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segunda-feira, 21 de março de 2016

13 ª lição do 1º trimestre de 2016- O DESTINO FINAL DOS MORTOS



Chegamos ao final do primeiro trimestre de 2016. Considerando a relevância do tema abordado, (Escatologia)  é certo afirmar que cada aluno da EBD dessa faixa etária foi sobremodo agraciado com o vasto conteúdo exposto. No ensejo externo minha gratidão ao Pr. Elinaldo Renovato de Lima, Pr. Luciano de Paula Lourenço,  Dr. Ev. Caramuru Afonso Francisco e demais pastores que tem contribuído significativamente pelo desempenho da Escola Bíblica no Brasil.  Desejando a todos um bom aproveitamento no próximo trimestre. Pb. Efigênio Hortêncio

Texto Base: Lucas 16: 19-26


“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).
INTRODUÇÃO
Nesta Aula estudaremos a respeito do destino dos mortos: dos cristãos salvos em Cristo Jesus e dos ímpios. Em todas as Aulas deste trimestre enfatizamos acerca deste assunto, porém, nesta Aula, daremos um enfoque mais detalhado e exaustivo a respeito do destino final dos crentes e dos ímpios que já morreram.

A experiência da morte é uma realidade para todos. Os cristãos, mesmo depois de terem sido justificados pela graça de Deus ao receberem o Senhor Jesus pela fé, e assim terem garantida a sua salvação, não são poupados da morte física, que é consequência do pecado original. O que acontece com nossa alma no período entre a morte até a ressurreição? Qual o destino final dos mortos? É o que vamos entender no decorrer deste estudo.

I. O ESTADO INTERMEDIÁRIO

A morte é uma realidade a qual nenhum ser humano pode negar; mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro, todos a enfrentarão, exceto os salvos que se encontrarem vivos no momento do Arrebatamento da Igreja. Se a morte é uma triste realidade e a alma humana é imortal, para onde vão aqueles que morrem? O que acontece com a alma daqueles que morreram fisicamente?

1. O que é o Estado Intermediário? É a situação entre a morte física e a ressurreição, tanto dos salvos como dos ímpios. Entretanto, as Escrituras Sagradas dizem que os salvos terão um destino diverso dos ímpios - "Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação" (João 5.28,29; Dn 12.2).

A vida vai além deste mundo visível e perceptível aos olhos humanos. Após a morte, o corpo se desfaz no pó da terra, entretanto, existe uma parte espiritual no ser humano que não cessa de existir. As pessoas que não acreditam na existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste a isso, Jesus claramente ensinou que a existência não cessa com a morte (Mt 22:31,32; Lc 16:19-31). O problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da existência da pessoa (veja Tiago 2:26). Algumas igrejas, seguindo doutrinas de homens, negam a existência do Inferno, mas a Bíblia mostra que todos serão julgados e separados: os justos para a vida eterna; e os ímpios para o castigo eterno, separados de Deus para sempre (João 5:28,29; Mt 25:41,46).

Como cristãos, sabemos que a nossa vida está nas mãos de Deus, e devemos lembrar que, apesar da vida findar-se aqui neste mundo, a alma humana é imortal e, por causa disso, o Senhor com justiça dará destino a esta alma que permanece viva e consciente após a morte. A Bíblia fala do homem como um todo (corpo, alma e espírito -1Ts 5:23), logo são necessárias a ressurreição e a redenção do corpo. Segundo a Bíblia, existe um local onde a alma e o espírito dos que morrem aguardam a ressurreição. Após a morte a alma passa para o que é chamado de Estado Intermediário.

2. O Sheol e o Paraíso. Sheol – é a morada dos mortos. No Antigo Testamento era considerado como uma região situada embaixo da terra (Nm 16:30,33; Am 9:2), sombria e escura, onde os espíritos desencarnados tinham uma existência consciente, mas amortecida e inativa (2Sm 22:6; Ec 9:10). O povo hebreu via o Sheol como o lugar para onde justos e ímpios iam, após a morte (Sl 9:17; Is 38:10; Dt 32:22; NTLH, o mundo dos mortos), um lugar onde se recebiam punições e recompensas.

No Novo Testamento, Sheol é traduzido por Hades. Tanto Sheol como Hades, ambas designam o lugar para onde, nos tempos do Antigo Testamento, iam todos após a morte: justos e injustos, havendo, no entanto nessa região dos mortos, uma divisão para os justos e outra para os injustos, separados por um abismo intransponível. Todos estavam ali plenamente conscientes. O lugar dos justos era de felicidade plena, paz e segurança. Era chamado de “Seio de Abraão” e “Paraíso”. Já o lugar dos ímpios era e é tenebroso, cheio de dores e sofrimentos, estando todos lá plenamente conscientes.

Paraíso – Lugar para onde vão os salvos depois que morrem, aguardando a ressurreição. A palavra “Paraíso” “aparece apenas três vezes no Novo Testamento (Lc 23:43; 2Co 12:4; Ap 2:7), e o contexto demonstra que está em relação com o 'Terceiro Céu', no qual cresce a árvore da vida - referindo-se necessariamente todas estas passagens a uma vida que se segue após a morte". (Elinaldo Renovato. O final de Todas as Coisas. CPAD).

O Paraíso está agora na imediata presença de Deus. Os salvos em Cristo, desde a ressurreição de nosso Senhor Jesus, não mais descerão ao Hades, isto é, para a divisão que antes era reservada ali para os justos. A mudança ocorreu entre a morte e a ressurreição do Senhor, pois Ele disse ao ladrão arrependido: “... hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23:43). Sobre este assunto, diz o apóstolo Paulo: “...quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro, e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?” (Ef 4:8,9). Entende-se, pois, que Jesus, ao ressuscitar, levou para o Céu os crentes do Antigo Testamento que estavam no “seio de Abraão”, conforme narra Lucas 16:22. Muitos desses crentes, Jesus os ressuscitou por ocasião da Sua morte, certamente para que se cumprisse o tipo prefigurado na Festa das Primícias (Lv 23:9-11), que profeticamente falava da ressurreição de Cristo (1Co 15:20,23).

O apóstolo Paulo foi ao Paraíso, o qual está no Terceiro Céu (2Co 12:1-4). Portanto, o Paraíso não está em baixo, como dantes; está agora lá em cima, na imediata presença de Deus. A mesma coisa vê-se em Ap 6:9,10, onde as almas dos mártires da Grande Tribulação permanecem no Céu, “debaixo do altar”, aguardando o fim da Grande Tribulação, para ressuscitarem (Ap 20:4) e ingressarem no reino milenial de Cristo.

Os crentes que agora “dormem” no Senhor estão no Céu, pois o Paraíso está lá agora, como um dos resultados da obra redentora do Senhor Jesus Cristo (2Co 5:8). No momento do Arrebatamento da Igreja, seus espíritos e almas virão com Jesus, unir-se-ão a seus corpos ressurretos e subirão com Cristo, já glorificados, e viverão no Céu eternamente.

3. O lugar dos mortos. Como eu disse, antes de Cristo, o Hades tinha dois lados separados entre si por um abismo intransponível: o Paraiso ou Seio de Abraão e o lugar de tormentos. O “Seio de Abraão” ou Paraíso era separado do lugar de tormentos. O Paraíso ou “Seio de Abraão” (Lc 16:22;23:43) era um lugar intermediário de felicidade, em um dos lados do Hades (região dos mortos), onde antes as almas dos salvos aguardavam conscientes a ressurreição (Lc 16:23-31). Essa região do Hades existiu até o dia da ressurreição de Cristo, quando eles então ressuscitaram (Mt 27:52,53). Depois de Cristo, os crentes, quando morrem, vão direto para o Céu “estar com Cristo” (Fp 1:23; 2Co 5:8). Por outro lado, o lugar de tormentos do Hades continua existindo, e é aonde os não-salvos vão depois que morrem, para aguardar o Grande Trono Branco (Juízo Final), que acontecerá depois do Milênio, quando, então, irão de lá para o Inferno (lago de fogo e enxofre), juntamente com Satanás e seus anjos (Ap 20:5,11-15). Quando Jesus morreu, não foi ao Inferno, Ele foi ao Hades (Ef 4:9), esteve no lado chamado “Seio de Abraão” e trouxe os salvos à ressurreição, e os levou ao Céu (Ef 4:9,10).

J. Dwight Pentecost, citando Scofield, acerca da região dos mortos (Hades), antes e depois da Ascensão de Cristo, diz o seguinte:

O Hades antes da Ascensão de Cristo. A passagem em que a palavra ocorre deixa claro que o Hades estava antigamente dividido em dois: as moradas dos salvos e a dos incrédulos, respectivamente. A primeira era chamada "Paraíso" e "Seio de Abraão". Ambas designações eram talmúdicas, mas foram adotadas por Cristo em Lucas 16.22; 23.43. Os mortos abençoados, que estavam com Abraão, eram conscientes e estavam "confortados" (Lc 16.25). O ladrão da cruz acreditou que estaria, naquele dia, com Cristo no "Paraíso". Os incrédulos estavam separados dos salvos por um "grande abismo" fixo (Lc 16.26). O representante dos incrédulos que agora estão no Hades é o homem rico de Lucas 16.19-31. Ele estava vivo, consciente, exercendo todas as suas funções, memória, etc., e em agonia.

O Hades desde a Ascensão de CristoQuanto aos mortos incrédulos, nenhuma mudança de lugar ou condição é revelada nas Escrituras. No julgamento do Grande Trono Branco, o Hades os entregará, eles serão julgados e passarão para o lago do fogo (Ap 20.13,14). Mas houve uma mudança que afetou o Paraíso. Paulo foi "arrebatado ao Paraíso" (2Co 12.1-4). O Paraíso, então, agora está na presença imediata de Deus. Acredita-se que Efésios 4.8-10 indique o tempo da mudança - "Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro." Acrescenta-se imediatamente que antes Ele havia "descido até às regiões inferiores da terra", isto é, a parte do Hades chamada Paraíso. Durante a atual era da Igreja, os salvos que morrem estão "ausentes do corpo e presentes com o Senhor". Os mortos incrédulos no Hades e os mortos salvos "com o Senhor" esperam a ressurreição (Jó 19.25; 1Co 15.52). (J. Dwight. Pentecost. Manuel de Escatologia, p.562/563).

II. A SITUAÇÃO DOS MORTOS

Qual a real situação daqueles que já morreram? A vida não consiste apenas do breve percurso entre o berço e a sepultura. Há uma dimensão transcendental na vida. Nossa vida não se milita apenas a este mundo. O sepulcro frio não é o nosso destino final. Nossa existência não se finda com a morte. A falsa compreensão de que não existe vida depois da morte, e de que a morte tem o poder de pôr fim à existência carimbada pelo sofrimento, tem levado muitos indivíduos a saltar no abismo do suicídio em busca de um alívio ilusório. Na verdade, a morte não põe um ponto final na existência. A história do rico e do Lázaro mostra isso (Lc 16:19-31). Do outro lado da sepultura, há uma eternidade de gozo ou sofrimento, de bem-aventurança ou tormento. Depois da morte, há dois destinos eternos: Céu ou Inferno. Podemos descrer ou negar isso, mas não invalidar esta verdade.

1. O estado intermediário dos salvos. Quando o cristão morre, embora o corpo permaneça na terra e seja sepultado, no momento da morte, o homem interior (a alma e o espírito) vai imediatamente para a presença de Deus, ao Paraíso. Jesus disse ao ladrão que estava morrendo ao lado dele na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23:46). Quando o apóstolo Paulo pensava em sua morte, ele afirmou: “Preferindo deixar o corpo, e habitar com o Senhor” (2Co 5:8). Deixar o corpo é estar com o Senhor, no lar. Ele também diz que seu desejo é “partir e estar com Cristo” (Fp 1:23).

- A doutrina do “sono da alma” é falsa. Esta doutrina ensina que a alma não é consciente entre a morte e a ressurreição. Os adeptos desta doutrina ensinam que, quando as pessoas morrem, elas entram em um estado de existência inconsciente e que voltarão à consciência somente quando Cristo voltar e ressuscitá-los para a vida eterna. Essa doutrina tem sido ensinada eventualmente por alguns ao longo da história da igreja. O Adventismo, seguidor desta doutrina, ensina que após a morte do corpo a alma é reduzida ao estado de silêncio, de inatividade e de inteira inconsciência, isto é, entre a morte e a ressurreição os mortos dor­mem. Dizem isso com base no texto bíblico de 1Tessalonicensses 4:13-15, quando Paulo se dirige aos cristãos Tessalonicenses, esclarecendo-lhes acerca daqueles que morreram fisicamente – “não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem... (1Ts 4:13). Todavia, este ensino contradiz vários textos das Escrituras, dentre os quais destacam-se Lucas 16:22-31 e Apocalipse 6:9,10.

·     Lucas 16:22-30 registra a história do rico e Lázaro logo após a morte, e mostra que o rico, estando no Sheol (Hades, no grego), levantou os olhos e viu Lázaro no seio de Abraão (v.23), clamou por misericórdia (v.24), teve sede (v.24), sentiu-se atormentado (v.24), rogou em favor dos seus irmãos (v.27), disse que ainda tinha seus irmãos em lembrança (v.28), persistiu em rogar a favor dos seus entes queridos (v.30).

·     Apocalipse 6:9,10 trata da abertura do quinto selo, quando João viu debaixo do altar "as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam". Segundo o registro de João, elas clamavam com grande voz (Ap 6:10), inquiriram o Senhor (Ap 6:10), reconheceram a soberania do Senhor (Ap 6:10), lembravam-se de acontecimentos da Terra (Ap 6:10), clamavam por vingança divina contra os ímpios (Ap 6:10).

As expressões “dormir” ou “sono”, usadas na Bíblia para tipificar a morte, falam da indiferença dos mortos para com os acontecimen­tos normais da Terra e nunca para com aquilo que faz parte do ambiente onde estão as almas desencarnadas. Assim como o sub­consciente continua ativo enquanto o corpo dorme, literalmente falando, a alma do ho­mem não cessa sua atividade quando o corpo morre.

A palavra de Cristo na cruz ao ladrão arrependido - "Em ver­dade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23:43) - é uma prova da consciência da alma imediatamente após a morte.

No momento da transfiguração de Cristo, Moisés não estava inconsciente e silencioso enquanto falava com Cristo sobre a sua morte iminente (Mt 17:1-6).

Quando Paulo usa a expressão “dormem” (1Ts 4:13-15), em hipótese alguma estava dizendo que, quando uma pessoa morre, ela passa a ficar inconsciente, a ter um sono espiritual que somente terminará quando da volta de Cristo ou do julgamento final. Se Paulo estivesse dizendo isto, estaria contradizendo o próprio Jesus, que, ao relatar a história do rico e Lázaro, mostra claramente que, após a morte, a pessoa mantém plenamente a sua consciência, sendo levada a um lugar intermediário, onde aguardará a primeira ressurreição ou a ressurreição do último dia (Ap 20:5,12,13).  

Vemos, portanto, que não há como se defender que a morte física é uma circunstância de inconsciência por parte do homem, até porque a morte física é tão somente a separação do corpo do homem interior, pois o que Deus sentenciou foi o retorno do pó à terra e o homem interior não veio do pó da terra, mas do fôlego de vida inserido no homem pelo próprio Deus (Gn 2:7).

- A doutrina do “purgatório” é falsa. O fato de que a alma do cristão vai imediatamente para a presença de Deus nos leva, indubitavelmente, a concluir que não existe algo como o purgatório. Este ensino do purgatório é encontrado apenas nos livros apócrifos, incorporados ao Velho Testamento da Igreja Católica Romana em 1546. Na doutrina católica romana, o purgatório é o lugar onde a alma do cristão é purificada do pecado até que esteja pronta para ser aceita no céu. De acordo com esse pensamento, os sofrimentos do purgatório são dados a Deus como substitutos do castigo pelos pecados que os cristãos mereciam ter recebido, e não receberam. Este falso ensino vai de encontro ao que o apóstolo Paulo disse, por inspiração divina, que ao partir, estaria com Cristo – “tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1:23); ele não passaria por nenhum “purgatório”.

2. Os justos são recebidos pelo Senhor“E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão” (Lc 16:22). Quando um crente morre, o corpo vai à sepultura, mas sua alma é recebida pelo Senhor no Paraíso (2Co 5:8; Fp 1:23). Na hora do Arrebatamento, o corpo do crente será ressuscitado da sepultura e reunido com o espírito e a alma (1Ts 4:13-18).  

Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Ele chegou a dizer: ”Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp 1:21). Para ele, morrer é partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor - “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor”(2Co 5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor (2Co 5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso; caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente. Aqueles que vivem sem essa garantia se desesperam na hora da morte. Mas, o crente salvo em Cristo não se desespera, pois sabe que será recebido pelo Senhor.

Veja o exemplo de Estêvão em Atos 7:55.59: “e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. Aqui nesta passagem de Atos encontramos algo impressionante: Jesus se põe em pé no momento em que Estêvão estava pregando com ousadia e destemor a Palavra de Deus. No Novo Testamente você não encontra nenhuma passagem de Jesus em pé. As passagens são: “e assentou-se à destra da Majestade nas alturas” (Hb 1:3). Agora, nesta passagem de Atos 7:55 Jesus se põe em pé -  “e viu o Filho do Homem em pé à direita de Deus”; esta passagem é uma. Se alguém está assentado e depois se levanta, significa que saiu de uma atitude de inércia para uma atitude ativa. Quando Jesus se põe em pé significa que Ele vai agir. Quando Estevão viu Jesus em pé, queria dizer que Ele ia agir. Ele estava pronto para receber o espírito e a alma de Estêvão. É o próprio Senhor Jesus quem recebe o espírito dos justos após a morte.

O grande avivalista americano do século 19, Dwight L. Moody, na hora da morte, disse às pessoas que o cercavam: Afasta-se a Terra, aproxima-se o Céu, estou entrando na glória. O médico e pastor galês, Martyn Lloyd-Jones, prolífico escritor, estadista do púlpito evangélico, depois de uma grande luta contra o câncer, disse para os seus familiares e paroquianos: Por favor, não orem mais por minha cura, não me detenha da glória.  Estes dois servos de Deus sabiam que, ao morrer, a alma e o espírito deles seriam recebidos pelo Senhor.

3. O estado intermediário dos ímpios. Como eu disse acima, o “sono da alma” não existe. Se não existe, então, para onde vai imediatamente a alma de um incrédulo, depois que morre?  Vai para a região dos mortos (Hades, ou Sheol), um lugar intermediário, onde aguarda seu julgamento final. A Parábola do rico e Lázaro nos ensina que o rico foi imediatamente para o Hades (Sheol em Hebraico), para o lugar de tormentos, e não dá esperanças de que seja possível passar de lá para o Paraíso depois da morte, apesar do clamor do rico no Hades: “Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16:24). Abraão, entretanto, respondeu: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” (Lc 16:25,26).

As escolhas desta vida determinam o nosso destino eterno, e, uma vez morto, o destino é determinado. Não há passagem do lar dos salvos para os condenados ao inferno, ou vice-versa. Lamentavelmente, a alma dos descrentes vai imediatamente para o lugar de tormentos e lá ficará até o Juízo Final, quando, enfim, será lançada no Fogo Eterno (Inferno). Não há segunda chance. A chance de receber o Senhor Jesus é aqui na Terra. Portanto, a Bíblia nunca nos incentiva a pensar que haverá segunda chance de aceitar a Cristo depois da morte. Na verdade, o quadro é exatamente o oposto - “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9:27).

III. O DESTINO FINAL DOS MORTOS

Após passarem pelo “estado intermediário”, os mortos ressuscitarão: “... uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12:2). Está escrito em João 5:28,29: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”.

1. O Estado Final dos salvos – “os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida” (João 5:29). O Estado Final dos salvos: a vida eterna com Cristo no Céu. A vida eterna é a maior promessa que o Senhor, pela sua graça nos concedeu. João afirmou isso com firmeza em 1João 2:25 – “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”. Diz mais o apóstolo João: E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus (1João 5:11-13).

Vida eterna não é apenas uma vida que nunca vai acabar, porque aqueles que vão para o Inferno também nunca vão cessar de existir, com tormento. Vida eterna é uma qualidade superlativa excelente de vida, de santidade, de contentamento, de alegria, de pureza, que nunca vai terminar: é quando Deus vai enxugar de nossos olhos toda lágrima; é quando não haverá mais dor; é quando não haverá mais luta; é quando não haverá mais tristeza; é quando não haverá mais despedida; é quando não haverá mais velhice; é quando não haverá mais tropeço; é quando não haverá mais cortejo fúnebre; é quando não haverá mais cansaço; é quando estaremos com Deus e para Deus eternamente: numa festa e no melhor lugar; com as melhores companhias; com as melhores iguarias; com as melhores roupas; com as melhores músicas, desfrutando das venturas celestes que Cristo preparou para nós, e que haveremos de desfrutar para sempre e sempre e sempre.

Portanto, como filhos e herdeiros de Deus, temos a certeza da vida eterna. Esta garantia é para todos aqueles que um dia firmaram, por meio da fé, um compromisso com Cristo, isto é, creram em Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

Em breve, a Igreja, a "Noiva do Cordeiro", há de se encontrar com "o Noivo", nos ares (1Ts 4:17), então haverá as "Bodas do Cordeiro", o casamento da Noiva (Igreja) com seu Noivo (Jesus) e a Noiva será elevada à condição de Esposa eterna, e viveremos felizes para todo o sempre. É o estado final dos salvos.

2. O estado final dos ímpios. O destino final dos ímpios é enfático na Palavra de Deus: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de Deus”(Sl 9:17).

A Bíblia fala-nos da morte eterna ou “segunda morte” (Ap 20:14), que é a separação eterna de Deus, resultado da condenação no Julgamento Final, quando, então, aqueles que resolveram viver longe da presença de Deus, que recusaram o Seu senhorio em suas vidas, serão lançados no lago de fogo e de enxofre para todo o sempre, onde sofrerão eternamente juntamente com Satanás, a Besta, o Falso Profeta e todos os anjos caídos. Está escrito: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”(Ap 20:15).

A eterna separação de Deus é o destino eterno dos incrédulos. É o que a Bíblia considera de segunda morte (Ap 20:14). Esta separação é definitiva e não representa aniquilamento ou fim da existência, mas uma separação eterna e irreversível de Deus. O pior da condenação é nunca mais ver a Deus.

O aniquilamento dos ímpios não é verdadeiro. Spicer, um dos mais lidos escritores adventistas, escreve: "O ensino positivo da Sagrada Escritura é que o pecado e os pecado­res serão exterminados para não mais existirem. Haverá de novo um Universo limpo, quando estiver terminada a grande controvér­sia entre Cristo e Satanás". É evidente que este ensino entra em contradição com as seguintes passagens: Daniel 12:2; Mateus 25:46; João 5:29 e Apocalipse 20:10.

- Daniel 12:2 e Mateus 25:46, respectivamente, estão de acordo ao afirmar que: “Os justos ressuscitarão para a vida e gozo eternos”; “Os ímpios ressuscitarão para vergonha e horror igualmente eternos”. Aqui, "vergonha e horror eterno" não significam destruição ou aniquilamento. Estas palavras falam do estado de separação entre Deus e o ímpio após a sua morte. Se for certo que o ímpio será destruído, por que então terá ele de ressuscitar e depois ser lança­do no Lago de Fogo? (Mt 25:41). Apocalipse 14:10,11 diz que os adoradores do Anticristo serão atormentados "e a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos". Isto não é aniquilamen­to.

- Apocalipse 20:10 diz que Satanás, o Anticristo e o Falso Profeta "serão atormentados no Lago de Fogo pelos séculos dos séculos", para sempre. Isto não é aniquilamento.

O sofrimento dos ímpios no Lago de fogo é indescritível. Esse terrível lugar será de choro e ranger de dentes (Mt 13:50; 22:13). Jesus diz que o tormento será eterno (Mt 25:46). O apóstolo Paulo diz: “Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Ts 1:9). Portanto, várias são as imagens que a Bíblia usa para descrever esse lugar de tormento: fogo; verme que morde sem cessar; vergonha eterna; choro e ranger de dentes; trevas; perdição e exclusão. Que Deus nos guarde desse lugar tenebroso!

CONCLUSÃO

Para os salvos a morte não é o fim da vida, mas um novo começo. É a ocasião em que é libertado de todo o mal e levado vitoriosamente desta vida para o Céu. Neste caso, a morte não é um terror (1Co 15:55-57), mas um meio de transição para uma vida plena de felicidade eterna. Para o salvo, morrer é ser liberto das aflições deste mundo (2Co 4:17) e do corpo terreno, para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5:1-5). Enfim, para o crente a morte é a entrada na glória (Sl 73:24); é ser levado pelos anjos “para o seio de Abraão” (Lc 16:22); é ir ao “Paraíso” (Lc 23:43); é ir à casa de nosso Pai, onde há “muitas moradas” (João 14:2); é uma partida bem-aventurada para estar “com Cristo” (Fp 1:23); é ir “habitar com o Senhor” (2Co 5:8); é um dormir em Cristo (1Co 15:18; cf João 11:11; 1Ts 4:13); “é ganho...ainda muito melhor” (Fp 1:121,23); é a ocasião de receber a “coroa da justiça” (ler 2Tm 4:8).

“Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1Tm 1:17).

Aqui, concluímos o primeiro trimestre letivo de 2016. Espero que as Aulas tenham gerado nos corações de todos os leitores, alunos e professores, um superlativo anseio de servir ao Senhor, com fidelidade, sinceridade e devoção, e que tenham nutrido ainda mais na alma de cada pessoa o ardor da esperança de ver Jesus face a face; sua vinda é certa e pode acontecer a qualquer momento. Os sinais da sua vinda e a exatidão do seu cumprimento provam que Ele já está a caminho. Sinceramente, pela fé já posso ouvir os seus passos se aproximando. “Sede vós pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5:8).

Deus os abençoe sobremaneira!
Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

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