Seguidores

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

4º lição do 4º trimestre: A QUEDA DA RAÇA HUMANA


Texto Base: Romanos 5:12-19

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5:12).


INTRODUÇÃO

Como começou a maldade e todo o sofrimento no mundo? A única resposta satisfatória da origem do mal encontra-se no capítulo 3 do Gênesis, que relata como o pecado entrou no mundo e como tem produzido consequências trágicas e universais. A queda de Adão e Eva é apresentada, literalmente, na Bíblia, de modo explícito. Não é um relato teórico ou figurativo, mas um relato histórico. O seu pecado foi uma transgressão deliberada ao limite que Deus lhe havia colocado.

O homem deliberadamente pecou contra o seu Criador, e ao pecar, tornou-se escravo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn 4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia. Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, antes da fundação do mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef 1:4; Ap 13:8). Este plano foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que feriria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, consequentemente, comunhão entre Deus e o homem (Gn 3:15). O Plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. João 1:29; Cl 1:19-22; Gl 4:4,5). Só Jesus é quem pode dar a Salvação, pois “ em nenhum outro  salvação, porque também debaixo do céunenhum outro nome , dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”(Atos 4:12).

I. O PARAÍSO NO ÉDEN (Gn 2:8-25)

Quando Deus fez os Céus e a Terra, e quando Ele criou o sol, a lua, as estrelas, as plantas e as aves, os animais da terra e os animais das águas, nenhum lugar específico tinha sido separado para ser a morada do homem. Deus dá um intervalo antes de criar o homem e prepara para ele um jardim ou paraíso no Éden. Esse jardim é organizado de uma forma especial. Deus planta todos os tipos de árvores nesse jardim – árvores agradáveis à vista e de bons frutos. Duas dessas árvores são chamadas pelo nome: a árvore da vida, plantada no meio do jardim; e a árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9). O jardim foi preparado de tal forma que um rio que tinha sua nascente no próprio jardim fluía através dele, e dividia-se em quatro braços, a saber, Pisom, Giom, Tigre e Eufrates (Gn 2:10-14).  

1. Solicitude de Deus pelo homem. Na visão de Paul Hoff, podemos ver a solicitude de Deus pelo homem nos seguintes fatos:

a) colocou-o no jardim do Éden (ou paraíso na Terra), um ambiente agradável, protegido e bem regado (Gn 2:8-14). Ali, Deus deu a Adão trabalho para fazer, a fim de que não se entediasse. Há quem pense que o trabalho é parte da maldição, porém a Bíblia não ensina tal coisa; ensina, sim, que a maldição transformou o trabalho bom em algo infrutuoso e com fadiga (Gn 3:17).

b) Deus proveu a Adão de uma companheira idônea, instituindo assim o matrimônio (Gn 2:21,22). No capítulo 2 encontra-se, em forma embrioná­ria, o ensino mais avançado dessa relação. O propósito primordial do matrimônio é proporcionar companheirismo e ajuda mútua: "Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea [semelhante ou adequada]” (Gn 2:18).

O matrimônio deve ser monógamo, pois Deus criou uma só mulher para o homem; deve serexclusivista, porque "deixará o varão o seu pai e a sua mãe"; deve ser uma união estreita eindissolúvel: "apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne".

Deus, em sua infinita sabedoria, instituiu o lar para formar um ambiente ideal em que os filhos possam ser criados cabalmente em todos os aspectos: física, social e espiritualmente. Ensina-se a igualdade e dependência mútua dos sexos - "Nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor" (1Co 11:11). Um não é completo sem o outro.

O comentarista Matthew Henry observa que a mulher não foi formada da cabeça do homem, para que não exerça domínio sobre ele; nem de seus pés, para que não seja pisada; mas de seu lado, para ser igual a ele, e de perto de seu coração, para ser amada por ele. A mulher deve ser uma companheira que compartilhe a responsabilida­de de seu marido, reaja com compreensão e amor à natureza dele, e colabore com ele para levar a cabo os planos de Deus.

c) Deus concedeu a Adão ampla inteligência, pois ele podia dar nomes a todos os animais (Gn 2:19,20). Isto demonstra o fato de que tinha poderes de percepção para compreender suas características.

d) Deus mantinha comunhão com o homem (Gn 3:8)Desta feita, o homem podia cumprir seu mais elevado fim. Possivelmente, Deus tomava a forma de um anjo para andar no jardim com o primeiro casal. A essência da vida eterna consiste em conhecer pessoalmente a Deus (João 17:3), e o privilégio mais glorioso desse conhecimento é desfrutar da comunhão com Ele.

e) Deus pôs o casal à prova (Gn 2:16,17). Para os filhos de Deus as provas são oportunidades de demonstrar-lhe amor, obedecendo a Ele. Também constituem um meio de desenvolver seu caráter e santidade. Adão e Eva foram criados inocentes, porém a santidade é mais do que a inocência: é a pureza mantida na hora da tentação.

2. Cultivar e guardar o Jardim do Éden (Gn 2:15). Adão recebeu uma dupla tarefa para realizar: cultivar e guardar (preservar) o jardim do Éden. Isto é, ele tinha que cultivar a terra, e assim extrair dela todos os tesouros que Deus tinha reservado para o uso humano; e ele tinha que vigiar a terra, protegê-la contra todo o mal que pudesse ameaçá-la e preservá-la. Todavia, o homem só poderia cumprir essa missão se ele não quebrasse a conexão que o unia ao Céu, ou seja, somente se ele continuasse a obedecer a Deus.

Essa dupla tarefa, como podemos observar, é essencialmente uma só tarefa. Adão deveria dominar toda a terra, não de forma ociosa e passivamente (isto é: inerte, indiferente), mas através do trabalho de sua mente, de seu coração e de suas mãos. E para que isso fosse possível, ele deveria servir a Deus, que é o seu Criador e Legislador. Trabalho e descanso, domínio e serviço, vocação terrena e celestial, cultura e culto, são pares que caminham juntos desde o princípio. Eles pertencem e estão contidos na vocação do grande, santo e glorioso propósito do homem. Todo trabalho que o homem realiza para subjugar a Terra, seja através da agricultura, da pecuária, do comércio, da indústria, da ciência, ou de qualquer outra forma, é o cumprimento de um mandato divino. Mas para que o homem realmente cumpra esse mandato divino ele tem que depender e obedecer à Palavra de Deus.

II. A TENTAÇÃO NO PARAÍSO (Gn 3:1-6)

No Jardim do Éden, Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal como forma de testar a obediência do homem. A única razão para não comerem daquele fruto era o fato de Deus assim haver ordenado. De muitas maneiras, tal fruto ainda se encontra em nosso meio nos dias de hoje.

1. O Agente ativo da tentação. Satanás é o agente ativo da tentação. Ele instigou o primeiro casal a desobedecer à ordem de Deus. Satanás utilizou uma das suas armas preferidas: a sutileza. Esta é a marca registrada do diabo (João 8:44). As Escrituras registram ser ele o mais sutil de todos os seres criados por Deus e não há coisa alguma sutil que não esteja, de modo direto ou indireto, relacionado a ele.

Observamos, no relato da queda do primeiro casal, que o diabo surge como uma serpente, ou seja, de forma quase imperceptível, quase sem ser notada, apresentando-se à mulher de repente, de surpresa, num momento em que a mulher não esperava, diríamos que num instante de distração. Ante à distração do primeiro casal, o diabo conseguiu entrar no Jardim para efetuar a sua tarefa destruidora. A distração, o “cochilo espiritual”, é fatal para a saúde espiritual da Igreja. O caminho da vigilância está relacionado com a meditação diuturna da Palavra de Deus. Quando meditamos nas Escrituras, quando as estudamos ininterruptamente, o adversário não encontra brecha para agir.

Observe os passos que levaram a raça humana a pecar:

a) Satanás instigou dúvida em relação à Palavra de Deus: “É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? ” (Gn 3:1b). Eva estava distraída e, por causa disto, o diabo pôde se aproximar e iniciar um diálogo com a mulher, lançando-a no campo da dúvida. Diante de tanta amabilidade, Eva aceitou o diálogo, porém, não mostrou firmeza, pois a sua resposta não correspondeu aquilo que, de fato, Deus havia dito. Nossas dúvidas e inseguranças na Palavra de Deus tornam Satanás mais ardiloso.

b) Eva demonstrou desconhecimento da Palavra de Deus. Eva declarou (falando sobre a árvore do conhecimento do bem e do mal): “... do fruto das árvores do jardim comeremos, mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem neletocareis, para que não morrais”.

Dá para perceber que a mulher demonstrou desconhecimento da Palavra de Deus. Enquanto a ordem divina era para que não se comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal (cf. Gn 2:16,17), a mulher respondeu à serpente que a ordem era a proibição de comer e tocar na árvore que estava no meio do jardim (Gn 3:3). Vemos aqui, portanto, que a mulher alterou em dois pontos a ordem divina, a saber: (a) árvore da ciência do bem e do mal por árvore que está no meio do jardim; (b) não comereis por não comereis nem tocareis.

c) Satanás contradita o próprio Deus. Face o desconhecimento da Palavra de Deus, agora Satanás estava em condições de contraditar o próprio Deus, pois, sentiu que já tinha o controle sobre a mulher. Mais uma vez, com muita sutileza, lançou dúvidas quanto à veracidade da Palavra do próprio Deus - “... certamente não morrereis”. Uma maneira muito sutil de afirmar que Deus havia mentido.

Satanás deturpou o mandamento do Senhor ao sugerir que Deus ocultava algo benéfico para Adão e Eva. Satanás se atreveu a negar as consequências da desobediência, como fazem até hoje seus seguidores, ao continuarem negando a existência do inferno e a punição eterna.

d) Satanás desperta na mulher a soberba e o desejo de ser como Deus. Não tendo havido nenhuma reação por ter ouvido que a Palavra do Criador não era verdadeira, então Satanás com maior sutileza deu sua cartada final, despertando, agora, a soberba e o desejo de ser como Deus: “Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3:5).

Satanás utilizou-se de um motivo sincero para testar Eva: “sereis como Deus”. Eva não estava errada em querer ser como Deus. Tornar-se mais parecido com Deus é o maior objetivo da humanidade. Deveríamos ser assim. Mas Satanás enganou Eva no que diz respeito ao modo de alcançar esse objetivo. Ele alegou que ela poderia parecer-se com Deus desafiando a autoridade dele, tomando o seu lugar e decidindo por si mesma o que era melhor para a sua vida. Na verdade, ele a instruiu a ser seu próprio deus. Entretanto, parecer-se com Deus não é o mesmo que querer ser Deus. Ao contrário, é refletir nas características de Deus e reconhecer a autoridade dele sobre a sua vida. Assim como Eva, possuímos um objetivo valioso, mas tentamos alcançá-lo de forma errada. Agimos como um candidato politico que usa de suborno para ser “eleito”; ao fazer isto, servir a comunidade já não é mais seu objetivo.

A exaltação própria conduz à rebelião contra Deus. Logo que começamos a retirar Deus de nossos planos, colocamo-nos acima dele. E é exatamente isto o que Satanás deseja (Bíblia de estudo Aplicação Pessoal).

O humanismo secular tem perpetuado a mentira de Satanás: “você será igual a Deus”.

e) A derrocada de Adão e Eva. O diabo mentiu, pôs em descrédito os ditos do Senhor e criou fantasias nas quais o primeiro casal acreditou e que foram a sua derrocada. Sem qualquer ameaça, sem nenhuma palavra forte, apenas na sutileza, Satanás já estava com a mulher na “palma de sua mão”. Eva se deixou enganar – pensou que seria como Deus. Olhou – “vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos”; Desejou – “... árvore desejável para dar entendimento...”; Tomou – “... tomou-lhe do fruto...”; Comeu - “... comeu...”; Morreu: morte espiritual instantânea e morte física gradativa. A punição por transgredir o mandamento era a morte - “... no dia em que dela comeres, certamente morrerás”(Gn 2:17).

Uma vez se desprendendo das Escrituras, os homens são iludidos com falsas promessas e fantasias (que as Escrituras denominam de “fábulas”, ou seja, “contos da carochinha” (1Tm 1:4; 4:7; 2Tm 4:4; 2Pe 1:16), falsidades que a seu tempo se revelarão e que, infelizmente, para muitos, significarão a morte eterna.

2. O agente passivo da tentação. “... e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3:6). Eva foi enganada (1Tm 2:14), mas Adão agiu intencionalmente, em rebelião deliberada contra Deus. Concordo com o pr. Claudionor quando diz que Eva pecou antes de Adão, e Satanás, por seu turno, pecara muito antes de Eva. Todavia, o pecado entrou no mundo não através da mulher, nem por intermédio do Diabo. O grande responsável pela introdução da apostasia no mundo foi Adão. É o que esclarece Paulo: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm 5.12).

Adão e Eva tiveram o que queriam: um conhecimento profundo do bem e do mal. Mas isto eles conseguiram cometendo pecado e os resultados foram, portanto, desastrosos. Algumas vezes, temos a ilusão de que “liberdade” é fazer o que queremos. Mas Deus diz que a verdadeira liberdade vem da obediência e da consciência do que não deve fazer. As restrições impostas por Ele são para o nosso bem, para ajudar-nos a evitar o mal. Temos a liberdade de andar em frente a um carro em alta velocidade, mas não precisamos ser atropelados para perceber quão tolo isto seria. Não dê ouvidos às tentações de Satanás. Você não precisa fazer o mal para adquirir mais experiências e aprender mais sobre a vida (Bíblia de Estudo – Aplicação Pessoal).

III. O JUÍZO DE DEUS (Gn 3:8-19)

Deus havia provido tudo para o bem do homem e havia proibido uma única coisa. Ao ceder à voz de Satanás, o homem escolhia agradar-se a si mesmo, desobedecendo deliberadamente a Deus. Era um ato de egoísmo e rebelião inescusável. Na realidade, era atribuir a si o lugar de Deus.

1. As consequências teológicas da queda são as seguintes:

a) Adão e Eva conheceram pessoalmente o mal: seus olhos "foram abertos". Adão e Eva chegaram a assemelhar-se a Deus, distinguindo entre o bem e o mal, porém, seu conhecimento se diferencia do conhecimento de Deus em que o conhecimento deles foi o da experiência pecaminosa e contaminada. Deus, ao contrário, conhece o mal como um médico conhece o câncer, porém, o homem caído conhece o mal como o paciente conhece sua enfermidade. A consciência deles despertou para um sentimento de culpa e vergo­nha.

b) Interrompeu-se a comunhão com Deus, e então fugiram de sua presença. O pecado sempre despoja a alma da pureza e do gozo da comunhão com Deus. Essa é a morte espiritual e cumpre, num sentido mais profundo, a advertência de que o homem morreria no dia em que comesse do fruto proibido (Gn 2:17).

c) A natureza humana corrompeu-se e o homem adquiriu a tendência para pecar. Já não era inocente como uma criança, mas sua mente se havia sujado e ele sentia vergonha de seu corpo. Outra prova da sua natureza corrompida: ele lançou a culpa sobre sua mulher. Adão chegou a insinuar que Deus era o culpado: "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi" (Gn 3:12). Isto é uma demonstração clara da natureza decaída do homem.

2. Juízo de Deus. Deus castigou o pecado com dor, sujeição e sofrimento. Um Deus santo e justo não pode fazer vista grossa à rebelião de suas criaturas. Ele é o justo Juiz.

a) Sobre a serpente (Gn 3:14,15). ”Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida” (Gn 3:14). “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15).

O Senhor Deus amaldiçoou a serpente a viver de modo degradante e em desgraça e derrota. O fato de a serpente ter sido amaldiçoada junto com todos os animais domésticos e todos os animais selváticos sugere que o texto de Gn 3:14 está se referindo à espécie biológica dos répteis, e não a Satanás. Mesmo no Milênio quando a natureza dos animais for restaurada, ela não será redimida de sua degradação (Is 65:25).

b) Sobre a mulher (Gn 3:16). “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição; com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará”.

A mulher sofreria dores no parto e estaria sujeita a seu marido. Mas, estar sujeita a seu esposo é maldição? Não deve ter a família uma cabeça? Além do mais, não está aí uma figura da relação entre Cristo e a Igreja? (Ef 5:22,23). O mal consiste em que a natureza decaída do homem torna-o propenso a abusar de sua autoridade sobre a mulher; do mesmo modo que a autoridade do marido sobre a mulher pode trazer sofrimento, o desejo feminino a respeito de seu esposo pode ser motivo de angústia. O desejo da mulher não se limita à esfera física, mas abrange todas as suas aspirações de esposa, mãe e dona-de-casa. Se o casamento fracassa, a mulher fica desolada.

c) Sobre o homem (Gn 3:17-19). “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás”.

O homem sentenciado a obter alimento de uma terra amaldiçoada com espinhos e cardos. Isto significa que ele teria de trabalhar o resto da vida em fadigas e com suor do rosto até retornar ao pó.

Devemos observar que o trabalho não é uma maldição. Em geral, o trabalho é uma bênção. A maldição está mais ligada à tristeza, à frustração, ao suor e ao cansaço que acompanham o trabalho.

Toda a raça humana e a própria natureza ainda continuam sofrendo como consequência do juízo pronunciado sobre o primeiro pecado. O apóstolo Paulo fala poeticamente de uma criação que "geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Rm 8:22).

3. A promessa de um juízo redentivo (Gn 3:15). “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Esta é a mais gloriosa promessa de redenção, de soerguimento do homem da condenação. Ao invés de lançar apenas juízos inclementes e condenatórios sobre o casal, Deus, o justo Juiz, abriu um espaço para a redenção. Observe a bondade de Deus ao prometer a vinda do Messias antes mesmo de decretar a sentença de juízo condenatório ao homem e a mulher.

Este versículo é conhecido como protoevangelho, isto é, “o primeiro evangelho”. O texto anuncia a inimizade perpétua entre Satanás e a mulher (que representa toda a humanidade), e entre a descendência de Satanás (seus representantes) e o seu descendente (o descendente da mulher, o Messias). O descendente da mulher feriria a cabeça de Satanás. Essa ferida foi infligida no Calvário, quando o Salvador triunfou sobre Satanás. Este, por sua vez, feriria o calcanhar do Messias. Essa ferida se refere ao sofrimento (incluindo morte física), mas não à derrota final. Cristo sofreu na cruz e morreu, mas ressuscitou dentre os mortos, vitorioso sobre o pecado, o inferno e Satanás.

CONCLUSÃO

Embora a queda tenha acarretada tanta desgraça para o ser humano, nós aprendemos que há uma esperança para o pecador, em Cristo Jesus. Através de Cristo, Deus Pai provê-nos eterna e suficiente redenção, dispensando-nos um tratamento mui especial.

O homem enquanto vive neste mundo, antes da morte física, ele tem a escolha de aceitar ou não o amor de Cristo. Se ele o aceita, estará aceitando ir morar com Cristo, estar ao lado dEle para sempre (João 3:16-21; 14:1-3; 17:24). A alma daqueles que aceitam a Cristo estarão na luz para sempre; no momento da morte física vão para o paraíso (Lc 23:43), um lugar de gozo espiritual, um lugar de alegria.  O Paraíso é um lugar de espera até o arrebatamento da Igreja, pois neste dia Jesus Cristo virá até as nuvens e todos os mortos que morreram em Cristo, ressurgirão num corpo incorruptível, um corpo glorioso (Fp 3:21, 1Co 15:12, 51,52), e daí para frente estarão para sempre junto do Senhor, seja no reinado de Cristo no milênio (Ap 3:21 e 20:4), e na eternidade futura na nova Jerusalém celestial (Ap 21).

Fonte: ebdweb

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

2ª Lição do 4º trimestre de 2015: A CRIAÇÃO DO CÉU E DA TERRA


Texto Base: Salmos 104:1-14

 
“Pela fé, entendemos que os mundos, pela Palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11:3)

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos sobre a criação dos Céus e da Terra, um fato histórico que aconteceu exatamente como está escrito no Livro de Gênesis. Por que Deus criou tudo isto? Simplesmente porque Ele é livre para criar, e seu propósito baseia-se no fato da eterna bondade que Ele manifesta para sua criação. Ao criar o universo, não significa que Deus precisasse de alguma coisa para si, já que Ele possui tudo (Salmos 24:1). Ele criou todas as coisas para manifestação da sua glória (Salmos 19:1-5; Is 6:3; 43:7). A criação da Terra foi aplaudida pelos anjos, os quais foram criados antes da criação do mundo material, conforme Deus revelou a Jó: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra?... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38: 4,7).

I. O CRIACIONISMO BÍBLICO

O criacionismo bíblico é a doutrina segundo a qual Deus criou, a partir de sua palavra, tudo quanto existe: os Céus, a Terra, os reinos vegetal e animal, e finalmente o ser humano (Hb 11:3). Diferentes teorias, através dos tempos, foram levantadas por mentes incrédulas e perniciosas, no intuito de ofuscar o criacionismo bíblico. Dentre tais teorias destacou-se o evolucionismo, a abor­dagem, sem fundamento científico, proposta por Charles Darwin (1809-1882).

1. Evolucionismo. O evolucionismo ensina que a matéria é eterna, preexistente. A partir daí, mediante processos naturais e por transformação gradual, os seres passaram a existir. Propõe uma visão determinista, na qual o meio torna-se o selecionador da melhor variedade dentre os seres. Entretanto, essa teoria é simplesmente uma hipótese sem evidência científica. Não há nenhuma evidência, nem sequer no registro geológico, a apoiar a teoria de que um tipo de ser vivente já evoluiu doutro tipo. Pelo contrário, as evidências existentes apoiam a declaração da Bíblia, que Deus criou cada criatura vivente “conforme a sua espécie” (Gn 1:21,24,25).

Segundo o método científico, toda conclusão deve basear-se em evidências incontestáveis, oriundas de experiências que podem ser reproduzidas em qualquer laboratório. No entanto, nenhuma experiência foi idealizada, nem poderá sê-lo, para testar e comprovar teorias em torno da origem da matéria a partir de um hipotético “grande estrondo”, ou do desenvolvimento gradual dos seres vivos, a partir das formas mais simples às mais complexas.

A evolução, em todas as áreas, é coisa do homem, por ser imperfeito. Exemplos:

- No mundo marítimo, o homem, primeiro deve ter flutuado sobre as águas, agarrado num tronco de madeira. Depois fez do tronco uma canoa, uma jangada, uma barcaça, um navio à vela ou movido à remos; chegou, depois de muito tempo, ao grande transatlântico. A construção naval evoluiu.

- No campo aeronáutico, do 14 Bis de Santos Dummont ao “Concorde” dos franceses, foram mais de 50 anos de evolução.

Os evolucionistas se enganam por não conhecerem Deus, nem sua perfeição, nem o seu poder criativo.

2. Criacionismo. Em Gênesis 1 a 11, Moisés descreve, com objetividade, a atuação do Criador do universo e do homem: o Deus Todo-Poderoso. Segundo o conceito criacionista, a origem do mundo conecta-se à verdade bíblica de que, no princípio, Deus criou os céus e a Terra (Gn 1:1; Ex 20:11; Sl 90). Logo, a Palavra de Deus refuta a ideia de um surgimento acidental e apresenta o Senhor como autor da criação de todas as coisas (Ec 3:11). O Deus trino e eterno criou o universo e o sustenta por intermédio do Seu poder soberano (João 1:1-3; Cl 1:16,17; Hb 11:3).

Três verbos hebraicos são usados para traduzir a ação criativa de Deus no Antigo Testamento:barah, asah e yatzar.

·         Barah – indica a ação criadora de Deus. Em relação às coisas, transmite a ideia de criar do nada. Em relação ao homem, criar a partir de material preexistente (Gn 1:1,27; 5:1a).

·         Asah – relaciona-se à criação a partir de material preexistente (Gn 1:11,12,31; 5:1b).

·         Yatzar – significa modelar, dar forma, finalizar (Gn 2:7,22).

O Altíssimo tudo criou a partir da sua Palavra. Ele, simplesmente, disse: “Haja”, e os elementos vieram à existência (Gn 1:3; Sl 33:6). Por sua ordem, o sistema solar e os reinos, vegetal e animal, ganharam vida. Veja, em resumo, o quadro demonstrativo da criação:

1º dia
Luz (dia e noite).
Gn 1:3-5
O AMBIENTE PROPÍCIO PARA A VIDA
2º dia
Céu, atmosfera e mares.
Gn 1:6-8
3º dia
Terra e vida vegetal.
Gn 1:9-13
VIDA VEGETAL
4º dia
Os corpos celestes que iluminam a Terra.
Gn 1:14-19
5º dia
Os animais do mar e as aves
Gn 1:20-23
VIDA ANIMAL
6º dia
Os mamíferos, os répteis e o homem.
Gn 1:24,25

3.  Propósito e alvo da criação. Deus criou os Céus e a Terra: (1)

a) para manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1). Ao olharmos a totalidade do cosmos criado – desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza – ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador.

b) para receber a glória e a honra que lhe são devidas. Todos os elementos da natureza – por exemplo, o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves – rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98:7-9; 148:1-10).

c) para prover um lugar onde o seu propósito e alvo para a humanidade fossem cumpridos:

Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para comunhão amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade. Deus projetou o ser humano como um ser trino e uno (corpo, alma e espírito), que possui mente, emoção e vontade, para que possa comunicar-se espontaneamente com Ele como Senhor, adorá-lo e servi-lo com fé, lealdade e gratidão.

- Deus desejou de tal maneira esse relacionamento com a raça humana que, quando Satanás conseguiu tentar Adão e Eva a ponto de se rebelarem contra Deus e desobedecer aos seus mandamentos, Ele prometeu enviar um Salvador para redimir a humanidade das consequências do pecado (cf. Gn 3:15). Daí Deus teria um povo para sua própria possessão, cujo prazer estaria nEle, que o glorificaria, e que viveria em retidão e santidade diante dEle (Is 60:21; 61:1-3; Ef 1:11,12; 1Pe 2:9).

- A culminação do propósito de Deus na criação está no livro do Apocalipse, onde João descreve o fim da história com estas palavras: “... com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21:3).

II. A CRIAÇÃO DO TEMPO, DO ESPAÇO, DOS CÉUS E OS ANJOS

No “princípio” Deus criou perfeitamente todo o cosmos (Gn 1:1). Criou também o tempo, o espaço, os Céus e os anjos, e a Terra sem forma e vazia.

1. O tempo. Gênesis 1:1 convida todos nós à história. A criação foi um ato temporal de Deus. Não consta de forma verbal na Bíblia, mas pode-se afirmar que a primeira coisa que Deus criou foi o tempo. Isto porque a obra divina somente poderia ser concretizada no âmbito temporal.

A declaração de que a criação foi um ato temporal não significa restringir ou confinar Deus ao tempo, porque Ele está fora de qualquer confinamento, restrição física ou mesmo espiritual. Na verdade, a lição que aprendemos na Bíblia é que o mundo teve começo (cf. Mt 19:4,5; Mc 10:6; João 1:1,2; Hb 1:10).

A pergunta que costumeiramente é feita, quando se estuda sobre o tempo da criação, é: “em quanto tempo Deus criou o mundo?”.  Há cinco teorias principais sobre a interpretação dos seis dias da criação: (2)

- A teoria do dia pictórico. Esta teoria afirma que os seus dias mencionados no livro de Gênesis sãos os seis dias durante os quais Deus revelou a Moisés os eventos da criação. Mas a Bíblia relata a criação de maneira clara, simples e histórica como relata quaisquer outros eventos. Interpretar o texto desta forma exige o abandono de todos os princípios exegéticos.

- A teoria do hiato. Esta teoria afirma que Gênesis 1:1 descreve uma criação original que foi seguida pela queda de Satanás e pelo grande juízo. Supõe-se que Gênesis 1:2, então, seja uma descrição da recriação ou restauração que ocorreu. Êxodo 20:11 ensina que todo o universo, incluindo os céus e a terra (Gn 1:1), foi criado no período de seis dias, mencionado no primeiro capítulo de Gênesis.

- A teoria do dia intermitente. Esta teoria afirma que os dias mencionados são dias literais, mas que são separados por longos períodos (até mesmo milhões de anos). Contudo, a menos que toda a atividade criativa seja limitada aos dias literais, esta interpretação é uma contradição direta ao texto de Êxodo 20:11.

- A teoria do dia-era. Esta teoria afirma que a palavra yôm, que é o termo hebraico para “dia”, é usada para se referir a períodos de extensão indefinida, e não dias literais. Embora seja um significado viável para o vocábulo (Lv 14:2,9,10), não é o mais comum. Logo, o sentido vernacular não é fundamento suficiente para sustentar essa teoria.

- A teoria do dia literal. Esta teoria afirma que este é o significado claro do texto: o universo foi criado em seis dias literais. Os vários esforços para unir o relato bíblico da criação e a evolução não são respaldados nem mesmo pelas várias teorias de hiato, porque a ordem da criação está em oposição direta às interpretações da ciência moderna (por exemplo, a criação das árvores antes da luz). A expressão “dia e noite” indica dias literais (cf. Dn 8:14, onde a mesma expressão em hebraico é traduzida como “tardes e manhãs”).

Conquanto a teoria dos dias literais seja a mais aceita pelos cristãos e judeus, a Bíblia, porém, não especifica a duração desses períodos de tempo. A questão real não é quanto tempo levou, mas como Deus criou. Ele criou a Terra de forma sistemática (não criou as plantas antes da luz), e criou homem e mulher como seres únicos, capazes de comunicar-se com Ele. Nenhuma outra parte da criação possui este privilégio. Portanto, não importa em quanto tempo Deus fez o mundo, se em alguns dias ou alguns milhões de anos; o importante é que Ele o criou exatamente como desejava.

Muitas Bíblias destacam notas sobre a cronologia da Terra, mas isto não faz parte originalmente da Bíblia. Muitos dizem que a criação ocorreu em 4004 a.C. Um arcebispo chamado Usher chegou a esta conclusão a partir do cálculo dos anos que atravessam as genealogias patriarcais (Gn 5; Gn 11). Uma comparação destas genealogias com as contidas nos Evangelhos revelará que as genealogias não são completas por desígnio, nem nos foram fornecidas para que calculássemos o intervalo de tempo entre vários eventos na história antiga do homem. Elas apresentam alguns nomes significativos, e omitem outros. Portanto, não podem ser usadas para estabelecer a data da criação. A época mais antiga a partir da qual podemos calcular anos civis com uma precisão aproximada é a época de Abraão.

2. O espaço. Deus criou o espaço a fim de conter a sua obra, que, embora vastíssima, é finita. Logo, o espaço também é finito. O Criador não se acha limitado quer pelo tempo, quer pelo espaço; a criação, sim. Até mesmo os anjos, criaturas de Deus, acham-se condicionados ao aspecto temporal e espacial, pois não podem estar em dois lugares ao mesmo tempo.

3. A Terra ainda informe. “E a terra era sem forma e vazia...”(Gn 1:2). No original hebraico, esta expressão dá a ideia de um lugar ermo. Esta frase significa algo desordenado, como estava desordenada a terra de Israel por causa do pecado (Jr 4:23-27). Segundo estudiosos, isto se refere à       Terra como um lugar vazio, isto é, um lugar improdutivo e inacabado. O estado da Terra reflete uma situação na qual não estava produzindo vida. A preocupação da narrativa é com a vida: aves, animais e vegetação.

“Alguns teólogos entendem este texto como uma referência ao ato da recriação, mas sem base suficiente na Bíblia para garantir esta ideia. Os que defendem estra teoria, ensinam que entre Gênesis 1:1 e 1:2, houve um cataclismo geológico, provocado pela queda e Satanás perante o Criador. Mas, parece-nos que a narrativa da criação nada tem a ver com isso, pois trata-se de um relato dos atos criativos de Deus, que eliminou o caos que envolvia a Terra, ‘sem forma e vazia’”(LBM, p. 13, CPAD. 1995).

A Bíblia de Scofield afirma que a condição da Terra, em Gn 1:2, é o resultado de juízo, razão pela qual interpreta o verbo hãyãh como “tornou-se”. Contudo, a estrutura hebraica de Gn 1:2 é disjuntiva, descrevendo o resultado da criação descrita em Gn 1:1. A expressão “sem forma e vazia” é frequentemente mal interpretada em função das possibilidades de sua tradução. Estas palavras não descrevem o caos, mas o vazio. Uma tradução melhor seria “sem forma e desocupada”. (3)

III. A ORDENAÇÃO DA TERRA

1. O Espírito Santo na criação“... o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1:2); “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn 1:26). A imagem do Espírito Santo de Deus movendo-se sobre a face da terra é semelhante a um pássaro-mãe cuidando dos seus filhotes e protegendo-os (ver Dt 32:11,12; Is 31:5). O Espírito de Deus, portanto, estava envolvido ativamente na criação do mundo (ver Jó 33:4; Sl 104:30). O cuidado e a proteção de Deus ainda são uma realidade.

2. Tarefas ordenadas. A afirmação de que a “a terra era sem forma e vazia” provê o cenário para a narrativa da criação que se segue. Durante o segundo e o terceiro dia, Deus deu forma ao universo; nos três dias seguintes, Ele encheu a Terra com seres viventes. As trevas foram dispersas no primeiro dia, quando Deus criou a luz.

IV. A CRIAÇÃO DA LUZ (Gn 1:3-5)

A Bíblia declara ousadamente que “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn1:1). Todavia, a Terra não estava pronta para o homem (coroa da criação), ainda estava sem forma e vazia, a despeito da atividade Onipotente do Espírito Santo, que se movia continuamente sobre a face das águas (Gn 1:2). E o primeiro ato de Deus, no primeiro dia, foi a criação da luz.

“E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã: o dia primeiro”.

Deus fez aparecer a luz cósmica, pelo poder da sua Palavra, quando disse: “haja luz, e houve luz”. O mundo estava debaixo da escuridão total, mas o Criador fez surgir a luz, mesmo antes de aparecer o Sol. Em Gênesis 1:4, lemos: “e fez Deus separação entre a luz e as trevas”. Havia, de fato, uma densa acumulação de neblina e vapor, os quais envolvia a Terra, e, por isso, existia uma total escuridão. Quando surgiu a luz, as trevas foram vencidas pelo poder da claridade que se espalhou sobre a expansão das águas. No versículo 5, a luz foi chamada “dia” e as trevas, “noite”.

V. A SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS (Gn 1:6-8)

“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão. E assim foi. E chamou Deus à expansão Céus; e foi a tarde e a manhã: o dia segundo”.

Parece que, antes do segundo dia, a terra estava completamente imersa numa camada espessa de água, talvez em forma de vapor carregado. Esta vasta cortina líquida e nebulosa cobria a Terra e impedia que a luz solar a vencesse. Ela impedia o planeta a um juízo de trevas impenetráveis. No segundo dia, Deus dividiu essa camada em duas partes: uma parte cobriu a terra, e a outra formou as nuvens, e entre elas surgiu o firmamento ou “expansão”. “E chamou Deus à expansão [firmamento] céus”, isto é, o espaço imediatamente acima da superfície do planeta (não o espaço estelar, nem o terceiro Céu, onde Deus habita). Gênesis 1:20 deixa claro que o céu se refere ao espaço onde voam as aves – “...e voem as aves sobre a face da expansão dos céus”.

VI. A CRIAÇÃO DO REINO VEGETAL (Gn 1: 9-13).

“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era bom. E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie e árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã: o dia terceiro”.

O terceiro ato de Deus diz respeito à formação de um futuro ambiente ou habitat para o homem, que seria formado no sexto dia. Primeiramente, Deus ajuntou as águas que cobriam o planeta e fez aparecer a porção seca, criando assim a Terra e os Mares. Alguns arqueólogos acreditam que, originalmente, “a porção seca” fosse um só continente; isto realmente combina com o texto sagrado: “... e apareça a porção seca...” (Gn 1:9). Não diz: as porções secas.

Após isso, Deus fez surgir todos os tipos de plantas e árvores na Terra. A parte seca, hoje, disposta no planeta em cinco continentes, foi capacitada para produzir toda a vegetação em forma de ervas variadas que dão sementes e árvores frutíferas. Estes elementos vitais da vegetação seriam os produtores de alimentos para a sobrevivência dos seres vivos.

- “... conforme a sua espécie...”. Não há espécie de vida à parte do desígnio e ato criativo de Deus. Ele queria que a vegetação servisse como alimento para formas de vidas mais elevadas (cf Gn 1:29,30).

- A fotossíntese. Cabe aqui uma indagação: “como a vegetação poderia vingar sem o processo de fotossíntese, já que o sol só viria a ser criado no quarto dia?”. O sol não é a única fonte de luz no universo. Além disso, é possível que ele já existisse desde o primeiro dia, tendo somente aparecido ou se feito visível (com a dissipação da neblina) no quarto dia. Vemos luz num dia nublado, mesmo quando não nos é possível ver o sol. Portanto, não há contradição alguma entre a Bíblia Sagrada e a verdadeira ciência. Afinal, aquele que criou as plantas haveria de esquecer-se de algo tão básico como a fotossíntese?

VII. A CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR (Gn 1:14-19)

“E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra. E assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã: o dia quarto”.

Somente no quarto dia Deus criou os luzeiros no firmamento dos céus (o sol, a lua e as estrelas) para iluminarem a Terra e servirem no estabelecimento do calendário.

“Não há contradição entre o relato do primeiro e o quarto dia, quando ambos os textos relativos falam do aparecimento da luz. A diferença é que, no primeiro dia (Gn 1:3-5), Deus ordena o surgimento da luz; e no quarto dia (Gn 1:14-19), organiza o sistema solar. Neste dia, surgem o Sol e a Lua, e os astros celestes”(LBM, p. 13, CPAD. 1995). Enquanto nos mitos do antigo Oriente Próximo o sol e a lua são as principais divindades, aqui são objetos sem nome designados por um Deus Criador para servirem à humanidade.

“Tudo está pronto para a sobrevivência animal. Há água portável, comida e o ciclo das estações. No versículo 14, começa, de fato, a contagem do tempo, pois os luminares surgidos no firmamento celeste, Sol e Lua, fazem a diferença entre o dia e a noite” (LBM, p. 13, CPAD. 1995).

Deus criou o sistema solar para funcionar perfeitamente, conforme Deus declarou através do profeta Jeremias: “Assim diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à luz e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; Senhor dos Exércitos é o seu nome” (Jr 31:35).

VIII. A CRIAÇÃO DO REINO ANIMAL (Gn 1:20-26)

“E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies, e toda ave de asas conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. E foi a tarde e a manhã: o dia quinto” (1:20-23).

“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis, e bestas-feras da terra conforme a sua espécie. E assim foi. E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (1:24-26).

Somente depois de o ambiente natural estar devidamente preparado é que Deus criou, no quinto e sexto dias, os animais aquáticos e terrestres. O criador agiu de forma sábia, lógica, em seus desígnios.

1. Quinto dia (Gn 1:20-23). No quinto dia, Deus povoou as águas com peixes; e a Terra, com aves e insetos. A palavra traduzida por “aves” significa “seres que voam”, incluindo morcegos e provavelmente insetos alados. A ordem divina no versículo 20 é: “Produzam as águas abundantemente...”. A água não tem o poder de geração espontânea. Ela produz vida somente por meio da palavra eficaz de Deus.

2. Sexto dia (Gn 1:24-26). Nos versículos 24 a 25, Deus criou os animais e répteis. A lei biológica da reprodução aparece repetidamente com as palavras “conforme a sua espécie”. Tanto no mundo animal como vegetal, foram feitos de acordo com o seu gênero e espécie e com a capacidade de reproduzir-se por gerações sem fim. Deste modo, podemos testemunhar que as diferentes famílias de animais e plantas conservam-se, desde sua criação até o dia de hoje.

O versículo 26 diz que Deus criou o homem. Ele é a obra-prima da criação; a coroa da criação. Quando Deus disse: “Façamos o homem”, Ele desejava criar um ser distinto de todas as demais criaturas terrestres; alguém que tivesse personalidade, vontade, sentimento, e fosse capaz de representá-lo sobre a Terra. Por esta razão, Ele criou o homem “à sua imagem e semelhança”. De certa forma, o homem partilha características semelhantes com o Senhor: Deus é uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e o homem é um ser tripartite (corpo, alma e espírito). Como Deus, o homem possui intelecto, juízo moral, poder de se comunicar com os outros e uma natureza emocional que transcende seus instintos. Não há indicação de semelhança física no texto. Ao contrário dos animais, o homem é um ser criador e adorador, e se comunica com clareza.

Deus ordenou aos animais e aos seres humanos: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra...” (1:22,28). A Bíblia apresenta a origem dos sexos como um ato criativo de Deus (a teoria da evolução até agora não conseguiu explicar como surgiu os sexos).

Quanto à criação, Deus disse ao homem: sujeitai-a; dominai; porém não mandou que fosse destruída. A crise atual que afeta o meio ambiente se deve à ganância, ao egoísmo e à negligência do ser humano.

CONCLUSÃO

Por sua livre e espontânea vontade, e por seu poder absoluto, Deus chamou o universo à existência, criando-o a partir do nada (Êx 20:11; Sl 33:6,9; 102:25; Is 45:12; Jr 10:12; João 1:3; At 14:15; 17:24; Rm 4:17; Cl 1:15-17; Hb 1:10; 11:3; Ap 4:11). Quando se reconhece o poder absoluto de Deus, é necessário aceitar o seu poder de criar e destruir, como declaram as Escrituras. O crente deve aceitar essas coisas pela fé (Hb 11:3).

Fonte: ebdweb