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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

VIÇOSA ALAGOAS: UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA




         Viçosa é um município brasileiro do estado de Alagoas. Localizado a 86 quilômetros da capital Maceió. Foi fundado em 1790 por Manoel Francisco. Elevado à categoria de Vila em 13 de Outubro de 1831 e à categoria de cidade em 16 de Maio de 1892. Sua população atual é de 25.407 habitantes, segundo o Censo de 2010.
        Após a sua emancipação a cidade entrou em forte desenvolvimento sendo a maior economia do interior e a segunda maior cidade do Estado. Nesse período o município viveu o seu auge econômico, com a cana de açúcar e o algodão, social, cultural e político.
         Em terras viçosenses nasceram o menestrel Teotônio Vilela e seu irmão Cardeal Primaz do Brasil Dom Avelar. Graciliano Ramos viveu e inspirou-se o para escrever S. Bernardo. É de Viçosa o primeiro tradutor brasileiro do Manifesto Comunista, o militante Octávio Brandão. Viçosa criou poetas da estirpe de Manoel Neném e Zé do Cavaquinho, criou também a escola folclórica conhecida em todo o Brasil com Théo Brandão, José Aloísio Vilela, José Pimentel e José Maria de Melo. Em Viçosa, na Serra Dois Irmãos, tombou o líder guerreio Zumbi dos Palmares.
 SURGIMENTO DA CIDADE
         Todos os anos pelo Natal o padre Manoel Caetano saia de Atalaia para celebrar a missa do galo em Quebrangulo. No ano de 1789, possivelmente, não conseguindo atravessar o riacho por motivo de muita chuva, ergueu uma cruz no oiteiro mais próximo e celebrou a missa do Natal.
            Um agricultor de algodão chamado Manoel Francisco, em 1790, fixou residência no sitio riacho do meio com finalidade experimentar a cultura de alagoas. Tempos depois ergueu uma capelinha de madeira no ponto onde foi celebrada a missa (hoje Igreja do Rosário).

             Com o passar do tempo várias casas foram construídas ao lado esquerdo da igrejinha todas elas de madeira. De diversos pontos do município, sobretudo no Sabalangá e da Mata Escura. Esses moradores eram representados pelos descendentes paulistas, pelos negros dos quilombos e pelos índios que tinham vindo com mestre de campo Domingos Jorge Velho. Primeiros Habitantes: Os índios Cambembes. Esses índios viviam no cultivo do algodão e nos engenhos dos proprietários de terra.
EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE VIÇOSA
           Viçosa pertencia à Atalaia, com o passar do tempo desenvolveu-se pela agricultura. O povoado foi crescendo e não dava mais para ser dependente de outro município.
           Viçosa ficou livre de Atalaia por decreto Lei assinado por D. Pedro II, no dia 13 de outubro de 1831, a povoação do Riacho do Meio foi levada à categoria de Vila, pelo Decreto Imperial que a desligou de Atalaia, compreendendo as seguintes povoações: Riacho do Meio, Lourenço, Passagem, Quebrangulo, Caçamba e Limoeiro.
NOMES QUE VIÇOSA RECEBEU:
Riacho do Meio
Nova Assembleia
Vila Nova da Assembleia
Viçosa
PREFEITOS DE VIÇOSA
No Império (1832 a 1889):
01.    Luciano Pereira de Lyra – 1832 – 1834;
02.    Manoel De Farias Cabral – 1834 – 1835;
03.    Luciano Pereira de Lyra – 1836 – 1837;
04.    Antonio Holanda Cavalcante – 1837 – 1840;
05.    Manoel de Farias Cabral e outros – 1846 – 1856;
06.    Capitão José Frutuoso – 1856 – 1860;
07.    Capitão Inácio Moura – 1860 – 1864;
08.    Apolinário Rebelo Torres – 1864;
09.    Teotônio Santa Cruz Oliveira;
10.    Epaminondas Hipólito Gracindo;
11.    Teotônio Torquatro Brandão;
12.    Padre Francisco de Borges Loureiro – 1886;
13.    Desconhecido - 1886 - 1889
Na República (1889 a Atualidade):
01.    Manoel Joaquim de Siqueira Sá – 1889 – 1890;
02.    Coronel Apolinário Rebello Pereira Torres – 1890 – 1891;
03.    Manoel Gracindo Rebello - 1891;
04.    Coronel Apolinário Rebello Pereira Torres – 1891-1892;
05.    Francisco de Holanda Cavalcante – 1892;
06.    Vicente de Paula Braennand – 1892;
07.    Alípio Coelho de Barros Lima - 1892 – 1894;
08.    Tenente-coronel Antônio Correia da Silva Bonfim – 1894 – 1895;
09.    Frederico Neto Rebelo Maia – 1896;
10.    Frederico Neto Rebelo Maia – 1897 – 1898;
11.    João Leite dos Passos – 1899 – 1900;
12.    Manoel Fernandes da Costa - 1901;
13.    José Leite de Araújo e Silva - 1901 – 1902;
14.    Coronel Ismael Elpídio Brandão - 1902 – 1903;
15.    Joaquim Pinto da Motta Lima – 1903;
16.    Manoel Gracindo Rebello – 1903 – 1904;
17.    Padre Manoel Firmino Pinheiro – 1905;
18.    João Manoel de Figueiredo e Silva (Joca) – 1905 – 1907;
19.    Joaquim Estevam dos Passos Vilela (Quincas) – 1907;
20.    Frederico Netto Rebello Maia – 1907 – 1908;
21.    João Barreto Falcão – 1908 – 1909;
22.    Sebastião Ramos de Oliveira – 1909 – 1910;
23.    Narciso Teixeira de Vasconcelos – 1910 – 1911;
24.    Pedro Teixeira de Vasconcelos – 1911;
25.    Dr..João Barreto Falcão – 1912 – 1913;
26.    Major Saturnino da Rocha Accioly – 1913 – 1914;
27.    Eduardo Rebello Maia – 1915 – 1916;
28.    Frederico Maia Sobrinho – 1917 – 1918;
29.    Aureliano Tavares de Menezes – 1918 – 1919;
30.    Coronel Othon Odilon de Barros Correia – 1919;
31.    Aureliano Tavares de Menezes – 1919 – 1921;
32.    José Maria Rosa e Silva – 1921 – 1922;
33.    Serzedello Maia de Barros Correia – 1923 – 1924;
34.    Sátyro de Oliveira Valença – 1925;
35.    Manoel Brandão Villela – 1925;
36.    Major Saturnino da Rocha Accioly – 1925 – 1928;
37.    Manoel Brandão Villela – 1928 – 1930;
38.    João Mauricio da Rocha – 1930;
39.    Pedro José Carnaúba – 1930 -1931;
40.    José Danglard Jucá – 1931;
41.    José Evilásio Torres – 1931 – 1932;
42.    Francisco Alves Mata – 1932;
43.    João Barreto Falcão – 1932;
44.    Fernando Allain – 1932 – 1933;
45.    Narciso Teixeira de Vasconcelos – 1933 – 1935;
46.    Arnaldo de Vasconcelos Correia Murta – 1935 – 1936;
47.    Sátyro de Oliveira Valença – 1936 – 1940;
48.    Pedro Aleixo de Barros Correia – 1940 ;
49.    José Maria de Melo – 1940 – 1945;
50.    José Evilásio Torres – 1945 – 1947;
51.    Manoel Firmino Teixeira de Vasconcelos – 1948 – 1951;
52.    José Pimentel Santos – 1951 – 1955;
53.    José Tenório Neto – 1956;
54.    José Maria de Melo – 1956;
55.    José Tenório Neto - 1956;
56.    Émerson Loureiro Jatobá – 1957 - 1960;
57.    Antônio Ferreira Freire – 1961 - 1964;
58.    Aloísio de Almeida Vasconcelos – 1965 - 1969;
59.    Paulo José Brandão - 1969 - 1971;
60.    Flavius Flaubert Pimentel Torres – 1971 - 1972;
61.    Aloísio de Almeida Vasconcelos - 1973 - 1976;
62.    José Manoel da Silva (Dinha) - 1977 - 1982;
63.    Flavius Flaubert Pimentel Torres – 1983 - 1988;
64.    Nivaldo Soares de Vasconcelos – 1989 - 1992;
65.    Flavius Flaubert Pimentel Torres – 1993 - 1996;
66.    Cícero Ezequiel Da Silva (Biquinho) - 1997 - 1999;
67.    José Francisco Ferreira de Morais (Deda) – 1999 - 2000;
68.    Flavius Flaubert Pimentel Torres – 2001 - 2004;
69.    Péricles Vasconcelos Brandão de Almeida (Peri)  - 2005 - 2008;
70.    Flaubert Torres Filho - 2009 - 2012
71.    Flaubert Torres Filho - 2013 - 2016
72.    Davi Daniel Vasconcelos Brandão de Almeida - 2017
73.   João Vitor Calheiros Amorim Santos - 2020
VIÇOSA, BERÇO DA CULTURA ALAGOANA
              No mundo intelectual, Viçosa foi considerada a “Atenas de Alagoas” pela quantidade de professores, doutores, historiadores e poetas. Viçosa tinha um ensino significativo que embasava e contribuía para a formação de alunos.
              Viçosa é sede da 4ª Coordenadoria Regional de Ensino (estadual) com jurisdição além de Viçosa, sobre Paulo Jacinto, Atalaia, Capela, Mar Vermelho, Cajueiro, Pindoba e Chã Preta.
Vários são os escritores viçosenses que merecem destaque com livros publicados: José Maria de Melo (Os Canoés), Otávio Brandão, José Aragão, Denis de Melo, José Aloísio Vilela, José Pimentel, Théo Vilela, Tibúrcio Nemésio, Sidney Wanderley, Manoel Brandão Vilela, Isa Loureiro, Alfredo Brandão, além de tantos outros.
          No que diz respeito à cultura popular, ou seja, no folclore, muitos são os ilustres viçosenses que contribuíram para que nossa terra fosse denominada de Terra do Folclore.
Entre os muitos podemos citar Synfrônio Vilela, Théo Brandão, José Aloísio Vilela, José Maria de Melo, José Pimentel Amorim, Pedro Teixeira, Mestre Osório Tavares, Vivaldo Vilela e tantos mais.
           O jornalismo em Viçosa teve destaque no meio cultural de Alagoas. A edição de jornais escritos e editados aqui na terra Atenas de Alagoas contribuíram para o nosso desenvolvimento cultural. Ainda hoje vemos pessoas abnegadas fazendo jornalismo amador, escrevendo em jornais estudantis.

HINO DO MUNICÍPIO DE VIÇOSA (ALAGOAS)
Letra: Manoel Brandão Vilela
Melodia: Maria Nazareth Batista

O meu solo é feliz e ditoso,
os meus vales são mui verdejantes,
o teu rio desliza formoso,
os meus campos são fertilizantes.

As florestas me dão formosura,
minhas flores são lindas, cheirosas,
no meu seio, só mora a ternura,
só desfere canções amorosas.

Bela princesa das matas,
opulenta e populosa,
a todos amas e acatas,
florida e verde Viçosa.
BRASÃO DE VIÇOSA (Crédito internet)


BANDEIRA DE VIÇOSA (Crédito internet)


SUBIDA DA MATRIZ EM 1921 (Crédito internet)


AVENIDA FIRMINO MAIA COM VISTA DO BAR DO RELÓGIO
(Crédito Internet)


ANTIGA ESTAÇÃO (Crédito Internet)

ANTIGA ESTAÇÃO (Crédito Internet)

LADEIRA DA MATRIZ (Crédito Internet)

ANTIGA PRAÇA APOLINÁRIO REBELO (Crédito Internet)


ANTIGA ESTAÇÃO (Crédito Internet)






Adaptado

BANDEIRA DE VIÇOSA
 
BRASÃO DE VIÇOSA


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

6ª Lição do 3º trimestre de 2013: A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR


Texto Básico: Filipenses 2:19-30


“Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo, o mais breve possível, a fim de que eu me sinta animado também, tendo conhecimento da vossa situação” (Fp 2:19 –ARA)

INTRODUÇÃO

Na Aula 04, vimos Paulo apresentar o Senhor Jesus como o exemplo, o modelo de supremo de humildade. Mas alguém poderia argumentar: “Sim, mas Jesus era Deus e nós somos simples mortais”. Por isso, na Carta aos Filipenses, Paulo dá três exemplos de homens que manifestavam essa mesma atitude de Cristo: ele mesmo (Paulo – Fp 2:17,18), Timóteo e Epafrodito(Fp 2:19-30). Se compararmos Cristo ao Sol, esses três homens de Deus são luas refletindo a glória do Sol. São luzeiros num mundo em trevas. É bom nos conscientizarmos que, conquanto sejamos luz do mundo, não temos luz própria. Nós somos apenas como a lua, refletimos a luz do Sol (Jesus Cristo).
Nesta Aula, cabe uma reflexão do pastorado contemporâneo à luz do contexto evangélico atual. A cada ano a igreja evangélica se torna mais forte, midiática, política e numerosa. A tentação de homens desejarem o "episcopado" pela motivação errada é enorme. Não há outro caminho a ser feito para evitar as motivações erradas que o da humilhação, voluntariedade e simplicidade. Por isso todo candidato ao Ministério Eclesiástico precisa mergulhar profundamente no compêndio doutrinário da Igreja, o Novo Testamento, e vivenciar a vida daqueles que deram tudo de si para o engrandecimento do Reino de Cristo. Trataremos, à luz de Filipenses 2:19-30, da dedicação e fidelidade de Paulo, Timóteo e Epafrodito, homens que não mediram esforços para que a Obra de Cristo fosse plenamente exitosa.

I. A PREOCUPAÇÃO DE PAULO COM A IGREJA

O apóstolo Paulo era um verdadeiro pastor: provado e aprovado por Cristo. Um líder comprometido com o pastorado. Um líder que amava a Igreja de Cristo. Um líder que valorizava as pessoas. Embora estivesse tão distante, cerca de mil e cem quilômetros, tinha o seu coração inclinado para os cristãos de Filipos. Ele era um líder que amava a igreja e se preocupava com ela. Sem dúvida, estas são características basilares de um verdadeiro pastor. São as mesmas que vivenciava o seu Líder-mor, Jesus. Ele chegou a dizer que: "O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (João 10:11). Não há dúvidas que esta era a disposição do apóstolo Paulo. Somente dá a vida por alguém aquele que compreende o real valor do outro. Para o apóstolo o valor de uma vida era incalculável. Por isso, mesmo preso, Paulo informa o seu plano de enviar Timóteo a Filipos e a ida de Epafrodito, levando informações escritas, a saber, a Epístola de Filipenses, para assegurar aos cristãos daquela comunidade do bem-estar de Paulo. Estes obreiros, os quais foram preparados por Paulo, eram pessoas da sua maior confiança. Eles haviam aprendido o modelo paulino de liderança. Eles sabiam que o exercício do ministério de serviço (pastorado) deve levar em conta a humildade, a disposição e o amor pelas pessoas que constituem o rebanho.
A preocupação de Paulo com a igreja é demonstrada neste conselho contundente e bastante contemporâneo, ao pastor Timóteo: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido" (2Tm 3:14). Este era o grande desafio para os obreiros de Filipos. Por ser uma igreja nova na fé o perigo de os seus obreiros desviarem-se do alvo era iminente. Falsos ensinadores, os gnósticos e judaizantes, se multiplicavam nas cercanias da igreja filipense.
O ministério pastoral nunca pode ser encarado numa perspectiva dominadora; mas, servidora, espontânea e voluntária. Deve ser manifestada no mesmo "espírito" de Pedro: "apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente [...] nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho" (1Pe 5:2,3).
II. O ENVIO DE TIMÓTEO A FILIPOS (Fp 2:19-24)
Timóteo estava com Paulo em Roma quando o apóstolo escreveu a carta aos Filipenses. Ele tinha viajado com Paulo em sua segunda viagem missionário, quando a igreja em Filipos ainda estava no início, de modo que os filipenses conheciam Timóteo. Paulo não podia visitar os filipenses, de maneira que ele esperava enviar Timóteo em seu nome. Timóteo tinha visitado várias igrejas como representante de Paulo em outras ocasiões (cf 1Co 4:17; 15:10; 1Ts 3:2).
Veja algumas qualidades especiais de Timóteo que o credenciaram como um Obreiro de confiança do apóstolo Paulo para a missão especial à Igreja de Filipos(Adaptado do livro Filipenses – Rev. Hernandes Dias Lopes):
1. Timóteo, um obreiro de bons Antecedentes. Sua mãe e sua avó eram crentes (2Tm 1:5). Ele conhecia a Palavra de Deus desde a infância (2Tm 3:15). Converteu-se na primeira viagem missionária de Paulo e cresceu espiritualmente, pois passou a ter bom testemunho em sua cidade antes de unir-se ao apóstolo em sua segunda viagem missionária (At 16:1,2). Timóteo era filho de Paulo na fé (1Tm 1:2), cooperador de Paulo (Rm 16:21), e mensageiro de Paulo às igrejas (1Ts 3:6; 1Co 4:17; 16:10,11; Fp 2:19). Ele esteve preso com Paulo em Roma (Fp 1:1; Hb 13:23). Ele tinha um caráter provado (Fp 2:22) e cuidava dos interesses de Cristo (Fp 2:21) e dos interesses da Igreja de Cristo (Fp 2:20). Esteve presente quando a igreja de Filipos foi estabelecida (At 16:11-40; 1Ts 2:2) e, ainda, subsequentemente também os visitou, mais de uma vez (At 19:21,22; 20:3-6; 1Co 1:1). Portanto, ele era o obreiro indicado para ser enviada novamente à igreja de Filipos.
2. Timóteo, um homem singular (Fp 2:20a). Ele era um homem singular pela sua obediência e submissão a Cristo e ao apóstolo Paulo como um filho a um pai.  Havia muitos cooperadores de Paulo, mas Timóteo ocupava um lugar especial no coração do veterano apóstolo.
3. Timóteo, um homem que cuidava dos interesses dos outros (Fp 2:20b). Ele aprendeu o princípio ensinado por Paulo de cuidar dos interesses dos outros (Fp 2:4), princípio esse exemplificado por Cristo (Fp 2:5) e pelo próprio apóstolo (Fp 2:17).
Timóteo vivia de forma altruísta, pois o centro da sua atenção não estava em si mesmo, mas na Igreja de Deus. Ele não buscava riqueza, nem promoção pessoal. Ele não estava no ministério em busca de vantagens; ele tinha um alvo: cuidar dos interesses da igreja.
4. Timóteo, um homem que cuidava dos interesses de Cristo (Fp 2:21). Só existem dois estilos de vida: daqueles que vivem para si mesmos (Fp 2:21) e daqueles que vivem para Cristo (Fp 1:21). Timóteo queria cuidar dos interesses de Cristo, e não dos seus próprios. Sua vida estava centrada em Cristo (Fp 2:21) e nos irmãos (Fp 2:20b), e não no seu próprio eu (Fp 2:21). Embora alguns em Roma pregassem o evangelho "por amor" (Fp 1:16), de todos quantos estavam disponíveis perante Paulo, nenhum era tão destituído de egoísmo quanto Timóteo. Para Timóteo, como para Paulo, a causa de Cristo Jesus envolvia o bem-estar de seu povo.
5. Timóteo, um homem de caráter provado (Fp 2:22). Timóteo desfrutava de um bom testemunho antes de ser missionário (At 16:1,2), e agora, quando Paulo está para lhe passar o bastão, como continuador da sua obra, dá testemunho de que ele continua tendo um caráter provado (Fp 2:22).
É lamentável que muitos líderes religiosos que são grandes em fama e riqueza sejam anões no caráter. Vivemos uma crise avassaladora de integridade no meio evangélico brasileiro. Precisamos urgentemente de homens íntegros, provados, que sejam modelo do rebanho.
III. EPAFRODITO, UM OBREIRO DEDICADO (Fp 2:25-30)
25. Julguei, contudo, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades;
26. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente.
27. E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.
28. Por isso, vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza.
29. “Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrai sempre a homens como esse”;
30. Porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida, para suprir para comigo a falta do vosso serviço.
O apóstolo Paulo agora se volta de Timóteo para Epafrodito. Este valoroso e dedicado obreiro só é citado na Carta aos Filipenses, no capítulo 2:25-30 e no capítulo 4:18, mas é o suficiente para compreendermos seu profundo amor por Jesus e pela Igreja.
Não sabemos se ele é o Epafras de Colossenses 4:12. Não há como afirmar isso com certeza. Em todo caso, sabemos que morava em Filipos, era um gentil, e que pode ter sido um presbítero da igreja.
Vejamos, em resumo, uma análise do texto de Fp 2:25-30.
“... por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades” (Fp 2:25).
- “por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas”. Paulo queria que os filipenses soubessem o quanto ele estimava Epafrodito, de modo que ele o caracterizou através de três nomes (cf Fp 2:25):
·   meu irmão, significando um irmão em Cristo.  Se nós estamos em Cristo, há um elo de amor fraternal que nos une uns aos outros. Essa é uma palavra que destaca a relação de família.
·   meu cooperador, que significa que ele também estava trabalhando para o Reino de Deus.Epafrodito era um trabalhador na obra de Cristo e um ajudador de Paulo.
·   meu companheiro nos combates, referindo-se à solidariedade entre os crentes que estão lutando na mesma batalha. A vida cristã não é um parque de diversões, uma colônia de férias, mas um campo de guerra. Epafrodito estava no meio desse campo de lutas com o apóstolo Paulo. Epafrodito era um homem que sabia trabalhar com os outros, qualidade essencial na vida cristã e no serviço do Senhor. Sejamos “cooperadores e companheiros de lutas”, para o bem da obra do Senhor.
- “por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades”. Paulo declara ser Epafrodito um “enviado”, ou seja, um mensageiro para prover as suas necessidades. Percebemos nisso, outra indicação importante de sua personalidade. Aqui, Paulo descreve Epafrodito de duas maneiras em relação ao seu serviço à igreja:
·   Primeiro, ele é descrito como um “enviado”, ou seja, um mensageiro, um “apóstolo” da igreja. Aqui a palavra "apóstolo" tem o sentido "daquele que é enviado com um recado". A missão de Epafrodito não foi apenas a de trazer a Paulo o donativo da igreja filipense, mas também a de servir a Paulo de qualquer forma que fosse requerida. Portanto, Epafrodito fora “enviado” tanto para levar uma oferta quanto para ser uma oferta dos filipenses a Paulo.
·   Segundo, ele é descrito como “auxiliar” da igreja para ajudar Paulo. Paulo quer nos ensinar que o crente é um sacerdote que ministra um culto a Deus enquanto atende às necessidades dos outros. Epafrodito fazia do seu serviço prestado à igreja uma “liturgia” e um culto a Deus. Epafrodito tinha ido a Roma não apenas para levar recursos financeiros para Paulo, mas também para ministrar às necessidades espirituais de Paulo, sem prazo determinado para voltar.
Esse dedicado obreiro colocou as necessidades dos outros acima de suas próprias. Ele estava sempre pronto a fazer os trabalhos mais comuns e menos honrosos. Hoje, são muitos os interessados em trabalhos agradáveis e visíveis. Deve-se reconhecer e agradecer a Deus a vida daqueles que fazem trabalho rotineiro, sem alarde e sem visibilidade. Por fazer o trabalho árduo, Epafrodito se humilhou. Deus, porém, o exaltou, registrando seu fiel serviço no capítulo 2 da Carta aos Filipenses, para conhecimento das gerações vindouras.
“Porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2:26,27).
A igreja de Filipos enviou Epafrodito a uma distância de pelo menos mil e cem quilômetros para prestar ajuda a Paulo. O fiel mensageiro adoeceu como resultado disso, pouco faltando para morrer. Essa situação deixou Epafrodito preocupado – não com sua doença, mas pelo receio de que os santos de Filipos viessem a saber disso e se culpassem por tê-lo enviado naquela viagem, pondo sua vida em risco. Vemos em Epafrodito verdadeiramente “um coração despreocupado quanto a si mesmo”.
Estes versículos são muito importantes para esclarecer sobre o assunto da cura divina:
Em primeiro lugar, a doença nem sempre é consequência de pecado na vida. Epafrodito adoeceu por ser fiel no cumprimento de suas responsabilidades - cf. v.30 -: “pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte”.
- Em segundo lugar, nem sempre é da vontade de Deus a cura instantânea e miraculosa da pessoa. Pelo que se vê, a doença de Epafrodito se prolongou, e sua recuperação foi lenta (cf. também 2Tm 4:20; 3João 2).
- Em terceiro lugar, a cura é pela misericórdia de Deus, e não coisa que possamos exigir dEle como nosso direito. A cura de Epafrodito foi um ato da misericórdia de Deus. Não há aqui qualquer palavra de Paulo acerca da cura pela fé. Simplesmente o apóstolo afirma que Deus teve misericórdia dele e de Epafrodito. Portanto, precisamos nos acautelar acerca dos embusteiros que enganam os incautos com falsos milagres e se enriquecem com promessas vazias.
“Por isso, vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza”(Fp 2:28).  
Depois que Epafrodito se recuperou, Paulo se apressou em mandá-lo para casa. Epafrodito pode ter sido enviado a Roma para permanecer com Paulo indefinidamente, ministrando e encorajando o apóstolo, que estava preso. Como Timóteo, ele colocava a necessidade de outro à frente da sua (veja Fp 2:4). Todavia, depois de sua severa enfermidade (Fp 2:26), Paulo achou necessário enviá-lo de volta a Filipos. Epafrodito tinha feito o seu trabalho tão bem, que poderia voltar a Filipos levando consigo uma Carta de agradecimento e estímulo de Paulo.
“Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrai sempre a homens como esse”(Fp 2:29 - ARA).
Os filipenses não deviam apenas receber Epafrodito com alegria, mas também honrar esse querido homem de Deus. O mundo honra aqueles que são inteligentes, belos, ricos e poderosos. Que tipo de pessoa a igreja deve honrar? Epafrodito foi chamado de irmão, cooperador, companheiro de lutas, mensageiro e auxiliar. Esses são os emblemas da honra. Paulo nos encoraja a honrar aqueles que arriscam a própria vida por amor de Cristo e o cuidado dos outros, indo onde não podemos ir por nós mesmos.
“Porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida, para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Fp 2:30).
A viagem, de Filipos a Roma, era uma longa e árdua jornada de mais de mil quilômetros. Associar-se a um homem acusado, preso e na iminência de ser condenado também constituía um risco sério. Entretanto, Epafrodito se dispôs a enfrentar todas essas dificuldades pela obra de Cristo a favor da assistência material e espiritual a Paulo na prisão. Na verdade, Epafrodito jogou sua própria vida pela causa de Jesus Cristo arriscando-a temerariamente. A sua doença estava intimamente ligada ao seu incansável trabalho para Cristo. Isso é algo precioso aos olhos do Senhor. Isso é digno de ser imitado.
Observe os termos: “para suprir para comigo a falta do vosso serviço”Acredita-se que esses termos se refiram à impossibilidade de os filipenses visitarem Paulo pessoalmente e assim ajudá-lo, por causa da distância entre Filipos e Roma. O apóstolo, portanto, não os está repreendendo, mas apenas afirmando o que Epafrodito fez como representante deles, suprindo o que eles não podiam fazer em pessoa.
Diante do exposto, há dúvida de que Epafrodito foi um obreiro dedicado à Obra de Cristo? Creio que não!

CONCLUSÃO

Paulo era um imitador de Cristo. E Cristo deixou a glória para vir ao mundo morrer em nosso lugar. Cristo viveu para os outros, deu a Sua vida pelos outros (João 3:16) e nos ensinou a fazer o mesmo (1João 3:16), como o fizeram Paulo, Timóteo e Epafrodito.

FONTE: EBDWEB


Escola Bíblica Dominical
Assembleia de Deus - Viçosa - AL

Direção Geral: Pr. Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigênio Hortêncio 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

5ª Lição do 3º trimestre de 2013: AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO


Texto Básico: Fp 2:12-18


“porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13).


INTRODUÇÃO
Nesta Aula, à luz de Filipenses 2:12-18, aprenderemos que a obediência a Deus é uma virtude que deve ser buscada por todos aqueles que são salvos em Cristo Jesus. Depois que Paulo tratou do exemplo de Cristo, falando acerca da Sua humilhação e exaltação, volta a exortar a igreja à obediência e à unidade. A preposição "pois" no versículo 12 é um elo de ligação entre o que Paulo estava falando e o que agora vai falar. Paulo quer que a igreja de Filipos se espelhe em Cristo como o exemplo modelo da obediência. Ele diz que o exemplo de Cristo, a Sua humilhação e a recompensa de Sua exaltação são a principal razão para a igreja viver em obediência à Palavra de Deus e a Cristo. Assim como Jesus obedeceu ao Pai, os cristãos também devem obedecer. O que nós cremos precisa se refletir em nosso modo de vida. Nossa teologia precisa produzir vida.
I. A DINÂMICA DA SALVAÇÃO (Fp 2:12,13)
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.
Inicialmente, é válido salientar que o apóstolo Paulo, em todas as suas cartas, enfatiza repetidas vezes que a salvação não é por obras, mas por fé no Senhor Jesus Cristo. Ou melhor, a salvação é um dom da graça de Deus, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé no Senhor Jesus. Diz a Palavra de Deus: ”Pela Graça sois salvos, mediante a fé...”(Ef 2:8). Para entender corretamente o processo da salvação, precisamos entender essas duas palavras: Fé e Graça. A fé em Jesus Cristo é a única condição prévia que Deus requer do homem para a salvação. A fé não é somente uma confissão a respeito de Cristo, mas também uma ação dinâmica, que brota do coração do crente que quer seguir a Cristo como Senhor e Salvador (cf. Mt 4:19; 16:24; Lc 9:23-25; João 10:4, 27; 12:26; Ap 14:4). A féem si mesma, não salva - Quem salva é Jesus. A fé, em si mesma, não cura - Quem cura é Jesus. A fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender a bênção não é entregue, automaticamente.
É válido ressaltar que a Salvação mencionada no versículo 12 não se refere à salvação da alma, e, sim, à capacidade de se livrar dos laços que podem impedir o cristão de cumprir a vontade de Deus. A palavra “salvação” tem muitos sentidos no Novo Testamento, como, por exemplo, em Fp 1:19 significa a libertação da prisão e em Fp 1:28 se refere à salvação de nosso corpo da presença do pecado. O significado dessa palavra em cada caso deve ser determinado, pelo menos em parte, pelo contexto imediato. Creio que nessa passagem de Fp 2:12, “salvação” significa a solução do problema que afligia os filipenses, a saber, as contendas.
1. O caráter dinâmico da salvação. “... desenvolvei a vossa salvação...”. A salvação é obra exclusiva de Deus. Contudo, o fato de Deus nos dar graciosamente a salvação, não significa que ficamos passivos nesse processo. A salvação é de Deus e nos é dada por Deus, mas precisamos desenvolvê-la. Alguém disse que a graça de Deus não é uma desculpa para não fazermos nada. Antes, ela é uma forte razão para fazermos tudo. Tanto na religião quanto na natureza, somos cooperadores de Deus (1Co 3:6-9). Nós plantamos e regamos, mas Deus dá-nos a semente, o solo, envia o sol e a chuva e faz a semente crescer e frutificar.
O mesmo Deus que começou a Salvação em nós vai completá-la. Deus jamais deixou uma obra inacabada. Ele jamais deixou um projeto no meio do caminho. Nossa salvação ainda não está acabada, pois Deus ainda está trabalhando em nós.
Há três tempos distintos na salvação:
Quanto à justificação, já fomos salvos. Jesus Cristo realizou e consumou de forma suficiente na cruz do calvário a nossa salvação. Somos justificados pela fé. A justificação é um ato e não um processo. É feita fora de nós e não em nós. Acontece no tribunal de Deus e não em nosso coração. Pela justificação, Deus nos declara justos em vez de nos tornar justos.
Com respeito à santificaçãoestamos sendo salvos. Paulo diz que o Senhor nos chama a zelar e a “desenvolver” a nossa salvação em nosso cotidiano. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram tratados na cruz de Cristo. Porém, quanto ao processo da santificação, estamos sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo. Agora, Deus está trabalhando em nós, formando em nós o caráter de seu Filho. Se a justificação é um ato, a santificação é um processo que começa na regeneração e só terminará na glorificação.
Com respeito à glorificação, seremos salvos. É quando finalmente o nosso corpo receberá uma redenção gloriosa e não mais teremos dor, angústia ou lágrimas, pois estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4:14-17) – é a plenitude da salvação. Neste mundo ainda gememos sob o peso do pecado. Aqui ainda vivemos em um corpo de fraqueza. Aqui ainda somos um ser ambíguo e contraditório. Aqui ainda tropeçamos em muitas coisas. Contudo, quando Cristo voltar em glória, seremos transformados. A volta de Jesus e a consumação da nossa salvação são uma agenda firmada pelo Pai, e Ele a levará a bom termo. Então, teremos um corpo de glória, semelhante ao corpo de Cristo, e não haverá mais dor, nem pranto, nem morte (ler Fp 3:21). Alegre-se com esta gloriosa esperança, irmão!
2. Deus é a fonte da vida. O apóstolo Paulo esclarece: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.  A salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Ela é nossa, não por direito de conquista, mas por dádiva imerecida. A salvação não é um prêmio pelas nossas obras, mas um troféu da graça de Deus. Por si só a pessoa não pode ser salva, pois é o Espirito Santo quem “efetua” no homem a salvação (João 16:8-11).
O apóstolo Paulo lembra os crentes de Filipos de que é possível desenvolver a salvação porque Deus é quem efetua neles tanto o querer como o realizar, segundo a sua vontade. Isso quer dizer que Deus põe em nós o querer, isto é, o desejo de fazer sua vontade. Ele também “efetua” em nós o poder para cumprir esse desejo.
Também temos aqui a unificação do divino com o humano. Em certo sentido, somos chamados a efetuar nossa salvação. Contudo, somente Deus pode nos capacitar a fazer isso. Temos de fazer a nossa parte, e Deus fará a dele. No entanto, isso não se aplica ao perdão dos pecados nem ao novo nascimento. A redenção é obra exclusiva de Deus.
É válido ressaltar, contudo, que a salvação não tem um caráter seletivo; isto não tem apoio nas Escrituras Sagradas. Como bem disse o pr. Elienai Cabral, “todos tem o direito de receber a salvação. O querer e o efetuar de Deus não anulam esse direito, pelo contrario, a operação do Eterno habilita qualquer pessoa à salvação através da iluminação do Evangelho”(João 1:9).
É bom ressaltar, também, que embora a expiação de Cristo seja suficiente para salvar o pecador, isso não exclui a sua responsabilidade. Isso está fundamentado nas Escrituras Sagradas. No Juízo Final, cada ímpio será condenado “segundo as suas obras” (Ap 20:12). Por que eles serão condenados? Por rejeitarem o Senhor Jesus e a sua obra vicária. Como? Mediante a permanência em obras carnais (1Co 6:9,10; Gl 5:16-21), quer antes, quer depois de terem conhecido o Senhor Jesus (Hb 6:4-6; 2Pe 2:20-22).
II. OPERANDO A SALVAÇÃO COM TEMOR E TREMOR (Fp 2:12-16)
Quando Paulo fala em "temor e tremor", não está falando de temor servil. Esse não é o temor de um escravo se arrastando aos pés do seu senhor. Não é o temor ante a perspectiva do castigo. Deus não é um, policial ou guarda cósmico diante de quem devemos ter medo; nem, também, é um pai bonachão e complacente; ao contrário, Ele é majestoso, santo e misericordioso. Nosso grande temor deve ser em ofendê-lo e desagrada-lo, depois de Ele ter nos amado a ponto de nos dar seu Filho para morrer em nosso lugar.
1. “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas”. O apóstolo Paulo exorta os crentes de Filipos a viverem uma vida exemplar, “sem murmurações nem contendas”. Por que murmurações e contendas são atitudes tão reprováveis? Primeiro, essas atitudes são completamente opostas à atitude de Cristo (Fp 2:5). Segundo, essas atitudes obstaculizam a causa de Cristo entre os descrentes. Se tudo que as pessoas conhecem sobre a igreja é que seus membros vivem constantemente murmurando e contendendo, eles terão uma impressão negativa de Cristo e do Evangelho. Os descrentes, então, sentem-se justificados para criticar os cristãos. É provável que mais igrejas tenham se dividido por causa de contenda e murmurações do que por heresias.
Em vez disso, a vida dos crentes deve ser limpa, o que significa não ter qualquer reprovação, não incorrer em alguma critica justificável. Isto não significa a perfeição sem pecado; antes, a igreja deveria estar além da crítica do mundo incrédulo. A vida de cada cristão também precisa ser inocente. Não deveria haver nada dentro da igreja que enfraquecesse a sua força ou que contaminasse a verdade. Os membros da igreja, então, poderiam ser filhos de Deus em um mundo de trevas cheio de pessoas corrompidas e perversas. Sem dúvida alguma, a igreja de Filipos vivia em uma geração cheia de desonestidade e perversão. E para cumprir a sua missão no mundo só poderia fazê-lo se os seus membros fossem filhos de Deus, limpos e inocentes, em meio a uma cultura depravada. O contraste com a sua cultura seria tão violento, que os crentes “resplandeceriam como astros”. Eles trariam a luz da verdade para as trevas da depravação, assim como as estrelas iluminam a escuridão da noite.
2. “Sejais irrepreensíveis e sinceros”(Fp 2:15a). O apóstolo Paulo apela aos crentes de Filipos para que se achem “irrepreensíveis e sinceros”. Ele os ensina que a salvação é demonstrada por meio de uma conduta irrepreensível. Ele detalha sobre a conduta irrepreensível, abordando dois pontos:
a) Os crentes devem se tornar irrepreensíveis. A palavra grega usada por Paulo para "irrepreensíveis" é “amemptos” e expressa o que o cristão é no mundo. Sua vida é de tal pureza que ninguém encontra algo nele que se constitua uma falta. O cristão deve ser não apenas puro, mas viver uma pureza que seja vista por todos. O cristão deve refletir o caráter de seu Pai, a ponto de viver de tal maneira que ninguém possa lhe apontar um dedo acusador (Mt 5:13,45,48).
b) Os crentes devem se tornar sinceros. A palavra grega para "sinceros" é “akeraios”. Ela expressa o que o cristão é em si mesmo. Essa palavra significa literalmente "sem mescla", "não adulterado". Essa palavra era usada para referir-se ao vinho ou leite puros ou sem mistura de água. Essa palavra era usada também para o barro puro utilizado na confecção de vasos. Nos tempos antigos, alguns oleiros cobriam com cera as trincas dos vasos e enganavam os compradores. Quando esses vasos eram expostos à luz do sol, a cera derretia, e logo apareciam os defeitos. Então, os compradores passaram a exigir vasos sem cera. Daí foram cunhadas as palavras: sincero e sinceridade, ou seja, sem cera.
Jesus usou essa palavra quando disse que os Seus discípulos deveriam ser inocentes como as pombas (Mt 10:16), e Paulo diz que devemos viver assim no meio de uma geração pervertida e corrupta (Fp 2:15). Devemos viver no mundo como Daniel viveu na Babilônia cheia de deuses pagãos e numa cultura pagã, sem se misturar e sem se contaminar.
3. “Retendo a palavra da vida”. A Palavra de Deus é singular. Ela não se assemelha aos demais livros. Ela é viva (Hb 4:12). Ela é a palavra da vida (Fp 2:16). Ela é espírito e vida (João 6:63). A igreja de Filipos deveria “reter a palavra da vida”, anunciando a verdade do Evangelho ao mundo moribundo, pois somente o evangelho oferece vida abundante e eterna. A palavra da vida não é para ser retida, mas compartilhada. O ensino de Paulo não é para a igreja se refugiar entre quatro paredes, isolando-se do mundo; ao contrário, o projeto de Deus é que a igreja brilhe como estrelas numa noite trevosa e leve ao mundo a palavra da vida.
Quando Paulo visse a igreja permanecendo limpa e inocente, e retendo a verdade enquanto tentava alcançar um mundo depravado, ele ficaria orgulhoso de que o seu trabalho entre eles não teria sido em vão. Paulo tinha sido o primeiro a levar o Evangelho a Filipos; a igreja existia por causa de sua pregação. O orgulho de Paulo não era arrogante, como se ele tivesse construído a igreja com as suas próprias mãos. Em vez disso, o seu orgulho seria como o de um pai em relação aos filhos que tiveram êxito.
III. A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO E A ALEGRIA (Fp 2:17,18)
“E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo”.
1. O contentamento da salvação operada. “E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício...”.
O apóstolo Paulo usa a figura da libação, um rito comum na religião judaica, para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho e pela igreja (2Tm 4:6). No judaísmo, a libação era oderramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (veja Ex 29:40,41; Nm 15:5,7,10; 28:24).
O apóstolo Paulo via a prática cristã dos crentes de Filipos como um sacrifício para Deus e via sua morte a favor do evangelho de Cristo como uma oferta de libação sobre o sacrifício daqueles irmãos. Ele demonstra uma alegria imensa mesmo estando na antessala da morte e no corredor do martírio. Suas palavras não são de revolta nem de lamento. Ele foi perseguido, apedrejado, preso e açoitado com varas. Ele enfrentou frio, fome e passou privações. Ele enfrentou inimigos de fora e perseguidores de dentro. Ele, agora, está em Roma, sendo acusado pelos judeus diante de César, aguardando uma sentença que pode levá-lo à morte; mas, a despeito dessa situação, sua alma está em festa, e seu coração está exultante de alegria por contemplar, naquela comunidade, o fruto da sua vocação dada por Cristo Jesus: a salvação operada em sua vida também operou na dos filipenses – “... folgo e me regozijo com todos vós”.
2. A alegria do povo de Deus. “E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo” (Fp 2:18). Em Fp 2:17, Paulo usa a figura da libação para mostrar que a morte dele completaria o sacrifício dos filipenses. O martírio coroaria sua vida e seu apostolado. Contudo, apesar desta situação sombria, um raio de luz estava brilhando. Se Paulo fosse mesmo morrer, ele iria se regozijar e desejava que os cristãos de Filipos compartilhassem a sua alegria. Paulo estava contente, sabendo que tinha ajudado aqueles cristãos a viverem para Cristo. Paulo podia sentir alegria, embora pudesse vir a enfrentar uma execução.
Quando você está totalmente comprometido a servir a Cristo, sacrificar-se para edificar a fé de outros traz como recompensa a alegria. Paulo considerava um privilégio morrer por causa da fé, e ele queria que os filipenses tivessem a mesma atitude em relação à sua morte. Sendo assim, não haveria motivo para lágrimas. Essa perspectiva levou Paulo a dizer; "... alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo”.

CONCLUSÃO

Certamente, de nada aproveita a um homem poder exibir um cartão de membro de uma igreja evangélica, se não puder possuir e exercitar em seu próprio beneficio, em beneficio dos irmãos, ou da Igreja, como também do pecador e do “mundo”, as virtudes cristãs, visto que estes valores espirituais só podem ser adquiridos e exercitados pelo crente salvo, aquele para quem “...as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(2Co 4:17). Mudar apenas de religião, passar a pertencer e frequentar a “religião” evangélica, não é o que Deus quer para o ser humano. O que Deus quer é que o ser humano, através de Jesus Cristo, se torne um novo homem, ou uma nova criatura, pelo milagre da transformação que é o Novo Nascimento, podendo, assim, revestir-se das virtudes cristãs. Pense nisso!

Fonte: ebdweb

Igreja Evangélica Assembleia de Deus
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Pr. Donizete Inácio de Melo
Superintendente: Pb. Efigênio Hortêncio