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terça-feira, 8 de setembro de 2015

11ª lição do 3º trimestre de 2015: A ORGANIZAÇÃO DE UMA IGREJA LOCAL



Texto Base: Tito 1:4-14
 

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei” (Tt 1:5)

 
INTRODUÇÃO

Em continuidade ao estudo das “Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais”, estudaremos a partir desta Aula a Epístola de Tito. Esta é a mais breve das três cartas pastorais escritas pelo apóstolo Paulo. Tito foi incumbido de pôr em ordem o que Paulo deixara inacabado nas igrejas de Creta, inclusive a instituição de presbíteros nessas igrejas (Tt 1:5); ajudar as igrejas a crescerem na fé, no conhecimento da verdade e em santidade (Tt 1:1); e silenciar falsos mestres que perturbavam a fé dos cristãos dessa ilha. Ele, na condição de presbítero supervisor, deveria estabelecer igrejas "de cidade em cidade", ministrar a palavra de edificação e advertência contra os falsos cristãos, repreendendo-os de modo veemente. Não era fácil a missão de Tito.

I. A EPÍSTOLA ENVIADA A TITO

1. O intento da Epístola. O principal intento desta Epístola é dar conselhos e orientar ao jovem pastor Tito a respeito dos seguintes temas:

a) A organização das igrejas (Tt 1:5). Muitas coisas estavam fora de lugar nas igrejas de Creta. Tito foi deixado lá para colocá-las em ordem. Essas coisas incluíam o ensino da sã doutrina, a aplicação da disciplina, o combate aos falsos mestres e a instrução da sã doutrina aos crentes.

b) A liderança das igrejas (Tt 1:5-9). Paulo tinha uma solene preocupação com o governo da igreja. Uma igreja bíblica precisa ter líderes sãos na fé e na conduta. Paulo deixa claro que o objetivo supremo do governo da igreja é a preservação da verdade revelada.

c) O combate aos falsos mestres e às falsas doutrinas (Tt 1:10-16). A liderança da igreja precisa vigiar para que os lobos que estão do lado de fora não entrem; nem os lobos vestidos de peles de ovelha, disfarçados dentro da igreja, arrastem após si os discípulos (At 20:29-31).

d) O ensino da sã doutrina (Tt 2:1). A igreja não deveria ficar apenas na defensiva, combatendo os falsos mestres, mas deveria, sobretudo, engajar-se no ensino da sã doutrina.

e) A promoção da ética cristã (Tt  2:2-10). Paulo dá orientações claras para os líderes e para os liderados. As prescrições apostólicas contemplam os idosos, os recém-casados, os jovens e os servos. Não é suficiente ter doutrina sã, é preciso também ter vida santa. A doutrina sempre deve converter-se em vida. Quanto mais conhecemos a verdade, tanto mais deveríamos viver em santidade.

f) A prática das boas obras (Tt 2:11-14; 3:8,14). Não somos salvos pelas boas obras, mas demonstramos nossa salvação por meio delas. A salvação é pela fé somente, mas a fé salvadora nunca vem só; ela é acompanhada das boas obras. A fé é a causa; as boas obras são o resultado da salvação. As nossas boas obras não nos levam para o céu, mas nos acompanham para o céu (Ap 14:13).

g) A submissão às autoridades (Tt 3:1-11). A ilha de Creta havia sido subjugada por Roma em 67 a.C., e desde então permaneceu resistente ao jugo colonial romano. Paulo já havia destacado a atitude insubordinada dos cretenses (Tt 1:10,16). Agora, Tito deveria orientar os cristãos de Creta a serem submissos aos seus governantes. A obediência dos cristãos como cidadãos deveria ornar a doutrina que pregavam.

O cristão tem dupla cidadania: é cidadão do céu e também do mundo. Ele deve obediência a Deus e também às autoridades constituídas. Duas coisas são exigidas do cristão em relação às autoridades:

- Em primeiro lugar, submissão (Tt 3:1). Aqueles que governam são autoridades constituídas pelo próprio Deus e devem ser respeitados e obedecidos. A obediência civil é responsabilidade do cristão. Ele não pode ser anarquista nem agitador social, uma vez que resistir à autoridade é insurgir-se contra o próprio Deus que a constituiu.

- Em segundo lugar, obediência (Tt 3:1). A submissão implica obediência e cumprimento dos deveres. O cristão deve ser cooperativo nos assuntos que envolvem toda a comunidade, uma vez que a cidadania celestial (Fp 3.20) não o isenta de suas responsabilidades como cidadão da terra.

2. Data em que foi escrita. Devido à semelhança dos temas e da linguagem, os conservadores creem que Tito foi escrito por volta do mesmo período ou um pouco depois de 1Timóteo. De qualquer modo, o livro foi escrito entre 1 e 2Timóteo, e não depois de 2Timóteo. Embora seja impossível fixar uma data exata, é provável que tenha sido entre 64 e 66 d.C. O lugar possível de origem é a Macedônia.

3. Um viver correto. Uma vez que os crentes novos convertidos eram egressos do paganismo, a igreja nascente estava enfrentando muitas dificuldades, tanto externas quanto internas. A ilha de Creta era uma região altamente marcada pela devassidão moral e pela disseminação de muitas heresias. As igrejas, ainda incipientes, corriam sérios riscos de ser atacadas por esses perigos morais e espirituais. Somente sob uma liderança bíblica e moralmente sadia a igreja poderia resistir a esse cerco ameaçador. Provavelmente, Paulo esteve na ilha de Creta na companhia de Tito no intervalo entre suas duas prisões em Roma. Depois da sua partida, Satanás se esforçounão só para derrotar o governo da igreja, mas também para corromper a fé dos novos convertidos com falsas doutrinas. Por isso, Paulo urge em mandar Tito para tratar da ordem na igreja e exigir que os irmãos vivam de maneira correta e santa. A santificação - sem a qual ninguém verá a Deus (Hb 12:14) - é um processo gradual e contínuo que conduz ao aperfeiçoamento do caráter e da vida espiritual do crente, tornando-o participante da natureza divina (2Pe 1:4).

II. O PASTOR PRECISA PROTEGER O REBANHO DE DEUS

1. Qualificação dos pastores (Tt 1:6-9). Em sua Epístola a Tito, Paulo enfatiza as qualificações do bispo. Diz ele:

“Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes”.

As características do presbítero exaradas neste texto têm mais a ver com a vida dele do que com o seu desempenho. A vida do líder é a vida da sua liderança. A vida precede o ministério e é sua base. Portanto, ele precisa ser irrepreensível.

O retrato que Paulo traça do presbítero (Tt 1:6) ou bispo (1:7) é emoldurado pela irrepreensibilidade. O presbítero não pode deixar brechas no seu escudo moral. Seu ofício é público e sua reputação pública precisa ser inquestionável.

Pelo texto, o presbítero precisa ser irrepreensível em três áreas distintas:

A) IRREPREENSÍVEL COMO LÍDER DE SUA FAMÍLIA - Tt 1:6

Nesta área, ele precisa ser irrepreensível em dois pontos vitais:

1) Como marido de uma mulher. Marido de uma só mulher quer dizer marido fiel à sua esposa, ou seja, um homem livre de qualquer suspeita quanto à sua relação matrimonial, íntegro em sua conduta conjugal.

2) Irrepreensível como pai. O presbítero precisa ser o sacerdote do seu lar, o líder espiritual da sua família. Deve criar seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor. Se o presbítero não sabe governar a própria casa, como poderá governar a igreja de Deus?, pergunta o apóstolo Paulo (1Tm 3:4,5). Obviamente isso se aplica aos filhos que vivem com a família sob a autoridade do pai.

B) IRREPREENSÍVEL COMO DESPENSEIRO DE DEUS - Tt 1:7,8

Neste aspecto, Paulo aborda o assunto sob duas perspectivas: primeiro, ele trata do aspecto negativo, isto é, o que um presbítero não deve ser; segundo, do aspecto positivo, isto é, o que o presbítero deve ser e ter. Vejamos, em resumo, estes aspectos.

B1) ASPECTOS NEGATIVOS - defeitos que o presbítero não deve ter. O presbítero nãodeve ser:

1) Soberbo. Soberba é aquela pessoa que exalta a si mesma, que só se preocupa consigo mesma e olha para os outros com discriminação e desprezo.

2) Iracundo. A Bíblia não classifica toda ira como pecado (Ef 4:26); o que ela condena é o homem genioso, esquentado, de estopim curto, que, além de irar-se com facilidade, também fica remoendo por longo tempo a sua ira. Um homem que nutre mágoas e ressentimentos em seu coração definitivamente não está preparado para exercer o presbiterato.

3) Dado ao vinho. O apóstolo Paulo é claro quando escreve aos efésios: “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).

4) Violento. Trata da violência tanto verbal quanto física. Aquele que governa os outros precisa governar primeiro suas emoções, ações e reações.

5) Cobiçoso de torpe ganância. Os cretenses eram conhecidos como indivíduos inveteradamente gananciosos (Tt 1:10-13). Alguém disse que eles se apegavam ao dinheiro como as abelhas ao mel. Os presbíteros precisam ser homens despojados dessa torpe ganância (Tt 1:7). Veja a recomendação do apóstolo Pedro: “Aos presbíteros que estão entre vós, ad­moesto eu, que também sou presbítero... apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele...não por torpe ganância...” (1Pe 5:1,2).

B2) ASPECTO POSITIVO – o que o presbítero deve ser e ter. O presbítero deve ser conhecido pelo que ele é e faz. Ele deve ornar o seu caráter como despenseiro de Deus com as seguintes virtudes:

1) Deve ser hospitaleiro. A hospitalidade na igreja primitiva era uma necessidade vital para o avanço missionário da igreja. Sem hospitalidade os missionários itinerantes teriam sua atividade estancada. E mais, nos primeiros dois séculos da era cristã não havia templos, por isso, as igrejas reuniam-se em casas (Rm 16:5; 1Co 16:19; Fm 2). Hoje, esta prática está em desuso. Todavia, quando a hospitalidade for estritamente necessária, a recomendação é clara: “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade” (Hb 13:1,2).

2) Deve ser amigo do bem. O presbítero precisa ser um homem amante das boas ações. Ele não tem prazer mórbido de falar mal dos outros, mas tem grande deleite em dizer o bem das pessoas. Ele não apenas chora com os que choram, mas também se alegra com os que se alegam.

3) Deve ser moderado. O presbítero deve ter o domínio completo sobre suas paixões e desejos, o que impede de ir além do que a lei e a razão lhe permitem e aprovam. Explicando melhor, o presbítero precisa ter equilíbrio, domínio próprio, autocontrole. Só se consegue ser assim com a unção do Espírito sobre sua vida (ler Ec 9:8).

4) Deve ser justo. O presbítero é um homem que não usa dois pesos e duas medidas. Ele não faz acepção de pessoas nem tolera preconceitos. Ele é justo no falar e no agir.

5) Deve ser piedoso, santo. Deus não usa grandes talentos, mas homens piedososNós estamos à procura de melhores métodos, e Deus está à procura de melhores homens. Deus não unge métodos, unge homens piedosos.

6) Deve ter domínio próprio. Ninguém está apto para liderar os outros se não tem domínio de si mesmo. Aquele que domina a si mesmo é mais forte do que aquele que domina uma cidade.

C) IRREPREENSÍVEL COMO MESTRE DA PALAVRA - Tt 1:9.

Nesta etapa é tratada a relação do presbítero com a igreja local. Refere-se ao ministério de ensino da Palavra de Deus. Paulo menciona três coisas importantes:

(1) O presbítero precisa demonstrar fidelidade doutrinária. “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina...". O presbítero precisa ser um estudioso das Escrituras. Ele precisa afadigar-se na Palavra (1Tm 5:17). Paulo diz que os presbíteros têm dois ministérios com respeito à Palavra de Deus: (a) edificar a igreja pela sã doutrina; (b) rejeitar os falsos mestres que espalham doutrinas perniciosas.

(2) O presbítero precisa demonstrar capacidade para o ensinoPaulo prossegue: “para que seja poderoso... para admoestar com a sã doutrina...". A capacidade para exortar não vem da força, das técnicas da psicologia nem mesmo do ofício que o presbítero ocupa, mas do conhecimento da verdade para aplicar corretamente as Escrituras. A exortação não é fruto de capricho ou opinião pessoal do presbítero, mas do reto ensino das Escrituras. Sua exortação está fundamentada no reto ensino da verdade.

(3) O presbítero precisa demonstrar habilidade na apologética. Paulo diz que o presbítero precisa ser “[...] poderoso [...] para convencer os contradizentes”. Somente um indivíduo que tem destreza na verdade pode confrontar os falsos mestres, combater os falsos ensinos e convencer aqueles que contradizem a Palavra de Deus.

Essas são as qualificações dos líderes espirituais na igreja local. Deve-se notar que nada se diz sobre proezas físicas, realizações educacionais, posição social ou habilidade nos negócios. Uma pessoa simples pode ser presbítero qualificado pela boa reputação espiritual e o seu caráter notório. O verdadeiro pastor está profunda e vitalmente envolvido na vida espiritual da igreja pelo ensinamento, exortação, encorajamento, repreensão e correção.

2. Crentes, porém, problemáticos. “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão”(Tt 1:10).

Depois de falar dos atributos dos verdadeiros mestres, Paulo passa a descrever as características dos falsos mestres. Havia muitos falsos mestres, especialmente os da circuncisão, ou seja, os judaizantes. Paulo menciona duas facetas desses falsos mestres:

- Eles eram desordenados [insubordinados] (1:10). Os falsos mestres eram rebeldes e falastrões. Enquanto os presbíteros se colocavam debaixo da autoridade das Escrituras, eles se insurgiam contra ela e faziam isso com palavras insolentes e vazias. Os falsos mestres se negavam a obedecer à sã doutrina e à liderança constituída da igreja.

- Eles eram enganadores (1:10). A vida deles era errada e a doutrina deles era falsa. Suas palavras não produziam nenhum benefício espiritual. Ao contrário, privavam as pessoas da verdade e as induziam ao erro. Em vez de levar os homens à verdade, esses falsos mestres os faziam afastar-se dela. Em vez de firmar as pessoas na fé, os desviavam dela. Os principais encrenqueiros eram “os da circuncisão”, isto é, os mestres judeus que professavam ser cristãos e ainda assim insistiam em que os cristãos deveriam ser circuncidados e observar os ritos judaicos para poder ser salvo. Tratava-se da negação prática da autossuficiência da obra de Cristo.

Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância” (Tt 1:11).  

Paulo, aqui, trata da influência dos falsos mestres referido no versículo anterior. Esses falsos mestres eram itinerantes que saíam de casa em casa espalhando o veneno letal de sua falsa doutrina, tentando embaraçar os novos convertidos com seu falacioso e enganoso ensino. Segundo Hernandes Dias Lopes, o ensino desses falsos mestres era fundamentalmente transtornador em vez de ser transformador. Eles não buscavam os pagãos nem queriam fazer discípulos entre os que viviam perdidos na mais tosca imoralidade (cf Tt 1:12), mas iam atrás daqueles que haviam abraçado a fé cristã para desviá-los da sã doutrina. Andavam de casa em casa, ensinando suas heresias, interessados não na vida espiritual das pessoas, mas no seu dinheiro. Eles usavam a religião para encher o próprio bolso. O vetor desses falsos mestres era o dinheiro e o lucro. Não eram pastores do rebanho, mas lobos que procuravam devorar as ovelhas. Homens como esses era preciso “tapar a boca”. Eles deviam aprender que a igreja não é uma democracia anarquista e que há limite na liberdade de expressão. Eles tinham pervertido “casas inteiras”. Isso sugere que eles estavam sorrateiramente propagando doutrinas perniciosas. Esse é o método preferido das seitas (2Tm 3:6). Ainda hoje as seitas heréticas seguem a mesma trilha.

III. A PERCEPÇÃO DA PUREZA PARA OS PUROS E PARA OS IMPUROS

1. Tudo é puro para os puros (Tt 1:15). “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão contaminados”.

Este versículo nada tem a ver com as coisas pecaminosas em si e condenadas na Bíblia. Este provérbio deve ser entendido à luz do contexto. Pelo contexto, percebemos que Paulo aplica essa declaração aos alimentos e devemos ter cuidado para não generalizar. William MacDonald diz que estaremos em apuros se retirarmos do contexto as palavras “todas as coisas são puras para os puros” e as tomarmos como uma declaração de verdade absoluta em todas as áreas da vida.

Paulo não estava falando de questões de moralidade concreta, de coisas inerentemente certas ou erradas. Ele estava discutindo questões moralmente neutras, coisas que eram corrompidas para o judeu que vivia sob a lei, mas perfeitamente legítimas para um cristão que vivia debaixo da graça. O exemplo, comer carne de porco era proibido ao povo judeu do Antigo Testamento, mas o Senhor Jesus mudou tudo quando disse que nada que entra no homem pode contaminá-lo (Mc 7:15). Ao dizer isso, ele considerou puros todos os alimentos (Mc 7:19). Paulo ecoou essa verdade ao afirmar: “Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos” (1Co 8:8).

Quando Paulo diz: “Todas as coisas são puras para os puros”, ele quer dizer que para o cristão nascido de novo todos os alimentos são puros, mas “para os impuros e descrentes nada é puro”. Não é o que o homem come que o contamina, mas o que são de seu coração (Mc 7:20-23). Se a vida interior do homem é impura, se ele não tem fé no Senhor Jesus, nada é puro para ele.

Muitas pessoas têm inescrupulosamente usado esse texto para justificar comportamentos reprováveis, vendo, ouvindo e manuseando coisas vergonhosas. O cristão que se entrega a práticas eróticas pecaminosas e diz que são puras porque seu coração é puro usa a Palavra de Deus como desculpa para pecar. Pedro refere-se a isso ao afirmar que “deturpam as Escrituras para a própria destruição deles” (2Pedro 3:16).

2. Conhecem a Deus, mas o negam com as atitudes (Tt 1:16). “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra”.

Aqui, Paulo diz que os falsos mestres, ou seja, os judaizantes, professam conhecer a Deus, entretanto, o negam por suas obras. Eles apresentam-se como cristãos, mas a prática não condiz com a confissão. Para ampliar sua sagaz repreensão, o apóstolo os denuncia como “abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra”. O comportamento deles era abominável.

Segundo William Macdonald, cada crente deve representar o Senhor Jesus aqui na Terra, devendo ser uma cópia do Salvador e mostrar Cristo ao mundo. Essa é uma tremenda responsabilidade.

Alguém disse que Deus tem um sobrenome. Ele foi chamado o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele não se sentia envergonhado de ser o Deus destes homens (Hb 11:16b). Como é que Deus se sentiria se tivesse o meu nome como o Seu sobrenome? É bom enfatizar que o crente está sob vigilância constante. Quando falamos do nosso Salvador e da vida que Ele nos oferece, tudo o que dizemos é filtrado através daquilo que os outros observam em nós.

A causa do Cristianismo tem sido mais prejudicada pelos seus seguidores do que pelos seus oponentes, porque o mundo compara frequentemente a profissão de fé de um cristão com a prática da mesma. Dizem, com uma certa razão, que se o Cristianismo é aquilo que nós defendemos ser, então as nossas vidas deveriam ser diferentes. Quantas vezes Cristo é difamado por “políticos cristãos” de linguagem vulgar, compromissos duvidosos, associações obscuras? É incalculável a desonra causada ao nome de Jesus.

Aqueles, dentre nós, que defendem o título de cristão, têm obrigação de agir em conformidade com ele. “É contraditório alguém dizer que crê, e agir como se não cresse”. “A nossa conduta revela a nossa fé e o nosso relacionamento com Deus”.

CONCLUSÃO

A Igreja é um organismo vivo, e é organizada. Assim sendo, é necessário que nela haja ordem e, por conseguinte, progresso, mesmo porque o seu arquiteto é o próprio Deus Todo-Poderoso – o qual não é de confusão, mas de ordem -, que a arquitetou antes mesmo da “fundação do mundopara que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1:3,4). Todavia, é bom ressaltar que Jesus não fundou uma organização eclesiástica e nem estrutural. Ele criou um organismo vivo, com a Sua presença, em obediência a princípios divinos, a fim de prevalecer sobre o império das trevas e da maldade. Mas com o cresci­mento da Igreja, fez-se sentir a necessidade de haver uma estrutura organizacional administrativa e eclesiástica, de recrutar pessoas dedicadas para ajudarem nas tarefas espirituais e sociais da mesma. E onde há pessoas servindo deve haver quem as lidere, para que o seu serviço seja harmonioso e sem atropelos.

Fonte: ebdweb

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