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terça-feira, 5 de agosto de 2014

6ª lição do 3º trimestre de 2014: A VERDADEIRA FÉ NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS


Texto Base: Tiago 2:1-13

 
“Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores” (Tg 2:8,9).

 

INTRODUÇÃO

Acepção é a tradução de uma palavra grega que, literalmente, significa “receber o rosto”, ou seja, fazer julgamentos e estabelecer diferenças baseadas em considerações externas, tais como aparência física, status social ou raça. É uma atitude considerada anticristã pela Bíblia Sagrada (cf. Rm 2:11; Ef 6:9; Cl 3:25).

Tiago 2:1-13 enfatiza, com cabível exortação, que nenhum cristão pode alegar-se ser verdadeiramente cristão se vive desprezando as pessoas devido à condição social delas. O Cristianismo nivela todas as pessoas. Embora os cristãos possam estar em níveis diferentes na sociedade terrena, somos todos iguais diante de Deus; “não há acepção de pessoas”; ninguém é mais importante do que qualquer outro (ler Rm 6:23).

Deus ordena que amemos o nosso próximo incondicionalmente, independente de sua condição social, econômica, física, etc. (Lv 19:18; Mt 22:39). O cumprimento deste mandamento foi muito mais difícil no início da igreja, à época em que a Epístola de Tiago foi escrita, haja vista que o mundo de então era caracterizado por profundas divisões sociais que eram aceitas normalmente pela maioria esmagadora da sociedade. Àquela época, agir com humildade era manifestação de fraqueza, não de virtude, e fazer distinção de pessoas por aparência ou por condições físicas ou socioeconômica era visto como algo absolutamente natural. Logo, a mensagem cristã ao ser proclamada, teria um impacto enorme na sociedade de então, porque ela batia fortemente de frente com toda essa cultura, ao pregar a humildade, o perdão, a misericórdia, a igualdade entre os seres humanos, etc.

Nesta Aula, mostraremos, pelas Escrituras Sagradas, que a verdadeira fé em Cristo e a acepção de pessoas são atitudes incompatíveis entre si e, justamente por isso, não podem coexistir na vida de quem aceitou o Evangelho de Jesus Cristo (Dt 10:17; Rm 2:11; Tg 2:1,9).

I. A FÉ NÃO PODE FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS (Tg 2:1-4)

Tiago diz que nós podemos testar nossa fé pela maneira como nós tratamos as pessoas. Não podemos separar relacionamento humano de comunhão divina (1João 4:20). A maneira como nos comportamos com as pessoas indica o que realmente nós cremos sobre Deus.

1. Em Cristo a fé é imparcial. Tiago diz que a fé verdadeira é conhecida pelo relacionamento imparcial com as pessoas (Tg 2:1-4). Favoritismo e acepção de pessoas não são atitudes de um cristão. Dois visitantes entram na igreja: um rico e outro pobre; oferecer maiores privilégios ao rico e desprezar o pobre é negar a nossa fé no Senhor da glória. Jesus não valorizava as pessoas pela cor da pele, pela beleza das roupas, ou pelo dinheiro. Jesus não julgava as pessoas pela aparência (Mt 22:16). Ele, sendo o Senhor da glória, se fez pobre e não julgou as pessoas pela aparência. Jesus acolheu os ricos e os pobres; os religiosos e os publicanos; os doentes e as crianças; os israelitas e os gentios. Sua Palavra orienta-nos a não julgarmos as pessoas pela aparência (João 7:24).

2. O amor de Deus tem de ser manifesto na igreja local. Conforme Tiago Tg 2:2-4, havia na igreja do primeiro século uma clara acepção de pessoas por parte de alguns que frequentavam as reuniões. Veja o que diz Tiago:

2. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta,

3. e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado,

4. porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?

Pelo que se depreende do referido texto, Tiago deve ter presenciado este pecado bem de perto. Segundo Silas Daniel, à época de Tiago os judeus convertidos ao cristianismo ainda se reuniam nas sinagogas – “ajuntamento” -, ao estilo judaico e, por isso, muito provavelmente, ainda traziam consigo práticas das sinagogas de seus dias que se chocavam com a essência do Evangelho. Tais praticas haviam, inclusive, já sido alvo de repreensão de Jesus, como podemos ver em Mt 23:6 – “e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas”.

Veja os seguintes detalhes retirados do texto supra:

- “... anel de ouro no dedo, com vestes preciosas...” (Tg 2:2). Silas Daniel, citando Harper, diz que o anel de ouro indicava que esse homem era do Senado ou um nobre romano, pois durante os primeiros anos do Império romano, somente homens nessa posição tinham o direito de usar esse tipo de anel. Já “vestes preciosas” é uma referência a belas togas brancas, que eram uma vestimenta usada frequentemente por candidatos a um ofício politico.

- “... abaixo do meu estrado” (Tg 2:3). Segundo Silas Daniel, esta expressão é uma alusão ao fato de que, em uma sinagoga, pessoas de uma posição inferior ficavam em pé ou sentavam no chão. Logo, “abaixo do meu estrado” deve ser compreendido como “aos meus pés”. Isto é, enquanto as cadeiras das sinagogas e os demais assentos do “ajuntamento” eram reservados para os anciãos, escribas, fariseus e saduceus, e a qualquer outra pessoa na congregação que fosse detentora de privilegiada posição social, os pobres ficavam no pé ou no chão.

Pelo que se depreende de Tiago 2:1-4, essas mesmas atitudes estavam ocorrendo nos ajuntamentos dos cristãos judeus. Por isso, Tiago declara contundentemente: “porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (v.4).

A Igreja de Cristo tem como princípio eterno produzir um ambiente regado de amor e acolhimento, e para isto “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).

3. Não sejamos perversos (2:4). “Não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?” (ARA). A discriminação contra o pobre é atribuída a “perversos pensamentos”.

Na comunidade cristã, destinatária da Epístola de Tiago, havia uma excessiva deferência em relação aos ricos e poderosos, resultando em desrespeito e humilhação às pessoas mais pobres. Tal comportamento manifesta uma falha na prática da “lei régia” que eles tinham ouvido (cf. Tg 1:22-25).

Imagine a seguinte cena na congregação local de cristãos: um senhor de aparência distinta, vestindo trajes da moda e usando “anéis de ouro” acaba de chegar. Um membro da congregação com toda gentileza e civilidade conduz o visitante ilustre até ao “lugar de honra” na primeira fileira. Outro visitante chega logo em seguida. Desta vez, é um homem pobre em trajes muito humildes, ou seja, vestimentas velhas e gastas em virtude das condições de vida difíceis dessa pessoa. Desta vez, o homem da congregação procura, habilmente, poupar os presentes de qualquer embaraço e diz ao visitante que fique em pé nos fundos do templo ou se acomode no chão, diante de um dos assentos; esta atitude é quase inacreditável. Gostaríamos de imaginar que se trata apenas de um exemplo exagerado, mas, se perscrutarmos nosso coração, veremos que, muitas vezes, temos preconceito contra pessoas e, desse modo, nos tornamos “juízes tomados de perversos pensamentos”.

Tiago apresenta duas razões pelas quais os cristãos devem evitar este tipo de comportamento discriminatório: Primeira, o tratamento preferencial prestado ao rico estabelece um franco contraste com a atitude de Deus, que escolheu os pobres “para serem ricos em fé” (Tg 2:5-7);Segunda, toda manifestação de favoritismo é condenada pela “lei régia”, que exige o amor ao próximo (Tg 2:8-13).

Infelizmente, ainda hoje, há pessoas que se deixam guiar por esses critérios iníquos. Isso só revela o quão distante os seus corações estão ainda do verdadeiro Evangelho. Que Deus nos livre de cairmos nesse mesmo pecado! Que em nossas igrejas e no nosso dia a dia tratemos a todos com honra, amor e respeito, independente da condição social de cada um. A nossa obrigação é expressar de forma prática o fato de que todos os cristãos constituem um só corpo em Cristo.

II. DEUS ESCOLHEU OS POBRES AOS OLHOS DO MUNDO (Tg 2:5-7).

Hoje há muitos ensinos distorcidos e anti-bíblicos sobre questões financeiras; ensinos que conduzem o crente ao mercenarismo, ao procurar servir a Deus para ser servido ou para ser abençoado, financeiramente.

Se os pobres são ricos na fé e devem ser honrados na Casa de Deus, não há fundamento na afirmação de que a pobreza é uma maldição, estando atrelada ao pecado ou a algum “encosto”. Isso é uma invencionice, e muitos crentes, por falta de conhecimento, estão sendo enganados por homens que mercadejam a Palavra de Deus.

“... Não tenho prata nem ouro...” (Atos 3:6). Estas palavras não foram proferidas por um crente fraco e sem fé; não foram proferidas por um homem fora da direção e da vontade de Deus; não foram proferidas por alguém com problemas espirituais; não foram proferidas por uma pessoa em desespero pela falta de dinheiro. Estas palavras - “não tenho prata e nem ouro” - foram proferidas por um homem de Deus, por um homem chamado por Jesus para ser Apóstolo, por um homem de fé e de oração; ele estava indo orar, no Templo - “E Pedro e João subiam juntos ao Templo a hora da oração, a nona” (Atos 3:1). Pedro e João eram crentes, eram Apóstolos, eram fiéis. Amavam a Jesus e estavam empenhados em fazer a Sua Obra, porém, “não tinham prata e nem ouro”. Se você, meu irmão, não tem recursos financeiros, saiba que Pedro e João também não tinham.

Alguns pregadores usam com frequência a passagem bíblica de Deuteronômio 28:1-14 para fundamentar seus argumentos em favor da riqueza. Destacam as expressões contidas nos versículos 12 e 13 –”... emprestarás a muita gente, porém tu não tomarás emprestado... E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda, e estarás em cima e não embaixo...”Não dizem, contudo, que estas promessas foram feitas à nação de Israel, e com uma condição: “... quandoobedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para guardar e fazer”.A Palavra de Deus coloca a obediência antes da benção e o servir a Deus antes de ser servido.

À luz do Novo Testamento, não é pecado ser pobre, nem ser rico; somos livres para trabalhar e conquistar dignamente os nossos bens. Por isso, o texto de Tiago 2:1-7 apresenta algumas lições quanto à convivência em comunhão entre ricos e pobres na Casa de Deus:

1. Não deve haver acepção de pessoas (vv.1,4). Não podemos nos deixar influenciar por ideologias humanas, e sim pela Palavra de Deus, segundo a qual os ricos não devem menosprezar os pobres; nem estes, valendo-se do complexo de inferioridade, se indignar contra aqueles.

2. Não deve haver desprezo aos pobres (vv.2,3). É uma tendência humana julgar as pessoas pela aparência (1Sm 16:7; João 7:24). No entanto, não devemos tratar melhor alguém só porque exibe um anel de ouro ou usa vestes preciosas. Ninguém é superior perante o Senhor. Todos devem se humilhar diante dEle (Lc 18:9-14).

3. Os pobres devem ser honrados (Tg 2:5). “Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?”. Aqui, trata da soberana escolha de Deus. É claro que a salvação não é apenas para os pobres, porém esse versículo deixa claro que o Senhor prioriza a riqueza da fé, e não a prosperidade financeira.

4. A principal razão para não desonrar o pobre (Tg 2:6,7). “Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos arrastam para tribunais?”. Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?”.

Aqui, Tiago mostra que os crentes, destinatários de sua Epístola, desonravam os pobres porque nãos os tratavam como Deus os trata. Tiago traz à memória da igreja que quem a oprimia era justamente os ricos. Estes os arrastavam aos tribunais. Como podiam eles desonrar os pobres, aos quais Deus tinha profundo apreço, e favorecer os ricos que os oprimia e blasfemavam o bom nome de Cristo?

A discriminação social na igreja é algo reprovável diante de Deus. “Por isso, o favoritismo, a parcialidade e quaisquer tipos de discriminação devem ser combatidos com rigor na igreja local, principalmente pelas lideranças. Quem discrimina não compreendeu o que é o Evangelho!”.

III. A LEI REAL, A LEI MOSAICA E A LEI DA LIBERDADE (Tg 2:8-13).

Em Tiago 2:2-4 é ilustrado o problema da discriminação contra o pobre, ato este atribuído a “perversos pensamentos”(2:4). Em Tg 2:8-13 são apresentadas duas razões pelas quais os cristãos devem evitar este tipo de favoritismo: Primeira, o tratamento preferencial prestado ao rico estabelece um franco contraste com a atitude de Deus, que escolheu os pobres “para serem ricos em fé” (Tg 2:5-7); Segunda, toda manifestação de favoritismo é condenada pela “lei real” que exige amor ao próximo (Tg 2:8-13).

1. A Lei Real (2:8). “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis”.

De acordo com Tiago, tratar o rico com deferência e desconsideração com o pobre constitui uma transgressão da lei, que diz: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. Essa prescrição é chamada de “lei real”, pois foi dada pelo Rei, e governa as outras leis. Muitas vezes, tomamos decisões com base nas retribuições que advirão. Somos egocêntricos. Tratamos bem os ricos porque esperamos recompensas materiais ou sociais. Desprezamos os pobres porque é pouco provável que nos possam trazer benefício semelhante. A “lei real” proíbe a exploração egoísta e nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos. E se perguntarmos: “quem é o meu próximo?”, descobrimos na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37) que ele é qualquer pessoa com uma necessidade que podemos ajudar e suprir.

O amor é o cumprimento de toda a lei. Amar é tratar as pessoas como Deus nos trata. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37), o sacerdote e o levita tinham uma fé ortodoxa. Eles serviam no templo, mas eles falharam em viver a fé amando o próximo. A fé era ortodoxa, mas estava morta (Lc 10:31,32). Tiago estava convidando os seus leitores a obedecerem à lei real do amor, que os proibia de discriminar qualquer pessoa que viesse a participar da sua comunhão. Nós devemos favorecer a todos, seja pessoa rica ou pobre.

Segundo Tiago, dar atenção especial aos ricos, em detrimento do pobre, é pecado. E aqueles que estão envolvidos neste ato são transgressores, por não terem respeitado a “lei real” de Tiago 2:8 – “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores (Tg 2:9). As nossas atitudes e os nossos atos em relação aos outros devem ser guiados pelo amor.

2. A Lei Mosaica. “Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tg 2:11).

Segundo o pr. Eliezer de Lira, “na época em que a Epístola de Tiago foi escrita os judeus faziam distinção entre as leis religiosas mais importantes e as menos importantes, segundo os critérios estabelecidos por eles mesmos. Os judeus julgavam que o não cumprimento de um só mandamento acarretaria a culpa somente daquele mandamento desobedecido. Mas quando a Bíblia afirma: ‘Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás’,está asseverando o aspecto coletivo da lei, isto é, quem desobedece um único preceito, quebra, ao mesmo tempo, toda a lei. Embora os crentes da igreja não adulterassem, faziam acepção de pessoas; eles não atendiam a necessidade dos órfãos e das viúvas e, por isso, tornaram-se transgressores da lei’”.

O mesmo Deus que proibiu o adultério também proibiu o homicídio. Um homem que não é culpado de adultério pode, no entanto, ter cometido homicídio. Acaso ele é transgressor da lei? Sem dúvida! De acordo com o espirito da lei, devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. O adultério certamente constitui uma transgressão desse princípio, e o homicídio também. Pode-se dizer o mesmo do esnobismo e da discriminação; se cometemos um desses pecados, deixamos de cumprir a lei.

Portanto, a lei é como uma corrente com dez elos, o rompimento de um dos elos representa o rompimento de toda a corrente. Deus não permite que guardemos algumas leis de nossa preferência e não outras. Se tropeçarmos em um único ponto da “lei real”, somos culpados da lei inteira - “Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos” (Tg 2:10).

3. A Lei da Liberdade. “Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” (Tg 2:12). Aqui, Tiago está dizendo que como cristãos não estamos sob a servidão da lei, mas sob a ‘lei da liberdade’, ou seja, a liberdade de fazer o que é certo. Quem é verdadeiramente salvo - liberto do pecado, dos preconceitos e da maneira mundana de pensar (Rm 6:18) -, desfruta de tal liberdade (João 8:36; Gl 5:1,13). Entretanto, tal liberdade deve vir acompanhada da coerência: “assim falai e assim procedei...” (Tg 2:12). Esta expressão de Tiago refere-se a palavra e atos. O modo de viver deve ser coerente com a profissão verbal. É a conduta do crente em relação aos demais irmãos que demonstrará se ele é, de fato, um liberto em Cristo ou não.

No regime da graça, amamos incondicionalmente o nosso próximo e somos recompensados quando obedecemos. Não o fazemos para receber a salvação, mas porque já somos salvos. Não obedecemos por medo do castigo, mas por amor àquele que morreu por nós e ressuscitou. No Tribunal de Cristo, os galardões serão distribuídos de acordo com esse padrão. Não se trata de salvação, mas de recompensa.

As transgressões da “lei da liberdade serão julgadas no Tribunal de Cristo. “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2:13). “Misericórdia” era exatamente o que os crentes não estavam demonstrando quando insultavam as pessoas pobres. Se eles continuassem a fazer discriminações, estariam correndo o risco de enfrentar o seu próprio julgamento sem misericórdia. Esta é uma excelente declaração da ética do Novo Testamento: o que nós fazemos aos outros, na verdade, fazemos a Deus, e ele igualmente nos retribui. Nós comparecemos diante de Deus precisando da sua misericórdia. Precisamos constantemente de sua misericórdia. Quando negamos o perdão a outros, depois de nós mesmos o termos recebido, mostramos que não compreendemos nem valorizamos a misericórdia que Deus tem para conosco.

O mundo está procurando provas de que Deus é misericordioso. Mostrar que somos pessoas que tiveram misericórdia e que expressam misericórdia irá chamar a atenção do mundo. O mundo vai ver que por causa de nosso relacionamento com Cristo, que é misericordioso, expressamos ações misericordiosas. Não mostrar misericórdia nos deixa sujeitos unicamente ao julgamento de Deus. Mas, ao demonstrarmos misericórdia, passamos a estar sujeitos à misericórdia de Deus, como também ao seu julgamento. Devido ao caráter de Deus, a sua misericórdia triunfa sobre o seu juízo contra nós.

CONCLUSÃO

A salvação não está baseada em mérito humano nem mesmo em nossas obras. A salvação não é comprada nem merecida (Ef 1:4-7; 2:8-10). Deus ignora diferenças nacionais (salvou Cornélio). Ele ignora diferenças sociais (salva senhores e escravos: Filemom e Onésimo). A escolha divina não está baseada no que a pessoa tem (1Co 1:26,27). É possível uma pessoa ser pobre neste mundo e rica no vindouro. Ser rica neste mundo e pobre no vindouro (1Tm 6:17,18). Devemos tratar as pessoas como Deus as trata, e não de acordo com o seu status social. A verdadeira fé não faz acepção de pessoas.

Fonte: ebdweb

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