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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

5ª lição do 1º trimestre de 2018: CRISTO É SUPERIOR A ARÃO E À ORDEM LEVÍTICA


Texto Base: Hebreus 4.14-16; 5.1-14

"Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão" (Hb.4:14).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da superioridade do sacerdócio de Jesus Cristo em relação ao sacerdócio arônico. Este sacerdócio estava sujeito ao pecado (Lv.10:1,2; 9:7,8; Hb.8:3; 9:6,7); oferecia sacrifícios contínuos (Ex.29:38,41,42; 30:10; Nm.28:1-3) e; o efeito da expiação era temporário (Hb.10:1-4; 9:9,10). Já o sacerdócio de Cristo é muito superior, pois nele está a plenitude sacerdotal (Hb.4:14,15; 7:26,27; At.5:30,31); Ele fez uma única oblação (Hb.7:27; 9:24,25,28; 10:14; 1Pd.3:18) e Seu sacrifício foi eficaz (1Pd.1:18,19; Hb.5:9; 9:14,15,24). Portanto, Jesus, como Sumo Sacerdote, era de uma ordem superior e perfeita e, por conta disso, capaz de condoer-se e socorrer os que a Ele recorrem. Não há ninguém melhor que Ele para compreender nossas fraquezas e debilidades. Por isso, precisamos de um mediador perfeito, “porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm.2:5,6). Com base nesse fato, o autor aos Hebreus encoraja os cristãos da seguinte forma: "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (Hb.4:16).

I. UM SACERDÓCIO SUPERIOR QUANTO A QUALIFICAÇÃO

“O sumo sacerdócio de Cristo é mais qualificado do que o de Arão e o da ordem levítica porque representa melhor o ser humano diante de Deus, pois compreende a condição humana, e também por pertencer ao ‘sacerdócio do céu’”.

1. Por representar melhor os homens diante de Deus. Jesus Cristo é maior do que qualquer sacerdócio levítico, na Antiga Aliança, pois é quem nos representa melhor diante de Deus. O nosso Sumo Sacerdote misericordioso e fiel, Jesus Cristo, tornou-se como nós a fim de morrer por nós, oferecendo o sacrifício definitivo pelo pecado. Ao contrário do sacerdócio arônico que oferecia ofertas e sacrifícios, Jesus ofereceu sua própria vida como oferta a Deus em nosso favor.

Na Antiga Aliança, somente os sumos sacerdotes podiam interceder junto a Deus pelos pecados da nação (cf. Lv.16). Para os judeus, o sumo sacerdote era a sua mais elevada autoridade religiosa. Mas Jesus é o grande Sumo Sacerdote, melhor que os sumos sacerdotes levíticos, pelas seguintes razões:

a) Os sumos sacerdotes eram homens que podiam oferecer sacrifícios, mas que não podiam fazer nada para tirar o pecado. Jesus deu a sua vida e morreu como o sacrifício supremo e final pelo pecado.

b) O sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos somente uma vez por ano para fazer a expiação pelos pecados da nação. Jesus penetrou nos céus e tem acesso irrestrito a Deus Pai.

c)  Os sumos sacerdotes eram humanos e pecadores. Jesus intercede a Deus pelas pessoas como o Filho de Deus, que não tem pecado, o qual é, ao mesmo tempo, humano e divino.

d) Os sumos sacerdotes eram as autoridades religiosas mais elevadas para os judeus. Jesus tem mais autoridade do que os sumos sacerdotes levíticos, porque Ele é tanto Deus como homem.

e) As pessoas não podiam se aproximar de Deus, exceto através de um sumo sacerdote. Quando Jesus morreu, o véu que separava o Santo dos Santos no Templo foi rasgado em dois, indicando que a morte de Jesus Cristo tinha aberto o caminho para que as pessoas pecadoras pudessem se chegar à presença do Deus santo.

Por causa de tudo isso, e por causa de tudo o que Jesus Cristo fez e está fazendo por nós, retenhamos firmemente a nossa confissão. Permita que Jesus seja o seu Sumo Sacerdote; somente Ele pode lhe proteger do juízo inevitável. Cristo é o Sumo Sacerdote fiel que representa todos aqueles que confiam nele. Creia nisso!

2. Por compreender melhor a condição humana. Pelo fato de Jesus, o nosso Sumo Sacerdote, ter-se tornado como nós, Ele experimentou a vida humana de uma forma completa. Ele cansou-se, teve fome, e enfrentou as limitações humanas normais. Dessa forma, Jesus entende as nossas fraquezas. Não apenas isso, mas Ele também em tudo foi tentado, mas sem pecado. Jesus, em sua humanidade, sentiu a luta e a realidade da tentação. O texto em Mateus 4:1-11 descreve uma série especifica de tentações do Diabo, mas Jesus enfrentou tentações ao longo de toda a sua vida terrena, assim como nós as enfrentamos. O autor aos Hebreus descreve com bastante convicção esta realidade: ”Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb.4:15).

Por entender melhor as nossas necessidades, podemos “alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb.4:16). O nosso Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, está atento às nossas necessidades. Nenhum pedido é insignificante, e nenhum problema é pequeno demais. Ele promete ajudar-nos no momento certo – no tempo dEle. Isto não significa que Ele promete resolver todas as nossas necessidades no exato momento em que O buscamos. Tampouco significa que Deus apagará as consequências naturais de qualquer pecado que foi cometido. Significa, porém, que Deus ouve, cuida, e responderá do seu modo perfeito, em seu tempo perfeito.

3. Pela posição que exerceu. Diz o texto sagrado: “E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Hb.5:4,5).

Nota-se que ser um ministro do altar era algo extremamente honroso, de grande importância e de muita responsabilidade. A posição de sumo sacerdote tinha em si uma honra especial, e ninguém podia se tornar um sumo sacerdote só porque o quisesse. O sumo sacerdote tinha que ser chamado por Deus. Tanto Arão como seus filhos foram escolhidos diretamente por Deus para esse ministério (Êx.28:1-3; Sl.105:26). A “santidade” deles vinha somente de Deus, e não de seu papel sacerdotal.

Como os sumos sacerdotes do Antigo Testamento não tomaram por si mesmos a honra, mas foram honrados pela seleção de Deus, assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer Sumo Sacerdote. Cristo também foi escolhido por Deus, como demostrado pela citação do Salmo 2:7: “Tu és meu Filho, hoje te gerei”. Cristo tornou-se Sumo Sacerdote e preencheu perfeitamente os requisitos desta função imprescindível. Além do mais, por pertencer a uma ordem sacerdotal superior e haver sido enviado do Céu para essa missão, Ele foi em tudo superior e mais honrado do que o sumo sacerdote Arão.

II. UM SACERDÓCIO SUPERIOR QUANTO AO SERVIÇO

 “A realeza, o propósito pelo qual viveu, a vida santa que possuía e a submissão demonstrada no seu ministério apontam para superioridade do serviço de Cristo”.

1. Pela realeza e o propósito pelo qual viveu. Veja a expressão de Hb.5:6: “...Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque”. Aqui, o autor mostra que o sacerdócio de Cristo é de uma ordem melhor, pois em Salmos 110:4 Deus o declarou “sacerdote para sempre”. Observe a expressão “eternamente” (Hb.5:6); este termo é outra característica da superioridade de Cristo. Arão e todos os seus sucessores sacerdotais tiveram seu tempo e então saíram de cena. Cristo, como Sacerdote, permanece para sempre e não tem necessidade de um sucessor. Assim como Melquisedeque, que foi rei e sacerdote (cf. Gn.14:18), e não há registro de que tenha tido um sucessor, Jesus é um Sacerdote à sua semelhança. Ele é o Filho de Deus, Rei e Sumo Sacerdote. Conquanto sendo Filho de Deus, não glorificou a si mesmo nem tampouco buscou honra para si, mas exerceu o sacerdócio por meio da vontade do Pai (Fp.2:5-11).

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

2. Pela vida santa que possuía. Veja a expressão de Hebreus 5:7: “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia”. Este texto sagrado refere-se à vida piedosa de Jesus; interseção, compaixão, oração e súplicas são qualidades presentes em um autêntico sacerdote. Aqui, o autor ensina que Cristo não é apenas o Filho de Deus sem pecado, é também um verdadeiro homem. Para provar isso, o autor se refere à variedade de experiências humanas pelas quais ele passou nos dias da sua carne. Perceba as palavras usadas para descrever a vida de Jesus e, especialmente, sua experiência no Getsêmani (Mc.14:32-39): orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas (NVI). Todas essas palavras retratam sua vida como homem dependente, submetido à obediência a Deus Pai, tomando parte de todas as emoções humanas não vinculadas ao pecado.

Cristo não pediu em sua oração que fosse poupado da morte, afinal, morrer pelos pecadores foi precisamente o seu proposito ao vir ao mundo (João 12:27). A oração pedia que sua alma não fosse deixada no Hades. Essa oração foi respondida quando Deus Pai o ressuscitou da morte(1Co.15:4). Ele foi ouvido por causa de sua piedade. Sem a ressurreição de Cristo seria vã a nossa fé (1Co.15:14), e todos os que morreram em Cristo estariam perdidos para sempre (1Co.15:18); mas, por causa da sua ressurreição temos viva esperança de morarmos com Ele na glória.

3. Pela submissão que demonstrou. Veja a seguinte expressão no final de Hb.5:7: “[...]foi ouvido quanto ao que temia”. Na Revista Almeida e Atualizada esta expressão é traduzida da seguinte forma: “tendo sido ouvido por causa da sua piedade". O substantivo grego “eulabeia” pode significar “temor”, “piedade”, ou “temor reverente”. Nas intensas orações de Jesus, havia tanto devoção pessoal quanto submissão reverente à vontade redentora do Pai.

Os sumos sacerdotes tinham que ser humanos (e, dessa forma, capazes de se compadecer daqueles que eles representavam), e tinham que ser chamados por Deus. Cristo preencheu estes dois requisitos (cf.Hb.4:15; 5:5,6). A humanidade de Jesus permitia que Ele se compadecesse de nós. Para mostrar isto, o autor da Epístola lembrou aos destinatários de como Jesus, nos dias da sua carne, agonizou enquanto se preparava para enfrentar a morte (Lc.22:41-44). Embora Jesus tenha clamado a Deus, pedindo para ser livrado, Ele estava preparado para sofrer humilhações, a separação de seu Pai e a morte, a fim de fazer a vontade de Deus Pai. Ele ofereceu, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas. Ele sabia que tinha sido enviado para morrer, mas, em sua humanidade, enfrentou grande temor e tristeza sobre o que sabia que iria acontecer. Em sua humanidade, Ele não queria morrer, mas sujeitou-se à vontade de Deus Pai, e este ouviu as suas orações. O viver temente de Jesus o conduziu a suportar o sofrimento em favor da humanidade e, dessa forma, a completar a obra expiatória em favor de todos. Jesus sofreu a extrema agonia e a morte em sua submissão a Deus. Mas as suas orações foram respondias, pois Ele foi salvo do poder da morte. Ele venceu a morte através da sua ressurreição.

III. UM SACERDÓCIO SUPERIOR QUANTO À IMPORTÂNCIA TEOLÓGICA

“A doutrina da superioridade sacerdotal de Cristo é transcendental aos princípios formadores da fé cristã e essencial à nossa fé”.

1. Uma doutrina transcendente. A doutrina da superioridade sacerdotal de Cristo era e é de sua importância para o viver cristão, porém, os cristãos destinatários da Epístola aos Hebreus não estavam compreendendo esta importante doutrina. Em vez de trabalharem arduamente por sua fé, eles estavam escolhendo a estrada mais fácil. O autor ilustra este fato ao dizer que é “de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir” (Hb.5:11). Aparentemente, o escritor conhecia pessoalmente muitos crentes judeus que se encaixavam nesta descrição, ou tinha ouvido falar da indisposição que eles demonstravam para aplicar alguns destes conceitos importantes sobre a sua fé, dentre eles, a doutrina a respeito do papel de Cristo como Sumo Sacerdote. A falta de maturidade e interesse de crescimento no conhecimento da Palavra por parte desses cristãos tornava difícil para o autor tornar esta doutrina compreendida, pois essa doutrina transcendia em muito aqueles princípios formadores da fé cristã. Requeria maturidade, o que só teria sido possível se eles exercitassem suas mentes na meditação das Escrituras Sagradas.

Aparentemente, eles tinham sido cristãos por muito tempo; tanto tempo, que deviam estar ensinando a outros. No entanto, eles tinham sido preguiçosos em sua fé e precisavam de alguém para lhes ensinar novamente os “primeiros rudimentos” das Escrituras Sagradas (cf. Hb.5:12). Não é de admirar que eles estivessem em perigo de se desviar (Hb.2:1). Em vez de explorarem e aprofundarem o conhecimento que tinham a respeito de Cristo, em vez de agradarem a Deus através de suas ações, eles pensavam em abandonar a Cristo quando enfrentavam alguma oposição. A expressão “primeiros rudimentos” (Hb.5:12) refere-se à mensagem simples do evangelho e às crenças básicas da fé. Em vez de ensinarem a outros, esses crentes precisavam aprender tudo outra vez. Eles eram como meninos, ainda bebendo leite, em vez de crescerem, comendo sólido alimento – os ensinos mais difíceis da Palavra de Deus, tais como o significado da posição de Sumo Sacerdote de Cristo.

2. Uma doutrina essencial. Se por um lado a doutrina da superioridade sacerdotal de Cristo era por natureza transcendente, por outro lado, formava a essência da fé cristã. No entanto, os cristãos destinatários ainda estavam se alimentando com “leite”, isto é, eles não haviam crescido em sua fé, não possuíam uma fé substancial a ponto de compreender a essencialidade dessa doutrina (Hb.5:13,14). Eles permaneciam inexperientes e incapazes de aplicar o seu conhecimento à sua vida e de fazer o que é certo. Tinham recebido instruções suficientes, mais ainda estavam agindo como crianças. Quando não se tem maturidade suficiente na vida cristã, fica difícil e, às vezes, impossível de se fazer escolhas acertadas. Entretanto, os crentes que possuem maturidade cristã têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal (Hb.5:14). Apenas exercitando a mente na meditação da Palavra de Deus, podemos chegar à maturidade cristã e espiritual. Os cristãos espiritualmente maduros examinam-se constantemente, desviam-se do pecado, e aprendem quais ações, pensamentos e atitudes agradarão a Deus.

CONCLUSÃO

Aprendemos nesta Aula a respeito da Supremacia do Sumo Sacerdócio de Cristo. O Senhor Jesus, por intermédio de seu sacerdócio supremo, torna aberto o caminho para todas as pessoas aproximarem-se ao trono da Graça de Deus com confiança. Nosso Senhor, o Filho de Deus, viveu toda a nossa condição humana e, como Sacerdote perfeito, está habilitado para interceder por nós; ninguém melhor que Ele para compreender nossas fraquezas e debilidades. Por isso, precisamos de um mediador perfeito, "porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos" (1Tm.2:5,6).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

ASSEMBLEIA DE DEUS EM VIÇOSA -AL REALIZA REUNIÃO TRIMESTRAL DA EBD.


Neste domingo 21, a superintendência da Escola Bíblica Dominical da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Viçosa Alagoas, realizou uma reunião trimestral com o objetivo de avaliar o ano letivo de 2017, bem como para traçar novas estratégias para o ano de 2018.
A reunião teve como tema : A Relevância da Escola Dominical extraído e adaptado do Manual da Escola Bíblica do escritor Marcos Tuler.

Estiveram presentes superintendentes, professores, secretários do templo sede  e parte das congregações que formam o Campo Evangelístico nesta cidade.
Após a exposição do tema em pauta foi discutido assuntos relevantes para o bom desempenho da escola em todo campo. Todos os presentes puderam sugerir e opinar de forma ordeira os temas abordados pela superintendência.

Para secretária Elda Domingos, a reunião, foi de suma importância, pois planejamos e traçamos uma Escola Bíblica de qualidade para este ano que inicia (2018). Assim podemos obter sucesso no ensino da palavra de Deus que é essencial para todas as áreas da vida do Cristão.  
Ao avaliar a reunião, o professor Isaque  Assunção, da congregação do conjunto residencial Frei Damião,  declarou: “Foi uma reunião muito construtiva, onde foi descuido alguns assuntos dentre eles novos pensamentos. Como o discipulado, para ser implantado nesse novo ano. Não posso deixar também  de relatar a importância do conhecimento passado pelo nosso superintendente Pb: Efigênio, onde podemos enriquecer nosso conhecimento para tornar a passar para os alunos”.

Já a professora Viviane Almeida em sua avaliação enfatizou:  “A reunião foi bastante proveitosa e um momento de interação eficaz para a evolução da nossa prática pedagógica”
Ao término a superintendência expressou total gratidão a todos pela presença bem como pela contribuição em prol do bom desempenho da escola bíblica no campo evangelístico em Viçosa.

Ao Senhor seja a glória para sempre





segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ASSEMBLEIA DE DEUS EM VIÇOSA – ALAGOAS COMEMORA 80 ANOS – JUBILEU DE CARVALHO



         
                Com base no texto bíblico  ... O Deus dos céus é quem nos fará prosperar, Neemias 2:20, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Viçosa, localizada na Zona   da Mata Alagoana, sob  a direção do pastor João Pedro de Lima, nos dias 02 e 03,  celebrou a Deus pela passagem dos oitenta anos de história – Jubileu de Carvalho. O momento foi marcante para igreja de Cristo nesta cidade.
               
  A programação teve início no turno vespertino do sábado (02) com batismo nas águas, que no momento 30 novos conversos desceram às águas batismais.
              
               A programação prosseguiu a noite com um abençoado culto de gratidão a Deus pelos jubilosos oitenta, onde foi exposto parte do histórico da igreja no decorrer dos oitenta anos de fundação. Ao ser lido o referido histórico, os irmãos se emocionaram pela brilhante história.   Esteve presente o Pastor Presidente da Assembleia de Deus em Alagoas, o Rev. Orisvaldo Nunes de Lima além dos pastores: Pr. Napoleão de Castro(Paulo Jacinto), Pr. Juscelino (Cajueiro), Pr. Jessélio (Pindoba), Pr. Evair (São Paulo) Evangelista Olímpio (Maceió) e demais auxiliares que os  acompanharam .
                No momento, seis auxiliares foram consagrados para servir ao Senhor no diaconato local e quatro diáconos foram consagrados para servir a Deus no presbitério. 
       Domingo a tarde a igreja saiu numa bela caminhada pelas principais ruas da cidade, causando admiração aos munícipes. Os irmãos foram tomados de extrema emoção ao passar na rua Tibúrcio Nemésio, local onde a igreja teve início no ano de 1937, por meio do casal Enoque Cabral de Medeiros e sua esposa Maria Alves de Medeiros. Pr. Toni Santana (Maceió), foi usado por Deus de forma poderosa no trajeto  da caminhada ao fazer  menção da história da igreja. Irmã Ana Domingos filha do irmão Olavo Martins - um dos pioneiros - declarou: "Não tenho palavras para agradecer expressar a tamanha alegria e emoção em fazer parte desta tão grande e preciosa obra,ao passar no gurganema, onde moramos ali 25, anos os nossos antigos vizinhos nos assistindo de perto as grandes vitórias que o nosso Deus tem nos dado, aleluia".  

      A noite foi realizado o culto de encerramento, sendo o preletor o Pr. Evair (São Paulo), que na sua preleção fez uso do tema da festividade, sendo usado por Deus de forma gloriosa.


Ao Senhor Jesus, seja tributada a Honra, a Glória e toda adoração.

Por Efigênio Hortêncio
            

     













               














terça-feira, 7 de novembro de 2017

7ª lição do 4º trimestre de 2017: A SALVAÇÃO PELA GRAÇA


Texto Base: Romanos 5:6-10,15,17,18,20; 11:6

 "Pois assim como por uma só ofensa veio ajuízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida" (Rm.5:18).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da graça salvadora de Deus. A Salvação do homem não se dá por nenhum mérito humano, mas que ela é resultado do favor divino, um favor que o homem, por ter pecado, não merece receber. Este favor imerecido é a Graça de Deus. Como diz o apóstolo Paulo aos efésios: “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus”(Ef.1:8). Portanto, a nossa salvação é resultado desta graça, ou seja, do favor imerecido de Deus à humanidade pecadora. A graça de Deus traduz a bondade do Senhor e o seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador. Mas, apesar do pecado, Deus mostra seu amor em relação ao ser humano, por intermédio da sua graça. A todos quantos crerem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na maravilhosa graça de Deus.

I. LEI E GRAÇA

A Lei e a Graça são opostas; apesar de serem opostas, elas se complementam. A lei cumpre seu papel no propósito de preparar o homem a receber pela fé a promessa. A lei toma o pecador pela mão e o leva a Cristo. A força da lei está em que ela define o pecado; sua debilidade está em que ela nada pode fazer para remediar o pecado. Portanto, o propósito da lei é revelar o pecado em vez de removê-lo.

Segundo afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a Lei é como um espelho que mostra a sujeira do nosso rosto, mas não a remove; é como um prumo que mostra a sinuosidade da nossa vida, mas não a endireita; é como uma luz que mostra o obstáculo do caminho, mas não o remove; é como uma tomografia computadorizada que mostra os tumores escondidos em nossas entranhas, mas não é o bisturi que faz a cirurgia.

1. O propósito da Lei. O propósito da Lei não é salvar, mas convencer o homem do seu pecado, tomá-lo pela mão e levá-lo ao Salvador. A Lei torna o homem consciente do seu pecado e de sua condenação. Paulo disse: “Até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei” (Rm.5:13); “Pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm.3:20); “...onde não há lei, também não há transgressão” (Rm.4:15); “...eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Rm.7:7).

O pacto da Lei, firmado no Monte Sinai entre Israel e Deus, não teve a intenção de ser meio de salvação. Foi celebrado com Israel depois de sua redenção alcançada mediante poder e sangue. Deus já havia restaurado Israel à justa relação com ele, mediante a graça. Israel já era seu povo. O Senhor desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo seu povo e a ter uma relação mais íntima com ele. O motivo que levasse a cumprir a lei haveria de ser o amor e a gratidão a Deus por havê-los redimido e feito filhos seus.

Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a Lei (cf. Êx.19:5-8), mas não perceberam quão fraca é a natureza humana nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois, parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor divino (vide Jr.7:4-16; Mt.3:9; João 8:33). Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.

Em geral são estes os propósitos da Lei:

·     Proporcionar uma norma moral pela qual os redimidos possam demonstrar que são filhos de Deus e viver em justa relação com seu Criador e com o próximo.

·     Demonstrar que Deus é santo e ele exige a santidade de toda a raça humana.

·     Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e fazê-la entender que somente mediante a graça pode ser salva (Gl.3:24,25).

Enfim, a Lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com Deus (Gl.3:24). Mas, junto com a lei foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça. Os profetas posteriores demonstraram que, sem fé e amor, as formas, cerimônias e sacrifícios da Lei de nada valiam (Mq.6:6-8; Amós 5:21,24; Oséias 6:6; Is.1:1-15).

2. A Lei nos conduziu a Cristo. Afirma o apóstolo Paulo: “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos Justificados” (Gl.3:24). “Aio, no grego “paidagogos”, significa literalmente “tutor, guia, guardião de crianças”. O “paidagogos” era encarregado dos meninos entre 6 e 16 anos, cuidando do seu comportamento e acompanhando-o sempre que saísse de casa. Vale ressaltar que o “aio” não era o pai da criança; seu trabalho era preparar essa criança para a maturidade. Quando a criança atingisse a maturidade, a função do “aio” deixaria de ser necessária.

Da mesma forma, a Lei foi uma preparação para a chegada de Cristo. O papel da lei era levar o homem a Cristo, o verdadeiro Mestre, o único que pode libertar. O papel da Lei era levar as pessoas a Cristo a fim de que fossem justificados por fé; mas, tendo vinda a Fé, já não permanecem mais subordinados ao “aio”. Calvino disse “que sob o Reino de Cristo não há mais uma infância que necessite ficar sob a tutela de um “paidagogos” e, em consequência, a lei resigna de seu ofício”. Em outas palavras, a Lei era uma preparação para Cristo, e era temporária.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, o propósito da Lei é convencer o homem de que ele é pecador e precisa do Salvador. Quando o homem olha para a Lei e vê que é pecador, tem consciência de que está perdido e condenado e de que necessita desesperadamente do Salvador. A Lei prepara o caminho da fé. A Lei pavimenta a estrada para Cristo.

Diz mais o Rev. Hernandes Dias Lopes: “É a lei que desmascara o pecado e condena o homem. Somente um homem consciente de sua culpa busca o Salvador. O evangelismo que ignora a lei enfraquece a graça. Sem a lei o homem não consegue ver o brilho da graça. É na escuridão da noite que vemos o brilho das estrelas. Da mesma forma, é no contexto da escuridão densa do pecado e do juízo que o evangelho resplandece”.

John Stott foi brilhante em seu argumento: “Só depois que a lei nos fere e esmaga é que admitimos a nossa necessidade do evangelho para atar nossas feridas. Só depois que a lei nos aprisiona é que anelamos que Cristo nos liberte. Só depois que a lei nos tiver condenado e matado é que vamos clamar a Cristo por justificação e vida. Só depois que a lei nos tiver levado ao desespero é que vamos crer em Jesus. Só depois que a lei nos tiver humilhado até o inferno é que vamos buscar o evangelho para nos elevar até o Céu” (John Stott. A mensagem de Gálatas).

Portanto, a Lei não tem poder de libertar do pecado, mas prepara o homem para encontrar o libertador, Cristo Jesus, o Salvador. Diz o apóstolo Paulo: “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem” (Gl.3:22).

3. A graça revela que a Lei é imperfeita. A Lei é imperfeita porque ela, conquanto ordenada para o bem, não conseguiu justificar ninguém, conforme se observa em todo contexto da Epístola aos Gálatas. Pelo contrário, foi alvo de muitas transgressões e culpas que deveriam levar o homem a conhecer a sua própria miséria e impotência e, partindo daí, a se humilhar diante de Deus, arrepender-se e a ser salvo mediante a fé. Todavia, em si mesma, a Lei não tinha poder algum para levar o homem ao Criador. Afirma o apóstolo Paulo: “E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé” (Gl.3:11). Portanto, estar sob a Lei significa derrota, escravidão, maldição e impotência espiritual, porque a Lei não pode salvar (Gl.3:11-13,21-23,25; 4:3,24,25; 5:1). Estar sob a Lei é estar sob maldição, pois maldito é aquele que não persevera em toda a obra da lei para cumpri-la (Gl.3:10). A Lei exige de nós perfeição, e por isso mesmo nos condena, pois não somos perfeitos. Porém, quando somos guiados pelo Espirito, já não estamos debaixo da tutela da Lei e, por isso, somos livres; é o que afirma o apóstolo Paulo: “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (Gl.5:18). O Espirito Santo é quem nos põe em liberdade (Gl.4:29; 5:1,5).

II. O FAVOR IMERECIDO DE DEUS

1. Superabundante graça. Não há pecador, por pior que seja, que não possa ser alcançado pela graça divina, pois onde abundou o pecado, que foi exposto pela Lei, superabundou a graça de Deus (Rm.5:20). Portanto, a graça é maior que o pecado. Assim como o segundo Adão é maior do que o primeiro, assim como a obra de Cristo é maior do que o pecado de Adão, também a graça é maior do que o pecado. A redenção levou o homem não apenas ao seu estado original, mas a horizontes mais sublimes. Não somente restituiu o que ele havia perdido, mas o colocou numa posição superior aos anjos, tornando-o membro da família de Deus. A nova vida que recebemos pelo perdão dos pecados faz com que tenhamos comunhão com Deus, e o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito, que volta a ter relacionamento com Deus, que somos filhos de Deus (Rm.8:16). Adotado por Deus, o crente é considerado como filho do Pai Celeste (1João 3:2), como irmão de Jesus (Hb.2.11), como herdeiro dos céus (Rm.8.17). De igual modo, é libertado do medo (Rm.8.15) e desfruta de segurança e certeza de vida eterna (Gl.4.5,6).

2. Fé e Graça. Estes são os dois fatores imprescindíveis para a Salvação do ser humano. A salvação é um dom da Graça de Deus, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé, do lado humano. É válido ressaltar que somos salvos não pela fé, mas pela graça mediante a fé. A fé não é a causa meritória, mas a causa instrumental da justificação. A Fé é a mão estendida que recebe o presente da vida eterna. Portanto, a Fé e a Graça atuam juntamente na obra da salvação.

Efésios 2:8-10 pode ser visto como o resumo mais completo no Novo Testamento do processo da nossa salvação:

“Porque pela graça sois salvos mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

A maneira como recebemos a dádiva da salvação é mediante a Fé. Ter fé nesse caso significa assumir o lugar de pecador culpado e perdido e receber o Senhor Jesus como única esperança da salvação. A verdadeira fé que salva se manifesta quando a pessoa se entrega totalmente a Cristo.

“Não vem de vós”. Qualquer ideia de merecimento ou de que o homem pode adquirir a salvação pelas obras é completamente destruída pelas palavras “não vem de vós”. Pecadores nada merecem a não ser julgamento.

“É dom de Deus”. O “dom de Deus” é a salvação “pela graça mediante a fé”. Esse dom é oferecido a todas as pessoas em todos os lugares. Observe que não é a fé que opera a salvação, mas a graça de Deus que atua mediante a fé do crente no Filho de Deus (Rm.3:28; 5:2; Fp.3:9).

Se é verdade que o pecado se estendeu a todos os homens, sejam judeus, sejam gentios, e que, por causa dele, todos os homens estão destituídos da glória de Deus (Rm.3:23), também é verdade que os homens podem, agora, ser justificados gratuitamente por Deus pela Sua graça e pela redenção que há em Cristo Jesus (Rm.3:24).

Portanto, a Graça é a causa meritória da nossa salvação. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. A todos quantos creem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na maravilhosa Graça de Deus.

3. A graça não é salvo conduto para pecar. Segundo o ensino das Sagradas Escrituras, a graça jamais pode ser vista como um salvo conduto para a prática do pecado ou da libertinagem. Diz o apóstolo Paulo: ”Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl.5:13).

Fomos chamados para uma vida nova, para a liberdade, e não para a escravidão do pecado. Todavia, a liberdade cristã não é uma licença para pecar, mas o poder para viver em novidade de vida. A liberdade cristã não é licenciosidade, mas deleite na santidade. A liberdade cristã é a liberdade irrestrita para aproximar-se de Deus como seus filhos, não uma liberdade irrestrita para chafurdar em nosso egoísmo. A licenciosidade desenfreada não é liberdade alguma, é outra forma mais terrível de servidão, uma escravidão aos desejos de nossa natureza caída. Enfim, a liberdade cristã não é liberdade para pecar, mas liberdade de consciência, liberdade para obedecer. O cristão salvo pelo sangue de Cristo é livre para viver em santidade.

Muitos defendem a liberdade do amor livre, a prática irrestrita do aborto, o uso indiscriminado das drogas e o homossexualismo, porém, isso não é liberdade, é escravidão. Jesus disse que aquele que pratica o pecado é escravo do pecado (João 8:34).

À época de Paulo, os inimigos da graça apresentava um argumento supostamente irrefutável: “Se a graça é superabundante onde o pecado é abundante, se a multiplicação das transgressões serve para demonstrar o esplendor da graça, então não deveríamos pecar mais para que Deus seja ainda mais glorificado na magnificência da sua graça?”. Esta pergunta retratava tanto a distorção antinomiana como a objeção dos legalistas à doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, independentemente das obras. A inferência licenciosa é imediata e energicamente rejeitada por Paulo; responde o apóstolo: “De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm.6:2). De acordo com esta resposta de Paulo, não podemos continuar a pecar porque morremos para o pecado. Trata-se de um fato acerca de nossa condição. Quando Jesus morreu para o pecado, Ele o fez como nosso representante. Morreu não apenas como nosso substituto, ou seja, por nós e em nosso lugar, mas também como nosso representante, ou seja, como se nós estivéssemos lá. Assim, quando Ele morreu, nós também morremos. Ele morreu para o problema do pecado e resolveu-o de uma vez por todas. Para Deus, todos que estão em Cristo também morreram para o pecado. Isto não quer dizer que o cristão é impecável; antes, ele é identificado com Cristo em sua morte e tudo o que ela significa.

III. O ESCÂNDALO DA GRAÇA

A Graça é um escândalo para aqueles que não se converteram de verdade a Cristo, que não nasceram de novo. Exatamente pelo fato de a Graça de Deus ser um escândalo é que existe tanta dificuldade em compreendê-la de forma plena. Certamente, uma das formas de compreender é perceber o conceito da Graça de Deus presente na Parábola dos trabalhadores da vinha (cf. Mt.20:1-16); nesta Parábola, mesmo que o senhor tenha sido injusto aos olhos dos trabalhadores que iniciaram primeiro, não há méritos por tempo de serviço ou produtividade; a mesma recompensa dos que iniciaram o trabalho no fim do dia é dado aos que começaram no início do dia. É esta aparente “injustiça” sob a ótica humana, que caracteriza a Graça de Deus, que produz escândalo.

1. Seria a graça injusta? A justiça divina, se comparada com a humana, é imensamente perdoadora; por isso, a graça torna-se injusta sob a ótica humana, pois é imerecida e incoerente. Por esse motivo, Paulo classificou-a como escandalosa (1Co.1:23; Gl.5:11). Paulo pregava a mensagem da cruz, anunciando que uma pessoa é justificada e aceita por Deus somente pela cruz de Cristo. As pessoas detestavam e ainda, hoje, detestam ouvir que só podem ser salvas ao pé da cruz, e opõem-se ao pregador que lhes diz isso. À época de Paulo, os falsos mestres ficavam ofendidos com essa pregação; eles sustentavam que a morte de Cristo não era suficiente para tornar uma pessoa aceitável a Deus; diziam que a cruz não era o bastante; era preciso algo mais. O argumento de Paulo, porém, é que a salvação pelas obras da lei é falsa. A salvação não é resultado do que fazemos para Deus, mas do que Cristo fez por nós na cruz. Logo, pelas obras é impossível o pecador se salvar; ele depende única e exclusivamente da maravilhosa graça de Deus para encontrará descanso eterno com Cristo no Céu (Mt.11:28-30).

2. A divina graça incompreendida. Na época do apóstolo Paulo, e hoje também, muitos não compreenderam, nem compreendem, seus ensinamentos sobre a Graça de Deus. Por isso, ao longo da história da Igreja, dois extremos estiveram presentes acerca da compreensão da Graça:

a) Liberdade total para pecar (Rm.6:1,2). É bom saber que a liberdade do cristão está em Cristo Jesus, e isso exclui qualquer ideia de que de alguma maneira possa significar liberdade para pecar. Não devemos nunca transformar a liberdade numa base de operações para a natureza carnal. Portanto, a liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para o crente fazer o que quer, mas para fazer o que deve. Exorta-nos o apóstolo Paulo:

“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis, então, das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm.6:18-23).

b) a impossibilidade de receber tão valioso presente (Gl.5:4,5). A Graça é favor imerecido; e isto chega a ser um escândalo para os que não creem. Muitos entendem que para ser salvo por Deus é preciso dar algo em troca. Mas, não é o que fazemos para Deus que nos garante o Céu, e sim o que Deus fez por nós em Cristo Jesus. O Céu não é um prêmio que merecemos, mas uma oferta que recebemos; não é uma conquista das obras, mas um presente da graça de Jesus Cristo – “Pela graça sois salvos” (Ef.2:8). O crente salvo não confia em si mesmo, nas suas obras para a sua salvação. Se para ser salvo as obras tivessem algum valor creditório, então, certamente, isto levaria o crente ao orgulho espiritual (Ef.2:8-10) e geraria toda sorte de comportamentos hipócritas, como foram os escritas e fariseus legalistas à época de Cristo (Mt.23:23). Portanto, buscar a salvação pelas obras é desligar-se de Cristo e decair da Graça. Não há salvação para aqueles que tentam alcançar o favor de Deus por meio das obras, de atitudes legalistas. Afirma o apóstolo Paulo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé...Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef.2:8,9).

3. Deixe-se presentear pela Graça. Sem qualquer mérito humano, mas unicamente pela sua Graça, Deus quis prover um meio de salvar o ser humano. E proveu. E a Graça salvadora de Deus, que é inesgotável, envolve todo o mundo e oferece oportunidade a toda humanidade de escapar da justa e inevitável condenação – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm.6:23). E porque é o “Deus de toda a graça”, conforme está escrito em 1Pedro 5:10, ele “...quer que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1Tm.2:4). Os que compreendem esse favor inefável de Deus, mediante sua Graça, devem deixar-se presentear por ela. Quem compreende o que significa ser justificado por Deus se permite embalar nos braços de amor e de perdão do Pai.

Somos pecadores, precisamos nos arrepender e mudar de vida, precisamos reconhecer que valemos menos que nada e que não merecemos a salvação; todavia, não podemos nos prostrar diante destas realidades; devemos, sim, ao revés, sermos profundamente felizes porque o Senhor teve misericórdia de nós e tomou o nosso lugar na cruz do Calvário e, agora, devemos viver alegres no Senhor. Para os filhos de Deus, cônscios do valor da Graça do Pai, tudo é dádiva Sua, tudo é favor imerecido. Portanto, deixe-se presentear pela graça de Deus!

CONCLUSÃO

Ninguém poderá ser salvo pelas obras e boas ações, ou por tentar guardar os mandamentos de Deus. Para sermos salvos precisamos receber a provisão divina da salvação (Ef.2:4,5), ser perdoados do pecado (Rm.4:7,8), ser espiritualmente vivificados (Cl.1:13), ser feitos novas criaturas (Ef.2:10; 2Co.5:17) e receber o Espírito Santo (João 7:37-39; 20:22). Nenhum esforço de nossa parte poderá realizar essas coisas. O que opera a salvação é a Graça de Deus mediante a Fé (Ef.2:5,8). Devemos diligentemente desejar e buscar a maravilhosa Graça de Deus (Hb.4.16).

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. 1,2,3 João.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Deus da Redenção. PortalEBD_2008.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Hagnos.
A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.
Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã. Hagnos.

domingo, 29 de outubro de 2017

Aula 06 – A ABRANGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO


4º Trimestre/2017

Texto Base: João 3:16-18; 1Timóteo 2:5,6

"Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele" (João 3:17).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da Abrangência Universal da Salvação. Certamente, a salvação em Cristo abrange a toda criatura humana. O texto sagrado de João 3:16 respalda este fato: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Observe que Deus não amou só uma parte da humanidade, não; Ele amou todo o mundo, e mundo aqui inclui toda a humanidade. Deus não ama os pecados humanos ou o sistema maligno de mundo, mas ama as pessoas e “deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). A extensão de seu amor é revelada pelo fato de que deu o seu Filho Unigênito por uma raça de pecadores rebeldes. Isso não quer dizer que todos são salvos. Para receber a Salvação, uma pessoa precisa receber o que Cristo fez por ela – “para que todo aquele que nele crê não pereça”. Portanto, não há necessidade de ninguém perecer, contanto que creia em Jesus Cristo e o receba como único e suficiente Senhor e Salvador. Foi fornecido um caminho pelo qual todos podem se salvar, mas a pessoa precisa reconhecer o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Deus ama todos, independente de raça, cor ou classe social. Ele ama todos os povos e deseja que todos se salvem mediante a fé no sacrifício do seu Filho Unigênito.

I. O QUE É A OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO?

Expiação é o perdão dos pecados dos que se arrependem e confessam, acompanhado de reconciliação com Deus, pelo Sacrifício de uma vítima inocente. No Antigo Testamento a vítima era um animal, figura e símbolo do Cristo crucificado (Lv.1:7; Hb.9:19-28). O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus no sentido espiritual, porém após o pecado de Adão, o pecado manchou esta imagem divina no homem, e somente a obra expiatória de Cristo poderá recuperar a imagem de Deus no homem, mediante o arrependimento dos pecados; quando o ser humano recebe o amor de Cristo, o apostolo Paulo afirma que o homem passa a ser uma nova criatura(2Co.5:17); a palavra nova criatura quer dizer que a primeira criação já não mais existe, a imagem do pecado que restou de Adão deixa de existir, e assim em Cristo o ser humano passa a ser novamente a imagem de Deus, pois tudo se faz novo.

1. A necessidade de expiação. A morte de Jesus Cristo, o derramamento do Seu sangue para satisfação da justiça divina foi uma necessidade (Mt.16:21; Lc.9:22). Sem que o Justo entregasse sua vida em favor dos injustos, não seria possível a salvação. Foi na cruz do Calvário o lugar em que se deu o sacrifício expiatório de Cristo, substituindo o pecador pelo justo Cordeiro de Deus que pagou em nosso lugar e, para sempre, a dívida do nosso pecado (Cl.2:14).

A realidade bíblica da necessidade de expiação é encontrada logo após a queda do homem. Quando Deus Se apresentou ao primeiro casal naquele dia fatídico, o casal fugiu da presença de Deus, notando não ter mais condições de estar diante do Senhor. O pecado criou uma divisão entre Deus e o ser humano (Is.59:2) e, por isso, o homem não poderia se apresentar diante do Senhor. Em seguida, a Bíblia nos diz que o Senhor matou um animal para dele fazer vestes para o primeiro casal (Gn.3:21). Neste gesto, o Senhor, que há pouco havia prometido a redenção da humanidade mediante o nascimento da “semente da mulher” (Gn.3:15), inicia o chamado “rastro de sangue”, que perpassa as Escrituras, indicando que a comunhão prometida entre Deus e o homem não se faria sem sangue, não se faria sem a morte de um justo. A expiação se apresenta, pois, como uma necessidade, como um processo indispensável para que o homem retorne à comunhão com Deus, que foi perdida por causa do pecado.

2. A abrangência do pecado. O pecado é a transgressão da Lei (1João 3:4), é a rebelião da vontade da criatura contra a vontade de Deus. O pecado é todo pensamento, toda palavra ou todo ato que fica aquém do padrão de santidade e perfeição de Deus, é errar o alvo ou deixar de alcançá-lo. Um indígena cuja flecha não acertou o avo disse: ”pequei”. Em sua língua, os conceitos de pecar e não acertar o avo eram expressos pelo mesmo termo. O pecado não consiste apenas em fazer o que é sabidamente certo (Tg.4:17).

As Escrituras mostram que todos pecaram e, que por isso, foram afastados da presença de Deus, passando a inclinar-se para o mal (Rm.3:23; SI.14:3; Mc.10:18; Ec.7:20). Todos pecaram em Adão, que pecou como representante de todos os seus descendentes. No entanto, os seres humanos não são apenas pecadores por natureza, também são pecadores por prática; carecem, em si mesmos, da glória de Deus. Portanto, a necessidade do evangelho é universal porque todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm.3:23).

3. A expiação de Cristo. É elucidativo que, vindo Jesus para ser batizado por João no rio Jordão, como nos mostram as Escrituras, o Senhor tenha sido apontado pelo profeta como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). O anúncio de João, antes mesmo que o Senhor iniciasse qualquer pregação, em tudo concorda com o objetivo prioritário da missão de Cristo sobre a face da Terra, que havia sido reafirmada pelo próprio Senhor instantes antes da encarnação (Hb.10:5-9). Jesus veio ser a vítima do sacrifício necessário, veio substituir toda a humanidade, morrendo em lugar dos homens (Rm.5:8; 1Ts.5:10), para satisfazer a justiça divina e, por meio do derramamento do Seu sangue, permitir que se restabelecesse a comunhão entre Deus e o ser humano (Ef.2:13-16), algo que só poderia ocorrer mediante a remoção dos pecados e não somente a sua desconsideração por força da morte de animais, como ocorria na época da lei (Hb.7:26,27; 9:7-10). Enquanto os sacrifícios do Antigo Testamento apenas minimizavam a situação do pecador, a obra expiatória de Cristo resolve de uma vez por todas o grave problema do pecado (Rm.3:23-25).

Para que o pecado fosse removido, para que a morte, que é a separação entre Deus e os homens, fosse eliminada, fazia-se absolutamente necessário que um não pecador morresse em lugar dos pecadores. A morte de Jesus, o derramamento do Seu sangue era absolutamente imprescindível para que houvesse o resgate da humanidade. Por isso, Jesus disse que veio para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos (Mc.10:45).

II. O ALCANCE DA OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO

A expiação é atitude que tem seu nascimento no próprio Deus, pois sendo Ele o único Ser puro e santo, somente dEle poderia provir um meio para a purificação do homem, que, preso no lamaçal do pecado, não tinha mais como se apresentar diante de Deus, apenas inutilmente tentado fugir de sua presença. Esta reconciliação, porém, não se faria sem que houvesse morte, pois o pecado tem um preço, uma consequência, que era a morte, como bem demonstrou o próprio Deus ao sentenciar a humanidade pela sua falta, morte esta que teria de se dar de modo integral, ou seja, como separação entre corpo e homem interior (alma e espírito), como separação de Deus. Por isso, o escritor aos hebreus é tão contundente: “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb.9:22b). Sem que houvesse a morte física de um justo para pagar a justiça divina, não se teria um “meio de purificação” que permitisse a restauração da comunhão entre Deus e o homem. Qual é o alcance da obra expiatória operada por Cristo? É universal, pois ela envolve todos os seres humanos (João 3:16), e o ser humano completo - espírito, alma e corpo - (1Ts.5:23).

1. Tem efeito retroativo. Jesus morreu pelo mundo inteiro, como nos ensina o chamado “texto áureo” da Bíblia Sagrada. Deus amou o mundo e deu o Seu Filho para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. Além de nos mostrar que Jesus morreu por nós, que pagou o preço para a nossa salvação, preço este que foi o seu próprio sangue (1Pd.1:18,19). A Bíblia também nos ensina que a morte de Cristo representou a expiação dos pecados de todo o mundo (1João 2:2). O sacrifício de Cristo foi perfeito, completo e suficiente para salvar a todos os homens, desde o primeiro casal até o último homem que nascerá sobre a face da Terra (Hb.9:24-28). A expiação feita por Cristo é completa e ilimitada, porque Ele é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jesus morreu em lugar de todos os homens, por isso “… o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele…”(Is.53:5), e “…o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos” (Is.53:6).

2. Tem efeito no presente. Como se não bastasse isso, a Bíblia ainda nos diz que, quando Jesus morreu, o véu do templo de Jerusalém, que separava o Santo dos Santos, se rasgou de alto a baixo, numa clara demonstração de que a separação que havia entre Deus e os homens, por causa do pecado, havia cessado(Mt.27:51). A partir de então, o povo não precisaria mais ficar longe do lugar santíssimo no dia da expiação (Lv.16:17), mas pode entrar na presença do Senhor com ousadia, pelo novo e vivo caminho aberto pelo Senhor, por sua morte (Hb.10:19,20). Jesus Disse: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida”(João 5:24).

3. Tem efeito no futuro. O último estágio do processo da salvação é a glorificação, glorificação esta que só acontecerá por causa do nosso Redentor, que realizou o sacrifício perfeito e eterno com o objetivo de remover o nosso pecado e nos reconciliar com Deus. Quando ocorrer a glorificação, atingiremos, finalmente, a estatura de “varão perfeito”(Ef.4:13).

4. A expiação é ilimitada, mas condicionada à vontade de cada ser humano. O versículo de João 5:24, citado anteriormente, já demonstra a condicionalidade da salvação. A Bíblia é clara ao dizer que Jesus morreu por todos os homens e que seu sacrifício é suficiente para a remoção do pecado do mundo. Ele é a propiciação pelos pecados de todo o mundo. Entretanto, por que, então, todos os homens não se salvam? Porque não podemos confundir salvação com expiação. Para que haja salvação é preciso que haja expiação. Sem expiação, não há salvação. Mas a salvação, além da expiação, exige a fé do homem. Jesus, ao anunciar o Evangelho, chamou o povo ao arrependimento e à fé no Evangelho (Mc.1:15). Alcançamos a justificação pela fé em Cristo (Rm.5:1).

Numa linguagem jurídica, a morte de Cristo satisfez a justiça divina e tem poder para remover o pecado do mundo inteiro. É um sacrifício real, válido, mas que, para gerar efeitos na vida de cada homem, precisa ter a aceitação deste sacrifício pelo pecador. Se o pecador aceita este sacrifício e crê que ele é capaz de remover os seus pecados, tem-se a remoção, tem-se o perdão; o sacrifício produz o efeito e a pessoa é tornada pura, é santificada, alcança a salvação. Se, entretanto, a pessoa não crê no sacrifício de Cristo, os seus efeitos não se produzem para ela. Ele não deixa de ser eficaz, ele não deixa de ter valor para todos os homens, mas, ante a rejeição da pessoa, rejeição esta que, se persistir até a passagem da pessoa até a dimensão eterna, será permanente e imutável, a expiação não produzirá os efeitos para aquela pessoa. A expiação, portanto, é ilimitada, mas condicionada à vontade de cada ser humano.

III. CRISTO OFERECE SALVAÇÃO A TODO O MUNDO

Se é verdade que o jugo do pecado é universal, também é verdade que a necessidade da salvação em Cristo é universal. O Evangelho de Jesus Cristo, cujo conteúdo é Cristo, destina-se a todos os gentios, a todos os povos. Os judeus pensavam que as boas-novas de salvação eram destinadas apenas a eles. No entanto, o plano eterno de Deus incluía todos os povos. Cristo morreu a fim de comprar para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap.5:9). John Stott é enfático quando escreve: "Precisamos libertar-nos de todo orgulho, seja de raça, nação, tribo, casta ou classe, e reconhecer que o Evangelho de Deus é para todos, sem exceção e sem distinção”.

1. Perdão, libertação e cura. A argumentação de Paulo em Romanos 3:9-20 é: todos os homens são culpados diante de Deus, todos estão debaixo da condenação do pecado (Rm.3:9). Paulo é enfático no seu diagnóstico acerca do estado deplorável em que se encontra o ser humano. O pecado atingiu todo o seu ser: corpo e alma. O pecado enfiou seus tentáculos em todas as áreas de sua vida: razão, emoção e volição. Todo o seu ser está rendido ao pecado e a serviço do pecado. O homem está chagado da cabeça aos pés. Mas, o maior resultado da salvação operada por Jesus é o perdão dos pecados e a reconciliação do pecador com Deus. Mas, o perdão não é uma concessão automática, precisa ser pedido; veja a atitude do servo da Parábola do credor incompassivo (Mt.18:23-35): “Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo...”. O servo se ajoelho e pediu. Não se pede perdão com a cabeça erguida e “batendo no peito”. Quem pede precisa reconhecer que deve e que não pode pagar. O perdão não pode ser negociado, mas pedido. Para pedir é preciso saber se humilhar, e, aquele que se humilha, conforme afirmou o Senhor Jesus, será exaltado (Mt.23:12). E foi isto o que fez o rei Davi, quando pecou – “Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande” (Salmo 25:11). Assim, para ser perdoado, o homem precisa ter consciência do seu pecado, precisa querer livrar-se dele, saber que não conseguirá fazer isto por si mesmo; deve se humilhar e pedir o perdão para quem tem o poder de perdoar. Se o servo mau, da referida Parábola, não tivesse pedido, também não teria sido perdoado. Mas, como ele se humilhou, e pediu misericórdia, “então, o senhor daquele servo, movido de intima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a divida”.

Não somente Jesus liberta o ser humano da escravidão do pecado, também, ao morrer na Cruz do Calvário nos libertou de todos os nossos sofrimentos - "Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is.53:5). Portanto, somente Jesus perdoa, liberta e cura.

2. A salvação é para todo o mundo. A Salvação preparada por Deus destina-se a todos os homens; é o que o texto sagrado explicita: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Neste “todo aquele” não há exclusão de ninguém. Todos podem crer, e Deus quer que todos creiam, pois “a graça de Deus se há manifestada, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1Tm.2:3,4). Porém, cremos que essa Salvação é condicional, ou seja, exige-se do ser humano arrependimento de coração (At.15:9; Rm.3:28;11:6), e que confesse a Cristo como único e suficiente Salvador (Rm.10:9).

Há uma tendência atual de afirmar que, no final das contas, Deus, em sua graça, salvará a todos os perdidos, mesmo aqueles que jamais responderam (e mesmo rejeitaram) o sacrifício de Cristo. Essa perspectiva teológica, bastante cultivada atualmente, denomina-se de “universalismo”. Esse ensinamento é totalmente falso. O arrependimento sempre foi e continuará sendo uma prerrogativa àqueles que querem ser salvos. Veja os seguintes trechos bíblicos que comprovam tal fato:

§ “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”(Mc.16:16).

§ “Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”(Atos 16:31).

§ “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados”(At.2:38).

§ “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor”(Atos 3:19).

Desta feita, não faz qualquer sentido a posição dita “universalista”, segundo a qual toda a humanidade, mais cedo ou mais tarde, alcançará a salvação, mesmo na eternidade, visto que, como é desejo de Deus a salvação de todos os homens, não há como alguém ser eternamente condenado, pois isto implicaria em admitir que Deus não poderia salvar a todos ou não cumpriria os seus propósitos ou, ainda, que o sacrifício de Cristo foi limitado em seus efeitos. Este argumento é falacioso, pois Deus tem compromisso com a sua Palavra e, ao apresentar uma promessa condicional, tem de fazer prevalecer, pela sua fidelidade, o que prometeu.

3. A responsabilidade do cristão. Há uma grande responsabilidade para os que foram alcançados pela salvação em Cristo, e uma das mais importantes é o compromisso de compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo. Foi Ele mesmo quem ordenou: “ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt.28:19,20). A ordem do Senhor é que devemos ir ao encontro do mundo, ir ao encontro dos pecadores, levar-lhes a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O homem não tem condição de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo (2Co.4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente. Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At.1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através de nossas boas obras, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).

A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo (vide Mc.5:1-20). É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Jonas teve de pregar para todos, sem exceção, ainda que muitos, pela sua extrema crueldade e maldade, fossem, na verdade, verdadeiras “bestas-feras”, verdadeiros “animais” (Jn.3:8), que, mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus - Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo. E nós, o que estamos a fazer?

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto, podemos afirmar que, por causa do amor e misericórdia de Deus, em Cristo, Deus ofereceu salvação a todo o mundo. Não concordamos, portanto, com a versão daqueles que dizem que somente alguns foram criados para usufruir da vida eterna, enquanto outros, predestinados, serão lançados no lago de fogo; não, em absoluto isso tem respaldo nas Escrituras Sagradas! Não haveria o porquê de o Pai enviar seu Filho, fazê-lo passar por todo processo de crucificação, morte e ressurreição, ordenando que os discípulos, após serem batizados no Espírito Santo, proclamassem o Evangelho a toda a criatura (Mc 16.15; cf. At 1.8), para salvar apenas alguns predestinados. Está claro nas Escrituras Sagradas, que a intenção de Deus é salvar todos os seres humanos e, com base em sua bondade, amor e justiça, dá a oportunidade de ele rejeitar ou não a promessa bendita de Salvação; o próprio Salvador Jesus Cristo afirma que quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc.16:16).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço