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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

1ª lição do 4º trimestre de 2016: A SOBREVIVÊNCIA EM TEMPOS DE CRISE



Texto Base: Habacuque 1:1-17

"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (João 16:33).

 

INTRODUÇÃO

Com esta Aula damos início ao 4º Trimestre letivo de 2016. Estudaremos a respeito do cuidado de Deus para com os Seus servos enquanto eles estão aqui na dimensão terrena, aguardando a glorificação. Deus sempre provê o necessário para cada ser humano, não apenas dos crentes. A Sua Graça Comum alcança todas as pessoas indistintamente (Gn.8:22). Deus não é apenas o Criador da Terra, do homem, e de tudo que nela há, mas, pela sua Graça Comum, ou Universal, ele é também o Sustentador de todas as coisas, incluindo a existência do homem, conforme afirmou Paulo, em Atenas: “Porque n’Èle vivemos, e nos movemos, e existimos...”(Atos 17:28). Sem a Graça Comum, ou Universal, que é um favor imerecido que ele quis e continua concedendo ao homem, não haveria vida sobre a Terra. Deus, através de sua Graça Comum, abençoa todos os homens, crentes e incrédulos. Foi o que o Senhor Jesus deixou claro, quando afirmou: “...porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos”(Mt.5:45). Deus mostra a Sua fidelidade e o Seu amor para com todos os homens, embora o pecado, que é iniquidade, ou seja, injustiça (1João 3:4), faça com que esta provisão divina não seja justamente distribuída e, em virtude disto, surjam as carências, as fomes e a tremenda injustiça social que hoje presenciamos com cada vez maior intensidade.

Estamos vivendo crises sem precedentes. Isto é assaz notório. O mundo todo está envolvido em crises. Elas clamam por segurança confiável, por uma Nova Ordem Mundial, atraem cada vez mais a globalização e exigem um homem forte, um líder poderoso mundial. É bom enfatizar que, embora sejamos crentes em Jesus Cristo, nós não temos imunidade de crises. Como diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, “a vida cristã não é um mar de rosas, não é uma redoma de vidro, não é uma estufa espiritual; o cristianismo não é uma sala vip, não é uma colônia de férias, antes, é um campo de batalha”. Enquanto estivermos neste mundo, enfrentaremos muitas crises. Jesus alertou os discípulos de que o futuro não seria marcado por amenidades, pois enfrentariam crises, aflições no mundo. Ele disse: “... no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”(João 16:33). Não obstante essas aflições inevitáveis, os discípulos deveriam ficar firmes e ter bom ânimo, pois Ele venceu o mundo.

Certamente, as crises geram medo, insegurança e instabilidade, todavia, é um tempo de oportunidades e da intervenção sobrenatural de Deus. É no ventre da crise que surgem os grandes vencedores. A Bíblia diz que somos peregrinos neste mundo. Nossa pátria permanente não é aqui. Nossa pátria está no Céu (Fp 3:20,21).

I. UMA SOCIEDADE EM CRISE

Com a Queda vieram os males e as crises, que assolam a Terra até os dias atuais. A apostasia tornou-se universal. Hoje parece não haver mais limites ao adultério, à imoralidade e à corrupção. O homem está cada dia mais distante de Deus e cometendo toda sorte de torpeza. Nossa geração assemelha-se a dos dias de Noé. Vivemos em uma sociedade corrupta e perversa, mas não pertencemos a este mundo, por isso, não podemos nos conformar com a sua maneira de pensar e agir (Rm.12:2).

1. A crise política. Israel enfrentou uma terrível crise política depois da morte de Salomão. Quando Roboão chegou a Siquém para assumir o poder, sucedendo o seu pai, o povo do Norte exigiu primeiro que Roboão prometesse aliviar a sua carga tributária como condição para se submeter a ele. O povo sentia que tinha sido tratado opressivamente por Salomão. Roboão pediu o prazo de três dias para deliberar o assunto, e foi consultar os velhos e sábios conselheiros do seu falecido pai. Estes lhe disseram que, se agradasse ao povo fazendo a sua vontade, ganharia a sua lealdade para sempre. Roboão desprezou o conselho deles e foi consultar os jovens que haviam crescido com ele e o serviam (1Rs.12:10). Estes sabiam o que ele queria e o incentivaram a dar uma resposta dura ao povo. Roboão se agradou com o conselho desses seus companheiros e, terminado o prazo, com o povo reunido diante dele com Jeroboão, ele declarou que, ao invés de atender ao que o povo pedia, ele exigiria muito mais ainda dele do que Salomão. Foi o estopim para uma inacabável crise política.

Convém notar que, desde o tempo em que o povo de Israel entrou na Terra Prometida, houve alguma rivalidade e ciumeira entre as tribos do Norte, lideradas pela tribo de Efraim, e as do Sul, lideradas por Judá. Efraim havia sido o filho mais novo de José, a quem Jacó havia dado a maior bênção (Gn.48:19; 49:26) e seus descendentes eram herdeiros da promessa que lhe havia sido feita. Julgavam por isso que tinham direito de liderança sobre o povo. Josué era dessa tribo, e Samuel vinha da sua terra. A tribo de Efraim é mencionada isoladamente como aceitando Isbosete, da tribo de Benjamim, como rei ao invés de Davi que era da tribo rival de Judá. As tribos do Norte só aceitaram Davi como rei sete anos depois, mesmo assim, ressentiam a primazia de Judá, em cujo território foi estabelecida a capital, Jerusalém, com o centro de governo e o centro religioso do reino; também não gostavam do elevado tributo exigido por Salomão para suas custosas edificações ali. Diante dessa apatia, compreende-se a rebelião do povo do Norte, quando Roboão lhes disse que ia aumentar o seu jugo; compreende-se a seguinte declaração do povo: "Que parte temos nós com Davi? Não há para nós herança no filho de Jessé!" (1Rs.12:16). Israel voltou para suas tendas sem aclamar Roboão como rei; somente os que habitavam nas cidades de Judá permitiram que ele reinasse sobre eles, pois era da sua tribo. Israel (as dez tribos) em seguida mandou chamar Jeroboão para o meio da congregação, e o fizeram rei sobre eles; e ninguém seguiu a casa de Davi, senão a tribo de Judá (1Rs.12:20). Roboão tentou persuadi-los a mudar de ideia usando Adorão, superintendente dos que trabalhavam forçados, como intermediário, mas ele foi recebido a pedradas e morreu (1Rs.12:18). Roboão teve que fugir às pressas para Jerusalém para salvar a sua vida. “Assim se desligaram os israelitas da casa de Davi...”(1Rs.2:19). Essa divisão trouxe dor e sofrimento para todos e afastou o povo de Deus. Quando homens insensatos assumem o poder, toda a nação sofre as consequências.

Atualmente, o Brasil está enfrentando uma crise política sem precedentes. Ela tem sido destaque nos principais jornais do mundo. A cada dia surge um novo escândalo. Estamos vivendo um momento muito delicado. A corrupção tem se alastrado como um câncer, atingindo todos os poderes. Como Igreja do Senhor, temos que orar em favor da nossa nação e lutar contra toda a forma de corrupção, pois temos um Deus que é Santo e que abomina tal condição. Quando escolhemos, de forma errada, uma pessoa para nos representar tanto no Executivo quanto no Legislativo, a injustiça se alastra e muitos problemas surgem, como os que ocorreram em Israel, desde a cisão do reino, como se depreende das palavras de Isaias – “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama os subornos e corre após salários; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas”(Isaias 1:23).

2. A crise econômica. Muitos países já enfrentaram terríveis crises econômicas ao longo dos anos. Nas Escrituras Sagradas, encontramos, no livro de Gênesis, a extraordinária crise de alimentos pela qual passou toda a terra (Gn.41:55,56). Porém, a crise foi revelada a Faraó por intermédio de um sonho (Gn.41:1-8). Deus deu a José a interpretação do sonho e ele foi levantado como governador do Egito. José recebeu de Deus sabedoria para administrar em tempos de crise. A crise foi tão intensa que pessoas de todas as terras se dirigiam ao Egito para comprar alimento (Gn.41:57).

Todos nós sabemos que o Brasil está enfrentando uma séria crise econômica sem precedentes, e ela está diretamente ligada à crise política. Segundo alguns economistas, o "Brasil não sairá da crise econômica se não resolver a crise política e ética". Já se fala em doze por cento de desempregados. Muitas empresas estão fechando suas portas; a indústria não consegue escoar a produção, pois o comércio não tem para quem vender os produtos. E o resultado é a tão temida recessão econômica. A crise também tem afetado a área da saúde. Os que buscam os hospitais públicos sofrem nas filas de espera. Faltam médicos, remédios e leitos, e muitas pessoas morrem sem conseguir atendimento. A Educação também tem enfrentado crises. Vivemos em uma sociedade caótica. Em meio a tudo isso não podemos nos desesperar nem nos entristecer. Precisamos orar e confiar no Deus de toda provisão.

3. A crise espiritual. Depois da divisão do reino de Israel, uma crise espiritual se instalou nos dois reinos. O povo de Deus, antes unido, começou a seguir caminhos diferentes.

- No reino do Norte, Jeroboão, vendo que o centro de adoração e sacrifício estava localizado em Judá, mandou fundir dois bezerros de ouro (1Rs.12:26-29) e erguer dois lugares de adoração com altares – um em Betel e o outro em Dã. As coisas não pareciam boas para Israel e, nos duzentos anos seguintes, os israelitas tiveram a experiência de uma montanha-russa. Pouquíssimos reis seguiram (ao menos com um coração dividido) o chamado de Deus ao arrependimento; muitos outros recusaram obstinadamente ouvir os profetas. As dinastias mudaram, e houve muitos assassinatos políticos. Desde Jeroboão até o último rei de Israel em Samaria, Oséias, reinaram vinte reis, sinalizando a instabilidade do reino. Finalmente, em 722 a.C., Samaria foi capturada pelos assírios, e Israel foi levado em cativeiro.

- No reino do Sul, Roboão, após três anos do seu reinado, revelou o seu verdadeiro caráter de infidelidade a Deus. Após ter confirmado o reino e se fortalecido, ele deixou a lei do Senhor, e, com ele, todo o reino de Judá, fazendo o que era mau aos olhos do Senhor e provocando o Seu zelo. Os habitantes de Judá edificaram estátuas, colunas e postes-ídolos em todos os elevados outeiros e debaixo de todas as árvores verdes; praticaram a prostituição-cultual e todas as coisas abomináveis das nações que o Senhor expulsara de diante dos filhos de Israel. O seu castigo veio no quinto ano do seu reinado: o rei Sisaque, do Egito, sogro de Jeroboão que agora reinava sobre Israel (dez tribos do Norte), invadiu o território de Judá com um poderoso exército, tomou as cidades fortificadas e subiu contra Jerusalém. O Senhor, através do profeta Semaías, preveniu Roboão e os seus príncipes que esta invasão veio em reciprocidade porque eles O haviam deixado. Eles reconheceram que o castigo era justo, e por isto Deus consentiu que continuassem vivendo, mas subjugados ao rei Sisaque.

Eles se renderam a Sisaque, que então tomou Jerusalém e se apossou de todos os tesouros que Salomão havia acumulado na Casa do Senhor e no palácio real, e fez de Roboão o seu vassalo. Roboão não teve paz durante seu reinado, pois depois disso esteve sempre em guerra com Jeroboão. Finalmente, aos 58 anos e depois de reinar por dezessete anos, ele morreu.

Crise espiritual à época do profeta Habacuque. No texto base desta Aula, vemos o profeta Habacuque, que viveu e ministrou em Judá, questionar a Deus a respeito da crise espiritual que seu povo estava enfrentando - “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás? Por que razão me fazes ver a iniquidade e ver a vexação? Porque a destruição e a violência estão diante de mim...”(Hc.1:2,3). O profeta estava em meio a uma sociedade agonizante, e por isso, desejava algumas respostas de Deus. Muitas vezes, como Habacuque, diante do caos também perguntamos: "Por que Senhor?". Ele ouve e responde nossas indagações, embora nem sempre tenhamos as respostas no momento em que queremos. O Senhor não deixou Habacuque sem resposta (Hc.2:1,2). O Senhor falou que o seu julgamento viria sobre Judá. Deus não tolera o pecado. Para disciplinar seu povo, Ele usaria os babilônios (Hc.1:5-12). Em 586 a.C., Jerusalém caiu diante dos babilônios. A liderança e boa parte da população da cidade foram levadas à Babilônia. O templo foi destruído. Tudo isto sobreveio sobre o povo de Israel porque teve a audácia de desobedecer aos mandamentos do Senhor e se desviar dEle. Viver no pecado é loucura. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb.10:31).

II. SOBREVIVENDO EM TEMPOS DE CRISE

Como sobreviver em tempos de crise? É bastante notório que, nós brasileiros, estamos passando por uma crise sem precedente: crise financeira, crise na saúde, crise na liderança do país, crise no orbe político, crise moral, crise na ética.... Isto tem gerado muito medo, insegurança e instabilidade. Não sabemos de fato se esta crise é do tamanho do que se desenha pelas especulações que se mostra na mídia. O que se denota é que as pessoas estão em pavor do que está sendo noticiado todos os dias. Trabalhadores estão com medo de perderem seus empregos e Empregadores que não conseguem honrar suas contas e ficam com medo de terem de fechar suas empresas. Querendo ou não, acreditando ou não nela, esta crise nuvea sobre todos nós. Mesmo com Cristo no nosso barco, as ondas vêm, as tempestades da vida nos sobrevêm. Como sobreviver a tudo isso?

1. Corra para Deus. A crise, em vez de nos levar a correr de Deus, deve nos induzir a correr para Deus. A crise é uma oportunidade para nos voltarmos para Deus (vide Joel 2:12-16). Deus ainda continua transformando vales em mananciais. Ele ainda continua voltando-se da Sua ira para a Sua misericórdia.

Quando o mundo ao nosso redor entra em colapso, ainda assim, podemos nos alegrar em Deus. É o que Habacuque demonstrou numa época de terríveis crises em Judá (cf. Hc.3:17,18). O cristão é um otimista inveterado, pois a fonte da sua alegria não está nas circunstâncias, mas em Deus. O mundo pode ficar abalado, os montes podem se derreter e se lançar nas profundezas do mar, a natureza pode se contorcer de dores, e terremotos fazerem tremer os alicerces da terra, mas, mesmo assim, o povo de Deus continua seguro. A seca pode fazer mirrar a semente debaixo da terra, o curral pode ser um deserto sem a presença das ovelhas, a vide pode estar vazia de frutos e o mundo inteiro pode entrar em colapso. Contudo, o povo de Deus, ainda assim, terá um alicerce firme debaixo dos pés. O povo de Deus ainda poderá se alegrar em Deus, seu Salvador.

2. Eleve os seus olhos para o Alto, ande pela fé. Ao olhar para o futuro, Habacuque viu a nação rumando para a destruição; ao olhar para dentro de si, viu-se tremendo de medo, e; ao olhar ao seu redor, viu todo o sistema prestes a se desintegrar. Contudo, quando, pela fé, ele olhou para o Alto, viu Deus e todos os seus medos desvanecerem. Por isso, o salmista tinha razão quando disse: “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra” (Salmos 121:1,2). Lidamos com a crise não com clichês de autoajuda, mas com a ajuda do Alto. Triunfamos sobre a ansiedade não batendo no peito em uma arrogância ufanista, mas caindo de joelhos e lançando sobre Cristo a nossa ansiedade. Andar pela fé significa concentrar-se na grandeza e na glória de Deus, e não na fraqueza humana.

Dentro deste aspecto, o profeta Habacuque nos conduz a três verdades sublimes:

a) A nossa confiança em Deus é inabalável (Hc.3:17,18). O povo de Judá dependia da agricultura para sobreviver. Os recursos financeiros vinham das lavouras e dos rebanhos. Segundo alguns estudiosos, a maior parte do sustento do profeta provinha de figos, uvas, azeitonas e outros produtos da lavoura, bem como da criação de ovelhas, cabras e gado. Embora essas fontes possam de alguma forma esgotar-se, o salmista vê que, em última instância, sua própria existência não depende delas, mas da Fonte delas, Deus. Mas o profeta diz: "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação" (Hc.3:17,18). A confiança do profeta não estava na provisão, mas no Provedor. Os recursos da terra podem falhar, mas Deus jamais falhará. Como Jó, Habacuque estava pronto a perder tudo, menos a sua fé no Senhor.

b) A nossa alegria é ultracircunstancial (Hc.3:18). A alegria do profeta não é determinada pela presença de coisas boas nem pela ausência de coisas trágicas. Sua alegria está centrada na pessoa de Deus. Sua alegria não está na prosperidade nem na ausência do sofrimento. Sua alegria está em Deus. Sua alegria é ultracircunstancial. Através dos séculos, muitos homens de Deus, em períodos de perseguição e sofrimento, acharam conforto e profunda alegria espiritual nas palavras deste cântico de vitória sobre o poder do mal.

O apóstolo Paulo, ao dirigir-se aos crentes de Filipos, fez a seguinte exortação: “alegrai-vos, sempre, no senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp 4:4). O apóstolo Paulo nos ensina aqui três verdades:

- Em primeiro lugar, a alegria do cristão não é uma opção é um mandamento: “alegrai-vos...”.Observe que alegria aqui não é substantivo. Alegria aqui é um verbo, verbo no imperativo. Isto porque o evangelho que nos alcançou é nova de grande alegria; o Reino de Deus que está dentro de nós é alegria no Espírito Santo; o fruto do Espírito é alegria e; a ordem de Deus é: “alegrai-vos”.

- Em segundo lugar, a alegria do cristão independe das circunstancias externas, ela é untracircunstancial. Paulo diz: “alegrai-vos, sempre”. Quando Paulo diz alegrai-vos sempre, o que então ele quer dizer? Ele quer dizer que a alegria do cristão além de ser um imperativo é ultracircunstancial. Porque está alegre, estar feliz quando tudo está bem, até o ateu consegue. O desafio é ser a pessoa feliz apesar das circunstancias adversas.

- Em terceiro lugar, a alegria do cristão não é um sentimento, é uma Pessoa. A alegria do cristão é Jesus Cristo. Por isso Paulo diz assim: “alegrai-vos, sempre, no Senhor”. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a alegria verdadeira. Se você tem Jesus você é uma pessoa feliz, se você não tem Jesus você não é uma pessoa feliz. “A alegria do senhor é a nossa força” (Ne.8:10).

c) Deus é o nosso sustentáculo suficiente (Hc.3:19). A alegria do profeta Habacuque não é um sentimento romântico e infundado. Ele tem razões sobejas para alegrar-se. O fundamento da sua alegria está em Deus. Habacuque, que começa deprimido e em dúvida quanto à retidão e à justiça de Deus, termina com alegre confiança na provisão e no poder sustentador de Deus - “O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente”.

Deus é a nossa estabilidade e segurança. Deus é a nossa fortaleza. Ele é o nosso alto refúgio. Ele é a nossa torre de livramento. Nenhum perigo pode nos alcançar quando estamos refugiados em Deus. Ninguém pode nos arrancar dos braços de Jesus. Nenhuma pessoa ou circunstância pode nos afastar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Ainda que o mundo ao nosso redor se transtorne; ainda que os ímpios se levantem com fúria virulenta contra nós; ainda que nos faltem os recursos materiais para uma sobrevivência digna, nossa confiança permanece inabalável em Deus. É pela fé que vivemos, vencemos e triunfamos. Podemos dizer, então, como disse o profeta Habacuque: “Eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação". Deus ainda pode nos dar cânticos na escuridão (Jó 35:10), se confiarmos nEle e virmos Sua grandeza!

III. QUANDO O DESESPERO DÁ LUGAR À ESPERANÇA

O profeta Habacuque vai do desespero à esperança, do temor à fé, da angústia avassaladora à exultação indizível e cheia de glória. Essa mudança interior não foi produto de meditação transcendental nem mesmo fruto de uma leitura do cenário político de seu tempo, mas uma volta à Escritura e uma passeada pela História para relembrar quem é Deus e quais são Seus gloriosos feitos.

Quando nos voltamos para as Escrituras, descobrimos que as rédeas da História não estão nas mãos das grandes e poderosas nações, mas nas mãos dAquele que está assentado sobre um alto e sublime trono. Os impérios opulentos caem e voltam ao pó do esquecimento. Aqueles que estavam oprimidos fazem uma viagem do vale para o cume dos montes, enquanto aqueles que oprimiam despencam vertiginosamente do topo para o chão. Deus desbanca a altivez dos poderosos e exalta os humildes. Diz o texto sagrado: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?”(Is.43:13). O povo que conhece a Deus é forte. O conhecimento de Deus e das Suas obras é o maior antídoto contra o desespero.

Destaco três verdades essenciais:

1. Quando tudo parece perdido, com Deus ainda não está perdido. Qualquer analista político que olhasse a situação vivenciada por Habacuque, lavraria uma sentença de morte ao pequeno reino de Judá. A Babilônia era a dona do mundo, a detentora de um poder irresistível e de uma crueldade indescritível. Jerusalém seria esmagada impiedosamente, e suas ruas seriam pisadas pelos opressores sem que houvesse qualquer resistência. Mas o forte se torna fraco, e o fraco é revestido de força. A Babilônia caiu, e Judá foi restaurado. Nenhum poder político ou econômico pode frustrar os desígnios de Deus. O plano de Deus prevalece ainda que toda a terra se levante contra Ele. Seguir as pegadas do Deus Todo-Poderoso, eis o segredo de uma vida triunfante!

2. Quando chegamos no final dos nossos recursos, os recursos de Deus ainda estão disponíveis. A crise é um tempo de oportunidade. Habacuque não sucumbiu diante da aterradora situação, mas subiu à torre de vigia e clamou por um avivamento. Ao meditar sobre a pessoa de Deus e sobre os feitos divinos, recobrou ânimo e pôs-se a cantar. É a verdade acerca de Deus e dos Seus gloriosos feitos que nos oxigena a alma e nos fortalece para a caminhada. Quando os recursos da terra acabam, os celeiros do Céu continuam abarrotados. Quando a força do braço humano entra em colapso, o braço Onipotente de Deus sai em defesa do Seu povo. A fé em Deus não é fuga dos problemas, mas a única maneira sensata de enfrentá-los vitoriosamente.

3. Quando a crise nos encurrala, precisamos olhar para o Alto. Quando Habacuque subiu à torre de vigia, ele ouviu Deus e falou com Ele. A Palavra de Deus lhe trouxe consolo e direção, e a oração lhe encheu a alma de esperança e alegria. Diante da tragédia, se olharmos para baixo, ficaremos desolados; se olharmos ao redor, para avaliarmos as circunstâncias, ficaremos estarrecidos. Contudo, se olharmos para o Alto, encontraremos vitória.

CONCLUSÃO

Diante dessas crises que o Brasil está atravessando, muitos estão angustiados e desesperados. Devemos entregar a nossa causa a Jesus. Ele sabe quem somos, onde estamos, o que estamos passando, e Ele pode vir trazer o socorro de que tanto precisamos. O Brasil está em crise, o mundo está em crise, mas o Céu não. O Senhor é soberano e não perdeu o controle da situação. O governo está em Suas mãos. Ele tem o suprimento para todos aqueles que nEle confiam. Ele é o Deus da provisão.  Aleluia!

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Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

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