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terça-feira, 4 de novembro de 2014

6ª lição do 4º trimestre de 2014: A QUEDA DO IMPÉRIO BABILÔBICO

 

Texto Base: Dn 5:1,2,22-30

 
“E te levantaste contra o Senhor do céu, [...] além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste” (Dn 5:23).

 

INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula da Queda do Império Babilônico. Veremos isso à luz do capítulo 5 de Daniel. Por volta de 700 a.C, Deus inspirou o profeta Isaías a registrar uma profecia sobre o fim da poderosa Babilônia. Ele escreveu: “E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada, nem reedificada de geração em geração; nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores ali farão deitar os seus rebanhos” (Is 13:19,20).

Segundo Roy E. Swim, após a morte de Nabucodonosor, o seu filho, Evil-Merodaque, o sucedeu no trono. Este é o rei que deu honra especial ao rei Joaquim (filho de Jeoaquim), depois de 37 anos de exílio, ao soltá-lo da prisão e designar-lhe uma pensão (cf. Jr 52:31-34; 2Rs 25:27-30). Depois de dois anos, Neriglissar, o cunhado de Evil-Merodaque, liderou uma revolta e o assassinou. Neriglissar tinha se casado com uma das filhas de Nabucodonosor e reivindicava um certo direito real, especialmente por meio do seu filho, Labashi-Marduque. Mas o jovem não recebeu apoio e logo foi morto pelos seus amigos de confiança. Os generais e líderes políticos escolheram Nabonido, outro genro de Nabucodonosor, um auxiliar experimentado e de confiança durante a maior parte do seu reinado. Nitocris, filha de Nabucodonosor, deu um filho a Nabonido. Seu nome era Belsazar.

Por causa do seu sangue real, Belsazar, três anos após a ascensão de Nabonido ao trono, foi feito co-regente com seu pai. Ele tinha a incumbência de governar a cidade e a província da Babilônia. Esse foi o rei Belsazar descrito por Daniel (1). À época deste rei, em face de uma série de reis incompetentes, Babilônia encontrava-se numa trajetória decaída, deixando para trás sua época dourada. A ruína de Babilônia estava prestes a acontecer, pois um destacamento militar persa, comandado por Ciro, deslocara-se rapidamente para o sul, estacionando junto aos muros de Babilônia. Os muros eram grandes e fortes e seus armazéns achavam-se repletos de alimentos. O rio Eufrates trazia água à vontade para dentro da cidade. Para os líderes nacionais, Babilônia era invencível a qualquer inimigo. Apesar da presença dos inimigos junto aos muros da Babilônia, deliberadamente o rei Belsazar decidiu desafiar o Deus Altíssimo e por isso teve que enfrentar as consequências finais das escolhas que livremente tomara.

Em cumprimento da Palavra profética, a cidade de Babilônia, que parecia invencível, foi derrotada pelos exércitos medo-persas em 538 a.C, justamente quando o exílio de 70 anos de Judá estava para terminar. Com o tempo, Babilônia se tornou um monte de ruínas, exatamente como havia sido profetizado. Nenhum deus se compara ao Autor da Bíblia: o Deus verdadeiro, Jeová (Is 46:9,10).

I. O FESTIM PROFANO DE BELSAZAR

1. A zombaria de Belsazar (Dn 5:1-4). O desprezo do conhecimento de Deus leva o homem a uma vida dissoluta moralmente. A atitude do rei em utilizar os utensílios do templo de Jerusalém em sua festa devassa e idólatra, mostrava o caráter perverso de Belsazar. Ele estava afrontando ao Senhor e profanando publicamente aquilo que pertencia a Deus. O castigo viria inevitavelmente e imediatamente.

A vida é uma semeadura. Colhemos o que plantamos. Aqueles que plantam o mal colhem o mal. Aqueles que semeiam vento colhem tempestade. Aqueles que semeiam na carne, da carne colhem corrupção. Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. Querer fazer o mal e receber o bem é zombar de Deus, e de Deus ninguém zomba (Gl 6:7).

2. A insensatez e a crueldade do autocrata BelsazarSegundo Roy.E.Swim, além de toda a herança real do grande Nabucodonosor, seu avô, Belsazar tornou-se conhecido por causa da sua devassidão e crueldade. Conta-se que um dos nobres de Belsazar venceu o rei numa caçada. Por esse motivo, Belsazar matou o nobre na mesma hora. Mais tarde, em uma festa, um dos convidados foi elogiado por uma das mulheres. O rei ordenou que o convidado fosse mutilado para eliminar qualquer possibilidade de ser elogiado novamente. Criado em um ambiente de luxo, em que o poder e a adulação fizeram parte da sua vida já em tenra idade, ele tinha poucas chances de não se tornar um egoísta insensato e um autocrata cruel. (2)

3. Uma festa profana. Segundo Roy.E.Swim, catorze anos como segunda pessoa no comando do reino, Belsazar precisava encarar grandes responsabilidades. Nabonido, seu pai, estava no campo de batalha com o exército caldeu tentando rechaçar os ataques das forças conjuntas dos Medos e Persas. Uma província após outra do império da Babilônia tinha caído. Agora, os exércitos de Ciro cercavam a capital como o último obstáculo a ser vencido. Mas, Belsazar não estava nenhum pouco preocupado com as ameaças de Ciro. Ele acreditava que Babilônia era impenetrável e que seus muros eram inexpugnáveis. Tendo em vista a fartura de mantimentos e o suprimento de água inesgotável que a cidade possuía, Belsazar tinha a confiança que os habitantes poderiam sobreviver a qualquer cerco. Para demonstrar o seu desdém pela ameaça persa, Belsazar decretou uma festa para toda a cidade. Por meio de um convite especial paramil dos seus grandes (Dn 5:1), ele preparou uma festa no palácio real. Ele convidou as mulheres do harém real para acrescentar diversão à festa. O próprio rei liderou a festa oferecendo bebida para todos. Em dado momento, inflamado pelo muito vinho, Belsazar se deixou levar por um impulso imprudente. Ele ordenou que fossem buscados os utensílios sagrados que seu avô tinha trazido de Jerusalém para a Babilônia (Dn 5:3). Eles beberam dessas taças, coisa que nenhum outro ousaria fazer até então. Belsazar e seus companheiros de festa beberam dessas taças e deram louvores aos deuses (Dn 5:4) da Babilônia (3).

A impiedade produz perversão. O desprezo do conhecimento de Deus leva o homem a uma vida dissoluta moralmente. Belsazar conhecia a verdade (Dn 5:22), mas não foi dirigido por ela. Ele conhecia a verdade, mas a rejeitou deliberadamente para viver regaladamente em seus pecados. Belsazar profanou os utensílios consagrados ao Deus de Israel. Logo, o juízo de Deus seria inevitável e irrevogável.

II. O IRREVOGÁVEL JUÍZO DE DEUS



 

1. O dedo de Deus escreve na parede (Dn 5:5). O banquete tinha como objetivo afrontar o Deus vivo. De modo blasfemo, quando a bebida começou a surtir efeito, Belsazar ordenou a seus mordomos que trouxessem os utensílios sagrados que Nabucodonosor havia removido do templo de Jerusalém. Dentre esses utensílios havia vasos sagrados que tinham sido dedicados ao Senhor, os quais foram utilizados pelos convivas para oferecerem brindes a seus ídolos (Dn 5:1-4). Esse foi o último desafio do imoral Belsazar.

Em meio àquela orgíaca festividade pagã, onde ressoavam risos sarcásticos regados a muita bebida embriagante, a mão de Deus escreveu na parede com letras de fogo, estranhas e misteriosas palavras. A Bíblia diz que o semblante do rei mudou, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro. A festança parou, e um silêncio mortal encheu a sala (Dn 5:5,6).

Quando Belsazar conseguiu falar, ele começou a gritar e chamar os peritos em astrologia, os caldeus e os adivinhadores (Dn 5:7), para explicar esse mistério. O rei prometeu todo tipo de recompensa e promoção para qualquer um que pudesse ler a escrita na parede e interpretar a sua mensagem. Esse homem seria vestido de púrpura (púrpura real), uma cadeia de ouro seria colocada ao redor do seu pescoço e ele se tornaria o terceiro em importância no governo do seu reino. Esse era o posto mais elevado disponível, visto que Nabonido ocupava o posto mais elevado, e Belsazar, o segundo. Quando os sábios não conseguiram decifrar a escrita, o rei e todos os convidados ficaram outra vez aterrorizados. (4)

2. A rainha lembrou-se do profeta Daniel (Dn 5:6-12). A rainha-mãe (esposa de Nabonido e mãe de Belsazar), ciente do fato da escrita na parede, a rainha-mãe informa ao rei sobre Daniel e conta a respeito dos dons sobrenaturais que ele possuía. Ela disse:

 “Ó rei, vive eternamente! Não te turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores. Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e ciência, e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará interpretação” (Dn 5:10-12).

Após contar tudo ao rei, a rainha-mãe aconselha ao rei que chamasse Daniel, e, certamente, ele daria a interpretação.

3. Daniel entra na presença de Belsazar (Dn 5:13-16). Daniel, então, foi introduzido à presença do rei. Ele agora era um homem idoso, mas continuava sendo um homem de Deus.Bom é conservarmos a fidelidade ao Senhor até o fim de nossas vidas!

Segundo Roy.E.Swim, Daniel havia sido negligenciado e completamente esquecido havia muito tempo. Agora, como bom súdito, entra na presença do rei para, novamente, dar-lhe o recado de Deus. Belsazar propõe a Daniel a mesma recompensa extravagante que havia prometido aos sábios (Dn 5:16), mas Daniel não deu nenhuma importância às “ninharias” do rei (Dn 5:17) e foi direto à crise que o rei embriagado e sua cidade estavam enfrentando. Daniel o confrontou de forma cortês, mas sem rodeios com uma mensagem de Deus. Daniel recordou a Belsazar como Deus humilhou Nabucodonosor. Embora Belsazar soubesse desse evento trágico, não deu importância à sua lição - “E tu, seu filho Belsazar, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste de tudo isso. E te levantaste contra o Senhor do Céu. Então, dele foi enviada aquela parte da mão, e escreveu-se esta escritura” (Dn 5:22-24). Belsazar, ao profanar os vasos santos do Senhor cometeu um ato de afronta deliberada contra o Deus vivo. Poucas pessoas aprendem as lições da história.

III. A SENTENÇA CONTRA BELSAZAR E A QUEDA DE BABILÔNIA (Dn 5:22-28)

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, Belsazar testemunhou as obras de Deus dentro de sua casa, mas as desprezou. Ele era da família real. Ele presenciou todos os acontecimentos relatados nos capítulos 1 a 4 do livro de Daniel. Ele devia ter a idade de Daniel e viu seu testemunho, bem como o testemunho de seus amigos. Viu como Deus libertou os amigos de Daniel da fornalha, como Nabucodonosor foi arrancado do trono para tornar-se um animal, até que seu coração foi humilhado e convertido. Belsazar conviveu com o testemunho fiel a respeito de Deus, mas tapou seus ouvidos, fechou seus olhos e endureceu seu coração. Deus deu um ano para Nabucodonosor arrepender-se, mas Belsazar cruzou a linha da ira de Deus naquela mesma noite e pereceu. Viver no pecado é loucura. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10:31). (5)

1. Os sábios não decifraram as palavras escritas na parede (Dn 5:15). “Acabam de ser introduzidos à minha presença os sábios e os astrólogos, para lerem esta escritura, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras”.

O presente versículo mostra a declaração do rei dizendo que os “sábios” foram incapazes diante daquele mistério. Aquilo que a mão misteriosa escrevera não se achava inserido em nenhum código deste mundo. Não é em vão que as Escrituras dizem: “o segredo do Senhor é para os que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto” (Sl 25:14). Os magos de Faraó foram até onde puderam, mas depois não puderam mais prosseguir. O poderio humano vai até uma certa distância, mas depois, como sempre, estaciona. Porém, o poder e a sabedoria de Deus triunfam em qualquer circunstância, tempo ou lugar. A Bíblia diz que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”. Isto significa que Ele é o mesmo quanto ao tempo e a importância.

2. As quatro palavras “misteriosas” (Dn 5:25). “Esta, pois, é a escritura que se escreveu: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM”. A mensagem era clara e específica. Deus havia empilhado os crimes do rei e completado a sua medida. O período de supremacia política de Babilônia havia terminado. Essa foi a última noite dos babilônios e do rei Belsazar. Os babilônios cruzaram a linha-limite que Deus traçara.

“Esta é a interpretação” (Dn 5:26-28): (6)

- “MENE: Contou Deus o teu reino e o acabou” (Dn 5:26). O reino babilônico cresceu, mas amadureceu para a ceifa. A profecia divina dizia claramente: “teu reino foi acabado!”. A mão que escreveu ali foi exatamente aquela que escreveu os “Dez Mandamentos” (a Balança de Deus) em tábuas de pedras; escrevera a sentença eterna de Belsazar. As palavras na parede significavam literalmente: Contado, Pesado, Dividido. Deus anuncia, através daquela escritura, que faltava justiça para a Babilônia e, simultaneamente, é decretada a destruição do reino.

- “TEQUEL: Pesado foste na balança e foste achado em falta” (Dn 5:27). Tequel significa “pesado” ou “avaliado”. A ideia está em 1Samuel 2:3: “...porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por Ele são as obras pesadas na balança”. Belsazar não consegue dar equilíbrio à balança e revela a falta em si de verdadeiros valores, segundo a escala de Deus. Os “Dez Mandamentos de Deus” e a “Graça e a Verdade” que veio por Jesus Cristo, são balanças divinas que regulam as nossas vidas. Deus pesa os homens de acordo com esse padrão. Todos os homens querem pesar as suas vidas nas suas próprias balanças, mas somente a balança inevitável de Deus é sempre fiel!

Alguém já disse que a balança de Deus tem dois pratos, mas um só fiel. Ninguém se engane, Deus pesa até as montanhas (Is 40:12), e não somente isso, mas pesa também: (a) o andar do homem (Is 26:7); (b) o espírito do homem (Pv 16:2); (c) a sinceridade do homem (Jó 31:6).

- “PERES: Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e aos persas”. Ao ler o escrito final, Daniel leu “UFARSIM”, mas ao dar a interpretação, empregou a forma “PERES”. O “u” é a conjunção aramaica “e”, que seria omitida ao ser dada a interpretação. “FARSIM” é a forma plural, enquanto que “PERES” é singular (2Sm 6:8). A antiga versão da Bíblia continha a palavra “UFARSIM”, sendo o “e” na língua aramaica equivalente à nossa conjunção “e”. As versões ARA e ARC trazem esta palavra, mas sem o “u” e com a conjunção “e”, seguida da palavra “PARSIM”. Como já disse, “PERES” é forma singular. Isso tomava o sentido de dividido, compartilhado; o reino de Belsazar está para ser dividido entre os Medos e Persas. Naquela mesma noite, Belsazar foi morto, e Dario, o medo, foi constituído rei, pondo fim ao período do Império Babilônico.

Belsazar, o último monarca babilônico que desafiou a Deus, tomou as decisões que afetaram sua vida. Deus pesou essas decisões a fim de constatar o quanto elas valiam. Deus entregou Belsazar às consequências naturais do curso de vida por ele escolhido. Em Romanos 1:18-32, o apóstolo Paulo revela a atitude de Deus para com todos aqueles que, à semelhança de Belsazar, escolhem seus próprios caminhos.

3. O fim repentino do império babilônico (Dn 5:30,31). “Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. E Dario, o medo, ocupou o reino, na idade de sessenta e dois anos”.

Mal haviam acabado de colocar os adornos de honra em Daniel, quando os soldados de Ciro invadiram o palácio com gritos de guerra. Babilônia caiu.

Uma das profecias mais impressionantes sobre a queda de Babilônia está relacionada ao homem que a conquistou - o rei Ciro, da Pérsia. Quase dois séculos antes de Ciro assumir o trono, Jeová Deus o mencionou por nome e predisse que ele seria o conquistador de Babilônia. Falando sobre a futura conquista de Ciro, Isaías foi inspirado a escrever: “Assim disse o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face... para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão” (Is 45:1).

“Os historiadores gregos Heródoto e Xenofonte confirmam o cumprimento dessa profecia surpreendente. Eles revelam que Ciro desviou o rio Eufrates, baixando o nível da água. Os exércitos de Ciro obtiveram assim acesso à cidade através de seus portões, que haviam sido deixados abertos”.

Conforme predito pelo profeta Jeremias, a poderosa Babilônia caiu “repentinamente”, em uma noite - Repentinamente, caiu Babilônia e ficou arruinada; lamentai por ela, tomai bálsamo para a sua ferida; porventura, sarará (Jr 51:8).

CONCLUSÃO

A queda de Babilônia está associada a profecias que em breve deverão cumprir-se com a Babilônia espiritual, um dos destacados temas do Apocalipse. O perfeito cumprimento das profecias relacionadas com Babilônia literal contribui para o fortalecimento de nossa confiança nas profecias que anunciam a iminente derrocada da Babilônia simbólica. Nações estão sendo avaliados bem de perto pelo Deus Altíssimo. Todos estão por sua própria escolha decidindo seu destino e Deus indubitavelmente cumprirá os Seus propósitos.

Fonte: ebdweb

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

10º Lição do 4º trimestre de 2013: CUMPRINDO AS OBRIGAÇÕES DIANTE DE DEUS


Texto Básico: Pv 5:1-5

08/12/2013


“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o” (Ec 5:4).

INTRODUÇÃO

Nos capítulos 1 a 4 de Eclesiastes, Salomão já havia tratado praticamente de tudo aquilo que acontece “debaixo do sol”. Reconheceu-se a “vaidade” da terra (Ec 1:2-2:23), considerou-se à luz da vida que Deus nos concede (Ec 2:24-26), e de sua soberania (Ec 3:1-15); falou-se da injustiça (Ec 3:16-22) e várias formas de solidão (Ec 4:1-16) (1).  Salomão mostrou que o conhecimento sem o temor de Deus não é sabedoria, mas estultice. Da mesma forma ele mostra que a busca pelo prazer e lazer pode ser simplesmente correr “atrás do vento”, se não tiverem como fim último a adoração a Deus. Agora Salomão, no capítulo 5 de Eclesiastes, expõe uma série de conselhos práticos, onde inicia falando a respeito da vida religiosa e da reverência que é devida na Casa de Deus (Ec 5:1). Os israelitas, desde a infância eram ensinados a reverenciarem o sábado como dia santo e o santuário do Senhor (Lv 19:30; 26:2). Será que nossos filhos sabem da importância de se adorar ao Senhor no seu Templo?

I. OBRIGAÇÕES FRENTE À SANTIDADE DE DEUS

1. Reverência. “Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal” (Ec 5:1). Vivemos numa época ímpar: a época da irreverência. Nada é considerado sagrado nestes dias pós-modernos: religião, sexo, fé, família; tudo pode ser zombado, satirizado e distorcido. Há uma urgente necessidade de resgatarmos o respeito e reverência para com Deus e Sua palavra. Há os que se dirigem ao Grande, Todo-poderoso e Santo Deus, que habita na luz inacessível, como se dirigissem a um ser humano qualquer ou a um animal. Tais devem lembrar-se de que se acham à vista dAquele a quem serafins adoram, perante quem os anjos velam o rosto.

Não há dúvida de que se amarmos a Deus, teremos reverência, e reverência significa mais do que dar louvores ou ajoelhar-nos quando oramos. O poeta Alemão Goethe declarou: "A alma da religião cristã é a reverência". Certa vez, Jesus entrou no Templo e ficou indignado com a falta de reverência das pessoas. O louvor e a adoração haviam sido substituídos pelo comércio (Mt 21:12). O que se ouvia ali não eram aleluias e glórias ao Todo-Poderoso, mas o grito dos cambistas e dos que comercializavam os pombinhos que eram utilizados nos sacrifícios. O Mestre ficou indignado! Jesus colocou toda aquela "turma" no seu devido lugar. O louvor, a adoração e a oração estavam sendo substituídos.

Na Antiga Aliança, os israelitas para se apresentarem diante de Deus era necessário sacrifícios e a intervenção de um sacerdote.  Hoje temos livre acesso a Deus, não precisamos realizar todo o ritual litúrgico do culto levítico, porém não significa que em nossos cultos não devemos seguir uma liturgia santa, bíblica. Paulo ao ensinar a respeito do culto diz que tudo deve ser feito para a edificação: "Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação" (1Co 14:26).

Muitas vezes não experimentamos a graça de Deus porque nossa postura para com ele não é adequada. Alguém descreveu assim o culto: “Cultuar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, devotar a vontade aos propósitos de Deus”. Se não temos uma postura adequada, nada disso acontece num culto, muito pelo contrário, o que acontece pode ser exatamente o oposto de tudo isso. A mente permanece distraída, a imaginação é dominada por futilidades, o coração se fecha e a vontade é que tudo aquilo termine o mais rápido possível.

O culto público é a ocasião onde todos nós, criados à imagem e semelhança de Deus, cumprimos o propósito para o qual fomos criados. É por isso que nenhum de nós comparece ao culto para “assistir” como se fosse espectador, como se estivesse num teatro ou cinema. Todos fomos chamados para adorar e oferecer a Deus um coração compungido, humilde, contrito e grato, que é o coração do adorador.

Portanto, devemos ser reverentes diante de Deus: porque somos criaturas; porque reconhecemos nossa situação pecaminosa; porque apesar de termos pecado, a cruz de Cristo nos alcançou e esse infinito amor nos constrange; porque o nome de Deus representa seu caráter. Como seres humanos nosso dever é: temer e obedecer, para que um dia possamos vê-lo face a face.

2. Obediência. Não podemos reverenciar a Deus sem obedecer-lhe. Muitos aceitam facilmente a Jesus como Salvador, mas nem todos querem aceitá-Lo como o Senhor de suas vidas. O sumário do Livro de Eclesiastes (Ec 12:13) deixa claro qual é o dever do homem: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem”.

Seremos avaliados em termos da nossa obediência aos mandamentos de Deus. A Bíblia diz em Mateus 5:19: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”.

A obediência é um dos resultados de amar a Deus. A Bíblia diz em João 14:15,23: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. … Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada”.

O Espírito Santo só será dado àqueles que obedecem a Deus. A Bíblia diz em Atos 5:32: “E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem”.

Jesus obedeceu ao Seu Pai dando-nos um exemplo de como devemos obedecer ao Senhore que a salvação é para os que obedecem. A Bíblia diz em Hebreus 5:8-9: “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem (Hb 5:8,9).

II. OBRIGAÇÕES FRENTE À TRANSCENDÊNCIA DE DEUS

Deus é Espírito infinito, sem fronteiras ou limites tanto quanto ao seu Ser como quanto aos seus atributos, e cada aspecto e elemento de sua natureza é infinito. Essa natureza infinita, em relação ao tempo, é chamada eternidade, e em relação ao espaço é chamada onipresença. Em relação ao universo, ela implica tanto em transcendência como em imanência.

Por transcendência de Deus se entende que Ele está separado de toda a sua criação como um Ser independente e auto-existente (Dt 4:15-20). Deus está além de suas criaturas, como afirma o Eclesiastes: “Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra (Ec 5:2b). Ele não está limitado pela natureza, mas existe infinitamente exaltado sobre ela. Até mesmo aquelas passagens das Escrituras que salientam suas manifestações temporais e locais dão ênfase à sua exaltação e onipotência como Ser externo ao mundo, como seu soberano Criador e Juiz(cf Is 40:12-17).

1. Deus, o criador. Para os que aceitam a Bíblia como fonte de inspiração e de respostas às inquietações da alma, Deus é o Ser Supremo, o Criador do Universo, do Homem e de todas as coisas. A grandeza da criação de todas as coisas, a imensidão do universo e, no nosso planeta, de tudo o que foi criado, tem por finalidade mostrar ao homem a glória de Deus (Sl 19:1). A natureza, dizem os estudiosos da doutrina de Deus, é o primeiro livro escrito por Deus ao homem, de tal maneira que a criação, por si só, é suficiente para revelar Deus ao ser humano e torná-lo sem desculpa diante de uma eventual rejeição ao Seu senhorio (Rm 1:20).

2. Homem, a criatura. O homem foi criado por Deus como a coroa da criação. O relato da criação do homem começa em Gn 1:26,27, para se completar no capítulo 2 com a formação da mulher. A criação do homem é vista em Gn 2:7: "Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente". Este versículo mostra que o homem foi feito alma vivente, diferente dos animais pela sua semelhança com Deus. A palavra "formou" dá, no original, a ideia de "manipulação", trabalho com as mãos.

Quando observamos o relato bíblico da criação, de imediato se percebe que o homem foi criado de forma distinta dos demais seres criados na Terra. Enquanto que os demais seres foram criados tão somente pela palavra do Senhor, o homem foi objeto de cuidado especial, tendo Deus deixado bem claro que o ser humano seria um ser diferente, pois seria feito à imagem e semelhança de Deus e que, além disso, seria constituído como superior em relação aos demais. A expressão divina de Gn.1:27 encerra, portanto, todos estes elementos, seja o de uma estrutura diversa e distinta dos demais seres, seja a condição de superior aos demais.

O homem foi criado a partir do pó da terra para demonstrar que é parte da natureza. Ele é a síntese da criação terrena. Recebeu o fôlego de vida diretamente de Deus. O homem interior (alma e espírito), considerada a parte imaterial do homem é sinal da sua relação especial e peculiar para com o seu Criador. A alma é considerada a sede dos sentimentos, do entendimento e vontade – é a marca da individualidade de cada ser humano; Já o espírito é a sede da consciência da existência de uma relação de dependência do homem em relação a Deus – é a ligação do homem com o seu Criador.

Deus criou o homem com o propósito de torná-lo a criatura mais feliz da Terra. A felicidade do homem depende da sua comunhão com Deus. Ele deseja que o homem seja feliz e, por isso, elaborou o plano da salvação.

Esta condição do homem, de ser a “coroa da criação terrena”, é a principal razão de ser dotado de uma dignidade ímpar, que deve ser reconhecida por todos os seres humanos e cujo ataque é o principal objetivo do inimigo de nossas almas. Por isso, quem ama a Deus, ama ao próximo como a si mesmo.

Que o corpo do homem é feito do pó da terra não se pode negar, cientificamente, como não se pode negar que ele volta para o pó. Segundo os estudiosos, eis a constituição do corpo do ser humano:

CONSTITUINTE
% NO CORPO HUMANO
Oxigênio
66,0
Carvão
17,5
Hidrogênio
10,2
Nitrogênio
2,4
Cálcio
1,6
Fósforo
0,9
Potássio
0,4
Sódio
0,9
Cloro
0,3
Magnésio
0,105
Ferro
0,005
Iodo
Idem
Flúor
Idem
Outros elementos
Idem

III. OBRIGAÇÕES DIANTE DA IMANÊNCIA DE DEUS

1. Deus está próximo da sua criação.  Deus cuida da sua criação. Isso significa que o nosso Deus não é um Deus distante, que após criar o mundo se ausentou dele, não! Pelo contrário, Ele é um Deus que está presente. Como foi dito acima, cada aspecto e elemento da natureza de Deus é infinito. Essa natureza infinita em relação ao universo, ela implica tanto em transcendência como em imanência. Por imanência de Deus se entende sua presença difundida e seu poder dentro de sua criação. Deus não fica apartado do mundo, como se fosse mero espectador das obras de suas mãos; mas interpenetra cada coisa orgânica e inorgânica, agindo de dentro para fora, do centro de cada átomo e das fontes mais intimas do pensamento da vida e dos sentimentos, uma sequência contínua de causa e efeito. Em Isaias 57:15 temos uma expressão da transcendência de Deus: “o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo”, bem como sua imanência como Aquele que habita “também com o contrito e abatido de espírito”. No capítulo 5 de Eclesiastes, Salomão está falando do culto a Deus e mostra como Ele se identifica com o mesmo, aproximando-o ou reprovando-o: “porque [Deus] não se agrada de todos” (Ec 5:4). Esta mesma verdade é mostrada no Novo Testamento: “Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2Co 6:16). “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18:20).

2. O valor das orações e votos. “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votes e não pagues” (Ec 5:4,5). Voto é uma forma de promessa solene diante de Deus, que se deve ser cumprida. É melhor deixar de fazer determinado voto, do que fazer e não cumpri-lo.

No Israel antigo, o voto era geralmente um trato sério, individual com Deus. Temos o voto de Jacó, em Betel, de dar o dízimo se Deus o guardasse na viagem (Gn 28:20) e o voto precipitado de Jefté, que envolveu a filha amada (Jz 11:30,31). E, ainda, o voto de Ana: “E, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente. E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”(1Sm 1:10,11). Cumprindo esta solene promessa, Ana separou Samuel para o ministério tão importante de oração, de ensino e do estabelecimento do reino de Israel.

O crente da Nova Aliança ao participar da Ceia do Senhor está também fazendo um voto de viver em santidade e dedicação a Deus. Buscar os prazeres do pecado depois de fazer tal voto a Deus, atrai a si ira e juízo, pois significa que aquele voto era realmente mentiroso. Mentir a Deus pode resultar em castigo severo (veja o exemplo de Ananias e Safira em At 5:1-11).

Os votos num casamento estão intimamente ligados aos votos a Deus, pois são feitos na presença dEle. Estamos cumprindo com esses votos que fizemos?

CONCLUSÃO

As observações de Salomão nunca foram tão relevantes como nos dias de hoje. O culto de muitos virou apenas um show. As orações se tornaram pretenciosas e irreverentes. A Deus se “determina” como se deve atender às orações. Há, infelizmente, muitos cristãos que não “guardam o pé” na hora do culto, isto é, não se comportam com o respeito devido diante daquele que é Santo e Todo-Poderoso, e que nos salvou por amor. O texto é contundente: Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos” (Ec 5:1); “Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, Senhor” (Salmos 93:5).

Tem você cultuado a Deus na beleza de sua santidade, como a Bíblia o requer? Nós não podemos prestar um culto a Deus por força de nosso hábito, nem por interesse em nosso próprio bem estar pessoal, nem por considerar obter algum ganho diante de Deus. Nós prestamos cultos a Deus porque Deus “nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl 1:13b).

Fonte: ebdweb

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

9ª Lição do 4º trimestre de 2013: O TEMPO PARA TODAS AS COISAS


Texto Básico: Eclesiastes 3:1-8

 
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do Céu” (Ec 3:1)

 



INTRODUÇÃO

A partir desta Aula estudaremos Lições para a nossa edificação espiritual e moral com base no Livro de Eclesiastes. O termo “Eclesiastes” vem da Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento), derivado de ekklesia, traduzido no Novo Testamento por “igreja”, “assembleia”.

O Livro de Eclesiastes foi incluído na Bíblia, pela inspiração do Espírito Santo, para mostrar que a busca da felicidade é vã, enquanto o homem estiver separado de Deus. Salomão foi colocado, como prova desta verdade bíblica - ele tinha tudo, do ponto de vista material, para ser o homem mais feliz da terra - porém, através do Livro de Eclesiastes ficamos sabendo que ele era, na verdade, o mais miserável e infeliz dentre os homens, de seu tempo. Sem Deus, nada, absolutamente nada, poderá preencher o vazio existente no coração do homem. A mensagem de Eclesiastes não é para que ignoremos a vida, mas que busquemos estratégias para viver melhor.

I. ECLESIASTES, O LIVRO E A MENSAGEM

1. Datação do livro. Alguns eruditos modernos têm argumentado que o gênero filosófico do livro e suas muitas palavras distintas apontam para uma data pós-exílica. Entretanto, os argumentos linguísticos têm sido todos satisfatoriamente respondidos por eruditos conservadores, e uma data preexílica é totalmente justificada. É provável que o livro tenha sido composto próximo ao final do reinado de Salomão, talvez em sua última década (940-930 a.C.).(1)

2. Conhecendo o Pregador. “Palavras do pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém” (1:1). Há um consenso de que Salomão foi o autor deste Livro. Eclesiastes seria o Livro das experiências de Salomão. Estas experiências teriam sido vividas no tempo em que Salomão esteve fora dos caminhos do Senhor. Salomão tinha começado bem - “E Salomão, filho de Davi, se esforçou no seu reino, e o Senhor seu Deus era com ele, e o magnificou grandemente (2Cr 1:1). Porém, ele não deu ouvido à Palavra de Deus, que ao estabelecer mandamentos para os reis, em relação às mulheres, determinara - “Tão pouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie...” (Dt 17:17). Mas, Salomão multiplicou - “E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas... e suas mulheres lhe perverteram o seu coração... e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus” (1Reis 11:1-13). Influenciado pelas suas mulheres, Salomão entregou-se, também, à idolatria - “um abismo chama outro abismo...” (Salmo 42: 7) - “Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel...” (1Reis 11: 9). Não se sabe por quanto tempo Salomão esteve “desviado”, porém, acredita-se ter voltado para o Senhor, já no final de sua vida, quando então teria escrito o Livro de Eclesiastes, relatando suas experiências. Após relatar suas desastrosas experiências vividas longe de Deus, Salomão conclui: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo o homem” (Ec 12:13).

Nem mesmo a enorme sabedoria que era peculiar a Salomão o livrou da insensatez, quando desprezou o bom senso em benefício da satisfação própria (1Rs 11:1-12; Dt 17:14-20). Depois de muito tropeçar, caiu em si e se empenhou em mostrar aos seus contemporâneos, e a nós, que a vida não tem nada a oferecer de permanente e bom a não ser que façamos de Deus o propósito dela.

Salomão nos mostra que a busca da realização mediante o esforço próprio gera mais desilusão do que satisfação. Cedo ou tarde percebe-se que tudo não passa de total futilidade ou “vaidade de vaidades”. A palavra “vaidade” tem como significado básico “fôlego” ou “vapor”. Denota “ausência de substância”. É o mesmo termo usado por Jó para dizer que “a vida é como um sopro” (Jó 7:7-9). Assim, se o prazer da vida está naquilo que se realiza, que se vê ou que se experimenta, a nossa existência perde o sentido, pois tudo é passageiro e logo se evapora.


II. DISCERNINDO OS TEMPOS

1. A transitoriedade da vida. “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece” (Ec 1:4). O livro de Eclesiastes é lido na Festa dos Tabernáculos, precisamente porque nos fala da transitoriedade da vida humana, que é um dos aspectos ressaltados nesta festa, que lembra aos israelitas que eles foram peregrinos na terra do Egito e, num sentido mais profundo, que são peregrinos neste mundo.

Tiago foi enfático com relação a esse tema: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tg 4:14). Sendo a vida tão curta, “que vantagem tem o homem de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?” (Ec 1:3). Este era o dilema que Salomão procurava responder. O ser humano se desgasta como um moinho que gira continuamente e não chega a lugar nenhum. Se perguntar às pessoas por que trabalham tanto, provavelmente responderão: “para ganhar dinheiro, é claro!”. Mas ganhar dinheiro para quê? Para comprar alimentos. E por que comer? Para ter forças. E ter forças para quê? “Para trabalhar e ganhar dinheiro”. E assim o círculo se fecha infinitamenteO homem vive em desespero silencioso.

Ao ver uma mulher chorar em um ponto de ônibus, um cristão perguntou se poderia ajudar, e ela respondeu: “estou tão cansada e enfastiada. Meu marido trabalha muito, mas não ganha tanto quanto eu gostaria. Por isso, arranjei um emprego para mim. Levanto cedo todo dia, preparo o café da manhã para as crianças e depois pego o ônibus para o trabalho. Mais tarde, volto para casa cansada, durmo algumas horas e recomeço tudo outra vez no dia seguinte. Estou cheia dessa rotina interminável”.

Jesus promete vida abundante e permanente. Disse Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). Em que consiste essa abundância? Muitos cristãos interpretam como sendo 'qualidade de vida' econômica e social. Porém, esquecem que o reino de Deus não é comida nem bebida - “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Se a “vida abundante” refere-se às questões de ordem econômica e social, jamais Cristo alertaria para que os seus ouvintes não se inquietassem pelo dia de amanha - "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?" (Mt 6:31) -, pois a vida do ser humano não consiste nas riquezas - "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12:15).

Por certo, essa “vida abundante” que Jesus promete não se refere às condições existenciais do homem, pois todos têm uma expectativa de viver até os setenta anos, sendo que o que disso passar é canseira e enfado. Além disto, o homem comerá do suor do seu rosto, o que implica em enfado e cansaço - "Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando" (Sl 90:10).

Certamente, a “vida abundante” que Jesus prometeu refere-se ao que o reino de Deus proporciona: “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17), pois em tudo os cristãos foram enriquecidos: “... em toda a palavra e em todo o conhecimento” (1Co 1:5); “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo” (Cl 2:2). O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos são abençoados com todas as bênçãos espirituais - “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). E o salmista diz que nada tem falta os que O temem - "Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem" (Sl 34:9).

Com absoluta certeza, a “vida abundante” que Jesus prometeu é a vida eterna, ela sim é abundante – “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”(1João 2:25).

2. A eternidade de Deus. “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim” (Ec 3:11). Deus pôs a eternidade na mente do ser humano. Embora vivam em um universo preso ao tempo, as pessoas têm intuições a respeito da eternidade. Quando pensamos em eternidade, institivamente entendemos como algo que dura para sempre e, conquanto não possamos entender completamente esse conceito, percebemos que, além desta vida, existe a possibilidade de viver sem se preocupar com a passagem do tempo.

O conceito de eternidade é necessário para dar significado ao sentido da vida. Por quê? Porque o Deus que nos criou é conhecido como “O Eterno”. E qualquer princípio de doutrina cristã que negligencie a ideia de eternidade descaracteriza a essência do que expõe.

Somos obrigados a acreditar que Deus não nos criou para sermos joguetes num mundo passageiro. Não somos existencialistas. A vida não termina com a morte. O fim da circulação sanguínea e a ausência total de respiração não decretam o fim de tudo. A eternidade de Deus nos convence de que a fé em Jesus Cristo, que é o Pai da Eternidade (Is 9:6), é uma realidade que não podemos ignorar. A vida eterna, que é uma qualidade e não somente uma quantidade de vida, foi o que Jesus mais prometeu durante Seu ministério terreno. Crer em Jesus significa ter a vida eterna (João 3:36; 17:3).


III. O TEMPO E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

1. Na família. Na vida fugaz, Salomão tem uma palavra para as relações interpessoais no convívio familiar: “Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeçaGoza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade; os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol” (Ec 9:7-9). Aqui, Salomão recomendou que todos desfrutem a vida como um dom de Deus. Ele pode ter criticado os que buscam acumular riquezas, principalmente aqueles que se embaraçam em competição insana. É como se Salomão perguntasse: “Afinal, qual é a sua verdadeira riqueza?”. Pelo fato de o futuro ser tão incerto, devemos desfrutar as dádivas de Deus enquanto podemos! Tanto quanto possível, as alegrias do relacionamento familiar devem ser aproveitadas em sua plenitude. Se a vida é vazia de significado, o melhor é tirar o máximo proveito. Logo, desfrute cada dia, pois isso é tudo o que receberá como recompensa por seu trabalho e por suas fadigas.

2. No trabalho.  Trabalho não é maldição, mesmo que tenha se tornado mais penoso devido à queda (Gn 3:17-19). Antes do pecado, Deus já havia abençoado o homem com um ofício digno (Gn 2:15). E, já que Deus ordenou que labutássemos seis dias e O adorássemos no sétimo, podemos concluir que o ato de trabalhar se harmoniza com o ato de adorar (Ex 20:9,10). Por outro lado, é bom lembrarmos que o homem nada poderá levar do seu trabalho após a morte – “Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão” (Ec 5:15).

IV. ADMINISTRANDO BEM O TEMPO

1. Evitando a falsa sabedoria e o hedonismo. Salomão buscou resposta para seu dilema por meio da razão e do conhecimento. Dedicou-se aos estudos, ao conhecimento intelectual (Ec 12:12). Estudou biologia e botânica, e escreveu cerca de três mil provérbios (1Rs 4:29-34). Depois de tanto estudar, descobriu que todos os conhecimentos não bastam, quando não há temor e obediência a Deus (Ec 12:13). Quanto mais sabemos, mais nos conscientizamos da continuidade de nossos erros; quanto mais se sabe, mais se sofre (Ec 1:17,18).

Outro fator que se deve considerar é que a busca por prazer, por si só, configura uma prática hedonista e contrária a Deus (Ec 2:1-3). Salomão tinha a seu dispor tudo o que alguém possa desejar e imaginar como garantia de felicidade e sucesso. Será verdade que os fins justificam os meios? Foi por pensar assim que o mais sábio caiu na maior estultícia (Ec 2:3,8; cf. 1Rs 11:1-8).

- Salomão entendeu que a melhor coisa que existe é festejar. Investiu boa parte do tempo e patrimônio correndo atrás de prazeres carnais, até descobrir quão passageiro são e quanta ilusão e insatisfação trazem ao coração.

- Abusando ainda de sua autoridade, Salomão conquistou muitas mulheres, casou-se 700 vezes e teve 300 amantes (1Rs 11:1-8). Toda essa ostentação e hedonismo, além de não lhe trazerem o prazer desejado, ainda o conduziram aos caminhos da tolice, deteriorando seu relacionamento com Deus.

- “Vaidade de vaidades! Diz o pregador, vaidades de vaidade! É tudo vaidade” (Ec 1:2). Esta foi uma das conclusões de Salomão: que uma vida baseada em coisas terrenas, na busca de prazeres passageiros, será uma vida vazia, infeliz. Ele tinha tudo o que um homem natural gostaria de ter: era jovem, era rico, era rei. Porém, quando lhe faltou a presença de Deus, então ele sentiu um imenso vazio no seu coração. Procurou preencher esse vazio com “as coisas terrenas” e experimentou uma profunda frustração, por isso declarou: “tudo é vaidade”.

Não há pecado em querer se divertir, pois necessitamos tanto do prazer, da diversão e do riso, quanto do conhecimento, mas tanto um como o outro devem ser dirigidos pelos limites da Palavra de Deus.

2. Evitando a falsa prosperidade e o ativismo. Em Eclesiastes 2:4-11, Salomão descontrói a ilusão daqueles que buscam, nos bens materiais, a razão fundamental para a vida. Disse ele:

4. Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.

5. Fiz para mim hortas e jardins e plantei neles árvores de toda espécie de fruto.

6. Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.

7. Adquiri servos e servas e tive servos nascidos em casa; também tive grande possessão de vacas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim, em Jerusalém.

8. Amontoei também para mim prata, e ouro, e joias de reis e das províncias; provi-me de cantores, e de cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, e de instrumentos de música de toda sorte.

9. E engrandeci-me e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim, em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.

10. E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhos neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.

11. E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol.

A falsa prosperidade leva o homem a correr desenfreadamente para acumular riquezas, alcançar elevadas posições na sociedade e obter notoriedade e fama. Muitos, quando não estão debruçados nos estudos nem entregues aos prazeres, quase sempre estão mergulhados no trabalho, empenhando-se para alcançar o sucesso. Salomão, também, agiu dessa maneira. Por isso, pensou: “Quem sabe se eu me dedicar mais ao trabalho, encontrarei razão para viver!”.

Salomão (2):

- Dedicou-se a construir mansões, palácios, pomares, açudes... e até mesmo um luxuoso Templo dedicado ao Senhor, mas seu coração continuou vazio.

- Pensou que criar emprego traria sentido à sua existência, tornando-se um grande empresário. Chegou a administrar cento e cinquenta e três mil e seiscentos trabalhadores (2Cr 2:1,2), mas ainda assim parecia estar correndo atrás do vento.

- Achou que o acúmulo de riquezas lhe traria felicidade, entesourando prata, ouro, objetos de arte, imóveis e tudo mais que o dinheiro e o poder podem comprar, mas sua alma continuou insatisfeita.

Depois de muito trabalhar, chegou à conclusão de que todo aquele empreendedorismo e acúmulo de riquezas eram destituídos de sentido e de valor permanente. Disse ele: “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e que proveito nenhum havia debaixo do sol” (Ec 2:11).

Quais caminhos você tem percorrido? Porventura tens corrido atrás do vento? Como Salomão, entenda que todo esforço só faz sentido quando Deus está participando do processo. Pense nisso!

CONCLUSÃO

As pessoas verdadeiramente sábias sabem que todo o seu “tempo” está nas mãos de Deus (Sl 31:15) e que há um tempo apropriado para cada atividade humana. A vida só faz sentido quando Deus faz parte dela (Ec 2:24,25). Toda luta e todo esforço valem a pena quando colocamos Deus em primeiro lugar. Todavia, somos cônscios de que a vida é muito curta. Por isso, “devemos saber usar bem o nosso tempo, seja buscando o conhecimento, seja desfrutando da companhia de nossos familiares e, principalmente, servindo ao Senhor”.

Fonte: wbdweb