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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

10ª lição do 3º trimestre de 2017: AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO


Texto Base: Atos 2:1-6; 2Coríntios 12:1-7

 
"Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar" (At.2:39).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos sobre os seguintes temas da doutrina pentecostal: o batismo no Espírito Santo e a manifestações dos Dons Espirituais. Estas manifestações do Espírito Santo têm sido amplamente reafirmadas ao longo da história do Movimento Pentecostal. Todavia, a manifestação sobrenatural do Espírito Santo jamais abriu mão da racionalidade ou da consciência do culto devido a Deus. A presença do poder de Deus como havia no princípio da Igreja, a plenitude do Espírito, jamais significou o emocionalismo, o irracionalismo, que hoje são, por muitos, considerado como “sinal da presença de Deus”. A Palavra de Deus é a verdade e o poder de Deus não se confunde com desatinos e espetáculos lamentáveis. O culto racional é incompatível com meninices e com práticas como o “reteté” e emocionalismo delirante.

I. A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

1. A experiência do Pentecostes. A maior experiência do Pentecostes foi o Batismo no Espírito Santo, que ocorreu 50 dias após a Páscoa. O Pentecostes era uma festa em ações de graças pela recente colheita de grãos. Nessa ocasião, ofertas e sacrifícios eram feitos, e de acordo com a opinião dos rabinos, o Pentecostes marcava a ocasião em que a Lei foi dada a Moisés. Foi nessa ocasião, em que judeus de diversas nações dirigiam-se para Jerusalém para participar dessa festa, que Deus encheu seus servos com seu Santo Espírito. O próprio Senhor Jesus se referiu a esse Batismo como a promessa do Pai (At.1:4), e acrescentou: "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (At.1:5). Este derramamento se iniciou num dia de Pentecostes, para que, através do que está escrito sobre esta festa judaica, entendêssemos o significado desta operação espiritual, que é fundamental para a nossa vida cristã. A própria festa de Pentecostes, também chamada de “festa da sega dos primeiros frutos” (Ex.23:16), “festa das semanas” (Dt.16:16) ou “festa das primícias (Ex.34:22), já era uma figura que apontava para o próprio derramamento do Espírito Santo

No dia seguinte ao sábado da páscoa era oferecido um molho das primícias da colheita ao sacerdote (Lv.23:10), que seria movido perante o Senhor, primícias estas que eram figuras do Primogênito dentre os mortos, aquele que ressuscitou no primeiro dia da semana, Cristo Jesus (1Co.15:20,23; Cl.1:18). Cinquenta dias depois, vinha o Pentecostes, a festa que indica o início da colheita no ano, ou seja, a ocasião que demonstra o início da salvação da humanidade através da Igreja, o início do movimento do Espírito Santo, baseado no sacrifício de Cristo, com poder e eficácia, em prol da colheita das almas para o reino celestial, algo que perdurará até a festa da colheita final, que se dará com a terceira festa, a festa das trombetas ou festa dos tabernáculos, que representa a volta de Cristo e o Arrebatamento da Igreja.

Assim, a descida do Espírito Santo somente poderia ocorrer na festa das primícias, na festa das semanas, que indica o início da colheita, o início da manifestação plena do Espírito Santo no meio da humanidade com vistas à salvação das almas. Era o começo do movimento do Espírito Santo, e o Espírito Santo sempre esteve relacionado com o mover, como vemos desde a Sua primeira aparição no texto sagrado (Gn.1:2).

2. Batismo "no" Espírito Santo ou "com o" Espírito Santo? As duas traduções são legítimas à luz da gramática grega e aceitáveis de acordo com o contexto. A ideia de batismo no Novo Testamento é de imersão, submersão (Rm.6:3,4; Cl.2:12). Logo, a expressão “batismo no Espírito Santo” é o mais apropriado, pois o termo "com" pode parecer aspersão, o que contradiz a ideia de imersão. Mas, o que é o Batismo no Espírito Santo? É uma promessa de Deus, feita no Antigo Testamento (Jl.2:28-32) e cumprida no Novo Testamento (At.2:1-4), que permanece em nossos dias. É um revestimento de poder, com a evidência física inicial das línguas “estranhas” para o ingresso do crente numa vida de profunda adoração e eficiente serviço a Deus (Lc.24:49; At.1:8; 10:46; 1Co.14:15,26). Essa promessa é concedida a todos os que creem em Cristo, e não há qualquer versículo no Novo Testamento que comprove que essa experiência ficou restrita à época dos discípulos. Portanto, é algo a ser vivenciado pela Igreja em nossos dias. Inúmeros exemplos ao longo da história da Igreja corroboram que essa experiência é atemporal, pelo menos enquanto perdurar a Dispensação do Espírito Santo.

3. A evidencia inicial e física do Batismo no Espírito Santo. O falar noutras línguas, ou “glossolalia” (gr.glossais lalo) foi a evidência inicial do batismo no Espírito Santo, que os primeiros 120 crentes no dia de Pentecostes tiveram. Entre os crentes do Novo Testamento, essa manifestação sobrenatural foi considerada como um sinal da parte de Deus para evidenciar o Batismo no Espírito Santo (ver At.2:4; 10:45-47; 19:6). Segundo o livro de Atos, esse fenômeno deve ser espontâneo e resultado do derramamento inicial do Espírito Santo. Portanto, não é algo aprendido, nem ensinado, como, por exemplo, instruir crentes a pronunciar sílabas sem nexo.

Todavia, o simples fato de alguém falar “noutras línguas”, ou exercitar outra manifestação sobrenatural não é evidência irrefutável da obra e da presença do Espírito Santo. O ser humano pode imitar as línguas estranhas como o fazem os demônios. A Bíblia nos adverte a não crermos em todo espírito, e averiguarmos se nossas experiências espirituais procedem realmente de Deus (ver 1João 4:1).

O Espírito Santo nos adverte claramente que nos últimos dias surgiriam apostasia dentro da igreja (1Tm.4:1,2), sinais e maravilhas operados por Satanás (Mt.7:22,23; cf. 2Ts.2:9) e obreiros fraudulentos que fingem ser servos de Deus (2Pd.2:1,2). Portanto, se alguém afirma que fala noutras línguas, mas não é dedicado a Jesus Cristo, nem aceita a autoridade das Escrituras, nem obedece à Palavra de Deus, qualquer manifestação sobrenatural que nele ocorra não provém do Espírito Santo (cf. 1João 3:6-10; Gl.1:9).

4. Os sinais sobrenaturais. “Há três sinais que mostram a ação sobrenatural do Espírito Santo por ocasião de sua descida no dia de Pentecostes: o som como de um vento (At 2:2), a visão das línguas repartidas como que de fogo (At.2:3) e o falar em línguas (At.2:4). Os dois primeiros sinais jamais se repetirão, pois foram manifestações exclusivas que tiveram como objetivo anunciar a chegada do Espírito Santo. Além de marcar a chegada do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, as manifestações sobrenaturais também inauguraram a Igreja. Assim, o som soava como vento, mas não era vento, e da mesma forma a visão não era fogo, mas lembrava o fogo de Deus (Êx.3:2; 1Rs.18:38). Foi um acontecimento singular, algo que ocorreu uma única vez” (LBM-CPAD).

O Batismo no Espírito Santo é atemporal; as experiências ao longo da história da Igreja comprovam esse fato, e o falar em “línguas estranhas” é o sinal característico e identificador dessa experiência pentecostal, não havendo qualquer outro sinal que tenha sido indicado nas Escrituras como sendo a prova de que alguém foi batizado no Espírito Santo. Alguns, entretanto, sem qualquer respaldo bíblico, procuram identificar outros sinais (como alegria, amor, conhecimento bíblico, santificação) para o batismo no Espírito Santo, mas as Escrituras são bem claras ao apontar como único sinal do revestimento de poder as línguas estranhas. Essa experiência tem se repetido ao longo da história da Igreja. A Base Bíblica para esta afirmação está no Livro de Atos dos Apóstolos, onde dos cinco casos registrados, em que houve Batismo no Espírito Santo, três deixam bem claro que os que foram batizados falaram em “línguas estranhas”. Os três lugares onde se afirma claramente ter havido “línguas estranhas”, quando os crentes foram batizados no Espírito Santo: Jerusalém, em Judá (At.1:14,15), no dia de Pentecostes; Cesaréia, na casa de Cornélio (At.10:44-46); Éfeso, na Ásia Menor, durante a Terceira Viagem Missionária de Paulo (At.19:5,6). Nestes três lugares estavam reunidas pessoas diferentes umas das outras, diferentes do ponto de vista social, econômico e cultural.

II. A NATUREZA DAS LÍNGUAS

1. Glossolalia. Glossolalia é a manifestação física do enchimento do Espírito Santo. É a manifestação das línguas, de origem divina e sobrenatural, por ocasião do Batismo no Espírito Santo bem como das línguas como um dos dons espirituais. É popularmente conhecida como “línguas estranhas”. As línguas do Pentecostes eram sobrenaturais, pois foram caracterizadas como "outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (At.2:4). Sua fonte é o Espírito Santo.

Na “glossolalia” as palavras não são ditas pela mente do homem, mas são inspiradas pelo Espírito Santo. É o falar não movido pela vontade, e, sim, é o falar sob a unção do Espírito. Esse falar pode ser em línguas conhecidas e faladas pelo homem, como aconteceu em Jerusalém no dia de Pentecostes – “... cada um os ouvia falar na sua própria língua” -, como também pode ser em línguas não faladas pelo homem, e só entendidas por Deus – “... o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala em mistérios”(1Co.14:2). Todavia, quer sejam línguas humanas, ou espirituais, é certo que o homem não está falando numa língua que tenha aprendido.

A “glossolalia” nada tem a ver com a capacidade de aprender e falar noutros idiomas, que chamamos de “poliglotismo”. Esta capacidade trata-se de línguas, ou idiomas aprendidos por aquele que fala; é um Dom Natural concedido por Deus através de sua Graça Comum. Com este dom a pessoa possui facilidade para aprender e falar muitos idiomas. É o que chamamos de poliglota.

2. Xenolalia. Ocorre quando uma pessoa fala ou faz uma oração em línguas que expressam uma linguagem humana real, tal como espanhol, francês ou alemão, que era até então desconhecida para o indivíduo. No dia de Pentecostes, os crentes cheios do Espírito Santo falaram num idioma desconhecido para eles, mas, como a cidade de Jerusalém estava repleta de estrangeiros, estes puderam tomar conhecimento da mensagem do Evangelho em sua própria língua. O que vemos em Atos 2 foi uma concessão divina, afim de que muitos pudessem crer em Jesus e receber a salvação. Foi um sinal para os incrédulos. Foi o batismo no Espírito Santo acompanhado, simultaneamente, de uma mensagem de salvação.

"[...] Emílio Conde relatou, na obra História das Assembleias de Deus no Brasil, p.67, que no primeiro batismo nas águas na cidade de Macapá (AP), em 25 de dezembro 1917, a nova convertida Raimunda Paula de Araújo, ao sair das águas foi batizada com o Espírito Santo. Ela falou em línguas estranhas com tanto poder que os assistentes encheram-se de temor de Deus. Os judeus comerciantes da cidade haviam comparecido ao batismo. Um deles, Leão Zagury, ficou tão emocionado e maravilhado com a mensagem que ouvira que não se conteve e clamou em alta voz no meio da multidão: 'Eis que vejo a glória do Deus de Israel, pois esta mulher está falando a minha língua'. O judeu não era crente. Porém, Deus, através da crente Raimunda, falou-lhe em hebraico" (ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.332).

A experiência do batismo no Espírito Santo, portanto, está atrelada à obra de evangelismo, de proclamar a Jesus como único Salvador, e o livro de Atos nos aponta que o sinal evidente desse enchimento é o falar em outras línguas.

3. Sua continuação. A experiência pentecostal é para os nossos dias. O testemunho de incontáveis cristãos, em todas as épocas e lugares, é evidência de que a experiência do Pentecostes ainda continua, pois, como disse o apóstolo Pedro, “a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar”(Atos 2:39). Não há qualquer texto nas Escrituras que diga que o batismo com o Espírito Santo e os Dons espirituais foram apenas para a época dos discípulos, como reza a corrente teológica chamada cesassionista. O derramamento do Espírito Santo é para os nossos dias e não é de "propriedade" dos pentecostais, pois é estendido a todos. Pentecostal é quem crê na contemporaneidade do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais. O Batismo no Espirito Santo, as línguas e os Dons Espirituais são válidos para os nossos dias, mas vão cessar por ocasião da vinda de Jesus (1Co.13:8-10).

III. SIGNIFICADO E PROPÓSITO

1. O Significado do Batismo no Espírito Santo. O Batismo no Espírito Santo é uma demonstração do poder de Deus, é uma exuberante oportunidade em que o Espírito Santo usa um servo de Deus para magnificar o nome do Senhor e levar o mundo a conhecer as grandezas de Deus, por intermédio da sobrenaturalidade. No instante em que as pessoas regeneradas recebem o Batismo no Espírito Santo, começam a falar com Deus, a exaltá-lo, a louvá-lo, a glorificá-lo de uma forma evidente e que pode ser notada e contemplada por muitas pessoas, como aconteceu no Pentecostes.

a) o Batismo no Espírito Santo não é o batismo no Corpo de Cristo. Não podemos confundir o batismo no Espírito Santo com o batismo descrito em 1Co.12:13; Gl.3.27; Ef.4.5. Nestes textos sagrados, trata-se de um batismo figurado, apesar de real. Todos aqueles que experimentaram o novo nascimento (João 3:5) são imersos no corpo místico de Cristo (Hb.12:23; 1Co.12:13). Nesse sentido, todos os salvos são batizados pelo Espírito Santo, mas nem todos são batizados no Espírito Santo. Portanto, o Batismo no Corpo de Cristo não é o Batismo no Espírito Santo. É possível ser Batizado no Corpo de Cristo e não ser Batizado no Espírito Santo. Mas, não é possível ser Batizado no Espírito Santo sem ter sido Batizado no Corpo de Cristo. O Batismo no Espírito Santo é um ato espiritual, invisível e é realizado somente por Jesus, conforme afirmou João Batista: “...ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo”(Mt.3:11).

Portanto, a experiência do Novo Nascimento e do Batismo no Espírito Santo são distintas, sendo que esta última deve ser, necessariamente, antecedida da primeira, ou seja, o Batismo no Espírito Santo é uma experiência que se segue à conversão na vida espiritual do crente. Após ter nascido de novo, o homem tem à sua disposição a possibilidade de ser revestido de poder, de receber poder divino para que, assim, possa, de uma forma plena e eficaz, ser testemunha de Jesus Cristo neste mundo.

b) o Batismo no Espírito Santo não é uma experiência exclusiva dos dias apostólicos. A Bíblia diz que no dia de Pentecostes, Pedro já dá a amplitude desta operação do Espírito Santo, ao invocar a profecia de Joel a respeito do derramamento do Espírito. O texto sagrado deixa-nos bem claro que a promessa estava reservada para os últimos dias, até o grande e glorioso dia do Senhor (At.2:16-20), reforçando, ao término da pregação, que a promessa dizia respeito tanto a judeus quanto a gentios, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar (At.2:39).

2. Propósitos. O Batismo no Espírito Santo cumpre alguns propósitos na vida do crente. Muitos o confundem como algo mágico, manipulado, um objeto sobrenatural para produzir fenômenos que glorifiquem o homem ou lhe traga algum tipo de vantagem, como pensava o mágico Simão, duramente repreendido pelos apóstolos Pedro e João (At.8:9-24). No entanto, Deus não dá dons aos homens para produzir espetáculos, para glorificação humana, mas com finalidades bem específicas na sua obra. Veja alguns propósitos:

a) Poder para proclamar o Evangelho. O propósito principal do Batismo no Espírito Santo é conceder ao crente poder para testemunhar a sua fé em Cristo, algo que é próprio e característico da dispensação da graça (Lc.24:49; At.1:8). Não eram apenas os discípulos da geração apostólica que deveriam pregar o Evangelho, mas a Grande Comissão é tarefa de toda a igreja, como nos deixam claro as expressões de Jesus, que são dirigidas a toda a Igreja (cf. Mc.16:15 e At.1:8), assim como os ensinamentos de Paulo a este respeito (cf. 1Co.9:16; 2Tm.4:1,2). Ora, diante disto, temos que o Batismo no Espírito Santo é uma operação que deve perdurar enquanto a igreja estiver pregando o evangelho, o que acontecerá até o final desta dispensação (Mt.24:14; Ap.22:17).

b) Criar um ambiente de maior intimidade entre o crente e o Espírito Santo. O Batismo no Espírito Santo é um "mergulho", uma "imersão" no Espírito. A pessoa passa a estar envolvida pelo Espírito Santo, a estar integralmente sob a Sua influência, a desfrutar de uma intimidade tal que dispensa até mesmo a intermediação de nossa alma neste relacionamento espiritual, como ocorre quando falamos em línguas estranhas (cf. 1Co.14:2). Em consequência desta intimidade, o crente pode ser usado mais eficazmente pelo Espírito Santo e lhe compreende os desígnios com muito mais facilidade, o que não ocorre com o que não é batizado no Espírito Santo. Enquanto Apolo teve de ser orientado por Priscila e Áquila, Paulo não teve dificuldade em discernir onde o Espírito Santo queria que ele pregasse o Evangelho.

c) Proporcionar ao crente a alegria do Espírito Santo. A Bíblia fala-nos que, uma vez cheios do poder do Espírito, os discípulos passaram a falar das grandezas de Deus (cf. At.2:11). Estavam todos alegres, glorificando a Deus e exaltando o nome do Senhor. A alegria é resultado da ação do poder de Deus nas nossas vidas (cf. Lc.10:17) e, como bem afirmou Neemias, quando o povo chorava enquanto ouvia a Palavra de Deus, "a alegria do Senhor é a nossa força" (Ne.8:10). Quando somos salvos, recebemos a alegria da salvação (Sl.51:12), mas se trata de uma alegria introspectiva, interna, enquanto que o gozo advindo da experiência pentecostal faz com que ela jorre para os outros, se expresse com ousadia e seja capaz de compungir os corações dos que nos ouvem.

IV. OS DONS ESPIRITUAIS

1. Os Dons Espirituais. Os Dons Espirituais são chamados, no original grego, de "charismata", palavra que significa "graças", ou seja, os Dons Espirituais são dádivas, são favores imerecidos que Deus concede às pessoas que estão dispostas a servi-lo e que, por obediência, já alcançaram o Batismo no Espírito Santo. A verificação do significado da palavra "charismata" é muito importante, pois demonstra, de forma cabal, que os dons espirituais são concessões divinas, decorrem do exercício da sua infinita misericórdia, não havendo, portanto, qualquer merecimento, qualquer mérito por parte daqueles que são batizados no Espírito Santo.

A manifestação dos dons ocorre por meio das três Pessoas da Trindade: pelo Espírito, na "diversidade de dons" (1Co.12:4); pelo Senhor, na "diversidade de ministérios" (1Co.12:5); e pelo Deus Pai, na "diversidade de operações (1Co.12:6). Mas a fonte dos dons é o Espírito Santo e, por isso, essa manifestação é dada por Ele "a cada um para o que for útil" (1Co.12:7), e não para exibição ou ostentação do crente, porque o mérito é do Senhor Jesus (At.3:12). Bem se vê, portanto, como é diferente a manifestação do Espírito Santo das “novas unções” e as estranhas manifestações “espirituais” que têm surgido no meio das igrejas locais nos últimos tempos, verdadeiras inovações que não têm qualquer propósito e que contrariam a Palavra de Deus.

2. O Dom é dado ao crente individualmente. O Dom Espiritual é concedido não porque alguém seja mais espiritual ou melhor do que outro, mas em virtude da soberana vontade do Senhor. Quem o diz não somos nós, mas a própria Palavra de Deus: "Mas um só mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer" (1Co.12:11).

A posse dos Dons Espirituais é, sem dúvida, uma grande bênção que Deus nos dá, é mais um talento concedido pelo Senhor aos seus servos, é mais uma ferramenta que é colocada à disposição da Igreja através de um vaso escolhido

Há quem afirme que os Dons Espirituais são presentes que o Espírito Santo dá à Igreja. Não se pode concordar com este pensamento. Presentes nós recebemos, tal como os Dons, gratuitamente, porém, o presente uma vez recebido torna-se propriedade nossa. A pessoa que dá, perde o controle sobre ele. O que recebe pode fazer do presente o que ele quiser. Se gostar, pode usar; não gostando, pode dar-lhe o fim que pretender, pois, ele é o dono da coisa recebida. Há até presentes que aquele que o recebe nem sabe qual sua finalidade; há ainda os que, na verdade, não servem para nada, mesmo. Com os Dons Espirituais é diferente, conforme afirma o apóstolo Paulo: “Mas a manifestação do Espírito, é dada a cada um para o que for útil”. Não há nenhum Dom Espiritual inútil, e o Espírito Santo dá a quem tenha condições de usá-lo, e, usá-lo em benefício da Obra do Senhor, nunca em benefício pessoal.

O Dom não é uma joia para ser usada como adorno, ou enfeite; não é, também, uma medalha para ser exibida no peito, e que só serve para chamar a atenção para a pessoa que a usa. Usar, ou não usar o Dom, não é uma questão de querer; o Espírito Santo dá para ser usado. Aquele que receber um Dom e não usá-lo na Obra de Deus, pode ser responsabilizado. Vemos a comprovação desta verdade exposta, por Jesus, nas Parábolas dos Talentos (Mt.25:14-30) e das Minas(Lc.19:11-27). Nem os talentos, nem as minas foram dadas como presente aos seus amigos; foram, na verdade, dados aos servos para que fossem usados de acordo com o interesse do Senhor, o legítimo dono dos talentos e das minas. Contudo, um dos servos, ou não entendeu, ou foi negligente, pois, resolveu não trabalhar com o valor recebido – “...cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor”(Mt.25:18). Perceba a expressão “ o dinheiro do seu senhor”. Da mesma forma o Dom Espiritual não se torna propriedade daquele que o recebe. É dado para ser usado na Obra de Deus. A negligência por parte de quem o recebe acarretará prejuízo, quando o dono voltar – “Lançai o servo inútil nas travas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes”(Mt.25:30).

Assim, meu irmão, se você recebeu um, ou mais Dons, eles não lhes foram dados para você exibir sua espiritualidade, mas, para você mostrar serviços na Obra de Deus. Tampouco, você não pode enterrá-los. Portanto, os Dons Espirituais não são dados como presentes, mas, como instrumentos de trabalho para serem usados. O Espírito Santo é quem distribui os Dons Espirituais “a cada um para que for útil”(1Co.12:7). Sendo “para o que for útil”, então Ele dá a quem Ele sabe que terá condições de usá-lo.

O Espírito Santo conhece a capacidade de cada um. Ele não dará um instrumento certo para pessoa errada. Um estetoscópio é um instrumento de trabalho de grande utilidade nas mãos de um médico; porém, não terá nenhuma utilidade nas mãos de um pedreiro. Da mesma forma um prumo é um instrumento de grande utilidade nas mãos de um pedreiro, porém não terá nenhuma utilidade nas mãos de um médico. O Espírito Santo dá o “instrumento” certo à pessoa certa. Assim, se nós recebemos um Dom Espiritual é porque nós podemos, e devemos usá-lo em benefício da Obra de Deus, nunca em benefício pessoal, porque nós somos servos. Paulo, conhecendo a importância dos Dons Espirituais e a responsabilidade daquele que os recebe, disse: “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1Co.12:1).

3. Categorias dos Dons Espirituais. Há pelo menos três categorias dos dons Espirituais (Rm.12:6-8; 1Co.12:8-10,28-30), embora não ousamos dizer que sejam apenas esses, pois não existe uma lista exaustiva deles no Novo Testamento.

a) Dons de Poder. São eles: fé, dons de curar, operação de maravilhas. Estes são Dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas efetuem demonstrações sobrenaturais do poder divino, com a realização de milagres, de maravilhas e de coisas extraordinárias, que confirmem a soberania de Deus sobre todas as coisas e a sua presença no meio da igreja. São evidências da onipotência divina no meio do seu povo.

b) Dons de Ciência. São eles: palavra da sabedoria, palavra da ciência, dom de discernir os espíritos. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas revelem mistérios ocultos aos homens, com a tomada de atitudes e condutas que evidenciem que Deus sabe todas as coisas e que nada lhe fica oculto. São evidências da onisciência divina no meio do seu povo.

c) Dons de Elocução ou de Fala. São eles: variedade de línguas, interpretação de línguas e profecia. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas sejam instrumentos da voz do Senhor, para que o Espírito Santo demonstre que se comunica com o seu povo. São evidências da onipresença divina no meio do seu povo, uma presença que nos faz descansar e que nos traz edificação.

Não se deve, ainda, confundir os Dons Espirituais, que são recursos extraordinários que o Senhor colocou à disposição da Igreja, através do Espírito Santo, com os Dons Naturais, que são virtudes, ou aptidões, que uma pessoa nasce com elas. Tomando apenas um exemplo, diríamos que ninguém será um grande músico, se não tiver nascido com o Dom Natural para a música. Uma vez convertida, a pessoa não perderá esse Dom, e, ele será de grande valia, se colocado à disposição do Senhor.

CONCLUSÃO

As manifestações do Espírito Santo não são de "propriedade" dos pentecostais, mas são estendidas a todos aqueles que as buscam. O Batismo no Espirito Santo e os Dons Espirituais continuam sendo instrumentos indispensáveis e necessários para que possamos enfrentar o nosso adversário e ganhar almas para o Reino do Senhor, a começar da nossa própria alma, pois de nada adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua própria alma (Mt.16:26). Jesus determinou aos discípulos que aguardassem o revestimento de poder para que, com êxito, cumprissem a Sua vontade, e se é Seu desejo que todos os crentes sejam batizados no Espírito Santo e recebam os Dons Espirituais, não haveria de, agora, às vésperas de Sua volta, alterar os Seus desígnios, modificar a Sua vontade.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

terça-feira, 22 de agosto de 2017

9ª lição do 3º trimestre de 2017: A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA


Texto Base: 1Pd.1:13-22 

"Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1Pd.1:15).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, estudaremos nesta Aula a respeito da “necessidade de termos uma vida santa”. O povo de Deus foi separado como Sua propriedade exclusiva (Cl.3:12b). Nós, ou seja, a Igreja, fomos eleitos para a santidade. E ser santo é ser separado do mundo para Deus. Agora, tirados do mundo, mesmo estando geograficamente no mundo, somos propriedades exclusivas de Deus (1Pd.2:9). Fomos comprados por um alto preço e agora não somos mais de nós mesmos (1Co.6:19,20). Somos feitos santos aos olhos de Deus por causa do sacrifício de Cristo na cruz, ainda que a santidade seja um alvo progressivo da salvação.

I. DEFININDO OS TERMOS

1. A santidade de Deus. Deus é Santo, por natureza – “...porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo...” (Lv.19:2). Esta é uma das mais solenes declarações encontradas na Bíblia. Deus, e somente Deus, é Santo na sua essência, conforme disse o profeta Amós, em duas ocasiões: "Jurou o Senhor Jeová, pela sua santidade" (Am.4:2); "Jurou o Senhor Jeová pela sua alma" (Am.6:8). A santidade é característica fundamental de Deus (Is.6:3; Ap.4:8). Nenhuma de todas as suas criaturas, mesmo Lúcifer que, ao que parece, era a mais perfeita delas, não era santo na sua essência, e por isto pecou – “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti [...] elevou-se o teu coração por causa da tua formosura...” (Ez.28:15,17). Portanto, somente o Criador, somente Deus, que por ser santo na sua essência, possui absoluta pureza moral, não podendo, pois, pecar. Podemos afirmar que Deus não pode pecar, aborrece o pecado, mas, ama o pecador. O mesmo Deus que disse “sou santo”, também disse que “eu, o Senhor, não mudo” (Ml.3:6). Com efeito, Sua Palavra diz que nele “não há mudança, nem sombra de variação” (Tiago 1:17). Deus é, eternamente, Santo.

2. Significado. Santificar significa pôr à parte, separar, consagrar ou dedicar uma coisa ou alguém para uso estritamente pessoal. O verbo hebraico qadash ("ser santo"), e seus derivados "santo, santificar, dedicar, consagrar", no Antigo Testamento, significam "separar". Dizer que qualquer coisa, objeto ou pessoa é consagrada, separada ou dedicada a Deus significa dizer que isso pertence a Ele (cf. Êx.13:2) ou serve a Ele com exclusividade (cf. Êx.30:30; Lv.20:26).

Em Lv.20:26, Deus diz a Israel que o havia separado dos outros povos para que eles fossem Seus – “E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus”. Vemos aqui as duas dimensões da santificação: primeiro, a separação dos outros povos, ou seja, a separação do pecado; segundo, a separação para que Israel fosse propriedade peculiar de Deus entre as nações (cf. Ex.19:5,6), isto é, uma separação para Deus.

Da mesma forma é o povo de Deus da Nova Aliança. A sua santificação tem dois lados: sua separação para a posse e uso de Deus e; a separação do pecado, do erro, de todo e qualquer mal conhecido, para obedecer e agradar a Deus. Esta separação para Deus envolve, portanto, num primeiro instante, a consciência por parte do salvo de que ele agora não mais vive, mas é Cristo quem vive nele (Gl.2:20). O crente salvo, santo, vive separado do pecado e das práticas mundanas pecaminosas, para o domínio e uso exclusivo de Deus. É exatamente o contrário do crente que se mistura com as coisas tenebrosas do pecado.

Ao mesmo tempo em que a santificação é uma separação do pecado, é, também, uma separação para Deus. O salvo não apenas é mantido separado do pecado, não apenas é liberto do pecado, mas também é posto numa posição de serviço, de destaque e de designação por parte do Senhor, para que produza obras que levem à glorificação do Seu nome.

Jesus, gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc.1:35), manteve-Se sem pecado durante toda a Sua existência terrena, mas, além de viver separado do pecado, também foi separado para Deus, a fim de fazer o bem e curar a todos os oprimidos do diabo (At.10:38), para consumar a obra da salvação, glorificando o nome do Pai (João 17:4). Nós, como membros do Corpo de Cristo (1Co.12:27), devemos, igualmente, repetir o que fez o nosso Mestre, seguindo as Suas pisadas (1Pd.2:21).

Quando somos salvos, devemos estar conscientes de que a salvação traz a nós um propósito divino para nossas vidas. Não mais andamos segundo a nossa vontade, mas, sim, segundo a vontade dAquele que nos salvou. Todo o nosso querer passa a estar submetido à vontade divina; passamos a ser guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14); passamos a ter uma vida dirigida por Deus. É, aliás, neste sentido que Jesus diz que o nascido da água e do Espírito é como o vento que sopra, que não sabe de onde veio nem para onde vai (João 3:8). Não dependemos mais dos nossos planos nem de nossas ideias, mas estamos, sempre, à disposição do Senhor e da Sua vontade. Somos propriedade peculiar de Deus, passamos a pertencer-lhe e isto nos faz com que ajamos e estejamos onde, como e quando Ele assim desejar no cumprimento da Sua vontade.

Um dos objetivos da santificação, nesta separação para Deus, é a de nos tornar insuscetíveis a qualquer censura ou repreensão, ou seja, de nos tornar exemplos e referências para todos as pessoas com quem convivemos. Quando somos separados para Deus, somos separados para sermos exemplos às outras pessoas, para sermos testemunhas da transformação que Cristo opera no ser humano e, assim, sermos instrumentos para que os homens glorifiquem a Deus, reconheçam Sua soberania e Seu poder. Assim como os tropeços dos salvos contribuem extremamente para o descrédito em Deus e na Sua Palavra (e os tropeços são chamados de “escândalos”, que é a palavra grega para tropeço), assim também a conduta irrepreensível de um salvo é uma grande pregação e demonstração do poder de Deus aos homens.

A separação para Deus, também, tem o objetivo de nos conservar irrepreensíveis para a vinda de Jesus – “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts.5:23).

II. A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

A Santidade é a marca característica de um crente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Aquele que esta no lugar santo para adorar a Deus deve ter as mãos limpas e um coração puro, e não deve ter jurado enganosamente (Sl.24:3,4). Para habitar no “monte santo de Deus” - em Sua presença - o crente deve caminhar com integridade (praticar a justiça) e não fazer mal ao seu próximo (Sl.15). Deus “nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef.1:4).

1. Israel. O estilo de vida dos israelitas devia estar de acordo com a santidade do seu Deus: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2). Essa santidade exigida era mais do que natural, porque Deus é santo (Lv.11:44), e os israelitas foram “separados”, ou seja, “retirados” dentre os povos para Deus.

A mensagem bíblica é a de que Deus quer que haja uma nítida linha divisória entre o mundo dos santos e o mundo dos ímpios. Foi por causa da mistura entre as linhagens de Sete e de Caim que Deus destruiu o mundo com o dilúvio. Assim foi com Israel - “E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo...” (Êx.19:6). Ao deixar todas as demais nações, de lado, Deus se propôs formar um povo especial com o qual passaria a se relacionar. Porém, sendo santo, Deus somente se relaciona com santos. Daí, uma das coisas que Deus queria de Israel era que fosse um “povo santo”.

Deus havia dito a Israel – “E vós me sereis...o povo santo”. Porém, em lugar de se tornar “o povo santo”, Israel se tornou um povo apóstata e idólatra; contaminou-se tanto que foi acusado por Deus de prostituição e de adultério espiritual – “E disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda árvore verde, e ali andou prostituindo-se [...] E sucedeu que pela fama da sua prostituição contaminou a terra, porque adulterou com a pedra e com o pau” (Jr.3:6-9). Esta era a triste condição do povo que Deus queria que fosse “o povo santo”.

2. A Igreja. Por falta de Santidade, Deus deixou de relacionar-se com as nações; por falta de Santidade, Deus deixou de relacionar-se com Israel. O mesmo não pode acontecer comigo e com você, isto é, com a Igreja. A Igreja, como Reino de Deus, aqui na Terra, deverá ser sempre santa. A Igreja, na condição de “Noiva do Cordeiro”, não pode e não será rejeitada, porque ela é a “...a igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef.5:27). Porém, a igreja, enquanto denominação local, cometendo o erro das gerações antediluvianas, acabando por deixar apagar a marca divisória que separava os filhos de Deus dos filhos dos homens, promovendo a mistura, também podemos ser rejeitados se viermos a cometer o erro da geração antediluviana e o erro do povo de Israel. Exatamente para que isto não aconteça, a Palavra de Deus nos adverte, dizendo: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16).

A nossa santificação é a vontade direta e perfeita de Deus para nós, conforme nos exorta o apóstolo Paulo: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra, não na paixão de concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus” (1Ts 4:3-5). Portanto:

a) Devemos ser santos porque somos filhos de Deus - “Amados, agora somos filhos de Deus...”(1João 3:2). Quando um filho ama seu pai ele se orgulha quando alguém diz que ele se parece com o pai. O mesmo sentimento compartilha o pai quando alguém diz que seu filho é a “sua cara”. Contudo, não havendo amor essa mesma declaração aborrece tanto o filho como o pai.

b) Devemos ser santos porque queremos fazer a vontade do Pai - “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...”(1Ts.4:3). Todo bom filho sente prazer e se esforça para fazer a vontade de seu pai. Todo pai fica feliz quando seu filho procura ser-lhe agradável. A Bíblia diz que Deus quer que seus filhos sejam santos.

c) Devemos ser santos porque queremos ser morada de Deus e Templo para o seu Espírito – “Jesus respondeu, e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada”(João 14:23); “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós...”(1Co.6:9). Pela Bíblia sabemos que o corpo é o santuário, ou o Templo de Deus e a morada do Espírito – “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós” (1Co.3:16); “...porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: neles habitarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2Co.6:16).

A expressão habitar não é a mesma coisa que visitar. O visitante não permanece muito tempo e só entra nos aposentos com a permissão do dono da casa; o que habita tem acesso livre. O visitante vem, e vai, o que habita permanece no lugar. Assim, se Deus, na Pessoa do Espírito Santo, apenas nos visitasse de vez em quando, poderíamos nos descuidar quanto a Santificação do corpo. Porém, a Palavra de Deus diz que Ele habita em nós. A mesma Palavra diz que Ele é Santo na sua essência, ou seja, é absolutamente santo - “...porque eu o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2). Sendo Santo ele só pode habitar num corpo que também seja santo. Por isto ser santo é uma exigência do próprio Deus, conforme diz: “...Santo sereis”. Nós com todas nossas impurezas não sentimos bem habitando, ou convivendo num lugar sujo, imundo, quanto mais Deus. Daí, se eu quero que Ele habite em mim, então, preciso não apenas estar limpo, preciso estar purificado. Seu corpo está sempre em condições de ser morada do Espírito Santo?

d) Devemos ser santos porque queremos ser um vaso nas mãos de Deus.  Santificação significa ser separado para uso de Deus. Daí, qualquer que desejar ser um vaso nas mãos de Deus, tem que ser um vaso separado para seu uso. Isto significa ser santo. Esta é a condição exigida pela Palavra de Deus, conforme escreveu Paulo: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purifica destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”(2Tm.2:20,21).

e) Devemos ser santos porque somos peregrinos a caminho da Canaã Celestial - “...Andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação”(1Pd.1:17). Os que não conhecem a Bíblia pensam que para ser santo é preciso estar morando no Céu. Pensam que é lá que vivem os santos. Porém, pela Palavra de Deus sabemos que Deus exigiu que Israel fosse santo durante a peregrinação através do deserto. Foi lá no Monte Sinai que Deus disse: “...Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:2). Naquele deserto, Israel teria que andar com Deus. Porém, o Profeta Amós, pergunta: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”(Amós 3:3). Deus é Santo. Só existe uma maneira de poder andar com Ele: sendo Santo.

f) Devemos ser santos porque queremos morar no Céu - “Senhor, quem habitarás no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?” (Salmo 15:1). O Senhor Deus diz: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá”(Salmo 101:6). Somente os santos é que podem ser fiéis. Só os santos morarão no Céu.

g) Devemos ser santos porque é uma exigência de Deus. Essa exigência é mais do que natural porque Deus é Santo. Diz o apóstolo Pedro: "mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo" (lPd.1:15,16). Portanto, da mesma maneira como Deus escolheu e santificou o povo de Israel para viver em santidade, assim também o Senhor Jesus nos chamou para vivermos uma vida santa. Israel precisava viver longe das práticas imorais dos cananeus; nós, da mesma forma, devemos ter cuidado para não nos conformarmos com este mundo (Rm.12:2).

Diante do exposto, percebe-se que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo e segui-lo. Todavia, em que pese o Senhor ter dito “santo sereis” (Lv.19:2), a Palavra de Deus nos ensina que Ele respeita a vontade do homem e não viola sua liberdade, ou seu livre arbítrio. Obedecer ou não obedecer é uma decisão do homem. Ninguém será santo à força. Foi assim com Israel, e é assim com a Igreja.

III. A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

No Novo Testamento, os cristãos salvos em Jesus, são reconhecidos como santos (cf. At.9:13,32,41), e é dessa maneira que o apóstolo Paulo se dirige aos crentes nas suas epístolas (cf. Rm.1:7). A base dessa santificação é o sacrifício vicário de Jesus (Hb.10:10,14), mas ela é obra do Deus trino e uno por ocasião da conversão do pecador a Cristo (João 17:17; 1Co.6:11; 1Pd.1:2).

De acordo com a Bíblia, a santificação do crente é tríplice: Posicional, Progressiva e Futura.

1. A santificação posicional. A partir do momento que cremos em Jesus, passamos a ser justificados e mudamos de posição diante de Deus, que não nos vê como éramos, mas que, agora, por causa de Cristo, nos vê como pessoas justas. Ao mudarmos de posição diante de Deus, alcançamos o que os estudiosos da Bíblia denominam de “santificação posicional”. A partir do instante em que aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, nossos pecados são perdoados, somos justificados e, por isso, passamos a ser “santos de Deus”. Por isso, todo pecador arrependido e remido pelo Senhor Jesus é um “santo”, não tendo, pois, cabimento, procedimentos como os de “canonização” ou “beatificação”, como vemos em alguns segmentos religiosos.

Portanto, o ser humano torna-se santo ao nascer de novo, ou seja, no exato momento em que ocorre a Regeneração; nesse momento, acontece uma mudança no ser humano - de pecador perdido para santificado em Cristo (At.26:18; 1Co.1:2). É a santificação posicional, ou instantânea, conforme Paulo disse ao carcereiro de Filipo quando este perguntou: “...que é necessário que eu faça para me salvar?”. A resposta foi simples e direta: “...crê no Senhor Jesus, e serás salvo...” (Atos 16:30,31). Paulo acrescenta que “...as coisas velhas já passaram: eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17).

Ao crer em Jesus, segundo afirmou João, o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado (1João 1:7). Nesse exato momento, o seu corpo, inteiramente purificado, torna-se o Templo do Espírito Santo, que passa a habitar nele. Se este homem for chamado à eternidade, está salvo, e irá para o Paraíso. Foi exatamente o que aconteceu com o ladrão na cruz; ele creu, e o Senhor Jesus lhe disse: “...em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc.23:43). É como a pessoa que toma um belo banho, à noite; deita-se, e dorme; limpa e perfumada, dorme; porém, não acorda; morre durante o sono, mas morre limpa.

Na santificação posicional, o crente que nasceu de novo recusa-se a permitir que os seus membros pequem, portanto, a santificação deve ser contínua. Ele deve deliberadamente seguir “...a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb.12:14). Não basta ser santo aos domingos, ou na semana da Santa Ceia. A Palavra de Deus diz: “Em todo tempo sejam alvos os teus vestidos...” (Ec.9:8). 

2. A santificação real. É conhecida como a santificação presente. Ela é progressiva. Diz o apóstolo Paulo: “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2Co.7:1). Em outras palavras foi o que Paulo disse aos tessalonicenses: “...assim andai, para que continueis a progredir cada vez mais” (1Ts.4:1). Como sabemos, o novo convertido é um recém-nascido, espiritualmente. A criança não desenvolve por si só os hábitos de higiene. Ela precisa ser ensinada a cultivar esses hábitos até que se conscientize da importância e necessidade deles. No plano espiritual, com muito mais razão, o ensino é fundamental porque todos os hábitos anteriormente adquiridos, enquanto no mundo, são contrários à Santificação. É preciso, primeiro, despojar-se do velho homem, como ensinou Paulo: “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef.4:22-24).

Por falta de ensino da Palavra de Deus e por falta de uma vida de oração, muitos crentes continuam “meninos na fé”. A Santificação que deveria ser progressiva, continuou, contudo, prejudicada, ou estagnada. A Igreja onde a Palavra de Deus não é ensinada, é Igreja onde não há Santificação Progressiva. Em consequência, seus membros não conseguem se livrar dos velhos hábitos e costumes aprendidos no mundo.

Não basta ser santo; não basta ser santo cada dia; é preciso ser mais santo, cada dia. Enquanto vivemos neste mundo, o nosso corpo mortal não foi redimido, transformado e glorificado e, por isso, precisamos dia após dia estar diante de Jesus, buscando-o e consagrando a nossa vida para o Espírito Santo sobrepujar a natureza má da nossa "carne". A Palavra de Deus nos mostra que fomos chamados para sermos santos em toda a esfera da vida (cf. 1Pd.1:15,16). Portanto, a Santificação precisa ser progressiva – “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2Co.3:18).

3. A santificação futura. "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts.5:23). Trata-se da santificação completa e final (1João 3:2).

O Senhor Jesus que é santo, virá buscar os que são consagrados a Ele (1Ts.3:13; 5:23; 2Ts.1:10; Hb.12:14). Por isso, a vontade de Deus para a vida do crente é que ele seja santo, separado do pecado (1Ts.4:3). Mas observe, a Bíblia exige a separação do pecado, não dos pecadores. Esta prática, que se disseminou entre os cristãos por volta do terceiro ou quarto século, no entanto, tem um grande equívoco. Com relação a isto, aliás, o próprio Jesus foi enfático em Sua oração sacerdotal, ao dizer que não pedia ao Pai que tirasse os salvos do mundo, mas tão somente que os livrasse do mal (João 17:15). Ele próprio deu o exemplo, em todo o Seu ministério, jamais se isolou dos pecadores, tanto que isto foi um dos pontos principais da censura dos fariseus ao Senhor (Mt.9:10,11), censura que foi repelida por Cristo (Mt.9:12,13).

Além de nos fazer instrumentos para a glorificação do Senhor, a separação para Deus permite-nos conservar separados do pecado, aguardando o instante final de nossa salvação, que é a glorificação, daí porque o apóstolo Paulo ter dito que esta conservação é para a vinda do Senhor, pois, a partir de então, seremos transformados e, glorificados, ficaremos para sempre livres do “corpo do pecado”.

A Santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo (Hb.12:14; 1Ts.5:23; Ap.19:7,8). É neste sentido que a santificação se equipara à “consagração”, termo muito utilizado pelos crentes pentecostais. A consagração é, como se verifica, pelo próprio significado da palavra, a destinação exclusiva para o uso da divindade ou para fins de culto, ou seja, a consagração significa a entrega total ao Senhor. A consagração faz com que o bem ou pessoa não mais pertença a quem quer que seja, mas, sim, a Deus.

Nenhum crente será totalmente santificado para Deus até que nossa posição e prática estejam em perfeita harmonia, e isso só ocorrerá quando formos glorificados, por ocasião da vinda de Cristo, e nos tornarmos semelhantes a Ele (1João 3:1-3). Esta é a nossa santificação futura ou definitiva, que aguarda nossa completa glorificação em corpos ressurretos (Ef.5:26-27; Jd.24,25), quando o Senhor Jesus "transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso" (Fp.3:21). Essa é a nossa mais sublime esperança.

CONCLUSÃO

É a esperança de ver Jesus em sua vinda de glória que faz com que os crentes busquem a santificação. Paulo afirma que há uma coroa ou recompensa para os justos, que será dada por ocasião da volta do Senhor Jesus a todos aqueles que amarem a sua vinda (2Tm.4:8).

 “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3:2,3).

“E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1João 2:28).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço