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segunda-feira, 12 de julho de 2021

3ª lição do 3º trimestre: ACABE E O PROFETA ELIAS




Texto Base: 1 Reis 16:29,30; 17:1-7; 18:17-21

“Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt.7:9).

V.P.: “Deus é pai de amor, bondade e misericórdia abundantes, contudo, todo pecado e desobediência ao Senhor trazem consequências inevitáveis à vida humana”.

1 Reis 16:

29.E Acabe, filho de Onri, começou a reinar sobre Israel no ano trigésimo oitavo de Asa, rei de Judá; e reinou Acabe, filho de Onri, sobre Israel em Samaria, vinte e dois anos.

30.E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele.

1 Reis 17:

1.Então, Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.

2.Depois, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo:

3.Vai-te daqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão.

4.E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.

5.Foi, pois, e fez conforme a palavra do SENHOR, porque foi e habitou junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão.

6.E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã, como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro.

7.E sucedeu que, passados dias, o ribeiro se secou, porque não tinha havido chuva na terra.

1 Reis 18:

17.E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe Acabe: És tu o perturbador de Israel?

18. - Então, disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins.

19.Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Asera, que comem da mesa de Jezabel.

20.Então, enviou Acabe os mensageiros a todos os filhos de Israel e ajuntou os profetas no monte Carmelo.

21.Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.

INTRODUÇÃO

Acabe sucedeu seu pai, Onri, no trono de Israel (1Rs.16:28). Ele reinou sobre Israel vinte e dois anos (1Rs.16:29). O período do seu reinado é considerado uma das eras mais sombrias da história do Reino do Norte. O texto de 1Reis 16:30-33 faz um resumo sobre os atos desastrosos desse rei durante o seu reinado:

“E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele”.

Acabe governou entre os anos de 874 e 853 a.C., e o seu reinado marcou a conciliação dos elementos do culto cananeu com a adoração a Jeová. Uma primeira leitura dos capítulos 16:30 a 22:40 do livro de 1Reis, revela que essa mistura provou ser desastrosa ao povo de Israel. Na prática, o culto ao Deus verdadeiro foi substituído pela adoração ao deus falso Baal, trazendo como consequência uma apostasia sem precedentes, pondo em risco até mesmo a identidade do povo de Deus. Os estudiosos estão de acordo em dizer que pela primeira vez a verdadeira fé no Deus vivo corria real perigo. A apostasia, que teve raízes no final do reinado de Salomão, que cresceu durante o reinado de Jeroboão, e que havia se generalizado no reinado de Acabe, tornara-se a razão principal do Senhor ter levantado o profeta Elias, um dos maiores profetas da história bíblica.

Acabe foi grandemente influenciado por Jezabel, sua malévola esposa, os quais fizeram de tudo para eliminar a adoração a Deus em Israel. Mas o próprio Deus, usando o profeta Elias, entrou no conflito e decisivamente derrotou os deuses pagãos, trazendo o povo de volta à fé verdadeira, e dizer: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1Reis 18:39).

I. O CASAMENTO DE ACABE COM JEZABEL

1. Consequências de escolhas erradas

O Casamento do rei Acabe com Jezabel, filha do rei de Sidom (1Rs.16:31), trouxe consequências nefastas ao povo do Reino do Norte. Jezabel ocupa o lugar de esposa mais ímpia na Bíblia. Ela era devota de Baal e Aserá, dois falsos deuses adorados pelas nações vizinhas de Israel (1Rs.16:31; 18:19). A Bíblia até usa seu nome como um exemplo das pessoas que rejeitam completamente o Senhor (Ap.2:20,21).

Muitas mulheres pagãs casaram-se em Israel sem reconhecer o Deus que seus maridos adoravam; elas trouxeram consigo as suas religiões. Mas, nenhuma foi tão determinada quanto Jezabel para fazer com que todo o Israel adorasse os seus falsos deuses; ela transformou o rei Acabe num adorador de Baal. Esse casamento levou quase todo o Israel à apostasia, num dos períodos mais críticos da história de Israel. Esse casamento foi tão nefasto que acabou por levar o rei de Judá, Josafá, a casar seu filho Jeorão com uma das filhas de Acabe, Atalia (2Cr.18:1; 2Rs.8:18), casamento este que, além de ter desvirtuado Jeorão, tornando-o um péssimo rei para Judá (2Cr.21:1,20), também gerou outro rei muito ruim, Acazias (2Cr.22:2,3), pondo em sério risco a própria descendência de Davi à frente do povo de Judá, o que significou o próprio risco à ascendência de Cristo (2Cr.22:10).

Assim como seu pai, Onri, Acabe se entregou a uma vida pecaminosa e idólatra que, certamente, ofuscou tudo aquilo que conseguiu realizar. O seu exemplo de iniquidade teve continuidade na vida de seu filho e filha, que governaram os dois reinos. A Bíblia diz que “ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o incitava” (1Reis 21:25).

Um casamento de um crente com um ímpio pode causar muitos males! Os casamentos mistos trazem a destruição da Igreja, mesmo efeito que tem ocorrido com a proliferação de divórcios que hoje contagia o povo de Deus. Não há arma mais eficaz para se retirar a santidade das igrejas locais; não há instrumento mais poderoso para comprometer o povo de Deus com o pecado e o mundo. Tomemos cuidado, pois as consequências de escolhas erradas podem trazer sérios danos a si mesmos e a todos que o cercam!

2. A rainha perversa

A história de Jezabel encontra-se em 1Reis 16:31 a 2Reis 9:37. Seu nome é usado como um simbolismo para a grande iniquidade em Apocalipse 2:20. Ela era uma mulher muito má e de um feminismo extremada. No reino, seu marido praticamente nada mandava; era ela que ditava as regras. Não só controlava seu marido, Acabe, mas tinha também 850 sacerdotes pagãos sob seu controle. Estava comprometida com seus deuses e a conseguir o que desejava.

Depois de seu casamento com o rei Acabe, Jezabel surge como o poder por trás do trono. Sua união representou uma aliança política, na intenção de trazer vantagens para ambas as nações. Também foi uma oportunidade para ela promover a propagação da sua religião maligna, tendo como deus principal o ídolo Baal; em seus cultos era praticado o sexo ritual com muitas prostituas no ambiente de culto. 

Pela sua influência e de seus ímpios sacerdotes, o povo fora ensinado que os ídolos que haviam sido erguidos eram divindades que regiam por seu místico poder os elementos da terra, fogo e água. Todas as dádivas do Céu – os riachos, as fontes de águas vivas, o suave orvalho, as chuvas que refrigeravam a terra e faziam que os campos produzissem com abundância – eram atribuídos ao favor de Baal e Astarote, em vez de tributar ao Doador de toda boa dádiva e todo dom perfeito. O povo esqueceu-se de que montes e vales, rios e fontes, estão no controle do Deus vivo, que controla o Sol, as nuvens do céu e todos os poderes da Natureza.

Jezabel odiava a religião hebraica monoteísta, e quando ela se tornou rainha, os israelitas foram impedidos de adorar o Deus Jeová e forçados a adorar os falsos deuses Baal e Aserá. Como sinal da aversão à religião judaica, ela destruiu os profetas do Senhor (1Rs.18:4), procurou de forma determinada matar o profeta Elias (1Rs.19:2), ordenou injustamente a morte de Nabote para satisfazer a ganância do marido (1Rs.21:10), e ainda praticou a prostituição e a feitiçaria (2Rs.9:22). Portanto, era uma mulher extremamente perversa.

Porém, sua perversidade não ficou impune. O profeta Elias predisse que ela não seria sepultada, mas que os cães a devorariam, pois sua maldade e abominação contrariaram a justiça divina (1Rs.21:23-27). Antes de morrer, sofreu a perda do seu marido em combate e seu filho nas mãos de Jeú, que tomou o trono à força. A morte de Acabe veio comprovar a profecia de Elias (1Reis 21:19) e de outros profetas (1Reis 20:22,20) – “E, lavando-se o carro no tanque de Samaria, os cães lamberam o seu sangue” (1Rs.22:38). Jezabel faleceu da mesma maneira hostil e desdenhosa como viveu. “Deus é misericordioso, mas julga com rigor aqueles que insistem em permanecer na prática do mal”.

II. ELIAS PREVÊ A GRANDE SECA

A idolatria e a insistente desobediência do rei de Israel provocaram, da parte de Deus, uma grande seca que durou muito tempo (1Rs.17:1). A total falta de discernimento espiritual para perceber o que Deus estava fazendo através de Elias, e a impossibilidade de se arrepender, mesmo com todas as evidências de que ele era o culpado de todos os males que estavam acontecendo (1Rs.18:17,18), trouxeram consequências ainda mais danosas sobre Israel.

1. A intervenção divina

Chegou o momento da intervenção divina. A idolatria, a imoralidade e a injustiça social foram uma tríade pecaminosa que atraiu a justa ira de Deus. O cálice da Sua ira foi se enchendo até que os pecados do rei Acabe e de toda a sua casa, e do povo, atraíram inevitavelmente o juízo divino.

Elias, profeta do Senhor, foi o homem que Deus usou para falar contra as perversidades do reinado de Acabe e de sua mulher - a malévola Jezabel. A punição de Deus sobre as atrocidades desta mulher tinha chegado ao extremo. Ela praticamente havia eliminado quase todos os profetas; os que ainda restavam, estavam no ostracismo. O terror foi espalhado sobre o reino. Baal tinha sido decretado como o deus de Israel. Para Jezabel, a lei era seu desejo, a ordem era seu pensamento. Mas, a Palavra de Deus veio a Elias para decretar a sentença:

“Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1Reis 17:1).

A ordem de Deus foi imperativa, Elias tinha que chegar até o rei Acabe e dizer as palavras que o Senhor havia ordenado. Imagine a revolta de Jezabel, por ter sido desacreditada, pois, quem mandava no reino era ela!

Quando Deus dá uma ordem aos seus servos, não precisamos se preocupar com o futuro, pois Ele está no controle de tudo. Começava, assim, a punição de Deus através da seca; foram três anos e meio sem chover (Tg.5:17). Animais mortos, a plantação não existia mais, a fome e as doenças proliferavam todo Israel. Nem mesmo diante de tal situação, Acabe se arrependeu dos seus vis pecados. A apostasia causa esse tipo de transtorno: a cauterização da mente do ser humano (Pv.29:1).

2. O preço da obediência a Deus

Obedecer de coração a Deus é melhor do que qualquer forma exterior de adoração, serviço a Deus, ou abnegação pessoal. O culto, a oração, o louvor, os dons espirituais e o serviço a Deus não têm valor aos seus olhos, se não forem acompanhados pela obediência explícita e consciente, a Ele e aos seus padrões de retidão. A obediência é o que Deus requer do ser humano, é a sua única exigência (Dt.10:12,13). É uma das condições para termos nossas orações respondidas (1João 3:22). Está escrito que obedecer é melhor do que sacrificar e o atender é melhor do que a gordura de carneiros (1Sm.15:22).

Porém, em muitas situações, há um preço a pagar. No caso de Elias, ele teve de enfrentar a perseguição insistente do rei e de sua mulher, Jezabel, e de seus asseclas, que o ameaçaram de morte (1Rs.19:2); enfrentou as dificuldades da falta d’água e de alimento. Muitos profetas contemporâneos de Elias pagaram com a própria vida por terem sido obedientes e fiéis ao Deus de Israel (1Rs.19:14).

Mas, Deus cuidou de seu servo em todos os momentos. Ele deu uma ordem explícita a Elias: “Retira-te daqui, e vai para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem. Partiu, pois, e fez conforme a palavra do Senhor; foi habitar junto ao ribeiro de Querite, que está ao oriente do Jordão” (1Reis 17:2-5). Ao receber a ordem de Deus para esconder-se junto ao ribeiro de Querite, Elias não hesitou, obedeceu-a prontamente.

Contudo, denunciar o pecado e anunciar o juízo divino não é uma tarefa fácil; o serviço a Deus traz inevitável aborrecimento do mundo e dos pecadores. Não pensemos nós que servir ao Senhor é alcançar popularidade, respeito e medo dos ímpios. Não. Mas bem ao contrário, é acirrar os ânimos das hostes espirituais da maldade contra nós. Deus mandou que Elias fugisse e fosse até a um ribeiro, provavelmente situado na região de Gileade, para que ali ficasse protegido e não sofresse os danos da seca que havia anunciado.

Certamente não foi fácil para Elias acatar a ordem divina de desafiar o próprio rei, mas, ao fazê-lo, Deus, que bem sabia os riscos que o profeta passaria a correr, encarregou-se de providenciar ao profeta proteção e sustento, já que o juízo divino afetaria a própria subsistência do povo.

Deus passou a sustentar o profeta junto a um ribeiro, onde havia água necessária à sua sobrevivência; ali, passou a ser alimentado por corvos, que lhe traziam pão e carne pela manhã e pela noite (1Rs.17:6). Como diz o apóstolo Paulo, “…Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e Deus escolheu as coisas vis deste mundo e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1Co.1:27-29).

Como poderia Elias ser alimentado por corvos, animais que se alimentam daquilo que está apodrecendo, daquilo que está se desfazendo, e num momento em que passou a haver escassez de alimentos? Como ser alimentado por um animal tão asqueroso, tão repugnante? Entretanto, como disse o Senhor, Ele havia dado uma ordem aos corvos para alimentar o profeta e, ante a ordem divina, não há como haver recusa. Elias, toda manhã e toda noite, era servido pelos corvos, que, pontualmente, cumpriam a ordem do Senhor. Deus, assim, mostrava ao profeta, duas vezes ao dia, que Ele estava no controle de todas as coisas, e que toda a natureza estava sob as Suas ordens.

Quando estamos abrigados em Deus, podem vir as maiores pestes, fome, doenças, etc., pois Deus é quem nos sustenta. Hoje passamos por momentos difíceis, salário baixo, desemprego, assistência médica sendo insuficiente, educação deficitária, isolamento social, etc. O mundo atravessa maus momentos, mas assim como Deus sustentou e protegeu Elias, Ele também pode nos sustentar, desde que sejamos obedientes à Sua Palavra.

A desobediência foi sempre a razão do fracasso de todos quantos decidiram servir a Deus (Dt.8:20; Dn.9:11; Atos 7:39). O pecado é desobediência e a desobediência gera a indignação e a ira divinas (Rm.2:8). Aos desobedientes é negado o repouso divino (Hb.3:18), bem como reservado um triste fim (1Pd.4:17). É válido ressaltar que obedecer é um princípio fundamental da vida cristã. Lembremo-nos de que Jesus foi obediente até a morte, pelo que Deus, o Pai, o exaltou soberanamente (Fp.2:5-8).

3. Deus sempre cuida dos seus filhos

Apesar das dificuldades pelas quais passou o profeta, a bondade e o cuidado de Deus o acompanharam, pois foi alimentado com pão e carne duas vezes ao dia (1Rs.17:6). E, quando a água do ribeiro de Querite secou, Deus deu novamente uma ordem ao profeta para ir até a cidade de Zarefate, que pertencia a Sidom, pois ali o Senhor havia ordenado a uma viúva que sustentasse o profeta (1Rs.17:9). Vemos, aqui, que Deus, depois de mostrar que tinha controle sobre a natureza, estava agora a mostrar ao profeta que também era o controlador da humanidade e das estruturas sociais.

Ao mandar que Elias fosse para Zarefate, uma cidade sob o domínio de Sidom, o Senhor dava mais uma demonstração de sua superioridade em relação a Baal. Ora, Sidom era, precisamente, o reino que cultuava a Baal. Jezabel era filha do rei de Sidom e, portanto, Deus iria providenciar, nas próprias terras dedicadas a Baal, a sobrevivência do seu profeta. Deus mostrava que tinha domínio sobre todas as estruturas políticas do mundo, passando a sustentar o seu profeta na “terra do inimigo”. Por isso, não devemos temer “as investidas do vil tentador”, porque, mesmo neste mundo que repousa no colo do diabo, quem tem o controle da situação é o nosso Deus. Aleluia!

Ao chegar naquele lugar, o profeta encontrou a viúva apanhando lenha, e pediu-lhe que trouxesse um vaso com pouco d’água para que bebesse e, depois, lhe pediu um bocado de pão. Ante a afirmativa da mulher de que não tinha senão o suficiente para uma última refeição, o profeta mandou-lhe que, primeiro, fizesse um bolo pequeno para ele e, depois, então, preparasse alimento para ela e para seu filho, pois, enquanto houvesse seca, haveria alimento para eles (1Rs.17:14,15). Elias já sabia que Deus garantiria a sua sobrevivência, e se havia ordenado que aquela viúva lhe sustentasse, esta garantia se estendia também a casa dela.

Foi nesse lugar, na casa dessa viúva, que aconteceu o primeiro caso de “ressurreição de mortos” registrado nas Escrituras Sagradas, e teve como objetivo a glorificação do nome do Senhor e a demonstração de que Ele é o verdadeiro Deus, e não Baal, que, como considerado deus da saúde, não tinha podido impedir o filho da viúva de adoecer, nem tampouco pôde restituir a vida ao moço, algo que também era atribuído a Baal, que dizia ser o responsável pelo “renascimento” da natureza após o inverno, após uma luta em que sempre conseguia vencer o “deus da morte”. Vemos, assim, que a experiência inédita de Elias tinha como propósito a exaltação do nome do Senhor e a consolidação da necessária experiência pessoal que Elias tinha de ter com Deus, para ter plena certeza de que “Javé é Deus”.

III. O ENCONTRO DE ELIAS COM ACABE

1. Um coração endurecido

Decorridos mais de três anos, Elias recebera uma nova ordem do Senhor: teria de comparecer novamente perante o rei Acabe. Então, resignado, lá estava o servo do Senhor obedecendo-lhe (1Rs.18:1,2). Foi nessa ocasião que ocorreu o grande desafio entre Elias e os profetas de Baal (1Rs.18:19). O encontro entre Elias e Acabe bem mostra como não há comunhão entre a luz e as trevas (2Co.6:14).

Elias havia profetizado e a profecia se cumpriu integralmente, o que mostrava ser ele um profeta que vinha da parte de Deus (Dt.18:21,22). Deveria, pois, o rei Acabe respeitá-lo, considerá-lo. Mas, a total falta de discernimento espiritual para perceber o que Deus estava fazendo através Elias, e a impossibilidade de se arrepender, mesmo com todas as evidências de que ele era o culpado de todos os males que estavam acontecendo (1Rs.18:17,18), com consequências graves sobre a nação, não trouxeram arrependimento ao rei Acabe. Pelo contrário, ao se encontrar com Elias, o rei o chamou de “o perturbador de Israel” (1Rs.18:17). O seu coração estava tão endurecido em razão da recorrência do pecado, que não havia mais jeito de ele voltar atrás e rever seu deplorável estado espiritual.

Sem temer por sua própria vida, Elias respondeu ao rei num tom condenatório; culpou-o pelo sincretismo do culto a Jeová e a Baal, e o desafiou a reunir os profetas idólatras para um confronto no monte Carmelo, a fim de determinar quem era o Deus verdadeiro (cf. 1Reis 18:16-19) - “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor e seguistes os baalins. Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Aserá, que comem da mesa de Jezabel” (1Reis 18:18,19). Mesmo vendo bem de perto Deus operar de forma extraordinária, o rei Acabe não se arrependeu da sua idolatria; o seu coração estava empedernido. Os apóstatas são assim mesmo!

2. A sequidão espiritual do rei

A seca espiritual sobrevém sobre uma pessoa quando ela atinge o ápice da falta de comunhão com Deus. Foi o que ocorreu com o rei Acabe; ele apostatou-se, abandonou o Deus de Israel e os seus mandamentos de modo precipitado e consciente. Um apóstata dificilmente se volta novamente para Deus, sua mente está cauterizada (Pv.29:1). O escritor aos Hebreus faz um relato sobre isto: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento...” (Hb.6:4-6).

O pior de tudo é que, no caso do rei Acabe, sua apostasia levou também o povo de Israel à sequidão material e espiritual (1Rs.17:1). Por causa dessa situação, Deus impediu que chovesse durante três anos e meio (Tg.5:17) nas terras de Israel e vizinhanças. Muito antes, Deus tinha advertido sobre este tipo de juízo, caso o povo se desviasse de Deus (cf. Dt.11:13-17). Esse juízo humilhou o deus falso Baal, pois seus adoradores criam que ele controlava a chuva e que era responsável pela abundância nas colheitas. A verdade é inconteste: “Só o Senhor é Deus, só o Senhor é Deus”.

CONCLUSÃO

No reinado de Acabe, o culto a Baal substituiu o verdadeiro culto a Deus. Havia uma idolatria institucionalizada e financiada pelo poder estatal. Desde a sua criação como nação eleita, Israel foi identificado como povo de Deus (Ex.19:5). A identidade dessa nação como povo escolhido é algo bem definido nas Escrituras Sagradas. Todavia, nos dias do rei Acabe o povo estava dividido. As palavras de Elias: “até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (1Rs.18:21), revela a crise de identidade dos israelitas do Reino do Norte. A adoração a Baal havia sido fomentada com tanta força pela casa real que o povo estava totalmente dividido em sua adoração. Quem deveria ser adorado, Baal ou o Senhor? Sabemos pelo relato bíblico que Deus havia preservado alguns verdadeiros adoradores, mas a grande massa estava totalmente propensa à falsa adoração. A nação que sempre fora identificada pelo nome do Deus a quem servia, estava agora perdendo essa identidade.

A fim de que a nação não viesse a perder de vez a sua identidade espiritual e até mesmo deixar de ser vista como povo de Deus, o Senhor enviou o seu mensageiro para trazer um tratamento de choque à nação. Sem dúvida, Elias se distinguia dos falsos profetas, porque enquanto estes prediziam o que o povo gostaria de ouvir, aquele anunciava o que estava na mente de Deus. E hoje, que tipo de profecia estamos ouvindo? Parece que os “profetas” de hoje se renderam à inspiração triunfalista, pois somente “profetizam” o que é bom. Um verdadeiro profeta de Deus não se rende aos apelos da cultura que o cerca!

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

quarta-feira, 30 de junho de 2021

1ª lição do 3º trimestre de 2021: A ASCENSÃO DE SALOMÃO E A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO

 



Texto Base: 1Reis 4:29-34; 6:1,11-14

 

“E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Rs.8:11).

1 Reis 4:

29.E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar.

30.E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios.

31.E era ele ainda mais sábio do que todos os homens, e do que Etã, ezraíta, e do que Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol; e correu o seu nome por todas as nações em redor.

32.E disse três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco.

33.Também falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais, e das aves, e dos répteis, e dos peixes.

34.E vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria.

1 Reis 6:

1.E sucedeu que, no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, no ano quarto do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive (este é o mês segundo), Salomão começou a edificar a Casa do Senhor.

11.Então, veio a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:

12.Quanto a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos, e fizeres os meus juízos, e guardares todos os meus mandamentos, andando neles, confirmarei para contigo a minha palavra, a qual falei a Davi, teu pai;

13.e habitarei no meio dos filhos de Israel e não desampararei o meu povo de Israel.

14.Assim edificou Salomão aquela casa e a aperfeiçoou.

INTRODUÇÃO

Pela graça de Deus, estamos iniciando mais um trimestre letivo. Estudaremos sobre o tema: “O Plano de Deus para Israel em meio à Infidelidade da Nação – As Correções e os Ensinamentos Divinos no Período dos Reis de Israel”. Teremos como base os Livros Sagrados de 1 e 2 Reis. Nesta primeira Aula trataremos da “Ascensão de Salomão e a Construção do Templo”. Davi, o homem segundo o coração de Deus, envelheceu, e como nessa vida tudo é passageiro, chegou o momento de apresentar à nação o seu sucessor. Deus tinha avisado a Davi que Salomão lhe sucederia no trono, à revelia de muitos, como, por exemplo, de Adonias (o filho de Davi), de Joabe (comandante do exército), de Abiatar (um dos principais conselheiros de Davi) e de vários outros. Não sabemos se essa era a vontade de Davi, mas teve que cumprir a vontade do Senhor. O reino de Israel pertencia ao Senhor, não a Davi ou a qualquer outro. Por essa razão, o rei de Israel era um representante de Deus, que tinha como tarefa realizar a sua vontade para com a nação. Deste modo, Deus pôde escolher a pessoa que Ele mesmo quis estabelecer como rei, sem seguir as linhas habituais de sucessão. Davi não era herdeiro de Saul, e Salomão não era o filho mais velho de Davi. Mas isso não importava porque foram escolhidos por Deus. Portanto, Salomão não chegou ao trono por uma simples indicação de Davi, mas por uma escolha divina (cf. 1Cr.22.9); e mesmo antes de apresentá-lo ao povo, Davi já sabia dessa revelação divina.

Salomão foi escolhido por Deus para reinar sobre o povo de Israel, mas isto não significava que ele seria um homem impecável; geralmente, Deus não intervém no livre-arbítrio do ser humano. Infelizmente, no final de sua vida ele se deixou levar por interesses políticos e desejos pecaminosos, que trouxeram grandes prejuízos à nação de Israel, com sequelas quase infindas. A tragédia da vida de Salomão não foi uma catástrofe pessoal repentina, mas a diminuição gradual de sua completa devoção a Deus. Isto está relacionado com os interesses das suas “muitas esposas”, que no final resultaram em sua própria adoração idolátrica. Ele trilhou o repetido caminho para longe de Deus; o conhecimento do coração tornou-se somente um entendimento da mente; e o conhecimento da mente, no final, deu lugar à apostasia total. Tudo indica que no ocaso de sua vida, Salomão voltou-se novamente para Deus, e deu um conselho que ecoa até hoje: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec.12:13,14).

I. A SABEDORIA DE SALOMÃO

Qual a diferença entre inteligência e sabedoria? Inteligência é a habilidade de manejar conhecimento e aplicá-lo; sabedoria é o uso correto do conhecimento. Enquanto o conhecimento representa as nossas experiências e aprendizagens adquiridas do mundo exterior, a sabedoria, especialmente a proveniente de Deus, nos dá a condição de transformarmos estes conhecimentos em prática de vida, a fim de mantermos o equilíbrio, a coesão e a justiça.

Ao longo dos séculos, várias histórias lendárias sobre a vida de Salomão foram surgindo e sendo contadas pelo povo através das gerações. De todas elas, uma das mais conhecidas é a que narra como o sábio rei que julgou a disputa de uma criança por duas mulheres que afirmavam cada uma ser a sua verdadeira mãe. Ele ordenou que a criança fosse partida ao meio e cada metade fosse entregue a cada uma das mulheres. Ao ouvir isso, a verdadeira mãe gritou desesperada que ele não partisse a criança, mas que a entregasse à outra mulher. Dessa forma, a verdadeira mãe foi identificada, pois somente esta seria capaz de ver seu filho entregue a outra pessoa, vivo, do que vê-lo morto.

1. A virtude de Salomão

Acredito que a maior virtude de um homem, líder do povo de Deus, é a sabedoria e o temor a Deus. A Bíblia diz que Salomão amava ao Senhor (1Rs.3:3). Animado pelo sincero desejo de agradar ao Senhor, Salomão ofereceu mil holocaustos (1Rs.3:4), em Gibeão, onde ficava o Tabernáculo (1Cr.21:20). Isso ocorreu no início do seu reinado. Nesse local, o Senhor apareceu a Salomão de noite em sonhos e disse-lhe: “Pede o que quiseres que te dê “(1Reis 3:5). “E disse Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia. Agora, pois, ó Senhor, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; e sou ainda menino pequeno, nem sei como sair, nem como entrar. E teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, que nem se pode contar, nem numerar, pela sua multidão. A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; por que quem poderia julgar a este teu tão grande povo?” (1Reis 3:6-9).

Salomão, portanto, pediu o Dom da Sabedoria. Ele poderia ter pedido riquezas das entranhas da terra, se fosse ganancioso; ele poderia ter pedido glórias acima de todos os reis circunvizinhos, se fosse garboso; ele poderia ter pedido muitos anos de vida, se fosse vaidoso; ele poderia ter pedido a morte dos inimigos do seu povo, se fosse vingativo. Mas, ele pediu sabedoria para governar bem o povo de Deus; ele pediu a coisa certa, pois sem o Dom da sabedoria divina, se tornaria muito difícil governar o povo de Deus com equidade.

Com esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades importantíssimas: (a) que ele era humanamente incapaz de governar Israel; (b) que seu sucesso dependia única e exclusivamente do favor de Deus; e (c) que o povo de Israel não era propriedade sua, e sim do próprio Deus.

Ser piedoso, ser integro, ser temente a Deus e ser sábio, são as grandes virtudes de um líder governante do povo de Deus.

2. O sábio pede sabedoria

Como se percebe em 1Reis 3:6-9, as palavras do rei pedindo sabedoria para governar o povo de Deus, agradaram ao Senhor, que, além de atender ao pedido, também lhe concedeu riquezas, glória e uma vida longa; porém, Deus impôs uma condição: que Salomão andasse em obediência a Ele e guardasse os seus mandamentos (1Rs.3:14).

A resposta de Salomão ao Senhor foi excepcional e exemplar pelo seu apreço por aquilo que Deus havia feito (1Rs.3:6), por sua humildade (1Rs.3:7), por seu senso de responsabilidade (1Rs.3:8), e por sua preocupação em ter o entendimento e o discernimento apropriados para liderar o povo de Deus (1Rs.3:9).

A sábia escolha do jovem Salomão, que escolheu Sabedoria, agradou muito ao Senhor, e Ele atendeu o jovem rei prontamente (1Rs.3:11,12) - “E disse-lhe Deus: Porquanto pediste esta coisa e não pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos, mas pediste para ti entendimento, para ouvir causas de juízo; eis que fiz segundo as tuas palavras, eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual se não levantará”.

Nos dias de hoje, Deus oferece, a todos que desejarem, a dádiva suprema - o Senhor Jesus Cristo - “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl.2:3).

3. A sabedoria na prática de vida

Tiago escreveu em sua epístola que existe uma falsa sabedoria que se evidencia pela inveja e sentimento faccioso. Essa sabedoria não vem de Deus, mas é terrena, animal e diabólica (Tg.3.15).

Em primeiro lugar, essa falsa sabedoria se manifesta por meio de uma inveja amargurada (Tg.3:14,16). Isso está ligado à cobiça de posição e status. A sabedoria do mundo diz: promova a você mesmo; você é melhor do que os outros. Os discípulos de Cristo discutiam quem era o maior entre eles. Os fariseus usavam suas atividades religiosas para se promoverem diante dos homens (Mt.6:1-18). A sabedoria do mundo exalta o homem e rouba a Deus da Sua glória (1Co.1:27-31). O invejoso, em vez de alegrar-se com o triunfo do outro, alegra-se com seu fracasso. Ele não apenas deseja ter o que o outro tem, mas tem tristeza porque não tem o que é do outro. O invejoso é alguém que tem uma super preocupação com sua posição, dignidade e direitos.

Em segundo lugar, a falsa sabedoria manifesta-se através de um sentimento faccioso (Tg.3:14b,26b). Sentimento faccioso subentende a inclinação por usar meios indignos e divisórios para promover os próprios interesses. Paulo alertou em Filipenses 2:3 sobre o perigo de estarmos envolvidos na obra de Deus com motivações erradas, com vanglória e partidarismo.

A verdadeira sabedoria vem de Deus, do alto, visto que ela é fruto de oração (Tg.1:5), ela é dom de Deus (Tg.1:17). Essa sabedoria está em Cristo; Ele é a sabedoria que desejamos (1Co.1:30). Em Jesus nós temos todos os tesouros da sabedoria (Cl.2:3). Essa sabedoria está na Palavra de Deus, visto que ela nos torna sábios para a salvação (2Tm.3:15). Ela nos é dada como resposta de oração (Ef.1:17; Tg.1:5). Portanto, se alguém não tem a verdadeira sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente (Tg.1:5).

Tiago elenca vários atributos da verdadeira sabedoria que vem do alto (extraído do livro Tiago, de Hernandes Dias Lopes):

a) mansidão (Tg.3:13). Mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle. É o uso coreto do poder, assim como sabedoria é o uso correto do conhecimento.

b) pureza (Tg.3:17). A sabedoria de Deus é incontaminada, sem qualquer defeito moral e sem motivos ulteriores. Ela é livre de ambição humana e da autoglorificação. A sabedoria de Deus nos conduz à pureza de vida. A sabedoria do homem conduz à amizade com o mundo.

c) paz (Tg.3:17). A sabedoria divina não é contenciosa nem facciosa e nem beligerante. A sabedoria do homem leva à competição, rivalidade e guerra (Tg.4:1,2), mas a sabedoria de Deus conduz à paz. Essa é a paz produzida pela santidade e não pela complacência ao erro. Não se trata da paz que envolve o pecado, mas da paz fruto da confissão do pecado.

d) Indulgência (Tg.3:17). Essa característica da sabedoria do alto trata da atitude de não criar conflitos nem comprometer a verdade para manter a paz. É ser gentil sem ser fraco.

e) tratável (Tg.3:17). Essa sabedoria é aberta à razão; é ser uma pessoa comunicável, de fácil acesso. Jesus era assim: as crianças, os leprosos, os doentes, as mulheres, os publicanos, as prostitutas, os doutores, todos eles tinham livre acesso a Ele.

f) bons frutos (Tg.3:17). As pessoas sábias são frutíferas. Quem não produz frutos, produz galhos. A sabedoria de Deus é prática. Ela muda a vida e produz bons frutos para a gloria de Deus.

g) imparcial (Tg.3:17). Significa uma pessoa que não tem duas mentes, duas almas (Tg.1:6). Quando a pessoa tem a sabedoria de Deus, ela julga conforme a verdade e não conforme a pressão ou conveniência.

h) sincero, sem hipocrisia (Tg.3:17). O hipócrita é um ator que representa um papel diferente ao da sua vida real. Na sabedoria divina não existe jogo de interesse nem política de bastidor. O sábio não opera por detrás de uma máscara, supostamente para o bem de outros, mas visando seus próprios interesses; ele opera, sim, de forma transparente e sincero.

II. A CONSOLIDAÇÃO DO PODER

Salomão se tornou conhecido por sua sabedoria, bem como por ter tido um reinado longo, pacífico e próspero.

1. A glória do reino de Salomão

A glória do reino de Salomão foi uma promessa de Deus, resultado da sábia escolha que fizera no início do seu governo (1Rs.3:9), e que pareceu boa aos olhos do Senhor (1Reis 3:10). Durante o reinado de Salomão, a riqueza e o poder de Israel foram incomparáveis. Deus tinha prometido isso a Salomão (cf. 1Rs.3:13,14). Os quarenta anos do seu reinado foram de glória crescente para Israel. Vejamos algumas das principais características desse período:

·         Consolidação da paz, pela ostentação de poderio militar. O seu reinado não apenas se tornou amplo em termos territoriais, mas foi firmado e estabelecido em paz e justiça (1Rs.4:24). Durante o período do seu reinado, nenhuma nação poderosa atacou o povo de Deus.

·         Condições econômicas sem paralelo em toda a história de Israel. A nação de Israel tinha tanta fartura e vivia em tão boas condições que podia até festejar e se alegrar (1Rs.4:20).

·         Construção e dedicação do Templo idealizado por Davi, em Jerusalém. Sem dúvida, esta foi a maior obra realizada, ainda com reflexos atualmente.

Além do Templo, Salomão executou várias outras obras, como o palácio real e suas dependências e ainda fortificou as muralhas de Jerusalém e ergueu torres de vigia em diversos pontos. Todas essas obras demandaram elevados recursos, os quais, mais tarde, iriam refletir em impostos para o povo.

Outro ponto marcante de seu reinado foi a expansão comercial que trouxe abundantes riquezas. O comércio foi impulsionado, sendo que os israelitas estabeleceram laços comerciais com diversos povos vizinhos. No Golfo de Ácaba, ele mantinha uma frota de navios comerciais muito bem equipada. Conforme narra as Escrituras, os cedros utilizados na construção do Templo foram importados do Líbano.

Apesar de seu reinado ter sido pacífico, ele manteve seus exércitos bem equipados, principalmente com carros e cavalos de guerra. Ao contrário de seu pai, Salomão não foi e nem precisou ser um grande líder guerreiro. A extensão territorial herdada de Davi foi mantida durante seu reinado. Assim, ele se dedicou a desenvolver as atividades comerciais e também industriais, e melhorou o sistema administrativo, bem como estabeleceu e fortaleceu as relações diplomáticas com os povos vizinhos. Foi uma dessas alianças políticas que o levou a se casar com a filha de Faraó.

No Livro de Reis é mencionado que ele possuía setecentas mulheres e trezentas concubinas. Naqueles tempos antigos, e ainda mais no oriente, isso era considerado normal e aceito por todos. Por outro lado, de tempos em tempos surgia algum profeta contrário a essas práticas e as condenavam veementemente. E foi esses excessos que conduziram o rei a práticas de idolatria. Por causa disso, já no fim de sua vida, Deus falou-lhe que seu reino seria dividido. E assim aconteceu.

2. O orgulho precede a ruína

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa diz que a palavra “orgulho”, entre outros significados, quer dizer “sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor próprio, atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros”. O próprio Salomão disse que o orgulho precede a ruína (Pv.16:18). Infelizmente, ele caiu nesta armadilha.

O orgulho é um pecado que atua com força demolidora no coração humano. O orgulhoso julga-se grande e maior do que todos. Isso atenta contra Deus, pois só Ele é grande e glorioso. No princípio, quando o homem aceitou a proposta satânica de “ser igual a Deus”, estava se voltando para si mesmo, entendendo que poderia construir uma vida em que ele próprio fosse o centro e a razão de ser de tudo, em que se achava merecedor de ser o centro e o motivo da existência de todas as coisas, em que desprezava completamente a pessoa de Deus e tudo que o Senhor lhe havia feito até ali.

Salomão caiu na desgraça do ensoberbecimento. Por causa de seus relacionamentos e concessões realizadas com os reis ímpios circunvizinhos, Salomão, na sua velhice.11:4-6), se desviou dos caminhos do Senhor, deixou que o orgulho contaminasse sua índole. Deus estabeleceu uma condição a Salomão: “E, se andares nos meus caminhos guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como andou Davi, teu pai, também prolongarei os teus dias” (1Reis 3:14). Infelizmente, a grandeza do poder de Salomão fez com que ele se tornasse um rei orgulhoso, imoral e idólatra, quebrando assim o mandamento do Senhor. Isto o levou a ruína. A idolatria selou a queda de Salomão. Sem dúvida, a infidelidade de Salomão comprometeria não somente seu reino, mas tudo o que antes havia sido prometido ao povo de Deus, como descrito em Deuteronômio 11:16.

Como foi possível Salomão se desviar dos caminhos do Senhor depois de tudo quanto recebera dEle? O relato do esplendor do reino de Salomão em 1Reis 10:14-29 é uma sugestão do que pode ter acontecido: rodeado de tamanha riqueza, seu coração esfriou-se para com Deus. Tudo o que antes era usado para louvor ao Senhor tornou-se um fim em si mesmo. No capítulo 11 de 1Reis vemos claramente os resultados finais de sua infidelidade. 

Tanto sua ascensão como sua queda foram inigualáveis na história do povo de Deus: nenhum rei excedeu Salomão em sua ascensão, e nenhum veio a precipitar-se de tão alto como ele. A principal consequência do seu pecado foi a divisão do Reino de Israel, ocorrido no reinado do seu filho Roboão. Essa divisão foi catastrófica para o sucessor de Salomão e para o povo de Israel.

III. A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO

Salomão iniciou a construção do Templo de Jerusalém no ano quatrocentos e oitenta depois da saída do povo do Egito, no quarto ano do seu reinado, no mês segundo (1Rs.6:1), tendo concluído a obra em sete anos e seis meses (1Rs.6:38), mais precisamente no ano undécimo do seu reinado, no mês oitavo.

O Templo de Salomão foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, e sua beleza foi notória a todos os povos daquela época, numa clara demonstração de que era, efetivamente, segundo o propósito de Deus, uma referência do Deus único e verdadeiro a todas as nações.

Elaborado com o melhor material de construção da época e com incontáveis tesouros, seguia, basicamente, a mesma estrutura estabelecida por Deus a Moisés para o Tabernáculo. Na verdade, tratava-se do próprio Tabernáculo, mas sem o seu caráter móvel e rústico que era adequado e apropriado para o tempo da peregrinação no deserto.

Assim como o Tabernáculo, o Templo era dividido em três partes: os átrios ou “alpendre”, que eram a parte externa do Templo (2Cr.3:4), acessível a quase todos, salvo aqueles que foram proscritos (Dt.23:1-3); o lugar santo ou “casa grande” (2Cr.3:5), onde só podiam ingressar os sacerdotes oficiantes e, por fim, o lugar santíssimo (2Cr.3:8), onde só poderia ingressar, uma vez ao ano, no dia da expiação, o sumo sacerdote e aonde ficava a Arca da Aliança (Lv.16).

Após o término da construção, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa de dedicação. Depois de um breve discurso (2Cr.6:1-11), Salomão se dirigiu a Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (cf. 2Cr.6:14-42). Depois da dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (cf. 1Rs.9:1-9; 2Cr.7:11-22).

1. O nobre propósito de Salomão

O nobre propósito de Salomão era o mesmo de Davi: “edificar uma Casa ao nome do Senhor” (1Rs.5:5). O Templo seria o lugar onde Deus manifestaria continuamente a sua presença e glória, e o lugar para o povo reunir-se para adorá-lo (1Rs.8:15-21). O Templo foi edificado em Jerusalém, no monte Moriá (2Cr.3:1; cf. Gn.22:2), e foi concluído em sete anos (1Rs.6:38). Deus deu a Davi a planta do Templo por revelação do Espírito Santo (1Cr.28:12), e Davi por sua vez providenciou muitos dos recursos para a obra, antes de morrer. Na construção do Templo foram empregados diversos materiais de altíssimo valor, tais como cedro do Líbano e muito ouro. Todo o edifício foi revestido de ouro. O Lugar Santíssimo teve as paredes, o teto e o piso revestidos de ouro puro (1Rs.6:20-22). Salomão queria dar o melhor para a Casa do Senhor.

O Templo que abrigava a Arca do concerto (Ex.25:16) simbolizava a presença e a Pessoa de Deus entre seu povo. Ele refletia a verdade que Deus desejava estar entre o seu povo (Lv.26:12). Era um sinal e testemunho visível do seu relacionamento pactual com o seu povo (Ex.29:45,46), e foi edificado a fim de que o nome de Deus habitasse ali (1Rs.5:5; 8:16; 9:3). O nome de Deus é “santo” (Lv.20:3; 1Cr.16:10,35; Ez.39:7), por conseguinte, Deus queria ser conhecido e adorado por Israel como o Santo e o Santificador do seu povo (Ex.29:43-46; Ez.37:26-28).

Quando o Templo foi dedicado, Deus o encheu da sua glória (2Cr.7:1,2), e prometeu que poria o seu Nome ali (2Cr.6:20,33). Por isso, quando o povo de Deus orava ao Senhor, podia fazê-lo, voltado em direção ao Templo (2Cr.6:24,26,29,32), e Deus o ouviria “desde o seu templo” (Sl.18:6). Todavia, o Templo não oferecia nenhuma garantia absoluta da presença de Deus; simbolizava a presença de Deus somente enquanto o povo rejeitasse todos os ídolos e obedecesse aos mandamentos do Senhor.

O Templo também representava a Redenção de Deus para com o seu povo. Dois atos importantes tinham lugar ali: os sacrifícios diários pelo pecado, no altar de bronze (cf. Nm.28:1-8; 2Cr.4:1), e o Dia da Expiação, quando, então, o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo a fim de aspergir sangue no propiciatório sobre a Arca para expiar os pecados do povo (cf. Lv.16). Essas cerimônias do Templo relembravam aos israelitas o alto preço da sua redenção e reconciliação com Deus.

2. O templo do Espírito Santo

Ao povo de Deus da Nova Aliança, a ênfase do culto transferiu-se do Templo judaico para o próprio Jesus Cristo. É Ele, e não o Templo, quem agora representa a presença de Deus entre o seu povo. Ele é o Verbo de Deus que se fez carne (João 1:14), e nEle habita toda a plenitude de Deus (Cl.2:9). O próprio Jesus declarou ser Ele o próprio templo (João2:19-22). Mediante o seu sacrifício na cruz, Ele cumpriu todos os sacrifícios que eram oferecidos no Tabernáculo e no Templo (cf. Hb.9:1-10:18). Note também que, na sua fala à mulher samaritana, Jesus declarou que a adoração dentro em breve seria realizada, não num prédio específico, mas “em espírito e em verdade”, isto é, onde as pessoas verdadeiramente cressem na verdade da Palavra de Deus e recebessem o Espírito Santo por meio de Cristo (cf. João 4:23).

Tendo em vista que Jesus Cristo personificou em Si mesmo o significado do Templo, e posto que a Igreja é o Seu corpo (Rm.12:5; 1Co.12:12-27; Ef.1:22,23; Cl.1:18), ela é denominada “o templo de Deus”, onde habita Cristo e o Seu Espírito Santo (1Co.3:16; 2Co.6:16; Ef.2:21,22). Mediante o Seu Espírito, Cristo habita na sua Igreja, e requer que o Seu Corpo seja santo.

O Espírito Santo não somente habita na Igreja, mas também individualmente no crente como Seu Templo (1Co.6:19). Daí, a Bíblia advertir enfaticamente contra qualquer contaminação do corpo humano por imoralidade ou impureza. A recomendação que ecoa é: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16).

3. A glória do Senhor

Assim que a Arca (um tipo de Cristo) foi colocada no Templo, em seu devido lugar, a nuvem da glória do Senhor, que representava a presença de Deus, encheu o Templo.  O texto diz:

”Assim trouxeram os sacerdotes a arca do concerto do Senhor ao seu lugar, ao oráculo da casa, ao Lugar Santíssimo, até debaixo das asas dos querubins. E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor. E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Reis 8:6,10,11).

Os sacerdotes não conseguiram continuar a ministrar porque a glória do Senhor enchera o Templo. Foi sem dúvida uma magnifica ocasião, um dia altamente sagrado, quando Deus assumiu o completo controle e, aqueles que normalmente seriam os condutores dos acontecimentos, passaram a um segundo plano.

A presença divina como uma nuvem escura, misteriosa e aterrorizante, representa duas grandes verdades a respeito de Deus. Por um lado, sugere que o Senhor, que é santo e transcendente, não pode ser visto pelos homens finitos. Por outro lado, sugere que Deus é imanente e que a sua morada é entre o seu povo.

A glória de Deus se refere à presença visível de Deus entre o seu povo, gloria esta que é conhecida como “shekinah”. Esta é uma palavra hebraica que significa “habitação [de Deus]”, empregada para descrever a manifestação visível da presença e glória de Deus.

Moisés viu a “shekinah” de Deus na coluna de nuvem e de fogo (Êx.13:21). Em Êx.29:43 é chamada “minha glória” (cf. Is.60:2). Ela cobriu o Sinai quando Deus outorgou a Lei (Êx.24:16,17), encheu o Tabernáculo (Êx.40:34), guiou Israel no deserto (Êx.40:36-38) e posteriormente encheu o Templo de Salomão (2Cr.7:1; 1Rs.8:11-13). Mais precisamente, Deus habitava entre os querubins no Lugar Santíssimo do Templo (1Sm.4:4; 2Sm.6:2; Sl.80:1).

Ezequiel viu a glória de Deus levantar-se e afastar-se do Templo por causa da idolatria contumaz do povo de Israel (cf. Ez.10:4,18,19).

No Novo Testamento, o equivalente da glória “chekinah” é Jesus Cristo que, como a glória de Deus em carne humana, veio habitar entre nós (João 1:14). Os pastores de Belém viram a glória do Senhor no nascimento de Jesus (Lc.2:9), os discípulos a viram na transfiguração de Cristo (Mt.17:2; 2Pd.1:16018) e Estevão a viu na ocasião do seu martírio (At.7:55). Onde a Palavra de Deus habita e é obedecida, ali permanece a glória divina.

CONCLUSÃO

Em Seu grande amor pelo povo escolhido, Deus lhe concedeu muitas promessas de bênção e prosperidade. Em tempo oportuno, muitas destas promessas, feitas ao longo da História foram cumpridas na ascensão de Salomão. Este grande rei de Israel, em seu governo, proporcionou ao povo de Deus um longo período de paz, harmonia e prosperidade. Mas muitas promessas eram condicionais. A fidelidade do Senhor deveria ser continuamente retribuída por meio de uma obediência genuína à Sua palavra. Salomão achou que sua sabedoria poderia ser um substituto para a obediência, e esta foi uma conclusão perigosa. Mais tarde todos os privilégios foram convertidos em provações, um contraste penoso para o povo de Deus no tempo de Salomão. Se antes de recebermos a ajuda divina somos dependentes do Senhor, muito mais deveríamos ser depois das bênçãos por Ele concedidas. 

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Fonte:


Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC