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quinta-feira, 21 de julho de 2016

4ª lição do 3º trimestre de 2016: O TRABALHO E ATRIBUTOS DO GANHADOR DE ALMAS


Texto Base: Atos 8:26-40

"Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério" (2Tm 4.5).

INTRODUÇÃO

Jesus, após ter passado quarenta dias dando prova da Sua ressurreição aos discípulos e falado a respeito do reino de Deus (At 1:3), explicitamente determinou qual seria a tarefa principal da Igreja: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15). Nota-se que Jesus ordenou que o evangelho fosse pregado por todo o mundo a toda a criatura, uma ordem que estabeleceu um verdadeiro dever a todo cristão. Portanto, ganhar almas é tarefa de todo discípulo de Cristo. Nesse sentido, você e eu somos evangelistas (At 2:41-47; 8;4; 11:19-21). Mas há pessoas a quem Jesus deu o Dom especial de Evangelista. Os Apóstolos e Profetas lançaram o fundamento da Igreja, e os Evangelistas edificaram sobre esse fundamento, ganhando os perdidos para Cristo. No início da Igreja, o trabalho dos Evangelistas era uma obra itinerante de pregação orientada pelos apóstolos, e parece ser justo chamá-los de “a milícia missionária da igreja”. O Dom de Evangelista é concedido pelo Espírito Santo a algumas pessoas (Ef 4:11), todavia, nenhum crente está desobrigado de cumprir o “ide” de Jesus. O fato de o crente não ter esse Dom não o desobriga de evangelizar. Você tem o Dom de Evangelista? Então “faze a obra de umevangelista, cumpre o teu ministério”(2Tm 4:5).

I. EVANGELISTA, GANHADOR DE ALMAS

O evangelista é aquele que é usado para pregar a Palavra no intuito de ganhar almas para o reino de Deus. Ele tem sua vida e sua mente voltada para fora da igreja local. É aquele que vai a hospitais, presídios, praças, favelas…Sua vida é totalmente voltada para o campo missionário. O Evangelista é, portanto, alguém que é posto pelo Senhor para se dedicar ao crescimento quantitativo do reino de Deus, mediante a pregação do Evangelho, com o fim de buscar almas para o reino de Deus. É alguém que é escolhido para se voltar para o mundo sem Deus e sem salvação, visando trazer novas vidas para a comunhão com Cristo Jesus.

1. O evangelista em o Novo Testa­mento. Na Igreja Primitiva, o primeiro discípulo de Cristo a receber o título de evangelista foi o diácono Filipe (At 21:8). Este grande servo de Deus fora contemplado pelo Espírito Santo com o Dom de evangelista. Em seu trabalho evangelístico ele atuou em duas modalidades: no evangelismo de massa e no evangelismo pessoal. Com relação à primeira modalidade, ele atuou, por exemplo, em Samaria; quanto ao evangelismo pessoal, ele atuou, por exemplo, no deserto, a um gentio (Atos 8:26-30). Deus tira Filipe da multidão e o envia para evangelizar a uma única pessoa, no deserto. Para Deus, uma vida vale todo o investimento. Isso nos ensina uma verdade: O evangelista precisa está disposto a pregar para uma multidão e também para uma única pessoa.

Filipe sai de um avivamento na cidade de Samaria e vai para o deserto por orientação divina (Atos 8:26). Por lá, viajava um eunuco da Etiópia, que precisava de esclarecimento espiritual. Este fato nos mostra um grande feito do cristianismo: a quebra de barreiras erigidas pelo judaísmo. Um estrangeiro poderia converter-se ao judaísmo, mas o etíope, que era eunuco, não podia participarplenamente da adoração no templo (cf. Dt 23:1). Apesar de ter viajado a Jerusalém para adorar, ainda era considerado um semiprosélito. Mas, Isaias predisse que um dia os estrangeiros e os eunucos não seriam mais excluídos da comunhão do povo de Deus (cf. Is 56:3-7). Esse tempo havia chegado. Filipe, inicialmente, leva para o seio da igreja os samaritanos, que estavam entre os judeus e gentios; agora, leva o eunuco etíope para a assembleia do Senhor. Isso nos ensina quatro verdades:

a) É preciso sair das quatro paredes do templo e ir onde os pecadores estão para levá-los a Jesus.Filipe obedeceu prontamente à ordem do anjo (Atos 8:26) – “Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi”. Isto significa ação fora do templo, lá fora onde está o movimento: nas estradas e alamedas da humanidade; lá fora nos lugares públicos, seja qual for o meio. Trata-se de colocar o evangelho ao alcance das pessoas, de modo que pobres e ricos possam ouvi-lo.

b) É preciso explicar as Escrituras e levar as pessoas a Cristo -  “Então, o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta... Então, Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus (Atos 8:34,35). O evangelista é também um mestre. A palavra de Deus precisa ser lida, explicada e aplicada. Hoje vemos muitos pregadores substituindo a exposição das Escrituras pela experiência. Vemos muitos pregadores falando sobre seus feitos poderosos em vez de anunciar o Cristo crucificado. Filipe explica as Escrituras; apresenta Jesus, não a religião, o rito ou a cultura religiosa.

c) É preciso receber as pessoas que creem em Cristo pelo batismo - “E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou” (Atos 8:36-38).

O eunuco perguntou a Filipe: “que impede que seja eu batizado?". Filipe podia ter respondido com uma longa preleção teológica sobre o que a lei dizia sobre eunucos. Podia ter dito que a liderança "hebraica" da igreja não autorizava o batismo de gentios, muito menos de eunucos. Mas sua resposta foi simplesmente que nada o impedia de ser batizado se ele cresse em Jesus Cristo. Hoje, novas gerações e novas circunstâncias perguntam repetidamente: "que impede?". Qual será a nossa resposta? Segundo Rev. Hernandes Dias Lopes, o batismo não é nem precipitado nem demorado. Não batiza o inconverso nem adia o batismo do salvo. Uma única condição é exigida: crer de todo o coração. A tradição diz que o referido eunuco voltou à sua terra e evangelizou a Etiópia. Aquele que saíra do deserto cheio de alegria não podia guardá-la para si mesmo.

d) é preciso estar sempre aberto à nova direção do Espírito Santo (Atos 8:39,40). “Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia”.

Filipe foi dirigido pelo Espirito Santo para novos horizontes. Filipe podia pensar: agora serei o evangelista do deserto, da estrada. Ele não engessou o método, mas se abriu para a nova agenda do Espírito. O que Deus quer que eu faça agora? Às vezes, fazemos a mesma coisa na igreja há décadas, quando o vento do Espirito nos conduz a outros campos, outras áreas, outras frentes e novos horizontes.

Filipe usou a mesma mensagem tanto no evangelismo em massa em Samaria como no evangelismo pessoal com o eunuco no deserto (Atos 8:12,35). Em ambos os casos, vemos semelhante resposta: creram e foram batizados (Atos 8:12,36-38) e houve a mesma alegria (Atos 8:8,39).

Mais tarde, quando da conclusão da terceira viagem missionária de Paulo, encontramos novamente Filipe, dessa vez em Cesaréia e ainda servindo a Deus como Evangelista. Lucas reconhece-lhe o ministério, tratando-o como Evangelista (Atos 21:8). Era a primeira vez na História da Igreja Cristã que um obreiro recebia semelhante distinção.

O método da igreja primitiva não era apenas levar pessoas ao templo para evangelizá-las, mas ir lá fora e ganhar os pecadores onde eles estivessem. O método missionário é ir além das nossas fronteiras. Temos de ser luz nas nações e investir nosso tempo, nosso dinheiro e nossa vida na obra de Deus.

2. O evangelista na era da Igreja Cristã. A história da Igreja cristã mostra que, em todos os reavivamentos, o Espírito Santo destaca a evangelização como o principal evento da igreja. Cito, como exemplo, alguns notáveis evangelistas da história do cristianismo.

a) Estêvão e Filipe. Faziam parte do grupo dos sete diáconos (At 6:3-6). São considerados os dois primeiros evangelistas na era da Igreja cristã. Logo após ser consagrado ao diaconato, Estêvão começou a destacar-se como evangelista. Sua palavra fez-se tão irresistível, que levou o clero judaico a condená-lo à morte traiçoeiramente (At 8:1,2). Estêvão morreu, mas a evangelização reavivou-se com as incursões de Filipe. Ao deixar Jerusalém, proclamou, entre os gentios de Samaria, um evangelho autenticamente pentecostal. Sua palavra era acompanhada de milagres, sinais e maravilhas; era simplesmente irresistível.

b) Dwight L. Moody (1837-1899). Tornou-se o maior evangelista do final do século XIX. Perdeu o pai com ape­nas cinco anos de idade, o que obrigou sua mãe a criar nove filhos em meio a grande pobreza. Não é difícil entender por que Moody deixou a escola aos treze anos, em busca de melhores oportunidades. De vendedor de sapatos a negociante bem-sucedido, seus êxitos materi­ais eram inegáveis. Após a experiência de salvação, Moody começou a usar sua influência para ajudar os pobres e desabrigados em áreas urbanas - não se esquecendo de sua origem humilde. Usando histórias práticas, compartilhava de seu amor por Cristo de uma forma simples, mas irresistível, resultando em milhares de decisões pessoais por Cristo. Seu amor pelos perdidos também o levou a iniciar um centro de treina­mento para obreiros. Em 1886, ele começou a Socieda­de de Evangelização de Chicago, hoje conhecida como Instituto Bíblico Moody. Depois de pregar pessoalmente a cem milhões de pessoas em quarenta anos de carreira, Moody adoeceu e morreu durante sua última cruzada, em dezembro de 1899. A contribuição incansável de Dwight L. Moody para o Reino de Deus, e seu contínuo amor pelos perdidos fazem com que sua memória permaneça para sempre.

c) John Wesley. Ele tinha 37 anos quando começou a viajar e a pregar na Inglaterra. Juntamente com seu irmão Charles Wesley dirigia-se às prisões para levar a mensagem de salvação aos presos, bem como aos trabalhadores e a outras pessoas da cidade.

d) Billy Graham. Pregou pessoalmente para mais pessoas do que qualquer pregador da história ao redor do mundo. De acordo com a sua equipe, a partir de 1993, mais de 2,5 milhões de pessoas tinham dado um passo à frente em suas cruzadas para aceitar Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.

e) David Wilkerson. Ele iniciou o seu ministério no ano de 1958, em Nova Iorque. Ali, ele pregou para pessoas drogadas, marginalizadas e representadas pelas gangues locais. A obra “A Cruz e o Punhal”, mundialmente conhecida, narra esse período da vida deste evangelista. Sua frase famosa: “Não culpe a Deus por não ouvir suas orações, se você não está ouvindo o chamado dele para ser obediente”.

f) Daniel Berg e Gunnar Vingren. Orien­tados pelo Espírito Santo, estes pioneiros escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil. Logo em sua chegada, em 19 de novembro de 1910, constataram que a capital paraense era geograficamente estratégica para se alcançar o país em todas as direções. Eles trouxeram a mensagem pentecostal para o Brasil. Os milagres vieram juntos.

Quando Daniel Berg e Gunnar Vingren chegaram a Belém do Pará, em 19 de novembro de 1910, ninguém poderia imaginar que aqueles dois jovens suecos estavam para iniciar um movimento que alteraria profundamente o perfil religioso e até social do Brasil por meio da pregação de Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador da humanidade e a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais. Fundaram a Missão de Fé Apostólica em 18 de junho de 1911, que mais tarde, em 1918, ficou conhecida como Assembleia de Deus. Em poucas décadas, a Assembleia de Deus, a partir de Belém do Pará, onde nasceu, começou a penetrar em todas as vilas e cidades até alcançar os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em virtude de seu fenomenal crescimento, os pentecostais começaram a fazer diferença no cenário religioso brasileiro. De repente, o clero católico despertou para uma possibilidade jamais imaginada: o Brasil poderia vir a tornar-se, no futuro, uma nação protestante.

Oremos para que o Senhor da Seara continue a despertar a Igreja a um novo avanço evangelístico.

II. ATRIBUTOS DE UM EVANGELISTA

O Evangelista é o agente das Boas-Novas. Ele é o semeador que saiu a semear. Paulo destaca o seu ministério como um dos mais importantes da Igreja. O ministério evangelístico não se limita a uma opção pessoal, firma-se numa intimação do próprio Cristo. Requer-se do Evangelista os seguintes atributos: amor às almas, conhecimento da Palavra de Deus, espiritualidade plena e queprega a Palavra de Deus aos ouvidos e aos olhos.

1. Amor às almas. Veja o exemplo do grande bandeirante do cristianismo, o apóstolo Paulo. Ele tinha um amor tão grande pelas almas que, por estas, chegava a sentir dores intensas, como se estivesse a dar filhos à luz (Gl 4:19). Foi esse amor que cons­trangeu Filipe a deixar o lugar onde muitos estavam sendo abençoados e ministrar apenas a um homem, no deserto (Atos 8:26). Durante um grande despertamento espiritual em Samaria, um anjo do Senhor conduziu Filipe a um novo campo de trabalho: ao deserto para evangelizar a um homem só.

Qual o valor de uma vida? Para Deus tem um grande valor. Só quem tem um grande amor pelas almas pode dimensionar isto. Filipe prontamente obedece sem questionar e viajou do sul de Samaria para Jerusalém, de onde tomou um dos caminhos que levavam a Gaza. Filipe deixou um lugar habitado e espiritualmente fértil e foi a uma região estéril. O evangelista nada é, e nada fará sem o amor às almas perdidas. Pense nisto!

Expressões que demonstram grande amor pelas almas perdidas (extraidas do livro: “Esforça-te para ganhar almas. Orlando Boyer. Ed. Vida). Estas expressões revelam como o coração de grandes personagens na história da igreja os abrasava com o desejo de ganhar almas para o reino de Deus. Cito algumas expressões:

·    O apóstolo Paulo. “Tornei-me tudo para todos, para de todo e qualquer modo salvar alguns” (1Co 9.22).

·    Knox. Assim rogava a Deus: “Dá-me a Escócia ou eu morro!”.

·    Whitefield. Implorava: “Se não queres dar-me almas, retira a minha!”.

·    John Wesley. “Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo”.

·    Mateus Henry. Assim dizia: “Sinto maior gozo em ganhar uma alma para Cristo, do que em ganhar montanhas de ouro e prata, para mim mesmo”.

·    D. L. Moody. “Usa-me, então, meu Salvador, para qualquer alvo e em qualquer maneira que precisares. Aqui está meu pobre coração, uma vasilha vazia, enche-me com a Tua graça”.

·    Henrique Martyn. Ajoelhado na praia da Índia, onde fora como missionário, dizia: “Aqui quero ser inteiramente gasto por Deus”.

·    João Hunt. Missionário entre os antropófagos, nas ilhas de Fidji, no leito de morte, orava: “Senhor, salva Fidji, salva Fidji, salva este povo. Ó Senhor, tem misericórdia de Fidji, salva Fidji!”.

·    Praying Hyde. Missionário na Índia, suplicava: “Ó Deus, dá-me almas ou morrerei!”.

·    Davi Stoner. Quando aqueles que assistiam a morte de Davi Stoner, pensavam que seu espírito já tivesse voado, ele se levantou na cama, e clamou: “Ó Senhor, salva pecadores! Salva-os as centenas e salva-os aos milhares!”, e findou a sua obra na terra. O desejo ardente da sua vida, dominava-o até a morte.

·    Davi Brainerd. “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim! Envia-me até os confins da terra: envia-me aos bárbaros habitantes das selvas; envia-me para longe de tudo que tem o nome de conforto, na terra; envia-me mesmo para a morte, se for no Teu serviço e para o progresso do Teu reino”. Ele escreveu: “Lutei pela colheita de almas, multidões de pobres almas. Lutei para ganhar cada alma, e isto em muitos lugares. Sentia tanta agonia, desde o nascer do sol até anoitecer, que ficava molhado de suor por todo o corpo. Mas, oh! Meu querido Senhor suou sangue pelas pobres almas. Com grande ânsia eu desejava ter mais compaixão”.

·    Brainerd podia dizer de si: “Não me importava o lugar ou a maneira que tivesse de morar, nem por qual sofrimento tivesse de passar, contanto que pudesse ganhar almas para Cristo. Quando dormia, sonhava com essas coisas, e ao acordar, a primeira coisa em que me ocupava essa era grande obra; não tinha outro desejo a não ser a conversão dos perdidos”.

·    João Welsh. Encontrava-se João Welsh, nas noites mais frias prostrado no chão, chorando e lutando com o Senhor, por seu povo. Quando sua esposa implorava que explicasse a razão de sua ânsia, respondia: “Tenho que dar conta de três mil almas e não sei como estão”.

E nós? Qual será nossa atitude? Deus tem pressa, e quer nos usar em sua obra, só depende de nossa vontade. Pensemos nisso!

2. Conhecimento da Palavra de Deus. A capacidade para pregar e ensinar não vem da força, das técnicas da psicologia nem mesmo do ofício que o evangelista ocupa, mas do conhecimento da Palavra de Deus para aplicá-la corretamente. Somente um indivíduo que tem destreza nas Escrituras Sagradas pode confrontar os falsos mestres, combater os falsos ensinos e convencer aqueles que contradizem a Palavra de Deus.

O Evangelista, embora proclame uma mensagem simples e direta, não há de conformar-se com uma teologia rasa. Antes, aprofundar-se-á na Palavra da Verdade, para que venha a manuseá-la com destreza e oportunidade. Ao jovem Timóteo, recomenda Paulo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2:15). Sua mensagem, portanto, será simples, mas jamais simplória, porquanto Deus o chamou a falar a judeus e a gregos, a sábios e a ignorantes, a servos e a livres.

Foi porque conhecia profundamente a Palavra de Deus que Filipe soube como conduzir a Cristo o mordomo-mor de Candace que, de volta à Etiópia, vinha lendo o profeta Isaías. Eis como ele foi eficiente: “Então, o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta... Então, Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus (Atos 8:34,35).

3. Espiritualidade plena. No ministério da igreja primitiva e na sua administração, no tempo dos apóstolos, serviam os que eram revestidos com poder do Espírito Santo (Atos 6:3-8; Lucas 24:49). Segundo Orlando Boyer, são dois os que testificam juntos de Cristo e Sua salvação: o crente e o Espírito Santo nele (Atos 5:32). O crente que testifica ao perdido, mas se esquece dAquele que quer trabalhar nele, falhará em levá-lo ao Salvador. É o Espírito Santo quem convence o ser humano do pecado (João 16:8).

Filipe era um homem cheio do Espírito Santo (At 6:2-4). E, por essa razão, teve um ministério colorido de milagres e atos extra­ordinários (At 8.6,7).

Quem evangeliza não se contenta com uma vida espiritual medíocre, mas busca o poder do alto para proclamar, a todos e em todo tempo e lugar, que Jesus é a única solução. É bom ressaltar que a plenitude do Espírito não é uma experiência de uma vez para sempre, que nunca podemos perder, mas sim, um privilégio que deve ser continuamente renovado pela submissão à vontade de Deus. Temos a necessidade do enchimento diariamente.

4. Prega a Palavra de Deus aos ouvidos e aos olhosUma coisa é proferir a Palavra de Deus, outra coisa é ser boca de Deus. Uma coisa é pregar aos ouvidos, outra coisa é pregar também aos olhos. Algumas pessoas pregam a Palavra e os corações permanecem insensíveis. Outras pessoas pregam a mesma verdade e os corações se derretem. Por que essa diferença? É que algumas pessoas são boca de Deus e outras não são (Jr 15:19). A viúva de Sarepta disse que a Palavra de Deus na boca de Elias era verdade. Nem todas as pessoas que proferem a Palavra de Deus são boca de Deus. Geazi colocou o bordão profético no rosto do menino morto e o menino não se levantou. O problema não era o bordão, mas quem carregava o bordão. O bordão na mão de Geazi não funcionava porque a vida de Geazi não era reta diante de Deus como a vida de Eliseu. O poder não está no homem, está em Deus, mas Deus usa vasos de honra e não vasos sujos. Hoje, os homens escutam de alguns pregadores belas palavras, mas não veem neles vida. Precisamos pregar aos ouvidos e também aos olhos. Precisamos falar e demonstrar. Precisamos pregar e viver. Precisamos de evangelistas que sejam semelhantes a Elias, Estêvão, Filipe, Paulo… Homens de Deus, em cuja boca a palavra seja verdade.

III. O TRABALHO DE UM EVANGELISTA

O trabalho básico de um evangelista consiste na proclamação do Evangelho, na defesa do Evangelho e na integração do novo convertido.

1. Proclamação do Evangelho. Como Dom, o Evangelista refere-se àquele que é chamado para pregar o Evangelho. Foi concedido por Deus para que o arauto de Deus, através da mensagem centralizada na cruz de Cristo, ganhasse pessoas para o reino divino. Uma das maiores características de um evangelista é a sua paixão por pregar às pessoas; não importa o número, se uma pessoa, se dezenas, centenas ou milhares; o que importa é pregar Jesus, o crucificado. Ele é o indivíduo funcionalmente envolvido com a proclamação do Evangelho. Diferentemente dos “apóstolos” que, em geral, viajando para uma cidade, permaneciam evangelizando ali a fim de organizarem uma nova igreja local (At 20:1-3,6,7,11,17;21:8,9), os “evangelistas” possivelmente auxiliavam na proclamação do Evangelho aos incrédulos junto às igrejas já construídas, qual Filipe, o evangelista que residia na cidade de Cesaréia (At 21:8). Ou seja, os evangelistas proclamavam a Palavra na região onde estavam congregados. Paulo, sabendo da importância deste dom, disse a Timóteo: “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”(2Tm 4:5).

2. Defender o Evangelho. O verdadeiro evangelista deve estar sempre preparado, objetivando defender a fé cristã ante as nações e os poderosos. Escrevendo aos filipenses, Paulo abre-lhes o coração, e mostra-lhes ter sido chamado não somente a proclamar o evangelho, como também a defendê-lo: "Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho" (Fp 1:7).

Os últimos capítulos de Atos mostram como Paulo, além de anunciar Cristo, soube como defender o Evangelho diante das autoridades judaicas e romanas. Destacamos o seu discurso no Areópago de Atenas (At 17). No Areópago, os filósofos epicureus e estoicos consideraram o discurso do apóstolo um raro despropósito. Àqueles varões intelectualmente orgulhosos, só um louco ousaria afirmar que um homem teve de morrer, numa cruz, para que os demais viessem a cruzar os portais da vida eterna. Enfim, àquele seleto grupo, o evangelho era uma loucura. Mas foi ali, entre os gregos, e, mais tarde, entre os romanos, que Paulo apresentou a mais sublime apologia da fé cristã.

3. Integração do novo convertido. O principal trabalho do Evangelista é trazer as pessoas ao encontro pessoal com Cristo e de criar as condições mínimas para a estruturação da vida espiritual. Ele é o anunciador das boas-novas da salvação. É aquele que está na linha de frente do “ide” de Jesus. Ele tem habilidade especial para diagnosticar a condição do pecador, encorajá-lo a decidir por Cristo e ajudá-lo a encontrar segurança na Palavra de Deus. Os evangelistas devem sair e pregar ao mundo para depois conduzir os convertidos a uma igreja local onde serão alimentados e encorajados espiritualmente. O lado social do converso não pode ser ignorado.

Segundo o pr. Claudionor de Andrade, o objetivo principal do discipulado é formar autênticos seguidores de Cristo. A partir daí, teremos cristãos testemunhais e exemplares. Mas, se não dermos importância à formação espiritual dos que recebem a Cristo, encheremos a igreja de crentes vazios, deficientes e rasos na fé, os quais, muitas vezes, são explorados por falsos pastores mercenários. A essa altura, uma pergunta ganha pertinência: "Até quando deve durar o discipulado?". Se levarmos em conta as reivindicações apostólicas, o discipulado, na vida de um crente, inicia-se com a sua conversão, e há de perdurar até que seja ele recolhido pelo Senhor. Quanto ao discipulado do novo convertido, em si, que persista até que ele venha a parecer-se em tudo com Jesus Cristo. Somente um discipulado genuinamente bíblico fará a diferença entre o cristão e o não cristão.

CONCLUSÃO

Já ganhaste uma alma para Cristo? Conheces alguém atualmente na glória, com Cristo, levado por ti a Ele? Ou conheces alguém que está no caminho para o céu, porque o informaste do Salvador? Se fossem desvendados os teus olhos, neste momento, para contemplar a eternidade, e se te fosse revelado que tens de passar para lá, neste ano não desejarias depositar aos pés do Salvador algum presente como prova de teu amor? Pode haver um presente tão precioso ou aceitável ao Mestre, como uma alma ganha para Ele, durante um ano? Que todos nós façamos com excelência o trabalho de um Evangelista. A responsabilidade é de todos. Então, proclamemos Cristo a tempo e fora de tempo.

“A Bíblia não manda que os pecadores procurem a igreja, mas ordena que a igreja saia em busca dos pecadores” (Billy Graham)

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