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segunda-feira, 15 de abril de 2019

3º LIÇÃO DO 2º TRIMESTRE DE 2019: ENTRANDO NO TABERNÁCULO - O PÁTIO


2º Trimestre/2019
Texto Base: Êxodo 27:9-19
21/04/2019
 “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens" (João 10:9).
Êxodo 27:9-19
9-Farás também o pátio do tabernáculo; ao lado do meio-dia, para o sul, o pátio terá cortinas de linho fino torcido; o comprimento de cada lado será de cem côvados.
10-Também as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata.
11-Assim também do lado do Norte as cortinas na longura serão de cem côvados de comprimento; e as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata.
12-E na largura do pátio do lado do ocidente haverá cortinas de cinquenta côvados; as suas colunas, dez, e as suas bases, dez.
13-Semelhantemente, a largura do pátio do lado oriental, para o levante, será de cinquenta côvados,
14-de maneira que haja quinze côvados de cortinas de um lado; suas colunas, três, e as suas bases, três;
15-e quinze côvados de cortinas do outro lado; as suas colunas, três, e as suas bases, três.
16-E à porta do pátio haverá uma coberta de vinte côvados, de pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido, de obra de bordador; as suas colunas, quatro, e as suas bases, quatro.
17-Todas as colunas do pátio ao redor serão cingidas de faixas de prata; os seus colchetes serão de prata, mas as suas bases, de cobre.
18-O comprimento do pátio será de cem côvados, e a largura de cada banda, de cinquenta, e a altura, de cinco côvados, de linho fino torcido; mas as suas bases serão de cobre.
19-No tocante a todos os utensílios do tabernáculo em todo o seu serviço, até todos os seus pregos e todos os pregos do pátio, serão de cobre.

INTRODUÇÃO

O Tabernáculo está pronto. Os artesãos fizeram tudo conforme Deus ordenou. Agora entraremos neste Local sagrado e exploraremos os ambientes, peças, móveis e seus ritos sagrados.
Primeiramente vamos caminhar dentro do Pátio e explorar os seus objetos sagrados. Passaremos pela única Porta que dá acesso ao seu interior e pararemos lá, por enquanto.
O Pátio tipifica a primeira parte do caminho a ser percorrido para se chegar à presença de Deus, no Lugar Santíssimo.
Essa Área sagrada do Tabernáculo era guarnecida por uma cerca de cortinas de “linho fino torcido” suspensa em colunas de bronze. Tinha um formato retangular e media cerca de 45 metros de comprimento por 22,5 metros de largura (Êx.27:18). Era descoberta, significando que quem estava ali (e a maioria dos crentes ainda estão no pátio) estava exposto às intempéries - sol, chuva, ventos, tempestades etc.
No Pátio, a primeira experiência que o ser humano tem para aproximar-se de Deus está simbolizada pelo Altar dos Holocaustos, onde ali era efetivada a expiação dos pecados. Sua mensagem é: "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb.9:22).
A segunda experiência para aproximar-se de Deus e preparar-se para ministrar nas coisas sagradas é simbolicamente representada pela Pia de bronze. Ali, os ministros vocacionados, ou seja, os sacerdotes se lavavam antes de oficiar nas coisas sagradas. Isto demonstra que é necessário purificar-se para servir a Deus, pois sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).
Na Nova Aliança, o crente se limpa "com a lavagem da água, pela palavra" (Ef.5:26) e pela "regeneração" e "renovação do Espírito Santo" (Tito 3:5).
Mattew Henry disse: “o Pátio era um tipo da igreja, fechada e separada do resto do mundo, encerrada por colunas, indicando a estabilidade da igreja, fechada com o linho limpo, que está escrito que é a justiça dos santos (Ap.19:8). Davi anelava está neste local (Sl.84:2,10), e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos” (Sl.100:4).
“A minha alma está anelante e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. Porque vale mais um dia nos teus átrios do que, em outra parte, mil. Preferiria estar à porta da Casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade” (Sl.84:2,10).
“Entrai pelas portas dele com louvor e em seus átrios, com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome” (Sl.100:4).

I. O PÁTIO ENTRE AS TRIBOS DE ISRAEL

O Pátio era exclusivamente para o povo israelita. Era o seu redil. Portanto, povos gentios que estivessem ao redor do acampamento de Israel não tinham acesso ao Tabernáculo, nem mesmo no Pátio, porque só Israel era considerado povo de Deus (cf. Êx.19:5,6).
“... se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos...E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo...”.
À época de Jesus ainda era forte esse exclusivismo na mente de Israel (ver João 10:16).
“Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor”.
Era privilégio peculiar de Israel o direito a entrar no Pátio até à Porta da Tenda do Tabernáculo. A partir da Porta da Tenda, somente o sacerdote podia entrar e ministrar na presença de Deus.
Em Cristo, porém, o acesso foi aberto a todo crente que exerce o seu sacerdócio mediante o sangue da expiação que Cristo efetuou. Hoje, pelo Espírito Santo, temos acesso à presença de Deus (Ef.2:18 e 1Pd.2:9). Veremos isso quando estivermos caminhando dentro da Tenda da Congregação.

1. As montagens provisórias do Tabernáculo

Quando Moisés recebeu de Deus a planta do Tabernáculo, no Monte Sinai, noticiou ao povo e partiu logo para a sua materialização.
Com o material adquirido, conforme Deus tinha estipulado, o Tabernáculo foi montado em frente ao Monte Sinai, no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano após a saída do Egito (ver Êx.40:2,17).
Todo Israel estava ciente de que o Tabernáculo seria desmontável, porque sua instalação no sopé do Monte Sinai seria transitória. A Terra Prometida estava mais à frente.
Durante toda a sua peregrinação no deserto, Israel montou e desmontou o Tabernáculo sempre na posição pré-determinada por Deus, tendo as suas tribos organizadas ao redor.

2. A posição do Pátio do Tabernáculo

O Tabernáculo foi posicionado no meio das doze tribos, representando assim a centralidade de Deus entre o seu povo. Os textos a seguir expressam a vontade de Deus em ser o centro de seu povo.
“E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx.25:8).
“E habitarei no meio dos filhos de Israel e lhes serei por Deus, e saberão que eu sou o SENHOR, seu Deus, que os tenho tirado da terra do Egito, para habitar no meio deles; eu, o SENHOR, seu Deus” (Êx.29:45,46).
A localização geográfica do Tabernáculo - no centro do acampamento e de frente para o Oriente, isto é, voltado para nascente do Sol -, revela exatamente a vontade de Deus em habitar no coração do povo de Israel.
É Deus quem deve estar no centro do nosso coração. É Ele quem deve dominar a nossa mente e vida.
A melhor tipologia para o Tabernáculo é o Senhor Jesus Cristo. Segundo o apóstolo João, Ele se fez carne e habitou entre nós (João 1:14). A expressão “habitou entre nós” pode ser também traduzida como “o Verbo tabernaculou entre nós”. Ele tornou-se o nosso Tabernáculo, como profetizou Isaías:
"Ele vos será santuário" (Is.8:14).
Observação:
O contexto bíblico indica que Jesus nasceu na Festa dos tabernáculos. Veja a sequência lógica dos fatos.
-A concepção de João Batista deu-se após a visitação do anjo Gabriel ter visitado Zacarias durante o seu serviço sacerdotal no Templo de Jerusalém. 
-Havia uma ordem para os turnos dos sacerdotes e levitas que serviam no Templo. Zacarias estaria então "de serviço" no turno que lhe competia, segundo a linhagem familiar descrita em 1Crônicas 24. Uma vez que ele pertencia à turma de Abias (Lucas 1:5), ele deveria terminar o seu serviço no Templo e voltar a casa para estar com a sua mulher Isabel em finais de junho/início de julho (Lucas 1:5; 13-19; 23-26).
-Isabel estava grávida de seis meses quando Maria engravidou pelo Espírito Santo. Pode-se então entender que ela teria engravidado no Inverno, talvez durante a Festa do Hanuká (mais ou menos no final de dezembro do nosso calendário).
-Nove meses depois seria a época dos Tabernáculos – Sucote.
-Portanto, Maria teria dado à luz a Jesus exatamente na época da Festa bíblica dos Tabernáculos, ou seja, final de setembro ou início de outubro do nosso calendário. 

3. A posição do exército de Israel em torno do Tabernáculo.

Deus tinha o propósito de morar no meio do seu povo; por isso, Ele ordenou que fosse organizado um modo de ter cada tribo próxima ao Tabernáculo. O propósito divino está resumido no texto de Êxodo 25:8, que diz:
"E me farão um santuário, e habitarei no meio deles".
Portanto, era o desejo de Deus habitar no meio do seu povo, e esse desejo seria efetivado com a construção do Tabernáculo, que foi montado no centro do acampamento de frente para o Oriente, isto é, para o nascer do Sol.
“Os filhos de Israel assentarão as suas tendas, cada um debaixo da sua bandeira, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, defronte da tenda da congregação, assentarão as suas tendas” (Êx.2:2).
Assim estavam posicionados os exércitos de Israel em torno do Tabernáculo, conforme Números 2:3-31:
A) DE FRENTE PARA A PORTA PRINCIPAL DE ACESSO AO TABERNÁCULO
Três tribos de Israel foram organizadas para guardarem a Porta: Judá (Nm.2:3), Issacar(Nm.2:5) e Zebulom (Nm.2:7). Os exércitos destas tribos estavam posicionados na porta principal do Pátio do Santuário. Juntos somavam 186.400 homens (Nm.2:9).
B) AO SUL
Na outra lateral do Tabernáculo, estabeleceram-se os exércitos de Ruben (Nm.2:10), Simeão(Nm.2:12) e Gade (Nm.2:14). Estes exércitos somavam 151.450 homens (Nm.2:12-16).
C) DO OESTE PARA O OCIDENTE
Na retaguarda do Pátio do Tabernáculo, três tribos foram estabelecidas: Efraim (Nm.2:18),Manassés (Nm.2:20) e Benjamim (Nm.2:22). Juntas somavam 108.100 homens (Nm.2:18-24);
D) AO NORTE
Na lateral do Tabernáculo, três tribos foram estabelecidas:  (Nm.2:25), Aser (Nm.2:27) eNaftali (Nm.2:29). Juntas, somavam 157.600 homens (Nm.2.25-31).
Isso representava a centralidade de Deus entre o seu povo. O total de homens que estavam em torno do Tabernáculo era de “seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta” (Nm.2:32).
Isto nos induz a entender que não podemos caminhar no deserto da vida, rumo à Terra Prometida (João 14:1-3; Fp.3:20), sem ter Deus como o centro de todas as esferas da nossa vida e decisões.

II. A CONSTRUÇÃO DA CERCA DO PÁTIO

O Tabernáculo era composto por várias peças diferentes, e a sua montagem tinha um caráter especial de unidade e singularidade.
Deus queria que o povo de Israel visse o Tabernáculo como um todo, e não como um amontoado de peças, para gerar no coração do povo a noção da unidade.
Entretanto, cada peça do Tabernáculo tem um significado espiritual, pois ele representa as realidades espirituais do Tabernáculo celestial.

1. O Cortinado de linho branco da cerca do Pátio.

9-…o pátio terá cortinas de linho fino torcido; o comprimento de cada lado será de cem côvados.
10-Também as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata.
11-Assim também do lado do Norte as cortinas na longura serão de cem côvados de comprimento; e as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata.
12-E na largura do pátio do lado do ocidente haverá cortinas de cinquenta côvados; as suas colunas, dez, e as suas bases, dez.
13-Semelhantemente, a largura do pátio do lado oriental, para o levante, será de cinquenta côvados,
14-de maneira que haja quinze côvados de cortinas de um lado; suas colunas, três, e as suas bases, três;
15-e quinze côvados de cortinas do outro lado; as suas colunas, três, e as suas bases, três.
16-E à porta do pátio haverá uma coberta de vinte côvados, de pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido, de obra de bordador; as suas colunas, quatro, e as suas bases, quatro.
Essas Cortinas eram fabricadas em linho fino e branco, simbolizando a perfeição da justiça de Deus.
A cerca tinha o comprimento de 45 metros e, aproximadamente, 22,5 metros de largura. Sua altura era de 2,20 metros. Esta altura formava uma barreira que impedia as pessoas de olhar para dentro do Pátio. Isto indicava o fracasso do ser humano em alcançar os padrões de justiça de Deus (Rm.3:23), e a incapacidade do pecador de ver e entender as coisas divinas (1Co.2:14).
As Cortinas eram suspensas em 56 colunas de bronze por meio de vergas e ganchos de prata.
Alguém de fora do Tabernáculo, ao contemplar essa cerca, poderia ter a sua mente inundada com as seguintes interrogações: "Se este é um lugar onde posso encontrar Deus e Ele quer encontrar-se conosco, por que há uma cerca, com altas cortinas, ao redor deste lugar? Isto significa que o pecador deve manter distância? Deus, o Ser sagrado, é inatingível? “.
Eu diria que essa Cerca de Cortinas altas não é para manter-nos fora da presença de Deus, mas é uma linha demarcatória que deve significar para nós: "Entre, estou esperando por vocês, quero me encontrar contigo ali". Mas, para chegar à presença de Deus tem um caminho a percorrer e ritos a serem exercidos.

2. Colunas, Cortinas e Varais do Pátio (Êx.27:10-12).

- As colunas. As colunas do Pátio prendiam as cortinas de linho branco. O propósito destas colunas era sustentar o linho branco, formando um "átrio" ao redor de todo o Tabernáculo. As colunas não eram estáveis por si mesmas, cada uma se apoiava numa fundação de cobre (ou bronze) que lhes dava sustentação, firmeza e força.
A Bíblia não diz, mas presume-se que as colunas eram feitas de madeira de acácia (ou cetim), porque esta foi a madeira usada do início ao fim na construção do Tabernáculo. Foram formadas a partir de árvores que vieram de todos os tipos de condição e lugares, mas agora estão todas ocupando os espaços que lhes foram designados. Cada coluna devia fazer sua parte.
De acordo com algumas traduções, as colunas eram conectadas umas às outras por meio de bastões. Assim, nenhuma ficava só, mas cada uma ajudava a suster a outra.
Isto nos ensina que um crente não pode falar a outro: "eu não preciso de você". No Corpo de Cristo: há unidade (um só corpo), diversidade (muitos) e interdependência (membros uns dos outros). Assim como nosso corpo não pode ser desmembrado, nós também somos membros uns dos outros. Os membros trabalham juntos para fazer todo o corpo funcionar e quando isso não acontece o corpo sofre.
As colunas eram simples, comuns, mas cada uma cumpria a parte que lhe cabia. Não eram necessariamente atraentes, vistosas, mas úteis.
Devemos perguntar: eu sou uma carga ou um carregador de cargas? Somos úteis no Reino de Deus ou somos obstáculos? Somos colunas úteis ou dispensáveis?
Certamente, somos colunas na Casa de Deus, sem se preocupar em impressionar os que estão de fora, mas com a Verdade que sustentamos, a Verdade que é Cristo.
Êxodo 27:17 nos diz que todas as colunas do Pátio eram “cingidas de faixas de prata”. Os seus colchetes eram de prata, mas as suas bases eram de cobre. O cobre representa o juízo contra o pecado. A prata representa o preço da redenção pago em nosso favor.
Quando um israelita reconhecia que ele havia pecado, e que isto o separava de Deus, se ele quisesse ser perdoado, iria buscar o seu lugar junto a Deus no Altar do sacrifício. Assim, a conscientização do pecado na vida do indivíduo leva-o a aproximar-se de Deus.
Colocamo-nos sobre base sólida se sabemos que nosso pecado foi julgado e que estamos redimidos, não pela prata ou ouro, mas pelo sangue de Jesus.
Olhando para as colunas, o observador crítico rapidamente encontra algo que o desagrada. Primeiro, pensaria ele: "Se este é um lugar tão sagrado, por que estas simples colunas ficam aqui no lado de fora onde todos veem suas imperfeições?". Seus troncos mostram as marcas ecicatrizes que receberam do clima agreste quando eram árvores plantadas no deserto.
A beleza repousa nisto: quando o pecador vem a Jesus Cristo em humilde confissão e arrependimento, há perdão total.
"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1João 1:9).
As bases e as colunas eram de bronze, que como símbolo, está ligado à ideia de julgamento, juízo. Estas sustentavam as cortinas.
O que suporta este juízo – o juízo de Deus - não é a autojustiça do homem, mas sim a justiça de Cristo, que tomou sobre Si o julgamento efetuado por Deus contra o pecado, que deveria, merecidamente, ter recaído sobre nós (Is.53:5; Rm.3:22).
"... justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm.3:22-24).
"Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm.5:1).
“Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is.53:5).
- As Cortinas (Êx.27:9). As cortinas, que cercavam todo o Pátio, eram de linho fino torcido, simbolizando a retidão, a pureza e atos de justiça (Ap.19:8; Ap.7:13,14) em meio a um mundo de impurezas e pecado. Era um símbolo de Cristo em toda sua pureza.
Ali, em meio ao deserto, as Cortinas de linho branco revelavam que a santidade e a pureza deviam ser manifestadas na Casa de Deus, na presença de Deus. Isto se aplica perfeitamente ao povo de Deus da Nova Aliança.
Logo vem a pergunta: "Como podemos nós, pecadores imundos, entrar na presença de um Deus tão Santo e achar favor perante Ele?".
A resposta está no Tabernáculo e sua mobília, que nos mostram o caminho para Deus e para uma perfeita comunhão com Ele.
O linho é uma fibra vegetal de origem terrena. Isto representa Jesus na Sua humanidade. Houve somente um Homem que era tão alvo e puro como estas cortinas: Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens (1Tm.2:5), Aquele que não conheceu pecado e em quem fomos feitos justiça de Deus (2Co.5:21).
A justiça de Deus exigiu sacrifício de sangue (Hb.9:22). Jesus pagou este preço ao dar a Sua vida.
"fostes resgatados... pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo" (1Pd.1:18,19).
"Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo" (Ef.2:13).
"A Cortina do átrio constituía, na verdade, uma barreira intransponível e, espiritualmente, é ainda hoje um obstáculo para o homem natural obter comunhão com Deus" (Floyd Lee Gilbert).
- Os Varais de prata. Os varais de prata encaixavam-se às colunas e ao cortinado da cerca. Faziam conexão com as colunas e davam segurança a todo o cortinado da cerca.
Isto indica que todo aquele que é justificado por Jesus Cristo está não apenas salvo, como também unido aos demais, assim como aquelas colunas estavam unidas.
A Obra Redentora de Cristo une os crentes (1Co.12:12,13; Ef.2:12-16).
“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1Co.12:12,13).
Tudo era metricamente encaixado; visava estabilidade e segurança. Como crentes em Cristo,temos nossa estabilidade em suas fiéis promessas (João 10:28-30; Rm.14:4; Ef.6:10-13; Cl.3:3).
“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef.6:10-13).
Portanto, as Colunas, as Cortinas e os Varais são elementos que didaticamente podem simbolizar a segurança, a estabilidade e a comunhão na vida cristã, produzidas pela Obra Expiatória de Cristo, na qual toda a justiça de Deus foi satisfeita (1Co.12:12,13; Ef.2:1216).
Temos a segurança da salvação (Rm.8:33-39). Estamos seguros em Cristo (João 10:28-30).
“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Rm.8:33-39).

III. A PORTA DO PÁTIO

1. A posição da Porta do Pátio.

A Porta do Tabernáculo estava localizada no lado oriental. Por que isto? A luz sempre nasce no Leste. Mateus também registra essa particularidade quanto ao nascimento de Jesus (Mt.2:1,2,9) - a grande Estrela da Manhã que surge no oriente.
“e perguntaram: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a adorá-lo” (Mt.2:2).
Outro texto está em Ezequiel 43:1,2,4,5.
“Então, me levou à porta, à porta que olha para o caminho do oriente. E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória” (Ez.43:1,2).
“a glória do SENHOR entrou no templo pelo caminho da porta cuja face está para o lado do oriente. E levantou-me o Espírito e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do SENHOR encheu o templo” (Ez.43:4,5).
Há aqui um estreito relacionamento entre a posição da Porta e a entrada da glória do Senhor. Portanto, Cristo é tipificado pela Porta do lado oriental.

2. A Porta do Pátio - tipificação da única Porta (Êx.27:16).

Para entrar no Pátio, havia apenas uma Porta. Na tipologia bíblica, a Porta é Cristo que veio a ser o acesso para todos os pecadores. Ele mesmo declarou: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á" (João 10:9).
Isto confirma toda a doutrina do Novo Testamento que tem em Cristo o único caminho de entrada possível para chegarmos ao Pai - "Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6).
A Porta, portanto, era e é o único meio de acesso a Deus (ver João 14:6; Atos 4:12; Ef.2:18).
“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).
Não basta que possamos descrever a Porta, precisamos entrar por ela e sermos participantes da misericórdia e da graça de Deus.
Jesus revelou-se como o único caminho para alcançar a graça de Deus. Ele, somente Ele, é o acesso para Deus.
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).

3. As quatro colunas e suas bases - uma tipificação do Evangelho (Êx.27:16).

-Há quatro pontos cardeais na bússola, todos eles mencionados nas Escrituras.
-Deus escolheu quatro homens para escrever sobre o Seu Filho como Deus e como Homem perfeito.
-Há quatro Evangelhos: Mateus mostra Jesus como Rei. Marcos mostra Jesus como o Servo fiel. Lucas apresenta Jesus como Varão Perfeito. João apresenta Jesus como Deus.
-Apocalipse apresenta quatro seres viventes e quatro anjos, cujos ministérios são universais, ou seja, nos quatro cantos da terra (Ap.4:6; 7:1).
Assim, podemos concluir que as quatro colunas da Porta de entrada no Tabernáculodeclaram universalidade de Cristo como a única Porta de acesso à presença de Deus Pai (Atos 4:12; Rm.3:21-24).

4. As Cores da cortina de entrada (Êx.27:16).

“E à porta do pátio haverá uma coberta de vinte côvados, de pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido, de obra de bordador; as suas colunas, quatro, e as suas bases, quatro”.
As cores da Cortina da Porta eram azul, púrpura, carmesim e branca.
- A cor Azul Celeste (Êx.27:16). Esta cor lembra o Céu. Jesus veio do Céu. Quando Ele falava sobre o Céu, referia-se a algo que lhe era muito familiar.
Enquanto Jesus esteve na terra, ainda assim viveu uma vida celestial. Através da leitura dos evangelhos podemos ver como é Deus e como é o Céu.
Uma pergunta me vem à mente: "Que vida celestial vivo eu aqui na terra?". Será que eu posso dizer que a minha "cidade está nos céus" (Fp.3:20)?
- A cor Púrpura (Êx.27:16). Esta cor nos lembra da realeza de Cristo. Declara que Ele é o Rei Eterno.
-Pilatos questionou o Senhor com respeito a isto: "... logo tu és rei?". Jesus respondeu: "... Eu para isso nasci..." (João 18:37).
Não foram muitos que reconheceram sua realeza enquanto Ele esteve na terra.
-O cego Bartimeu pode ver melhor do que aqueles que enxergavam, porque clamou: "... Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!" (Mc.10:47).
-Uma mulher pecadora que, vindo por trás, lavou-lhe os pés com suas lágrimas. Ela também o reconheceu como Majestade.
-Paulo disse em Filipenses 2:9-11: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai".
Jesus esvaziou-se desta glória enquanto esteve na terra, mas agora está assentado à direita do Pai.
"E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima, na glória" (1Tm.3:16).
“Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1Tm.1:17).
- A cor Carmesim” (Êx.27:16). Esta cor nos fala do sofrimento de Cristo. O carmesim é vermelho e lembra o Servo sofredor que derramou seu sangue pelos pecadores no Calvário (ver Is.42:1; 53:3-5).
O carmesim lembra a humilhação de Cristo (ver Fp.2:5-8).
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.
Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz”.
O Evangelho de Marcos é o que melhor identifica Jesus como o Servo sofredor, por isso ele escreveu especialmente para os romanos.
- A cor Branca. A cor Branca era predominante no Tabernáculo, representando pureza, limpidez e graciosidade. Ela também fala da santidade de Cristo.
Num sentido especial, o linho torcido é um tecido rústico e batido que lembra a humanidade de Cristo e o seu sofrimento em nosso lugar. Também lembra de que a sua morte tornou-se o fundamento da justiça a nosso favor.
Linho torcido lembra justiça, na terra; e Jesus fez-se justiça por toda a humanidade.
“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co.5:21).
“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm.5:18).

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto, devemos nos conscientizar de que devemos ter um estilo de vida onde Deus seja o centro. Assim como é o centro do povo de Israel, Deus é o centro da Igreja de Cristo e, consequentemente, o centro da nossa vida. Nada pode ocupar o lugar de Deus em nosso coração.
Devemos nos conscientizar de que Cristo Jesus é a única Porta de acesso à verdadeira vida. Como o pecador, que ao passar pela porta do Pátio tinha a esperança de ter o seu pecado perdoado, Jesus Cristo é o único caminho de reconciliação entre Deus e o homem.
Devemos nos conscientizar de que Deus é Santo e não podemos perder a perspectiva de santidade da Igreja de Cristo. Devemos tomar a consciência de santidade em nosso viver e aplicá-la em cada situação do cotidiano real. Isto pode significar, muitas vezes, mudar os hábitos já estabelecidos por anos.
Finalmente, devemos nos conscientizar de que estamos em Cristo, o qual nos reconciliou com Deus, e é a única Porta de acesso a Deus, é o único caminho para alcançar a vida eterna.
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Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 8 de abril de 2019

2ª lição do 2º trimestre de 2019: OS ARTESÃOS DO TABERNÁCULO



2º Trimestre/2019

Texto Base: Êxodo 31:1-11

 “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer" (1Co.12:11).

Êxodo 31:1-11
1-Depois, falou o SENHOR a Moisés, dizendo:
2-Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá,
3-e o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício,
4-para inventar invenções, e trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre,
5-e em lavramento de pedras para engastar, e em artifício de madeira, para trabalhar em todo lavor.
6-E eis que eu tenho posto com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todo aquele que é sábio de coração, para que façam tudo o que te tenho ordenado,
7-a saber, a tenda da congregação, e a arca do Testemunho, e o propiciatório que estará sobre ela, e todos os móveis da tenda;
8-e a mesa com os seus utensílios, e o castiçal puro com todos os seus utensílios, e o altar do incenso;
9-e o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a pia com a sua base;
10 - e as vestes do ministério, e as vestes santas de Arão, o sacerdote, e as vestes de seus filhos, para administrarem o sacerdócio;
11-e o azeite da unção e o incenso aromático para o santuário; farão conforme tudo que te tenho mandado.
INTRODUÇÃO
Dando continuidade ao estudo sobre o Tabernáculo trataremos nesta Aula a respeito da vocação para trabalhos especiais na obra de Deus. Deus chama pessoas específicas para realizar obras especiais, foi assim em toda história da humanidade. Na construção do Tabernáculo Deus precisava de pessoas para tratar de assuntos complexos, e para isso o Espírito de Deus precisa entrar em ação enchendo essas pessoas de sabedoria e habilidade. Deus precisava de artesãos habilidosos para construir o Tabernáculo; então, os escolheu e os encheu de sabedoria. O Tabernáculo era um projeto divino e Deus precisava de pessoas habilidosas para construí-lo; por isso, Ele separou essas pessoas e as usou de maneira graciosa. Não é diferente hoje, pois Ele continua a capacitar os escolhidos para a sua obra e espera que a façamos. Peçamos a Ele sabedoria e inteligência espiritual para realizar com perfeição a Sua obra neste mundo.
I. HOMENS ESPECIAIS PARA SERVIÇOS ESPECIAIS (Êx.31:1,2,6)
1. Bezalel e Aoliabe, chamados por Deus (Êx.31:2,6). Para construir o Tabernáculo conforme Deus tinha projetado era necessária bastante habilidade e sabedoria dos encarregados da obra. Deus escolheu e capacitou Bezalel e Aoliabe como artífices para construírem o Tabernáculo e todos os pertences deste. O primeiro era da Tribo de Judá; o segundo, da Tribo de Dã (Êx.31:2,6). Ambos foram capacitados pelo Espírito de Deus a fim de trabalharem em toda sorte de obra em ouro, prata, bronze e madeira.
 “Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício, para inventar invenções, e trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, e em lavramento de pedras para engastar, e em artifício de madeira, para trabalhar em todo lavor. E eis que eu tenho posto com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todo aquele que é sábio de coração, para que façam tudo o que te tenho ordenado” (Êx.31:2-6).
Além disso, esses dois homens também supervisionaram os outros trabalhadores envolvidos na construção (Êx.31:6b). Deus capacita as pessoas para cumprirem suas ordens. O próprio Senhor escolheu os trabalhadores, capacitou-os com habilidades e inteligência e os encarregou de executar uma obra para sua glória (Ex.31:6). A obra é de Deus, e o Senhor a realiza por meio de homens seletos e depois os recompensa por sua participação.
2. A prerrogativa de Deus (Êx.31:1-3) - “Depois, falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício”.
O texto é bem claro: “tenho chamado por nome a Bezalel”. Por que Deus chamou Bezalel? Talvez pelas suas habilidades nas artes. Deus conhece a natureza de cada pessoa e distribui talentos conforme a capacidade de cada um. Na Parábola dos talentos, estes foram distribuídos conforme a capacidade da década um: para um servo deu cinco talentos; a outro, dois e; ao terceiro, um (cf.Mt.25:14-30).
Para construir o Tabernáculo, Deus chamou pessoas inclinadas às artes e às ciências, capacitando-as para potencializar essas habilidades. Deus chamou Bezalel e o encheu do Seu Espírito, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício. Tratava-se de pessoa estratégica para fazer obras estratégicas na Tenda do Testemunho e em todos os seus móveis.
Deus chama a quem Ele quer para executar sua obra.
  • Ele preparou Moisés em seus primeiros 40 anos de vida no Egito a fim de ser um poderoso líder no deserto.
  • Preparou Elias em Querite(1Rs.17:3,5) e em Sarepta(1Rs.17:9,10), para depois fazer chover em uma terra assolada pela seca e fazer descer fogo do céu diante dos profetas de Baal.
  • Preparou Davi, junto das ovelhas, para ser rei de Israel.
Da mesma forma, na Nova Aliança, para cada crente salvo Deus tem uma chamada, e para cada chamada, uma forma de preparação, de capacitação.
  • Pedro foi convocado para exercer seu ministério entre os judeus (Gl.2:8).
  • Paulo foi convocado para exercer seu ministério entre os gentios (Rm.11:13).
Tratava-se de homens especiais para fazer obras estratégicas.
Cremos que Deus age em nossas vidas de acordo com seus propósitos. O Espírito Santo nos prepara para a chamada de Deus, de forma que estejamos sempre dependendo dEle ao longo do cumprimento de nossa vocação.
Cada um tem um trabalho na Seara do Mestre, e o Espírito Santo habitando em nós fará com que executemos este trabalho na forma por Ele pretendida, a fim de que almas sejam salvas e os crentes aperfeiçoados.
Se você tem um chamado de Deus em sua vida, prepare-se; faça a sua parte e deixe que o Senhor faça a dEle.
3. A pluralidade do Serviço cristão (Rm.12:4-11; 1Co.12:8-10,28). O Serviço é uma parte indissociável da vida do cristão salvo. Cada um na função que foi estabelecida pelo Senhor, temos de servi-lo: pregando o Evangelho; integrando os salvos na igreja local; aperfeiçoando os santos mediante o ensino da Palavra de Deus; adorando a Deus; buscando influenciar o mundo para que ele viva de acordo com a vontade de Deus; dando um bom testemunho para que os homens glorifiquem ao Senhor; ajudando o próximo, tanto material quanto espiritualmente; lutando pela preservação da sã doutrina e pela manutenção de uma vida avivada na igreja local a que pertencemos. Há, portanto, uma pluralidade do serviço cristão. Deus tem dado a cada servo, conforme a sua capacidade, talentos para serem usados no Reino de Deus. Diz o apóstolo Paulo em Rm.12:4-11:
4. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
5. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
6. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
7. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.
8. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;
9. e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;
10. e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.
11. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Portanto, todo povo chamado e constituído por Deus é um povo que tem no trabalho, no serviço, um ponto característico. A Igreja, o povo de Deus da Nova Aliança, não é exceção; muito pelo contrário, Jesus sempre deixou bem claro que os seus discípulos deveriam ser pessoas que estivessem prontas e dispostas a servir, a executar tarefas para a glória do nome do Senhor. Ao sintetizar o que significa ser seu discípulo, Jesus foi bem claro ao mostrar que ser discípulo de Jesus é ser servo, é ter de executar um serviço, uma tarefa determinada pelo Senhor.
O Senhor, depois de haver libertado um homem possesso de espíritos malignos disse-lhe: “Vai para tua casa, para os teus, e conta-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez e como teve misericórdia de ti” (Mc.5:19). Esse homem obedeceu ao chamado de Jesus e divulgou a boa-nova de salvação em sua terra e em sua parentela - “E ele foi e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se Maravilhavam” (Mc.5:20).
Na parábola dos dois servos, Jesus nos mostra, claramente, que cada salvo é um servo e que todo servo é alguém que tem de servir, que tem de prestar um serviço, serviço que deve ser segundo um modelo, um padrão estabelecido pelo Senhor. Disse Jesus: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim”(Mt.24:46). Disse Moisés ao povo de Israel: “Agora, pois, que é que o Senhor, teu Deus requer de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”(Dt.10:12). Estas palavras foram ditas ao povo de Israel, mas se aplicam, literalmente, a todos nós que pertencemos à Igreja do Senhor.
Requisitos para o Serviço cristão. Consideremos alguns requisitos para servirmos ao SenhorJesus Cristo.
Ø  Disposição e desprendimento. Simão e André, logo quando o Senhor os chamou deixaram imediatamente as redes e O seguiram (Mt.4:20). Pouco depois, Tiago e João também deixaram o barco, o pai e os empregados, e "seguiram após Jesus". Houve boa vontade e decisão. Nem todos os discípulos de hoje são chamados a deixar os seus afazeres materiais para servirem o Senhor, mas todos devem servi-lo com a mesma disposição e desembaraço como o fizeram os primeiros discípulos. Infelizmente, muitos dos discípulos de hoje estão completamente presos aos seus interesses materiais, mas nem estes, nem laços de família deveriam ser obstáculos ao obreiro cristão – “Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”(2Tm.2:4).
Ø  Diligência no trabalho. O Senhor chamou homens laboriosos, que estavam em plena atividade. Nenhum preguiçoso pode ser um obreiro cristão. Homens como Moisés, Bezalel, Aoliabe, Gideão, Davi, os apóstolos, e muitos outros, foram tirados do seu trabalho secular para desempenhar a grande função espiritual que Deus lhes deu. Assim, o obreiro que queira trabalhar exclusivamente no Evangelho, deve antes provar que é capaz de ganhar o seu próprio sustento mediante trabalho honesto e laborioso; só então poderá ser sustentado pelo povo de Deus.
Ø  Comunhão com o Senhor. Disse o Senhor: "Vinde após Mim"; e em Marcos 3:14, lemos que o Senhor os chamou "para que estivessem com Ele e para que os enviasse a pregar". Era preciso conhecê-lo, aprender dEle, do seu amor e compaixão, de sua espiritualidade e submissão ao Pai, de sua santidade e pureza, e de sua paixão pelas almas. Mais tarde, quando aqueles homens humildes compareceram perante o Sinédrio e testificaram com tanta ousadia, os magistrados reconheceram cheios de admiração que eles haviam estado com Jesus (At.4:13).
Ø  Habilidades para o Serviço (Ef.4:11-16). O Senhor disse: "Eu vos farei pescadores de homens"(Mt.4:19). De fato, é o Senhor quem nos prepara e nos habilita para o seu serviço. A Bíblia diz que Ele nos concede dons "com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do serviço, para edificação do corpo de Cristo". Os discípulos foram preparados aos pés dEle, o mais paciente e amoroso dos mestres. É aos pés dEle, também, que nós devemos nos preparar em oração e estudo das Escrituras Sagradas, particularmente, nas reuniões de estudo, com auxílio de literatura e todos os recursos ao nosso alcance.
Não rejeitemos a oportunidade de nos preparar intelectualmente quando for possível.Moisés foi instruído "em toda a ciência dos egípcios"(At.7:22), e isto, embora não fosse o único elemento de sua preparação, pelo menos foi um dos elementos. Daniel era "instruído em toda sabedoria, douto em ciência e versado no conhecimento" (Dn.1:4), e foi assim que pôde testificar do grande Deus ao rei e aos grandes da Babilônia. Paulo era versado tanto na Palavra quanto em letras humanas, tanto que foi considerado "homem de muitas letras" pelo governador Festo (At.26:24).
 II. CHEIOS DO ESPÍRITO, SABEDORIA, ENTENDIMENTO E CIÊNCIA (Êx.31:3-5)
“e o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício, para inventar invenções, e trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, e em lavramento de pedras para engastar, e em artifício de madeira, para trabalhar em todo lavor”.
1. Cheios do Espírito para realizar a obra de Deus (Êx.31:3) - “e o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência em todo artifício”.
Bezalel e Aoliabe foram escolhidos e cheios do Espírito Santo, e especialmente dotados por Deus de habilidade e sabedoria para a construção do Tabernáculo e seus móveis, conforme Deus tinha projetado.
O significado do nome Bezalel é: “debaixo da sobra de Deus”. O significado de Aoliabe é: “o Pai é a minha tenda”. Pelos significados dos nomes, podemos deduzir que Deus desejava que estes homens vivessem em estreita comunhão com Ele, e que estivessem plenamente sob Seu controle. Isto nos ensina que para realizarmos a Obra de Deus, precisamos estar capacitados pelo Espírito Santo e submetidos ao seu domínio. Nessa perspectiva colocamos todas as nossas habilidades aprendidas nas escolas, nas faculdades e na jornada da vida a serviço do Rei Jesus.
-“O enchi do Espírito de Deus”. O que é ser cheio do Espírito de Deus?
Em primeiro lugar, lembremos de que o Espírito Santo é uma Pessoa, a terceira Pessoa da Trindade (2Co.13:13), entretanto, a julgar pelo que alguns evangelistas, pastores e obreiros têm praticado em seu ministério, temos a impressão de que, para eles, o Espirito Santo é qualquer coisa, menos uma Pessoa.
Ø  Muitos agem como se o Espírito Santo fosse uma espécie de gás celestial, que desce do céu e enche as pessoas ou um determinado ambiente; ou ainda um líquido divino, que é derramado sobre as almas, como se elas fossem uma espécie de recipiente vazio.
Ø  Outros têm tratado o Espírito Santo como se fosse um vento e chegam ao ponto de se apresentarem como sendo capazes de “soprar” o Espírito Santo, ou de lançá-lo sobre os outros. Essas pessoas que fazem isso apelam para a ocasião quando Jesus soprou sobre os discípulos, após a sua ressurreição e disse: “recebam o Espírito Santo” (João 20:22). Mas somente Jesus pode conceder o Espírito pelo seu próprio sopro, assim como Deus concedeu vida ao homem, soprando-lhe nas narinas (Gn.2:7). Nenhum apóstolo de Cristo soprou sobre os discípulos para lhes conceder o Espirito, nem ensinaram às igrejas esse tipo de procedimento.
Ø  Outros têm tratado o Espirito Santo como se fosse uma espécie de energia celestialcomo uma corrente elétrica. Um determinado pregador no Brasil se referiu à reação à obra do Espirito Santo como sendo uma “eletrificação”. Dizia ele que o resultado da plenitude do Espirito faz com que você sinta choques elétricos e seja capaz de causar choques elétricos nos outros.
O que essas coisas têm em comum é que em todas elas a “personalidade” do Espírito Santo é perdida de vista. Inconscientemente (pois creio que essas pessoas, em sua teoria, creem que o Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade) tratam o Espirito Santo como algo impessoal, uma espécie de força ou uma coisa sobre a qual nós temos algum controle.
Considerando que o Espirito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, entende-se que ser cheio do Espirito santo é ser plenamente controlado por Ele, de forma tão completa que todas as áreas da nossa existência fiquem sob seu domínio, e que o fruto do Espirito – amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio, enfim, santidade – encha nossa existência, como um vazo é enchido até em cima. Esse conceito de que ser “cheio do Espírito Santo” significa ser controlado pelo Espirito Santo está bastante claro na passagem bíblica de Efésios 5:18, quando Paulo assim exorta:
“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”.
Aqui, Paulo faz uma comparação contrastando alguém que está embriagado com alguém que está cheio do Espírito Santo.
A embriaguez consiste no domínio ou controle de alguém pelos efeitos do álcool. Quando alguém está embriagado, o álcool já subiu à sua mente através da corrente sanguina e já dominou de tal maneira o seu cérebro que tudo que a pessoa fizer – as suas palavras, as suas reações, as suas emoções, os seus sentimentos, as suas decisões – será realizado sob o efeito do álcool. A pessoa embriagada já não percebe mais o que fazer; ela perdeu todo o controle de sua vida, pois está dominada por esse agente externo, que é o álcool. Eu creio que esse paralelo entre essa situação e o ser cheio do Espírito Santo está evidente em Efésios 5:18. Uma pessoa que é controlada pelo Espírito Santo terá suas palavras, suas ações, suas reações, e seus sentimentos de tal maneira influenciados pelo Espirito Santo, que eles refletirão o caráter santo do Espirito.
Obviamente, existe uma profunda diferença entre estar embriagado e estar controlado pelo Espirito Santo. No estado de embriaguez, a pessoa perdeu todo o domínio próprio, ao passo que, quanto mais estivermos submetidos ao controle do Espírito Santo, mais teremos domínio próprio.
Diante do que foi explanado, podemos chegar à seguinte conclusão: Se ser cheio do Espirito Santo é submeter-se ao seu controle de tal maneira que todo o viver seja influenciado por Ele, evidentemente, o resultado imediato de uma vida controlada pelo Espírito Santo será a santidade. Já que o Espírito é santo, o efeito mais visível do seu controle na vida de alguém será o de santidade.
2. Habilidades especiais para obras especiais (Êx.31:4,5) – “para inventar invenções, e trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, e em lavramento de pedras para engastar, e em artifício de madeira, para trabalhar em todo lavor”.
Para realizar trabalhos especiais na Obra de Deus é preciso ter habilidades especiais por intermédio do Espírito Santo. Bezalel e Aoliabe foram escolhidos e cheios do Espírito Santo, e dotados por Deus de habilidades especiais e sabedoria para obras especiais no Tabernáculo. Não podemos esquecer que a grande maioria dos israelitas tinha experiência laboral apenas nas olarias do Egito; a sua principal tarefa era fazer tijolos, durante seu cativeiro no Egito (Ex.1:11.14; 5:7,8). Portanto, não estavam qualificados para trabalhos artesanais como os requeridos para a construção do Tabernáculo. Portanto, Bezalel e Aoliabe não foram escolhidos por suas habilidades, mas foram escolhidos e então as habilidades foram dadas a eles. Primeiramente Deus os chamou e, então, os capacitou. Muito embora o texto não especifique quando esta vocação foi feita (Êx.31:2 – “chamei pelo nome”) é possível que tenha ocorrido ainda no Egito, onde, nem sequer imaginavam como seriam úteis um dia.
Aprendemos, aqui, o seguinte: aqueles a quem Deus chama para um determinado trabalho, Ele mesmo capacita. À medida que os cristãos vivem de acordo com seus dons espirituais e suas habilidades, eles não mais trabalham pelas próprias forças, mas o Espírito Santo de Deus trabalha neles e através deles. É verdade que os dons de Deus não dependem de habilidades naturais, no entanto, o Senhor chama pessoas que tenham habilidades especiais para potencializá-las e, assim, executarem serviços complexos na igreja local.
III. USANDO OS TALENTOS PARA A GLÓRIA DE DEUS
1. Os talentos (habilidades) de Bezalel e Aoliabe. O Senhor Deus escolheu estes dois homens e os encheu do seu Espírito (Êx.31:3). Foi pela unção do Espírito Santo que eles receberam habilidade para desempenhar todo o serviço especializado a ser executado no Tabernáculo. Enquanto estes homens trabalhavam, com uma habilidade dada por Deus, o projeto e o esboço tomavam forma. Eles teriam de fazer o Tabernáculo da maneira como fora mostrado a Moisés no Monte Sinai. Como escultores, artesãos, carpinteiros e marceneiros, estes dois homens eram especialistas, e tudo quanto fizeram no Tabernáculo, independentemente da estrutura, da estética e da beleza de seus trabalhos, eram feitos para a glória de Deus. Os dons que receberam não foi para beneficio próprio, mas para glória de Deus. Os dons que eles receberam não foram presentes, mas instrumentos de trabalho para glória de Deus, para fazer aquilo que Ele determinou. Está escrito: "A manifestação do Espírito Santo é concedida a cada um visando um fim específico"(1Co.12:7).
Assim como estes dois homens, submetidos ao controle do Espirito Santo, teriam de fazer as obras do Tabernáculo da maneira como fora determinado por Deus, de igual modo, o Senhor está fazendo um trabalho na Igreja nos dias de hoje “no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef.2:21,22).
2. Os talentos revelados na Igreja (Mt.25:14,15). O pastor Elienai Cabral coloca como ilustração a parábola dos talentos, exarada em Mateus 25:14-30. Conquanto esta passagem trate acerca da volta de Jesus, ela é uma bela ilustração para mostrar o que Deus espera que nós façamos com a nossa vocação. Na parábola, Jesus conta a história de um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. Para um servo deu cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um.
O que Deus exigiu de Bezalel e Aoliabe também está contemplado na Parábola dos Talentos. Certamente, estes dois homens tinham a consciência que as suas habilidades foram dadas pelo Senhor como instrumento de trabalho na obra do Senhor. Essas habilidades não foram dadas como presentes, mas como dons de Deus para ser usados na Sua Obra e para Sua glória. Os Dons não são dados como se dá uma joia para ser usada como adorno, ou enfeite; não é, também, uma medalha usada como condecoração para ser exibida no peito, e que só serve para chamar a atenção para a pessoa que a usa. Sendo instrumento de trabalho, usar, ou não usar o Dom, não é uma questão de querer; Deus dá para ser usado como instrumento de trabalho.
Na Parábola está bem claro que não houve doação, não foi um presente. Os bens continuaram sendo do dono da casa, ou seja, do homem que partiu “para fora da terra”, o qual “muito tempo depois, veio o Senhor daqueles servos, e ajustou contas com eles”. Perceba que “muito tempo depois”, quando ele retornou, ele continuava sendo o Senhor e continuava sendo o dono dos bens “entregues” aos seus servos. Também os servos tinham consciência de que não eram donos daqueles bens. Servo não pode considerar nada como sendo seu. Tudo que estiver em seu poder é propriedade de seu senhor.
Pelo exposto na Parábola, os servos entenderam que os talentos recebidos eram bens do seu senhor. Os fieis servos procuraram trabalhar da melhor maneira possível; é assim que fazem os servos fiéis ainda hoje. Quanto ao servo negligente, ou o “mau servo”, também tinha consciência de que aquele talento não era seu, e que, no futuro, teria que prestar contas ao seu senhor; por isto, “cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”. Portanto, nenhum deles entendeu que tinha recebido um prêmio pelos serviços prestados, ou um presente pessoal. Sabiam ter recebido os talentos para trabalharem com eles; sabiam ter em mãos um instrumento de trabalho que lhes fora entregue por seu senhor.
O senhor da Parábola distribui os talentos de acordo com a capacidade de cada servo:
Ø  O que recebeu cinco talentos (Mt.25:16,19-21). Este foi o que recebeu mais talentos, dentre os três. Nota-se que era o mais capacitado, tanto que logo após a saída do seu senhor, foi imediatamente aplicar o talento que recebera, sabendo que o tempo é curto e não sabia quando o seu senhor voltaria. O seu esforço foi 100% recompensador, pois produziu mais 05(cinco) talentos (Mt.25:16,20). Isto significa que o verdadeiro cristão esmera-se em aplicar os seus talentos, procurando produzir o máximo que puder para o Senhor Jesus, sabendo que o seu galardão é certo(1Co.15:10).
Ø  O que recebeu dois talentos (Mt.25:17,22,23). Este servo recebeu com bom grado os dois talentos, e não demonstrou nenhuma inveja ou ciúmes do que recebera cinco, pois sabia de sua capacidade de produção. O Senhor sabe perfeitamente quantos talentos ou dons podemos administrar. Ele conhece a estrutura de cada indivíduo (Sl.103:14), pois Ele fez a cada um de nós e nos acompanhou desde a nossa geração(Sl.139:13-16). Sendo assim, tem condição plena para dar os talentos segundo a capacidade de cada um, sem qualquer condição de errar, pois é o único que nos conhece perfeitamente (Sl.103:14). Este servo não quis saber porque recebeu apenas dois talentos, pelo contrário, trabalhou com máxima dedicação e o incremento foi igual ao do primeiro servo, ou seja, 100%.
Ø  O que recebeu apenas um talento (Mt.25:18,24,25). O servo negligente recebeu um talento apenas, mas não é por isso que foi considerado mau; ele gozava da plena confiança do seu senhor, tanto quanto os outros dois, a ponto de também lhe ser confiado um talento. A confiança do senhor era igual para todos os servos. O servo que recebeu um talento só tinha recebido um talento em virtude de sua capacidade, de sua aptidão. Portanto, em nada era diferente dos demais. Isto é importante deixar bem claro: o senhor não fez acepção de pessoas, mas foi justo na distribuição. Entretanto, ao contrário dos outros dois servos, este, ao receber o talento, traiu a confiança do seu senhor, não negociando, o que, em primeiro lugar, representa desobediência ao mandado do senhor, pois, a ordem de negociar, embora não tenha sido explícita por Jesus na parábola dos talentos, deve ser inferida, na medida em que o senhor, na prestação de contas, chama o servo de infiel. A infidelidade é consequência da desobediência. O senhor havia se ausentado, mas continuava sendo o senhor, e o servo, mesmo tendo recebido o talento, continuava sendo servo e, portanto, lhe era necessário a obediência. A manutenção de nossa comunhão com o Senhor, mesmo estando ele ausente, depende da obediência. Obedecer é se manter em posição de vigilância, é se credenciar para o reino dos céus.
Portanto, os Dons de Deus não se tornam propriedade daquele que os recebe; são dados para serem usados na Obra de Deus. A negligência, ou dolo pela não utilização, ou pelo uso indevido por parte de quem os recebe resultará em consequências negativas quando o Dono exigir a prestação de contas, tal como aconteceu na referida Parábola, a saber: “Lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá planto e ranger de dentes”(Mt.25:30).
Assim, meu irmão, se você recebeu um, ou mais Dons, eles não lhes foram dados para você exibir sua espiritualidade, mas, para você mostrar serviços na Obra de Deus. Tampouco, você não pode enterrá-los.
Paulo falando a respeito dos Dons Espirituais, conhecendo a importância deles e a responsabilidade de quem os recebe, disse: “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”(1Co.12:1). Ser ignorante é não ter conhecimento a respeito de algum assunto (ex.: agricultura, medicina, construção, computadores). O apóstolo Paulo diz que não quer que sejamos ignorantes a respeito dos dons espirituais; é algo que precisamos conhecer. Portanto, se você receber um Dom e não usá-lo, ou se usá-lo diferente do que é exigido pela Bíblia, você não será considerado inocente. Pense nisto!
CONCLUSÃO
Que possamos, no momento da prestação de contas, sermos achados fiéis e diligentes, e não servos negligentes. Diz o Senhor: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim” (Mt.24:46). Que naquele Dia, no Tribunal de julgamento de nossas obras, possamos ouvir a seguinte mensagem do nosso Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor!” (Mt.25:21).
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Fonte: Luciano de Paula Lourenço