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segunda-feira, 2 de maio de 2016

GRANDE DESCOBERTA ARQUEOLÓGICA NO MAR VERMELHO CONFIRMAM A HISTÓRIA BÍBLICA DA LIBERTAÇÃO DOS HEBREUS ESCRAVIZADOS NO EGITO




O Ministério de Antiguidades do Egito anunciou que uma equipa de arqueólogos subaquáticos tinham descoberto o que resta de um grande exército egípcio do do século 14 a.c, na parte inferior do Golfo de Suez, a 1,5 km do litoral da cidade moderna de Ras Gharib.













A equipa estava em busca dos restos de navios antigos e artefatos relacionados com a Idade da Pedra e do comércio da Idade do Bronze na região do Mar Vermelho, quando tropeçou numa gigantesca massa de ossos humanos escurecidos pela idade.

Os cientistas conduzido pelo Professor Abdel Muhammad Gader e associados à Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo, já recuperaram um total de mais de 400 esqueletos diferentes, assim como centenas de armas e peças de armadura, também os restos de dois carros de guerra, espalhados em uma área de aproximadamente 200 metros quadrados. Eles estimam que mais de 5000 outros esqueletos poderiam estar dispersos numa área maior, sugerindo que um exército de grande tamanho que pereceu no local.


Esta magnífica lâmina de uma khopesh egípcia, foi certamente a arma de um personagem importante. Ela foi encontrada perto dos restos de um carro de guerra ricamente decorado, sugerindo que poderia ter pertencido a um príncipe ou nobre.




Muitas pistas sobre o local trouxeram Professor Gader e sua equipa a concluir que os corpos podem estar ligados ao famoso episódio do Êxodo. Em primeiro lugar, os soldados antigos parecem ter morrido em terra seca, uma vez que não há vestígios de barcos ou navios encontrados na área. As posições dos corpos e o fato de que eles foram presos numa grande quantidade de argila e rocha, implica que eles poderiam ter morrido num deslizamento de terra ou um maremoto.

O número de corpos sugere que um grande antigo exército pereceu no local e a forma dramática pela qual eles foram mortos, ambos parecem corroborar a versão bíblica da travessia do Mar Vermelho, quando o exército do faraó egípcio foi destruído quando o povo judeu tinha passado pelo mar vermelho. Esta nova descoberta certamente prova que houve de fato um exército egípcio de grande porte que foi destruído pelas águas do Mar Vermelho durante o reinado de Akhenaton.

Durante séculos, o famoso relato bíblico da “travessia do Mar Vermelho” foi desacreditado pela maioria dos estudiosos e historiadores como mais simbólico do que histórico.

Esta descoberta surpreendente traz prova científica inegável que um dos mais famosos episódios do Antigo Testamento era de fato, baseado num evento histórico. Ele traz uma nova perspectiva marca em uma história que muitos historiadores têm vindo a considerar por anos como uma obra de ficção, e sugerindo que outros temas como as “pragas do Egito” poderia de fato ter uma base histórica.

Operações de pesquisa e de recuperação irão acontecer no local ao longo dos próximos anos, porque o Professor Gader e sua equipa já anunciaram o seu desejo de recuperar o resto dos corpos e artefatos no local que acabou de ser conhecido por ser um dos mais ricos sítios arqueológicos subaquáticos já descobertos em toda história.


Fonte: http://www.escola-dominical.com/

6ª lição do 2º trimestre de 2016: A LEI, A CARNE E O ESPÍRITO


Texto Base: Romanos 7:1-15

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado” (Rm 7:25).

 

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 7 da Epístola aos Romanos. Este capítulo é um dos mais complexos e difíceis desta Epístola, talvez um dos mais densos de todo o Novo Testamento. Há uma gama enorme de opiniões dos estudiosos acerca da sua real interpretação. Este capítulo trata a respeito da libertação da Lei. Ora, se já fomos libertados da Lei, e estamos debaixo da graça de Deus, por que muitos dos que cristãos dizem ser passam por conflitos espirituais internos? Na realidade, qual é o lugar da Lei na vida do cristão? Ela é a causa do pecado? É a causa da morte? Eu diria que a Lei não é a causadora da morte, mas sim o pecado; assim como o problema de um criminoso não é a lei, mas sua transgressão.

John Stott menciona três grupos que lidam com a Lei de formas diferentes: Em primeiro lugar, os legalistas. Eles procuravam observar os preceitos da Lei com o propósito de ser salvos (Lv 18:5). Uma vez que não conseguiam cumprir as exigências da Lei, os legalistas acabavam ostentando uma religiosidade apenas de aparência. Viviam debaixo de um jugo pesado e queriam colocar essa mesma canga sobre os demais. O legalista torna-se um fariseu, cujas ações exteriores são aceitáveis, mas cujas atitudes interiores são desprezíveis. Em segundo lugaros libertinos. De forma diametralmente oposta, estes olhavam para a lei como a causadora de todos os seus problemas. Queriam sacudir o seu jugo para viver sem freios e sem limites. Assim, a graça de Deus é transformada em libertinagem. Esse ainda é o modo de agir da chamada "nova moralidade". Seus seguidores sacudiram de sobre si o jugo divino e anularam a lei moral de Deus. Contudo, certamente esse não é o significado que Paulo quis dar quando disse que não estamos mais debaixo da lei e sim da graça (Rm 6:14). É importante destacar que, quanto à justificação, não estamos mais debaixo da lei, e sim da graça; e, para sermos santificados, não dependemos da lei, mas somos guiados pelo Espírito Santo. Em terceiro lugaros cristãos. Estes se regozijam tanto em sua libertação da Lei como em sua liberdade para cumpri-la. Deleitam-se na Lei por ser a revelação da vontade de Deus (Rm 7:22), mas reconhecem que a força para cumpri-la não provém da Lei, mas do Espírito de Deus. Em síntese, o legalista teme a Lei e está debaixo de sua servidão; o libertino detesta a Lei e a lança fora; o cristão respeita a Lei, à qual ama e obedece.

I. A LEI ILUSTRADA NA ANALOGIA DO CASAMENTO (Rm 7:1-6)

Na Aula anterior, aprendemos que quando Cristo morreu nós também “morremos” para o pecado. Adquirimos uma nova natureza: a natureza espiritual. Porém, enquanto estivermos vivos em nosso corpo corruptível, temos que lidar com nossa natureza carnal e suas tentativas de controlar nossos pensamentos e ações. Para descrever essa tensão entre a nossa antiga natureza e a nova, Paulo usou a analogia do casamento para explicar a situação de escravidão ao pecado e de servir a Deus. A lei é como um marido perfeccionista; esse marido condena a esposa por sua menor falha. Somente a morte pode interromper esse casamento. Assim como a morte cancela os votos matrimoniais, morrer em Cristo na sua morte interrompe o nosso “casamento” com o pecado.

1. A metáfora do casamento (Rm 7:1-3). “Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive? Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for doutro marido”.

Em Rm 7:1, Paulo mostra que a lei tem domínio sobre o homem durante toda a sua vida. Apenas a morte pode interromper o domínio da lei sobre nós. Se a morte sobrevém, os relacionamentos estabelecidos e protegidos pela lei são dados por terminados. Não se espera que um cadáver siga quaisquer leis, e ele não pode pagar pelos pecados cometidos.

Os cristãos destinatários da Epístola (principalmente aqueles familiarizados com os princípios da lei) deveriam saber que não estavam mais debaixo da lei e sim da graça (Rm 6:14), e que ela não se aplica àquele que está morto em Cristo na Sua morte. Para ilustrar esse fato, Paulo faz uma ilustração da lei na analogia do casamento. Mostra que somente a morte rompe o contrato de casamento.

Paulo compara a lei com um marido e os crentes com uma esposa. Esse casamento é turbulento e conflituoso. A culpa não é do marido (a lei); ele é perfeito, santo, justo e bom. O problema é que essa esposa (os crentes) nunca consegue agradá-lo, pois é imperfeita, carnal, rendida ao pecado e sempre frustra as expectativas do marido. O contrato de casamento perde sua validade quando um dos cônjuges morre.

Entendendo melhor a metáfora...

Imagine o seguinte casamento: o marido é um perfeccionista; para ele tudo tem que estar no devido lugar, no lugar certo; a mulher tem que fazer a comida numa determinada temperatura; os talheres têm que estar arrumados em determinada forma na mesa; ele quer sua camisa perfeitamente engomada, com colarinho passado em uma determinada forma, tem que estar dobrado exatamente do jeito que ele quer no guarda-roupa; os móveis têm que estar todos limpinhos sem nenhuma poeira na sala; a posição dos móveis tem que estar numa determinação peculiar. Esse homem tem horário cronometrado: diariamente, ele acorda regularmente às 6:50h; 15 minutos depois ele está à mesa devidamente vestido para tomar o café; 10 minutos depois ele está saindo de casa; chega em casa exatamente às 18:00hs e a comida tem que estar pronta; assiste ao jornal predileto e vai para cama exatamente às 22:00h. Ele faz isso todo dia! Tudo tem que ser e estar exatamente do jeito dele!

Quanto à mulher desse marido: ela é uma folgada; é desastrada, coitada! Ela ama o marido, ela quer agradar o marido, mas ela é esquecida: não se lembra dos horários; esquece como o marido quer as coisas; queima a comida; mancha a camisa dele... E ele não ajuda. Ele fica dizendo: você não presta para nada; não sei por que casei com você; nada que você faz dá certo; nada, você não presta para nada! E aquela mulher vive num estado de desespero porque não consegue agradar o marido. E aí ela começa a pensar em outro homem, que é tão exigente quanto ao marido, tão certinho quanto o marido, mas compreende, ajuda, dá uma força, entende, apresenta seu suporte... Ela começa a pensar como ela pode se casar com outro homem. Humanamente falando, a solução para isso seria matar o marido. Só que ele não morre! Ele malha na academia e ele tem hábitos alimentares perfeitos. Desse jeito, o cara vai viver mais de 100 anos! E isto é um desespero para essa mulher! Como, então, encontrar uma solução?

2. A metáfora da mulher viúva. Dando continuidade a analogia do casamento, Paulo afirma que se uma mulher se unir com outro homem, enquanto o marido estiver vivo, cometerá adultério. Porém, se a mulher é viúva, ela estará livre para se casar novamente, sem ser culpada de qualquer delito. Somente a morte divorcia um matrimônio. Isto é, a única possibilidade de a mulher ficar livre do marido para unir-se a outro marido é a morte dele. A ideia central é que essa morte não apenas encerra um relacionamento, mas abre caminho legal para que a mulher inicie outra união. Isso porque, ainda que o casamento seja para toda a vida, não se estende para além da vida. Paulo, portanto, queria que os cristãos destinatários de sua Epístola se lembrassem de que, sob circunstâncias normais, qualquer quebra dos votos matrimoniais seria considerada adultério, “porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei” (Rm 7:2).

Entendendo melhor a metáfora...

A Mulher somos nós e o Marido é a lei. É este casamento que não dá certo! A Lei exige, pede e é toda certinha, mas o problema é que nós, como aquela Mulher, não conseguimos obedecer às demandas da Lei. E não temos como fazer porque estamos ligados à Lei a vida toda. A mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele vive. Porém, se o Marido morrer ela estar desobrigada da lei conjugal, e assim ela pode se casar novamente. É o que Romanos 7:3 diz: “De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias”.

Esta era a nossa situação: estávamos casados com a Lei. E nós não conseguíamos agradar a Lei. Não conseguíamos fazer o que a Lei mandava. E aí começamos a pensar no outro. Quem é o outro? Jesus. Ele é tão exigente quanto à Lei, ou até mais; só que sabemos que Ele nos ama, e que aquilo que nos pede Ele nos dá força e graça para fazer. Mas eu não posso pertencer a Jesus porque eu estou casado com a Lei de Deus desde que nasci. Então o que eu faço para sair deste casamento? Veja a solução no item seguinte.

3. Mortos para a lei (Rm 7:4). Sabe qual foi a solução de Deus para este impasse? Não foi matar o Marido (a lei). Foi matar a Esposa (nós). Perceba isto em Romanos 7:4. Até agora só se falava: “se o marido morrer”, “se morrer o marido”. Todavia, quem realmente morre é a Mulher (nós). É o que Paulo narra: ”Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus”.

Com a morte da Mulher (os crentes) o problema foi solucionado; o vínculo conjugal com o primeiro Marido acabou. Ela está morta em relação a esse Marido. Uma vez que ela ressuscitou (Cl 3:1), está livre para pertencer a outro Marido, espiritualmente falando! Foi este o caminho de Deus! O caminho de Deus não foi tirar a Lei, mas nos tirar debaixo dela. E como isso aconteceu? Da mesma forma que nos tirou do pecado. Como é que nós morremos para o pecado? Pela nossa união com Cristo. E como nós somos livres do casamento com a Lei para podermos pertencer a Cristo? Romanos 7:4 explica: “Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei,por meio do corpo de Cristo...”.

Quando Cristo morreu na cruz, nós não somente morremos para o pecado, mas nós também morremos para aquilo que dar força ao pecado, que é a Lei. Agora mortos para o pecado, com quem estávamos casados desde o nascimento, nós podemos pertencer ao outro sem cometer adultério. Quem é este outro? Está no final do versículo 4: “...aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus”.

Agora posso frutificar para Deus. Enquanto eu estava debaixo da Lei não tinha como frutificar para Deus, porque frutificar para Deus seria dar o bom fruto, obedecer à Lei, fazer a vontade de Deus, mas eu não podia, eu não conseguia! Mas agora eu saí de debaixo da Lei e estou unido a Cristo, que ressuscitou dentre os mortos e pela força dele, pela força da Sua ressurreição, agora dou fruto para Deus.

Cada crente pertence inteiramente a Cristo; isto acontece por causa da morte de Cristo na cruz, e pelo fato do crente estar unido a Ele em sua morte e ressurreição. Somente pertencendo a Cristo é que podemos produzir bons frutos, isto é, realizar boas obras e viver uma vida que agrada a Deus.

Enquanto a Lei nos governava, não haveria a menor possibilidade de sermos libertados da escravidão do pecado. A única alternativa seria a nossa desobrigação da Lei. Isso já ocorre com a nossa união com Cristo, em sua morte, pois toda a virtude da morte de Cristo, ao satisfazer as reivindicações da Lei, nos tornou livres da escravidão e do poder do pecado a que estávamos consignados pela Lei.

Portanto, assim como a morte rompe o relacionamento conjugal, também a morte do cristão com Cristo (neste caso, a morte da antiga personalidade) rompe o poder da Lei sobre ele. O antigo arranjo contratual tinha que ser completamente rompido antes que o novo se iniciasse. Isto tinha que ser tão definitivo quanto a morte. Os crentes judeus não podiam viver uma dupla devoção. Eles não podiam viver sob o domínio de Cristo e sob o domínio da Lei. O tal compromisso com Deus não pode coexistir com o compromisso total com a Lei; isto seria adultério espiritual.

Convém observar que Paulo não diz que a Lei está morta. Somos nós que morremos relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, uma referência à entrega do seu corpo à morte. Uma vez que Ele morreu como nosso representante, nós morremos com Ele. Em Sua morte, Ele pagou a pena atroz e, desse modo, cumpriu todas as exigências da Lei. Assim, estamos livres da Lei (Rm 7:6) e de sua maldição inevitável. Estamos livres para servir em novidade de espírito e não na caducidade da letra (Rm 7:6). Nosso serviço é motivado por amor, e não por medo; é um serviço prestado em liberdade, e não sob o jugo da escravidão; não é mais um apego servil aos mínimos detalhes de rituais e cerimônias, mas um transbordamento jubiloso de nosso próprio ser para a glória de Deus e a bênção de outros.

II. ADÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA (Rm 7:7-13)

7. Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás.

8. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado.

9. Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri.

10. E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte.

11. Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou.

12. Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.

13. Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno.

Estes versículos referem-se à luta terrível do crente contra a natureza humana caída. Aqui, Paulo descreve o papel importante desempenhado pela lei em sua vida antes de ele ser salvo. Enfatiza que a lei em si não é pecaminosa, mas que revela o pecado ao homem. Foi a lei que o convenceu da depravação terrível do seu coração. Enquanto se comparava com outras pessoas, sentia-se razoavelmente respeitável; porém, ao ser confrontado com as exigências da lei de Deus, viu-se mudo e condenado.

-“Que diremos, pois? É a lei pecado?”. Aqui, Paulo convoca os cristãos ao raciocínio: “Que diremos, pois?”. Qual a conclusão que os cristãos deveriam abraçar? A resposta é clara: “De modo nenhum!”. A lei não é pecado! Paulo apregoou a necessidade dos cristãos livrarem-se da lei, porém, nunca disse que a lei é pecado.

Embora o apóstolo não tenha afirmado no decurso da Epístola que a lei é pecado, alguns judaizantes poderiam distorcer os argumentos e afirmar que Paulo anunciou que a lei é pecado. Como Paulo anunciava que os cristãos eram livres do pecado e da lei, alguém mal-intencionado poderia anunciar que Paulo estava equiparando a lei com o pecado, distorcendo o que o apóstolo dos gentios procurou evidenciar. Mas Paulo afirma categoricamente que a lei não é pecado (Rm 7:7). Também afirmou que os gentios pecaram mesmo sem lei. Esta afirmação leva-nos a concluir que o pecado surgiu da transgressão à lei (a lei moral) dada no Éden, e não da transgressão das prescrições de Moisés. Bem antes da lei de Moisés a morte reinou sobre todos os homens (Rm 5:13). Desde Adão até Moisés a morte reinou sobre os homens o que significa que todos pecaram (Rm 3:23; 5:14). Daí, vale destacar que o pecado impera à parte da lei mosaica. Como? Um homem pecou, todos pecaram (Rm 5:18). Ora, se um só homem pecou e todos pecaram, segue-se que o pecado que subjugou a humanidade não decorre da desobediência à lei de Moisés, visto que, após a desobediência de Adão, Deus não instituiu, de imediato, leis, porém, mesmo assim, todos morreram, o que demonstra que todos estavam em pecado.

Através da ofensa de Adão, o ser humano peca; porque foi vendido como escravo ao pecado. Jesus é claro ao afirmar isto: “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado" (João 8:34). O homem peca porque é escravo do pecado e não porque transgride a lei de Moisés.

Em Romanos 7:11, Paulo enfatiza que a culpa não é da lei. O pecado que reside dentro do ser humano o incita a fazer o que a lei proíbe. No princípio, o pecado o enganou, levando-o a pensar que o fruto proibido não era tão nocivo, que traria felicidade e que seria possível ficar impune. Sugeriu que Deus o estava impedindo de desfrutar prazeres que lhe seriam benéficos. Assim, o pecado trouxe-lhe a morte no sentido de que acabou com suas esperanças de merecer a salvação ou obtê-la por esforços próprios.

De acordo com as Escrituras, um homem transgrediu e todos transgrediram. Um homem pecou e todos vêm ao mundo separados de Deus, destituído da sua glória, porque todos pecaram pelo simples fato de serem descendentes de Adão.

O maior pecado de Adão e Eva foi a cobiça (2Co 11:3; 1Tm 2:14). Adão e Eva morreram espiritualmente, ao desobedecerem a ordem de Deus. O mesmo aconteceu com Paulo e com todos os demais seres humanos (Rm 1:18; 3:23). Digno de nota é o fato de Paulo mencionar o Décimo Mandamento do Decálogo como aquele que o tornou cônscio do seu pecado e abriu seus olhos para a própria devassidão: “pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm 7:7). A cobiça ocorre na mente. Ainda que Paulo talvez não tivesse cometido nenhum dos pecados mais vulgares e repulsivos, ele se deu conta de que seus pensamentos eram corrompidos. Ele entendeu que pensamentos perversos são tão pecaminosos quanto atos perversos. Sua vida exterior talvez fosse relativamente irrepreensível, mas sua vida interior era poluída. Todos os primeiros nove mandamentos são objetivos, e qualquer tribunal da Terra pode legislar sobre eles, fiscalizá-los e condená-los. Mas o Décimo Mandamento ("Não cobiçarás") é subjetivo, pertence à jurisdição do foro íntimo, e nenhum tribunal da Terra tem competência para julgar foro íntimo. A lei de Deus, porém, penetra como uma câmara de raio-X e faz uma leitura dos propósitos mais secretos do nosso coração, trazendo à luz seus desejos pervertidos.

Observe a expressão de Paulo em Rm 7:11: “Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou”. Aqui, o verbo "enganou" é o mesmo usado em 2Coríntios 11:3 - "a serpente enganou a Eva”; e em 1Timóteo 2:14 - "a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Paulo quis dizer que o pecado seduz, engana e mata.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando William Barclay, esclarece que o engano do pecado pode ser visto sob os seguintes aspectos:

a) enganamo-nos ao considerar a satisfação que encontraremos no pecado. O pecado é doce ao paladar, mas amargo no estômago. É um embusteiro, pois promete alegria e paga com a tristeza; proclama liberdade e escraviza; faz propaganda da vida, mas seu salário é a morte.

b) enganamo-nos ao considerar a desculpa que podemos dar pelo pecado. Todo homem pensa que pode ostentar sua defesa por ter praticado este ou aquele pecado, mas toda escusa do pecado torna-se nula sob o escrutínio de Deus.

c) enganamo-nos ao considerar a probabilidade de escapar das consequências do pecado.Ninguém peca sem a esperança de que sairá ileso das consequências do pecado. A realidade inegável, porém, é que cedo ou tarde o nosso pecado nos achará.

Quando um criminoso é apanhado no flagrante de seu delito, a lei exige que ele pague por seu crime. Ele é preso e a lei o condena. Esse transgressor, porém, não pode culpar a lei de ser responsável pelos seus problemas. Ele está preso por causa de seu crime e não por causa da lei. A lei está livre de qualquer culpa. O vilão da história é o pecado. Calvino ressalta que o pecado reside em nós, e não na lei, uma vez que a perversa concupiscência de nossa carne é a sua causa. É certo que a lei expõe, provoca e condena o pecado, mas não é responsável por nossos pecados nem por nossa morte. Assim, a lei não pode salvar-nos porque não podemos cumpri-la, e não podemos cumpri-la por causa do pecado que habita em nós.

A ofensa de Adão trouxe juízo sobre todos os homens, mas o ato de Justiça de Cristo trouxe justificação que dá vida a todos. O ato de justiça não foi a vida do Salvador ou sua observância da lei, mas sua morte vicária no Calvário. Ela trouxe justificação que dá vida, ou seja, a justificação que resulta em vida, e é oferecida a todos os homens.

III. O CRISTÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA ENTRE CARNE E ESPÍRITO (Rm 7:14-25)

14. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado.

15. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.

16. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.

17. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim.

18. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.

19. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.

20. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.

21. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.

22. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

23. mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.

24. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

25. Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.

1. A santidade da lei. O apóstolo Paulo diz que “a lei é santa; e cada mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7:12). A Lei é santa porque ela é a voz de Deus; ela reflete o caráter de Deus, sendo a cópia de suas perfeições; ela traz as impressões de seu autor. Ela foi dada por Deus e, portanto, é perfeita como expressão da vontade dele para o seu povo. A fraqueza da lei encontra-se na “matéria prima” com a qual teve de trabalhar: ela foi dada a indivíduos que já eram pecadores. Precisavam da lei para lhes dar conhecimento do pecado, mas, além disso, precisavam de um Salvador para livrá-los do castigo e do poder do pecado. Portanto, não há falha na lei; a falha está em mim que não consigo obedecer-lhe (Rm 7:18). Sendo santa, a lei mostra o caráter maligníssimo do meu pecado (Rm 7:13). O pecado é a maior de todas as tragédias; é pior do que a pobreza, a fome, a doença e a própria morte, pois esses males, embora graves, não nos podem afastar de Deus. O pecado, contudo, nos afasta de Deus agora e por toda a eternidade.

2. A malignidade da carne (Rm 7:18,19). “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. Aqui, “carne”,obviamente, não significa “corpo”; “carne” descreve nossa situação antes de sermos salvos, refere-se a nossa velha natureza. Paulo sabe que nenhum bem habita em sua carne, uma vez que não há nele poder para fazer o bem que deseja (Rm 7:19).

É válido salientar que, quando Paulo diz, em Romanos 7:14, que é carnal, não está declarando que não é convertido. Essa mesma expressão foi usada para referir-se aos crentes de Corinto (1Co 3:1-3) e Paulo jamais insinuou que eles não fossem convertidos. A verdade é que a velha natureza não é aniquilada na conversão. Ela ainda habita em nós. Embora não tenha poder legal de nos dominar, muitas vezes ela revela quão fracos somos.

Em nossa jornada espiritual, há um tremendo conflito entre a carne (velha natureza) e a nossa nova natureza. Foi o que o apóstolo Paulo disse aos Gálatas: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gl 5:17). Na verdade, existem duas forças antagônicas que nos arrastam para direções opostas. Na justificação fomos libertados da culpa do pecado; na santificação estamos sendo libertados do poder do pecado, mas só na glorificação seremos salvos da presença do pecado. Ainda lidamos contra o pecado que tenazmente nos assedia.

3. A velha natureza (Rm 7:20-25). “Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim”. Podemos parafrasear esse versículo da seguinte maneira: “Se eu (a velha natureza) faço o que eu (a nova natureza) não quero, já não sou eu (a pessoa) quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim”. É bom deixar claro que Paulo não está se desculpando nem se esquivando de sua responsabilidade como cristão salvo. Ele está apenas afirmando que a velha natureza ainda continua habitando nele e, ao pecar, não o faz com o desejo do novo homem.

Longe de estar morta, no sentido de inerte, nossa natureza caída está tão viva e ativa que somos seriamente exortados a não obedecer aos seus desejos, e o Espírito Santo nos é concedido para que possamos subjugá-los e controlá-los. A natureza adâmica não é extirpada na conversão, mas recebemos poder para subjugá-la e dominá-la.

Não há nada de bom na nossa velha natureza. Paulo vê isso como parte de sermos humanos. Embora pertençamos a Cristo e tenhamos morrido para o pecado, ainda vivemos em um mundo pecaminoso e temos uma natureza pecaminosa que é completamente corrupta. Desde a queda do ser humano, há uma tensão: tentar fazer o bem e não ser capaz de fazê-lo. Sem a ajuda do Espírito Santo, a pessoa é dominada pelo poder do pecado e continua a fazer o mal, embora realmente deseje fazer o bem.

Deus podia eliminar a velha natureza dos crentes no momento da sua conversão, mas não o faz. Por quê? Porque Ele quer nos obrigar a se lembrar constantemente da nossa fraqueza; quer nos manter sempre em estado de dependência de Cristo, nosso Sacerdote e Advogado, e levar-nos a louvar incessantemente Aquele que nos salvou. Em vez de remover a velha natureza, Deus nos deu seu Espírito para habitar em nós. O Espírito de Deus e nossa carne estão constantemente em conflito, e isso continuará até o dia em que Deus nos levar para Si. O que o crente tem de fazer é ceder ao Espírito Santo.

CONCLUSÃO

O velho Adão é muito forte para nós, mas graças a Deus ele não é suficientemente forte para Cristo. Jesus Cristo, nosso Senhor, nos dará a vitória, dia-a-dia e durante todos os dias. Por causa de Jesus Cristo um grande futuro nos está garantido. Um dia nos uniremos a Ele na eternidade com um novo corpo, incorruptível e glorificado, livre do poder do pecado. Amém?

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 25 de abril de 2016

5ª lição do 2º trimestre de 2016: A MARAVILHOSA GRAÇA


Texto Base: Romanos 6:1-12

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos da Maravilhosa Graça de Deus. Graça é o favor imerecido concedido por Deus à humanidade. Imerecido porque o homem perdeu todo e qualquer direito, ou privilégio junto ao seu Criador, por causa do pecado. Portanto, a Graça é a causa meritória da nossa salvação. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. A todos quantos creem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na Maravilhosa Graça de Deus.

I. OS INIMIGOS DA GRAÇA

Os inimigos da graça apresentava um argumento supostamente irrefutável: “Se a graça é superabundante onde o pecado é abundante, se a multiplicação das transgressões serve para demonstrar o esplendor da graça, então não deveríamos pecar mais para que Deus seja ainda mais glorificado na magnificência da sua graça?”. Esta pergunta retratava tanto a distorção antinomiana como a objeção dos legalistas à doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, independentemente das obras. A inferência licenciosa é imediata e energicamente rejeitada por Paulo: “De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6:2).

De acordo com esta resposta de Paulo, não podemos continuar a pecar porque morremos para o pecado. Trata-se de um fato acerca de nossa condição. Quando Jesus morreu para o pecado, Ele o fez como nosso representante. Morreu não apenas como nosso substituto, ou seja, por nós ou em nosso lugar, mas também como nosso representante, ou seja, como se nós estivéssemos lá. Assim, quando Ele morreu, nós também morremos. Ele morreu para o problema do pecado e resolveu-o de uma vez por todas. Para Deus, todos que estão em Cristo também morreram para o pecado. Isto não quer dizer que o cristão é impecável; antes, ele é identificado com Cristo em sua morte e tudo o que ela significa.

Vejamos, a seguir, mais detalhes acerca dos inimigos da graça.

1. Antinomismo. Antinomismo, ou antinomianismo, é a ideia de que a fé e a graça excluem as obras, atitude, comportamento e o andar diante de Deus. Para os adeptos desta errônea compreensão, se você é justificado pela fé em Cristo Jesus, o que você faz ou como você vive isso não vai ter muito impacto em seu relacionamento com Deus. Isto é uma compreensão desviada da genuína doutrina bíblica! A fé salvadora sempre vem acompanhada da evidência. Neste sentido, fé e obras são dois lados de uma mesma moeda: a fé sendo a causa instrumental da salvação e as obras sendo fruto dela. Onde tem uma vai ter a outra. Onde falta uma a outra também falta.

A Graça de Deus nos justificou, abolindo o domínio do pecado e fazendo-nos livres em Cristo. Mas, não devemos confundir liberdade com libertinagem (antinomismo). A liberdade em Cristo deve ser tratada com responsabilidade. Foi o que o apóstolo Paulo disse aos em Gálatas: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne...” (Gl 5:13).

2. Paulo não aceita e não confirma o antinomismo. A doutrina do reinado da graça levou os libertinos a distorcer o ensino de Paulo. Eles ensinavam que a prática do pecado abre largas avenidas para uma ação mais robusta da graça (Rm 6:1). Assim, esses mestres do engano ensinavam que devemos pecar a valer para que a graça seja mais abundante. Paulo reage com firmeza a essa perversão da verdade, dizendo que o reinado da graça nos leva a morrer para o pecado, em vez de nos incentivar a viver nele e para ele: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6:1-3). Se morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? A morte e a vida não podem coexistir; não podemos estar mortos e vivos ao mesmo tempo, com relação a coisa alguma. A Graça nos salvou do pecado, e não no pecado.

Os antinomianos argumentam que o crente pode persistir no pecado, mas Paulo afirma que o crente morreu para o pecado. Não podemos viver no pecado se estamos mortos para ele. Assim como nós morremos pelo pecado em Adão, morremos para o pecado em Cristo. Portanto, a disponibilidade da misericórdia de Deus não deve se tornar uma desculpa para uma vida descuidada e para a frouxidão moral. A ideia de que alguém afirme crê no Evangelho, enquanto planeja continuar no pecado, é absurda para Paulo. O objetivo do Evangelho não é encontrar uma desculpa para o pecado, mas libertar do pecado.

Refuta ainda mais o apóstolo: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” (Rm 6:3). Aqui, Paulo mostra que é moralmente inapropriado o cristão continuar a pecar. Ao ser batizado, o cristão comparece ao funeral do seu velho eu. Ao passar pelas águas do batismo, o convertido diz: “tudo o que eu era como filho pecaminoso de Adão morreu na cruz”. Ao sair das águas, declara: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Portanto, o batismo é símbolo da morte, do enterro do antigo estilo de vida, mas também simboliza o novo nascimento. Ao levantar-se da água, a pessoa ressuscita para uma nova vida com e em Cristo. Se considerarmos que nossa antiga vida pecaminosa está morta e enterrada, teremos um poderoso argumento para resistir ao pecado. Podemos conscientemente tratar os desejos e as tentações de nossa antiga natureza como coisas enterradas. Então, poderemos continuar a desfrutar a nossa nova e maravilhosa vida com Jesus.

“Infelizmente, o antinomismo tem ganhado força em nossa sociedade, passando a ser socialmente aceito até mesmo dentro das igrejas evangélicas. Essa é uma doutrina venenosa, que erroneamente faz com que a graça de Deus pareça validar todo tipo de comportamento contrário à Palavra de Deus” (LB).

3. Legalismo. Em Romanos 6:14,15, o apóstolo Paulo assim se expressa: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14); “Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!” (Rm 6:15).

Em Romanos 6:14, o apóstolo nos adverte que o pecado não pode, e nunca mais poderá ter, domínio sobre nós porque não estamos mais debaixo da lei. O que significa não estarmos mais debaixo da lei? Significa que: (a) não estamos mais sob as exigências da lei, como estavam as pessoas do Antigo Testamento; (b) não estamos sob a maldição decorrente do inatingível padrão da lei (Gl 3:10-14). Os legalistas criaram como desdobramento da lei 613 preceitos, que nenhum judeu, por mais santo que tenha sido, os cumpriu em sua totalidade; (c) não estamos sob o seu sistema de exigências: as leis cerimoniais que tinham que ser meticulosamente guardadas; (d)não estamos mais sob o medo de ser reprovados pelo justo padrão da lei.

Se os crentes ainda estivessem debaixo da lei, então o pecado seria o seu senhor, e os dominaria. Mas agora estamos vivendo sob a Graça. Assim sendo, o nosso Senhor é Deus, e é Ele quem nos domina. Porém, há muitos que confundem a Graça com a permissão para pecar.

As palavras de Paulo em Romanos 6:14 – que parecem colocar a lei contra a graça – provavelmente surpreenderam os legalistas. Parecia que Paulo estava substituindo a lei pela graça, desta maneira retirando a lei das pessoas e, portanto, dando-lhes liberdade para pecar. Paulo não faz rodeios ao tratar desse engano. Levanta a questão e responde a ela com uma negação categórica. Isto quase repete a pergunta de Rm 6:1. A pergunta em 6:1 é: “Permaneceremos no pecado?”. A pergunta de Rm 6:15 é: “Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?”. A resposta nos dois casos é enérgica: “De modo nenhum!”. Deus não pode ser conivente com nenhum pecado. Estamos livres da lei, mas não vivemos de forma desregrada. A graça representa liberdade para servir ao Senhor, e não para pecar contra Ele.

II. A VITÓRIA DA GRAÇA

Onde abundou o pecado, superabundou a Graça (Rm 5:20). Portanto, a Graça é maior que o pecado. Assim como o segundo Adão é maior do que o primeiro, assim como a obra de Cristo é maior do que o pecado de Adão, também a Graça é maior do que o pecado. A redenção levou o homem não apenas ao seu estado original, mas a horizontes mais sublimes. Não somente restituiu o que ele havia perdido, mas o colocou numa posição superior aos anjos, tornando-o membro da família de Deus.

1. A graça destrói o domínio do pecado. Consideremos, por exemplo, um homem que foi condenado a morrer na cadeira elétrica por ter matado um policial. Assim que ele morre é “liberto” desse pecado. A pena foi paga, e o caso foi encerrado. Nós também estávamos condenados à morte eterna, mas fomos libertos quando morrermos; morremos com Cristo na cruz do Calvário. Além de nossa pena ter sido paga, o domínio opressor do pecado sobre nossa vida foi rompido. Não somos mais escravos impotentes do pecado. Diz o apóstolo Paulo: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” (Rm 6:7).

O outro lado da morte com Cristo é que também com ele viveremos, como diz o texto sagrado: “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” (Rm 6:8). Morremos para o pecado; vivemos para a justiça. O pecado não exerce mais domínio sobre nós; participamos da vida ressurreta de Cristo aqui e agora. Também teremos parte nessa vida por toda a eternidade. Nossa certeza baseia-se no fato de que o Cristo ressurreto jamais voltará a morrer. A morte já não tem domínio sobre ele. A morte dominou-o por três dias e noites, mas esse domínio cessou de uma vez por todas. Cristo nunca mais morrerá.

Quanto à nossa condição aos olhos de Deus, morremos e ressuscitamos com Cristo. Essa realidade é retratada no batismo. A morte com Cristo encerra nossa história como homens e mulheres em Adão. A sentença de Deus que recaía sobre nosso velho homem não era a correção, mas a morte. Essa sentença foi executada quando morremos com Cristo. Agora, estamos ressuscitados com Cristo e andamos em novidade de vida. A tirania do pecado sobre nós foi rompida, pois o pecado não pode exercer domínio sobre um morto. Estamos livres para viver para Deus. “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus” (Rm 6:10).

2. A graça destrói o reinado da morte. É comum chamar a grande luta que ocorre no universo de “conflito entre o bem e o mal”. Em Rm 5:21, Paulo retrata o resultado da guerra entre o Reino da graça e o reino do pecado. Até Cristo, a guerra parecia estar decidida, pois o pecado controlava todas as pessoas. Mas a morte e a ressurreição de Cristo trouxeram a vitória decisiva através da qual a maravilhosa graça de Deus reina. Sob o reinado da graça é declarada a justiça que trará a vida eterna. Diz o texto sagrado: “para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5:21).

Agora que o domínio do pecado, o qual castigava todos os homens com a morte, foi debelado, a graça reina pela justiça e concede vida eterna, mediante Jesus Cristo nosso Senhor. Observe que a graça reina pela justiça, ou seja, a graça não libertou, nem podia libertar, cativos realmente culpados sem pagar o resgate. Ela não passou por cima da justiça, nem ignorou as suas exigências. Ela reina por provisão de um Salvador que sofreu no lugar dos culpados.

Pelo reinado da graça somos salvos da culpa do pecado na justificação, do poder do pecado na santificação e da presença do pecado na glorificação. Pela morte de Jesus Cristo, plena compensação foi apresentada à justiça de Deus.

A graça não apenas anulou a sentença de morte, mas dá ao homem a vida eterna (Rm 5:21b). O reinado do pecado produz morte, mas o reinado da graça oferece vida eterna mediante Jesus Cristo nosso Senhor. O Senhor Jesus recebe no palácio da Graça os que estavam condenados e mortos e concede a eles o dom da vida eterna. Todas as exigências da santidade de Deus foram cumpridas e o castigo pelo pecado foi pago, de modo que Deus pode, agora, conceder vida eterna a todos os que lançam mão dos méritos de Cristo.

3. A graça e os efeitos do pecado. Muitos são os efeitos do pecado. Um deles foi a maldição da Terra (Gn 3:17) – “E a Adão disse[...] maldita é a terra por causa de ti...”. São assaz notórios as catástrofes naturais, os conflitos em seus variados aspectos, injustiças, homicídios, infanticídios, feticídios, genocídios, etc. Outro efeito do pecado: a morte. O primeiro casal pecou e, como consequência, houve a inserção da morte na existência humana. Por isso, é dito que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23). A morte deve ser vista sob quatro aspectos: a) Morte espiritual (Gn 3:8); b) Morte Moral (Gn 3:12,13); c) Morte Física (Gn 3:19); d) Morte eterna (Ap 20:14). Todavia, a graça de Deus, presente na ressurreição do Senhor Jesus, destruiu o poder do pecado sobre a morte física; e essa mesma graça, quando nos reconcilia com Deus, destrói o poder da morte espiritual.

III. OS FRUTOS DA GRAÇA

1. A graça liberta. Certamente, o mais precioso fruto da graça é a libertação do domínio do pecado. Onde a Graça reina, os homens se tornam livres. Diz o texto sagrado: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).

Em Adão toda a raça humana caiu em pecado e miséria. Porém, em Cristo, o segundo Adão, fomos libertados do pecado e da morte. Os que estão em Cristo, sob o reinado da graça, foram libertados da tirania do pecado, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5:20). Agora somos livres em Cristo. Podemos desfraldar as bandeiras da nossa liberdade. Infelizmente, muitos crentes são ignorantes, não conhecem o que Cristo fez por eles; outros são acomodados, acostumaram a viver como escravos; outros ainda são fracos, vivem com medo do feitor de escravos e deixam de desfrutar sua liberdade.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, narra que “a abolição da escravatura nos Estados Unidos da América custou alto à nação. Foi necessária uma guerra civil. Abraão Lincoln, 16° presidente, foi assassinado. A 13ª emenda da Constituição que validava a escravidão foi legalmente abolida era 18 de dezembro de 1865. No entanto, a vasta maioria dos escravos do Sul que haviam sido legalmente libertados continuou vivendo como escravos. Um escravo do Estado do Alabama disse: "Nada sei sobre Abraão Lincoln e sobre nossa libertação". Isso é trágico: uma guerra foi travada, um presidente foi assassinado, uma emenda à Constituição passa a ser lei, homens, mulheres e crianças antes escravos foram legalmente alforriados, todavia muitos continuaram vivendo como escravos por causa da ignorância. Há hoje muitos crentes vivendo como escravos. Embora Cristo, o emancipador de escravos, tenha morrido e ressuscitado para a nossa libertação, muitos crentes ainda vivem como cativos, sem desfrutar plena liberdade”.

2. Exigências da Graça (Rm 6:12,13). “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça”.

O domínio do pecado foi encerrado no Calvário pela morte de nosso Senhor. O nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado (Rm 6:6). Consideramo-nos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 6:11).

O que isso significa estarmos mortos para o pecado? Não significa que estamos mortos no sentido de insensíveis ao pecado. Paulo não está aqui defendendo a impecabilidade do cristão nem pleiteando a tese da santidade total nesta vida. Uma das evidências da vida é a capacidade de corresponder aos estímulos. Não estamos mortos para o pecado como um gato morto está insensível ao toque. Nossa natureza caída está tão viva e ativa que somos seriamente exortados a não obedecer a seus desejos, e o Espírito Santo nos é concedido para que possamos subjugá-los e controlá-los. Não morremos para o pecado no sentido de estarmos insensíveis a ele, como um morto está insensível aos cinco sentidos. Nossas tentações vêm do interior, da carne, e não apenas de fora, do mundo e do diabo.

Em que sentido, então, devemos considerar-nos mortos? Devemos considerar-nos mortos no sentido de que judicialmente estamos mortos em Cristo. Assim como pelo pecado de Adão morremos no pecado, pela morte de Cristo morremos para o pecado. Podemos agora, andar com a certidão de óbito no bolso, dizendo que o pecado não tem mais domínio sobre nós, no sentido de nos condenar, uma vez que já fomos justificados pela morte de Cristo. A penalidade que deveria cair sobre nossa cabeça caiu sobre Cristo. A condenação que nós deveríamos receber, Cristo recebeu em nosso lugar. O golpe da morte que nós deveríamos ter sofrido, Cristo sofreu por nós. A morte que nós deveríamos suportar, Cristo suportou por nós. A sua morte foi a nossa morte (2Co 5:14). Assim como Cristo morreu para o pecado, nós também morremos para ele. Porque estamos em Cristo, já sofremos nele a penalidade do pecado, que é a morte. Morremos nele e por intermédio dele. Ao nos unirmos com ele, sua morte tornou-se a nossa morte.

Agora, devemos agir em função dessa realidade. Precisamos cooperar. Não devemos deixar o pecado reinar em nosso corpo mortal ao atender aos seus desejos perversos. Somente Deus pode nos santificar, mas Ele não o fará sem o nosso envolvimento ativo. O corpo do cristão não é apenas santuário do Espírito Santo (1Co 6:19), mas também um instrumento nas mãos de Deus. Para que isto seja uma realidade, há algumas exigências a serem cumpridas:

a) não permita que o pecado domine seu corpo (Rm 6:12). Onde Cristo é Senhor, o poder do pecado tornou-se ilegal (Rm 6:7). O pecado é intruso e embusteiro. Ele pode usar o nosso corpo como uma ponte por meio da qual nos consegue governar. Assim Paulo convoca a rebelar-nos contra o pecado.

b) não ofereçam os membros do seu corpo ao pecado (Rm 6:13a). Os órgãos do nosso corpo (olhos, ouvidos, mãos, pés) devem estar a serviço de Deus, e não do pecado. A vida cristã é mais que um credo, é mais que um sentimento; é ação. Alguém disse que “o cristianismo não pode ser somente uma experiência de um lugar secreto; deve ser uma vida numa praça pública”.

c) Apresentai-vos a Deus, e os vossos membros como instrumentos de justiça (Rm 6:13b). Chamamos isto de consagração a Deus, que deve ser um compromisso decisivo e deliberado. Nosso corpo foi comprado por Deus e deve estar a serviço da glória de Deus. Os membros do nosso corpo não devem ser janelas abertas para o pecado, mas instrumentos da realização da vontade de Deus. Não podemos dar uma parte da nossa vida a Deus e outra parte ao mundo. “Para Deus é tudo ou nada”.

3. A graça santifica (Rm 6:22). “Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para Santificação, e por fim a vida eterna”. A graça de Deus só pode ser eficaz, na vida do cristão, se este se dispuser a negar-se a si mesmo, para ter uma vida de santidade. Diz a Bíblia: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).

O pecado não exerce domínio sobre a pessoa que se encontra debaixo da graça. O cristão morreu para o pecado e recebeu dentro de si o Espirito Santo (1Co 12:13) como poder para viver em santidade.

A fé nos torna justos aos olhos de Deus e nos desafia a sermos justos na prática – fazendo aquelas coisas que levam à santificação e à vida eterna. A vida eterna começa na conversão e, apesar da morte física que inevitavelmente sofreremos, ela continua além do túmulo, quando a usufruiremos em sua plenitude, incluindo o corpo ressurreto glorificado.

A santidade é obtida através de um processo, que tem início na conversão, e deve prosseguir por toda a vida do crente, até a morte, ou o seu encontro com Cristo, em sua vinda. A vida cristã somente pode progredir e se desenvolver se houver separação do pecado, o que deve ser perseguido até o dia do Arrebatamento da Igreja. A falta de santificação anula os efeitos da regeneração e da justificação. Pela justificação fomos libertados da culpa do pecado, mas na santificação devemos ser salvos do poder do pecado.

CONCLUSÃO

A Graça é a fonte da vida e melhor do que a vida. Por ela somos salvos, por ela vivemos e por ela entraremos nos páramos celestiais. “A graça seja com vós todos. Amém!” (Tt 3:15).
Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço