Seguidores

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

10ª lição do 3º trimestre de 2015: O LÍDER DIANTE DA CHEGADA DA MORTE.


Texto Base: 2 Timóteo 4:6-17

 
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4:7).

 
INTRODUÇÃO

Na noite de 17 de julho de 64 d.C, um catastrófico incêndio estourou em Roma. O fogo durou seis dias e sete noites. Dez dos quatorze bairros da cidade foram destruídos pelas chamas vorazes. Pelo fato de dois bairros em que havia grande concentração de judeus e cristãos não terem sido atingidos pelo incêndio, Nero encontrou uma boa razão para culpar os cristãos pela tragédia. A partir daí a perseguição contra os cristãos tornou-se insana e sangrenta. Segundo estudiosos, faltou madeira na época para fazer cruz, tamanha a quantidade de cristãos crucificados. Os crentes eram amarrados em postes e incendiados vivos para iluminar as praças e os jardins de Roma. Outros, segundo o historiador Tácito, foram jogados nas arenas enrolados em peles de animais, para que cães famintos os matassem a dentadas. Outros ainda foram lançados no picadeiro para que touros enfurecidos os pisoteassem e esmagassem.

Na época em que explodiu essa brutal perseguição, Paulo estava fora de Roma, visitando as igrejas. Por ser o líder maior do cristianismo, tornou-se alvo dessa ensandecida cruzada de morte. Provavelmente, quando estava em Trôade, na casa de Carpo, foi preso pelos agentes de Nero e levado a Roma para ser jogado numa masmorra úmida, fria e insalubre. Foi dessa prisão que Paulo escreveu a epístola de 2Timóteo. É digno de destaque que, nesta epístola, Paulo não pede oração para sair da prisão nem expressa expectativa de prosseguir em seu trabalho missionário. O idoso apóstolo está convencido de que a hora de seu martírio havia chegado. Paulo não estava pesaroso com a partida, pois suas dores e sofrimentos, certamente, foram esquecidos, diante da certeza de que fez um bom trabalho e que cumpriu a missão para qual fora designado pelo Senhor.

Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Para ele, morrer era partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor - “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor”(2Co 5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor (2Co 5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso; caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente. Aqueles que vivem sem essa garantia se desesperam na hora da morte. Na verdade, eles caminham para um lugar de trevas, e não para a cidade iluminada; caminham para um lugar de choro e ranger de dentes, e não para a festa das bodas do Cordeiro; caminham para o banimento eterno da presença de Deus, e não para o bendito lugar onde Deus armará seu “tabernáculo” para sempre conosco. Para o verdadeiro cristão, “o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp 1:21).

I. A CONSCIÊNCIA DA MORTE NÃO TRAZ DESESPERO AO CRENTE FIEL

A morte é a situação mais difícil que o ser humano pode enfrentar. Ela é o terrível legado que herdamos dos nossos primeiros pais, que desobedeceram ao Criador no Éden (Gn 2:15-17; 3:19; Rm 5:12). É o pagamento indesejado que o ser humano recebe por ter pecado (Rm 6:23). É o fim para o qual o ser humano caminha a passos largos (Ec 12:1-7). Mais do que isso, é o inimigo implacável que vem no encalço do ser humano para, no inevitável dia do encontro, deixá-lo prostrado (Lc 12:20). É o último inimigo a ser aniquilado (1Co 15:26). Contudo, para o crente fiel, a morte é “lucro”(Fp 1:21).

Que avaliação o apóstolo Paulo faz de sua jornada, agora, no crepúsculo da vida, a caminho do patíbulo? Se esse bandeirante do cristianismo fosse examinado pelas lentes da teologia da prosperidade, seria um fracasso. O maior pregador, missionário, teólogo e plantador de igrejas da história do cristianismo, está velho, jogado numa masmorra, pobre, cheio de cicatrizes, abandonado no corredor da morte. O grande apóstolo dos gentios está sozinho num calabouço romano, sem dinheiro, sem amigos, sem roupas para enfrentar o inverno, sofrendo as mais amargas privações. Como esse homem se sente? Como ele avalia seu passado, seu presente e seu futuro?

Destacamos alguns pontos fundamentais acerca da atitude do apostolo Paulo no momento em que se viu no corredor da morte. Em 2Timóteo 4:7,8, ele faz uma profunda análise do seu ministério e, antes de fechar as cortinas da sua vida, abre-nos uma luminosa clareira com respeito a seu tempo presente, passado e futuro. Diz o velho bandeirante da fé:

6. Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo.

7. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.

8. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.

1. Serenidade diante da morte (2Tm 4:6). Mesmo estando na antessala da morte e no corredor do martírio, Paulo não usa palavras de revolta nem de lamento. Ele estava consciente e sereno. O veterano apóstolo sabe que vai morrer. Mas não é Roma que tirará a sua vida; é ele quem vai oferecê-la. E ele não vai oferecê-la a Roma, mas a Deus. Paulo compara sua vida com um sacrifício e uma oferta para Deus. Ele disse: “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está Próximo” (2Tm 4:6). Aqui, ele usa a figura da libação, um rito comum na religião judaica, para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho e pela igreja. No judaísmo, a libação era o derramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (cf. Ex 29:40,41; Nm 15:5,7,10; 28:24). Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão ao Senhor. O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Hans Burki, diz que a libação não era o sacrifício propriamente dito. Pelo contrário, era derramada sobre o animal a ser sacrificado (Nm 15:1-10). Paulo, portanto, entendia sua morte como oferenda derramada sobre o sacrifício da igreja (Fp 2:17) e derramada no mais verdadeiro sentido sobre o holocausto [sacrifício total] do Messias Jesus (Rm 8:32).

O grande avivalista americano do século 19, Dwight L. Moody, na hora da morte, disse às pessoas que o cercavam: - “Afasta-se a Terra, aproxima-se o Céu, estou entrando na glória”. O médico e pastor galês, Martyn Lloyd-Jones, depois de uma grande luta contra o câncer, disse para os seus familiares e paroquianos: - “Por favor, não orem mais por minha cura, não me detenha da glória”. O crente fiel comporta-se de forma sereno diante da morte.

2. A certeza da missão cumprida (2Tm 4:7). Paulo está passando o bastão para o seu filho Timóteo, mas, antes de enfrentar o martírio, relembra como havia sido sua vida: um duro combate. A vida para Paulo não foi uma feira de vaidades nem um parque de diversões, mas um combate renhido. O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Hans Burki, diz que Paulo lutou contra poderes sombrios da maldade; contra Satanás; contra vícios judaicos, cristãos e gentílicos; contra hipocrisia, violência, conflitos e imoralidades em Corinto; contra fanáticos e desleixados em Tessalônica; contra gnósticos e judaizantes em Éfeso e Colossos; e, não por último - no poder do Espírito Santo —, contra o velho ser humano dentro de si mesmo, tribulações externas e temores internos. Acima de tudo e em todas as coisas, porém, lutou em prol do evangelho - a grande luta de sua vida, seu bom combate. O apóstolo poderia morrer tranquilo porque havia concluído sua carreira, e isso era tudo o que lhe importava (At 20:24). Mas ele também deixa claro que nessa peleja jamais abandonou a verdade nem negou a fé. Não morre bem quem não vive bem. A vida é mais do que viver, e a morte é mais do que morrer, diz Hernandes Dias Lopes.

3. Paulo olhou para o futuro com esperança (2Tm 4:8). A gratidão do dever cumprido, associada à serenidade de saber que estava indo para a presença de Jesus, dava a Paulo uma agradável expectativa do futuro. Mesmo que o imperador o condenasse à morte e o tribunal de Roma o considerasse culpado, o reto e justo Juiz revogaria o veredito de Nero, considerando-o sem culpa e dando-lhe a coroa da justiça. Como num brado de triunfo diante do martírio, Paulo proclama: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.

Segundo William Macdonald, “a coroa da justiça é a grinalda que será dada aos cristãos que mostrarem justiça em seu serviço”. Nos jogos atléticos romanos, os vencedores recebiam uma coroa de louros. Símbolo de triunfo e honra, era o prêmio mais cobiçado da antiga Roma. Provavelmente, Paulo estava se referindo a isso quando falou de uma coroa. Esperando por Paulo, guardada para ele, estava uma recompensa: a coroa da justiça. Paulo receberia a sua recompensa do Senhor, justo Juiz. A recompensa de Paulo lhe seria dada no Dia da volta do Senhor. Esta coroa da justiça, esta recompensa, não será somente para Paulo. Ela está prometida a “todos os que amam a vinda de Jesus”. Que grande incentivo para Timóteo, para os crentes leais da sua igreja, e para todos os crentes em todos os tempos. Seja o que for que venhamos a enfrentar – desânimo, perseguição, ou morte -, nós sabemos que a nossa recompensa está com Cristo, na eternidade.

II. O SENTIMENTO DE ABANDONO

Paulo, certamente, foi a maior expressão do cristianismo. Viveu de forma superlativa e maiúscula. Pregador incomum, teólogo incomparável, missionário sem precedentes, evangelista sem igual. Viveu perto do Trono, mas ao mesmo tempo foi açoitado, preso, algemado e desolado. Tombou como mártir na terra, mas foi recebido como príncipe no Céu. Não foi poupado dos problemas, mas triunfou no meio deles. Como bem disse o rev. Hernandes Dias Lopes, o Céu não é aqui. Aqui não pisamos tapetes aveludados nem caminhamos em ruas de ouro, mas cruzamos vales de lágrimas. Aqui não recebemos o galardão, mas bebemos o cálice da dor.

1. O clamor de Paulo na solidão. “Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica; Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo...” (2Tm 4:9-11).

Paulo, já idoso, anseia ter a companhia do jovem pastor Timóteo. Por isso, ele pede que Timóteo se esforce para chegar logo a Roma. O apóstolo sente-se profundamente solitário na prisão em Roma. Ele estava numa cela fria, necessitado de um ombro amigo. Ele, então, roga para que Timóteo vá depressa ao seu encontro. Pede para ele vir antes do inverno (2Tm 4:21), pois nesse tempo era impossível navegar. Roga a Timóteo que leve também Marcos. O gigante do cristianismo está precisando de gente amada a seu lado, antes de caminhar para o patíbulo. Sua comunhão com Deus não o tornava um super-homem. Dentro do seu peito, batia um coração sedento por relacionamento.

a) Demas o desamparou. Paulo passou a vida investindo na vida das pessoas e, na hora em que mais precisou de ajuda, foi abandonado e esquecido na prisão. Ser esquecido pelos que antes foram colegas na evangelização deve ser uma das mais amargas experiências no serviço cristão.Demas era amigo de Paulo, irmão na fé e parceiro de trabalho. Mas agora Paulo estava na prisão, os cristãos eram perseguidos e o clima politico era claramente desfavorável a eles. Em vez de ansiar pela vinda do Senhor, Demas preferiu amar o presente século e assim abandonou Paulo e foi para Tessalônica. Provavelmente o temor pela segurança pessoal, o levou a se tornar desleal.

Demas é mencionado apenas três vezes no Novo Testamento (Cl 4:14; Fm 24; 2Tm 4:10). Na primeira vez, era um cooperador; na segunda vez, seu nome é apenas mencionado; e, na última vez, ele é apresentado como um desertor. Começou bem a carreira, mas a encerrou mal.Hendriksen diz que o verbo [desamparou] usado por Paulo implica que Demas não apenas deixou o apóstolo, mas o deixou numa situação difícil. Demas foi atacado pela covardia naquele tempo de terror. Ele foi seduzido de volta ao mundo pelo amor ao dinheiro. Os momentos de adversidade revelam aqueles que realmente são amigos sinceros.

b) Só o médico amado ficou com Paulo. “Só Lucas está comigo...”.  Lucas era o único a manter contato com Paulo em Roma. Deve ter significado muito para o apóstolo ter o estímulo espiritual e a habilidade profissional desse grande homem de Deus. A presença de Lucas com Paulo na sua segunda prisão é um tocante testemunho da lealdade desse companheiro. Lucas já havia acompanhado Paulo em sua viagem a Roma e em sua primeira prisão (At 27). Paulo o chamara de médico amado (Cl 4:14) e colaborador (Fm 24). Feliz é o obreiro que no final da sua lida tem um amigo, como Lucas, para estar ao seu lado. Lucas escreveu tanto o Evangelho que leva seu nome como o livro de Atos.

2. A serenidade dos últimos dias. “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos” (2Tm 4:13).

Paulo precisava de amigos para a alma, livros para a mente e cobertura para o corpo. Ele tinha necessidades físicas, mentais e emocionais. As prisões romanas eram frias, insalubres e escuras. Os prisioneiros morriam de lepra e de outras doenças contagiosas. O inverno se aproximava, e Paulo precisava de uma capa quente para enfrentá-lo. Segundo estudiosos, essa “capa” era uma roupa externa grande, sem mangas, feita de uma única peça de tecido pesado, com um buraco ao meio por onde se passava a cabeça. Servia de proteção contra o frio e a chuva. Paulo tinha deixado a sua “capa” na casa de um homem chamado Carpo, aparentemente onde ele havia se hospedado, em uma de suas visitas a Trôade (provavelmente não a visita mencionada em Atos 20:6, pois esta tinha ocorrido vários anos antes).

Paulo também precisava de livros (feitos de papiro) e pergaminhos (feitos de peles). Estava no corredor da morte, mas queria aprender mais. Paulo precisava de amigos, de roupas e de livros. Precisava de provisão para a alma, a mente e o corpo. Essa atitude de Paulo é um eloquente testemunho de que o homem de Deus, quando está seguro no Senhor, não teme a morte ou quaisquer outras circunstâncias adversas.

3. Preocupações finais com o discípulo. “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras” (2Tn 4:14,15).

Aqui, Paulo alerta Timóteo a respeito de “Alexandre, o latoeiro”. Paulo não dá nenhuma descrição de Alexandre, senão sua profissão. Ele trabalhava com cobre. O apóstolo também não descreve quais foram esses muitos males. Segundo estudiosos, Alexandre pode ter testemunhado contra Paulo no seu julgamento, causando desta forma muitos males ao apóstolo. Os informantes eram uma das grandes maldições de Roma naquela época. Buscavam obter favores e receber recompensas em troca de informações. Isso levou alguns historiadores a afirmar que foi Alexandre, o latoeiro, quem traiçoeiramente delatou Paulo, resultando em sua segunda prisão e consequente martírio. Alexandre se tornou inimigo do mensageiro [Paulo] e também da mensagem [evangelho]. Perseguiu o pregador e resistiu à pregação. Possivelmente, esse Alexandre morava em Trôade, onde Paulo fora preso, e, por isso, o apóstolo exorta a Timóteo que, ao passar por Trôade para pegar seus pertences, se guardasse desse malfeitor.

- “o Senhor lhe pague segundo as suas obras”. Quando Paulo diz estas palavras, não está expressando um espírito vingativo contra Alexandre, mas apenas entregando seu julgamento nas mãos de Deus, a quem pertence esse direito.

“O crente fiel sempre vai encontrar pessoas difíceis em sua caminhada, por isso, precisa estar preparado para lidar com toda a sorte de gente, boas e más”.

III. A CERTEZA DA PRESENÇA DE CRISTO

1. Sozinho perante o tribunal dos homens (2Tm 4:16). “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado”.

Paulo se arriscou pelos outros; mas ninguém compareceu em sua primeira defesa para estar a seu lado ou falar a seu favor. Nem Lucas, “o médico amado”, se encontrava na cidade, quando Paulo compareceu a audiência.

Segundo Hernandes Dias Lopes, mais perturbador que o frio gelado que se avizinhava pela chegada do inverno, era a geleira da ingratidão que Paulo tinha de suportar no apagar das luzes de sua jornada na terra. John Stott argumenta que, se Alexandre, o latoeiro, falou com deliberada malícia contra Paulo e o evangelho, os amigos de Paulo, em Roma, deixaram completamente de falar, e seu silêncio não se devia à malícia, mas ao medo. O verdadeiro amigo é aquele que chega quando todos já se foram. É aquele que está ao nosso lado, pelo menos para confortar-nos com o bálsamo do silêncio.

O verdadeiro amigo não nos abandona na hora da aflição. Jó fez uma dramática descrição desse abandono na hora de necessidade (Jó 19:13-16):

13. Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem deveras me estranharam.

14. Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.

15. Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho; vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.

16. Chamei a meu criado, e ele me não respondeu; cheguei a suplicar com a minha boca.

“Podem os amigos e companheiros nos abandonar nos momentos difíceis, mas Deus é fiel e jamais nos deixa sozinho”.

2. Sentindo a presença de Cristo (2Tm 4:17). “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão”.

Paulo foi vitima do abandono dos homens, mas foi acolhido e assistido por Deus. Assim como Jesus foi assistido pelos anjos no Getsêmani enquanto seus discípulos dormiam, Paulo também foi assistido por Deus na hora de sua dor mais profunda.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Warren Wiersbe, escreve: Quando Paulo ficou desanimado com os coríntios, o Senhor foi até ele e o encorajou (At 18:9-11). Depois de ser preso em Jerusalém Paulo voltou a receber a visita e o estimulo do Senhor (At 23:11). Durante a terrível tempestade em que Paulo estava a bordo de um navio, mais uma vez o Senhor lhe deu forcas e coragem (At 27:22-26). Agora, naquela horrível prisão romana, Paulo voltou a experimentar a presença fortalecedora do Senhor, que havia prometido: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13:5).

Deus não nos livra do vale, mas caminha conosco no vale. Deus não nos livra da fornalha, mas nos livra na fornalha. Deus não nos livra da cova dos leões, mas nos livra na cova dos leões. Às vezes, Deus nos livra da morte; outras vezes, Deus nos livra através da morte. Em toda e qualquer situação, Deus é o nosso refúgio.

3. Palavras e saudações finais (2Tm 4:18). “E o Senhor me livrará de toda má obra e guardar-me-á para o seu Reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém!”.

Segundo Willian Macdonald, ao afirmar que o Senhor o livraria de toda má obra, o apóstolo Paulo não quis dizer que seria definitivamente liberto da execução. Ele sabia que a hora de sua morte se aproximava (cf. 2Tm 4:6). O que, então, ele quis dizer? Sem dúvida, que o Senhor o livraria de fazer qualquer coisa que maculasse seus últimos dias de testemunho. O Senhor o livraria de se retratar, de negar o nome de Jesus, de covardia ou de qualquer outra forma de colapso moral ou espiritual. Além disso, Paulo estava seguro de que o Senhor o levaria salvo para o seu “reino celestial”, ao Céu.

Numa última oportunidade de encorajar o jovem pastor Timóteo diante de tantas lutas, Paulo diz: “O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco”. Matthew Henry está correto ao dizer que nada nos deve deixar mais felizes que ter o Senhor Jesus Cristo com o nosso espírito; porque nele todas as bênçãos espirituais estão resumidas.  

A epístola de 2Timóteo não foi endereçada apenas ao pastor Timóteo; foi escrita a toda a igreja de Éfeso e consequentemente a nós, hoje. No último versículo, Paulo passa do singular – “o Senhor seja com o teu espírito” -, para o plural – “a graça seja convosco”. A presença do Senhor e a graça do Senhor nos bastam.

Assim como a graça, que é melhor que a vida, foi suficiente para Paulo e a igreja de Éfeso no passado, seja também nosso alento hoje, para prosseguirmos preservando o evangelho, sofrendo pelo evangelho, permanecendo no evangelho e pregando o evangelho. “Amém!”.

CONCLUSÃO

Paulo tinha consciência de que a morte física aniquilaria apenas o seu corpo, mas seu espirito e sua alma (o homem interior — 2Co 4:16) estavam guardados em Cristo Jesus. Um servo de Deus que se pauta pela obediência ao Senhor, vivendo em santidade, e fazendo a vontade divina, não se desespera, mesmo ante a iminência do dia final.

Fonte: ebdweb

Nenhum comentário:

Postar um comentário