free counters

Seguidores

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

2ª LIÇÃO DO 4º TRIMESTRE DE 2020: QUEM ERA JÓ



 1.Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.

2.E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.

3.E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do Oriente.

4.E iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidaram as suas três irmãs a comerem e beberem com eles

5.Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos um pouco a respeito do caráter de Jó. Quem foi esse homem? O que podemos aprender com ele? Qual é o seu legado para a nossa geração? O Livro de Jó inicia-se com a apresentação do patriarca, desde seu caráter até seu patrimônio e família. Ele é apresentado como um homem de grandes virtudes e qualidades espirituais que sobrepujavam, e muito, a prosperidade material que possuía. Ele foi um homem que não apenas possuía bens materiais e uma família sólida, mas mantinha profunda comunhão com Deus. Devemos observar o seu exemplo e tentar sermos vistos por Deus como alguém que seja sincero, reto, temente a Deus e que se desvia do mal.

I. UM HOMEM DE CARÁTER IRRETOCÁVEL

“O caráter define o que uma pessoa é de verdade; ela é vista a partir dos valores que governam a sua vida interior. O “mau-caráter” define uma pessoa que não merece confiança, que é desonesta e que, portanto, não possui valores nobres”.

Quanto ao patriarca Jó, o próprio Deus deu testemunho a Satanás do caráter dele (Jó 1:8). O importante na vida do ser humano não é o que os outros dizem dele, e sim o que o Senhor fala a seu res­peito. Os homens podem errar. Vejamos o que o Onipotente disse de alguns de seus servos: Abraão, "meu amigo" (Is.41.8); Gideão, "varão valoroso" (Jz.6:12); Davi, "homem conforme o meu coração" (At.13:22); Daniel, "homem mui dese­jado" (Dn.10:11); Paulo, "vaso es­colhido" (At.9:15); etc. Quanto Jó, o Livro o descreve assim:

“Havia um homem na terra de Uz, e seu nome era Jó. Ele era um homem íntegro e correto, que temia a Deus e se desviava do mal” (Jó 1:1).

1. Íntegro (sincero) (Jó 1:1)

A primeira informação que temos acerca do caráter de Jó é que ele era um homem íntegro. Isso fala de seu caráter moral. Era um homem verdadeiro intimamente. Não havia duplicidade nem hipocrisia em Jó. Lamentavelmente há muitas pessoas que ostentam uma santidade que não possuem. Há muitos líderes que pregam sobre integridade, mas vivem de forma vergonhosa. São anjos em público e demônios na vida privada. Pregam uma coisa e vivem outra. São verdadeiros atores. Desempenham um papel muito diferente de sua vida. Alguém disse “que o homem não é aquilo que ele fala, mas aquilo que ele faz”. Nossas obras precisam ser o avalista de nossas palavras.

Jó foi íntegro na riqueza e permaneceu íntegro na pobreza. Foi íntegro quando estava honrado e permaneceu íntegro quando estava no pó e na cinza. O caráter vem antes da grandeza. Jó foi íntegro nos dias de celebração e no vale mais escuro da dor e provação. Passou pelo teste da prosperidade e pelo teste da adversidade.

2. Reto (Jó 1:1)

Também, o Livro diz que Jó era um homem reto. A retidão é consequência da integridade - integridade é aquilo que você é quando está sozinho; retidão é aquilo que você é quando está em público. Você é exatamente aquilo que é em secreto. Por isso, moralidade pública sem piedade secreta é como um corpo sem alma. Segundo Hernandes Dias Lopes, a retidão tem a ver com atos externos, enquanto a integridade, com valores internos. A verdade no íntimo conduz a uma prática pública de justiça. Porque Jó era um homem íntegro que andava com Deus, demonstrava sua retidão com suas obras. O próprio Jó dá o seu testemunho: “Eu era os olhos do cego e os pés do aleijado. Era pai dos necessitados e examinava com dedicação a causa dos desconhecidos (Jó 29:15,16).

3. Temente a Deus e desviava-se do mal (Jó 1:1)

Enfim, Jó demonstrava um sólido caráter piedoso:

-Primeiro, ele tinha uma devoção positiva - "Ele era temente a Deus". Aqui está o segredo da integridade de Jó. Ninguém pode ter uma vida interior santa sem o temor de Deus. Os santos temem a Deus porque ele perdoa; os pecadores porque ele pune. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; é grande freio contra o mal; é o fiel da balança. Aqueles que temem a Deus não temem os homens. Aqueles que temem a Deus fogem do pecado. Aqueles que temem a Deus deleitam-se nele com santa reverência. Aqueles que temem a Deus procuram agradá-lo não por causa do medo da punição, mas pelo prazer da comunhão.

-Segundo, Jó tinha uma devoção firme - "Ele se desviava do mal". Jó decisivamente se opôs ao pecado. Ele não apenas tinha o temor de Deus, mas também odiava o pecado, fugia do pecado, não transigia com o pecado. Não é suficiente apenas não pecar, devemos odiar o pecado em todas as suas formas. Devemos fugir até da aparência do mal.

II. UM HOMEM SÁBIO E PRÓSPERO

É possível ser próspero e, ao mesmo tempo, ter um caráter íntegro e piedoso? Esta pergunta faz sentido porque não é pouco comum correlacionar o defeito de caráter de uma pessoa com o advento do seu sucesso. O leitor da Bíblia Sagrada sabe do cuidado que as Escrituras apontam para a relação humana com o dinheiro. Sim, a Palavra de Deus diz que o “amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1Tm.6:10). Isso ocorre por causa do “apego”, da “ambição” que o homem desperta diante do dinheiro ou de algum outro bem material. Essa disposição pode aniquilar a nossa integridade e piedade. Que o exemplo de Jó fale aos nossos corações.

1. Um conselheiro sábio

Pelo texto sagrado percebe-se que Jó tinha um lugar de honra entre os seus companheiros como sábio conselheiro (Jó 29:19-21). Quando as pessoas precisavam de conselho, Jó era capaz de dá-lo. Agora que isso havia cessado, ele se sentia grandemente empobrecido.

19.A minha raiz se estendia junto às águas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos;

20.a minha honra se renovava em mim, e o meu arco se reforçava na minha mão.

21.Ouvindo-me, esperavam e em silêncio atendiam ao meu conselho.

22.Acabada a minha palavra, não replicavam, e minhas razões destilavam sobre eles;

O texto indica o respeito que era dedicado a Jó e também pela sabedoria que saía da sua boca. A Bíblia afirma que Jó era “maior do que todos os do Oriente” (Jó 1:3); “maior”, aqui, não deve ser entendido apenas como uma referência a bens materiais, mas também à sua sabedoria. Suas palavras caiam sobre as pessoas como a chuva, suavemente e com benevolência (Jó 29:23). Aqueles que ouviam seus sábios conselhos, bebiam suas palavras como o solo ressecado absorve a chuva tardia, que caía no tempo apropriado e determinava a produtividade das colheitas.

Estudiosos destacam que Jó era mais importante em sabedoria, riqueza e piedade do que qualquer outra pessoa daquela região, e ressaltam o reconhecimento da sabedoria de Jó conforme se destacava a sabedoria dos orientais expressa em provérbios, canções e histórias. Neste sentido, Jó era o líder (Jó 29:25) entre seus companheiros; ele era líder de pessoas e apontava o caminho que eles deviam seguir. Ele era como um rei ou comandante de tropas (Jó 29:25). Ao mesmo tempo ele era aquele que consolava os que pranteavam (Jó 29:25). Como bem diz o pr. José Gonçalves, “há pessoas ricas que nem são sábias nem tampouco prósperas; possuem conhecimento, mas não entendimento; riquezas, mas não prosperidade. Jó distingue-se nesse aspecto. Ele foi um sábio conselheiro, rico e próspero”.

2. Um homem próspero

O texto sagrado afirma que Jó era o homem mais rico de sua geração no Oriente; era o maior empresário rural de seu tempo. Toda a sua fortuna é descrita detalhadamente:

Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Tinha também muitos servos que trabalhavam para ele, de modo que era o homem mais rico de todos os do Oriente” (Jó 1:3).

A vida de Jó refuta a ideia de que pessoas ricas não podem ser piedosas. A riqueza não é um pecado, nem a pobreza é uma virtude. A riqueza quando honestamente adquirida é uma bênção. É Deus quem fortalece as nossas mãos para adquirirmos riquezas. Riquezas e glórias vêm do próprio Deus.

A riqueza pode ser uma bênção ou uma maldição

a) É uma bênção quando o rico não considera seus bens apenas como uma propriedade particular para ser usufruída. Quando o rico pensa assim, ele se vê como mordomo de Deus, administrando o alheio, otimizando os recursos que gerencia para abençoar outras pessoas. Jó tinha plena convicção de que Deus havia cercado sua vida e sua família com uma muralha de proteção. Ele tinha certeza de que seus bens haviam se multiplicado na terra não apenas por causa de sua experiência administrativa, mas, sobretudo, porque Deus havia abençoado a obra de suas mãos. Por isso, Jó era um homem generoso. Sua devoção a Deus levou-o a ser um homem de coração aberto, casa aberta e bolso aberto para ajudar os necessitados.

b) É uma maldição quando ela é adquirida pelo expediente da opressão, do suborno, da corrupção e da violência. Construir impérios econômicos, arrebatando o direito do inocente, saqueando a casa do pobre, oprimindo o órfão e a viúva, é lavrar para si mesmo uma sentença de morte, é colocar laço para os próprios pés e cavar a própria sepultura. Deus é o reto juiz, e ele é o grande defensor dos indefesos e inocentes. Aqueles que maquinam o mal para arrebatar os bens dos pobres e que maquinam de noite projetos iníquos e logo ao amanhecer já os colocam em prática porque têm o poder nas mãos, mesmo acumulando bens, riquezas e mais riquezas, não usufruirão no sentido pleno desses haveres. Comerão, mas não se fartarão; vestirão, mas não se aquecerão; buscarão aventuras, as mais extravagantes, e não encontrarão nesses banquetes dos prazeres a satisfação para sua alma.

-Também, a riqueza torna-se uma maldição quando é usada de forma egoísta, apenas para o deleite. Há indivíduos que fazem do dinheiro a razão da sua vida. Pessoas se casam, divorciam, matam e morrem pelo dinheiro. Muitas pessoas, sem uma dimensão da eternidade, tem sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acabam se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc.12:13-21) - “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”(Lc.12:15). Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa do dinheiro.

A Bíblia revela que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação: como nos casos do mancebo de qualidade (Mt.19:22; Lc.18:23); de Judas Iscariotes (Lc.22:3-6; João 12:4-6); de Ananias e Safira (At.5:1-5,8-10); de Simão, o mago (At.8:18-23) e; de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (1Tm 6:9,10). Deus assim nos exorta: “se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o vosso coração” (Sl.62:10).

Que lugar o dinheiro tem ocupado em nossa vida? O relato de Lucas 18:18-24 revela a situação espiritual de muita gente. O texto fala de um homem que sentia sede de salvação, porém, tinha o grande obstáculo da riqueza, dos bens materiais, um dos maiores inimigos da vida espiritual. De todas as pessoas que vieram a Cristo, esse homem é o único que saiu pior do que chegou. Ele foi amado por Jesus, mas, mesmo assim, desperdiçou a maior oportunidade da sua vida. A despeito do fato de ter vindo à pessoa certa, de ter abordado o tema certo, de ter recebido a resposta certa, ele tomou a decisão errada. Ele amou mais o dinheiro do que a Deus, mais a terra do que o céu, mais os prazeres transitórios desta vida do que a salvação da sua alma.

3. Uma prosperidade baseada no “ser”

O texto bíblico deixa claro que Jó não era apenas um homem rico, mas o mais rico de sua geração no Oriente: “... de modo que era o homem mais rico de todos do oriente” (Jó 1:3). Jó superava todos os seus concorrentes. Ninguém se comparava a ele no que concernia à prosperidade financeira e à piedade pessoal. Jó era um homem realizado em sua vida financeira, em sua vida familiar e em seu relacionamento com Deus, contudo, sua prosperidade não era estabelecida somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

Jó sabia que a sua riqueza vinha de Deus, e sabia que seu amor deveria ser endereçado a Deus, e não às dádivas de Deus. Ele tinha claro em sua mente que o abençoador é melhor do que a bênção e que o doador é melhor do que suas dádivas. Quando o homem entende que tudo vem de Deus e tudo pertence a Deus, não tem dificuldade de colocar esse tudo nas mãos de Deus. O homem não trouxe nada para este mundo, nem vai levar nada dele.

III. UM HOMEM DE PROFUNDA PIEDADE PESSOAL

1. Um homem dedicado à família

Jó era um homem próspero e feliz, mas a maior riqueza dele era a sua família. No mundo oriental, ter uma família grande ainda hoje é sinal da bênção de Deus. Os filhos eram como flechas na mão do guerreiro. Os filhos são carregados pelos pais, são lançados rumo ao alvo certo, e se tornam os defensores dos pais. Os pais investem nos filhos, e depois recebem, o retomo desse investimento. Os pais semeiam na vida dos filhos, e mais tarde os filhos semeiam na vida dos pais. Os pais protegem os filhos quando são pequenos, e depois os filhos protegem os pais quando estes colocam os pés na terra da velhice.

Jó não era apenas um homem feliz, mas os seus filhos também tinham famílias felizes. Vejamos o registro bíblico:

“Seus filhos visitavam uns aos outros, e cada vez um deles fazia um banquete e mandava convidar suas três irmãs para comerem e beberem com eles” (Jó 1:4).

Precisamos aprender a celebrar como família. Precisamos cultivar a amizade na família. Os irmãos precisam ser amigos, amáveis e carinhosos uns com os outros. Nada mais alegra o coração dos pais do que ver que seus filhos andam na verdade e cultivam o amor.

Os filhos de Jó aprenderam a celebrar juntos em vez de se envolver em brigas e contendas. O homem sábio que teme a Deus entende que o dinheiro não une, divide; o dinheiro não aproxima, separa. Quanto mais rica é uma família, mais os filhos têm a tendência de se afastar uns dos outros. Mas, os filhos de Jó não eram assim; eles tinham tempo para estar juntos; eles festejavam seus aniversários juntos; eles convidavam uns aos outros; eles eram unidos; eles se amavam. Essa união foi fruto do investimento de Jó, foi fruto da criação que Jó deu a eles. Jó tinha tempo para os filhos; ele costurou o vínculo do amor que manteve os filhos unidos.

Qual foi o processo usado por Jó para manter seus filhos unidos? Colocá-los perto de Deus. Jó orava pelos seus filhos, fazia holocaustos em favor deles e exortava os filhos a não pecarem contra Deus.

Quando temos um relacionamento correto com Deus, então temos um relacionamento correto com as pessoas. Não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amamos o nosso próximo, a quem vemos (1João 4:20). Quando cultivamos um relacionamento vertical, pavimentamos ao mesmo tempo um relacionamento horizontal. Quanto mais perto de Deus andarmos, mais perto das pessoas estaremos.

2. Um homem de moral e piedade

Uma das características de Jó: era um homem de moral e piedade, era temente a Deus (Jó 1:5).

“Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente”.

-Ser temente a Deus não é ter medo de Deus, mas, muito pelo contrário, é ter respeito a Deus, comportar-se de modo que se reconheça que Deus é o Senhor e que nós somos apenas Seus servos.

-Ser temente a Deus é reconhecer que Deus deve guiar nossos passos e que nós devemos obedecer-lhe, simplesmente porque Ele é o Senhor. Aqui repousa, aliás, a própria moralidade do servo do Senhor. Fazemos ou deixamos de fazer algo não porque tenhamos medo de Deus, mas porque reconhecemos que Ele é o Senhor e que cabe a Ele ordenar os homens sobre o que deve ser feito ou não.

-Ser temente a Deus é ser dependente de Deus, é negar o convite feito pelo inimigo de sermos autossuficientes e de querermos ser "pequenos deuses", dizendo, para nós mesmos, o que é certo ou o que é errado, exatamente a mensagem satânica que está sendo disseminada no mundo atualmente sob a roupagem do movimento Nova Era.

Jó era temente a Deus, reconhecia em Deus o senhorio sobre o universo e sobre a sua vida e, por isso, aborrecia o mal (Pv.8:13). A Bíblia diz que o temor do Senhor é o princípio da ciência (Pv.1:7), é o princípio da sabedoria (Sl.111:10). É no temor de Deus que Jó depositava a sua confiança (Jó 4:6), não sendo diferente conosco nestes dias (Pv.14:26), pois, ao temermos a Deus, sabemos que Ele é soberano e, portanto, reina antes da fundação do mundo, tendo, pois, o absoluto controle sobre todas as coisas, o que nos deixa tranquilos quanto à Sua bênção sobre nós e o cumprimento de Suas promessas a nosso respeito. Só poderemos alcançar a pureza se tivermos o temor do Senhor, pois só ele é limpo (Sl.19:9). Não temer a Deus é ser ímpio e, portanto, sem qualquer parte com o Senhor e com a vida eterna (Sl.36:1; Rm.3:12-18).

3. Um homem de vida consagrada

A piedade de Jó está evidente no cuidado espiritual que ele tinha com os filhos. Ele colocou-se na brecha em favor deles. Lutou não apenas para dar-lhes prosperidade e valores morais, mas, sobretudo, batalhou para vê-los caminhando no temor do Senhor. Jó não era apenas um conselheiro, mas também um intercessor. Vejamos o registro bíblico:

“Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente”.

Algumas verdades devem ser destacadas (Adaptado do Livro “As teses de Satanás”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Jó se preocupava com a salvação dos filhos. Diz o texto que Jó oferecia sacrifícios de acordo com o número de todos eles. Jó, semelhante a Abraão, tinha um altar em sua casa. Ele sabia que seus filhos precisavam estar debaixo do sangue. Jó sabia que não há remissão de pecados sem derramamento de sangue. Jó não descansava enquanto não oferecia o sacrifício em favor dos filhos.

Nós, como Jó, nos preocupamos com a salvação do nossos filhos? Nossos filhos estão debaixo do sangue? Nossos filhos estão dentro da arca da salvação? Nossos filhos estão cobertos pelo sangue do Cordeiro?

É importante lutarmos para oferecer aos nossos filhos a melhor educação. É saudável oferecer aos filhos o melhor desta vida, contudo, a coisa mais importante que podemos dar aos nossos filhos é o conhecimento de Deus. O sucesso dos nossos filhos será consumado fracasso se eles não conhecerem Deus. As conquistas dos nossos filhos serão troféus de palha se eles não forem remidos pelo Senhor. As vitórias dos nossos filhos terão um sabor amargo se eles não forem filhos do Altíssimo. Eles podem receber todas as honras da Terra, mas, se eles não forem cidadãos dos Céus, nada disso aproveitará.

b) Jó se preocupava com a santificação dos seus filhos. O texto bíblico é claro: Jó chamava [seus filhos] para os santificar. Jó exercia forte influência sobre a vida dos filhos. Ele os chamava. Jó era proativo. Não esperava ser acionado. Ele tomava a iniciativa. Jó tinha tempo para os filhos. Ele não substituía presença por presentes. Ele os chamava, os santificava e investia na vida espiritual dos filhos.

c) Jó se preocupava com a intimidade de seus filhos com Deus. O registro bíblico é eloquente: “Talvez meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus no coração (Jó 1:5). Jó se preocupava não apenas com a vida exterior dos filhos, mas, sobretudo, com os sentimentos do coração. Talvez a prosperidade pudesse levá-los a amar mais as coisas da terra que as coisas do céu. Talvez o conforto que a riqueza proporciona pudesse levá-los a excessos. Talvez, em suas celebrações, pudessem ultrapassar a fronteira do bom senso. Tudo isso era observado por Jó.

Os pais precisam estar atentos não apenas à aparência dos filhos, mas, sobretudo, à vida íntima deles. Não basta dar-lhes uma roupa de grife e colocá-los nas melhores escolas, se eles não temem a Deus no coração. Nós, que ficamos angustiados quando vemos nossos filhos doentes, temos nos preocupado com a pior de todas as doenças, o pecado, que pode destruí-los eternamente? Pai, você se preocupa com os problemas dos seus filhos? É amigo, confidente, conselheiro e intercessor deles? Seu coração está convertido ao coração dos seus filhos?

Muitos pais constroem verdadeiros impérios econômicos, mas perdem os filhos. Deixam robusta herança para os filhos, mas não os conduzem a Cristo para receberem a herança imarcescível. Tornam seus filhos famosos na terra, mas não conhecidos no Céu. Fazem de seus filhos verdadeiros monumentos do sucesso, mas não fazem nenhum investimento na vida espiritual deles.

d) Jó se colocava na brecha em favor dos filhos como um intercessor. Jó orava por todos os seus filhos; orava em favor de cada um deles, colocando diante de Deus especificamente a necessidade de cada filho. Cada filho tinha uma necessidade, um problema diferente, um temperamento diferente, uma causa diferente. Cada um tinha tentações diferentes, provas diferentes, necessidades diferentes.

Precisamos aprender a colocar no altar de Deus os nossos filhos e suas causas. Precisamos como Ana devolver os nossos filhos para Deus a fim de que eles realizem os sonhos de Deus, e não simplesmente os nossos sonhos. Precisamos, como os pais de Sansão, orar pelos nossos filhos antes mesmo de eles nascerem. Jó orava de madrugada pelos filhos.

Certamente Jó era um homem com uma agenda disputadíssima. Por ser o homem mais rico da sua região, tinha muitos negócios, muitos compromissos, muitos empregados para gerenciar, muitas pessoas para aconselhar, muitas assistências sociais para realizar. Sua agenda era congestionada com muitos afazeres, mas o melhor do seu tempo era dedicado para interceder pelos filhos. Ele gastava o melhor do seu tempo na “brecha” em favor dos filhos.

Jó não apenas orava pelos seus filhos, mas orava perseverantemente por eles. Jó era um homem de oração, um pai intercessor. Ele era o sacerdote do seu lar. Ele acreditava que seus filhos dependiam mais da bênção de Deus do que do dinheiro. Seus filhos eram ricos, mas careciam de Deus. Seus filhos tinham tudo, mas dependiam de Deus. O tudo sem Deus é nada. O sucesso sem Deus é fracasso. A maior necessidade dos filhos não é de coisas, é de Deus; não é de conforto, é de Deus; não é de bênçãos, é do Abençoador. Jó não abria mão de ver seus filhos aos pés do Senhor. Por isso, não desistia de orar por eles, mesmo que eles não estivessem mais debaixo do abrigo do seu teto.

CONCLUSÃO

Jó, este gigante da fé do Antigo Testamento, que era reto, íntegro e temente a Deus, e que se desvia do mal (Jó 1:1), não era somente isto que descremos nesta Aula, baseado no texto sagrado, ele era muito mais do que isto. Ele era rico, mas não punha o seu coração nas riquezas, era cônscio de que não passava de um mordomo daquilo que Deus lhe concedeu para usufruto. O próprio Deus testemunhou que Jó era o homem mais piedoso e correto que viveu na terra em sua geração (Jó 1:8) – “E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal”. O caráter de Jó era impoluto, sua vida era ilibada e seu testemunho era irrepreensível. Outrossim, ele foi um homem possuidor de uma forte moralidade e sólida espiritualidade. Seu legado, ainda é um tesouro a ser conquistado. Oro a Deus para que nos conceda uma faceta do caráter e da piedade de Jó, pois é quase impossível, hoje, se assemelhar a ele plenamente. Que Deus nos ajude!

----------------

FONTE: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

7ª LIÇÃO DO 3º TRIEMESTRE DE 2020: O POVO DE DEUS DEVE SEPARAR-SE DO MAL

 

3º Trimestre/2020

EDIÇÃO ESPECIAL

Texto Base: Esdras 2:59-62; 4:2,3; 6:2-4

“Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei”  (2Co.6:17).

Esdras 2:

59.Também estes subiram de Tel-Melá e Tel-Harsa, Querube, Adã e Imer, porém não puderam mostrar a casa de seus pais e sua linhagem, se de Israel eram.

60.Os filhos de Delaías, os filhos de Tobias, os filhos de Necoda, seiscentos e cinquenta e dois.

61.E dos filhos dos sacerdotes: os filhos de Habaías, os filhos de Coz, os filhos de Barzilai, que tomou mulher das filhas de Barzilai, o gileadita, e que foi chamado do seu nome.

62.Estes buscaram o seu registro entre os que estavam registrados nas genealogias, mas não se acharam nelas; pelo que por imundos foram rejeitados do sacerdócio.

Esdras 4:

2.Chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais e disseram-lhes: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos mandou vir para aqui.

3.Porém Zorobabel, e Jesua, e os outros chefes dos pais de Israel lhes disseram: Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus; mas nós, sós, a edificaremos ao SENHOR, Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia.

Esdras 6:

2.E em Acmetá, no palácio que está na província de Média, se achou um rolo, e nele estava escrito um memorial, que dizia assim:

3.No ano primeiro do rei Ciro, o rei Ciro deu esta ordem: Com respeito à Casa de Deus em Jerusalém, essa casa se edificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura, de sessenta côvados, e a sua largura, de sessenta côvados, 

4.Com três carreiras de grandes pedras, e uma carreira de madeira nova; e a despesa se fará da casa do rei.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos dos judeus que retornaram do cativeiro. Em Esdras 2, o escritor registra o nome e o número das famílias que retornaram a Judá e Jerusalém após o decreto de Ciro. Sem dúvida alguma, retornar foi uma grande demonstração de fé e confiança em Deus, principalmente quando se sabia que a terra para onde iam estava em grande desolação e miséria, onde um dia foi visto a glória e a majestade do reino do povo de Deus. Mas, para voltar a Jerusalém não era de qualquer forma; uma das principais exigências era demonstrar a sua pureza étnica e afinidade aos princípios norteadores de sua fé original. Para onde estavam indo, viveriam conforme os ritos da lei que Deus tinha dado a Moisés. Como forma de honrar aqueles que se dispuseram a voltar, o Espirito Santo colocou no coração de Esdras a direção de documentar os seus nomes. Há uma verdade espiritual aqui para nós: o nome daqueles que confiam em Jesus Cristo e abandonam as práticas do pecado, tem um memorial gravado no livro da vida. Nossa confiança e perseverança não se perdem com o tempo, o Senhor Deus está atento ao nosso andar diante dEle e às nossas obras.

I. SOMENTE OS JUDEUS RETORNARIAM A JUDÁ

1. Registro dos judeus que retornaram do exílio (Ed.2:1-58)

Em primeiro lugar, somente os judeus que não se misturaram com o povo pagão da babilônia retornaram à terra de Judá. Os judeus mestiços, nascidos de casamentos mistos, durante o cativeiro em Babilônia, não fariam parte do grupo de judeus que retornariam a Judá. Somente aqueles que comprovassem a sua ascendência puramente judaica fariam parte daquele grupo. Deus não aceita mistura do seu povo com o povo do mundo. Não pode haver comunhão da luz com as trevas. Quando o povo de Israel foi libertado do Egito, uma grande quantidade de pessoas, que não eram da descendência de Abraão, acompanharam os israelitas no deserto em direção a Canaã. Essa multidão de gente causou um grande prejuízo espiritual ao povo de Deus. Foi exatamente essa gente que durante o trajeto pelo deserto foi fonte inspiradora de murmuração (cf.Nm.11:4). É um grande prejuízo espiritual algum líder querer facilitar a entrada de “mistura de gente”, dando maior ênfase à quantidade do que à qualidade. Jesus foi contundente: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

2. O número dos judeus que voltaram

Esdras 2:1-61 fornece uma lista dos exilados que voltaram para Judá sob a liderança de Zorobabel. Alguns são registrados de acordo com o grau de parentesco (Ed.2:3-19); outros, de acordo com a cidade de origem (Ed.2:20-35). O texto menciona em especial os sacerdotes (Ed.2:36-39), os levitas (Ed.2:40-42) e os servidores do Templo (Ed.2:43-54). Todos esses exerceriam um papel importante na reconstrução do Templo.

Alguns judeus afirmaram ser sacerdotes, porém, não puderam provar sua linhagem e foram impedidos de servir no Templo e de participar das refeições sagradas até que recebessem autorização de Deus por meio de consulta ao Urim e Tumim. O governador era Zorobabel (cf.Ed.2:59-63).

O capítulo sete de Neemias fornece uma lista semelhante a esta. Embora ocorram pequenas diferenças no arranjo ente elas, ambas apresentam um total de quarenta e dois mil trezentos e sessenta judeus que retornaram do exílio, além de sete mil trezentos e trinta e sete servos, além de muitos animais. Esdras acrescenta duzentos cantores, e Neemias inclui 245, de modo que o total de exilados que retornaram é de cinquenta mil, uma fração pequena do total de judeus levados cativos.

A viagem de retorno foi perigosíssima. Eles seguiram o curso do rio Eufrates, num percurso de 1.300km, através de imenso nevoeiros de areia e sujeitos a serem assaltados. Essa viagem durou cinco meses (Ed.7:8,9).

3. O significado da volta dos judeus

Essa volta representou a manutenção da fé judaica no Deus vivo, com seus princípios que governam o mundo até hoje. Não era apenas um bando de escravos que retornava, mas uma civilização com seus princípios doutrinárias. Esse acervo é o maior patrimônio da humanidade. São as riquezas espirituais e morais do povo eleito de Deus. A adoração era a razão de ser de Jerusalém.

Listas genealógicas extensas foram apresentadas por Esdras e Neemias (cf. Ed.2.1-70; 8:1-14; Ne.7:5-65), “cujo propósito era pelo menos duplo: (a) legitimar aqueles que voltaram, identificando-os com os ancestrais tribais, e (b) demonstrar por essa ligação que o exílio, embora traumático e terrivelmente destruidor, não cortara a linhagem da promessa que se originou em Abraão e continuaria para sempre. Havia nestas listas as linhagens dos sacerdotes, levitas e outros funcionários religiosos (Ed.2:36-54; 8:1-14; Ne.7:39-56), pois o reino teocrático, como reino de sacerdotes, era um povo de adoradores que expressava a vassalagem na forma relacionada ao culto (ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2009).

“As genealogias dão a entender que a mesma nação que fora desarraigada tão violentamente da terra da promessa voltaria. E ainda que não fossem as mesmas pessoas, eram os seus descendentes, castigados e de número muito reduzido. Neemias conhecia muito bem o penhor do Senhor dado a Moisés (Dt.30:2-4) que, mesmo que o desobediente fosse exilado nos confins da terra, Ele os ajuntaria e os traria de volta ao lugar habitado pelo seu nome (Ne.1:8-10). Neemias também sabia que seria quase como um novo começo, pois o povo restaurado seria apenas um remanescente (Ne.1:3). É de tal começo humilde que Esdras também sabia que a comunidade restaurada tinha de surgir novamente (Ed.9:15)” (ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD).

II. OS JUDEUS NÃO ACEITARAM A AJUDA DOS SAMARITANOS

1. Quem eram os samaritanos?

Já comentei sobre isto no tópico II da Aula 04. Repriso aqui por tratar-se de um assunto proposto pelo comentarista da Lição neste tópico. Os samaritanos eram descendentes de colonizadores de outros países, trazidos para Israel quando a Assíria levou os habitantes do Reino do Norte para o cativeiro em 742 a.C. (cf. 2Reis 17:5-7,23,24).

 “Porque o rei da Assíria passou por toda a terra, subiu a Samaria e a sitiou por três anos. No ano nono de Oseias, o rei da Assíria tomou a Samaria e transportou a Israel para a Assíria; e os fez habitar em Hala, junto a Habor e ao rio Gozã, e nas cidades dos medos. Tal sucedeu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito; e temeram a outros deuses” (2Reis 17:5-7).

“[...] assim, foi Israel transportado da sua terra para a Assíria, onde permanece até ao dia de hoje. O rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; tomaram posse de Samaria e habitaram nas suas cidades” (2Reis 17:23,24).

Esses colonos pagãos se casaram com os judeus que permaneceram em Israel, e os descendentes dessa união se tornaram conhecidos como samaritanos; eram considerados impuros na opinião de judeus eticamente puros. Estes odiavam aqueles (os samaritanos), porque sentiam que seus compatriotas haviam traído seu povo e sua nação por meio de tais casamentos. Num período posterior, o nome samaritano teve uma conotação mais religiosa do que étnico ou político.

Os novos colonizadores enviados pelo rei da Assíria adoravam a Deus, porém sem deixar seus costumes pagãos. Certa feita, o rei da Assíria enviou-lhes sacerdote dos israelitas para ensinar ao povo da terra o temor de Deus. Assim, os samaritanos temiam o Senhor, mas também serviam a seus falsos deuses: “Assim, ao SENHOR temiam e também a seus deuses serviam, segundo o costume das nações dentre as quais tinham sido transportados” (2Rs.17:33).

Eles adoravam o Senhor apenas para abrandar Sua ira, em vez de agradar-lhe; assim tratavam-no como amuleto de sorte ou apenas como outro ídolo de sua coleção. Podemos identificar uma atitude semelhante em nossos dias. Muitas pessoas afirmam crer em Deus, embora se recusem a abandonar as atitudes que Ele reprova. O Senhor não deve ser acrescentado aos valores que já possuímos. Ele deve vir em primeiro lugar, e Sua Palavra deve moldar todas as nossas atitudes.

2. Os samaritanos ofereceram cooperação aos judeus

Quando os judeus começaram a construção do Templo, os samaritanos ofereceram-se para cooperar (Ed.4:1). Os judeus, porém, rejeitaram firmemente a proposta (Ed.4:1-3).

1.Ouvindo, pois, os adversários de Judá e Benjamim que os que tornaram do cativeiro edificavam o templo ao SENHOR, Deus de Israel,

2.chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais e disseram-lhes: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos mandou vir para aqui.

3.Porém Zorobabel, e Jesua, e os outros chefes dos pais de Israel lhes disseram: Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus; mas nós, sós, a edificaremos ao SENHOR, Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia.

Os inimigos do povo de Deus, em uma tentativa de infiltrar-se e desvirtuar o projeto de reconstrução, se ofereceram para ajudar. Queriam observar o que os judeus estavam fazendo. Esperavam impedir que Jerusalém se tornasse, novamente, uma cidade forte. Os judeus, porém, discerniram a artimanha deles. Tal associação com incrédulos teria levado o povo de Deus a transigir na fé.

Esses inimigos alegavam adorar ao mesmo Deus que Zorobabel e os demais judeus. De um certo modo, isto era verdade, eles adoravam a Deus, mas também adoravam a muitos falsos deuses (ver 2Rs.17:27-29,32-34,41). Aos olhos de Deus, isto não era verdadeira adoração, era pecado e rebelião. A verdadeira adoração envolve prestar culto exclusivamente a Deus (Ex.20:3-5). Para esses estrangeiros, Deus era apenas mais um “ídolo” acrescentado à sua coleção. Seu verdadeiro objetivo era desvirtuar o projeto do Templo.

Os crentes hoje devem se precaver contra aqueles que reivindicam ser cristãos, mas cujas ações revelam claramente que estão usando o cristianismo para servir aos seus próprios interesses. A Bíblia exorta que devemos nos afastar daqueles que têm uma vida irregular (2Pd.3:17;1Tm.6:20,21;2Ts.3:6,14) como também daqueles que causam divisões (Rm.16:17,18; 2Pd.2:10,13,18; Jd.12,18,19). Também, exorta que nós devemos nos afastar daqueles que não praticam a sã doutrina (1Tm.6:3-5: Tt.3:10; 2João 10,11).

3. Os samaritanos procuraram aparentar-se com os judeus (Ed.9:1,2)

1.Acabadas, pois, essas coisas, chegaram-se a mim os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se têm separado dos povos destas terras, seguindo as abominações dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus,

2.porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a semente santa com os povos destas terras, e até a mão dos príncipes e magistrados foi a primeira nesta transgressão.

Desde a época dos juízes, os homens israelitas haviam adotado a pratica de casar com mulheres pagãs e, como consequência, abraçaram suas práticas religiosas (Jz.3:5-7). O próprio rei Salomão foi culpado deste pecado (cf.1Rs.11:1-8). Embora esta prática fosse proibida pela lei de Deus (Ex.34:11-16; Dt.7:1-4), ela apareceu nos dias de Esdras e, novamente, apenas uma geração após ele, à época de Neemias (Ne.13:23-27). A oposição ao casamento misto não era um preconceito racial, porque judeus e não judeus dessa região tinham um mesmo antecedente semita. As razões eram estritamente espirituais. Um homem judeu que se casasse com uma mulher pagã teria a tendência de adotar as crenças e práticas religiosas dessa mulher. Se os israelitas fossem insensíveis o bastante para desobedecer a Deus em algo tão importante quanto o casamento, não seriam suficientemente fortes para se manterem firmes contra a idolatria de seu cônjuge. Até que os israelitas finalmente parassem com essa prática, a idolatria permaneceu como um problema constante.

Ao povo de Deus da Nova Aliança, as Escrituras Sagradas exortam: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis” (2Co.6:14). Como o casamento envolve duas pessoas que se tornam uma, a fé dos cônjuges pode se tornar um problema já que certamente um deles terá que transigir em relação às suas próprias crenças, em benefício da unidade. Muitas pessoas não ligam para esse fato, e seguramente se lamentarão mais tarde. Não permita que a emoção ou a paixão lhe ceguem para a importância de se casar com alguém afinado espiritualmente com você. Exploraremos mais sobre este assunto na Lição 12.

III. DEUS EXIGE SANTIDADE DO SEU POVO

A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo. É uma exigência atemporal, que se aplica ao povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento.

Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo [...]. Porque eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus, e para que sejais santos; porque eu sou santo. Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo"(Lv.11:44,45; 19:2).

“porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:16).

Todavia, em que pese o Senhor ter dito “santos sereis”, a Palavra de Deus nos ensina que Ele respeita a vontade do homem e não viola sua liberdade, ou seu livre arbítrio. Obedecer ou não obedecer é uma decisão do homem. Ninguém será santo à força; isto não agrada a Deus. Todavia, Deus espera que seu povo esteja sempre em comunhão com Ele, vivendo separado do mal.

1. A santidade como marca

A santidade é o que identifica o povo de Deus. Por isso, a exigência permanente de Deus com relação à santidade do Seu povo, tanto na Antiga como na Nova Aliança. O texto Áureo de Levítico enfatiza esta realidade dogmática: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2). Observe que a marca, a santidade, não é somente para os líderes, mas a toda “a congregação dos filhos de Israel”, ou seja, a toda a Igreja do Senhor do Antigo Testamento. Deus diz: “santos sereis”.

Qual a razão da demanda do Senhor à congregação de Israel? A Bíblia responde: “Porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo”. Sim, Deus é o Senhor. Logo, nesse relacionamento, não passamos de servos. Ele tem autoridade para exigir que cada um de seus servos sejam santos, porque Ele, o nosso Deus, é santo. Como ignorar as prerrogativas daquele que nos chamou à perfeição?

Todavia, santidade não significa levar-nos a sair do mundo ou do mundo isolar-se. Lembremo-nos da oração sacerdotal de Jesus: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (João 17:15, ARA). Portanto, na ótica bíblica, santificar-se não significa isolar-se da sociedade, mas, nesta sociedade, atuar como testemunha fiel de Deus. É o que o Senhor requisitava de sua congregação no deserto. Mesmo ali, ainda sem contatar povo algum, deveriam os israelitas consagrar-se inteiramente como servos do Senhor. Sim, mesmo se estivermos no lugar mais improvável e árido, proclamemos as virtudes do Reino de Deus, por meio de uma vida santa, pura e marcada pela distinção.

Se o povo hebreu deveria sobressair-se pela santidade, o que não esperar da Igreja de Cristo? O apóstolo exorta-nos a andar continuamente em novidade de vida (Rm.6:4). Sem a santidade requerida por Deus nenhum de nós chegará ao Céu (Hb.12:14; Ap.21:8).

2. Deus garante, aos que vivem em santidade, plena vitória contra os ataques do inimigo

-Neemias só conseguiu proeza em seu projeto de reconstruir os muros de Jerusalém porque se dispôs a confiar em Deus e levar o povo à santidade diante de Deus. Só assim eles conseguiram concluir a construção do Templo e reconheceram que “Deus fizera esta Obra” (Ne.6:16).

-Quando Josué se preparou para passar o Jordão, disse ao povo: “Santificai-vos porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós” (Js.3:5). E assim aconteceu. Sem isto, certamente, o povo teria sido derrotado pelos inimigos cananeus, haja vista que belicamente eram muito mais fortes e experientes do que o povo de Israel.

-Josué, antes de iniciar a conquista de Canaã, recebeu a visita de um anjo. Josué então lhe perguntou: “Que diz meu Senhor ao seu servo?” E a resposta que recebeu foi: “Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo!” (Js.5:13-15). Isto significava uma exigência à santidade. Quando o povo de Israel não atentou para esta condição, foi derrotado pelo inimigo que, aparentemente, não era páreo para o povo de Israel; foi o que ocorreu diante do pequeno exército da cidade de Ai. Após a trágica derrota, Josué, com o rosto em terra, perguntou ao Senhor o porquê daquela derrota; o Senhor respondeu:

“Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o teu rosto? Israel pecou, e até transgrediram o meu concerto que lhes tinha ordenado, e até tomaram do anátema, e também furtaram, e também mentiram, e até debaixo da sua bagagem o puseram. Levanta-te, santifica o povo e dize: Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Anátema há no meio de vós, Israel; diante dos vossos inimigos não podereis suster-vos, até que tireis o anátema do meio de vós” (Js.7:10,11,13).

O pecado descoberto, foi desarraigado, e a vitória foi contundente.

“Então, disse o Senhor a Josué: Não temas e não te espantes; toma contigo toda a gente de guerra, e levanta-te, e sobe a Ai; olha que te tenho dado na tua mão o rei de Ai, e o seu povo, e a sua cidade, e a sua terra” (Js.8:1).

Deus exige santificação de seu povo para poder operar no meio dele. Pense nisso!

IV. DEVEMOS MANTER UMA VIDA SEPARADA DO MAL

1. Devemos manter uma vida separada do mal:

a) porque somos filhos de Deus

 “Amados, agora somos filhos de Deus...”(1João 3:2).

Quando um filho ama seu pai ele se orgulha quando alguém diz que ele se parece com o pai. O mesmo sentimento compartilha o pai quando alguém diz que seu filho é a “sua cara”. Contudo, não havendo amor essa mesma declaração aborrece tanto o filho como o pai.

b) porque queremos ser vitoriosos diante das ciladas do Diabo

Se os judeus tivessem caído na cilada dos samaritanos, certamente, a convivência com eles teria contaminado a vida espiritual do povo, haja vista que os samaritanos adoravam a falsos deuses; e isto teria afastado a presença de Deus no meio do Seu povo, uma vez que Deus não se une à idolatria. É preciso manter-se separado do mundo do pecado. Devemos andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo.

c) porque queremos fazer a vontade do Pai

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...”(1Tes.4:3).

Todo bom filho sente prazer e se esforça para fazer a vontade de seu pai. Todo pai fica feliz quando seu filho procura ser-lhe agradável. A Bíblia diz que Deus quer que seus filhos sejam santos.

d) porque queremos ser morada de Deus e um Templo para o seu Espírito

 “Jesus respondeu, e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada”(João 14:23); “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós...”(1Co.6:9).

A Bíblia diz que Deus é Santo na sua essência, ou seja, é absolutamente santo. Nós, com todas nossas impurezas, não sentimos bem habitando ou convivendo num lugar sujo, imundo, quanto mais Deus. Daí, se eu quero que Ele habite em mim, então preciso não apenas estar limpo, preciso estar purificado.

e) porque queremos ser um vaso nas mãos de Deus

Manter uma vida separada do mal, ou seja, uma vida em santidade, significa ser separado para uso de Deus. Assim sendo, qualquer que desejar ser um vaso nas mãos de Deus, tem que ser um vaso separado para seu uso. Esta é a condição exigida pela Palavra de Deus, conforme escreveu Paulo: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purifica destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”(2Tm.2:20,21).

f) porque somos peregrinos à caminho da Pátria Celestial

“...Andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação”(1Pd.1:17).

Os que não conhecem a Bíblia pensam que para ser santo é preciso estar morando no Céu. Pensam que é somente lá que vivem os santos. Porém, pela Palavra de Deus sabemos que Deus exigiu que Israel fosse santo durante a peregrinação através do deserto. Foi lá no Monte Sinai que Deus disse: “...Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:2). Naquele deserto, Israel teria que andar com Deus e separar-se do mal. Porém, o profeta Amós, pergunta: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”(Amós 3:3). Deus é Santo. Só existe uma maneira de poder andar com Ele: sendo santo, separando-se do mal.

g) porque queremos morar no Céu

 “Senhor, quem habitarás no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, e fala verazmente segundo o seu coração;
(Salmo 15:1,2). O Senhor Deus diz mais: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá”(Salmo 101:6). Portanto, somente aqueles que se mantém separado do mal, ou seja, os santos, morarão no Céu. Que o Senhor nos ajude a andar de valor em valor até que venhamos a completar a nossa carreira espiritual.

2. Uma vida separada do mal e a vontade de Deus

Muitos, conformados com o mundo, estão a dizer que “Deus só quer o coração”. Muitos têm procurado se basear em “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (cf. 2Tm.4:3), para justificar as suas condutas pecaminosas e a prática da iniquidade.

Os dias de hoje são difíceis e não são poucos os que têm se esforçado em encontrar guarida para as suas “inclinações da carne”, mas o Senhor, na Sua Palavra, é bem claro, é claríssimo: “os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm.8:8). Portanto, o santificar-se não é uma opção na vida do salvo, é uma exigência divina: “Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv.20:7). A nossa santificação é da vontade de Deus - “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts.4:3).

É bom ressaltar que ainda estamos neste mundo e, por causa disto, estamos sujeitos a pecar, mesmo sendo indesviáveis seguidores de Jesus Cristo. O apóstolo João aprofundou-se nesta questão e demonstrou que os homens não estão livres totalmente do pecado (1João 1:8-2:2), pois ainda não foram libertos do “corpo do pecado”. No entanto, o verdadeiro salvo não é uma pessoa que tenha um modo de vida voltado para as coisas pecaminosas, cujos propósitos e tendências sejam todas no sentido da separação de Deus mediante a prática da iniquidade.

O crescimento do crente "em santificação" ocorre à medida que o Espírito Santo o rege soberanamente e, o crente, por sua vez, busca-o, em cooperação com Deus.

"Sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1Pd.1:15).

CONCLUSÃO

Como povo de Deus, devemos manter a nossa identidade como servos de Deus e preservar o nosso nome no Livro da Vida, afastando-nos de qualquer mundanismo que possa comprometer a nossa comunhão com o Salvador. Fazendo assim não seremos envergonhados no grande Dia do Cordeiro.

--------

FONTE: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC