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terça-feira, 8 de novembro de 2016

7ª lição do 4º trimestre de 2016: JOSÉ: FÉ EM MEIO AS INJUSTIÇAS


Texto Base: Gênesis 37:1-11

"E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero [...]" (Gn.39:2).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos a história do patriarca José, neto de Abraão. José foi um homem de fé, piedoso e temente a Deus. Ele é o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição e; salvador de seu povo.

Por um período de treze anos – dos dezessete até os trinta anos de idade – José passou por diversas crises e provações, mas diz a Bíblia que “o Senhor estava com José” (Gn.39:2; Atos 7:9). Ele foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos; vendido com escravo; exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”. 

José é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo sem Deus e sem salvação. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independente da idade e das circunstâncias que o envolvam. José foi fiel na adversidade e na prosperidade.

Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante à de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Deus está conosco no vale da dor, está conosco no leito da enfermidade, está conosco nas agruras, nas intempéries, nas vicissitudes, nas tempestades da vida. As provas pelas quais passamos são trabalhadas por Deus para nosso bem final. Nosso Deus ainda continua transformando vales em mananciais, desertos em pomares, noites escuras em manhãs cheias de luz, vidas esmagadas pelo sofrimento em troféus de sua generosa graça. 

I. DEUS ESTÁ CONOSCO NO PERÍODO DE CRISE

“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).

Deus não nos livra dos problemas, mas está conosco em meio aos problemas. Muitos foram os problemas que José enfrentou, mas ele os enfrentou com resiliência. Destaco, a seguir, algumas crises mais doridas que José enfrentou.

1. José enfrentou a inveja destrutiva dos seus irmãos. Segundo teóricos da psicologia, “existem dois tipos de inveja: a inveja construtiva e criativa, e a inveja destrutiva. A inveja pode ser construtiva quando ela estimula o invejoso a se desenvolver individual e culturalmente. Quando se conhece alguém e se inveja seus atributos e qualidades, a inveja construtiva parte para obter também tais qualidades. Contudo, a inveja destrutiva não somente incapacita o invejoso de se humanizar e crescer, como quer destruir o objeto de sua inveja, por não querer pagar o preço de se superar”.

José foi vítima de inveja destrutiva dos seus irmãos. Eles o desprezaram e o fizeram sofrer muito. José era um jovem sonhador, mas os seus sonhos foram o pesadelo de seus irmãos; geraram inveja no coração de seus irmãos (Gn.37:11), e eles já não falavam mais pacificamente com ele (Gn.37:4). 

José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn.49:22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn.49:27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn.35:22; 49:4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn.34:25-29; 49:5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn.37:11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn.37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn.37:18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado por aqueles que deveriam protegê-lo. Por ser amado do pai e viver uma vida íntegra, seus irmãos passaram a ter inveja dele - “Seus irmãos, pois, o invejavam” (Gn.37:3,11).

A inveja é um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Segundo o Dicionário Aurélio, a inveja é "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem", ou o "desejo violento de possuir bem alheio". É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gálatas 5:19-21. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído; basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja, e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. 

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. O invejoso nunca é feliz, porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. O invejoso nunca é grato, porque está sempre querendo o que é do outro. O invejoso nunca tem paz, porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja: “uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. A serpente respondeu: ‘porque não suporto vê-lo brilhar’”. 

Uma pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade. Os irmãos de José foram dominados por este maligno sentimento e o prejudicaram. “[...], mas Deus era com ele” (Atos 7:9).

2. José enfrentou a dor do abandono. José perdeu, de um momento para outro, toda a posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn.37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Foi abandonado por aqueles que mais deviam amá-lo. José foi jogado no fundo de um poço pelos seus irmãos e taparam os ouvidos ao clamor de José (Gn.42:21). Seus irmãos o abandonaram e o mataram no coração (Gn.37:20-22). “[...], mas Deus era com ele”.

A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um homem de Deus precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente dEle. Esta era uma lição que Deus dava a José e que dá a cada um de Seus servos que tem o chamado de Deus para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

3. José enfrentou a dor de sentir-se um objeto descartável. José foi vendido como escravo pelos seus próprios irmãos (Gn.37:27-28). Ele foi tratado como mercadoria descartável. Ele foi arrancado brutalmente de seu lar, dos braços de seu pai, de sua terra. Sua vida foi arrasada, sua dignidade foi pisada. José foi vítima da mentira criminosa de seus irmãos que levou Jacó a desistir de procurá-lo (Gn.37:31,34). “[...], mas Deus era com ele”.

4. José enfrentou a dor de viver sem identidade. Vendido como escravo para um país estrangeiro, ele sentiu-se menos do que gente, sentiu-se um objeto, uma mercadoria. Se não fossem os seus sonhos, ele ficaria marcado para o resto da vida. José foi para o Egito sem nome, sem honra, sem dignidade pessoal, sem direitos, sem raízes. No Egito, é revendido, é colocado no balcão, na vitrina; é considerado apenas mão-de-obra, máquina de serviço, mercadoria humana. “[...], mas Deus era com ele”.

5. José enfrentou a dor do assédio sexual. A meu ver, esta foi a maior prova. José poderia enumerar várias razões para justificar sua queda moral com a mulher de Potifar, caso cedesse ao assédio. Veja algumas razões:

- Primeiro, ele era forte e bonito (Gn.39:6). O texto bíblico diz que José era formoso de porte e de aparência, inteligente e meigo. Ele era belo por fora e por dentro. Por isso, "a mulher [...] pôs os olhos em José" (Gn.39:7). Sua personalidade carismática, seu caráter sem mácula e sua beleza física fizeram dele o alvo predileto da cobiça da mulher de Potifar.

- Segundo, ele estava longe da família (Gn.39:1). José não tinha ninguém por perto para vigiá-lo. Ele já sofrera com a traição dos irmãos, o pai não estava por perto para cobrar nada. Ninguém o conhecia para se escandalizar com suas decisões. Porém, sua fidelidade não tinha que ver com popularidade ou com reputação social. Seus valores estavam plantados em solo firme. Seu compromisso era com Deus e consigo mesmo. 

- Terceiro, ele era escravo (Gn.39:1). Um escravo só tem que obedecer. Por isso, ele podia pensar que não tinha nada a perder. Afinal de contas era sua própria senhora que o seduzia. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher (Gn.39:9). Além disso, José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. José estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar contra o seu Deus (cf. Gn.39:9).

- Quarto, ele foi tentado diariamente (Gn.39:7,10). Todos os dias a mulher de Potifar lhe dizia: "deita-te comigo". Ele poderia ter racionalizado e dito para si mesmo: "se eu não for para a cama com ela, perco o emprego e ainda posso ser preso". Mas, José não cedeu à tentação. Ele não abriu espaço em seu coração para flertar com o pecado.  Ele agiu de forma diferente de Sansão, que não resistiu à tentação e naufragou no abismo do pecado. Sua atitude foi firme a despeito da insistência da mulher de seu senhor.

- Quinto, ele foi agarrado (Gn.39:11,12). José podia dizer: "eu fiz o que estava a meu alcance. Se eu não cedesse, o escândalo seria maior". Mas, José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade. José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn.39:2-3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn.39:5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn.39:9) e um grave pecado contra Deus (Gn.39:9). Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn.39:12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado. 

O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

6. A despeito das adversidades, José prosperou (Gn.39:2) – “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...”.

a) José prosperou na casa de Potifar. José não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - “Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha” (Gn 39:3,4). José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt.5:16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos. 

b) José prosperou no cárcere. Acusado injustamente, José foi preso por seu próprio senhor, Potifar (Gn.39:20). José foi levado injustamente ao cárcere, mas ali, também, “o Senhor estava com José” (Gn.39:21). Além de estar com ele, mesmo numa situação tão difícil, a Bíblia nos diz que o Senhor “estendeu sobre ele a Sua benignidade” (Gn.39:21). O momento era assaz difícil para José, que sentia a dor da injustiça e revivia o trauma da cova em que fora lançado pelos seus próprios irmãos. Ciente desta circunstância psicológica altamente adversa, o Senhor lança sobre seu servo a sua benignidade, o seu bem-querer.

José se manteve na mesma linha da vida de comunhão com o Senhor e da excelência do serviço, do esforço e da dedicação. O resultado não poderia ter sido outro: José achou graça também aos olhos do carcereiro-mor (Gn.40:21). José passou a ser o encarregado de todos os presos que estavam na casa do cárcere (Gn.39:22), inclusive do padeiro-mor e do copeiro-mor, altos funcionários de Faraó que haviam sido presos (Gn.40:3,4). Mais uma vez José faz brilhar o nome do Senhor através do seu bom testemunho e isto num tempo em que nem sequer sabia que o servo de Deus deveria ser luz do mundo.

O ambiente prisional não é fácil, é extremamente violento, repleto de intrigas e de crueldade. Ali, notadamente nos dias de José, as pessoas não tinham praticamente nenhuma esperança de sobrevivência, eram extremamente maltratados e a vida não assumia qualquer valor. José, porém, soube liderá-los e ganhar não só a confiança do carcereiro-mor como também dos próprios presos. José estava, então, sem o saber, iniciando a fase final do seu aprendizado, para, então, exercer a função para a qual o Senhor o estava preparando.

c) José tornou-se governador do Egito aos 30 anos de idade (Gn.41:46). José ainda trabalhou dois anos inteiros na casa do cárcere depois que o copeiro-mor foi restituído ao seu cargo e o padeiro-mor, enforcado. Entretanto, depois destes dois anos, exatamente no dia do aniversário de Faraó(Gn.40:20), que este teve dois sonhos seguidos que muito o perturbaram e que não teve qualquer interpretação por parte dos magos (Gn.41:8). O copeiro-mor, então, lembrou-se de José e ele foi chamado à presença de Faraó, que lhe contou os sonhos, que foram interpretados por José (Gn.41:1-32). José, então, não só interpretou os sonhos, mas deu a solução para a questão, aconselhando a Faraó que deveria se prover de um varão entendido e sábio, que fosse posto sobre a terra do Egito e administrasse os anos de abundância para que, nos anos de fome, esta fosse mitigada (Gn.41:33-37). Deus moveu o coração de Faraó para nomeá-lo como governador do Egito, transformando-o na maior autoridade do país, devendo obediência tão somente a Faraó(Gn.41:38-41). Cumpria-se, então, parte dos sonhos da adolescência: José foi levantado do cárcere para o governo do Egito; da posição de escravo a governador, numa clara demonstração de que operando Deus, quem poderá impedir? (Is.43:13).

Às vezes, quando passamos por dificuldades intensas, pensamos que Deus está distante de nós, que Ele não está ligando para as nossas dores. Mas, aprende-se pela experiência de José, que: a presença de Deus é real, embora não vista; a presença de Deus é constante, embora nem sempre sentida; a presença de Deus é restauradora, embora nem sempre reconhecida. Deus não nos poupa dos problemas, mas caminha conosco em meio aos problemas. Deus jamais desampara os que confiam nele. Quando passamos pelo vale da sombra da morte, ele vai conosco – “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl.23:4); quando passamos pelas ondas, rios, fogo, ele vai conosco - “quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is.43:2). Quando os amigos de Daniel estavam na fornalha, o quarto homem estava com eles. Quando Daniel foi colocado injustamente na cova dos leões, Deus honrou a sua fé e fechou a boca dos leões. O apóstolo Paulo, passou por momentos difíceis no navio que o levava a Roma, mas Deus era com ele - Tempestades incontroláveis e inadministráveis foram de encontro ao barco. Paulo chegou até a perder a esperança de se salvar (Atos 27:20), mas um anjo lhe aparece e diz que ninguém se perderia. 

Jesus prometeu estar conosco sempre, todos os dias de nossa vida, até a consumação dos séculos. 

Portanto não tenha medo, tenha fé, tenha esperança. Deus está conosco no período de crise!.

II. A INTERVENÇÃO DE DEUS POR NÓS

Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno - “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:10). Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

1. Deus livrou José de todas suas aflições (Atos 7:10a) - e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria. Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, ele é poderoso para enxugar suas lágrimas, para aliviar seu fardo, para acalmar as tempestades de seu coração, para trazer bonança para sua vida e lhe dar um tempo de refrigério.

2. Deus deu a José graça e sabedoria (Atos 7:10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do faraó. Em José havia o espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

3. Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (Atos 7:10c) - “o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz as Escrituras Sagradas. Deus usou José para salvar a vida de sua família e do Egito. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.

III. O LEGADO DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. Firmado numa fé e numa esperança inabalável de que Deus estava no controle de todas as coisas, José jamais deixou seu coração turbar-se diante das adversidades. Ele manteve-se firme, apesar das circunstâncias. Foi fiel a Deus na casa de seu pai; foi fiel como escravo em terra estranha; foi fiel na casa do cárcere como preso injustiçado e; foi fiel no palácio de Faraó como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “…Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap.2:10).

2. Excelência de serviço, dedicação e esforço. José sempre se apresenta nas Escrituras como uma pessoa zelosa da qualidade de seu serviço, seja como prestador de informações ao seu pai, como escravo na casa de Potifar, como servo dos presos a cargo do carcereiro-mor e como governador do Egito. José sempre fez o melhor que podia em todas as atividades que assumiu, não sendo preguiçoso, sempre pronto a servir e a atender aos seus superiores e a todos quantos lhe procurassem. Devemos servir desta mesma maneira, não só a Deus, mas também a todos quantos o Senhor põe para serem servidos por nós (Ef.6:5-8).

3. Disposição para perdoar. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifar. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” (Gn.50:21).

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manassés a seu primeiro filho (Gn.41:51). O nome Manassés significa "perdão” – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn.45:18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma. 

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn.47:11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn.50:19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família. 

4. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Ele sempre se apresentou com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José!. 

CONCLUSÃO

Os sonhos de José eram os sonhos de Deus. Inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna. Seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo. Seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa. Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a terra prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados. 

Se aprendermos a viver na dependência de Deus, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn. 50:20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”(Rm.8:28). Deus ainda está escrevendo a nossa história, e o último capítulo ainda não nos foi revelado. Coisas melhores estão por vir!.

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

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