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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

2ª Lição do 4º trimestre de 2015: A CRIAÇÃO DO CÉU E DA TERRA


Texto Base: Salmos 104:1-14

 
“Pela fé, entendemos que os mundos, pela Palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11:3)

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos sobre a criação dos Céus e da Terra, um fato histórico que aconteceu exatamente como está escrito no Livro de Gênesis. Por que Deus criou tudo isto? Simplesmente porque Ele é livre para criar, e seu propósito baseia-se no fato da eterna bondade que Ele manifesta para sua criação. Ao criar o universo, não significa que Deus precisasse de alguma coisa para si, já que Ele possui tudo (Salmos 24:1). Ele criou todas as coisas para manifestação da sua glória (Salmos 19:1-5; Is 6:3; 43:7). A criação da Terra foi aplaudida pelos anjos, os quais foram criados antes da criação do mundo material, conforme Deus revelou a Jó: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra?... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38: 4,7).

I. O CRIACIONISMO BÍBLICO

O criacionismo bíblico é a doutrina segundo a qual Deus criou, a partir de sua palavra, tudo quanto existe: os Céus, a Terra, os reinos vegetal e animal, e finalmente o ser humano (Hb 11:3). Diferentes teorias, através dos tempos, foram levantadas por mentes incrédulas e perniciosas, no intuito de ofuscar o criacionismo bíblico. Dentre tais teorias destacou-se o evolucionismo, a abor­dagem, sem fundamento científico, proposta por Charles Darwin (1809-1882).

1. Evolucionismo. O evolucionismo ensina que a matéria é eterna, preexistente. A partir daí, mediante processos naturais e por transformação gradual, os seres passaram a existir. Propõe uma visão determinista, na qual o meio torna-se o selecionador da melhor variedade dentre os seres. Entretanto, essa teoria é simplesmente uma hipótese sem evidência científica. Não há nenhuma evidência, nem sequer no registro geológico, a apoiar a teoria de que um tipo de ser vivente já evoluiu doutro tipo. Pelo contrário, as evidências existentes apoiam a declaração da Bíblia, que Deus criou cada criatura vivente “conforme a sua espécie” (Gn 1:21,24,25).

Segundo o método científico, toda conclusão deve basear-se em evidências incontestáveis, oriundas de experiências que podem ser reproduzidas em qualquer laboratório. No entanto, nenhuma experiência foi idealizada, nem poderá sê-lo, para testar e comprovar teorias em torno da origem da matéria a partir de um hipotético “grande estrondo”, ou do desenvolvimento gradual dos seres vivos, a partir das formas mais simples às mais complexas.

A evolução, em todas as áreas, é coisa do homem, por ser imperfeito. Exemplos:

- No mundo marítimo, o homem, primeiro deve ter flutuado sobre as águas, agarrado num tronco de madeira. Depois fez do tronco uma canoa, uma jangada, uma barcaça, um navio à vela ou movido à remos; chegou, depois de muito tempo, ao grande transatlântico. A construção naval evoluiu.

- No campo aeronáutico, do 14 Bis de Santos Dummont ao “Concorde” dos franceses, foram mais de 50 anos de evolução.

Os evolucionistas se enganam por não conhecerem Deus, nem sua perfeição, nem o seu poder criativo.

2. Criacionismo. Em Gênesis 1 a 11, Moisés descreve, com objetividade, a atuação do Criador do universo e do homem: o Deus Todo-Poderoso. Segundo o conceito criacionista, a origem do mundo conecta-se à verdade bíblica de que, no princípio, Deus criou os céus e a Terra (Gn 1:1; Ex 20:11; Sl 90). Logo, a Palavra de Deus refuta a ideia de um surgimento acidental e apresenta o Senhor como autor da criação de todas as coisas (Ec 3:11). O Deus trino e eterno criou o universo e o sustenta por intermédio do Seu poder soberano (João 1:1-3; Cl 1:16,17; Hb 11:3).

Três verbos hebraicos são usados para traduzir a ação criativa de Deus no Antigo Testamento:barah, asah e yatzar.

·         Barah – indica a ação criadora de Deus. Em relação às coisas, transmite a ideia de criar do nada. Em relação ao homem, criar a partir de material preexistente (Gn 1:1,27; 5:1a).

·         Asah – relaciona-se à criação a partir de material preexistente (Gn 1:11,12,31; 5:1b).

·         Yatzar – significa modelar, dar forma, finalizar (Gn 2:7,22).

O Altíssimo tudo criou a partir da sua Palavra. Ele, simplesmente, disse: “Haja”, e os elementos vieram à existência (Gn 1:3; Sl 33:6). Por sua ordem, o sistema solar e os reinos, vegetal e animal, ganharam vida. Veja, em resumo, o quadro demonstrativo da criação:

1º dia
Luz (dia e noite).
Gn 1:3-5
O AMBIENTE PROPÍCIO PARA A VIDA
2º dia
Céu, atmosfera e mares.
Gn 1:6-8
3º dia
Terra e vida vegetal.
Gn 1:9-13
VIDA VEGETAL
4º dia
Os corpos celestes que iluminam a Terra.
Gn 1:14-19
5º dia
Os animais do mar e as aves
Gn 1:20-23
VIDA ANIMAL
6º dia
Os mamíferos, os répteis e o homem.
Gn 1:24,25

3.  Propósito e alvo da criação. Deus criou os Céus e a Terra: (1)

a) para manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1). Ao olharmos a totalidade do cosmos criado – desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza – ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador.

b) para receber a glória e a honra que lhe são devidas. Todos os elementos da natureza – por exemplo, o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves – rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98:7-9; 148:1-10).

c) para prover um lugar onde o seu propósito e alvo para a humanidade fossem cumpridos:

Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para comunhão amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade. Deus projetou o ser humano como um ser trino e uno (corpo, alma e espírito), que possui mente, emoção e vontade, para que possa comunicar-se espontaneamente com Ele como Senhor, adorá-lo e servi-lo com fé, lealdade e gratidão.

- Deus desejou de tal maneira esse relacionamento com a raça humana que, quando Satanás conseguiu tentar Adão e Eva a ponto de se rebelarem contra Deus e desobedecer aos seus mandamentos, Ele prometeu enviar um Salvador para redimir a humanidade das consequências do pecado (cf. Gn 3:15). Daí Deus teria um povo para sua própria possessão, cujo prazer estaria nEle, que o glorificaria, e que viveria em retidão e santidade diante dEle (Is 60:21; 61:1-3; Ef 1:11,12; 1Pe 2:9).

- A culminação do propósito de Deus na criação está no livro do Apocalipse, onde João descreve o fim da história com estas palavras: “... com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21:3).

II. A CRIAÇÃO DO TEMPO, DO ESPAÇO, DOS CÉUS E OS ANJOS

No “princípio” Deus criou perfeitamente todo o cosmos (Gn 1:1). Criou também o tempo, o espaço, os Céus e os anjos, e a Terra sem forma e vazia.

1. O tempo. Gênesis 1:1 convida todos nós à história. A criação foi um ato temporal de Deus. Não consta de forma verbal na Bíblia, mas pode-se afirmar que a primeira coisa que Deus criou foi o tempo. Isto porque a obra divina somente poderia ser concretizada no âmbito temporal.

A declaração de que a criação foi um ato temporal não significa restringir ou confinar Deus ao tempo, porque Ele está fora de qualquer confinamento, restrição física ou mesmo espiritual. Na verdade, a lição que aprendemos na Bíblia é que o mundo teve começo (cf. Mt 19:4,5; Mc 10:6; João 1:1,2; Hb 1:10).

A pergunta que costumeiramente é feita, quando se estuda sobre o tempo da criação, é: “em quanto tempo Deus criou o mundo?”.  Há cinco teorias principais sobre a interpretação dos seis dias da criação: (2)

- A teoria do dia pictórico. Esta teoria afirma que os seus dias mencionados no livro de Gênesis sãos os seis dias durante os quais Deus revelou a Moisés os eventos da criação. Mas a Bíblia relata a criação de maneira clara, simples e histórica como relata quaisquer outros eventos. Interpretar o texto desta forma exige o abandono de todos os princípios exegéticos.

- A teoria do hiato. Esta teoria afirma que Gênesis 1:1 descreve uma criação original que foi seguida pela queda de Satanás e pelo grande juízo. Supõe-se que Gênesis 1:2, então, seja uma descrição da recriação ou restauração que ocorreu. Êxodo 20:11 ensina que todo o universo, incluindo os céus e a terra (Gn 1:1), foi criado no período de seis dias, mencionado no primeiro capítulo de Gênesis.

- A teoria do dia intermitente. Esta teoria afirma que os dias mencionados são dias literais, mas que são separados por longos períodos (até mesmo milhões de anos). Contudo, a menos que toda a atividade criativa seja limitada aos dias literais, esta interpretação é uma contradição direta ao texto de Êxodo 20:11.

- A teoria do dia-era. Esta teoria afirma que a palavra yôm, que é o termo hebraico para “dia”, é usada para se referir a períodos de extensão indefinida, e não dias literais. Embora seja um significado viável para o vocábulo (Lv 14:2,9,10), não é o mais comum. Logo, o sentido vernacular não é fundamento suficiente para sustentar essa teoria.

- A teoria do dia literal. Esta teoria afirma que este é o significado claro do texto: o universo foi criado em seis dias literais. Os vários esforços para unir o relato bíblico da criação e a evolução não são respaldados nem mesmo pelas várias teorias de hiato, porque a ordem da criação está em oposição direta às interpretações da ciência moderna (por exemplo, a criação das árvores antes da luz). A expressão “dia e noite” indica dias literais (cf. Dn 8:14, onde a mesma expressão em hebraico é traduzida como “tardes e manhãs”).

Conquanto a teoria dos dias literais seja a mais aceita pelos cristãos e judeus, a Bíblia, porém, não especifica a duração desses períodos de tempo. A questão real não é quanto tempo levou, mas como Deus criou. Ele criou a Terra de forma sistemática (não criou as plantas antes da luz), e criou homem e mulher como seres únicos, capazes de comunicar-se com Ele. Nenhuma outra parte da criação possui este privilégio. Portanto, não importa em quanto tempo Deus fez o mundo, se em alguns dias ou alguns milhões de anos; o importante é que Ele o criou exatamente como desejava.

Muitas Bíblias destacam notas sobre a cronologia da Terra, mas isto não faz parte originalmente da Bíblia. Muitos dizem que a criação ocorreu em 4004 a.C. Um arcebispo chamado Usher chegou a esta conclusão a partir do cálculo dos anos que atravessam as genealogias patriarcais (Gn 5; Gn 11). Uma comparação destas genealogias com as contidas nos Evangelhos revelará que as genealogias não são completas por desígnio, nem nos foram fornecidas para que calculássemos o intervalo de tempo entre vários eventos na história antiga do homem. Elas apresentam alguns nomes significativos, e omitem outros. Portanto, não podem ser usadas para estabelecer a data da criação. A época mais antiga a partir da qual podemos calcular anos civis com uma precisão aproximada é a época de Abraão.

2. O espaço. Deus criou o espaço a fim de conter a sua obra, que, embora vastíssima, é finita. Logo, o espaço também é finito. O Criador não se acha limitado quer pelo tempo, quer pelo espaço; a criação, sim. Até mesmo os anjos, criaturas de Deus, acham-se condicionados ao aspecto temporal e espacial, pois não podem estar em dois lugares ao mesmo tempo.

3. A Terra ainda informe. “E a terra era sem forma e vazia...”(Gn 1:2). No original hebraico, esta expressão dá a ideia de um lugar ermo. Esta frase significa algo desordenado, como estava desordenada a terra de Israel por causa do pecado (Jr 4:23-27). Segundo estudiosos, isto se refere à       Terra como um lugar vazio, isto é, um lugar improdutivo e inacabado. O estado da Terra reflete uma situação na qual não estava produzindo vida. A preocupação da narrativa é com a vida: aves, animais e vegetação.

“Alguns teólogos entendem este texto como uma referência ao ato da recriação, mas sem base suficiente na Bíblia para garantir esta ideia. Os que defendem estra teoria, ensinam que entre Gênesis 1:1 e 1:2, houve um cataclismo geológico, provocado pela queda e Satanás perante o Criador. Mas, parece-nos que a narrativa da criação nada tem a ver com isso, pois trata-se de um relato dos atos criativos de Deus, que eliminou o caos que envolvia a Terra, ‘sem forma e vazia’”(LBM, p. 13, CPAD. 1995).

A Bíblia de Scofield afirma que a condição da Terra, em Gn 1:2, é o resultado de juízo, razão pela qual interpreta o verbo hãyãh como “tornou-se”. Contudo, a estrutura hebraica de Gn 1:2 é disjuntiva, descrevendo o resultado da criação descrita em Gn 1:1. A expressão “sem forma e vazia” é frequentemente mal interpretada em função das possibilidades de sua tradução. Estas palavras não descrevem o caos, mas o vazio. Uma tradução melhor seria “sem forma e desocupada”. (3)

III. A ORDENAÇÃO DA TERRA

1. O Espírito Santo na criação“... o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1:2); “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn 1:26). A imagem do Espírito Santo de Deus movendo-se sobre a face da terra é semelhante a um pássaro-mãe cuidando dos seus filhotes e protegendo-os (ver Dt 32:11,12; Is 31:5). O Espírito de Deus, portanto, estava envolvido ativamente na criação do mundo (ver Jó 33:4; Sl 104:30). O cuidado e a proteção de Deus ainda são uma realidade.

2. Tarefas ordenadas. A afirmação de que a “a terra era sem forma e vazia” provê o cenário para a narrativa da criação que se segue. Durante o segundo e o terceiro dia, Deus deu forma ao universo; nos três dias seguintes, Ele encheu a Terra com seres viventes. As trevas foram dispersas no primeiro dia, quando Deus criou a luz.

IV. A CRIAÇÃO DA LUZ (Gn 1:3-5)

A Bíblia declara ousadamente que “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn1:1). Todavia, a Terra não estava pronta para o homem (coroa da criação), ainda estava sem forma e vazia, a despeito da atividade Onipotente do Espírito Santo, que se movia continuamente sobre a face das águas (Gn 1:2). E o primeiro ato de Deus, no primeiro dia, foi a criação da luz.

“E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã: o dia primeiro”.

Deus fez aparecer a luz cósmica, pelo poder da sua Palavra, quando disse: “haja luz, e houve luz”. O mundo estava debaixo da escuridão total, mas o Criador fez surgir a luz, mesmo antes de aparecer o Sol. Em Gênesis 1:4, lemos: “e fez Deus separação entre a luz e as trevas”. Havia, de fato, uma densa acumulação de neblina e vapor, os quais envolvia a Terra, e, por isso, existia uma total escuridão. Quando surgiu a luz, as trevas foram vencidas pelo poder da claridade que se espalhou sobre a expansão das águas. No versículo 5, a luz foi chamada “dia” e as trevas, “noite”.

V. A SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS (Gn 1:6-8)

“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão. E assim foi. E chamou Deus à expansão Céus; e foi a tarde e a manhã: o dia segundo”.

Parece que, antes do segundo dia, a terra estava completamente imersa numa camada espessa de água, talvez em forma de vapor carregado. Esta vasta cortina líquida e nebulosa cobria a Terra e impedia que a luz solar a vencesse. Ela impedia o planeta a um juízo de trevas impenetráveis. No segundo dia, Deus dividiu essa camada em duas partes: uma parte cobriu a terra, e a outra formou as nuvens, e entre elas surgiu o firmamento ou “expansão”. “E chamou Deus à expansão [firmamento] céus”, isto é, o espaço imediatamente acima da superfície do planeta (não o espaço estelar, nem o terceiro Céu, onde Deus habita). Gênesis 1:20 deixa claro que o céu se refere ao espaço onde voam as aves – “...e voem as aves sobre a face da expansão dos céus”.

VI. A CRIAÇÃO DO REINO VEGETAL (Gn 1: 9-13).

“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era bom. E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie e árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã: o dia terceiro”.

O terceiro ato de Deus diz respeito à formação de um futuro ambiente ou habitat para o homem, que seria formado no sexto dia. Primeiramente, Deus ajuntou as águas que cobriam o planeta e fez aparecer a porção seca, criando assim a Terra e os Mares. Alguns arqueólogos acreditam que, originalmente, “a porção seca” fosse um só continente; isto realmente combina com o texto sagrado: “... e apareça a porção seca...” (Gn 1:9). Não diz: as porções secas.

Após isso, Deus fez surgir todos os tipos de plantas e árvores na Terra. A parte seca, hoje, disposta no planeta em cinco continentes, foi capacitada para produzir toda a vegetação em forma de ervas variadas que dão sementes e árvores frutíferas. Estes elementos vitais da vegetação seriam os produtores de alimentos para a sobrevivência dos seres vivos.

- “... conforme a sua espécie...”. Não há espécie de vida à parte do desígnio e ato criativo de Deus. Ele queria que a vegetação servisse como alimento para formas de vidas mais elevadas (cf Gn 1:29,30).

- A fotossíntese. Cabe aqui uma indagação: “como a vegetação poderia vingar sem o processo de fotossíntese, já que o sol só viria a ser criado no quarto dia?”. O sol não é a única fonte de luz no universo. Além disso, é possível que ele já existisse desde o primeiro dia, tendo somente aparecido ou se feito visível (com a dissipação da neblina) no quarto dia. Vemos luz num dia nublado, mesmo quando não nos é possível ver o sol. Portanto, não há contradição alguma entre a Bíblia Sagrada e a verdadeira ciência. Afinal, aquele que criou as plantas haveria de esquecer-se de algo tão básico como a fotossíntese?

VII. A CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR (Gn 1:14-19)

“E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra. E assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã: o dia quarto”.

Somente no quarto dia Deus criou os luzeiros no firmamento dos céus (o sol, a lua e as estrelas) para iluminarem a Terra e servirem no estabelecimento do calendário.

“Não há contradição entre o relato do primeiro e o quarto dia, quando ambos os textos relativos falam do aparecimento da luz. A diferença é que, no primeiro dia (Gn 1:3-5), Deus ordena o surgimento da luz; e no quarto dia (Gn 1:14-19), organiza o sistema solar. Neste dia, surgem o Sol e a Lua, e os astros celestes”(LBM, p. 13, CPAD. 1995). Enquanto nos mitos do antigo Oriente Próximo o sol e a lua são as principais divindades, aqui são objetos sem nome designados por um Deus Criador para servirem à humanidade.

“Tudo está pronto para a sobrevivência animal. Há água portável, comida e o ciclo das estações. No versículo 14, começa, de fato, a contagem do tempo, pois os luminares surgidos no firmamento celeste, Sol e Lua, fazem a diferença entre o dia e a noite” (LBM, p. 13, CPAD. 1995).

Deus criou o sistema solar para funcionar perfeitamente, conforme Deus declarou através do profeta Jeremias: “Assim diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à luz e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; Senhor dos Exércitos é o seu nome” (Jr 31:35).

VIII. A CRIAÇÃO DO REINO ANIMAL (Gn 1:20-26)

“E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies, e toda ave de asas conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. E foi a tarde e a manhã: o dia quinto” (1:20-23).

“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis, e bestas-feras da terra conforme a sua espécie. E assim foi. E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (1:24-26).

Somente depois de o ambiente natural estar devidamente preparado é que Deus criou, no quinto e sexto dias, os animais aquáticos e terrestres. O criador agiu de forma sábia, lógica, em seus desígnios.

1. Quinto dia (Gn 1:20-23). No quinto dia, Deus povoou as águas com peixes; e a Terra, com aves e insetos. A palavra traduzida por “aves” significa “seres que voam”, incluindo morcegos e provavelmente insetos alados. A ordem divina no versículo 20 é: “Produzam as águas abundantemente...”. A água não tem o poder de geração espontânea. Ela produz vida somente por meio da palavra eficaz de Deus.

2. Sexto dia (Gn 1:24-26). Nos versículos 24 a 25, Deus criou os animais e répteis. A lei biológica da reprodução aparece repetidamente com as palavras “conforme a sua espécie”. Tanto no mundo animal como vegetal, foram feitos de acordo com o seu gênero e espécie e com a capacidade de reproduzir-se por gerações sem fim. Deste modo, podemos testemunhar que as diferentes famílias de animais e plantas conservam-se, desde sua criação até o dia de hoje.

O versículo 26 diz que Deus criou o homem. Ele é a obra-prima da criação; a coroa da criação. Quando Deus disse: “Façamos o homem”, Ele desejava criar um ser distinto de todas as demais criaturas terrestres; alguém que tivesse personalidade, vontade, sentimento, e fosse capaz de representá-lo sobre a Terra. Por esta razão, Ele criou o homem “à sua imagem e semelhança”. De certa forma, o homem partilha características semelhantes com o Senhor: Deus é uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e o homem é um ser tripartite (corpo, alma e espírito). Como Deus, o homem possui intelecto, juízo moral, poder de se comunicar com os outros e uma natureza emocional que transcende seus instintos. Não há indicação de semelhança física no texto. Ao contrário dos animais, o homem é um ser criador e adorador, e se comunica com clareza.

Deus ordenou aos animais e aos seres humanos: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra...” (1:22,28). A Bíblia apresenta a origem dos sexos como um ato criativo de Deus (a teoria da evolução até agora não conseguiu explicar como surgiu os sexos).

Quanto à criação, Deus disse ao homem: sujeitai-a; dominai; porém não mandou que fosse destruída. A crise atual que afeta o meio ambiente se deve à ganância, ao egoísmo e à negligência do ser humano.

CONCLUSÃO

Por sua livre e espontânea vontade, e por seu poder absoluto, Deus chamou o universo à existência, criando-o a partir do nada (Êx 20:11; Sl 33:6,9; 102:25; Is 45:12; Jr 10:12; João 1:3; At 14:15; 17:24; Rm 4:17; Cl 1:15-17; Hb 1:10; 11:3; Ap 4:11). Quando se reconhece o poder absoluto de Deus, é necessário aceitar o seu poder de criar e destruir, como declaram as Escrituras. O crente deve aceitar essas coisas pela fé (Hb 11:3).

Fonte: ebdweb

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

12ª lição do 3º trimestre de 2015: Exortações Gerais


Texto Base: Tito 2:1-8

 
“Em tudo, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, Sinceridade”(Tt 2:7)

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos o capítulo 2 de Tito. Neste capítulo 2, Paulo se volta para a supervisão pastoral das comunidades cretenses, direcionando suas exortações a grupos selecionados por idade, sexo e posição social. Ele requer de cada um dos grupos um alto padrão de conduta. Ao requerer isso ele demonstra sua preocupação tanto com a boa reputação da igreja quanto com o avanço do evangelho num ambiente de moralidade duvidosa. Os crentes, principalmente os líderes, deveriam professar sua fé em Deus por meio da conduta. Os falsos mestres não viviam o que pregavam. Havia um abismo entre o que eles falavam e o que eles faziam. Tito deveria agir de forma diametralmente oposta aos falsos mestres. John Stott diz que não poderia haver contradição entre a teologia e a ética de Tito. Não poderia existir dicotomia entre o seu ensino e o seu comportamento. (1)

I. O MODO CORRETO DE FALAR DO LÍDER

1. “Fala o que convém à sã doutrina” (Tt 2:1). Os falsos mestres não viviam o que pregavam. Pela própria conduta, eles negavam as grandes verdades da fé. Havia um abismo entre o que eles falavam e o que esses faziam. Quem pode mensurar o dano contra o testemunho cristão praticado por aqueles que professavam grande santidade, mas viviam uma mentira? A tarefa designada a Tito (e a todos os servos do Senhor) era falar [ensinar] “o que convém à sã doutrina”. Ele tinha de eliminar o terrível abismo existente entre o discurso e a vida do povo de Deus. Na realidade, esta é a ideia central da epístola: a maneira prática de viver a sã doutrina com boas obras. Tito 2:2-15 dá exemplos práticos do que essas boas obras deveriam ser.

Não basta à igreja assumir um papel crítico e denunciar as heresias dos falsos mestres e seu desvio de caráter; é preciso, sobretudo, proclamar a verdade. Combate-se a heterodoxia com a ortodoxia. Combate-se a heresia com a verdade. Em vez de Tito apenas ficar na retranca e na defesa contra os falsos mestres, deveria partir para o ataque, proclamando a sã doutrina.

2. Saber falar e saber ouvir. O Líder que é sábio:

a) Pensa antes de falar. Todos nós batalhamos contra a tentação de falar antes de pensar, talvez uma palavra áspera ou crítica usada desnecessariamente, talvez uma expressão de raiva ou ódio. Uma simples palavra mal empregada pode levar uma nação à beira da guerra, destruir uma amizade de toda a vida, desfazer uma família ou arruinar um casamento. Por isso, esta advertência de Tiago: "Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19).

O que Tiago quer dizer com “tardio” é que devemos refletir primeiro, e não falar de imediato. É preciso saber a hora de falar e também o que falar. O que temos a dizer é verdadeiro? É oportuno? Edifica? Transmite graça aos que ouvem? Geralmente falamos antes de pensar, de ouvir, de orar, de medir as consequências. Devemos ter muito cuidado com isso, pois: "a morte e a vida estão no poder da língua..." (Pv 18:21). As palavras podem dar vida ou matar. Quem fala demais acaba caindo em pecado. Precisamos, pois, estar atentos sobre o que falamos, como falamos, quando falamos, com quem falamos e por que falamos. Davi orava a Deus e pedia: "Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios!" (Sl 141:3).

Há um ditado popular que diz: “Em boca fechada não entre mosquito”. Falar sem pensar é consumada tolice. Responder antes de ouvir é estultícia. Proferir palavras torpes e desandar a boca para espalhar impropérios e maldades é perversidade sem tamanho. Esse não pode ser o caminho do justo. Uma pessoa que teme a Deus reflete antes de falar, sabe o que falar e como falar. Sua língua não é fonte de maldades, mas canal de bênção para as pessoas. Diz o sábio: “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos ímpios derrama em abundância coisas más” (Pv 15:28).

Concordo com o pr. Elinaldo Renovato quando diz que ser “tardio para falar” e “pronto para ouvir” é sinal de sabedoria, de maturidade emocional e espiritual. Quem lidera tem que desenvolver a capacidade de escutar as pessoas, ainda que não concorde com elas.

b) Fala com temperança. Quem sabe conversar com calma demonstra inteligência. Quem ouve e analisa antes de emitir sua opinião, pode falar com mais eficácia. Diz o sábio: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1); “... a língua branda quebranta os ossos” (Pv 25:15). Aqui, o sábio nos mostra que não é a palavra branda que desvia o furor, mas a resposta branda. Isso é mais do que ação, é reação. Mesmo diante de uma ação provocante, a pessoa tem uma reação branda. É como colocar água na fervura e acalmar os ânimos. Em outras palavras, é ter uma reação transcendental. O oposto disso é a palavra dura e deselegante.

3. Integridade no falar. O crente deve ter uma linguagem sempre sadia e irrepreensível -Linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tt 2:8).

Nos dias em que vivemos, em que "tudo é relativo", é preciso lembrar que o falar do crente deve ser sim, sim, não, não, e o que sai disto é de procedência maligna (Mt 5:37). Equivocam-se os faladores da atualidade que acham que suas palavras não são levadas em conta pelo Reto e Supremo Juiz. Não só nossas ações, mas também nossas palavras são levadas em conta diante de Deus. Tenhamos muito cuidado com o que falamos, pois tudo está sendo anotado perante o Senhor - “Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo” (Mt 12:36). Que possamos dizer como Jó: “Nunca os meus lábios falarão injustiça, nem a minha língua pronunciará engano” (Jó 27:4).

-  "Linguagem sadia e irrepreensível...". O púlpito não pode ser um palco em que o pregador usa piadas e gracejos inconvenientes e incompatíveis com a santidade da mensagem. Não apenas a mensagem é santa, mas também a forma de comunicá-la deve ser santa.

- "[...] para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito". A descrição que Paulo faz do adversário pode incluir os críticos pagãos do cristianismo, bem como os indivíduos indispostos dentro da comunidade. A melhor defesa contra os adversários é a completa integridade na pregação, tanto na forma quanto no conteúdo. Devemos ser zelosos quanto à doutrina e também quanto à forma pela qual ensinamos a doutrina, pois nossos adversários sempre buscarão motivos para nos acusar. Não podemos deixar brechas para o inimigo nos atacar.

II. EXORTAÇÕES AOS IDOSOS, AOS JOVENS E SERVOS

1. Como os idosos devem portar-se (Tt 2:2). “Quanto aos homens idosos, que sejam temperantes, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na constância”.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, os homens idosos são citados primeiro, porque deveriam ser os pioneiros a aplicar a sã doutrina. A vida deles deveria recomendar a doutrina que professavam. Os homens idosos deveriam demonstrar quatro virtudes cardeais: (2)

a) Deveriam ser “temperantes”, ou seja, ter domínio próprio. Aqui, a palavra “temperante” tem a ver com o domínio do vinho. A palavra grega traduzida para temperante significa literalmente “sóbrio”, em contraposição a ser muito indulgente com o vinho. Trata-se de uma pessoa que tem seus apetites sob controle. A falta de disciplina e de limites em qualquer área da vida e o uso imoderado do vinho causavam muitos transtornos na comunidade cristã da ilha de Creta. “Os prazeres desenfreados custam muito mais do que valem”.

b) Deveriam ser “respeitáveis”, ou seja, ter reputação aprovada. Trata-se de uma pessoa que tem vida ilibada, caráter impoluto, bom testemunho dos de fora. É uma pessoa que não tem brechas no escudo da sua fé. Alguém que não pode ser acusado de escândalo.

c) Deveriam ser “sensatos”, ou seja, ter equilíbrio nas atitudes. Trata-se daquela pessoa que mede suas palavras, seus gestos, suas ações e suas reações. É aquele homem que vive sob controle, que sabe governar cada instinto e paixão.

d) Deveriam ser “sadios na fé, no amor e na constância”, ou seja, ter maturidade espiritual. Fé, amor e esperança são a trilogia neotestamentária da maturidade cristã. A maturidade cristã tem a ver com a teologia que abraçamos, com o nosso relacionamento com Deus e com os irmãos e, também, com a maneira que nos comportamos diante das pressões da vida.

2. As mulheres idosas devem ser exemplo para as mais novas (Tt 2:3-5). “Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada”.

Paulo destaca duas coisas importantes que devem caracterizar as mulheres idosas:

a) Elas devem ser cuidadosas quanto à maneira de viver - “Quanto às mulheres idosas,semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho”.

Aqui, Paulo mostra dois aspectos: positivo e negativo.

- Quanto ao aspecto positivo, as mulheres idosas devem ter um procedimento irretocável, exemplar: ”... sérias em seu proceder...”. A idade avançada torna a pessoa mais responsável.

Quanto ao aspecto negativoas mulheres idosas devem evitar dois sérios pecados:

·       O pecado da calúnia – “não caluniadoras...”. As mulheres idosas não devem falar mal pelas costas nem ser boateiras. Nada é mais pernicioso para a vida da igreja do que o pecado da língua. Tiago diz que a língua é fogo e veneno. A língua fere, destrói e mata (Tg 3:1-10). Salomão diz que "a morte e a vida estão no poder da língua" (Pv 18:21). Podemos matar ou dar vida a um relacionamento dependendo da maneira pela qual nos comunicamos.

·     O pecado da embriaguez – “... não escravizadas a muito vinho”. A embriaguez é um vício degradante em todas as pessoas, mas quando mulheres que deveriam ser exemplo de conduta capitulam-se à embriaguez, isso se constitui num terrível escândalo.

b) Elas devem ser cuidadosas quanto a maneira de ensinar – “sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos” (Tt 2:3b,4). As mulheres idosas deveriam não apenas praticar o bem, mas ser mestras do bem. Deveriam não apenas ser exemplo, mas também instruir as jovens recém-casadas a amar seus maridos e filhos. Esse ensino desenrola-se na dinâmica da vida.

A igreja precisa tanto dos mais velhos quanto dos mais jovens, e uns devem ministrar aos outros. É importante destacar que a instrução só pode acontecer onde existe comunicação e comunhão. É preciso construir pontes de comunicação entre os idosos e os jovens. O conflito de gerações precisa ser resolvido antes que a instrução logre êxito.

3. Os jovens cristãos (Tt 2:6). “Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados”.

Os jovens devem ser exortados a serem criteriosos em tudo. O próprio Tito deveria se encarregar desse trabalho de encorajar os jovens a viver um alto padrão. Juventude não é sinônimo de imaturidade. O padrão para os jovens não é inferior nem eles estão isentos da responsabilidade de viver de forma cuidadosa em todas as áreas da vida (1Tm 4:12).

Segundo Willian Macdonald, Paulo não incitou Tito a ensinar as mulheres jovens. Em nome da discrição, esse ministério é confiado às mulheres idosas. Tito, porém, é aconselhado a exortar os jovens, e a advertência específica é que eles sejam criteriosos e tenham autocontrole. Segundo John Stott, Paulo está pensando no controle de temperamento e da língua, da ambição e da avareza, e especialmente dos apetites carnais, inclusive compulsões sexuais, de modo que o jovem cristão permaneça dentro do imutável padrão cristão de castidade antes do casamento e de fidelidade depois dele.

Trata-se de um conselho apropriado, considerando que a juventude é um período cheio de entusiasmo, de energia turbulenta e de impulsos ardentes. Em todas as áreas da vida, eles precisam aprender o controle e o equilíbrio.

- José do Egito se manteve puro mesmo quando a mulher de Potifar o abordou, e isso ocorreu várias vezes. Ele preferiu ser preso numa masmorra e manter sua consciência livre e pura a viver em liberdade, mas prisioneiro do pecado. A mais sombria de todas as masmorras é a prisão da culpa. Não há remédio humano que possa aliviar a dor da culpa. José preferiu ser um prisioneiro livre a ser um livre prisioneiro.

- O profeta Daniel resolveu firmemente no seu coração não se contaminar, mesmo quando ainda era um adolescente.

Os dois, José e Daniel, só puderam liderar eficazmente outras pessoas porque antes dominaram a si mesmos. Ninguém pode servir a outros até que tenha dominado a si mesmo. A Bíblia diz que melhor é "[...] o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade" (Pv 16:32).

III. O BOM EXEMPLO EM TUDO

1. Bom exemplo (Tt 2:7). “Em tudo, te dá por exemplo de boas obras...”. Rev. Hernandes Dias Lopes argumenta que a vida do líder é a vida da sua liderança. Ele ensina não apenas com palavras, mas, sobretudo, com exemplo. Os falsos mestres dizem e não fazem, mas os mestres da verdade devem dizer e fazer. Dizer e não fazer é hipocrisia. Concordo com John Stott quando diz que nós precisamos de modelos; eles nos dão direção, desafios e inspiração. Paulo se ofereceu como exemplo para a igreja de Corinto (1Co 11:1). Ele deu ordens a Timóteo a ser padrão dos fiéis (1Tm 4:12). Agora, ordena a Tito a ser padrão para os crentes na prática de boas obras (Tt 2:7). Nós precisamos de modelos vivos. Precisamos de líderes que preguem aos ouvidos e aos olhos. Que falem a sã doutrina e também demonstrem a verdade que pregam com o seu modo de viver. O ensino e o exemplo, o verbal e o visual, sempre formam uma combinação poderosa.

2. Incorrupção da doutrina. “... na doutrina, mostra incorrupção...” (Tt 2:7). Na tradução Almeida e Atualizada diz: “... no ensino, mostra integridade”. Aqui Paulo diz que deve haver um estreito paralelo entre a doutrina e o comportamento de Tito. Seu ensino deve se caracterizar pela integridade. Integridade significa que o ensino deve corresponder à fé entregue aos santos definitivamente. “Incorrupção” ou “incorruptibilidade” tem a ver com o pastor sincero que não pode ser corrompido do caminho da verdade. Infelizmente, hoje, temos visto igrejas que “vendem” bênçãos por dinheiro, utilizam manipulação psicológica para arrecadar mais recursos das pessoas; fazem “curas” e “milagres”, em troca do vil metal. Isso é corrupção. Isso é uma vergonha!

3. Gravidade e sinceridade. “... gravidade, sinceridade” (Tt 2:7). Aqui, “gravidade e sinceridade” indicam um ensino com reverência, para que as palavras de Tito fossem respeitadas e levadas a sério. Reverência denota um alto tom moral na exposição da sã doutrina. Um pregador irreverente é uma contradição. A vida do pregador não pode estar em oposição à sua mensagem. Muitos escândalos têm perturbado a igreja do Senhor Jesus, ao longo da história, por causa de comportamento irresponsável e vulgar de alguns obreiros.

Completando a lista de recomendações, Paulo diz que Tito deve ter “linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós”(Tt 2:8). Tito deveria estar acima de quaisquer críticas sobre a maneira como ele ensinava. Devido ao seu papel exclusivo em Creta, a sua vida deveria exibir um grau admirável de correção. Ele estaria exposto constantemente. Cada palavra de Tito seria avaliada de modo que ele continuasse acima de censuras ou condenações. A sua vida exemplar, os seus ensinos e a sua linguagem envergonhariam aqueles que pudessem desejar dizer mal dele. Isso se aplica a todos aqueles que estão em evidência na obra do Senhor, principalmente aqueles que se dedicam ao espinhoso ministério do ensino.

CONCLUSÃO

Uma igreja local é a materialização da igreja visível. Nela, podem-se observar os diversos tipos de pessoas que aceitam a Cristo, de verdade ou não. Os que são crentes verdadeiros demonstram ser novas criaturas pelo seu porte, testemunho e por suas obras. Os que são falsos crentes também se revelam por seu caráter, expresso em sua conduta. A Palavra de Deus é o referencial para todo comportamento cristão, em todas as faixas etárias da vida (Elinaldo Renovato).

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