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segunda-feira, 25 de abril de 2016

5ª lição do 2º trimestre de 2016: A MARAVILHOSA GRAÇA


Texto Base: Romanos 6:1-12

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos da Maravilhosa Graça de Deus. Graça é o favor imerecido concedido por Deus à humanidade. Imerecido porque o homem perdeu todo e qualquer direito, ou privilégio junto ao seu Criador, por causa do pecado. Portanto, a Graça é a causa meritória da nossa salvação. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. A todos quantos creem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na Maravilhosa Graça de Deus.

I. OS INIMIGOS DA GRAÇA

Os inimigos da graça apresentava um argumento supostamente irrefutável: “Se a graça é superabundante onde o pecado é abundante, se a multiplicação das transgressões serve para demonstrar o esplendor da graça, então não deveríamos pecar mais para que Deus seja ainda mais glorificado na magnificência da sua graça?”. Esta pergunta retratava tanto a distorção antinomiana como a objeção dos legalistas à doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, independentemente das obras. A inferência licenciosa é imediata e energicamente rejeitada por Paulo: “De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6:2).

De acordo com esta resposta de Paulo, não podemos continuar a pecar porque morremos para o pecado. Trata-se de um fato acerca de nossa condição. Quando Jesus morreu para o pecado, Ele o fez como nosso representante. Morreu não apenas como nosso substituto, ou seja, por nós ou em nosso lugar, mas também como nosso representante, ou seja, como se nós estivéssemos lá. Assim, quando Ele morreu, nós também morremos. Ele morreu para o problema do pecado e resolveu-o de uma vez por todas. Para Deus, todos que estão em Cristo também morreram para o pecado. Isto não quer dizer que o cristão é impecável; antes, ele é identificado com Cristo em sua morte e tudo o que ela significa.

Vejamos, a seguir, mais detalhes acerca dos inimigos da graça.

1. Antinomismo. Antinomismo, ou antinomianismo, é a ideia de que a fé e a graça excluem as obras, atitude, comportamento e o andar diante de Deus. Para os adeptos desta errônea compreensão, se você é justificado pela fé em Cristo Jesus, o que você faz ou como você vive isso não vai ter muito impacto em seu relacionamento com Deus. Isto é uma compreensão desviada da genuína doutrina bíblica! A fé salvadora sempre vem acompanhada da evidência. Neste sentido, fé e obras são dois lados de uma mesma moeda: a fé sendo a causa instrumental da salvação e as obras sendo fruto dela. Onde tem uma vai ter a outra. Onde falta uma a outra também falta.

A Graça de Deus nos justificou, abolindo o domínio do pecado e fazendo-nos livres em Cristo. Mas, não devemos confundir liberdade com libertinagem (antinomismo). A liberdade em Cristo deve ser tratada com responsabilidade. Foi o que o apóstolo Paulo disse aos em Gálatas: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne...” (Gl 5:13).

2. Paulo não aceita e não confirma o antinomismo. A doutrina do reinado da graça levou os libertinos a distorcer o ensino de Paulo. Eles ensinavam que a prática do pecado abre largas avenidas para uma ação mais robusta da graça (Rm 6:1). Assim, esses mestres do engano ensinavam que devemos pecar a valer para que a graça seja mais abundante. Paulo reage com firmeza a essa perversão da verdade, dizendo que o reinado da graça nos leva a morrer para o pecado, em vez de nos incentivar a viver nele e para ele: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6:1-3). Se morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? A morte e a vida não podem coexistir; não podemos estar mortos e vivos ao mesmo tempo, com relação a coisa alguma. A Graça nos salvou do pecado, e não no pecado.

Os antinomianos argumentam que o crente pode persistir no pecado, mas Paulo afirma que o crente morreu para o pecado. Não podemos viver no pecado se estamos mortos para ele. Assim como nós morremos pelo pecado em Adão, morremos para o pecado em Cristo. Portanto, a disponibilidade da misericórdia de Deus não deve se tornar uma desculpa para uma vida descuidada e para a frouxidão moral. A ideia de que alguém afirme crê no Evangelho, enquanto planeja continuar no pecado, é absurda para Paulo. O objetivo do Evangelho não é encontrar uma desculpa para o pecado, mas libertar do pecado.

Refuta ainda mais o apóstolo: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” (Rm 6:3). Aqui, Paulo mostra que é moralmente inapropriado o cristão continuar a pecar. Ao ser batizado, o cristão comparece ao funeral do seu velho eu. Ao passar pelas águas do batismo, o convertido diz: “tudo o que eu era como filho pecaminoso de Adão morreu na cruz”. Ao sair das águas, declara: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Portanto, o batismo é símbolo da morte, do enterro do antigo estilo de vida, mas também simboliza o novo nascimento. Ao levantar-se da água, a pessoa ressuscita para uma nova vida com e em Cristo. Se considerarmos que nossa antiga vida pecaminosa está morta e enterrada, teremos um poderoso argumento para resistir ao pecado. Podemos conscientemente tratar os desejos e as tentações de nossa antiga natureza como coisas enterradas. Então, poderemos continuar a desfrutar a nossa nova e maravilhosa vida com Jesus.

“Infelizmente, o antinomismo tem ganhado força em nossa sociedade, passando a ser socialmente aceito até mesmo dentro das igrejas evangélicas. Essa é uma doutrina venenosa, que erroneamente faz com que a graça de Deus pareça validar todo tipo de comportamento contrário à Palavra de Deus” (LB).

3. Legalismo. Em Romanos 6:14,15, o apóstolo Paulo assim se expressa: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14); “Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!” (Rm 6:15).

Em Romanos 6:14, o apóstolo nos adverte que o pecado não pode, e nunca mais poderá ter, domínio sobre nós porque não estamos mais debaixo da lei. O que significa não estarmos mais debaixo da lei? Significa que: (a) não estamos mais sob as exigências da lei, como estavam as pessoas do Antigo Testamento; (b) não estamos sob a maldição decorrente do inatingível padrão da lei (Gl 3:10-14). Os legalistas criaram como desdobramento da lei 613 preceitos, que nenhum judeu, por mais santo que tenha sido, os cumpriu em sua totalidade; (c) não estamos sob o seu sistema de exigências: as leis cerimoniais que tinham que ser meticulosamente guardadas; (d)não estamos mais sob o medo de ser reprovados pelo justo padrão da lei.

Se os crentes ainda estivessem debaixo da lei, então o pecado seria o seu senhor, e os dominaria. Mas agora estamos vivendo sob a Graça. Assim sendo, o nosso Senhor é Deus, e é Ele quem nos domina. Porém, há muitos que confundem a Graça com a permissão para pecar.

As palavras de Paulo em Romanos 6:14 – que parecem colocar a lei contra a graça – provavelmente surpreenderam os legalistas. Parecia que Paulo estava substituindo a lei pela graça, desta maneira retirando a lei das pessoas e, portanto, dando-lhes liberdade para pecar. Paulo não faz rodeios ao tratar desse engano. Levanta a questão e responde a ela com uma negação categórica. Isto quase repete a pergunta de Rm 6:1. A pergunta em 6:1 é: “Permaneceremos no pecado?”. A pergunta de Rm 6:15 é: “Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?”. A resposta nos dois casos é enérgica: “De modo nenhum!”. Deus não pode ser conivente com nenhum pecado. Estamos livres da lei, mas não vivemos de forma desregrada. A graça representa liberdade para servir ao Senhor, e não para pecar contra Ele.

II. A VITÓRIA DA GRAÇA

Onde abundou o pecado, superabundou a Graça (Rm 5:20). Portanto, a Graça é maior que o pecado. Assim como o segundo Adão é maior do que o primeiro, assim como a obra de Cristo é maior do que o pecado de Adão, também a Graça é maior do que o pecado. A redenção levou o homem não apenas ao seu estado original, mas a horizontes mais sublimes. Não somente restituiu o que ele havia perdido, mas o colocou numa posição superior aos anjos, tornando-o membro da família de Deus.

1. A graça destrói o domínio do pecado. Consideremos, por exemplo, um homem que foi condenado a morrer na cadeira elétrica por ter matado um policial. Assim que ele morre é “liberto” desse pecado. A pena foi paga, e o caso foi encerrado. Nós também estávamos condenados à morte eterna, mas fomos libertos quando morrermos; morremos com Cristo na cruz do Calvário. Além de nossa pena ter sido paga, o domínio opressor do pecado sobre nossa vida foi rompido. Não somos mais escravos impotentes do pecado. Diz o apóstolo Paulo: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” (Rm 6:7).

O outro lado da morte com Cristo é que também com ele viveremos, como diz o texto sagrado: “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” (Rm 6:8). Morremos para o pecado; vivemos para a justiça. O pecado não exerce mais domínio sobre nós; participamos da vida ressurreta de Cristo aqui e agora. Também teremos parte nessa vida por toda a eternidade. Nossa certeza baseia-se no fato de que o Cristo ressurreto jamais voltará a morrer. A morte já não tem domínio sobre ele. A morte dominou-o por três dias e noites, mas esse domínio cessou de uma vez por todas. Cristo nunca mais morrerá.

Quanto à nossa condição aos olhos de Deus, morremos e ressuscitamos com Cristo. Essa realidade é retratada no batismo. A morte com Cristo encerra nossa história como homens e mulheres em Adão. A sentença de Deus que recaía sobre nosso velho homem não era a correção, mas a morte. Essa sentença foi executada quando morremos com Cristo. Agora, estamos ressuscitados com Cristo e andamos em novidade de vida. A tirania do pecado sobre nós foi rompida, pois o pecado não pode exercer domínio sobre um morto. Estamos livres para viver para Deus. “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus” (Rm 6:10).

2. A graça destrói o reinado da morte. É comum chamar a grande luta que ocorre no universo de “conflito entre o bem e o mal”. Em Rm 5:21, Paulo retrata o resultado da guerra entre o Reino da graça e o reino do pecado. Até Cristo, a guerra parecia estar decidida, pois o pecado controlava todas as pessoas. Mas a morte e a ressurreição de Cristo trouxeram a vitória decisiva através da qual a maravilhosa graça de Deus reina. Sob o reinado da graça é declarada a justiça que trará a vida eterna. Diz o texto sagrado: “para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5:21).

Agora que o domínio do pecado, o qual castigava todos os homens com a morte, foi debelado, a graça reina pela justiça e concede vida eterna, mediante Jesus Cristo nosso Senhor. Observe que a graça reina pela justiça, ou seja, a graça não libertou, nem podia libertar, cativos realmente culpados sem pagar o resgate. Ela não passou por cima da justiça, nem ignorou as suas exigências. Ela reina por provisão de um Salvador que sofreu no lugar dos culpados.

Pelo reinado da graça somos salvos da culpa do pecado na justificação, do poder do pecado na santificação e da presença do pecado na glorificação. Pela morte de Jesus Cristo, plena compensação foi apresentada à justiça de Deus.

A graça não apenas anulou a sentença de morte, mas dá ao homem a vida eterna (Rm 5:21b). O reinado do pecado produz morte, mas o reinado da graça oferece vida eterna mediante Jesus Cristo nosso Senhor. O Senhor Jesus recebe no palácio da Graça os que estavam condenados e mortos e concede a eles o dom da vida eterna. Todas as exigências da santidade de Deus foram cumpridas e o castigo pelo pecado foi pago, de modo que Deus pode, agora, conceder vida eterna a todos os que lançam mão dos méritos de Cristo.

3. A graça e os efeitos do pecado. Muitos são os efeitos do pecado. Um deles foi a maldição da Terra (Gn 3:17) – “E a Adão disse[...] maldita é a terra por causa de ti...”. São assaz notórios as catástrofes naturais, os conflitos em seus variados aspectos, injustiças, homicídios, infanticídios, feticídios, genocídios, etc. Outro efeito do pecado: a morte. O primeiro casal pecou e, como consequência, houve a inserção da morte na existência humana. Por isso, é dito que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23). A morte deve ser vista sob quatro aspectos: a) Morte espiritual (Gn 3:8); b) Morte Moral (Gn 3:12,13); c) Morte Física (Gn 3:19); d) Morte eterna (Ap 20:14). Todavia, a graça de Deus, presente na ressurreição do Senhor Jesus, destruiu o poder do pecado sobre a morte física; e essa mesma graça, quando nos reconcilia com Deus, destrói o poder da morte espiritual.

III. OS FRUTOS DA GRAÇA

1. A graça liberta. Certamente, o mais precioso fruto da graça é a libertação do domínio do pecado. Onde a Graça reina, os homens se tornam livres. Diz o texto sagrado: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).

Em Adão toda a raça humana caiu em pecado e miséria. Porém, em Cristo, o segundo Adão, fomos libertados do pecado e da morte. Os que estão em Cristo, sob o reinado da graça, foram libertados da tirania do pecado, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5:20). Agora somos livres em Cristo. Podemos desfraldar as bandeiras da nossa liberdade. Infelizmente, muitos crentes são ignorantes, não conhecem o que Cristo fez por eles; outros são acomodados, acostumaram a viver como escravos; outros ainda são fracos, vivem com medo do feitor de escravos e deixam de desfrutar sua liberdade.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, narra que “a abolição da escravatura nos Estados Unidos da América custou alto à nação. Foi necessária uma guerra civil. Abraão Lincoln, 16° presidente, foi assassinado. A 13ª emenda da Constituição que validava a escravidão foi legalmente abolida era 18 de dezembro de 1865. No entanto, a vasta maioria dos escravos do Sul que haviam sido legalmente libertados continuou vivendo como escravos. Um escravo do Estado do Alabama disse: "Nada sei sobre Abraão Lincoln e sobre nossa libertação". Isso é trágico: uma guerra foi travada, um presidente foi assassinado, uma emenda à Constituição passa a ser lei, homens, mulheres e crianças antes escravos foram legalmente alforriados, todavia muitos continuaram vivendo como escravos por causa da ignorância. Há hoje muitos crentes vivendo como escravos. Embora Cristo, o emancipador de escravos, tenha morrido e ressuscitado para a nossa libertação, muitos crentes ainda vivem como cativos, sem desfrutar plena liberdade”.

2. Exigências da Graça (Rm 6:12,13). “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça”.

O domínio do pecado foi encerrado no Calvário pela morte de nosso Senhor. O nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado (Rm 6:6). Consideramo-nos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 6:11).

O que isso significa estarmos mortos para o pecado? Não significa que estamos mortos no sentido de insensíveis ao pecado. Paulo não está aqui defendendo a impecabilidade do cristão nem pleiteando a tese da santidade total nesta vida. Uma das evidências da vida é a capacidade de corresponder aos estímulos. Não estamos mortos para o pecado como um gato morto está insensível ao toque. Nossa natureza caída está tão viva e ativa que somos seriamente exortados a não obedecer a seus desejos, e o Espírito Santo nos é concedido para que possamos subjugá-los e controlá-los. Não morremos para o pecado no sentido de estarmos insensíveis a ele, como um morto está insensível aos cinco sentidos. Nossas tentações vêm do interior, da carne, e não apenas de fora, do mundo e do diabo.

Em que sentido, então, devemos considerar-nos mortos? Devemos considerar-nos mortos no sentido de que judicialmente estamos mortos em Cristo. Assim como pelo pecado de Adão morremos no pecado, pela morte de Cristo morremos para o pecado. Podemos agora, andar com a certidão de óbito no bolso, dizendo que o pecado não tem mais domínio sobre nós, no sentido de nos condenar, uma vez que já fomos justificados pela morte de Cristo. A penalidade que deveria cair sobre nossa cabeça caiu sobre Cristo. A condenação que nós deveríamos receber, Cristo recebeu em nosso lugar. O golpe da morte que nós deveríamos ter sofrido, Cristo sofreu por nós. A morte que nós deveríamos suportar, Cristo suportou por nós. A sua morte foi a nossa morte (2Co 5:14). Assim como Cristo morreu para o pecado, nós também morremos para ele. Porque estamos em Cristo, já sofremos nele a penalidade do pecado, que é a morte. Morremos nele e por intermédio dele. Ao nos unirmos com ele, sua morte tornou-se a nossa morte.

Agora, devemos agir em função dessa realidade. Precisamos cooperar. Não devemos deixar o pecado reinar em nosso corpo mortal ao atender aos seus desejos perversos. Somente Deus pode nos santificar, mas Ele não o fará sem o nosso envolvimento ativo. O corpo do cristão não é apenas santuário do Espírito Santo (1Co 6:19), mas também um instrumento nas mãos de Deus. Para que isto seja uma realidade, há algumas exigências a serem cumpridas:

a) não permita que o pecado domine seu corpo (Rm 6:12). Onde Cristo é Senhor, o poder do pecado tornou-se ilegal (Rm 6:7). O pecado é intruso e embusteiro. Ele pode usar o nosso corpo como uma ponte por meio da qual nos consegue governar. Assim Paulo convoca a rebelar-nos contra o pecado.

b) não ofereçam os membros do seu corpo ao pecado (Rm 6:13a). Os órgãos do nosso corpo (olhos, ouvidos, mãos, pés) devem estar a serviço de Deus, e não do pecado. A vida cristã é mais que um credo, é mais que um sentimento; é ação. Alguém disse que “o cristianismo não pode ser somente uma experiência de um lugar secreto; deve ser uma vida numa praça pública”.

c) Apresentai-vos a Deus, e os vossos membros como instrumentos de justiça (Rm 6:13b). Chamamos isto de consagração a Deus, que deve ser um compromisso decisivo e deliberado. Nosso corpo foi comprado por Deus e deve estar a serviço da glória de Deus. Os membros do nosso corpo não devem ser janelas abertas para o pecado, mas instrumentos da realização da vontade de Deus. Não podemos dar uma parte da nossa vida a Deus e outra parte ao mundo. “Para Deus é tudo ou nada”.

3. A graça santifica (Rm 6:22). “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para Santificação, e por fim a vida eterna”. A graça de Deus só pode ser eficaz, na vida do cristão, se este se dispuser a negar-se a si mesmo, para ter uma vida de santidade. Diz a Bíblia: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).

O pecado não exerce domínio sobre a pessoa que se encontra debaixo da graça. O cristão morreu para o pecado e recebeu dentro de si o Espirito Santo (1Co 12:13) como poder para viver em santidade.

A fé nos torna justos aos olhos de Deus e nos desafia a sermos justos na prática – fazendo aquelas coisas que levam à santificação e à vida eterna. A vida eterna começa na conversão e, apesar da morte física que inevitavelmente sofreremos, ela continua além do túmulo, quando a usufruiremos em sua plenitude, incluindo o corpo ressurreto glorificado.

A santidade é obtida através de um processo, que tem início na conversão, e deve prosseguir por toda a vida do crente, até a morte, ou o seu encontro com Cristo, em sua vinda. A vida cristã somente pode progredir e se desenvolver se houver separação do pecado, o que deve ser perseguido até o dia do Arrebatamento da Igreja. A falta de santificação anula os efeitos da regeneração e da justificação. Pela justificação fomos libertados da culpa do pecado, mas na santificação devemos ser salvos do poder do pecado.

CONCLUSÃO

A Graça é a fonte da vida e melhor do que a vida. Por ela somos salvos, por ela vivemos e por ela entraremos nos páramos celestiais. “A graça seja com vós todos. Amém!” (Tt 3:15).
Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 18 de abril de 2016

4º trimestre do 2º trimestre de 2016: OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO



Texto Base: Romanos 5:1-12

 
“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, vamos estudar o capítulo 5 de Romanos, que trata dos frutos ou benefícios da justificação. Justificação é o grande tema da Epístola aos romanos; aliás, o grande tema do cristianismo, o núcleo, a essência do cristianismo. Sem a Justificação a Igreja cai. Em Rm 1:18-3:20, Paulo defende a tese da necessidade absoluta da justificação pela fé, uma vez que se julgado pelas obras o homem está irremediavelmente perdido, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Do capítulo 3:21 ao capítulo 4:25, Paulo vai argumenta como essa justificação aconteceu em Cristo Jesus: não foi pelas obras, foi pela graça; não foi por merecimento nosso, foi pelos méritos de Cristo; não é por aquilo que fazemos para Deus, mas por aquilo que Deus fez por nós. A justificação, portanto, é um ato exclusivo de Deus (Rm 3:21-31).

No capítulo 5, o apóstolo Paulo avança em sua argumentação em favor da justificação pela fé ao tratar acerca dos benefícios que ela traz para a vida do cristão. Paulo mostra os benefícios que emanam da justificação quanto ao passado, presente e futuro. Todos os que têm esta nova vida em Cristo estão livres da ira vindoura (capítulo 5), livres do pecado (capítulo 6), livres da lei (capítulo 7) e livres da morte eterna (capítulo 8). Para Paulo, a justificação não significa somente perdão e absolvição da culpa do pecado; também traz dentro de si a esperança da glória de Deus (Rm 5:2) e a promessa da salvação final (Rm 5:9,10). Temos mais que os benefícios atuais da justificação; nossa atenção é dirigida para seu resultado final. A ênfase do capítulo 5 é a glória futura, é a vida eterna com Deus, é a nossa glorificação, a nossa salvação final.

I. A BÊNÇÃO DA GRAÇA JUSTIFICADORA (Rm 5:1-5)

1. A bênção da Paz com Deus (Rm 5:1) – “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”. Observe que o texto fala de “Paz com Deus”, não “Paz de Deus” (Fp 4:7). A “Paz com Deus” é uma bênção ligada ao passado; trata-se de algo que já aconteceu, é a paz da reconciliação com Deus. É diferente da Paz de Deus que Paulo fala em Fp 4:7. Esta pode denotar a paz que Deus mesmo usufrui ou a paz que ele inspira no coração de seus filhos. Esta Paz é um sentimento, que pode estar com tanque cheio hoje e pode estar com o tanque vazio amanhã. Você pode estar com uma gostosa Paz de Deus hoje e amanhã você pode estar num vale de muito aperto, de muita angústia, precisando da Paz de Deus no seu coração. Mas, a Paz com Deus não sofre variação, porque a Paz com Deus não é um sentimento, é um estado, o estado objetivo de estar em paz em vez de estar em inimizade.

A “Paz com Deus”, portanto, não é uma mudança em nossos sentimentos, mas uma modificação no relacionamento de Deus conosco. Por intermédio do sacrifício de Cristo, a barreira que nos separava de Deus foi destruída. Não somos mais filhos da sua ira, mas filhos do seu amor. O pecado consumou uma ruptura, mas Jesus Cristo veio para restabelecer a comunicação suspensa. A Obra de Cristo removeu todas as causas de inimizade entre nossa alma e Deus. Por meio da graça, deixamos de ser inimigos de Deus e nos tornamos seus amigos.

Todas as religiões se esforçam para reconciliar o homem com Deus. Contudo, essa reconciliação, não é fruto do esforço que o homem faz, mas do sacrifício que Cristo fez. Pela morte de Cristo fomos reconciliados com Deus. Não somos mais réus nem inimigos de Deus. Agora temos Paz com Deus. Esta é uma grande bênção da graça justificadora.

2. A bênção do Acesso à Graça de Deus - “por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça...” (Rm 5:2 - ARA). O Rev. Hernandes Dias Lopes, comentando sobre este benefício da justificação, diz: “Se a Paz com Deus é uma bênção passada, consumada no ato de nossa justificação, o acesso à graça da justificação é um privilégio presente e contínuo. Trata-se de uma condição permanente e inabalável, que se origina de uma ação realizada no passado. Os judeus eram separados da presença de Deus pelo véu do templo, e os gentios eram isolados pelo muro externo do templo. No entanto, quando Jesus morreu, rasgou o véu (Lc 23:45) e destruiu o muro (Ef 2:14). Em Cristo, judeus e gentios que creem têm Acesso a Deus”. Agora, somos tão queridos e próximos de Deus quanto o próprio Filho amado. O Pai estende seu cetro de ouro para nós e nos recebe como filhos, e não como forasteiros.

A palavra “acesso”, em Romanos 5:2, na língua grega, tinha três significados:

a) alguém entrando na presença da realeza, no palácio do Rei. Nós, agora, temos acesso à sala do trono. Você pode ser feio, você pode ser bonito; você pode ser velho, você pode ser jovem; você pode ser rico, você pode ser pobre; você pode ser doutor, você pode ser analfabeto. Não importa, você agora tem livre acesso ao trono do Rei. Você, agora, entra na presença do Rei não é pelos atributos secundários que você tem. Você, agora, entra na presença do Rei porque você é filho do Rei.

b) alguém entrando no templo para adorar. Deus não habita em casa humanas, feita por mãos humanas. Deus é Espirito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. Não importa que você esteja na rua, não importa que você esteja no hospital, não importa que você esteja no seu escritório de trabalho ou no seu campo de atividade, não importa se é no templo. Não importa o lugar que você esteja. Você tem, em qualquer tempo, em qualquer lugar, livre acesso à presença de Deus como adorador.

c) significava ancorar no porto, seguro. Na vida, temos muitas tempestades, mas, com certeza, podemos fincar nossas âncoras e chegar no porto, seguro, porque temos livre acesso a esta graça na qual estamos firmes.

3. A bênção da firmeza (Rm 5:2) – “... temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes...”Esta firmeza é um complemento à fé salvadora. Ao ouvirmos pela palavra de Deus, recebemos a fé e cremos em Jesus Cristo, o que nos proporciona a justificação; depois, como resultado desta justificação, passamos a ter firmeza, ou seja, nossa fé cresce a cada dia, pois a fé é dinâmica, que deve ser acrescida continuadamente (Lc 17:5), razão pela qual Jesus a comparou ao grão de mostarda, que é a semente de maior índice relativo de crescimento entre os vegetais superiores (Mt 17:20; Lc.17:6).

4. A bênção de esperar em Deus (Rm 5:2b) – “... e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”. Quando somos justificados, passamos a ter uma nova perspectiva de vida; nossa razão de viver passa a ser a esperança da glória de Deus. O homem justificado sabe que seu destino é estar para sempre com o Senhor e passa a almejar este dia, quando o Senhor arrebatar a Igreja. Se a Paz com Deus é uma bênção passada, consumada no ato de nossa justificação, e o Acesso à graça de Deus é um privilégio presente e contínuo, a Expectativa da glória está atrelada ao futuro. A palavra traduzida por "gloriamos" significa um regozijo exultante, uma alegria triunfante, uma firme confiança em Deus, inspirada pela certeza de que "temos Paz com Deus”.

Como se não bastasse a quebra da barreira que nos separava de Deus, dando-nos acesso a uma condição indescritível de favor diante Deus, nos levando a uma condição de filhos de Deus, como herdeiros, como cidadãos do Céu, também nos regozijamos “na esperança da glória de Deus”. Ou seja, olhamos adiante com alegria, aguardando com expectativa o tempo em que não apenas contemplaremos o esplendor de Deus, mas também seremos manifestados com Ele em glória (João 17:22; Cl 3:4).

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, “compartilhar desse celeste esplendor, contemplar o Rei em sua formosura e ser como ele quando o virmos em sua majestade e glória, tudo isso é a inspiradora esperança daqueles que foram justificados pela fé. John Stott diz que a esperança cristã não é algo incerto como nossas esperanças comuns do dia-a-dia, mas uma expectativa jubilosa e confiante que se baseia nas promessas de Deus. O objeto de nossa esperança é a glória de Deus (Rm 5:2), ou seja, seu radiante esplendor, que um dia se manifestará em toda a sua plenitude. Então, a cortina se erguerá e a glória de Deus será inteiramente desvendada. Nesse dia, veremos o Senhor da glória face a face e receberemos um corpo de glória”. Sem dúvida, esta é a maior expectativa da Igreja.

5. A bênção de sofrer por Jesus (Rm 5:3,4) – “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança”.

Como efeito da esperança da glória de Deus, a justificação também produz um comportamento distinto com relação à tribulação, que passa a ser enfrentada pelo justificado sob uma nova perspectiva. A partir do instante em que surge a esperança da glória de Deus, o justificado sabe que as tribulações que passar nesta vida são um instrumento de aperfeiçoamento espiritual, tanto que ela gera paciência, a paciência, experiência; a experiência, esperança e a esperança não traz confusão (Rm 5:3-5).

Portanto, tanto as tribulações presentes como a glória vindoura são objetos de júbilo do cristão. Em outras palavras, regozijamo-nos não somente no alvo - a glória - mas também nos meios que conduzem a ela, isto é, nos sofrimentos. Não no desconforto presente, mas nos resultados futuros. Diz o apóstolo Tiago: “Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1:12). Observe a expressão: “Bem-aventurado [feliz] o homem que suporta, com perseverança, a provação...”. Passar por provações e ao mesmo tempo ser feliz parece ser paradoxal. Mas, é isso que a Bíblia recomenda: que nos alegremos em Deus porque a tribulação produz a paciência, e esta, a experiência que, finalmente, culmina na esperança (Rm 5:3-5).

Tiago novamente nos instrui: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1:2). Observe que Tiago não diz “se passardes por várias provações”, mas “o passardes”. Devemos estar cientes de que, enquanto estivermos neste mundo, enfrentaremos muitas tribulações. A Bíblia diz que somos peregrinos neste mundo. Nossa pátria permanente não é aqui; nossa pátria está no Céu. Diz o apóstolo Paulo: “pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas“ (Fp 3:20,21).

Amados irmãos, a vida cristã não é um mar de rosas, não é uma redoma de vidro, não é uma estufa espiritual. Cristianismo não é uma sala vip, não é uma colônia de férias, antes, é um campo de batalha. Não temos imunidade das provações da vida. Jesus advertiu: "no mundo tereis tribulações... “ (João 16:33). O apóstolo Paulo disse: "... por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de deus" (At 14:22). Ainda, Paulo disse: "... todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições" (2Tm 3:12). O grande patriarca Jó disse: "... o homem nasce para a tribulação, como as faíscas voam para cima" (Jó 5:7).

Muitos que se dizem cristãos têm se iludo com a filosofia enganosa do “não sofrimento” que a falaciosa teologia da prosperidade tem propagado. De forma irresponsável, falsos pregadores vociferam frases de efeitos como estas: “pare de sofrer”, “é tempo de vitória”, “você vai conquistar”. Nestas frases, está presente a ideia de que o cristão não sofre. Mas, quando chega o sofrimento, as pessoas que foram iludidas com estes clichês têm sua fé definhada e sua esperança apagada. Infelizmente, muitos desabam no esgoto da apostasia.

II. AS BÊNÇÃOS DO AMOR TRINITÁRIO (Rm 5:5-11).

5. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.

6. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

8. Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

1. O Amor que o Pai outorga. “... porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração...” (Rm 5:5). Aqui, Paulo menciona uma espécie de inundação do amor de Deus. Somos banhados pelo próprio ser de Deus, uma vez que Deus é amor. Assim como o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no Pentecostes, o amor de Deus é derramado no coração daqueles que são justificados. O amor de Deus revelado a nós é algo profuso, caudaloso e abundante. Não nos é dado por medida, mas copiosamente derramado em nós. Esse sublime amor de Deus por nós, pecadores, não foi despertado pela cruz de Cristo; ao contrário, foi o amor de Deus por nós que produziu a cruz. A cruz não é a causa do amor de Deus, mas seu resultado. Esse amor não é retido em Deus, mas derramado sobre nós.

2. O Amor que o Espírito distribui (Rm 5:5). “... porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado”. A esperança na salvação jamais será envergonhada. Não seremos decepcionados nem descobriremos que confiamos numa ilusão. Com temos certeza disso? O texto sagrado nos responde: “porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O Espírito Santo que nos foi outorgado no momento em que cremos inunda nosso coração com essas expressões do amor eterno de Deus. Depois que recebemos o Espírito Santo, percebemos que Deus no ama. Não se trata de uma sensação vaga e mística de que “Alguém lá em cima” se preocupa com a humanidade, mas de uma convicção profunda de que um Deus pessoal nos ama de fato como indivíduos. Sob a vívida metáfora de uma chuvarada que cai sobre uma terra seca, o que o Espírito Santo faz é proporcionar-nos a consciência profunda e revigorante de que Deus nos ama.

3. O Amor que o Filho realiza (Rm 5:6) – “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios”. O Amor de Deus é provado. É procedente do Pai, operacionalizado pelo Espírito Santo e realizado pelo Filho. Você é tão especial para Deus, que ele amou você de tal maneira que deu tudo, deu a si mesmo, deu o seu único Filho (João 3:16). A prova mais eloquente desse amor é a cruz de Cristo. Pela cruz temos uma abertura ao coração de Deus e vemos que se trata de um amor que se dá e se sacrifica. Em Romanos 3:25,26, Paulo já havia provado que, na cruz, Deus revelou sua plena justiça; em Romanos 5:8, ele afirma que, na cruz, Deus revelou seu abundante amor. Portanto, a cruz de Cristo não foi um acidente, mas um apontamento de Deus desde a eternidade. Ele foi morto desde a fundação do mundo. Ele nasceu para ser o nosso substituto, representante e fiador. A cruz, sempre esteve encrustrada no coração de Deus, sempre esteve diante dos olhos de Cristo. Ele jamais recuou da cruz. Ele marchou para ela como um rei caminha para a sua coroação.

Portanto, o Amor de Deus não é apenas um sentimento, é uma ação. Não consiste apenas em palavras; é uma dádiva. Não é uma dádiva qualquer, mas uma dádiva de si mesmo. Deus deu seu Filho. Ele deu tudo, deu a si mesmo. Deus não amou aqueles que nutriam amor por ele, mas aqueles que lhe viraram as costas. Deus amou aqueles que eram inimigos. Cristo morreu no momento determinado por Deus e de acordo com seu eterno propósito (João 8:20; 12:27; 17:1; Gl 4:4; Hb 9:26).

III. AS BÊNÇÃOS DA NOVA CRIAÇÃO (Rm 5:12-21)

Em Romanos 5:12-21, Paulo faz uma analogia entre o Adão histórico e o Cristo histórico. As Escrituras chamam Cristo de “o segundo Adão” ou “o último Adão”. O primeiro Adão caiu num jardim; o segundo Adão triunfou num deserto. O primeiro Adão é da terra; o segundo Adão é do céu. O primeiro Adão introduziu no mundo o pecado e por ele a morte; o segundo Adão trouxe ao mundo a justiça e a imortalidade. O primeiro Adão foi expulso do paraíso; o segundo Adão nos levará de volta ao paraíso.

Tanto Adão como Cristo nos são apresentados como cabeças de uma raça. Adão era para Paulo um indivíduo histórico, o primeiro homem. Era mais ainda: era o que o seu nome significa em hebraico: “humanidade”. A humanidade inteira é vista como tendo originalmente pecado em Adão. Há, portanto, dois homens: Adão e Cristo, e todos os outros estão dependurados nos cinturões destes dois. Alguém disse que todas as pessoas estão em Adão (por nascimento) ou em Cristo (pelo novo nascimento e pela fé).

Paulo não pensa na humanidade como uma reunião de indivíduos ao acaso, mas como uma unidade orgânica, um único corpo sob uma única cabeça. Esta cabeça é Cristo ou Adão. Este, sobretudo, é antítipo de Cristo. Nele caímos e morremos; em Cristo nos levantamos e vivemos. Por meio do seu pecado entrou a morte no mundo; por meio da obediência de Cristo recebemos vida eterna. Adão é a cabeça federal da velha humanidade; Cristo é a cabeça da nova humanidade espiritual, que significa seu corpo, a Igreja. Pelo pecado de Adão os homens são condenados; pela justiça de Cristo os homens são justificados. Portanto, estamos em Adão ou em Cristo. Não há ponto neutro. Só há dois grupos: os que estão perdidos em Adão e os que estão salvos em Cristo.

1. O homem em Adão (Rm 5:12-14).”Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir”.

Na história humana o pecado foi introduzido pela queda de Adão. Sendo livre, Adão escolheu desobedecer. Conquanto tendo livre-arbítrio, tornou-se escravo do pecado e por meio do seu pecado precipitou toda a raça no estado de rebelião contra Deus. O pecado é uma conspiração contra Deus. É a transgressão da sua lei, um ato de rebeldia e desobediência a Deus.

Pelo menos em cinco ocasiões, nos versículos 15-19 do capítulo 5, a verdade de que, pelo pecado de um único homem, todos nós pecamos é repetida: "Pela ofensa de um só, morreram muitos" (5:15); "O julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação" (5:16); "Pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte" (5:17); "Por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação" (5:18) e "Pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores" (5:19).

Portanto, não apenas herdamos o pecado de Adão, mas somos como ele. O pecado tem sua origem em Adão porque estamos em Adão de modo especial, não apenas porque ele é a raiz que nos gerou, mas também porque é nosso representante e cabeça. Em Adão, todos pecaram; em Adão todos morreram. Segundo John Stott, a pena de morte cai hoje sobre todos os homens não apenas porque todos pecaram como Adão, mas porque todos pecaram em Adão. Porque todos pecaram em Adão e porque o salário do pecado é a morte, a morte passou a todos os homens, uma vez que todos pecaram. Ela atinge a todos sem distinção e sem exceção; seus dedos gélidos repousam sobre ricos e pobres, reis e vassalos, servos e chefes, doutores e analfabetos, pequenos e grandes, velhos e crianças, religiosos e ateus. Não podemos nos esconder da morte. Ela será o último inimigo a ser vencido (1Co 15:26).

Que tipo de morte entrou no mundo pelo pecado? A morte física, espiritual e eterna. A morte física é a separação entre a alma e o corpo (2Co 5:8); a morte espiritual é a separação entre o ser e Deus, devido a um ato de desobediência (Rm 7:9); a morte eterna ou a "segunda morte" é a separação irremediável e eterna entre o homem e Deus. Trata-se da ida da alma e do corpo para o inferno (Mt 10:28). Essas três modalidades de morte são consequência do pecado. O pecado é, portanto, o maior de todos os males. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, o pecado é pior que a pobreza, que o sofrimento, que a doença e até mesmo pior que a morte. Todos esses males não podem afastar o homem de Deus, mas o pecado o afasta de Deus no tempo e na eternidade. O pecado é maligníssimo.

2. O homem em Cristo (Rm 5:15-17). “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo”.

Nestes textos, o apóstolo Paulo faz um contraste entre Adão e Cristo. Na verdade, há cinco contrastes entre Adão e Cristo nos versículos 15-21 do capítulo 5. Primeiro, o contraste entre a transgressão de Adão e o dom gratuito de Cristo (5:15). Segundo, o contraste entre as consequências do pecado de Adão e as consequências da obediência de Cristo (5:16). Terceiro, o contraste entre os dois reinos (5:17). Quarto, o contraste entre o "ato único" de Adão e o de Cristo (5:18,19). Quinto, o contraste entre a lei e a graça (5:20,21).

- O contraste entre a transgressão de Adão e o dom gratuito de Cristo (Rm 5:15).Devido à transgressão do primeiro homem, morreram muitos. Trata-se, evidentemente, de uma referência aos descendentes de Adão. Nesse caso, a morte em questão pode ser tanto física quanto espiritual. Porém, o dom gratuito é mais abundante sobre muitos. Constitui a manifestação maravilhosa da graça de Deus concedida ricamente a uma raça de pecadores. É possibilitado pela graça de um só homem, Jesus Cristo. Foi uma demonstração maravilhosa de graça da sua parte morrer por suas criaturas rebeldes. Por meio de sua morte sacrificial, o dom da vida eterna é oferecido a muitos.

- O contraste entre as consequências do pecado de Adão e as consequências da obediência de Cristo (Rm 5:16). Uma só transgressão de Adão trouxe julgamento inevitável e condenação. Mas, o dom gratuito de Cristo, em contrapartida, tratou de maneira eficaz das muitas ofensas, e não apenas de uma, e resultou na absolvição. Paulo ressalta as diferenças entre o pecado de Adão e o dom de Cristo, entre a destruição terrível provocada por um pecado e a graça que transcorre de muitas transgressões e, por fim, entre o veredicto de condenação e o veredicto de justificação.

- O contraste entre os dois reinos (Rm 5:17). Pela transgressão de um só homem, reinou a morte, como um tirano cruel. Mas, pela abundância da graça e o dom da justiça, todos os cristãos reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo (Rm 5:17).

Que graça maravilhosa! Além de sermos livrados da tirania da morte, governamos como reis, desfrutando a vida presente e a vida eterna. Será que entendemos e apreciamos, de fato, o valor dessa dádiva? Vivemos, verdadeiramente, como parte da nobreza celestial, ou rastejamos no meio da escória deste mundo?

O “homem em Cristo”, símbolo da nova criação de Deus (2Co 5:17), é justificado, obediente, dominado pela graça e dominado pela nova vida com Deus.

CONCLUSÃO

Concluo esta Aula fazendo uma pergunta que, certamente, muitos gostariam de fazer: “Por que Deus permitiu que o pecado entrasse no mundo?”. Resposta: por meio do sacrifício de Cristo, Deus recebeu mais glória e o homem recebeu mais bênçãos que se o pecado não tivesse entrado no mundo. Nossa condição em Cristo é melhor que jamais poderia ter sido em Adão antes da queda. Se Adão não tivesse pecado, teríamos desfrutado uma vida contínua na Terra, habitando no Jardim do Éden. Porém, não teríamos nenhuma perspectiva de nos tornar filhos remidos de Deus, herdeiros de Deus, coerdeiros com Cristo e semelhantes a Ele para sempre. Essas bênçãos foram concedidas somente mediante a Obra redentora de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fonte ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 11 de abril de 2016

3ª lição do 2º trimestre de 2016: JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO


Texto Base: Romanos 4:17-22

“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4:20).

 

INTRODUÇÃO

A Justificação é uma das gloriosas bênçãos da Salvação ao lado da Regeneração, da Adoção e da Santificação. A causa meritória desta justificação é a maravilhosa graça de Deus. A Justificação é o processo pelo qual a culpa do homem é transferida para Jesus, que já a pagou através de Seu sacrifício expiatório da cruz, e pode cobrir o homem com sua justiça. É por isto que Paulo diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é....”. O homem justificado não é um homem “reformado”, mas, é um novo homem. Este novo homem é visto por Deus como se nunca tivesse pecado. A Justificação não deixa resíduos dos pecados dantes cometidos. Isto por causa daquele “...que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).

I. A JUSTIFICAÇÃO MANIFESTADA (Rm 3:21-26)

21. Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dosProfetas,

22. isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.

23. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,

24. sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,

25. ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

26. para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.

1. Um culpado que é inocentado. Paulo diz em Romanos 3:21: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas”. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que este texto de Romanos apresenta a mais gloriosa adversativa das Escrituras –Mas...”. Depois de provar a tese de que todos os seres humanos, de todas as raças, de todas as culturas, de todos os credos e de todos os estratos sociais - tanto gentios como judeus - são culpados diante de Deus; depois de mostrar que os efeitos da queda não trouxeram apenas alguns arranhões, mas lançaram todos os homens, indistintamente, num estado de depravação total; depois de colocar todos os homens sob a maldição e a condenação da lei, o apóstolo Paulo abre os portais da graça e aponta o caminho da salvação em Cristo, revelando que a salvação é urna obra exclusiva de Deus por meio de Cristo. Depois da longa e escura noite, raiou o sol, amanheceu um novo dia e o mundo foi inundado de luz. William Hendriksen diz que Deus, então, arrancou o homem do maior mal para dar-lhe o maior bem. O termo “justiça”, no texto supra, traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos. Podemos concluir, então, que, mesmo culpados, Deus quis nos justificar e perdoar.

2. Um prisioneiro que é libertado (Rm 3:24) – “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Neste texto de Romanos 3:24, Paulo usa a expressão “redenção”. A justificação é feita mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Rm 3:24). Ao morrer por nós, Cristo abre a oportunidade de nos libertar do pecado. Jesus pagou o preço da nossa salvação e, por isso, nos comprou a liberdade. Este ato é conhecido por “redenção”, ou seja, “o ato de remir”, o “resgate”, ou seja, “o ato de livrar (algo) de ônus por meio do pagamento”, o “ato de comprar para libertar”. Por isso, o apóstolo Pedro nos lembra que não fomos comprados com ouro, mas com o precioso sangue de Jesus (1Pd1:18,19). Como fomos comprados por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não mais estamos sob condenação, alcançamos a justificação.

A Bíblia declara que não poderíamos ser redimidos sem o sacrifício de Cristo (Hb 9:22; Lv. 17:11). Na Cruz do Calvário, quando ele declarou “está consumado”(João 19:30), o preço da redenção estava pago, a Justiça de Deus estava satisfeita. A punição exigida pela Justiça de Deus estava concretizada sobre Jesus. Agora, nEle o homem podia ser justificado.

3. Um Inocente que é culpado (Rm 3:25). “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus”.

Ao descrever como Deus nos proveu com uma justiça imerecida, Paulo faz referência ao sistema sacrificial do Antigo Testamento (veja Lv 17:11). No Dia da Expiação, celebrado no décimo dia do sétimo mês (Lv 16:29,30), os israelitas não poderiam fazer qualquer trabalho além de jejuar. Era o dia em que o sumo sacerdote ingressava no Santo dos Santos para fazer “…expiação sobre ele pelas vossas gerações” (Ex 30:10). O sangue do animal sacrificado era levado para dentro do lugar santíssimo. Ao lançar o sangue sobre o propiciatório, que era a tampa da arca, o sumo sacerdote estava fazendo expiação “…pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, segundo todos os seus pecados...” (Lv.16:16). Isto era necessário para que Deus se mantivesse presente no meio do povo, para que houvesse comunhão entre Deus e Israel, apesar dos pecados cometidos. Era um sacrifício que deveria ser renovado anualmente, porque o pecado era apenas “coberto”, ou seja, era uma maneira de se manter precariamente a apresentação do homem diante de Deus, enquanto não viesse a “semente da mulher”, que reabilitaria a amizade de Deus com o homem.

Deus propôs Cristo Jesus como “propiciação”. Uma “propiciação” é algo que satisfaz a justiça de Deus, afasta sua ira e permite que ele demonstre misericórdia com base num sacrifício aceitável. Ao fazer com que Jesus fosse a propiciação pelos nossos pecados, Deus mostra-se favorável para com os homens. Jesus morreu em nosso lugar, derramou Seu sangue na cruz do Calvário, para que o homem pudesse, novamente, ter livre acesso a Deus, pudesse alcançar o perdão dos seus pecados e a sua justificação.

Jesus morreu pela humanidade, apesar de nunca ter pecado e não merecer, por isso, a pena decorrente da prática do pecado. Mas ao se entregar pela humanidade, Cristo tornou-se a propiciação pelos pecados de todos os homens e, mediante esta obra, podemos alcançar o favor divino. Jesus aplacou a ira de Deus de modo definitivo. O sangue de animais não justificava o homem, apenas adiava a execução da justiça de Deus. Cristo, porém, foi muito mais longe quando fez “propiciação” por nossos pecados, pois, não apenas encobriu-os, mas removeu-os completamente. Portanto, se o Senhor Jesus Cristo não oferecesse o sacrifício perfeito não haveria salvação para nenhum homem. Tanto judeus como gentios deveriam se conscientizar dessa realidade. Ninguém poderia ser libertado da escravidão do pecado sem o sacrifício vicário de Cristo (Ef 2:1-5). Pelo sacrifício do Cordeiro Imaculado, Deus teve satisfeita a Sua justiça (Is 53:11) e, portanto, pode, agora, distribuir este favor conquistado por Cristo, mediante a propiciação, obtida pelo Seu sacrifício único no Calvário, a todos os homens que crerem, isto é, que aceitarem que o único caminho pelo qual nós nos chegamos a Deus é através do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

II. A JUSTIFICAÇÃO CONTESTADA (Rm 3:27-31)

27. Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé.

28. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.

29. É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.

30.Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão,

31. anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

1. A justificação se opõe à salvação meritória (Rm 3:27,28) – “Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei”.

Os judeus se vangloriavam na lei e na circuncisão. Julgavam-se melhores que os outros homens. Aplaudiam a si mesmos e presunçosamente se orgulhavam de sua justiça pessoal. No entanto, uma vez que a justificação é obra de Deus, e não do homem; e uma vez que ela é recebida pela fé, e não pelo mérito das obras, cessa qualquer possibilidade de vanglória pessoal. Não existe provisão para o orgulho na salvação pela graça. Não há nenhum crédito ou mérito em nos lançarmos à misericórdia de Deus em Cristo.

A maioria das religiões prescreve deveres específicos que devem ser executados para tornar uma pessoa aceitável perante Deus. O cristianismo é único ao ensinar que as boas obras que realizamos não nos tornam justos perante Deus. Nenhuma quantidade de realizações humanas ou progresso no desenvolvimento pessoal eliminará a distância entre a perfeição moral de Deus e o nosso imperfeito desempenho diário. Portanto, não existe base para o orgulho. As boas obras são importantes, mas elas não nos darão a vida eterna. Somos salvos somente pela confiança no que Deus fez por nós através de Jesus Cristo (cf. Ef 2:8-10).

2. A justificação se opõe ao orgulho nacionalista (Rm 3:29). Outra indagação que Paulo procura responder é a seguinte: “É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente” (Rm 3:29).

Esse é outro ponto que contrastava com a crença do judaísmo do primeiro século: o exclusivismo. Os judeus tinham consciência da sua relação especial de aliança com Deus (Rm 3:2; 9:4,5), na qual os gentios não tinham parte. Foi aos judeus que Deus confiou a sua revelação especial (Rm 3:2); deles também, como Paulo mais tarde relatará, é “a adoção de filhos; deles é a glória divina, as alianças, a concessão da lei; a adoração no templo e as promessas”, isso sem mencionar “os patriarcas” e “a linhagem humana de Cristo”(Rm 9:4). O que os judeus haviam esquecido é que os seus privilégios não visavam a exclusão dos gentios, mas sim a inclusão definitiva destes, quando através da posteridade de Abraão “todos os povos da terra” fossem abençoados. Essa aliança com Abraão foi cumprida em Cristo. Ele é a semente de Abraão e através dele a bênção da salvação estende-se agora a todo o que crê, sem exceção ou distinção.

A doutrina da justificação pela fé exclui não apenas qualquer possibilidade de vanglória, mas também qualquer forma de elitismo e discriminação. Deus não é uma divindade tribal ou monopólio de um povo. Ele é o Deus único, vivo e verdadeiro, que estabeleceu um único meio de salvação, a fé em Cristo, e isto tanto para os judeus como para os gentios.

Olhando para o Calvário talvez possamos entender porque o Cordeiro de Deus foi imolado entre dois malfeitores – “Onde o crucificaram, e, com ele, outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio” (João 19:18). Não podia ser só Jesus? Não podia ser três, quatro, cinco? Às vezes, eram crucificados dezenas de malfeitores de uma só vez. Certamente, aqueles dois condenados não seriam executados naquele dia, por ser véspera da Páscoa. Mas, ali, estava Jesus e mais dois. Seria por que ele estava sendo oferecido em sacrifício em favor de dois povos existentes na terra - Judeus e Gentios? Perceba que Jesus estava no centro - equidistantes de ambos. Ali estava acabando o privilégio dos Judeus. Nesta nova dispensação não há mais diferença entre Judeu e Gentio. Jesus está à mesma distância de ambos. Os privilégios são iguais.

3. A justificação se opõe ao antinomismo (Rm 3:31) – “anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei”. “Antinomismo – argumentação que se desenvolve por meio de antinomias”. Antinomia – “contradição entre duas leis ou princípios; oposição recíproca”.

Paulo enxerga de antemão a crítica judaica, e levanta uma questão válida: “anulamos, pois, a lei pela fé?”. Ele mesmo responde: “de maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei”.

A lei e a fé não são antagônicas. Não estão em oposição uma à outra. A fé não anula a lei, nem a lei dispensa a fé. A lei cumpriu o seu propósito preparando o caminho para a fé. A função da lei é expor e condenar o pecado e trancar o pecador no calabouço da culpa até que Cristo venha libertá-lo através da fé. Assim, a fé justifica aqueles a quem a lei condena. Pela fé nós alcançamos uma justiça perfeita, a justiça de Cristo a nós imputada (2Co 5:21). Quem transgride a lei pode se valer do pagamento feito por Cristo em seu lugar. Assim, o evangelho da salvação pela fé confirma a lei ao asseverar que suas exigências máximas foram e devem ser cumpridas.

III. A JUSTIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA (Rm 4:1-25)

Para comprovar que a justificação se faz pela fé em Cristo Jesus e não pela lei ou pelas obras humanas, o apóstolo toma como exemplo o caso de Abraão, de cuja descendência biológica o judeu se orgulhava. O apóstolo mostra que Abraão, o pai fundador de Israel, foi justificado não por suas obras (Rm 4:4-8), nem por sua circuncisão (Rm 4:9-12), nem pela lei (Rm 4:13-15), mas pela fé. Abraão foi justificado diante de Deus porque creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, como nos afirma Gênesis 15:6. Em consequência, Abraão é agora "o pai de todos os que creem", sejam eles judeus ou gentios (Rm 4:11,16-25). A imparcialidade divina é evidente.

Por que Paulo escolheu Abraão como exemplo da justificação pela fé no Antigo Testamento? Primeiro, porque foi o ancestral, o pai da nação de Israel; segundo, porque os rabinos ensinavam que Abraão havia sido justificado por suas obras de justiça. Os rabinos citavam Gênesis 22:15-18 e 26:2-5 para provar que Deus havia abençoado Abraão por causa da sua obediência. Os rabinos, contudo, não percebiam que esses versículos se referiam à vida de obediência de Abraão depois de sua justificação (Gn 15:6).

O exemplo de Abraão mostra que a justificação pela fé é o único meio pelo qual Deus garante a salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tanto para os judeus como para os gentios. É, portanto, um erro acatar a tese de que no Antigo Testamento as pessoas eram salvas pelas obras, e no Novo Testamento, pela fé, ou que hoje a missão cristã deve limitar-se aos gentios, com base no pressuposto de que os judeus têm a sua forma distinta de salvação. Como bem diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, a justificação não é uma conquista humana, mas uma dádiva divina; não resulta do mérito, é obra da graça. A justificação não é o que recebemos por mérito próprio, mas o que recebemos pelos méritos de Cristo. A salvação não é um troféu que ostentamos como prêmio do nosso mérito, mas um dom que recebemos apesar do nosso demérito.

1. Abraão foi justificado pela fé, não pelas obras (Rm 4:1-8). Neste texto de Romanos, o apóstolo Paulo toma o exemplo de Abraão para fazer um contraste entre a justificação pela fé e pelas obras. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, a justificação pelas obras coloca a glória da salvação no homem e não em Deus. A pretensa e tola ideia da justificação pelas obras exalta o homem e dá a ele o direito de se gloriar por causa da sua própria salvação. Essa vã pretensão faz do homem o autor de sua própria salvação. Se Abraão tivesse sido justificado pela obediência às obras da lei, teria tido motivo de gloriar-se, mas não diante de Deus. Nenhum pecador pode ostentar seus troféus diante do trono de Deus. Nenhum pecador pode achegar-se à presença de Deus com arrogância. Aqueles que aplaudem a si mesmos e se ostentam de seus pretensos méritos jamais serão justificados. A vanglória diante de Deus é a mais consumada loucura, a mais repudiada tolice.

Paulo cita, também, o rei Davi como exemplo de que a pessoa é justificada pela fé, não pelas obras (Rm 4:6-8). Paulo cita as palavras de Davi do salmo 32:1,2: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há Engano”. O que Paulo viu nesses versículos? Em primeiro lugar, observou que Davi não menciona obras; o perdão diz respeito à graça de Deus, e não aos esforços humanos. Em segundo lugar, observou que Deus justifica o ímpio. Davi adulterou com Bate-Seba, mandou matar seu marido e escondeu seu pecado (2Sm 11:1-27). Se fosse julgado por suas obras, seria condenado; se fosse tratado segundo seus méritos, receberia a morte, e não o perdão. Porém, em vez de condená-lo, Deus o perdoa. Em vez de atribuir-lhe culpa, atribui-lhe justiça; em vez de expor seu pecado, cobre-o; em vez de deixá-lo viver esmagado pela culpa, oferece-lhe gratuitamente a bem-aventurança do perdão e da justificação. A graça de Deus é a causa de tudo isso.

2. Abraão foi justificado pela fé, não pela circuncisão (Rm 4:9-12). De acordo com a doutrina rabínica, Deus perdoa somente um indivíduo circuncidado no Juízo Final. Certamente, os leitores de Paulo teriam dificuldades extremas com esse texto. Por isso, ele inicia uma nova rodada de explicações. O apóstolo Paulo recorre mais uma vez à experiência de Abraão para mostrar que não era o caso. Em romanos 4:10, Paulo mostra que Abraão foi justificado (Gn 15:6) antes de ser circuncidado (Gn 17:24). Se o pai do povo de Israel foi justificado estando ainda incircunciso (Gn 4:10), é preciso perguntar: “Por que outros incircuncisos não podem ser justificados? ”.

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes quando diz que Abraão foi justificado quando ainda era gentio, fato que abre precedente para a justificação dos gentios de forma absolutamente dissociada da circuncisão. Assim, a circuncisão não foi a causa instrumental de Abraão, mas apenas um sinal exterior em sua carne de que ele havia sido justificado pela fé. A circuncisão constituiu, em essência, o símbolo exterior da aliança entre Deus e o povo de Israel. Além de ser um sinal, a circuncisão foi um selo, a saber, o selo da justiça da fé que Abraão teve quando ainda era incircunciso. O sinal aponta para a existência do que representa. O selo autentica, confirma, certifica ou garante a autenticidade do que é representado. A circuncisão confirmou que Abraão havia sido considerado e tratado por Deus como um homem justo pela fé. A circuncisão era o selo da justiça que Abraão recebeu com base na fé.

Uma vez que foi justificado antes de ser circuncidado, Abraão pode ser o pai de outros incircuncisos, ou seja, dos gentios que creem. Esses podem ser justificados da mesma forma que Abraão foi: pela fé.

Há uma diferença entre ser descendente de Abraão e filho de Abraão. Jesus disse aos fariseus: “Bem sei que sois descentes de Abraão” (João 8:37), mas prosseguiu: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão” (João 8:39). Assim, Paulo insiste em que o elemento essencial não é a circuncisão física, mas a fé no Deus vivo.

Em resumo, houve um momento na vida de Abraão em que ele teve fé antes de ser circuncidado e outro momento em que ele teve fé e foi circuncidado. Assim, na visão perspicaz de Paulo, tanto os gentios que creem quando os judeus que creem podem chamar Abraão de pai e identificar-se com ele como seus filhos.

3. Abraão foi justificado pela fé, não pela lei (Rm 4:13-17a). Segundo John Stott, Abraão não poderia ter sido justificado pela lei, porque esta só foi dada 430 anos depois do patriarca (Gl 3:17). Logo, Abrão não poderia ter sido justificado por uma lei que não conhecia nem havia sido dada ao povo ainda. O lapso de tempo entre Abraão e a dádiva da lei constitui-se um argumento irresistível contra a pretensão dos judeus que pregavam a justificação pela observância da lei. Além deste argumento, Stott diz que a salvação não se destina apenas aos judeus da circuncisão, mas também aos gentios da incircuncisão. Abraão não é apenas o pai dos judeus circuncisos, mas também dos crentes gentios incircuncisos. Segundo Stott, "somente o Evangelho da graça e da fé pode unir, abrindo a porta para os gentios e igualando todo mundo aos pés da cruz de Cristo” (Rm 3:29).

4. Abraão foi justificado pela fé em Deus, não pela fé na fé (Rm 4:17b-22). Até aqui, aprendemos com Paulo que a fé veio antes das obras, da circuncisão e da lei. Agora, ele mostrará que essa fé não é mero assentimento intelectual nem sentimento vago, mas confiança robusta no Deus Criador, no Deus da ressurreição. A tese de Paulo em Rm 4:17-22 não é simplesmente a fé, mas o objeto da fé. A fé só faz sentido porque Deus, como seu objeto, é digno de confiança. A natureza da fé é crer em Deus apenas com base em sua Palavra. O bom senso pode até dizer: não acontecerá; a razão pode dizer: não pode ser; mas a fé diz: pode ser e será, porque me foi prometido.

Segundo Hernandes Dias Lopes, Abraão creu em Deus, antes que na promessa; apegava-se a quem fizera a promessa, mais que àquilo que havia sido prometido; Deus lhe importava acima de tudo. Sua fé não foi nem um cálculo das probabilidades de execução nem uma apreciação das vantagens a fruir. Abraão atentou somente para aquele que falara. Desta forma, o apóstolo Paulo aborda aqui o objeto da fé, o Deus que comunica vida aos mortos e o caráter da fé, pois Abraão creu contra a esperança (Rm 4:18).

Hernandes Dias Lopes, citando John Stott, diz que a fé de Abraão estava ancorada em dois atributos divinos: seu poder e sua fidelidade.

- Em primeiro lugar, a fé precisa estar estribada no poder de Deus (Rm 4:17b-19). O Deus em quem Abraão creu é o Deus que vivifica os mortos (o Deus da ressurreição) e o Deus que chama à existência as coisas que não existem (o Deus da criação). Do nada ele tudo criou; da morte ele trouxe a vida. John Stott diz que o nada e a morte não são problemas para Deus. Ao contrário, foi a partir do nada que ele criou o universo e foi da morte que ele ressuscitou a Jesus. A criação e a ressurreição foram e continuam sendo as duas mais significativas manifestações do poder de Deus. Quando Deus revitalizou o corpo de Abraão para gerar e o corpo de Sara para conceber, isso foi uma espécie de ressurreição. Quando dessa dupla morte Deus trouxe Isaque à existência, isso foi uma espécie de criação. Esse é o tipo de Deus em quem Abraão creu.

- Em segundo lugar, a fé precisa estar estribada na fidelidade de Deus (Rm 4:20-22). Abraão creu que o Deus que ressuscita os mortos e traz à existência as coisas que não existem não pode faltar com sua promessa. Desta maneira, o poder e a fidelidade de Deus são as duas colunas que sustentam o edifício da fé. Por trás da promessa divina está seu caráter fiel. A fé ri das impossibilidades, pois olha para o Deus fiel que cumpre suas promessas.

5. Abraão foi justificado pela fé, não isoladamente, mas como exemplo de todos os que creem (Rm 4:23-25). Olhando para a justiça de Abraão mediante a fé, a Igreja compreende o chão em que ela própria foi plantada e do qual ela vive. Examinar como Deus justificou a Abraão no passado é conhecer como Deus nos justifica hoje. O registro bíblico da justificação de Abraão está nas Escrituras por nossa causa (Rm 4:23,24). O modo pelo qual Deus justificou Abraão é o mesmo pelo qual Deus nos justifica. Abraão é "nosso pai", pai de todos nós, crentes de todos os tempos; sua fé é a nossa; o que dele se diz é válido ao nosso respeito. Abraão creu no Deus que faz viver os mortos e que do nada faz despontar a existência. Tal é também o Deus da nossa fé, pois ele ressuscitou o nosso Senhor Jesus dentre os mortos.

CONCLUSÃO

O homem é justificado pela fé em Cristo Jesus, graciosamente, mas essa justificação não se dá de forma automática. O homem precisa tomar posse de sua bênção, conforme afirmou Paulo: “Porque pela graça dois salvos, por meio da fé...”(Ef 2:8). Assim é que, no processo que envolve a Justificação, o Pai proveu a fonte, que é a Sua Graça; o Filho proveu a base da Justificação, que é o Seu Sangue; o Espírito Santo move o homem ao exercício da fé para alcançar sua bênção. É preciso entender que a base da Justificação não é a fé, mas, é o sangue do Cordeiro de Deus. A fé é o meio, e não o fim. A fé, em si mesma, não salva, quem salva é Jesus. A fé, em si mesma, não cura, quem cura é Jesus. A fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender a bênção não é entregue, automaticamente.
Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço