Seguidores

segunda-feira, 29 de março de 2010

1ª Lição: Jeremias, o Profeta da esperança

Escola Bíblica Dominical
Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Fredrico maia - 49
Viçoca - Alagoas
Segundo Trimestre de 2010


I - INTRODUÇÃO:

Desde o ventre materno, Jeremias foi escolhido por Deus para ser profeta. Portanto, o que ele falou, mesmo em desacordo com a vontade do povo, foi a mensagem divina contra a idolatria judaica. Perseguido e preso, persistiu no propósito de combater o erro, a fim de que a nação se arrependesse e fosse salva do cativeiro. O ministério de Jeremias durou cerca de 40 anos e se estendeu pelo reinado dos cinco últimos reis de Judá, quais sejam:

(1) - Josias - O soberano por meio do qual aconteceu o último despertamento espiritual de Judá - II Cr 34 e 35;

(2) - Jeoacaz, também chamado Salum, o qual, após três meses de governo, foi deposto e levado para o Egito - Jr 22:11-12; II Cr 36:1-4;

(3) - Jeoiaquim, também chamado Eliaquim, irmão de Jeoacaz - II Cr 36:4-8 - Rei idólatra e mau, que foi duramente repreendido por Jeremias - II Rs 23:7; Jr 22:13-19;

(4) - Joaquim, também chamado de Conias ou Jeconias - Jr 22:24; 24:1 - reinou por um período de três meses; e

(5) - Zedequias, também chamado de Matanias. Era o tio do rei Joaquim e, portanto, filho do rei Josias - II Rs 24:17 - Foi um rei fraco, vacilante e joguete nas mãos dos políticos de sua época. Não se humilhou perante o profeta Jeremias que lhe falava da parte do Senhor. Por sua desobediência à Palavra de Deus, pagou muito caro - II Cr 36:12; II Rs 25:5-7.

Só nas mãos de Jeová seria possível a um jovem, nascido numa aldeia de um país insignificante na arena política do mundo, chegar a influenciar o destino das nações. Mas foi isto que Deus propôs ao jovem Jeremias. Não é de admirar que sua reação tenha sido: “SOU UM MENINO”.

Deus, entretanto, não precisa tanto de homens experimentados quanto de homens dedicados; o Senhor dá a capacidade e experiência necessárias para que Sua obra seja executada; tudo para Sua honra e glória.

II - A IGREJA E O PODER POLÍTICO NO BRASIL:

- Pelo livro do Profeta Jeremias vemos que não é possível unir a vida política com a religiosa. A maioria dos reis de Judá perseguiu o Profeta Jeremias, não dando ouvidos às advertências de Deus.

- Nos últimos tempos em nosso País, principalmente por ocasião das eleições, podemos ouvir com bastante freqüência e fervor muitos pregadores e líderes evangélicos afirmando que a Igreja deve conquistar o poder político no Brasil e impor sobre a sociedade um governo baseado na Bíblia Sagrada.

- Multiplicam-se as vozes a favor do domínio da Igreja sobre as instituições sociais e políticas da nação. Surgiram há alguns anos as seguintes frases:

- (1) - “O Brasil é do Senhor Jesus! Povo de Deus, declare isso!”

- (2) - “A solução dos problemas do Brasil está na Igreja!”

- (3) - “Chegou a hora de a Igreja ocupar os postos de liderança desta nação!”

- (4) - “O caos social, político e econômico do Brasil é decorrência, numa primeira instância, das maldições espirituais que repousam sobre o nosso país!”

- (5) - “Já somos 35 milhões de evangélico no Brasil e está na hora de assumirmos o governo deste País!”

- No entanto, a situação política, social e econômica do Brasil não é decorrência apenas da situação espiritual. Se assim o fosse, o Japão não seria uma das maiores potências do mundo. Ora, o que predomina lá é o Budismo, o Xintoísmo e o culto aos antepassados. Logo, os problemas do Brasil são bastante complexos e não serão resolvidos apenas com a eleição de alguns evangélicos ou de um Presidente da República cristão.

- Para piorar a situação, podemos constatar, ao longo dos anos, que o envolvimento de muitos evangélicos com a política tem produzido resultados desanimadores, um vexame para a Igreja do Senhor. Muitos evangélicos, depois de eleitos, perceberam que legislar não é a mesma coisa que contar histórias bíblicas ou dar gritos de “glória Deus e aleluia!”

III - BASE BÍBLICA USADA PELOS ADEPTOS DA TEOLOGIA DO DOMÍNIO:

III.1 - Gn 1:26-28

- REFUTAÇÃO - A ordem original que Deus deu ao homem era o domínio sobre o ambiente e não sobre os seus semelhantes;

III.2 - Mt 28:18-20

- REFUTAÇÃO - Fazer discípulos de todas as nações não significa ensinar princípios bíblicos às instituições políticas do mundo.
- De fato, o N.T. usa “nações” para referir-se a entidades políticas (Mc 13:8; At 2:11). Mas também (e com maior frequencia) para grupos de pessoas, especialmente gentios (Mt 6:32; Gl 2:9; Ef 2:11). Além disso, batizam-se e ensinam-se à pessoas e não à instituições civis!

IV - EXEMPLOS BÍBLICOS DA VIDA POLÍTICA EM DESARMONIA COM A RELIGIOSA:

IV.1 - I Sm 13:8-14:

Acumular os atributos dos sacerdotes com os do rei era proibido aos judeus. Saul foi desobediente ao porta-voz de Deus. Ao invés de esperar por Samuel, ofereceu um holocausto para unir o povo e prepará-lo para a guerra. Preferiu adorar a ética situacionista, em vez da ética bíblica e, depois, ofereceu desculpas para sua conduta. Saul tentou se justificar ao invés de confessar seu pecado (Lv 14:19-20).

IV.2 - I Rs 21:17-29; II Rs 1:1-17:

- Em atenção à humildade do terceiro capitão, Elias recebeu ordem do Anjo do Senhor para descer. Mas não recebeu ordem de alterar a mensagem que Deus tinha para aquele rei!

IV.3 - II Cr 26:16-21:

- Homens de firmeza - sua firmeza e sua coragem provinham do hábito de respeitarem mais a Deus do que aos homens. Deus julgou Uzias acometendo-o de lepra por ter usurpado prerrogativas que cabiam aos sacerdotes (Ex 30:1-10).

- Aqueles sacerdotes resistiram ao rei. O rei não podia reger fora do alcance de sua autoridade. A lei considerava todos os leprosos como cerimonialmente imundo, INCLUSIVE O REI.

- Uzias não se separou do pecado e para o Senhor. Por isso, Deus o separou dos amigos, da sua família, do seu trono e do santo Templo, que pertence ao Santo Deus.

IV.4 - Jo 18:28-38:

- Ainda que o reino de Cristo não seja reino político, tem ministros leais. Não sendo deste mundo, sua realidade celestial se demonstra na persuasão do amor e não nas armas. O rei é Cristo que reina pela força da verdade (Sl 91:4; 93:1-2, 5)

IV.5 - Dn 4:17-18, 24-27; 5:1-29:

- Daniel tinha plena consciência da sua alta missão profética. Não era hora de levantar interpretação que agradassem à casa real, nem de considerar a autoridade humana, e, portanto, as honras carnais eram desprezadas, pois bem sabia Daniel de quão pouco valiam. Daniel não poupou a família real.

IV.6 - Ne 6:10-14:

- Semaías alegou ter recebido uma revelação especial sobre um atentado contra a vida de Neemias e sugeriu que o lugar santo no Templo em Jerusalém era o único lugar seguro para Neemias. Tal sugestão, todavia, desmascarou a traição de Semaías, uma vez que somente os sacerdotes podiam entrar no lugar santo (Nm 18:7)

IV.7 - Jo 6:9-15; Mt 4:8-10:

- Jesus não aceitou tornar-se um líder político e ainda resistiu e desprezou a oferta de Satanás, não caindo, portanto, em tentação.

V - SOMOS UM POVO SACERDOTAL E PROFÉTICO:

Jr 1:1 - Sendo de família sacerdotal, ou seja, da Tribo de Levi, descendente de Arão, Jeremias também é sacerdote por hereditariedade, mas Deus lhe deu a missão de PROFETA, isto é, “ALGUÉM QUE FALA”, “UM PORTA-VOZ” da mensagem de Jeová.

II Pe 2:9 - “Mas vós sois… o sacerdócio real… para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou…”
Diante do quadro caótico na política, será que estamos em condições de executarmos um ministério idêntico ao de Jeremias? Ou seja, de exercermos as funções de sacerdotes e de profetas? Meditemos:

V.1 - OS SERVIÇOS DOS SACERDOTES:

(1) - Tomar conta do tabernáculo - Nm 18:1, 5, 7 - Tenhamos zelo pela Casa do Senhor;

(2) - Acender e conservar em ordem as lâmpadas do santuário - Ex 27:20-21; Lv 24:3-4 - Sejamos cheios da Palavra (lâmpada) e da presença de Cristo, a Luz do mundo;

(3) - Conservar sempre aceso o fogo do altar - Lv 6:12-13 - Estejamos sempre na presença de Deus, em santificação;

(4) - Queimar incenso - Ex 30:7-8; Lc 1:9 - Oremos sem cessar;

(5) - Colocar e remover os pães da proposição - Lv 24:5-9 - Tenhamos sempre comunhão uns com os outros;

(6) - Abençoar o povo - Nm 6:23-27 - Na autoridade do nome de Jesus, ministremos as bênçãos celestiais ao povo de Deus;

(7) - Purificar os imundos - Lv 15:30-31 - Oremos para que Deus perdoe nossos pecados;

(8) - Decidir os casos de ciúmes - Nm 5:14-15 - Não fiquemos enciumados por aquele (a) que o Senhor tem usado em Sua obra: Deus usa quem Ele quer, como quer e quando quer;

(9) - Decidir casos de lepra - Lv 13:1-59; 14:34-35 - Não brinquemos com o pecado; onde ele habitar, a santidade será extinta;

(10) - Julgar os casos de controvérsia - Dt 17:8-13; 21:5 - Nossa palavra seja sim, sim e não, não;

(11) - Ensinar a lei - Dt 33:8-10; Ml 2:7 - Estudemos com afinco a Palavra do Senhor, pois não podemos ensinar o que não sabemos;

(12) - Transportar a arca - Js 3:6, 17; 6:12 - Onde pisarmos a planta dos nossos pés, a presença de Deus estará conosco;

(13) - Encorajar o povo a ir à guerra - Dt 20:1-4 - Que os covardes e medrosos voltem para casa;

(14) - Tocar as trombetas em várias ocasiões - Nm 10:1-10; Js 6:3-4 - Não nos calemos diante do pecado; clamemos contra ele, em nome de Jesus;

(15) - Não podiam casar-se com mulheres divorciadas ou impróprias - Lv 21:7 - Não esqueçamos: Deus odeia o repúdio, o divórcio - Ml 2:16;

(16) - Não podiam beber vinho - Lv 10:9; Ez 44:21 - Não vos embriagueis com vinho em que há contendas, mas enchei-vos do Espírito Santo;

(17) - Enquanto estivessem imundos, não podiam realizar qualquer serviço - Lv 22:1-2 cf Nm 19:6-7 - Enquanto estivermos em pecado, estaremos desqualificados para fazermos a obra do Senhor;

(18) - Enquanto estivessem imundos, não podiam comer das coisas santas - Lv 22:3-7 - Enquanto estivermos em pecado, não poderemos manter comunhão com Deus e a Sua Igreja; o pecado faz separação entre nós e Deus.

V.2 - OITO CARACTERÍSTICAS DO PROFETA:

(1) - Tem estreito relacionamento com Deus e se torna confidente do Senhor (Am 3.7).

(2) - Não somente ouve a voz de Deus, como também sente Seu coração (Jr 6.11; 15.16,17; 20.9).

(3) - À semelhança de Deus, o profeta ama profundamente o povo (Ez 18.23). Por isso, suas mensagens são cheias não somente advertências, como também palavras de esperança e consolo.

(4) - O profeta busca o sumo bem do povo, isto é, total confiança em Deus e lealdade a Ele; eis porque advertia contra a confiança na sabedoria, riqueza, poder humanos e nos falsos deuses (Jr 8.9,10; Os 10.13, 14; Am 6.8).

(5) - O profeta tem profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2.12,13,19; 25.3-7; Am 8.4-7; Mq 3.8).

(6) - O profeta desafia constantemente a santidade superficial e oca do povo, procurando desesperadamente encorajar a obediência sincera às palavras que Deus revelou na Lei - Jr 22:21 cf 29:10;

(7) - O profeta tem uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (Is 63.1-6; Jr 11.22,23; 13.15-21; Ez 14.12-21; Am 5.16-20,27), bem como em restauração e renovação (Is 65.17-66.24; Jr 33; Ez 37).

(8) - Finalmente, o profeta é, via de regra, um homem solitário e triste (Jr 14.17,18; 20.14-18; Am 7.10-13; Jn 3- 4), perseguido pelos falsos profetas que predizem paz, prosperidade e segurança para o povo que se acha em pecado diante de Deus (Jr 15.15; 20.1-6; 26.8-11; Am 5. 10 cf. Mt 23.29-36; At 7.51-53). Ao mesmo tempo, o profeta verdadeiro é reconhecido como homem Deus, não havendo, pois, como ignorar o seu caráter e a sua mensagem.

VI - CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Sempre que um cristão tiver a oportunidade de exercer um cargo público (O QUE NÃO É NENHUM PECADO), deve fazê-lo com justiça e com ética cristã, tendo em mente que terá que prestar contas a Deus dos privilégios e responsabilidades que lhe forem atribuídas.

No entanto, a ética cristã na Igreja evangélica brasileira está tão comprometida hoje, que o risco de votar em crente é muito maior do que votar no descrente. Porque, pelo menos, o descrente não trará escândalo para o Evangelho e a Igreja de Deus.

Por isso, é muito difícil um obreiro, o qual tem a chamada divina para o ministério, conciliar a obra de Deus e a política, pois uma é eterna e a outra terrena. Deve, por isso, dedicar-se somente à primeira, da qual dará conta na eternidade.

Um obreiro realmente chamado por Deus e em plena atividade ministerial, não deve jamais trocar sua chamada por qualquer outra coisa. Caso venha fazê-lo, que deixe o exercício do ministério. Além disso, não podemos esquecer que a missão principal da Igreja antes da volta do Senhor é o evangelismo e o discipulado, e não formar cruzadas para tomar o poder ou conquistar o domínio político numa nação ou no mundo.

Finalizando: Uma das perguntas básicas neste assunto é:
- “Lá no Congresso Nacional, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras dos Vereadores tem ministração da Santa Ceia? Tem oração? Tem pregação e estudo da Palavra de Deus? Podemos orar e falarmos em mistérios com Deus?…” -
Não???!!!….

Então, homem e mulher de Deus, em nome de Jesus:
- “… ATENTA PARA O MINISTÉRIO QUE RECEBESTE NO SENHOR, PARA QUE O CUMPRAS” - Cl 4:17

Amém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário