um liberto em Cristo ou não.

No regime da graça, amamos incondicionalmente o nosso próximo e somos recompensados quando obedecemos. Não o fazemos para receber a salvação, mas porque já somos salvos. Não obedecemos por medo do castigo, mas por amor àquele que morreu por nós e ressuscitou. No Tribunal de Cristo, os galardões serão distribuídos de acordo com esse padrão. Não se trata de salvação, mas de recompensa.

As transgressões da “lei da liberdade serão julgadas no Tribunal de Cristo. “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2:13). “Misericórdia” era exatamente o que os crentes não estavam demonstrando quando insultavam as pessoas pobres. Se eles continuassem a fazer discriminações, estariam correndo o risco de enfrentar o seu próprio julgamento sem misericórdia. Esta é uma excelente declaração da ética do Novo Testamento: o que nós fazemos aos outros, na verdade, fazemos a Deus, e ele igualmente nos retribui. Nós comparecemos diante de Deus precisando da sua misericórdia. Precisamos constantemente de sua misericórdia. Quando negamos o perdão a outros, depois de nós mesmos o termos recebido, mostramos que não compreendemos nem valorizamos a misericórdia que Deus tem para conosco.

O mundo está procurando provas de que Deus é misericordioso. Mostrar que somos pessoas que tiveram misericórdia e que expressam misericórdia irá chamar a atenção do mundo. O mundo vai ver que por causa de nosso relacionamento com Cristo, que é misericordioso, expressamos ações misericordiosas. Não mostrar misericórdia nos deixa sujeitos unicamente ao julgamento de Deus. Mas, ao demonstrarmos misericórdia, passamos a estar sujeitos à misericórdia de Deus, como também ao seu julgamento. Devido ao caráter de Deus, a sua misericórdia triunfa sobre o seu juízo contra nós.

CONCLUSÃO

A salvação não está baseada em mérito humano nem mesmo em nossas obras. A salvação não é comprada nem merecida (Ef 1:4-7; 2:8-10). Deus ignora diferenças nacionais (salvou Cornélio). Ele ignora diferenças sociais (salva senhores e escravos: Filemom e Onésimo). A escolha divina não está baseada no que a pessoa tem (1Co 1:26,27). É possível uma pessoa ser pobre neste mundo e rica no vindouro. Ser rica neste mundo e pobre no vindouro (1Tm 6:17,18). Devemos tratar as pessoas como Deus as trata, e não de acordo com o seu status social. A verdadeira fé não faz acepção de pessoas.

Fonte: ebdweb