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segunda-feira, 6 de julho de 2020

2ª lição do 3º trimestre de 2020: DESPERTAMENTO ESPIRITUAL - UM MILAGRE



3º Trimestre/2020
Texto Base: Ed.1:1-7; Ne. 1:1-4
“E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm.13:11).
Esdras 1:
1.No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias) despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:
2.Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá.
3.Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.
4.E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias para a casa do Senhor, que habita em Jerusalém.
5.Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém.
6.E todos os que habitavam nos arredores lhes confortaram as mãos com vasos de prata, com ouro, com fazenda, e com gados, e com coisas preciosas, afora tudo o que voluntariamente se deu.
7.Também o rei Ciro, tirou os vasos da casa do Senhor, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém, e que tinha posto na casa de seus deuses.
Neemias 1:
1.As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de Quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susā, a fortaleza,
2.Que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei lhes pelos judeus que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém.
3.E disseram-me: Os restantes, que restaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém fendido, e as suas portas queimadas a fogo.
4.E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.
INTRODUÇÃO
Deus despertou o rei Ciro para implementar uma política de retorno dos exilados; os judeus podiam voltar para sua terra, reerguer os muros de Jerusalém e reconstruir o Santo Templo. No entanto, o povo já tinha acomodada a nova vida na Babilônia e não pensava mais em desfazer sua vida estruturada, e ainda caminhar muitos dias, correndo tremendo perigo, para uma terra totalmente desolada. Não era fácil convencer o povo que era da vontade de Deus o seu retorno à Terra Prometida. Era necessário um milagre de Deus para que o despertamento espiritual ocorresse. Somente o Espirito Santo poderia levantar pessoas necessárias ao desempenho de semelhante tarefa. Foi exatamente isso o que aconteceu. O Senhor suscitou homens que não se prendiam às coisas efêmeras desta vida, e cuja visão estava na redenção da linhagem de Israel. É de um despertamento semelhante que tanto precisamos nesses tempos difíceis!
I. O DESPERTAMENTO ESPIRITUAL EMANA DO PRÓPRIO DEUS
Como já dissemos na Aula anterior, todo despertamento espiritual emana do próprio Deus. Quando alguém é despertado para fazer a Obra de Deus, este despertamento atinge vários aspectos: a oração, a evangelização, a contribuição financeira, o estudo sistemático da Palavra de Deus, etc.
Em Esdras, capitulo 1, o escritor sagrado assinala claramente que o Senhor moveu o coração de Ciro para que ele permitisse o regresso dos judeus à sua pátria. A vida moral e espiritual de Daniel refletia como feixe de luz sobre o povo da Babilônia, todavia, não foi o padrão moral e espiritual de Daniel que produziu o milagre do despertamento no recém-conquistador persa, foi o próprio Deus; é o que afirma o texto sagrado: “No primeiro ano de Ciro despertou o Senhor o espírito de Ciro” (Ed.1:1). O personagem máximo da restauração de Jerusalém, portanto, não foi Ciro, Zorobabel, Esdras nem Daniel, mas, sim, Deus.
Ciro, após conquistar de forma espetacular o poderoso império Babilônico, um dos seus primeiros atos foi reverter a política babilônica e deportar povos conquistados de suas pátrias. Acomodando-se a religião dos judeus, o monarca persa afirmou que ele estava comissionado por Jeová, o Deus dos céus para construir um templo em Jerusalém. Ele demonstrou assim verdadeira generosidade, ao conceder não só a permissão para o regresso, mas também ajuda material, além de insistir com os vizinhos a prestar sua colaboração.
Ciro emitiu um decreto liberando qualquer judeu que desejasse retornar à terra de Israel. O decreto também permitiu contribuições financeiras para a reconstrução do Templo de Jerusalém (Ed.1:1-4). Deus despertou muitos cativos a retornar e estimulou todos a colaborarem generosamente. O próprio Ciro contribuiu com os utensílios de prata e ouro que Nabucodonosor retirara do primeiro Templo (Ed.1:5-11). Só Deus podia fazer um milagre desse tipo.
Esdras então prepara uma lista detalhada daqueles que preferiram retornar: cerca de 42.360 judeus, que trouxeram juntos 7.337 servos e cantores (Ed.2:1-70). Essa honrosa posição genealógica, mais tarde, muniu os descendentes do primeiro grupo a retornar a Judá com uma histórica reivindicação tanto para a fama quanto para a pureza racial.
II. AS FINALIDADES DO DESPERTAMENTO
“Cada despertamento tem por objetivo principal a salvação e restauração da pessoa humana. Encontramos sempre estes dois polos: a graça e o pecado. O Espírito Santo está sempre pronto para convencer o mundo sobre o pecado, a justiça e o juízo” (João 16:8,9)”.
1. A restauração nacional de Israel
Devido à forte idolatria, a injustiça social e a degradação moral, Deus puniu severamente o Seu povo. Ele suscitou nações poderosas para ser a “vara” da punição, como, por exemplo, Assíria e Babilônia. Essas nações foram governadas por déspotas que não evitavam nenhum esforço brutal para aniquilar qualquer nação que não se rendesse, de forma incondicional, aos seus ditames, como foram, por exemplos, Tiglate Pileser III (745-727 a.C.) e Nabucodonosor.
Na época do rei Oséias a nação de Israel (as dez tribos do Norte) foi invadida pela Assíria, sob o comando de Salmaneser V(filho de Tiglate-Pileser). Oséias foi preso e Samaria foi sitiada por três anos, antes de finalmente sucumbir em 722 a.C. (2Rs.17:5,6); e no cerco, multidões pereceram miseravelmente de fome e de enfermidades bem como pela espada. Caiu a cidade de Samaria com a nação, e o humilhado remanescente das dez tribos foi levado cativo e espalhado entre as províncias do domínio assírio. Em seu lugar foram colocados outros povos, dando origem ao povo “samaritano”; era a política usual do rei da Assíria aos povos conquistados. Nunca mais a nação de Israel – reino do Norte – voltou do cativeiro.
A destruição que abateu o reino do Norte foi um juízo direto do Céu e uma mensagem clara ao reino de Judá, que fora poupado. Os assírios foram meramente o instrumento de que Deus se serviu para realizar o seu propósito. Por intermédio de Isaías, que começou a profetizar pouco antes da queda de Samaria, o Senhor se referiu aos assírios como "a vara da minha ira".  Disse Ele: "Ai da Assíria, a vara da minha ira! Porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos" (Is.10:5).
A queda de Samaria e a deportação de sua população foram o claro resultado dos pecados cometidos contra o Deus Jeová (2Rs.17:7). O povo de Deus tornou-se infiel para com o Senhor que os livrara do Egito, adorando e servindo a outros deuses (2Rs.17:15-17). E fizeram isto apesar dos constantes avisos dos profetas de Deus de que tal atitude consistia em grave traição. O resultado inevitável foi o julgamento de Deus, um juízo que se manifestou na forma de exílio, expulsando os israelitas de sua Terra Prometida.
Apesar da forte punição de Deus às 10 tribos do Norte, por causa das suas transgressões, o reino de Judá não se humilhou perante o seu Deus. Embora o povo de Judá tenha visto seus irmãos do Norte serem levados ao desterro, não levou isso em consideração, e optou em pecar contra Deus (2Rs.17:19) - “Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera”. O rei Ezequias e o rei Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação para Deus.
Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta. Então, também, Deus teve que punir o reino de Judá. O instrumento de punição agora seria o impiedoso rei da Babilônia, Nabucodonosor. Por volta do 19º ano de Nabucodonosor, em 586 a.C., Jerusalém foi destruída no seu terceiro sítio. Tanto as muralhas da cidade quanto o templo de Jerusalém (cuja construção era atribuída ao rei Salomão e que por isso era chamado de o Templo de Salomão) foram destruídos. O resto da cidade ficou em ruínas durante pouco mais de um século até a reconstrução da cidade por autorização do rei da Persa, Ciro. O rei Nabucodonosor enviou muitos judeus para o cativeiro, mas não foram espalhados, e a terra não foi repovoada; era uma política mais complacente do que a do déspota da Assíria.
Após setenta anos no cativeiro, Deus resolve restaurar a nação de Israel. E para isso Ele preparou o rei Ciro, o grande dominador do novel império medo-persa, para dar início a este grande empreendimento.
Daniel, ciente da profecia de Jeremias, segundo a qual a desolação de Jerusalém duraria setenta anos, ele pediu a Deus para intervir (Dn.9:2,18b,19). As orações de Daniel foram respondidas prontamente. Em 538 a. C., Ciro fez uma grande proclamação, registrada no final de 2Crônicas: 
“Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o senhor, seu Deus, seja com ele” (2Cr.36:23; Ed 1:2,3). 
Começava, assim, a restauração nacional do povo israelita. Ciro, apesar de ser pagão e rei de uma nação idólatra, foi despertado por Deus (Ed.1:1), o qual incutiu a Sua vontade no seu espírito, dominado pelas tradições e pela idolatria, a fim de que cumprisse os Seus desígnios relativos ao povo de Israel. O salmo 126 é um cântico de louvor a Deus porque fez retirar do cativeiro o seu povo. Cumpriu-se, desse modo, a predição feita pelo profeta Isaías há, aproximadamente, 160 anos antes acerca de Ciro, o ungido do Senhor (Is.44:28; 45:1-6).
Entretanto, a maioria dos judeus da dispersão preferiu permanecer em suas casas, especialmente os que moravam em Babilônia, mas aqueles que tinham seus olhos voltados para o propósito eterno de Deus viram no cativeiro um instrumento de correção. E o retorno à pátria era o sinal de que ainda tinham um papel redentor a desempenhar.
2. A restauração espiritual de Israel
Em primeiro lugar, o que é um despertamento espiritual? Antes de mais nada é um retorno à vontade de Deus. Todas as vezes que os crentes voltam aos princípios das Sagradas Escrituras, dá-se um despertamento espiritual. Foi assim no tempo de Josias e na época de Esdras, e o mesmo se verifica quando o povo de Deus, hoje, predispõe-se a executar as tarefas que o Senhor lhe entrega.
No sexto ano do cativeiro, 592 a.C. (nesta época, Jerusalém ainda não havia sido destruída), Ezequiel estava em sua própria casa, na Babilônia, justamente com um concilio de anciãos de Judá, quando repentinamente o Senhor conduziu-o em visão até Jerusalém, onde ele testemunhou uma série de abominações cometidas pelos líderes de Judá no santo Templo de Deus (Ezequiel cap. 8). O resultado foi a partida dos querubins e da glória de Deus do Templo, ficando suspensos sobre o monte das Oliveiras. Isto significava que a aniquilação da cidade estava próxima. Mas, antes que a glória de Deus se afastasse do santo Templo, o profeta ouviu a mesma promessa que todos os seus antecessores ouviram: o povo de Deus passaria por um amargo cativeiro e escravidão por causa de seus pecados, mas Ele mesmo iria dar-lhes um coração novo, para que verdadeiramente o adorassem e servissem, de modo que retornariam para sua terra. Foi o próprio Deus quem disse que haveria uma renovação espiritual do povo de Israel (Ez.11:17-20):
17.Portanto, dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Hei de ajuntar-vos do meio dos povos, e vos recolherei das terras para onde fostes lançados, e vos darei a terra de Israel.
18.E virão ali e tirarão dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações.
19.E lhe darei um mesmo coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne;
20.para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
Os setenta anos de cativeiro se passaram e chega o tempo de restauração nacional e espiritual do povo judeu. Todavia, nem todos os judeus foram despertados. Veja o verso 5 do capítulo 1 de Esdras: “Todos aqueles cujo espírito Deus despertara”. Isto nos faz entender que a maioria dos deportados para a Babilônia preferiu ficar na terra do seu cativeiro. Como bem diz o pr. Eurico Bergstén, “Deus quer usar o homem como seu instrumento; todavia, só são usados aqueles que cooperam com Deus, aqueles que seguem a orientação divina por livre arbítrio. O homem é livre para obedecer ou não a orientação divina. Por isso, nem todos os que experimentam um despertamento adquirem o mesmo progresso espiritual, porque não abrem igualmente seu coração para Deus, a fim de obedecer à risca a orientação divina (Pv.23:26, Dt.6:5)”.
Os exilados haviam sido assentados em uma região própria, encontrado emprego e, geralmente, viviam vidas confortáveis. Naquela época, como agora, a prosperidade entorpeceu a paixão de muitos do povo escolhido pela luta da Terra Prometida. Contudo, lembremo-nos do que o texto diz: “Aqueles cujo espirito Deus despertara, retornaram”. Os outros que não foram despertados os apoiaram com doações (Ed.1:4). E o Talmude Babilônico, um dos dois mais importantes conjuntos de estudos judaicos da Lei do Antigo Testamento, foi desenvolvido pela comunidade judaica na Babilônia. Podemos dizer que isso também foi um despertamento espiritual? Eles não foram despertados para retornar a sua Terra Prometida, mas foram despertados para contribuir financeiramente para Obra de Deus e ler as Escrituras Sagradas.
Na nossa esfera de atuação espiritual, ou seja, na Nova Aliança, nem todos são chamados a uma missão especial; nem todos são batizados com o Espírito Santo; nem todos são revestidos de dons espirituais e ministeriais na Seara do Mestre. Contudo, Deus tem um plano para cada um no Seu reino. Ele tem um lugar para cada servo Seu, para cada pessoa. Portanto, não sejamos críticos quanto aqueles que não podem ocupar uma determinada posição eclesiástica na Igreja, ou que não possui talento que o eleve a um degrau de maior evidência. Não sejamos críticos quanto aos que não podem ser chamado à mesma posição em que o outro se encontra. Deus usa instrumentos para cooperarem com Ele, mas o autor do despertamento é Ele mesmo. Está escrito: “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus quem opera tudo em todos” (1Co.2:6).
Como bem diz o Pr. Eurico Bergstén: “O despertamento é um mistério. As coisas humanas podem ser explicadas, previstas e calculadas. Mas a operação do Espírito Santo é diferente. Jesus disse: ‘O vento assopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do espírito’ (João 3:8). Nós, na verdade, podemos ver o resultado do despertamento, e até mesmo sentir a operação das virtudes do século futuro” (Hb.6:5). Mas na verdade nada sabemos e nada entendemos do poder de Deus’” (LBM).
III. DEUS CUMPRE AS SUAS PROMESSAS
1. A fidelidade de Deus em suas promessas
Deus é fiel em cumprir Suas promessas dadas ao seu povo, porque Ele é justo (Ne.9:8). Ele nunca deixa de cumprir suas promessas, mesmo que as circunstâncias preguem o contrário. Ele não depende da lógica humana e nem das circunstâncias para cumprir aquilo que prometeu realizar. Ele não mente (Dt.23:19) - “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala e deixa de agir? Acaso promete e deixa de cumprir?” (Nm.23:19). Ele não falha - “De todas as boas promessas do ­Senhor à nação de Israel, nenhuma delas falhou; todas se cumpriram” (Josué 21:45).
“Paulo demonstra que a ‘promessa de Deus’ tem a qualidade de uma aliança, porque cada palavra de Deus é segura e certa, livre do legalismo e da dependência do esforço do homem (por exemplo, Rm.4.13-16; Gl.3.16 18; cf. Hb.11.40)" (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro. CPAD, 2006, p.1611).
Com relação ao povo judeu exilado, Deus tinha feito uma promessa pela boca do profeta Jeremias:
“Porque assim diz o Senhor: Certamente que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar (Jr.29:10).
Deus despertou o rei Ciro para que essa promessa fosse cumprida. Foi proclamado um pregão autorizando os judeus a retornar a Judá e reconstruir o Templo em Jerusalém. Além disso, Ciro ordenou aos países vizinhos que contribuíssem generosamente com o remanescente que retornava a Israel. Não importa o instrumento, Deus cumpre literalmente a Sua Palavra proferida; e foi isto que ocorreu com o povo judeu. Jeremias profetizou:
“Assim, pois, diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, acerca dos utensílios que ficaram na Casa do Senhor, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém: À Babilônia serão levados e ali ficarão até ao dia em que os visitar, diz o Senhor. Então, os farei subir e os tornarei a trazer a este lugar” (Jr.27:21,22).
Futuramente, Deus trará de volta todos os judeus exilados, inclusive os descendentes das doze tribos que não sabemos onde estão. Foi Deus quem falou:
“Porque eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei tornar do cativeiro o meu povo de Israel e de Judá, diz o Senhor; e torná-los-ei a trazer à terra que dei a seus pais, e a possuirão”(Jr.30:3).
Jeremias profetizou que os exilados voltariam à sua pátria e possuiriam a Terra Prometida. A promessa foi feita tanto com relação ao reino do Norte (Israel, que fora dispersa em 722 a.C., quando os assírios levaram cativos as dez tribos de Israel) quanto com relação ao reino do Sul (Judá).
Deus já havia predito, desde a época de Moisés, que se Israel não O obedecesse, seria disperso entre todas as nações (Dt.28:15,34). Mas, o Senhor também predisse que tornaria a congregar o Seu povo, transferindo-o de entre as nações da terra para a sua terra de origem (Dt.30:3; Is.11:11-16; Ez.36:8,24; 37:11,12; 38:8).
“E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra” (Ez.36:24).
“Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel; eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados.
Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Jeová: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel” (Ez.37:11,12).
Deus cumpre suas promessas. Estamos numa relação pactual com Deus. Ele prometeu ser o nosso Deus e o Deus dos nossos filhos para sempre. Deus prometeu a Abraão e sua descendência bênçãos pessoais, nacionais e universais. Ele "é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos" (Dt.7:9). Mesmo quando somos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar a Si mesmo. "Sim, Senhor Deus, tuas palavras são verdade" (2Sm.7:28).
Ele nos prometeu a vida eterna - “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” (1João 2:25). Portanto, “apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel” (Hb.10:23).
2. Deus renova as suas promessas de bênçãos
Para alcançar as promessas de Deus é preciso estar dentro dos pré-requisitos estabelecidos na Palavra de Deus, sendo uma delas, a obediência à sua Palavra. Quando o povo de Deus resolve voltar-se para Deus e se humilhar perante Ele e o buscar de todo o coração, então, com certeza, Deus renova as suas promessas de bênçãos. Está escrito:
“e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra“(2Cr.7:14).
a) “Se humilhar”. Deus aceita o coração quebrantado, que se vê na dependência dEle para receber o perdão de seus pecados e manter a comunhão. Pessoas com coração altivo não são aceitas pelo Senhor. Quando se imaginava que bastava a pessoa apresentar-se ao Senhor com animais para serem mortos, Deus usa o salmista e diz: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”(Sl.51:17). Portanto, o povo de Deus deve reconhecer as suas faltas, manifestar tristeza pelo seu pecado e renovar seu compromisso de fazer a vontade de Deus. Humilharmo-nos diante de Deus e da sua Palavra importa em reconhecer nossa pobreza espiritual(2Cr.11:16; 15:12,13,15; 34:15-19; Sl.51:17; Mt.5:3).
b) “Orar”. O povo de Deus deve clamar com fervor, pedindo-lhe misericórdia. Deve depender totalmente dele e confiar nele para a sua intervenção. A oração deve ser fervente e perseverante até Deus responder do Céu (cf.Lc.11:1-13;18:1-8; Tg.5:17,18).
c) “Buscar a minha face”. Infelizmente, muitas pessoas não buscam o Senhor em oração. Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano, e nela mostrou a possibilidade de uma pessoa orar, mas não buscando ao Senhor: “O fariseu, estando em pé, orava consigo...”(Lc.18:11). O fariseu não estava orando a Deus: ele orava de si para si mesmo. E esse é o tipo de oração hipócrita. Sua oração não ia além do templo, não chegava à presença de Deus. Sabe por quê? Porque se tratava de uma oração vazia, egoísta, vaidosa, hipócrita, cheia de arrogância, exaltação e pedantismo religioso. Ora, nós sabemos que Deus não ouve a oração feita com arrogância.
O publicano, pelo contrário, via muito bem a si mesmo e só tinha olhos para os seus pecados. Não tinha nenhuma pretensão, mas apenas a convicção de que era pecador. Esse homem humilde e convicto do seu estado de pecador estava arrependido diante de Deus. Seu único pedido era por piedade, ou seja, por perdão. E Deus ouviu o pecador arrependido e o perdoou. O publicano saiu do Templo perdoado e justificado.
Portanto, o povo de Deus deve, com dedicação, humildade, temor e tremor buscar a Deus de todo o coração e ansiar pelo seu perdão, pela sua presença e pela renovação de suas promessas de bênçãos.
d) “E se converter dos seus maus caminhos”. A oração exige de nós que tornemos a fazer aquilo que agrada a Deus. O povo deve se arrepender com sinceridade, abandonar pecados específicos e todas as formas de idolatria, renunciar o mundanismo e chegar-se a Deus; pedindo misericórdia, perdão e purificação (2Cr.29:6-11; 2Rs.17:13; Jr.25:5; Zc.1:4; Hb.4:16).
Orar é importante, como também ter um coração quebrantado e buscar a face do Senhor, mas não podemos permanecer no pecado. É preciso ter uma atitude de conversão, de mudar de caminho, de não cometer os erros que vimos fazendo. Somente assim haverá uma renovação das promessas de bênçãos e Deus. Pense nisso!
IV. O DESPERTAMENTO TORNA OS HOMENS OBEDIENTES À PALAVRA
Um dos resultados do despertamento é a obediência dos homens a Deus e à Sua Palavra. Depois que houve o despertamento no retorno do exílio babilônico, não houve a introdução de qualquer mistura de cultos pagãos entre o povo de Deus.
Estes foram os benefícios do cativeiro babilônico:
1. Cura da idolatria
Este foi um dos grandes benefícios espirituais de Israel durante o cativeiro. Com o transcorrer dos dias no exílio, a idolatria que tenazmente assediava os judeus não mais tinha atração alguma para eles. Na verdade, engendrou um despertar antagônico com relação a idolatria, por suas associações de caráter nacional (ver Sl.137), bem como por suas profundas convicções, nascidas da grandeza e divindade de sua antiga religião, que não podia se comparar com a dos babilônios. Eles amavam intensamente o seu culto, sendo mais forte do que até aí tinha sido a crença de que Jeová era o Senhor de toda a Terra. Desta forma os judeus se transformaram em testemunhas do poder e amor do Deus Jeová perante os babilônios, e exerceram sobre aqueles com os quais mais conviviam uma forte influência moral.
2. No cativeiro os seus princípios e crenças se consolidaram
O próprio fato de terem sido destituídos do Templo, altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas – lugar de reunião e adoração – Mt.4:23) e, portanto, quando enfim, chegou o dia da restauração, não eram fracas as suas convicções, nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto, não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria.
3. Em Jerusalém, o culto, conforme os ritos da Lei, foi restabelecido (Ne.12:43).
“E sacrificaram, no mesmo dia, grandes sacrifícios e se alegraram, porque Deus os alegrara com grande alegria; e até as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que a alegria de Jerusalém se ouviu até de longe”.
Quando o povo retornou do cativeiro, o despertamento espiritual levou-o a oferecer a Deus o verdadeiro culto, conforme Deus exigia. O texto sagrado de Neemias afirma que ao chegarem no Templo, ofereceram “grandes sacrifícios” em meio a ruidosas manifestações de júbilo (Ne.12:43).
O sistema sacrificial da Lei era apenas uma sombra do que Jesus iria realizar no futuro, através de Sua morte na cruz. Deus Pai enviou Seu Filho Jesus para ser o sacrifício pelo pecado. Obedecendo à vontade do Pai, Cristo entregou Seu corpo como uma oferta definitiva, permitindo que o pecado do homem fosse removido (Hb.10:5-10). Assim, Deus revogou o primeiro sacrifício, que dependia da morte de animais, para estabelecer o segundo sacrifício, que dependia da morte de Cristo.
  • Na Antiga Aliança, centenas de sacerdotes levitas ofereciam, continuamente, sacrifícios que “nunca jamais podem remover [apagar completamente] pecados” (Hb.10:11); mas o sacrifício de Cristo removeu os pecados, de uma vez por todas.
  • Os sacerdotes araônicos ofereciam sacrifícios pelo pecado, dia após dia; Cristo sacrificou-se uma só vez.
  • Os sacerdotes araônicos sacrificavam animais; Cristo ofereceu a si mesmo.
  • Os sacrifícios dos levitas apenas cobriam o pecado; o sacrifício de Cristo removeu o pecado.
  • Os sacrifícios dos levitas cessaram; o sacrifício de Cristo tem eficácia eterna.
Assim, Cristo está agora assentado “à destra de Deus” (Hb.10:12; cf.Hb.1:3;8:1;12:2), o que demonstra que Ele completou Sua obra, obedientemente, e foi exaltado a uma posição de poder e honra.
Na Nova Aliança, não precisamos mais oferecer sacrifícios de animais ao Senhor. Todavia, devemos apresentar-nos a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável que é o nosso culto racional (Rm.12:1).
4. Em Jerusalém, o ensino da Palavra de Deus estava no pedestal (Ne.8:2,3)
O despertamento dado pelo Espírito Santo faz com que os crentes desejem intensamente ler e estudar a Palavra de Deus:
“E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação [...] E leu nela [...] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:2,3).
Os capítulos 8 a 10 de Neemias descrevem um dos maiores despertamentos espiritual do Antigo Testamento e apontam vários instrumentos fundamentais para um avivamento e renovação espirituais; são eles: a Palavra de Deus (Ne.8:1-8), a oração (Ne.8:6), a confissão de pecados (Ne.cap.9), um coração quebrantado e contrito (Ne.8:9), renúncia às práticas pecaminosas da sociedade contemporânea (Ne.9:2) e renovação do compromisso de andar segundo a vontade de Deus e de fazer da Palavra de Deus a nossa regra de fé e prática (Ne.10:29).
Ressalte-se que não há possibilidade alguma de despertamento espiritual sem que se tenha o devido cuidado e a prioridade no ensino da Palavra de Deus. Os avivamentos ocorridos no Antigo e no Novo Testamento, bem como ao longo da história da Igreja, só tiveram resultados duradouros quando começaram e prosseguiram sob o ensino da Palavra de Deus.
Lamentavelmente, em nossos dias, vivemos a predominância de uma concepção sem qualquer base bíblica, qual seja, a de que avivamento se confunde com prevalência de manifestações sobrenaturais e que o crente avivado é aquele que participa de tais ambientes, onde pouco ou nenhum espaço é dado ao ensino da Palavra de Deus. No entanto, quando abrimos a Bíblia Sagrada, não vemos um só caso de avivamento que não esteja centrado, baseado, fundamentado no ensino das Escrituras. Portanto, Avivamento sem o ensino e a prática das Escrituras Sagradas é apenas movimento passageiro que não dá frutos.
Quando Esdras leu e explicou as Escrituras Sagradas ao povo, que estava em profunda reverência perante o púlpito levantado para este fim, houve muita alegria profundo compromisso de mudança de comportamento e de caráter. Veja o que o texto sagrado diz (Ne.8:1-9):
“E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.
E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como de mulheres e de todos os sábios para ouvirem, no primeiro dia do sétimo mês.
E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei.
E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim [...].
E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.
E Esdras louvou o Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! —, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra.
E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaseias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto.
E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.
E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei”.
Há uma profunda conexão ente o ensino fiel das Escrituras Sagradas e o despertamento espiritual. Sempre que a Palavra de Deus é exposta com poder há uma profunda manifestação do Espírito Santo, gerando despertamento espiritual na vida do povo.
5. Houve uma busca maior pela santidade: os sacerdotes e o povo se purificaram
“E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e logo purificaram o povo...”(Ne.12:30).
a) Os sacerdotes se purificaram. Note que os sacerdotes são citados primeiro na ordem de purificação. Isto não é de se estranhar, pois aqueles que ministram no santuário devem ser realmente os primeiros a estarem purificados diante de Deus. Ser um ministro não significa ter isenção de falhas. Por isso, é necessário que aqueles que estão à frente ao rebanho sejam sempre os primeiros a estarem diante de Deus puros, sem mácula, a fim de que, com seu exemplo de vida, possam ter autoridade para exortar o rebanho. Lembremo-nos de que há líderes que tem autoridade e a utilizam por força da função que possuem, mas seu exemplo de vida deixa a desejar; e há aqueles que possuem autoridade e a utilizam de forma correta porque sua vida tornou-se um referencial com base no exemplo que transmitem.
b) O povo se purificou. Além dos sacerdotes, o povo também se purificou para festejar ao Senhor. A liderança deu o exemplo de sujeição a Deus e o povo fez também a sua parte. Se por um lado os sacerdotes fizeram os rituais prescritos na Lei de Moisés para se purificarem, o povo entendeu que a purificação não deveria estar circunscrita ao campo sacerdotal, mas que individualmente, cada um dos habitantes de Jerusalém era responsável por sua própria purificação, para apresentarem-se diante do Senhor. Até as mulheres e crianças, que não eram contadas entre os homens, participaram da celebração (Ne.12:43). Deus não fez distinção entre quem era contado pelos homens e quem não era. Ele derramou a alegria em todos, pois todos estavam participando daquela celebração em nome dEle.
Os sacerdotes e os levitas se purificaram e purificaram o povo. Isso nos dá uma lição: devemos chegar diante de Deus com vidas limpas e levantar mãos santas. Jamais poderá haver louvor e adoração se não houver dedicação de vidas ao Senhor. Somos uma nação de levitas e sacerdotes chamados para a adoração (1Pd.2:9), por isso devemos ter uma vida purificada. O apóstolo Paulo assim nos exorta: "Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" (2Co.7:1).
A santificação é parte integrante da vida cristã, e o cristão que não deseja a santificação está perdendo o temor a Deus. Todo crente compromissado com o Senhor deseja viver em santidade. A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo - “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...”(1Tes.4:3).
6. A revelação do remanescente fiel
O cativeiro revelou um remanescente fiel, preservado de modo sobrenatural por Deus, para que retornassem a Jerusalém. Esse remanescente fiel não foi absorvido no meio da terra do seu cativeiro, como havia sucedido a outros povos conquistados. Certamente o tempo do exílio foi um período de grande atividade literária entre os judeus no sentido de coligir, preservar e editar antigas narrações. Por conseguinte, podemos atribuir ao povo judeu a preparação do caminho para a vinda do cristianismo, uma vez que forneceu, por meio desta preservação literária, ao povo da nova aliança – a Igreja de Cristo -, sua mensagem, a saber, o Antigo Testamento.
CONCLUSÃO
Para que tenhamos um verdadeiro despertamento espiritual, para que nos santifiquemos e nos tornemos fortes espiritualmente, é mister que sejamos iluminados e a única luz que existe é a Palavra de Deus (Sl.119:105). Portanto, se quisermos igrejas avivadas, comecemos pela Palavra de Deus. Sem ela, não pode haver avivamento.  
Qualquer movimento espiritual que dispense o estudo das Escrituras, que dispense a meditação na Palavra do Senhor, que se faça de reuniões onde há muita oração, muito louvor, muito sobrenaturalismo, muito “reteté” e nenhuma ou pouquíssima exposição da Palavra de Deus é algo que não tem origem em Deus e que não pode produzir vida espiritual alguma.
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Fonte: Luciano de Paula Lourenço 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

1º LIÇÃO DO 3º TRIMESTRTE DE 2020 EDICÃO ESPECIAL: DANIEL ORA POR UM DESPERTAMENTO


3º Trimestre/2020
EDIÇÃO ESPECIAL
Texto Base: Daniel 9.1-3; 6.10; 2.17-19; Esdras 1.1-5
05/07/2020
"Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tg.5.16).
Daniel 9:
1.No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,
2.No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.
3.E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.
Daniel 6:
10.Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa ( ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém ), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer.
Daniel 2:
17.Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros;
18.Para que pedissem misericórdia ao Deus do céu, sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o restante dos sábios de Babilônia.
19.Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou o Deus do céu.
Esdras 1:
1.NO primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:
2.Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá.
3.Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que está em Judá, e edifique a casa do SENHOR Deus de Israel (ele é o Deus) que está em Jerusalém.
4.E todo aquele que ficar atrás em algum lugar em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, com ouro, com bens, e com gados, além das dádivas voluntárias para a casa de Deus, que está em Jerusalém.
5.Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a casa do SENHOR, que está em Jerusalém.

INTRODUÇÃO

As tribulações, as provas intensas, as expectativas frustradas, sempre trazem desânimo e arrefecimento na fé de uma pessoa. O povo de Israel estava cativo na Babilônia; seu país fora destruído; e, por conseguinte, a fé do povo foi ao mais baixo vale. É difícil levantar os ânimos quando a tempestade se forma mais forte do que nós. Mas Deus sempre tem uma saída para o seu povo. No cativeiro, Ele levanta Daniel para ser o Seu porta voz e trazer despertamento espiritual e reanimar o povo. Daniel, após analisar as Escrituras proféticas de Jeremias, se colocou diante de Deus para orar por um despertamento do seu povo e cumprimento daquilo que estava determinado por Deus para ele.

I. DANIEL FOI DESPERTADO PARA ORAR

Ao examinar as Escrituras de Jeremias (Dn.9:2), Daniel fez uma grande descoberta: ele descobriu que o cativeiro babilônico teria a duração de setenta anos. Com esta descoberta ele foi despertado a buscar a Deus com muito fervor, cobrindo-se de saco e cinza, em sinal de profunda tristeza (Dn.9:1-3); orou com perseverança. Ele fez uma efusiva oração, em que adorou a Deus, fez confissão do seu pecado e dos pecados do povo e pediu a Deus a restauração de sua cidade, Jerusalém (cf. Dn.9:3-19).

1. Daniel vivia uma vida consagrada a Deus

Daniel, a despeito de tantas perdas – seu país foi invadido, sua cidade arrasada e o templo do Senhor derrubado, seu povo estava debaixo de opróbrio, estava longe de casa, em um país estranho, com uma língua estranha, sem a Palavra de Deus nas mãos, sem o templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto -, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa. Em vez de buscar a vingança dos inimigos, procurou ser instrumento de Deus na cidade deles. Daniel não foi um jovem influenciado, mas um influenciador. No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu (Dn.1:8). Mesmo numa cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel manteve-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos habitantes da Babilônia. Ele vivia uma vida consagrada a Deus.

2 A estatura espiritual de Daniel capacitava-o para enfrentar verdadeiros combates em oração

A vida de oração constante levou Daniel a uma estatura espiritual modelar. Não há como enfrentar os inimigos sem a arma da oração. O apostolo Paulo era cônscio disto, por isso, recomendou aos crentes de Efésios: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo; orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito...” (Ef.6:10,18).
Daniel foi nomeado pelo rei Dario para um dos três presidentes sobre os cento e vinte sátrapas que administravam as províncias do império. Graças ao espírito excelente de Daniel, Dario pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino (Dn.6:1-3). Mas, governantes invejosos de Daniel, que sabiam ser impossível culpá-lo de algum crime real, convenceram o rei a publicar um decreto proibindo que se orasse a qualquer deus ou a qualquer homem, senão ao rei. Uma vez sancionado e transformado em lei, o decreto se tornava irrevogável (Dn6:4-8). A fidelidade de Daniel é um desafio para nós (1Pd.3:13-17).
Dario assinou o decreto, mas Daniel continuou a orar ao Senhor “três vezes por dia” (Dn.6:10), fato que seus inimigos se apressaram em relatar ao rei (Dn.6:9-13). Até o pôr do sol, Dario se empenhava para salvar Daniel, mas o decreto era inalterável, e o rei se viu obrigado a ordenar que Daniel fosse lançado na cova dos leões. Não obstante, o rei pagão o incentivou, dizendo-lhe que o “Deus a quem” Daniel servia continuamente o livraria da cova dos leões. É bonito ver como até mesmo os incrédulos por vezes assimilam a fé e a moral de sevos de Deus fiéis do seu convívio próximo. Muitas vezes, porém, os cristãos desapontam seus amigos e parentes incrédulos quando não demonstram os padrões de fé e prática elevados que o mundo espera do povo de Deus.
Dario recusou o entretimento habitual e preferiu passar a noite em jejum. Pela manhã, ao romper do dia, levantou-se o rei e, preocupado, foi com pressa à cova dos leões. Lá, encontrou Daniel vivo e ileso. Como sempre fazia, o profeta deu glória ao Senhor: “O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizesse dano”. O rei ordenou que os acusadores de Daniel fossem lançados na cova, onde os leões os devoraram. Como resultado, Dario publicou um decreto aos povos, nações e pessoas de todas as línguas honrando o Deus de Daniel (Dn.6:18-28).
Sem dúvida, para adquirir uma estrutura espiritual capaz de enfrentar tempestades, embates contra os inimigos, a oração é uma arma imprescindível. Infelizmente, há muitos que não gostam de orar, e isto os tornam vulneráveis diante dos inimigos e das intempéries da vida.
A Oração é a alma do cristianismo e expressa a nossa total dependência de Deus. Ela é indispensável para uma vida de comunhão com Deus. Ela é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus. Ela é a forma pela qual o crente se põe como um verdadeiro servo do Senhor. Ela é a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de Deus. Assim como a fome e a sede, instintos naturais do homem, exigem uma satisfação correspondente (comer e beber), assim também a alma humana precisa ser despertada e alimentada pela presença do Criador. O salmista diz: “A minha alma tem sede do Deus vivo!”(Sl.42:2). Essa sede de Deus é uma necessidade básica do espírito.

3. Coincidindo com o período de oração de Daniel, profundas mudanças estavam para acontecer na Babilônia

Na época em que Daniel foi despertado a orar por um despertamento, o reino da Babilônia estava em guerra com os medos e persas.
Segundo Roy E. Swim, após a morte de Nabucodonosor, o seu filho, Evil-Merodaque, o sucedeu no trono.; este é o rei que deu honra especial ao rei Joaquim (filho de Jeoaquim), depois de 37 anos de exílio, ao soltá-lo da prisão e designar-lhe uma pensão (cf. Jr.52:31-34; 2Rs.25:27-30). Depois de dois anos, Neriglissar, o cunhado de Evil-Merodaque, liderou uma revolta e o assassinou. Neriglissar tinha se casado com uma das filhas de Nabucodonosor e reivindicava um certo direito real, especialmente por meio do seu filho, Labashi-Marduque; mas o jovem não recebeu apoio e logo foi morto pelos seus amigos de confiança. Os generais e líderes políticos escolheram Nabonido, outro genro de Nabucodonosor, um auxiliar experimentado e de confiança durante a maior parte do seu reinado. Nitocris, filha de Nabucodonosor, deu um filho a Nabonido, seu nome era Belsazar.
Por causa do seu sangue real, Belsazar, três anos após a ascensão de Nabonido ao trono, foi feito corregente com seu pai. Ele tinha a incumbência de governar a cidade e a província da Babilônia. Esse foi o rei Belsazar descrito por Daniel (1).
À época de Belsazar, em face de uma série de reis incompetentes, Babilônia encontrava-se numa trajetória decaída, deixando para trás sua época dourada. A ruína de Babilônia estava prestes a acontecer, pois um destacamento militar persa, comandado por Ciro, deslocara-se rapidamente para o sul, estacionando junto aos muros de Babilônia. Os muros eram grandes e fortes e seus armazéns achavam-se repletos de alimentos. O rio Eufrates trazia água à vontade para dentro da cidade. Para os líderes nacionais, Babilônia era invencível a qualquer inimigo. Apesar da presença dos inimigos junto aos muros da Babilônia, deliberadamente o rei Belsazar decidiu desafiar o Deus Altíssimo e por isso teve que enfrentar as consequências finais das escolhas que livremente tomara.
Belsazar zombou de Deus e de Suas coisas sagradas (Dn.5:1-31). Belsazar, filho de Nabonido e neto de Nabucodonosor, ofereceu um grande banquete idólatra, no qual usou os utensílios sagrados de ouro e de prata que Nabucodonosor havia levado do templo em Jerusalém. O rei e sua corte beberam o vinho até ficarem embriagados e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra. Enquanto os convidados se embebedavam e farreavam, apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam na parede. Amedrontado, ele ofereceu um manto de púrpura, uma cadeia de ouro e uma promoção para quem interpretasse a inscrição.
Por sugestão da rainha, Belsazar convocou Daniel para interpretar a escritura. Mesmo depois de tantos anos e mudanças no governo, pelo menos alguém ainda se lembrava do espirito excelente, conhecimento e inteligência de Daniel.
Depois de recapitular a experiência de Nabucodonosor e de repreender Belsazar com ousadia por haver profanado os utensílios do templo ao usá-los para se embebedar com seus convidados em um banquete idólatra, Daniel revelou o teor da escritura e seu significado. A inscrição na parede dizia: “MENE, MENE, TEQUEL E PARSIM”.
  • MENE quer dizer “contados”. Deus contou o império babilônico e deu cabo dele.
  • TEQUEL significa “pesado”. Belsazar foi pesado na balança e achado em falta.
  • PARSIM (plural de PERES) quer dizer “dividido”. O reino de Belsazar foi dividido e dado aos medos e aos persas.
Naquela mesma noite, os exércitos medos-persas invadiram a Babilônia, mataram Belsazar e se tornaram a nova potência mundial, sob o governo de Dario, o medo.
O desprezo do conhecimento de Deus leva o homem a uma vida dissoluta moralmente. A atitude do rei em utilizar os utensílios do templo de Jerusalém em sua festa devassa e idólatra, mostrava o caráter perverso de Belsazar. Ele estava afrontando ao Senhor e profanando publicamente aquilo que pertencia a Deus. O castigo viria inevitavelmente e imediatamente.
A vida é uma semeadura; colhemos o que plantamos - aqueles que plantam o mal colhem o mal; aqueles que semeiam vento colhem tempestade. Aqueles que semeiam na carne, da carne colhem corrupção. Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. Querer fazer o mal e receber o bem é zombar de Deus, e de Deus ninguém zomba (Gl.6:7).

II. A RESPOSTA ÀS ORAÇÕES DE DANIEL

Enquanto estudava o Livro de Jeremias (Dn.9:2), Daniel se deu conta de que os setenta anos de cativeiro estava quase chegando ao fim. Em sua oração ele confessou o seu pecado e as iniquidades de seu povo, e pediu que o Senhor cumprisse suas promessas acerca de Jerusalém e do povo de Judá. Em resposta às orações de Daniel (Dn.9:21), Deus lhe concedeu a revelação extremamente importante das setenta semanas (Dn.9:24), considerada a “espinha dorsal da profecia bíblica”. É claro que nesta Aula não falaremos a respeito deste assunto, mas quem quiser saber mais sobre isso acesse o link: http://luloure.blogspot.com/2014/12/aula-10-as-setenta-semanas-de-daniel.html.
Daniel baseou suas petições no caráter de Deus - sua grandeza, temibilidade, fidelidade, justiça, misericórdia e perdão; e em seus interesses - teu povo, tua cidade, teu santo monte, teu santuário.
Enquanto Daniel ainda estava em oração, o anjo Gabriel se apresentou rapidamente e o tocou à hora do sacrifício da tarde(Dn.9:21); garantiu a Daniel que ele era mui amado (Dn.9:23) - um tributo maravilhoso, vindo do próprio Deus. Em seguida, ele apresentou um esboço da história futura de Israel como nação por meio da imagem das setenta semanas (cf.Dn.9:20-23).

1. A Bíblia relata o que realmente aconteceu

Ao ler as Escrituras, especialmente o livro de Jeremias, Daniel descobre que o tempo do cativeiro havia chegado ao fim (Dn.9:2). Apesar da apatia dos judeus, Daniel sabia das promessas do Senhor. Ele desejava a restauração da sua nação, por isso, ele começou orar, e na sua súplica pela restauração da nação podemos notar que ele desejava: pede perdão pelas transgressões de Israel; pede para que cessasse a ira e o furor do Senhor sobre Jerusalém e sobre o templo; pede o cumprimento da profecia com a libertação do cativeiro, o retorno para Canaã e o restabelecimento do culto. Deus ouviu a oração de Daniel. As Escrituras afirmam:
"No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém" (Ed.1:1-3).

2. Conforme a declaração de Ciro, estava cumprida a promessa divina dada através do profeta Jeremias

Deus cumpre com as suas promessas; Ele nunca falha. Pela instrumentalidade do rei da Pérsia, Ciro, Deus cumpriu todas as promessas feitas pela instrumentalidade do profeta Jeremias ao povo de Judá. Em 2Crônicas está escrito assim:
“para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o Senhor, seu Deus, seja com ele” (2Cr.36:21-23).
Deus usou Ciro, rei da Pérsia, para proclamar um pregão autorizando os judeus a retornar a Judá e reconstruir o templo em Jerusalém. Além disso, ordenou aos países vizinhos que contribuíssem generosamente com o remanescente que retornava a Israel. Além das riquezas doadas pelas nações vizinhas, o rei Ciro devolveu aos judeus “cinco mil e quatrocentos” utensílios “de ouro e de prata” que Nabucodonosor havia retirado do templo em Jerusalém (cf.Ed.1:5-11).
Quando os judeus chegaram a Jerusalém, alguns dos cabeças de famílias doaram ouro e prata para a construção da Casa do Senhor, além de vestes para os sacerdotes. O povo passou a habitar em suas respectivas cidades (cf.Ed.2:68-70).
Muitos anos antes de nascer, Ciro foi chamado e separado por Deus para cumprir esse importante propósito (cf. Is.44:28 – 45:13). Ciro é um exemplo da verdade apresentada em Provérbios 21:1: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina”.
O decreto de Ciro encerrou os setenta anos do cativeiro judaico. Esse período pode ser calculado de duas formas: dede o ataque de Nabucodonosor a Jerusalém, em 605 a.C.(gerando a primeira era de exilados) até o assentamento da fundação do templo em 535 a.C.; ou desde a queda de Jerusalém, em 586 a.C., até o término das obras de reconstrução do templo, em 516 a.C.
Em resumo, os acontecimentos dos fatos:
ü  Todos os Judeus seriam liberados para voltarem a Judá, caso quisessem (Ed.1:3).
ü  Receberam permissão para reedificar o templo.
ü  Todas as despesas da construção do Templo poderiam ser tiradas dos tributos de além do rio.
ü  Os vasos sagrados deveriam ser entregues aos cuidados de Zorobabel, nomeado governador dos judeus pelo rei Ciro, para serem transportados de volta para Jerusalém (Ed.1:7).
Todavia, apesar do cumprimento da profecia de Jeremias, muitos dentre o povo estavam acostumadas com a Babilônia. Do mesmo modo, em nossos dias, muitos que se dizem cristãos estão acostumados e conformados com o mundo; entretanto, a nossa Pátria está nos céus (Fp.3:20); devemos, pois, clamar pela volta de Jesus. “Amém! Vem, Senhor Jesus! (Ap.22:20).

III. O RESULTADO DE UM DESPERTAMENTO PROVENIENTE DE DEUS

1. O rei Ciro foi despertado em seu espírito

“Despertou o Senhor o espírito do rei Ciro” (Ed.1:1).
Observe que o monarca persa não foi despertado pela influência de nenhuma outra pessoa, mas foi despertado pelo Senhor. Mais ou menos 200 anos antes do seu nascimento, o profeta Isaias, inspirado pelo Espírito Santo, profetizou acerca de Ciro (Is.44:28): “quem diz de Ciro: É meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao templo: Funda-te” (Is.44:28). Esta profecia é bastante notável pelo fato de mencionar o nome do rei num interstício tão longo. Também é surpreendente Deus chamá-lo de “meu pastor”. Ciro é citado como o instrumento usado por Deus para libertar seu povo da Babilônia e autorizar a reconstrução do templo. Josefo, o historiador judeu, escreveu:
“Ora, Ciro tomou conhecimento desse fato (da construção do templo) por meio da leitura do livro de que Isaias havia deixado com suas profecias 210 anos antes [...]. Isaias predisse tais coisas 140 anos antes de o templo ser destruído. Quando, portanto, Ciro as leu e se admirou de seu caráter divino, impulso e emulação o levaram a fazer conforme estaca escrito” (Josefo. História dos Hebreus).
Em Isaias 45:1, o Senhor chama Ciro de “seu ungido” – “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro...” (o mesmo termo que “messias” em hebraico), pois o monarca da Pérsia foi um protótipo do Messias prometido, que concederia livramento final ao seu povo. Jeová prometeu lhe dar vitória sobre as nações, principalmente a Babilônia, além de remover todos os obstáculos a suas conquistas e lhe entregar grandes quantidades de tesouros escolhidos e riquezas encobertas. Ainda se dirigindo a Ciro, o Senhor se refere a si mesmo como o único Deus verdadeiro que trata Ciro “pelo [...] nome”, que o chama de “ungido” e “pastor” (Is.44:28), e que o capacita para sua missão. Deus faz tudo isso por amor a seu povo e para que todo o mundo saiba que somente Ele é o Senhor.

2. O resultado do despertamento do rei Ciro

O Cativeiro terminou no ano 536 a.C., por força de um Decreto de Ciro, conforme Esdras registrou nos Capítulos 1 e 2 de Seu Livro. Por esse Decreto, Ciro autorizou os judeus a voltarem para sua terra e estabeleceu um objetivo que deveria ser cumprido - “... suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do Senhor, Deus de Israel ...” (Ed.1:3). “A Casa do Senhor” era um símbolo da presença de Deus no meio do Seu povo. Quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém e levou para Babilônia a terceira turma de cativos, no ano 586 a. C., o Templo de Salomão foi totalmente destruído; significando, assim, que Deus não habitava mais em Israel.
Quando Deus autorizou, pela instrumentalidade de Ciro, a volta dos judeus, também ele tomou as medidas necessárias para que um novo Templo, ou uma nova Casa do Senhor fosse construída. Deus queria, novamente, habitar no meio de seu povo, em Jerusalém.
Os que retornaram sob o comando de Zorobabel e do sumo sacerdote Josué, entenderam qual era a vontade de Deus. A primeira providência, quando chegaram à Jerusalém, foi edificar um altar - “... e edificaram o altar do Deus de Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na lei de Moisés, o homem de Deus” (Ed.3:2).
Isto nos faz entender que um período de provação, no Cativeiro, contribui para levar o crente de volta ao altar do Senhor. A provação é um instrumento que Deus usa para, entre outros propósitos, trazer os seus filhos para junto do altar.
Dois anos depois, em 534 a. C., foram lançados os fundamentos para a construção do novo Templo.

3. No despertamento ou avivamento é preciso ter cuidado com os ardis de Satanás

Durante os setenta anos de Cativeiro, os Samaritanos e outros povos vizinhos tinham ocupado a terra de Israel. Assim, num primeiro momento, certamente por inspiração de Satanás, estes povos que estavam na terra quiseram misturar-se com o povo de Deus. Satanás sempre usou esta tática.
Quando a construção do Templo foi iniciada, eles quiseram ajudar, trabalhando junto com os judeus; uma atitude, aparentemente louvável, para quem não conhece a Palavra de Deus. É princípio bíblico que Deus não aceita aliança com Satanás, não aceita a mistura do Seu povo com os “povos da terra”, ou do mundo.
“Os povos da terra” disseram: “deixa-nos edificar convosco, porque como vós, buscaremos o vosso Deus ...” (Ed.4:2). O crente, hoje, que não conhece a Palavra de Deus, talvez dissesse: “mas, isto é uma bênção!”. Porém, Zorobabel e o sumo sacerdote Josué conheciam a Palavra de Deus, e não podiam fazer “aliança” com aquela gente:
Porém Zorobabel, e Jesua, e os outros chefes dos pais de Israel lhes disseram: não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus: mas nós sós a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel” (Ed.4:3).
Falhando o projeto da mistura, então Satanás passou ao ataque, à perseguição, usando calúnias, mentiras, difamações (vide Esdras 4:5-24).
Quem aceita a “mistura” pode ficar livre das perseguições; a Casa do Senhor pode se encher - mas, encher com “os povos da terra”. Todavia, a Casa do Senhor precisa se encher com o povo de Deus; esta é uma verdade bíblica!
Em consequência da rejeição da ajuda, a construção do Templo foi paralisada - “então cessou a obra da casa de Deus, que estava Jerusalém ...” (Ed.4:24); isto ocorreu no ano 429 a.C..
Ciro, o Rei Persa que havia autorizado a volta dos judeus e a construção do Templo, morreu em 530 a.C... Seu filho, conhecido na história secular como Cambisis II, assumiu o trono entre 529 e 522 a.C.; foi, portanto, o rei que decretou a paralisação da Obra que tinha sido autorizada por seu pai. A construção do Templo permaneceu parada até 520 a.C., quando, então, entraram em cena os dois profetas Ageu e Zacarias. Através destes dois profetas, o Espírito de Deus levantou o “moral” dos dirigentes e do povo:
 “... e começaram a edificar a Casa de Deus, que está em Jerusalém; e com eles os profetas de Deus que os ajudaram” (Ed.5:2).
Satanás pode implantar os seus ardis e prejudicar, temporariamente, a Obra de Deus, porém, acabar com ela, nunca! O Senhor Jesus falando a respeito de Sua Igreja, afirmou: “... as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt.16:18).

CONCLUSÃO

Satanás não dá trégua! Durante toda a Obra de Deus ele vai fazer oposição; destruir faz parte da essência do seu caráter(ler João 10:10). Isto nos remete à realidade de que a vida cristã é uma guerra contínua; é uma batalha sem trégua. É impossível realizar a Obra de Deus sem oposição. Precisamos orar a Deus com mais frequência e com maior dedicação para que Ele desperte o seu povo à união e unidade da fé nesta peleja contra os ardis de Satanás, que pertinaz procura enfraquecer o povo de Deus promovendo o secularismo no seu meio. Quando o mundo quiser cooperar conosco na Obra do Senhor, que possamos ousar em dizer: não aceitamos, porque o Senhor é a nossa força e Ele está conosco!
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FONTE: Luciano de Paula Lourenço –