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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

3ª lição do 4º trimestre de 2016: ABRAÃO, A ESPERANÇA DO PAI DA FÉ.


Texto Base: Gênesis 12:1-10

 "Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia."(Hb 11.8).

INTRODUÇÃO

Abrão (que depois teria seu nome mudado para Abraão) surge nas Escrituras em Gênesis 11:26, quando é informado que é o décimo da descendência de Sem. Era, portanto, um semita e, diz-nos o texto sagrado que ele habitava em Ur dos caldeus, juntamente com seu pai Tera (ou Terá), na região que hoje pertence ao Iraque e que, ao tempo de Abrão, era o centro da civilização.

Deus escolheu e chamou Abraão quando ele ainda vivia em Ur dos Caldeus (cf. Atos 7:1,2). A mesma palavra que chamou o cosmos à existência agora chama Abraão a trazer uma nação à existência. Deus ordenou que Abrão deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai e partisse em peregrinação (Hb.11:9). Deus fez uma aliança maravilhosa com Abrão e lhe prometeu: uma terra (Canaã); uma grande nação (o povo judeu); prosperidade material e espiritual para ele e seus descendentes; um grande nome para ele e sua descendência; transformar os descendentes de Abrão em canal de benção para os outros; bênçãos para os amigos de Israel, mas maldição para os inimigos; todas as famílias da terra seriam benditas em Abrão, fato que apontava para o Senhor Jesus Cristo, descendente de Abraão.

A Bíblia não explica como Deus falou a Abraão, mas provavelmente não foi uma teofania, que usa a fórmula “e o Senhor apareceu e disse”, como ocorre em Gênesis 12:7. A despeito de pertencer a uma família pagã, idólatra, ele creu em Deus firmemente. Abrão não sabia aonde ia, mas obedeceu pela fé (Hb.11:8). Com todas suas falhas e defeitos, a fé de Abraão foi testificada pelo próprio Deus, que o chama de amigo na Sua Palavra (2Cr.20:7; Is.41:8; Tg.2:23), sendo o exemplo a ser seguido pelos fiéis, tanto que o local reservado a eles antes da primeira vinda de Cristo é denominado de “seio de Abraão”, nomenclatura confirmada pelo próprio Jesus (Lc.16:23).

I. A CHAMADA DE DEUS (Gn.12:1-3)

É o aconteci­mento mais importante do Antigo Testamento. A obra da redenção, que fora insinuada no jardim do Éden (Gn.3:15), teve início com a chamada de Abraão. Os primeiros onze capítulos do Gênesis demonstram que Deus se relacionava com a humanidade em geral, sem fazer distinção entre as raças. Tanto o mundo antediluviano como o da torre de Babel ressaltam que, a despeito do progresso material e do nascimento das civilizações, o homem fracassava moral e espiritualmente. Até aqui, o Senhor havia posto os olhos sobre diferentes indivíduos, que eram os meios apropriados para conservar a "semente da mulher" e o conhecimento de Deus. Agora ele muda seus métodos. Chama um homem para formar o povo escolhido mediante o qual realizaria a restauração da humanidade. Na realidade, a Bíblia declara que o "povo escolhido" não se refere somente à descendência carnal do patriarca, mas a todos quantos têm a mesma fé que Abraão tinha, isto é, ele é o pai espiritual de todos os crentes (Rm.4:16; Gl.3:7).

1. Um projeto divino. Deus chamou Abrão, não somente porque queria formar uma nação, mas porque Ele tinha um projeto, que estava em seu “coração” antes da fundação do mundo: a salvação do ser humano. A chamada de Abraão era a continuidade do cumprimento da promessa de Deus, no Éden, de redimir o homem e fazê-lo tornar à comunhão com seu Criador. Fracassada a comunidade única e seu governo humano, que, ao invés de promover a reconciliação com Deus, partiu para o desafio contra o Criador, Deus inicia o trabalho da formação de uma nação diferente das demais, onde manifestasse Seu amor e Seu poder.
Assim, a chamada de Abraão mostra-nos a soberania de Deus, ou seja, a supremacia de Deus sobre todas as coisas. Não havia, não há nem nunca haverá o que possa impedir a realização da vontade divina (Is.43:13).

É válido observar que foi Deus quem chamou Abrão e não o contrário. Esta é uma demonstração de que Deus sempre tomou a iniciativa, pelo Seu tão profundo amor, de procurar o homem, embora sempre tenha sido o homem quem tenha necessitado da presença de Deus. Deus é quem toma a iniciativa de formar uma nação para anunciar o Seu nome a todas as gentes. Este é o Deus a quem servimos: um Deus de amor que quer salvar o homem e, por isso, vai ao seu encontro. Como afirma o chamado “texto áureo da Bíblia”, Deus não somente amou o mundo, mas enviou o Seu Filho para nossa salvação (João 3:16). Portanto, a iniciativa para a salvação do homem é divina.

Com a morte de seu pai, Abrão, já com setenta e cinco anos de idade, começa a sua vida com Deus, vida esta que seria extremamente fecunda e que iniciaria o plano de Deus para a salvação do homem. A partir dele surgiria uma família que se tornaria um povo especial do qual, no tempo próprio, sairia o Salvador do mundo, Jesus Cristo, o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap.13:8). Desde a fundação do mundo Deus já tinha determinado que Cristo iria morrer como ovelha muda, na cruz do calvário, para pagar os pecados da humanidade. O Cordeiro morreu unicamente para pagar os nossos pecados (Is.53:4-7). Desde a fundação do mundo, Deus já sabia que o homem que Ele criaria iria pecar. Toda esta atitude de Deus foi por amor. Deus possui um amor pelo homem com uma intensidade tão ampla que é praticamente impossível compreendermos. O amor de Deus por nossas vidas é muito maior que toda dor que nós o proporcionamos. Deus nos amou antes mesmo de nós existirmos e continua a nos amar de forma inexplicável de forma incompreensível, de forma divina. Aleluia!

2. O desafio de acreditar no projeto divino. Abraão foi desafiado a crer e obedecer, embora não conhecesse todo o projeto que Deus tinha para sua vida e, por conseguinte, para toda a humanidade. Para que Abrão atendesse ao chamado de Deus, era necessário que ele saísse de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai. É indispensável, para quem quer servir a Deus, que se separe do mundo, que se desvincule totalmente do pecado e do mal, em que o mundo está imerso (1João 5:19). Não é possível alguém querer servir a Deus e não deixar o sistema de vida comprometido com o pecado e com a maldade. Nisto é que consiste a santificação, ou seja, a separação do crente do mundo. Para que Abrão pudesse servir a Deus, era necessário que ele abandonasse a idolatria de seu povo, de sua parentela e da casa de seu pai. Não seria possível que ele pudesse servir a Deus ainda sob os valores que haviam regido sua vida até ali. De igual forma, já que o Deus de Abrão é o nosso Deus, um Deus que não muda e nEle não se vê sombra de variação (Tg.1:17), para servirmos a Deus devemos sempre nos separar do pecado, estarmos no mundo, mas não sermos do mundo (João 17:11,15,16). Este é o primeiro passo e, por isso, devemos estar vigilantes com as ofertas de contemporização e de tolerância com o pecado que o diabo tem apresentado, incessantemente, aos servos do Senhor.

3. Deus chama Abrão, mas respeita o seu livre arbítrio. Embora Deus seja soberano e livre para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e não outra pessoa das milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita, decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão decidido partir por sua livre e espontânea vontade. Esta é a grande diferença entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem, retira a sua liberdade, enquanto que Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade, o poder de decisão, como se vê claramente em Gênesis 2:16,17.

4. Um projeto para abençoar as nações. A promessa de Deus a Abraão e a sua benção sobre ele, estendem-se, não somente aos seus descendentes físicos (os judeus), como também a todos aqueles que com fé genuína (Gn.12:3) aceitarem e seguirem a Jesus Cristo, a verdadeira “posteridade” de Abraão (Gl.3:14,16). Todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl.3:7) e são abençoados juntamente com ele (Gl.3:9). Tornam-se posteridade de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl.3:29), o que inclui o receber pela fé “a promessa do Espirito” em Cristo Jesus.

É bom afirmar que a chamada de Abraão envolvia, não somente uma pátria terrestre, mas também uma cidade celestial. Sua visão alcançava um lar definitivo não na terra, mas no Céu, uma cidade cujo artífice e construtor é o próprio Deus. A partir de então, Abraão desejava e buscava uma pátria celestial onde habitaria eternamente com Deus em justiça, alegria e paz (Hb.11:9,10,14-16). Até então, ele seria estrangeiro e peregrino na terra (Hb.11:9,13). E nós, pertencentes à Igreja do Senhor, devemos pensar como Abraão. O apóstolo Paulo pensava assim, a ponto de afirmar aos crentes de Filipos: ”Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20).

II. A PROVISÃO DE DEUS

1. Abraão sai da sua terra (Gn.12:4-8). Abrão foi considerado o pai da fé porque deixou sua casa, sua parentela, sua terra e foi para um lugar que ainda não lhe tinha sido revelado - “para a terra que eu te mostrarei”. Deus não anunciou a Abrão qual seria essa terra, como também não nos anuncia como será a vida que viveremos neste mundo para sermos instrumento de Sua glória. O fato de não sabermos qual é essa terra, entretanto, é a essência de nossa fé. Somente poderemos ter fé se esperarmos algo, e se não soubermos o que é esse algo, pois se não houver esta esperança, não poderá haver fé (Rm.8:24). É por isso que as Escrituras dizem que andamos por fé e não por vista (2Co.5:7). Devemos, assim, rejeitar toda e qualquer atitude que exija que vejamos a bênção de Deus e a Sua presença a qualquer instante de nossas vidas, pois devemos agir como Abrão: ir, ainda que a terra não nos esteja ainda à vista, pois é nisto que consiste a fé: “o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem” (Hb.11:1).

Algumas verdades podem ser tiradas desta ação obediente de Abrão:

a) Abrão saiu da sua terra, mas não de qualquer maneira, mas “como o Senhor lhe tinha dito” (Gn.12:4)Eis o segredo da vitória do servo de Deus: fazer O que Senhor determinou, mas também COMO o Senhor determinou. Somente podemos afirmar que somos servos de Deus se, além de termos uma vida que agrade a Deus, termos, também, uma forma agradável a Deus, ou seja, fazermos como Ele determinou. Eis a razão pela qual o apóstolo Paulo disse que não devemos nos conformar com este mundo (Rm.12:1), ou seja, não podemos ter a forma, o jeito, a maneira, o modo deste mundo, mas sermos diferentes também na forma. Abrão teve vitória porque fez como Deus mandou. Verdade é que Abrão não agiu exatamente como Deus ordenou, porque as Escrituras informam que, ao partir, “foi Ló com ele”(Gn.12:4), e esta desconformidade a ordem de Deus iria trazer a Abrão sérias consequências. Aprendamos, pois, com Abrão e façamos como o Senhor ordenar. Foi o próprio Jesus quem disse que bem-aventurado é o servo que, quando vier o Senhor, achá-lo servindo “assim” (Mt.24:46).

b) Abraão era rico, mas não pôs o seu coração nas riquezas deste mundo. Davi, que viveu centenas de anos depois de Abraão, disse: “Se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” (Sl.62:10). E foi isto que Abraão fez. É interessante notar que, ao partir Abrão de Harã para a terra de Canaã, sem saber que esta era a terra que Deus lhe prometeria dar, Abrão saiu com sua mulher, com Ló, com seus servos e sua fazenda, dando a entender que tinha tido prosperidade material durante o tempo em que viveu em Ur e em Harã. Mais uma demonstração de que o objetivo do servo de Deus não é obter prosperidade material, mas, sim, a de atender ao chamado de Deus. Abrão é apontado, sempre, pelos teólogos da prosperidade como um exemplo do acerto de sua teologia. Ledo engano! Muito pelo contrário, a vida de Abrão, que, espiritualmente, se inicia pela sua chamada, mostra que a prosperidade material, embora seja uma dádiva de Deus, é algo irrelevante no serviço espiritual do crente.

c) As promessas de Deus serão cumpridas, mesmo que as circunstâncias preguem o contrário. Abrão passou por Canaã, foi até Siquém, até ao carvalho de Moré e observou que a terra ali era habitada pelos cananeus. Ou seja, aos olhos humanos, não era aquela a terra que Deus lhe mostraria, uma vez que se tratava de uma terra ocupada pelos descendentes de Cão (filho de Noé), ou seja, uma terra que, a princípio, Deus havia destinado para outros que não os descendentes de Sem. Entretanto, nosso Deus é um Deus que não permite que os Seus servos fiquem confundidos ou desorientados. A Bíblia afirma que Deus apareceu a Abrão e lhe mostrou que aquela era a terra que Ele daria à sua semente (Gn.12:7). Profunda promessa esta a de Abrão, vez que Abrão não tinha sequer um filho, que dirá uma semente. A terra estava habitada pelos cananeus, como fez questão de enfatizar o texto bíblico, mas Deus afirma a Abrão que aquela terra, já habitada, seria ocupada pela sua semente, algo até então inexistente e sem qualquer perspectiva de vir a existir. Este é o nosso Deus! Ele faz as coisas que não são existirem, como também o contrário. Deus tem lhe prometido coisas que não existem e que as circunstâncias demonstram não ser possível existir? Olhe para a experiência de Abraão e acrescente a sua fé, pois o nosso Deus é o Deus do impossível e tudo que prometeu fará (Jr.1:12; Mt.24:35).

d) Abrão passou por Canaã, foi até Siquém e ali edificou um altar ao SENHOR. O altar é uma presença constante na vida de Abrão. Em Siquém, Deus lhe apareceu e reafirmou suas promessas. Ao ter tido a presença de Deus, ali edificou um altar ao Senhor. Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor. Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns.

Abrão adorou ao Senhor, edificou um altar ao Deus que lhe aparecera. Temos tido este mesmo comportamento? Temos adorado a Deus com nossa vida, que é o nosso altar nos dias de hoje? Quando Deus Se revela a nós nos cultos, no cotidiano, temos-lhe correspondido construindo um altar nas nossas ações, nos nossos pensamentos, na nossa vida? Se somos “filhos de Abraão”, devemos ter a mesma conduta do patriarca. Mas lembre-se, como diz o conhecido cântico, “em altar quebrado, não se oferece sacrifício a Deus”! Pense nisso!

e) Abraão buscou ainda mais intensificar sua comunhão com Deus: se dirigiu a Betel (Gn.12:8).Após ter edificado um altar a Deus, Abrão, certamente movido pelo Espírito de Deus, já que se encontrava em perfeita sintonia com a vontade divina, não ficou em Siquém, mas se moveu dali para a montanha à banda do oriente de Betel, que não tinha ainda este nome (seria mais tarde Jacó, neto de Abraão, que daria este nome ao lugar, até então conhecido como Luz – Gn.28:19). Em Betel, Abrão invocou o nome do Senhor e edificou um novo altar, mostrando a sua comunhão com Deus. Aqui, Abrão ensina-nos que não basta esperarmos Deus falar conosco. Mesmo estando em comunhão com Ele, torna-se necessário invocá-lo, ou seja, buscá-lo. Embora a iniciativa da salvação do homem seja divina, há uma parte humana de esforço e constância na busca da presença de Deus. Precisamos, por isso, sempre estarmos em atitude de busca da presença de Deus, seja através da oração, do jejum, da consagração, do louvor, da leitura e meditação de Sua Palavra. O homem que, verdadeiramente, serve a Deus, sabe que não é autossuficiente, que depende da misericórdia do Senhor e de uma constante aproximação de Deus. Como disse o salmista Asafe, “para mim, bom é aproximar-me de Deus”(Sl.73:28). É com preocupação que vemos que muitos crentes somente se lembram de buscar a Deus quando vão aos cultos e isto uma vez por semana (e olhe lá!). Devemos buscar a Deus a todo tempo, a todo instante. Conscientize-se disso!

f) Em Betel, Abraão armou sua tenda (Gn.12:8). A tenda é outro elemento que encontramos na vida de Abrão. Observe que Abraão não construiu um império, mas apenas armou sua tenda. A tenda simboliza o desprendimento de Abrão em relação a este mundo. Ele era peregrino na terra, mesmo tendo promessas de Deus de domínio sobre essa mesma terra. Da mesma forma, nós, crentes em Cristo, somos peregrinos nesta terra (1Pd.2:11), não é aqui a nossa morada nem o nosso descanso (Mq.2:10). Será que temos este mesmo desprendimento que tinha Abrão ou o adversário já tem conseguido fazer com que finquemos raízes nas coisas deste mundo e nas coisas desta vida? Qual é o nosso propósito, caminhar para o Céu e desfrutar do que Deus aqui nos traz, mas sem nos prendermos a isto, armando sempre a nossa tenda segundo o movimento do Espírito ou querermos Cristo apenas para as coisas desta vida, vez que a elas estamos presos e arraigados? Lembre-se: quem espera em Cristo só nesta vida é o mais miserável de todos os homens (1Co.15:19).

2. Abraão enfrenta problemas e provas em Canaã (Gn.12:9,10). Deus tinha uma promessa na vida de Abraão, mas isso não impediu que ele enfrentasse problemas e provações. O crente fiel também enfrenta crises e provações. Veja, a seguir, três provas, dentre muitas que Abrão enfrentou em sua jornada.

- A primeira prova à qual Deus submeteu a Abraão foi a separação de sua pátria e de sua família. Tinha de voltar as costas para a idolatria a fim de poder ter comunhão com Deus. A vida de fé começa com a obediência e a separação. "Ou nossa fé nos separa do mundo, ou o mundo nos separa de nossa fé". Abraão saiu, sem saber para onde ia (Hb.11:8). Tinha de confiar incondicionalmente no Senhor.

Abrão chegou à terra que Deus lhe havia indicado. Agora vivia como estrangeiro e peregrino, viajando de um lugar para outro. Nunca foi dono de um metro quadrado de terra, a não ser o local de sua sepultura. Siquém, a encruzilhada da Palestina, situada a 50 km ao norte de Jerusalém, foi sua primeira parada. Depois chegou ao carvalho de Moré, considerado centro de adivinhação e idolatria. Ali Deus apareceu a Abraão, assegurando-lhe de novo sua presença e confirmando-lhe que sua descendência herdaria Canaã. Assim Deus o recompensou por sua obediência. Abraão respondeu construindo um altar e oferecendo culto público ao Senhor. Aonde quer que ia, levantava sua tenda e edificava um altar. De modo que Abraão tinha comunhão com Deus, e ao mesmo tempo testificava perante o mundo.

- A segunda prova: a fome (Gn.12:10-20). Abraão era um homem que estava em plena comunhão com o Senhor, que crescia espiritualmente, pois Deus estava se revelando a ele gradativamente. Entretanto, quando havia esta comunhão e esta crescente intimidade entre Abrão e Deus, surge um sério problema na vida do patriarca: a fome. Dizem as Escrituras, em Gn.12:10, que havia fome naquela terra. Era uma situação muito difícil e ameaçadora. Estava em terra estranha, habitada por gente que não era boa, sem residência fixa, com uma promessa de que aquela terra seria dada à sua semente, sendo que nem um filho sequer Abrão tinha e, agora, vê-se ameaçado o seu patrimônio. Devido à fome, Abraão tomou a decisão de ir para o Egito. Na Bíblia, o Egito é símbolo do mundo. A fartura que existia no Egito era semelhante a fartura do mundo, ilusória.

O fato de Deus não ter impedido que Abrão sofresse as consequências da fome sobre a terra de Canaã é mais um episódio que desmente os teólogos da prosperidade, que, desde os tempos do patriarca Jó, propalam que o servo de Deus jamais pode passar por dificuldades econômico-financeiras. Deus é o dono de todo o ouro e de toda a prata, não há dúvida alguma sobre isto, mas está muito mais interessado em que aprendamos a depender dEle inteiramente, a termos comunhão com Ele do que venhamos a ter riquezas e abundância de bens nesta vida, correndo, inclusive, o risco de nos apegarmos a estas coisas e, por conta disto, a exemplo do mancebo de qualidade (Mt.19:16-22), virmos a perder a nossa salvação.

Para que Abrão pudesse continuar crescendo espiritualmente, necessário se fazia que viesse a lição da dependência também nos assuntos materiais. Mas, lamentavelmente, Abrão não aprendera, ainda, esta lição. Sobrevindo a dificuldade econômico-financeira, não invocou a Deus, como fizera em Betel, nem esperou que o Senhor lhe aparecesse, como fizera em Siquém, mas decidiu “descer para o Egito”, então o país mais promissor do mundo, que começava a se apresentar como nova potência mundial, onde a abundante água do rio Nilo, o maior rio do mundo, não permitia que houvesse dificuldades econômico-financeiras. Era uma decisão acertadíssima do ponto-de-vista humano, uma grande demonstração de sabedoria e inteligência humana, mas um verdadeiro desastre sob o aspecto espiritual. Com efeito, Deus não participou dessa decisão, Abrão decidiu ir para uma terra que não era a mostrada nem a prometida por Deus e, ainda mais, sem consultar ao Senhor.

Deus não lhe havia ordenado sair da Palestina. No Egito, por pouco não perdeu sua esposa, pois, com medo, mentiu dizendo que Sara era sua irmã (ainda que houvesse um elemento de verdade no que disse - ver Gênesis 20:12). Em nossa jornada, também somos passíveis de cometer erros. Mas não temos mais prazer no pecado. Abraão não duvidou por incredulidade das grandes promessas, porém tropeçou nas pequenas coisas. Até a escrava egípcia Hagar e o aumento de gados obtidos no Egito lhe causaram problemas mais tarde. Aprendeu quão perigoso é afastar-se de Deus.

“Descer ao Egito” passou a ser, por causa disto, uma expressão metafórica para toda decisão humana sem a orientação e a direção divinas. Passou a significar uma atitude de comprometimento com os valores humanos, com os princípios deste mundo, sem qualquer preocupação com a vontade divina. Infelizmente, muitos são os crentes que estavam caminhando muito bem com o Senhor e, por uma dificuldade ou outra, acabam resolvendo “descer ao Egito”. Não nos iludamos com a abundância material, com o caráter promissor ou com a hospitalidade e boa aparência do Egito. O Egito é o mundo e nele não há o essencial, o fundamental para a vida de qualquer crente, a saber, a presença, a direção e a aprovação de Deus.

- A terceira prova: a esterilidade de Sara. Deus prometeu que Abraão teria uma família numerosa, porém ele já estava com 99 anos e Sara com 89 anos e ainda era estéril (Gn.17:1), e não tinha herdeiros. Esperar o tempo de Deus nem sempre é fácil. As Escrituras Sagradas afirmam que a "esperança demorada enfraquece o coração..." (Pv.13:12). Ao ouvir a promessa de que Sara daria à luz um filho, Abraão riu-se; e o riso de Abraão seria secundado pelo riso de Sara (Gn.18:12). O riso de Abraão pôs em dúvida a capacidade geradora de si mesmo e de sua esposa - “Então, caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos? E disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de teu rosto! E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque...” (Gn.17:17-19).

Parecia inacreditável que Abraão e Sara, em idade avançada (99 e 89 anos, respectivamente – Gn 17:1) - ainda mais, Sara era estéril (Gn.11:30) -, pudessem ter um filho. Mas, Deus disse a Abraão: “Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?" (Gn.18:14). Deus queria que eles soubessem que o cumprimento da promessa não seria o resultado de esforços humanos, mas da pura graça, um milagre.

Abraão, o homem considerado justo devido a sua fé, teve problemas para acreditar na promessa de Deus. No entanto, a despeito de suas dúvidas, Abraão obedeceu aos mandamentos de Deus (Gn.17:22-27). Mesmo as pessoas de grande fé podem passar por momentos de dúvida. Todavia, sabemos que o Senhor vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12). Ele é fiel.

III. AS PROMESSAS DE DEUS NA VIDA DE ABRAÃO

1. "Far-te-ei uma grande nação e abençoar-te-ei". Depois de muito tempo habitando em Harã, Deus chamou Abrão e fez-lhe a seguinte promessa: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gn.12:1-2).

Já habitando em Canaã e após o seu retorno do Egito, Deus fez com ele uma aliança ou pacto:

“Depois destas coisas veio a palavra do SENHOR a Abrão em visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão. Disse-lhe mais: Eu sou o SENHOR, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para a herdares. E disse ele: Senhor JEOVÁ, como saberei que hei de herdá-la? E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, e uma rola, e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E, pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caíram sobre ele. E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão; e eis um forno de fumaça e uma tocha de fogo que passou por aquelas metades. Naquele mesmo dia fez o SENHOR uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; e o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o perizeu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu” (Gn.15:1,7-12,17-21).

Esta aliança, conhecida como aliança abraâmica, continha três cláusulas principais: (a) uma terra para Abrão e seus descendentes, o povo de Israel; (b) uma semente ou descendência física de Abrão; e (c) uma bênção de amplitude mundial (Gn.12:1-3). Para que não houvesse dúvida a respeito do que Ele estabelecera, o Senhor fez com que Abrão dormisse em sono profundo, para que o próprio Deus se tornasse o único signatário daquele pacto. Ainda que o Senhor tenha sido o único signatário ativo a passar por entre as metades dos animais cortados, fica evidente, todavia, que Abraão obedeceu ao Senhor durante a sua vida: “porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn.26:5).

Obedecer a Deus pode representar um desafio para algumas pessoas, mas quem confia obedece. A obediência e a confiança em Deus nos fazem vencer as adversidades. Muitos querem as promessas do Pai, mas não querem trilhar o caminho da obediência. Mas devemos nos lembrar de que a desobediência é pecado e nos impede de recebermos as bênçãos divinas.

Abraão foi grandemente abençoado com riquezas (Gn.13:2), mas a maior bênção na vida de Abraão foi ele ter experimentado um relacionamento íntimo com Deus, a ponto de ter sido chamado amigo de Deus. Não há nada melhor do que uma vida de comunhão e intimidade com Deus!

Após 430 anos no Egito (Ex.12:40,41), sob a liderança de Moisés, Deus retira os hebreus do Egito, em cerca de 1446 a.C (cf. 1Rs.6:1); e sob a liderança de Josué, Deus concretiza a promessa feita a Abraão.

2. "Engrandecerei o teu nome" (Gn.12:2).  No antigo Oriente Próximo, um nome não era meramente um rótulo, mas a revelação do caráter. Assim um grande nome acarreta não só fama, mas alta estima social como um homem de caráter superior. O Senhor cumpriu fielmente a sua promessa. O nome do patriarca Abraão é reverenciado no judaísmo e no cristianismo. Dele descendem dois povos: árabes e judeus. Se Deus prometeu algo a você, não importa o quanto tenha que esperar, Ele vai cumprir. Vivemos em uma sociedade imediatista, onde as pessoas acham que esperar é perder tempo. Mas na vida espiritual, tudo acontece no tempo de Deus. Abraão confiou, obedeceu e foi honrado pelo Senhor.

3. "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn.12:3). Havia bênçãos dadas a Abraão e aos seus descendentes que eram de caráter puramente pessoal e nacional; diziam respeito unicamente aos descendentes de Abraão como povo de Deus. Por outro lado, havia aquelas bênçãos de caráter universal e espiritual que apontavam para um futuro distante. Quando Deus diz a Abraão, por exemplo, que “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn.12:3), referia-se à salvação que viria a ser oferecida, gratuitamente, a todos os povos através da pessoa bendita de Jesus Cristo (Gl.3:8). Com respeito à promessa, afirmou o Senhor Jesus: “Abraão viu o meu dia e se alegrou” (João 8:56). Por conseguinte, a bênção da salvação não era apenas para a posteridade de Abraão, mas também para todos os povos. O mesmo se pode dizer acerca do derramamento do Espírito Santo. A promessa, embora feita a Israel, acha-se disponível a todos os que recebem a Jesus como salvador (Jl.2:28-31; cf. Atos 2:39).

CONCLUSÃO

Abraão é o exemplo de um homem que serviu a Deus com sinceridade e fidelidade, apesar de todas as adversidades de seu tempo. É um exemplo de obediência ao Deus único e verdadeiro, contra toda a idolatria e politeísmos vigentes ao seu tempo, que viveu exclusivamente pela fé em seu Deus, mostrando assim como é possível ao homem, apesar de todas as dificuldades dos nossos dias, servir a Deus e obter dEle a confirmação pela nossa confiança em Suas promessas, promessas que não falham nem jamais falharão. Entretanto, apesar desta proeminência e deste testemunho que perpassam os séculos, a Bíblia não nos deixa de mostrar que Abraão, como todo ser humano, é imperfeito e teve suas falhas e titubeios, entretanto, que não o impediram de se concertar com o seu Deus, que sempre é misericordioso e está pronto a perdoar, bem como de alcançar a salvação eterna.

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Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

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