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segunda-feira, 3 de abril de 2017

2ª lição do 2º trimestre de 2017: ABEL, UM EXEMPLO DE CARÁTER QUE AGRADA A DEUS


Texto Base: Gênesis 4:8-16

"Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (Hb.11:4).

INTRODUÇÃO

A partir desta Aula, estudaremos alguns personagens bíblicos, cujo caráter é exemplar para obtermos uma melhoria de nossa vida cristã. Eles demonstram que é indispensável ter uma vida de santidade para ser salvo, ou seja, ser salvo não é somente ser membro de uma igreja, mas é ser justificado, regenerado e viver em santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14; 1Ts.5:23). Inicialmente, estudaremos o caráter de Abel, filho de Adão e Eva. Veremos que Abel tinha um caráter impoluto e probo, que agradava a Deus; conduzia-se de modo correto, demonstrando ter um relacionamento leal com Deus e um coração piedoso.

I. A OFERTA DE ABEL

Desde o princípio da humanidade, o ser humano apresenta culto a Deus. Na família de Adão e Eva o culto a Deus era realizado sob a forma de sacrifícios e orações, apresentação de ofertas e consagração a Deus do melhor que havia (Gn.4:3,4). A Escritura não nos fala como esses sacrifícios eram oferecidos, mas o que é claro é que aqueles primeiros sacrifícios tiveram origem no senso de dependência de Deus e de gratidão a Ele. Seu objetivo era expressar a consagração humana e sua entrega a Deus. A questão não era propriamente a oferta, mas a disposição do ofertante expressa na oferta. Tanto quanto à disposição quanto à oferta, Abel trouxe um sacrifício melhor do que o de Caim (Hb.11:4), e foi recompensado com o favor do Senhor.

1. Uma oferta agradável a Deus. Caim e Abel tiveram destinos diferentes. Caim tornou-se lavrador e Abel tornou-se pastor de ovelhas. Ao fim de algum tempo, ambos resolveram oferecer um sacrifício a Deus. Caim levou alguns frutos do solo, mas Abel ofereceu o melhor dos seus carneiros. Deus se agradou da oferta de Abel, mas não a de Caim (Gn.4:4,5) - "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício" (Hb.11:4).

Caim irou-se com a rejeição de sua oferta – “E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante” (Gn.4:5). O fracasso de Caim no culto, e a ira subsequente, são fatores básicos para seu comportamento não-ético. O cristão verdadeiro e o não verdadeiro são diferenciados por suas atitudes básicas em relação a Deus.

Por que Deus rejeitou a oferta de Caim? A razão de Deus ter aceitado o sacrifício de Abel e rejeitado o de Caim não foi baseado no fato de que o sacrifício de Caim era sem sangue. Muitas das oferendas exigidas no Antigo Testamento eram sem sangue, como as ofertas de manjares (cf. Lv.2:1-16). A diferença estava nos corações daqueles dois ofertantes. A Bíblia relata que o modo de vida de Caim não era agradável a Deus e, por isso, Deus não aceitou a sua oferta. Abel ofereceu com fé (Hb.11:4), ao passo que Caim, não. Aliás, a Bíblia afirma que Caim era do maligno (1João 3:12), ou seja, não tinha um coração temente e submisso a Deus e, por isso, não foi aceita a sua oferta. Esta diferença básica entre os dois ofertantes é indicada pelas palavras no texto sagrado: Deus “atentou para Abel e para sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gn.4:4,5). Provérbios 21:27 diz: “O sacrifício dos ímpios é abominação; quanto mais oferecendo-o com intenção maligna!”. Somente quando são oferecidos com fé, os sacrifícios e o serviço dos homens agradam a Deus (cf.Is.1:11-17; Ml.1:6-14).

Na realidade, a chave para o fracasso de Caim se encontra nas cuidadosas descrições do texto sagrado, referentes ao tributo de Caim e Abel - “Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor” (Gn.4:3). Aqui, não há indicação que este “fruto da terra” seja o primeiro e o melhor. Abel ofertou o melhor que tinha; ele “trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura” (Gn.4:4); seu coração era sincero; seu culto era verdadeiro (Hb.11:4). Portanto, o pecado de Caim foi a superficialidade; ele parece religioso, porém seu coração não é totalmente dependente de Deus, não é sincero nem grato.

Hoje, o que oferecemos ao Senhor no culto? Nossas ofertas demonstram a atitude real de nossos corações? (Sl.51:17). Deus se agrada do gesto de gratidão e reconhecimento, do que está no coração do homem, não do que está sendo apresentado em termos materiais. Tanto assim é que, ao indagar Caim sobre sua oferta, Deus diz que ele deveria ter feito bem, ou seja, não como um mero formalismo, não como um mero ritual, mas como algo espontâneo e que proviesse do fundo da alma, pois, somente neste caso é que haverá aceitação por parte do Senhor (Gn.4:7).

2. Uma oferta profética. O sacrifício que Abel ofertou é considerado o primeiro registrado na Bíblia de que Deus se agradou. Abel deve ter recebido alguma revelação de que o pecador podia se aproximar de Deus com base somente no sangue derramado. Talvez ele tenha aprendido isso de seus pais, que foram reconduzidos à comunhão com Deus somente depois de ele os ter vestido com peles de animais (Gn.3:21). De qualquer modo, ele revelou fé ao se aproximar de Deus com o sangue de um sacrifício. Deus se agradou da sua oferta, e o próprio Jesus reconheceu quão elevado era o caráter santo de Abel (Mt.23:35). Certamente, a morte do cordeiro ou de uma ovelha, dos primogénitos do rebanho de Abel, prefigurava o sacrifício de Cristo, que se ofereceu a si mesmo imaculado em nosso lugar (Hb.9:14), como o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1:29).

3. Uma oferta valiosa. Abel adorou a Deus oferecendo o melhor de seu rebanho. Ele não ofereceu um sacrifício qualquer, mas dentre as primícias do seu rebanho. Afirma o texto sagrado: “Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta” (Gn.4:4). Notemos que Deus “agradou-se” primeiro de Abel e, depois, de sua oferta. Deus olha a atitude do ofertante, a qual é mais importante do que sua oferta.

O culto de Caim era uma forma religiosa sem fé, mas Abel ofereceu a Deus seu coração. O escritor da Epístola aos Hebreus afirma: "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (Hb.11:4).

Caim tinha um coração mau, dominado pelo ódio e pela inveja, por isso, teve o seu sacrifício rejeitado. Deus não olhou e não olha para a oferta em si, porque o mais importante é o coração, o caráter do ofertante. Por isso, Jesus declarou: "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta" (Mt.5:23,24).

Devemos observar, também, que a rejeição da oferta de Caim não decorre do fato de ter sido feita de vegetais ou de ter sido uma oferta incruenta, mas a Bíblia é clara ao afirmar que Caim era do maligno (1João 3:12), ou seja, não tinha um coração temente e submisso a Deus e, por isso, não teve aceita a sua oferta. A Bíblia nos mostra que Deus observa o coração do ofertante (Is.1:2-20; Mt.5:21-26).

II. A INJUSTIÇA CONTRA ABEL

1. Abel era um homem justo. Diz o texto sagrado: "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo" (Hb.11:4). O sacrifício de Abel (um animal substituto) foi um sacrifício perfeito e sincero, por isso teve a aprovação de Deus e foi considerado justo; o próprio Jesus testemunhou que Abel era justo (cf. Mt.23:35). Não foi a excelência pessoal de Abel que Deus olhou ao considerá-lo justo, mas a excelência do sacrifício que ele trouxe e a fé nele, Deus. E assim também é conosco: não somos justificados por causa de nossas boas obras, mas apenas por causa da excelência do sacrifício de Jesus e o fato de o aceitarmos.

2. Abel, o primeiro mártir. Como afirma o pr. Elinaldo Renovato, “Abel foi o primeiro pastor de ovelhas; o primeiro a oferecer sacrifício de animais no culto a Deus; foi o primeiro homem justo e também o primeiro mártir. Ele foi o primeiro a entrar para a galeria dos mártires por causa de sua fé e também o primeiro a ter seu nome registrado na galeria dos heróis da fé (Hb.11:4). O primeiro homem a ser morto por seu próprio irmão”.

O simples ato da desobediência de Adão e Eva degenerou-se rapidamente em violento assassinato. Caim matou o seu irmão Abel. Este foi o primeiro assassinato da história humana – uma vida tirada pelo derramamento de sangue humano. Caim, ao invés de buscar a Deus, deu lugar ao Diabo, por isso, seu caráter foi deformado. Diz o texto sagrado: "Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas" (1João 3:12). Segundo William Macdonald, “Abel foi morto por Caim porque a lei odeia a graça. O homem que se acha justo odeia a verdade de que ele não pode se salvar e que deve se lançar ao amor e à misericórdia de Deus”.

A história bíblica continua relatando o terrível crime que nasceu do ódio e da inveja. Da mesma forma que Jesus, Abel foi morto por inveja (Mc.15:10). Para Caim sujeitar o pecado que estava prestes a atacar e destruir a sua vida e a de seus descendentes, ele teria de expulsar o ódio e a inveja doentia que inundavam o seu coração. Desse modo, o pecado não encontraria lugar em sua vida. Infelizmente, isso não ocorreu. Após ter o seu sacrifício rejeitado, Deus lhe deu a chance de corrigir o seu erro e fazer uma nova tentativa. Deus até mesmo o encorajou a fazer isto (cf. Gn.4:7), mas Caim se recusou e o resto da sua vida é um exemplo assustador do que acontece com os que se recusam a admitir os seus erros.

Semelhante a Caim seremos, vítimas do pecado, caso não o vençamos. Porém, o pecado não pode ser evitado através de nossas próprias forças. Nós precisamos buscar a Deus para receber fé e procurar outros irmãos em Cristo para que nos ajudem a ter força e coragem. O Espirito Santo nos ajuda a vencer o pecado. Esta será uma batalha para toda a vida, a qual não será vencida até que estejamos com Cristo num estado glorificado.

3. O sangue de Abel. Caim matou seu irmão no campo, sem testemunhas. Seria o crime perfeito, caso não tivesse havido o testemunho de Deus. Deus é o supremo e reto juiz e nenhum crime fica impune aos Seus olhos. Não há como fugir deste juízo (Sl.139:1-12). Jesus disse: "Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto" (Mc.4:22).

Vem o Senhor e pergunta-lhe: "Onde está Abel, teu irmão?" (Gn.4:9). Caim desculpa-se, como se estivesse noutro lugar: “... E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? ” (Gn.4:9). Caim teve a audácia de mentir diante de Deus e ainda de o afrontar sobre a guarda do irmão. Mas o sangue de Abel clamava por justiça - "E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra" (Gn.4:10).

É bem provável que Caim, ao ser arguido de forma tão direta pelo Autor e Conservador da vida, haja sido tomado pela surpresa. Afinal, o seu crime fora executado com requinte, astúcia e muita discrição. Ninguém viu nada; nem o pai, nem a mãe. Talvez ele não soubesse ainda que Deus é tanto Onisciente quanto Onipresente. Mas, agora, sabe que nada poderá escondê-lo do Juiz de toda a Terra. Caim, a exemplo de seus pais, procura esquivar-se de suas responsabilidades, não assumindo sua culpa. O pecado faz obscurecer a responsabilidade e a autocrítica do ser humano, que está com seu entendimento cegado pelo mal (cf. 2Co.4:3,4).

Em virtude do pecado de Caim contra o seu irmão, Deus o amaldiçoa em toda a terra, retira a sua habilidade para o cultivo da terra e o sentencia a uma vida como fugitivo e errante (Gn.4:12). Deus reconhece a pessoa inocente e, cedo ou tarde, Ele punirá o culpado.

III. UM HOMEM QUE AGRADOU A DEUS

1. Abel soube agradar a Deus. A Bíblia demonstra que pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim. Ao ofertar, Abel alcançou testemunho de Deus que era justo, ou seja, foi justificado por Deus. Deus justificou (alcançou testemunho) Abel, e então, ele foi aceito por Deus e, consequentemente, a sua oferta (Hb.11:4). Abel sabia da existência de Deus por intermédio de seus pais, e ao aproximar-se para ofertar, tinha plena certeza que Deus é galardoador daqueles que O buscam. Deus é galardoador dos que O buscam, e não daqueles que ofertam ou sacrificam, quer animais ou cereais (Hb.11:6). 

É bom enfatizar que não é a oferta de bois, bodes e ovelhas que tornam o homem agradável a Deus. Também não é a presença de sangue proveniente de animais que redime o homem "porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hb.10:4). Se não é o sangue dos touros e bodes que tira o pecado, é certo que não foi o fato de Abel ter ofertado uma ovelha que o tornou aceito diante de Deus. Muitos anunciam que Abel foi aceito por oferecer uma ovelha, o que deixa subentendido ter havido sangue na oferta, sendo aceito pelo tipo e modo de sacrifício. Mas, o correto é a declaração do escritor aos Hebreus, que dá conta que Abel foi aceito pela fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus.

O que ocorreu com Abel, também ocorreu com Abraão, conforme afirma as Escrituras Sagradas - “Creu Abrão no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn.15:6). Deus aceitou Abel e Abraão porque os justificou, pois, jamais Deus aceita o ímpio (Ex.23:7). Antes de ser justificado, Abel e Abraão eram ímpios do mesmo modo que Caim, pois foram gerados em pecado. Abraão e Abel foram justificados por Deus, o que demonstra que eles também não contrariam a afirmação bíblica de que não há um justo se quer (cf.Rm.3:10).

2. Abel, buscou a Deus. O relato bíblico nos autoriza afirmar que Abel buscou a Deus com fé e sinceridade. Ele entendeu que seu sacrifício deveria ser do melhor do que possuía. Deus se alegrou com a entrega que Abel fez a Ele. Aquela oferta não foi valorizada pelo que ela representava financeiramente, mas pela honra que o rapaz deu ao Senhor. Abel buscou a Deus. Diz o texto sagrado: “Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta” (Gn.4:4). Muitos só se lembram de buscar a Deus quando estão cercados pelas dificuldades. Não deixe para buscar a Deus somente nos tempos de crise; busque-o continuamente, Ele se agradará disso. Deus está clamando:“busque a minha face!” (Am.5:4). Como? Buscar através da comunhão, através da leitura da Palavra, da oração e da decisão de obedecê-lo – “Quando tu disseste: Buscai o meu rosto, o meu coração te disse a ti: o teu rosto, SENHOR, buscarei” (Sl.27:8).

Busquemos a Deus em todo tempo, para que estejamos protegidos da ira que está por vir sobre a face da terra; busquemos a Deus, para compreendermos o amor que Ele tem por nós; busquemos a Deus enquanto há tempo. Que Deus nos guarde, e nos dê sabedoria e amor para oferecermos a Ele, continuamente, "sacrifício de louvor" (Sl.50:14).

3. Caim agradou ao Diabo. Caim foi recebido em seu lar como uma bênção de Deus (cf.Gn.4:1), e assim poderia ter sido se tivesse buscado agradá-lo. Como primeiro filho de Adão, cabia-lhe, entre outras coisas, a herança messiânica. Se ele tivesse permanecido fiel, estaria hoje entre os ancestrais de Cristo. Mas, agindo como agiu, foi arrolado como o primeiro descendente espiritual de Satanás. A Bíblia relata que seu modo de vida não era agradável a Deus; ele se afastou de Deus, e, por conseguinte, todos os seus descendentes caíram em desgraça, por isso foram destruídos no dilúvio. Judas nos exorta que evitemos nos apartar do Deus vivo, pois este caminho conduz, inevitavelmente, à destruição (Jd.11-13).

Adão e Eva agiram apenas contra Deus, mas Caim agiu contra Deus e outras pessoas. Apesar das honras que lhe conferiam a primogenitura, Caim deixou-se dominar por uma inveja tola e injustificável.

“O caminho de Caim é muito fácil de trilhar. Basta dar vazão ao ódio, à inveja, ao rancor, à raiva e a tudo que não esteja de acordo com o nosso interesse. O caminho de Caim está a cada dia próximo de nós, quando rejeitamos considerar o nosso próximo superior a nós mesmos. O caminho de Caim está mais próximo das nossas vidas, quando procuramos fugir da realidade inventando desculpas para não fazermos a nossa parte com retidão” (Ensinador Cristão, nº 64. CPAD).

CONCLUSÃO

Adão e Eva pecaram, pois desobedeceram a Deus dando ouvidos ao Diabo. A desobediência deles trouxe o pecado para a raça humana. Talvez eles pensassem que seu pecado – comer uma fruta – não era tão mau, mas note a rapidez com que a natureza pecaminosa se desenvolveu em seus filhos. Toda a tragédia humana decorre daquele gesto de desobediência. Caim, também, preferiu desobedecer ao Criador. Mas, nem tudo está perdido, Abel optou em dedicar-se a adorar a Deus e servi-lo com lealdade e sinceridade; ele teve um caráter que agradara a Deus; sigamos, pois, o seu exemplo.

Vale lembrar que um pequeno pecado pode crescer fora de controle. Permita que Deus o ajude com seus “pequenos” pecados antes que se tornem grandes tragédias.

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Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 70. CPAD.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. A natureza do Caráter Cristão.PortalEBD_2007.

O Caminho de Caim. Dr. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2002.

Pr. Elinaldo Renovato de Lima. O Caráter do Cristão.CPAD.

FONTE: EBDWEB - LUCIANO DE PAULA LORENÇO

quarta-feira, 29 de março de 2017

1ª lição do 2º tirmestre de 2017: A Formação do Caráter Cristão


Texto Áureo: Gálatas 2:20
Leitura Bíblica em Classe: Efésios 4:17-24

Introdução 

A formação do caráter cristão ocorre quando o homem pecador, que se encontrava completamente dominado pelo pecado, experimenta o novo nascimento, onde ele é regenerado pelo Espírito Santo.
Após nascer de novo ninguém é mais o mesmo, se porventura o for, na verdade então é porque ainda não nasceu de novo. O redimido possui uma conduta diferente, um caráter que aponta para Cristo, aquele que o resgatou. Essa mudança é infalível, pois conforme escreveu o apóstolo Pedro, o próprio Deus é quem aperfeiçoa, firma, fortifica e fundamenta aqueles a quem Ele chamou (1Pe 5:10).

I- O Caráter na Realidade do Homem 

Todas as pessoas possuem uma personalidade. A personalidade é formada por um conjunto de características essenciais que inclui, por exemplo, caráter, temperamento e hábitos. A personalidade de alguém o diferencia dos demais, pois é sua identidade pessoal, sua originalidade, aquilo que define e se expressa em seu padrão de comportamento.
Se a personalidade é um conceito bem amplo do indivíduo, o caráter se refere a uma parte especifica de seu modo de ser, ou seja, o caráter tem a ver com índole, com ética, uma vez que ele designa o aspecto da personalidade referente às características morais de alguém, algo que reflete diretamente em sua conduta, pois está diretamente ligado aos seus hábitos.

II- A Deformidade do Caráter Humano 

O caráter revela o mais profundo do nosso ser. A questão que é a Palavra de Deus enfatiza que, por si próprio, homem algum possuí algo de bom em seu íntimo que possa agradar a Deus. Após a Queda do Homem no Éden com Adão e Eva, o caráter humano foi deformado.

A consequência da contaminação com o pecado foi a condição de total depravação, onde ninguém é capaz de fazer o bem diante de Deus. O homem pecador foi separado de Deus, destituído de Sua glória, e tornou-se inimigo de seu Criador. Aquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26,27; 5:1; 9:6; Tg 3:9) passou a apresentar apenas uma versão distorcida e maculada dessa imagem.
A deformação do caráter humano não afetou apenas seu relacionamento com Deus, mas também com seu próximo e com todo o ambiente em que ele está inserido. Podemos ver a severidade do pecado na vida do homem logo nos primeiros anos após a Queda, quando Caim assassinou de forma covarde e traiçoeira seu próprio irmão, Abel.
Na própria história de Caim registrada na Bíblia também percebemos como o homem se tornou incapaz, em si mesmo, de obedecer a Deus (Gn 4:5-7). Além disso, ao invés de cuidar de toda a criação do Senhor na Terra, ele passou a destruí-la das formas mais perversas possíveis.

 III- A Redenção do Caráter Humano 

Se após a entrada do pecado no mundo o caráter do homem foi deformado, em Cristo ele começa a ser reconstruído. João Calvino escreveu que ser a imagem de Deus, no sentido de ter essa imagem restaurada, está intimamente relacionado a tornar-se como Cristo, em justiça e retidão.
Ele chegou a essa conclusão com base no que escreveu o apóstolo Paulo a igreja em Éfeso: “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4:24).
O mesmo apóstolo, dessa vez escrevendo aos Colossenses, ensinou que os verdadeiros seguidores de Cristo se revestem do novo homem“que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3:10).
Assim, podemos entender que o homem, apesar de ser a imagem distorcida de Deus, em Cristo ele é restaurado (Rm 8:29), e essa imagem começa a ser reconstruída até alcançar sua plenitude no dia do retorno de nosso Senhor Jesus.
Após a regeneração pelo Espírito Santo, o homem experimenta uma profunda transformação. O cristão verdadeiro possui um caráter transformado, de modo que ele não sente mais prazer nas obras da carne e não se entrega as suas concupiscências depravadas, pois ele se despiu do “velho homem com seus feitos” (Cl 3:9).
Ao nascer de novo, o homem pecador é capacitado pelo Espírito Santo a demonstrar o caráter cristão que agrada a Deus, um caráter que revela o fruto do Espírito. Sua principal marca passa a ser o amor, não um amor qualquer, mas o amor ágape, um amor que tem origem no próprio Deus e que é derramado no redimido, e este o transmite de volta a Deus e o estende ao próximo (Mt 22:34-40).
Reconciliado com Deus e imerso em Sua graça, o homem passa a viver uma vida de santificação. A santificação é um processo que acompanha o cristão durante toda sua vida, e só alcança a perfeição no dia vindouro.
Alguns pregadores já tentaram ensinar que é possível atingir um estado de santificação total durante nossas vidas, a ponto do homem alcançar o nível de não mais pecar. Todavia essa não é a doutrina bíblica (1Jo 1:8).
Outros, de forma também equivocada, ensinam que a santificação é algo que nos confere a salvação, no sentido de que devemos nos santificar para sermos salvos. O verdadeiro ensino bíblico é o de que a santificação é algo natural e esperado na vida daqueles, e apenas daqueles, que já nasceram de novo, ou seja, nos santificamos porque somos salvos, e não porque queremos ser salvos.

Conclusão 

Quando o homem, que estava morto em delito e pecado, é resgatado pela maravilhosa graça de Deus, ele experimenta uma profunda transformação em todo o seu ser, onde ocorre a formação do caráter cristão. Assim, seu caráter o revela como sendo um cidadão do Reino de Deus e sua conduta o identifica como imitador de Cristo.
Fonte: estiloadoracao.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

4ª lição do 1º tirmestre de 2017: ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA HÁBITO DA VELHA NATUREZA



Texto Base: João 16:20-24

"Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos" (Fp.4:4).


INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre as Obras da Carne e o Fruto do Espírito, estudaremos, a partir desta Aula, as virtudes do Fruto do Espírito. Nesta Aula, estudaremos a Alegria, virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja, obra da carne. A Alegria, aqui, nada tem a ver com a ideia mundana de emoção alegre, efêmera, que está presente nos bares, nas casas de festas, nos shows deste mundo. Do grego “chara”, a Alegria (ou gozo) é uma confiança festiva independentemente das circunstâncias adversas. A Inveja é o contraponto à felicidade alheia. A pessoa invejosa não se contenta em ver o outro se desenvolver, obter sucesso e respeito pela atividade reconhecidamente exitosa pelos seus pares. Completamente oposta à Alegria, a Inveja só traz incertezas, falta de esperança, desajuste emocional e espiritual. Portanto, há um claro contraste entre a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja como elemento da Velha Natureza. Veja, a seguir, um quadro demonstrativo, extraído da Revista Ensinador Cristão:

ALEGRIA
INVEJA
- É um estado de graça e bem-estar espiritual.
- É um estado de desgraça e mal-estar espiritual.
- Sua fonte é Deus.
- Sua fonte é o Diabo e o “ego”.
- Está interligada à nossa comunhão com Deus.
- Está interligada com a ruptura de nosso relacionamento com Deus.
- Nos estimula a ter bom ânimo.
- Nos estimula a ter um ânimo dobre.
- Nos estimula a servir a Deus e ao próximo.
- Nos estimula a servir aos nossos próprios interesses.
- Há felicidade em ver o outro bem-sucedido.
- Há ódio e amargura em ver o próximo bem-sucedido.
- É um sentido nobre.
- É um sentimento perverso.

I. ALEGRIA, FELICIDADE INTERIOR

O crente salvo tem a verdadeira Alegria dentro de si, pois “...o Fruto do Espírito é: ...Alegria [gozo]...”. Esta alegria gerada pela ação do Espírito Santo, fará sempre, independente das circunstâncias externas e adversas, com que o crente possa fazer suas as palavras de Maria: “...a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc.1:46,47).

1. A Alegria do Senhor. A Alegria, como Fruto do Espírito, não está relacionada às circunstâncias e não depende dos bens materiais. Foi o que Paulo quis dizer quando escreveu aos Filipenses: “alegrai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp.4:4). Veja que o apóstolo Paulo nos ensina que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, independe das circunstâncias externas. Paulo diz: “alegrai-vos sempre”. Paulo quer dizer que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito Santo, é ultracircunstancial. Porque está alegre, estar feliz quando tudo esta bem, até o ateu consegue. O desafio é ser a pessoa feliz apesar das circunstâncias adversas. Isto porque a Alegria do cristão não é apenas a presença de coisas boas ou ausência de coisas ruins. Veja que o apostolo Paulo quando escreveu a Epístola aos Filipenses não estava hospedado num hotel de luxo em Roma, mas numa prisão, algemado, no corredor da morte, na antessala do martírio, com o pé na sepultura, com a cabeça debaixo da espada de Roma.

O apóstolo Paulo diz, ainda, neste texto de Fp.4:4, que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, não é um sentimento, é uma Pessoa; a Alegria do cristão é Jesus. Por isso Paulo diz assim: “alegrai-vos... no Senhor”. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira Alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a Alegria verdadeira. Se você tem Jesus você é uma pessoa feliz, se você não tem Jesus você não é uma pessoa feliz. Neemias declarou: “a Alegria do Senhor é a nossa força” (Ne.8:10).

Todavia, você não precisa ser um bom entendedor da alma humana para perceber um fato: nem todos os crentes em Cristo Jesus estão desfrutando desta Alegria genuína, verdadeira, profunda, que o apóstolo Pedro diz ser “indizível e cheia de glória” (1Pd.1:8). Basta você olhar para o semblante de alguns crentes, conversar com eles, observar a conversa deles, você notará uma auréola de tristeza em seus rostos. E a pergunta é: o que esta acontecendo? E a resposta, talvez, possa ser clareada com o fato narrado em 1Samuel 30, lembram-se? A Alegria de Davi foi roubada.

Quando Davi chegou à cidade de Ziclagle, viu a cidade saqueada, queimada, ferida. E diz a Bíblia que os amalequitas levaram consigo os seus filhos, suas filhas, mulheres. E quando Davi viu aquela cena ele chorou até não ter mais força para chorar. Ele muito se angustiou. Seus companheiros de batalha queriam matá-lo. Mas diz a Bíblia que ele se reanimou no Senhor seu Deus e fez uma oração com apenas duas perguntas: “perseguirei eu o bando? Alcançá-lo-ei?”. E Deus disse a Davi: persegue o inimigo Davi porque tudo o que ele tomou de você, você vai trazer de volta! Em outras palavras, talvez você teve sua alegria saqueada, roubada, espoliado, mas hoje você pode tomar de volta aquilo que foi roubado de você, espoliado de você.

A orientação de Paulo é que, todos os nossos problemas, todas as nossas dificuldades e necessidades, devem ser colocados diante de Deus em oração: “... em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração...” (Fp.4:6b). Portanto, a oração é o nosso canal natural, de comunicação com Deus. Através dela, nós devemos abrir o coração diante d'Ele, com relação a todo tipo de desconforto e necessidade, apresentando minuciosamente a Ele, cada questão, de todas as que nos perturbam a alma.

Deus quer que você seja muito feliz, abundantemente feliz, superlativamente feliz, eternamente feliz! Portanto, “alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos”. Lembre-se, a maior Alegria do crente está no fato de que seu nome já foi escrito no Livro da Vida e que Jesus em breve voltará.

2. A fonte da nossa Alegria. A Alegria, que é Fruto do Espírito Santo, tem sua origem em Deus, e é Deus quem a coloca em nosso coração (Sl.4:7) e, por isso, não depende dos fatos que ocorrem à nossa volta, das circunstâncias, nem se abala com o que pode acontecer conosco, pois esta Alegria é o próprio Deus que habita em nós (Sl.43:4). É um verdadeiro óleo com o qual somos ungidos pelo Senhor (Sl.45:7). Jesus veio trazer esta Alegria, este óleo de gozo para substituir a nossa tristeza do tempo em que vivíamos em pecado (Is.61:3). Mas que operações divinas trazem Alegria ao homem? Cito apenas três:

a) A Salvação. A salvação gera no crente uma Alegria espiritual permanente, que não se acaba e que só tende a aumentar, assim como a nossa vida com Cristo, que, sendo uma vida, impõe um crescimento contínuo. A forte impressão de prazer trazida pela regeneração, pelo novo nascimento tem de aumentar a cada passo de nossa comunhão com Cristo, pois, se buscarmos mais a Deus, certamente seremos cada vez mais ungidos com o “óleo da alegria”, ou seja, teremos cada vez mais intensa comunhão com o Senhor, numa proximidade com Deus (Tg.4:8a), que só nos fará aumentar esta Alegria. Davi quando sentiu que não mais tinha comunhão com Deus, porque pecara contra Ele, pediu ao Senhor que lhe tornasse a dar “a alegria da salvação” (Sl.51:12). Nenhum crente salvo pode viver sem esta Alegria. Ela é o fim de nossa fé – “obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pd.1:9).

b) A presença de Deus. A Alegria é a bandeira que tremula na torre do palácio quando o rei está presente. A presença de Deus é um elemento que aumenta ainda mais a Alegria do salvo. Quando o crente mantém uma vida devocional intensa, quando mantém uma vida de oração, uma vida de meditação na Palavra do Senhor, naturalmente que ganha maior intimidade com Deus, intimidade esta que é uma necessidade na nossa vida espiritual (Mt.6:6-8).

Sejam quais forem as circunstâncias externas que possam nos fazer sofrer, sentir tristeza, e até chorar, pelo Fruto do Espírito formado em nós, tem que emanar Alegria capaz de inundar nossa alma, pois “...na presença do Senhor há abundância de alegria...” (Sl.16:11). O próprio Deus é a fonte de toda a Alegria (Lc.1:47; Fp.4:4).

c) A bênção de Deus. No Salmo 126:3 está escrito: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres”. Quando recebemos bênçãos de Deus é motivo de Alegria. Diante daquilo que Deus nos tem feito, somos gratos e a manifestação mais propícia para o sentimento de gratidão é a Alegria. Quem é grato é alegre. O Louvor, que é uma expressão de Alegria, é filho da gratidão.

II. OS RESULTADOS DA ALEGRIA DO ESPÍRITO

1. Rosto radiante – “O coração alegre aformoseia o rosto...” (Pv.15:13). A Alegria, como Fruto do Espírito, é uma Alegria interna, que opera na alma e que mantém estreita comunhão com Deus e que faz com que um crente salvo, ainda que tenha um semblante sério, que seja introvertido, de pouco riso, e até “carrancudo”, se torne uma pessoa agradável, que irradia felicidade, uma bênção para quem convive com ele.

2. Cântico de Alegria. O louvor é resultado da Alegria espiritual. Afirma o apóstolo Tiago: “Está alguém contente? Cante louvores” (Tg.5:13b). O louvor provém de Deus (Rm.2:29) e só será apropriado e destinado ao Senhor por um homem que tenha alegria espiritual. Quem está alegre, louva ao Senhor, como nos provam vários exemplos bíblicos, como Davi, Maria, Jesus, Paulo e Silas, entre tantos outros.

O louvor é uma expressão de alegria espiritual, é consequência de uma vida de comunhão com Deus. Costumeiramente, nas Escrituras Sagradas, as expressões de alegria se fazem acompanhar de louvores (cf. 1Sm.18:6; 1Rs.1:40; 1Cr.15:16; 2Cr.23:18; 2Cr.29:30; 2Cr.30:21; Ne.12:27; Sl.59:16; Sl.100:2; Is.30:29; Jr.33:11). Por isso, o verdadeiro louvor é aquele que, em sua melodia e letra, exaltam a Deus, têm a Deus como centro e não buscam a agitação do corpo, pois é o resultado da Alegria espiritual, uma das qualidades do Fruto do Espírito que estão diretamente ligados ao relacionamento entre Deus e o homem.

3) Força divina. “...não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne.8:10). Na vida de um verdadeiro crente só o pecado será capaz de roubar a Alegria de sua alma, visto que a Palavra de Deus diz, que “... o fruto do Espírito é: Alegria...”. Paulo escrevendo aos crentes de coríntios, declara: “Como contristados, mas sempre alegres...” (2Co.6:10). Contristados e Alegres, parece contradição. Contristar significa estar muito triste, aflito. Nesta condição, como pode alguém estar alegre? Para o homem sem Deus não pode, mas, para o crente fiel, pode. Ele pode estar “contristado”, no corpo, mas, alegre, no espírito.

No tempo de Neemias, literalmente, ninguém podia estar triste na presença do Rei (Ne.2:1). Mas, naquele dia, Neemias estava triste! - “E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira” (Ne.2:2). Neemias tinha razão em temer! Um copeiro com um problema tão grande capaz de refletir, negativamente, no seu próprio semblante, podia ser uma ameaça à vida do próprio rei. Eram poucas as pessoas de confiança que podiam ficar, a sós, com o rei. Neemias era uma delas. Podia perder não apenas o cargo, como também a própria vida. Assim, o homem de Deus, mesmo que esteja com “o coração sangrando”, quando ministra diante do Altar, e principalmente aos pecadores, eles precisam ver o seu rosto brilhar. Neemias conseguiu reverter o seu estado de tristeza em alegria. A Alegria do Senhor converteu-se em força na vida de Neemias e deu-lhe coragem para reconstruir Jerusalém. E assim, também, a Alegria, que é resultado da força divina, nos encoraja prosseguir em nossa difícil jornada.

III. INVEJA, O DESGOSTO PELA FELICIDADE ALHEIA

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

1. Definição. A Inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

2. Inveja, fruto da Velha Natureza. A Inveja é um sentimento negativo que pertence à natureza adâmica. Esse sentimento perverso tem a sua origem em Satanás, pois ele tentou usurpar os atributos divinos (Is.14:12-20). Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso, porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno (Ap.20:10). O apóstolo Paulo, também, diz que quem tem este sentimento da carne não herdará o reino de Deus (cf.Gl.5:21). Infelizmente, muitos crentes ainda se deixam dominar por esse sentimento e acabam prejudicando a Igreja do Senhor e impedindo até que algumas pessoas se convertam.

A Inveja é um sentimento ambicioso que não permite a pessoa vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele. A Inveja é um pecado grave; faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl.5:19-21; é o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv.14:30).

A excelência, o triunfo e o sucesso motivam a inveja. Ninguém inveja um miserável ou um mendigo; inveja, sim, conquistas, reconhecimento, bens materiais, riquezas, família estruturada, casamento feliz, amizades. É possível invejar um bom carro, um corpo lindo, uma casa maravilhosa, uma saúde de ferro, um cargo alto na hierarquia, um bom marido, uma boa esposa, uma mulher inteligente, o carisma de certas pessoas, etc.

Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. As conquistas devem inspirar-nos. O sucesso do outro deve sacudir nosso conformismo e estimular-nos a ser melhores a cada dia, olhando para Jesus, autor e consumador da fé (Hb.12:2a). Seja um eterno admirador dEle!

Você está descontente porque não tem o que deseja? Aprenda com o apóstolo Paulo a confiar nas promessas de Deus e no poder de Cristo (veja Fp.4:11). Paulo se concentrava no que deveria fazer e não no que achava que deveria ter. Paulo tinha as prioridades corretas e era grato por tudo o que Deus lhe dera. Ele havia se separado do que não era essencial, para que pudesse se concentrar no que é eterno.

Se você sempre quer mais, peça que Deus remova esse desejo e lhe ensine o contentamento em cada circunstância. Ele suprirá todas as suas necessidades, mas de uma maneira que Ele sabe o que é melhor para você. Em vez de pensar no que não temos, devemos agradecer a Deus pelo que Ele nos deu, e nos esforçar para ficar satisfeitos. Afinal, o nosso bem mais importante é gratuito e está disponível a todos: a vida eterna, que só é dada por Cristo.

3. Os efeitos da Inveja. A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição.

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

A Inveja pode levar a outros pecados como adultério e assassinato. Na Bíblia Sagrada vemos relatos de alguns casos de homens e mulheres que se deixaram levar pela inveja.

- Caim matou seu irmão Abel (Gn.4:5), apesar da advertência de Deus. Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”(Gn.4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender o próximo.

- Raquel, mencionada em Gênesis 30:1, teve inveja de sua irmã, Lia, pois esta tinha filhos, e disse a seu marido, Jacó: Dá-me filhos, senão morro. Pessoas morrem espiritualmente por esse sentimento.

- Em Atos 7.9 está escrito que os irmãos de José, movidos de inveja, venderam-no para o Egito. A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele. Mas, será que eles tinham paz? A história mostra que não. O invejoso não tem paz. O texto de Provérbios 14:30 afirma que a inveja é a podridão dos ossos. Ela mata o seu algoz aos poucos. O invejoso passa o tempo opinando sobre o que o outro tem e julgando, em vez de buscar alcançar seus objetivos.

- Saul, embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, demonstrou-se depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular desviou-se dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja. De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: autoestima baixa, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. Mas a pior consequência é o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

- Jesus Cristo foi preso e levado a Pilatos por inveja dos sacerdotes (Mt.27:18).

A inveja é obra da carne (cf. Gl.5:21) e somente encontra guarida nos corações daqueles que ainda são dominados pela velha natureza e não pelo Espírito Santo.

CONCLUSÃO

Existem muitos buscando alegria nas coisas do mundo, e da terra, e esta é uma alegria passageira, e por ela, muitos estão pagando um preço tão elevado, que pode lhes custar uma eternidade, sem Deus. Existem outros “fabricando” alegria artificial, por não saberem ou por não quererem pagar “o preço” para obtenção da verdadeira Alegria, como Fruto do Espírito. O segredo da felicidade está em termos comunhão com Deus, por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Que a Alegria, como Fruto do Espírito, seja derramada em nossos corações, mesmo enfrentando lutas e tribulações e que jamais venhamos permitir que a Inveja tenha lugar em nossos corações.

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço