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terça-feira, 7 de novembro de 2017

7ª lição do 4º trimestre de 2017: A SALVAÇÃO PELA GRAÇA


Texto Base: Romanos 5:6-10,15,17,18,20; 11:6

 "Pois assim como por uma só ofensa veio ajuízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida" (Rm.5:18).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da graça salvadora de Deus. A Salvação do homem não se dá por nenhum mérito humano, mas que ela é resultado do favor divino, um favor que o homem, por ter pecado, não merece receber. Este favor imerecido é a Graça de Deus. Como diz o apóstolo Paulo aos efésios: “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus”(Ef.1:8). Portanto, a nossa salvação é resultado desta graça, ou seja, do favor imerecido de Deus à humanidade pecadora. A graça de Deus traduz a bondade do Senhor e o seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador. Mas, apesar do pecado, Deus mostra seu amor em relação ao ser humano, por intermédio da sua graça. A todos quantos crerem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na maravilhosa graça de Deus.

I. LEI E GRAÇA

A Lei e a Graça são opostas; apesar de serem opostas, elas se complementam. A lei cumpre seu papel no propósito de preparar o homem a receber pela fé a promessa. A lei toma o pecador pela mão e o leva a Cristo. A força da lei está em que ela define o pecado; sua debilidade está em que ela nada pode fazer para remediar o pecado. Portanto, o propósito da lei é revelar o pecado em vez de removê-lo.

Segundo afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a Lei é como um espelho que mostra a sujeira do nosso rosto, mas não a remove; é como um prumo que mostra a sinuosidade da nossa vida, mas não a endireita; é como uma luz que mostra o obstáculo do caminho, mas não o remove; é como uma tomografia computadorizada que mostra os tumores escondidos em nossas entranhas, mas não é o bisturi que faz a cirurgia.

1. O propósito da Lei. O propósito da Lei não é salvar, mas convencer o homem do seu pecado, tomá-lo pela mão e levá-lo ao Salvador. A Lei torna o homem consciente do seu pecado e de sua condenação. Paulo disse: “Até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei” (Rm.5:13); “Pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm.3:20); “...onde não há lei, também não há transgressão” (Rm.4:15); “...eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Rm.7:7).

O pacto da Lei, firmado no Monte Sinai entre Israel e Deus, não teve a intenção de ser meio de salvação. Foi celebrado com Israel depois de sua redenção alcançada mediante poder e sangue. Deus já havia restaurado Israel à justa relação com ele, mediante a graça. Israel já era seu povo. O Senhor desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo seu povo e a ter uma relação mais íntima com ele. O motivo que levasse a cumprir a lei haveria de ser o amor e a gratidão a Deus por havê-los redimido e feito filhos seus.

Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a Lei (cf. Êx.19:5-8), mas não perceberam quão fraca é a natureza humana nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois, parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor divino (vide Jr.7:4-16; Mt.3:9; João 8:33). Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.

Em geral são estes os propósitos da Lei:

·     Proporcionar uma norma moral pela qual os redimidos possam demonstrar que são filhos de Deus e viver em justa relação com seu Criador e com o próximo.

·     Demonstrar que Deus é santo e ele exige a santidade de toda a raça humana.

·     Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e fazê-la entender que somente mediante a graça pode ser salva (Gl.3:24,25).

Enfim, a Lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com Deus (Gl.3:24). Mas, junto com a lei foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça. Os profetas posteriores demonstraram que, sem fé e amor, as formas, cerimônias e sacrifícios da Lei de nada valiam (Mq.6:6-8; Amós 5:21,24; Oséias 6:6; Is.1:1-15).

2. A Lei nos conduziu a Cristo. Afirma o apóstolo Paulo: “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos Justificados” (Gl.3:24). “Aio, no grego “paidagogos”, significa literalmente “tutor, guia, guardião de crianças”. O “paidagogos” era encarregado dos meninos entre 6 e 16 anos, cuidando do seu comportamento e acompanhando-o sempre que saísse de casa. Vale ressaltar que o “aio” não era o pai da criança; seu trabalho era preparar essa criança para a maturidade. Quando a criança atingisse a maturidade, a função do “aio” deixaria de ser necessária.

Da mesma forma, a Lei foi uma preparação para a chegada de Cristo. O papel da lei era levar o homem a Cristo, o verdadeiro Mestre, o único que pode libertar. O papel da Lei era levar as pessoas a Cristo a fim de que fossem justificados por fé; mas, tendo vinda a Fé, já não permanecem mais subordinados ao “aio”. Calvino disse “que sob o Reino de Cristo não há mais uma infância que necessite ficar sob a tutela de um “paidagogos” e, em consequência, a lei resigna de seu ofício”. Em outas palavras, a Lei era uma preparação para Cristo, e era temporária.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, o propósito da Lei é convencer o homem de que ele é pecador e precisa do Salvador. Quando o homem olha para a Lei e vê que é pecador, tem consciência de que está perdido e condenado e de que necessita desesperadamente do Salvador. A Lei prepara o caminho da fé. A Lei pavimenta a estrada para Cristo.

Diz mais o Rev. Hernandes Dias Lopes: “É a lei que desmascara o pecado e condena o homem. Somente um homem consciente de sua culpa busca o Salvador. O evangelismo que ignora a lei enfraquece a graça. Sem a lei o homem não consegue ver o brilho da graça. É na escuridão da noite que vemos o brilho das estrelas. Da mesma forma, é no contexto da escuridão densa do pecado e do juízo que o evangelho resplandece”.

John Stott foi brilhante em seu argumento: “Só depois que a lei nos fere e esmaga é que admitimos a nossa necessidade do evangelho para atar nossas feridas. Só depois que a lei nos aprisiona é que anelamos que Cristo nos liberte. Só depois que a lei nos tiver condenado e matado é que vamos clamar a Cristo por justificação e vida. Só depois que a lei nos tiver levado ao desespero é que vamos crer em Jesus. Só depois que a lei nos tiver humilhado até o inferno é que vamos buscar o evangelho para nos elevar até o Céu” (John Stott. A mensagem de Gálatas).

Portanto, a Lei não tem poder de libertar do pecado, mas prepara o homem para encontrar o libertador, Cristo Jesus, o Salvador. Diz o apóstolo Paulo: “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem” (Gl.3:22).

3. A graça revela que a Lei é imperfeita. A Lei é imperfeita porque ela, conquanto ordenada para o bem, não conseguiu justificar ninguém, conforme se observa em todo contexto da Epístola aos Gálatas. Pelo contrário, foi alvo de muitas transgressões e culpas que deveriam levar o homem a conhecer a sua própria miséria e impotência e, partindo daí, a se humilhar diante de Deus, arrepender-se e a ser salvo mediante a fé. Todavia, em si mesma, a Lei não tinha poder algum para levar o homem ao Criador. Afirma o apóstolo Paulo: “E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé” (Gl.3:11). Portanto, estar sob a Lei significa derrota, escravidão, maldição e impotência espiritual, porque a Lei não pode salvar (Gl.3:11-13,21-23,25; 4:3,24,25; 5:1). Estar sob a Lei é estar sob maldição, pois maldito é aquele que não persevera em toda a obra da lei para cumpri-la (Gl.3:10). A Lei exige de nós perfeição, e por isso mesmo nos condena, pois não somos perfeitos. Porém, quando somos guiados pelo Espirito, já não estamos debaixo da tutela da Lei e, por isso, somos livres; é o que afirma o apóstolo Paulo: “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (Gl.5:18). O Espirito Santo é quem nos põe em liberdade (Gl.4:29; 5:1,5).

II. O FAVOR IMERECIDO DE DEUS

1. Superabundante graça. Não há pecador, por pior que seja, que não possa ser alcançado pela graça divina, pois onde abundou o pecado, que foi exposto pela Lei, superabundou a graça de Deus (Rm.5:20). Portanto, a graça é maior que o pecado. Assim como o segundo Adão é maior do que o primeiro, assim como a obra de Cristo é maior do que o pecado de Adão, também a graça é maior do que o pecado. A redenção levou o homem não apenas ao seu estado original, mas a horizontes mais sublimes. Não somente restituiu o que ele havia perdido, mas o colocou numa posição superior aos anjos, tornando-o membro da família de Deus. A nova vida que recebemos pelo perdão dos pecados faz com que tenhamos comunhão com Deus, e o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito, que volta a ter relacionamento com Deus, que somos filhos de Deus (Rm.8:16). Adotado por Deus, o crente é considerado como filho do Pai Celeste (1João 3:2), como irmão de Jesus (Hb.2.11), como herdeiro dos céus (Rm.8.17). De igual modo, é libertado do medo (Rm.8.15) e desfruta de segurança e certeza de vida eterna (Gl.4.5,6).

2. Fé e Graça. Estes são os dois fatores imprescindíveis para a Salvação do ser humano. A salvação é um dom da Graça de Deus, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé, do lado humano. É válido ressaltar que somos salvos não pela fé, mas pela graça mediante a fé. A fé não é a causa meritória, mas a causa instrumental da justificação. A Fé é a mão estendida que recebe o presente da vida eterna. Portanto, a Fé e a Graça atuam juntamente na obra da salvação.

Efésios 2:8-10 pode ser visto como o resumo mais completo no Novo Testamento do processo da nossa salvação:

“Porque pela graça sois salvos mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

A maneira como recebemos a dádiva da salvação é mediante a Fé. Ter fé nesse caso significa assumir o lugar de pecador culpado e perdido e receber o Senhor Jesus como única esperança da salvação. A verdadeira fé que salva se manifesta quando a pessoa se entrega totalmente a Cristo.

“Não vem de vós”. Qualquer ideia de merecimento ou de que o homem pode adquirir a salvação pelas obras é completamente destruída pelas palavras “não vem de vós”. Pecadores nada merecem a não ser julgamento.

“É dom de Deus”. O “dom de Deus” é a salvação “pela graça mediante a fé”. Esse dom é oferecido a todas as pessoas em todos os lugares. Observe que não é a fé que opera a salvação, mas a graça de Deus que atua mediante a fé do crente no Filho de Deus (Rm.3:28; 5:2; Fp.3:9).

Se é verdade que o pecado se estendeu a todos os homens, sejam judeus, sejam gentios, e que, por causa dele, todos os homens estão destituídos da glória de Deus (Rm.3:23), também é verdade que os homens podem, agora, ser justificados gratuitamente por Deus pela Sua graça e pela redenção que há em Cristo Jesus (Rm.3:24).

Portanto, a Graça é a causa meritória da nossa salvação. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. A todos quantos creem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na maravilhosa Graça de Deus.

3. A graça não é salvo conduto para pecar. Segundo o ensino das Sagradas Escrituras, a graça jamais pode ser vista como um salvo conduto para a prática do pecado ou da libertinagem. Diz o apóstolo Paulo: ”Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl.5:13).

Fomos chamados para uma vida nova, para a liberdade, e não para a escravidão do pecado. Todavia, a liberdade cristã não é uma licença para pecar, mas o poder para viver em novidade de vida. A liberdade cristã não é licenciosidade, mas deleite na santidade. A liberdade cristã é a liberdade irrestrita para aproximar-se de Deus como seus filhos, não uma liberdade irrestrita para chafurdar em nosso egoísmo. A licenciosidade desenfreada não é liberdade alguma, é outra forma mais terrível de servidão, uma escravidão aos desejos de nossa natureza caída. Enfim, a liberdade cristã não é liberdade para pecar, mas liberdade de consciência, liberdade para obedecer. O cristão salvo pelo sangue de Cristo é livre para viver em santidade.

Muitos defendem a liberdade do amor livre, a prática irrestrita do aborto, o uso indiscriminado das drogas e o homossexualismo, porém, isso não é liberdade, é escravidão. Jesus disse que aquele que pratica o pecado é escravo do pecado (João 8:34).

À época de Paulo, os inimigos da graça apresentava um argumento supostamente irrefutável: “Se a graça é superabundante onde o pecado é abundante, se a multiplicação das transgressões serve para demonstrar o esplendor da graça, então não deveríamos pecar mais para que Deus seja ainda mais glorificado na magnificência da sua graça?”. Esta pergunta retratava tanto a distorção antinomiana como a objeção dos legalistas à doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, independentemente das obras. A inferência licenciosa é imediata e energicamente rejeitada por Paulo; responde o apóstolo: “De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm.6:2). De acordo com esta resposta de Paulo, não podemos continuar a pecar porque morremos para o pecado. Trata-se de um fato acerca de nossa condição. Quando Jesus morreu para o pecado, Ele o fez como nosso representante. Morreu não apenas como nosso substituto, ou seja, por nós e em nosso lugar, mas também como nosso representante, ou seja, como se nós estivéssemos lá. Assim, quando Ele morreu, nós também morremos. Ele morreu para o problema do pecado e resolveu-o de uma vez por todas. Para Deus, todos que estão em Cristo também morreram para o pecado. Isto não quer dizer que o cristão é impecável; antes, ele é identificado com Cristo em sua morte e tudo o que ela significa.

III. O ESCÂNDALO DA GRAÇA

A Graça é um escândalo para aqueles que não se converteram de verdade a Cristo, que não nasceram de novo. Exatamente pelo fato de a Graça de Deus ser um escândalo é que existe tanta dificuldade em compreendê-la de forma plena. Certamente, uma das formas de compreender é perceber o conceito da Graça de Deus presente na Parábola dos trabalhadores da vinha (cf. Mt.20:1-16); nesta Parábola, mesmo que o senhor tenha sido injusto aos olhos dos trabalhadores que iniciaram primeiro, não há méritos por tempo de serviço ou produtividade; a mesma recompensa dos que iniciaram o trabalho no fim do dia é dado aos que começaram no início do dia. É esta aparente “injustiça” sob a ótica humana, que caracteriza a Graça de Deus, que produz escândalo.

1. Seria a graça injusta? A justiça divina, se comparada com a humana, é imensamente perdoadora; por isso, a graça torna-se injusta sob a ótica humana, pois é imerecida e incoerente. Por esse motivo, Paulo classificou-a como escandalosa (1Co.1:23; Gl.5:11). Paulo pregava a mensagem da cruz, anunciando que uma pessoa é justificada e aceita por Deus somente pela cruz de Cristo. As pessoas detestavam e ainda, hoje, detestam ouvir que só podem ser salvas ao pé da cruz, e opõem-se ao pregador que lhes diz isso. À época de Paulo, os falsos mestres ficavam ofendidos com essa pregação; eles sustentavam que a morte de Cristo não era suficiente para tornar uma pessoa aceitável a Deus; diziam que a cruz não era o bastante; era preciso algo mais. O argumento de Paulo, porém, é que a salvação pelas obras da lei é falsa. A salvação não é resultado do que fazemos para Deus, mas do que Cristo fez por nós na cruz. Logo, pelas obras é impossível o pecador se salvar; ele depende única e exclusivamente da maravilhosa graça de Deus para encontrará descanso eterno com Cristo no Céu (Mt.11:28-30).

2. A divina graça incompreendida. Na época do apóstolo Paulo, e hoje também, muitos não compreenderam, nem compreendem, seus ensinamentos sobre a Graça de Deus. Por isso, ao longo da história da Igreja, dois extremos estiveram presentes acerca da compreensão da Graça:

a) Liberdade total para pecar (Rm.6:1,2). É bom saber que a liberdade do cristão está em Cristo Jesus, e isso exclui qualquer ideia de que de alguma maneira possa significar liberdade para pecar. Não devemos nunca transformar a liberdade numa base de operações para a natureza carnal. Portanto, a liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para o crente fazer o que quer, mas para fazer o que deve. Exorta-nos o apóstolo Paulo:

“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis, então, das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm.6:18-23).

b) a impossibilidade de receber tão valioso presente (Gl.5:4,5). A Graça é favor imerecido; e isto chega a ser um escândalo para os que não creem. Muitos entendem que para ser salvo por Deus é preciso dar algo em troca. Mas, não é o que fazemos para Deus que nos garante o Céu, e sim o que Deus fez por nós em Cristo Jesus. O Céu não é um prêmio que merecemos, mas uma oferta que recebemos; não é uma conquista das obras, mas um presente da graça de Jesus Cristo – “Pela graça sois salvos” (Ef.2:8). O crente salvo não confia em si mesmo, nas suas obras para a sua salvação. Se para ser salvo as obras tivessem algum valor creditório, então, certamente, isto levaria o crente ao orgulho espiritual (Ef.2:8-10) e geraria toda sorte de comportamentos hipócritas, como foram os escritas e fariseus legalistas à época de Cristo (Mt.23:23). Portanto, buscar a salvação pelas obras é desligar-se de Cristo e decair da Graça. Não há salvação para aqueles que tentam alcançar o favor de Deus por meio das obras, de atitudes legalistas. Afirma o apóstolo Paulo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé...Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef.2:8,9).

3. Deixe-se presentear pela Graça. Sem qualquer mérito humano, mas unicamente pela sua Graça, Deus quis prover um meio de salvar o ser humano. E proveu. E a Graça salvadora de Deus, que é inesgotável, envolve todo o mundo e oferece oportunidade a toda humanidade de escapar da justa e inevitável condenação – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm.6:23). E porque é o “Deus de toda a graça”, conforme está escrito em 1Pedro 5:10, ele “...quer que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1Tm.2:4). Os que compreendem esse favor inefável de Deus, mediante sua Graça, devem deixar-se presentear por ela. Quem compreende o que significa ser justificado por Deus se permite embalar nos braços de amor e de perdão do Pai.

Somos pecadores, precisamos nos arrepender e mudar de vida, precisamos reconhecer que valemos menos que nada e que não merecemos a salvação; todavia, não podemos nos prostrar diante destas realidades; devemos, sim, ao revés, sermos profundamente felizes porque o Senhor teve misericórdia de nós e tomou o nosso lugar na cruz do Calvário e, agora, devemos viver alegres no Senhor. Para os filhos de Deus, cônscios do valor da Graça do Pai, tudo é dádiva Sua, tudo é favor imerecido. Portanto, deixe-se presentear pela graça de Deus!

CONCLUSÃO

Ninguém poderá ser salvo pelas obras e boas ações, ou por tentar guardar os mandamentos de Deus. Para sermos salvos precisamos receber a provisão divina da salvação (Ef.2:4,5), ser perdoados do pecado (Rm.4:7,8), ser espiritualmente vivificados (Cl.1:13), ser feitos novas criaturas (Ef.2:10; 2Co.5:17) e receber o Espírito Santo (João 7:37-39; 20:22). Nenhum esforço de nossa parte poderá realizar essas coisas. O que opera a salvação é a Graça de Deus mediante a Fé (Ef.2:5,8). Devemos diligentemente desejar e buscar a maravilhosa Graça de Deus (Hb.4.16).

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. 1,2,3 João.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Deus da Redenção. PortalEBD_2008.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Hagnos.
A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.
Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã. Hagnos.

domingo, 29 de outubro de 2017

Aula 06 – A ABRANGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO


4º Trimestre/2017

Texto Base: João 3:16-18; 1Timóteo 2:5,6

"Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele" (João 3:17).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da Abrangência Universal da Salvação. Certamente, a salvação em Cristo abrange a toda criatura humana. O texto sagrado de João 3:16 respalda este fato: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Observe que Deus não amou só uma parte da humanidade, não; Ele amou todo o mundo, e mundo aqui inclui toda a humanidade. Deus não ama os pecados humanos ou o sistema maligno de mundo, mas ama as pessoas e “deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). A extensão de seu amor é revelada pelo fato de que deu o seu Filho Unigênito por uma raça de pecadores rebeldes. Isso não quer dizer que todos são salvos. Para receber a Salvação, uma pessoa precisa receber o que Cristo fez por ela – “para que todo aquele que nele crê não pereça”. Portanto, não há necessidade de ninguém perecer, contanto que creia em Jesus Cristo e o receba como único e suficiente Senhor e Salvador. Foi fornecido um caminho pelo qual todos podem se salvar, mas a pessoa precisa reconhecer o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Deus ama todos, independente de raça, cor ou classe social. Ele ama todos os povos e deseja que todos se salvem mediante a fé no sacrifício do seu Filho Unigênito.

I. O QUE É A OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO?

Expiação é o perdão dos pecados dos que se arrependem e confessam, acompanhado de reconciliação com Deus, pelo Sacrifício de uma vítima inocente. No Antigo Testamento a vítima era um animal, figura e símbolo do Cristo crucificado (Lv.1:7; Hb.9:19-28). O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus no sentido espiritual, porém após o pecado de Adão, o pecado manchou esta imagem divina no homem, e somente a obra expiatória de Cristo poderá recuperar a imagem de Deus no homem, mediante o arrependimento dos pecados; quando o ser humano recebe o amor de Cristo, o apostolo Paulo afirma que o homem passa a ser uma nova criatura(2Co.5:17); a palavra nova criatura quer dizer que a primeira criação já não mais existe, a imagem do pecado que restou de Adão deixa de existir, e assim em Cristo o ser humano passa a ser novamente a imagem de Deus, pois tudo se faz novo.

1. A necessidade de expiação. A morte de Jesus Cristo, o derramamento do Seu sangue para satisfação da justiça divina foi uma necessidade (Mt.16:21; Lc.9:22). Sem que o Justo entregasse sua vida em favor dos injustos, não seria possível a salvação. Foi na cruz do Calvário o lugar em que se deu o sacrifício expiatório de Cristo, substituindo o pecador pelo justo Cordeiro de Deus que pagou em nosso lugar e, para sempre, a dívida do nosso pecado (Cl.2:14).

A realidade bíblica da necessidade de expiação é encontrada logo após a queda do homem. Quando Deus Se apresentou ao primeiro casal naquele dia fatídico, o casal fugiu da presença de Deus, notando não ter mais condições de estar diante do Senhor. O pecado criou uma divisão entre Deus e o ser humano (Is.59:2) e, por isso, o homem não poderia se apresentar diante do Senhor. Em seguida, a Bíblia nos diz que o Senhor matou um animal para dele fazer vestes para o primeiro casal (Gn.3:21). Neste gesto, o Senhor, que há pouco havia prometido a redenção da humanidade mediante o nascimento da “semente da mulher” (Gn.3:15), inicia o chamado “rastro de sangue”, que perpassa as Escrituras, indicando que a comunhão prometida entre Deus e o homem não se faria sem sangue, não se faria sem a morte de um justo. A expiação se apresenta, pois, como uma necessidade, como um processo indispensável para que o homem retorne à comunhão com Deus, que foi perdida por causa do pecado.

2. A abrangência do pecado. O pecado é a transgressão da Lei (1João 3:4), é a rebelião da vontade da criatura contra a vontade de Deus. O pecado é todo pensamento, toda palavra ou todo ato que fica aquém do padrão de santidade e perfeição de Deus, é errar o alvo ou deixar de alcançá-lo. Um indígena cuja flecha não acertou o avo disse: ”pequei”. Em sua língua, os conceitos de pecar e não acertar o avo eram expressos pelo mesmo termo. O pecado não consiste apenas em fazer o que é sabidamente certo (Tg.4:17).

As Escrituras mostram que todos pecaram e, que por isso, foram afastados da presença de Deus, passando a inclinar-se para o mal (Rm.3:23; SI.14:3; Mc.10:18; Ec.7:20). Todos pecaram em Adão, que pecou como representante de todos os seus descendentes. No entanto, os seres humanos não são apenas pecadores por natureza, também são pecadores por prática; carecem, em si mesmos, da glória de Deus. Portanto, a necessidade do evangelho é universal porque todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm.3:23).

3. A expiação de Cristo. É elucidativo que, vindo Jesus para ser batizado por João no rio Jordão, como nos mostram as Escrituras, o Senhor tenha sido apontado pelo profeta como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). O anúncio de João, antes mesmo que o Senhor iniciasse qualquer pregação, em tudo concorda com o objetivo prioritário da missão de Cristo sobre a face da Terra, que havia sido reafirmada pelo próprio Senhor instantes antes da encarnação (Hb.10:5-9). Jesus veio ser a vítima do sacrifício necessário, veio substituir toda a humanidade, morrendo em lugar dos homens (Rm.5:8; 1Ts.5:10), para satisfazer a justiça divina e, por meio do derramamento do Seu sangue, permitir que se restabelecesse a comunhão entre Deus e o ser humano (Ef.2:13-16), algo que só poderia ocorrer mediante a remoção dos pecados e não somente a sua desconsideração por força da morte de animais, como ocorria na época da lei (Hb.7:26,27; 9:7-10). Enquanto os sacrifícios do Antigo Testamento apenas minimizavam a situação do pecador, a obra expiatória de Cristo resolve de uma vez por todas o grave problema do pecado (Rm.3:23-25).

Para que o pecado fosse removido, para que a morte, que é a separação entre Deus e os homens, fosse eliminada, fazia-se absolutamente necessário que um não pecador morresse em lugar dos pecadores. A morte de Jesus, o derramamento do Seu sangue era absolutamente imprescindível para que houvesse o resgate da humanidade. Por isso, Jesus disse que veio para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos (Mc.10:45).

II. O ALCANCE DA OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO

A expiação é atitude que tem seu nascimento no próprio Deus, pois sendo Ele o único Ser puro e santo, somente dEle poderia provir um meio para a purificação do homem, que, preso no lamaçal do pecado, não tinha mais como se apresentar diante de Deus, apenas inutilmente tentado fugir de sua presença. Esta reconciliação, porém, não se faria sem que houvesse morte, pois o pecado tem um preço, uma consequência, que era a morte, como bem demonstrou o próprio Deus ao sentenciar a humanidade pela sua falta, morte esta que teria de se dar de modo integral, ou seja, como separação entre corpo e homem interior (alma e espírito), como separação de Deus. Por isso, o escritor aos hebreus é tão contundente: “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb.9:22b). Sem que houvesse a morte física de um justo para pagar a justiça divina, não se teria um “meio de purificação” que permitisse a restauração da comunhão entre Deus e o homem. Qual é o alcance da obra expiatória operada por Cristo? É universal, pois ela envolve todos os seres humanos (João 3:16), e o ser humano completo - espírito, alma e corpo - (1Ts.5:23).

1. Tem efeito retroativo. Jesus morreu pelo mundo inteiro, como nos ensina o chamado “texto áureo” da Bíblia Sagrada. Deus amou o mundo e deu o Seu Filho para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. Além de nos mostrar que Jesus morreu por nós, que pagou o preço para a nossa salvação, preço este que foi o seu próprio sangue (1Pd.1:18,19). A Bíblia também nos ensina que a morte de Cristo representou a expiação dos pecados de todo o mundo (1João 2:2). O sacrifício de Cristo foi perfeito, completo e suficiente para salvar a todos os homens, desde o primeiro casal até o último homem que nascerá sobre a face da Terra (Hb.9:24-28). A expiação feita por Cristo é completa e ilimitada, porque Ele é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jesus morreu em lugar de todos os homens, por isso “… o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele…”(Is.53:5), e “…o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos” (Is.53:6).

2. Tem efeito no presente. Como se não bastasse isso, a Bíblia ainda nos diz que, quando Jesus morreu, o véu do templo de Jerusalém, que separava o Santo dos Santos, se rasgou de alto a baixo, numa clara demonstração de que a separação que havia entre Deus e os homens, por causa do pecado, havia cessado(Mt.27:51). A partir de então, o povo não precisaria mais ficar longe do lugar santíssimo no dia da expiação (Lv.16:17), mas pode entrar na presença do Senhor com ousadia, pelo novo e vivo caminho aberto pelo Senhor, por sua morte (Hb.10:19,20). Jesus Disse: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida”(João 5:24).

3. Tem efeito no futuro. O último estágio do processo da salvação é a glorificação, glorificação esta que só acontecerá por causa do nosso Redentor, que realizou o sacrifício perfeito e eterno com o objetivo de remover o nosso pecado e nos reconciliar com Deus. Quando ocorrer a glorificação, atingiremos, finalmente, a estatura de “varão perfeito”(Ef.4:13).

4. A expiação é ilimitada, mas condicionada à vontade de cada ser humano. O versículo de João 5:24, citado anteriormente, já demonstra a condicionalidade da salvação. A Bíblia é clara ao dizer que Jesus morreu por todos os homens e que seu sacrifício é suficiente para a remoção do pecado do mundo. Ele é a propiciação pelos pecados de todo o mundo. Entretanto, por que, então, todos os homens não se salvam? Porque não podemos confundir salvação com expiação. Para que haja salvação é preciso que haja expiação. Sem expiação, não há salvação. Mas a salvação, além da expiação, exige a fé do homem. Jesus, ao anunciar o Evangelho, chamou o povo ao arrependimento e à fé no Evangelho (Mc.1:15). Alcançamos a justificação pela fé em Cristo (Rm.5:1).

Numa linguagem jurídica, a morte de Cristo satisfez a justiça divina e tem poder para remover o pecado do mundo inteiro. É um sacrifício real, válido, mas que, para gerar efeitos na vida de cada homem, precisa ter a aceitação deste sacrifício pelo pecador. Se o pecador aceita este sacrifício e crê que ele é capaz de remover os seus pecados, tem-se a remoção, tem-se o perdão; o sacrifício produz o efeito e a pessoa é tornada pura, é santificada, alcança a salvação. Se, entretanto, a pessoa não crê no sacrifício de Cristo, os seus efeitos não se produzem para ela. Ele não deixa de ser eficaz, ele não deixa de ter valor para todos os homens, mas, ante a rejeição da pessoa, rejeição esta que, se persistir até a passagem da pessoa até a dimensão eterna, será permanente e imutável, a expiação não produzirá os efeitos para aquela pessoa. A expiação, portanto, é ilimitada, mas condicionada à vontade de cada ser humano.

III. CRISTO OFERECE SALVAÇÃO A TODO O MUNDO

Se é verdade que o jugo do pecado é universal, também é verdade que a necessidade da salvação em Cristo é universal. O Evangelho de Jesus Cristo, cujo conteúdo é Cristo, destina-se a todos os gentios, a todos os povos. Os judeus pensavam que as boas-novas de salvação eram destinadas apenas a eles. No entanto, o plano eterno de Deus incluía todos os povos. Cristo morreu a fim de comprar para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap.5:9). John Stott é enfático quando escreve: "Precisamos libertar-nos de todo orgulho, seja de raça, nação, tribo, casta ou classe, e reconhecer que o Evangelho de Deus é para todos, sem exceção e sem distinção”.

1. Perdão, libertação e cura. A argumentação de Paulo em Romanos 3:9-20 é: todos os homens são culpados diante de Deus, todos estão debaixo da condenação do pecado (Rm.3:9). Paulo é enfático no seu diagnóstico acerca do estado deplorável em que se encontra o ser humano. O pecado atingiu todo o seu ser: corpo e alma. O pecado enfiou seus tentáculos em todas as áreas de sua vida: razão, emoção e volição. Todo o seu ser está rendido ao pecado e a serviço do pecado. O homem está chagado da cabeça aos pés. Mas, o maior resultado da salvação operada por Jesus é o perdão dos pecados e a reconciliação do pecador com Deus. Mas, o perdão não é uma concessão automática, precisa ser pedido; veja a atitude do servo da Parábola do credor incompassivo (Mt.18:23-35): “Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo...”. O servo se ajoelho e pediu. Não se pede perdão com a cabeça erguida e “batendo no peito”. Quem pede precisa reconhecer que deve e que não pode pagar. O perdão não pode ser negociado, mas pedido. Para pedir é preciso saber se humilhar, e, aquele que se humilha, conforme afirmou o Senhor Jesus, será exaltado (Mt.23:12). E foi isto o que fez o rei Davi, quando pecou – “Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande” (Salmo 25:11). Assim, para ser perdoado, o homem precisa ter consciência do seu pecado, precisa querer livrar-se dele, saber que não conseguirá fazer isto por si mesmo; deve se humilhar e pedir o perdão para quem tem o poder de perdoar. Se o servo mau, da referida Parábola, não tivesse pedido, também não teria sido perdoado. Mas, como ele se humilhou, e pediu misericórdia, “então, o senhor daquele servo, movido de intima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a divida”.

Não somente Jesus liberta o ser humano da escravidão do pecado, também, ao morrer na Cruz do Calvário nos libertou de todos os nossos sofrimentos - "Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is.53:5). Portanto, somente Jesus perdoa, liberta e cura.

2. A salvação é para todo o mundo. A Salvação preparada por Deus destina-se a todos os homens; é o que o texto sagrado explicita: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Neste “todo aquele” não há exclusão de ninguém. Todos podem crer, e Deus quer que todos creiam, pois “a graça de Deus se há manifestada, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1Tm.2:3,4). Porém, cremos que essa Salvação é condicional, ou seja, exige-se do ser humano arrependimento de coração (At.15:9; Rm.3:28;11:6), e que confesse a Cristo como único e suficiente Salvador (Rm.10:9).

Há uma tendência atual de afirmar que, no final das contas, Deus, em sua graça, salvará a todos os perdidos, mesmo aqueles que jamais responderam (e mesmo rejeitaram) o sacrifício de Cristo. Essa perspectiva teológica, bastante cultivada atualmente, denomina-se de “universalismo”. Esse ensinamento é totalmente falso. O arrependimento sempre foi e continuará sendo uma prerrogativa àqueles que querem ser salvos. Veja os seguintes trechos bíblicos que comprovam tal fato:

§ “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”(Mc.16:16).

§ “Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”(Atos 16:31).

§ “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados”(At.2:38).

§ “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor”(Atos 3:19).

Desta feita, não faz qualquer sentido a posição dita “universalista”, segundo a qual toda a humanidade, mais cedo ou mais tarde, alcançará a salvação, mesmo na eternidade, visto que, como é desejo de Deus a salvação de todos os homens, não há como alguém ser eternamente condenado, pois isto implicaria em admitir que Deus não poderia salvar a todos ou não cumpriria os seus propósitos ou, ainda, que o sacrifício de Cristo foi limitado em seus efeitos. Este argumento é falacioso, pois Deus tem compromisso com a sua Palavra e, ao apresentar uma promessa condicional, tem de fazer prevalecer, pela sua fidelidade, o que prometeu.

3. A responsabilidade do cristão. Há uma grande responsabilidade para os que foram alcançados pela salvação em Cristo, e uma das mais importantes é o compromisso de compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo. Foi Ele mesmo quem ordenou: “ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt.28:19,20). A ordem do Senhor é que devemos ir ao encontro do mundo, ir ao encontro dos pecadores, levar-lhes a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O homem não tem condição de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo (2Co.4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente. Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At.1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através de nossas boas obras, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).

A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo (vide Mc.5:1-20). É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Jonas teve de pregar para todos, sem exceção, ainda que muitos, pela sua extrema crueldade e maldade, fossem, na verdade, verdadeiras “bestas-feras”, verdadeiros “animais” (Jn.3:8), que, mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus - Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo. E nós, o que estamos a fazer?

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto, podemos afirmar que, por causa do amor e misericórdia de Deus, em Cristo, Deus ofereceu salvação a todo o mundo. Não concordamos, portanto, com a versão daqueles que dizem que somente alguns foram criados para usufruir da vida eterna, enquanto outros, predestinados, serão lançados no lago de fogo; não, em absoluto isso tem respaldo nas Escrituras Sagradas! Não haveria o porquê de o Pai enviar seu Filho, fazê-lo passar por todo processo de crucificação, morte e ressurreição, ordenando que os discípulos, após serem batizados no Espírito Santo, proclamassem o Evangelho a toda a criatura (Mc 16.15; cf. At 1.8), para salvar apenas alguns predestinados. Está claro nas Escrituras Sagradas, que a intenção de Deus é salvar todos os seres humanos e, com base em sua bondade, amor e justiça, dá a oportunidade de ele rejeitar ou não a promessa bendita de Salvação; o próprio Salvador Jesus Cristo afirma que quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc.16:16).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

5ª lição do 4º trimestre de 2017: A OBRA SALVÍFICA DE JESUS CRISTO


Texto Base: João 19:23-30

"E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (João 19:30).

INTRODUÇÃO

O ser humano ao pecar tornou-se servo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn.4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia; bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef.1:4; Ap.13:8). Esse plano, já existente mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que golpearia a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, consequentemente, comunhão entre Deus e o homem (Gn.3:15). O Plano salvífico de Deus foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo (João 1:29; Gl.4:4,5); esse sacrifício nos garante a salvação eterna porque foi um sacrifício completo, perfeito e definitivo.

I. O SACRIFÍCIO DE JESUS CRISTO

1. O sacrifício completo. Nenhum outro sacrifício, tanto o de animais no Antigo Testamento quanto o de seres humanos na história das nações pagãs, com vistas a alcançar a salvação do homem, teve o êxito de apagar os pecados do passado, do presente e do futuro; so­mente o sacrifício de Cristo foi completo nesse sentido, a ponto de anular uma aliança antiga para inaugurar um novo tempo de relacionamento com Deus, estabelecendo uma aliança nova, superior e perfeita.

No Antigo Testamento, milhares de animais foram sacrificados a fim de apagar os pecados do ser humano, mas nenhum deles teve efeito permanente. O escritor aos Hebreus afirma este fato: ”Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb.10:1). Porém, o sacrifício do Cordeiro de Deus foi perfeito, completo e único para o perdão dos nossos pecados. Ele foi completo e pode alcançar todos os que creem; teve o êxito de apagar os pecados do passado, do presente e do futuro - “...mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb.9:26). Pelo sacrifício de Cristo, estamos livres da condenação do pecado, na justificação; do poder do pecado, na santificação e; estaremos livres da presença do pecado, na glorificação.

O sacrifício do Cordeiro de Deus estabeleceu uma nova aliança com a humanidade caída, uma aliança baseada não mais em ritos sacrificais, mas na sua graça, amor e misericórdia. Temos, agora, o grande privilégio de podermos nos achegar a Deus diretamente, sem um intermediário, o sacerdote, e sem a necessidade de que um animal inocente seja morto. O sacrifício de Cristo anulou uma aliança antiga e inaugurou um novo tempo de relacionamento com Deus, estabelecendo uma aliança nova, superior e perfeita (Hb.8:6,7,13). Então, vivamos em comunhão com o Pai de modo que seu nome seja glorificado.

2. O sacrifício de Cristo: um ato de amor e misericórdia. A cruz de Cristo além de ser um fato planejado na eternidade, expressa pra você e pra mim o gesto do maior amor e misericórdia de Deus por nós. Ali na cruz aconteceu o maior de todos os sacrifícios, porque o Filho de Deus deixou a glória, deixou o Céu, deixou a companhia dos anjos, deixou a glória do Pai, veio e se humilhou, se fez servo; foi perseguido, foi preso, foi insultado, foi cuspido, foi zombado, foi escarnecido, foi pregado na cruz. Ele nasceu pra morrer. Ele nasceu pra ser o nosso substituto, nosso representante, nosso fiador. Na verdade a cruz sempre esteve incrustada na mente de Deus, no coração de Deus. Jesus cristo jamais recuou diante dessa cruz, Ele caminhou resoluto pra ela como um rei caminha para sua coroação.

Deus deveria derramar sobre nós o cálice da Sua ira, mas Cristo o bebeu por nós. Assim, Jesus aplacou a ira do Pai, satisfazendo a Sua justiça (Is.53:10). A nossa dívida eterna com Deus não foi simplesmente esquecida; ela foi paga pelo Filho amado (Is.53:5,6; Cl.2:14).

Em vez de condenar a humanidade, Deus a amou e lhe providenciou propiciação pelos seus pecados  (1João 4:9,10). Na cruz, Cristo pagou o preço pelos pecados de toda a humanidade - “Ele [Jesus Cristo] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo” (1João 2:2). Assim, Deus demonstrou o seu amor por nós - “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8).

3. O sacrifício de Cristo foi um ato perfeito. A Bíblia diz que os sacrifícios levíticos eram incapazes para remover o pecado do ser humano. O Livro de Hebreus ilustra de duas maneiras esta verdade:

·    Se o sacrifício pelo pecado aperfeiçoasse quem o oferecia em adoração, não haveria necessidade de repeti-lo (Hb.10.2).

·    Se os israelitas tivessem sido verdadeiramente purificados do pecado através de sacrifícios de animais, “não mais teriam consciência [senso] de pecados” (Hb.10:2).

Na verdade, nenhum de seus sacrifícios podia torná-los perfeitos ou livrá-los da consciência do pecado (Hb.9:9), “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb.10:4). O sangue de animais não tinha o poder de efetuar a redenção; a imolação ritual não podia purificar a carne, isto é, realizar a purificação cerimonial (Hb.9:13).

Através de um nítido contraste, o Livro de Hebreus explica como Deus providenciou um sacrifício melhor para a redenção do homem. Deus Pai enviou Seu Filho Jesus para ser o sacrifício pelo pecado. Jesus tomou parte na obra da redenção e tornou-se o sacrifício da expiação, com profundo e total envolvimento. Obedecendo à vontade do Pai, Cristo entregou Seu corpo como uma oferta definitiva, permitindo que o pecado do homem fosse removido (Hb.10:5-10). Desta feita, Deus revogou o primeiro sacrifício, o sacrifício levítico, que dependia da morte de animais, para estabelecer o segundo sacrifício, que dependia da morte de Cristo, um sacrifício perfeito e completo.

Sendo Jesus divino e eterno (Is.9:6 Mt.1:23; João 1:1; 8:24, 58; 13:19; 20:28; Cl.1:15-17; 1Tm.1:12-17; Hb.1:8-12; 1João 5:20; Ap.21:6,7; etc.), Seu sacrifício foi pleno, perfeito e suficiente para pagar a nossa dívida eterna com Deus. Jesus cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz (Cl.2:14,15). Como Jesus nunca pecou (2Co.5:21; 1João 3:5; 1Pd.1:19; 3:18; 2:22; Hb.4:15; 7:26; 9:14), Ele não poderia morrer (Rm.6:23); foi pelos nossos pecados que Ele morreu - “Deus tornou pecado por nós aquele [Jesus] que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co.5:21). Como Ele não tinha pecado, a morte, que é o salário do pecado (Rm.6:23), não pôde detê-lo (At.2:24; Ap.1:18). Ele certamente ressuscitaria, como profetizado nos Salmos 16:10,11; 30:3. Por isso, o Seu sacrifício por nós foi perfeito. De fato, “Ele foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rm.4:25). Após ressuscitar, Jesus subiu ao céu e se apresentou ao Pai em nosso favor, para interceder por nós (Hb.9:24-26).

4. O sacrifício remidor. Na cruz do calvário, Jesus clamou em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! Dito isto, expirou” (Lc.23:46). Não devemos entender esse brado como um grito de desespero, mas como uma voz de triunfo de quem estava consumando a obra da redenção ao custo incomensurável de sua morte. Jesus estava consumando sua obra, triunfando sobre o diabo e suas hostes e comprando-nos para Deus. A Bíblia diz que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo (2Co.5:19), já que a humanidade foi criada para viver em comunhão com o Pai, em pleno relacionamento de dependência com o Criador (At.17:28).

Jesus não foi morto, Ele não morreu como um mártir; Ele se entregou como sacrifício remidor, como sacrifício pelos pecados da humanidade; Ele voluntariamente deu sua vida (João 10:11,15,17,18). O pecado, além de ser horrendo, faz separação entre o homem e Deus (Is.59:2); além disso, o pecado deteriora o ser humano, degenera o seu caráter, deforma nele a imagem divina. Mas, o sacrifício de Jesus Cristo trouxe de volta a integridade humana e restabelece plenamente o caráter de todos aqueles que aceitam o Seu sacrifício e o recebem como único e suficiente Senhor e Salvador (2Co.5:17-19; 2Pd.3:9).

II. A NOSSA RECONCILIAÇÃO COM DEUS PAI

A reconciliação é um dos aspectos da obra de Cristo como redenção; refere-se à restauração do pecador à comunhão com Deus. A reconciliação entra em vigor mediante o arrependimento e a fé pessoal em Cristo, do pecador (Mt.3:2; Rm.3:22).

1. O fim da inimizade. No principio, havia plena comunhão entre Deus e o ser humano. Era uma harmonia perfeita. Mas, a queda trouxe terrível inimizade entre o homem e Deus. A reconciliação com o Pai só foi possível porque o Filho nos resgatou, nos redimiu e libertou-nos do poder do pecado, promovendo, assim, a nossa união com Deus - “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co.5:18,19). Aqui, fica claro, que Deus removeu ativamente a causa do distanciamento entre ele e o ser humano ao tratar do pecado. Não é Deus quem precisa reconciliar-se com o ser humano, mas, sim, o ser humano é quem precisa reconciliar-se com Deus.

“Não lhes imputando os seus pecados” (2Co.5:19). Aqui, à primeira vista, podemos ter a impressão de que esse versículo ensina a salvação universal, ou seja, que todas as pessoas serão salvas mediante a Obra de Cristo. Esse conceito, porém, é inteiramente contrário ao restante das Escrituras. Deus proveu um recurso para que as transgressões dos homens não lhes sejam imputadas. Apesar de todos terem acesso a esse recurso, ele só é eficaz para quem está em Cristo. As transgressões daqueles que não receberam a salvação lhes são imputadas, contudo, no momento em que aceitam o Senhor Jesus como Salvador, tais indivíduos são considerados justos nele e seus pecados são cancelados.

Portanto, o sacrifício de Jesus Cristo eliminou de uma vez para sempre a causa da inimizade entre Deus e o ser humano, e nos abriu um novo e vivo caminho em direção ao Pai (Hb.10:20). Todavia, para que haja novamente uma plena comunhão com Deus é preciso que ocorra a regeneração e a justificação do pecador pela fé em Cristo (Rm.5:1,2), que se dará através de uma sincera conversão, por intermédio do Espírito Santo (João 16:8-11). Quando somos justificados, recebemos, em nossos corações, o amor de Deus que é derramado pelo Espírito Santo, um efeito imediato da nossa reconciliação com o Senhor.

2. A eliminação da causa da inimizade. O pecado é a causa da inimizade entre Deus e a humanidade (Is.59:1-3). Aliás, o pecado e a rebelião da raça humana trouxeram como resultado, hostilidade contra Deus e alienação dele (Ef.2:3;Cl.1:21). Essa rebelião provoca a ira de Deus e seu julgamento (Rm.1:18,24-32; 1Co.15:25,26; Ef.5:6). Mediante a morte expiatória de Cristo, Deus removeu a barreira do pecado e abriu um caminho para a volta do pecador a Deus (Rm.3:25; 5:10; Ef.2:15,16); pela morte do Senhor Jesus na cruz, Deus anulou, em sua graça, o distanciamento que o pecado havia causado entre ele e o homem, para que todas as coisas, por meio de Cristo, sejam apresentadas de modo agradável a Ele. Os cristãos já foram reconciliados mediante a morte de Cristo, a fim de serem apresentados santos, inculpáveis e irrepreensíveis (como novas criaturas). Quando Cristo estava na Terra, Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não lhe imputando suas transgressões; agora, porém, que o amor de Deus foi plenamente revelado na cruz, o testemunho foi levado ao mundo todo, rogando aos homens que se reconciliem com Deus; é o que o apóstolo Paulo diz: “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” (2Co.5:18). A igreja recebeu de Deus o ministério da reconciliação (2Co.5:18), para conclamar todas as pessoas a se reconciliarem com Ele (2Co.5:20).

3. A vivificação. Em Adão, no Éden, todos morreram e começaram a praticar o ato do pecado (só para lembrar: pecado é a prática má sob qualquer forma, intencional ou não; pecado são todos os pensamentos, palavras ou atos que não atingem o padrão perfeito de Deus). Espiritualmente, todos estavam mortos por causa dos seus delitos e pecados. Isso quer dizer que, em relação a Deus, todos estavam sem vida. Não tínhamos nenhum contato vital com Ele. Mas fomos vivificados em Cristo Jesus, quando o mesmo morreu na Cruz por nós. Cristo nos deu uma nova vida, nos vivificou; é o que o apóstolo Paulo afirma em 1Co.15:21,22: “Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”.

Na cruz, todas as nossas ofensas foram perdoadas e que nada ficou para ser pago ou resolvido entre nós e Deus (cf.Cl.2:14), de modo que o sacrifício de Cristo é suficiente, sendo mentira satânica qualquer ensinamento contrário. Não se faz preciso quebrar qualquer maldição hereditária depois que aceitamos a Cristo, pois, como diz o apóstolo Paulo, fomos vivificados juntamente com Ele e fomos perdoados de todas as ofensas, não restando coisa alguma, tudo foi cravado na cruz (Cl.2:14). Havendo o perdão dos pecados, somos vivificados e o nosso espírito passa a ter, novamente, ligação com o Espírito Santo e este derrama em nós o amor divino. Este amor produz, na vida do justificado, boas obras, o fruto do Espírito Santo (Gl.5:22).

III. A REDENÇÃO ETERNA

A Re­denção é o ato ou efeito de remir ou redimir; remir significa adquirir de novo; tirar do cativeiro, do poder alheio; resgatar; indenizar, compensar, reparar, ressarcir; livrar das penas do Inferno; salvar; fazer esquecer; expiar, pagar. O Novo Testamento demonstra claramente que Jesus Cristo proporcionou a nossa redenção mediante o seu sangue, pois era impossível que o sangue dos touros e dos bodes tirasse os pecados do ser humano (cf.Hb.10:4). Cristo nos comprou de volta para Deus, e o preço foi o seu sangue – “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação” (Ap.5:9). Cristo se deu a si mesmo como preço de redenção por todos (1Tm.2:6).

1. O estado perdido do pecador. O pecado prejudicou a vida interior dos seres humanos. Sem Cristo, os seres humanos estão escravos do pecado (Rm.5:12; João 8:34); estão presos e impossi­bilitados de, por si mesmos, livrarem-se dele. Os seres humanos não podem resistir ao poder do pecado, porque, moral e espiritualmente, a natureza humana é fraca e, como resultado, onde quer que exista um ser humano existe pecado e maldade. O fenômeno é tão universal que “não há justo, nem um sequer” (Rm.3:10).

Os valores morais e espirituais que governavam sobre o Universo de Deus não mais governam o coração humano natural. Os seres humanos sabem que existe algo errado com eles e desejam algo melhor. Às vezes, tentam fazer o que é bom e correto só para descobrir que a mentalidade do homem pecador é a morte (Rm.6:23). Os seres humanos precisam de uma saída da situação terrível provocada pelo pecado, e só há uma saída: a redenção em Cristo Jesus.

Imediatamente depois da queda, Deus veio ao homem; o homem tinha cometido o terrível pecado da desobediência e estava coberto de vergonha e temor. Ele foge de seu Criador e se esconde por entre a densa folhagem do jardim. Mas Deus não se esquece dele; Deus não o abandona, mas tem misericórdia dele e vai ao seu encontro, fala com ele e chama-o de volta para ter comunhão com Ele (Gn.3:7-15). Na plenitude dos tempos, Deus, pela Sua graça, envia Seu Filho unigênito ao mundo (Gl.4:4), que agora nessa dispensação de toda a raça humana, reúne uma Igreja que ele elegeu para a vida eterna, e que a preserva para a herança celestial (Ef.1:10; 1Pd.1:5).

2. A redenção do pecador. A ideia principal de redenção é tornar livre uma pessoa ou algo (uma propriedade que passou a outro dono). Na Bíblia, a redenção é a libertação de um escravo do jugo ou o livramento do mal mediante um resgate (Mt.20:28). Aqui no Ceará há uma cidade chamada redenção, onde, segundo os historiadores, aconteceu a primeira libertação dos escravos. Portanto, redenção implica resgate de alguém ou coisa pertencente a outro dono. Jesus pagou o preço da nossa salvação e, por isso, nos comprou a liberdade. Este ato é conhecido por “redenção”, ou seja, “o ato de remir ou redimir”, o “resgate”, ou seja, “o ato de livrar (algo) de ônus por meio do pagamento”, o “ato de comprar para libertar”. Não haveria nada que pagasse o preço da desobediência de quem foi criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano. Só o Pai, median­te seu amor gracioso, poderia prover a remissão do pecador por intermédio de seu único Filho (Gl.3:13; 1Tm.2:5,6).

Para nos redimir, Jesus pagou um alto preço; Cristo nos comprou de volta para Deus, e o preço foi o seu sangue (cf.Ap.5:9); o apóstolo Pedro afirma isto: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós”(1Pd.1:18-20).

A Bíblia declara que não poderíamos ser redimidos sem o sacrifício de Cristo (Hb.9:22; Lv.17:11). Como fomos comprados por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não mais estamos sob condenação, alcançamos a justificação. Por isso, bem disse o poeta sacro: “… Jesus comprou-me da escravidão, a paz eu gozo por Seu perdão. (…) Jesus comprou-me, e eu fiquei pra sempre livre da dura lei!…” (primeira parte da 2ª e 3ª estrofes do hino 13 da Harpa Cristã).

3. Uma redenção plena. Na Cruz do Calvário, quando ele declarou “Está consumado”(João 19:30), o preço da redenção estava pago, a Justiça de Deus estava satisfeita. A punição exigida pela Justiça de Deus estava concretizada sobre Jesus. Agora, nele, o homem pode ser justificado; agora, nele, o redimido é beneficiado não somente no tempo presente, mas por toda a eternidade, e o principal benefício é a garantia de estar para sempre com o Senhor na pátria celestial (João 14:1-3; Ap.19:9; Lc.23:43).

A redenção foi plena porque na Cruz do Calvário, Jesus pagou a nossa dívida que era contra nós; assim afirma o apóstolo Paulo: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl.2:14). A quem foi pago esse resgate? Certamente não foi a Satanás, como pensam alguns teólogos. Não devemos nada a Satanás. O resgate (o preço ou a dívida) foi apresentado única e exclusivamente ao Deus justo, pois é a Ele que havemos ofendido com nossos pecados e delitos. Mas como não podíamos pagar semelhante resgate, Jesus apresentou-se para quitá-lo em nosso lugar. Ele pagou o preço que o caráter de Deus requeria. Podemos afirmar com segurança que Ele cancelou a nossa dívida; glória a Deus, a nossa dívida foi paga com expressivo preço! A dívida foi paga à Pessoa certa, pois que adiantaria a dívida ser paga a quem não devemos nada?. Quando da criação do homem, Satanás já era um inimigo vencido, colocado debaixo dos pés do Senhor nosso Deus. O vencido nada pode exigir do vencedor. Apenas obedecer. Satanás não pode exigir nada de Deus. Porém, não basta saber que Ele pagou nossa divida para com a Justiça de Deus, é necessário tomar posse do “recibo de quitação” da dívida; é a posse desse “recibo” que nos confere o direito de sermos justificados diante de Deus.

CONCLUSÃO

A Obra salvífica de Jesus Cristo evidencia a concretização do amor de Deus por toda humanidade. Se você ainda tem dúvida do amor de Deus, entenda que não há possibilidade de nós expressarmos de forma mais eloquente e mais profunda o amor de Deus por nós do que a manifestação da cruz. O Filho de Deus deixou o Céu, deixou a companhia dos anjos, deixou a glória do Pai, e veio e se humilhou, se fez servo; foi perseguido, foi preso, foi insultado, foi cuspido, foi zombado, foi escarnecido, foi pregado na cruz. Ali aconteceu o maior de todos os sacrifícios: Jesus foi crucificado por nós (1Co.5:7). Glorifiquemos, pois, a Deus, pela Obra salvífica de Jesus Cristo, que é extensiva a todos os que se arrependerem e crerem no Unigênito de Deus.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço