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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

OITAVA PERSEGUIÇÃO DA IGREJA. "SANGUE QUE FALA"



Essa é mais um post da edição intitulada; "Os mártires, sangue que fala". Chegamos a oitava perseguição.Bom proveito e reflexão.


A oitava perseguição, sob Valeriano, 257 d.C.
Esta começou sob Valeriano, no mês de abril de 257 d.C., e continuou durante três anos e seis meses. Os mártires que caíram nesta penosa perseguição foram inúmeros, e suas torturas e mortes igual de variadas e penosas. Os mais eminentes entre os mártires foram os seguintes, embora não se respeitassem categoria, sexo nem idade.
Rufina e Secunda eram duas formosas e cumpridas damas, filhas de Astério, um cavaleiro eminente em Roma. Rufina, a mais velha, estava prometida em matrimônio a Armentário, um jovem nobre; Secunda, a menor, a Verino, pessoa de alcurnia e opulência. Os pretendentes, ao começar a perseguição, eram ambos cristãos; porém quando surgiu o perigo, renunciaram a sua fé para salvar suas fortunas. Se esforçaram então muito em persuadir às damas a fazer o mesmo mas, frustrados em seus propósitos, foram tão abjetos como para informar em contra delas que, arrestadas como cristãs, foram feitas comparecer ante Júnio Donato, governador de Roma, onde, em 257 d.C., selaram seu martírio com sangue.
Estevão, bispo de Roma, foi decapitado, aquele mesmo ano, e por aquele tempo Saturnino, o piedoso bispo ortodoxo de Toulouse, que recusou sacrificar aos ídolos, foi tratado com as mais bárbaras indignidades imagináveis, e amarrado pelos pés à cauda de um touro. Ao dar um sinal, o enfurecido animal foi conduzido escadas abaixo pelas escadarias do templo, com o qual foi destrocado o crânio do digno mártir até saírem os miolos.
Sixto sucedeu a Estevão como bispo de Roma. Supõe-se que era grego de nascimento ou origem, e tinha servido durante um tempo como diácono sob Estevão. Sua grande fidelidade, singular sabedoria e valor não comum o distinguiram em muitas ocasiões; e a feliz conclusão de uma controvérsia com alguns hereges é geral imputada à sua piedade e prudência. No ano 258, Marciano, que dirigia os assuntos do governo de Roma, conseguiu uma ordem do imperador Valeriano para dar morte a todo o clero cristão de Roma, e por isso o bispo, com seis de seus diáconos, sofreu o martírio em 258.
Aproximemo-nos ao fogo do martirizado Lourenço, para que nossos frios corações sejam por ele feitos arder. O implacável tirano, sabendo que não só era ministro dos sacramentos, senão também distribuidor das riquezas da Igreja, se prometia uma dupla presa com o arresto de uma só pessoa. primeiro, com o rastelo da avareza, conseguir para si mesmo o tesouro de cristãos pobres; depois, com o feroz ancinho da tirania, para agitá-los e perturbá-los, exauri-los em sua profissão, com um rosto feroz e cruel semblante, o cobiçoso lobo exigiu saber onde Lourenço tinha repartido as riquezas da Igreja; este, pedindo três dias de tempo, prometeu declarar onde poderia conseguir o tesouro. Enquanto isso, fez congregar uma grande quantidade de cristãos pobres. Assim, quando chegou o dia em que devia dar sua ro, o perseguidor ordenou-lhe que se mantivesse fiel à promessa. Então, o valoroso Lourenço, estendendo seus braços para os pobres, disse: "Estes são os preciosos tesouros da Igreja; estes são verdadeiramente o tesouro, aqueles nos que reina a fé de Cristo, nos que Jesus Cristo tem sua morada. Que jóias mais preciosas pode ter Cristo, senão aqueles nos que tem prometido morar? Porque assim está escrito: "Tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me" . E também "quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" . Que maiores riquezas pode possuir Cristo, nosso Mestre, que o povo pobre no qual quer ser visto?"
Ah! Que língua pode expressar o furor e a raiva do coração do tirano? Agora chutava, lançava furiosos olhares, gesticulava ameaçador, se comportava como alienado: seus olhos lançavam fogo, a boca espumava como a de um javali, e mostrava os dentes como um infernal mastim. Não podia ser agora chamado de homem racional, senão melhor de leão rugidor e bramador.
"Acendam o fogo!", uivou ele, "E não poupem lenha! Tem enganado este vilão o imperador? Fora com ele, fora com ele: acoitem-no com chicotes, sacudam-no com varas, espanquem ele com socos, tirem seus miolos com paus. Zomba este traidor do imperador? Belisquem-no com pinças ardentes, apliquem nele placas incandescentes, tirem as correntes mais fortes, e os tridentes, e a grelha de ferro; ao fogo com ele; atem o rebelde de mãos e pés; e quando a grelhe esteja incandescente, lançai-o nela; assem-no, mexam ele, agitem-no: sob pena de nosso maior desagrado, que cada um de vós, carrascos, cumpra sua missão!"
Tão pronto foram emitidas estas palavras, foram cumpridas. Depois de cruéis tormentos, este manso cordeiro foi colocado, não direi que sobre sua cama candente de ferro, senão seu suave colchão de penas. De tal maneira Deus operou neste mártir Lourenço, de modo tão miraculoso moderou seu elemento fogo, que se converteu não numa cama de dor consumidor, senão num leito de repouso reparador.
Na África, a perseguição rugiu com uma violência peculiar; muitos milhares receberam a coroa do martírio, entre os quais podem mencionar-se as personalidades mas distinguidas:
Cipriano, bispo de Cartago, um eminente prelado e adorno da Igreja. O resplendor de seu gênio ia temperado pela solidez de seu juízo; e com todas as virtudes do cavaleiro combinava as virtudes de um cristão. Suas doutrinas eram ortodoxas e puras; sua linguagem, fácil e elegante; e suas maneiras gentis e atraentes; em resumo, era ao mesmo tempo um predicador piedoso e cortes. Em sua juventude tinha sido educado nos princípios dos gentios, e possuindo uma fortuna considerável, viveu em toda a extravagância do esplendor e em toda a dignidade do boato.
Por volta do ano 246, Cecílio, ministro cristão de Cartago, deveio um feliz instrumento de sua conversão, pelo qual, e pelo grande afeto que sempre sentiu para com o autor de sua conversão, foi chamado Cecílio Cipriano. Antes de seu batismo estudou cuidadosamente as Escrituras, e impressionado pelas belezas das verdades que continham, decidiu praticar as virtudes que nelas se recomendavam. Depois de seu batismo, vendeu suas possessões, distribuiu seu dinheiro entre os pobres, se vestiu de modo simples e começou uma vida de austeridade. Pronto foi nomeado presbítero, e sumamente admirado por suas virtudes e obras foi, após a morte de Donato em 248 d.C., escolhido quase unanimemente bispo de Cartago.
Os cuidados de Cipriano não se estendiam somente a Cartago, senão à Numídia e a Mauritânia. Em todas as transações teve sempre grande atenção em pedir o conselho de seu clero, sabendo que só a unanimidade poderia ser de serviço para a Igreja, sendo esta sua máxima: "Que o bispo estava na igreja, e a igreja no bispo, de modo que a unidade só pode ser preservada mediante um estreito vínculo entre o pastor e sua grei".
No 250 d.C., Cipriano foi publicamente proscrito pelo imperador Décio, sob o nome de Cecílio Cipriano, bispo dos cristãos; e o clamor universal dos pagãos foi: "Cipriano aos leões, Cipriano às feras". Não obstante, o bispo se afastou do furor do populacho, e suas possessões foram de imediato confiscadas. Durante seu retiro, escrevei trinta piedosas e elegantes epístolas a seu rebanho; porém vários cismas que tiveram então lugar na Igreja, provocaram-lhe grande ansiedade. A diminuir o rigor da perseguição, voltou a Cartago, e fez tudo o que estava a seu alcance para desfazer as opiniões errôneas. Ao desatar-se sobre Cartago uma terrível peste foi, como era costume, indiciada aos cristãos; os magistrados começaram então uma perseguição, o que ocasionou uma epístola deles a Cipriano, em resposta à qual ele vindicou a causa do cristianismo. Em 257 d.C., Cipriano foi obrigado a comparecer ante o pró-cônsul Aspásio Patumo, quem o desterrou a uma pequena cidade no mar da Líbia. Ao morrer o pró-cônsul, voltou a Cartago, mas foi prestamente arrestado e, levado diante do novo governador, foi condenado a ser decapitado, sentença que foi executada o catorze de 258 d.C.
Os discípulos de Cipriano, martirizado nesta perseguição, foram Lúcio, Flaviano, Vitórico, Remo, Montano, Juliano, Primelo e Doniciano.
Em Utica teve lugar uma terrível tragédia: trezentos cristãos foram trazidos, por ordem do governador, e colocados em volta de um forno de cozimento de cerâmica. Tendo preparado as brasas e incenso, foi-lhes ordenado que, ou sacrificavam a Júpiter, ou seriam lançados no forno. Recusando todos unânimes, pularam valorosamente na fossa, e foram de imediato asfixiados.
Fructuoso, bispo de Tarragona, na Espanha, e seus dois diáconos, Augúrio e Eulógio, foram queimados por serem cristãos.
Alexandre, Malco e Prisco, três cristãos da Palestina, e uma mulher do mesmo lugar, se acusaram voluntariamente de serem cristãos, pelo que foram sentenciados a serem devorados por tigres, sentença que foi executada.
Máxima, Donatila e Secunda, três moças de Tuburga, receberam como bebida fel e vinagre, foram duramente flageladas, atormentadas sobre um patíbulo, esfregadas com cal, assadas sobre umas grelhas, maltratadas por feras, e finalmente decapitadas.
É aqui oportuno observar a singular mas mísera sorte do imperador Valeriano, que durante tanto tempo e tão duramente perseguiu os cristãos. Este tirano foi feito prisioneiro, mediante um estratagema, por Sapor, imperador da Pérsia, quem o levou a seu próprio país, tratando-o ali com a mais inusitada indignidade, fazendo-o ajoelhar como o mais humilde escravo e colocando seus pés sobre ele a modo de banquinho quando montava em seu cavalo. Depois de havê-lo tido durante sete anos neste abjeto estado de escravidão, fez que lhe tirassem os olhos, embora tinha então oitenta e três anos. Não satisfeito ainda, pronto ordenou que o esfolassem vivo e que lhe esfregassem sal na carne viva, morrendo sob tais torturas. Assim caiu um dos mais tirânicos imperadores de Roma, e um dos maiores perseguidores dos cristãos.
No 260 d.C., sucedeu Gallieno, filho de Valeriano, e durante seu reinado (aparte de uns poucos mártires), a Igreja gozou de paz durante alguns anos.


Fonte: O Livro dos mártires- ( John Fox)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

8ª Lição: A Oração Sacerdotal de Jesus Cristo



Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Frederico maia, 49 Centro
Viçosa -Alagoas
pastor; Donizete Inácio de Melo
Superintendente; Pb. Efigênio Hortêncio de Oliveira
TEXTO ÀUREO = “ E aconteceu que, naqueles dias, subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus” (Lc 6:12)

VERDADE PRÁTICA = A vida de oração de Jesus é um exemplo para todo crente que deseja cultivar um relacionamento íntimo com o Pai e agradá-Lo em tudo.

Fonte; ebdweb


I. ORAÇÃO POR UMA VIDA DE COMUNHÃO COM O PAI:

1. Relacionamento com Deus:

“Assim como lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe tens dado. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste” (Jo 17:2-3)
Observa-se que Deus gosta de relacionar-se com o homem, isto é observado desde os primórdios quando em Gênesis o Senhor ia falar com Adão até este cair em pecado. Mas através do sangue de carmesim de Cristo, esse relacionamento quebrado foi refeito por um novo e vivo caminha a saber Cristo.

O profeta Oséias também nos chamou a atenção quando disse conheçamos e prossigamos em conhecer, esse relacionamento não é estático requer uma busca contínua através da oração, jejum e uma vida de adoração.

2. Meditação e prática da palavra de Deus:

“Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a tua palavra”.(Jo 17:6)

Jesus em suas palavras disse que o homem que ouve as suas palavras e não as pratica é semelhante ao homem que constrói a sua casa sobre a areia e vem o vento e a chuva e a destrói, mas aquele que ouve suas palavras e a pratica é semelhante aquele que constrói sobre uma rocha e vem o vento e a tempestade mas ela permanece firme.

Nós somos esta casa se ouvirmos as palavras de Jesus e as praticarmos passaremos por percalços mas estaremos firme na rocha que é Cristo.

Jesus sabe o quanto é importante a Palavra, o estudo, a meditação e a pregação. Será que nós também estamos dando esta importância? Será que em nossos culto o tempo para a Palavra é suficiente e respeitado?

A oração de Cristo pela proteção, pela alegria, pela santificação, pelo amor e pela união, refere-se somente aqueles que pertencem a Deus, que creram em Cristo, que se separaram do mundo e que guardam a Palavraa de Cristo e crêem em seus ensinos.

A palavra nos limpa:

“Vós estais limpos pela palavra que vos tenho falado”(Jo 15:3)

A palavra nos conduz a vida eterna:

“Examinais as escrituras, porque vós cuidais de ter nela a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (Jo 5:39)

3. Uma vida que glorifique a Deus:

“Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer” (Jo 17:4)

A palavra Cristão aponta para a idéia de que aquela pessoas segue Cristo. Será que estamos tendo uma vida que glorifique a Ele assim como Ele glorificou o pai. Antigamente quando um crente ia abrir uma conta no mercadinho da esquina o dono ficava até feliz pois sabia que ali estava um cliente que ele poderia contar, mas hoje a situação se reverteu devido a inúmeros pseudocrístão que fizeram muitas tolices e não cumpriram suas palavras com certeza a resposta do dono do mercadinho será assim:

- Me desculpe mas tanto crente me deu prejuízo.

Ë tempo de renovarmos de termos uma vida que glorifique a Deus em tudo. Em todos os lugares e aconteça em nossas vidas assim como aconteceu na vida de Daniel que até o rei testemunhou dele “tomara que o Deus a quem tu serves continuamente”. Vamos servir ao Único e Verdadeiro Deus de maneira que Ele seja glorificado em nossas vidas.

A “glória” de Cristo foi sua vida de serviço e abnegação e sua morte na cruz a fim de redimir a raça humana. Semelhantemente a “glória”do crente é o caminho do serviço humilde e de carregar a sua cruz (lc 9:23). A humildade, a abnegação, o serviço e a disposição de sofrer por Cristo, garantirão a verdadeira unidade dos crentes que levará a glória verdadeira.

II. ORAÇÃO POR PERSEVERANÇA, ALEGRIA E LIVRAMENTO:

1. Perseverança:

“Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda-os no teu nome, o qual me deste, para que eles sejam um, assim como nós. Enquanto eu estava com eles, eu os guardava no teu nome que me deste; e os conservei, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.” ( Jo 17:11-12)

A perseverança é a preocupação de Jesus o fato de Ele orar por perseverança sugere que não é algo automático para os crentes depende deles continuarem crendo em Jesus e guardando sua palavra, e sobre tudo e em última instância do poder de Deus.

2. Alegria:

“Mas agora vou para ti; e isto falo no mundo, para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos.” (Jo 17:13)

O mal que tem afligindo século é a depressão, pessoas sentem vontade de morrer e perdem a alegria da vida. O Cristão é diferente pois tem uma alegria deixada pelo Senhor dos senhores a alegria da salvação que faz com que nos lembremos que nosso Mestre veio e triunfou sobre o inferno e a morte e nos deu livre acesso ao pai nos salvando da segunda morte, fazendo com que desfrutemos da vida eterna na cidade santa ao lado dEle..

3. Livramento:

“Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno”(Jo 17:15)

Só encontramos refúgio no Senhor. O homem sem Deus não consegue derrotar o mundo, mas em Cristo triunfaremos pois Ele triunfa conosco.

Não orou para que seus discípulos fossem tirados do mundo, mas para que pudessem escapar da ira dos homens, porque tinham uma grande obra a fazer para a glória de Deus e para benefício da humanidade. Ele orou para que o pai os guardasse do mal, de serem corrompidos pelo mundo, dos remanescentes do pecado em seus corações, e do poder e da astucia de satanás. Assim, pois eles passariam pelo mundo como alguém que cruza território inimigo, como Ele havia feito. Eles não são deixados aqui para que procurem alcançar os mesmos objetivos que os outros homens que os rodeiam e almejam alcançar, mas glorificarem á Deus e servirem ä sua geração. O Espírito de Deus nos verdadeiros cristãos opõe-se ao espírito do mundo.

III. ORAÇÃO POR SANTIDADE, UNIDADE E FRUTOS ESPIRITUAIS:

1.Santidade:

“Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”

“E por eles eu me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade” ( Jo 17:17,19)

Cristo orou em seguida a favor dos discípulos, para que não somente fossem guardados do mal, mas para que se tornassem bons. A oração de Jesus por todos os seus é que sejam santificados. Até os discípulos devem orar pedindo a graça santificadora.

O meio de conceder esta graça é “na verdade, a tua palavra é a verdade”. Santifica-os, apartando-os para ti mesmo e para te servirem. Recebe-os na obra; que a tua mão esteja com eles.

Jesus consagrou-se completamente à sua tarefa e a todas as partes dela, especialmente ao oferecer-se sem nenhuma mácula, pelo Espírito eterno. A verdadeira santidade de todos os verdadeiros cristãos é o fruto da morte e ressurreição de Cristo, pela qual o dom do Espírito Santo foi adquirido.

Ele ofereceu-se a si mesmo por sua Igreja para santificá-la. Se os nossos pontos de vista não têm este efeito em nós, não correspondem a verdade divina, ou não o recebemos por meio de uma fé ativa e viva.

Santificar significa tornar santo, separar. Jesus ora na noite da véspera da sua crucificação, para que seus discípulos sejam um povo santo, separados do mundo e do pecado, para adora a Deus e servi-lo. Devem separar-se para estarem perto de Deus, para viverem para Ele e para serem semelhantes a Ele. Essa santificação vem pela dedicação à Verdade revelada pelo Espírito da Verdade.(Jo 14:17;16:13)

A verdade é tanto a palavra viva de Deus (Jo 1:1), como revelação da palavra escrita de Deus.

Jesus “se santifica”separando-se para cumprir a vontade de Deus, morrer na cruz. Jesus sofreu no calvário afim de que seus seguidores pudessem separar-se do mundo e dedicar-se a Deus.

“E, por isso, também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Hb 13:12)

Jesus sofreu na cruz fora da porta da cidade de Jerusalém para que sejamos santificados, separados da antiga vida pecaminosa e dedicados a servir a Deus.

2. Unidade:

“para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. 22 E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um;” (Jo 21-22)

A Igreja é um corpo não pode viver em desunião. E Jesus clamou por esta união. No Salmo 133 vemos isto claramente, no original a união que se refere o salmista é uma união como se andássemos de mão dada, ou seja, a alegria do irmão é minha alegria, a tristeza dele também é a minha precisamos andar desta forma

A união em favor da qual Jesus orou não era a união de igrejas e organizações, mas a espiritual, baseada na permanência em Cristo (Jo 17:23). Amor a Cristo (Jo 17:26) separação do mundo (Jo 17:14-16): Santificação na verdade (Jo 17:17-19), receber a verdade da Palavra e crer nela (Jo17: 6, 8, 17). Obediência a Palavra (Jo 17:6) e o desejo de levar a salvação aos perdidos (Jo 17: 21,23). Faltando algum destes fatores, não pode haver a verdadeira unidade que Jesus pediu em oração.

Jesus não ora para que seus seguidores “se tornem um”, mas para que “sejam um”. Trata-se do subjuntivo presente e significa “continuamente ser um”. União essa que se baseia no relacionamento que todos eles têm com o Pai e o Filho, e na mesma atitude basilar que têm para o mundo, a palavra e a necessidade de alcançar os perdidos (IJo1: 7).

Intentar criar uma união artificial por meio de reuniões, conferências ou organização centralizada pode resultar num simulacro da própria união em prol da qual Jesus orou. Ele tinha em mente algo muito mais do que “reuniões de unificação”. De união artificial. É uma união espiritual de coração, propósito, mente e vontade dos que estão totalmente dedicados a Cristo, à Palavra e à santidade. (Ef 4:3).

3 Frutificação espiritual:

“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviarei ao mundo.” (Jo 17:18)

Fomos chamados para dar frutos. Oração consagrada, perfeita, oração igual à oração de Jesus, urge para fora, irrompe para anunciar com santa paixão a todo mundo: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Ninguém pode ser um homem de oração, cheio do Espírito, sem tornar-se também um missionário.

III.

COMO ESTAMOS CULTUANDO?



COMO ESTAMOS CULTUANDO?Transportemo-nos, por alguns momen¬tos, ao tempo da igreja primitiva e obser-vemos, com calma, um culto diferente dos cultos realizados nas igrejas de nossos dias.
Qualquer pessoa que se extasiou ante o relato do esplendor de um culto na igreja primitiva, tal qual é descrito na história dos primeiros séculos, notará que tudo se transformou. Hoje, nos cultos de nossos dias, não há a vida e a vibração intensa de outrora; falta-nos a liberdade ao Espírito de Deus para usar os vasos que estão cheios de graça e poder.
Alguns dirigentes de cultos estão es¬quecidos da recomendação do apóstolo quando diz que ao se reunirem cada um tenha salmo, hino, louvor ou canção espiri¬tual para apresentar ao Senhor. Se o diri¬gente não tiver os olhos da fé ungidos com colírio do Céu, sua mente ficará ofuscada pelo esplendor do cargo e julgar-se-á o úni¬co capaz, naquele momento, de apresentar algo que alimente a congregação, quando ali pode haver valores que Deus possa e queira usar. Onde o formalismo estabele¬ceu uma ordem mecânica, não há liberda¬de para o Espírito: não pode haver inspira¬ção.
Não era assim na igreja primitiva; a graça não era substituída pelo intelecto; o dirigente ocasional da reunião tinha a vi¬são de João Batista: ocultava-se aos olhos dos homens, a fim de que Cristo fosse visto em todos os atos e em todas as obras, por intermédio de quem Ele quisesse usar. Se havia algum coração inflamado pela graça e transbordante do gozo da salvação, podia levantar-se e transmitir à congregação a vibração da mensagem de Deus, e de tal forma o fazia, que todos reconheciam estar o tal vivendo no brilho e na santificação do Senhor.
- Mas onde está hoje a liberdade que transforma um culto num encontro ines-quecível com Deus, quando a alma sente a atmosfera do Céu perpassar num enlevo sublime que faz esquecer que estamos na Terra? Onde estão os salmos de adoração?
Onde os hinos espirituais? Onde os teste¬munhos simples mas convincentes, pelos quais Deus transtornou tanta sapiência e confundiu a arrogância?
Um culto na igreja primitiva possuía encantos que ninguém podia antecipar. Os que se propunham a assistir a eles, faziam-no unicamente confiados na graça que Deus revelaria à medida que o culto se rea¬lizasse. Nada ali era automático: o culto duma noite diferia do culto da noite se¬guinte. A pregação da Palavra, as orações, os hinos, os testemunhos, tudo, enfim, es¬tava na dependência do Espírito Santo, o que transformava em motivos de louvor e fatores de salvação, o que acontecia.
A variedade da forma do culto dava à igreja um brilho que não podia ser imitado, e transmitia aos corações convicções tão profundas e reais que nenhuma dúvida as podia abalar. Com a convicção, nascia o desejo ardente de viver uma vida mais pro¬funda e mais ativa no amor de Deus.
Antes de terminar este capítulo, dese¬jaríamos conhecesse o leitor alguns fatos históricos que descrevem a forma e a vida dum culto numa igreja apostólica, no tem¬po de Paulo. O brilho da igreja de então não se relacionava com a grandeza exte¬rior, como acontece em nossos dias. A atra¬ção que a igreja exercia não consistia em templos vistosos como os há hoje, por toda a parte. Os locais onde se reuniam eram bem modestos; talvez uma sala numa casa particular ou um salão que tivesse servido de depósito de mercadorias, porém ali re¬fletia, num deslumbramento espiritual, o fulgor da graça salvadora, transbordando dos corações remidos do pecado.
A assistência que acorria às reuniões da igreja não tinha as mesmas características da assistência dos cultos de nossos dias. Hoje, cada igreja ou congregação, é com¬posta de pessoas que moram na mesma re¬gião, têm os mesmos costumes, usam os mesmos trajes.
Na igreja primitiva, principalmente nas cidades comerciais servidas de porto de mar, a assistência era composta de li¬vres e de escravos. Judeus de feições e tra¬ços distintos contrastavam com gentios que o Evangelho iluminara e salvara. Gre¬gos de vestes custosas confundiam-se com homens rústicos, cuja vida fora gasta e en¬rijecida em viagens marítimas, mas agora, alcançados pela Luz do Mundo, estavam transformados e ali estão todos a arder de gozo, pela salvação que receberam.
Havia ainda na assistência, embora não muito numerosa, pessoas nobres às quais a salvação dera mais nobreza. Elas também estavam unidas ao conjunto da massa heterogênea que a graça arrancara do lamaçal.
Entremos em um desses lugares de cul¬tos e vejamos qual a diferença entre os ser-viços divinos que eles realizavam e os que se efetuam em nossos dias. Vamos fazer abaixo a descrição dum culto na igreja pri¬mitiva, visto pelo historiador Stalker, co¬nhecido e respeitado por todos:
"Em vez de uma só pessoa a dirigi-los nas orações, pregações e salmos, todos os presentes tinham a liberdade de contribuir com a sua parte. Talvez houvesse um pre-sidente ou diretor; mas um membro podia ler uma porção das Escrituras, outro podia fazer uma oração; um terceiro podia profe¬rir uma alocução; um quarto, principiar um hino, e assim por diante...
"Membros também havia que tinham o dom de profecia, dom em extremo valio¬so. Não era a faculdade somente de predi¬zer futuros eventos, mas um dom de apai¬xonada eloqüência, cujos efeitos eram por vezes assombrosos: entrando na as¬sembléia um incrédulo e escutando os pro¬fetas, era arrebatado por uma emoção irre¬sistível: os pecados de sua vida passada se lhe assomavam à mente, e ele confessava que Deus verdadeiramente estava no meio deles. Outros exerciam dons mais seme¬lhantes aos que nos são familiares, tais como o dom de ensinar e de administrar. Mas em todos estes casos parece ter havido uma espécie de inspiração imediata, não o efeito de cálculo ou de preparação, mas da presença de um influxo íntimo.
"Estes fenômenos são de tal modo ex¬traordinários, que, se fossem narrados em uma simples história descritiva, suscita¬riam sérias dúvidas à fé. Porém, a evidên¬cia deles é irrefutável, porque ninguém, es¬crevendo a um povo a respeito das suas próprias condições, iria inventar circuns¬tâncias que não existem e, além disso, Paulo escrevia-lhes antes para restringir do que para acoroçoar semelhantes mani¬festações. Revelam elas, entretanto, a vi¬gorosa força com que ao entrar no mundo, o cristianismo se apoderou dos espíritos sob a sua influência.
"Cada crente recebia, em geral, por ocasião do batismo, quando sobre ele se impunham as mãos do batizante o seu dom especial, cujo exercício podia ser tem¬po indefinido, dependendo apenas da fide¬lidade do recipiente.
"Era o Espírito Santo, derramado sobre eles sem medida, e penetrava os espíritos dos homens e repartia estes dons entre eles diversamente, segundo lhe apra-zia. Cumpria a cada membro fazer uso do seu dom particular em proveito de toda a corporação.
"Terminados os serviços aqui descritos, os membros assentavam-se para uma festa de amor, que culminava na Ceia do Senhor. E então, com o ósculo fraternal, eles se despediam e saíam para seus respecti¬vos lares. Era uma cena memorável, ra¬diante de amor fraternal e aureolada por manifestações estupendas de energia espi¬ritual. Ao voltarem aos seus lares, passan¬do por grupos descuidosos de pagãos, eles tinham a consciência de haver experimen¬tado aquilo que o olho não viu nem o ouvi¬do jamais ouviu".
Uma igreja onde os serviços divinos se identificam com os da igreja primitiva, como acima foi descrito, brilhará, sejam quais forem as circunstâncias, porque den¬tro de suas portas há corações que interce¬dem dia e noite pelos dons do Alto.
Na igreja primitiva os cultos eram as¬sim.
- Como são os cultos em nossos dias? São cultos com as mesmas características ou são cultos diferentes.

Fonte: Igrejas Sem Brilho - (Emílio Conde)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O QUE DEUS ESPERA DE NÓS COMO IGREJA NA TERRA?



A Igreja de Cristo, através de seus membros, que compõem o corpo do Se¬nhor, têm diante de si a responsabilidade de um papel relevante a desempenhar na sociedade e na história do mundo. Não há organismo na terra do qual Deus espere tanto, como da Igreja, porque também não existe entidade no mundo que tanto haja recebido de Deus.
O Senhor entregou, por empréstimo, à Igreja o capital mais elevado que se pode calcular. Esse capital representa os talen¬tos: a fé, o testemunho e a graça. Do ponto de vista humano, esses valores estão além de qualquer cálculo, tão elevado é o seu preço. Esse capital está debitado à conta da igreja local e de seus membros, na base do grau de conhecimento e revelação da verdade que cada um recebeu.
A contabilidade infalível do Céu credi¬ta em conta corrente todos os movimentos feitos com o capital que Deus emprestou, anotando todos os débitos e todos os crédi¬tos, inclusive os juros. No dia do acerto de contas, aparecerão todas as transações. Que espera Deus de cada igreja? Espera que empregue de tal forma o capital que lhe foi entregue que, ao se fazer o acerto de contas, esse capital seja devolvido com ju¬ros elevados.
Os favores que Deus concedeu à igreja são de tal ordem, as promessas são tão reais e a proteção tão eficiente, que nem mesmo as portas do Inferno prevalecerão contra ela.
Não foi para rastejar na negligência que Cristo comissionou a igreja e os cris¬tãos; uns e outros devem destacar-se como as montanhas cujos picos se erguem majes¬tosos no conjunto da sinfonia da natureza, alheios à pequenez dos acidentes que ten¬tam enfeiar e obscurecer o trabalho do Criador.
Na ordem moral e espiritual, Deus es¬pera que a igreja seja um luzeiro de primei¬ra grandeza no contexto da vida. A igreja deve absorver de tal modo a graça revela¬da, que, ao receber os raios do Sol da Justi¬ça, nela resplandeça toda a beleza de um poente matizado de ouro, beijado pelo sol, no ocaso.
Deus espera que da igreja se despren¬dam as fragrâncias vivas do amor e da san-tidade, tal como das flores se esparze o odor nas asas da brisa.
A igreja deve ser um caudal de vibração e entusiasmo espiritual manifesto nas suas atividades evangelizadoras. Na igreja não deve faltar o fator altamente poderoso que impulsiona para o êxito todos os empreen¬dimentos; não deve faltar esse fator pode¬roso que forma o quadro anônimo dos ho¬mens e mulheres de oração. Deus espera encontrar no crepúsculo sagrado do silên¬cio, onde tudo convida a subir para o Céu, os heróis que se consagraram à oração por todos os trabalhos da igreja, e cuja identi¬dade e atividade permanecem em secreto, pois a missão de orar pelos obreiros, pelas almas e pela vitória da igreja é tão subli¬me, que não deve ser interrompida pelos movimentos comuns. Os intercessores são o exército que mantém acesa a chama da fé; alimentam, com as orações, o fogo do altar que não deve extinguir-se de dia nem de noite. Se faltar à igreja esse exército de intercessores, os inimigos prevalecerão e imporão derrotas.
Assim aconteceu com o povo de Israel: Enquanto os braços de Moisés eram sus-tentados no ar por Abraão e Hur, o povo avançava e derrotava os inimigos. Essa li¬ção é muito sugestiva para a igreja, pois se os homens e mulheres exercerem o minis¬tério da oração em secreto, Deus fará proe¬zas e a igreja florescerá como a palmeira, e brilhará como o sol.
Essas e outras coisas Deus espera da igreja, mas que se façam num espírito vo-luntário, sem suspirar, sem tocar a trombeta para que todos o saibam, e sem espe¬rar que o Senhor permita uma perseguição, para que todos se dediquem à oração.
Deus espera que a igreja cumpra suas finalidades dentro do espírito voluntário de amor: não deve ser como a pedra, que para dar uma lasca, para ser útil, tem de ser martelada, pois só assim se obtém dela algo de útil.
A igreja está no mundo para brilhar, para mostrar as virtudes de Cristo. Deus não espera que a igreja faça menos que bri¬lhar por Cristo. A igreja deve ser como um favo de mel que, ao ser suspenso ou coloca¬do num prato, voluntariamente, sem esfor¬ço algum, deixa correr o precioso néctar para alegrar o coração e dar prazer ao paladar.
- Entretanto, estarão as igrejas ou os cristãos de nossos dias na medida de graça o nível de fé que Deus espera que haja cada um? Se há responsabilidade, há também uma resposta. - Que responderemos?

Fonte: Igrejas Sem Brilho – ( Emílio Conde)

PROMESSAS MEDIANTE À FÉ E A OBEDIÊNCIA.



Gênesis 22. Nada se poderia acrescentar à ternura que Abraão tinha para com Isaque, tanto porque era o único filho quanto porque lhe fora concedido por Deus em sua velhice. E Isaque, por sua vez, praticava com tanto entusiasmo toda espécie de virtudes, servia a Deus com tanta fidelidade e prestava a seu pai tantos serviços que dava a Abraão todos os dias novos motivos para amá-lo. Assim, Abraão só pensava em morrer, e seu único desejo era deixar aquele filho como seu sucessor. Deus concedeu o que Abraão desejava, mas antes quis expe-rimentar a sua fidelidade. Apareceu-lhe e, depois de haver-lhe lembrado as gra-ças particulares com que sempre o favorecera, as vitórias que o haviam feito conquistar os inimigos e a prosperidade com que o brindara, ordenou-lhe que lhe sacrificasse o filho Isaque sobre o monte Moriá e assim testemunhasse, por aquele ato de obediência, que ele preferia a vontade divina ao que ele tinha de mais caro no mundo.
Estando Abraão persuadido de que nenhuma consideração poderia dispensá-lo de obedecer a Deus, a quem todas as criaturas são devedoras da própria existência, nada disse à sua esposa nem a qualquer outro de seus familiares sobre a ordem que havia recebido de Deus ou acerca da resolução de executá-la, com medo que eles se esforçassem para dissuadi-lo de seu propósito. Disse somente a Isaque que o seguisse, acompanhado por dois criados, e mandou colocar sobre um jumento todas as coisas de que necessitava para o sacrifício. Após haver caminhado durante dois dias, avistaram o monte que Deus lhe havia indicado. Deixou então os dois criados no sopé do monte e subiu-o so-mente com Isaque (no cimo desse monte o rei Davi, mais tarde, fez construir um Templo). Levou para lá tudo o que precisavam, exceto a vítima, para o sacrifício. Isaque tinha então vinte e cinco anos. Ele preparou o altar, mas, não vendo vítima alguma, perguntou ao pai quem ele queria sacrificar. Abraão res¬pondeu-lhe que Deus, que pode dar aos homens todas as coisas que lhes fal¬tam e tirar-lhes as que já possuem, dar-lhes-ia uma vítima, se se dignasse acei¬tar o sacrifício deles.
Depois de haver colocado a lenha sobre o altar, Abraão falou a Isaque: "Meu filho, eu vos pedi a Deus com muita insistência e muitas orações. Não houve cuidado que eu não tivesse tido de vós, desde que viestes ao mundo, e eu consideraria como realizados todos os meus votos se vos visse chegar a uma idade muito avançada e deixar-vos, ao morrer, como herdeiro de tudo o que possuo. Mas, como Deus, depois de vos ter dado a mim, quer agora que eu vos perca, consenti generosamente em oferecer-vos a Ele em sacrifício. Prestemos-Ihe, meu filho, esse ato de obediência e essa honra como testemunho de nossa gratidão pelos favores que Ele nos fez na paz e pela assistência que nos deu na guerra. Como nascestes para morrer, que fim vos pode ser mais glorioso do que ser oferecido em sacrifício por vosso próprio pai ao soberano Senhor do universo, que, em vez de terminar a vossa vida por uma doença, numa cama, ou por uma ferida na guerra, ou por algum outro acidente, aos quais os ho¬mens estão sujeitos, vos julga digno de entregar-lhe a alma no meio de orações e sacrifícios, de modo a ficar para sempre unida a Ele? Consolareis assim a minha velhice, dando-me a assistência de Deus em lugar da que eu devia rece¬ber de vós, depois de vos ter educado com tanta diligência".
Isaque, filho digno de tão admirável pai, escutou essas palavras não somente sem se admirar, mas até com alegria, e respondeu-lhe que ele teria sido indigno de nascer se se recusasse a obedecer à vontade de seu pai, principalmente quan¬do ela estava de acordo com a de Deus. Assim dizendo, colocou-se ele mesmo sobre o altar, para ser imolado. Esse grande sacrifício ter-se-ia realizado se Deus mesmo não o tivesse impedido. Ele chamou Abraão pelo nome e proibiu-o de matar o filho, dizendo-lhe que havia ordenado o sacrifício não para tirá-lo depois de o haver concedido ou porque sentia prazer em ver derramar sangue humano, mas somente para lhe experimentar a obediência. Agora, vendo com quanto zelo e fidelidade fora obedecido, aceitava o sacrifício e garantia-lhe, como re¬compensa, que jamais deixaria de assistir a ele e a toda a sua descendência. Quanto ao filho que lhe fora oferecido e que iria restituir, viveria feliz e por muito tempo, e a sua posteridade seria ilustre por uma longa série de homens valentes e virtuosos, que submeteriam pelas armas todo o país de Canaã. A fama deles tomar-se-ia imortal. As suas riquezas seriam tão grandes e a sua felicidade tão extraordinária que eles seriam invejados por todas as outras nações.
Concluído esse oráculo, Deus fez aparecer um carneiro, para ser oferecido em sacrifício. Aquele pai fiel e seu filho sensato e feliz abraçaram-se, no auge da alegria, pela grandeza das promessas, terminaram o sacrifício e voltaram para encontrar Sara. Deus, fazendo prosperar todos os seus desígnios, cumulou de felicidade todo o restante da vida de Abraão.

Fonte:História dos Hebreus - (Flávio Josefo)

sábado, 13 de novembro de 2010

Adoradores ou Consumidores?



Em certa ocasião o Senhor Jesus teve de fazer uma escolha entre ter 5 mil pessoas que o seguiam por causa dos benefícios que poderiam obter dele, ou ter doze seguidores leais, que o seguiam pelo motivo certo (e mesmo assim, um deles o traiu). Em outras palavras, uma decisão entre muitos consumidores e poucos fiéis discípulos. Refiro-me ao evento da mul-tiplicação dos pães narrado em João 6. Lemos que a multidão, extasiada com o milagre, quis proclamar Jesus como rei, mas ele recusou-se (João 6.15). No dia seguinte, Jesus também se recusa a fazer mais milagres diante da multidão pois percebe que o estão seguindo por causa dos pães que comeram (6.26,30). Sua palavra acerca do pão da vida afugenta quase que todos da multidão (6.60,66), à exceção dos doze discípulos, que afirmam segui-lo por saber que ele é o Salvador, o que tem as palavras devida eterna (6.67-69).

O Senhor Jesus poderia ter satisfeito às necessidades da multidão e saciado o desejo dela de ter mais milagres, sinais e pão. Teria sido feito rei, e teria o povo ao seu lado. Mas o Senhor preferiu ter um punhado de pessoas que o seguiam pelos motivos certos, a ter uma vasta multidão que o fazia pelos motivos errados. Preferiu discípulos a consumidores.

Infelizmente, parece prevalecer em nossos dias uma mentalidade entre os evangélicos bem semelhante à da multidão nos dias de Jesus. Parece-nos que muitos, à semelhança da socie-dade em que vivemos, tem uma mentalidade de consumidores quando se trata das coisas do Reino de Deus. O consumismo característico da nossa época parece ter achado a porta da igreja evangélica, tem entrado com toda a força, e para ficar.

Por consumismo quero dizer o impulso de satisfazer as necessidades, reais ou não, pelo uso de bens ou serviços prestados por outrem. No consumismo, as necessidades pessoais são o centro; e a “escolha” das pessoas, o mais respeitado de seus direitos. Tudo gira em torno da pessoa, e tudo existe para satisfazer as suas necessidades. As coisas ganham importância, validade e relevância à medida em que são capazes de atender estas necessidades.

Esta mentalidade tem permeado, em grande medida, as programações das igrejas, a forma e o conteúdo das pregações, a escolha das músicas, o tipo de liturgia, e as estratégias para crescimento de comunidades locais. Tudo é feito com o objetivo de satisfazer as necessida-des emocionais, psicológicas, físicas e materiais das pessoas. E neste afã, prevalece o fim sobre os meios. Métodos são justificados à medida em que se prestam para atrair mais fre-qüentadores, e torná-los mais felizes, mais alegres, mais satisfeitos, e dispostos a continuar a freqüentar as igrejas.

Fonte:
Escritor: Augustus Nicodemos

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

SÉTIMA PERSEGUIÇÃO DA IGREJA PRIMITIVA - "SANGUE QUE FALA"



Olá amados.
Chegamos a mais uma postagem da série OS MÁRTIRES "SANGUE QUE FALA".Chegamos a sétima perseguição, espero que tenha sido de proveito e reflexão para você.


A sétima perseguição, sob Décio, o 249 d.C.Esta foi ocasionada em parte pelo aborrecimento que tinha contra seu predecessor Felipe, que era considerado cristão, e teve lugar em parte pelos ciúmes ante o assombroso avanço do cristianismo; porque os templos pagãos começavam a serem abandonados, e as igrejas cristãs estavam cheias.
Estas razões estimularam a Décio a tentar a extirpação do nome mesmo de cristão, e foi coisa desafortunada para o Evangelho que vários erros tinham-se deslizado para esta época dentro da Igreja; os cristãos estavam divididos entre si; os interesses próprios dividiam àqueles aos que o amor social devia ter mantido unidos; e a virulência do orgulho deu lugar a uma variedade de facões.
Os pagãos, em geral, tinham a ambição de pôr em ação os decretos imperiais nesta ocasião, e consideravam o assassinato dos cristãos como um mérito para si mesmos. Nesta ocasião os mártires foram inúmeros; mas faremos relação dos principais.
Fabiano, bispo de Roma, foi a primeira pessoa em posição eminente que sentiu a severidade desta perseguição. O defunto imperador tinha colocado seu tesouro sob os cuidados deste bom homem, devido a sua integridade. Porém Décio, ao não achar tanto quanto sua avareza havia-lhe feito esperar, decidiu vingar-se do bom prelado. Foi então arrestado, e decapitado o 20 de janeiro de 250 d.C.
Juliano, nativo da Cilícia, como nos informa são Crisóstomo, foi arrestado por ser cristão. Foi metido num saco de couro, junto com várias serpentes e escorpiões, e assim lançado no mar.
Pedro, um jovem muito atraente tanto de físico como pelas suas qualidades intelectuais, foi decapitado por recusar sacrificar a Vênus. No juízo declarou: "Estou atônito de que sacrifiqueis a uma mulher tão infame, cujas abominações são registradas por vossos mesmos historiadores, e cuja vida consistiu de umas ações que vossas próprias leis castigariam. Não, ao verdadeiro Deus oferecerei eu o sacrifício aceitável de louvores e orações". Ao ouvir isto Ótimo, pró-cônsul da Ásia, ordenou que o prisioneiro fosse estirado na roda de tormento, quebrando-lhe todos os ossos, e depois foi enviado para ser decapitado.
A Nicômaco, chamado a comparecer diante do pró-cônsul como cristão, ordenaram-lhe que sacrificasse aos ídolos pagãos. "Nicômano replicou: "Não posso dar a demônios a reverência devida só ao Todo Poderoso". Esta maneira de falar enfureceu de tal modo o pró-cônsul que Nicômaco foi colocado no potro. Depois de suportar os tormento durante algum tempo, se desdisse, porém apenas tinha dado tal prova de fraqueza, caiu nas maiores agonias, caindo no chão e expirando imediatamente.
Denisa, uma jovem de só dezesseis anos, que contemplou este terrível juízo, exclamou de repente: "Oh, infeliz, para que comprar um momento de alívio a custa de uma eternidade de miséria!". Ótimo, ao ouvir isto, chamou-a, e ao reconhecer-se Denisa como cristã, fou logo decapitada por ordem sua.
André e Paulo, dois companheiros de Nicômaco o mártir, sofreram o martírio o 251 d.C. por lapidação, e morreram clamando a seu bendito Redentor.
Alexandre e Epímaco, de Alexandria, foram arrastados por serem cristãos; ao confessar que efetivamente o eram, foram espancados com paus, desgarrados com ganchos, e no final, queimados com fogo; também se nos informa, um fragmento preservado por Eusébio, que quatro mulheres mártires sofreram naquele mesmo dia, e no mesmo lugar, porém não da ma forma, por quanto foram decapitadas.
Luciano e Marciano, dois malvados pagãos, embora hábeis mágicos, se converteram ao cristianismo, e para expiarem seus antigos erros viveram como eremitas, sustentando-se só de pão e água. Depois de um tempo nesta condição, converteram-se em zelosos predicadores, e fizeram muitos conversos. Não obstante, rugindo nesta época a perseguição, foram apreendidos e levados ante Sabínio, o governador de Bitínia. Ao perguntar-lhes com base em que autoridade dedicavam-se a predicar, Luciano respondeu: "Que as leis da caridade e da honestidade obrigavam a todo homem a buscar a conversão de seus semelhantes, e a fazer tudo o que estiver em seu poder para libertá-los das garras do diabo".
Tendo assim respondido Luciano, Marciano agregou que a conversão deles "teve lugar pela mesma graça que tinha sido dada a são Paulo, quem, de zeloso perseguidor da Igreja, se converteu em predicador do Evangelho".
Vendo o pró-cônsul que não podia prevalecer sobre eles para que renunciassem a sua fé, os condenou a serem queimados vivos, sentença que foi logo executada.
Trifão e Respício, dois homens eminentes, foram apreendidos como cristãos, e encarcerados em Niza. Seus pés foram traspassados com pregos; foram arrastados pelas ruas, açoitados, desgarrados com ganchos de ferro, queimados com tochas e finalmente decapitados, o 1º de fevereiro de 251 d.C.
Ágata, uma dama siciliana, não era tão notável pelos seus dotes pessoais e adquiridas como pela sua piedade; tal era sua formosura que Quintiano, governador da Sicilia, apaixonou-se por ela, e fez muitas tentativas para vencer sua castidade, porém sem êxito. A fim de gratificar suas paixões com a maior facilidade, colocou a virtuosa dama nas mãos de Afrodica, uma mulher infame e licenciosa. Esta miserável tratou, com seus artifícios, de ganhá-la para a desejada prostituição, mas viu falidos todos seus esforços, porque a castidade de Ágata era inexpugnável, e ela sabia muito bem que só a virtude poderia procurar uma verdadeira felicidade. Afrodica fez saber a Quintiano a inutilidade de seus esforço e este, enfurecido ao ver seus desígnios perdidos, mudou sua concupiscência pelo ressentimento. Ao confessar ela que era cristã, decidiu satisfazer-se com a vingança, ao não poder fazê-lo com a paixão. Seguindo ordens suas, foi flagelada, queimada com ferros candentes, e desgarrada com aguçados ganchos. Tendo suportado estas torturas com admirável fortaleza, foi logo colocada nua sobre brasas misturadas com vidro, e depois devolvida ao cárcere, onde expirou o 5 de fevereiro de 251.
Cirilo, bispo de Gortyna, foi preso por ordens de Lúcio, governador daquele lugar, que contudo o exortou a obedecer a ordem imperial de realizar sacrifícios, e salvar sua venerável pessoa da destruição; pois tinha oitenta e quatro anos. o bom prelado respondeu-lhe que como havia ensinado a outros durante muito tempo para que salvassem suas almas, agora só podia pensar em sua própria salvação. O digno prelado escutou sua sentença, dada com fúria, sem a menor emoção, andou animadamente até o lugar da execução, e sofreu seu martírio com grande inteireza.
Em nenhum lugar se manifestou esta perseguição com tanta sanha como na ilha de Creta, porque o governador, sumamente ativo na execução dos éditos imperiais, fez correr rios de sangue dos piedosos.
Babylas, um cristão com educação acadêmica, chegou a ser bispo de Antioquia o 237 d.C., depois de Zebino. Agiu com um zelo sem igual, e governou a Igreja com uma prudência admirável durante os tempos mais tormentosos.
A primeira desgraça que teve lugar na Antioquia durante sua missão foi seu assédio por Sapor, rei da Pérsia, que tendo invadido toda a Síria, tomou e saqueou esta cidade entre outras, e tratou os moradores cristãos dela com maior dureza que aos outros; porém foi pronto derrotado totalmente por Gordiano.
Depois da morte de Gordiano, no reinado de Décio, este imperador veio para a Antioquia, expressando seu desejo de visitar uma assembléia de cristãos; mas Babylas se opus, e negou-se absolutamente a que entrasse. O imperador dissimulou sua ira naquele tempo, porém pronto mandou buscar o biscpo, repreendendo-o duramente por sua insolência, e depois lhe ordenou que sacrificasse às deidades pagãs como expiação pela sua ofensa. Ao recusar, foi lançado no cárcere, carregado de correntes, tratado com a maior severidade, e depois decapitado, junto com três jovens que tinham sido seus alunos. Isto aconteceu em 251 d.C.
Alexandre, bispo de Jerusalém, foi encarcerado pela sua religião nesta mesma época, e ali morreu devido à dureza de seu encerro.
Juliano, um ancião e coxo devido à gota, e Cronião, um outro cristão, foram amarrados às gibas de uns camelos, cruelmente flagelados, e depois lançados no fogo e consumidos. Também quarenta donzelas foram queimadas na Antioquia, depois de terem sido encarceradas e flageladas.
No ano 251 de nosso Senhor, o imperador Décio, depois de ter erigido um templo pagão em Éfeso, ordenou que todos os habitantes da cidade sacrificassem aos ídolos. Esta ordem foi nobremente rechaçada por sete de seus próprios soldados, isto é, Maximiano, Marciano, Joanes, Malco, Dionísio, Seraiáon e Constantino. O imperador, querendo lograr que a estes soldados renunciassem a sua fé mediante suas exortações e brandura, deu-lhes um tempo considerável de respiro até voltarem de uma expedição. Durante a ausência do imperador, estes fugiram e se ocultaram numa caverna; ao saber disto o imperador a sua volta, a boca da cova foi selada, e todos morreram de fome.
Teodora, uma formosa e jovem dama de Antioquia, recusou sacrificar aos ídolos de Roma, e foi condenada ao bordel, para que sua virtude fosse sacrificada à brutalidade da concupiscência. Dídimo, um cristão, disfarçou-se com um uniforme de soldado romano, foi ao prostíbulo, informou a Teodora de quem era, e a aconselhou a fugir disfarçada com suas roupas. feito isto, e ao encontrarem um homem no bordel em lugar da formosa dama, Dídimo foi levado ante o governador, a quem confessou a verdade; ao reconhecer-se cristão, de imediato foi pronunciada contra ele a sentença de morte. Teodora, ou ouvir que seu libertador iria sofrer, acudiu ante o juiz, e rogou-lhe que a sentença recaísse sobre ela como pessoa culpável; porém, surdo aos clamores dos inocentes, e insensível às demandas da justiça, o implacável juiz condenou ambos, e foram executados; primeiro decapitados, e depois seus corpos queimados.
Secundiano, acusado de ser cristão, estava sendo conduzido a prisão por vários soldados. No caminho, Veriano e Marcelino disseram-lhes: "Aonde levais um inocente?". Esta pergunta levou ao arresto deles e os três, depois de terem sido torturados, foram enforcados e decapitados.
Orígenes, o célebre presbítero e catequista de Alexandria, foi arrestado quando tinha sessenta e quatro anos, e foi lançado numa imunda masmorra, carregado de correntes, com os pés no cepo, e suas pernas estendidas ao máximo vários dias seguidos. Foi ameaçado com fogo, e torturado com todos os médios caprichados que podiam inventar as mentes mais infernais. Durante este cruel e prolongado tormento morreu o imperador Décio, e Gálio, quem o sucedeu, se envolveu numa guerra contra os godos, com o qual os cristãos tiveram um respiro. Durante este intervalo, Orígenes obteve a liberdade, e, retirando-se a Tiro, ficou ali até sua morte, que lhe sobreveio aos sessenta e nove anos de idade.
Tendo gálio concluído suas guerras, desatou-se uma praga no império; o imperador ordenou então sacrifícios às deidades pagãs, e se desencadearam perseguições desde o coração do império, estendendo-se até as províncias mais afastadas, e muitos caíram mártires da impetuosidade do populacho, assim como do prejuízo dos magistrados. Entre estes mártires estiveram Cornélio, bispo cristão de Roma, e seu sucessor Lúcio, em 253.
A maioria dos erros que se introduziram na Igreja nesta época surgiram por colocar a razão humana em competição com a revelação; mas ao demonstrar os teólogos mais capazes a falácia de tais argumentos, as opiniões que as haviam suscitado se desvaneceram como as estrelas diante do sol.


Fonte: Livro dos Mártires - John Fox