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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

6ª Lição: A Importâcia da Disciplina na Igreja



Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Fredrico Maia, 49
Viçosa - Alagoas
Escola Bíblica Dominical
Pastor Local: Pr. Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigênio Hortêncio de Oliveira


INTRODUÇÂO
Chegamos a mias uma lição do trimestre, onde estaremos aprendendo e levando para o nosso aluno um assunto de tamanha importância nos dias atuais. Lamentavelmente existe quem defenda que a disciplina na igreja não faz tão necessário, a lição abordará o quanto foi no Antigo Testamento, e continua fazendo parte da sustentabilidade da igreja nos nossos dias. A lição traz a história de Ananias e Safira como exemplo da importância do elevado assunto em apreço. Um boa Aula.

1. A DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DISCIPLINA
No Antigo Testamento, a palavra hebraica para disciplina é musar e significa, prioritariamente, “instrução”. Isso porque na Lei Judaica a disciplina tem a ver com a instrução por meio de recompensas e punições a fim de orientar a conduta do comportamento. É nesse sentido que, em Dt. 11.2, é destacada a disciplina do Senhor. A Lei Mosaica opera por meio de um complexo sistema de punições a fim de reforçar os Mandamentos de Deus (Lv. 25.23; Dt. 4.36; Ex. 20.20). Por esse motivo, o ímpio, ou seja, aquele que não observa a Torah, odeia a disciplina (Sl. 50.17). O genuíno filho de Deus, por sua vez, ama a disciplina (Pv. 3.11), pois nesta repousa a sua vida (Pv. 5.12) e o seu próprio bem (Pv. 19.18). No Novo Testamento, a palavra grega é paidia que tanto se refere à instrução ou orientação quanto ao treinamento. Esse termo, em sentido amplo, diz respeito ao ato de “criar, educar, instruir”. O fundamento da disciplina, conforme exposta no Novo Testamento, é o amor (Hb. 12.6-11). A disciplina aplicada com ódio não passa de vingança, nada tem a ver com a disciplina de Jesus (Mt. 11.29).

2. A CONDENAÇÃO DE ANANIAS E SAFIRA
No capítulo 5 de Atos, estudamos a respeito da condenação de Deus sobre Ananias e Safira. Barnabé, um cristão recém-convertido, e de posses, vendeu tudo o que possuía e depositou aos pés dos apóstolos. Sua generosidade chamou a atenção da igreja, levando Ananias e Safira a querem imitar tal ato, a fim de serem honrados pelos irmãos. Para tanto, venderam uma propriedade e combinaram em reter parte do valor recebido. Em seguida, depositaram-no aos pés dos apóstolos, dizendo ser aquela a quantia total da venda. Através daquele ato, Satanás quis instaurar a hipocrisia no seio da igreja primitiva. Eles demonstraram, por meio dessa atitude, ser vangloriosos e cobiçosos em relação ao dinheiro (I Tm. 6.10). Eles poderiam permanecer com o dinheiro que receberam pela venda da herdade, mas não precisariam mentir, em busca de fama. Mas Pedro, pelo Espírito Santo, discerniu que aqueles corações estavam tomados pela hipocrisia: “por que encheu Satanás o teu coração?” (At. 5.3), eis a origem do pecado (Jo. 13.2; Tg. 4.7). Não se tratava de um pecado somente aos homens, pois, conforme argumentou Pedro, “Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At. 5.4). Eles foram disciplinados imediatamente, com o objetivo específico, para servir de instrução aos demais “houve um grande temor em toda a igreja e em todos os que ouviram estas coisas” (At. 5.11). Em virtude da igreja está em seus momentos iniciais, Deus antecipou o castigo de Ananias e Safira, e ainda pode fazer o mesmo nos dias atuais, ainda que, em geral, continue dando oportunidade para o arrependimento (Ap. 2.5; 3.19).
3. A DISCIPLINA NA IGREJA
Jesus declarou que a igreja, na terra, tem a responsabilidade árdua, mas necessária de disciplinar (Mt. 18.18-20), mas essa deve fazê-lo de acordo com a Palavra, em oração, na dependência do Espírito Santo, e sobretudo, em amor (I Pe. 4.8). Existem algumas falhas que podem dispensar a disciplina, a esse respeito tratam os seguintes textos: Rm. 15.1; Fp. 4.5; I Pe. 4.8). Nos casos de transgressões que não sejam passíveis de comprovação, o melhor é orar pela pessoa, confiando que Deus trabalhará na sua vida, conduzindo-a ao arrependimento (Mt. 18.16). Nos casos de ofensas pessoais, isto é, que envolvam membros da igreja, é recomendável que a pessoa ofendida busque a pessoa culpada em busca de reconciliação (Mt. 18.15). Caso a pessoa permaneça impenitente em relação ao pecado, deva-se levar à igreja, através da liderança, a fim de que o caso seja avaliado (Mt. 18.17). A pessoa que está sendo objeto da acusação deva ter amplo direito à defesa e somente ser disciplinada após a comprovação dos fatos, o que acarretará, se for o caso, em exclusão (Mt. 18.17). Nos casos de pecados públicos, a disciplina é necessária a fim de: 1) proteger a integridade da igreja (At. 20.28-31; Hb. 12.14-16); e 2) restaurar o transgressor à igreja, conduzindo-o ao arrependimento (Gl. 6.1; Tg. 5.19,20). Não saudável viver a procura de casos de pecados na igreja, mas, por outro lado, não se pode deixar de atentar para os casos dignos de disciplina (Mt. 13.28-30). A disciplina preventiva, por meio do ensino da Palavra, é a melhor maneira de evitar medidas mais amargas posteriormente (II Tm. 2.24-26; Tt. 1.9).

CONCLUSÃO

A observança da disciplina foi tão importante no Antigo Testamento quanto na igreja primitiva, ao mesmo tempo que continua sendo nos nosso dias, a disciplina é uma importante base para uma vida espiritual decente.A aplicação da disciplina é de elevada importância levando em consideração alguns fatores dentre tais o amor, afim de que o que necessite da mesma venha ao arrependimento no intuito de uma devida restauração.

FONTE: EBDWEB

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

5ª LIÇÃO: OS SINAIS E MARAVILHAS NA IGREJA



IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS
RUA FREDERICO MAIA 49, CENTRO - VIÇOSA ALAGOAS
ESCOLA BÍBLICA
PASTOR LOCAL: PR.DONIZETE INÁCIO DE MELO
SUPERINTENDENTE: PB. EFIGÊNIO HORTENCIO DE OLIVEIRA
TEXTO ÁUREO

“Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo […]” (Hb 2.4).
I. INTRODUÇÃO)

Atos dos Apóstolos narra o vertiginoso crescimento quantitativo e qualitativo da igreja primitiva. É curioso pensarmos como isso aconteceu entre um povo oprimido, inculto e com uma teologia sectária e legalista. Sem dúvidas, uma grande razão foram os sinais e maravilhas freqüentes da parte de Deus. O livro de Atos dos Apóstolos é o livro-texto de Deus para regular a vida normativa da Igreja em todos os tempos. Atos tem 28 capítulos e em cada um deles encontramos sinais, maravilhas e eventos sobrenaturais ocorrendo. Milagres não são como um espetáculo, que gera assombro, nem servem para promover a pessoa a quem Deus usa. Ao contrario, eles são sinais e evidências da presença de Deus, e são belos sinais de Sua compaixão para com aqueles que estão sofrendo ou estão cativos de demônios. Os milagres apontam para a Cruz e para o poder do Senhor Jesus (At 5.12-14). Boa aula!

(II. DESENVOLVIMENTO)

I. SINAIS E MARAVILHAS, A AÇÃO SOBRENATURAL DA IGREJA

Maravilhas - do gr ‘terás’, ‘algo estranho’, que leva o observador a se maravilhar, sempre é usado no plural e geralmente depois do termo ‘semeia’, ‘sinais’). Em At 2.19, teras aparece sozinho (prodígios). O sinal tem o propósito de apelar para o entendimento, a ‘maravilha’ apela para a imaginação, o poder (dunamis) indica que a sua fonte é sobrenatural[1]. A mensagem de Jesus consistia na trilogia: ensinar, pregar e curar (Mt 4.23; 9.35). Isso Jesus mandou que seus discípulos fizessem (Mt 28. 19,20; Mc 16.15-19). É essa a mensagem que pregamos na atualidade. Em At 2.43, Lucas afirma: ‘e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos’, isso nos mostra que o poder de Jesus, para curar os enfermos, continua, o qual foi delegado aos seus discípulos. Nos textos de 1Co 12.7-11, Ef 4.11-12 e 1Pe 4.10,11 está revelado que o Espírito Santo concede aos crentes habilidades sobrenaturais para que a igreja possa cumprir a sua missão no mundo até a volta de Jesus Cristo. A relação dos dons espirituais é enorme: profecia, ensino, cura, hospitalidade, milagres, sabedoria, socorro, generosidade, etc. (1Co 12.4-11, 28-30; Rm 12.6-8; Ef 4.11; 1Pe 4.9,10). Dentre os dons espirituais, há um grupo de dons especiais que são destinados a autenticar diante dos incrédulos a mensagem do evangelho de Cristo, chamados de dons extraordinários - os dons de milagres, cura, exorcismo, profecia, línguas e interpretação. Sinais e maravilhas são de suma importância para a pregação do Evangelho.
1. Definição. Milagre (do Gr ‘dunamis’, ‘poder, habilidade inerente’, é usado acerca de feitos de origem e caráter sobrenaturais, visto que não podem ser produzidos pelos agentes e meios naturais[1]; do latim miraculum, do verbo mirare, “maravilhar-se”) é um fato dito extraordinário que não possui uma explicação científica. No Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “ato ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais”. Para os crentes, sua realização é atribuída à onipotência divina, é considerado como um ato de intervenção de Deus no curso normal dos acontecimentos.

2. Objetivos do milagre. Na Bíblia, os milagres e as curas eram sinais para confirmar a mensagem dos pregadores. Deus autenticou cada nova mensagem com sinais (Hb 2.3-4; Mc 16.20). Os milagres que acompanham as pregações de discípulos confirmaram às pessoas que os mensageiros diziam a verdade, que Deus estava sustentando suas mensagens com fenômenos sobrenaturais e que uma nova dispensação, a era da graça, havia entrado no mundo. Sinais e Maravilhas têm como finalidade conduzir os seres humanos a Deus de modo extraordinário. Estas ações extraordinárias nos foram dados para vermos a manifestação da glória de Deus Pai e do Senhor Jesus [E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.(Jo 11.4); Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. (Jo 2.11)]. Todo milagre que Deus realiza serve, primeiro, para manifestar a Sua glória, serve para que todos conheçam a glória Dele, para que todos saibam o quanto Ele é capaz de fazer. Além das duas citações feitas pelo comentarista, há uma outra finalidade: toda cura através de Cristo é a obra de Deus invadindo a esfera de Satanás e destruindo a sua obra (1 Jo 3.8). Não obstante o objetivo prático podemos constatar pela experiência, que nem todos que buscam um milagre, alcançam. O Pr Augustus Nicodemus afirma isso da seguinte maneira:“Creio em milagres. Creio que Deus cura hoje em resposta às orações de seu povo. Durante meu ministério pastoral, tenho orado por pessoas doentes que ficaram boas. Contudo, apesar de todas as orações, pedidos e súplicas que os crentes fazem a Deus quando ficam doentes, é um fato inegável que muitos continuam doentes e eventualmente, chegam a morrer acometidos de doenças e males terminais”[2].

SINÓPSE DO TÓPICO (1)

Os sinais e maravilhas são operações extraordinárias e sobrenaturais de Deus com o propósito de glorificar o nome do Senhor e expandir-lhe o Reino.

II. O MILAGRE NA PORTA FORMOSA

O historiador judeu Flavio Josefo comenta: “O templo tinha nove portas, que eram revestidas de ouro e prata em todos os lados, mas havia uma porta, que estava fora da casa santa e era de bronze de Corinto e muito excedia aquelas que eram apenas revestidas de ouro e prata. A magnitude das outras portas era igual em todas. Contudo, a porta de Corinto, que abria para o Oriente, em oposição à porta da própria casa santa, era muito maior, pois sua altura era 50 côvados, isto é, cerca de 25 metros, e era adornada da maneira mais rica, tendo placas mais ricas e mais grossas de prata e ouro que as outras. Esta última é, provavelmente, a porta chamada Formosa, porque era no exterior do templo, para a qual havia fácil acesso e visto que era, evidentemente, a de maior valor”. A palavra hebraica para formosa, bela é ‘yafeh’, e qualquer turista pode entrar na Antiga Cidade de Jerusalém pela ‘Porta de Jaffa’; é o fim da estrada que vem do porto de Yafo (Jaffa, Jope), no litoral sul de Tell Aviv, assim chamada por sua beleza. A porta à qual o texto se refere pode ser a Porta Nikanor, mencionada na Mishna, que saía do pátio dos gentios e se estendia até o pátio das mulheres no Templo[3]. Pela Porta Formosa do Templo de Jerusalém passavam sacerdotes, rabinos, comerciantes, enfim, muita gente ilustre e rica que possivelmente via aquele aleijado a mendigar diariamente, sempre no mesmo lugar e, tudo o que podiam fazer era dar-lhe algumas moedas e nada mais. E o homem continuava paralítico necessitado. Essa situação só mudou quando providencialmente, a cura do mendigo coxo foi realizada pelo poder de Cristo operando através de Pedro. Jesus disse aos seus seguidores no tocante àqueles que viriam a crer nEle: ‘Em meu nome…imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão’ (Mc 16.17,18).

1. Oração e milagre. Pedro e João estavam subindo os terraços para os átrios do templo na hora da oração, às três horas da tarde (havia duas outras, às nove da manhã, e ao meio dia; nas contas romanas, o dia iniciava com o nascer do sol; portanto, a ‘hora nona’ era cerca de 15:00hs). David H. STERN afirma que “de acordo com uma fonte talmúdica, os três cultos de oração foram instituídos depois da destruição do primeiro Templo para substituir os sacrifícios (veja Dn 6.11 para um costume semelhante durante o exílio na Babilônia). Os três cultos são denominados Shacharit (manhã), Minchah (tarde) e Ma’ariv (noite)[3]. Os apóstolos e os que se convertiam a Cristo continuavam a fazer suas orações no templo, mesmo que já não observassem todos os ritos. Devemos buscar a presença de Jesus em nossa vida, pois é Ele quem comunica ao nosso coração a necessária fé para que haja sinais e maravilhas (Rm 12.3; 1Co 12.9; Fp 2.13). A igreja continuou o ministério de cura que Jesus exercera, em obediência à sua vontade, fato demonstrado pelo milagre que recebeu o coxo da porta Formosa. O milagre aqui foi realizado mediante a fé em nome de Jesus Cristo (v. 6) e o dom de curar, operando através de Pedro (1Co 12.1,9). Pedro declarou que não tinha prata nem ouro, mas que daria ao mendigo coxo algo muito mais valioso. O mandamento para buscarmos a comunhão com Deus por meio da oração vem através dos salmistas (1Cr 16.11; Sl 105.4), dos profetas (Is 55.6; Am 5.4,6), dos apóstolos (Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17) e do próprio Senhor Jesus (Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24). Deus aspira a comunhão conosco; mediante a oração, mantemos o nosso relacionamento com Ele. A oração é o elo de ligação que carecemos para recebermos as bênçãos de Deus, o seu poder e o cumprimento das suas promessas. Numerosas passagens bíblicas ilustram esse princípio. Jesus, por exemplo, prometeu aos seus seguidores que receberiam o Espírito Santo se perseverassem em pedir, buscar e bater à porta do seu Pai celestial (Lc 11.5-13).

2. Quando nem o ouro nem a prata fazem a diferença. Pedro declarou que não tinha prata nem ouro, mas nem por isso deixou de ser um crente vitorioso. Ao contrário do que andam pregando alguns pastores, a alegria do crente não reside na riqueza, mas em ter a segurança da salvação eterna em Cristo Jesus (Ef 2.8). Nas incomensuráveis palavras de Paulo: ‘Como contristados, mas sendo alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo e possuindo tudo’ (2Co 6.10). Foi com essa alegria e certeza que Pedro deu ao mendigo coxo algo muito mais valioso. As igrejas que desfrutam de prosperidade material devem meditar nestas palavras de Pedro e adotá-las como ‘texto áureo’ bem como as palavras de Paulo como ‘verdade prática’. Muitas igrejas dos nossos dias já não podem dizer: Não tenho prata nem ouro, mas também não tem condição de dizer: Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda .

3. O milagre na Porta Formosa. Já temos ouvido muitas pregações acerca da cura do coxo na Porta Formosa e talvez imaginemos que o coxo estava sentado à porta do templo, quando Pedro e João iam entrando. Na verdade, quando se encontrou com os apóstolos, estava exatamente sendo carregado por alguém para ser colocado no local costumeiro. “E Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona. E era trazido um varão que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual, todos os dias, punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam”. (At 3.1,2). Esse detalhe é importante por que aponta para alguém que conduziu o coxo à posição de receber a cura! À porta chamada Formosa, ironicamente, jazia o coxo e para este, essa porta significava humilhação, vergonha, dor e tristeza. Ele nunca pôde atravessá-la. Nunca soube como era o outro lado. Aquela porta não tinha nada de formosa para ele. Ela o impedia de entrar no templo – era deficiente físico e mendigo, escória da sociedade. Era para ali levado e deixado todos os dias para pedir esmolas. Pedro, cheio do poder do Espírito, fixa o olhar naquele que lhe estendia a mão esperando uma esmola e ousadamente diz:“Olha para nós” surpreendendo com essa ordem o coxo acostumado a não ser notado pelos que cruzavam a porta do Templo […] Não tenho nem prata nem ouro mas, o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” Que autoridade! Que intrepidez e ousadia! Que intimidade! Pedro estende a mão, o levanta; o homem saltou, andou e adorou a Deus. É dever de todo crente ministrar as bênçãos de Deus para o necessitado. È em situações como essa que Deus nos concede oportunidade de evangelizar!

SINÓPSE DO TÓPICO (2)

Pedro e João oram em nome de Jesus e um milagre é realizado na porta do Templo chamada Formosa.

III. O MILAGRE ABRE A PORTA DA PALAVRA

O Espírito Santo criou nos apóstolos um desejo irreprimível de proclamar o evangelho. Por todo o livro de Atos, o Espírito impeliu os crentes a levar o evangelho aos outros (1.8; 2.14-41; 3.12-26; 8.25,35; 9.15; 10.44-48; 13.1-4). Pregação e milagres devem seguir à pregação das Boas Novas (cf. 3.1-10; 4.8-22,29-33; 5.12-16; 6.7,8; 8.6ss.; 15.12; 20.7ss). É mediante estes sinais que Cristo confirma a palavra de suas testemunhas (14.3; cf. Mc 16.20). Demonstrando a existência do poder divino e advertindo ou encorajando a fé; por sua vez, prodígios se refere a eventos extraordinários que causam pasmo ao espectador. Note que a igreja estava orando pela realização de curas, sinais e maravilhas (At 4.30). A igreja dos nossos dias precisa interceder ferventemente em oração para Deus confirmar o evangelho com grande poder, milagres e graça abundante. Somente quando o evangelho é proclamado com poder, como declara o NT, é que o mundo perdido pode ser ganho para Cristo. Mas precisamos tomar cuidado quando o assunto é milagres! ‘Algo que esta se tornando comum é acreditar que todos os milagres que vemos são farsas ou puras alucinações. Esse pensamento extremamente crítico quanto aos milagres se deve basicamente a um argumente contra os milagres utilizados pelo cético David Hume (1711-1776). Segundo ele, uma pessoa sábia não devia acreditar em milagres pois eles são acontecimentos raros, e acontecimentos raros têm evidências menores do que acontecimentos comuns, assim, devemos acreditar naquilo que tem evidência maior (acontecimentos comuns). Norman Geisler comparou esse argumento ao fato de se ganhar na loteria e não acreditar nisso ao menos que você ganhe mais 5 vezes, até que assim se torne um acontecimento comum. Pois o fato de um acontecimento ser raro não significa que ele não tenha acontecido e muito menos que as evidências para ele sejam menores. Portanto esse argumento logo é refutado. Mas e hoje? Devemos acreditar? Sim, devemos, mas não em todos. Como podemos ver, os milagres já não são tão raros, pois podemos assisti-los todos os dias pela televisão acontecendo aos montes. O fato é que provavelmente existem fraudes nesses programas. Não que todos que testemunhem estejam mentindo, alguns devem ter sido realmente curados pelo poder de Deus, mas existem casos em que se percebe a falta de bom censo, como os casos de cura de dor de cabeça ou coceira no ouvido (acredite ou não já ouvi isto), coisas que podem ser totalmente psicológicas (placebo ou cura psicossomática) ou até mesmo mentira. Portanto se, por exemplo, você conhece uma pessoa que recebeu o milagre e sabe que sua doença era grave e hoje está curada, mesmo com a descrença dos médicos quanto à possibilidade da cura, porque não acreditar? A evidência maior esta a favor do raro, do milagre. Porém, sempre que a evidência maior estiver a favor do comum, como por exemplo uma cura de dor de barriga, o mais sábio é acreditar no comum, uma simples cura psicológica’[4].

SINÓPSE DO TÓPICO (3)

Os milagres realizados em nome de Jesus abriram as portas para que a Palavra de Deus fosse proclamada.
III. CONCLUSÃO)

‘O Deus de Abraão, e de Isaque, e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Filho Jesus […] a fé que é por ele deu a este, na presença de vós, esta perfeita saúde’ (At3.13 e 16). Pedro declarou que não tinha prata nem ouro, mas que daria ao mendigo coxo algo muito mais valioso. Que lição extraordinária aprendemos neste domingo! Devemos crer em milagres? Sim! A quem daremos o crédito? À denominação a qual fazemos parte? Ao ‘pregador-ídolo’ que se apresenta em mega-eventos? Pedro inicia sua defesa, humildemente perguntando: ‘porque vos maravilheis disto? Ou, por que olhais para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem?’ (AT 3.12). David H. STERN afirma que “essa frase (At3.13) não aparece por acidente no discurso de Pedro. São duas partes que constam do primeiro parágrafo da ‘Amidah’, a seção central do culto de oração Minchah, que começa com: ‘Louvado sejas tu, Adonai nosso Deus e Deus de nossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó […]’, o que seus ouvintes teriam acabado de recitar nas orações minchah em todas as dependências do Templo, boa parte das quais ainda hoje se fazem no mura das lamentações’[5]. Ao usar as mesmas palavras com as quais o povo acabara de se dirigir à Deus, Pedro diz que a cura do mendigo coxo foi realizada pelo poder de Cristo operando através deles. Jesus disse aos seus seguidores no tocante àqueles que viriam a crer nEle: Em meu nome…imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão (Mc 16.17,18).

CONCLUSÃO
Mediante a esta tão enriquecedora lição, venhamos nós que fazemos a igreja de Cristo na terra refletir que Deus espera de cada um que assim forma sua igreja, o despredimento de suntuosidade que as vezes impede a operação de milagres através do seu Santo Espírito, que as pessoas possam contemplar cada um de nós o mesmo que foi na vida de pedro e João a saber, O LEVANTA E ANDA.
QUE DEUS EM CRISTO ABENÇOE A TODOS.
FONTE DE PESQUISA: EBDWEB

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SERÁ QUE DEUS É CULPADO?



SERÁ QUE DEUS É CULPADO?
A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela: “Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro?”



Anne Graham deu uma resposta profunda e sábia: “Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua Benção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?



“À vista de tantos acontecimentos recentes: ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc. eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém. Logo depois o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua autoestima (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: 'Um perito nesse assunto deve saber o que está falando'. E então concordamos com ele. Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia disciplinar os alunos. (Há diferença entre disciplinar e tocar). Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar. Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas, quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: 'Está bem!' Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino. E nós dissemos: 'Está bem, isto é democracia, e eles tem o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso'. Depois outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição da internet.



“Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência e por que não sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado; por que não lhes incomoda matar pessoas estranhas, ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios... Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos só aquilo que semeamos!!!



“Se uma menina escrevesse um bilhetinho para Deus, dizendo: ‘Senhor, por que não salvaste aquela criança do assassino na escola? E também o nosso país em 11 de setembro?’ A resposta dEle seria: ‘Querida criança, não me deixam entrar nas escolas, quanto mais no seu país!’



“É triste como as pessoas simplesmente culpam Deus e não entendem por que o mundo está indo a passos largos para o inferno. É triste como cremos em tudo o que os jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que Deus diz. É triste como todo mundo quer ir para o céu, desde que não precise crer, nem pensar ou dizer qualquer coisa que Ele ensina. É engraçado como somos rápidos para julgar, mas não queremos ser julgados! Como podemos enviar centenas de piadas por e-mail - e elas se espalham rápido como o fogo -, mas quando tentamos enviar algum e-mail a respeito de Deus, as pessoas têm medo de compartilhá-lo e re-enviá-lo a outros. É triste ver os EUA armar e treinar uma nação como o Iraque ou o Afeganistão para matar os outros, e depois ver eles se voltarem contra nós. Porém, como reclamar? Fomos nós que os ensinamos a matar.



A gente colhe o que semeia. Está na Bíblia: ‘O que o homem semear, isso colherá.’”(Gálatas 6:7)

FONTE: WEB

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

4ª Lição: O PODER IRRESISTÍVEL DA COMUNHÃO NA IGREJA



Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Frederico Maia, 49 - Centro
Viçosa - Alagoas
Escola Bíblica Dominical
Pastor: Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigênio Hortêncio de Oliveira

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito da importância da comunhão na igreja de Jesus Cristo. A principio, definiremos bíblico-teologicamente o significado da palavra comunhão. Em seguida, analisaremos a comunhão dos primeiros cristãos de Jerusalém. Ao final, atentaremos para a necessidade da comunhão na igreja, enquanto marca caracterizadora da unidade.

1. COMUNHÃO, DEFINIÇÃO DO TERMO
A palavra comunhão, no grego do Novo Testamento, é koinonia. Esse termo também pode ser traduzido como participação e partilha. Em geral, se refere aos interesses mútuos entre os membros da comunidade da fé, a igreja. A comunhão cristã é descrita em At. 2.42, neste versículo, a koinonia é apresentada como um dos padrões da igreja, os cristãos permaneciam em comunhão uns com os outros. Essa comunhão, no contexto de Atos, não se refere apenas ao ato de se reunir, mas também ao de partilhar alimento e outras necessidades existenciais. Essa palavra é bastante utilizada por Paulo, 13 das 19 vezes no Novo Testamento. Ele usa o termo koinonia para se referir às coletas para suprir os crentes pobres de Jerusalém (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13). Para tanto, há a necessidade que os interesses dos outros tenham proeminência (Fp. 2.1). A palavra koinonia é usada por Paulo também para se referir à participação do cristão nos sofrimentos de Cristo (Fp. 3.10), à comunhão do Espírito (II Co. 13.13), à participação do corpo e sangue de Cristo por ocasião da Ceia do Senhor (I Co. 10.16). O apóstolo João admoeste aos cristãos para que esses tenham comunhão uns com os outros (I Jo. 1.3,7). O fundamento desta, segundo o discípulo amado, se encontra na comunhão que temos tanto com o Pai quanto com o Seu Filho, Jesus Cristo (I Jo 1.3,6).

2. A COMUNHÃO DOS CRISTÃOS DE JERUSALEM
Os primeiros cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, no partir do pão, e nas orações (At. 2.42). Lucas registra ainda que “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At. 2.44,45). Essa passagem de Atos, especialmente o versículo 42, revela que a igreja primitiva: 1) estava disposta a aprender, pois perseverava na doutrina dos apóstolos, portanto, não se apartava do ensino; 2) exercitava o amor, e esse era concretizado na comunhão dos santos, partilhando voluntariamente os bens com os necessitados; 3) cultuava a Deus, partindo o pão e nas orações, tanto no templo (formalmente) quanto nas casas (informalmente) (v. 46); e 4) propagava a Palavra de Deus, e através desta, pessoas se convertiam ao evangelho de Jesus Cristo (v. 47). A respeito das contribuições aos necessitados na igreja de Jerusalém é preciso fazer alguns esclarecimentos. Primeiramente não se tratava de uma obrigatoriedade, pois ainda que alguns vendessem seus bens e os depositassem aos pés dos apóstolos, outros continuavam com suas casas, já que nelas se reunião. Essa verdade pode ser identificada na atitude hipócrita de Ananias e Safira. A esses disse Pedro: “conservando-o, porventura, não seria teu? E vendido, não estaria em teu poder?” (At. 5.4). Do contexto de Atos, extraímos o princípio da generosidade, especialmente em relação aos pobres e necessitados. A prioridade da igreja deva ser o evangelho salvador de Jesus Cristo, esse, ao contrário do que defendem certos evangélicos, inclui o cuidado com os pobres da igreja (II Co. 9.1).
3. COMUNHÃO, A MARCA DO CRISTÃO
A comunhão é uma marca caracterizadora do cristão, já que somos dependentes, tanto de Deus quanto dos irmãos. Conforme escreveu o poeta inglês John Donne, “nenhum homem é uma ilha”. A atitude de autossuficiência na igreja pode levar as pessoas a viverem distantes umas das outras, a agirem indolentemente no seio da igreja (Hb. 5.12; Rm. 12.1-3). A amargura também pode impedir o desenvolvimento da comunhão na igreja. Cristãos amargurados tratam uns aos outros com hostilidade (Hb. 12.15). Não são poucas as pessoas com orgulho ferido nas igrejas evangélicas. Por causa desse sentimento, elas têm dificuldade para estabelecer vínculos. O elitismo eclesiástico pode também ser um empecilho para a comunhão. As chamadas “panelinhas” nas igrejas, como havia em Corinto (I Co. 3.4), coloca alguns em preferência em detrimento de outros. Conforme afirmou John Wesley certa feita, nada mais anticristão do que um cristão solitário. Nos dias atuais, marcados pelas redes de relacionamentos, as pessoas precisam estar mais juntas. Não apenas nos espaços internéticos, mas também nos encontros presenciais. A frieza do monitor e do teclado do computador não substitui o abraço e o aperto de mão. A cultura ocidental nos legou o individualismo, e, infelizmente, até mesmos em determinadas igrejas, é cada um por si e o diabo contra todos. A igreja do Senhor não é uma empresa, mas uma família na qual somos irmãos, filhos do mesmo Pai, e como tais devemos nos relacionar. É na igreja que encontramos (ou pelo menos deveríamos encontrar) graça e refrigério para as nossas almas (Rm. 1.11,12).

CONCLUSÃO
A comunhão cristã é um exercício de partilha, por meio dela, transmitimos uns aos outros, a graça de Deus manifestada em Jesus Cristo. Neste Centenário, a política eclesiástica tem atrapalhado a comunhão no seio da igreja. É uma pena que não possamos celebrar juntos os cem anos da Assembléia de Deus no Brasil. As vaidades pessoais estão para além da comunhão cristã. Os líderes estão dando um péssimo exemplo, expondo a igreja ao vitupério. Que Deus desperte a Sua igreja e nos ensine, não somente neste ano, mas até a Sua volta, a colocar os interesses dos outros acima dos nossos (Fp. 2.3,4), procurando guardar a unidade do Espírito pelo vinculo da paz (Ef. 4.3).
FONTE:EBDWEB

domingo, 16 de janeiro de 2011

MACEIÓ ALAGOAS

PARA QUEM NÃO CONHECE E PARA QUEM SENTE SAUDADE.




AFINAL. QUEM FOI JESUS REALMENTE?



Nem todos os que hoje se consideram cristãos aceitam que Jesus, foi e fez o que os Evange-lhos nos dizem. Em 1994 uma pesquisa. revelou que 87% dos americanos acreditavam que Jesus ressuscitou literalmente dos mortos. Três anos depois, a pesquisa descobriu que 30% dos americanos que se consideram verdadeiros cristãos não aceitavam que a ressurreição de Jesus tenha sido algo físico e literal, mas sim uma série de experiências psíquicas dos seus discípulos, que de alguma forma os transformou completamente.

O Jesus sobrenatural
Durante séculos o relato dos Evangelhos acerca de Jesus vem sendo aceito pela Igreja cristã em geral como sendo fidedigno, isto é, correspondendo com exatidão aos fatos que real-mente ocorreram no início do primeiro século, e que formam, a base histórica do cristia-nismo. Baseando-se nesse relato, o cristianismo vem ensinando, desde o seu surgimento, que Jesus é o verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que nasceu de uma virgem, que reali-zou milagres e que ressuscitou fisicamente de entre os mortos. A teologia cristã nunca teve dificuldade séria em admitir a atuação miraculosa de Deus na história, e sempre encarou a mensagem da Igreja apostólica registrada no Novo Testamento (como as cartas de Paulo e os Evangelhos) como sendo o registro acurado dos eventos sobrenaturais que se sucederam na vida de Jesus de Nazaré. Os Concílios cristãos que elaboraram dogmas a respeito da pessoa de Jesus (Nicéia, 325; Constantinopla, 381; Calcedônia, 451), não o fizeram como meras idéias divorciadas da história e de fatos concretos. Para eles, a Segunda Pessoa da Trindade encarnou, viveu, atuou, morreu e ressuscitou dentro da história real.

O Jesus racional
A situação mudou, com o surgimento do Iluminismo no início do século XVIII. A razão humana foi endeusada como capaz de explicar todas as dimensões do universo e da exis-tência do homem. Tudo que não pudesse ser aceito pela razão deveria ser rejeitado. Houve uma “desmistificação” de todos os aspectos da vida e do pensamento. A própria Igreja se viu invadida pelo racionalismo. Muitos estudiosos cristãos se tornaram racionalistas em alguma medida. Como resultado, em muitas universidades e seminários chego-se à conclu-são de que milagres realmente não acontecem. Os relatos dos Evangelhos acerca da divin-dade de Jesus e de sua atividade sobrenatural passaram a ser desacreditados. Era preciso pesquisar para encontrar o verdadeiro Jesus, já que aquele pintado nos Evangelhos nunca poderia ter realmente existido. E assim teve, inicio a “busca do Jesus histórico”, levada a efeito por professores e eruditos de universidades e seminários cristãos que achavam irra-cional o Jesus sobrenatural dos Evangelhos.

Eles afirmaram que para reconstruir o verdadeiro Jesus era necessário abandonar os antigos dogmas da Igreja cerca da inspiração e infalibilidade das Escrituras, bem como sobre a di-vindade de Jesus Cristo. Era preciso usar o critério da razão para separar nos relatos bíblicos a verdade da fantasia, Para isso, desenvolveram vários métodos que analisavam os E-vangelhos como qualquer outro livro antigo de religião, procurando descobrir como as idéias fantasiosas acerca de Jesus se originaram nas igrejas cristãs primitivas. Pensavam (inge-nuamente) que seria possível examinar a história de forma isenta de preconceitos ou pres-suposições. Acreditavam. que o historiador era tão inocente quanto um eunuco. Entretanto, quando os resultados apareceram, verificou-se que o Jesus reconstruído por eles tinha a “cara” de seus criadores.

No século XVII alguns desses estudiosos publicaram obras asseverando que os escritores bíblicos eram impostores fraudulentos; estes estudiosos ofereceram suas próprias recons-truções do verdadeiro Jesus de uma perspectiva totalmente humanística. Segundo alguns deles, Jesus fora um judeu que se considerava como o messias de Israel, e que tentara esta-belecer um reino terreno e libertar os judeus da opressão política. Ele pensava que Deus o ajudaria nisto, mas desapontou-se ao ser preso e crucificado (“Deus meu, Deus meu, por desamparastes ... ?”). Os discípulos, disseram estes estudiosos, a principio ficaram atônitos com o fracasso de Jesus; mas depois roubaram seu corpo e substituíram a idéia de um reino messiânico terreno pela idéia de uma “segunda vinda”. Também inventaram os relatos dos milagres tendo como base os milagres do Antigo Testamento, quando Jesus, na verdade não havia feito milagre algum. O propósito dos discípulos com esse embuste, afirma os raciona-listas, fora ter um meio de vida, pois não queriam voltar a trabalhar. Obras desse tipo hoje estão desacreditadas e mesmo estudiosos críticos as consideram como amadorísticas e su-perficiais. Entretanto, elas deram o impulso inicial à busca do Jesus da história, que para seus empreendedores, não era o mesmo Cristo da fé da Igreja.

No século XVIII apareceram muitas “vidas de Jesus”, que eram tentativas de reconstrução novelística do que teria sido a verdadeira vida de Jesus de Nazaré. Nelas, Jesus foi geral-mente considerado como um reformador social, um visionário, que pretendia construir uma sociedade melhor através de uma religião associada à razão. Os milagres dos Evangelhos foram explicados apelando-se para causas naturais. As explicações para o surgimento da crença dos discípulos na ressurreição são por vezes curiosas. A mais freqüente é a de que Jesus não havia morrido realmente, mas entrado em coma. Algumas são criativas: uma delas sugere que após a morte de Jesus, um terremoto sacudiu o local onde estava o túmulo de José de Arimatéia, dando a impressão de que o corpo morto de Jesus se movia com vida. Isso explicaria o surgimento da crença na ressurreição de Jesus. Outras, relacionadas às curas, dizem que Jesus nunca curou sem usar remédios. O vinho de Caná havia sido trazido pelo próprio Jesus. Para outros, algumas vezes Jesus atuava no sistema nervoso das pessoas através de seu poder espiritual. Milagres sobre a natureza foram, na verdade, ilusões que os discípulos tiveram acerca de Jesus, como por exemplo, o andar sobre as águas. Os discípu-los, afirmam os estudiosos liberais, imaginaram coisas como a transfiguração, entre outras. As ressurreições de mortos foram, na verdade, casos em que pessoas não estavam mortas de fato, mas apenas em estado de coma.

O Jesus liberal
Com a queda do racionalismo e o surgimento do existencialismo, alguns estudiosos procu-raram entender Jesus à luz da experiência religiosa. Jesus passou a ser visto como um ho-mem cujo sentido de dependência de Deus havia alcançado a plenitude. Esse conceito ser-viu de base para o desenvolvimento do seu retrato pintado pelos liberais, em que Ele era simplesmente um homem divinamente inspirado.

No século passado, os estudiosos, em busca do Jesus histórico, começaram a aceitar a idéia do “mito”, ou seja, a idéia de que os Evangelhos são relatos mitológicos sobre Cristo, lendas piedosas criadas cm torno da figura histórica de Jesus pelos seus discípulos. Assim, firmou-se a idéia de que Jesus não ressuscitou fisicamente. A ressurreição, na verdade, era a crença dos discípulos na presença espiritual de Jesus.

A essa altura, os próprios estudiosos perceberam que a “busca” não os estava levando a lugar algum. Era fácil destruir o Cristo dos Evangelhos, mas eles não conseguiam reconstruir um Jesus histórico que os satisfizesse. As vidas de Jesus reconstruídas pelos pesquisadores diziam mais acerca dos autores do que da pessoa que eles tentavam descrever. Os autores olharam no poço profundo da história em busca de Jesus, e o que viram foi seu próprio reflexo no fundo do poço. Também perceberam que haviam esquecido ou minimizado um importante aspecto da vida e do ensino de Jesus, que foi o escatológico-apocalíptico, proclamando o aspecto ainda futuro do reino de Deus. Essa conscientização desfechou um golpe fatal na concepção liberal de um reino de Deus que se confundia com uma sociedade ética no mundo presente, ou numa experiência espiritual interior, que dominava na época.

Além disso, o estudo crítico dos Evangelhos começou a afirmar que eles (os Evangelhos) não eram biografias no sentido moderno, mas apresentações de Jesus altamente elaboradas e adaptadas por diferentes alas da comunidade cristã nascente. Portanto, era impossível, achar o verdadeiro Jesus, pois ficara soterrado debaixo da maquiagem imposta pela Igreja primitiva. Como conseqüência, alguns começaram a insistir que o centro da fé para a Igreja não era o Jesus da história, mas o Cristo da fé, criado pela igreja nascente. Portanto, a busca estava baseada num erro (que o Jesus histórico era importante) e era teologicamente sem valor. O único Jesus em que os estudiosos deveriam se interessar era o Cristo da fé da igreja, pois foi o único que influenciou a história. Alguns, assim, se tornaram absolutamente cépticos quanto à possibilidade de se recuperar o Jesus histórico.

Tentando “salvar” a busca, esses estudiosos acabaram por piorar a situação. Quando sepa-ramos a fé dos fatos históricos, o Cristianismo, despido do seu caráter histórico, e dos fatos que lhe servem de fundamento, torna-se uma filosofia de vida. Uma fé que se apoia num Cristo que não tem nenhum ancoramento histórico toma-se gnosticismo ou docetismo.

Assim, os Evangelhos e o retrato de Jesus que eles nos trazem, passaram a ser vistos como uma elaboração mitológica produzida pela fé da Igreja. Segundo seus defensores, foi a i-maginação da comunidade que criou as histórias dos milagres e muitos dos ditos de Jesus.

Apesar das diversas tentativas de reconstrução, ao fim chegava-se a um Jesus cuja existên-cia era não apenas implausível, como impossível de ser provada. O Jesus liberal, desprovido do sobrenatural e da divindade, foi uma criação da obstinação liberal, que se recusava a receber como autêntico o relato dos Evangelhos sobre Jesus. A falta de comprovação histó-rica e documentária quanto ao Jesus liberal acabou por dar fim à “busca”.

O Jesus do liberalismo pouco se parecia com o Jesus da concepção histórica da Igreja de Jesus Cristo, como sendo tanto humano quanto divino, as duas naturezas unidas organica-mente numa mesma pessoa. O racionalismo eliminou a natureza divina de Cristo e a consi-derou como produto da Igreja, dissociada do Jesus da história. Jesus era apenas o grande exemplo, e a religião que Ele ensinou era simplesmente um moralismo ético e social.

O Jesus liberal fracassou cm todos os sentidos! Ele acabou fundando uma nova religião, mesmo sem querer. Acabou sendo “endeusado” pelos seus discípulos, contra a sua vontade. O seu ensino social e ético de um reino de Deus meramente humano acabou sendo sobrepu-jado pelo ensino de um reino de Deus sobrenatural, presente e ainda por vir. E sua verda-deira identidade se perdeu logo nos primeiros séculos, para ser “redescoberta” apenas de-pois de 2.000 anos de ilusões. Que ironia!

O Jesus libertador
Mas a tentativa dos estudiosos que não criam nos relatos miraculosos dos Evangelhos não parou com o fracasso. Em meados da década de 50, outros estudiosos, igualmente céticos, acharam que poderiam acertar onde os antigos liberais falharam, desde que não fossem tão radicais em seu ceticismo quanto aos relatos dos Evangelhos. Alguns discípulos dos teólo-gos liberais afirmaram que, apesar dos muitos erros nos Evangelhos, havia neles elementos históricos suficientes para se tentar chegar ao Jesus que realmente existiu. Um deles chegou mesmo a questionar: “se a Igreja primitiva era tão desinteressada na história de Jesus, por que os quatro Evangelhos foram escritos?” Os que escreveram os Evangelhos acreditavam seguramente que o Cristo que eles pregavam não era diferente do Jesus terreno, histórico.

Mas, ao fim, esses pesquisadores da “nova busca” pensavam de forma muito semelhante à dos seus antecessores: o Jesus que temos nos Evangelhos não corresponde ao Jesus que viveu em Nazaré há 2.000 anos, o qual pode ser recuperado pelo uso da crítica histórica. Uma coisa todos estes pesquisadores, antigos e novos, tinham em comum: não criam na divindade plena de Jesus, na sua ressurreição nem nos milagres narrados nos Evangelhos. Para eles, tudo isso havia sido criado pela Igreja. Além disso, eram todos comprometidos com a filosofia existencialista em sua interpretação dos Evangelhos. Os resultados da pes-quisa feita individualmente por eles, porém, eram tão divergentes, que a “nova busca” aca-bou desacreditada em meados da década de 70.

Mas o ceticismo destes estudiosos não deixou a coisa parar por aí. Faz poucos anos, um grupo de 75 estudiosos de diversas orientações religiosas reuniu-se nos Estados Unidos para fundar o “Simpósio de Jesus” (The Jesus Seminar), que os reúne regularmente duas vezes ao ano para levar adiante a “busca pelo verdadeiro Jesus”. Suas idéias básicas são fundamentalmente as mesmas dos que empreenderam a “busca” antes deles, ou seja, que o retrato de Jesus que temos nos Evangelhos é uma caricatura altamente produzida, resultado da imaginação criativa da Igreja primitiva. A novidade é que agora incluíram material ex-trabíblico em suas pesquisas, como o evangelho apócrifo de Tomé, o suposto documento “Q” contendo ditos antigos de Jesus e os Manuscritos do Mar Morto.

A conclusão do simpósio é que somente 18% dos ditos dos Evangelhos atribuídos a Jesus foram realmente pronunciados por Ele. O simpósio, trouxe a público esse resultado de suas pesquisas bastante cépticas quanto á confiabilidade dos Evangelhos, causando grande sen-sação e furor nos Estados Unidos e na Europa, e reacendendo, em certa medida, o interesse pelo Jesus histórico. E mais uma vez a polêmica acerca de Jesus foi reacendida, desta feita ganhando até a capa de revistas internacionais como Time, Newsweek e U.S. News & World Report, e do Brasil, como Veja e Isto É. Ao final, o Jesus do simpósio é uma mistura de sábio tímido, modesto demais para falar de si mesmo ou de sua missão neste mundo. A pergunta é: como uma pessoa assim conseguiu ganhar o ódio dos judeus e acabar sendo crucificada, um fato que até os antigos liberais radicais reconhecem como histórico?

Várias outras tentativas têm sido feitas cm tempos recentes para se descobrir o Jesus que realmente existiu por detrás daquele que é representado nos textos dos Evangelhos. Ele tem sido retratado diferentemente como profeta e libertador social, simpatizante dos Zelotes e de suas idéias libertárias, reformador social por meio pacíficos e espirituais, pregador itine-rante carismático e radical, instigador de um movimento, de reforma, libertador dos pobres, “homem, do Espírito”, que tinha visões e revelações e uma profunda intimidade com Deus, de quem recebia poder para curar, fazer milagres e expelir demônios. Um hasid, homem santo da Galiléia, um judeu piedoso, uma figura carismática, um operador de milagres, mo-vendo-se fora do ambiente oficial e tradicional do judaísmo, um exorcista poderoso e bem sucedido - o catálogo é interminável. Mas todas essas tentativas têm uma coisa em comum: para seus autores, o Jesus pintado pelos Evangelhos é o produto da imaginação criativa e piedosa, da fé dos discípulos de Jesus. Os defensores destas idéias partem do conceito de que a Bíblia nos oferece um quadro distorcido do verdadeiro Jesus.

De volta ao Jesus sobrenatural
Entretanto, é preciso mais do que teorias, como estas que acabei de expor, para tornar con-vincente a tese de que a comunidade cristã inventou tanto material sobre Cristo, e que ela mesma acabou crendo em sua mentira. É quase inconcebível que uma comunidade tenha criado material histórico para dar sustentação histórica à sua fé. Uma comunidade que dá tal importância aos fatos históricos, não os criaria! Além do mais, essas teorias não levam em conta o fato de que os eventos e ditos de Jesus foram testemunhados por pessoas que estiveram com Ele, e que essas testemunhas oculares certamente teriam exercido uma in-fluência conservadora na imaginação criativa da Igreja. Também ignoram o fato de que os líderes iniciais da comunidade os apóstolos, estiveram com Jesus e muito perto dos fatos históricos para dar asas à livre imaginação. Também deixa sem explicação o alto grau de unanimidade que existe entre os Evangelhos. Se cada Evangelho é o produto da imaginação criativa da igreja, como explicar diferenças entre eles? E se é o produto de comunidades isoladas, como explicar as semelhanças? Essas teorias são especulações e nada podem nos dar de evidência concreta. Portanto, continuamos a crer nas evidências internas e externas de que os Evangelho dão testemunho confiável do Jesus histórico, que é o mesmo Cristo da fé. Entretanto, o ceticismo crítico desses estudiosos influenciou de tal maneira os seminários que introduziu na Igreja de Cristo uma semente que produziu seu fruto amargo: um Evangelho e um Cristo, fruto da imaginação da Igreja, e que, portanto não tinham. poder, vitalidade nem respostas para as questões humanas. Resultado: igrejas esvaziadas por toda a Europa, em uma geração.

Queira Deus guardar as igrejas brasileiras dessas pessoas, e firmá-las cada vez mais no Se-nhor Jesus Cristo, fielmente retratado nas páginas do Evangelho.

FONTE:Augustus Lopes

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma Vida Cheia do Espírito : Oração Vitoriosa



Oração vitoriosa é aquela que consegue resultados. Fazer orações é uma cousa, vencer pela oração é outra. A vitória pela oração depende não tanto da quantidade, como da qualidade. A melhor introdução que tenho para este assunto é um fato da minha experiência anterior à minha conversão. Relato-o porque temo que tais experiências sejam muito comuns entre incrédulos.
Ao que me lembro, eu nunca assistira a uma reunião de oração antes de começar o curso de direito. Então, pela primeira vez, passei a morar nas proximidades de um local onde havia reunião de oração todas as semanas. Eu não tinha muita oportunidade para conhecer, ver ou ouvir religião; por isso não tinha opinião formada a respeito. Em parte por curiosidade e em parte por certo desassossego de espírito, dificil de definir, comecei a freqüentar a tal reunião de oração. Nesse mesmo tempo comprei minha primeira Bíblia e comecei a Iê-la. Escutava as orações que eram feitas naquelas reuniões, com a máxima atenção que eu poderia prestar a orações tão frias e formais. Cada um pedia o dom e o derramamento do Espírito Santo. Tanto nas orações como nos comentários que de vez em quando faziam, confessavam que não conseguiam ser atendidos por Deus. Isso aliás, era patente, e por pouco que não fez de mim um cético.
Vendo-me com tanta freqüência na reunião, o dirigente, certo dia, perguntou-me se eu não desejava que orassem por mim. Respondi que não, acrescentando: "Com certeza eu preciso de oração, mas as suas orações não são atendidas. Os senhores mesmos o confessam." Manifestei então o meu espanto com esse estado de cousas, em vista do que a Bíblia diz das vitórias da oração. De fato, durante algum tempo fiquei grandemente perplexo e em dúvida diante dos ensinos de Cristo sobre a oração, em confronto com aqui|o que eu presenciava, semana após semana, na reunião de oração. Seria Cristo realmente um ensinador divino? Teria ele de fato ensinado o que os Evangelhos Ihe atribuíam? Devia ser tomado ao pé da letra? Seria verdade que a oração tinha valor para conseguir bénçãos da parte de Deus? Se era verdade, como explicar isto que eu presenciava semana após semana e mês após mês nessa reunião de oração? Esses homens seriam crentes de fato? O que eu ali ouvia, seria realmente oração, no sentido bíblico? Seria a oração que Cristo tinha prometido atender? Aí encontrei a solução.
Convenci-me de que eles estavam iludidos; que não obtinham vitórias porque não tinham nenhum direito a isso, pois não atendiam às condições que Deus determinou para que ele ouvisse a oração. Ao contrário, as oraçães deles eram justamente as do tipo que Deus prometera não atender. Evidentemente não percebiam que estavam correndo perigo de ir orando daquele modo até caírem no ceticismo quanto ao valor da oração.
Lendo a Bíblia, observei as seguintes condições estabelecidas:
1. Fé que Deus atende à oração. Isso, evidentemente, importa na esperança de recebermos aquilo que pedimos.
2. Pedir de acordo com a vontade de Deus. Isso claramente implica em pedir-lhe só as cousas que Deus está pronto a conceder, mas também pedir-lhe num espírito que ele possa aceitar. Temo que seja comum crentes deixarem de levar em conta o estado de espírito que Deus exige deles como condição para atender às suas orações.
Por exemplo, no Pai Nosso, o pedido: "Venha o Teu reino" requer, evidentemente, sinceridade para que tenha valor para Deus. Mas a sinceridade na apresentação desse pedido implica na consagração integral do coração e da vida de quem pede, para a consolidação desse reino. Implica em dedicar, a esse fim, tudo quanto temos e tudo quanto somos. Proferir essa petição em qualquer outro estado de espírito é hipocrisia e abominação diante de Deus.
Assim na petição seguinte: "Seja feita a tua vontade na terra como no céu", Deus não promete atender o pedido a não ser que seja feita sinceramente. Mas sinceramente importa num estado de espírito que aceite toda a vontade de Deus, até onde a entendemos, da mesma forma que é aceita no céu. Importa na obediência total, inspirada no amor e na confiança, a toda a vontade de Deus, quer seja essa vontade revelada na sua Palavra, pelo seu Espírito ou na sua providência. Significa que nos mantemos, a nós mesmos e a tudo que somos e possuímos, à disposição de Deus de forma tão absoluta e voluntária, quanto o fazem os habitantes do céu. Se ficamos aquém disso, retendo para nós o que quer que seja, estamos "contemplando a iniqüidade no coração", e Deus não nos ouvirá.
A sinceridade nessa petição significa um estado de absoluta e total consagração a Deus. Qualquer atitude que fique aquém dessa, importa em reter de Deus aquilo que lhe é devido. É "desviar os ouvidos de ouvir a lei". Mas que dizem as Escrituras? "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável." Será que entendem isso os que professam a fé?
O que é verdade com referência a essas duas petiçóes, também o é no que se refere a toda oração. Será que os crentes levam isso na devida consideração? Lembram-se de que tudo que se apresenta como oração é abominável se não for feito no estado de consagração inteira de quanto somos e temos a Deus? Se na oração e com ela, não nos oferecemos, com tudo quanto temos: se o nosso estado de espírito não é de quem aceita de coração toda a vontade de Deus, executando-a perfeitamente até onde a conhecemos, entao nossa oração é abominável. Que profanação terrível é o uso que freqüentemente se faz do Pai Nosso, tanto em público como em particular. Repetir como um papagaio "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, na terra como no céu", enquanto a vida está Ionge de se conformar com a vontade de Deus, é simplesmente revoltante. Ouvir os homens orarem: "Venha teu reino", enquanto está mais do que evidente que estao fazendo pouco ou nenhum sacrifício ou esforqo para promoverem esse reino, é uma refinada hipocrisia. Aí não há nada de oração vitoriosa.
3. A ausência do interesse egoista é uma condição da oração vitoriosa: "Pedis. e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tg 4.3).
4. Outra condição da oração vitoriosa é a consciência pura diante de Deus e dos homens. I João 3.20-22: "Se o nosso coração (nossa consciência) nos acusar, certamente Deus é maior do que o nosso coração, e conhece todas as cousas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus, e aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável." Aqui se tornam claras duas condições: primeira, que para sermos aceitos por Deus temos de conservar pura a consciência: e, segunda, que devemos guardar seus mandamentos e fazer diante dele o que Ihe é agradável.
5. Coração puro é condição da oração vitoriosa. Sl 66.18: "Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá".
6. Toda a confissão e restituição devidas a Deus e aos homens é outra condição da oração vitoriosa. Pv 28.13: "0 que encobre as suas transgressões, jamais prosperará: mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia".
7. Outra condição: mãos limpas. SI 26.6: "Lavo as mãos na inocência, e, assim, andarei, Senhor, ao redor do teu altar". I Tm 2.8: "Quero que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem contenda".
8. A solução das contendas e animosidades entre irmãos é uma condição. Mt 5.23,24: "Se, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta".
9. A humildade é outra condição da oração vitoriosa. Tg 4.6: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graçã aos humildes".
10. A remoção dos tropeços é ainda outra condição. Ez 14.3: "Filho do homem, estes homens levantaram os seus idolos nos seus corações, e o tropeço da sua iniqüidade puseram diante da sua face; devo eu de alguma maneira ser interrogado por eles?"
11. O espírito de perdoar também é condição. Mt 6.12: "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como temos perdoado aos nossos devedores"; Mt 6.15: "Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas".
12. Exercitar o espírito da verdade é outra condição. SI 51.6: "Eis que te comprazes na verdade no íntimo". Se o nosso coração não estiver no espírito de acato à verdade; se não for imediatamente sincero e isento de egoísmo, estaremos "atendendo à iniqüidade no coração" e, portanto, o Senhor não nos ouvirá.
13. Orar em nome de Cristo é condição da oração vitoriosa.
14. A inspiração do Espírito Santo é outra condição. Toda oração verdadeiramente vitoriosa é inspirada pelo Espírito Santo. Rm 8.26,27; "Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aque|e que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos". Esse é o verdadeiro espírito da oração: ser guiado pelo Espírito. É a única oração realmente vitoriosa. Será que realmente entendem isso os que se dizem crentes? Será que acreditam que, se não viverem e andarem no Espírito, se não aprenderem a orar pela intercessão do Espírito que está neles, não poderão ser vitoriosos com Deus?
15. O fervor é condição. Uma oração, para ser vitoriosa, tem de ser fervorosa. Tg 5.16: "Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a oração fervorosa de um justo."
16. A perseverança ou persistência na oração muitas vezes é uma condição de vitória. Vejam-se os casos de Jacó, de Daniel, de Elias, da siro fenícia, do juíz iníquo, e o ensino da Bíblia de modo geral.
17. Muitas vezes a angústia de espírito é condição da oração vitoriosa. "Desde as primeiras dores Sião deu à luz seus filhos". "Meus filhos", diz Paulo, "por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós". Isso dá a entender que, antes que se convertessem, Paulo já tinha sofrido angústia de espírito. De fato, a angústia da alma na oração é a única verdadeira oração vivificadora. Se alguém não a conhecer, não compeende o espírito da oração. Não se acha em estado de avivamento. Não entende a passagem já citada -- Rm 8.26,27. Enquanto ele não compreender essa oração angustiosa, não conhecerá o verdadeiro segredo do poder vivificador.
18. Outra condição da oração vitoriosa é o justo emprego dos meios para chegar ao objetivo, se os meios estiverem ao nosso alcance e se os reconhecermos necessários. Orar pelo reavivamento religioso e deixar de empregar qualquer outro meio, é tentar a Deus. Esse, conforme pude ver claramente, era o caso daqueles que faziam orações na reunião a que já me referi. Continuaram fazendo oração pelo avivamento, porém fora da reunião eram silenciosos como a morte no tocante ao assunto e nem abriam a boca para as pessoas ao redor. Continuaram nessa incoerência até o dia em que um descrente de destaque na comunidade lançou-lhes na minha presença uma tremenda repreensão. Ele expressou aquilo que eu sentia profundamente. Levantou-se e. com a maior solenidade e com lágrimas, disse: "Povo crente, que é que vocês querem dizer? Oram sempre, nestas reuniões, pedindo um reavivamento. Muitas vezes exortam uns aos outros a que despertem e usem meios para promover um avivamento. Afirmam uns aos outros, e também a nós que somos descrentes, que estamos caminhando para o inferno; e acredito que seja verdade. Insistem também em dizer que, se vocês mesmos despertassem, usando os meios apropriados, haveria um avivamento, e nos converteríamos. Falam-nos do nosso grande amigo, e de que nossas almas valem mais do que todos os mundos; entretanto. prosseguem nas suas ocupações relativamente triviais e não lançam mão desses meios. Não temos avivamento e nossas almas não são salvas." Nessa altura não teve mais palavras: sentou-se, soluçando.
Nunca me esquecerei como a reprimenda calou profundamente naquela reunião de oração. Fez-lhes bem, pois não demorou que as pessoas ali presentes se prostrassem, e tivemos um reavivamento. Estive presente na primeira reunião em que se manifestou o espírito de avivamento. E que transformação se verificou no tom das suas oracõs, confissões e súplicas! Voltando para casa com um amigo, comentei: "Que mudança nesses crentes! Isso deve ser o início de um reavivamento." Realmente, há uma transformação em todas as reuniões sempre que os crentes são reavivados. Suas confissões adquirem significado: significam reforma e restituição; significam trabalho, o uso dos meios, mãos, bolsos, e coração abertos, e a consagração de todos os seus recursos à promoção da obra.
19. A oração vitoriosa é especifica. Visa um objetivo definido. Não podemos obter vitória para tudo de uma só vez. Nos casos registrados na Bíblia, em que a oração foi atendida, é notável que o suplicante pedia uma bênção definida.
20. Outra condição da oração vitoriosa é que nossa intenção seja idêntica àquilo que dizemos na oração: que não haja nenhuma simulação; em resumo, que sejamos sinceros como crianças, falando do coração, nem mais nem menos do que aquilo que queremos dizer, que sentimos e cremos.
21. Outra condição da oração vitoriosa é um estado de espírito que presume a fidelidade de Deus a todas as suas prornessas.
22. Mais uma condição é que, além de "orar no Espírito Santo", "sejamos sóbrios e vigiemos em oração". Com isso me refiro à vigilância contra tudo quanto possa apagar ou entristecer o Espírito de Deus em nosso coração. Também me refiro à vigilância pela resposta, em estado de espírito que usará diligentemente todos os meios necessários, a qualquer custo, com instância sobre instância.
Quando estiver bem lavrado o terreno pousio no coração dos crentes e quando tiverem confessado e feito restituição -- desde que o trabalho seja completo e honesto -- cumprirão natural e inevitavelmente as condições, e obterão a vitória na oração. O que precisa ser muito bem cornpreendido, é que os demais não a obterão. Aquilo que comumente ouvimos em reuniões de oração e de conferência não é oração vitoriosa. É muitas vezes de estarrecer e de se lastimar, ver as ilusões que existem sobre o assunto. Quern já assistiu a reavivamentos legítimos e não se impressionou com a transformação de todo o espírito e caráter das orações dos crentes realmente avivados? Creio que nunca me poderia ter convertido, se não tivesse descoberto a solução do problema: "Por que tantas orações não obtêm resposta?
Fonte:Um Vida cheia do Espírito ( Charles G. Finney)