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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

VOCÊ FOI FORMADO PARA AGRADAR A DEUS

No instante em que você nasceu neste mundo, Deus estava lá como testemunha invisível, sorrindo ao assistir seu nascimento. Ele quis que você vivesse, e sua chegada lhe deu enorme prazer. Deus não precisava criar você, mas escolheu criá-lo para a satisfação dele. Você existe para benefício, glória, propósito e prazer de Deus.

Dar satisfação a Deus, vivendo para seu prazer, é o primeiro pro¬pósito de sua vida. Quando você tiver compreendido plenamente essa verdade, jamais voltará a se sentir insignificante, pois isso pro¬va o valor que você tem. Se você é tão importante para Deus, e ele o considera valioso o suficiente para mantê-lo consigo por toda a eter¬nidade, que maior relevância você poderia alcançar? Você é um filho de Deus e proporciona prazer ao coração dele como nada mais que ele já tenha criado. A Bíblia diz: Deus já havia resolvido que nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era o seu prazer e a sua vontade.1

Um dos maiores dons que Deus lhe deu foi a capacidade de apre¬ciar o prazer. Ele o dotou com cinco sentidos e emoções, para que você pudesse experimentá-lo. Ele deseja que você aprecie a vida, não se limitando a apenas suportá-la. O motivo pelo qual você pode sentir prazer é que Deus o fez à sua imagem.

Nós nos esquecemos com freqüência de que Deus também tem emoções. Ele possui sentimentos intensos. A Bíblia diz que Deus sofre, fica enciumado e encolerizado, sente compaixão, piedade, tris¬teza e comiseração, bem como alegria, regozijo e satisfação. Deus ama, se deleita, sente prazer, exulta, desfruta e até mesmo ri!2



Dar prazer a Deus é o que se chama “adorar”. A Bíblia diz: O SENHOR se agrada somente daqueles que o adoram e confiam em seu amor.3

Qualquer atitude sua que venha agradar a Deus é um ato de adoração. Como o diamante, a adoração apresenta várias facetas. Seriam necessários vários livros para abordar tudo que precisamos compreender a respeito da adoração; mas nesta parte estudaremos os aspectos principais da adoração.

Os antropólogos perceberam que a adoração é um impulso univer¬sal, posto por Deus na estrutura de nosso ser — uma necessidade in¬trínseca de nos ligarmos a Deus. Ado-rar é tão natural quanto comer e respi¬rar. Quando não conseguimos adorar a Deus, sempre achamos um substitu¬to, ainda que no fim sejamos nós mes¬mos. A razão pela qual Deus nos fez com esse desejo é que ele anseia por adoradores! Jesus disse: São estes os adoradores que o Pai procura.4

Dependendo de sua formação religiosa, pode ser que você precise ampliar sua compreensão do termo “adorar”. Você talvez imagine cultos na igreja em que haja cânticos, orações e se escute uma prega¬ção. Ou talvez você imagine um cerimonial, velas e uma ceia. Ou talvez ainda imagine curas, milagres e experiências arrebatadoras. A adoração pode incluir esses elementos, mas vai muito além dessas manifestações. Adorar é um estilo de vida.



Adoração é muito mais do que música. Para muitas pessoas, adorar é apenas sinônimo de música. Elas dizem: “Em nossa igreja temos primeiro a adoração e depois o ensinamento”. Esse é um gran¬de mal-entendido. Todos os momentos do culto em uma igreja são um ato de adoração: a oração, a leitura da Bíblia, os cânticos, a declaração de fé, o silêncio, manter-se quieto, ouvir uma pregação, tomar notas, ofertar, assinar um cartão de compromisso e até mes¬mo saudar outros adoradores.

Na verdade, a adoração é anterior à música. Adão adorou no jardim do Éden, mas não há nenhuma menção à música antes de Gênesis 4.21, com o nascimento de Jubal. Se adoração fosse somente música, então os que nunca se utilizaram da música jamais adora¬ram. Adoração é muito mais do que música.

De modo ainda mais grave, o termo “adoração” é muitas vezes utilizado erroneamente em alusão a um estilo musical específico:

“Primeiro cantamos um hino, depois uma canção de louvor e adora¬ção”. Ou: “Gosto das canções de louvor mais rápidas, mas prefiro as canções de adoração mais lentas”. De acordo com essa convenção, se uma canção for rápida, alta ou usar metais, é considerada “louvor”. Mas, se for lenta, tranqüila e intimista, talvez acompanhada por um violão, é “adoração”. Esse é um uso inadequado e bastante comum da palavra “adoração”.

Adoração não tem relação com o estilo, volume ou andamento da música. Deus ama todos os tipos de música porque ele inventou todas — rápidas e lentas, altas e suaves, antigas e modernas. É pro¬vável que você não goste de todas, mas Deus gosta! Se ela é oferecida a Deus em espírito e em verdade, então é um ato de adoração.

Os cristãos freqüentemente discordam quanto ao estilo de músi¬ca a ser utilizado na adoração, defendendo apaixonadamente seus estilos preferidos como se fossem os mais bíblicos ou reverentes a Deus. Mas não existe um estilo bíblico! Não existem notas musicais na Bíblia, e nós nem temos os instrumentos que eles utilizavam nos tempos bíblicos.

Para ser sincero, o estilo musical que você prefere diz mais sobre você — sua formação e personalidade — do que sobre Deus. O som de um grupo étnico pode soar barulho para outro. Mas Deus gosta de diversidade e aprecia a todos.

Não existe nada como música “cristã”; existe apenas letra cristã. É a letra que torna uma canção sagrada, e não a melodia. Não exis¬tem melodias espirituais. Se eu tocasse para você uma música sem a letra, não haveria como saber se é uma canção “cristã”.

A adoração não é para nosso benefício. Como pastor, recebo bilhe¬tes dizendo: “Eu amei a adoração de hoje. Foi muito bom para mim”. Esse é outro mal-entendido a respeito da adoração. Ela não é para nosso benefício. Quando adoramos, nosso ob¬jetivo é agradar a Deus, não a nós mesmos.

Se você alguma vez já disse “Não apro¬veitei em nada a adoração de hoje”, você ado¬rou pelos motivos errados. A adoração não é para você, é para Deus. Logicamente, a maioria dos cultos de adora¬ção também tem elementos de comunhão entre os irmãos, edificação e evangelização; e existem benefícios na adoração, mas nós não adora¬mos para nossa satisfação. Nossa motivação é glorificar e agradar ao nosso Criador.

No capítulo 29 de Isaías, Deus reclama de uma adoração sem entusiasmo e hipócrita. As pessoas estavam oferecendo a Deus ora¬ções insípidas, louvores fingidos, palavras vazias e rituais artifici¬ais sem que seu significado fosse levado em consideração. O coração de Deus não é tocado pela tradição na adoração, mas pela paixão e pelo empenho. A Bíblia diz: O SENHOR diz: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam é feita só de regras ensinadas por homens”.5

A adoração não é parte de sua vida; ela é a sua vida. Não o adore somente nos cultos na igreja, pois nos foi dito: Procurem a ajuda do SENHOR; estejam sempre na sua presença6 e Cantem glórias e louvem ao Senhor desde o nascer até o pôr-do-sol.7 Na Bíblia, as pessoas louvavam a Deus no trabalho, em casa, na batalha, na prisão e até mesmo na cama! Louvar deveria ser sua primeira atividade, assim que abrisse os olhos pela manhã, e sua última atividade, ao fechá-los à noite.8 Davi disse: Eu agradecerei ao SENHOR O tempo todo. Minha boca sempre o louvará.9

Cada atividade pode ser transformada em ato de adoração, quando você a faz para louvar, glorificar e agradar a Deus. A Bíblia diz: Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.10

Martinho Lutero disse: “Uma ordenhadora pode tirar o leite das vacas para a glória de Deus”.

Como é possível fazer tudo para a glória de Deus? Ao fazer tudo como se estivesse fazendo para Jesus e mantendo uma conversa contínua com ele durante sua atividade. A Bíblia diz: Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens.11

Este é o segredo de um estilo de vida em adoração — fazer todas as coisas como se fosse para Jesus. A Bíblia, na paráfrase The Message [A Mensagem], diz: Pegue sua vida diária e comum — seu dormir, comer, trabalhar e passear — e ponha diante do Senhor como ofer¬ta.12 O trabalho se torna adoração quando você o dedica a Deus e o realiza consciente de sua presença.

Logo que me apaixonei pela minha esposa, pensava nela o tem¬po todo: no café da manhã, dirigindo para a escola, assistindo às aulas, na fila do supermercado, abastecendo o carro — eu não con¬seguia parar de pensar nessa mulher! Eu constantemente falava com meus botões sobre ela e pensava sobre as coisas que eu amava nela. Isso fazia com que eu me sentisse perto de Kay mesmo quan¬do estávamos separados por vários quilômetros de distância e ía¬mos para faculdades diferentes. Pensando nela constantemente, eu estava permanecendo no seu amor. Esta é a verdadeira adora¬ção — apaixonar-se por Jesus

Fonte:Uma Vida com Propósitos (Rick Warren)


sábado, 18 de fevereiro de 2012

FUGINDO DE DEUS



Se alguém se der ao trabalho de verificar e fazer um confronto entre o número de pessoas que fogem de Deus e o daquelas que seguem ao Senhor, chegará a conclusões surpreendentes, constatará quão poucos trilham as veredas que conduzem a Deus, e notará que as multidões resvalam para o abismo, numa carreira agitada e irrefletida fugindo de Deus.



Adão foi o primeiro homem que fugiu de Deus. Escondeu-se quando desobedeceu, e seu exemplo frutificou, fêz discípulos e o que se vê, hoje, são homens consciente e inconscientemente fugindo de Deus, como se alguém pudesse esconder-se dos olhos do Onipresente.


Qualquer pessoa que estudar a psicologia das multidões sob o ponto de vista espiritual, certificar-se-á da tremenda realidade — homens fugindo de Deus —, sem se preocuparem se o final da carreira termina no céu ou se leva ao inferno.


Homens de todas as castas, criaturas de todas as raças, povos de todos os quadrantes, num desespero contaminante, confundem-se na corrida desabalada e louca, fugindo de Deus, sem saberem para onde vão, mas unicamente preocupados em fugir, pois sentem-se mal onde estiver a santidade do Senhor.


Se vos quiserdes certificar e saber como os homens tentam fugir de Deus, armai-vos de uma dose de paciência e acompanhai-me nesta descrição: Anotai quantos homens, mulheres e crianças caminham para a Escola Dominical e confrontai a diminuta freqüência, com os milhares que à mesma hora se preparam para ir aos Prados, assistir às corridas. Vede quantos afluem aos Estádios a fim de darem expansão aos seus temperamentos impulsivos. Verificai quantos, sem necessitarem, se ati-ram às praias unicamente para se escusarem de um convite para ir à Igreja. Não vos esqueçais de arrolar os que, furtivamente se esgueiram para os antros de jogos de azar. Computai a multidão que se fez escrava das danças esfalfando-se ao som de qualquer instrumento desafinado e rouco. Não esqueçais aqueles que se refugiam nas tabernas, enterrando ali a saúde, o dinheiro e o caráter.


A lista não estará completa se esquecerdes os obcecados pelo cinema, cujos fins podiam ser educativos, mas onde, apenas, se vê corrupção e se respira duplamente ar viciado e venenoso.


Somai todas essas parcelas, e dizei-me quantos são l os que buscam, o Senhor, na Sua casa, onde ordenou sua benção, e quantos são, também, os que fogem de Deus. Convidai essas multidões para voltar ao Senhor e esperai pela resposta. Se vos não apedrejarem, blasfemarão e ficarão contra vós. Se vos não perseguirem, contudo sereis tidos como fanáticos. Facilmente acharão desculpas e evasivas para justificarem a fuga que estão realizando. Procurarão neutralizar e até mesmo destruir a vossa fé. Alegarão que as diversões e os jogos são ne-cessários à vida social de hoje, que são costumes já integrados na atividade secular e que tradição é lei. Dirão ainda que vós é que estais fora da moda, falando uma linguagem pouco usada entre eles, isto é, falando em Deus. de religião e de fé, como se isto fosse um assunto de outros séculos e de outras terras.


Aqui não vai nenhuma alusão à educação física, tão útil ao desenvolvimento da raça. O que aí fica diz respeito ao que impropriamente alguns tratam de esporte, pois tudo se corrompeu e mergulhou no lodo das jogatinas e dos interesses monetários, fugindo, assim, à finalidade primitiva.


Se insistirdes no convite a seguir a Jesus, os que fogem de Deus taxar-vos-ão de loucos, dirão que tendes demônio. Foi assim que fizeram com Jesus, e vós também, não sereis poupados. O Diabo inverte os papeis; às trevas chama luz, ao direito trata de injustiça. Tudo isto acontece porque os homens fogem de Deus.


O que aí fica representa, queiram ou não, um quadro de perspectivas sombrias, no qual acentuadamente aparecem homens fugindo de Deus. Jeová, direta e indiretamente tem falado aos corações dessa multidão que continua a afastar-se do céu, mas não é ouvido.


Os homens fecham os ouvidos à voz do Senhor e revoltam-se contra o convite que se lhes faz para irem à Igreja, onde Deus mais propiciamente lhes quer falar. Se Adão teve discípulos, Jonas também tem seguidores. Deus enviou Jonas a Nínive com uma mensagem de arrependimento, mas ele tomou direção oposta; pensou que podia fugir da presença do Senhor.


Jonas tomou um navio que viajava para Tarsis, porém não chegou ao destino que escolhera, pois o pecado e a desobediência o alcançaram. Assim fazem os homens em nossos dias. Deus lhes indica a Nínive do arrependimento e eles fogem para a Tarsis do pecado. É mais fácil viajar para Tarsis do que ir a Nínive. Os navios para Tarsis (as multiformes manifestações do pecado) estão sempre prontos a receber os que fogem de Deus, pouco se exige dos foragidos da graça, tudo se facilita aos desejos da carne e do pecado; mas viajar para Nínive é mais difícil, a estrada não possui atrativos que seduzam; tem obstáculos que, se vencidos, desvendam as maravilhas do país dos domínios da fé.


O que os homens ignoram é que aos navios de Tarsis está, reservada uma desagradabilíssima surpresa como a que Jonas experimentou. Quando anunciarem que tudo é paz e segurança, eis que a tempestade se levanta, o mar agita-se enfurecido; o navio ameaça naufragar, e naufraga se não lançarem ao mar a carga de pecadas. Se a obstinação persistir, os tripulantes tem diante de si a morte.


Foi isso exatamente o que aconteceu a Jonas. Quando estava no navio em que se escondera, para fugir de Deus, uma tempestade envolveu a nau e ameaçou tragar todos quantos nela estavam. Fugir de Deus é desobedecer ; desobediência é subversão da ordem; subversão da ordem é caos e desordem, é naufrágio e perdição.


Jonas tentou fugir de Deus. Pensou que Deus estava em Jope onde lhe falara, mas que não estaria em Tarsis para onde determinou fugir. Mas Deus estava em Nínive, em Tarsis, no Navio, estava até no fundo do mar. Se Jonas tomasse as asas da alva e fosse habitar nas extremidades do mar, ali a mão do Senhor o alcançaria. Se subisse até ao céu, ali encontraria o trono de Jeová. Mesmo que armasse seu leito na cova mais escura e mais profunda, ainda ali a luz de Deus o alcançaria .


Insensatez pensar ser possível fugir da presença de Deus. Homens fugindo de Deus é tragédia das almas que o pecado acorrentou e cegou para não verem que Deus está presente em toda a parte. Multidões fugindo de Deus enchem as estradas rumo ao ateismo e perdição.


Milhares e milhões de pessoas de todas as classes, vivem enganadas pelo Diabo que lhes promete aventuras e prazeres na viagem para Tarsis, mas em verdade, o que surge após um período de gozo carnal, é uma borrasca que Satanás não pode acalmar, Satanás promete tudo, mas nada mais faz do que acumular ventos que provocam tempestades de resultados fatais.


Homens que fugis de Deus, despertai do engano em que mergulhaste.' Reconhecei a realidade da vossa condição: Fugi da estrada do pecado, abandonai os na¬vios de Tarsis, cujo prazer é um tóxico que mata.


Basta de fugir, voltai ao vosso Deus e vivei a vida de fé e ajudai outros a voltar também?


Vós que fugis de Deus sem de tal coisa vos aperceberdes, sabei que o mundo em que viveis não é vosso. O tempo que dissipais em loucuras está nas mãos de Jeová. O ar que respirais é um favor que o Senhor con-cede e a saúde que gozais é um dom do Pai celestial. Se Deus se irasse contra vós, serieis devorados. Por que fugis de Deus?


O dia vem, quando a corrida da morte terminará, tereis então de comparecer ante o tribunal de Cristo, quer isto vos desgoste ou vos desagrade. É uma lei inflexível que Deus estabeleceu que depois da morte se¬gue-se o juízo, do qual ninguém escapará.


Estás vivendo como os que fogem de Deus? Deus está em toda a parte, porque enganas a ti mesmo? Vem, segue ao Senhor e bem irá a tua alma. Não fujas de Deus

Fonte: NOS DOMÍNIOS DA FÉ ( Emílio Conde)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Escola Bíblica Dominical: Uma incansável història.


Sentado a sua mesa de trabalho num domingo em outubro de 1780 o dedicado jornalista Robert Raikes procurava concentrar-se sobre o editorial que escrevia para o jornal de Gloucester, de propriedade de seu pai. Foi difícil para ele fixar a sua atenção sobre o que estava escrevendo pois os gritos e palavrões das crianças que brincavam na rua, debaixo da sua janela, interrompiam constantemente os seus pensamentos. Quando as brigas tornaram-se acaloradas e as ameaças agressivas, Raikes julgou ser necessário ir à janela e protestar do comportamento das crianças. Todos se acalmaram por poucos minutos, mas logo voltaram às suas brigas e gritos.

Robert Raikes contemplou o quadro em sua frente; enquanto escrevia mais um editorial pedindo reforma no sistema carcerário. Ele conclamava as autoridades sobre a necessidade de recuperar os encarcerados, reabilitando-os através de estudo, cursos, aulas e algo útil enquanto cumpriam suas penas, para que ao saírem da prisão pudessem achar empregos honestos e tornarem-se cidadãos de valor na comunidade. Levantando seus olhos por um momento, começou a pensar sobre o destino das crianças de rua; pequeninos sendo criados sem qualquer estudo que pudesse lhes dar um futuro diferente daquele dos seus pais. Se continuassem dessa maneira, muitos certamente entrariam no caminho do vício, da violência e do crime.

A cidade de Gloucester, no Centro-Oeste da Inglaterra, era um pólo industrial com grandes fábricas de têxteis. Raikes sabia que as crianças trabalhavam nas fábricas ao lado dos seus pais, de sol a sol, seis dias por semana. Enquanto os pais descansavam no domingo, do trabalho árduo da semana, as crianças ficavam abandonadas nas ruas buscando seus próprios interesses. Tomavam conta das ruas e praças, brincando, brigando, perturbando o silêncio do sagrado domingo com seu barulho. Naquele tempo não havia escolas públicas na Inglaterra, apenas escolas particulares, privilégio das classes mais abastadas que podiam pagar os custos altos. Assim, as crianças pobres ficaram sem estudar; trabalhando todos os dias nas fábricas, menos aos domingos.

Raikes sentiu-se atribulado no seu espírito ao ver tantas crianças desafortunadas crescendo desta maneira; sem dúvida, ao atingir a maioridade, muitas delas cairiam no mundo do crime. O que ele poderia fazer?

Por um futuro melhor

Sentado a sua mesa, e meditando sobre esta situação, um plano nasceu na sua mente. Ele resolveu fazer algo para as crianças pobres, que pudesse mudar seu viver, e garantir-lhes um futuro melhor! Pondo ao lado seu editorial sobre reformas nas prisões, ele começou a escrever sobre as crianças pobres que trabalhavam nas fábricas, sem oportunidade para estudar e se preparar para uma vida melhor. Quanto mais ele escrevia, mais sentia-se empolgado com seu plano de ajudar as crianças. Ele resolveu neste primeiro editorial somente chamar atenção à condição deplorável dos pequeninos, e no próximo ele apresentaria uma solução que estava tomando forma na sua mente.

Quando leram seu editorial, houve alguns que sentiram pena das crianças, outros que acharam que o jornal deveria se preocupar com assuntos mais importantes do que crianças, sobretudo, filhos dos operários pobres! Mas Robert Raikes tinha um sonho e este estava enchendo seu coração e seus pensamentos cada vez mais! No editorial seguinte, expôs seu plano de começar aulas de alfabetização, linguagem, gramática, matemática, e religião para as crianças, durante algumas horas de domingo. Fez um apelo, através do jornal, para mulheres com preparo intelectual e dispostas a ajudar-lhes neste projeto, dando aulas nos seus lares. Dias depois um sacerdote anglicano indicou professoras da sua paróquia para o trabalho.

O entusiasmo das crianças era comovente e contagiante. Algumas não aceitaram trocar a sua liberdade de domingo, por ficar sentadas na sala de aula, mas eventualmente todos estavam aprendendo a ler, escrever e fazer as somas de aritmética. As histórias e lições bíblicas eram os momentos mais esperados e gostosos de todo o currículo. Em pouco tempo, as crianças aprenderam não somente da Bíblia, mas lições de moral, ética, e educação religiosa. Era uma verdadeira educação cristã.

Robert Raikes, este grande homem de visão humanitária, não somente fazia campanhas através de seu jornal para angariar doações de material escolar, mas também agasalhos, roupas, sapatos para as crianças pobres, bem como mantimentos para preparar-lhes um bom almoço aos domingos. Ele foi visto freqüentemente acompanhado de seu fiel servo, andando sob a neve, com sua lanterna nas noites frias de inverno. Raikes fazia isto nos redutos mais pobres da cidade para levar agasalho e alimento para crianças de rua que morreriam de frio se ninguém cuidasse delas; conduzindo-as para sua casa, até encontrar um lar para elas.

As crianças se reuniam nas praças, ruas e em casas particulares. Robert Raikes pagava um pequeno salário às professoras que necessitavam, outras pagavam suas despesas do seu próprio bolso. Havia, também, algumas pessoas altruistas da cidade, que contribuíam para este nobre esforço.

Movimento mundial

No começo Raikes encontrou resistência ao seu trabalho, entre aqueles que ele menos esperava - os líderes das igrejas. Achavam que ele estava profanando o domingo sagrado e profanando as suas igrejas com as crianças ainda não comportadas. Havia nestas alturas algumas igrejas que estavam abrindo as suas portas para classes bíblicas dominicais, vendo o efeito salutar que estas tinham sobre as crianças e jovens da cidade. Grandes homens da igreja, tais como João Wesley, o fundador do metodismo, logo ingressaram entusiasticamente na obra de Raikes, julgando-a ser um dos trabalhos mais eficientes para o ensino da Bíblia.

As classes bíblicas começaram a se propagar rapidamente por cidades vizinhas e, finalmente, para todo o país. Quatro anos após a fundação, a Escola Dominical já tinha mais de 250 mil alunos, e quando Robert Raikes faleceu em 1811, já havia na Escola Dominical 400 mil alunos matriculados.

A primeira Associação da Escola Dominical foi fundada na Inglaterra em 1785, e no mesmo ano, a União das Escolas Dominicais foi fundada nos Estados Unidos. Embora o trabalho tivesse começado em 1780, a organização da Escola Dominical em caráter permanente, data de 1782. No dia 3 de novembro de 1783 é celebrada a data de fundação da Escola Dominical. Entre as igrejas protestantes, a Metodista se destaca como a pioneira da obra de educação religiosa. Em grande parte, esta visão se deve ao seu dinâmico fundador João Wesley, que viu o potencial espiritual da Escola Dominical e logo a incorporou ao grande movimento sob sua liderança.

A Escola Bíblica Dominical surgiu no Brasil em 1855, em Petrópolis (RJ). O jovem casal de missionários escoceses, Robert e Sarah Kalley, chegou ao Brasil naquele ano e logo instalou uma escola para ensinar a Bíblia para as crianças e jovens daquela região. A primeira aula foi realizada no domingo, 19 de agosto de 1855. Somente cinco participaram, mas Sarah, contente com “pequenos começos”, contou a história de Jonas, mais com gestos,do que palavras, porque estava só começando a aprender o português. Ela viu tantas crianças pelas ruas que seu coração almejava ganhá-las para Jesus. A semente do Evangelho foi plantada em solo fértil.

Com o passar do tempo, aumentou tanto o número de pessoas estudando a Bíblia, que o missionário Kalley iniciou aulas para jovens e adultos. Vendo o crescimento, os Kalleys resolveram mudar para o Rio de Janeiro, para dar uma continuidade melhor ao trabalho e aumentar o alcance do mesmo. Este humilde começo de aulas bíblicas dominicais deu início à Igreja Evangélica Congregacional no Brasil.

No mundo há muitas coisas que pessoas sinceras e humanitárias fazem sem pensar ou imaginar a extensãode influência que seus atos podem ter. Certamente, Robert Raikes nunca imaginou que as simples aulas que ele começou entre crianças pobres e analfabetas da sua cidade, no interior da Inglaterra, iriam crescer para ser um grande movimento mundial. Hoje, a Escola Dominical conta com mais de 60 milhões de alunos matriculados, em mais de 500 mil igrejas protestantes no mundo. É a minúscula semente de mostarda plantada e regada, que cresceu para ser uma grande árvore cujos galhos estendem-se ao redor do globo

Por: Ruth Dorris Lemos
 Missionária norte-americana em atividade no Brasil, jornalista, professora de Teologia e uma das fundadoras do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus (IBAD), em Pindamonhangaba (SP)











sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

QUALIDADES DE UM VERDADEIRO PREGADOR DO EVANGELHO.



"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres, porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes." I Tm 4.16




Não vou pregar a pregadores, mas apenas sugerir aIgumas condições sob as quais poderão apossar-se da salvação prometida nesse texto.


1. Cuida em ser constrangido pelo amor a pregar o evangelho, como o foi Cristo a providenciar um evangelho.


2. Cuida em ter o revestimento especial de poder do alto, pelo batismo do Espírito Santo.


3. Cuida em ler a vocação, não apenas da cabeça, mas do coração, para empreenderes a pregação do evangelho. Com isso quero dizer: së cordial e intensamente inclinado a buscar a salvação de almas como a grande missão da tua vida; e não empreendas aquilo a que teu coração não te impelir.


4. Mantém constantemente a comunhão íntima com Deus.


5. Faze da Bíblia o teu Livro dos livros. Estuda-a nuito, de joelhos, esperando iluminação divina.


6. Acautela-te de depender dos comentários. Consulta-os quando convier: porém julga pot ti mesmo, à luz do Espírito Santo.


7. Guarda-te puro -- em propósito, em pensamento, em sentimento, em palavras e em ações.


8. Contempla a culpa dos pecadores e o perigo que correm, para que se intensifique teu zelo pela sua salvação.


9. Também pondera profundamente e demora-te diante do infinito amor e compaixão de Cristo por eles.


10. Ama-os de tal modo a estares pronto a morrer por eles.


11. Dedica os esforços da tua mente ao estudo de meios e modos de salvá-los. Faze disso o grande e intensivo estudo da tua vida.


12. Recusa-te a ser desviado dessa obra. Guarda-te contra toda tentação que arrefeça teu interesse nela.


13. Crê na afirmação de Cristo, de que ele está contigo nessa obra sempre e em todo lugar, para dar-te todo o auxílio necessário.


14. "O que ganha almas é sábio": e "se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera: e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé". Lembra-te, portanto, que tens a obrigação de possuir a sabedoria que ganhará almas para Cristo.


15. Sendo chamado por Deus para a obra, faze dessa tua vocação o argumento constante junto a Deus, para dele obteres tudo que precisares para a execução da obra.


16. Sê diligente e laborioso, "a tempo e fora de tempo".


17. Conversa muito com todas as classes dos teus ouvintes sobre a questão da salvação, a fim de compreenderes suas opiniões, erros e necessidades. Verifica seus preconceitos, sua ignorância, seu humor, seus hábitos e tudo mais que precisares saber a fim de adaptares tua instrução às suas necessidades.


18. Cuida em que teus próprios hábitos sejam corretos em todo sentido; que sejas temperado em todas as cousas: livre da mancha ou odor do fumo, do álcool, das drogas, de tudo que terias motivo para envergonhar-te e que sirva de tropeço a outros.


19. Não sejas "de mente leviana," antes "põe o Senhor continuamente diante de ti".


20. Controla bem tua lingua e não te dês a conversas frívolas e sem proveito.


21. Deixa sempre que o povo observe que o tratas com a mais absoluta seriedade tanto no púlpito como fora dele: e não permitas que o convívio diário com as pessoas neutralize tua mensagem no domingo.


22. Resolve "nada saber" entre teu povo "senão a Jesus e este crucificado": e deixa claro que, na qualidade de embaixador de Cristo, teus negócios com eles dizem respeito inteiramente à salvação da alma.


23. Tem cuidado de ensiná-los não só por preceito mas também pelo exemplo. Pratica tu mesmo o que pregas.


24. Tem cuidado especial no relacionamento com o sexo feminino, a fim de jamais levantares pensamento ou desconfiança da menor impureza em ti mesmo.


25. Vigia os teus pontos fracos. Se fores por natureza dado a jovialidade e brincadeiras, vigia ocasiões de falha nesse setor.


26. Se fores por natureza carrancudo e insocáivel, vigia contra o mau humor e a insociabilidade.


27. Evita toda a afetação e fingimento. Sê aquilo que professas ser, e não serás tentado a "fazer de conta".


28. Que a simplicidade, a sinceridade e a correção cristã, assinalem toda a tua vida.


29. Passa muito tempo, diariamente pela manhã e à noite, em oração e comunhão direta com Deus. Isso te trará poder para a salvação. Não há erudição nem estudo que compense a perda dessa comunhão. Se deixares de manter comunhão com Deus, "te enfraquecerás e serás como qualquer outro homem".


30. Acautela-te do erro que afirma não haver participação do homem na regeneração nem, por conseguinte, ligação entre esta participação e o resultado final, ou seja, a regeneração da alma.


31. Compreende que a regeneração é uma transformação também moral e, portanto, voluntária.


32. Compreende que o evangelho se destina a transformar o coração dos homens, e, apresentando-o sabiamente, podes contar com a cooperação eficiente do Espírito Santo.


33. Na escolha e no tratamento dos textos para teus sermões, procura sempre a orientação direta do Espírito Santo.


34. Que todos os teus sermões sejam do coração e não apenas da cabeça.


35. Prega à base da experiência, e não por ouvires dizer, nem apenas pela leitura e estudo.


36. Apresenta sempre o assunto que o Espírito Santo põe no teu coração para a ocasião. Lança mão dos pontos que o Espírito apresentar à tua mente, e apresenta-os tão diretamente quanto possível à congregação.


37. Entrega-te à oração sempre que fores pregar, e vai do aposento para o púlpito com os gemidos íntimos do Espírito procurando expressão nos teus lábios.


38. A tua mente deve estar plenamente imbuída do assunto, de maneira que este esteja procurando expressão: abre a boca e deixa as palavras saírem como torrente.


39. Vê que não esteja sobre ti o "temor do homem que arma um laço". Deixa o povo compreender que temes muito a Deus para temê-los.


40. Não deixes nunca que a tua popularidade com o povo tenha influência sobre a tua pregação.


41. Não deixes nunca que a questão de salário te detenha de "declarar todo o conselho de Deus", "quer ouçam quer deixem de ouvir".


42. Não contemporizes, para não acontecer perderes a confiança do povo e assim falhares em salvá-los. Eles não poderão respeitar-te integralmente como embaixador de Cristo, se perceberem que te falta coragem para cumprires o teu dever.


43. Cuida em te "recomendar à consciência de todo homem, na presença de Deus".


44. Não sejas "cobiçoso de torpe ganância".


45. Evita toda aparência de vaidade.


46. Inspira o respeito do povo pela tua sinceridade e sabedoria espiritual.


47. Não deixes nem de longe que imaginem que possas ser influenciado na pregação por questões de salário maior, menor ou nenhum.


48. Não dês a impressão de que aprecias uma boa mesa e gostas de ser convidado para jantar; pois isso será um laço para ti e uma pedra de tropeço para eles.


49. Subjuga o teu corpo, para que, tendo pregado o outros, não venhas tu mesmo a ser desqualificado.


50. Vela pelas almas, como quem deve prestar contas a Deus.


51. Sê diligente no estudo, e instrui cabalmente o povo em tudo que é essencial à salvação.


52. Jamais bajules os ricos.


53. Sê particularmente atencioso às necessidades e à instrução dos pobres.


54. Não te deixes levar à transigência com o pecado pelo suborno de festas beneficientes.


55. Não te deixes tratar publicamente como mendigo, pois do contrário virás a merecer o desprezo de larga classe dos teus ouvintes.


56. Repele toda tentativa de fechares a boca a tudo quanto for extravagante, errado ou prejudicial entre o teu povo.


57. Mantém a tua integridade e independência pastorais, para não cauterizar a consciência, apagar o Espírito Santo e perder a confiança do povo e o favor de Deus.


58. Sê o exemplo do rebanho: permite que a tua vida ilustre o teu ensino. Lembra-te de que as tuas ações e espírito ensinarão com ainda maior ênfase do que os teus sermões.


59. Se pregas que os homens devem servir a Deus e ao próximo por amor, cuida em fazer o mesmo e evita tudo que possa dar a impressão de que trabalhas por salário.


60. Serve ao povo com amor e anima-os a retribuir, não com o equivalente em dinheiro, mas com a retribuição do amor, que proporcionará refrigério tanto a ti como a eles.


61. Repele toda proposta para angariar fundos para ti ou para o trabalho da igreja junto a homens mundanos, embora sejam solícitos.


62. Repele as festas e reuniões sociais dispersivas, principalmente nas épocas mais favoráveis a esforços unidos para a conversão de almas a Cristo. Podes estar certo de que o diabo procurará desviar-te nessa direção. Quando estiveres orando e planejando um avivamento da obra de Deus, alguns mundanos da igreja te convidarão a uma festa. Não vás, pois se fores, terás uma série de festas, que virão anular as tuas orações.


63. Não te deixes enganar: o teu poder espiritual perante o povo nunca crescerá pela aceitação de tais convites em tais épocas. Se a ocasião é boa para festas, porque o povo está folgado, também é boa para reuniões religiosas, e tua influência deve ser aplicada para atrair o povo à casa de Deus.


64. Cuida em conhecer pessoalmente e viver diariamente a pessoa de Cristo.


Fonte: Uma vida cheia do Espírto (CharlesFinney)


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

COMO ESTAMOS LOUVANDO?


Lamentavelmente o movimento gospel tem contribuído em muito com o empobrecimento da música evangélica brasileira. Basta olharmos para as canções cantadas em nossos templos que chegaremos à conclusão de que a safra não é tão boa assim.
Bem, antes que alguém me apedreje preciso afirmar que bem sei que pela graça de Deus, temos em nossos arraiais excelentes musicistas, todavia, boa parte das composições evangélicas compostas por estes irmãos, são paupérrimas em graça e conteúdo.
Ora, para inicio de conversa a esmagadora maioria das canções são antropocêntricas, isso sem falar nas melodias que são desprovidas de inteligência e versatilidade. Para piorar a situação o evangelho que tem sido "tocado" por parte de alguns dos nossos cantores é o evangelho de uma nota só. Este evangelho é veementemente contrário do evangelho dos evangelhos, isto porque, anuncia o amor de Deus e esquece o juízo eterno; prega prosperidade e nega solidariedade; fala de fé e não confessa pecados; propaga a vitória, e nega a cruz.
Caro leitor, creio que o empobrecimento das nossas canções se deva em parte ao fato de termos abandonado a exposição e pregação da Palavra. Na verdade, o problema foi que trocamos a Bíblia pela baqueta, deixando de lado o estudo e a reflexão das Escrituras Sagradas, o que contribuiu em parte para o surgimento de uma adoração esquizofrênica, ensimesmada e antropocêntrica.
À luz desta percepção julgo que seja necessário com que a igreja de Cristo regresse aos temas centrais do Evangelho, cantando em seus cultos canções que falam do pecado, da expiação, do sacrifício de Cristo, da vida eterna, do juízo vindouro.


 
Pense nisso!
Renato Vargens
Retirado dda fonte abaixo
Fonte: renatovargens.blogspot.com

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

COMO JESUS TRATOU OS CAÍDOS ?


     Na pequena vila de Betânia, cerca de seis quilômetros de Jerusalém, moravam duas irmãs, Maria e Marta, e seu irmão Lázaro. Aparentemente, Lázaro era o mantenedor da família. O pai e a mãe já haviam morrido. Assim, Maria, Marta e Lázaro moravam juntos nessa pequena vila.
Você pode ver Lázaro indo ao trabalho cada dia carregando seu almoço, voltando para casa cansado, quem sabe, ouvindo as notícias do dia, indo para a cama – somente para começar tudo outra vez no dia seguinte.
Marta era o tipo da "Marta"! Ela podia preparar refeições para um grande grupo, uma festa de casamento ou um piquenique de igreja. Ela nunca se sentia mais feliz do que quando ia para a cozinha experimentar uma nova receita. Marta era uma boa pessoa. Ela nunca fazia nada errado. Provavelmente a pior coisa que ela fez foi lamber as pontas dos dedos quando removia alguma massa da batedeira. Ela era religiosa. Era muito difícil não ser assim naquele tempo e naquela localidade. Cada sábado, pela manhã, ela descia pelo trilho de sua casa até a sinagoga.
Maria, por outro lado, era mais interessada no cenário social. Ela amava as pessoas. Sempre que houvesse uma reunião social da igreja ou um piquenique, ela era sempre convidada a saudar as pessoas e ajudá-las a se sentir em casa. Ela era atraente – talvez até demais.
Maria, porém, carregava uma carga secreta de culpa e miséria que ninguém suspeitava. Isso tinha que ver com seu tio Simão. Simão o fariseu.
Os fariseus gozavam de bons conceitos naqueles dias. Hoje não, mas naquele tempo eram bem conceituados. Se alguém fosse questionado sobre o que seu filho estava fazendo, ele nunca estaria mais feliz do que dizer: "Meu filho é um fariseu."
Assim, Simão tinha bom conceito em Betânia. Ele era um líder da igreja. Era respeitado na comunidade. As pessoas até o respeitavam por sua íntima associação com a família de Maria, Marta e Lázaro. Como parente chegado, esperava-se que ele cuidasse de seus sobrinhos. Um dia, porém, Simão começou a olhar muito para Maria e, estando na posição que ocupava, ele logo levou Maria a ceder às suas exigências.
Aparentemente ninguém sabia o que estava acontecendo. Simão continuava a liderar na sinagoga. Maria continuava a sorrir, brincar, agradar e a atrair. Porém, a carga de culpa que ela levava era quase insuportável.
Algumas vezes ela tentou arrazoar com seu tio – tentando libertar-se de seu controle. Porém, as mulheres não eram muito ouvidas naqueles dias, e eram suas palavras contra as dele. Ele ameaçou-a com exposição em público e até mesmo a morte. Ele culpou-a pelo problema em primeiro lugar. E Maria finalmente perdeu a esperança de um dia ser livre novamente.
Como acontece freqüentemente, quando uma pessoa religiosa se envolve em pecado secreto, Maria começou a tentar punir-se. Ela era constantemente relembrada pelos cordeiros, e pelo sangue, pelo sacrifício da manhã, da tarde, que alguém tem que pagar. E se você está tentando por você mesmo pagar seus próprios pecados e tentando punir-se, um dos melhores métodos é cometer o mesmo pecado outra vez. Isso fará você sentir-se pior. E fazer você sentir-se pior é uma forma convincente de autopunição.
Se a autopunição continua, você comete o mesmo pecado, vez após vez, até que finalmente há apenas uma coisa para ser feita – pular de uma ponte de algum lugar como forma final de autopunição.
Assim, Maria começou a tentar punir-se, e como resultado ela chegou a ser conhecida ao redor da cidade como uma mulher perdida. As mães falavam por cima das cercas: "Você ouviu falar de Maria?"

"Sim.''
"Cuidado com Maria. Mantenha seus filhos longe dela."
A conversa continuava a se espalhar até que um dia as coisas ficaram tão mal para Maria em Betânia, que ela resolveu ir embora dali. Ela encaixotou seus pertences e viajou montanha abaixo passando por sete colinas até que chegou a uma pequena vila perto do mar, chamada Magdala. Mais tarde ela tornou-se conhecida como Maria de Magdala ou Maria Madalena.
Posso vê-la indo para Magdala, determinada a começar uma nova vida. Ela procura emprego. Ela tenta a loja local, mas eles não precisam dela ali. Ela tenta o mercado, porém eles tinham todos os empregados necessários. Talvez ela tenha tentado até mesmo como cozinheira em Magdala, esperando utilizar umas poucas coisas que aprendera com Marta. Porém, eles não necessitavam de qualquer auxílio.
Após caminhar pelas ruas de Magdala, procurando emprego e sentindo fome, um dia Maria cede à tentação de ganhar algum dinheiro fácil: "Por que não? Você já está nisso. Há mais cordeiros de onde os outros vieram."
Facilmente Maria conseguiu encontrar aqueles dispostos a pagar o seu preço e, surpreendentemente, teve também muita aceitação. Porém, sua carga de culpa torna-se cada vez mais pesada. Para ela era cada vez mais difícil esquecer os dias felizes em Betânia, antes da morte de seus pais, antes de Simão – os dias nos quais ela havia conhecido a paz.
Um dia, um Pregador itinerante veio à vila de Magdala. Ele não foi à sinagoga para pregar. Ali não haveria lugar para a multidão. Ele falou ao povo lá fora ao ar livre. Ele disse coisas como: "Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei." S. Mateus 11:28. ''... todo aquele que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora. "S. João 6:37. ''... não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento." S. Mateus 9:13.
Maria se manteve hesitantemente ouvindo na borda da multidão. Ela nunca tinha ouvido antes coisas assim. Enquanto ouvia, sentiu o coração estranhamente aquecido. Ela esperou até que a multidão saísse e então foi a Ele e mostrou sua grande necessidade de auxílio.
O pregador itinerante ajoelhou-Se e orou por ela a Seu Pai, para que ela pudesse ter a esperança de que necessitava. Maria aceitou um novo Mestre. O diabo foi vencido e Maria converteu-se exatamente ali.
Que bela história!
Eu gostaria de poder dizer que a história terminou aí e que Maria viveu feliz desde então. Porém, não foi exatamente assim, porque o Pregador saiu da cidade e Maria, não. Talvez ela devesse ter ido. Ali em Magdala estavam as mesmas pessoas, os mesmos amigos, as mesmas vozes no mercado que chamariam o seu nome. Ao passarem os dias, Maria descobriu que embora tivesse aceito a paz que o Pregador havia oferecido, a influência para "baixo" era muito forte. E Maria caiu.
Nessa história temos um dos mais belos exemplos em toda a Bíblia, de como Jesus tratava os caídos, os perdidos.
Jesus veio à cidade outra vez. Outra vez as multidões reuniram-se ao redor dEle ouvindo-O. Outra vez Maria encontrou seu caminho no meio da multidão, admirada – admirada de que aquilo pudesse ser verdade. Sim. Ele ainda estava dizendo: "... O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora. " Isto ainda era bom.
Ela foi a Ele e descobriu que Ele ainda a aceitava. Outra vez revelou suas necessidades com lágrimas. E outra vez, Ele ajoelhou-Se e clamou a Seu Pai em favor dela. E outra vez Jesus saiu da cidade e Maria, não.
Eu gostaria de dizer que este foi o fim da história. Porém, Maria caiu outra vez, e outra vez e outra vez. Porém, toda vez que Jesus vinha à cidade Maria estava na multidão. Ela era sempre atraída por Aquele que dizia: "O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora."
Então, um dia Maria recebeu um convite para ir a Jerusalém. Talvez os mensageiros tivessem oferecido uma grande quantia de dinheiro por seus serviços. Talvez tivessem oferecido projetos de um casamento. Ou possivelmente tivessem lhe dito que ela era necessária em casa – que seu tio Simão os havia enviado a ela. Seja qual tenha sido o método, Maria foi dominada. E a exposição pública que ela havia temido por muito tempo tornou-se uma realidade.
A porta do apartamento que havia sido providenciado se abriu. Altas vozes denunciaram-na como pecadora, merecendo morrer. Mãos rudes a agrediram e a empurraram para a rua. Maria fechou os olhos e desejou a morte.
Ela foi forçada através das multidões e lançada na presença de Jesus. Gritos de acusação enchiam o ar enquanto Maria se encolhia ali, tremendo, esperando as pedradas finais. É claro que ela havia lotado seu cálice de culpa – nem mesmo Jesus estaria apto a ajudá-la agora.
Enquanto ela esperava ali, em seu temor e vergonha o som da multidão começou a diminuir. Maria se encolheu para receber a primeira pedrada. Mas, em vez disso, ela ouviu uma voz gentil perguntando: "Onde estão os seus acusadores? Nenhum homem a condenou?"
Maria ergueu a cabeça, todos os seus acusadores tinham desaparecido. Incrédula, ouviu as palavras de Jesus: "Nem Eu a condeno, vai e não peque mais." Outra vez Maria ajoelhou-se aos pés de Jesus clamando por Seu perdão, por Seu poder. Veja S. João 8. Naquele dia Maria aprendeu uma coisa que ela não tinha aprendido antes – e que nós precisamos aprender hoje.
Ela aprendeu que era possível encontrar Jesus através de Sua Palavra – orar a Ele onde quer que ela estivesse. Ela aprendeu que era possível ficar aos pés de Jesus, mesmo quando Ele não estivesse na cidade. Você já descobriu isso? E difícil pecar quando você está assentado aos pés de Jesus. Aí está o poder.
E mesmo que Jesus seguisse Seu caminho, Maria estava pronta a continuar a Seus pés, buscando-O e permanecendo em Sua presença.
E então Maria teve uma idéia brilhante. Por que não voltar para casa em Betânia, para Marta e Lázaro? Tão logo a idéia surgiu, o próprio sangue começou a cantar em suas veias. Certamente o poder de Jesus seria suficiente até mesmo para lidar com seu tio Simão. Assim, ela arrumou seus pertences e se dirigiu para Betânia.
Ao avistar a cidade, ela começou a ouvir um solitário clamor comum naqueles dias. Quanto mais se aproximava, mais claro o som se tornava. Era um leproso, do lado de fora dos muros da vila de Betânia.
Aquele som era comum. Naqueles dias, a lepra era chamada o flagelo – o dedo de Deus. A lepra era considerada um julgamento. Na verdade, qualquer doença era considerada um castigo pelo pecado. Porém, a lepra era a pior. Não fazia diferença se você era o líder da cidade, um líder na sinagoga ou um fariseu. Se você ficasse leproso, seria declarado impuro ou imundo. Você seria lançado para fora da cidade. Você se assentaria ao lado da estrada divulgando sua calamidade gritando: "Imundo, imundo'', suplicando a alguém que lhe jogasse um pouco de pão.
Assim, ao aproximar-se, Maria notou o clamor, até que subitamente ela reconheceu alguma coisa na voz que gritava "imundo", era Simão seu tio que a havia levado ao pecado.
E quando eu ouvi isso, eu disse a mim mesmo: "Ótimo! Bem feito para Simão! Que ele apodreça ao lado da estrada.'' Isso lhe dá uma idéia do que eu penso.
Maria puxou sua manta ao redor do rosto e foi à vila de Betânia, tentando desenvolver a idéia de que ela não tinha mais nada a temer de Simão, o fariseu.
Ela estava tão ansiosa por ver novamente Marta e Lázaro. Subiu rapidamente os degraus até a porta. Uma alegre reunião se seguiu e as lágrimas fluíram mais uma vez, pois a família estava unida.
Mas, as notícias começaram a se espalhar ao redor: "Maria está de volta." "Cuidado com Maria!" "Você ouviu o que aconteceu em Jerusalém?"
"Dizem que ela está mudada."
"Bem, ela não vai agüentar por muito tempo."
"Eu já ouvi que ela já mudou antes e nunca durou."
"Cuidado com ela."
Era assim que as pessoas falavam naqueles dias.
Era difícil para Maria suportar os cochichos e mexericos. Mas, ela resistiu, determinada a partilhar com alguém mais as novas sobre o Amigo que ela havia encontrado, o Amigo que sempre a amava e a aceitava. O Amigo que não a condenara, mas que lhe deu poder para não mais pecar. Ela queria que outros encontrassem o Amigo, em cujos pés ela gostava de assentar-se. E ela esperou ansiosamente pelo tempo em que Ele visitaria a cidade de Betânia.
Logicamente Ele o fez. Um dia Jesus viajou pelas montanhas até Betânia, com Seus doze companheiros. Ao chegar à cidade, Ele também ouviu o clamor que Maria tinha ouvido – "Imundo, imundo!" Parece quase impossível compreender. Mas Jesus achava difícil passar pelos leprosos. Ele não podia passar por eles e deixá-los para trás, mesmo quando nove décimos deles nem se deram ao trabalho de dizer-Lhe "muito obrigado".
Assim, Jesus parou ao clamor de Simão, o Leproso. Ele tocou o intocável e o fez perfeito novamente – exatamente assim. Ele não insistiu que Simão primeiro O aceitasse como Salvador. Ele simplesmente o purificou.
Eu costumava pensar que as únicas pessoas curadas fossem aquelas quase prontas para a trasladação, mas Jesus curou Simão, o pecador, o impuro, o imundo, o não-arrependido – quando ele não tinha nem mesmo aceitado Jesus como Salvador. Jesus curou Simão completamente, por aquilo que Jesus era e não pelo que Simão era.
Você já imaginou como Maria deve ter se sentido quando ouviu as notícias? Talvez Jesus tenha lhe confirmado que o poder de Simão sobre ela já estava rompido.
A cura, porém, é alguma coisa muito pesada para ser colocada sobre um fariseu. Um fariseu é acostumado a obter suas recompensas. Essa dádiva de Jesus era demais para Simão receber. Assim, após ele ter voltado a Betânia e sido reintegrado em sua posição na vila, você o vê agitando-se e revirando-se à noite, caminhando pela rua de dia, tentando imaginar o que faria. Ele não estava apto a receber ou merecer tal cura. Porém, subitamente, ele teve uma idéia. Ele não tinha merecido isso antes, mas, por que não merecer depois? Simão disse a si mesmo: "Eu vou pagar a esse Homem pelo que Ele fez. Vou fazer uma festa em Sua honra. " Veja S. Mateus 26; e S. João 12.
Agora a mente de Simão estava acelerada. Marta seria a pessoa encarregada de preparar o jantar – isto era aceitável, tudo bem. Mas Maria não foi convidada. Simão estava se sentindo incomodado com a presença de Maria. Quem sabe? A lepra pode ter vindo sobre ele por causa de seu envolvimento com ela – era melhor não arriscar.
Quando a noite do banquete chegou, Maria ficou em casa. Ela gostaria de estar com a multidão de pessoas, embora algumas delas ainda ficassem frias com sua aproximação. Porém, o que realmente desapontou Maria era o fato de que ela não pudesse ver Jesus.
Maria tinha ouvido Jesus dizer, havia pouco tempo, que Ele iria a Jerusalém e que lá Ele seria traído nas mãos de pecadores. Eles iriam levá-Lo à morte. Com grande despesa pessoal, Maria tinha adquirido um frasco de óleo de alabastro para ungir Jesus após Sua morte. Contudo, Maria não gostava da idéia de dar flores no funeral. Ela desejava dar sua dádiva de amor a Jesus agora.
Subitamente ela apanhou seu frasco de perfume e apressou-se pelas ruas de Betânia, planejando enquanto caminhava. Ela corre através da porta dos fundos e passa pela cozinha. Marta tenta pará-la, mas nada pode deter Maria. Ela se move silenciosamente através da sala escurecida, iluminada apenas por aquelas pequenas lâmpadas de óleo de oliva, até o lugar onde Jesus está assentado. Seu plano é abrir o frasco de óleo de alabastro, ungir os pés de Jesus e sair. E ninguém jamais saberá.
Mas ela se esqueceu de uma coisa. Quando você abre um frasco de alabastro do mais caro óleo, ele grita.
Agora todos os olhos estão voltados para ela. Ali está Simão, na ponta da mesa, apunhalando-a com o olhar. Ali estão Judas e todos os outros. Ela enche a mão de óleo. Ele exala o odor. Ela havia se esquecido de trazer uma toalha ou qualquer coisa para enxugá-lo. Então Maria faz o que naqueles dias era imperdoável – somente uma mulher da rua soltaria o cabelo. Mas ela não pensa nisso. Ela se abaixa e começa a secar o óleo com os cabelos.
Simão, na ponta da mesa, pensa consigo mesmo: "Se esse Homem fosse realmente um profeta, Ele saberia que tipo de mulher ela é."
Nesse momento, Maria ouve as palavras amáveis de Jesus: "Deixe-a. Ela fez uma boa coisa. E onde quer que o evangelho seja pregado esta história sobre Maria será contada."

Então Jesus Se volta para Simão e diz: "Simão." E bem ali está Simão com as palmas das mãos úmidas.Jesus diz: "Simão, eu tenho algo para lhe dizer." Simão se encolhe, esperando que a máscara lhe seja arrancada do rosto. Ele já ouvira sobre esse Jesus que podia ler os pensamentos das pessoas, e preparou-se para o pior.

Jesus, porém, conta uma pequena história sobre dois devedores, um dos quais devia uma grande quantia e o outro uma pequena divida. Ambos os devedores foram livremente perdoados. Veja S. Lucas 7. Ninguém compreendeu a história, exceto Simão, Maria e Jesus. Mas Simão recebeu a mensagem. Será que ele captou realmente a mensagem?

Simão foi subjugado pelo amor e compaixão de um Homem que podia tê-lo exposto por aquilo que realmente ele era, mas que, em vez disso, velou Sua mensagem com uma parábola e protegeu-o de seus amigos.

O coração de Simão foi quebrado. Ele descobriu tudo que Jesus tinha feito por ele e que ele jamais poderia retribuir. E bem ali, em sua própria festa, Simão aceitou a Jesus como Mestre, Salvador e Senhor. Jesus também conquistou Simão. Que história!

E se Jesus pôde aceitar Maria e Simão, certamente Ele está apto a aceitar você e eu, hoje, perdoar-nos e amar-nos até o fim.

Fonte: COMO JESUS TRATAVA AS PESSOAS (Morris Venden)





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Corra para Vencer


Não sabeis vós que os que correm no estádio,

todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio?

Correi de tal maneira que o alcanceis.

Todo atleta em tudo se domina; aqueles,

para alcançar uma coroa corruptível;

nós, porém, a incorruptível.

1 Coríntios 9.24-25.


Com que atitude estamos participando da corrida? Precisa¬mos correr com o objetivo de vencer! O diabo, porém, não quer que vençamos, pois sabe que se vencermos, poderemos transformar o mundo. Nossa vida será transformada e, conseqüentemente, muitas outras vidas também o serão. Se desenvolvermos ple-namente o nosso potencial, o efeito positivo disso se fará sentir não somente em nossa vida, como também na de outros, os quais, por sua vez, também irão desenvolver seu potencial e influenciar outras vidas, e assim por diante, num processo interminável.


Nesse texto, o apóstolo Paulo menciona dois aspectos de uma corrida que nos incomodam. O primeiro é que os que cor¬rem para vencer "em tudo se dominam". Ou seja, não podem se dar ao luxo de fazer tudo o que querem. Em segundo lugar, Paulo diz que eles "se submetem a um treinamento rigoroso" (NVI), isto é, levam uma vida equilibrada. Sem exceção, todas as áreas da vida deles estão sob controle.


Para alguns de nós, o ato de levar uma vida equilibrada pode ter alguns significados bem simples: ter horário adequado para se deitar e para se levantar, para não ficar exausto no dia seguinte; fazer faxina na casa mesmo que esteja sem vontade, etc. Esses exemplos retratam coisas práticas do cotidiano, porém revelam quão pouco controle temos sobre a nossa própria vida.


Hoje, no Corpo de Cristo, há muitas pessoas que tentam expulsar demônios, mas nunca sequer conseguiram "enfrentar" uma pia cheia de louça suja!


Segundo a Bíblia, o líder tem de estar com a própria casa (ou vida) em 1 ordem antes de tentar ajudar a colo¬car ordem na casa (ou na vida) de outros.15


Há muitas formas de alguém se preparar para tornar-se líder. Colocar a própria vida em ordem é uma delas. Algo que exige mudanças na conduta pessoal. Porém, com a ajuda de Deus, trabalho árduo e determi¬nação, conseguiremos abandonar ve-lhos hábitos que nos prejudicam e nos impedem de desenvolver novos hábitos — hábitos saudáveis que irão nos ajudar a progredir no desenvolvimento do nosso potencial e a alcançar nossos alvos.


O potencial é um tesouro de valor inestimável, assim como o ouro. Como veremos adiante, temos ouro escondido em nosso interior, mas teremos de cavar para retirá-lo.






Fonte: A Formação de Líder - ( Joyce Meyer)













Tudo Começa com uma Semente




    A manifestação de nossos sonhos e visões dados por Deus não acontece da noite para o dia. Ela vai crescendo a partir de uma semente plantada por Deus em nosso coração. Devemos adubar essa semente e cuidar dela todos os dias, até que, gradualmente, ela brote e venha a dar fruto em nossa vida.




É semelhante à semente que foi plantada no útero da mulher no momento da concepção. O bebê não aparece imediatamente; há um período de desenvolvimento que dura nove meses.


Normalmente vemos que há padrões na forma como Deus faz as coisas, e Deus usa o padrão da gestação como referencial em muitas áreas de nossa vida. Ele começa com uma semente, que Ele mesmo planta em nós, seja na forma de um pensamento, um sonho ou um desejo. Para que a semente cresça e se desenvolva, devemos nutri-la e cuidar dela, observando-a e protegendo-a atentamente, pois o diabo é especialista em roubar sementes.. Então, se assim fizermos, um dia a semente germinará, florescerá e frutificará do modo como desejávamos.)


Foi isso a que Jesus se referiu quando disse que o diabo veio para "roubar, matar e destruir"." Jesus também disse que Satanás é mentiroso; é o pai da mentira.12 Assim, por meio do roubo e da mentira, ele impede a maior parte da raça humana de realizar muitas boas obras.


Temos o potencial, mas nem todos têm disposição de trabalhar com dedicação. Quando presenciamos um pianista de vinte anos num concerto tocando lindamente, deduzimos imediatamente que ele passou anos praticando enquanto seus amigos brincavam e se divertiam, como a maioria dos jovens faz. Talvez esse jovem pianista tenha perdido muitos momentos de diversão, mas, em compensação, usou esse tempo para desenvolver seu potencial. Assim, desenvolveu algo que lhe trará satisfação pelo resto da vida.


Muitos nunca experimentarão esse tipo de satisfação porque não querem pagar o preço. Preferem usufruir um divertimento instantâneo.


O que me preocupa é o fato de que muitos gastam seu tem¬po satisfazendo seus desejos carnais e, em conseqüência, acabam tornando-se vazios por dentro.


Quando desenvolvermos plenamente o nosso potencial, en¬tão desfrutaremos das realizações. É o único modo de desenvolvê-lo é persistindo nele, recusando-nos a desistir e jamais abandonando nosso objetivo.





Fonte: A Formação de um Líder ( Joyce Meer)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DEUS É USUÁRIO DE ORKUT. FACEBOOK, BLOGS E AFINS...


"Mas será que o machado pensa que é mais importante do que o homem que o usa? Ou será que a serra imagina que vale mais do que a pessoa que serra com ela? Será que um bastão, um simples pedaço de madeira, é capaz de levantar um homem?" - Isaías 10.15 (NTLH).



Olhando para as páginas da Bíblia, vemos que o Todo Poderoso usou de todos os veículos possíveis para comunicar-se. A carta, o jumento falante, o jumentinho mudo que carregou Jesus, os gafanhotos do livro de Joel e os gafanhotos do prato de João Batista, o profeta velho e o profeta jovem, o grande peixe condutor de Jonas, o pequeno peixe que engoliu as moedas do imposto de Jesus e Pedro, os governantes ímpios Ciro e Senaqueribe e os governantes tementes Davi e Ezequias. Etc.



E, diante disso, acredito que Deus use a Internet também. Ele usa gentes e coisas. Faz uso de diversas espécies de pessoas conectadas à Rede Mundial de Computadores, conforme o apóstolo Paulo descreveu em Filipenses 1.15-17.




Será que podemos influenciar o mundo usando nossas mensagens através da Internet?



Creio que o anseio em ser influenciador pertence a todos os blogueiros evangélicos e usuários de redes de relacionamentos virtuais cuja filosofia é cristã. Eu acredito que Deus use internautas para falar com internautas.



Entendo a razão de quem fomule tal pergunta. E digo que essa interrogação é feita porque o que ocorre entre mensageiros e leitores de Internet é que nem sempre quem escreve vê o resultado na vida de quem leu o que foi escrito. É importante jogar a rede, mesmo sem saber qual é o resultado da pescaria. A Palavra de Deus é revestida de poder e é o Espírito Santo quem convence o pecador dos seus maus caminhos, então, a mensagem ministrada via dígitos das mãos e teclados QWERTY, ou outro modelo, não volta vazia ao coração do Senhor.



Nós somos como ferramentas, fomos projetados para que se cumpra os propósitos de Deus. Se estamos nas mãos dEle dispostos a deixar que nos manuseie como desejar, então, a execução do trabalho sairá plenamente de acordo com o projeto divino. Abençoamos muitas pessoas e ao mesmo tempo também somos abençoados. Mas, se fechamos o coração para os planos do Senhor, não O impediremos de executar Seus projetos, porém, não seremos abençoados por Ele.

Fonte:  Eliseu Antonio Gomes; www.ubeblogs.net.



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A NECESSIDADE DO DESENVOLVIMENTO


Desenvolver, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, signifi¬ca, dentre outras coisas, "tirar o que envolve ou cobre; desembrulhar; Jazer crescer ou crescer; tornar(-se) maior, mais forte, mais volumoso; conduzir ou caminhar para um estágio mais avançado ou eficaz; fazer progredir ou progredir".7

O potencial que temos em nós é algo grandioso," mas não terá valor nenhum se não lhe dermos uma forma ou expressão definida para que nós mesmos e outros nos beneficiemos dele.

Em 1 Pedro 4.10, vemos que é preciso desenvolver e exer¬cer nossos dons com o objetivo de abençoarmos uns aos outros. Aliás, é justamente para isso que Deus nos concede dons: para que possamos ser uma bênção para outros.

Muitas vezes alegamos que estamos nos sentindo solitários ou entediados, mas isso não é desculpa para o comodismo, pois sempre há alguém que precisa do que temos em nós. Basta irmos ao encontro dessas pessoas e começarmos a empregar os nossos dons em favor delas.

Um construtor pode ter muitos planos em seu escritório para uma nova empreitada, mas ninguém verá esses planos se tornarem realidade enquanto o construtor não os pegar e colocá-los em prática. O mesmo se aplica à igreja. Quantos de nós temos ótimas idéias e grandes planos, mas nunca os colocamos em prá¬tica? Muitos de nós temos grandes sonhos, mas não conseguimos fazer um esforço prático e dedicado para desenvolver nosso po¬tencial e transformar esses sonhos em realidade em nossa vida.

Quais são os elos que fazem a ligação entre o desenvolvimento do potencial e a sua concretização? Na verdade, nada há de tão profundamente espiritual que ninguém possa compreen¬der, mas sim algo bem simples; coisas rotineiras, como o tempo, a determinação e o trabalho árduo.

Ser determinado é uma atitude pessoal; ninguém pode sê-lo por nós. Precisamos, pessoalmente, ser determinados; do contrá¬rio, o diabo roubará de nós tudo o que temos. Entretanto, embo¬ra devamos ser determinados, não devemos chegar ao extremo de viver exclusivamente para o trabalho. Precisamos de equilíbrio nessa área, assim como em todas as outras da vida.

Mais à frente, descreverei o dia em que o Senhor disse ao meu marido, Dave, que era hora de começarmos o ministério na televisão, numa época em que estávamos começando a nos sentir acomodados com nosso programa de rádio.

Obviamente tínhamos o potencial para fazer isso, mas ele tinha de ser desenvolvido. E esse tipo de desenvolvimento não acontece se permanecermos sentados tranqüilamente numa ca¬deira de balanço!

Costumo dizer: "Se você pretende andar com Deus, lembre-se de que não há aposentadoria!" Não importa nossa idade, ou situação; transformar o potencial em realidade exige de nós investimento de tempo, determinação e disposição de trabalhar arduamente.



Fonte: A Formação e um Lider ( Joyce Meyer)

A VERDADEIRA LIBERDADE






Uma das melhores maneiras de compartilhar o evan¬gelho com os homens e as mulheres de hoje é apresentá-lo em termos de liberdade. Existem pelo menos três argumentos que podem ser usados nessa abordagem.

Primeiro, a liberdade é um assunto extremamente atra¬ente. A revolta mundial contra a autoridade, iniciada na década de sessenta, é vista como sinônimo de uma busca mundial por liberdade. Muita gente é obcecada com a liber¬dade e passa a vida inteira a persegui-la. Para alguns, é uma questão de libertação nacional, emancipação de um jugo colonial ou neocolonial. Para outros, trata-se de direitos civis, e assim protestam contra discriminação racial, reli¬giosa ou étnica e exigem a proteção de opiniões das minorias. E ainda há outros cuja preocupação é a busca por liberdade económica, libertação da fome, da pobreza e do desemprego. Ao mesmo tempo, todos nós nos preocupamos com a nossa liberdade pessoal. Até aqueles que lutam mais ardentemen¬te pelos outros tipos de liberdade aqui mencionadas (naci¬onal, civil e económica) geralmente sabem que eles mesmos não são livres. Eles nem sempre conseguem dar um nome às tiranias que os oprimem. Todavia, sentem-se frustrados, não-realizados e sem liberdade.

Numa entrevista com o consagradíssimo novelista John Fowles, publicada sob o título "Uma Espécie de Exílio em Lyme Regis", Daniel Halpern perguntou-lhe: "Existe al¬gum retrato específico do mundo que você gostaria de desenvolver em sua obra? Alguma coisa que continua sendo importante para você?" "Sim", respondeu John Fowles. "Liberdade. Como alcançar a liberdade. Isto me obceca.

Todos os meus livros falam sobre isso."

Segundo, liberdade é uma tremenda palavra cristã. Jesus Cristo é retratado no Novo Testamento como o supremo libertador do mundo. "O Espírito do Senhor está sobre mim", declarou ele, aplicando a si mesmo uma profecia do Antigo Testamento, "pelo que me ungiu para evangelizar nos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor." Quer Jesus estivesse se referindo aos pobres, cativos, cegos e oprimidos no sentido material ou espiritual, quer nos dois sentidos (esta questão continua se constituindo em vee¬mente debate), as boas novas por ele proclamadas foram certamente de "liberdade" ou "libertação". Mais tarde, em seu ministério público, ele acrescentou a promessa: "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres". E daí o apóstolo Paulo tornou-se o defensor da liberdade cristã e escreveu: "Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão". Para aqueles que consideram "salvação" um jargão religioso e desprovido de sentido, ou mesmo algo embaraçoso, "liberdade" é um excelente subs¬tituto. Ser salvo por Jesus Cristo é ser libertado.

Terceiro, liberdade é uma palavra muito mal interpre¬tada. Mesmo aqueles que falam mais alto e há mais tempo acerca da liberdade nem sempre param antes para definir de que é que estão falando. Um bom exemplo é o do orador marxista que, plantado numa esquina, discursava com eloquência sobre a liberdade que todos haveríamos de desfrutar depois da revolução. "Quando nós conseguirmos a liberdade", exclamava ele, "todos vocês poderão fumar cigarros como aquele ali", disse, apontando para um opulento cidadão que ia passando.

"Eu prefiro meu cigarro de palha", gritou um gozador.

"Quando formos libertados", continuou o marxista, ig¬norando a interrupção e esquentando mais o assunto, "todos vocês poderão andar num carro daqueles", e apon¬tou para um suntuoso Mercedes que ia passando.

"Eu prefiro minha bicicleta", gritou o perturbador. E assim o diálogo continuou, até que o marxista, não supor¬tando mais as gozações, voltou-se para o homem e disse: "Quando formos livres, você só fará aquilo que lhe man¬darem!"

O aspecto negativo: libertação de

Mas, então, o que é liberdade? Uma verdadeira definição tem que começar com o lado negativo. Temos que iden¬tificar as forças que nos tiranizam e que, portanto, inibem a nossa liberdade. Somente então conseguiremos compreen¬der como é que Cristo pode nos libertar.

Primeiro, Jesus Cristo nos oferece libertação da culpa. Nós deveríamos ser gratos pela reação generalizada contra a insistência de Freud de que os sentimentos de culpa são sintomas patológicos de doença mental. Alguns deles com certeza o são, especialmente em certos tipos de enfermidade depressiva; mas nem toda culpa é falsa. Pelo contrário, cresce cada vez mais o número de psicólogos e psicote¬rapeutas contemporâneos que, mesmo não professando a fé cristã, nos dizem que precisamos levar a sério as nossas responsabilidades. O falecido Dr. Hobart Mowrer, da Universidade de Illinois, por exemplo, entendia a vida humana em termos contratuais e via o "pecado" como uma quebra de contrato que deve receber uma reparação. A Bíblia certamente sempre enfatizou, tanto as nossas obri¬gações como seres humanos, como a nossa falha ao dei¬xarmos de cumpri-las. Nós, em particular, temos buscado afirmação colocando-nos contra o amor e a autoridade de Deus e contra o bem-estar do nosso próximo. Usando uma linguagem cristã bem direta, nós, além de pecadores, somos também pecadores culpados, e a nossa consciência nos diz isso. Conforme uma das piadas de Mark Twain, "o homem é o único animal que fica envergonhado - ou que precisa fazê-lo".

Agora, ninguém que não tenha sido perdoado é livre. Se cu não tivesse certeza da misericórdia e do perdão de Deus, não conseguiria olhar ninguém nos olhos, e muito menos a Deus (o que é mais importante). Eu iria querer fugir e esconder-me, como fizeram Adão e Eva no Jardim do Éden. Afinal, foi no Éden, e não em Watergate, que inventaram pela primeira vez o estratagema chamado "esconder". Eu com certeza não seria livre. Um pouco antes de morrer, em 1988, em um momento de surpreendente sinceridade na televisão, Marghanita Laski, uma das mais conhecidas humanistas e novelistas seculares, declarou: "O que eu mais invejo em vocês, cristãos, é o perdão que vocês têm. Mu não tenho ninguém para me perdoar."

"Mas", como os cristãos bem que gostariam de gritar de cima dos telhados, fazendo eco ao salmista penitente, "em Deus está o perdão", pois ele, em seu amor por pecadores como nós, veio participar do nosso mundo na pessoa de seu Filho. Tendo vivido uma vida de perfeita retidão, ele, na sua morte, identificou-se com os injustos. Levou o nosso pecado, a nossa culpa, a nossa morte em nosso lugar, a fim de que fôssemos perdoados.

A liberdade, portanto, começa com o perdão. Lembro-me de um estudante de uma universidade no norte da Inglaterra, que havia sido criado no espiritismo mas fora levado por um colega a uma reunião cristã, onde ouviu o evangelho. No fim-de-semana seguinte começou uma in¬tensa batalha pela sua alma, até que (como ele escreveria mais tarde) ele gritou em desespero para que Jesus Cristo o salvasse. Então, continuou ele, "Jesus realmente veio a mim. Eu senti um amor verdadeiro, real - nem dá para descrever. Era pura beleza e serenidade. E apesar do fato de que eu nada sabia acerca de salvação e pecado, e nem mesmo sabia o que significava isso, eu simplesmente soube que estava perdoado... Eu estava incrivelmente feliz!"

Segundo, Jesus Cristo nos oferece libertação do nosso ego. Certa vez, conversando com uns crentes judeus, Jesus lhes disse: "Se vós permanecerdes nas minhas palavras, sois verdadeiramente meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."

Na mesma hora eles ficaram indignados. Como é que ele ousava dizer que eles precisavam de algum tipo de liber¬tação? "Somos descendência de Abraão", eles retrucaram, "e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?"

Jesus replicou: "Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado."

Portanto, se a culpa é o primeiro tipo de escravidão do qual precisamos ser libertados, o segundo é o pecado. E o que significa isto? Assim como "salvação", "pecado" é uma palavra que pertence ao vocabulário tradicional cristão. "Eu não sou pecador", diz a maioria das pessoas, pois elas parecem associar pecado com crimes específicos e sensa¬cionais, como matar, adulterar ou roubar. Mas "pecado" tem uma conotação muito mais ampla do que isso. Eu mesmo me recordo de quão revelador foi para mim des¬cobrir, especialmente através dos ensinamentos de William Temple, que o que a Bíblia quer dizer com "pecado" é, antes de tudo, egocentrismo. Afinal, os dois grandes mandamen¬tos de Deus são, primeiro, que o amemos com todo o nosso ser; e, segundo, que amemos o nosso próximo como a nós mesmos. Pecado é, portanto, inverter essa ordem. É colocar a nós mesmos em primeiro lugar, virtualmente proclaman¬do nossa própria autonomia, depois o nosso próximo, segundo a nossa conveniência, e depois, então, Deus, em algum lugarzinho lá nos bastidores.

O egocentrismo é um fenômeno presente em toda a experiência humana. Isto se evidencia na rica variedade de palavras da nossa língua que incluem o componente "ego" ou "auto". Quantas delas carregam em si um sentido pejorativo ou negativo? Egoísmo, egolatria, auto-afirmação, auto-acusação, auto-agressão, autopiedade, auto-comiseração, autodestruição, auto-indulgência, auto¬promoção, autopunição, auto-suficiência...

Além do mais, nosso egocentrismo é de uma tirania terrível. Malcolm Muggeridge costumava falar e escrever a respeito do "calabouçozinho escuro que é o meu próprio eu". E que escuridão tem esse calabouço! Deixar-se absor¬ver nos próprios interesses e ambições egoístas, sem qualquer consideração pela glória de Deus ou pelo bem-estar dos outros, é estar confinado na mais intrincada e insalubre das prisões.

Mas Jesus Cristo, que ressurgiu dentre os mortos e está vivo, pode nos libertar. Nós podemos conhecer "o poder da sua ressurreição". Ou, colocando a mesma verdade em outras palavras, o Jesus que vive pode, através do seu Espírito, impregnar a nossa personalidade e virar-nos do avesso. Não que nós sejamos perfeitos, é claro; só que, pelo poder do seu Espírito que habita em nós, pelo menos já começamos a experimentar uma transformação do eu para o não-eu. Nossa personalidade, antes fechada em si mesma, começa a abrir-se para Cristo, assim como uma flor se abre para o sol nascente.

Em terceiro lugar, Jesus Cristo nos oferece libertação do medo. O velho mundo para o qual ele veio vivia ate¬morizado pelos poderes que, conforme se acreditava, ha¬bitavam as estrelas. Ainda hoje a religião tradicional de povos tribais primitivos é assombrada por espíritos ma¬lignos que precisam ser aplacados. A vida de homens e mulheres de hoje é igualmente atormentada pelo medo, desde os medos comuns que sempre afligiram os seres humanos — medo da doença, do luto, da velhice e da morte — até o medo do desconhecido, do oculto e da extinção nuclear. A maioria de nós também já sofreu algumas vezes de medos irracionais, e é impressionante ver quanta gente educada alimenta medos supersticiosos. Batem três vezes na madeira, cruzam os dedos, carregam amuletos e recusam-se a sentar na poltrona de número 13 porque dá azar... É por isso que em muitos hotéis nos Estados Unidos não existe o décimo-terceiro andar. Ao subir no elevador, se você observar o painel iluminado, verá que os números pulam de 10, 11, 12 para 14. As pessoas são tão supers¬ticiosas para dormir no andar número 13 que não se dão conta de que aquele continua sendo o décimo-terceiro andar, mesmo que o tenham denominado de décimo-quarto! Já na Inglaterra, de acordo com uma recente pesquisa de opi¬niões, embora nove décimos da população ainda acredite em algum tipo de Deus, o número de adultos que lêem o seu horóscopo toda semana é o dobro dos que lêem a Bíblia.

Todo medo traz consigo uma dose de paralisia. Ninguém que tenha medo é livre. Além do mais, o medo é como o fungo: cresce mais rapidamente no escuro. É essencial, portanto, trazer à luz os nossos medos e olhar para eles, especialmente à luz da vitória e supremacia de Jesus Cristo. Afinal de contas, aquele que morreu e ressuscitou foi também exaltado à mão direita de Deus Pai, e tudo foi posto "debaixo de seus pés". Portanto, onde estão as coisas que antes temíamos? Elas estão debaixo dos pés de Cristo, o Cristo triunfante! Quando nós as enxergamos ali, então o poder que elas tinham de nos aterrorizar é destruído.

Medo e liberdade são mutuamente incompatíveis. Para mim, isso foi bem ilustrado certa vez por um jovem palestrante africano. Tínhamos andado discutindo sobre a necessidade de os cristãos se interessarem mais pela História Natural como sendo criação de Deus. "Antes de me tornar um cristão", disse ele, "eu tinha medo de muitas coisas — principalmente de cobra. Mas agora acho difícil matar uma cobra, pois gosto de ficar olhando para elas. Graças a Deus, agora sou livre de verdade."



O aspecto positivo: liberdade para

Até aqui nós estabelecemos uma relação entre as tiranias que impedem a nossa libertação e os três principais eventos da experiência de Jesus Cristo: sua morte, ressurreição e exaltação. Há libertação da culpa porque ele morreu por nós; libertação do ego porque podemos viver na força da sua ressurreição; e libertação do medo porque ele reina, com todas as coisas debaixo de seus pés.

É, no entanto, um equívoco muito sério definir liberdade em termos inteiramente negativos, embora o dicionário cometa este engano. Segundo o dicionário, liberdade é "supressão ou ausência de toda a opressão considerada anormal, ilegítima, amoral", enquanto que livre é aquele "que pode dispor de sua pessoa; que não está sujeito a algum senhor (por oposição a servil, escravo). Que não está privado de sua liberdade física; que não está prisioneiro; solto". Mas tudo que é negativo tem o seu lado positivo. O ver¬dadeiro grito de liberdade clama não somente por resgate de alguma tirania, mas também por liberdade para viver uma vida plena e significativa. Quando um país é libertado de um regime colonialista, torna-se livre para descobrir e desenvolver sua própria identidade nacional. Quando a imprensa é libertada do controle e da censura do governo, torna-se livre para publicar a verdade. E uma minoria racial, quando é libertada da discriminação, fica livre para desfrutar de respeito e dignidade própria. Afinal de contas, quando um país não é livre, o que lhe é negado é o direito de ser nação; quando não há liberdade de imprensa, o que se lhe nega é a verdade; e quando uma minoria não é livre, o que lhe é negado é o respeito próprio.

Qual é, então, a liberdade positiva dos seres humanos? Em 1970 Michael Ramsey pregou na Universidade de Cambridge uma série de quatro sermões, que foram pos¬teriormente publicados sob o título A Liberdade, a Fé e o Futuro. No primeiro ele apresentou a questão: "Nós sabemos de que queremos libertar os homens. Será que sabemos para que queremos libertá-los?" E passou a responder a sua própria pergunta. Nossa luta por aquelas liberdades "que mais sensivelmente agitam nossos senti-mentos" (por exemplo, ser libertos da perseguição, da prisão arbitrária, da fome e da pobreza destruidoras) deveria sempre se situar "no contexto da questão mais radical e revolucionária, isto é, que o homem seja liberto do seu ego e para a glória de Deus."

A questão que precisamos perseguir é esta: para que é que Cristo nos liberta? Eis aqui o princípio: a verdadeira liberdade é a liberdade para sermos nós mesmos, tal como Deus nos criou e como ele tencionava que nós fôssemos. E como se pode aplicar este princípio?

Vamos começar com o próprio Deus. Você já pensou no fato de que Deus é o único ser que goza de perfeita liberdade? Até se poderia argumentar que Deus não é livre. Afinal, o certo é que a liberdade dele não é absoluta, no sentido de poder fazer absolutamente qualquer coisa. A Escritura nos diz que ele não pode mentir, tentar ou ser tentado, nem pode tolerar o mal. Não obstante, a liberdade de Deus é perfeita, no sentido de que ele é livre para fazer absolu¬tamente qualquer coisa que ele queira. A liberdade de Deus é liberdade para ser sempre inteiramente ele mesmo. Deus nada tem de arbitrário, taciturno, inconstante ou imprevisível. Ele é constante, estável, imutável. De fato, a coisa principal que a Escritura nos diz que ele "não pode" fazer (não pode porque nunca o fará) é contradizer-se. "Ele não pode negar-se a si mesmo." Fazê-lo seria, não liber¬dade, mas autodestruição. A liberdade de Deus reside no fato de ser ele mesmo, assim como ele é.

E o que acontece com Deus, o Criador, também acontece com todas as coisas e seres criados. Liberdade absoluta, liberdade ilimitada, é pura ilusão. Se isso é impossível para Deus (como de fato o é), mais impossível ainda é para a criação de Deus. A liberdade de Deus é liberdade para ser ele mesmo; nossa liberdade é liberdade para sermos nós mesmos. A liberdade de toda criatura é limitada pela na¬tureza que Deus lhe deu.

O peixe, por exemplo. Deus criou os peixes para viverem o se desenvolverem na água. Suas guelras são adaptadas para absorver o oxigênio da água. A água é o único elemento em que o peixe pode ser peixe, encontrar sua identidade de peixe, sua realização, sua liberdade. Uma liberdade que se limita à água, é verdade; dentro dessa limitação, porém, ela é liberdade. Suponhamos que você tenha em casa um peixe tropical. Ele vive, não num desses tanques retan¬gulares arejados e modernos, mas num daqueles velhos aquários redondos e antiquados. E lá está o seu peixinho, nadando de um lado para outro no seu bendito aquário, até que, quando a sua frustração se torna insuportável, ele decide apostar na liberdade e salta para fora do seu confinamento. Se por acaso ele conseguir pular dentro de uma poça no seu jardim, aumentará sua liberdade. Continua sendo água, só que ali tem ainda mais água para ele nadar. Agora, se ele aterrissar no carpete ou no cimento, aí a sua tentativa de escapar acabará dando, não em liberdade, mas em morte.

E os seres humanos? Se os peixes foram feitos para a água,'os seres humanos foram feitos para quê? Eu acho que a nossa resposta é a seguinte: se a água é o elemento em que os peixes se encontram como peixes, então o elemento em que os humanos se encontram como huma¬nos é o amor, as relações de amor. Morris West dá-nos um exemplo impressionante disto em seu livro Filhos do Sol, que conta a história dos scugnizzi, os meninos de rua abandonados de Nápoles, e do amor de Frei Mário Borelli por eles. "Existe em nós (os napolitanos) uma coisa que nunca muda", disse Mário para Morris. "Nós necessita¬mos tanto de amor quanto um peixe necessita de água, ou uma ave de ar." E então explicou que cada um dos scugnizzi que ele conhecia "tinha saído de casa porque não havia mais amor para ele".

Mas não são apenas as crianças de rua do mundo que necessitam amar e ser amadas, e que descobrem que vida significa amor. Todos nós somos assim. É no amor que nos encontramos e nos realizamos. Além do mais, não é preciso ir muito longe para buscar a razão para isso. É porque Deus é amor em sua essência, de tal forma que, quando ele nos criou à sua própria imagem, deu-nos a capacidade de amar assim como ele ama. Não é à toa, portanto, que os dois grandes mandamentos de Deus são amá-lo e amar uns aos outros, pois é esse o nosso destino. Uma existência verdadeiramente humana é impossível sem amor. Viver é amar, e sem amor nós murchamos e mor¬remos. Como expressou Robert Southwell, poeta católico romano do século XVI: "Não quando eu respiro, mas sim quando eu amo, aí é que eu vivo." Ele provavelmente estava fazendo eco à observação de Agostinho, de que a alma vive onde ela ama, não onde ela existe.

O verdadeiro amor, no entanto, impõe restrições ao amante, pois o amor é essencialmente autodoador. E isto nos leva a um surpreendente paradoxo cristão. A verda¬deira liberdade é a liberdade para ser eu mesmo, assim como Deus me fez e como ele pretendia que eu fosse. E Deus me fez para amar. Mas amar é dar, é autodoação. Portanto, para ser eu mesmo, eu tenho que negar-me a mim mesmo e doar-me. Para ser livre eu tenho que servir. Para viver, eu tenho que morrer para o meu próprio egocentrismo. E, para encontrar-me, tenho que esbanjar-me em dar amor.

A verdadeira liberdade é, pois, exatamente o oposto do que muita gente pensa. Não é ser livre de toda a respon¬sabilidade que tenho para com Deus e os outros, a fim de viver para mim mesmo. Isto é ser escravo do meu próprio egocentrismo. Pelo contrário, a verdadeira liberdade é a libertação do meu tolo e diminuto ego, a fim de viver responsavelmente em amor a Deus e aos outros.

Mas a mente secular não consegue captar este paradoxo cristão da liberdade através do amor. Por exemplo, a no¬velista francesa Françoise Sagan deu uma entrevista pouco antes de completar cinquenta anos, em 1985. Ela disse que estava perfeitamente satisfeita com sua vida e que nada tinha a lamentar.

"Você teve a liberdade que queria?"

"Sim", disse ela, esclarecendo sua declaração: "Natu¬ralmente, eu sempre era menos livre quando estava apai¬xonada por alguém... Mas não se vive apaixonada o tempo todo. A não ser por esse tempo... Sou livre, sim."

A implicação é clara: o amor inibe a liberdade. Quanto mais se ama, menos livre se é, e vice-versa. Presume-se, portanto, que para ser completamente livre é preciso evitar as complicações do amor, ou seja, o jeito é desistir com¬pletamente de amar.

Mas Jesus ensinou exatamente o contrário em um de seus epigramas favoritos, que ele parece ter citado em diferentes formas e contextos. "Quem quiser, pois, salvar a sua vida, perdê-la-á", disse ele; "e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á." Eu achava que Jesus estivesse se referindo a mártires que dão a vida por ele. E o princípio que ele estava enunciando certamente inclui a estes. Mas a "vida" de que ele está falando, que tanto pode ser salva como perdida, não é a nossa existência física (zoe), mas a nossa alma ou ego (psyche) usada não poucas vezes em lugar do reflexivo referente à primeira pessoa ("me/mim"). Poderíamos então parafrasear o epigrama de Jesus nos seguintes termos: "Se você insiste em apegar-se a si mesmo e em viver para si mesmo, re¬cusando-se a desligar-se do seu eu, você está perdido. Mas se estiver disposto a doar-se em amor, então, no momento do completo abandono, quando você pensar que tudo está perdido, acontecerá o milagre e você encontrará a si e à sua liberdade." Só o serviço sacrificial, o dar-se a si mesmo em amor a Deus e aos outros, é que é a perfeita liberdade.

A verdadeira liberdade, portanto, combina o negativo (libertação de) com o positivo (liberdade para). Ou, dito de uma outra forma, ela concilia a libertação da tirania com a liberdade submetida à autoridade. Jesus ilustra isto num dos seus mais conhecidos convites:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecar¬regados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Existem aqui, na verdade, dois convites, ligados a uma única promessa. A promessa é "descanso", que parece abranger a idéia de libertação. "Eu vos aliviarei", diz Jesus (versículo 28). E acrescenta: "Achareis descanso para as vossas almas" (versículo 29). Mas a quem ele promete descanso? Primeiro, àqueles que vêm a ele "cansados e sobrecarregados", pois ele tira os seus fardos e os liberta. Depois, ele dá descanso àqueles que tomam sobre si o seu jugo e aprendem dele. Assim, o verdadeiro descanso se encontra em Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos liberta da tirania da culpa, do ego e do medo, e em Jesus Cristo, nosso Senhor, quando nos submetemos a sua autoridade e ensino. Afinal, o seu jugo é suave, o seu fardo é leve e ele mesmo é "manso e humilde de coração".

Fonte: OUÇA O ESPIRITO , OUÇA O O MUNDO ( Jonh Stott)