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quinta-feira, 21 de julho de 2016

4ª lição do 3º trimestre de 2016: O TRABALHO E ATRIBUTOS DO GANHADOR DE ALMAS


Texto Base: Atos 8:26-40

"Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério" (2Tm 4.5).

INTRODUÇÃO

Jesus, após ter passado quarenta dias dando prova da Sua ressurreição aos discípulos e falado a respeito do reino de Deus (At 1:3), explicitamente determinou qual seria a tarefa principal da Igreja: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15). Nota-se que Jesus ordenou que o evangelho fosse pregado por todo o mundo a toda a criatura, uma ordem que estabeleceu um verdadeiro dever a todo cristão. Portanto, ganhar almas é tarefa de todo discípulo de Cristo. Nesse sentido, você e eu somos evangelistas (At 2:41-47; 8;4; 11:19-21). Mas há pessoas a quem Jesus deu o Dom especial de Evangelista. Os Apóstolos e Profetas lançaram o fundamento da Igreja, e os Evangelistas edificaram sobre esse fundamento, ganhando os perdidos para Cristo. No início da Igreja, o trabalho dos Evangelistas era uma obra itinerante de pregação orientada pelos apóstolos, e parece ser justo chamá-los de “a milícia missionária da igreja”. O Dom de Evangelista é concedido pelo Espírito Santo a algumas pessoas (Ef 4:11), todavia, nenhum crente está desobrigado de cumprir o “ide” de Jesus. O fato de o crente não ter esse Dom não o desobriga de evangelizar. Você tem o Dom de Evangelista? Então “faze a obra de umevangelista, cumpre o teu ministério”(2Tm 4:5).

I. EVANGELISTA, GANHADOR DE ALMAS

O evangelista é aquele que é usado para pregar a Palavra no intuito de ganhar almas para o reino de Deus. Ele tem sua vida e sua mente voltada para fora da igreja local. É aquele que vai a hospitais, presídios, praças, favelas…Sua vida é totalmente voltada para o campo missionário. O Evangelista é, portanto, alguém que é posto pelo Senhor para se dedicar ao crescimento quantitativo do reino de Deus, mediante a pregação do Evangelho, com o fim de buscar almas para o reino de Deus. É alguém que é escolhido para se voltar para o mundo sem Deus e sem salvação, visando trazer novas vidas para a comunhão com Cristo Jesus.

1. O evangelista em o Novo Testa­mento. Na Igreja Primitiva, o primeiro discípulo de Cristo a receber o título de evangelista foi o diácono Filipe (At 21:8). Este grande servo de Deus fora contemplado pelo Espírito Santo com o Dom de evangelista. Em seu trabalho evangelístico ele atuou em duas modalidades: no evangelismo de massa e no evangelismo pessoal. Com relação à primeira modalidade, ele atuou, por exemplo, em Samaria; quanto ao evangelismo pessoal, ele atuou, por exemplo, no deserto, a um gentio (Atos 8:26-30). Deus tira Filipe da multidão e o envia para evangelizar a uma única pessoa, no deserto. Para Deus, uma vida vale todo o investimento. Isso nos ensina uma verdade: O evangelista precisa está disposto a pregar para uma multidão e também para uma única pessoa.

Filipe sai de um avivamento na cidade de Samaria e vai para o deserto por orientação divina (Atos 8:26). Por lá, viajava um eunuco da Etiópia, que precisava de esclarecimento espiritual. Este fato nos mostra um grande feito do cristianismo: a quebra de barreiras erigidas pelo judaísmo. Um estrangeiro poderia converter-se ao judaísmo, mas o etíope, que era eunuco, não podia participarplenamente da adoração no templo (cf. Dt 23:1). Apesar de ter viajado a Jerusalém para adorar, ainda era considerado um semiprosélito. Mas, Isaias predisse que um dia os estrangeiros e os eunucos não seriam mais excluídos da comunhão do povo de Deus (cf. Is 56:3-7). Esse tempo havia chegado. Filipe, inicialmente, leva para o seio da igreja os samaritanos, que estavam entre os judeus e gentios; agora, leva o eunuco etíope para a assembleia do Senhor. Isso nos ensina quatro verdades:

a) É preciso sair das quatro paredes do templo e ir onde os pecadores estão para levá-los a Jesus.Filipe obedeceu prontamente à ordem do anjo (Atos 8:26) – “Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi”. Isto significa ação fora do templo, lá fora onde está o movimento: nas estradas e alamedas da humanidade; lá fora nos lugares públicos, seja qual for o meio. Trata-se de colocar o evangelho ao alcance das pessoas, de modo que pobres e ricos possam ouvi-lo.

b) É preciso explicar as Escrituras e levar as pessoas a Cristo -  “Então, o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta... Então, Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus (Atos 8:34,35). O evangelista é também um mestre. A palavra de Deus precisa ser lida, explicada e aplicada. Hoje vemos muitos pregadores substituindo a exposição das Escrituras pela experiência. Vemos muitos pregadores falando sobre seus feitos poderosos em vez de anunciar o Cristo crucificado. Filipe explica as Escrituras; apresenta Jesus, não a religião, o rito ou a cultura religiosa.

c) É preciso receber as pessoas que creem em Cristo pelo batismo - “E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou” (Atos 8:36-38).

O eunuco perguntou a Filipe: “que impede que seja eu batizado?". Filipe podia ter respondido com uma longa preleção teológica sobre o que a lei dizia sobre eunucos. Podia ter dito que a liderança "hebraica" da igreja não autorizava o batismo de gentios, muito menos de eunucos. Mas sua resposta foi simplesmente que nada o impedia de ser batizado se ele cresse em Jesus Cristo. Hoje, novas gerações e novas circunstâncias perguntam repetidamente: "que impede?". Qual será a nossa resposta? Segundo Rev. Hernandes Dias Lopes, o batismo não é nem precipitado nem demorado. Não batiza o inconverso nem adia o batismo do salvo. Uma única condição é exigida: crer de todo o coração. A tradição diz que o referido eunuco voltou à sua terra e evangelizou a Etiópia. Aquele que saíra do deserto cheio de alegria não podia guardá-la para si mesmo.

d) é preciso estar sempre aberto à nova direção do Espírito Santo (Atos 8:39,40). “Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia”.

Filipe foi dirigido pelo Espirito Santo para novos horizontes. Filipe podia pensar: agora serei o evangelista do deserto, da estrada. Ele não engessou o método, mas se abriu para a nova agenda do Espírito. O que Deus quer que eu faça agora? Às vezes, fazemos a mesma coisa na igreja há décadas, quando o vento do Espirito nos conduz a outros campos, outras áreas, outras frentes e novos horizontes.

Filipe usou a mesma mensagem tanto no evangelismo em massa em Samaria como no evangelismo pessoal com o eunuco no deserto (Atos 8:12,35). Em ambos os casos, vemos semelhante resposta: creram e foram batizados (Atos 8:12,36-38) e houve a mesma alegria (Atos 8:8,39).

Mais tarde, quando da conclusão da terceira viagem missionária de Paulo, encontramos novamente Filipe, dessa vez em Cesaréia e ainda servindo a Deus como Evangelista. Lucas reconhece-lhe o ministério, tratando-o como Evangelista (Atos 21:8). Era a primeira vez na História da Igreja Cristã que um obreiro recebia semelhante distinção.

O método da igreja primitiva não era apenas levar pessoas ao templo para evangelizá-las, mas ir lá fora e ganhar os pecadores onde eles estivessem. O método missionário é ir além das nossas fronteiras. Temos de ser luz nas nações e investir nosso tempo, nosso dinheiro e nossa vida na obra de Deus.

2. O evangelista na era da Igreja Cristã. A história da Igreja cristã mostra que, em todos os reavivamentos, o Espírito Santo destaca a evangelização como o principal evento da igreja. Cito, como exemplo, alguns notáveis evangelistas da história do cristianismo.

a) Estêvão e Filipe. Faziam parte do grupo dos sete diáconos (At 6:3-6). São considerados os dois primeiros evangelistas na era da Igreja cristã. Logo após ser consagrado ao diaconato, Estêvão começou a destacar-se como evangelista. Sua palavra fez-se tão irresistível, que levou o clero judaico a condená-lo à morte traiçoeiramente (At 8:1,2). Estêvão morreu, mas a evangelização reavivou-se com as incursões de Filipe. Ao deixar Jerusalém, proclamou, entre os gentios de Samaria, um evangelho autenticamente pentecostal. Sua palavra era acompanhada de milagres, sinais e maravilhas; era simplesmente irresistível.

b) Dwight L. Moody (1837-1899). Tornou-se o maior evangelista do final do século XIX. Perdeu o pai com ape­nas cinco anos de idade, o que obrigou sua mãe a criar nove filhos em meio a grande pobreza. Não é difícil entender por que Moody deixou a escola aos treze anos, em busca de melhores oportunidades. De vendedor de sapatos a negociante bem-sucedido, seus êxitos materi­ais eram inegáveis. Após a experiência de salvação, Moody começou a usar sua influência para ajudar os pobres e desabrigados em áreas urbanas - não se esquecendo de sua origem humilde. Usando histórias práticas, compartilhava de seu amor por Cristo de uma forma simples, mas irresistível, resultando em milhares de decisões pessoais por Cristo. Seu amor pelos perdidos também o levou a iniciar um centro de treina­mento para obreiros. Em 1886, ele começou a Socieda­de de Evangelização de Chicago, hoje conhecida como Instituto Bíblico Moody. Depois de pregar pessoalmente a cem milhões de pessoas em quarenta anos de carreira, Moody adoeceu e morreu durante sua última cruzada, em dezembro de 1899. A contribuição incansável de Dwight L. Moody para o Reino de Deus, e seu contínuo amor pelos perdidos fazem com que sua memória permaneça para sempre.

c) John Wesley. Ele tinha 37 anos quando começou a viajar e a pregar na Inglaterra. Juntamente com seu irmão Charles Wesley dirigia-se às prisões para levar a mensagem de salvação aos presos, bem como aos trabalhadores e a outras pessoas da cidade.

d) Billy Graham. Pregou pessoalmente para mais pessoas do que qualquer pregador da história ao redor do mundo. De acordo com a sua equipe, a partir de 1993, mais de 2,5 milhões de pessoas tinham dado um passo à frente em suas cruzadas para aceitar Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.

e) David Wilkerson. Ele iniciou o seu ministério no ano de 1958, em Nova Iorque. Ali, ele pregou para pessoas drogadas, marginalizadas e representadas pelas gangues locais. A obra “A Cruz e o Punhal”, mundialmente conhecida, narra esse período da vida deste evangelista. Sua frase famosa: “Não culpe a Deus por não ouvir suas orações, se você não está ouvindo o chamado dele para ser obediente”.

f) Daniel Berg e Gunnar Vingren. Orien­tados pelo Espírito Santo, estes pioneiros escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil. Logo em sua chegada, em 19 de novembro de 1910, constataram que a capital paraense era geograficamente estratégica para se alcançar o país em todas as direções. Eles trouxeram a mensagem pentecostal para o Brasil. Os milagres vieram juntos.

Quando Daniel Berg e Gunnar Vingren chegaram a Belém do Pará, em 19 de novembro de 1910, ninguém poderia imaginar que aqueles dois jovens suecos estavam para iniciar um movimento que alteraria profundamente o perfil religioso e até social do Brasil por meio da pregação de Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador da humanidade e a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais. Fundaram a Missão de Fé Apostólica em 18 de junho de 1911, que mais tarde, em 1918, ficou conhecida como Assembleia de Deus. Em poucas décadas, a Assembleia de Deus, a partir de Belém do Pará, onde nasceu, começou a penetrar em todas as vilas e cidades até alcançar os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em virtude de seu fenomenal crescimento, os pentecostais começaram a fazer diferença no cenário religioso brasileiro. De repente, o clero católico despertou para uma possibilidade jamais imaginada: o Brasil poderia vir a tornar-se, no futuro, uma nação protestante.

Oremos para que o Senhor da Seara continue a despertar a Igreja a um novo avanço evangelístico.

II. ATRIBUTOS DE UM EVANGELISTA

O Evangelista é o agente das Boas-Novas. Ele é o semeador que saiu a semear. Paulo destaca o seu ministério como um dos mais importantes da Igreja. O ministério evangelístico não se limita a uma opção pessoal, firma-se numa intimação do próprio Cristo. Requer-se do Evangelista os seguintes atributos: amor às almas, conhecimento da Palavra de Deus, espiritualidade plena e queprega a Palavra de Deus aos ouvidos e aos olhos.

1. Amor às almas. Veja o exemplo do grande bandeirante do cristianismo, o apóstolo Paulo. Ele tinha um amor tão grande pelas almas que, por estas, chegava a sentir dores intensas, como se estivesse a dar filhos à luz (Gl 4:19). Foi esse amor que cons­trangeu Filipe a deixar o lugar onde muitos estavam sendo abençoados e ministrar apenas a um homem, no deserto (Atos 8:26). Durante um grande despertamento espiritual em Samaria, um anjo do Senhor conduziu Filipe a um novo campo de trabalho: ao deserto para evangelizar a um homem só.

Qual o valor de uma vida? Para Deus tem um grande valor. Só quem tem um grande amor pelas almas pode dimensionar isto. Filipe prontamente obedece sem questionar e viajou do sul de Samaria para Jerusalém, de onde tomou um dos caminhos que levavam a Gaza. Filipe deixou um lugar habitado e espiritualmente fértil e foi a uma região estéril. O evangelista nada é, e nada fará sem o amor às almas perdidas. Pense nisto!

Expressões que demonstram grande amor pelas almas perdidas (extraidas do livro: “Esforça-te para ganhar almas. Orlando Boyer. Ed. Vida). Estas expressões revelam como o coração de grandes personagens na história da igreja os abrasava com o desejo de ganhar almas para o reino de Deus. Cito algumas expressões:

·    O apóstolo Paulo. “Tornei-me tudo para todos, para de todo e qualquer modo salvar alguns” (1Co 9.22).

·    Knox. Assim rogava a Deus: “Dá-me a Escócia ou eu morro!”.

·    Whitefield. Implorava: “Se não queres dar-me almas, retira a minha!”.

·    John Wesley. “Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo”.

·    Mateus Henry. Assim dizia: “Sinto maior gozo em ganhar uma alma para Cristo, do que em ganhar montanhas de ouro e prata, para mim mesmo”.

·    D. L. Moody. “Usa-me, então, meu Salvador, para qualquer alvo e em qualquer maneira que precisares. Aqui está meu pobre coração, uma vasilha vazia, enche-me com a Tua graça”.

·    Henrique Martyn. Ajoelhado na praia da Índia, onde fora como missionário, dizia: “Aqui quero ser inteiramente gasto por Deus”.

·    João Hunt. Missionário entre os antropófagos, nas ilhas de Fidji, no leito de morte, orava: “Senhor, salva Fidji, salva Fidji, salva este povo. Ó Senhor, tem misericórdia de Fidji, salva Fidji!”.

·    Praying Hyde. Missionário na Índia, suplicava: “Ó Deus, dá-me almas ou morrerei!”.

·    Davi Stoner. Quando aqueles que assistiam a morte de Davi Stoner, pensavam que seu espírito já tivesse voado, ele se levantou na cama, e clamou: “Ó Senhor, salva pecadores! Salva-os as centenas e salva-os aos milhares!”, e findou a sua obra na terra. O desejo ardente da sua vida, dominava-o até a morte.

·    Davi Brainerd. “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim! Envia-me até os confins da terra: envia-me aos bárbaros habitantes das selvas; envia-me para longe de tudo que tem o nome de conforto, na terra; envia-me mesmo para a morte, se for no Teu serviço e para o progresso do Teu reino”. Ele escreveu: “Lutei pela colheita de almas, multidões de pobres almas. Lutei para ganhar cada alma, e isto em muitos lugares. Sentia tanta agonia, desde o nascer do sol até anoitecer, que ficava molhado de suor por todo o corpo. Mas, oh! Meu querido Senhor suou sangue pelas pobres almas. Com grande ânsia eu desejava ter mais compaixão”.

·    Brainerd podia dizer de si: “Não me importava o lugar ou a maneira que tivesse de morar, nem por qual sofrimento tivesse de passar, contanto que pudesse ganhar almas para Cristo. Quando dormia, sonhava com essas coisas, e ao acordar, a primeira coisa em que me ocupava essa era grande obra; não tinha outro desejo a não ser a conversão dos perdidos”.

·    João Welsh. Encontrava-se João Welsh, nas noites mais frias prostrado no chão, chorando e lutando com o Senhor, por seu povo. Quando sua esposa implorava que explicasse a razão de sua ânsia, respondia: “Tenho que dar conta de três mil almas e não sei como estão”.

E nós? Qual será nossa atitude? Deus tem pressa, e quer nos usar em sua obra, só depende de nossa vontade. Pensemos nisso!

2. Conhecimento da Palavra de Deus. A capacidade para pregar e ensinar não vem da força, das técnicas da psicologia nem mesmo do ofício que o evangelista ocupa, mas do conhecimento da Palavra de Deus para aplicá-la corretamente. Somente um indivíduo que tem destreza nas Escrituras Sagradas pode confrontar os falsos mestres, combater os falsos ensinos e convencer aqueles que contradizem a Palavra de Deus.

O Evangelista, embora proclame uma mensagem simples e direta, não há de conformar-se com uma teologia rasa. Antes, aprofundar-se-á na Palavra da Verdade, para que venha a manuseá-la com destreza e oportunidade. Ao jovem Timóteo, recomenda Paulo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2:15). Sua mensagem, portanto, será simples, mas jamais simplória, porquanto Deus o chamou a falar a judeus e a gregos, a sábios e a ignorantes, a servos e a livres.

Foi porque conhecia profundamente a Palavra de Deus que Filipe soube como conduzir a Cristo o mordomo-mor de Candace que, de volta à Etiópia, vinha lendo o profeta Isaías. Eis como ele foi eficiente: “Então, o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta... Então, Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus (Atos 8:34,35).

3. Espiritualidade plena. No ministério da igreja primitiva e na sua administração, no tempo dos apóstolos, serviam os que eram revestidos com poder do Espírito Santo (Atos 6:3-8; Lucas 24:49). Segundo Orlando Boyer, são dois os que testificam juntos de Cristo e Sua salvação: o crente e o Espírito Santo nele (Atos 5:32). O crente que testifica ao perdido, mas se esquece dAquele que quer trabalhar nele, falhará em levá-lo ao Salvador. É o Espírito Santo quem convence o ser humano do pecado (João 16:8).

Filipe era um homem cheio do Espírito Santo (At 6:2-4). E, por essa razão, teve um ministério colorido de milagres e atos extra­ordinários (At 8.6,7).

Quem evangeliza não se contenta com uma vida espiritual medíocre, mas busca o poder do alto para proclamar, a todos e em todo tempo e lugar, que Jesus é a única solução. É bom ressaltar que a plenitude do Espírito não é uma experiência de uma vez para sempre, que nunca podemos perder, mas sim, um privilégio que deve ser continuamente renovado pela submissão à vontade de Deus. Temos a necessidade do enchimento diariamente.

4. Prega a Palavra de Deus aos ouvidos e aos olhosUma coisa é proferir a Palavra de Deus, outra coisa é ser boca de Deus. Uma coisa é pregar aos ouvidos, outra coisa é pregar também aos olhos. Algumas pessoas pregam a Palavra e os corações permanecem insensíveis. Outras pessoas pregam a mesma verdade e os corações se derretem. Por que essa diferença? É que algumas pessoas são boca de Deus e outras não são (Jr 15:19). A viúva de Sarepta disse que a Palavra de Deus na boca de Elias era verdade. Nem todas as pessoas que proferem a Palavra de Deus são boca de Deus. Geazi colocou o bordão profético no rosto do menino morto e o menino não se levantou. O problema não era o bordão, mas quem carregava o bordão. O bordão na mão de Geazi não funcionava porque a vida de Geazi não era reta diante de Deus como a vida de Eliseu. O poder não está no homem, está em Deus, mas Deus usa vasos de honra e não vasos sujos. Hoje, os homens escutam de alguns pregadores belas palavras, mas não veem neles vida. Precisamos pregar aos ouvidos e também aos olhos. Precisamos falar e demonstrar. Precisamos pregar e viver. Precisamos de evangelistas que sejam semelhantes a Elias, Estêvão, Filipe, Paulo… Homens de Deus, em cuja boca a palavra seja verdade.

III. O TRABALHO DE UM EVANGELISTA

O trabalho básico de um evangelista consiste na proclamação do Evangelho, na defesa do Evangelho e na integração do novo convertido.

1. Proclamação do Evangelho. Como Dom, o Evangelista refere-se àquele que é chamado para pregar o Evangelho. Foi concedido por Deus para que o arauto de Deus, através da mensagem centralizada na cruz de Cristo, ganhasse pessoas para o reino divino. Uma das maiores características de um evangelista é a sua paixão por pregar às pessoas; não importa o número, se uma pessoa, se dezenas, centenas ou milhares; o que importa é pregar Jesus, o crucificado. Ele é o indivíduo funcionalmente envolvido com a proclamação do Evangelho. Diferentemente dos “apóstolos” que, em geral, viajando para uma cidade, permaneciam evangelizando ali a fim de organizarem uma nova igreja local (At 20:1-3,6,7,11,17;21:8,9), os “evangelistas” possivelmente auxiliavam na proclamação do Evangelho aos incrédulos junto às igrejas já construídas, qual Filipe, o evangelista que residia na cidade de Cesaréia (At 21:8). Ou seja, os evangelistas proclamavam a Palavra na região onde estavam congregados. Paulo, sabendo da importância deste dom, disse a Timóteo: “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”(2Tm 4:5).

2. Defender o Evangelho. O verdadeiro evangelista deve estar sempre preparado, objetivando defender a fé cristã ante as nações e os poderosos. Escrevendo aos filipenses, Paulo abre-lhes o coração, e mostra-lhes ter sido chamado não somente a proclamar o evangelho, como também a defendê-lo: "Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho" (Fp 1:7).

Os últimos capítulos de Atos mostram como Paulo, além de anunciar Cristo, soube como defender o Evangelho diante das autoridades judaicas e romanas. Destacamos o seu discurso no Areópago de Atenas (At 17). No Areópago, os filósofos epicureus e estoicos consideraram o discurso do apóstolo um raro despropósito. Àqueles varões intelectualmente orgulhosos, só um louco ousaria afirmar que um homem teve de morrer, numa cruz, para que os demais viessem a cruzar os portais da vida eterna. Enfim, àquele seleto grupo, o evangelho era uma loucura. Mas foi ali, entre os gregos, e, mais tarde, entre os romanos, que Paulo apresentou a mais sublime apologia da fé cristã.

3. Integração do novo convertido. O principal trabalho do Evangelista é trazer as pessoas ao encontro pessoal com Cristo e de criar as condições mínimas para a estruturação da vida espiritual. Ele é o anunciador das boas-novas da salvação. É aquele que está na linha de frente do “ide” de Jesus. Ele tem habilidade especial para diagnosticar a condição do pecador, encorajá-lo a decidir por Cristo e ajudá-lo a encontrar segurança na Palavra de Deus. Os evangelistas devem sair e pregar ao mundo para depois conduzir os convertidos a uma igreja local onde serão alimentados e encorajados espiritualmente. O lado social do converso não pode ser ignorado.

Segundo o pr. Claudionor de Andrade, o objetivo principal do discipulado é formar autênticos seguidores de Cristo. A partir daí, teremos cristãos testemunhais e exemplares. Mas, se não dermos importância à formação espiritual dos que recebem a Cristo, encheremos a igreja de crentes vazios, deficientes e rasos na fé, os quais, muitas vezes, são explorados por falsos pastores mercenários. A essa altura, uma pergunta ganha pertinência: "Até quando deve durar o discipulado?". Se levarmos em conta as reivindicações apostólicas, o discipulado, na vida de um crente, inicia-se com a sua conversão, e há de perdurar até que seja ele recolhido pelo Senhor. Quanto ao discipulado do novo convertido, em si, que persista até que ele venha a parecer-se em tudo com Jesus Cristo. Somente um discipulado genuinamente bíblico fará a diferença entre o cristão e o não cristão.

CONCLUSÃO

Já ganhaste uma alma para Cristo? Conheces alguém atualmente na glória, com Cristo, levado por ti a Ele? Ou conheces alguém que está no caminho para o céu, porque o informaste do Salvador? Se fossem desvendados os teus olhos, neste momento, para contemplar a eternidade, e se te fosse revelado que tens de passar para lá, neste ano não desejarias depositar aos pés do Salvador algum presente como prova de teu amor? Pode haver um presente tão precioso ou aceitável ao Mestre, como uma alma ganha para Ele, durante um ano? Que todos nós façamos com excelência o trabalho de um Evangelista. A responsabilidade é de todos. Então, proclamemos Cristo a tempo e fora de tempo.

“A Bíblia não manda que os pecadores procurem a igreja, mas ordena que a igreja saia em busca dos pecadores” (Billy Graham)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

3º lição do 3º trimestre de 2016: IGREJA, AGÊNCIA EVANGELIZADORA


Texto Base: Atos
1:1-14

"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra." (At 1:8).

 

INTRODUÇÃO

A Igreja, como agência evangelizadora, preocupa-se com o bem-estar espiritual ensinando o caminho de Deus, evangelizando, pregando o Evangelho a toda a criatura e encaminhando-a para a comunhão com Deus. Ela cuida da alma e encaminha aqueles que carecem de conforto, orientação e afeto. Na área social, tem um exemplo digno de ser seguido nos primeiros capítulos de Atos dos Apóstolos. O modelo que temos é o da Igreja Primitiva, a qual se estruturou de tal maneira que conseguiu conquistar a confiança e o respeito da sociedade (At 2:42,47; 4:32,35 e 5:13-14). Podemos classificar o perfil da igreja da época dos apóstolos, à luz dos primeiros capítulos do livro de Atos, em três áreas distintas, a saber: a marturia (o testemunho, a orientação espiritual, o evangelismo e a pregação e ensino da palavra); a koinonia (a formação da comunidade social) descrita em Atos 2:42,47; a diaconia (o serviço de atendimento social, descrito em Atos 6:1-10). Observando esse modelo a igreja estará cumprindo a sua missão integral. Assim sendo, crescerá de forma sadia. Nossos dias exigem um retorno imediato, ousado, enérgico e amoroso aos princípios que caracterizavam a igreja em seu princípio (Atos 2:42-47).

I. A FUNDAÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA

A fundação da Igreja foi pentecostal e evangelizadora. Passados dez dias, desde a ascensão do Senhor, os discípulos achavam-se reunidos, num só lugar, quando veio o Espírito Santo sobre eles. Revestidos de poder, passaram a falar noutras línguas, dando ocasião à primeira colheita de almas da Igreja (At 2:1-4,41).  Sem o poder do Espírito Santo, a evangelização jamais será eficiente (Lc 24:49).

1. A resposta escatológica (Atos 1:6,7). Pouco antes de sua ascensão, Jesus foi inquirido por seus seguidores quanto ao futuro de Israel: “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” (Ap 1:6). O Senhor, porém, conscientiza-os de que, naquele momento, a sua preocupação não deveria ater-se aos últimos dias, mas ao que estava prestes a acontecer: “E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (Ap 1:7).

A escatologia dos discípulos estava eivada de equívocos. Jesus os corrige, mostrando-lhes que essa tendência de marcação de datas para sua vinda é uma consumada tolice. O tempo da segunda vinda e da transição do reino da graça para o reino da glória é da exclusiva economia do Pai. Não nos é dado saber nem Kronos nem Kairós, nem tempos nem épocas. Nosso papel não é especular o futuro, mas agir no presente.

John Stott tem razão quando diz que o antídoto para a vã especulação espiritual é a teologia cristã da história. Primeiro, Jesus voltou ao Céu (Ascensão). Segundo, o Espírito Santo veio do Céu (Pentecostes). Terceiro, a igreja sai para o mundo para ser testemunha (Missão). Quarto, Jesus voltará (Parousia).

2. A resposta pentecostal. A respos­ta do Senhor aos seus discípulos não foi apenas escatológica, mas pentecostal: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra" (At 1:8). Em vez de conhecer tempos ou épocas, eles seriam revestidos com o poder do Espírito Santo para serem testemunhas (At 2:33). Não lhes bastaria o poder do intelecto, da vontade ou da eloquência humana. Era preciso que o Espírito Santo agisse neles, dentro deles e através deles. O poder que a igreja recebe não é politico, intelectual ou ministerial, mas um poder espiritual, pessoal e moral. A fonte desse poder é o Espirito Santo, e esse poder é dado para que a igreja seja testemunha de Cristo até aos confins da Terra.

- “... e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra". Jesus direciona os olhos dos discípulos para a ação missionária e dá-lhes um esboço geral da obra que deveriam fazer. Os discípulos ainda nutriam uma expectativa de que o reino se limitasse ao governo físico, terreno e político de Israel sobre a terra. Porém, o reino de Deus não tem fronteiras geográficas nem políticas. Os discípulos deveriam ser testemunhas não apenas no território de Israel, mas até aos confins da terra. Não apenas aos judeus, mas também aos gentios. O reino de Deus abrange todos os povos, de todos os lugares, de todas as línguas e culturas. O reino de Deus alcança a todos, em todos os lugares, de todos os tempos, que foram lavados no sangue do Cordeiro (Ap 5:9). Todos os salvos em Cristo são testemunhas nesse Reino. Uma testemunha é alguém que relata o que viu e ouviu (At 4:19,20). É alguém que está pronto a dar sua própria vida para testificar o que viu e ouviu. Os discípulos eram testemunhas que haviam presenciado um fato glorioso, a ressurreição de Cristo, e essa noticia da exaltação de Jesus deveria ser anunciada até aos confins da Terra, ainda que, para isso, a morte fosse o preço a ser pago. Desta feita, o poder do Espírito Santo era-lhes imprescindível.

3. A fundação da Igreja. A Igreja de Jesus Cristo nasceu historicamente no dia de Pentecostes, conforme narrado pelo evangelista Lucas, em Atos capítulo 2. Nasceu sob o derramamento do Espírito Santo (At 2:1-13). Num pequeno cenáculo, pessoas foram cheias do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, a profetizar e a tomar uma consciência de coragem e ousadia para proclamar as maravilhas de Deus à humanidade (At 2:14-36). Jesus disse que eles receberiam o poder do Espírito sobre suas vidas (Atos 1:8), o que de fato aconteceu, quando na festa de Pentecostes foram cheios do Espírito (Atos 2:4).

A Igreja de Atos é uma igreja que vive na dimensão do Espírito Santo. Foi cheio do Espírito que Pedro falou diante do Sinédrio (Atos 4:8). Uma das características principais dos homens que seriam escolhidos para cuidar da obra social da Igreja era ser cheio do Espírito (Atos 6:5). Estevão estava cheio do Espírito quando viu Jesus sentado à direita de Deus (Atos 7:55). Ananias impôs as mãos sobre Saulo, de modo que ele fosse curado de sua cegueira e fosse cheio do Espírito (Atos 9:17). Enfim, esta ação do Espírito era e é imprescindível.

II. A MISSÃO PRIORITÁRIA DA IGREJA

Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente, que é membro do corpo de Cristo em particular (1Co 12:27). Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At 1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através de nossas boas obras, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt 5:16).

1. Evangelização. Logo após receber o revestimento de poder, como Jesus tinha prometido (cf. Lc 24:49), os discípulos procuram cumprir a sua missão prioritária: a evangelização. A ordem de Jesus foi: “ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:19,20).

A ordem do Senhor é que devemos ir ao encontro do mundo, ir ao encontro dos pecadores, levar-lhes a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O homem não tem condições de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo (2Co 4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo (vide Mc 5:1-20). É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Jonas teve de pregar para todos, sem exceção, ainda que muitos, pela sua extrema crueldade e maldade, fossem, na verdade, verdadeiras “bestas-feras”, verdadeiros “animais” (Jn.3:8), que, mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus - Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo. E nós, o que estamos a fazer?

2. Missões em Atos. Missão estava no coração da igreja de Atos do Espírito Santo. Nada a fazia arrefecer desse mister. A despeito das perseguições, os novos discípulos testemunhavam todos os dias, não cessavam de ensinar e anunciar a Jesus Cristo: nas ruas, nas casas, nas vilas, cidades, ensinando e proclamando intensamente o evangelho. Todos, indistintamente, estavam empenhados em organizar novas igrejas, obedecendo a um plano de avanço missionário. E hoje, o que estamos fazendo em prol da evangelização local e universal?

O campo missionário é o mundo. Jesus disse: “o campo é o mundo” (Mt 13:38). Ele não disse que o campo é Jerusalém, nem a Judéia, nem Roma, nem minha cidade e nem a tua. Infelizmente há ainda os que pensam que o “campo” é a sua cidade e por isso mostram-se não somente apáticos às missões, mas também posicionam-se contra elas. Outros não são contra, mas não se esforçam, são acomodados. É dever de cada crente incentivar missões, orar pelos missionários e pelos que estão sendo enviados, e contribuir financeiramente para o sustento dos missionários.

Os discípulos entenderam a ordem de Jesus e estenderam a obra missionária para além de suas cidades originais. De ação em ação, a Igreja de Cristo veio a alcançar, em apenas uma geração, os luga­res mais remotos daquela época – “que já chegou a vós, como também está em todo o mundo...” (Cl 1:6).

3. Promoção social. A Igreja Primitiva encarregava-se de promover os novos convertidos integralmente. Isto envolve doutrina e ação social (cf. At 6:1-7). Em virtude do rápido crescimento quantitativo da Igreja, os apóstolos não puderam conciliar as atividades de oração, pregação e ensino da Palavra de Deus com as atividades assistenciais. Cônscios da responsabilidade social que a igreja tem, os apóstolos, de forma resoluta, logo procuraram dar uma solução para este “importante negócio”(At 6:3): estabeleceram pessoas certas, cheias do Espírito Santo, para cuidar dos necessitados da igreja. A função de assistência social na Igreja é uma das suas pedras de toque e, sem dúvida, uma das formas mais poderosas de demonstrarmos ao mundo a nossa diferença e o amor de Deus que está em nossos corações.

Por que ajudar aos necessitados é importante?

Em primeiro lugar, porque é um ato pelo qual demonstramos nosso amor ao próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, a bênção de Deus sobre as pessoas, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (Rm 12:13-21; Gl 4:31,32; Cl 3:12-14; 1Ts.4:9-12).

Em segundo lugar, porque é um mandamento divino. Este mandamento é dito tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, ou seja, ele foi dado para Israel e para Igreja. Deus reconheceu a existência dos pobres no meio do seu povo e ordenou providência a respeito deles: “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra”(Dt 15:11a). Esta é a frase que mais contraria a pregação contemporânea da teologia da prosperidade. Pretende-se exterminar a pobreza no meio da igreja. No entanto, o texto declara: "Pois nunca cessará o pobre do meio da terra". E Jesus ratifica: "Porque os pobres sempre os tendes convosco"(João 12:8). Compete àqueles que têm recursos, minimizar a situação. Deus não prometeu riquezas para todos, porém, daqueles a quem ele deu e dá riqueza, no exercício da Mordomia Cristã das Finanças Ele quer que os pobres não sejam esquecidos, tal como aconteceu na Igreja de Jerusalém - “Não havia entre eles necessitado algum...”(Atos 4: 34). Pobres, sim; necessitados, não. Esta é a regra a ser seguida pela Igreja, hoje.

Em terceiro lugar, porque é um ato de benignidade (Dt 15:10). Pobreza não é maldição, é consequência do sistema controlado por homens gananciosos. Os pobres estão no nosso meio para que tenhamos oportunidade de exercitar amor - “Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que puseres a mão"(Dt 15:10). Não se arrependa de haver dado, nem sinta dor no coração. O Apóstolo João é enfático: quem vir a seu irmão padecer necessidade e não suprir essa necessidade não é cristão: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?”(1João 3:17).

III. ANTIOQUIA, IGREJA MISSIONÁRIA

Uma das características da igreja de Antioquia: era aberta às pessoas. Os cinco líderes mencionados em Atos 13:1-4 (Barnabé, Simeão por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo) simbolizam a diversidade étnica e cultural de Antioquia. Barnabé era um judeu natural da ilha de Chipre. Simeão era africano, uma vez que a palavra “Níger” significa “de aparência escura”. Alguns sugerem que esse Simeão é o mesmo homem de Cirene que levou a cruz de Cristo (Lc 23:26), agora é um dos principais responsáveis por levar diretamente a história da cruz a todo o mundo. Lúcio era de Cirene, ou seja, do norte da África. Manaém tinha conexões com a aristocracia e a corte, pois era irmão de leite de Herodes Antipas, o rei que mandou matar João Batista e escarneceu de Jesus em seu julgamento. Saulo era judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e também cidadão romano. Vale destacar que entre os cinco veteranos em Antioquia, com admirável modéstia, Saulo estava contente com a posição mais inferior.

Outra característica da igreja em Antioquia: priorizava a doutrinao ensino da Palavra de Deus (At.11:22-26). Barnabé, ao verificar que havia conversão autêntica de muitos irmãos naquela igreja, tratou de buscar a Paulo e, durante todo um ano, houve o ensino da Palavra àqueles crentes. O resultado daquele ano de ensino não poderia ser melhor: os convertidos passaram a ter uma vida muito semelhante a de Jesus; passaram a ser diferentes dos demais moradores de Antioquia; passaram a ser provas vivas da transformação que o Evangelho produz nas pessoas.

Após terem sido ensinados na Palavra e terem mudado de vida, os moradores de Antioquia passaram a notar a diferença e, cumprindo o que disse Jesus a respeito do efeito das boas obras dos Seus discípulos, passaram a chamar os discípulos de “cristãos”, isto é, “parecidos com Cristo”, “semelhantes a Cristo” (At 11:26). Eram os homens glorificando ao Pai que está nos céus (Mt 5:16). Era o resultado do ensino da Palavra.

Portanto, não basta que a Igreja pregue o Evangelho, ou seja, proclame a Palavra de Deus, mas é preciso, também, que a Igreja “ensine as nações”, “faça discípulos”, cuidado este que era patente nos tempos apostólicos, a ponto de os apóstolos terem chamado para si esta tarefa, considerando, inclusive, não ser razoável deixar de se dedicar à oração e ao ensino da Palavra (At 6:2,4), sem falar dos conselhos que Paulo dá a Timóteo no sentido de jamais se descuidar com o ensino junto aos crentes (1Tm 4:12-16).

Muita meninice e práticas heréticas que vemos por aí se deve à ausência do ensino da Palavra de Deus. O crente permanece infantil quando tem uma compreensão inadequada das verdades bíblicas e pouca dedicação a elas (Ef 4:14,15). Por isso o ensino da Palavra de Deus é importante “para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”(Ef 4:14).

1. Uma igreja completa. Em An­tioquia, o ministério era completo. A igreja estudava a Palavra de Deus (Atos 13:1), buscava a face de Deus em oração (Atos 13:3) e obedecia a Deus (Atos 13:3). A igreja tinha profetas e mestres, ou seja, pregava e ensinava a Palavra de Deus (Atos 13:1), mas quem a dirigia na obra missionária era o Espírito Santo (Atos 13:2). O Espírito Santo era livre e soberano na condução dos destinos da igreja. A orientação do Espírito Santo é segundo a Palavra, e não à parte dela. O Espírito Santo se manifesta a uma igreja centralizada na Palavra e a uma igreja que ora e jejua (Atos 13:2,3).

2. Uma igreja missionária. Antioquia era uma igreja missionária. Dentre os seus mem­bros, saíram os primeiros missionários transculturais do Cristianismo. Enquan­to a igreja e os seus obreiros oravam, jejuavam e serviam ao Senhor, disse o Espírito Santo: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 13:2). Vê-se que o Espirito Santo não age à parte da igreja, mas em sintonia com ela. É a igreja que jejua e ora. É a igreja que impõe as mãos e despede. Mas é o Espírito Santo quem envia os missionários. Assim, os missionários exercem seu ministério pelo Espirito Santo. Foi o próprio Espirito Santo quem enviou os missionários para o campo de trabalho (Atos 13:3,4). “A partir daquele momento, a Igreja de Cristo, irradiando-se a partir do Oriente Médio, universaliza-se até chegar a você e a mim”.

Não podemos fazer a obra de Deus sem a direção do Espirito Santo. Ele nos foi dado para estar para sempre conosco. Ele nos guia a toda a verdade. Precisamos do Espirito Santo. Dependemos do Espirito Santo. A igreja não pode conseguir uma única conversão sem a obra do Espirito Santo. Os pregadores não terão virtude e poder para pregar sem a ação do Espirito Santo.

3. uma igreja que orava. A oração é fundamental para poder discernir a vontade de Deus. Sem oração a Igreja morre. As decisões da igreja de Antioquia eram envolvidas com muita oração. No culto da igreja de Antioquia o Espírito Santo chamou Saulo e Barnabé para fazer missões. Veja o que diz Lucas: “Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram” (Atos 13:3). Até a escolha de pastores nas igrejas era feita mediante a oração, não pela capacidade humana: “Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado” (Atos 14:23). Em qualquer circunstância devemos orar segundo a orientação do Espírito Santo. A oração não é meramente um exercício humano, e sim um trabalho conjunto entre nós e o Espírito Santo.

CONCLUSÃO

A missão da Igreja de Cristo é evangelizar. A Igreja não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15). Quando os crentes prescindem da evangelização, não resta mais nada a igreja do que ser uma associação religiosa em busca de privilégios e reconhecimento social. Cada crente deve envolver-se com a evangelização dos pecadores. Cada cristão deve ser uma fiel testemunha de Cristo. Pense nisso!

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 4 de julho de 2016

2ª lição do 3º trimestre de 2016: DEUS, O PRIMEIRO EVANGELISTA


3º Trimestre/2016

Texto Base: Gênesis 12:1-8

"Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gen­tios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti"(Gl 3.8).

 

INTRODUÇÃO

A proclamação evangelística teve início na criação e estende-se até a consumação de todas as coisas. Deus se compraz em comunicar o evangelho da salvação, quer pessoalmente, quer por intermédio da sua criação, quer por intermédio de seus arautos. Até mesmo em seus juízos, entrevemos o inexplicável amor, que o constrangeu a entregar o Seu Filho Unigênito a morrer em nosso lugar. A maior mensagem do evangelho é o anúncio de que Jesus Cristo morreu, vicária e substitutivamente, em nosso lugar - “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós...” (Rm 8:32). O desejo do Pai é tão grande por incluir-nos em seus domínios eternos que imolou o Cordeiro antes da fundação do mundo. Em Apocalipse, o Espírito Santo revelou a João que o Senhor Jesus, para redimir-nos, não morreu apenas no tempo. Na presciência divina, o Cordeiro de Deus já estava morto antes mesmo dos eventos registrados em Gênesis (Ap 13:8). Nossa redenção, por esse motivo, transcende o tempo e os eventos da criação; é eterna (Hb 9:12). Portanto, quando ainda não havia pecado, ou pecadores, o amoroso Deus já tinha estabelecido as bases da nossa salvação. A morte do Cordeiro, na presciência de Deus, foi a primeira nota evangélica da história sagrada. Na sentença sobre o pecado, o Deus Pai anuncia a redenção do pecador (Gn 3:15). Antecipadamente, prega o evangelho do Unigênito à humanidade, representada, ali, no primeiro ser humano. Antes mesmo que houvesse tempo, proclamou a salvação eterna. Era como se Deus, num tabernáculo vazio, chamasse os pecadores, que ainda não existiam, ao arrependimento. Deus, portanto, foi o primeiro evangelista. A exemplo do Senhor dos Céus e da Terra, proclamemos com zelo o Evangelho de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

I. A CHAMADA DE ABRAÃO

Os onze primeiros capítulos de Gênesis relatam a tentativa da parte de Deus em se revelar ao homem e trazê-lo à consciência das coisas, à verdade dos fatos. O ápice dessa auto-revelação divina se deu com Abraão, onde foi estabelecida a Aliança de Deus, que efetivou essa auto-revelação divina para o homem (Gn 12-50). É a partir de Abraão que começa de fato a história da salvação de Deus por intermédio do seu povo, Israel. Por isso, faz todo o sentido dizer que Deus foi o primeiro evangelista, pois a primeira iniciativa de se revelar ao homem foi exclusivamente dele. Após o Dilúvio e a geração de Noé, Abrão foi a primeira pessoa que entendeu e aceitou o propósito de Deus para efetivar a sua Aliança em toda a Terra. Deus chamou Abraão para uma missão especial, e ele obedeceu ao chamado. Abraão ouviu a voz de Deus e saiu, pela fé, da sua terra, do meio da usa parentela para uma terra que Deus haveria de lhe mostrar. O propósito de Deus era, a partir de Abraão e dos seus descendentes, preparar o mundo para a chegada do Messias. Deus amou a humanidade perdida e tal maneira que não mediu esforços para anunciar as Boas-Novas.

1. Abraão, o caldeu. Ao ser chamado por Deus a peregrinar numa terra desconhecida e mui distante, Abraão não passava de um gentio como eu e você. Era um caldeu entre os caldeus. Em torno do ano 2.100 a.C., o Senhor tirou Abrão de Ur dos Caldeus. Toda a sua família saiu com ele e se instalou em Harã (Gn 11:31;15:7). De tal forma converte-se Abraão ao Deus único e verdadeiro que, ante o seu chamamento, deixa uma cidade segura e confortável para andejar um chão ermo e cheio de sobressaltos. Suas experiências com o Senhor são profundas; faz-se amigo de Deus (Is 41:8; 2Cr 20:7; Tg 2:23). Depois de muito tempo habitando em Harã, Deus chamou Abrão e fez-lhe a seguinte promessa: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gn 12:1-2). Não demora para que o seu nome seja mudado, indicando uma nova dimensão em sua vida espiritual. Dantes, era Abrão: grande pai. Mas, agora, é Abraão, que em hebraico significa pai de uma multidão não somente étnica, mas destacadamente espiritual (Gn 17:5). Logo, o patriarca hebreu torna-se o nosso pai na fé (Tg 2:21). O pr. Claudionor de Andrade pormenoriza essa chamada da seguinte forma:

a) uma chamada que transcende a nacionalidade. Deus intima Abraão a deixar a sua nacionalidade: “Sai-te da tua terra”. A fé no Deus único e verdadeiro não pode circunscrever-se a uma nacionalidade. Seu caráter reivindica que ela seja proclamada a todos, em todo o tempo e lugar, por todos os meios.

Ao contrário de Abraão, o povo de Israel, não conseguiu transcender a própria nacionalidade na divulgação da verdadeira fé. Restringiu a sua fé a um território, a uma cidade, a um santuário e a um objeto sagrado. Embora fundasse uma terra santa, não foi suficientemente zeloso para santificar os povos além de suas fronteiras. Ao eleger Jerusalém como a cidade santa por excelência, não saiu, a partir dela, a proclamar a Palavra de Deus até aos confins da terra como fez o profeta Jonas. Quanto ao Santo Templo, achava que Deus estava restrito àquela casa e que, de lá, jamais sairia. E, para completar o seu exclusivismo religioso, os israelitas fizeram da arca sagrada um totem. Supunham que, tendo-a por perto, nenhum mal viria a alcançá-los. Porém, o Senhor mostrou-lhes que aquele objeto tão belo e tão cobiçado viria a perder-se um dia (Jr 3:16). O Deus de Israel é também o Deus de todos os povos, porque sua é a terra e a sua plenitude. Até mesmo os apóstolos demoraram a entender o alcance universal do evangelho de Cristo. Fez-se necessária a convocação de um concílio, para que, iluminados pelo Espírito Santo, autorizassem Paulo e Barnabé a prosseguirem o seu ministério junto aos gentios.

b) uma chamada que transcende a etnia. Deus ordenou também a Abraão que deixasse a sua parentela, pois o chamava a ser o pai de todos os que creem. Então, como haveria ele de confinar-se à etnia hebreia, se o mais ilustre de seus descendentes, Jesus Cristo, haveria de morrer por todos os povos? Abraão obedeceu ao chamado de Deus, porém, os israelitas, ignorando a natureza de sua chamada universal, isolam-se nacionalmente. Porém, a grandeza de Israel não está em sua nacionalidade, nem em sua etnia; reside em sua herança espiritual.

Coisa parecida aconteceu com os apóstolos de Cristo. A fim de arrancar os apóstolos ao exclusivismo, o Senhor concede a Pedro a visão global do evangelho. No lençol descido do céu, Pedro contempla toda sorte de animais imundos e repulsivos. Em seguida, ouve do próprio Jesus: “Não faças tu comum ao que Deus purificou” (At 10:15). A partir daquele momento, a Igreja de Cristo, ainda majoritariamente judaica, internacionaliza-se até alcançar os povos mais inalcançáveis.

c) uma chamada que transcende a família. Abraão foi chamado a deixar a casa de seu pai, pois a família que dele sairia não se fundaria em laços de sangue, mas numa aliança espiritual. A fé no Deus único e verdadeiro seria capaz de unir, num mesmo corpo, em Jesus Cristo, todos os povos da Terra. Portanto, todos os que o aceitam são chamados para fora de sua nacionalidade, etnia e família, a fim de formar um só organismo espiritual. Assim é descrita a Igreja de Cristo pelo apóstolo Paulo: “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:26-28).

2. Abraão, o evangelizado. Após a morte de Terá, pai de Abrão, o Senhor chama Abrão a uma nova realidade espiritual. E, nesse momento, proclama-lhe o Evangelho Eterno: "Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção" (Gn 12:1,2). O apóstolo Paulo enfatiza esta prerrogativa: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti" (Gl 3:8). Deus individualiza a chamada de Abraão, a fim de universalizar a convocação de todas as nações a crer em Jesus Cristo.

3. O evangelista Abraão. Deus chamou Abraão não somente para ser pai de muitas nações, mas para ser, também, um profeta um mensageiro do grande amor de Deus entre os gentios (Gn 20:7). Abraão implantou a genuína fé no Deus Todo Poderoso naquela região pagã, levando os seus descendentes a adorar ao único e verdadeiro Deus. Abraão pregou não somente aos ouvidos, mas também aos olhos. A sua reputação testemunhava com muita expressão que só o Senhor é o verdadeiro Deus.

Quando obteve a vitória contra os reis invasores, Abraão deu uma grande lição resistindo à tentação do enriquecimento ilícito (Gn 14:22,23). Vem ao seu encontro nada mais, nada menos que o rei de Sodoma. Ele ofereceu a Abrão todas as riquezas sodomitas, mas ele recusa a sua oferta. Segundo o costume daquele tempo, o libertador guardava para si o despojo quando resgatava do inimigo; mas Abraão não quis que ninguém, exceto Deus, pudesse dizer que o havia enriquecido. Demonstrou que ele não dependia de um rei humano, mas do Rei do Céu a quem havia "levantado a sua mão" - "Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, que desde um fio até a correia de um sapato, não tomarei coisa alguma do que é teu, para que não digas: eu enriqueci a Abrão".

Esta atitude de Abrão é uma grande lição para nós. Isto é pregar aos olhos de quem nos rodeia. Temos tornado esta expressão do patriarca uma realidade, ou já temos sido enriquecidos pelas benesses e vantagens aparentes do mundo de pecado? Será que não temos tido dores e problemas em nossas vidas por causa do "enriquecimento" proveniente do inimigo? A Bíblia diz que só as bênçãos do Senhor é que enriquecem e não acrescentam dores (Pv 10:22). Por isso, recusemos todo e qualquer enriquecimento que não provenha de Deus!

II. A PALAVRA DE DEUS É EVANGÉLICA

O que vem à sua mente quando você ouve a expressão Palavra de Deus? Veja o que diz o livro de Jó, capítulo 38, no verso 7. Na Bíblia na linguagem de hoje este texto foi traduzido assim: "Na manhã da criação as estrelas cantavam em coro, e os servidores celestiais soltavam gritos de alegria. Certamente ecoou nos pensamentos e lábios dos seres criados: "Bendita Palavra de Deus".

Depois de criar todas as coisas por Sua palavra, Deus usaria esta mesma Palavra para se revelar ao homem. Tornar-se conhecido, ser íntimo do homem. No princípio Deus falava face a face com Adão. Você já imaginou o que a conversa de Deus com Adão produzia de bem-estar na existência do primeiro homem? Isto não é difícil de se imaginar, porque você, assim como eu, já deve ter tido determinadas conversas com amigos ou parentes, aquelas conversas gostosas que mais parecem uma fonte de vida e ânimo do que qualquer outra coisa. Assim deveria ser entre Adão e Deus. Era uma conversa, uma comunhão vivificante. Ouvir Deus falando, conversar e estar com Ele deveria ser a melhor parte do dia de Adão e Eva.

Infelizmente, o diabo veio com o pincel do pecado e borrou todo o quadro perfeito que Deus havia criado. Por causa disto, a palavra de Deus não pode mais chegar ao homem livremente. Houve uma barreira na comunicação entre Deus e o homem (Is 59:2). A partir de então Deus se comunicaria de forma especial, através de pessoas escolhidas, para serem porta-vozes de Deus, e eles são chamados de profetas. Quarenta profetas que ao longo de aproximadamente 1500 anos escreveram o que conhecemos como a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.

O apóstolo Paulo afirmou em 2Tm 3:16 que "toda a Escritura é inspirada por Deus". A palavra traduzida por inspirada, vem do grego theopneustos que significa literalmente "proveniente do fôlego de Deus". Foi Deus quem inspirou os pensamentos dos profetas e eles com suas próprias palavras, estilos e expressões comunicaram as verdades divinas aos homens.Pedro diz que "homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2Pd 1:21). Os escritores bíblicos indicaram que o Espírito Santo foi a fonte de suas revelações. Davi declarou: "O Espírito do Senhor fala por mim, e a Sua palavra está na minha língua" (2Sm 23:2).Paulo escreveu: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns deixarão a fé" (1Tm 4:1).

A conclusão que se chega é que Deus é o autor da Bíblia e a Bíblia é a Palavra de Deus. Quando você entra em contato com a Bíblia é como se você tivesse ao seu lado um divino e amorável conselheiro para orientar e ajudar em todos os seus caminhos. Paulo ainda diz: "Pois tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência, e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança" (Rm 15:4).

Consolo, esperança, ensino e salvação são resultantes do contato com a palavra de Deus. Quando você olhar para a Bíblia Sagrada busque enxergar mais do que papel e tinta. Ela é a Palavra de Deus e pode criar em você um estado de harmonia interior, de paz, bondade, amor, fidelidade, humildade, domínio próprio.

1. A Lei de Moisés é evangélica. Ela é evangélica porque o Senhor Jesus, cabeça da Igreja (Ef 5:23), validou toda a Lei Mosaica, ao afirmar: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei” (Lc 16:17). Ele avançou mais um passo, dizendo: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17). Jesus, ao nascer, também foi colocado sob a Lei: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4). Ele foi criado e educado segundo os preceitos da Lei, pois cumpria suas exigências. Todavia, foi essa mesma Lei que O condenou à morte. Quando tomou sobre Si todos os nossos pecados, teve de morrer por eles, pois a Lei assim o exige. Vemos que a Lei foi cumprida e vivida por Jesus, e através dEle ela alcançou seu objetivo. Por isso está escrito que “... o fim da Lei é Cristo” (Rm 10:4).

Quando sou confrontado com a Lei Mosaica, ela me apresenta uma exigência que devo cumprir. Deus diz em Sua Lei: “... eu sou santo...” e exige de nós: “... vós sereis santos...” (Lv 11:44-45). Assim, a Lei me coloca diante do problema do pecado, que não posso resolver sozinho. O apóstolo Paulo escreve: “... eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7:14). A Lei de Moisés expõe e revela nossa incapacidade de atender às exigências divinas, pois ela nos confronta com o padrão de Deus. Ela nos mostra a verdadeira maneira de adorá-lo, estabelece as diretrizes segundo as quais devemos viver e regulamenta nossas relações com nosso próximo. Pela Lei, reconhecemos quem é Deus e como nós devemos ser e nos portar. Mas existe uma coisa que a Lei não pode: ela não consegue nos salvar. Ela nos expõe diante de Deus e mostra que somos pecadores culpados. Essa é sua função.

A Lei de Moisés é evangélica, pois nela são feitos vários anúncios acerca da redenção da humanidade: No Gênesis, Deus destaca a redenção da humanidade (Gn 3:15; 12:1,2). Inicial­mente, o Senhor proclama aos nossos pais, ainda no Éden, a vinda da semente da mulher, que haveria de pisar a cabeça de Satanás. Mais tarde, ao convocar Abraão à verdadeira fé, promete-lhe que, através de sua geração, seriam abençoadas todas as nações da terra. No Êxodo, a Páscoa ilustra não ape­nas a liberdade de Israel, mas também a libertação de todos os que, em todos os lugares, recebem o Cordeiro de Deus como o seu Salvador (Êx 12:1-28; 1Co 5:7; 1Pd 1:19). Somente Jesus é capaz de tirar os pecados do mundo (João 1:29). No Deuteronômio, Moisés fala abertamente sobre o Messias que havia de vir: "O SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis" (Dt 18:15).

Faz parte da Lei de Moisés o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, que é um fundamento sólido sobre o qual podemos construir nossa vida moral; é uma moldura que continua sendo preenchida pelo andar diário no Espírito. Diríamos que o Decálogo é a condensação de toda a Lei.

Repetidas vezes Deus promete sua bênção aos que guardam diligentemente Seus mandamentos: "Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais..." (Dt 4:1). Levítico 26:3-13 e Deuteronômio 5:33; 7:12-26; 28:1-14, também mostram as bênçãos decorrentes da obediência aos Dez Mandamentos. O profeta Isaías reconhece que, se tivesse dado ouvidos aos mandamentos do Senhor, o povo escolhido não teria passado pelo exílio, mas sim desfrutado da vida abundante. Então, a paz do Senhor seria como um rio e Sua justiça, como as ondas do mar (Is 48:18).

A obediência simples ao Decálogo transforma as atitudes do homem para com seu próximo: em vez de assassinar um inimigo pessoal, ele o abençoa; em vez de furtar, trabalha e ajuda o necessitado; em vez de dizer falso testemunho, pratica e diz a verdade; em vez de roubar a mulher do próximo vive na pureza sexual e apoia o matrimônio monogâmico; em vez de cobiçar, faz atos de misericórdia; em vez de guardar para si a fé e a experiência do senhorio de Cristo, o ser humano brilha como luz e penetra como sal neste mundo (Mt 5:14-16); não conserva este mundo na situação em que se encontra, mas transforma-o com o amor, a paz e a esperança de Deus; não se conforma com a injustiça, a miséria e a desonestidade generalizada; é um exemplo de devoção e fidelidade a Cristo em seu lar, no trato com seus vizinhos, no exercício de boas obras, na profissão e nos deveres e responsabilidades civis, para que o reino do Senhor venha e Sua vontade seja feita tanto nos céus como na terra.

2. Os profetas são evangélicos. Os profetas, inspirados pelo Espírito Santo profetizaram sobre a vinda de Cristo e o mistério do evangelho em relação aos gentios, porém, nem mesmo eles podiam entender sobre que estavam falando, embora soubessem estar falando de algo muito grande, muito profundo.

Deus não poderia revelar-lhes este Mistério, pois não estavam em condições de poder entender que Cristo não apenas viria para consumar a obra redentora, mas, que, após consumá-la ele iriahabitar no homem, e não apenas com o homem. Ainda mais confusos ficariam se soubessem que Cristo iria habitar também nos gentios, como afirmou Paulo: “...aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”.

O Profeta Isaias falou deste Mistério: “... Eu te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios” (Is 42:6). “... Também te darei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até as extremidades da terra” (Is 49:6).

O Salmista Davi falou deste Mistério: “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele” (Salmos 22:27).

O Profeta Daniel falou deste Mistério - “Foi lhe dado o domínio, a honra e o reino; todos os povos, nações e línguas o adoraram...” (Dn 7:14).

O Profeta Oséias falou deste Mistério: “Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!” (Oséias 2:23).

O profeta Jeremias falou da Nova Aliança que o Senhor, por inter­médio do Israel messiânico, haveria de estabelecer com toda a humanidade (Jr 31:31-33).

Como afirmou Pedro (1Pd 1:10-15), o Salmista Davi, os Profetas Isaias, Daniel, Oséias e diversos outros profetizaram sobre o mistério do evangelho em relação aos gentios, porém, nenhum deles entendeu sobre suas mensagens proféticas.

“Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir”.

Os profetas não entenderam que os gentios viriam a fazer parte da família de Deus, e que o Senhor Jesus habitaria não apenas com eles, mas, também neles, conforme ele próprio declarou - “Jesus respondeu e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23). Isto era uma verdade bíblica que não podia ser compreendida antes da “plenitude dos tempos”. Esta verdade referia-se ao “... mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesta aos seus santos” (Cl 1:26,27).

3. Enfim, toda a Bíblia Sagrada é evangélica. O Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), os Escritos (Josué a Cantares) e os Profetas (Isaías a Malaquias), que formam o cânon do Antigo Testamento, são a extensão da Aliança de Deus com Abraão. Esta é uma das razões pelas quais o Antigo Testamento é indissociável do Novo. Nesse sentido, além de Abraão e Moisés, a história de Israel, sua poesia e seus escritos proféticos são comprometidamente evangélicos. O povo de Israel foi formado por Deus para dar testemunho da grandeza e da beleza do seu Reino a fim de convencer as nações daquele tempo de que havia um único Deus, o criador dos céus e da terra: o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

III. EXECUTANDO O TRABALHO DE DEUS

1. Israel e a evangelização mun­dial. Na dispensação da graça, Israel perdeu o posto de evangelista do mundo, efetivamente falando. A sua contribuição atual para a evangelização encontra-se no fato de que dele vêm as Escrituras Sagradas e o próprio Cristo (Rm 9:1-5). A atribuição de pregar o evangelho da graça foi dada à Igreja.

Todavia, Israel tem uma missão a cumprir, um serviço a ser feito neste mundo no âmbito evangelístico, que será realizado no período milenar do governo de Jesus Cristo. Nesse glorioso período, Israel pregará o evangelho do reino em todo o mundo – “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo... “(Mt 24:14). Haverá um conhecimento universal de Deus (Is 11:9; 54:13; Mt 24:14). Haverá abundância de salvação (Is 33:6). Os judeus serão os mensageiros do Rei (Mq 4:1-3). Eles realizarão um grande movimento missionário (Is 52:7) - “... a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar”(Is 11:9b). Com a difusão do conhecimento do Senhor, muitas pessoas se converterão. A evangelização será de fato uma das atividades primordiais dos seguidores de Cristo, como vaticinou o profeta Isaias: “Quão suaves são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52:7). Haverá um avivamento mundial – “Assim, virão muitos povos e poderosas nações buscar, em Jerusalém, o SENHOR dos Exércitos e suplicar a bênção do SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zc 8:22,23).

2. A missão intransferível da Igre­ja. A Igreja é a porta-voz de Deus sobre a face da Terra. Ela tem o Espírito Santo (João 14:7), cuja função é guiar a Igreja em toda a verdade e dizer tudo o que tiver ouvido bem como anunciar o que há de vir, glorificando e anunciando tudo o que diz respeito a Cristo (João 16:13,14). Por isso, não pode haver qualquer outro “mensageiro” divino além da Igreja enquanto durar esta dispensação.

O apóstolo Paulo afirma que a Igreja é chamada de “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 2:15), porque deve sustentar e ser a legítima anunciadora da Palavra de Deus sobre a face da Terra. Num mundo onde a iniquidade aumenta a cada dia (Mt 24:12), num mundo onde há corrupção geral é cada vez maior do gênero humano (Rm 1:18-32), cabe à Igreja a difícil tarefa de anunciar a Verdade, de mostrar ao mundo a Palavra de Deus, resplandecendo como astro no meio de uma geração corrompida e perversa (Fp 2:15).

CONCLUSÃO

Desde a queda do ser humano, Deus trabalha sem cessar para restaurá-lo ao status quo da criação, ou seja, ao estado de comunhão com Ele como era antes da criação. Jesus afirmou, certa vez, que o Pai trabalha até agora. Por essa razão, o Filho continuava o seu labor. Mas qual o trabalho do Pai? Não é criar, porque tudo quanto havia de ser criado já o foi. Todavia, a evangelização sempre haverá de ser um trabalho incompleto, por mais que nos esforcemos. Neste momento, Deus não mais anuncia pessoalmente o evangelho, como fez no Éden e ao patriarca Abraão. Entretanto, não cessa de abrir portas, abençoar missões e missionários. Por intermédio de mim e de você, Ele estende as fronteiras de seu Reino. Paulo dizia-se imitador de Deus, porque se sentia na obrigação de proclamar-lhe a Palavra a tempo e fora de tempo.

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço