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quarta-feira, 6 de julho de 2022

2ª lição do 3º trimestre de 2022: A SUTILEZA DA BANALIZAÇÃO DA GRAÇA.




Texto Base: Efésios 2:4-10

 

 “Porque pela graça sois salvos por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2:8).

Efésios 2:

4.Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

5.estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

6.e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

7.para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

8.Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.

9.Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

10.Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos sobre a graça de Deus, o bem mais sublime da Igreja; mas, infelizmente, tem sido banalizado por muitos que cristãos dizem ser, principalmente nestes últimos dias em que as sutilezas de Satanás têm se manifestado com maior intensidade. A graça, do grego “charis”, é um favor imerecido concedido por Deus à humanidade; imerecido, porque o homem perdeu todo e qualquer direito, ou privilégio junto ao seu Criador, por causa do pecado. Apesar do pecado, Deus mostrou seu amor em relação ao homem por intermédio da sua graça. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. Portanto, a todos quantos crerem na obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na graça de Deus. Infelizmente, a doutrina da graça tem sido mal compreendida e, portanto, mal assimilada e, consequentemente, desvirtuada. Nesta Aula, temos o propósito de analisar a graça de Deus no sentido bíblico, histórico e contemporâneo. Que possamos nos conscientizar de que a graça é um bem precioso de Deus para a nossa vida e, por isso, não pode ser banalizada.

I. COMPREENDENDO A GRAÇA

1. A graça é divina

Diz o texto sagrado: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11). A graça tem origem em Deus, portanto, ela é divina; ela é a fonte da justificação do homem (cf. Rm.3:24; Ef.2:8). Quando somos justificados, somos atingidos pela graça divina (Rm.5:18), graça que sobrepuja a nossa velha natureza, de tal sorte que o apóstolo diz que “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm.5:20). Também na vida do justificado a graça reina pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor (Rm.5:21). A graça, portanto, passa a ser o critério do nosso relacionamento com Deus. Somos, a todo momento, atingidos pelo favor imerecido do Senhor. É por este motivo que o tempo em que vivemos é denominado de “dispensação da graça” (cf. Ef.3:2), ou seja, o período em que o relacionamento de Deus para com o ser humano é regido pela “graça”, pelo favor divino em relação ao homem que não leva em consideração os méritos humanos.

2. A graça é imerecida

A Salvação não se dá por nenhum mérito humano, mas que ela é resultado do favor divino, um favor que o homem, por ter pecado, não merece receber; este favor imerecido é a Graça de Deus. Como diz o apóstolo Paulo aos efésios: “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef.1:8). A nossa salvação, portanto, é resultado desta graça, ou seja, do favor imerecido de Deus à humanidade pecadora. A graça de Deus traduz a bondade do Senhor e o seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador; mesmo assim, Deus mostra seu amor em relação ao ser humano, por intermédio da sua graça. A todos quantos crerem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na maravilhosa graça de Deus.

É importante dizer que a maravilhosa graça de Deus não abrange somente a salvação do ser humano, ela também abraça todos os elementos que sustentam a vida na Terra; chamamos esse favor de Deus de Graça Comum. Sem a Graça comum, ou Universal, que é um favor imerecido que ele quis e continua concedendo ao homem, não haveria vida sobre a terra. Deus, através de sua Graça Comum, abençoa todos os homens, crentes e incrédulos; foi o que o Senhor Jesus deixou claro, quando afirmou: “... porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt.5:45). Assim, quer o homem saiba disto, ou não; quer reconheça ou não a misericórdia de Deus; quer seja grato ou não, a sua vida está nas mãos de Deus e é sustentado pela sua graça. É Deus quem controla o dia e a noite, que administra as estações do ano, que mantém a regularidade dos movimentos de rotação e translação da terra, que mantém o equilíbrio da cadeia alimentícia, que regula o sistema de defesa do corpo humano, entre tantos outros benefícios concedidos pela sua Graça Comum, ou Universal. Por isto, nós que conhecemos a Palavra de Deus, dizemos que “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22).

II. A GRAÇA NO CONTEXTO BÍBLICO

1. A necessidade da graça

Há uma imperiosa necessidade da graça de Deus, pois todos pecaram e destituídos estão da gloria de Deus (Rm.3:23). Tendo caído no pecado, o homem não podia por si mesmo se libertar. Uma das consequências advindas da Queda foi a necessidade da satisfação da justiça divina. Por isso, a justiça de Deus exige a punição do pecado, mas o amor de Deus pela humanidade levou-o a prover um meio para salvar o ser humano, e este meio foi a cruz (1Tm.2:5; João 3:16). Jesus se apresentou como a essência da graça de Deus, e morreu numa rude cruz por toda a humanidade. Portanto, sem a graça não haveria salvação do ser humano.

A argumentação de Paulo em Romanos 3:9-20 é: todos os homens são culpados diante de Deus, todos estão debaixo da condenação do pecado (Rm.3:9). Paulo é enfático no seu diagnóstico acerca do estado deplorável em que se encontra o ser humano. O pecado atingiu todo o seu ser: corpo e alma. O pecado enfiou seus tentáculos em todas as áreas de sua vida: razão, emoção e volição. Todo o seu ser está rendido ao pecado e a serviço do pecado. O homem está chagado da cabeça aos pés.

Mas, o maior resultado da salvação operada por Jesus é o perdão dos pecados e a reconciliação do pecador com Deus. O perdão não é uma concessão automática, precisa ser pedido; veja a atitude do servo da Parábola do credor incompassivo (Mt.18:23-35): “Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo...”. O servo se ajoelho e pediu. Não se pede perdão com a cabeça erguida e “batendo no peito”. Quem pede precisa reconhecer que deve e que não pode pagar. O perdão não pode ser negociado, mas pedido. Para pedir é preciso saber se humilhar, e, aquele que se humilha, conforme afirmou o Senhor Jesus, será exaltado (Mt.23:12). E foi isto o que fez o rei Davi, quando pecou – “Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande” (Salmo 25:11). Assim, para ser perdoado, o homem precisa ter consciência do seu pecado, precisa querer livrar-se dele, saber que não conseguirá fazer isto por si mesmo; deve se humilhar e pedir o perdão para quem tem o poder de perdoar. Se o servo mau, da referida Parábola, não tivesse pedido, também não teria sido perdoado; mas, como ele se humilhou, e pediu misericórdia, “então, o senhor daquele servo, movido de intima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida”.

2. A extensão da graça

A graça é universal, destina-se a todos os homens; é o que o texto sagrado explicita: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Neste “todo aquele” não há exclusão de ninguém. Todos podem crer, e Deus quer que todos creiam, pois “a graça de Deus se há manifestada, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1Tm.2:3,4); porém, é bom entender que essa Salvação é condicional, ou seja, exige-se do ser humano arrependimento de coração (At.15:9; Rm.3:28; 11:6), e que a pessoa deve confessar a Cristo como único e suficiente Salvador (Rm.10:9).

A graça é universal, mas não é universalista. Há uma tendência atual de afirmar que, no final das contas, Deus, em sua graça, salvará a todos os perdidos, mesmo aqueles que jamais responderam (e mesmo rejeitaram) o sacrifício de Cristo. Essa perspectiva teológica, bastante cultivada atualmente, denomina-se de “universalismo”. Esse ensinamento é totalmente falso. O arrependimento sempre foi e continuará sendo uma prerrogativa àqueles que querem ser salvos. Veja os seguintes trechos bíblicos que comprovam tal fato:

- “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc.16:16).

- “Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31).

- “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados” (At.2:38).

- “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (Atos 3:19).

Desta feita, não faz qualquer sentido a posição dita “universalista”, segundo a qual toda a humanidade, mais cedo ou mais tarde, alcançará a salvação, mesmo na eternidade, visto que, como é desejo de Deus a salvação de todos os homens, não há como alguém ser eternamente condenado, pois isto implicaria em admitir que Deus não poderia salvar a todos ou não cumpriria os seus propósitos ou, ainda, que o sacrifício de Cristo foi limitado em seus efeitos. Este argumento é falacioso, pois Deus tem compromisso com a sua Palavra e, ao apresentar uma promessa condicional, tem de fazer prevalecer, pela sua fidelidade, o que prometeu.

III. A GRAÇA NO CONTEXTO DA REFORMA

1. A corrupção da doutrina da gra­ça

A Igreja começou muito bem, fundamentada na doutrina dos apóstolos e profetas, mas no decurso do tempo, a Igreja tomou outro rumo diferente daquele que os apóstolos pregavam. A doutrina da graça começou ser corrompida, desviando-se totalmente do seu status original. O mundanismo entrou na Igreja, introduzido pelos líderes corruptos.

Com a degradação cada vez maior da doutrina da graça, a Igreja ficou muito mal, no aspecto espiritual, e a depravação moral pôs em risco a existência da fé cristã. A exploração da fé cristã denegriu a Igreja, inundada por dogmas heréticos. A partir do século XI, a comercialização da fé cristã foi intensificada pelo papado, mediante as procissões, peregrinações e indulgências. Tal prática prometia amenizar ou extinguir o tempo de penitência dos devotos no purgatório. A salvação pelas obras havia substituído a salvação pela fé. A Igreja precisava urgentemente de uma reforma radical; então Deus levantou um homem de dentro do lamaçal da Igreja para tornar isso uma realidade; Deus levantou Lutero como cabeça dessa reforma. De uma forma direta, pode-se afirmar que a Reforma surgiu como uma resposta ao enfraquecimento, deturpação e negação da doutrina da graça, a qual havia sido totalmente desconfigurada.

2. A restauração da doutrina da graça

No dia 31 de outubro de 1517 Martinho Lutero enviou as suas 95 teses para o Arcebispo de Maiz dando início a um dos eventos mais importantes da história da Igreja: a Reforma Protestante. Lutero que era um monge da Igreja Católica, se levantou após notar que os dogmas da Instituição na época eram opostos aos ensinamentos bíblicos. A Reforma então marca um movimento focado em trazer a centralidade bíblica de volta para a Igreja, e propulsar a restauração da doutrina da graça. 

De todas as novas proposições teológicas que os cristãos protestantes adotaram em oposição a Igreja Católica, 5 pilares foram destacados como essência da reforma. Essas doutrinas se popularizaram como os 5 Solas da Reforma Protestante, dentre elas estava a Sola gratia, que significa: somente a graça. Na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual. 

Ao enfatizar o ensino da sola gratia, os reformadores pretendiam refutar o parecer comum de que a salvação se dava pela obra de Cristo somada à obra meritória dos homens. Ao entender o estado de miséria humana diante de Deus, compreende-se que não há nada que se possa fazer para conquistar o favor divino. 

Precisamos ter cuidado, pois o inimigo não se fadiga. Ele enganou muita gente da Igreja ao longo de sua história, e não se cansará em arregimentar um exército de pessoas que o acompanharão ao inferno. O objetivo principal do diabo é separar o homem de Deus. Destinado à destruição, ele quer tomar a maior parte possível da criação, principalmente a principal obra da criação - o ser humano. Entre as razões pelas quais nós precisamos tão desesperadamente da graça de Deus, está o fato de que nós travamos um combate mortal com um inimigo superior. Precisamos da ajuda de Deus para resistir às artimanhas deletérias de Satanás e nos aproximar de Deus.

IV. A GRAÇA NO CONTEXTO CONTEMPORANEO

1. A graça barateada

Segundo o ensino das Sagradas Escrituras, a graça jamais pode ser vista como um salvo conduto para a prática do pecado ou da libertinagem. Diz o apóstolo Paulo: ”Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl.5:13).

A liberdade cristã não é uma licença para pecar, mas o poder para viver em novidade de vida. A liberdade cristã não é licenciosidade, mas deleite na santidade. A liberdade cristã é a liberdade irrestrita para aproximar-se de Deus como seus filhos, não uma liberdade irrestrita para chafurdar em nosso egoísmo.

A licenciosidade desenfreada não é liberdade alguma, é outra forma mais terrível de servidão, uma escravidão aos desejos de nossa natureza caída. Enfim, a liberdade cristã não é liberdade para pecar, mas liberdade de consciência, liberdade para obedecer. O cristão salvo pelo sangue de Cristo é livre para viver em santidade.

Muitos defendem a liberdade do amor livre, a prática irrestrita do aborto, o uso indiscriminado das drogas e o homossexualismo, porém, isso não é liberdade, é escravidão. Jesus disse que aquele que pratica o pecado é escravo do pecado (João 8:34).

À época de Paulo, os inimigos da graça apresentavam um argumento supostamente irrefutável: “Se a graça é superabundante onde o pecado é abundante, se a multiplicação das transgressões serve para demonstrar o esplendor da graça, então não deveríamos pecar mais para que Deus seja ainda mais glorificado na magnificência da sua graça?”. Esta pergunta retratava tanto a distorção antinomiana como a objeção dos legalistas à doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, independentemente das obras.

A inferência licenciosa é imediata e energicamente rejeitada por Paulo; responde o apóstolo: “De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm.6:2). De acordo com esta resposta de Paulo, não podemos continuar a pecar porque morremos para o pecado. Trata-se de um fato acerca de nossa condição. Quando Jesus morreu para o pecado, Ele o fez como nosso representante; morreu não apenas como nosso substituto, ou seja, por nós e em nosso lugar, mas também como nosso representante, ou seja, como se nós estivéssemos lá. Assim, quando Ele morreu, nós também morremos. Ele morreu para o problema do pecado, e resolveu-o de uma vez por todas. Para Deus, todos que estão em Cristo também morreram para o pecado. Isto não quer dizer que o cristão é impecável; antes, ele é identificado com Cristo em sua morte e tudo o que ela significa.

2. O valor da graça

A graça tem um valor inestimável; ela é a causa meritória da nossa salvação, que teve um preço alto. Disse Paulo: “Porque fostes comprados por preço...” (1Co.6:20). Que preço foi este? O sangue de Cristo. Disse Pedro: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pd.1:18,19). Portanto, a salvação é de graça, mas o seu preço custou caro – custou a morte de um justo inocente e o derramamento do seu precioso sangue, o sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus. Cristo pagou o preço, riscou a cédula que era contra nós nas suas ordenanças e cravou-a na cruz (Cl.2:14); nada mais precisa ser feito para o ser humano ser salvo. Isso é graça.

Mas, infelizmente, muitos têm dificuldade de compreender a graça de forma plena. Na época do apóstolo Paulo, e hoje também, muitos não compreenderam, nem compreendem, os ensinamentos sobre a graça de Deus; pensam que a graça dá liberdade total para pecar. É bom saber que a liberdade do cristão está em Cristo Jesus, e isso exclui qualquer ideia de que de alguma maneira possa significar liberdade para pecar. Não devemos nunca transformar a liberdade numa base de operações para a natureza carnal. Portanto, a liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para o crente fazer o que quer, mas para fazer o que deve. Exorta-nos o apóstolo Paulo:

“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis, então, das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm.6:18-23).

CONCLUSÃO

A graça de Deus é maravilhosa, mas ela precisa ser entendia e aplicada à luz da verdadeira doutrina. Banalizar a graça, colocando-a dentro de um espectro idealizado por líderes liberais e libertinos que não temem a Deus, que propagam doutrinas criadas por eles mesmos para satisfazerem seus caprichos, é ofender profundamente a Deus; certamente, não ficarão impunes. Como afirma o pr. José Gonçalves, “a Bíblia é sempre a régua através da qual qualquer entendimento da doutrina da graça precisa ser medido”. A graça é a fonte da vida e melhor do que a vida; por ela somos salvos, por ela vivemos e por ela entraremos na pátria celestial. “A graça seja com vós todos. Amém!” (Tt.3:15).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Lição 1 do 3º trimestre de 2022: AS SUTILEZAS DE SATANÁS CONTRA A IGREJA DE CRISTO



 3º Trimestre/2022


Texto Base: 1Timóteo 4:1-5


“Mas o Espírito­ expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1Tm.4:1).

1 Timóteo 4:

1.Mas o Espírito ­expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, ­

2. pela hipocrisia ­de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, ­

3. proibindo o casamento­ e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; ­

4.porque toda criatura­ de Deus­ é­ boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, ­

5.porque, pela palavra de Deus e­ pela ­oração, é santificada.

INTRODUÇÃO

Iniciamos mais um trimestre letivo da EBD. Estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o seguinte tema: Os Ataques contra a Igreja de Cristo – As Sutilezas de Satanás nestes dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo”. O comentarista das Lições é o pastor José Gonçalves. Espero que o Espírito Santo nos ajude nesta empreitada; sem Ele nosso trabalho não terá nenhuma eficácia.

Nesta primeira Aula trataremos do seguinte tema: “A sutilezas de Satanás contra a Igreja de Cristo”. Sutileza é a arte de agir sem ser notado, ou de conseguir um objetivo sem ter que revelar a verdadeira intenção, apenas insinuando, ou despertando a curiosidade da possível vítima; é usar de astúcia, de artimanha, de artifícios enganadores. A primeira vez que esta palavra surge nas Escrituras é, precisamente, em relação a Satanás, que é apresentado como a serpente, a "mais astuta de todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito" (Gn.3:1). Satanás desde a sua primeira aparição no relato bíblico já é apresentado como sendo um ser que tem a capacidade de quase não ser percebido, que tem uma grande sensibilidade para perceber ou sentir as coisas com antecedência e, desta maneira, elaborar coisas muito engenhosas, que tem grande capacidade de insinuação e que, assim agindo, consegue atingir os seus objetivos. Jamais devemos ignorar as sutilezas de Satanás (2Co.2:11).

I. A IGREJA SOB ATAQUE

1. A sutileza do ataque

Atacar a Igreja é a principal tarefa de satanás, e sempre ele utiliza dos seus ardis para lograr êxito. O seu maior alvo sempre foi destruir a Igreja, e tem se utilizado dos métodos mais variados, e a mais perigosa que a igreja tem enfrentado é a perseguição camuflada. Porém, todas as perseguições que a Igreja sofreu não foi suficente para debelar ou arrefecer o seu progresso. No passado ele usou a força bélica, matando milhares, talvez milhões de cristãos inocentes, mas isso apenas fez crescer o número de crentes; mas hoje a perseguição tem sido de forma sutil e quase imperceptivel. Os incautos não conseguem perceber isto. As perseguições ocorrem, por exemplo, com a normalização de comportamentos e práticas contrárias à fé cristã; por falta de discernimento espiritual, a sutileza do ataque do inimigo quase não é percebida. Não importa onde esteja ou a que época se encontre, você está debaixo do ataque do Inimigo. Às vezes, o ataque é previsto, mas em outros momentos, a surpresa é total. Como podemos nos preparar para que nossa vida espiritual seja defendida? O apóstolo Paulo responde: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef.6:11).

 2. O alerta para o povo de Deus

Estamos vivendo os últimos tempos da Igreja, e neles o Espírito Santo faz um alerta ao povo de Deus acerca de falsos mestres e das falsas doutrinas. As falsas doutrinas têm um poder mais destrutivo que a perseguição física. A sedução da “serpente” é mais letal que o rugido do leão. Paulo, na sua primeira Epístola a Timóteo, escreveu sobre o grande alerta que o Espírito Santo dá à Igreja: “Mas o Espírito ­expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”. O mesmo Espírito que havia inspirado Paulo a alertar os presbíteros de Éfeso acerca da chegada dos falsos mestres (Atos 20:29,30), agora leva Paulo a alertar Timóteo, pastor da igreja de Éfeso, de que esse tempo chegaria e o resultado seria a apostasia de alguns. É no campo da doutrina que as sutilezas de satanás se destacam com maior engenhosidade. Foi neste campo que Satanás procurou enganar a Igreja Primitiva. Com Eva, ele falou pessoalmente; no princípio da Igreja, ele procurou infiltrar-se através de seus instrumentos, aqueles que a Bíblia denomina de falsos obreiros, introduzindo falsas doutrinas.

O apóstolo Pedro também advertiu contra esse perigo das sutilezas de Satanás - "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade"(2Pd.2:1-2).

O Senhor Jesus também advertiu contra esse perigo. Disse Jesus: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mt.7:15). Acautelar significa ficar de sobreaviso, prevenido, para não ser pego de surpresa. O Senhor Jesus sabia que eles viriam, por isso afirmou: "que vêm até vós". Ele não disse: "que poderão vir". Ele afirmou que viriam; e vieram; não perderam tempo. Vestir-se de "ovelha" seria a forma de poder agir, livremente, com sutileza. O Senhor Jesus falou em "falsos profetas" que seriam como "lobos vestidos de ovelhas". Pedro identificou-os com "falsos doutores". Oremos e vigiemos (Mt.26:41) para que não venhamos a cair nas muitas ciladas do Diabo.

 3. A Igreja na reta final

A Igreja está em sua reta final, e as sutilezas de satanás têm se intensificado fortemente, pois o seu desejo é levar consigo muita gente para o terrível lugar que está reservado a ele – o lago de fogo e enxofre (Mt.25:41). Os apóstolos descreveram o comportamento, ações e práticas que marcariam o tempo final; se eles, que viveram há mais de dois mil anos, disseram já vivenciar os últimos dias (Atos 2:17; 1Co.10:11; 2Pd.3:3; 2Tm.3:1; 1Tm.4:1), o que podemos afirmar da presente época? Não estamos na reta final, no princípio do fim de todas as coisas?

A Igreja, no seu princípio, foi muito perseguida pelos falsos mestres; com suas sutilezas enganaram muitos cristãos; muitos se apostataram da fé. Ora, se no princípio da Igreja, muitos caíram, quanto mais agora nestes últimos dias da Igreja na Terra. O apostolo Paulo alertou Timóteo que isto ocorreria com grande intensidade nos “últimos tempos” (1Tm.4:1). A expressão “últimos tempos” (1Tm.4:1) não se refere apenas a um período escatológico do fim, mas compreende todo o período da era cristã, inaugurado por Jesus em sua primeira vinda e que se consumará na segunda vinda. Esse tempo do fim será caracterizado pela manifestação dos falsos profetas (Mt.24:11) e falsos cristos, que enganarão a muitos (Mc.13:22), culminando na apostasia e na manifestação do homem da iniquidade (2Ts.2:4).

Deus adverte o seu povo quanto ao cuidado que deve tomar para não cair no mesmo erro de muitos irmãos no princípio da Igreja; não caminhar pela mesma estrada; não ter o mesmo comportamento. Quem não aprende com as lições da História comete os mesmos erros da História. Precisamos fazer da História a nossa pedagoga e não a nossa coveira.

 II. A NATUREZA DO ATAQUE

1. O ataque é de natureza espiritual

Conforme 1Tm.4:1, a natureza do ataque à Igreja é eminentemente espiritual, e os agentes principais envolvidos são: Satanás e seus demônios – “...dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”. Paulo, quando escreveu aos Efésios, alertou-nos que a nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades do mal (Ef.6:12). Portanto, quem está por trás das heresias são os espíritos enganadores, os próprios demônios. Os falsos mestres são inspirados por demônios, assim como os apóstolos eram inspirados pelo Espírito de Deus. Satanás tem seus próprios ministros e suas próprias doutrinas. As Escrituras descrevem o diabo não apenas como tentador, atraindo pessoas para o pecado, mas também como enganador, seduzindo as pessoas ao erro. Os falsos mestres são escravizadores das pessoas e difamadores de Deus; eles proíbem o que Deus ordena e escravizam pessoas, impondo a elas restrições que Deus nunca fez.

2. O ataque é de natureza moral

Também, o ataque à Igreja é de natureza moral, conforme 1Timóteo 4:2 – “pela hipocrisia ­de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. Estes comportamentos descritos aqui por Paulo se encontram na esfera moral. Aqui, o apóstolo fala de hipocrisia e de mentira, que são comportamentos invertidos das virtudes morais cristãs da autenticidade e da verdade.

Os falsos mestres são como atores: representam um papel diferente da vida real; falam uma coisa e fazem outra - são hipócritas. Eles não revelam sua verdadeira identidade; ao contrário, escondem-se atrás de máscaras para enganar as pessoas. Os falsos mestres possuem não apenas um ensino errado, mas também uma motivação errada; não apenas teologia falsa, mas também uma vida torta. Segundo Pr. Hernandes Dias Lopes, o problema dos falsos mestres não é apenas teológico, mas também moral.

Paulo também demonstra a esfera moral desse ataque quando faz referência àqueles que têm “cauterizada a sua própria consciência”. O termo grego, “suneidesis”, usado em 1Tm.4:2 para “consciência”, é uma referência à capacidade humana de julgar, de entender o certo e o errado. Em outras palavras, é a faculdade humana por meio da qual se distingue o que é moralmente bom ou ruim. A consciência dos falsos mestres não tem sensibilidade espiritual; está cauterizada, anestesiada, amortecida; eles perderam o temor de Deus e não sentem mais tristeza pelo pecado; são insensíveis. Outro termo dito em 1Tm.4:2 é “cauterizada”. A palavra grega “kauteriazo”, traduzida por “cauterizada”, traz a ideia de “marcar com um ferro quente”, como era feito no passado com os escravos e hoje com o gado, deixando o lugar queimado insensível; significa dizer que a consciência se tornou insensível para julgar entre o certo e o errado. Warren Wiersbe diz que “sempre que alguém afirma com os lábios o que nega com a vida, a consciência é amortecida”.

III. AS ESFERAS DO ATAQUE

1. A esfera religiosa

Diversas esferas da Igreja estão sob ataque, dentre elas está a religiosa. Nesta esfera, satanás tem feito um grande estrago, fazendo com que muitos abandonem a fé em Cristo. Veja o que vaticinou o apostolo Paulo em 1Tm.4:1: “...nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé...”. Relacionada à fé cristã, apostasia significa abandonar a fé cristã de forma consciente e deliberada. Para que haja apostasia é necessário que a pessoa tenha experimentado o novo nascimento, ou seja, que tenha certeza de sua salvação e aí, de forma consciente e deliberada, abandona a fé e passa a negar toda verdade por ela experimentada. Na maioria das vezes, os apóstatas tornam-se inimigos da Igreja. Concordo com o pr. Jose Gonçalves quando ele diz que “as pessoas que mais causam danos e escândalos ao Evangelho são aquelas que já lutaram em suas trincheiras; por alguma razão abandonaram a fé e se tornaram inimigo da Igreja”. Quem é crente há muitos anos podem confirmar isso.

O arqui-inimigo da Igreja, juntamente com suas hostes espirituais da maldade, não tem dado trégua; pelejam sem parar contra o povo de Deus (Ef.6:12). Entretanto, a prática do pecado é uma responsabilidade pessoal e intransferível do indivíduo (Ez.18:4,20; cf. Rm.6:23). Nesse sentido, a apostasia sempre será praticada de maneira consciente, deliberada e voluntária. Os crentes que caem neste terrível erro, dificilmente retornarão à fé cristã, pois suas mentes ficam cauterizadas. Diz o escritor aos Hebreus:  "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério" (Hb.6:4-6).

2. A esfera social

Outra esfera de ataque à Igreja é a social. Isso pode ser visto na expressão de Paulo: “proibindo o casamento” (1Tm.4:3). Como pode alguém desprezar o casamento, e ainda proibi-lo, quando ele foi instituído por Deus? O casamento não foi apenas instituído, mas também ordenado por Deus (Gn.2:18; 2:24; Mt.19:3-12; 1Co.7:1-24). Quando os falsos mestres ensinam que é errado casar-se, proibindo o casamento, estão abertamente se rebelando contra a Palavra de Deus e atacando o que Deus instituiu e ordenou.

Proibir o casamento é se opor à família, e opor-se à família significa opor-se à Igreja, pois a Igreja é formada de famílias. A família é uma das instituições criadas por Deus que mais tem sido atacada “nestes últimos tempos”, pois atacando a família, Satanás atinge a Igreja - famílias fracas significa igrejas fracas. Satanás tem usado pessoas poderosas em todas as instituições governamentais – no poder executivo, no legislativo e judiciário – no afã de desfazer o padrão familiar instituído por Deus. As mais variadas leis, decretos e decisões do judiciário têm sido criados com o intuito de desconstruir a família; há uma força infernal poderosa do inimigo contra essa instituição sagrada. Precisamos pedir a Deus para que Ele tenha misericórdia e guarde o seu povo dos ataques de satanás.

IV. A IGREJA PROTEGIDA

1. A exposição da Palavra de Deus

O apóstolo Paulo apresenta duas ferramentas importantes capazes de paralisar os ataques do inimigo: a Palavra de Deus e a oração – “porque, pela palavra de Deus e­ pela ­oração, é santificada” (1Tm.4:5). Os falsos ensinadores, talvez sob a influência dos judeus, davam regras rígidas, exigindo abstinência de determinados alimentos. Mas Paulo nos ensina que todos os alimentos são aceitáveis por aqueles que consideram Deus como seu Provedor e agradecem a Ele por esses alimentos (Rm.14:6; 1Co.10:30). Os cristãos verdadeiros conhecem o Criador; então, eles podem desfrutar ao máximo da sua criação, recebendo-a alegremente, com ações de graças. Todas as coisas, “pela palavra de Deus e pela oração, são santificadas”. Deus disse que a sua criação é boa; portanto, nós estamos de acordo com a declaração de Deus quando vemos toda a criação como adequada para um uso especial.

Os ensinos dos falsos mestres sobre a abstinência de determinados alimentos estimularam, posteriormente, o surgimento da falsa doutrina do gnosticismo – uma crença de que o espírito é bom, mas o mundo físico é mau. Assim, qualquer coisa feita para o prazer do corpo ou para suprir as suas necessidades (tais como praticar sexo ou comer) é considerada má. Para ser “boa” e atingir um estado espiritual mais elevado, uma pessoa precisa negar todo o mal, inclusive os desejos físicos naturais. As exigências desses falsos ensinadores os faziam parecer autodisciplinados e justos, mas a disciplina rígida para o corpo não conseguia remover o pecado. O apóstolo Paulo, então, mostra que a Palavra de Deus possui poder santificador; ela é um antídoto contra este tipo de doutrina e toda forma de culto falso que o Diabo possa criar.

Paulo, escrevendo aos crentes de Éfeso, diz que devemos nos revestir da armadura de Deus, pois há uma batalha, não contra sangue e carne, mas sim contra o império do diabo (Ef.6:11-13). Uma dessas armaduras apresentadas por Paulo é a Espada do Espírito” (Ef.6:17). Espiritualmente falando, essa Espada representa a Palavra de Deus. Paulo está dizendo que quem usa esta Palavra é o Espírito. Talvez a melhor ilustração seja a tentação de Jesus no deserto. Jesus foi levado ao deserto para ser tentado. Primeira tentação: “se tu és o Filho de Deus, mande que estas pedras se tornem em pães” (Mt.4:3). “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt.4:4); e assim foi com a segunda e a terceira tentação. Todas elas Jesus respondeu dizendo: “está escrito”. É isto que significa, na guerra espiritual, a “Espada do Espírito”, que é a Palavra de Deus - é você responder as dúvidas, questionamentos, repelir a mentira, as acusações, a culpa com “está escrito”.

Observe que a Espada do Espírito é arma de ataque. Vencemos os ataques do diabo e triunfamos sobre ele por meio da Palavra. É pela Palavra que os cativos são libertos. A Palavra é poderosa, viva e eficaz. Moisés quis libertar os israelitas do Egito com a espada do homem carnal, e fracassou; mas quando usou a Espada do Espírito o povo foi liberto. Pedro quis defender a Cristo com a espada humana, e fracassou; mas quando brandiu a Espada do Espírito, multidões se renderam a Cristo. Precisamos conhecer bem a Palavra de Deus. A Bíblia nos afasta do pecado ou o pecado nos afasta da Bíblia. Infelizmente, há multidões de crentes mais comprometidos com as mídias sociais do que com a Palavra de Deus. Isso é lamentável!

2. A prática da oração

Outra ferramenta imprescindível para combater os ardis de satanás é a oração. Não podemos lutar nessa guerra com nossas próprias forças, no nosso próprio poder. A oração é o canal pelo qual o crente recebe poder para a vitória; é a energia que capacita o soldado crente a usar a armadura e brandir a Espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Moisés orou, e Josué brandiu a espada contra os amalequitas. Oração e ação caminham juntas (Ex.17:8-16).

Escrevendo aos Efésios, Paulo ensinou que a oração é uma das armaduras de Deus para o crente combater o inimigo - “orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef.6:18). Devemos, portanto, orar com perseverança (Ef.6:18). A igreja primitiva orou com perseverança (At.1:14; 2:42; 6:4), e devemos orar da mesma forma (Rm.12:12). Robert Law disse: "A oração não é para fazer a vontade do homem no céu, mas para fazer a vontade de Deus na terra".

É muito triste vermos, atualmente, pregadores buscando se formar e se aprimorar no conhecimento de técnicas que levem o povo à emoção, ao frenesi (delírio), em especial a chamada "neurolinguística"; gastam horas e horas no aperfeiçoamento destas técnicas ao invés de buscarem a face do Senhor na oração, no jejum e na meditação da Palavra do Senhor. O resultado tem sido desastroso, porquanto há já centenas de pregadores que em nada se distinguem dos "gurus" e "mestres" de movimentos ligados direta ou indiretamente ao movimento Nova Era e, naturalmente, o povo não sente a presença do Senhor e é enganado por emoções e sentimentos que são causados por técnicas persuasivas, que nada têm a ver com a verdadeira manifestação da glória do Senhor. Tomemos cuidado para não sermos presas desses mestres do engano, dando ouvidos a espíritos enganadores (1Tm 4.1). A prática da oração nunca pode deixar de existir na agenda espiritual dos santos.

CONCLUSÃO

Nesta Aula aprendemos que o diabo tem atacado a Igreja de Cristo usando os seus ardis. As sutilezas do Inimigo têm se alastrado com maior intensidade no campo doutrinário, pois os falsos ensinos não são facilmente verificáveis, principalmente para aqueles que se encontram distraídos como era o caso de Eva e, pior, que não têm conhecimento da Palavra de Deus. Como Igreja do Senhor, estejamos devidamente preparados, alicerçados na Palavra de Deus, para detectar e combater as muitas sutilezas de Satanás.

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FONTE: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

6ª lição do 1º trimestre de 2022: A BÍBLIA COMO UM GUIA PARA A VIDA


 

1º Trimestre/2022


Texto Base: Salmos 119:97-105


“Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl.119:105).

 

Salmos 119:

97.Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.

98.Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio que os meus inimigos, pois estão sempre comigo.

99.Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.

100.Sou mais prudente do que os velhos, porque guardo os teus preceitos.

101.Desviei os meus pés de todo caminho mau, para observar a tua palavra.

102.Não me apartei dos teus juízos, porque tu me ensinaste.

103.Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca.

104.Pelos teus mandamentos, alcancei entendimento; pelo que aborreço todo falso caminho.

105.Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Bíblia como um verdadeiro guia para a nossa vida. Ela é o livro divino que nos ensina a sabedoria de todas as áreas da vida. Ela é lâmpada para os nossos pés e luz que clareia o nosso caminho (Sl.119:105). Quando atentamos para os seus ditames, ela transforma a nossa natureza e nos conduz pela vereda da salvação (Tg.1:21). Quem põe em prática seus ensinamentos será considerado um verdadeiro sábio. Cristo nos adverte a examinarmos as Escrituras porque nelas estão reveladas as palavras de vida eterna (João 5:39).

I. A BÍBLIA É UM ALICERCE PARA A VIDA

1. A Palavra de Deus é alicerce

A Palavra de Deus é um alicerce para aqueles que obedecem e praticam os seus ditames. Jesus disse:

“Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha; e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa e não a pôde abalar, por ter sido bem-construída. Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra sem alicerces, e, arrojando-se o rio contra ela, logo desabou; e aconteceu que foi grande a ruína daquela casa” (Lc.6:47-49).

Nessa ilustração de Jesus, a casa simboliza a vida. A vida deve ser edificada nos ensinos de Cristo a fim de alcançar a virtude e um destino glorioso (João 5:24). Nesse texto, Jesus usa a figura do construtor sábio que investiu na fundação de sua casa, cavando, abrindo profunda vala e lançando o alicerce sobre a rocha, e a figura do construtor insensato que construiu sua casa sobre a terra sem alicerces. As duas casas, aos olhos desatentos, eram iguais. A diferença não estava naquilo que era visto pelos homens, mas naquilo que só podia ser visto por Deus. Sobre ambas as casas aconteceu a mesma coisa: a enchente chegou e arrojou o rio contra elas. A casa construída sobre a rocha (que simboliza o próprio Cristo - 1Co.10:4) não se abalou, por ter sido bem construída; porém, a outra casa logo desabou e foi grande a sua ruína. Ouvir a Palavra sem obedecer é insensatez. Falar a Palavra sem praticar é tolice. Não é suficiente conhecer a Palavra, é preciso praticar a Palavra. Não é suficiente ter boa teologia, é preciso ter uma ética consistente. Não é suficiente ter uma fé ortodoxa, é preciso ter piedade. Não podemos separar o que Deus uniu: teologia e ética, doutrina e vida, ortodoxia e piedade. Portanto, o construtor sábio edifica a sua casa – isto é, sua vida – sobre Cristo, a Rocha sólida. Ele empenha-se, em oração, para regular sua vida em harmonia com as palavras de Jesus, reveladas nas Escrituras Sagradas. Portanto, o cristão que edifica sua vida na Palavra de Deus e que espera a vinda do Salvador, dificilmente será enganado por falsos mestres. Como bem diz o pr. Douglas, “a síntese desse grande ensinamento de Jesus é que nem as crises dessa vida e nem a eternidade poderá abalar quem está firmado em Cristo e na sua Palavra” (Mt.7:25).

2. A Palavra de Deus é luz

O apóstolo Pedro compara a Palavra de Deus a uma luz que brilha na escuridão – “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração” (2Pd.1:19). A Palavra de Deus aponta o caminho, que é Jesus Cristo (Joao 14:6), e mostra os perigos, porque ela é “lâmpada para os nossos pés” e “luz para o caminho” (Sl.119:105); ela dissipa a escuridão espiritual e nos conduz em segurança pelo caminho da vida eterna. O caminho da vida eterna é Jesus Cristo (João 14:6).

A Palavra de Deus, portanto, tem uma dupla finalidade: revelar-nos a vontade de Deus e levar-nos a uma experiencia pessoal com Cristo, a “Estrela da alva”; Jesus é essa “estrela da alva” (Nm.24:17; Ap.22:16). Não somente Ele é a estrela da alva, mas também a Luz do mundo, e quem O segue não andará em trevas (João 8:12); trevas do pecado.

3. A Palavra de Deus é imutável

A Palavra de Deus é imutável porque a sua origem está ancorada em Deus (2Pd.1:20,21), que não muda. A Bíblia tem sua origem no Céu, e não na terra; procede de Deus, e não do homem. Ela é inspirada por Deus; é o sopro de Deus, e não o destilar dos pensamentos humanos. Os seus escritores foram instrumentos usados para escrever o seu conteúdo e as profecias. Foi o Espírito Santo quem os inspirou, revelando-lhes o conteúdo infalível e imutável. Portanto, a Palavra de Deus é imutável porque o seu autor é imutável. Está escrito: “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml.3:6).

Em Deuteronômio, capítulo 4, versículo 2, Deus exorta o povo de Israel: “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando”. Israel recebeu a ordem de obedecer aos estatutos e juízos do Senhor quando entrasse na terra de Canaã. Não podia acrescentar nem remover nada dos mandamentos. Isto se aplica também a nós cristãos, hoje; não devemos ter a pretensão de querer alterar o que está escrito nas Escrituras Sagradas, pois elas são imutáveis. Em Apocalipse 22:18,19, Jesus advertiu que, quem fizer qualquer acréscimo ao Livro de Apocalipse, sofrerá os flagelos descritos nele. Uma vez que os temas do livro de Apocalipse encontram-se entretecidos com todas as Escrituras, então esses textos condenam a alteração da Palavra de Deus em geral. O castigo é a condenação eterna - Deus “tirará a sua parte da árvore da vida”. Essa pessoa não terá parte nas bençãos daqueles que possuem vida eterna.

 “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro” (Ap.22:18,19).

Portanto, a Palavra de Deus nunca pode ser mudada; ela permanece para sempre (Mc.13:31). Os homens morrem, mas a Palavra vive. As experiências passam, mas a Palavra permanece. O mundo escurece, mas a luz profética resplandece cada vez mais. Sendo assim, segundo argumenta o pr. Douglas, “os princípios bíblicos têm aplicação hoje, assim como o tiveram antigamente (Is.55:11). Os padrões da ética e da moral cristã não sofrem mudanças (1Pd.1:20). Portanto, os valores cristãos são permanentes, pois a fonte de autoridade é permanente “(Mt.5:18).

II. A BÍBLIA NOS TORNA PESSOAS SÁBIAS

1. O conceito de sabedoria

O que é sabedoria? Sabedoria é olhar para a vida com os olhos de Deus; é viver regido pelo ensino da Palavra de Deus; é andar nos conselhos de Deus, e não segundo os ditames do mundo. O pr. Marcelo Gomes, em seu livro “Sabedoria – para viver e ser feliz”, argumenta que somos a sociedade do conhecimento. Nossa informação é produzida em larga escala e está disponível amplamente. Avançamos em ciência, tecnologia e comunicação. Temos satélites, e internet, e muito mais vem por aí. Somos a sociedade das especialidades. Na medicina, nas ciências humanas, nas ciências da natureza, nos esportes, na tecnologia, enfim, em todas as áreas temos especialistas em alguma questão ou campo de interesse. Apesar de tudo isso, somos também uma sociedade desigual, injusta, corrupta e violenta, sob vários aspectos. O mesmo conhecimento que nos trouxe conquista e conforto, trouxe-nos guerras e morte. Contudo, não nos trouxe redenção. O sonho da modernidade fracassou. Tanto não alcançamos felicidade pelo livre e pleno exercício da razão, como multiplicamos alternativas emocionais, hedonista, utilitárias e egocêntricas para a vida comum.

Diante desse quadro, uma conclusão: temos muito conhecimento, mas pouca sabedoria. Conhecimento é domínio da informação que se refere ao objeto de interesse; sabedoria é a capacidade de utilizar o conhecimento em prol da vida e dos relacionamentos. O sábio não é, necessariamente, aquele que tem muito conhecimento, mas aquele que canaliza adequadamente para as ações e decisões do dia-a-dia todo o conhecimento que tem. Assim, um morador da periferia, um profissional artesanal, um administrador de negócio próprio sem formação acadêmica, uma dona de casa ou um jovem que trabalha no campo, pode ser mais sábio que um doutor ou um professor universitário.

Precisamos de sabedoria, carecemos compreender sua essência e importância prática. Devemos associá-la ao conhecimento, de forma que este seja sempre usado para o bem comum. O conselho do sábio Salomão é: “porque melhor é a sabedoria do que joias e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela” (Pv.8:11). Diz mais: “Quem procura ter sabedoria ama a sua vida, e quem age com inteligência encontra a felicidade” (Pv.19:8).

Sabedoria faz a diferença - capacita para a vida e os relacionamentos; tranquiliza o coração, valoriza os cuidados com a alma, aquieta os pensamentos; lembra que a vida não é feita só de acertos, sucessos e ascensões meteóricas, mas também de fracassos, frustrações, decepções e derrotas, com os quais sempre é possível aprender. Segue a sugestão do apóstolo Tiago: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tiago 1:5). E do aposto Paulo: “examinem todas as coisas e retenham o que é bom” (1Tes.5:21).

2. Deus é a fonte da sabedoria

Está escrito em Provérbios 2:6 que Deus é a fonte da sabedoria – “Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento”. Portanto, a verdadeira sabedoria não se recebe nos bancos de uma escola nem se aprende com a leitura de bons livros. Sabedoria não é um dote natural, é um dom exclusivo de Deus; emana das alturas; procede do Céu.

Existe uma sabedoria terrena, mas não é sobre essa sabedoria que estamos falando; falamos sobre a sabedoria divina, celestial; esta deve ser desejada e pedida, deve ser buscada como o garimpeiro busca a prata e o ouro. Aqueles que pedem a Deus sabedoria, esses a recebem. Só Deus concede esse dom. Só de Deus procede essa boa dádiva. Da boca de Deus emanam a inteligência e o entendimento. A compreensão da vida e o discernimento dos propósitos da existência são o resultado de conhecermos a Deus. Aqueles que andam com Deus são sábios. Aqueles que amam a Deus tem inteligência e compreensão para discernir entre o bem e o mal, para separar o precioso do vil. É da boca de Deus, ou seja, de sua Palavra, que procede a verdadeira compreensão acerca de Deus e da humanidade, do tempo e da eternidade, da vida e da morte.

Se Deus é a fonte da sabedoria, então ousemos a pedir a Ele sabedoria, pois somente ela confere a lucidez necessária para uma autocrítica que promova mudanças de atitude. Se eu for mais sábio, pensarei melhor antes de agir, falarei com melhores intensões e palavras, prevenir-me-ei de armadilhas que minhas emoções preparam e conhecerei mais profundamente minhas motivações ou anseios íntimos. Se for mais sábio, pararei de fingir que a culpa de todas as minhas desgraças é dos outros; estarei pronto a assumir erros e mais propenso a pedir perdão – a Deus e aos que me cercam.

3. O temor é o princípio da sabedoria

Em Provérbio 9:10 está escrito: ”O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv.9:10). Temer ao Senhor não é ter medo de Deus, mas demonstrar a Ele reverência. A motivação para um filho obedecer a seu pai deve ser o respeito e o amor a ele, mais do que o medo de ser castigado. Aqui está a gênese de toda a sabedoria e também a sua própria essência. O temor ao Senhor é o grande freio moral que nos protege das propostas sedutoras do enriquecimento ilícito e nos blinda da sedução perigosa das aventuras sexuais. Foi o temor a Deus que livrou José do adultério e Neemias da corrupção. O temor ao Senhor nos afasta dos caminhos escorregadios e firma os nossos passos nas veredas da justiça. O temor ao Senhor nos desvia de companhias erradas e de lugares errados. Temer a Deus é conhecê-lo, honrá-lo, obedecer-lhe. Temer a Deus é colocar os pés na estrada da santidade e beber das torrentes da felicidade. Quando tememos a Deus, nossos dias são dilatados na terra e somos poupados de muitas aflições. Este é o grande conselho que Deus nos dá:

“De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec.12:13,14).

4. Os benefícios da sabedoria

Muitos são os benefícios da sabedoria. Dentre eles, citamos:

Ø  Acumula conhecimento (Pv.10:14). Como já foi dito, o sábio não é, necessariamente, aquele que tem muito conhecimento, mas aquele que canaliza adequadamente às ações e decisões do dia-a-dia todo o conhecimento que tem. Quanto mais conhecimento, maiores as chances de uma sabedoria que oriente a vida. O conhecimento, portanto, é melhor do que o ouro, é mais seguro do que a moeda mais valorizada do mercado. Os ladroes podem roubar nossos tesouros, e as traças podem corroer nossas relíquias, mas o conhecimento é uma riqueza que ninguém pode nos tirar. Os sábios entesouram o conhecimento e, com ele, vem a reboque as riquezas da terra. O conhecimento é a melhor poupança, o mais lucrativo investimento.

Ø  Ganha almas (Pv.11:30). A maior expressão da sabedoria é investir na salvação dos perdidos. Aquele que ganha almas faz um investimento eterno e ajunta tesouros que os ladrões não podem roubar nem a traça pode destruir. Investir na salvação de almas é investir numa causa de consequências eternas. Uma alma vale mais do que o mundo inteiro. De nada adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma. De nada adianta ajuntar tesouros na terra se esses bens não estão a serviço de Deus para ganhar almas. O melhor e mais duradouro investimento que podemos fazer é investir na salvação de vidas.

Ø  Torna-se próspero (Pv.19:8). A sabedoria traz consigo a vitória e a realização; não porque acerte sempre ou seja um roteiro de sucesso pessoal, mas porque faz crescer com os maus resultados e levantar após a queda. Não pode ser considerada sábia uma pessoa apenas porque tudo lhe vai bem, mas porque, quando as coisas vão mal, encontra alternativas, absorve prejuízos e repara danos ocasionais. Na crise, reinventa a si mesma, escolhe com melhores critérios e avança na construção de alicerces mais sólidos. Prospera. Desenvolve-se. Chega longe. Alarga as fronteiras de sua alma e de sua mordomia neste mundo.

Ø  Exerce domínio próprio (Pv.29:11). O domínio próprio não é apenas uma virtude natural; é, sobretudo, fruto do Espírito Santo. Quando o Espírito de Deus assume o controle de nossos sentimentos - palavras, ações e reações -, então temos domino próprio. O individuo descontrolado, rixoso, briguento, explosivo é uma ameaça à sua família e à sociedade; suas palavras são incendiárias; suas ações são intempestivas; sua vida é uma tragédia. O sábio, porém, sabe lidar com seus sentimentos; ele é senhor de suas emoções, e não escravo delas. Por dominar a si mesmo, é mais forte do que aquele que conquista uma cidade. Ao reprimir sua ira, torna-se uma ponte de contato, em vez de ser um abismo de separação. Em vez de jogar uma pessoa contra a outra, torna-se um pacificador.

Precisamos de sabedoria porque ela nos faz ser diferentes e nos possibilita fazer a diferença. O salmista declara que o ato de meditar na Palavra de Deus, o tornou mais sábio do que todos à sua volta (Sl.119:98-100). Acredito que nenhuma outra virtude traz mais benefícios a seu portador do que a sabedoria. Bondade sem sabedoria, por exemplo, vira frustração. Coragem sem sabedoria, temeridade. Paciência sem sabedoria, complacência. Humildade sem sabedoria, acanhamento. Sinceridade sem sabedoria, inconveniência. Honestidade sem sabedoria, estagnação. Erudição sem sabedoria, arrogância. Assim por diante. Qualquer virtude, por mais importante que seja, precisa estar acompanhada da sabedoria que ensina a praticá-la segundo a necessidade e a correção, e não segundo as inclinações da autoestima ou da vontade de reconhecimento e valorização.  Em vista disso, somos advertidos a empregar esforços na busca da sabedoria (Pv.4:7).

III. A BÍBLIA E A PRUDÊNCIA PARA A VIDA

1. O conceito de prudência

Prudência é a virtude por excelência da vida prática. De um modo geral, essa virtude está associada à sabedoria, à introspecção e ao conhecimento. Trata-se da capacidade de julgar entre ações maliciosas e virtuosas, não só num sentido geral, mas com referência a ações apropriadas num dado tempo e lugar. Ela ajuda a razão a discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Segundo Hernandes Dias Lopes, “prudência é a percepção lúcida daqueles que compreendem o âmago das coisas e não se deixam enredar pelas meras aparências. Prudência é evitar o caminho escorregadio do erro e colocar os pés na estrada da virtude, mesmo quando instigado pela pressão da maioria. Até as pessoas mais simples, quando são governadas pela Palavra de Deus, agem com prudência”.

A sabedoria e a prudência andam juntas, é como um barco a remo, temos que remar de ambos os lados para seguirmos na direção certa. O mundo seria menos violento se as pessoas agissem com prudência e sabedoria; muitas questões seriam resolvidas pacificamente sem precisar de ir a julgamento se as pessoas fossem coerentes e usassem a prudência e sabedoria.

Em termos gerais, a prudência é a virtude que evita ações temerárias. Nesse aspecto, com cautela e bom senso, uma pessoa prudente é capaz de discernir e fazer a escolha correta. Na Parábola das dez virgens (Mt.25:1-13) as prudentes conheciam o que se passava à sua volta, conheciam o noivo, seus atributos e tinham como provável a sua demora e, portanto, a necessidade de um abastecimento de azeite até o momento de sua chegada. Jesus mostra-nos, portanto, que não há como entrar na casa do “noivo” a não ser através da prudência, ou seja, do prévio conhecimento do noivo, do prévio conhecimento das circunstâncias que nos rodeiam.

As Virgens Prudentes estavam dispostas a seguir o cerimonial estabelecido, em seguir o noivo para sua nova casa, mas queriam tanto fazê-lo que não aceitaram a hipótese de faltar azeite durante a iluminação do caminho até a casa do noivo. O dia já declinava, durante todo o dia haviam procurado preparar a noiva, e não iriam, no último instante, descuidar deste importante pormenor: o azeite. Vejamos que a única coisa que poderia dar errado, nesta altura do dia, em que todos os preparativos já haviam sido tomados, era a falta de azeite. As lâmpadas já estavam em suas mãos, e tinha apenas de esperar o noivo, que certamente viria. Assim, o que dependia das virgens era apenas tomar o cuidado de não deixar faltar o azeite até a chegada na nova moradia dos nubentes. Esta é, precisamente, a situação em que se encontra a Igreja genuína, a Igreja militante, a Igreja que está preparada para se encontrar com o Senhor. Ela percebe que se está no final do Dia, ou seja, no final da dispensação da graça. A noite está chegando, quando ninguém mais poderá trabalhar (João 9:4) e, desta forma, é hora de segurar a lâmpada, mas devemos tomar todo o cuidado para que não falte o azeite para abastecê-la.

Outro exemplo de prudência na Bíblia é a de Neemias. Ele foi um líder prudente. Quando chegou a Jerusalém, ele agiu com muita prudência e discrição. Neemias chegou discretamente a Jerusalém e passou vários dias observando e avaliando cuidadosamente o estado dos muros. Ele manteve em segredo a sua missão e inspecionou os muros sob a luz do luar para evitar comentários sobre a sua chegada e para evitar que os inimigos conhecessem os seus planos. Um anúncio prematuro poderia ter causado rivalidade entre os judeus sobre o melhor modo de começar o trabalho. Neste caso, Neemias não precisou de tediosas reuniões de planejamento; ele precisava de um plano que produzisse resultados imediatos. Está escrito: “Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura” (Pv.13:16). Portanto, um líder prudente e sábio analisa os problemas discretamente antes de encorajar seus liderados publicamente. Quando o líder sabe o que precisa ser feito, e aonde quer chegar, e como chegar, seus liderados são encorajados a realizar a obra.

2. A prudência dos justos

Este termo é empregado pelo evangelista Lucas quando descreve o ministério de João Batista. A missão dele era converter o coração “dos pais aos filhos” e os rebeldes à “prudência dos justos” (Lc.1:17). Segundo o pr. Douglas Baptista, isto significa que o Evangelho tem como desígnio trazer as pessoas de volta para Deus. E, quando isso acontece, os ignorantes, desobedientes e rebeldes de outrora se tornam sábios, justos e prudentes. Essa sabedoria prática que orienta e corrige o viver diário é o resultado da verdadeira conversão a Cristo. Aqueles que experimentam o novo nascimento desenvolvem o caráter e praticam a boa conduta dos justos. Neste sentido, a mensagem da salvação em Cristo não apenas restaura o pecador, mas também o faz andar por veredas de retidão. Salomão assegura que “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv.4:18). O pr. Hernandes Dias Lopes analisando este texto afirma que “a vereda dos justos não se trata apenas de um caminho iluminado, mas um caminho cuja luz vai crescendo como a luz do sol até ser dia perfeito. A vida do justo vai sendo aperfeiçoada de glória em glória. O brilho da face de Cristo resplandece no justo. O fulgor da glória de Deus irradia sobre ele. O justo cresce no conhecimento e na graça. Avança para o alvo. Sua história começa na conversão e avança no processo da santificação, mas seu alvo é a glorificação, o dia perfeito”. Para estarmos em tal patamar espiritual é imprescindível nos manter em oração constante, dedicação à leitura e ao estudo das Escrituras e ter comunhão inquebrável com o Espírito Santo (1Ts.5:17; 2Tm.3:14,15; Ef.5:18).

3. Os benefícios da prudência

Muitos sãos os benefícios da prudência. O pr. Douglas Baptista, em seu livro didático, destaca alguns: o autocontrole para não revidar ofensas (Pv.12:16); a humildade para exibir conhecimento (Pv.12:23); a correta tomada de decisões (Pv.13:16); o pensar antes de agir para não ser influenciado (Pv.14:15); o alcance de boa reputação e alta posição (Pv.14:35); a sujeição ao aprendizado e a correção (Pv.15:5); o desviar-se do perigo por meio de soluções antecipadas (Pv.22:3). Jesus Cristo enfatizou que a pessoa prudente tem a Palavra de Deus como regra de vida (Mt.7:24); procede com retidão e cumpre seus deveres com fidelidade (Mt.24:45); por fim, a pessoa prudente cuida com esmero da sua vida espiritual e mantém acesa a chama do Espírito (Mt.25:4). O benefício da prudência de Neemias foi o êxito da construção dos muros de Jerusalém. O benefício das virgens prudentes foi a luz permanente de suas lamparinas e, consequentemente, a entrada na casa do noivo. Myer Pearlman considera que “as virgens prudentes representam aqueles crentes que, reconhecendo possível demora do Noivo, não somente o aguardam pacientemente, como conservam-se diligentemente num estado espiritual apropriado a qualquer chamada repentina”. Em vista disso, a Bíblia nos exorta a viver prudentemente, e não como néscios (Ef.5:15).

CONCLUSÃO

A Bíblia é a revelação escrita de Deus aos seres humanos. Ela nos oferece todos os propósitos da vida; é um guia seguro para a nossa caminhada cristã. Ela é o consolo do aflito, regozijo dos fiéis, a prova irrefutável da existência do Altíssimo. Ela é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm.3:16,17). Ela nos mostra o caminho da salvação, que é Cristo Jesus (João 14:6). Nela encontramos o antídoto que afasta o inimigo de nossas almas. Como filhos de Deus, não podemos afastar-nos jamais das Sagradas Escrituras; delas, todos dependemos vitalmente. Quanto mais as estudarmos, mais íntimos seremos de seu Autor. Ela é a nossa regra de fé e prática, é o mapa do viajor, o cajado do peregrino, a bússola do piloto, a espada do soldado e o mapa do cristão. Devemos lê-la para sermos sábios, crermos nela para estarmos seguros e devemos pra­ticar o que nela está escrito para sermos santos. Ela contém luz para nos dirigir, alimento para nos suster e consolo para nos animar.

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC