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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

6ª Lição do 3º trimestre de 2013: A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR


Texto Básico: Filipenses 2:19-30


“Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo, o mais breve possível, a fim de que eu me sinta animado também, tendo conhecimento da vossa situação” (Fp 2:19 –ARA)

INTRODUÇÃO

Na Aula 04, vimos Paulo apresentar o Senhor Jesus como o exemplo, o modelo de supremo de humildade. Mas alguém poderia argumentar: “Sim, mas Jesus era Deus e nós somos simples mortais”. Por isso, na Carta aos Filipenses, Paulo dá três exemplos de homens que manifestavam essa mesma atitude de Cristo: ele mesmo (Paulo – Fp 2:17,18), Timóteo e Epafrodito(Fp 2:19-30). Se compararmos Cristo ao Sol, esses três homens de Deus são luas refletindo a glória do Sol. São luzeiros num mundo em trevas. É bom nos conscientizarmos que, conquanto sejamos luz do mundo, não temos luz própria. Nós somos apenas como a lua, refletimos a luz do Sol (Jesus Cristo).
Nesta Aula, cabe uma reflexão do pastorado contemporâneo à luz do contexto evangélico atual. A cada ano a igreja evangélica se torna mais forte, midiática, política e numerosa. A tentação de homens desejarem o "episcopado" pela motivação errada é enorme. Não há outro caminho a ser feito para evitar as motivações erradas que o da humilhação, voluntariedade e simplicidade. Por isso todo candidato ao Ministério Eclesiástico precisa mergulhar profundamente no compêndio doutrinário da Igreja, o Novo Testamento, e vivenciar a vida daqueles que deram tudo de si para o engrandecimento do Reino de Cristo. Trataremos, à luz de Filipenses 2:19-30, da dedicação e fidelidade de Paulo, Timóteo e Epafrodito, homens que não mediram esforços para que a Obra de Cristo fosse plenamente exitosa.

I. A PREOCUPAÇÃO DE PAULO COM A IGREJA

O apóstolo Paulo era um verdadeiro pastor: provado e aprovado por Cristo. Um líder comprometido com o pastorado. Um líder que amava a Igreja de Cristo. Um líder que valorizava as pessoas. Embora estivesse tão distante, cerca de mil e cem quilômetros, tinha o seu coração inclinado para os cristãos de Filipos. Ele era um líder que amava a igreja e se preocupava com ela. Sem dúvida, estas são características basilares de um verdadeiro pastor. São as mesmas que vivenciava o seu Líder-mor, Jesus. Ele chegou a dizer que: "O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (João 10:11). Não há dúvidas que esta era a disposição do apóstolo Paulo. Somente dá a vida por alguém aquele que compreende o real valor do outro. Para o apóstolo o valor de uma vida era incalculável. Por isso, mesmo preso, Paulo informa o seu plano de enviar Timóteo a Filipos e a ida de Epafrodito, levando informações escritas, a saber, a Epístola de Filipenses, para assegurar aos cristãos daquela comunidade do bem-estar de Paulo. Estes obreiros, os quais foram preparados por Paulo, eram pessoas da sua maior confiança. Eles haviam aprendido o modelo paulino de liderança. Eles sabiam que o exercício do ministério de serviço (pastorado) deve levar em conta a humildade, a disposição e o amor pelas pessoas que constituem o rebanho.
A preocupação de Paulo com a igreja é demonstrada neste conselho contundente e bastante contemporâneo, ao pastor Timóteo: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido" (2Tm 3:14). Este era o grande desafio para os obreiros de Filipos. Por ser uma igreja nova na fé o perigo de os seus obreiros desviarem-se do alvo era iminente. Falsos ensinadores, os gnósticos e judaizantes, se multiplicavam nas cercanias da igreja filipense.
O ministério pastoral nunca pode ser encarado numa perspectiva dominadora; mas, servidora, espontânea e voluntária. Deve ser manifestada no mesmo "espírito" de Pedro: "apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente [...] nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho" (1Pe 5:2,3).
II. O ENVIO DE TIMÓTEO A FILIPOS (Fp 2:19-24)
Timóteo estava com Paulo em Roma quando o apóstolo escreveu a carta aos Filipenses. Ele tinha viajado com Paulo em sua segunda viagem missionário, quando a igreja em Filipos ainda estava no início, de modo que os filipenses conheciam Timóteo. Paulo não podia visitar os filipenses, de maneira que ele esperava enviar Timóteo em seu nome. Timóteo tinha visitado várias igrejas como representante de Paulo em outras ocasiões (cf 1Co 4:17; 15:10; 1Ts 3:2).
Veja algumas qualidades especiais de Timóteo que o credenciaram como um Obreiro de confiança do apóstolo Paulo para a missão especial à Igreja de Filipos(Adaptado do livro Filipenses – Rev. Hernandes Dias Lopes):
1. Timóteo, um obreiro de bons Antecedentes. Sua mãe e sua avó eram crentes (2Tm 1:5). Ele conhecia a Palavra de Deus desde a infância (2Tm 3:15). Converteu-se na primeira viagem missionária de Paulo e cresceu espiritualmente, pois passou a ter bom testemunho em sua cidade antes de unir-se ao apóstolo em sua segunda viagem missionária (At 16:1,2). Timóteo era filho de Paulo na fé (1Tm 1:2), cooperador de Paulo (Rm 16:21), e mensageiro de Paulo às igrejas (1Ts 3:6; 1Co 4:17; 16:10,11; Fp 2:19). Ele esteve preso com Paulo em Roma (Fp 1:1; Hb 13:23). Ele tinha um caráter provado (Fp 2:22) e cuidava dos interesses de Cristo (Fp 2:21) e dos interesses da Igreja de Cristo (Fp 2:20). Esteve presente quando a igreja de Filipos foi estabelecida (At 16:11-40; 1Ts 2:2) e, ainda, subsequentemente também os visitou, mais de uma vez (At 19:21,22; 20:3-6; 1Co 1:1). Portanto, ele era o obreiro indicado para ser enviada novamente à igreja de Filipos.
2. Timóteo, um homem singular (Fp 2:20a). Ele era um homem singular pela sua obediência e submissão a Cristo e ao apóstolo Paulo como um filho a um pai.  Havia muitos cooperadores de Paulo, mas Timóteo ocupava um lugar especial no coração do veterano apóstolo.
3. Timóteo, um homem que cuidava dos interesses dos outros (Fp 2:20b). Ele aprendeu o princípio ensinado por Paulo de cuidar dos interesses dos outros (Fp 2:4), princípio esse exemplificado por Cristo (Fp 2:5) e pelo próprio apóstolo (Fp 2:17).
Timóteo vivia de forma altruísta, pois o centro da sua atenção não estava em si mesmo, mas na Igreja de Deus. Ele não buscava riqueza, nem promoção pessoal. Ele não estava no ministério em busca de vantagens; ele tinha um alvo: cuidar dos interesses da igreja.
4. Timóteo, um homem que cuidava dos interesses de Cristo (Fp 2:21). Só existem dois estilos de vida: daqueles que vivem para si mesmos (Fp 2:21) e daqueles que vivem para Cristo (Fp 1:21). Timóteo queria cuidar dos interesses de Cristo, e não dos seus próprios. Sua vida estava centrada em Cristo (Fp 2:21) e nos irmãos (Fp 2:20b), e não no seu próprio eu (Fp 2:21). Embora alguns em Roma pregassem o evangelho "por amor" (Fp 1:16), de todos quantos estavam disponíveis perante Paulo, nenhum era tão destituído de egoísmo quanto Timóteo. Para Timóteo, como para Paulo, a causa de Cristo Jesus envolvia o bem-estar de seu povo.
5. Timóteo, um homem de caráter provado (Fp 2:22). Timóteo desfrutava de um bom testemunho antes de ser missionário (At 16:1,2), e agora, quando Paulo está para lhe passar o bastão, como continuador da sua obra, dá testemunho de que ele continua tendo um caráter provado (Fp 2:22).
É lamentável que muitos líderes religiosos que são grandes em fama e riqueza sejam anões no caráter. Vivemos uma crise avassaladora de integridade no meio evangélico brasileiro. Precisamos urgentemente de homens íntegros, provados, que sejam modelo do rebanho.
III. EPAFRODITO, UM OBREIRO DEDICADO (Fp 2:25-30)
25. Julguei, contudo, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades;
26. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente.
27. E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.
28. Por isso, vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza.
29. “Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrai sempre a homens como esse”;
30. Porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida, para suprir para comigo a falta do vosso serviço.
O apóstolo Paulo agora se volta de Timóteo para Epafrodito. Este valoroso e dedicado obreiro só é citado na Carta aos Filipenses, no capítulo 2:25-30 e no capítulo 4:18, mas é o suficiente para compreendermos seu profundo amor por Jesus e pela Igreja.
Não sabemos se ele é o Epafras de Colossenses 4:12. Não há como afirmar isso com certeza. Em todo caso, sabemos que morava em Filipos, era um gentil, e que pode ter sido um presbítero da igreja.
Vejamos, em resumo, uma análise do texto de Fp 2:25-30.
“... por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades” (Fp 2:25).
- “por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas”. Paulo queria que os filipenses soubessem o quanto ele estimava Epafrodito, de modo que ele o caracterizou através de três nomes (cf Fp 2:25):
·   meu irmão, significando um irmão em Cristo.  Se nós estamos em Cristo, há um elo de amor fraternal que nos une uns aos outros. Essa é uma palavra que destaca a relação de família.
·   meu cooperador, que significa que ele também estava trabalhando para o Reino de Deus.Epafrodito era um trabalhador na obra de Cristo e um ajudador de Paulo.
·   meu companheiro nos combates, referindo-se à solidariedade entre os crentes que estão lutando na mesma batalha. A vida cristã não é um parque de diversões, uma colônia de férias, mas um campo de guerra. Epafrodito estava no meio desse campo de lutas com o apóstolo Paulo. Epafrodito era um homem que sabia trabalhar com os outros, qualidade essencial na vida cristã e no serviço do Senhor. Sejamos “cooperadores e companheiros de lutas”, para o bem da obra do Senhor.
- “por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades”. Paulo declara ser Epafrodito um “enviado”, ou seja, um mensageiro para prover as suas necessidades. Percebemos nisso, outra indicação importante de sua personalidade. Aqui, Paulo descreve Epafrodito de duas maneiras em relação ao seu serviço à igreja:
·   Primeiro, ele é descrito como um “enviado”, ou seja, um mensageiro, um “apóstolo” da igreja. Aqui a palavra "apóstolo" tem o sentido "daquele que é enviado com um recado". A missão de Epafrodito não foi apenas a de trazer a Paulo o donativo da igreja filipense, mas também a de servir a Paulo de qualquer forma que fosse requerida. Portanto, Epafrodito fora “enviado” tanto para levar uma oferta quanto para ser uma oferta dos filipenses a Paulo.
·   Segundo, ele é descrito como “auxiliar” da igreja para ajudar Paulo. Paulo quer nos ensinar que o crente é um sacerdote que ministra um culto a Deus enquanto atende às necessidades dos outros. Epafrodito fazia do seu serviço prestado à igreja uma “liturgia” e um culto a Deus. Epafrodito tinha ido a Roma não apenas para levar recursos financeiros para Paulo, mas também para ministrar às necessidades espirituais de Paulo, sem prazo determinado para voltar.
Esse dedicado obreiro colocou as necessidades dos outros acima de suas próprias. Ele estava sempre pronto a fazer os trabalhos mais comuns e menos honrosos. Hoje, são muitos os interessados em trabalhos agradáveis e visíveis. Deve-se reconhecer e agradecer a Deus a vida daqueles que fazem trabalho rotineiro, sem alarde e sem visibilidade. Por fazer o trabalho árduo, Epafrodito se humilhou. Deus, porém, o exaltou, registrando seu fiel serviço no capítulo 2 da Carta aos Filipenses, para conhecimento das gerações vindouras.
“Porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2:26,27).
A igreja de Filipos enviou Epafrodito a uma distância de pelo menos mil e cem quilômetros para prestar ajuda a Paulo. O fiel mensageiro adoeceu como resultado disso, pouco faltando para morrer. Essa situação deixou Epafrodito preocupado – não com sua doença, mas pelo receio de que os santos de Filipos viessem a saber disso e se culpassem por tê-lo enviado naquela viagem, pondo sua vida em risco. Vemos em Epafrodito verdadeiramente “um coração despreocupado quanto a si mesmo”.
Estes versículos são muito importantes para esclarecer sobre o assunto da cura divina:
Em primeiro lugar, a doença nem sempre é consequência de pecado na vida. Epafrodito adoeceu por ser fiel no cumprimento de suas responsabilidades - cf. v.30 -: “pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte”.
- Em segundo lugar, nem sempre é da vontade de Deus a cura instantânea e miraculosa da pessoa. Pelo que se vê, a doença de Epafrodito se prolongou, e sua recuperação foi lenta (cf. também 2Tm 4:20; 3João 2).
- Em terceiro lugar, a cura é pela misericórdia de Deus, e não coisa que possamos exigir dEle como nosso direito. A cura de Epafrodito foi um ato da misericórdia de Deus. Não há aqui qualquer palavra de Paulo acerca da cura pela fé. Simplesmente o apóstolo afirma que Deus teve misericórdia dele e de Epafrodito. Portanto, precisamos nos acautelar acerca dos embusteiros que enganam os incautos com falsos milagres e se enriquecem com promessas vazias.
“Por isso, vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza”(Fp 2:28).  
Depois que Epafrodito se recuperou, Paulo se apressou em mandá-lo para casa. Epafrodito pode ter sido enviado a Roma para permanecer com Paulo indefinidamente, ministrando e encorajando o apóstolo, que estava preso. Como Timóteo, ele colocava a necessidade de outro à frente da sua (veja Fp 2:4). Todavia, depois de sua severa enfermidade (Fp 2:26), Paulo achou necessário enviá-lo de volta a Filipos. Epafrodito tinha feito o seu trabalho tão bem, que poderia voltar a Filipos levando consigo uma Carta de agradecimento e estímulo de Paulo.
“Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrai sempre a homens como esse”(Fp 2:29 - ARA).
Os filipenses não deviam apenas receber Epafrodito com alegria, mas também honrar esse querido homem de Deus. O mundo honra aqueles que são inteligentes, belos, ricos e poderosos. Que tipo de pessoa a igreja deve honrar? Epafrodito foi chamado de irmão, cooperador, companheiro de lutas, mensageiro e auxiliar. Esses são os emblemas da honra. Paulo nos encoraja a honrar aqueles que arriscam a própria vida por amor de Cristo e o cuidado dos outros, indo onde não podemos ir por nós mesmos.
“Porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida, para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Fp 2:30).
A viagem, de Filipos a Roma, era uma longa e árdua jornada de mais de mil quilômetros. Associar-se a um homem acusado, preso e na iminência de ser condenado também constituía um risco sério. Entretanto, Epafrodito se dispôs a enfrentar todas essas dificuldades pela obra de Cristo a favor da assistência material e espiritual a Paulo na prisão. Na verdade, Epafrodito jogou sua própria vida pela causa de Jesus Cristo arriscando-a temerariamente. A sua doença estava intimamente ligada ao seu incansável trabalho para Cristo. Isso é algo precioso aos olhos do Senhor. Isso é digno de ser imitado.
Observe os termos: “para suprir para comigo a falta do vosso serviço”Acredita-se que esses termos se refiram à impossibilidade de os filipenses visitarem Paulo pessoalmente e assim ajudá-lo, por causa da distância entre Filipos e Roma. O apóstolo, portanto, não os está repreendendo, mas apenas afirmando o que Epafrodito fez como representante deles, suprindo o que eles não podiam fazer em pessoa.
Diante do exposto, há dúvida de que Epafrodito foi um obreiro dedicado à Obra de Cristo? Creio que não!

CONCLUSÃO

Paulo era um imitador de Cristo. E Cristo deixou a glória para vir ao mundo morrer em nosso lugar. Cristo viveu para os outros, deu a Sua vida pelos outros (João 3:16) e nos ensinou a fazer o mesmo (1João 3:16), como o fizeram Paulo, Timóteo e Epafrodito.

FONTE: EBDWEB


Escola Bíblica Dominical
Assembleia de Deus - Viçosa - AL

Direção Geral: Pr. Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigênio Hortêncio 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

5ª Lição do 3º trimestre de 2013: AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO


Texto Básico: Fp 2:12-18


“porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13).


INTRODUÇÃO
Nesta Aula, à luz de Filipenses 2:12-18, aprenderemos que a obediência a Deus é uma virtude que deve ser buscada por todos aqueles que são salvos em Cristo Jesus. Depois que Paulo tratou do exemplo de Cristo, falando acerca da Sua humilhação e exaltação, volta a exortar a igreja à obediência e à unidade. A preposição "pois" no versículo 12 é um elo de ligação entre o que Paulo estava falando e o que agora vai falar. Paulo quer que a igreja de Filipos se espelhe em Cristo como o exemplo modelo da obediência. Ele diz que o exemplo de Cristo, a Sua humilhação e a recompensa de Sua exaltação são a principal razão para a igreja viver em obediência à Palavra de Deus e a Cristo. Assim como Jesus obedeceu ao Pai, os cristãos também devem obedecer. O que nós cremos precisa se refletir em nosso modo de vida. Nossa teologia precisa produzir vida.
I. A DINÂMICA DA SALVAÇÃO (Fp 2:12,13)
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.
Inicialmente, é válido salientar que o apóstolo Paulo, em todas as suas cartas, enfatiza repetidas vezes que a salvação não é por obras, mas por fé no Senhor Jesus Cristo. Ou melhor, a salvação é um dom da graça de Deus, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé no Senhor Jesus. Diz a Palavra de Deus: ”Pela Graça sois salvos, mediante a fé...”(Ef 2:8). Para entender corretamente o processo da salvação, precisamos entender essas duas palavras: Fé e Graça. A fé em Jesus Cristo é a única condição prévia que Deus requer do homem para a salvação. A fé não é somente uma confissão a respeito de Cristo, mas também uma ação dinâmica, que brota do coração do crente que quer seguir a Cristo como Senhor e Salvador (cf. Mt 4:19; 16:24; Lc 9:23-25; João 10:4, 27; 12:26; Ap 14:4). A féem si mesma, não salva - Quem salva é Jesus. A fé, em si mesma, não cura - Quem cura é Jesus. A fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender a bênção não é entregue, automaticamente.
É válido ressaltar que a Salvação mencionada no versículo 12 não se refere à salvação da alma, e, sim, à capacidade de se livrar dos laços que podem impedir o cristão de cumprir a vontade de Deus. A palavra “salvação” tem muitos sentidos no Novo Testamento, como, por exemplo, em Fp 1:19 significa a libertação da prisão e em Fp 1:28 se refere à salvação de nosso corpo da presença do pecado. O significado dessa palavra em cada caso deve ser determinado, pelo menos em parte, pelo contexto imediato. Creio que nessa passagem de Fp 2:12, “salvação” significa a solução do problema que afligia os filipenses, a saber, as contendas.
1. O caráter dinâmico da salvação. “... desenvolvei a vossa salvação...”. A salvação é obra exclusiva de Deus. Contudo, o fato de Deus nos dar graciosamente a salvação, não significa que ficamos passivos nesse processo. A salvação é de Deus e nos é dada por Deus, mas precisamos desenvolvê-la. Alguém disse que a graça de Deus não é uma desculpa para não fazermos nada. Antes, ela é uma forte razão para fazermos tudo. Tanto na religião quanto na natureza, somos cooperadores de Deus (1Co 3:6-9). Nós plantamos e regamos, mas Deus dá-nos a semente, o solo, envia o sol e a chuva e faz a semente crescer e frutificar.
O mesmo Deus que começou a Salvação em nós vai completá-la. Deus jamais deixou uma obra inacabada. Ele jamais deixou um projeto no meio do caminho. Nossa salvação ainda não está acabada, pois Deus ainda está trabalhando em nós.
Há três tempos distintos na salvação:
Quanto à justificação, já fomos salvos. Jesus Cristo realizou e consumou de forma suficiente na cruz do calvário a nossa salvação. Somos justificados pela fé. A justificação é um ato e não um processo. É feita fora de nós e não em nós. Acontece no tribunal de Deus e não em nosso coração. Pela justificação, Deus nos declara justos em vez de nos tornar justos.
Com respeito à santificaçãoestamos sendo salvos. Paulo diz que o Senhor nos chama a zelar e a “desenvolver” a nossa salvação em nosso cotidiano. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram tratados na cruz de Cristo. Porém, quanto ao processo da santificação, estamos sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo. Agora, Deus está trabalhando em nós, formando em nós o caráter de seu Filho. Se a justificação é um ato, a santificação é um processo que começa na regeneração e só terminará na glorificação.
Com respeito à glorificação, seremos salvos. É quando finalmente o nosso corpo receberá uma redenção gloriosa e não mais teremos dor, angústia ou lágrimas, pois estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4:14-17) – é a plenitude da salvação. Neste mundo ainda gememos sob o peso do pecado. Aqui ainda vivemos em um corpo de fraqueza. Aqui ainda somos um ser ambíguo e contraditório. Aqui ainda tropeçamos em muitas coisas. Contudo, quando Cristo voltar em glória, seremos transformados. A volta de Jesus e a consumação da nossa salvação são uma agenda firmada pelo Pai, e Ele a levará a bom termo. Então, teremos um corpo de glória, semelhante ao corpo de Cristo, e não haverá mais dor, nem pranto, nem morte (ler Fp 3:21). Alegre-se com esta gloriosa esperança, irmão!
2. Deus é a fonte da vida. O apóstolo Paulo esclarece: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.  A salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Ela é nossa, não por direito de conquista, mas por dádiva imerecida. A salvação não é um prêmio pelas nossas obras, mas um troféu da graça de Deus. Por si só a pessoa não pode ser salva, pois é o Espirito Santo quem “efetua” no homem a salvação (João 16:8-11).
O apóstolo Paulo lembra os crentes de Filipos de que é possível desenvolver a salvação porque Deus é quem efetua neles tanto o querer como o realizar, segundo a sua vontade. Isso quer dizer que Deus põe em nós o querer, isto é, o desejo de fazer sua vontade. Ele também “efetua” em nós o poder para cumprir esse desejo.
Também temos aqui a unificação do divino com o humano. Em certo sentido, somos chamados a efetuar nossa salvação. Contudo, somente Deus pode nos capacitar a fazer isso. Temos de fazer a nossa parte, e Deus fará a dele. No entanto, isso não se aplica ao perdão dos pecados nem ao novo nascimento. A redenção é obra exclusiva de Deus.
É válido ressaltar, contudo, que a salvação não tem um caráter seletivo; isto não tem apoio nas Escrituras Sagradas. Como bem disse o pr. Elienai Cabral, “todos tem o direito de receber a salvação. O querer e o efetuar de Deus não anulam esse direito, pelo contrario, a operação do Eterno habilita qualquer pessoa à salvação através da iluminação do Evangelho”(João 1:9).
É bom ressaltar, também, que embora a expiação de Cristo seja suficiente para salvar o pecador, isso não exclui a sua responsabilidade. Isso está fundamentado nas Escrituras Sagradas. No Juízo Final, cada ímpio será condenado “segundo as suas obras” (Ap 20:12). Por que eles serão condenados? Por rejeitarem o Senhor Jesus e a sua obra vicária. Como? Mediante a permanência em obras carnais (1Co 6:9,10; Gl 5:16-21), quer antes, quer depois de terem conhecido o Senhor Jesus (Hb 6:4-6; 2Pe 2:20-22).
II. OPERANDO A SALVAÇÃO COM TEMOR E TREMOR (Fp 2:12-16)
Quando Paulo fala em "temor e tremor", não está falando de temor servil. Esse não é o temor de um escravo se arrastando aos pés do seu senhor. Não é o temor ante a perspectiva do castigo. Deus não é um, policial ou guarda cósmico diante de quem devemos ter medo; nem, também, é um pai bonachão e complacente; ao contrário, Ele é majestoso, santo e misericordioso. Nosso grande temor deve ser em ofendê-lo e desagrada-lo, depois de Ele ter nos amado a ponto de nos dar seu Filho para morrer em nosso lugar.
1. “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas”. O apóstolo Paulo exorta os crentes de Filipos a viverem uma vida exemplar, “sem murmurações nem contendas”. Por que murmurações e contendas são atitudes tão reprováveis? Primeiro, essas atitudes são completamente opostas à atitude de Cristo (Fp 2:5). Segundo, essas atitudes obstaculizam a causa de Cristo entre os descrentes. Se tudo que as pessoas conhecem sobre a igreja é que seus membros vivem constantemente murmurando e contendendo, eles terão uma impressão negativa de Cristo e do Evangelho. Os descrentes, então, sentem-se justificados para criticar os cristãos. É provável que mais igrejas tenham se dividido por causa de contenda e murmurações do que por heresias.
Em vez disso, a vida dos crentes deve ser limpa, o que significa não ter qualquer reprovação, não incorrer em alguma critica justificável. Isto não significa a perfeição sem pecado; antes, a igreja deveria estar além da crítica do mundo incrédulo. A vida de cada cristão também precisa ser inocente. Não deveria haver nada dentro da igreja que enfraquecesse a sua força ou que contaminasse a verdade. Os membros da igreja, então, poderiam ser filhos de Deus em um mundo de trevas cheio de pessoas corrompidas e perversas. Sem dúvida alguma, a igreja de Filipos vivia em uma geração cheia de desonestidade e perversão. E para cumprir a sua missão no mundo só poderia fazê-lo se os seus membros fossem filhos de Deus, limpos e inocentes, em meio a uma cultura depravada. O contraste com a sua cultura seria tão violento, que os crentes “resplandeceriam como astros”. Eles trariam a luz da verdade para as trevas da depravação, assim como as estrelas iluminam a escuridão da noite.
2. “Sejais irrepreensíveis e sinceros”(Fp 2:15a). O apóstolo Paulo apela aos crentes de Filipos para que se achem “irrepreensíveis e sinceros”. Ele os ensina que a salvação é demonstrada por meio de uma conduta irrepreensível. Ele detalha sobre a conduta irrepreensível, abordando dois pontos:
a) Os crentes devem se tornar irrepreensíveis. A palavra grega usada por Paulo para "irrepreensíveis" é “amemptos” e expressa o que o cristão é no mundo. Sua vida é de tal pureza que ninguém encontra algo nele que se constitua uma falta. O cristão deve ser não apenas puro, mas viver uma pureza que seja vista por todos. O cristão deve refletir o caráter de seu Pai, a ponto de viver de tal maneira que ninguém possa lhe apontar um dedo acusador (Mt 5:13,45,48).
b) Os crentes devem se tornar sinceros. A palavra grega para "sinceros" é “akeraios”. Ela expressa o que o cristão é em si mesmo. Essa palavra significa literalmente "sem mescla", "não adulterado". Essa palavra era usada para referir-se ao vinho ou leite puros ou sem mistura de água. Essa palavra era usada também para o barro puro utilizado na confecção de vasos. Nos tempos antigos, alguns oleiros cobriam com cera as trincas dos vasos e enganavam os compradores. Quando esses vasos eram expostos à luz do sol, a cera derretia, e logo apareciam os defeitos. Então, os compradores passaram a exigir vasos sem cera. Daí foram cunhadas as palavras: sincero e sinceridade, ou seja, sem cera.
Jesus usou essa palavra quando disse que os Seus discípulos deveriam ser inocentes como as pombas (Mt 10:16), e Paulo diz que devemos viver assim no meio de uma geração pervertida e corrupta (Fp 2:15). Devemos viver no mundo como Daniel viveu na Babilônia cheia de deuses pagãos e numa cultura pagã, sem se misturar e sem se contaminar.
3. “Retendo a palavra da vida”. A Palavra de Deus é singular. Ela não se assemelha aos demais livros. Ela é viva (Hb 4:12). Ela é a palavra da vida (Fp 2:16). Ela é espírito e vida (João 6:63). A igreja de Filipos deveria “reter a palavra da vida”, anunciando a verdade do Evangelho ao mundo moribundo, pois somente o evangelho oferece vida abundante e eterna. A palavra da vida não é para ser retida, mas compartilhada. O ensino de Paulo não é para a igreja se refugiar entre quatro paredes, isolando-se do mundo; ao contrário, o projeto de Deus é que a igreja brilhe como estrelas numa noite trevosa e leve ao mundo a palavra da vida.
Quando Paulo visse a igreja permanecendo limpa e inocente, e retendo a verdade enquanto tentava alcançar um mundo depravado, ele ficaria orgulhoso de que o seu trabalho entre eles não teria sido em vão. Paulo tinha sido o primeiro a levar o Evangelho a Filipos; a igreja existia por causa de sua pregação. O orgulho de Paulo não era arrogante, como se ele tivesse construído a igreja com as suas próprias mãos. Em vez disso, o seu orgulho seria como o de um pai em relação aos filhos que tiveram êxito.
III. A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO E A ALEGRIA (Fp 2:17,18)
“E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo”.
1. O contentamento da salvação operada. “E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício...”.
O apóstolo Paulo usa a figura da libação, um rito comum na religião judaica, para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho e pela igreja (2Tm 4:6). No judaísmo, a libação era oderramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (veja Ex 29:40,41; Nm 15:5,7,10; 28:24).
O apóstolo Paulo via a prática cristã dos crentes de Filipos como um sacrifício para Deus e via sua morte a favor do evangelho de Cristo como uma oferta de libação sobre o sacrifício daqueles irmãos. Ele demonstra uma alegria imensa mesmo estando na antessala da morte e no corredor do martírio. Suas palavras não são de revolta nem de lamento. Ele foi perseguido, apedrejado, preso e açoitado com varas. Ele enfrentou frio, fome e passou privações. Ele enfrentou inimigos de fora e perseguidores de dentro. Ele, agora, está em Roma, sendo acusado pelos judeus diante de César, aguardando uma sentença que pode levá-lo à morte; mas, a despeito dessa situação, sua alma está em festa, e seu coração está exultante de alegria por contemplar, naquela comunidade, o fruto da sua vocação dada por Cristo Jesus: a salvação operada em sua vida também operou na dos filipenses – “... folgo e me regozijo com todos vós”.
2. A alegria do povo de Deus. “E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo” (Fp 2:18). Em Fp 2:17, Paulo usa a figura da libação para mostrar que a morte dele completaria o sacrifício dos filipenses. O martírio coroaria sua vida e seu apostolado. Contudo, apesar desta situação sombria, um raio de luz estava brilhando. Se Paulo fosse mesmo morrer, ele iria se regozijar e desejava que os cristãos de Filipos compartilhassem a sua alegria. Paulo estava contente, sabendo que tinha ajudado aqueles cristãos a viverem para Cristo. Paulo podia sentir alegria, embora pudesse vir a enfrentar uma execução.
Quando você está totalmente comprometido a servir a Cristo, sacrificar-se para edificar a fé de outros traz como recompensa a alegria. Paulo considerava um privilégio morrer por causa da fé, e ele queria que os filipenses tivessem a mesma atitude em relação à sua morte. Sendo assim, não haveria motivo para lágrimas. Essa perspectiva levou Paulo a dizer; "... alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo”.

CONCLUSÃO

Certamente, de nada aproveita a um homem poder exibir um cartão de membro de uma igreja evangélica, se não puder possuir e exercitar em seu próprio beneficio, em beneficio dos irmãos, ou da Igreja, como também do pecador e do “mundo”, as virtudes cristãs, visto que estes valores espirituais só podem ser adquiridos e exercitados pelo crente salvo, aquele para quem “...as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(2Co 4:17). Mudar apenas de religião, passar a pertencer e frequentar a “religião” evangélica, não é o que Deus quer para o ser humano. O que Deus quer é que o ser humano, através de Jesus Cristo, se torne um novo homem, ou uma nova criatura, pelo milagre da transformação que é o Novo Nascimento, podendo, assim, revestir-se das virtudes cristãs. Pense nisso!

Fonte: ebdweb

Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Rua Frederico Maia, 49 - Viçosa - Alagoas

Pr. Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigênio Hortêncio

segunda-feira, 22 de julho de 2013

4ª LIÇÃO DO 3º TRIMESTRE DE 2013: JESUS, O MODELO IDEAL DE HUMILDADE


Texto Básico: Filipenses 2:5-11

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2:5)



INTRODUÇÃO


A encarnação de Cristo foi a maior demonstração de humildade. O Filho de Deus deixou o céu, a glória, o Seu trono, e se fez carne, fez-se homem, se encarnou. O eterno Filho de Deus não nasceu em um palácio. O Rei dos reis não nasceu num berço de ouro nem entrou no mundo por intermédio de uma família rica e opulenta; ao contrário, nasceu num berço pobre, numa família pobre, numa cidade pobre. Jesus nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz. Ele não veio ao mundo para ser servido, mas para servir (Mc 10:45). Ele renunciou a Sua glória celestial. Ele tinha glória com o Pai antes que houvesse mundo (João 17:5). No entanto, voluntariamente deixou a companhia dos anjos e veio para ser perseguido e cuspido pelos homens. Do infinito sideral de eterno deleite, na própria presença do Pai, voluntariamente Ele desceu a este mundo de miséria a fim de armar a Sua tenda com os pecadores. Ele, em cuja presença os serafins cobriam o rosto, o objeto da mais solene adoração, voluntariamente desceu a este mundo, onde foi "... desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer" (Is 53:3). Jesus é o modelo ideal de humildade.

I. O FILHO DIVINO: O ESTADO ETERNO DA PRÉ-ENCARNAÇÃO (Fp 2:5,6)

“Se alguém não entendeu o que Paulo quis dizer quando falou de agir por humildade (Fp 2:3) e olhar primeiro para as preocupações dos outros (Fp 2:4), então Paulo esclareceu as suas palavras, dando um exemplo a seguir. Os crentes deveriam adotar a mesma atitude ou estrutura de pensamento que foi encontrado em Jesus Cristo, nosso Senhor”.

1. Ele deu o maior exemplo de humildade - “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2:5). Paulo faz passar diante dos olhos dos Filipenses o exemplo do Senhor Jesus Cristo.

Qual foi a atitude que Cristo manifestou? O que caracterizava seu comportamento em relação aos outros? O Senhor Jesus pensava sempre nos outros. Ele serviu aos pecadores, às meretrizes, aos cobradores de impostos, aos doentes, aos famintos, aos tristes e enlutados. Quando os Seus discípulos, no cenáculo, ainda alimentavam pensamentos soberbos, Ele pegou uma toalha e uma bacia e lavou os seus pés (João 13:1-13).

Certa feita, ao entrar numa cidade Ele tocou no corpo imundo de um leproso e na língua de um mundo. Ele Se preocupava com os homens loucos de quem ninguém mais conseguia aproximar-se. Ele aceitava convites para jantar nas casas de pecadores, publicanos, bem como fariseus e hipócritas. Jesus não evitava nenhuma classe de gente. Mulheres de má reputação chegaram a Ele sabendo que encontrariam compreensão, perdão, e também a ordem de arrependerem-se do mal.

Jesus tirava tempo de sua apertada agenda para falar com todos, respondendo perguntas, tirando dúvidas e mostrando o melhor caminho. Ele visitava as casas do povo, assistia casamentos, pescava com amigos, falava com crianças no Seu colo. Ele sempre parava no caminho para atender um chamado de ajuda. Em Jesus podemos ver todas as atitudes associadas com uma pessoa pobre de espírito: humildade, submissão, serviço e amor. Sem dúvida, Jesus é o modelo ideal de humildade.

2. Ele era igual a Deus. “Que, sendo em forma de Deus”(v.6). Quando lemos que Cristo Jesus subsistiu “em forma de Deus”, aprendemos que ele existiu desde a eternidade como Deus. Ele não é apenas semelhante a Deus, mas de fato é Deus, no melhor sentido da palavra.

No entanto, “não julgou como usurpação o ser igual a Deus”. É da máxima importância distinguir aqui entre igualdade pessoal com Deus e igualdade posicional. Quanto à sua Pessoa, Cristo sempre foi, é e há de ser igual a Deus. Era-lhe impossível abrir mão disso, mas igualdade posicional já é outra coisa. Desde a eternidade, Cristo era posicionalmente igual ao Pai, desfrutando as glórias do Céu. Ele não julgou, porém, que fosse necessário agarrar-se a essa posição a qualquer custo. Quando foi necessário redimir a humanidade perdida, ele abriu mão livremente de sua igualdade posicional com Deus, ou seja, os confortos e a alegria do Céu. “Não julgou” necessário agarrar-se a eles para sempre e sob qualquer circunstância.

Assim estava pronto para vir a este mundo e padecer a contradição dos pecadores contra ele mesmo. Ninguém jamais cuspiu em Deus Pai, tampouco foi ele agredido fisicamente ou crucificado. É neste sentido que o Pai é maior que o Filho; não é maior quanto à Sua Pessoa, e, sim, quanto à sua posição e à maneira em que viveu. João exprime esse pensamento: “Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu” (João 14:28). Os discípulos deviam se alegrar com a noticia de que ele ia para o Céu. Enquanto viveu na terra, Jesus foi tratado cruelmente e por fim rejeitado. Vivera em circunstâncias muito inferiores às de seu Pai. Nesse sentido, o Pai lhe era superior. Quando voltou para o céu, porém, passou a ser igual ao Pai quanto às circunstâncias e à Pessoa deste.

3. Mas “não teve por usurpação ser igual a Deus” (v.6). Este texto descreve a posição que Cristo tinha em sua existência antes da criação do mundo, isto é, o seu estado pé-encarnado. Jesus Cristo era Deus. Tudo o que Deus é, Cristo é; a igualdade está em características essenciais e atributos divinos. Mas Jesus não teve como usurpação ser igual a Deus, antes colocou os seus direitos de lado por um tempo, a fim de se tornar humano. Quando Cristo nasceu, Deus tornou-se um homem. Jesus não era parte homem e parte Deus; ele era completamente humano e completamente divino. Cristo é a perfeita expressão de Deus na forma humana. Como um homem, Jesus estava sujeito ao lugar, ao tempo, e às outras limitações humanas. O que tornou a humanidade de Jesus excepcional foi o fato de não ter pecado. Ele não abandonou o seu poder eterno quando se tornou humano, mas deixou de lado a sua glória e os seus direitos. Em sua humanidade plena, podemos ver tudo aquilo que está relacionado ao caráter de Deus que pode ser transmitido em termos humanos.

II. O FILHO DO HOMEM: O ESTADO TEMPORAL DE CRISTO (Fp 2:7,8)

1. “Aniquilou-se a si mesmo “ (Fp 2:7). Diante dessa afirmação, surge logo a pergunta: “O Senhor Jesus se esvaziou em que sentido?”.

Devemos ter cuidado ao responder a essa pergunta. Muitas vezes, ao tentar definir esse esvaziamento, muitos acabam por roubar de Cristo os atributos da Divindade. Por exemplo, dizem alguns que o Senhor Jesus, quando andava aqui na Terra, não era onisciente nem onipotente; que ele não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo; que ele voluntariamente pôs à parte esses atributos da divindade quando entrou no mundo como homem. Uns dizem até que ele estava sujeito às mesmas limitações que os homens, que era passível de erro e que aceitava as opiniões e os mitos comuns de seus dias! Refutamos isso com veemência. O Senhor Jesus Cristo não pôs à parte nenhum dos seus atributos divinos quando veio a este mundo. Ele continuou a ser onisciente (sabendo tudo); continuou a ser onipotente (todo-poderoso); continuou a ser onipresente (presente em todas as partes ao mesmo tempo).

O que ele fez foi desfazer-se de sua posição de igualdade com Deus Pai e ocultou sua glória por baixo de um corpo de carne humana. A glória ainda estava lá, mas escondida, brilhando apenas em certas ocasiões, como, por exemplo, no monte da Transfiguração. Não houve um momento sequer, em toda a sua existência sobre a terra, em que ele ficasse sem os atributos da Divindade.

Portanto, é preciso ter muito cuidado ao explicar a frase: “Aniquilou-se a si mesmo”, ou, conforme a Revista e Atualizada, “a si mesmo se esvaziou”. O método mais seguro é deixar que as expressões que se seguem providenciem a explicação. Ele se esvaziou “assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens”(ARA). Ou seja, Ele se esvaziou, assumindo uma coisa que nunca teve antes: humanidade. Não pôs à parte sua divindade, e, sim, seu lugar nos céus, e isso ele fez apenas temporariamente.

“Assumindo a forma de servo”. Jesus “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20:28). O apóstolo Paulo exorta os cristãos de Filipos a manifestar o mesmo sentimento que havia em Cristo. Os argumentos cessariam se todos se mostrassem dispostos a assumir o lugar mais humilde.

2. Ele “humilhou-se a si mesmo” (Fp 2:8). O Filho de Deus não estava apenas pronto para deixar a glória dos céus. Ele esvaziou-se! Tomou a forma de servo! Fez-se Homem! E, também, “se humilhou”! Não havia profundidade a que ele não estivesse disposto a se rebaixar para salvar as almas perdidas. Bendito seja seu glorioso nome  para sempre!.

3. Ele foi “obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2:8). Jesus Cristo serviu sacrificialmente e foi obediente até à morte e morte de cruz. Cristo se esvaziou e se humilhou quando se fez homem. Depois desceu mais um degrau nessa escalada da humilhação, quando se fez servo; mas desceu as profundezas da humilhação quando suportou a morte e morte de cruz. Por seu sacrifício, Ele transformou esse horrendo patíbulo de morte no símbolo mais glorioso do cristianismo (Gl 6:14).

Segundo Hernandes Dias Lopes, a cruz de Cristo é a grande ênfase de toda a Bíblia, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento (Ec 24:25-27). Dois quintos do Evangelho de Mateus são dedicados à última semana de Jesus em Jerusalém. Mais de três quintos do Evangelho de Marcos, um terço do Evangelho de Lucas e quase a metade do Evangelho de João dão a mesma ênfase.

O apóstolo João fala da crucificação de Cristo como "a hora" vital para a qual Cristo veio ao mundo e o Seu ministério foi exercido (João 2:4; 7:30; 8:20; 12:23; 12:27; 13:1; 17:1).

Cristo morreu para remover o pecado (1Pe 2:24; 2Co 5:21), satisfazer a justiça divina (Rm 3:24-26) e revelar o amor de Deus (João 3:16; 1João 4:10).

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes quando diz que a morte de Cristo foi dolorosíssima, ultrajante e maldita. Todavia, não devemos olhar a morte de Cristo na cruz apenas sob a perspectiva do sofrimento físico.

A grande questão é: por que Ele morreu na cruz? Cristo não foi para a cruz porque Judas O traiu por ganância, porque os sacerdotes O entregaram por inveja ou porque Pilatos O condenou por covardia. Ele foi para a cruz porque o Pai O entregou por amor e porque Ele a si mesmo se entregou por nós. Ele morreu pelos nossos pecados (1Co 15:3). Nós O crucificamos. Nós estávamos lá no Calvário não como plateia, mas como agentes da Sua crucificação.

A cruz de Cristo é a maior expressão do amor de Deus por nós e a mais intensa expressão da ira de Deus sobre o pecado. O pecado é horrendo aos olhos de Deus. A santa justiça de Deus exige a punição do pecado. O salário do pecado é a morte. Então, Deus num ato incompreensível de eterno amor, puniu o nosso pecado em Seu próprio Filho, para poupar-nos da morte eterna. Na cruz, Jesus bebeu sozinho o cálice amargo da ira de Deus contra o pecado.

Na cruz, Jesus foi desamparado para sermos aceitos. Ele não desceu da cruz para podermos subir ao céu. Ele se fez maldição na cruz para sermos benditos de Deus. Ele morreu a nossa morte para vivermos a Sua vida. Glórias sejam dadas ao seu glorioso Nome!!

III. A EXALTAÇÃO E CRISTO (Fp 2:9-11)

Cinco verdades devem ser declaradas sobre a exaltação de Cristo: Em primeiro lugar, a exaltação de Cristo é obra de Deus (Fp 2:9); Em segundo lugar, a exaltação de Cristo é uma exaltação incomparável (2:9); Em terceiro lugar, a exaltação de Cristo é uma exaltação que exige rendição de todos (2:10); Em quarto lugar, a exaltação de Cristo é uma exaltação proclamada universalmente (2:11); Em quinto lugar, a exaltação de Cristo é uma exaltação que tem um propósito estabelecido (2:11).

1. “Deus o exaltou soberanamente” (Fp 2:9). Jesus Cristo se humilhou, mas foi exaltado, e essa exaltação lhe foi dada pelo Pai. O caminho da exaltação passa pelo vaie da humilhação; a estrada para a coroação passa pela cruz. Deus exalta aqueles que se humilham (Mt 23:33; Lc 14:11; 18:14; Tg 4:10; 1Pe 5:6). Foi por causa do sofrimento da morte que essa recompensa lhe foi dada (Hb 1:3; 2:9; 12:2).

Deus Pai não deixou seu Filho na sepultura, mas O levantou da morte, O levou de volta ao céu e O glorificou (At 2:33; Hb 1:3). Deus Pai deu a Jesus "toda autoridade no Céu e na Terra" (Mt 28:18). Deu a Ele autoridade para julgar (João 3:27) e O fez Senhor de vivos e de mortos (Rm 14:9), fazendo-O assentar à sua destra, acima de todo principado e potestade, constituindo-O cabeça de toda a Igreja (Ef 1:20-22). Fica claro que essa elevação de Jesus não foi a restituição da natureza divina, porque Ele jamais a perdeu, mas foi a restituição da glória eterna que tinha com o Pai antes que houvesse mundo, da qual voluntariamente havia se despojado (João 17:5,24).

Porque Jesus se humilhou, Ele foi exaltado. Jesus mesmo é a suprema ilustração de Sua própria afirmação: "... todo o que se exalta será humilhado: mas o que se humilha será exaltado" (Lc 18:1,4b). Os homens cuspiram nEle, mas Deus O exaltou. Os homens Lhe deram nomes insultuosos, mas o Pai Lhe deu o nome que está acima de todo nome.

2. “Dobre-se todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” (Fp 2:10). Deus Pai estava tão contente com a obra redentora de Cristo que determinou que todo joelho haverá de se dobrar perante Ele – dos seres “que estão nos céus, na terra e debaixo da terra”. Isso não quer dizer que todas as criaturas serão salvas. Os que não dobram o joelho perante Cristo agora por livre vontade serão obrigados a fazê-lo um Dia. Os que não querem ser reconciliados com Ele na era da graça serão subjugados no Dia do juízo.

A expressão “nos céus” refere-se aos anjos; “na terra” significa toda a humanidade; “debaixo da terra” refere-se ao mundo dos mortos – possivelmente as pessoas não salvas que morreram ou os demônios. Aqueles que amam a Jesus se dobrarão em adoração e reverência; aqueles que se recusaram a reconhecê-lo se dobrarão em submissão e medo (ler Ef 4:9,10; Ap 5:13). Isto ocorrerá na segunda vinda de Jesus, quando as forças do mal serão completamente derrotadas e Deus formará um novo Céu e uma nova Terra (Ap 19:20,21; 21:1).

3. “Toda língua confesse” (v.11). Toda língua confessará a verdade básica do cristianismo:Jesus Cristo é Senhor. Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Todo-poderoso Deus, diante de quem os poderosos deste mundo vão ter de se curvar e confessar que Ele é o Senhor. Aqueles que zombaram dEle, vão ter de confessar que Ele é o Senhor. Aqueles que O negaram e nEle não quiseram crer, vão ter de admitir e confessar que Ele é Senhor. Essa confissão será pública e universal. Todo o Universo vai ter de se curvar diante daquele que se humilhou, mas foi exaltado sobremaneira!

Isso não significa, obviamente, que todas as pessoas serão salvas. Somente os que agora reconhecem que Jesus é o Senhor e O confessam como tal serão salvos (Rm 10:9). Entretanto, na segunda vinda de Cristo, nenhuma língua ficará silenciosa, nenhum joelho ficará sem se dobrar. Todas as criaturas e toda a criação reconhecerão que Jesus é o Senhor (Fp 2:11; Ap 5:13).

É válido ressaltar que esses versículos foram introduzidos em razão de um pequeno problema na igreja de Filipos. Não era ideia de Paulo no inicio escrever um tratado sobre o Senhor. Pelo contrário, ele queria apenas corrigir o egoísmo e o espírito de partidarismo entre os santos. Para curar essa condição, é preciso ser governado pela mente de Cristo. Em todas as situações da vida, Paulo apresenta o Senhor Jesus como solução. Devemos fazer o mesmo!

CONCLUSÃO


Entre o povo de Deus, a humildade é um imperativo, pois "Deus escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes" (Pv 3:34). Tiago diz que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4:6), e o apóstolo Pedro ordena: "Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte" (1Pe 5:6). A humildade deve ser a marca do cristão, pois seu Senhor e Mestre foi "... manso e humilde de coração" (Mt 11:29). Jesus dizia aos discípulos que maior é o que serve e que Ele mesmo veio não para ser servido, mas para servir (Mc 10:45). Alguém ainda tem dúvida de que Jesus é o modelo ideal de humildade?

Fonte: ebdweb


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