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segunda-feira, 26 de junho de 2023

1ª lição do 3º trimestre de 2023: A IGREJA DIANTE DO ESPÍRITO DA BABILÔNIA



Texto Base: Apocalipse 17:1-6

“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra” (Ap.17:5).

Apocalipse 17:

1. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas,

2. com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.

3. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.

4. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição.

5. E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra.

6. E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

INTRODUÇÃO

O Cristianismo bíblico, no cenário atual, está passando por uma forte oposição por parte de instituições governamentais, econômicas, políticas e culturais, instituições essas dominadas por forças malignas.

Em todos os países não se pode mais pregar livremente o Evangelho de Cristo. Falar contra o aborto, a homossexualidade, a indissolubilidade da família, o casamento de pessoas do mesmo sexo, pregar contra o satanismo, expulsar demônios etc., o pregador sofreará fortes represálias e será julgado e preso por defender os princípios doutrinários exarados nas Escrituras Sagradas. Em vários países como, por exemplo, o Canadá as Bíblias estão sendo queimadas ou rasgadas publicamente.

Recentemente, em Fortaleza, um pastor estava pregando sobre a Salvação em um culto na Igreja onde ele é o pastor-líder, e num determinado momento ele disse que Jesus tem o poder de salvar qualquer pecador, por maior que seja o pecado que ele cometera; ele disse que Jesus tem o poder de salvar a prostituta, o gay etc. Pelo fato de ter mencionado a palavra “gay”, no dia seguinte ele foi intimado pelo Ministério Público para dar explicações sobre a sua mensagem, pois tinha desagrada a comunidade LGBTQI.

Certamente, a oposição de Satanás nunca foi tão forte e inibidora como nestes últimos dias da Igreja na Terra. Sem dúvida, isto é um grande aviso a todos os verdadeiros cristãos que Cristo estar prestes a voltar para Arrebatar a Sua Igreja e estabelecer o seu reino milenial. A Igreja precisa estar alerta acerca dos aspectos gerais do “espírito da Babilônia” presente no cenário global em que vivemos, e, com sabedoria e prudência, resisti-lo, utilizando-se das armaduras que o Espírito Santo dispõe a todos nós (Ef.6:11), “para que possamos resistir no dia mau e, depois de termos vencido tudo, permanecermos inabaláveis” (Ef.6:13).

I. BABILÔNIA E SEUS SIGNIFICADOS

Segundo comentário na Bíblia de Estudo Pentecostal, a Babilônia mencionada em Apocalipse 17:5 é símbolo para todo o sistema mundial que tem sido dominado por Satanás ao longo da história, aplicando seus planos perversos aos aspectos político, religioso, econômico e comercial. A João foi revelada que essa Babilônia será completamente destruída durante os últimos três anos e meio do período da Grande Tribulação pelos juízos de Deus sobre a terra. Segundo entendimento do comentarista Stanley M. Horton, embora a Babilônia venha identificada das mais diversas formas (conforme veremos nesta lição), ela representa, na verdade, o presente sistema mundial - o mundo que a Bíblia diz estar no maligno (1João 5:19).

1. A Grande Prostituta (Ap.17:1,2)

1. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas,

2. com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.

Um dos anjos que tinham as sete taças veio até o apóstolo Joao e mostrou a ele contra o que elas estavam dirigidas. O anjo mostrou a João a condenação que virá sobre a “grande prostituta”, a qual trata-se da Babilônia religiosa, e abrange todas as religiões falsas, inclusive o cristianismo apóstata (Ap.17:5). Na Bíblia, os termos prostituição e adultério, quando empregados figuradamente, normalmente denotam apostasia religiosa e infidelidade a Deus (cf. Is.1:21; Jr.3:9; Ez.16:14-18; Tg.4:4), e significam um povo que professa servir a Deus enquanto, na realidade, adora e serve a outros deuses.

Para os primeiros cristãos, esta “grande prostituta” representava o antigo império romano com os seus inúmeros deuses e sua imoralidade que era bastante notória. A Roma antiga era a capital do vasto e poderoso império romano, um império que se estendia desde a Inglaterra até a Arábia. Na época de João, Roma era a maior cidade do mundo, com uma população de aproximadamente um milhão de pessoas, segundo os historiadores. Mas, com todo o seu poder, ela era extremamente imoral. Os cristãos entravam em conflito com a sociedade ímpia e os perniciosos valores romanos e, portanto, eram impiedosamente perseguidos. Com o histórico do paganismo e da perseguição romana, não é de admirar que Roma fosse vista como uma representação clara do mal. Ela tornou-se um símbolo do paganismo e da oposição à Igreja do Senhor Jesus na Terra.

Mas a “prostituta” mencionada representa muito mais do que simplesmente o império romano; ela simboliza qualquer sistema econômico, político, cultural ou militar que seja hostil a Deus, e é um sistema mundial futuro que irá abranger todas as nações e que será imoral e completamente contrário a Deus. Nessa ocasião, irá ocorrer a grande apostasia – muitos se afastarão de Deus e seguirão as bestas - o Anticristo e o Falso Profeta.

A “prostituta” mencionada, que “está assentada sobre muitas águas”, é descrita em 17:15 como “povos, multidões, nações e línguas”. A “grande prostitua”, portanto, representa todas as forças do final que se unirão em oposição a Deus. O “espírito da Babilônia” já opera fortemente no mundo e domina completamente o sistema econômico, político, religioso e cultural.

A “grande prostituta”, em lugar de ser descrita como qualquer cidade em particular, de qualquer período, existe onde há engano satânico e resistência a Deus. Isto era verdade em muitos reinos antigos como Babilônia, Egito, Tiro, Nínive e Roma. Ela representa o poder de sedução de qualquer sistema governamental, político, religioso, econômico e cultural, que usa meios pervertidos para conseguir o seu próprio intento contrário ao padrão moral de Deus. Não importa qual postura, lícita ou ilícita, ética ou amoral, a ser utilizada para conseguir a sua própria prosperidade e as suas próprias vantagens iniquas. Enfim, “a Babilônia” é identificada como uma das facetas da imoralidade e dos falsos sistemas mencionados anteriormente (Ap.14:8; 17:5).

2. A Mulher e a besta Escarlata (Ap.17:3,4)

3. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.

4. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição.

João foi levado “em espírito a um deserto” (17:3) onde ele iria ver a “grande prostituta” (Ap.17:1), “uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate”. Muito provavelmente, essa “besta de cor escarlate” é Satanás, pois ele é descrito em Ap.12:3 como um “grande dragão vermelho”. Mas esta besta também é identificada com a “besta que saiu do mar” (Ap.13:1). Todas elas têm a mesma origem – e todas são descritas como tendo “sete cabeças e dez chifres” (como se observa em Ap.12:3 e 13:1). Estas cabeças e estes chifres também são descritos por João em Ap.17:9-18, e eles simbolizam os poderes do mundo e a sua força política (Ap.17.3c,10,12). A “mulher” representa o sistema maligno do mundo; a “besta”, que é o Anticristo controlado por Satanás, representa o poder que sustenta este sistema mundial; ela é o inimigo supremo da Igreja e do povo de Deus.  A “besta do mar” também é descrita como tendo em cada cabeça nomes que blasfemavam contra Deus. Os “nomes de blasfêmia” são provavelmente os nomes que a besta assume ao chamar a si mesma de Deus.

A “mulher”, a grande prostituta, João a viu vestida “de púrpura e de escarlata” (Ap.17:4), o que significava realeza e luxo. As tinturas púrpura e escarlate eram extremamente caras no primeiro século; nenhuma pessoa comum tinha condição financeira de usar púrpura ou escarlate. A “prostituta” também estava adornada “com ouro, pedras preciosas e pérolas” (Ap.17:4), o que significa riquezas materiais e consumismo exacerbado.

A “mulher” estava segurando “um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição” (Ap.17:4). De certa forma, este era o seu ser interior – ela era extremamente imoral. Ela era uma prostituta – belamente vestida, mas obscena e impura. A sua aparência não podia esconder o que havia no seu cálice. O pastor Douglas Babtista afirma que “o cálice em sua mão diz respeito às abominações e as imundícias da sua prostituição (Ap.17:4c), o que representa toda a forma obscena e impura de contaminação do padrão moral e espiritual da sociedade.

A “besta” na qual a mulher está montada é que saiu do mar (Ap.13:1), que será o Anticristo que, pelo poder de Satanás, faz oposição aos seguidores de Jesus Cristo (2Ts.2.4,9,10). Ele profere blasfêmias em consciente repulsa ao senhorio de Cristo (Ap.13.6; 17.3b).

3. Mistério: a Grande Babilônia (Ap.17:5)

“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra”.

Na sequência da revelação, o nome da prostituta é desvendado: “Mistério, a Grande Babilônia” (Ap.17:5a). O termo “mistério” indica que o nome “babilônia” não é meramente geográfico, mas simbólico, e mostra que a verdadeira origem e natureza do mal está sendo revelada.

Segundo o pastor Douglas, a Babilônia é a mentora de toda a rebelião contra Deus e a consequente depravação da sociedade. Ela sempre trabalhou, e se intensificará cada vez mais na Grande Tribulação, para desconstruir a fé bíblica e impor sua religião apóstata com uma cultura de oposição à fé cristã e a todos os seguidores de Cristo. Não se trata apenas de uma cultura sem Deus, mas de uma cultura contra Deus.

O título “a Grande Babilônia” descreve todo um sistema mundial que será a culminação de todo o mal, afastando as pessoas de Deus.

A “mulher” referida em 17:4 é um retrato da cidade antiga da Babilônia, que tinha levado o povo de Deus ao cativeiro; ela também é um retrato da Roma antiga, com o seu luxo e a sua decadência. Mas ela é muito mais do que simplesmente uma cidade ou um império em particular na história; ela é, na verdade, a “mãe” de tudo isto, ela é a origem de todo o mal, a origem de toda rebelião contra Deus ao longo da história, da qual muitas nações participaram; ela é “a mãe das prostituições e abominações da terra”.

Apesar de todos os seus adornos, a Babilônia nada mais é do que uma “prostituta” que tem sempre se rebelado contra Deus, com a manifestação de sua imoralidade, perversidade, injustiça e inversão dos valores absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Segundo William Hendriksen, a Babilônia simboliza a concentração do luxo, do vício, e do encanto deste mundo; é o mundo visto como a personificação da “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e da soberba da vida” (1João 2:16).

II. O ESPÍRITO DA BABILÔNIA

O “espírito da Babilônia” tem revelado e estimulado uma cultura que é completamente contra Deus, mas também tem atuado de forma abrangente nos sistemas político, cultural e econômico.

1. No sistema religioso

A “grande prostituta”, a Babilônia, é conhecida pela sua sedução (Ap.17:2,4,5), principalmente no campo espiritual. Neste aspecto, o “espírito da Babilônia” tem seduzido e inebriado inúmeras pessoas pela “prostituição espiritual. As pessoas seduzidas são contaminadas pelo orgulho e pelo ego, tornando-as amantes de si mesmas, amantes do dinheiro e dos deleites da vida (2Tm.3:2-4).

A Bíblia usa repetidas vezes expressões que indicam uma prostituição espiritual ao referir-se à corrupção do amor ao Senhor. Esaú é um exemplo negativo disto nas Escrituras; ele tinha direito à herança de Abraão e Isaque por nascimento, mas desprezou-a e ficou conhecido como alguém que se prostituiu - “E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou” (Hb.12:16,17 – ARC).

A Palavra de Deus emprega este mesmo exemplo de prostituição com relação a Israel, que deixou de amar e seguir ao Senhor: “A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia” (Jr.2:1,2).

Deus compara o Seu povo a uma noiva e enfatiza que Ele se lembrava do amor do seu povo, antes que se corrompesse. E Ele continua empregando exemplos de prostituição na mensagem dada ao profeta: “A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mau e quão amargo é deixares o Senhor, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos. Ainda que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías” (Jr.2:19,20). Novamente vemos os termos “infidelidade” e “prostituição” sendo usados. Quando permitimos que o nosso amor se corrompa e nos afastamos do Senhor, estamos praticando “adultério espiritual”.

A “grande prostituta”, dominada por Satanás, tem dado de beber do vinho da sua devassidão a todos os habitantes da terra, e o seu campo prioritário de sedução é o religioso. Ela tem atraído multidões ao longo de sua história. Ela não impõe limites. As heresias, o liberalismo, o ecumenismo doutrinário, o relativismo moral, o humanismo, a liberdade sem responsabilidade e o sincretismo são expressões dessa “grande prostituta” que seduz as pessoas a viverem na impiedade e na devassidão. Mas, nas palavras do pr. Douglas Baptista, “o argumento de ‘liberdade’ estimula a devassidão por meio do afrouxamento da moral (2Pd.2.19); o ecumenismo doutrinário provoca a erosão da fé bíblica (Gl.1.6,8); o relativismo rejeita a doutrina dos apóstolos e a autoridade bíblica (2Tm.4.3); o humanismo reinterpreta e ressignifica os mandamentos divinos (2Pd.3.16); o sincretismo mistura o sagrado e o profano (2Co.6.16,17). Assim, tudo passa a ser permitido e a verdade é desconstruída (2Tm.3.7). Quando a Igreja verdadeira se impõe contra esses comportamentos é brutalmente perseguida (Mt.24.9)”.

2. No sistema político e cultural

Outros campos de atuação do “espírito da Babilônia”, é o sistema político e o sistema cultural. Todos os sistemas políticos e governamentais têm sido inteiramente fomentados e dominados pela “grande prostituta”. Não é à toa que João diz que o “Mundo inteiro jaz no maligno” (1João 5:19).

Certa feita, Jesus explicando a parábola do joio do campo disse: “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo” (Mt.13:37-39). A influência maligna nestes sistemas governamentais do mundo tem trazido forte oposição aos absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas.

No sistema cultural, o “espírito da Babilônia” tem também exercido forte influência e levado inúmeras pessoas a se desviarem dos valores morais de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Os valores morais absolutos estão ficando cada vez mais enfraquecidas e relativizados. Cada vez mais, pautas progressistas de inversão de valores são impostas em afronta à cultura judaico-cristã, tais como: apologia ao aborto, ideologia de gênero, legalização das drogas, casamentos de pessoa do mesmo sexo e da prostituição. Mas Deus exorta de forma contundente: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is.5:20).

Nestes tempos de inversão de valores, quem discordar do relativismo moral e defender os valores morais descritos na Bíblia Sagrada é logo reprimido e estigmatizado como “fundamentalista”, e levado ao “paredão” de julgamento. Os vigilantes da cultura diabólica do erro que impera no mundo de hoje estão prontos para impor censura contra quem defende os valores judaico-cristãos exarados na Bíblia Sagrada.

Apesar dessa cultura decadente que impera no mundo de hoje, é válido dizer que os valores morais absolutos emanados de Deus são imutáveis e universais. Estes Valores morais estão consubstanciados na Lei Moral de Deus; e a Lei Moral não foi estabelecida no Sinai, ela já existia muito antes que Israel existisse, também muito antes que o primeiro livro da Bíblia Sagrada fosse escrito. Ela foi incluída na Lei de Moisés e continua em vigor em todo o mundo. Ela reflete o caráter de Deus e revela sua vontade – assim, o que no princípio era imoral, era pecado, continua sendo imoral e pecado. O caráter de Deus é imutável, conforme ele mesmo declarou: “Porque eu, o Senhor, não mudo...”(Ml.1:17), e mais: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje e eternamente”(Hb.13:8). Portanto, Deus sendo eterno, sua natureza moral, bem como sua vontade, não pode mudar.

Nas últimas décadas, várias mudanças foram inseridas nas sociedades de todo o mundo, devido ao avanço tecnológico de meios de comunicação de última geração: internet, satélites, computadores, telefones celulares, smartphone, dentre outros, bem como a proliferação das mídias e redes sociais em suas diversas facetas. Assistimos às transformações na forma de agir e pensar, no estilo de vida, nos desejos, na conduta e nas atitudes sociais, religiosas, políticas e econômicas. É a realidade do universo on-line, onde tudo se movimenta com muita facilidade e rapidez para as diversas direções.

O “espírito” da grande prostituta, tem agido através da grande mídia, das artes, da literatura, das escolas e universidades para promover o doutrinamento contrário à fé cristã.

A sociedade de hoje, submissa e coagida pelo “politicamente correto”, tem assimilado e defendido a cultura pervertida e danosa que impera no mundo de hoje. Em nome do politicamente correto, inúmeras pessoas, religiosas ou não, evitam expressões políticas ou ações que, na linguagem dos defensores da cultura pervertida, venham ofender, excluir e/ou marginalizar grupos de pessoas que são vistos como desfavorecidos ou discriminados, especialmente grupos definidos por gênero, comportamento homossexual ou cor. Neste orbe do politicamente correto, inúmeros cristãos são perseguidos e julgados impiedosamente (Lc.21:16,17); é uma demonstração clara de que o mundo jaz no maligno (João 15:19).

3. No sistema econômico

Outro campo forte de atuação do “espírito da Babilônia” é o sistema econômico. A João foi revelado o enriquecimento dos mercadores por meio da exploração, da luxúria e da licenciosidade do “espírito da Babilônia” (Ap.18:3). Mas o próprio João viu a sua total destruição, e o motivo de sua queda é a corrupção total que praticou com as nações e seus mercadores. Ela embriagou todas as nações com sua luxúria desenfreada.

João afirma que “os reis da terra se prostituíram com ela”, o que significa que eles cometeram pecados vergonhosos – desistindo do que é mais importante em troca do que é mais gratificante. Este adultério provavelmente se refere às alianças pecaminosas e ao abandono total da moralidade absoluta de Deus. Além disso, “os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” (Ap.18:3); eles foram seduzidos pelas grandes riquezas que podiam ser obtidas no seu relacionamento com ela, isto é, com a Babilônia.

O texto de Isaias 47:8 descreve a grande luxúria da Babilônia e o julgamento de Deus sobre ela. A sua luxúria levou ao orgulho e à autossuficiência. Parte deste adultério estava em receber a marca da besta, porque esses mercadores não podiam comprar ou vender nada sem ela (Ap.13:17).

Sem dúvida, atualmente, o “espírito da Babilônia” tem atuado fortemente nesta sociedade de cultura degradante e separada de Deus. Hoje, vemos o comércio e o governo subornarem os cidadãos por avareza, dinheiro e poder (Mq.2.1-3; Ap.18.12,13). As pessoas são motivadas a levar vantagem financeira, de forma ilícita e imoral em prejuízo do próximo (ler Pv.16.29; Mq.3.11). Vemos a sociedade sendo extorquida em troca da satisfação dos prazeres pecaminosos e consumismo desenfreado (ler Is.55.2; Lc.12.15). Nesse sentido, como bem afirma o Pr. Douglas Batista, o materialismo, os deleites e a autossuficiência têm conduzido o ser humano a confiar no dinheiro (1Tm.6.9,10, 17) e os que controlam a economia têm impostos embargos, tributos e multas em desfavor do cidadão impotente (ler Tg.2.6,7; Ap.13.16,17). Sem dúvida, é o “espírito da Babilônia” que impera neste mundo decaído.

III. A POSIÇÃO DA IGREJA DIANTE DO ESPÍRITO DA BABILÔNIA

1. Não negociar a ortodoxia bíblica

Ortodoxia bíblica é o conjunto de doutrinas provindas da Bíblia Sagrada, e tidas como verdadeiras de conformidade com os credos, concílios e convenções da Igreja. Está escrito: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”(2Tm.3:16). Ela foi escrita com certas características que a levaram a ser considerada o “Livro de Deus”:

-Ela é pura -"Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam" (Pv.30:5).

-Ela é a verdade – “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre”(Sl.119:160).

-Ela é eterna - "Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu" (Sl.119:89).

-Ela é imutável - "A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada"(1Pd.1:25).

-Ela é profética - "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pd.1:21);

-Ela é perfeita e fiel - "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples” (Sl.19:07).

-Ela é Lâmpada – “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e Luz para o meu caminho” (Sl.119:105).

A Igreja de Cristo tem a Bíblia Sagrada como a suprema e inquestionável árbitra em matéria de fé e prática. Muitos, motivados pelo “espírito da Babilônia”, têm tentado, ao longo dos séculos, levantar-se contra o divino Livro, mas todos têm fracassado em seu intento de calá-la ou desacreditá-la, precisamente porque não se trata de uma obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus.

Portanto, o crente verdadeiro não pode desinteressar-se da ortodoxia bíblica, e precisa estar habilitado para enfrentar o “espírito da Babilônia” e suas ideologias contrárias aos valores absolutos da fé cristã, exarados nas Escrituras agradas. Disse o apóstolo Pedro:

“...não se preocupem e não tenham medo de ameaças. Em vez disso, consagrem a Cristo como o Senhor de sua vida. E, se alguém lhes perguntar a respeito de sua esperança, estejam sempre preparados para explicá-la. Façam-no, porém, de modo amável e respeitoso. Mantenham sempre a consciência limpa. Então, se as pessoas falarem mal de vocês, ficarão envergonhadas ao ver como vocês vivem corretamente em Cristo” (1Pd.3:14-16 - NVT).

2. Formar o caráter de Cristo

Outro fator que pode ser negociado é a formação do caráter de Cristo no crente. A natureza do caráter do cristão é a mesma de Cristo - aquela que o Apóstolo Paulo denomina de “Fruto do Espírito”, exarado em Gl.5:22. O homem salvo por Jesus é uma nova criatura e, por isso, seu caráter é completamente transformado pelo Espírito Santo, restaurando a imagem e semelhança de Deus que foram deformados com o pecado.

O caráter do cristão é quem ele é, de fato, não apenas quando está diante do seu líder espiritual, ou mesmo com um grupo de amigos, no trabalho ou na escola, mas quando está sozinho, e ninguém está observando-o; é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências: é o seu verdadeiro ser interior.

Muitos cristãos querem que as pessoas pensem coisas boas a seu respeito e demonstram ser santos, por fora, mas a alma está cheia de engano, mentira e pecado. Foi o que Jesus afirmou sobre os líderes religiosos de sua época: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt.23.37).

Como afirmou certa feita um pregador: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“ (John Wooden).

Um caráter moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão nestes dias perturbados pelo “espírito da Babilônia”. As pessoas podem até achar que você não tem grandes habilidades administrativas, técnicas, ou pedagógicas, mas elas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Jesus ensinou que é pelo fruto que se conhece uma árvore (Mt.12:33).

O homem sem Deus, influenciado pelo “espírito da Babilônia”, é dotado de uma natureza pecaminosa; outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer os desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cfr. 2Tm.3:2); que levam a um caráter altamente reprovável, despido de autodirecionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2); de auto cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1); e de auto-transcendência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29).

Concordo com as palavras do pr. Douglas Batista: “a igreja que prima pelo estudo e aplicação da Palavra de Deus produz crentes espiritualmente maduros, capazes de resistir o “espírito da Babilônia” presente no cenário global (Rm.8:35,38,39)”.

3. Aguardar a volta de Cristo

A volta de Cristo é a mais sublime esperança da Igreja. Viver com Cristo no Céu, eternamente, supera toda e qualquer perseguição, tribulação, tentação, provação, que venhamos a sofrer aqui; supera toda e qualquer riqueza material que a pessoa possa ter aqui. Pensar na volta de Cristo nos traz alegria e uma paz plena e profunda na alma, mesmo que estejamos passando por adversidades extremas.

Se Satanás oferecer todas as riquezas da terra em troca da desistência de nossa fé e fidelidade a Cristo, o crente deve rejeitar de imediato, pois não há comparabilidade, haja vista que tudo aqui é passageiro, efêmero como a neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg.4:14). A esperança de viver com Cristo no Céu é incomparável; logo, jamais poderá ser negociado.

Observamos claramente os acontecimentos tenebrosos que pregam com muita evidência que Cristo muito em breve virá. A apostasia crescente, a inversão de valores, as perseguições físicas e camufladas em países que há pouco tempo se consideravam cristãos, as guerras e rumores de guerras, fomes, viroses mortais, pestes, terremotos etc.; tudo isto, dantes vaticinados por Cristo e pelos apóstolos Mt.24:5-12,24; 1Tm.4:1; 2Tm.4:3), desperta-nos para a iminente volta de Jesus. Por isso, não podemos viver despercebidos diante de todos estes acontecimentos que estão ocorrendo no mundo; precisamos, como nunca, estar com a consciência e a percepção aguçada, distante das paixões mundanas e vivendo uma vida de santidade, de inteireza de coração, e em constante oração e vigilância, mantendo-nos fieis na ortodoxia bíblica, aperfeiçoando cada vez mais o caráter de Cristo e cultivando a esperança pela vinda do Senhor. Vem, Senhor! A tua Igreja, desejosa, te espera!

CONCLUSÃO

A humanidade hodierna é influenciada fortemente pelo “espírito da Babilônia”, que tem dominado todos os sistemas – religioso, político, cultural e econômico – preparando o cenário para a implementação da doutrina do anticristo, que promoverá a idolatria e a sensualidade. As práticas idolátricas do paganismo serão restabelecidas. Nesta recuperação de práticas pagãs, certamente, ressurgirá a prostituição cultual e todas as práticas sexuais que acompanhavam os rituais dos antigos deuses da fertilidade, o que será considerado natural, já que, naqueles dias, a doutrina do anticristo defenderá a libertinagem sexual e a promiscuidade, vez que a moral das Escrituras Sagradas será considerada ultrapassada e negadora da própria humanidade. Porventura, já não estamos vendo isto hoje em todo o mundo? Enquanto Jesus não voltar, a Igreja deve oferecer resistência a este “espírito” do mal (2Ts.2:6,7), dedicar-se continuamente ao estudo sistemático da Palavra de Deus (Mt.28:20), formar o caráter dos seguidores de Jesus Cristo (Gl.4:19) e santificar-se para a vinda do Senhor, pois sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

 Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

sexta-feira, 31 de março de 2023

1ª Lição do 2º trimestre de 2023: Quando a Família Age por Conta Própria



 LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 12.1-3; 16.1-5

Gênesis 12

1 - Ora, O Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

2 - E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, engrandecerei O teu nome, e tu serás uma benção.

3 - E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.


Gênesis 16

1- Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2 - E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 - Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã. 

4- E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 - Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu e, teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti.


INTRODUÇÃO

Ao longo deste trimestre, estudaremos assuntos relacionados à família. Nesta oportunidade, especificamente, ponderamos que, diferentemente de outros trimestres, os assuntos referem-se aos problemas do cotidiano familiar. Veremos o que a Palavra de Deus tem a nos ensinar quanto a problemas de comunicação conjugal, ciúmes, rebeldia, porfias, mentira, mágoas e educação de filhos, dentre outros assuntos. atitudes precipitadas de Sarai e Abrão, ao decidirem não esperar o cumprimento da promessa de Deus e agirem por conta própria, “ajudando-O” no cumprimento da promessa. Veremos as consequências de quando deixamos de ouvir a voz de do Senhor para “ouvir” a voz de um coração enganoso.


I – DEUS FAZ PROMESSAS A ABRÃO

 

1. O encontro de Deus com Abrão.

Abrão vinha de uma jornada de conquistas e vitórias pessoais desde que saiu de Ur dos Caldeus e, depois, de Harã (Gn 11.31; 12.1-4). Entretanto, o casal Abrão e Sarai não tinha filhos. No capítulo 12 de Gênesis, o patriarca tinha 75 anos de idade quando Deus lhe prometeu uma grande descendência (Gn 12.4). No capítulo 15, o Senhor lhe faz uma promessa específica de um herdeiro. E, finalmente, quando Isaque, o filho da promessa, nasceu, o patriarca tinha 100 anos (Gn 21.5). Assim, podemos dizer que Abraão esperou por 25 anos pelo cumprimento da promessa divina. 

 

2. A dúvida diante da espera.

Após a promessa de uma descendência (Gn 12), veio uma preocupação a Abrão: “Senhor Jeová, que me hás de dar? Pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer” (Gn 15.2). Esse questionamento revela que sua fé estava em crise. Abrão não conseguia ver a realização do sonho do casal, uma vez que Sarai era estéril. Não é diferente conosco também. Às vezes somos bloqueados por dúvidas que nos impedem de, pela fé, enxergar a operação do sobrenatural.

 

3. Deus garante a Abrão o cumprimento da promessa.

Como vimos, Gênesis 15.4 traz a promessa de um filho. No versículo 7, o Senhor diz: “Eu sou o Senhor” (Gn 15.7). De modo que Ele desfez a preocupação do patriarca, especificando uma promessa: “Este não será o teu herdeiro [Ismael]; mas aquele que de ti será gerado, esse será o teu herdeiro [Isaque]” (Gn 15.4). Aqui, Deus está afirmando a Abrão que suas promessas têm base no próprio caráter, pois Ele não é homem para mentir, nem filho do homem para se arrepender; “porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19). Deus cumpre fielmente a sua Palavra (Sl 89.34). Infelizmente, porém, Abrão vacilaria na fé e não transmitiria a Sarai confiança na promessa (Gn 16.2,3).

 

II – INTERFERÊNCIA NO PLANO DE DEUS

 

1. A tentativa de Sarai em “ajudar” a Deus.

Pelo processo natural, Sarai não podia gerar filhos por causa de sua esterilidade e, naquele contexto, ela estava ainda com a idade avançada. Por isso, Sarai persuadiu Abrão de que a melhor forma de ele ter um herdeiro seria tomar a serva egípcia Agar e com ela conceber um filho (Gn 16.2).

 

Naquele tempo era permitido fazer isso para que um homem tivesse um herdeiro. Essa tentativa de “ajudar a Deus” no cumprimento da promessa de um filho foi uma atitude precipitada de Abrão. Na vida conjugal, é importante que o casal crente consulte a Deus em tudo. Nesse sentido, Abrão  deveria convencer sua mulher a esperar em Deus, pois Ele cumpre a sua Palavra (1 Rs 8.56).

 

2. Os dois vacilam na fé.

No capítulo 15, Abrão é um homem de fé. Porém, no capítulo 16, a situação muda completamente porque ele preferiu ouvir a voz de sua mulher, conforme Gênesis 16.2: “E ouviu Abrão a voz de Sarai”. A verdade é que, diante da reclamação de sua esposa, Abrão aquietou-se e preferiu aceitar o argumento dela e não acreditar no milagre de ambos gerarem um filho conforme a promessa.

Os dois deixaram a lógica da fé e se apegaram à lógica meramente humana. Devemos cuidar para não interferir nos desígnios de Deus, pois isso pode significar o desvio da vontade divina. Não podemos, por causa de uma decisão precipitada, querer intervir no plano original divino.

 

3. O problema da precipitação.

Sarai abandonou e desprezou a confiança em Deus, preferindo resolver o problema ao seu modo, além de induzir seu marido à mesma atitude equivocada e incrédula. Ao afastar-se da dependência de Deus, o casal não conseguiu evitar as consequências desastrosas para sua vida (Gn 16.5-9).

 

Agar engravidou e teve o filho que Abraão sonhava ter, mas provocou o conflito familiar histórico entre Abrão e Sarai, entre Sarai e Agar e, posteriormente, entre os filhos de ambas, Ismael e Isaque. Muitos conflitos são gerados nos lares por causa de atitudes precipitadas da parte dos cônjuges. A consequência dessa precipitação de Abrão permanece até hoje, com as sementes de Ismael e Isaque, ou seja, judeus e árabes.


AUXÍLIO TEOLÓGICO

A ESPOSA SUBSTITUTA

“O tempo passou e Sarai continuava sem filhos. Deus não prometeu que o filho sairia dela [Agar] (15.4) e o problema de uma promessa não cumprida permanecia. Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da pátria de onde vieram. Este costume dizia que a esposa sem filhos tem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendência seria considerada sua. Sarai tinha uma serva egípcia chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão. Abrão aceitou a oferta e pouco tempo depois Agar teve um filho.

 

Emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providências legais. Agar ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude. [...] Era contrário ao costume da pátria de onde vieram as esposas servas mostrarem desrespeito à esposa principal. Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que Sarai agisse como quisesse” (Comentário Bíblico Beacon: Gênesis a Deuteronômio. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.63.).

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“O Senhor me tem impedido de gerar

Entre o povo da Mesopotâmia, o costume, quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filho com o esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. (1) Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (2.24). (2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do esforço humano – [...] (Gl 4.29).” Amplie mais o seu conhecimento, lendo Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, p.55.

 

III – AS CONSEQUÊNCIAS DE UMA DECISÃO PRECIPITADA

 

1. O conflito na família de Abrão.

A precipitação do casal acabou criando o conflito entre Abrão e Sarai, provocado pela nova situação a que se submeteu Agar. Discórdia e desarmonia suscitaram uma situação insustentável dentro desse lar. Agar, sentindo-se privilegiada dentro da casa de Abrão, visto que ele estava dando atenções especiais para com ela por causa do seu filho em seu ventre, provocou ciúmes em Sarai. Esta, então, começou a hostilizar sua serva (Gn 16.4-6). Essa situação ficou bem difícil dentro da casa do patriarca.

 

2. A fraqueza de Abrão.

Depois de toda a experiência com Deus e de ouvir as suas promessas divinas para a vida pessoal e familiar, Abrão optou pela fraqueza e carnalidade. Não teve firmeza para persuadir Sarai, diante do conselho de ter esse filho com Agar, a confiar em Deus e em suas promessas (Gn 16.6). Essa história nos ensina que não podemos apenas olhar para as soluções humanas. Há momentos em nossa vida que só a mão de Deus pode operar. Tenhamos sensibilidade espiritual para discernir o que está sob nossa responsabilidade e o que só depende única e exclusivamente de Deus (cf. Êx 14.15-18).

 

3. Uma opinião equivocada acerca de Deus.

Quando Sarai diz a Abrão que “o Senhor me tem impedido de gerar” parecia estar afirmando que Deus havia falhado com ela para gerar filhos (Gn 16.2). Ela afastou-se do lugar de absoluta dependência de Deus e preferiu decidir por si mesma, usando Agar como meio para o cumprimento da divina promessa. Seu coração carnal fez com que ela desprezasse a fé. Nesse sentido, a fraqueza de Abrão não foi tanto a de não agir sabiamente com Sarai quanto a convencê-la a acreditar no milagre de Deus em sua vida. Sua esposa precisava de uma experiência com Deus capaz de dar-lhe o conhecimento suficiente para entender que seu marido tinha razão no que dizia. Portanto, é preciso atentar para uma preciosa lição: os homens de Deus têm um papel de mentores espirituais em suas casas e, por isso, não podem deixar de governá-la com sabedoria (cf. 1 Tm 3.5,6).

SINÓPSE III

Uma decisão precipitada gera consequências que vão desde conflitos na família a equívocos acerca de Deus.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

Consequências da união de Abrão com Agar

“Aqui temos as más consequências imediatas do infeliz casamento de Abrão com Agar. Um grande mal se produz rapidamente. Quando nós não agimos bem, o pecado e os problemas estão à porta. E podemos agradecer a nós mesmos pela culpa e pela tristeza que nos acompanham quando saímos do caminho do nosso dever. Veja isto nesta história.

 

1. Sarai é desprezada, e, desta maneira, sente-se provocada e se irrita, v.4. Tão logo, Agar percebe estar grávida de um filho do seu senhor, passa a considerar a sua senhora com desprezo, talvez criticando-a pela sua esterilidade, insultando-a, para irritá-la (como em 1 Sm 1.6).

 

Ela estava se gabando das perspectivas que tinha de trazer um herdeiro a Abrão, para aquela boa terra, e para o cumprimento da promessa. Agora ela se julga uma mulher melhor do que Sarai, mais favorecida pelo Céu, e com probabilidade de ser mais amada por Abrão. E por isso já não é mais submissa como costumava ser.

 

Observe: 1. Os espíritos [pessoas] inferiores e servis, quando favorecidos e promovidos, seja por Deus ou pelo homem, podem se tornar arrogantes e insolentes, e esquecer seu lugar e origem. Veja Provérbios 29.21; 30.21-23. É difícil atribuir a honra àqueles que realmente devem ser honrados.

 

2. Nós sofremos, com razão, por causa daqueles a quem agradamos de maneira pecaminosa. E é justo que Deus converta em instrumentos de nossa aflição aqueles aos quais tornamos instrumentos do nosso pecado, e que nos aprisione nos nossos próprios maus conselhos: o que revolve a pedra, esta sobre ele rolará” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.94,95).

 

CONCLUSÃO

Esta lição nos ensina a respeito das promessas de Deus para a vida do crente. Entretanto, ela alerta para o perigo de nos precipitarmos com interferências no cumprimento dessas promessas. Vimos que esse tipo de atitude trouxe consequências graves para a família de Abrão. Que Deus nos livre de tentarmos interferir em seus planos, pois sabemos que sua vontade é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).