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segunda-feira, 3 de julho de 2023

2ª lição do 3º trimestre de 2023: A DETURPAÇÃO DA DOUTRINA BÍBLICA DO PECADO



Texto Base: Romanos 3:9-20

“Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm.3:20).

Romanos 3:

9.Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,

10.como está escrito: Não há um justo, nem um sequer

11.Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.

12.Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

13.A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;

14.cuja boca está cheia de maldição e amargura.

15.Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

16.Em seus caminhos há destruição e miséria;

17.e não conheceram o caminho da paz.

18.Não há temor de Deus diante de seus olhos.

19.Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

20.Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos como a deturpação da doutrina bíblica do pecado pode distorcer a compreensão espiritual. A Queda do homem no Éden trouxe sérios transtornos para todos os seres humanos subsequentes, e para toda a criação. Além da morte física e espiritual (Rm.5:12), a Queda maculou o coração do ser humano e corrompeu a sua natureza, levando-o à inclinação do erro de forma contumaz e irremediável. Disse o apóstolo Paulo: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm.5:12). Mas, a morte vicária de Cristo na cruz do calvário trouxe salvação para toda a humanidade; agora, todo aquele que nele crer tem a vida eterna (João 3:16).

No entanto, a presença e o poder do pecado ainda cercam a natureza humano. É preciso, então, ter cuidado com o pecado, pois ele é maligníssimo; ele pode levar a pessoa mais longe do que ela quer ir - ele promete prazer e paga com o desgosto; levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte; tem um aroma sedutor, mas no final cheira a enxofre e sofrimento eterno. Ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença; enfim, o pecado arruína o corpo, a alma e afasta a pessoa eternamente de Deus. Apenas os loucos brincam com o pecado. A maneira correta de lidarmos com ele é nos arrependermos sinceramente e buscar em Deus o perdão, a graça e a misericórdia (Sl.51; Hb.4:16; 7:25). Mas, infelizmente, em muitos redutos que se dizem cristãos, a Doutrina do Pecado vem sendo deturpada e enfraquecida, e esse processo tem aberto as portas para a normalização do pecado. Certamente, Jesus Cristo levará isto em conta no dia de Sua volta (cf.Mt.7:22,23).

I. O ENSINO BÍBLICO DA NATUREZA PECAMINOSA

1. Definição de Pecado

O apóstolo João nos dá a verdadeira definição de pecado: “O pecado é a transgressão da lei [de Deus]” (1João 3:4). Concordo com pr. Douglas Baptista quando ele afirma que “a palavra abrange não apenas errar o alvo, mas deliberadamente acertar o alvo errado. Trata-se de rebelião e desobediência contra Deus e a sua Palavra (1Sm.15:22,23)”. John Stott afirma que “o pecado é a revolta do eu contra Deus; é destronar Deus; é autodeificar-se; é a atrevida determinação de ocupar o trono que pertence somente a Deus”.

O apóstolo João diz que a essência do pecado é a ilegalidade. Segundo John Stott, o pecado não é apenas uma falha negativa (hamartia), uma injustiça ou falta de retidão (adikia), mas essencialmente uma ativa rebelião contra a vontade de Deus e uma violação da sua santa Palavra (anomia). Este fato é tão sério que o anticristo, o homem da iniquidade, o filho da perdição, é chamado pelo apóstolo Paulo de “ho anthropos tes anomias” - o homem sem lei, o homem da injustiça (2Ts.2:3).

Warren Wiesbe afirma que “os pecados são frutos, mas o pecado é a raiz, pois qualquer que seja a atitude exterior do pecador, sua atitude interior é a rebelião”. Nesta mesma linha de pensamento, Augustus Nicodemos, analisando 1João, afirma que pecado é transgressão da lei, seja ao fazer aquilo que ela proíbe, seja ao deixar de fazer aquilo que ela manda. Portanto, o crime do pecador é essencialmente a transgressão da Lei de Deus, pela desobediência, descaso, desprezo ou indiferença para com ela. Todo pecado, portanto, é uma rebelião contra a vontade de Deus.

João diz que “aquele que pratica o pecado procede do diabo; porque o diabo vive pecando desde o princípio...” (1João 3:8). O diabo é o pai do pecado. O pecado vem dele; logo, pecar é obedecer àquele que peca desde o princípio, em vez de obedecer a Deus.

Portanto, pecado é a condição do homem rebelde, não regenerado, não nascido de novo, não justificado, não reconciliado com Deus. Para resolver esta situação desastrosa, o ser humano precisa se tornar nova criatura em Cristo Jesus (2Co.5:19).

2. A universalidade do Pecado

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm.5:12).

A queda de Adão foi o maior desastre da História. Dessa queda decorrem todos os desastres subsequentes. Embora o pecado já tivesse ocorrido no mundo angelical com a queda de Lúcifer, na história humana o pecado foi introduzido pela queda de Adão.

O pecado é uma conspiração contra Deus, é uma transgressão da sua lei, é um ato de rebelião e desobediência a Deus. Sendo livre, Adão escolheu desobedecer a Deus; tornou-se escravo do pecado e por meio do seu pecado precipitou toda a raça humana num estado de rebelião contra Deus. O pecado, então, foi universalizado!

Todos os seres humanos pecaram em Adão, estando nos lombos do seu primeiro pai, o cabeça e o representante da raça humana. Estamos nele de modo especial, não apenas porque ele é a raiz que nos gerou, mas também porque é nosso representante e cabeça. Não apenas herdamos o pecado de Adão, mas somos como ele. Agora, cada qual é seu próprio Adão.

Pelo menos em cinco ocasiões, em Romanos 5:15-19, é apresentado e repetida a realidade de que, pelo pecado de um único homem, todos nós pecamos: “Pela ofensa de um só, morreram muitos” (5:15); “O julgamento derivou de uma só ofensa, par a condenação” (5:16); “Pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte” (5:17); “Por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação” (5:18) e “Pela desobediência de um só, muitos se tornaram pecadores” (5:19).

Portanto, como afirma o pr. Douglas Baptista, o pecado não é passado adiante meramente pela força do mau exemplo, mas é um mal inerente à natureza humana (Rm.7:14-24). Em consequência disso, todo ser humano está debaixo da escravidão do pecado e da condenação da morte (Rm.3:23; 6:23). Apesar de corrompida pelo pecado, a natureza humana pode ser eficazmente regenerada pela fé em Cristo (Rm.3:24; 2Co.5:17).

3. Corrupção Total

Romanos 3:10-12:

10.como está escrito: Não há um justo, nem um sequer; 11.Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus; 12.Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só”.

Estes textos indicam que, por causa da Queda, todo o ser interior do ser humano foi corrompido e está sob o controle do pecado: sua mente (“não há quem entenda”); seu coração (não há quem busque a Deus”) e sua volição (“não há quem faça o bem”). A corrupção é total!

Por causa da injustiça que é praticado por todos (Rm.3:10), nenhum ser humano consegue cumprir as exigências da santa Palavra de Deus. Não há justo, nenhum sequer. Todos estão aquém do padrão da perfeição, e a transgressão da Lei de Deus (1João 3:4) torna o ser humano culpado perante Deus. Há um obscurantismo intelectual em todos os seres humanos (Rm.3:11). A mente do pecador tornou-se obtusa e obscurecida para compreender as coisas espirituais. O diabo cegou o entendimento dos incrédulos. Mediante a graça comum, o homem consegue grandes avanças na ciência e é capaz de extraordinárias façanhas, mas espiritualmente ele vive imerso no mais tosco obscurantismo. Paulo se revoltou com a idolatria de Atenas, a cidade mais culta do mundo antigo; ele considerou a cultura dos grandes influentes da filosofia grega como tempos de ignorância (Atos 17:30).

Aos Romanos, Paulo diz que todos os seres humanos se extraviaram (Rm.3:12). Em vez de reconhecerem a majestade de Deus na obra da criação, perverteram o culto a Deus em vil idolatria. Essa apostasia não foi por falta de luz, mas por rebeldia deliberada. O homem sacudiu de sobre si o jugo de Deus; abandonou a fonte da vida para cavar cisternas rotas; abandonou o Deus verdadeiro para se prostrar diante de ídolos criados por suas próprias mãos (Is.2:8). Abonar a Deus, porém, é desembocar na degradação moral (Rm.5:12). Porque os homens abandonaram a Deus, chafurdaram-se no pântano nauseante das práticas mais aviltantes. Todos os seres humanos deixaram a prática do bem para se entregar à prática do mal.

Diante de tão desastrosa situação, por causa do pecado, somente por meio da graça de Deus o ser humano pode receber capacidade para crer, arrepender-se e ser salvo (R.3:24,25); sozinho, ele não consegue se libertar da escravidão do pecado, é preciso da ajuda do Espírito Santo e de sua graça maravilhosa, divinamente ofertada (R.6:23; Ef.2:8,9).

II. AS TEOLOGIAS MODERNAS

1. Teologia do pecado social

“A teologia latino-americana aponta, além dos pecados litúrgicos, também os pecados sociais evidenciados por meio dos problemas sociais, econômicos e políticos, pecados cometidos por aqueles que fazem uso do seu poder de compra, do seu “capital” para manipular e explorar aqueles que nada tem, não levando em consideração o direito ou dignidade do ser humano, apenas o que é de interesse pessoal das classes mais abastadas. A partir dessa perspectiva pode-se enxergar a existência do pecado estrutural, através do qual se dá a destruição das vidas humanas. Porém, se faz necessário dizer que o pecado está nos mantenedores deste contexto social, que se entregam às estruturas de poder e se usufruem suas facilidades” (Alexandre Alves da Silva).

Eu diria que o pecado social (estrutural) é uma consequência do pecado pessoal, moral, que é o gerador de todos os distúrbios que a sociedade padece, principalmente o distúrbio social. Vive-se num mundo injusto e desigual em todos os sentidos - econômico-financeiro, social, político etc.-, por causa do pecado moral. Este pecado gera injustiça, ou seja, toma indevidamente algo que não é seu, em que acrescenta demasiadamente para um e faz faltar para outrem. Assim, se, ao pecar, afastamo-nos de Deus, o resultado disto é a injustiça, a iniquidade, a desigualdade. Um Dia, o ímpio prestará conta de toda a iniquidade carregada consigo e ouvirão a dura sentença: “nunca vos conheci” (Mt.7:21-23), precisamente porque tem o mal dentro do seu coração (Sl.28:3).

João Paulo II, em sua encíclica sobre a justiça social (Sollicitudo Rei Socialis), disse que "pecado social" ou "pecado estrutural" procede do acúmulo de pecados pessoais. "Trata-se", diz o Papa, "de uma questão de mal moral, o fruto de muitos pecados que conduz às 'estruturas de pecado'".

Considerando que a fonte do "pecado social" ou "pecado estrutural" é o pecado pessoal, a solução encontra-se em nossas ações pessoais. Devemos fazer mais do que mudar "o sistema", devemos mudar a nós mesmos.

Portanto, priorizar a solução das questões sociais como, por exemplo, eliminar a pobreza, a injustiça e a desigualdade, não levando em consideração que a degradação moral é a fonte geradora de todos os males sociais, é uma inversão de valores e uma deturpação do ensino a respeito do pecado. A Igreja de Cristo é terminantemente contra a situação do pecado que traz ao mundo a desigualdade social. A justiça de Deus não compactua com a corrupção, com a fome e o sofrimento dos mais carentes. É mandamento bíblico: “Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado” (Pv.31:20).

Enquanto houver governo humano e Satanás continuar solto (ler Ap.20:2), sempre haverá desgraças no mundo, principalmente injustiça e desigualdade social. Por isso, o nosso clamor cotidiano deve ser: “Venha o Teu Reino” (Mt.6:10).

2. Teologia da libertação

A Teologia da Libertação é um movimento apartidário que engloba várias correntes de pensamento interpretando os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas condições sociais, políticas e econômicas. Ela não se baseia na interpretação bíblica fiel, mas na realidade da pobreza e da exclusão social. Apesar de sua internacionalização, a América Latina reúne seus maiores representantes como o padre peruano Gustavo Gutiérrez, o brasileiro Leonardo Boff e o uruguaio Juan Luís Segundo. Para eles, o estudo teológico não deve estar centrado em doutrinas bíblicas para libertar o homem do pecado, mas na indignação social para libertar o homem da injustiça social, econômica e cultural. Desse impulso surgem as teologias de cunho emancipatório de gênero (transexualidade), de sexualidade (homossexualidade) e de raça. Uma de suas vertentes é a Teologia da Missão Integral (TMI). Ao agregar várias correntes de pensamento, o movimento absorveu crenças da Umbanda, do Espiritismo, do Islamismo e até do Xamanismo.

A Teologia da Libertação foi acusada de deturpar a doutrina cristã ortodoxo tradicional e é criticada por adotar o marxismo como base ideológica. Ela prega um conceito marxista inspirado nas teorías comunistas de Karl Marx, segundo o qual haverá um paraíso na Terra quando os pobres retirarem dos ricos as riquezas e as distribuírem, criando assim uma sociedade sem classes (sic). O mecanismo desta revolução seria a "luta de classes" - os pobres, revoltando-se contra a sua pobreza; agindo assim, conquistariam o poder e assegurariam uma distribuição igualitária de todos os bens materiais. Para o marxista, logo, para a Teologia da Libertação, o único pecado que existe é a acumulação de riquezas, vista por eles como essencialmente ruim. Do mesmo modo, eles veem em qualquer hierarquia um pecado contra a "igualdade" que eles creem existir entre os homens. Assim, este movimento considera que o que realmente importa é pregar entre os pobres a revolta contra os ricos, com o fim de estabelecer uma sociedade igualitária.

Até mesmo a Instituição Católica não concordou com as doutrinas marxistas desse movimento, e dedicou dois documentos a ela na década de 1980, considerando-a herética e incompatível com a sua doutrina e dogmas. Sem dúvida, esse movimento é uma heresia gravíssima e de cunho materialista, tendo como pilar principal as ideias socialistas de Karl Marx. Ele apresenta uma visão de mundo contrária à ortodoxia da doutrina cristã bíblica, e que está disfarçada com um vocabulário aparentemente cristão.

Infelizmente, muitos que cristãos dizem ser, têm caído nas redes deste movimento marxista enganoso. E, apesar de seu declínio nestes últimos tempos, ainda apresenta forte influência no orbe do cristianismo, inclusive em vários segmentos do orbe evangélico tradicional. Isto é um erro crasso, que demonstra um desconhecimento cabal das doutrinas bíblicas ortodoxas. Enquanto a presença e o poder do pecado estiverem impregnados na natureza do ser humano, haverá injustiça e desigualdade social; isto só será extinto quando Jesus voltar para instalar o seu Reino milenial em que será debelada toda a injustiça que hoje impera em todas as instituições governadas pelo ser humano.

3. Liberalismo teológico

O Liberalismo Teológico é uma corrente teológica que tem como premissa principal a negação da inspiração, suficiência, autoridade e inerrância das Escrituras Sagradas.

Por muitos séculos, ou por mais de mil anos, desde que o Cristianismo foi declarado como sendo a religião oficial do Império Romano, isto ainda no início do século IV, a Igreja na medida em que foi assumindo o poder secular foi, também, impondo aquilo que o alto Clero entendia como sendo a Verdade. A Igreja não permitia que seus fiéis, no uso da fé, buscassem eles mesmos a Verdade, conforme revelada na Palavra de Deus. Só os escolhidos, especialmente o Clero alto da instituição, podiam interpretar as Escrituras. A tradição da igreja ocupava lugar de relevo, juntamente com a alegorização das Escrituras. Na Idade Média era comum o emprego de encadeamentos — cadeias de interpretações formadas a partir dos comentários dos pais da igreja. A maior parte dos encadeamentos medievais estava baseada nos pais latinos Ambrósio, Hilário, Agostinho e Jerônimo.

Terminada a Idade Média, com o declínio do poder Papal, a “Igreja” perdeu aquele poder de exigir lealdade absoluta e fidelidade às verdades por ela proclamada. Surgiu, então, o Iluminismo, e a ordem era: tudo o que não puder ser provocado pela razão, deve ser negado. O Iluminismo foi o movimento cultural que se desenvolveu na Inglaterra, Holanda e França, nos séculos 17 e 18. Os filósofos e economistas deste movimento julgavam-se propagadores da luz e do conhecimento, por isso, o nome iluminista. Esse movimento foi fundado de forma especial no Racionalismo proposto por um materialista ateu, um ímpio francês a serviço de Satanás, chamado René Descartes (1596 – 1650).

Assim, baseado na necessidade da prova racional, a fé foi abolida e, com ela, a própria existência de Deus e, por conseguinte, a criação dos céus e da terra, incluindo, é claro, a criação do homem, conforme descrito na Bíblia. Também a própria Bíblia deixava de ser aceita como sendo a Palavra de Deus, pois o próprio Deus, segundo essa teoria, não existia.

No entanto, esta negação radical de verdades tão profundas, arraigadas nas mentes ou nos corações das pessoas, não era assim tão fácil de ser imposta à população. Deus, Sua Palavra, a fé, os sinais sobrenaturais, os milagres registrados na Bíblia, não poderiam ser taxados, abruptamente, como sendo tudo mentira, tudo invenção da Igreja. Satanás sabia que seria necessário suavizar um pouco a negação total das verdades até então aceitas ou impostas. Então nasceu a Teologia Liberal, que foi lançada com o objetivo de se opor ao Racionalismo extremado do Iluminismo. Lançar a dúvida seria melhor que negar de forma categórica – pode ter sido o plano engenhoso de Satanás.

O Iluminismo negou tudo o que o povo conhecia como sendo Verdade - negou a existência de Deus, de sua Palavra, da fé, dos milagres. Só seria aceito como Verdade o que pudesse ser comprovado pela Razão. Porém, se primeiro for lançada a dúvida sobre a honestidade de alguém, essa dúvida passando de pessoa a pessoa, acaba sendo aceita como se fosse verdade. Diríamos que a Teologia Liberal foi sendo aceita dentro deste princípio.

Abriu-se a possibilidade para a dúvida, para a especulação, para o homem pensar e tirar as suas conclusões. Permitiu-se duvidar da autenticidade da Bíblia, da sua inspiração Divina, da sua Inerrância, ou seja, da Doutrina Ortodoxa, segundo a qual a Bíblia não contém qualquer erro, ou seja, que ela é a infalível Palavra de Deus. Permitiu-se duvidar da realidade dos fatos sobrenaturais, ou milagres por ela narrados e transformar em mitos acontecimentos reais que só podem ser aceitos pela fé. Tudo começou quando um daqueles que “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm.1:22), por nome de Jean Astruc, que viveu entre 1684 e 1766, e que, por inspiração satânica, escreveu um livro no qual pôs em dúvida a autoria dos cinco primeiros livros da Bíblia, como sendo de Moisés.

Conforme afirmamos, pelo caminho da dúvida é mais fácil, com o tempo, fazer crer que uma mentira se pareça com a Verdade. Embora tenha sido esta a raiz história da Teologia Liberal, ela, na verdade, se firmou no final do século XVIII, mas as ideias, deduções e princípios teológicos liberais, humanistas e corrompidos tiveram seu início na primeira parte do século XIX.

Vejamos, suscintamente, alguns pressupostos da teologia liberal:

a) A Bíblia é um documento humano, e não inspirado. A primeira característica da teologia liberal é considerar que a Bíblia é um documento humano, ou seja, não creem no caráter sobrenatural das Escrituras. Consideram-na um livro igual a qualquer outro, um livro que reproduz a história de Israel (Antigo Testamento) e da Igreja primitiva (Novo Testamento), mas que seriam resultado da cultura e da história, tendo o mesmo valor que outros textos religiosos e mitológicos que têm sido encontrados pelos historiadores.

b) Os milagres bíblicos são duvidosos. A teologia liberal se caracteriza por procurar se basear nos estudos científicos e filosóficos atuais, mais do que nas próprias Escrituras Sagradas. Ela utiliza-se de conceitos, princípios e pensamentos de cientistas e filósofos do seu tempo e aplicá-los aos estudos das Escrituras.

Nada há de errado, a priori, do uso de conceitos e de métodos estabelecidos na ciência e na filosofia, mas o teólogo deve, em primeiro lugar, tomar como ponto de partida não a razão, mas, sim, a revelação que se encontra na Bíblia Sagrada, pois são as Escrituras que testificam de Cristo (João 5:39). A verdade é a Palavra (Jo.17:17). Tudo passa, menos a Palavra de Deus (Mt.24:35; 1Pd.1:25).

c) Jesus não é o Filho de Deus. Negando a autenticidade da Bíblia, transformando-a num livro mitológico, negando a veracidade dos milagres nela registrados, é claro que não haveria possibilidade de aceitar o Senhor Jesus como o Filho de Deus, enviado como Redentor da humanidade. Eles chegam, mesmo, a duvidar da existência de Cristo; apenas admitem a existência de um “Jesus histórico”, ou seja, que Jesus foi um grande pensador, um grande profeta, um grande filósofo, um homem extraordinário, cuja mensagem conseguiu transformar o mundo de seu tempo, mas que não conseguem ver nEle o Salvador do mundo. Não podendo negar a sua existência, pois para isso teriam que negar a própria história, aceitam-no como homem comum, porém, negando seu nascimento virginal e a sua divindade.

Temos, pois, que a Teologia Liberal simplesmente abdica do seu papel de sistematizadora da mensagem divina, para substituí-la por uma mensagem ética, moral, sociológica, filosófica, ou seja lá o que for, mas que não vislumbra, em momento algum, o “estudo de Deus”. Portanto, ela deixa de ser, em essência, uma teologia para ser apenas um estudo humanístico, uma vertente filosófica, uma vã filosofia, que se constrói segundo os rudimentos do mundo, segundo a tradição dos homens e não segundo Cristo (Cl.3:8).

O liberalismo teológico ainda continua vivo e distribuindo morte espiritual por onde passa. Sua sombra continua a ser sentida domingo após domingo em púlpitos por todo o mundo, inclusive no Brasil. O seu ideário de oposição às doutrinas bíblicas ortodoxas, que se fundamentam na revelação das Escrituras (2Tm.4:3), continua em plena sustentação - “troca-se a mensagem da salvação de arrependimento, confissão de pecados e mudança de caráter por uma visão progressista que enfatiza a transformação social pelo paradigma do marxismo. Assim, o pecado é relativizado, o ecumenismo religioso é propagado e toda experiência espiritual é considerada válida”.

Mas, a verdadeira teologia bíblica proveniente da doutrina do Senhor não perdeu o seu espaço; ao contrário, ela continua firme e crescente através do empenho de homens comprometidos com Deus e com a defesa da fé mediante a exposição correta e ungida das Escrituras Sagradas.

III. A NORMALIZAÇÃO DO PECADO

1. Crise ética e moral

Ética é o conjunto de padrões, de valores, que regulam a conduta de um indivíduo, e a prática dessa conduta recebe o nome de moral. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética.

A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no Jardim do Éden por Deus, o primeiro casal recebeu uma determinação de Deus: "De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás" (Gn.2:16b,17). Como se percebe, portanto, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético.

O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários aos ditames da Bíblia e à vontade do Senhor.

O homem, imerso no pecado (Rm.3:9-12,23), separado de Deus (Is.59:2), cegado pelo deus deste século (2Co.4:4), não pode ter senão comportamentos e condutas que desagradam a Deus, estabelecendo-se, pela sua arrogância, um relativismo ético, ou seja, um conjunto de condutas e de regras de comportamentos que se alteram conforme a conveniência e de acordo com as circunstâncias, a gerar uma tolerância ilimitada, um verdadeiro caminho largo, em que tudo é permitido (Mt.7:13). Vemos nestes tempos pós-modernos de cultura degradante, a normalização de temas progressistas que violam a ética e a moral bíblicas, tais como: a imoralidade sexual, o aborto e o uso de drogas ilícitas. Isto tem levado a sociedade atual a impolidez ética e se tornado moralmente desajustada.

O seguidor de Cristo jamais deve se amoldar a estas paixões mundanas (1Pd.1:14) que deturpam o caráter cristão (Rm.12:2); deve, sim, buscar a santificação em todo o procedimento (1Pd.1:15), porque está escrito: “sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:16), e, sem santificação, ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

2. Imoralidade sexual

“Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos” (Rm.6:12).

Nunca se viu tanta imoralidade como ocorre hoje em todo o mundo. As redes e as mídias sociais têm favorecido largamente a sua proliferação. O sexo criado por Deus para ser utilizado no casamento formal entre um homem e uma mulher (Gn.2:24) foi banalizado. Dizem, atualmente, que não se deve oprimir o corpo, e em defesa da liberdade (liberdade ou libertinagem?) de decisão sobre o corpo, banaliza-se o sexo pré-conjugal, normaliza-se o sexo extraconjugal e a homossexualidade (Rm.1:26,27).

Há um afrouxamento, sem par, da ética e da moral como foram estabelecidas por Deus. A propagação midiática e gráfica da ideologia de gênero, e a erotização da infância, têm se alastrados, com a devida anuência das instituições governamentais, nas mídias sociais e adentrado as escolas sem nenhum obstáculo ou impedimento pelos órgãos do judiciário. Estamos vivendo num mundo de trevas, onde o poder e a presença do pecado têm dominado as pessoas com facilidade.

Quando o pecado reina, os indivíduos se tornam capachos de sua implacável tirania. O reinado do pecado é um domínio de opressão. O pecado escraviza e mata. Os súditos do pecado vivem prisioneiros de suas paixões e oferecem os membros do seu corpo à iniquidade.

No reinado do pecado, as pessoas são escravas, e não livres; elas se afundam no atoleiro dos vícios e perversões e usam seu corpo para atender os ditames do pecado. Assim, o pecado é tolerado, a família é desconstruída e a doutrina da santidade é negligenciada (Hb.13:4).

Mas, no reinado da graça, aqueles que são seguidores fiéis de Cristo, uma vez que não estão debaixo do domínio do pecado, não devem oferecer o seu corpo para servi-lo nem os membros do seu corpo para fazer sua vontade. Nosso corpo deve estar a serviço do Reino de Deus. Os membros do nosso corpo não devem ser janelas abertas para o pecado, mas devem ser instrumentos da realização da vontade de Deus. Não precisamos dar uma parte da nossa vida a Deus e outra parte ao mundo. Como diz William Barclay, “para Deus é tudo ou nada”.

3. A dessacralização da vida

Nunca se vulgarizou tanto a vida física e espiritual como neste século vinte um. Nunca o ser humano afrontou tanto o seu Criador como nestes últimos tempos. A vulgarização do pecado fomenta ideologias que desprezam a sacralidade e a dignidade humana. A sociedade está cada vez mais mergulhada na libertinagem sob o auspicio de um pseudodireito de fazer o que quer com o corpo físico sem as devidas limitações éticas e morais. Aliás, ética e moral estão desaparecidos do dicionário desta cultura degradante pós-moderna. O slogan “meu corpo, minhas regras” reivindica o falso direito de a pessoa usar drogas, prostituir-se, abortar, cometer suicídio e eutanásia. Entretanto, a vida pertence a Deus (1Sm.2:6); logo, é inviolável e deve ser valorizada (2Pd.1:3), e o corpo humano, invólucro da alma, deve ser cuidado, alimentado e preservado (Ef.5:29).

A Bíblia não mudou e nem nunca mudará, porque o seu autor, Deus, não muda (Ml.3:6). Ela diz que o corpo do crente em Cristo Jesus é o “templo do Espírito Santo”, logo, não deve ser profanado (1Co.6:19). Sendo templo, é algo que é sagrado, algo que se encontra dedicado para o serviço de Deus. Sendo assim, devemos manter o nosso corpo em santificação, porque Deus é santo. Não só não podemos usar nosso corpo como instrumento do pecado, porque isto é comportamento de quem não alcançou a salvação (Rm.6:12,13), como também devemos ter o corpo pronto para ser oferecido em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional (Rm.12:1).

CONCLUSÃO

O salário do pecado é a morte, que significa separação de Deus por toda a eternidade. A única esperança para o ser humano é o Senhor Jesus, o único que pode restaurar o ser humano a Deus. Está escrito: "E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, em que devamos ser salvos" (Atos 4:12). Como conseguir esta Esperança? Aceitando Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Está escrito"Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Rm.10:9,10). Você pode ter esta Esperança agora. A Bíblia diz: "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm.10:13); "No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o dia da salvação" (2Co.6:2). Uma vez regenerado pela fé em Cristo, a pessoa repudia atos imorais, as injustiças, as desigualdades sociais contra o seu próximo (Rm.1.18; 1Co.13:6), e segue os ditames das Escrituras Sagradas como regra de fé e conduta, porque são elas que testificam de Cristo (João 5:39).


Fonte: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC


segunda-feira, 26 de junho de 2023

1ª lição do 3º trimestre de 2023: A IGREJA DIANTE DO ESPÍRITO DA BABILÔNIA



Texto Base: Apocalipse 17:1-6

“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra” (Ap.17:5).

Apocalipse 17:

1. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas,

2. com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.

3. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.

4. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição.

5. E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra.

6. E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

INTRODUÇÃO

O Cristianismo bíblico, no cenário atual, está passando por uma forte oposição por parte de instituições governamentais, econômicas, políticas e culturais, instituições essas dominadas por forças malignas.

Em todos os países não se pode mais pregar livremente o Evangelho de Cristo. Falar contra o aborto, a homossexualidade, a indissolubilidade da família, o casamento de pessoas do mesmo sexo, pregar contra o satanismo, expulsar demônios etc., o pregador sofreará fortes represálias e será julgado e preso por defender os princípios doutrinários exarados nas Escrituras Sagradas. Em vários países como, por exemplo, o Canadá as Bíblias estão sendo queimadas ou rasgadas publicamente.

Recentemente, em Fortaleza, um pastor estava pregando sobre a Salvação em um culto na Igreja onde ele é o pastor-líder, e num determinado momento ele disse que Jesus tem o poder de salvar qualquer pecador, por maior que seja o pecado que ele cometera; ele disse que Jesus tem o poder de salvar a prostituta, o gay etc. Pelo fato de ter mencionado a palavra “gay”, no dia seguinte ele foi intimado pelo Ministério Público para dar explicações sobre a sua mensagem, pois tinha desagrada a comunidade LGBTQI.

Certamente, a oposição de Satanás nunca foi tão forte e inibidora como nestes últimos dias da Igreja na Terra. Sem dúvida, isto é um grande aviso a todos os verdadeiros cristãos que Cristo estar prestes a voltar para Arrebatar a Sua Igreja e estabelecer o seu reino milenial. A Igreja precisa estar alerta acerca dos aspectos gerais do “espírito da Babilônia” presente no cenário global em que vivemos, e, com sabedoria e prudência, resisti-lo, utilizando-se das armaduras que o Espírito Santo dispõe a todos nós (Ef.6:11), “para que possamos resistir no dia mau e, depois de termos vencido tudo, permanecermos inabaláveis” (Ef.6:13).

I. BABILÔNIA E SEUS SIGNIFICADOS

Segundo comentário na Bíblia de Estudo Pentecostal, a Babilônia mencionada em Apocalipse 17:5 é símbolo para todo o sistema mundial que tem sido dominado por Satanás ao longo da história, aplicando seus planos perversos aos aspectos político, religioso, econômico e comercial. A João foi revelada que essa Babilônia será completamente destruída durante os últimos três anos e meio do período da Grande Tribulação pelos juízos de Deus sobre a terra. Segundo entendimento do comentarista Stanley M. Horton, embora a Babilônia venha identificada das mais diversas formas (conforme veremos nesta lição), ela representa, na verdade, o presente sistema mundial - o mundo que a Bíblia diz estar no maligno (1João 5:19).

1. A Grande Prostituta (Ap.17:1,2)

1. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas,

2. com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.

Um dos anjos que tinham as sete taças veio até o apóstolo Joao e mostrou a ele contra o que elas estavam dirigidas. O anjo mostrou a João a condenação que virá sobre a “grande prostituta”, a qual trata-se da Babilônia religiosa, e abrange todas as religiões falsas, inclusive o cristianismo apóstata (Ap.17:5). Na Bíblia, os termos prostituição e adultério, quando empregados figuradamente, normalmente denotam apostasia religiosa e infidelidade a Deus (cf. Is.1:21; Jr.3:9; Ez.16:14-18; Tg.4:4), e significam um povo que professa servir a Deus enquanto, na realidade, adora e serve a outros deuses.

Para os primeiros cristãos, esta “grande prostituta” representava o antigo império romano com os seus inúmeros deuses e sua imoralidade que era bastante notória. A Roma antiga era a capital do vasto e poderoso império romano, um império que se estendia desde a Inglaterra até a Arábia. Na época de João, Roma era a maior cidade do mundo, com uma população de aproximadamente um milhão de pessoas, segundo os historiadores. Mas, com todo o seu poder, ela era extremamente imoral. Os cristãos entravam em conflito com a sociedade ímpia e os perniciosos valores romanos e, portanto, eram impiedosamente perseguidos. Com o histórico do paganismo e da perseguição romana, não é de admirar que Roma fosse vista como uma representação clara do mal. Ela tornou-se um símbolo do paganismo e da oposição à Igreja do Senhor Jesus na Terra.

Mas a “prostituta” mencionada representa muito mais do que simplesmente o império romano; ela simboliza qualquer sistema econômico, político, cultural ou militar que seja hostil a Deus, e é um sistema mundial futuro que irá abranger todas as nações e que será imoral e completamente contrário a Deus. Nessa ocasião, irá ocorrer a grande apostasia – muitos se afastarão de Deus e seguirão as bestas - o Anticristo e o Falso Profeta.

A “prostituta” mencionada, que “está assentada sobre muitas águas”, é descrita em 17:15 como “povos, multidões, nações e línguas”. A “grande prostitua”, portanto, representa todas as forças do final que se unirão em oposição a Deus. O “espírito da Babilônia” já opera fortemente no mundo e domina completamente o sistema econômico, político, religioso e cultural.

A “grande prostituta”, em lugar de ser descrita como qualquer cidade em particular, de qualquer período, existe onde há engano satânico e resistência a Deus. Isto era verdade em muitos reinos antigos como Babilônia, Egito, Tiro, Nínive e Roma. Ela representa o poder de sedução de qualquer sistema governamental, político, religioso, econômico e cultural, que usa meios pervertidos para conseguir o seu próprio intento contrário ao padrão moral de Deus. Não importa qual postura, lícita ou ilícita, ética ou amoral, a ser utilizada para conseguir a sua própria prosperidade e as suas próprias vantagens iniquas. Enfim, “a Babilônia” é identificada como uma das facetas da imoralidade e dos falsos sistemas mencionados anteriormente (Ap.14:8; 17:5).

2. A Mulher e a besta Escarlata (Ap.17:3,4)

3. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.

4. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição.

João foi levado “em espírito a um deserto” (17:3) onde ele iria ver a “grande prostituta” (Ap.17:1), “uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate”. Muito provavelmente, essa “besta de cor escarlate” é Satanás, pois ele é descrito em Ap.12:3 como um “grande dragão vermelho”. Mas esta besta também é identificada com a “besta que saiu do mar” (Ap.13:1). Todas elas têm a mesma origem – e todas são descritas como tendo “sete cabeças e dez chifres” (como se observa em Ap.12:3 e 13:1). Estas cabeças e estes chifres também são descritos por João em Ap.17:9-18, e eles simbolizam os poderes do mundo e a sua força política (Ap.17.3c,10,12). A “mulher” representa o sistema maligno do mundo; a “besta”, que é o Anticristo controlado por Satanás, representa o poder que sustenta este sistema mundial; ela é o inimigo supremo da Igreja e do povo de Deus.  A “besta do mar” também é descrita como tendo em cada cabeça nomes que blasfemavam contra Deus. Os “nomes de blasfêmia” são provavelmente os nomes que a besta assume ao chamar a si mesma de Deus.

A “mulher”, a grande prostituta, João a viu vestida “de púrpura e de escarlata” (Ap.17:4), o que significava realeza e luxo. As tinturas púrpura e escarlate eram extremamente caras no primeiro século; nenhuma pessoa comum tinha condição financeira de usar púrpura ou escarlate. A “prostituta” também estava adornada “com ouro, pedras preciosas e pérolas” (Ap.17:4), o que significa riquezas materiais e consumismo exacerbado.

A “mulher” estava segurando “um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição” (Ap.17:4). De certa forma, este era o seu ser interior – ela era extremamente imoral. Ela era uma prostituta – belamente vestida, mas obscena e impura. A sua aparência não podia esconder o que havia no seu cálice. O pastor Douglas Babtista afirma que “o cálice em sua mão diz respeito às abominações e as imundícias da sua prostituição (Ap.17:4c), o que representa toda a forma obscena e impura de contaminação do padrão moral e espiritual da sociedade.

A “besta” na qual a mulher está montada é que saiu do mar (Ap.13:1), que será o Anticristo que, pelo poder de Satanás, faz oposição aos seguidores de Jesus Cristo (2Ts.2.4,9,10). Ele profere blasfêmias em consciente repulsa ao senhorio de Cristo (Ap.13.6; 17.3b).

3. Mistério: a Grande Babilônia (Ap.17:5)

“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra”.

Na sequência da revelação, o nome da prostituta é desvendado: “Mistério, a Grande Babilônia” (Ap.17:5a). O termo “mistério” indica que o nome “babilônia” não é meramente geográfico, mas simbólico, e mostra que a verdadeira origem e natureza do mal está sendo revelada.

Segundo o pastor Douglas, a Babilônia é a mentora de toda a rebelião contra Deus e a consequente depravação da sociedade. Ela sempre trabalhou, e se intensificará cada vez mais na Grande Tribulação, para desconstruir a fé bíblica e impor sua religião apóstata com uma cultura de oposição à fé cristã e a todos os seguidores de Cristo. Não se trata apenas de uma cultura sem Deus, mas de uma cultura contra Deus.

O título “a Grande Babilônia” descreve todo um sistema mundial que será a culminação de todo o mal, afastando as pessoas de Deus.

A “mulher” referida em 17:4 é um retrato da cidade antiga da Babilônia, que tinha levado o povo de Deus ao cativeiro; ela também é um retrato da Roma antiga, com o seu luxo e a sua decadência. Mas ela é muito mais do que simplesmente uma cidade ou um império em particular na história; ela é, na verdade, a “mãe” de tudo isto, ela é a origem de todo o mal, a origem de toda rebelião contra Deus ao longo da história, da qual muitas nações participaram; ela é “a mãe das prostituições e abominações da terra”.

Apesar de todos os seus adornos, a Babilônia nada mais é do que uma “prostituta” que tem sempre se rebelado contra Deus, com a manifestação de sua imoralidade, perversidade, injustiça e inversão dos valores absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Segundo William Hendriksen, a Babilônia simboliza a concentração do luxo, do vício, e do encanto deste mundo; é o mundo visto como a personificação da “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e da soberba da vida” (1João 2:16).

II. O ESPÍRITO DA BABILÔNIA

O “espírito da Babilônia” tem revelado e estimulado uma cultura que é completamente contra Deus, mas também tem atuado de forma abrangente nos sistemas político, cultural e econômico.

1. No sistema religioso

A “grande prostituta”, a Babilônia, é conhecida pela sua sedução (Ap.17:2,4,5), principalmente no campo espiritual. Neste aspecto, o “espírito da Babilônia” tem seduzido e inebriado inúmeras pessoas pela “prostituição espiritual. As pessoas seduzidas são contaminadas pelo orgulho e pelo ego, tornando-as amantes de si mesmas, amantes do dinheiro e dos deleites da vida (2Tm.3:2-4).

A Bíblia usa repetidas vezes expressões que indicam uma prostituição espiritual ao referir-se à corrupção do amor ao Senhor. Esaú é um exemplo negativo disto nas Escrituras; ele tinha direito à herança de Abraão e Isaque por nascimento, mas desprezou-a e ficou conhecido como alguém que se prostituiu - “E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou” (Hb.12:16,17 – ARC).

A Palavra de Deus emprega este mesmo exemplo de prostituição com relação a Israel, que deixou de amar e seguir ao Senhor: “A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia” (Jr.2:1,2).

Deus compara o Seu povo a uma noiva e enfatiza que Ele se lembrava do amor do seu povo, antes que se corrompesse. E Ele continua empregando exemplos de prostituição na mensagem dada ao profeta: “A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mau e quão amargo é deixares o Senhor, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos. Ainda que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías” (Jr.2:19,20). Novamente vemos os termos “infidelidade” e “prostituição” sendo usados. Quando permitimos que o nosso amor se corrompa e nos afastamos do Senhor, estamos praticando “adultério espiritual”.

A “grande prostituta”, dominada por Satanás, tem dado de beber do vinho da sua devassidão a todos os habitantes da terra, e o seu campo prioritário de sedução é o religioso. Ela tem atraído multidões ao longo de sua história. Ela não impõe limites. As heresias, o liberalismo, o ecumenismo doutrinário, o relativismo moral, o humanismo, a liberdade sem responsabilidade e o sincretismo são expressões dessa “grande prostituta” que seduz as pessoas a viverem na impiedade e na devassidão. Mas, nas palavras do pr. Douglas Baptista, “o argumento de ‘liberdade’ estimula a devassidão por meio do afrouxamento da moral (2Pd.2.19); o ecumenismo doutrinário provoca a erosão da fé bíblica (Gl.1.6,8); o relativismo rejeita a doutrina dos apóstolos e a autoridade bíblica (2Tm.4.3); o humanismo reinterpreta e ressignifica os mandamentos divinos (2Pd.3.16); o sincretismo mistura o sagrado e o profano (2Co.6.16,17). Assim, tudo passa a ser permitido e a verdade é desconstruída (2Tm.3.7). Quando a Igreja verdadeira se impõe contra esses comportamentos é brutalmente perseguida (Mt.24.9)”.

2. No sistema político e cultural

Outros campos de atuação do “espírito da Babilônia”, é o sistema político e o sistema cultural. Todos os sistemas políticos e governamentais têm sido inteiramente fomentados e dominados pela “grande prostituta”. Não é à toa que João diz que o “Mundo inteiro jaz no maligno” (1João 5:19).

Certa feita, Jesus explicando a parábola do joio do campo disse: “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo” (Mt.13:37-39). A influência maligna nestes sistemas governamentais do mundo tem trazido forte oposição aos absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas.

No sistema cultural, o “espírito da Babilônia” tem também exercido forte influência e levado inúmeras pessoas a se desviarem dos valores morais de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Os valores morais absolutos estão ficando cada vez mais enfraquecidas e relativizados. Cada vez mais, pautas progressistas de inversão de valores são impostas em afronta à cultura judaico-cristã, tais como: apologia ao aborto, ideologia de gênero, legalização das drogas, casamentos de pessoa do mesmo sexo e da prostituição. Mas Deus exorta de forma contundente: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is.5:20).

Nestes tempos de inversão de valores, quem discordar do relativismo moral e defender os valores morais descritos na Bíblia Sagrada é logo reprimido e estigmatizado como “fundamentalista”, e levado ao “paredão” de julgamento. Os vigilantes da cultura diabólica do erro que impera no mundo de hoje estão prontos para impor censura contra quem defende os valores judaico-cristãos exarados na Bíblia Sagrada.

Apesar dessa cultura decadente que impera no mundo de hoje, é válido dizer que os valores morais absolutos emanados de Deus são imutáveis e universais. Estes Valores morais estão consubstanciados na Lei Moral de Deus; e a Lei Moral não foi estabelecida no Sinai, ela já existia muito antes que Israel existisse, também muito antes que o primeiro livro da Bíblia Sagrada fosse escrito. Ela foi incluída na Lei de Moisés e continua em vigor em todo o mundo. Ela reflete o caráter de Deus e revela sua vontade – assim, o que no princípio era imoral, era pecado, continua sendo imoral e pecado. O caráter de Deus é imutável, conforme ele mesmo declarou: “Porque eu, o Senhor, não mudo...”(Ml.1:17), e mais: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje e eternamente”(Hb.13:8). Portanto, Deus sendo eterno, sua natureza moral, bem como sua vontade, não pode mudar.

Nas últimas décadas, várias mudanças foram inseridas nas sociedades de todo o mundo, devido ao avanço tecnológico de meios de comunicação de última geração: internet, satélites, computadores, telefones celulares, smartphone, dentre outros, bem como a proliferação das mídias e redes sociais em suas diversas facetas. Assistimos às transformações na forma de agir e pensar, no estilo de vida, nos desejos, na conduta e nas atitudes sociais, religiosas, políticas e econômicas. É a realidade do universo on-line, onde tudo se movimenta com muita facilidade e rapidez para as diversas direções.

O “espírito” da grande prostituta, tem agido através da grande mídia, das artes, da literatura, das escolas e universidades para promover o doutrinamento contrário à fé cristã.

A sociedade de hoje, submissa e coagida pelo “politicamente correto”, tem assimilado e defendido a cultura pervertida e danosa que impera no mundo de hoje. Em nome do politicamente correto, inúmeras pessoas, religiosas ou não, evitam expressões políticas ou ações que, na linguagem dos defensores da cultura pervertida, venham ofender, excluir e/ou marginalizar grupos de pessoas que são vistos como desfavorecidos ou discriminados, especialmente grupos definidos por gênero, comportamento homossexual ou cor. Neste orbe do politicamente correto, inúmeros cristãos são perseguidos e julgados impiedosamente (Lc.21:16,17); é uma demonstração clara de que o mundo jaz no maligno (João 15:19).

3. No sistema econômico

Outro campo forte de atuação do “espírito da Babilônia” é o sistema econômico. A João foi revelado o enriquecimento dos mercadores por meio da exploração, da luxúria e da licenciosidade do “espírito da Babilônia” (Ap.18:3). Mas o próprio João viu a sua total destruição, e o motivo de sua queda é a corrupção total que praticou com as nações e seus mercadores. Ela embriagou todas as nações com sua luxúria desenfreada.

João afirma que “os reis da terra se prostituíram com ela”, o que significa que eles cometeram pecados vergonhosos – desistindo do que é mais importante em troca do que é mais gratificante. Este adultério provavelmente se refere às alianças pecaminosas e ao abandono total da moralidade absoluta de Deus. Além disso, “os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” (Ap.18:3); eles foram seduzidos pelas grandes riquezas que podiam ser obtidas no seu relacionamento com ela, isto é, com a Babilônia.

O texto de Isaias 47:8 descreve a grande luxúria da Babilônia e o julgamento de Deus sobre ela. A sua luxúria levou ao orgulho e à autossuficiência. Parte deste adultério estava em receber a marca da besta, porque esses mercadores não podiam comprar ou vender nada sem ela (Ap.13:17).

Sem dúvida, atualmente, o “espírito da Babilônia” tem atuado fortemente nesta sociedade de cultura degradante e separada de Deus. Hoje, vemos o comércio e o governo subornarem os cidadãos por avareza, dinheiro e poder (Mq.2.1-3; Ap.18.12,13). As pessoas são motivadas a levar vantagem financeira, de forma ilícita e imoral em prejuízo do próximo (ler Pv.16.29; Mq.3.11). Vemos a sociedade sendo extorquida em troca da satisfação dos prazeres pecaminosos e consumismo desenfreado (ler Is.55.2; Lc.12.15). Nesse sentido, como bem afirma o Pr. Douglas Batista, o materialismo, os deleites e a autossuficiência têm conduzido o ser humano a confiar no dinheiro (1Tm.6.9,10, 17) e os que controlam a economia têm impostos embargos, tributos e multas em desfavor do cidadão impotente (ler Tg.2.6,7; Ap.13.16,17). Sem dúvida, é o “espírito da Babilônia” que impera neste mundo decaído.

III. A POSIÇÃO DA IGREJA DIANTE DO ESPÍRITO DA BABILÔNIA

1. Não negociar a ortodoxia bíblica

Ortodoxia bíblica é o conjunto de doutrinas provindas da Bíblia Sagrada, e tidas como verdadeiras de conformidade com os credos, concílios e convenções da Igreja. Está escrito: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”(2Tm.3:16). Ela foi escrita com certas características que a levaram a ser considerada o “Livro de Deus”:

-Ela é pura -"Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam" (Pv.30:5).

-Ela é a verdade – “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre”(Sl.119:160).

-Ela é eterna - "Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu" (Sl.119:89).

-Ela é imutável - "A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada"(1Pd.1:25).

-Ela é profética - "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pd.1:21);

-Ela é perfeita e fiel - "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples” (Sl.19:07).

-Ela é Lâmpada – “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e Luz para o meu caminho” (Sl.119:105).

A Igreja de Cristo tem a Bíblia Sagrada como a suprema e inquestionável árbitra em matéria de fé e prática. Muitos, motivados pelo “espírito da Babilônia”, têm tentado, ao longo dos séculos, levantar-se contra o divino Livro, mas todos têm fracassado em seu intento de calá-la ou desacreditá-la, precisamente porque não se trata de uma obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus.

Portanto, o crente verdadeiro não pode desinteressar-se da ortodoxia bíblica, e precisa estar habilitado para enfrentar o “espírito da Babilônia” e suas ideologias contrárias aos valores absolutos da fé cristã, exarados nas Escrituras agradas. Disse o apóstolo Pedro:

“...não se preocupem e não tenham medo de ameaças. Em vez disso, consagrem a Cristo como o Senhor de sua vida. E, se alguém lhes perguntar a respeito de sua esperança, estejam sempre preparados para explicá-la. Façam-no, porém, de modo amável e respeitoso. Mantenham sempre a consciência limpa. Então, se as pessoas falarem mal de vocês, ficarão envergonhadas ao ver como vocês vivem corretamente em Cristo” (1Pd.3:14-16 - NVT).

2. Formar o caráter de Cristo

Outro fator que pode ser negociado é a formação do caráter de Cristo no crente. A natureza do caráter do cristão é a mesma de Cristo - aquela que o Apóstolo Paulo denomina de “Fruto do Espírito”, exarado em Gl.5:22. O homem salvo por Jesus é uma nova criatura e, por isso, seu caráter é completamente transformado pelo Espírito Santo, restaurando a imagem e semelhança de Deus que foram deformados com o pecado.

O caráter do cristão é quem ele é, de fato, não apenas quando está diante do seu líder espiritual, ou mesmo com um grupo de amigos, no trabalho ou na escola, mas quando está sozinho, e ninguém está observando-o; é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências: é o seu verdadeiro ser interior.

Muitos cristãos querem que as pessoas pensem coisas boas a seu respeito e demonstram ser santos, por fora, mas a alma está cheia de engano, mentira e pecado. Foi o que Jesus afirmou sobre os líderes religiosos de sua época: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt.23.37).

Como afirmou certa feita um pregador: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“ (John Wooden).

Um caráter moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão nestes dias perturbados pelo “espírito da Babilônia”. As pessoas podem até achar que você não tem grandes habilidades administrativas, técnicas, ou pedagógicas, mas elas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Jesus ensinou que é pelo fruto que se conhece uma árvore (Mt.12:33).

O homem sem Deus, influenciado pelo “espírito da Babilônia”, é dotado de uma natureza pecaminosa; outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer os desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cfr. 2Tm.3:2); que levam a um caráter altamente reprovável, despido de autodirecionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2); de auto cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1); e de auto-transcendência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29).

Concordo com as palavras do pr. Douglas Batista: “a igreja que prima pelo estudo e aplicação da Palavra de Deus produz crentes espiritualmente maduros, capazes de resistir o “espírito da Babilônia” presente no cenário global (Rm.8:35,38,39)”.

3. Aguardar a volta de Cristo

A volta de Cristo é a mais sublime esperança da Igreja. Viver com Cristo no Céu, eternamente, supera toda e qualquer perseguição, tribulação, tentação, provação, que venhamos a sofrer aqui; supera toda e qualquer riqueza material que a pessoa possa ter aqui. Pensar na volta de Cristo nos traz alegria e uma paz plena e profunda na alma, mesmo que estejamos passando por adversidades extremas.

Se Satanás oferecer todas as riquezas da terra em troca da desistência de nossa fé e fidelidade a Cristo, o crente deve rejeitar de imediato, pois não há comparabilidade, haja vista que tudo aqui é passageiro, efêmero como a neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg.4:14). A esperança de viver com Cristo no Céu é incomparável; logo, jamais poderá ser negociado.

Observamos claramente os acontecimentos tenebrosos que pregam com muita evidência que Cristo muito em breve virá. A apostasia crescente, a inversão de valores, as perseguições físicas e camufladas em países que há pouco tempo se consideravam cristãos, as guerras e rumores de guerras, fomes, viroses mortais, pestes, terremotos etc.; tudo isto, dantes vaticinados por Cristo e pelos apóstolos Mt.24:5-12,24; 1Tm.4:1; 2Tm.4:3), desperta-nos para a iminente volta de Jesus. Por isso, não podemos viver despercebidos diante de todos estes acontecimentos que estão ocorrendo no mundo; precisamos, como nunca, estar com a consciência e a percepção aguçada, distante das paixões mundanas e vivendo uma vida de santidade, de inteireza de coração, e em constante oração e vigilância, mantendo-nos fieis na ortodoxia bíblica, aperfeiçoando cada vez mais o caráter de Cristo e cultivando a esperança pela vinda do Senhor. Vem, Senhor! A tua Igreja, desejosa, te espera!

CONCLUSÃO

A humanidade hodierna é influenciada fortemente pelo “espírito da Babilônia”, que tem dominado todos os sistemas – religioso, político, cultural e econômico – preparando o cenário para a implementação da doutrina do anticristo, que promoverá a idolatria e a sensualidade. As práticas idolátricas do paganismo serão restabelecidas. Nesta recuperação de práticas pagãs, certamente, ressurgirá a prostituição cultual e todas as práticas sexuais que acompanhavam os rituais dos antigos deuses da fertilidade, o que será considerado natural, já que, naqueles dias, a doutrina do anticristo defenderá a libertinagem sexual e a promiscuidade, vez que a moral das Escrituras Sagradas será considerada ultrapassada e negadora da própria humanidade. Porventura, já não estamos vendo isto hoje em todo o mundo? Enquanto Jesus não voltar, a Igreja deve oferecer resistência a este “espírito” do mal (2Ts.2:6,7), dedicar-se continuamente ao estudo sistemático da Palavra de Deus (Mt.28:20), formar o caráter dos seguidores de Jesus Cristo (Gl.4:19) e santificar-se para a vinda do Senhor, pois sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

 Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC