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segunda-feira, 26 de abril de 2021

5ª lição do 2º trimestre de 2021: DONS DE ELOCUÇÃO

 



Texto Base: 1Coríntios 12:7,10-12; 14:26-32

 

"Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém!"  (1Pd.4:11).

1Corintios 12:

7.Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.

10.e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.

11.Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

12.Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.

1Corintios 14:

26.Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

27.E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete.

28.Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus.

29.E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.

30.Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.

31.Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados.

32.E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos a respeito dos Dons de Elocução, ou manifestação verbal: profecia, variedade de línguas e interpretação de línguas. Estes Dons são os mais destacados na Igreja. Eles se manifestam sobrenaturalmente através de mensagens orais, segundo a orientação do Espírito Santo. Os propósitos destes Dons são os de edificar, exortar e consolar a Igreja de Cristo (1Co.14:3). Por ser os mais utilizados na Igreja, temos visto muito abuso e falta de sabedoria no uso destes Dons, em especial o de profecia. Desta feita, devemos estudar estes Dons com diligência, reverência e temor de Deus, para não sermos enganados pelas falsas manifestações.

I. DOM DE PROFECIA (1Co.12:10)

Paulo exortou os crentes de Corinto para que eles procurassem com zelo os dons espirituais e em especial o Dom de Profecia, pois aquele que profetiza edifica toda a Igreja.

1. O que é o Dom de Profecia?

De acordo com Stanley Horton, O Dom de Profecia refere-se a mensagens espontâneas, inspiradas pelo Espírito, em uma língua conhecida para quem fala e também para quem ouve, objetivando edificar, exortar ou consolar a pessoa destinatária da mensagem (1Co.14:3).

O maior valor da profecia é que ela, uma vez proferida, sendo de Deus, ao contrário das línguas estranhas (que edifica a própria pessoa), edifica a coletividade e não unicamente o que profetiza. A profecia é necessária para impedir a corrupção espiritual e moral do povo de Deus. Apresenta-se, assim, como uma verdadeira manifestação de alívio e de descanso ao crente que, revigorado pela profecia, tem alento para prosseguir na sua caminhada rumo ao Céu.

O Dom de Profecia é muito importante, mas não tem a mesma autoridade canônica das Escrituras (2Pd.1:20), que são infalíveis e não passíveis de correção. A profecia atual deve ser julgada e que o profeta deve obedecer ao ensino bíblico (1Co.14:29-33). Pode acontecer que a pessoa que é detentora do Dom de Profecia receba a revelação do Espírito Santo e, por fraqueza, imaturidade e falta de temor de Deus, venha a falar além do que deve. Portanto, quem profetiza deve ter o cuidado de falar apenas o que o Espírito Santo mandar, não alegando estar "fora de si" ou "descontrolado", pois "o espírito do profeta está sujeito ao profeta" (1Co.14:32). 

2. A relevância do Dom de profecia

Foi o apóstolo Paulo quem afirmou que o Dom de Profecia é de grande relevância para a Igreja. Ele disse: “Segui o amor e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1Co.14:1).

O Dom de Profecia na Igreja é originado pelo Espírito Santo, não para predizer o futuro, mas para fortalecer e promover a vida espiritual, a maturidade e o caráter santo dos crentes. A profecia é necessária para impedir a corrupção espiritual e moral do povo de Deus. Apresenta-se, assim, como uma verdadeira manifestação de alívio e de descanso ao crente que, revigorado pela profecia, tem alento para prosseguir na sua caminhada rumo ao Céu.

Obviamente, nem toda profecia vem de Deus, ou Paulo não teria escrito 1Co.14:29 dizendo: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem”. O apóstolo João alerta: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1João 4:1). Aos crentes de Corinto o apóstolo Paulo exortou que eles deveriam julgar as profecias quanto ao seu conteúdo e a origem de onde elas procedem (1Co.14:29), pois elas possuem três fontes distintas: Deus, o homem ou o Diabo.

Devemos nos cuidar, pois a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, mostra ações dos falsos profetas. O Senhor Jesus nos alertou: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mt.7:15). Vigiemos, pois falsos profetas e falsas profecias estão no mundo atualmente. A falsa profecia leva ao engano e faz com que a pessoa seja manipulada ou dominada por falsos profetas que têm objetivos malignos e planos escusos. Mormente nos dias atuais, onde há interesses escusos, a profecia deve ser julgada e que o profeta deve obedecer ao ensino bíblico (1Co.14:29-33).

3. Propósitos da Profecia

A Profecia neotestamentária tem um tríplice propósito: edificar, exortar e consolar a Igreja.

a) Quanto a Edificação. Na edificação os crentes são espiritualmente transformados mais e mais para que não se conformem com este mundo (Rm.12:2-8). Neste processo, os crentes são edificados na santificação, no amor a Deus, no bem-estar do próximo, na pureza de coração, numa boa consciência e numa fé sincera.  Por isso, todas as profecias devem ser devidamente julgadas à luz da Bíblia, a fim de que não venham causar confusão à Igreja nem abalar a fé daqueles que ainda não possuem uma firme edificação.

A profecia contribui para a edificação do crente, porém, ainda existe muita confusão a respeito do uso deste Dom e sua função. Há líderes que permitem que as igrejas que lideram sejam guiadas por supostos profetas. A Profecia jamais deve substituir os ditames das Escrituras Sagradas na orientação da Igreja de Jesus Cristo, pois ela é a Profecia por excelência, o Manual do líder cristão. Outros erros grosseiros que muitos líderes cometem é não tomarem decisões sem antes consultar um "profeta" ou uma "profetisa". Aí pode incorrer num grande erro e falsa profecia, pois no afã de agradar o líder, a pessoa que se diz profeta poderá falar o que o líder quer ouvir e não o que o Senhor realmente quer falar. Todavia, a Palavra de Deus alerta-nos a que não ouçamos a tais falsários (Jr.23:9-22).

b) Quanto a Exortação. A exortação tem por sinônimo o encorajamento divino para os servos de Deus. Significa ajudar, assistir, incentivar, estimular, animar, consolar, unir pessoas separadas, admoestar. Todos esses significados revelam a missão da profecia, pois o Espírito Santo inspira o profeta a animar, despertar, alertar e falar palavras de encorajamento tanto à Igreja como a alguém em particular.

c) Quanto a Consolação. A consolação é o terceiro propósito da profecia do Novo Testamento. Tendo em vista o fato de que estamos em um mundo decaído, que insiste em nos tirar a esperança e a alegria, esta função é indispensável para o fortalecimento da fé do povo de Deus.

Na vida terrena, temos, sempre, aflições, como nos disse o Senhor Jesus, mas é necessário que tenhamos sempre bom ânimo. Este ânimo é dado pelo Senhor e, portanto, é fundamental que as pessoas a quem o Senhor tem concedido este Dom o exercitem, de modo a impedir que os crentes sejam tomados pelo desânimo, em especial nos instantes de aumento da iniquidade como os vividos pela Igreja neste período imediatamente anterior à vinda do Senhor.

O bom ânimo é fundamental para que se faça algo na obra do Senhor. Quem nos mostra é o próprio Deus, que deu palavras de ânimo a Josué antes que se iniciasse, efetivamente, a sua gestão diante do povo de Israel (Js.1:6); como o conselho que Davi, homem segundo o coração de Deus, ministrou a seu filho Salomão, pouco antes de morrer e após ter mandado aclamá-lo como novo rei sobre Israel (1Cr.22:13; 28:20); como as palavras de Jesus em algumas ocasiões (Mt.9:2,22; Mc.6:50; Lc.8:48); Paulo, também, usou deste Dom no retorno às Igrejas Locais que fundara ao término da sua primeira viagem missionária (At.14:22) –“ confirmando o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus”.

II. VARIEDADE DE LÍNGUAS (1Co.12:10)

“...e a outro, a variedade de línguas...”

1. O que é o Dom de Variedades de Línguas?

É o Dom dado pelo Espírito Santo para que os crentes sejam instrumentos da voz do Senhor, para que o Espírito Santo demonstre que Se comunica com o Seu povo. Este Dom é evidência da Onipresença divina no meio do Seu povo, uma presença que nos faz descansar e que nos traz edificação.

Este Dom é diferente das línguas estranhas como evidência do Batismo no Espírito Santo. Segundo a Bíblia, as línguas estranhas são um sinal para os não crentes (1Co.14:22). Quem possui este Dom deve orar pedindo que o Senhor também conceda o Dom de Interpretação. O que profetiza edifica o outro, mas o que fala línguas estranhas edifica a si mesmo.

Na Igreja de Corinto, parece que havia uma desordem no culto quanto aos Dons de Línguas. Paulo exortou aqueles crentes dizendo que eles estavam “como que falando ao ar” (1Co.14:9), ou seja, não havia proveito algum, já que ninguém era edificado. Portanto, segundo Paulo, aquele que fala em outras línguas fala a Deus e não aos homens. Ele não é um Dom público, mas íntimo, particular e pessoal. Portanto, o Dom de Variedades de Línguas é um Dom para sua intimidade com Deus. Embora seja um Dom para intimidade com Deus, ele é tão importante para a Igreja quanto os demais apresentados em 1Corintios 12.

2. Qual é a finalidade do Dom de Variedade de Línguas?

Todos os outros dons alistados na Bíblia são Dons para a edificação da Igreja. Este é o único Dom que é dado para auto-edificação (1Co.14:4) – “O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo...”. É por esta razão somente que esse Dom é inferior aos demais. À medida que o possuidor deste Dom fala em línguas vai sendo edificado, pois o Espírito Santo toca-o e o renova diretamente (1Co.14:2) – “Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios”.

O que o apóstolo quer dizer é que a Língua estranha é algo que acontece no âmbito espiritual e não no racional. A própria pessoa que fala em outra língua não entende o que está falando. A mente dela não é edificada, pois não sabe o significado das suas palavras. Se essa pessoa não entende o que fala, muito menos as outras pessoas entenderão; ela está falando em mistério. Por isto, o apóstolo esclarece: “Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera” (1Co.14:13).

3. Atualidade do Dom de Variedade de Línguas

Como os demais Dons, o de Línguas é muito importante para a Igreja. Sendo assim, ele não é uma manifestação exclusiva somente para o período apostólico; ele é plenamente manifesto atualmente, e deve ser buscado como recomenda o apóstolo Paulo (1Co.14:1), pois ele é, tão útil à vida pessoal do crente quanto o foi no princípio da Igreja.

Paulo era grato a Deus por falar em Línguas, e mais do que todos os irmãos de Coríntio. Porém, ele disse que, na Igreja, preferiria falar cinco palavras com seu entendimento, a fim de que pudesse pela sua voz ensinar aos outros, do que dez mil palavras em línguas (1Co.14:18,19). Apesar dessa afirmação, Paulo não desejou com isso excluir as Línguas, pois é parte legítima da adoração dos cristãos (1Co.14:26) – “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”

III. INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS (1Co.12:10)

“... e a outro, a interpretação das línguas”.

 1. Definição do Dom de Interpretação de Línguas

É uma habilidade sobrenatural, concedida pelo Espírito Santo, que torna o crente capaz de interpretar, na sua própria língua, aquilo que é falado pelo crente em linguagem celestial. Não se trata de “tradução de línguas”, mas de “interpretação de línguas”. Este Dom opera juntamente com o Dom de línguas, formando ambos uma profecia (1Co.14:5,13,27,28).

Há pregadores que emocionam seus auditórios ordenando que falem todos em línguas, ao mesmo tempo, como sinal da presença de Deus na reunião. Paulo, porém, recomenda que, em cultos públicos, quem fala em línguas: (a) ore para que possa interpretá-las (1Co.14:13); (b) que ore também com o entendimento quando orar em línguas (1Co.14:15); (c) fale, no culto, dois, no máximo três, e que haja intérprete (1Co.14:27), e (d) na ausência de interpretação, que se cale o falante (1Co.14:28). Portanto, é preciso reavaliar as atitudes de certos pregadores e líderes que contradizem o que a Bíblia diz no tocante ao falar em línguas no culto.

Na igreja de Corinto, se não houvesse intérprete, o irmão devia permanecer calado na Igreja. Podia ficar em seu lugar e falar silenciosamente em outra língua consigo mesmo e com Deus, mas não tinha permissão de se expressar em público – “Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus” (1Co.14:28). Essa exortação cabe muito bem no quadro exortativo das igrejas hodiernas.

2. Há diferença entre Dom de Interpretação e o de Profecia?

Sim, claro! Segundo o pr. Elinaldo Renovato, “o Dom de Interpretação de Línguas necessita de outra pessoa, também capacitada pelo Espírito Santo, para que interprete a mensagem e a Igreja seja edificada; do contrário, os crentes ficarão sem entender nada. Já a Profecia é autossuficiente em sua ação para quem a ouve, não necessitando de um intérprete”. Sobre isso esclareceu Estêvam Ângelo de Souza, objetivamente: “não haverá interpretação se não houver quem fale em línguas estranhas, ao passo que a profecia não depende de outro dom”.

CONCLUSÃO

Como vimos, os Dons de Elocução, como os demais Dons, são muito importantes, e até mesmo imprescindíveis, na Igreja. Sem eles, talvez, a Igreja não tivesse chegado até aqui. Todavia, os Dons não têm autoridade canônica, não servem para alterar ou contradizer o que está escrito na Bíblia Sagrada (2Pd.1:21; 1Tm.4:9; João 17:17; Sl.119:142,160; Ap.22:18,19; Pv.30:5,6).

O Espírito Santo orienta a Igreja por meio dos dons espirituais (At.13:1-3; 16:6-10), mas o ministério eclesiástico não deve ficar refém de pessoas detentoras de dons espirituais, principalmente às pessoas que são agraciadas com o Dom de Profecia (Ap.2:20-22; At.11:28-30; 15:14-30). No meio Pentecostal é uma prática errada consultar “profetas”, pedindo respostas quanto a casamentos, viagens, negócios, etc. Os Dons espirituais não são para esta finalidade, são para edificação, exortação e consolação (1Co.14:3). Por isto, os Dons em apreço devem ser usados na Igreja Local (1Co.14:3,13,26,28).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

6ª lição do 1º trimestre de 2021: SANTIFICAÇÃO: COMPROMETIDOS COM A ÉTICA DO ESPÍRITO SANTO.



1º Trimestre/2021

Texto Base: 1Pedro 1:13-23

07/02/2021

 

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).

1Pedro

13.Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo,

14.como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância;

15.mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver,

16.porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

17.E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação,

18.sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais,

19.mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,

20.o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós;

21.e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.

22.Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para amor fraternal, não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;

23.sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Santificação. Esta é parte integrante da vida cristã, e o cristão que não deseja a santificação está perdendo o temor a Deus. Como Deus deseja também nos auxiliar no processo de santificação, Ele nos dá o seu Santo Espírito para habitar em nós e nos orientar nesta separação do mundo, ou seja, separação do pecado, não dos pecadores. A vida cristã somente pode progredir e se desenvolver se houver separação do pecado, o que deve ser perseguido até o dia da volta do Senhor Jesus. A salvação é um contínuo processo que, iniciando-se na regeneração, fruto do arrependimento e da conversão, prossegue, após a justificação, mediante a santificação, até o seu instante final, que é a glorificação.

I. A SANTIFICAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A Santificação descrita no Velho Testamento tem dois sentidos: Primeiro, exterior ou cerimonial; segundo, interior ou moral e espiritual. A santidade cerimonial do Velho Testamento descrita no Pentateuco incluía rituais de dedicação ao serviço de Deus. Assim, sacerdotes e levitas eram santificados por um ritual complexo (Êx.29:1), como foram os hebreus nazireus (Nm.6:1-21). Profetas como Eliseu (2Reis 4:9) e Jeremias (Jr.1:5) também foram santificados para um ministério profético especial em Israel. Mas o Velho Testamento também dirige atenção para os aspectos íntimos, morais e espirituais da santidade. Homens e mulheres, criados à imagem de Deus, são chamados a cultivar a santidade do caráter de Deus nas suas próprias vidas (Lv.19:2) - “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo".

1. A Santificação

“Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. E guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR que vos santifica” (Lv.20:7,8).

A palavra santificação significa apartar-se do mal. É condição necessária para desfrutar-se da comunhão com Deus. Deus é santo, e seu povo há de ser santo também.

No Antigo Testamento, Israel devia ser diferente das outras nações e devia separar-se de seus costumes - "Não fareis segundo as obras da terra do Egito... nem fareis segundo as obras da terra de Canaã" (Lv.18:3). As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomar consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade de receber a misericórdia divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio Deus provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida.

Porém, Israel falhou como povo santo. Deus havia dito a Israel: “E vós me sereis...o povo santo”. Porém, em lugar de se tornar “o povo santo”, Israel se tornou um povo apóstata e idólatra. Contaminou-se tanto que foi acusado, por Deus, de prostituição e de adultério espiritual - “E disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda árvore verde, e ali andou prostituindo-se. E sucedeu que pela fama da sua prostituição contaminou a terra, porque adulterou com a pedra e com o pau” (Jr.3:6-9). Esta foi a triste condição do povo de Israel que Deus queria que fosse “o povo santo”.

A santidade é o que identifica o povo de Deus. Por isso, a exigência permanente de Deus com relação à santidade do Seu povo, tanto na Antiga como na Nova Aliança. O texto Áureo de Levítico enfatiza esta realidade dogmática: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2).

Observe que no Antigo Testamento a santidade não era somente para os líderes, mas a toda “a congregação dos filhos de Israel”, ou seja, a todo o povo de Deus do Antigo Testamento. Deus disse: “santos sereis”. Este texto é claro e abrangente: toda a congregação estava obrigada atender à ordem divina, inclusive os dirigentes máximos da nação; todos deveriam porfiar por uma vida santa que, tendo início em seu coração, refletisse em seu semblante.

Qual a razão da demanda do Senhor à congregação de Israel? A Bíblia responde: “Porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo”. Sim, Deus é o Senhor; logo, nesse relacionamento, não passamos de servos. Ele tem autoridade para exigir que cada um de seus servos sejam santos, porque Ele, o nosso Deus, é santo. Como ignorar as prerrogativas daquele que nos chamou à perfeição?

2. A Consagração

Consagração é, pelo próprio significado da palavra, a destinação exclusiva para o uso da divindade ou para fins de culto; ou seja, a consagração significa a entrega total ao Senhor. Na Lei de Moisés, a consagração se encontrava regrada em Lv.27:28-34, onde se verifica que havia uma dedicação integral dos bens ou das pessoas ao Senhor, de modo perpétuo e irrevogável. A consagração faz com que o bem ou pessoa não mais pertença a quem quer que seja, mas, sim, a Deus. Neste sentido, consagração corresponde ao lado positivo da santificação, ou seja, a santificação enquanto destinação de algo para uso exclusivo do Senhor.

Dependendo do contexto, Consagração e Santificação podem significar a mesma coisa. Exemplo: na Almeida Revista e Corrigida, o texto de Êxodo 28:3 está assim escrito: “que façam vestes a Arão para santificá-lo”; já na ARA, o mesmo texto está escrito assim: “que façam vestes para Arão para consagrá-lo”. Aqui, o verbo hebraico para “consagrar” é o mesmo para “santificar, ser santo”. No Antigo Testamento, no período da Lei, era uma exigência divina para os sacerdotes e levitas (Ex.30:30), e para o tabernáculo com todos os seus utensílios, haja vista que eles eram símbolos da Jesus Cristo, que é santo e exige santidade (Lv.11:44).

No Período Levítico, o Senhor impusera aos ministros da Casa de Deus uma série de restrições, para que não viessem a comprometer o ministério sagrado. Desobedecer às normas instituídas por Deus poderia causar até mesmo a morte do ministro. No Livro de Levítico é narrado o episódio em que Deus executou juízo sobre os filhos de Arão, que ministravam de forma irreverente e em pecado na Casa do Senhor (Lv.10:1,2). O que podemos aprender desse episódio? Antes de tudo, que Deus exige santidade, verdadeira reverência de seus ministros. Então, tomemos cuidado para não nos apresentarmos diante do Senhor com fogo estranho. O Deus que puniu Nadabe e Abiú não morreu. Deus não se deixa escarnecer. Conscientizemo-nos disso!

Assim como Deus exigiu dos ministros da Antiga Aliança um comportamento exemplar diante de toda a congregação do Senhor, Ele também exige dos pastores do rebanho do Senhor, da Nova Aliança, santidade exterior. Há uma grande necessidade de mantermos uma conduta exemplar. Somos exortados, pela Palavra de Deus, como deve ser a nossa conduta - “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp.2:15).

3. A Purificação

No período da Lei, o ato de “purificação” significava santificação. Quando da construção do Tabernáculo, Deus ordenou a Moisés que fizesse uma Pia de bronze e colocasse entre o Altar do Holocausto e a Tenda da congregação.

“Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar e deitarás água nela. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés” (Ex.30:18,19).

O objetivo era que antes de entrar na Tenda da congregação (Êx.30:20), ou quando se chegassem ao Altar de Bronze (Êx.30:20) para ministrar as coisas sagradas, era necessário que os sacerdotes se purificassem na Pia de bronze. Se assim não fosse feito, eles seriam mortos.

“Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao SENHOR” (Ex.30:20).

Apresentar-se diante de Deus sem atentar para a exigência da purificação podia custar-lhes a vida – “para que não morram” (Êx.30:20). Isto demonstra que é necessário purificar-se para servir a Deus - “sem santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14). Essa lavagem era mais do que o simples lavar de mãos e pés; significava “regeneração”, que implicava no primeiro passo para a consagração sacerdotal.

Na Nova Aliança é inaceitável que um obreiro na Casa do Senhor queira ministrar sem que antes tenha sido regenerado. Quão triste é quando um ministro de valor, despreza a exigência de Deus de que ele "mantenha suas mãos e pés limpos". As consequências são: uma vida e um ministério arruinado. O cristão precisa ser limpo “com a lavagem da água, pela Palavra” (Ef.5:26) e pela “regeneração”, e “renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

Peçamos ajuda a Deus para passar bastante tempo junto à Pia da Palavra de Deus para termos certeza em primeiro lugar se nossas mãos – que são os nossos atos de adoração - e nossos pés – que significa o nosso andar perante Deus - estão puros à sua vista.

II. A SANTIFICAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

No Antigo Testamento Deus chamou o seu povo à santificação (Lv.11:44-45), e chama a Igreja de Jesus à mesma atitude, no Novo Testamento (1Pe 1.16). A Igreja é chamada de "nação santa" (1Pd.2:9), título que outrora fora de Israel. A natureza de Deus é compartilhada com seu povo e Ele deseja que seu povo, como Ele, seja reconhecido como santo, e que Seu povo viva como um povo santo.

O Novo Testamento enfatiza a dimensão ética da santidade em vez da dimensão externa (Mc.7:6-12). Com a vinda do Espírito Santo, a igreja primitiva percebeu que a santidade da vida era uma realidade interna profunda que deveria governar as atitudes e pensamentos de um indivíduo em relação a pessoas e objetos do mundo exterior.

1. Uma Obra da Trindade

A Santificação faz parte do processo da Salvação. Ela começa por ocasião da conversão, e continua através de toda a vida do crente. É o gradual desenvolvimento de um caráter semelhante a Cristo, produzido pela submissão do crente à graça de Deus. Abrange todo o momento da vida. Significa perfeito amor, obediência e perfeita conformidade à vontade de Deus. Nesse processo, a Trindade santa é parte integrante; as três Pessoas da Triunidade atuam na obra da Redenção (1Pd.1:2).

2. Natureza da Santificação

De acordo com o compêndio doutrinário neotestamentário, a Santificação do crente é tríplice: Posicional, progressiva e futura.

a) A Santificação Posicional. A partir do momento em que cremos em Jesus, passamos a ser justificados e mudamos de posição diante de Deus que não nos vê como éramos, mas que, agora, por causa de Cristo, nos vê como pessoas justas. Ao mudarmos de posição diante de Deus, alcançamos o que os estudiosos da Bíblia denominam de “santificação posicional”, ato soberano de Deus - “...mediante a obra de Cristo, uma vez por todas” (Hb.10:9-10). Deus nos vê em Cristo perfeitos (Ef.2:6; Cl.2:10). Quando estamos "em Cristo", não há qualquer acusação contra nós (Rm.8:33,34), porque a santidade do Senhor passa a ser a nossa santidade" (1João 4:17b). 

Esta circunstância, porém, não retira o fato de que permanecemos com a “velha natureza”, ou seja, embora, ao crermos em Jesus, estejamos, de pronto, livres do poder do pecado, pois Jesus nos liberta (Jo.8:36), bem como adquirimos uma nova natureza, pois nascemos de novo (João 3:5), o fato é que não nos livramos, de imediato, do “corpo do pecado”, ou seja, embora nasçamos de novo, este “corpo da morte” (Rm.7:24) ainda continua convivendo com conosco, pois ainda não alcançamos a glorificação, ou seja, o instante em que ingressaremos na dimensão celestial, quando seremos semelhantes a Cristo, adquirindo a condição de justos aperfeiçoados, passando a ter comunhão plena com o Senhor, não havendo mais qualquer separação (1Co.15:54).

b) Santificação progressiva. Progresso significa caminhar para diante, avançar! Se este é o sentido, então, progresso trás implícito a ideia de movimento. Estando alguém, ou alguma coisa, parada ou estacionada, não se pode falar em progresso. A vida espiritual, assim como a vida material, tem de se submeter a um contínuo crescimento. Não é à toa que Jesus compara o início da vida espiritual como sendo o novo nascimento. Assim como a vida física se inicia com a geração, também a vida espiritual é iniciada pela nova geração, a “regeneração”, a partir da qual se inicia todo o processo de crescimento espiritual. Por isso, a Bíblia fala em: “meninos em Cristo” (1Co.3:1); e a pessoas que têm maturidade, a ponto de produzir fruto (João 15:16).

A santificação progressiva surge, então, como uma separação do pecado, uma manutenção do estado de separação do pecado que alcançamos no instante em que somos alcançados pela graça de Deus e recebemos a salvação na pessoa de Cristo Jesus. Este é o primeiro aspecto da santificação: a separação do pecado. Não é possível dizermos que “estamos em Cristo Jesus” se nós não nos separarmos do pecado, se não mudarmos de atitude a partir de nossa conversão. A transformação deve ser radical e tudo aquilo que buscávamos na “velha vida” deve ser abandonado.

Não é possível sermos uma nova criatura sem que venhamos a ter novos objetivos, novos propósitos, novas motivações, novas intenções. Antes, vivíamos para fazer a vontade da nossa carne, ou seja, queríamos tão somente saciar nossos apetites, nossos desejos desmedidos, as nossas concupiscências. Agora, porém, porque estamos em Cristo, nosso propósito passa a fazer somente a vontade de Deus, obedecer-Lhe e render-Lhe glória. De instrumentos de iniquidade passamos a ser instrumentos da glória de Deus. Isto é uma realidade na nossa vida?

Santificar-se é se manter separado do pecado e isto precisamos fazer a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. Quem não vive separado do pecado, quem não se santifica, peca. Como disse o escritor aos hebreus (Hb.12:14), devemos seguir a santificação, ou seja, é necessário se separar do pecado e continuar dele se separando, para que tenhamos condição de ver o Senhor Jesus como Ele é (1João 3:2).

c) Santificação futura. "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts.5:23). Trata-se da santificação completa e final (1João 3:2). O Senhor Jesus, que é santo, virá buscar os que são consagrados a Ele (1Ts.3:13; 5:23; 2Ts.1:10; Hb.12:14). Por isso, a vontade de Deus para a vida do crente é que ele seja santo, separado do pecado (1Ts.4:3).

Além de nos fazer instrumentos para a glorificação do Senhor, a separação para Deus permite-nos conservar separados do pecado, aguardando o instante final de nossa salvação, que é a glorificação, daí porque o apóstolo Paulo ter dito que esta conservação é para a vinda do Senhor, pois, a partir de então, seremos transformados e, glorificados, ficaremos para sempre livres do “corpo do pecado” e da presença do pecado.

A santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo (Hb.12:14; 1Ts.5:23; Ap.19:7,8). É neste sentido que a santificação se equipara à “consagração”.

3. Uma necessidade

A Santificação é uma necessidade, todavia, não significa levar-nos a sair do mundo ou do mundo isolar-se. Lembremo-nos da oração sacerdotal de Jesus: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (João 17:15, ARA).

Na ótica bíblica, santificar-se não significa isolar-se da sociedade, mas, nesta sociedade, atuar como testemunha fiel de Deus. É o que o Senhor requisitava de sua congregação no deserto. Mesmo ali, ainda sem contatar povo algum, deveriam os israelitas consagrar-se inteiramente como servos do Senhor. Sim, embora estarmos no lugar mais improvável e árido, proclamemos as virtudes do Reino de Deus, por meio de uma vida santa, pura e marcada pela distinção.

Se o povo hebreu deveria sobressair-se pela santidade, o que não esperar da Igreja de Cristo? O apóstolo exorta-nos a andar continuamente em novidade de vida (Rm.6:4). Sem a santidade requerida por Deus nenhum de nós chegará à Jerusalém Celeste (Hb.12:14; Ap.21:8).

III. A SANTIFICAÇÃO APLICADA AO CRENTE

Todo crente compromissado com o Senhor deseja viver em santidade. A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo. Todavia, em que pese o Senhor ter dito “santo sereis”, a Palavra de Deus nos ensina que Ele respeita a vontade do homem e não viola sua liberdade, ou seu livre arbítrio. Obedecer ou não obedecer é uma decisão do homem. Ninguém será santo à força; isto não agrada a Deus.

1. A Comunidade de Jesus

A Comunidade de Jesus somos nós, a Igreja. Os apóstolos dedicaram-se com constância o ministério de ensino e exortação às comunidades cristãs, chamando-as a uma vida santa diante de Deus e da sociedade.

A Santificação, ao mesmo tempo em que ela é uma separação do pecado, é, também, uma separação para Deus. O salvo não apenas é mantido separado do pecado, não apenas é liberto do pecado, mas também é posto numa posição de serviço, de destaque e de designação por parte do Senhor, para que produza obras que levem à glorificação do Seu nome.

Hoje, em muitas igrejas locais, a santificação é chamada de fanatismo. Nessas igrejas falam muito de união, amor, fraternidade, louvor, mas não da separação do mundanismo e do pecado. Notemos que as "virgens" da parábola de Mateus 25 pareciam todas iguais; a diferença só foi notada com a chegada do noivo. A principal tática que o adversário atualmente emprega para corromper a santidade é o pecado da mistura. Isso ele já propôs antes a Israel através de Faraó (Êx.8:25). Esta mistura, inclui - da igreja com o mundanismo; da doutrina do Senhor com as heresias; da adoração com as músicas profanas; etc.

Devemos estar conscientes de que a salvação traz a nós um propósito divino para nossas vidas. Não mais andamos segundo a nossa vontade, mas, sim, segundo a vontade daquele que nos salvou. O nosso querer passa a estar submetido à vontade divina. Passamos a ser guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14), passamos a ter uma vida dirigida por Deus. É, aliás, neste sentido que Jesus diz que o nascido da água e do Espírito é como o vento que sopra, que não sabe de onde veio nem para onde vai (João 3:8). Não dependemos mais dos nossos planos nem de nossas ideias, mas estamos, sempre, à disposição do Senhor e da Sua vontade. Somos propriedade peculiar de Deus, a comunidade de Jesus, passamos a pertencer-lhe, e isto nos faz com que ajamos e estejamos onde, como e quando Ele assim desejar no cumprimento da Sua vontade.

2. Uma vida santificada

Como verdadeiros cristãos, devemos seguir o exemplo de Cristo, pois levamos seu nome. Se os salvos se contaminarem com o mundo ímpio, negarão seu caráter celestial. As práticas do tempo em que vivíamos em ignorância devem ser colocadas de lado, pois agora fomos iluminados pelo Espírito Santo. As práticas de outrora são os pecados que cometíamos quando ainda não conhecíamos a Deus. Ao invés de imitarmos o mundo ímpio com seus modismos, nossa vida deve reproduzir o caráter santo daquele que nos chamou. A fim de sermos como Ele, precisamos ser santos em tudo o que fazemos e dizemos. Nesta vida, jamais seremos tão santos quanto Ele, mas devemos ser santos porque Ele é (1Pd.1:15).

Em Levítico 11:44, o Senhor disse: “Sereis santos, porque eu sou santo”. O Espírito Santo que habita dentro dos cristãos salvos lhes dá o poder para viver em santidade. Os santos do Antigo Testamento não contavam com esse auxílio e bênção. Somos mais privilegiados, mas também temos maior responsabilidade. A santidade, o ideal de Deus no Antigo Testamento, assumiu uma qualidade concreta e cotidiana com a vinda do Espírito da verdade.

3. Ética

O que é? É o conjunto de padrões, de condutas, de atitudes que devem ser observados pelos indivíduos. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética. A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no Jardim do Éden por Deus, o primeiro casal recebeu logo uma determinação de Deus: "De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás" (Gn.2:16b,17).

Como se percebe, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético e, desde então, a história da humanidade tem refletido este embate entre o comportamento exigido por Deus e o comportamento que o homem escolhe, dentro de seu livre-arbítrio, para si, independentemente da vontade humana. 

O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários à vontade do Senhor.

O homem, imerso no pecado (Rm.3:9-12,23), separado de Deus(Is.59:2), cegado pelo deus deste século (2Co.4:4), não pode ter senão comportamentos e condutas que desagradam a Deus, estabelecendo-se, pela arrogância dos homens, um relativismo ético, ou seja, um conjunto de condutas e de regras de comportamento que se alteram conforme a conveniência e de acordo com as circunstâncias, a gerar uma tolerância ilimitada, um verdadeiro caminho largo, em que tudo é permitido (Mt.7:13).

O resultado disto é o surgimento de um vazio espiritual, de uma falta de orientação e de princípios, que deixa a humanidade perdida e sem qualquer direção, com funestas consequências, como as que temos visto nos nossos dias e que estão levando à indignação e a este clamor por uma ética mínima nos relacionamentos humanos.

Busca o homem uma referência, uma base, um fundamento, esquecido que somente um é absoluto neste universo, somente um tem o direito de impor uma conduta a todos os homens, que é o nosso Deus, o Criador dos céus e da terra, o Soberano Senhor. Nesta busca pela ética, que nada mais é que uma sede de Deus, deve a Igreja, corajosamente, como agência do reino de Deus, clamar ao mundo que a ética tão desejada, que a conduta ideal tão almejada, não se encontra nos direitos humanos, na busca de maior justiça nas relações socioeconômicas, mas Naquele que, desde a criação do homem, tem querido determinar como devemos proceder. Em Deus se encontra a verdadeira ética e, portanto, para os diversos dilemas morais vividos pelo homem, existe uma única resposta: a Palavra de Deus.

CONCLUSÃO

A Santificação é uma continuidade, é um processo longo e duradouro, que somente terminará com a volta do Senhor. Santificamo-nos a cada dia, a cada instante devemos buscar mais da glória do Senhor, brilhar mais e mais, pois ainda não é dia perfeito. Por isso, não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na volta do Senhor. “Parar”, “estacionar” nada mais é que “regredir”, “recuar”, “retirar-se para a perdição” e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC