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segunda-feira, 23 de maio de 2016

9ª lição do 2º trimestre de 2016: A NOVA VIDA EM CRISTO


Texto Base: Romanos 12:1-12

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”(Rm 12:1).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 12 da Epístola aos Romanos. Até o capítulo 11, Paulo tratou da doutrina; agora, tratará da ética. Após ter glorificado a Deus com um maravilhoso hino (Rm 11:33-36), o apóstolo Paulo passa para parte prática da epístola aos romanos, à aplicação do ensino e da doutrina no dia-a-dia dos crentes, no comportamento, na conduta, nas ações de cada servo de Deus enquanto estiver sobre a face da Terra. Aliás, o capítulo 12 ao 16 responde à pergunta: “como deve ser a vida diária dos que foram justificados pela graça?”. A Bíblia nunca ensina uma doutrina para torná-la simplesmente conhecida; ela é ensinada para que seja transferida para a prática. No capítulo 12, Paulo trata de nossos deveres em relação a outros cristãos, à comunidade, aos nossos inimigos, ao governo e aos irmãos mais fracos. Paulo mostra que após experimentar da graça divina não é mais possível viver segundo as normas ou a maneira de pensar deste mundo pecaminoso (Rm 12:1,2). Uma vida transformada tem relacionamentos transformados. Não podemos amar a Deus e odiar nossos irmãos; não podemos ter um relacionamento vertical correto se os relacionamentos horizontais estão errados. O apóstolo também mostra que como novas criaturas, pertencemos ao um corpo, o “Corpo de Cristo”. Cada membro desse Corpo recebeu dons e talentos e estes precisam ser usados com humildade, amor, sabedoria, contribuindo para o bem-estar de todos.

I. EM RELAÇÃO A MORDOMIA DA ADORAÇÃO CRISTÃ (Rm 12:1,2)

Trataremos neste tópico acerca da consagração pessoal do crente.

1. Uma exortação em forma de apelo. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus...”(Rm 12:1). A parte prática da Epístola começa com uma convocação, um apelo, um chamado, uma convocação do apóstolo - “Rogo-vos” -, que, em outras versões, é “exorto-vos”; é a primeira palavra desta parte da Epístola aos romanos. No texto original grego é “parakaleo”, que tem o sentido de exortar, apelar, convocar, chamar, rogar, mas no sentido de chamado. A razão pela qual Paulo roga aos crentes judeus e gentios com esse tom de autoridade é porque Deus já lhes havia demonstrado sua copiosa misericórdia. Exortar é estimular, incentivar, dar estímulo por meio de algo. Paulo, após ter mostrado o maravilhoso plano de Deus para a salvação do homem e o Seu absoluto controle para o cumprimento de Suas promessas, lança um convite, um chamado aos crentes de Roma para que, diante do conhecimento deste propósito de Deus para os homens, passassem a viver de acordo com a vontade do Senhor.

2. Uma palavra concernente ao corpo (Rm 12:1) – “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Paulo apresenta uma exposição doutrinária, e em seguida uma exortação ética, interligando ambas pela conjunção “pois” (Rm 12:1). Nunca é demais ressaltar que Paulo sempre baseia o dever na doutrina. Mostra que o caráter é determinado pelo credo.

- “...que apresenteis o vosso corpo...”. O termo “apresenteis”, neste versículo, significa “apresenteis de uma vez por todas”. Paulo ordena uma entrega definitiva do corpo ao Senhor, como os noivos se entregam um ao outro na cerimônia de casamento. Esse sacrifico é descrito como “vivo” em contraste com os sacrifícios antigos cuja vida era tirada antes de ser apresentada sobre o altar; como “santo”, isto é, consagrado, separado e reservado para o serviço de Deus; e “agradável” a Deus”, como o ascender em sua presença da oferta aromática de outrora oferecida no ritual judaico.

A sociedade contemporânea idolatra o corpo. As academias de ginástica estão lotadas. Muitas pessoas gastam rios de dinheiro em cosméticos. Cultivam a beleza e também a força. Entretanto, a Palavra de Deus nos ensina não a cultuar o corpo, mas cultuar a Deus por intermédio do corpo.

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, quando diz que antes da nossa conversão oferecíamos os membros do posso corpo ao pecado (Rm 6:12-14). Agora, oferecemos nosso corpo como sacrifício vivo a Deus. Não oferecemos mais um cordeiro morto no altar, mas nosso corpo vivo. Nosso corpo não é uma tumba como pensavam os gregos, é o templo do Espírito Santo, a morada de Deus. Foi comprado por alto preço e devemos glorificar a Deus no nosso corpo. O próprio Deus não vacilou em tomar um corpo humano e nele viver. Nosso corpo será ressuscitado e glorificado um Dia. Consequentemente, o culto racional ou espiritual que prestamos a Deus pela consagração do nosso corpo não é prestado apenas no edifício da igreja, mas na vida do lar e no local de trabalho.

Concordo com John Stott quando diz que nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo.

Glorificamos a Deus em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando nossos ouvidos se deleitam no que é puro, quando nossas mãos praticam o que é reto, quando nossos pés caminham por veredas de justiça.

Paulo diz que a oferta do nosso corpo a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável é nosso culto racional. A palavra, no original grego, carrega a ideia de razoável, lógico e sensato. Trata-se, portanto, de um culto oferecido de mente e coração, culto espiritual em oposição a culto cerimonial.

- “...por sacrifício vivo...”. Como pode o corpo tornar-se um sacrifício? Deixe que o olho não veja nada mau, e ele se tomará um sacrifício; permita que a língua não diga nada vergonhoso, e ela se tornará uma oferta; deixe que a mão não faça nada ilegal, e ela se tornará uma oferta em holocausto. Todavia, isso não será suficiente; precisamos ter a prática ativa do bem: a mão precisa ajudar o necessitado; a boca precisa abençoar em lugar de amaldiçoar; o ouvido precisa dar atenção sem cessar aos ensinamentos divinos. Pois um sacrifício não tem nada impuro; um sacrifício é a primícia de outras coisas. Portanto, que nós possamos produzir frutos para Deus com as nossas mãos, com os nossos pés, com a nossa boca e com todos os nossos outros membros(Lopes, Hernandes Dias. Romanos – O evangelho segundo Paulo).

3. Uma palavra concernente à mente (Rm 12:2) – “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Há duas palavras que regem esse versículo: conformação e transformação. O crente é alguém que não se amolda ao esquema do mundo, mas se transforma pela renovação da mente. "Mundo", aqui, não significa o universo, a Terra e nem mesmo seus habitantes e, sim, o sistema que impera em nossa sociedade e que é contrário a Deus. É nesse sentido que o Novo Testamento fala que antes de nos convertermos, nós andávamos "segundo o curso deste mundo", que "o mundo jaz no maligno" e que o diabo é "o príncipe deste mundo". Quem não segue a Jesus segue o mundo e seu príncipe e que tudo que ele pensa não está moldado por Deus e Sua Palavra (Rm 12:1,2, 1João 2:15-17, Ef 2:2).

Paulo nos ensina que quem se converteu está crucificado para o mundo e o mundo para ele. Em outras palavras, não dá para viver nos dois barcos. Não dá para ser cidadão de dois reinos. No reino de Deus não é permitida dupla cidadania. Nesta guerra não podemos ficar na neutralidade. É por isso também que ele afirma que não devemos nos conformar com este mundo, ou seja, tomar a forma do mundo ou nos amoldarmos a ele (Rm 12:1,2). Apontando na mesma direção, João nos afirma que não devemos amar o mundo nem o que nele há, porque não dá para amar a Deus e ao mundo ao mesmo tempo (1João 2:15-17).

Alguém disse, com propriedade, que "ou a igreja transforma o mundo ou o mundo deforma a igreja". Aqui não dá para haver convivência pacífica. Tristemente, temos visto que a filosofia mundana vai invadindo a igreja em termos de linguagem, vestuário, gírias, ritmos, bebida, namoro, costume, modismo, etc., e nem mais temos critério para discernir tudo isso – já virou cultura. Quando o cristão se deixa enganar pelas propostas desse mundo espiritualmente tenebroso, torna-se escravo de um sistema maligno que rouba, mata e destrói (João 10:10). Sua única saída é retornar imediatamente ao seio do Pai, por Jesus Cristo, nosso libertador (João 8:36).

O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que o mundo tem uma fôrma. Essa fôrma é elástica e flácida; é a fôrma do relativismo moral, da ética situacional e do desbarrancamento da virtude; é um esquema que muda todo dia. O crente em vez de entrar nessa fôrma para ser conformado a ela, deve ser transformado de dentro para fora, pela renovação da sua mente. Em vez de viver pelos padrões de um mundo em desacordo com Deus, o crente é exortado a deixar que a renovação de sua mente, pelo poder do Espírito Santo, transforme sua vida harmonizando-a com a vontade de Deus. O crente não deve conformar-se com o mundo porque a fôrma do mundo muda todo dia: o errado ontem é certo hoje; o repudiado ontem é aplaudido hoje; o vergonhoso ontem é praticado à luz do dia hoje. Nós, porém, seguimos um modelo absoluto, que jamais fica obsoleto. Esse modelo é Jesus!

Alguém disse que se o mundo controlar a nossa maneira de pensar, seremos conformados; mas, se Deus controla nossa maneira de pensar, somos transformados. A transformação interior é a única defesa efetiva contra a conformidade exterior, com o espírito do tempo presente. Temos, assim, uma metamorfose gerada pelo Espírito Santo. Quando o nosso corpo é consagrado e nossa mente é transformada, nosso culto torna-se racional e experimentamos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. (Lopes, Hernandes Dias – Romanos – o evangelho segundo Paulo).

A nossa mente precisa estar constantemente ocupada com o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e que encerra louvor. Somente em Cristo temos real condição de sermos transformados para a adoração.

II. EM RELAÇAO À MORDOMIA DO EXERCÍCIO DOS DONS (Rm 12:3-8)

Trataremos neste tópico acerca do nosso serviço a Cristo por meio dos dons espirituais.

1. Exercitá-los com moderação e humildade. “Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”(Rm 12:3). Paulo adverte os crentes de que o orgulho exagerado não deve ter lugar em sua vida. Não devemos jamais ter um conceito exagerado de nossa importância nem ter inveja de outros. Precisamos entender que cada pessoa é singular e todos nós temos funções importantes a realizar para o Senhor. Devemos nos alegrar com o lugar que Deus deu a cada um na Igreja e procurar exercer nossos dons com todo o poder que Deus concede. Em outras palavras, tudo que temos, no sentido de capacidades naturais ou dons espirituais, deve ser usado com humildade para edificar o Corpo de Cristo. Se formos orgulhosos, não poderemos exercitar a nossa fé e os nossos dons em benefício dos outros.

2. Exercitá-los respeitando sua diversidade. Exorta o apóstolo Paulo: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada...” (Rm 12:4-6).

Paulo apresenta o retrato da identidade do povo redimido de Deus. O novo povo de Deus é como um corpo humano: tem muitos membros, mas cada um tem um papel único. A saúde e o bem-estar do corpo dependem do funcionamento adequado de cada membro. No Corpo de Cristo: há unidade (um só corpo), diversidade (muitos) e interdependência (membros uns dos outros). Assim como nosso corpo não pode ser desmembrado, nós também somos membros uns dos outros. Os membros trabalham juntos para fazer todo o corpo funcionar e quando isso não acontece o corpo sofre.

A marca das obras de Deus é a diversidade, não a uniformidade. Na comunidade cristã, há muitos homens e mulheres das mais diversas origens, ambientes, temperamentos e capacidades. E não só isso, mas, desde que se converteram a Cristo, são também dotados por Deus de grande variedade de dons espirituais e ministeriais. Entretanto, graças a essa diversidade e por meio dela, cada um pode cooperar para o bem do todo. Assim como o corpo humano tem vários membros, Deus concedeu à Igreja vários dons. Somos diferentes uns dos outros para suprir as necessidades uns dos outros.

3. Exercitá-los com esmero e regularidade. Exorta o apóstolo Paulo: “... se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12:6-8).

Nestes textos de Romanos 12:6-8, Paulo dá instruções acerca do uso de certos dons. Essa lista não abrange todos os dons; a intenção é que seja indicativa, e não exaustiva. Os dons mencionados aqui são divididos em duas categorias: dons de fala (profecia, ensino e exortação) e dons de serviço (servir, contribuir, liderança e mostrar misericórdia). É bastante óbvio que Paulo não estar falando de cargos, mas dos dons. Nem todo dom implica um cargo diferente. Muitos dos dons que Deus dá ao seu povo não exigem nenhum cargo.

Nossos dons diferem “segundo a graça que nos foi dada” (Rm 12:6). Em outras palavras, a graça de Deus concede dons diferentes a pessoas diferentes. Deus também dá a força ou capacidade necessária para usarmos os dons. Assim, temos a responsabilidade de usar essas aptidões concedidas por Deus como bons despenseiros.

III. EM RELAÇAO À MORDOMIA DA PRÁTICA DAS VIRTUDES CRISTÃS (Rm 12:9-21)

Neste tópico trataremos acerca de algumas características que todo cristão deve desenvolver ao se relacionar com outros cristãos e com não-cristãos.

1. Exercitar o amor (Rm 12:9,10). “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”.

O amor a Deus e ao próximo é a essência do cristianismo, por isso é uma exigência bíblica. No evangelho de Lucas 10:27 o amor a Deus e ao próximo é um mandamento divino: “­Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Aquele ou aquela que conhece a Deus, ama de forma verdadeira e perfeita. Quem não conhece a Deus, quem não tem o seu caráter regenerado, não pode amar; e sem amor é impossível viver uma vida plena - “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”(1João 4:8); sem amor, Jesus não o reconhece como seu discípulo: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros"(João 13:35).

Se somos participantes da Igreja de Cristo, se somos servos de Jesus neste mundo, devemos, acima de tudo, sermos instrumentos desse amor, pois se somos alvos do amor de Deus, devemos refletir esse mesmo amor através do nosso viver. O amor deve reger nossos relacionamentos. O amor é o sistema circulatório do corpo espiritual, permitindo que todos os membros funcionem de maneira saudável e harmoniosa.

John Stott diz que a receita do amor tem doze ingredientes:

a) Sinceridade – “O amor seja sem hipocrisia” (Rm 12:9a). O amor não é teatro; ele faz parte da vida real.

b) Discernimento – “Detestai o mal, apegando-vos ao bem” (Rm 12:9b). O cristão deve apegar-se ao bem e abominar o mal com todas as forças da sua alma. Precisa sentir aversão e repugnância pelo mal. Não pode ser uma pessoa amorfa, insípida, que fica sempre em cima do muro, sem se posicionar.

c) Afeição – “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal” (Rm 12:10a). Devemos amar nossos irmãos em Cristo como amamos os membros da nossa família de sangue.

d) Honra – “[...] preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12:10b). O amor na família cristã deve expressar-se em honra mútua, assim como em afeição mútua.

e) Entusiasmo – “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). A apatia não combina com a vida cristã. O crente precisa ser um indivíduo em chamas para Deus. Precisa arder de zelo pelas coisas de Deus. É alguém que serve a Deus com fervor. Aqueles que são mornos provocam náuseas em Jesus à semelhança da igreja de Laodicéia, que estão prestes a ser vomitados pelo Senhor.

f) Paciência – “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (Rm 12:12). O crente cruza os vales da vida com os olhos cravados na esperança da gloriosa volta de Cristo. Ele se alimenta de uma viva esperança, enquanto pacientemente enfrenta as tribulações com uma vida de oração perseverante.

g) Generosidade – “Compartilhai as necessidades dos santos” (Rm 12:13a). Isto pode significar tanto participar das necessidades e dos sofrimentos dos outros, como repartir os nossos recursos com eles. Davi diz: "Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama" (Sl 41:1-3). Devemos ter uma terna compaixão pelos necessitados. A Bíblia diz: "...se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia" (Is 58:10).

h) Hospitalidade - “[...] praticai a hospitalidade” (Rm 12:13b). Se com os necessitados precisamos ser generosos, com os visitantes devemos ser hospitaleiros. O cristão não tem apenas seu coração e bolso abertos, mas também sua casa. Ele é hospitaleiro. O cristianismo é a religião do coração aberto, da mão aberta e da porta aberta.

i) Boa vontade – “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (Rm 12:14). O cristão deve desejar o bem até mesmo para aqueles que lhe desejam o mal. O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que a língua do cristão não deve ser rogo e veneno, mas árvore frutífera e fonte que jorra água límpida. Suas palavras são medicina. O cristão deve tornar a vida das pessoas mais suave com suas palavras. Ele é um encorajador. Suas palavras aliviam o fardo; são azeite na ferida. Suas palavras são verdadeiras, boas, oportunas e encontram graça.

j) Simpatia – “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12:15). O amor nunca se mantém longe das alegrias e das dores dos outros. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que o cristão não é solitário, mas solidário. Ele chora com o que sofre e alegra-se com o que se alegra. Trafega da festa de casamento para o funeral e do cemitério para um aniversario e solidariza-se com seus irmãos tanto em suas tristezas como em suas alegrias. O amor nunca se afasta das alegrias e das dores dos outros.

k) Harmonia – “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros” (Rm 12:16a). Os cristãos devem viver em concordância uns com os outros. Devem ser unânimes entre si, nutrir os mais nobres sentimentos e praticar as mais excelentes atitudes entre si.

l) Humildade – “[...] em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12:16b). Entre os cristãos não há espaço para o esnobismo. O amor coloca o outro na frente do eu. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que o cristão não pode aplaudir a si mesmo e colocar placas de honra ao mérito ao longo de seu caminho. Não é aprovado quem a si mesmo louva, diz a Palavra de Deus.

2. Exercitar o serviço cristão. Disse Paulo: “Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). A vida cristã é uma vida de serviço, de um serviço em todas as áreas da vida, de um cumprimento de tarefas determinadas pelo Senhor e da qual prestaremos contas quando chegarmos à eternidade.

A palavra servir tem uma tonalidade de submissão. Entre os militares essa expressão é muito comum, como, por exemplo: “Estou servindo no Aeroporto Pinto Martins”. Outros militares falam: “Estou servindo em Fortaleza, Belém etc.”.  Dá a ideia de submissão a uma autoridade superior. Da mesma maneira os cristãos servem ou devem servir ao Senhor.

Na parábola dos dois servos, Jesus nos mostra, claramente, que cada salvo é um servo e que todo servo é alguém que tem de servir, que tem de prestar um serviço, serviço que deve ser “assim”, ou seja, segundo um modelo, um padrão estabelecido pelo Senhor. Ele disse: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim”(Mt.24:46).

 “Agora, pois, que é que o Senhor, teu Deus requer de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”(Dt 10:12). Estas palavras foram ditas ao povo de Israel e que se aplicam, literalmente, a todos nós que pertencemos à Igreja do Senhor.

3. Exercitar a resistência ao mal. Adverte o apóstolo Paulo: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:21). O crente age transcendentalmente. Não é vencido pelo mal; ele vence o mal com o bem. O bem é o amor ao próximo e de modo geral a vontade de Deus. A primeira vitória sobre o mal é o amor. Abraão Lincoln dizia que a única maneira de vencer um inimigo é fazendo dele um amigo.

Estêvão, quando apedrejado, orou: "Senhor Jesus, não lhes imputes esse pecado" (At 7:60). A Bíblia diz que devemos abençoar os nossos inimigos e orar por eles. Se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer, se tiver sede, devemos dar-lhe de beber. O misericordioso perdoa as ofensas. Ele não registra mágoas. Ele não guarda rancor. Ele não armazena ira. Ele perdoa. Ele vence o mal com o bem. Quem não perdoa não pode ofertar, não pode adorar, não pode ser perdoado. Quem não perdoa adoece, é flagelado pelos verdugos da consciência e jamais receberá misericórdia. "O juízo é sem misericórdia para aquele que não exerce misericórdia" (Tg 2:13).

CONCLUSÃO

Somente os salvos tem uma nova vida em Cristo. A nova vida em Cristo consiste em viver separado do mundo de pecado, viver em santidade, não conformado com o mundo. Esta deve ser uma das características dos crentes salvos, porquanto esta é uma das exigências de Deus – “como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pd 1:14-16). Na Igreja Primitiva os Cristãos eram ensinados a viver entre os pagãos, andando de forma diferente da deles; eram ensinados a viver no mundo, não deixando que o mundo vivesse neles. Hoje, por certo, não é diferente. Os que estão andando como salvos observam o ensino de Paulo: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”(Fp 2:15). Para viver como salvo é necessário o viver em Santidade. Você está vivendo?

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 9 de maio de 2016

7ª lição do 2º trimestre de 2016: A VIDA SEGUNDO O ESPÍRITO


Texto Base: Romanos 8:1-17

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 8 da Epístola aos Romanos. Este capítulo é um dos mais apreciados da Bíblia. Trata da vida no Espírito, em contraste com aquilo que nós lemos no capítulo 7: a experiência de agonia, fracasso e derrota do homem carnal. No final do capítulo 7, Paulo garante aos crentes que todos têm o poder de vencer o pecado e a certeza da libertação final deste mundo de iniquidade. Mas ele inclui um aviso de que haverá durante toda a vida uma constante tensão por causa da nossa natureza pecaminosa; há um grande conflito entre a velha natureza e a nova natureza. O ser humano almeja, quer, mas não consegue obedecer ao que Deus determina, criando, então, aquele grito no final do capítulo 7: “desventurado homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”. É neste contexto, então, que Paulo introduz a Pessoa e a Obra de Cristo escrevendo as operações e as atividades do Espírito Santo naquele que está em Cristo Jesus, que é o assunto do capítulo 8. Neste capítulo, Paulo nos diz que a vitória sobre o pecado e a comunhão com Deus nos vêm pela união com Cristo, mediante o Espírito Santo que em nós habita. Ao recebermos o Espírito Santo e sermos por Ele dirigidos, somos libertos do poder do pecado e prosseguimos adiante para a glorificação final em Cristo. O que era impossível na antiga aliança, regida pela lei, agora se tornou possível graças a uma nova lei – a lei do Espirito de vida em Cristo Jesus. Assim, a vida cristã constitui-se essencialmente em vida no Espírito, quer dizer, uma vida que é animada, sustentada, orientada e enriquecida pelo Espírito Santo. O Espírito Santo que habita em nós concede-nos recursos para vivermos neste mundo de maneira santa e justa. Sem o Espírito Santo não poderemos viver de modo a agradar ao Pai. Que possamos nos entregar totalmente a Deus, permitindo que o seu Espirito nos guie. Sem Ele perderemos a bênção da esperança de morarmos ao lado do Senhor no Céu.

Romanos 8 trata das seguintes operações do Espirito Santo:

Ø Aplicação da Obra de Cristo no coração do crente (vv.1-4).

Ø Como o Espírito nos inclina agradar a Deus (vv. 5-8).

Ø Que Ele abita em todo verdadeiro cristão (vv. 9-11).

Ø Que Ele nos dá o poder para mortificar a carne, a tendência pecaminosa (vv. 12,13).

Ø Que Ele nos guia como filhos de Deus (vv.14,15).

Ø Que Ele testifica da nossa salvação e da nossa herança (vv.16,17).

Ø Que Ele nos conforta em meio aos sofrimentos do mundo presente (vv.18-25).

Ø Que Ele intercede por nós nas nossas orações (vv.26-27).

O capítulo termina com uma exposição de Paulo diante da obra do Espírito Santo, argumentando que somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus nosso Senhor e Salvador; são os versos 31-39, onde Paulo pergunta: “à vista disso tudo [o plano da salvação que foi exposto em Romanos capítulos 1-8] quem nos poderá separar do amor de Deus? Somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus, nosso salvador”.

I. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À LEI DO PECADO (Rm 8:1-4)

Ao falar da ação do Espírito Santo naquele que foi justificado pela fé, que está unido a Cristo, Paulo faz um contraste entre a vida na carne - que é a mesma coisa da vida debaixo da lei, que é a vida no mundo não regenerado – e a vida no Espírito - que é a vida do justificado, aquele que foi aceito por Deus e que foi perdoado. Paulo, também, mostra o resultado de cada um desses modos de vida. A vida na carne leva à morte, a vida no Espírito traz vida. Paulo agrupa a humanidade nestas duas categorias. Ou vivemos na carne, debaixo da lei, prisioneiro no pecado, condenados, destinados à morte, ou vivemos no Espirito, na liberdade que ele nos dá na vitória sobre o pecado, e frutificando para Deus e, finalmente, obtendo a vida eterna.

Às vezes olhando de fora não sabemos quem está na carne ou no Espírito, porque pecadores não regenerados ainda tem uma semente de religião: eles oram, eles cantam, eles contribuem, eles vão a igreja, mas nunca foram regenerados. E às vezes alguém que de fato foi regenerado, que já saiu dessa vida debaixo da lei e do domino do pecado, tem uma recaída, pois ninguém é perfeito, pode ser que alguém tropece. Assim, olhando numa primeira vista, numa primeira análise, não dá para dizer de cara quem é quem. Mas como disse o senhor Jesus: pelos frutos os conhecereis (Mt 7:16,20). O tempo acaba revelando a verdade da vida de cada um. Os frutos se mostram com clareza. É apenas uma questão de tempo.

Em Rm 7:24 Paulo expressa o seu lamento: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. Dá a impressão que Paulo carrega em suas costas um corpo em decomposição. Esse corpo é, certamente, a velha natureza com toda a sua corrupção. Em sua aflição, o apóstolo reconhece a incapacidade de se livrar dessa escravidão repulsiva. Ele precisa de ajuda externa. Mas, do vale do desespero e da derrota, o apóstolo se eleva com um grito de triunfo: Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). Não há nenhuma condenação divina no tocante aos nossos pecados, pois estamos em Cristo. Enquanto estávamos em Adão, nosso primeiro representante, havia condenação. Agora estamos em Cristo e, portanto, livres da condenação.

Romanos 8:2 explica o porquê de não haver mais nenhuma condenação: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus” nos “livrou da lei do pecado e da morte”. Vemos aqui duas leis ou princípios opostos. O princípio característico do Espírito Santo é dar poder aos cristãos para a vida de santidade. O princípio característico do pecado é arrastar a pessoa para a morte. É como a lei da gravidade. Quando lançamos uma bola para o alto, ela volta, pois é mais pesada que o ar que desloca. Um pássaro também é mais pesado que o ar, mas pode voar. A lei da vida no pássaro supera a lei da gravidade. Assim também o Espírito Santo provê a vida ressurreta do Senhor Jesus e liberta o cristão da lei do pecado e da morte. A lei nunca foi capaz de fazer as pessoas cumprirem suas exigências santas, mas onde a lei falhou, a graça foi bem-sucedida.

Compreendendo melhor...

A Lei não podia produzir uma vida de santidade porque estava enferma pela carne. O problema não era a Lei, mas a natureza humana decaída. A Lei foi dada a homens que já eram pecadores e não tinham forças para obedecer. Mas, Deus interveio enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa (cf Rm 8:3). É importante observar que o Senhor Jesus não veio em carne pecaminosa, mas em “semelhança de carne pecaminosa”. Ele não pecou (1Pd 2:22), não conheceu o pecado (2Co 5:21) e nele não existia pecado (1João 3:5). Porém, quando veio ao mundo em forma humana assemelhou-se à natureza humana pecaminosa. No sacrifício de Cristo, “condenou Deus, na carne, o pecado” (Rm 8:3). Cristo morreu não apenas pelos pecados que cometemos (1Pd 3:18), mas também por nossa natureza pecaminosa. Em outras palavras, além de morrer por aquilo que fizemos, Ele também morreu por aquilo que somos e, desse modo, “condenou [...], na carne, o pecado” (Rm 8:3). Não é dito em momento algum que nossa natureza pecaminosa foi perdoada; pelo contrário, ela foi condenada. O perdão é aplicado aos pecados que cometemos.

Agora, o preceito da Lei se cumpriu em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:4). Ao entregarmos o controle de nossa vida ao Espírito Santo, Ele nos capacita a amar a Deus e ao nosso próximo, o que constitui, afinal, o preceito da Lei (Mt 22:38-40).

Portanto, no capítulo 5:12-21, Paulo discorre sobre Adão e Cristo como nossos representantes; em Rm 8:1, ele mostra como a condenação que herdamos de nossa identificação com Adão é removida com nossa identificação com Cristo. Nos capítulos 6 e 7, o apóstolo Paulo tratou do problema atroz da natureza humana pecaminosa; em Romanos 8:1-4, ele anuncia, triunfantemente, que a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus nos liberta da lei do pecado e da morte. O capítulo 7, trata da Lei; no capítulo 8, descobrimos que a vida controlada pelo Espírito Santo cumpre as exigências da Lei.

II. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À NATUREZA ADÂMICA (Rm 8:5-17)

Duas forças antagônicas operam no homem: a natureza carnal e o Espírito Santo. Esta tensão entre “carne” e Espírito nos faz lembrar Gálatas 5:16-26, onde os dois se encontram em conflito irreconciliável um com o outro. Em Romanos 8:5-17, o apóstolo Paulo mostra o contraste entre o Espírito Santo e a natureza adâmica (a carne). A velha natureza perversa e corrompida só nos causou dissabores. Nunca trouxe nada de bom. Se Cristo não tivesse nos resgatados, a natureza adâmica teria nos arrastado para os lugares mais profundos, escuros e quentes do inferno. Os que vivem segundo a velha natureza (a carne) caminham, necessariamente, para a morte, não apenas física, mas também eterna. Como Rm 8:4,5 deixa claro, viver segundo a carne significa não ter salvação.

1. A velha inclinação (Rm 8:5-8). “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne” (Rm 8:5a). Paulo diz que aqueles que se inclinam para a carne, ou seja, os inconversos, se preocupam com as coisas da carne e obedecem aos impulsos da carne; vivem para realizar os desejos da natureza corrompida; cuidam apenas das coisas do corpo que, em pouco tempo, voltará ao pó. É bom deixar claro que, quando Paulo fala em “carne”, não está se referindo ao tecido muscular mole e macio que cobre o nosso esqueleto, nem aos instintos e apetites do nosso corpo, mas sim ao todo que compõe a nossa natureza humana, vista como corrupta e irredimida, nossa natureza humana caída e egocêntrica, ou o ego dominado pelo pecado (John Stott).

“A inclinação da carne é morte” (Rm 8:6). Ou seja, a inclinação de quem é dominado pela carne já é voltada para a morte espiritual e conduz inevitavelmente à morte eterna, pois ela aliena tais pessoas de Deus, impossibilitando a comunhão com Ele, seja neste mundo, seja no próximo. Segundo William Macdonald, o pendor da carne dá para a morte porque é inimizade contra Deus (Rm 8:7). O pecador vive em estado de rebeldia e hostilidade ativa contra Ele; a crucificação do Senhor Jesus Cristo foi prova clara dessa realidade. “O pendor da carne [...] não está sujeito à lei de Deus”. Deseja fazer a própria vontade, e não a vontade de Deus. Deseja ser seu senhor, e não se curvar à soberania divina. 

Além da inclinação, falta também o poder para obedecer. Portanto, não surpreende que os que estão na carne não podem agradar a Deus. Não há nada que uma pessoa não-salva possa fazer para agradar a Deus: nem boas obras, nem devoção religiosa, tampouco serviço sacrificial. Antes de tudo, essa pessoa precisa reconhecer sua condição de pecador e receber Cristo por um ato decisivo de fé. Somente então poderá receber a aprovação de Deus.

Paulo diz mais: “porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8:13). O “viver segundo a carne” se revela através do corpo. Portanto, devemos nos afastar da carne (natureza pecaminosa) e das suas iníquas atitudes, das suas práticas e suas habituais respostas. Este é um ato que deve ser realizado e uma atitude que deve ser tomada; devemos todos os dias nos afastar dos desejos que nos levam para longe de Deus.

2. A nova inclinação (Rm 8:5b,9). “Mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito” (Rm 8:5b); “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9).

Depois de nascer de novo, a pessoa não está mais na carne, mas no Espírito. Ela passa a viver em um novo âmbito. Assim como o peixe vive na água e o homem vive na superfície terrestre, o cristão vive no Espírito. Não apenas ele vive no Espírito, como também o Espirito vive nele. Na verdade, se o Espírito de Cristo não habita dentro dele, ele não pertence a Cristo. Portanto, os que se inclinam para o Espírito, ou seja, os verdadeiros cristãos, transcendem a carne e o sangue e vivem para as coisas eternas. O Espírito inclina nossa mente para desejá-lo. Essa inclinação é um pendor, um desejo forte que nos impulsiona e nos arrasta. Os que são dominados pela carne buscam agradar a carne e praticar suas obras (Gl 5:19-21), mas os que se inclinam para o Espírito, cogitam das coisas do Espirito; ocupam-se da Palavra de Deus, da oração, da adoração e do serviço cristão.

3. A nova filiação (Rm 8:14-17). “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai”.

Os judeus se consideravam filhos de Deus por causa da sua herança, mas Paulo explica que agora esse termo tem um novo significado. Os verdadeiros filhos de Deus são aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus como ficou provado no seu estilo de vida. Os crentes não têm apenas o Espirito (Rm 8:9), eles também são guiados por Ele. Este privilégio, que tornou possível ao crente ser orientado ou guiado pelo Espirito aconteceu porque Deus nos deu a adoção de filhos – “... recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8:15). “Aba” é a palavra aramaica usada pelos judeus (e até hoje pelas famílias que falam o hebraico) como o termo familiar com o qual os filhos se dirigem ao seu pai. Pertencemos agora à família de Deus. Temos intimidade com Deus.

O Espírito Santo é testemunha da nossa filiação - “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16). Portanto, não basta saber que somos filhos de Deus por adoção, precisamos estar conscientes desse auspicioso privilégio. O Espírito Santo testifica com nosso espirito que somos filhos de Deus. Então, não precisamos viver cabisbaixos, derrotados e envergonhados. Somos agora filhos do Altíssimo, membros da família de Deus. Isso não é sugestão humana, mas testemunho fiel do Espírito Santo que habita em nós. Glórias sejam dadas a Deus!

Os membros da família de Deus desfrutam privilégios extraordinários. Todos os filhos de Deus são herdeiros de Deus. Mais cedo ou mais tarde, o herdeiro recebe os bens de seu pai. O apostolo Paulo confirma isso dizendo: “E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8:17).  Portanto, tudo que o Pai possui é nosso. Ainda não estamos desfrutando tudo isso, mas certamente o faremos no futuro bem próximo. E somos coerdeiros com Cristo; em seu Reino, teremos parte com Ele em todas as riquezas do Pai.

Todavia, Paulo nos faz lembrar de que a vida vitoriosa no Espírito Santo não é nenhum caminho fácil – “se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17b). Jesus sofreu, e nós que o seguimos sofreremos também. Esse sofrimento é considerado um sofrimento em conjunto com Ele (cf. 2Co 1:5; Fp 3:10; Cl 1:24; 2Tm 2:11,12) e advém do nosso relacionamento com Deus como seus filhos, da nossa identificação com Cristo, do nosso testemunho dele e da nossa recusa de nos conformar com o mundo (cf. Rm 12:1,2).

III. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO ENTRE A NOVA ORDEM E A ANTIGA (Rm 8:18-39)

O final do versículo 17, do capítulo em epígrafe, termina com uma conexão entre o sofrimento e a glória. Isto nos ensina que a participação na glória de Cristo somente será alcançada depois de uma participação no seu sofrimento (Rm 8:17). Mas, Paulo completa esse pensamento e conclui que nossos atuais sofrimentos “não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). O sofrimento atual é temporário, enquanto a glória futura é eterna. Paulo escreveu aos Coríntios: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co 4:17). O sofrimento é parte do processo de partilhar da morte de Cristo e irá culminar na participação da Sua glória. Essa participação da glória de Deus tem proporções cósmicas, pois o glorioso destino dos crentes irá assimilar um novo Dia para toda criação. Aqui ainda há dor e lágrimas; há fraqueza e morte; porém, não caminhamos para um túmulo gelado e frio, mas para a gloriosa ressurreição. Não caminhamos para um destino desconhecido nem para um lugar de tormento, mas para a bem-aventurança eterna. O sofrimento presente não pode ser comparado às glórias futuras. Diante do fulgor da glória que nos espera, os sofrimentos do presente mundo são leves e momentâneos. Aleluia!

1. A manifestação dos filhos de Deus – “A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8:19). Paulo informa enfaticamente que “toda criação geme e suporta angústias até agora” (Rm 8:22). A criação que Paulo se refere é a criação irracional, animada ou inanimada. A queda não atingiu apenas o homem, mas também a natureza.

Vivemos em um mundo que suspira, soluça e sofre. Toda a criação geme e padece dores como as de parto. A criação não se contorce com os gemidos da morte, mas geme como uma mulher prestes a dar à luz (Rm 8:22). Seus gemidos não são de desespero, mas de gloriosa expectativa. Ela não geme por causa de um passado inglório, mas por um futuro glorioso. John Stott diz que “os gemidos da criação são dores inevitáveis no vislumbre de uma Nova Ordem”. A escravidão da decadência dará lugar à liberdade da glória (Rm 8:21). Às dores de parto seguirão as alegrias do nascimento (Rm 8:22). A criação se recorda das condições ideais no Éden e depois vê a destruição causada pela entrada do pecado no mundo. Sempre houve a esperança da volta ao estado bucólico, isto é, de beleza natural, campestre, primaveril, terno e maravilhoso, no qual a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção e poderá desfrutar a liberdade da era dourada na qual os filhos de Deus serão manifestados em glória.

A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8:19,21). A criação vive como que na ponta dos pés, esticando o pescoço, olhando para esse futuro que virá trazendo em suas asas a restauração de todas as coisas. As palavras “ardente expectativa” (Rm 8:19), no grego, significam esperar de cabeça erguida e com os olhos fixos naquele ponto do horizonte de onde virá o objeto esperado: “a manifestação dos filhos de Deus”. Paulo personifica toda criação aguardando com “ardente expectativa” o tempo em que seremos revelados filhos de Deus diante de um mundo maravilhado. Isso ocorrerá quando o Senhor vier para reinar e nós voltarmos com Ele. Já somos filhos de Deus, mas o mundo não reconhece nem aprecia nossa condição. E, no entanto, o mundo espera por um dia melhor, um dia que virá somente quando o Rei voltar para reinar com todos os seus santos.

2. Provas do grande amor de Deus. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32).

A maior prova do grande amor de Deus foi a entrega do seu único Filho para morrer, vicária e substitutivamente, em nosso lugar - “nem mesmo a seu próprio Filho poupouantes, o entregou por todos nós”. Aqui, a palavra “poupou” é a mesma para “negar”, usada em Gn 22:12, quando Deus disse a Abraão: “não me negaste o teu filho, o teu único filho”.

Quando a humanidade perdida precisou ser salva por um substituto sem pecado, o Deus do universo não reteve o tesouro mais precioso do seu coração; antes, entregou-o a uma morte vergonhosa em nosso lugar -“o entregou por todos nós...” (Rm 8:32). Cristo é o Dom inefável de Deus, e a cruz é o gesto mais profundo do seu amor. Cristo não morreu como um mártir; foi entregue, e Ele mesmo se entregou por toda a humanidade. Quem entregou Jesus à morte não foi Judas, por dinheiro; não foi Pilatos, por medo; não foram os judeus, por inveja; mas o Pai, por amor.

Diante deste inefável amor, o apóstolo Paulo descreve uma lógica irresistível: “... como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32). Se Deus já nos deu a maior de todas as dádivas, acaso reterá alguma dádiva de menor valor? Se Ele já pagou o mais alto preço, acaso hesitará em pagar algum preço menor? Se Ele não mediu esforços para obter nossa salvação, acaso nos abandonará?  Porventura, “não nos dará também com Ele todas as coisas?”.

3. Deus é conosco. “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).

Satanás e todos que estão sob o seu poder são contra nós, mas Deus promete que, no final, sairemos vitoriosos. Observe que o apóstolo Paulo não pergunta: "Quem é contra nós?", pois, se assim o fizesse, o inferno inteiro se levantaria, vociferando seu ódio incontido. A pergunta é: "Se Deus está do nosso lado, quem poderá deter-nos ou resistir a nós?". Se o Rei e Senhor do universo está do nosso lado, se ele nos amou, nos chamou, nos justificou e já decretou a nossa glorificação, então somos vitoriosos e invencíveis. Ainda que o inferno inteiro se levante contra nós, certamente triunfaremos.

John Stott corretamente afirma: "O mundo, a carne, e o diabo podem continuar alistando-se contra nós, porém nunca nos poderão vencer, se Deus é por nós”.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Warren Wiersbe, diz que Deus é por nós e provou isto dando-nos seu Filho (Rm 8:32). O Filho é por nós e prova isto intercedendo por nós junto ao Pai (Rm 8:34). O Espírito Santo é por nós, assistindo-nos em nossa fraqueza e intercedendo por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8:26). Deus trabalha para que todas as coisas contribuam para o nosso bem (Rm 8:28). Em sua pessoa e em sua providência, Deus é por nós. Por vezes, lamentamos como Jacó: "Todas estas coisas me sobrevêm" (Gn 42:36), quando, na verdade, tudo está trabalhando em nosso favor. Deus é conosco, sempre!

CONCLUSÃO

Conquanto as provas, as tribulações, as vicissitudes, sejam brutais e impiedosas, o crente, que tem sua vida segundo o Espírito Santo de Deus, está seguro em Cristo. Se está seguro em Cristo é porque está em Cristo. E “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1); “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Rm 8:38,39). “Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:37).

Portanto, o fim do nosso caminho não é o sepulcro coberto de lágrimas, mas o hino triunfal da gloriosa ressurreição. Nossa jornada não terminará com o corpo surrado pela doença, enrugado pelo peso dos anos, coberto de pó na sepultura, mas receberemos um corpo de gloria, semelhante ao de Cristo (Fp 3:21). Nosso corpo resplandecerá como o fulgor do firmamento e como as estrelas, sempre e eternamente (Dn 12:3). Nosso choro cessará, nossas lágrimas serão estancadas. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor (Ap 21:4). Esta é uma promessa inexorável a todos aqueles que têm sua vinda segundo o Espírito de Deus. Aleluia!

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço