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terça-feira, 4 de outubro de 2016

2ª lição do 4º trimestre de 2016: A PROVISÃO DE DEUS EM TEMPOS DIFÍCEIS


Texto Base: Êxodo 16:1-15
“E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1João 2:17).
 
INTRODUÇÃO
Não importa o tamanho e a extensão da crise que o povo de Deus venha enfrentar, Deus tem sempre a provisão para o seu povo. O Senhor supriu as necessidades dos israelitas durante quarenta anos no deserto. Supriu as necessidades do profeta Elias em Querite, enviando pão e carne, bem como em Sidom, por meio de uma viúva ultra necessitada, desafiando a lógica humana. Deus não mudou. Ele continua abençoando e suprindo as necessidades dos seus filhos. Mesmo vivendo em um mundo decaído, podemos contar com a proteção, provisão e cuidado do Pai Celeste. Em meio às crises nossa fé é fortalecida diante do agir de Deus provendo bênçãos ao seu povo.
I. PROVISÃO DIVINA EM UM MUNDO CAÓTICO
1. A provisão de Deus no deserto. O deserto não é um momento de dificuldades na vida do povo de Deus, não. O deserto é a trajetória do povo de Deus rumo à Terra PrometidaDeus guiou e sustentou seu povo durante a árdua jornada pelo deserto, a despeito da infidelidade, do pecado da murmuração e do pecado da idolatria. Durante quarenta anos o Senhor sustentou o seu povo no deserto. A provisão era diária. Todos os dias, com exceção do sábado, os israelitas recebiam o maná e codornizes para o seu sustento. Não faltou água, alimento, roupa e calçado até o dia em que chegaram à Terra Prometida. A fidelidade de Deus e seu amor, foram determinantes para que Ele cuidasse, dia a dia, dos descendentes de Abraão. Deus tem um compromisso com a sua Palavra, Ele vela para cumpri-la. Apesar de nossas fraquezas, Deus não nos deixa sozinhos em nossa jornada rumo à Pátria Celestial.
Após a milagrosa travessia do Mar Vermelho, Moisés conduziu o povo rumo ao Sinai. Mas, para chegar lá teve que parar em quatro localidades: Mara, Elim, Sim e Refidim. Em cada uma dessas localidades houve um expediente especial da parte de Deus ao povo hebreu.
Em Mara, após três dias de viagem, Deus fez a primeira prova da Fé do povo hebreu. Os hebreus estavam sedentos e exauridos pelo intenso calor do deserto, e após esses três dias de peregrinação, encontraram apenas águas amargas em Mara. As águas estavam impróprias e impotáveis para serem bebidas. Certamente, Deus estava provando a fé do seu povo recém-liberto da escravidão. Todavia, a Fé de Israel, mais uma vez, foi reprovada. O povo cometeu, pela segunda vez, o perigoso pecado da murmuração – “E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Ex.15:24). Os hinos de louvores entoados pelo triunfo sobre o exército de Faraó no milagre do Mar Vermelho foram depressa substituídos pelas palavras de descontentamento. Em relação a Deus a murmuração é uma reclamação descabida. Quando você murmura, você está dizendo que Deus não está sendo suficiente. Por isso a murmuração em ralação a Deus é pecado.
Uma grande vitória como a travessia do Mar Vermelho proporcionou uma visão maravilhosa da Onipotência de Deus, mas não treinou a fé para os problemas mais corriqueiros, como a necessidade diária de comida e bebida. Às vezes, grandes experiências com Deus não são suficientes para curar o coração duro e queixoso.
Após passar por Elim, um verdadeiro oásis no deserto (Êx.15:27), Moisés conduziu o povo pelo “deserto de Sim” (Êx.16:1). Nessa localidade os hebreus vivenciaram pela primeira vez omilagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx.16:1-21). Nesta localidade os israelitas sentiram fome e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As queixas eram dirigidas contra Moisés, porém na realidade murmuravam contra o Senhor (Êx.16:8). Deus retribuiu-lhes o mal com o bem (2Tm.2:13); proveu codornizes e maná. A partir de então, o maná era fornecido diariamente, durante os quarenta anos de peregrinação no deserto (Êx.16:35); foi um fato completamente milagroso – “Eis que vos farei chover pão dos céus” (Êx.16:4). O maná caía todas as noites, juntamente com o orvalho. A ração diária era de umgômer (3,7 litros) por pessoa. Quanto às codornizes foram fornecidas somente uma vez mais na marcha através do deserto (Êx.11:31,32).
Com essa experiência no deserto de Sim Deus deseja ensinar a seu povo a confiar nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. Deus provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. Nunca falhou com seu povo nos quarenta anos de peregrinação.
O maná é um símbolo profético de Cristo, o Pão verdadeiro (João 6:32-35). Assim como o maná, Cristo, que veio do céu, tem de ser recolhido ou recebido cedo na vida (Êx.16:21; 2Co.6:2) e tem de ser comido ou recebido pela fé para tornar-se parte da pessoa que o come. O maná era branco e doce; da mesma maneira Cristo é doce e puro para a alma (Sl.34:8). Por sua vez, Cristo não dá vida a uma nação durante quarenta anos somente, mas a todos os que creem Ele dá a vida eterna.
2. A provisão de Deus para Elias em Querite (1Rs.17:1-6). Certa feita, Elias, impulsionado pelo Espírito de Deus, se apresenta diante do rei Acabe e declara que não haveria nem chuva nem orvalho enquanto o próprio profeta não o pedisse a Deus(1Rs.17:1). O contexto de 1Reis 17 e 18 nos mostra claramente que Deus, na sua soberania, determinou a seca sobre Israel para corrigir o rei e o povo da sua teimosa idolatria e para revelar que somente Deus é o provedor de todas as coisas, que só Ele é quem tem o domínio sobre a natureza que Ele mesmo criou. Agora Deus mostraria seu poder retendo a chuva e permitindo que a fome fizesse os israelitas pensarem melhor na pessoa a quem sua fé era direcionada.
Deus reteve a chuva durante três anos e meio (Lc.4:25; Tg.5:17). Esse juízo humilhava Baal, pois seus adoradores criam que ele controlava a chuva e que era responsável pela abundância nas colheitas. A falta de chuva resultaria em crise econômica, que acabaria por tratar do orgulho, da arrogância e da idolatria nacional, que chegava a creditar sua prosperidade aos falsos deuses.
Deus sempre quis e quer dialogar com o homem, mas a persistência no pecado tem levado o ser humano a sofrer diversas consequências e pesados juízos divinos. Deus não se deixa escarnecer e tudo o que o homem semear, isto também ceifará (Gl.6:7). Em Israel, os que adoravam a Baal criam que ele era o deus que mandava chuvas e colheitas abundantes. Assim, quando Elias se colocou na presença de Acabe e disse-lhe que não choveria por vários anos, o rei ficou chocado. Baal tinha muitos sacerdotes os quais não poderiam trazer chuvas. Elias confrontou corajosamente o homem que levara seu povo ao mal, e falou-lhe de um poder muito maior do que o de qualquer deus pagão: o Senhor Deus de Israel. Quando a rebelião e as heresias estavam em seu nível mais alto no meio do povo, o Senhor não respondia somente com palavras, mas com ações severas.
O anúncio da seca deu início ao conflito entre Deus e Baal. Assim que a batalha foi consolidada, Elias recebeu ordens do Senhor para que se isolasse junto ao ribeiro de Querite - provavelmente situado na região de Gileade -, durante o período da seca; ali, Deus milagrosamente proveria seu alimento através dos meios mais improváveis (1Rs.17:3,5,6).
Elias obedeceu a ordem de Deus. A obediência nos faz experimentar a provisão de Deus em tempos de crise. Quem está em desobediência dificilmente desfrutará da provisão divina. A obediência de Elias o preservou em segurança das mãos de Jezabel nos anos de seca, e o preparou para os próximos desafios que iria enfrentar para que o povo retornasse aos caminhos do Senhor.
Enquanto havia água no ribeiro, Elias passou a ser alimentado por corvos, que lhe traziam pão e carne pela manhã e pela noite (1Rs.17:6). Como diz o apóstolo Paulo, “…Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e Deus escolheu as coisas vis deste mundo e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1Co.1:27-29).
Como poderia Elias ser alimentado por corvos, animais que são conhecidos por serem decompositores, ou seja, que se alimentam daquilo que está apodrecendo, daquilo que está se desfazendo, e num momento em que passou a haver escassez de alimentos? Como ser alimentado por um animal tão asqueroso, tão repugnante? Entretanto, como disse o Senhor, havia sido dada uma ordem aos corvos para alimentar o profeta e, ante a ordem divina, não há como haver recusa. Elias, toda manhã e toda noite, era servido pelos corvos, que, pontualmente, cumpriam a ordem do Senhor. Deus, assim, mostrava, duas vezes ao dia, ao profeta que estava no controle de todas as coisas, que toda a natureza estava sob as Suas ordens. Glórias a Deus!
Dia após dia, Elias era alimentado pelos corvos, mas a seca que anunciara já era uma realidade. Por isso, dia após dia, as águas do ribeiro de Querite iam minguando, até o momento em que o ribeiro secou. Deus continuava a agir na vida de Elias, demonstrando que tinha o controle da situação. Os corvos vinham lhe trazer comida, mas o ribeiro se secava, em cumprimento à palavra do profeta, que falara em nome do Senhor. Deus tem compromisso com a Sua Palavra (Jr.1:12) e não a invalidará, ainda que isto representasse a proteção e o sustento dos Seus servos fiéis. Deus não precisa invalidar a Sua Palavra para guardar os Seus. Elias experimentou a provisão de Deus.
3. A provisão de Deus para Elias em Sarepta (1Rs.17:8-16). Quando o ribeiro secou, Deus, então, mandou que o profeta fosse para Sarepta, cidade pertencente a Sidom, pois o Senhor havia ordenado a uma viúva que sustentasse o profeta (1Rs.17:9). Vemos, aqui, que Deus, depois de mostrar que tinha controle sobre a natureza, estava agora a mostrar ao profeta que também era o controlador da humanidade e das estruturas sociais. Além do mais, tratava-se de uma viúva e as viúvas, via de regra, eram pessoas necessitadas, que se encontram entre os mais desprovidos de recursos econômico-financeiros, que viviam da caridade pública. Entretanto, este Deus que escolhe as coisas loucas para confundir as sábias, fez com que o profeta passasse a ser sustentado, na terra de Sidom, por uma viúva miserável. Essa situação foi bastante pedagógica ao profeta. A cada instante, Elias aprendia o significado do seu próprio nome: “Javé é Deus”.
A lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. O texto bíblico diz que a situação daquela mulher viúva era tão crítica, que ela estava prestes a preparar a sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte. Então, por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele? A lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. Deus não pensa como o homem, não considera as saídas e soluções que imaginamos, nem se prende ao que vemos e supomos ser o melhor para nós nas situações pelas quais passamos. Está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor”(Is 55:8). Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor.
Ao chegar à casa da viúva, Elias lhe pede água e pão. A mulher respondeu que não tinha pão. Em sua casa, havia apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite. Então, o profeta desafia aquela mulher a assar primeiro um pão para ele. A mulher acreditou na palavra do profeta. Para ver a provisão divina é preciso crer. A provisão de Deus veio para Elias e para viúva que o acolheu. A farinha e o azeite da mulher não se acabaram até o dia em que as chuvas voltaram a cair. Este é o nosso Deus. Ele está no controle de todo o reino da Natureza.  Portanto, “Só o Senhor é Deus!”. Aleluia!!
II. UM MUNDO CAÓTICO
1. O mundo jaz no Maligno. João, o apóstolo de Jesus Cristo, declarou qual é a situação deste mundo: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno" (1João 5:19). Aqui, a palavra "mundo" (gr. kosmos) se refere ao vasto sistema de vida fomentado por Satanás e existente à parte de Deus. Consiste não somente nos prazeres obviamente malignos, imorais e pecaminosos do mundo, mas também se refere ao espírito de rebelião que nele age contra Deus, e de resistência ou indiferença a Ele e à sua revelação. Isso ocorre em todos os empreendimentos humanos que não estão sob o senhorio de Cristo. Na presente Era Pós-Moderna, Satanás emprega as ideias mundanas de moralidade, da filosofia, psicologia, desejos, governos, cultura, educação, política, ciência, arte, medicina, música, sistemas econômicos, diversões, comunicação de massa, esporte, agricultura, etc., para opor-se a Deus, ao seu povo, à sua Palavra e aos seus padrões de retidão. Mas, a Palavra de Deus nos instrui a que não amemos o mundo (Mt.16:26; 1Co.2:12; 3:19; Tt.2:12; 1Jo.2:15,16; Tg.4:4; Jo.7:7; 15:18,19; 17:14;1João 2:15).
No filho de Deus o Maligno nem chega a pôr as suas mãos (1João 5:18); o mundo, porém, jaz em seus braços. O Rev. Augustus Nicodemus diz que a ideia transmitida pelo verbo "jaz", em 1João 5:19, é de passividade tranquila. A humanidade está deitada placidamente nos braços de Satanás, adormecida e entorpecida, enquanto ele a conduz para a destruição. O mundo está no Maligno, em suas mãos, em seu domínio, mas os crentes estão guardados por Cristo.
- No Mundo caótico em que vivemos, práticas antes condenáveis como o aborto, a eutanásia, a pesquisa com embriões humanos, o homossexualismo, o uso de substâncias entorpecentes, a invasão de propriedades alheias, o uso do poder político para vantagens pessoais e de parentes, são práticas consideradas “normais” e até mesmo “convenientes”. A utilização das estruturas eclesiásticas para enriquecimento é tida como atitudes possíveis e que não merecem qualquer censura ou reprovação, até porque, dentro deste contexto, é dito que “ninguém pode julgar ninguém”. Segundo a Bíblia nos ensina, pela boca do salmista, “desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos, não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl.14:3).
- No mundo caótico em que vivemos, o que prevalece é o hedonismo, ou seja, o que se busca é o prazer. As atividades que geram sensações e emoções são muito procuradas nos dias de hoje, a começar do prazer sexual instintivo. Os seres humanos comportam-se, na atualidade, como verdadeiros animais irracionais, buscando parceiros para sentir momentos efêmeros de prazer na prática de relações sexuais. Mas não é apenas no sexo que se tem a manifestação do hedonismo. Uma de suas principais manifestações nos dias de hoje está no consumismo, no prazer de aquisição de bens materiais, aquisição esta incontrolada. Hoje em dia, não se compram produtos pela utilidade que darão ao comprador, mas única e exclusivamente pelo prazer de comprar, ainda que se saiba que o produto pouco ou nada acrescentará à pessoa ou, o que é mais grave, somente trará prejuízos para o adquirente. Mas nesta ânsia pelo ter, pelo adquirir, o que vale é apenas a sensação de bem-estar e de importância que a aquisição gera. Entretanto, Jesus ensina que a vida de alguém não é medida pelas posses que tenha (Lc.12:15) e que uma ação desta natureza avilta a dignidade da pessoa humana, que deve se livrar da ganância e da avareza, que outra coisa não é senão idolatria (Cl.3:5).
- O mundo caótico em que vivemos, tão orgulhoso de seu progresso material, é um mundo aonde “homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados”(2Tm.3:13). Nós, porém, devemos seguir o conselho do apóstolo e permanecer naquilo que aprendemos (2Tm.3:14), pois o aprendemos de Cristo, que é manso e humilde de coração, a fim de podermos encontrar descanso para as nossas almas (Mt.11:29).
2. O mundo globalizado. Todos nós já ouvimos falar em globalização. O que é globalização? Segundo a enciclopédia livre Wikipédia, “é um dos processos de aprofundamento internacional da integração econômica, social, cultural e política, que teria sido impulsionado pela redução de custos dos meios de transporte e comunicação dos países no final do século XX e início do século XXI. O termo "globalização" tem estado em uso crescente desde meados da década de 1980 e especialmente a partir de meados da década de 1990. Em 2000, o Fundo Monetário Internacional (FMI) identificou quatro aspectos básicos da globalização: comércio e transações financeiras, movimentos de capital e de investimento, migração e movimento de pessoas e a disseminação de conhecimento. Além disso, os desafios ambientais, como a mudança climática, poluição do ar e excesso de pesca do oceano, estão ligados à globalização”.
Após a insurgência da globalização, ficou muito difícil para o autêntico cristão assimilar os diversos modelos culturais entre os povos. O comportamento pecaminoso e antibíblico daqueles que não são guiados pelo Espírito Santo, como são os adeptos da filosofia relativista, tem se espalhado de uma forma célere e assustadora entre as múltiplas culturas do mundo. O multiculturalismo deixa claro que não há nenhuma verdade absoluta, ou seja, as verdades são particulares e relativas e cada povo tem a sua forma de acatá-las, e expressá-las, tese esta ímpia, diabólica, pois vai de encontro aos preceitos universais e imutáveis da Palavra de Deus.
Não são poucos os que defendem que vivemos um período “pós-cristão”, um instante de “superação” e “evolução” diante da doutrina cristã, uma “nova era”, que dizem ser de perspectivas múltiplas de paz, harmonia e progresso, porém, à luz da Bíblia Sagrada, isto é uma demonstração nítida e evidente de que o mundo “jaz no maligno”, um mundo distanciando dos ensinamentos de Jesus, o Filho de Deus.
Entretanto, apesar de toda esta atitude despropositada, que é fruto da cegueira espiritual do homem, imerso no pecado e na maldade (2Co.4:4), ainda se encontra sobre a face da Terra, ainda que não por muito tempo, a Igreja - a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para anunciar as virtudes de Jesus Cristo (1Pd.2:9). Ela tem de enfrentar todas as circunstâncias do multiculturalismo pós-moderno e continuar a dizer que a única solução, a única esperança para o homem é crer em Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador. A própria razão de ser da Igreja, a sua própria natureza faz com que toda e qualquer atividade do povo de Deus aqui na Terra seja um “desafio”, uma deliberada provocação ao mal e ao pecado.
Apesar da globalização, o levantamento de nações contra nações e reinos contra reinos tem sido cada vez mais intenso nos nossos dias. Com o fim da Guerra Fria, muitos achavam que partíamos para uma “nova ordem mundial”, para alianças entre os países, de tal maneira que as disputas nacionais, étnicas e locais perderiam terreno e quase que desapareceriam. No entanto, não é o que vemos. Apesar do movimento de globalização, que tem fortalecido as organizações internacionais e a formação de blocos econômico-políticos, o fato é que as disputas nacionais, as reivindicações de nações contra nações, os ódios raciais não só não estão ausentes, como estão aumentando no cenário internacional. É o cumprimento exato das palavras de Jesus. Certamente, Jesus está voltando!
3. Tempo de mudanças. Nos dois últimos séculos, a humanidade experimentou diferentes transformações na área tecnológica, na comunicação, na área científica, econômica e social, mais do que em toda o período anterior da humanidade. Essas mudanças acabaram trazendo crises de ordem social, econômica e política. É claro que todo esse avanço tem proporcionado inegáveis progressos e prosperidade material, mas também tem trazido crises econômicas, moral e éticas sem precedentes. O apóstolo Paulo, profeticamente, falou a respeito desses tempos, referindo-se a eles como trabalhosos e difíceis. Disse o apóstolo: “Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”(2Tm.3:1-5).
Os tempos trabalhosos caracterizam-se pela introdução do pecado no meio do povo de Deus. É o fermento introduzido pela mulher da parábola contada por Jesus e que leveda toda a massa (Mt.13:33), e que se não fosse a misericórdia divina, certamente que todos nós pereceríamos por causa da entrada deste fermento. Mas, graças a Deus, que o Senhor não permitirá que todos se percam, sempre havendo, neste mundo caótico, um remanescente que não se contaminará (Mt.24:22; Rm.9:27; Ap.2:15,24;3:4). Nestes dias tão difíceis, precisamos seguir a recomendação divina: quem é justo, faça justiça ainda; quem é santo, seja santificado ainda (Ap.22:11).
III. CARATERÍSTICAS DO MUNDO ATUAL
1. Uma sociedade centrada no homem. É o que chamamos de antropocentrismo. Vivemos em uma sociedade em que o antropocentrismo prevalece. A palavra “antropos” significa "homem", e antropocentrismo traz a ideia do homem como o centro de tudo. A sociedade pós-moderna tem como base a célebre declaração de que “o homem é a medida de todas as coisas”. Isto pressupõe a predominância da filosofia humanista que coloca o homem como o centro do Universo, em flagrante contraste com o ensino bíblico de que todas as coisas foram criadas para a glória de Deus (Sl.73:25; 1Co.10:31; 1Pd.4:11).
O mundo lá fora, ou a sociedade dos homens, rejeitou o Teocentrismo, ou seja, Deus como o centro do Universo, e que, em torno dEle, e sob o seu comando as coisas acontecem. Deus, o Pai, tornou seu Filho Jesus a razão e o centro de toda a criação. Paulo, escrevendo aos Colossenses afirmou: "Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele" (Cl.1:17).
No mundo antropocentrista, predomina a força do homem e tudo gira em torno daquilo que o homem é, que o homem tem, e que o homem pode. É possível, mesmo na igreja local, encontrar pessoas que pregam um “evangelho” que vise satisfazer a audiência, desejosa de ter riquezas e uma vida sossegada. Títulos têm valido mais que o caráter dos obreiros, valorizando o “ter” em detrimento do “ser”.
Sejamos vigilantes, pois Satanás trabalha dia e noite para descaracterizar a Igreja, como Igreja, e fazer dela uma sociedade de homens, tendo o homem no seu centro, e, assim, fazer a integração entre a Igreja e o mundo, apagando as diferenças existentes entre estes dois povos. Portanto, o maior desafio enfrentado pela Igreja, nestes “últimos dias”, conhecidos como pós-modernos, é não permitir que Satanás destrua sua Identidade, que a caracteriza como sendo uma “...Igreja gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”(Ef.5:17).
2. Uma sociedade relativista. Outro aspecto do mundo caótico em que vivemos é o relativismo. Sob essa ótica não há lugar para os princípios e ensinos imutáveis da Palavra de Deus, válidos para “todas as pessoas, em qualquer época e em todos os lugares”. O valor absoluto e imutável da Palavra de Deus é qualificado como impróprio por aqueles que vivem ao bel-prazer de suas concupiscências e são prisioneiros do contexto e das convenções sociais do momento.
O relativismo é uma das vãs filosofias que nestes tempos do pós-moderno, procura justificar o comportamento pecaminoso e antibíblico daqueles que não são guiados pelo Espírito Santo. Segundo essa vã filosofia, “nada pode ser definitivamente certo, pois, a verdade está sujeita a fatores aleatórios, ou subjetivos”. Assim, os princípios éticos e morais variam de lugar para lugar, pois, estão sujeitos às circunstâncias culturais, políticas e históricas.
É claro que o relativismo contrasta com as verdades proclamadas pela Bíblia Sagrada. A Bíblia fala de valores absolutos e imutáveis, válidos e aplicáveis em qualquer parte da Terra, pois, a doutrina Bíblica se apoia em dois princípios: imutabilidade e universalidade. Por estes dois princípios a doutrina não sofre a ação do tempo e nem do espaço. Pelo princípio de imutabilidade, o que nós estamos ensinando hoje é a mesma doutrina Bíblica que os Apóstolos ensinaram. Ela não mudou e nem mudará. Ela é verdadeira e absoluta. Pelo princípio da universalidade, onde houver um homem, em qualquer lugar da terra, a doutrina bíblica é válida para ele. O que a Bíblia definir como sendo pecado, será pecado em toda a Terra. Assim, os princípios éticos e morais que o relativismo afirma mudar de lugar para lugar, pela Bíblia eles são imutáveis.
A cada dia que passa, vemos mais e mais pessoas crendo que não existe bem nem mal, certo ou errado. As pessoas passam a considerar que as regras morais, os princípios éticos são fruto de preconceitos, de “atrasos”, de “ideologias”, de “dominação do homem sobre o homem”. Quando se dão as costas a Deus, quando não se dá a Deus a devida honra, a Bíblia nos afirma que o próprio Deus abandona os homens às mais perversas abominações (Rm.1:18-31) e o resultado é o que nós estamos vendo: idolatria, violência, imoralidade, corrupção política e aviltamento da pessoa humana.
3. Uma sociedade secularizada. Nestes dias que precedem a volta de Cristo, a Igreja tem enfrentado a pressão e o engodo do secularismo, cujo termo procede do latim “saeculum” e significa “pertencente a uma época”. Em sentido religioso, o vocábulo é empregado para designar o comportamento e o pensamento do mundo de nosso tempo, que são inversos ao sagrado ou espiritual. Portanto, “secular” representa o modo de viver deste mundo, aquilo que se opõe ou que não comunga com os interesses espirituais do Reino de Deus.
Na Igreja, o secularismo transparece quando o sagrado começa a ceder ao profano. Nas Igrejas secularizadas, o calvário não é mais pregado, o sangue de Cristo é descartado, o sofrimento e a cruz de Cristo são rejeitados porque ofendem o gosto estético dos secularizados, e confissão de pecados é substituída pela a proclamação das bênçãos terrenas. Desde o surgimento da Igreja, é este o alvo de toda a fúria do “mistério da injustiça” e, por isso, deve cada salvo, individualmente, manter-se firme e constante nesta sua jornada, para que não venha a ter o triste fim daqueles “muitos” que terão esfriado o seu amor e que se tornarão, lamentavelmente, amigos do mundo e, por isso mesmo, inimigos de Deus, constituindo a “igreja de Laodicéia”, que será vomitada pelo Senhor no dia da nossa redenção.
O primeiro fator da secularização da igreja é a falta de vigilância, a falta de cuidado. Deve a igreja ser vigilante, ter muito cuidado com todas as artimanhas do adversário de nossas almas, que anda ao derredor buscando a quem possa tragar (1Pd.5:8). Quando não vigiamos, quando não estamos alerta, o inimigo facilmente se introduz na nossa vida e, o que é mais grave, acaba tendo acesso ao nosso coração, como ocorreu com Judas Iscariotes (João 13:2). A igreja deve estar sempre atenta e alerta, a fim de não permitir que o adversário venha a nos enganar. Este cuidado é, sobretudo, a cautela, a prudência, o equilíbrio no cumprimento da Palavra do Senhor (Dt.6:25; 11:32). O primeiro cuidado que devemos ter é o de cumprirmos a sã doutrina. “Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram” (Hb.2:1-3).
CONCLUSÃO
Segundo a Bíblia, o quadro pintado para os últimos dias da Igreja não é alentador. O mundo sem Deus vai de mal a pior. Certamente, não podemos mudar a história do mundo, mas, no sentido individual e pessoal, podemos mudar a história de muita gente, se estivermos dispostos a cumprir o “Ide” de Jesus ”... tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da Terra”(Atos 1:8). Só há uma esperança para a humanidade: Jesus. Ele é a nossa provisão, mesmo vivendo num mundo em crise.
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Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

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