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terça-feira, 10 de junho de 2014

11ª lição do 2º trimestre de 2014: O PRESBÍTERO, BISPO OU ANCIÃO


Texto Básico: Tito 1:5-7; 1 Pedro 5:1-4

 

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros [...]” (Tt 1:5)

 
 

INTRODUÇÃO

 

Na acepção do Novo Testamento, os presbíteros são cristãos maduros, de excelente caráter e que detêm liderança espiritual em uma igreja local. Os vocábulos: presbítero, ancião e bispo, são usados no compêndio neotestamentário com o mesmo significado (ler 1Pedro 5:1-9). Ao longo da história da igreja, a atividade do presbítero, ou bispo, caracterizou-se pelo ministério de apascentador do rebanho do Senhor e governo da igreja local, e pela dedicação ao ensino da Palavra de Deus. É o obreiro que colabora com o pastor titular da igreja, ajudando-o no cuidado e zelo do rebanho do Senhor Jesus Cristo.

I.  A ESCOLHA DOS PRESBÍTEROS


1. Significado da função. O nome “presbítero”, que se refere à maturidade espiritual do homem, deriva da palavra grega presbyteros. O vocábulo grego episkopos, traduzido por “bispo”, “supervisor” ou “ancião”, é também usado em referência aos presbíteros, e descreve sua função como “pastores” do rebanho do Senhor Jesus. Os nomes “presbítero” e “bispo” são geralmente interpretados como referindo-se às mesmas pessoas pelas seguintes razões: em Atos 20:27, Paulo mandou chamar os presbíteros de Éfeso; no versículo 28, ele se dirigiu a eles como episkopoi(anciãos). Pedro, de igual modo, em 1Pedro 5:1,2, usa ambos os termos sem os distinguir. As qualificações para os bispos (episkopoi), em 1Timóteo 3, e para os presbíteros(presbyteroi), em Tito 1, são essencialmente as mesmas.

Na igreja contemporânea, há uma diversidade de interpretações acerca da função do presbítero:

- Na Igreja Presbiteriana, o presbítero é um clérigo ordenado (governante) ou um leigo (educador), com o conjunto desses presbíteros formando o corpo governante.

- As Igrejas Batistas denominam como presbitério, o Ministério Pastoral.

- Na Igreja Congregacional, os presbíteros formam o segundo nível administrativo.

- A Igreja Assembleia de Deus, na Convenção Geral de 1937 os convencionais estabeleceram a hierarquia eclesiástica, que até hoje prevalece, assim: diácono, presbítero, evangelista e pastor. Portanto, na Assembléia de Deus o presbítero compõe o terceiro nível de liderança eclesiástica.

2. A liderança local. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros...”(Tt 1:5). Paulo deixou Tito em Creta para colocar em ordem as coisas restantes nas igrejas e constituir nessas igrejas presbíteros. O texto da carta indica que havia graves faltas na vida individual e conjunta das igrejas de Creta, como: - falta de liderança espiritual (Tt 1:5); - falsos mestres (1:10,11); - conduta imoral entre os membros da família de Deus, tanto jovens quanto velhos (2:1-10). A ilha de Creta era uma região altamente marcada pela devassidão moral e pela disseminação de muitas heresias. As igrejas, ainda incipientes, corriam sérios riscos de ser atacadas por esses perigos morais e espirituais. Somente sob uma liderança bíblica e moralmente sadia a igreja poderia resistir a esse cerco ameaçador. A maneira mais adequada de combater o erro é espalhar a verdade; a forma mais eficaz de combater os falsos mestres é multiplicar os verdadeiros mestres. Assim como a igreja de Jerusalém tinha uma pluralidade de presbíteros (At 11:30), Paulo também constituiu presbíteros nas igrejas (At 14:23). Essa mesma prática deveria ser repetida em todas as igrejas da ilha de Creta (Tt 1:5). Desta feita, torna-se claro o aspecto pastoral da função de presbíteros nas comunidades cristãs antigas.

3. As qualificações. A missão do presbítero é de tanta importância que o Novo Testamento dedica vários textos a respeito das qualificações que se devem exigir dos obreiros que são escolhidos para essa função ministerial. Na escolha do presbítero, segundo a Palavra de Deus, devem ser observadas algumas qualidades ou qualificações, com base no texto de Tito 1:6-9, que equipara o presbítero ao ''bispo” :

6. aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.

7. Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;

8. mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante,

9. retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes”.

As características do presbítero exaradas neste texto têm mais a ver com a sua vida do que com o seu desempenho. A vida do líder é a vida da sua liderança. A vida precede o ministério e é sua base. Portanto, ele precisa ser:

Irrepreensível. O retrato que Paulo traça do presbítero (Tt 1:6) ou bispo (1:7) é emoldurado pela irrepreensibilidade. John Stott corretamente diz que isso não quer dizer que os candidatos teriam de ser totalmente isentos  de falhas e defeitos, pois nesse caso todos seriam desqualificados. A palavra empregada é anenkletos - “sem culpa, não passível de acusação” - e não anômos - “sem mácula”. O presbítero não pode deixar brechas no seu escudo moral. Seu ofício é público e sua reputação pública precisa ser inquestionável.

Pelo texto, o presbítero precisa ser irrepreensível em três áreas distintas:

A) IRREPREENSÍVEL COMO LÍDER DE SUA FAMÍLIA- Tt 1:6

Nesta área, ele precisa ser irrepreensível em dois pontos vitais:

1) Como marido de uma mulher. Marido de uma só mulher quer dizer marido fiel à sua esposa, ou seja, um homem livre de qualquer suspeita quanto à sua relação matrimonial, íntegro em sua conduta conjugal. Ele não pode ser um homem adúltero, mantendo relacionamentos extraconjugais; nem polígamo, casando-se com várias mulheres.

Observação: Paulo não exclui do presbiterato o homem solteiro, ou viúvo que se casou novamente. Antes, ele está instruindo a igreja que os polígamos e os que se divorciam e se casam novamente, por razões não amparados nas Escrituras, estão desqualificados para esse ofício (Mt 19:9; 1Co 7:15).

2) Irrepreensível como pai. O presbítero precisa ser o sacerdote do seu lar, o líder espiritual da sua família. Deve criar seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor. Embora um pai não possa determinar a salvação de seus filhos, pode preparar o caminho do Senhor por intermédio da instrução da Palavra, da amorosa disciplina. Se o presbítero não sabe governar a própria casa, como poderá governar a igreja de Deus? Pergunta o apóstolo Paulo (1Tm 3:4,5). Obviamente isso se aplica aos filhos que vivem com a família sob a autoridade do pai.

B) IRREPREENSÍVEL COMO DESPENSEIRO DE DEUS - Tt 1:7,8

Neste aspecto, Paulo aborda o assunto sob duas perspectivas; Primeiro, ele trata do aspecto negativo, isto é, o que um presbítero não deve ser; Segundo, do aspecto positivo, isto é, o que o presbítero deve ser e ter. Vejamos, em resumo, estes aspectos.

B1) ASPECTOS NEGATIVOS - defeitos que o presbítero não deve ter. O presbíteronão deve ser:

1) Soberbo. Soberba é aquela pessoa que exalta a si mesma, que só se preocupa consigo mesma e olha para os outros com discriminação e desprezo. É aquela pessoa que obstinadamente mantém a própria opinião, ou assevera os próprios direitos e não considera os direitos, sentimentos e interesses de outras pessoas.

2) Iracundo. A Bíblia não classifica toda ira como pecado (Ef 4:26); o que ela condena é o homem genioso, esquentado, de estopim curto, que, além de irar-se com facilidade, também fica remoendo por longo tempo a sua ira. Um homem que nutre mágoas e ressentimentos em seu coração definitivamente não está preparado pra exercer o presbiterato.

3) Dado ao vinho. O apóstolo Paulo é claro quando escreve aos efésios: “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). O abuso do vinho é condenado nas Escrituras (Pv 20:1; 23:29-35; Ef 5:18). Mesmo que a total abstinência não seja exigida nas Escrituras (cf João 2:1-11; 1Tm 5:23), há uma situação em que Paulo recomenda a abstinência, ou seja, quando o beber vinho só torna motivo de escândalo para o irmão fraco (Rm 14:21). Talvez seja por essa razão que muitos crentes contemporâneos optaram pela abstinência.

4) Violento. Trata da violência tanto verbal quanto física. Aquele que abandona o amor e recorre à violência em palavras e ações não está preparado para exercer o presbiterato. Aquele que governa os outros precisa governar primeiro suas emoções, ações e reações.

5) Cobiçoso de torpe ganância. Os cretenses eram conhecidos como indivíduos inveteradamente gananciosos (Tt 1:10-13). Alguém disse que eles se apegavam ao dinheiro como as abelhas ao mel. Os presbíteros precisam ser homens despojados dessa torpe ganância (Tt 1:7). Veja a recomendação do apóstolo Pedro: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que também sou presbítero... apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele... não por torpe ganância...” (1Pe 5:1,2).

B2) ASPECTO POSITIVO – o que o presbítero deve ser e ter.  O presbítero deve ser conhecido pelo que ele é e faz. Ele deve ornar o seu caráter como despenseiro de Deus com as seguintes virtudes:

1) Deve ser hospitaleiro. A hospitalidade na igreja primitiva era uma necessidade vital para o avanço missionário da igreja. As  hospedarias eram excessivamente caras, sofrivelmente sujas e notoriamente imorais. Sem hospitalidade os missionários itinerantes teriam sua atividade estancada. E mais, nos primeiros dois séculos da era cristã não havia templos, por isso, as igrejas reuniam-se em casas (Rm 16:5; 1Co 16:19; Fm 2).

Hoje, está prática  está em desuso. As circunstâncias exigem que os pregadores itinerantes hospedem-se em pousadas ou hotéis, e não mais em residências. Não por falta da liberalidade de irmãos, mas porque as circunstâncias favorecem a essa práxis. Todavia, quando a hospitalidade for estritamente necessária, a recomendação é clara: “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade” (Hb 13:1,2).

2) Deve ser amigo do bem. O presbítero precisa ser um homem amante das boas ações. Precisa ver o que existe de melhor nas pessoas. Ele não tem prazer mórbido de falar mal dos outros, mas tem grande deleite em dizer o bem das pessoas. Ele não apenas chora com os que choram, mas também se alegra com os que se alegam.

3) Deve ser moderado. O presbítero deve ter o domínio completo sobre suas paixões e desejos, o que impede de ir além do que a lei e a razão lhe permitem e aprovam. Explicando melhor, o presbítero precisa ter equilíbrio, domínio próprio, autocontrole. Só se consegue ser assim com a unção do Espírito sobre sua vida (ler Ec 9:8).

4) Deve ser justo. O presbítero é um homem que não usa dois pesos e duas medidas. Ele não faz acepção de pessoas nem tolera preconceitos. Ele é justo no falar e no agir.

5) Deve ser piedoso, santo. Deus não usa grandes talentos, mas homens piedosos. Nós estamos à procura de melhores métodos, e Deus está à procura de melhores homens. Deus não unge métodos, unge homens piedosos.

6) Deve ter domínio próprio. Ninguém está apto para liderar os outros se não tem domínio de si mesmo. Aquele que domina a si mesmo é mais forte do que aquele que domina uma cidade.

C) IRREPREENSÍVEL COMO MESTRE DA PALAVRA - Tt 1:9.

Nesta etapa é tratada a relação do presbítero com a igreja local. Refere-se ao ministério de ensino da Palavra de Deus. O presbítero precisa ser um obreiro aprovado e manejar bem a Palavra da verdade. Paulo menciona três coisas importantes:

1) O presbítero precisa demonstrar fidelidade doutrinária. “retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina..." . O presbítero não pode ser um neófito (1Tm 3:6); deve ser um mestre na Palavra. Ele precisa ser um estudioso das Escrituras. Ele precisa afadigar-se na Palavra (1Tm 5:17). Paulo diz que os presbíteros têm dois ministérios com respeito à Palavra de Deus: (a) edificar a igreja pela sã doutrina; (b) rejeitar os falsos mestres que espalham doutrinas perniciosas

2) O presbítero precisa demonstrar capacidade para o ensino. Paulo prossegue: “para que seja poderoso...para admoestar com a sã doutrina...". A capacidade para exortar não vem da força, das técnicas da psicologia nem mesmo do ofício que o presbítero ocupa, mas do conhecimento da verdade para aplicar corretamente as Escrituras. A exortação não é fruto de capricho ou opinião pessoal do presbítero, mas do reto ensino das Escrituras. Sua exortação está fundamentada no reto ensino da verdade.

3) O presbítero precisa demonstrar habilidade na apologética. Paulo diz que o presbítero precisa ser  “[...] poderoso [...] para convencer os contradizentes”. Somente um indivíduo que tem destreza na verdade pode confrontar os falsos mestres, combater os falsos ensinos e convencer aqueles que contradizem a Palavra de Deus.

Portanto, "a árvore é vetusta, mas é preciso ver onde se firmaram suas raízes, que seiva a alimenta, que sombra oferece e que benefícios comunicam seus frutos".

II. A IMPORTÂNCIA DO PRESBITÉRIO


1. Significado do termo. O termo “presbítero” é a tradução literal do vocábulo gregopresbyteros (sénior, no latim), que é o com­parativo de superioridade de présbys, velho ou an­cião. Portanto, preliminarmente, o presbítero é um homem menos moço, com mais ida­de do que o comum dos de um grupo ou congrega­ção; idade, no sentido de vida mental, vida moral, vida espiritual e experiência.

No Antigo Testamento, o primeiro elemento chamado, entre o povo judeu escravo, pa­ra representá-lo perante uma autoridade foi o ancião, ou seja, o presbítero, ao qual Deus determinou a Moisés que convocasse para gestões de libertação peran­te faraó do Egito. No deserto, 70 anciãos foram chamados para ajudar Moisés a governar o povo (Nm 11:16,17).

O apóstolo Paulo aconselhou o jovem obreiro Timóteo a não desprezar o Dom que havia nele, reconhecido pelo conselho de obreiros, formado por anciãos (presbíteros) da igreja cristã – “Não desprezes do dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1Tm 4:14). Este texto exalta a grande importância que tem o presbitério na liderança espiritual da igreja.

2. A atuação do presbitério. Segundo o compêndio doutrinário da igreja - o Novo Testamento -, a atuação do presbitério dá-se em duas áreas principais: ministério da Palavra e governo da igreja. Misturam-se nestas duas áreas todas as tarefas suficientes para satisfazerem os requisitos necessários de ordem espiritual e de ordem material, que ocorrem na vida da comunidade cristã que está sob a responsabilidade do presbítero.

“No Concilio de Jerusalém, em relação às sérias questões étnicas e eclesiásticas que podiam comprometer a expansão da igreja, os apóstolos e os anciãos (presbíteros) foram chamados para debater e legislar sobre o assunto (At 15:2,69-11). Em seguida, os presbíteros foram enviados à Antioquia para orientar os irmãos sobre a resolução dos problemas que perturbavam os novos convertidos: ‘E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém’ (At 16:4)” (LBM).

3. A valorização do presbitério. O presbitério é  uma força a serviço do Reino, para auxiliar o ministério no pastoreio do rebanho de Cristo. O ofício do presbítero é dignificado pelas Escrituras Sagrdas. O próprio compêndio doutrinário da Igreja – Novo Testamento - mostra a sua importância ao desenvolvimento das igrejas locais e ao bom ordenamento do Corpo de Cristo (cf. Atos 14:23; 20:17; 1Tm 4:14; 1Pe 5:1,2; Hb 13:17).

No princípio da igreja, o presbítero fazia parte de um grupo de obreiros, responsáveis pelo cuidado e ordenação das novas igrejas que surgiam em decorrência da evangelização intensa; ele era o pastor local. O apóstolo Paulo, que era um líder responsável e zeloso com o rebanho do Senhor, teve o superlativo cuidado de organizar a administração das igrejas por ele abertas em suas viagens missionarias, pondo à frente delas presbíteros de caráter ilibado. Para as igrejas de Creta, orientou a Tito que de cidade em cidade estabelecesse presbíteros (Tt 1:8), mostrando assim o elevado valor que esses obreiros exibem no desempenho de suas funções: governo da igreja e ministério de ensino. É o próprio Paulo quem diz: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicata honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5:17).

Portanto, o panorama dos textos pertinentes mostra que os presbíteros era o principal grupo de liderança das igrejas neotestamentárias. Os líderes das Assembleias de Deus precisam valorizar mais as Escrituras do que os seus estatutos efêmeros; só assim podem perceber a valorização do presbitério.

III. OS DEVERES DO PRESBITÉRIO


1. Apascentar a Igreja. O apóstolo Pedro após colocar-se como copresbítero, ou seja, na mesma posição dos presbíteros das igrejas dispersas, dá a eles uma ordem expressa: “apascentai o rebanho de Deus que está entre vós...”(1Pe 5:2a). Com respeito ao apascentamento do rebanho, Pedro dá três orientações práticas:

a) “...não por força, mas voluntariamente...”. (1Pe 5:2a). O Presbítero é um pastor de ovelhas, e a igreja é o rebanho de Deus. O presbítero não é o dono do rebanho. Deus nunca passou aos presbíteros(pastores) o direito de posse das ovelhas. Cabe ao presbítero alimentar, proteger e conduzir as ovelhas de Deus. Pedro diz que a liderança da igreja não é algo imposto pela coerção, mas algo voluntário.

b) “... nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto...” (5:2b). Na igreja do primeiro século havia exploradores itinerantes que saíam percorrendo as igrejas, buscando os bens dos cristãos, em vez de cuidar do povo; daí esta exortação de Pedro. A liderança da igreja não é um posto de privilégio, mas de serviço. O presbitério deve visar a glória de Deus e o bem das ovelhas de Cristo, em vez de fazer a obra visando lucro. A igreja não é uma empresa cuja finalidade é o enriquecimento de seus líderes. A recompensa financeira jamais deve ser a motivação para alguém exercer o pastorado. Um espírito mercenário é incompatível com o exercício desse nobre ofício.

c) “...nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”(1Pe 5:3). Os  presbíteros recebem autoridade diretamente do Supremo Pastor (1Pe 5:4) por meio do Espírito Santo (At 20:28). Porém, não devem fazer mau uso dessa autoridade. O presbítero deve ser um exemplo para a igreja, e não um ditador na igreja. Deve andar na frente do rebanho como paradigma, e não atrás do rebanho para fustigá-lo  e ameaçá-lo. Jesus ensinou que liderança é serviço (ler Mc 10:45; João 13:4,5). Na igreja de Deus, ser grande é ser servo de todos.

2. Liderar a igreja local. Um dos principais deveres dos presbíteros é liderar as igrejas do Novo Testamento. Em 1Timóteo 5:17 lemos: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem”. Antes, na mesma epístola, Paulo diz que o bispo (ou presbítero) “deve governar bem a sua própria casa [...] pois, como cuidará da igreja de Deus?” (1Tm 3:4,5). Pedro também indica uma função de liderança para presbíteros quando os exorta em 1Pedro 5:2-5. O fato de que eles devem atuar como pastores do rebanho de Deus e de que não devem dominar pela força (isto é, liderar de modo ríspido ou opressor) sugere que os presbíteros têm função de liderança e de governo nas igrejas para as quais Pedro está escrevendo.

Além das responsabilidades de liderança, parece que os presbíteros também tinham responsabilidade de ensino nas igrejas do Novo Testamento. Em 1Tm 3:2, um bispo (presbítero) “deve ser apto para ensinar”. Ademais, em 1Tm 5:17 (ARA), Paulo diz: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino”.

Conclui-se que no Novo Testamento, os presbíteros tinham a responsabilidade de dirigir e ensinar nas igrejas. Como bem diz o pr. Elinaldo Renovato, “ensinar e governar com equidade e seriedade é o maior compromisso de todo homem de Deus chamado para tão nobre tarefa”.

3. Ungir os enfermos. Tiago instrui quanto à atuação dos presbíteros da igreja nesse importante ministério - "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor" (Tg 5:14). Tais obreiros foram separados por Jesus e pela igreja para atender a essas demandas.

CONCLUSÃO


No Novo Testamento, a referência a presbíteros sempre é feita no plural - "presbíteros", "bispos" ou "anciãos" -, dando a entender que, em geral, o presbítero não agia isoladamente, mas como um corpo de ministros, ou de líderes, que cuidava da igreja local. Não é mencionada uma só igreja onde houvesse apenas um presbítero, por isso sempre são citados no plural (At 11:30; 15:2,4,6; 20.17; Tg 5:34 : 1Pe 5:1). Isto denota o subido valor que este grupo tinha no início da igreja.

O crescimento das igrejas, como fruto da evangelização e do discipulado, exige a delegação de atividades a pessoas que tenham condições de liderar o rebanho do Senhor Jesus (Tt 1:5,7). Os supervisores ou o pastor titular não podem abarcar tudo para si, sob pena de não darem conta das inúmeras responsabilidades que a igreja local requer.

Fonte ebdweb

quarta-feira, 4 de junho de 2014

10ª lição do 2º trimestre de 2014: O MINISTÉRIO DE MESTRE


Texto Base: Mateus 7:28,29; Atos 13:1; Romanos 12:6,7; Tiago 3:1

 

“De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: [...] se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12:6,7)

 
INTRODUÇÃO

O termo “mestre”, que aparece em Efésios 4:11, significa literalmente ensinador, isto é, aquele que ensina segundo os processos e métodos didáticos, apelando para as faculdades lógicas da mente, da razão, inspirado pelo Espírito Santo.  O Dom Ministerial de Mestre - ou o Dom de Ensino - é concedido por Deus a alguns de seus servos, que são vocacionados por Ele e capacitados pelo Espírito Santo, tendo como objetivo, por meio deles, instruir o rebanho do Senhor e defender a fé cristã contra os inimigos da Igreja. Não é dotação natural de conhecimento da letra, nem habilidade natural de professores e mestres de Escola Bíblica Dominical, colégios e faculdades; é uma aptidão do Espírito àqueles que são chamados para o exercício do Ministério de Ensino.

I. JESUS, O MESTRE POR EXCELÊNCIA


Se houve um título que Jesus sempre aceitou foi o de Mestre (João 13:13). O ensino foi um dos pilares de todo o Seu ministério terreno. Foi Ele quem ordenou aos discípulos: "Ide, ensinai todas as nações [...] ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado" (Mt 28:19, 20).

Jesus foi o maior Mestre que já viveu. Como Filho de Deus Sua missão era instruir aos outros como conhecer a Deus. Sua mensagem principal era que Deus queria nos amar e nos conhecer. Ele ensinava enquanto andava com os seus seguidores. “Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas...”(Mt 4:23). Ele ensinou em praias, em montes, em casas, caminhando, em sinagogas e no templo. Os métodos foram os mais variados, mas Ele preferia usar uma história ou uma parábola, isto é, as coisas simples e usuais do cotidiano. Na terra, Ele era o Mestre por excelência. Lucas, ao sintetizar o ministério terreno de Jesus, no início do livro de Atos dos Apóstolos, disse que Jesus, na terra, veio “fazer e ensinar” (At 1:1).

1. Jesus era o Mestre por Excelência porque ensinava com inteligência espiritual. Jesus dava às Escrituras o sentido divino, porque o Espírito de Deus nEle estava. As palavras que saíam de sua boca eram “palavras de graça”, ou seja, palavras que vinham com poder, como resultado de uma intimidade entre Deus e o ensinador. É neste ponto que se revela a inteligência de Jesus, uma inteligência que, seguindo os padrões atuais dos estudiosos, poderiam denominar de “inteligência espiritual”.

Ainda hoje, pessoas, como Jesus, que não frequentaram grandes universidades, nem ostentam títulos acadêmicos, nem tampouco são “doutoras em divindade”, são capazes de ministrar estudos profundíssimos, extraindo riquezas do texto bíblico, porque são dotadas de “inteligência espiritual”, ou seja, têm a unção do Espírito Santo, estão envoltas pelo Espírito de Deus e, por isso, compreendem as coisas espirituais, podendo nos transmitir o que o Senhor tem deixado em sua Palavra.

2. Jesus era o Mestre por Excelência porque ensinava com “autoridade”(Mt 7:29).Jesus apresentava um poderoso fator que distinguia o seu ensino de todos os outros mestres de seu tempo: ensinava com autoridade. O que causava admiração nas pessoas não era o que Jesus ensinava, pois a maioria dos seus ensinos já era do conhecimento do povo, mas o fato de que Ele, ao contrário dos escribas e fariseus, tinha um testemunho de vida condizente com o que ensinava. Jesus vivia o que ensinava - o grande diferencial entre seu ensino e o dos demais mestres; daí porque seu ensino tinha “autoridade”. Uma das grandes características dos ensinos religiosos dos dias de Jesus era, precisamente, a dissintonia entre o que era falado e o que era vivido. A maior crítica que Jesus fez aos fariseus, tidos e havidos como os “mais santos” do período era o fato de que ensinavam, mas não viviam o que ensinavam (ler Mt 23:3,4). Jesus, ao contrário, primeiro praticou para depois ensinar (At 1:1) e, por isso, seu ensino tinha autoridade. Só Ele cumpriu a Lei (Mt 23:8,10).

3. Jesus era o Mestre por Excelência porque o seu ensino era acessível a todo povo. Ao contrário dos “sabichões” da sua época e dos nossos dias, não queria demonstrar conhecimento, mas tinha por missão fazer com que Deus fosse compreendido pelo povo.Utilizando-se de circunstâncias da vida de seus ouvintes, permitia-lhes enxergar as “coisas de cima”, as realidades espirituais que, se fossem ensinadas em sua profundidade e dificuldade, estariam acima da capacidade de qualquer doutor, como Jesus deixou claro em seu diálogo com o “mestre de Israel” Nicodemos (João 3:9-12).

4. Jesus era o Mestre por Excelência porque usava uma linguagem acessível, universal. Nunca Jesus fez uso de histórias fantasiosas, de coisas complexas, de enigmas que exigissem capacidade invulgar para decifrá-los. Ele ensinava por Parábolas, ou seja, Ele revelava verdades desconhecidas com base em verdades e fatos conhecidos; eram histórias retiradas do cotidiano, do dia-a-dia dos seus contemporâneos, cuja profundidade é mostrada com elementos absolutamente triviais e simples. Ele usava figuras, ou pessoas que todo povo conhecia, tal como a figura de um Semeador que saiu a semear; da Semente que caiu na boa ou na terra ruim; de um Pastor que perdeu uma ovelha; de um Filho que abandonou a casa de seu pai; de uma Moeda perdida por uma mulher; de um Vestido novo que não podia ser remendado com pano velho; de um Pescador jogando sua rede para pescar; de umConstrutor que construiu sua casa sobre a areia. Eram dezenas de historias e de figuras sobejamente conhecidas. Isto é uma eloquente demonstração da “simplicidade que há em Cristo” (2Co 11:3).

Ao contemplarmos este modelo de ensino de Jesus, devemos sempre lembrar que na igreja o ministério do ensino deve ser exercido com simplicidade, pois não será a complicação, a erudição excessiva que conferirá profundidade ao ensino, e as parábolas são a prova disto. A mensagem do Evangelho é para todo o mundo, para toda a criatura (Mc 16:15) e, por isso, temos de usar de uma linguagem facilmente acessível, universal, como eram as parábolas.

5. Jesus era o Mestre por Excelência porque ensinava pelo exemplo. O exemplo é essencial para que o ensino tenha eficácia, e Jesus foi, em todos os aspectos, um exemplo como Mestre, demonstrando na prática as verdades que anunciava. Quando lavou os pés dos discípulos, demonstrou a grandeza do serviço humilde, pois apenas os escravos lavavam os pés daqueles que chegavam de viagem nas estradas poeirentas da Palestina. Quando confrontado por seus inimigos em relação ao pagamento de tributos, pegou uma moeda e deu-lhes uma lição importante acerca do respeito ao Estado. César Moisés Carvalho, pedagogo e autor do livro Marketing para a Escola Dominical, editada pela CPAD, disse certa vez que o problema de muitos cristãos de nossos dias não é a ortodoxia – saber fazer o que é certo à luz da Bíblia -, e sim a ortopraxia – viver aquilo que sabemos ser o certo à luz da Bíblia. Aqui reside um dos maiores desafios para os que se dedicam ao ensino.

6. Jesus é o Mestre por Excelência porque o seu ensino é completo, ou seja, não se pode acrescentar coisa alguma ao que Ele ensinou. O que foi ensinado e registrado nas Escrituras não pode mais ser acrescido nem tampouco diminuído. Tanto assim é que o Espírito Santo tem por tarefa tão somente nos fazer lembrar o que foi ensinado pelo Senhor Jesus (João 14:26; 16:13-15) - ou seja, não ensina coisas novas -, mas tão somente nos revela o que foi ensinado. Por isso, não podemos permitir “novos ensinos”, “novas doutrinas”, inovações que nada mais são que “doutrinas de homens” (Cl 2:22) ou “doutrinas de demônios” (1Tm 4:1), trazidos por pessoas que querem nos desviar do verdadeiro e único Mestre: Jesus Cristo. Por isso, não podemos crer nestas invenções, uma das principais características dos dias que antecedem à vinda do Senhor (Mt 24:4,5,11,23-26).

II. O ENSINO DAS ESCRITURAS NA IGREJA DO PRIMEIRO SÉCULO


Na igreja do primeiro século da era cristã, o Ministério de Mestre incluía não só o ensino aos discípulos, mas também a defesa da Palavra diante dos adversários da fé cristã. Estas duas esferas de atuação faziam parte do ministério da liderança didática, objetivando o cumprimento da Grande Comissão: “Ide... pregai o evangelho... fazei discípulos... ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei...” (Mt 28:19,20).

1. Uma ordem de Jesus. Ensinar é um imperativo de Jesus; faz parte da Grande Comissão: "Ide, ensinai todas as nações [...] ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado" (Mt 28:19, 20). Portanto, a Comissão vai além de evangelismo; fazer prosélitos e deixá-los cuidar de si mesmos não é o bastante. Eles devem ser ensinados a obedecer aos mandamentos de Cristo como delineados no Novo Testamento. A essência do discipulado é tornar-se como o Mestre, e isso somente é conseguido por ensinamentos sistemáticos da Palavra e submissão à mesma.

Paulo, ao instruir Timóteo acerca do seu ministério, ordena: - “... aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino”(1Tm 4:13). - “Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino” (2Tm 4:2).  - “É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar”(1Tm 3:2). 

2. A doutrina dos apóstolos. A primeira nota característica que se escreve a respeito da Igreja Primitiva, a partir do dia de Pentecostes, foi o fato de que “perseveravam na doutrina dos apóstolos”(At 2:42). Essa “doutrina” eram os ensinamentos inspirados dos apóstolos, transmitidos incialmente de forma oral e, hoje, preservados no Novo Testamento. Foi fundamentada nessa doutrina bíblica que a Igreja primitiva em apenas três anos chegou aos pontos mais distantes do Império Romano (Rm 1:8). Qual o segredo? O segredo foi que eles estavam consolidados no ensino da Palavra de Deus, mantinham-se firmes “na comunhão, no partir do pão e nas orações”. Em cada alma havia temor e reverência. E muitas maravilhas eram operadas pelo Senhor através deles (At 2:42-47). A preocupação dos apóstolos era orar e ensinar a Palavra de Deus à igreja, ou seja, dar doutrina (At 6:2,4). E os líderes atuais o que dizem sobre isso?

3. Ensinamento persistente. No início da Igreja o ensino das Escrituras Sagradas era persistente e sistemático. O povo era desejoso pelo alimento espiritual e os apóstolos eram constantes e incansáveis no mistério de ensino. Depreendemos isso do próprio texto sagrado: “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar...” (At 5:42).

Paulo não mediu tempo para ensinar, instruir os crentes da igreja primitiva. Ele foi um exemplo de dedicação e persistência no ensino das Escrituras. Ele disse: “como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas”(At 20:20). Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas – “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos como o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia seguinte,exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite”(At 20:7,8). Nem o incidente que aconteceu com o jovem Êutico lhe arrefeceu o entusiasmo e o ardor doutrinário – “Subindo de novo, partiu o pão, e comeu, e ainda lhes falou largamente até ao romper da alva”(At 20:11). O ardor pelo ensino também aconteceu em Antioquia  - “todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente”(At 11:26). Também em Corinto Paulo permaneceu “um ano e seis meses, ensinando entre eles a Palavra de Deus”(At 18:11b).

Pedro também era persistente e insistente no ensino: “Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais e estejais confirmados na presente verdade”(2Pe 1:12). Ele sabia que os crentes aos quais a sua carta foi enviada já possuíam certeza dos ensinos fundamentais, porém dava instrução contínua. Pedro sabia que em breve partiria para a glória(2Pe 1:14); seu desejo era que, após a sua partida para estar com o Senhor, o ensino bíblico estivesse na mente de todos(2Pe 1:15).

Ah se todos os líderes fossem como esses homens de Deus do princípio da Igreja! Creio que milhares de pessoas não deixariam o caminho da verdade! A Bíblia diz que o conhecimento é vital. O Israel do Antigo Testamento se apostatou da fé em Deus porque deixou os caminhos do Senhor, porque deixou de conhecer a Jeová. Por causa disso o Senhor destruiu Israel espalhando-o por todo o mundo. O Senhor lamentou essa situação: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”(Oseias 4:6). E conhecimento não se adquire sem um ensino persistente e inspirado pelo Espírito Santo. Vivemos dias em que este ministério nunca foi tão necessário.

III. A IMPORTÂNCIA DO DOM MINISTERIAL DE MESTRE


O conhecimento das verdades bíblicas fundamentais é uma necessidade para a vida de qualquer cristão. A falta de conhecimento destas verdades foi apontada pelo autor da Epístola aos Hebreus como um dos motivos pelos quais aqueles crentes corriam o risco de apostatar da fé (Hb 5:12-6:2), numa repetição do que já havia afirmado o profeta Oséias, que denunciou que o motivo da destruição do Reino do Norte (o reino de Israel), se deu pela falta que o povo tinha de conhecimento das coisas de Deus.

1. Uma necessidade urgente da Igreja. Como já foi dito acima, no princípio da Igreja, o Ministério de Mestre atuava prioritariamente em duas esferas: o ensino aos discípulos e a defesa da Palavra diante dos adversários da fé cristã. A narrativa do texto de Atos 13:1,2 sugere que os mestres atuavam junto com os “profetas” e “apóstolos”. Eram capacitados para descobrir, coletar, analisar, formular informações e ideias essenciais para a edificação da igreja, em razão de sua vocação carismática para uma profunda percepção da verdade divina, podendo auxiliar no discernimento se um determinado comportamento ou palavra que supostamente fosse atribuído a Deus seria originado das esferas divina, humana ou satânica.

Hoje, também, o Dom Ministerial de Mestre é sobremodo importante na igreja, como o era antes, por causa da expansão da doutrina de homens que proliferam as igrejas locais. O Espírito Santo segue capacitando, sobrenaturalmente, pessoas para ensinar a Verdade aos filhos de Deus. Como qualquer outro Dom Ministerial, a pessoa chamada por Deus para ensinar deve apresentar-se a Deus aprovado, cheio do Espírito Santo e fé, conhecedor das Escrituras e como um trabalhador que não tem do que se envergonhar (1Tm 3: 2). As Escrituras afirmam que o povo de Deus perece por falta de conhecimento (Oséias 4:6). A fé vem pela pregação da Palavra de Cristo (Rm 10:17), enquanto o conhecimento vem pelo ensino.

2. A responsabilidade de um discipulado contínuo. O ensino da Palavra de Deus, na igreja local, é indispensável e de fundamental importância, por isso deve ser contínuo. Depois da evangelização, vem o discipulado dos novos convertidos, mas o discipulado não deve ser visto como apenas algumas lições bíblicas. Ninguém deixa de ser discípulo pela idade ou por tempo de serviço. O discipulado cristão é para toda a vida! Na igreja do primeiro século o exercício deste ministério era contínuo; diz o texto bíblico: "E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar..." (At 5:42). Sem o ensino, os crentes ficam sem o conhecimento indispensável ao seu crescimento na graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 2Pe 3:18).

3. Requisitos necessários ao mestre. Apresentamos alguns requisitos importantes para a igreja reconhecer pessoas com o dom ministerial de mestre:

a) Demonstra interesse em aprender. Para quem quer ser mestre, o aprendizado é indispensável. O homem é um ser educável e nunca acaba de aprender. Aprendemos com os livros; com nossos alunos; aprendemos enquanto ensinamos. Não há melhor maneira de aprender do que tentar ensinar outra pessoa. Devemos primeiro aprender para depois ensinar. Jesus só mandou seus discípulos ensinarem, depois que com Ele haviam aprendido mais de três anos. O apóstolo Paulo determinou que os que fossem escolhidos para ser obreiros deveriam ser “aptos para ensinar” (1Tm 3:2), ou seja, que, antes, tenham aprendido. No entanto, nos dias difíceis em que vivemos, muitos querem ensinar sem nunca terem sido alunos.

b) É dedicado ao ensino da Palavra de Deus. O vocacionado tem dedicação (esmero); é aquele que almeja a excelência do ensino e se empenha em alcançá-la. “...se é ensinar, haja dedicação ao ensino" (Rm 12:7. ARC) ou “... o que ensina, esmere-se no fazê-lo" (Rm 12:7. ARA). Esmero significa integralidade de tempo no Ministério - estar com a mente, o coração e a vida nesse Ministério. Ser mestre é diferente de ocupar o cargo de mestre.

c) Sabe o que ensina e como ensinar. Em Romanos 2:21 está escrito: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo?”. De acordo com Myer Pearlman, o professor não pode compartilhar o que não compreende, nem pode falar com autoridade se não tiver um conhecimento completo da matéria que ensina. Se você tem a intenção de entregar-se à dura tarefa de ensinar, estude sem cessar, leia com diligência acerca de tudo o que a Palavra de Deus ensina em diversos níveis, e faça um estudo sistemático das Escrituras.

d) Conhece bem a Bíblia, tem preparo intelectual. Em 2Timóteo 2:15 está escrito que devemos procurar, isto é, nos esforçarmos ao máximo para nos apresentarmos a Deus aprovados, como obreiros que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade. “Maneja”, aqui, denota “saber dividir”, como um profissional que, com perícia, utiliza a sua ferramenta de trabalho. Além do conhecimento bíblico, o mestre deve estar inteirado com o conhecimento secular. O avanço das ciências, das tecnologias, as mudanças rápidas no comportamento social provocam questões que exigem, não só o conhecimento bíblico e teológico, mas também secular.

e) Demonstra humildade. O mestre ou ensinador precisa ter o cuidado de não se considerar superior ao pastor ou dirigente de uma congregação, pelo fato de ter mais conhecimento que a média dos obreiros. Humildade, modéstia, sabedoria e equilíbrio são qualidades indispensáveis aos que são dotados por Deus de mais capacidade para se dedicarem ao ensino.

f) É exemplo para os seus alunos. “Assim falai, assim procedei” (Tg 2:12). Na escola secular, o professor pode ser um mero transmissor de conhecimentos. Na igreja é diferente: o professor tem que ser didático e exemplar. Ensinar não é passar conhecimento simplesmente por meio de uma aula expositiva. É muito mais do que isso. Uma lição fica completa quando existe coerência entre o que é “falado” e o que é “vivido”. Pense nisso! Amém?

CONCLUSÃO


O Dom Ministerial de Mestre é de fundamental importância em todas as igrejas. Ao lado dos dons espirituais de revelação e dos outros dons ministeriais contribui para o fortalecimento da fé cristã, para o aperfeiçoamento e edificação dos crentes - novos convertidos ou não. Ser mestre não é sinal de superioridade diante dos que não possuem este Dom. Significa mais responsabilidade diante de Deus. Tiago exorta: “meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo" (Tg 3:1).
FONTE: EBDWEB