free counters

Seguidores

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

2ª lição do 4º trimestre de 2021: AULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR



 4º Trimestre/2021


Texto Base: Atos 8:1-3; 22:4,5; 26:9-11

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote” (At.9:1).

V.P.: “A Igreja é uma instituição divina que perdurará na Terra até o arrebatamento, pois do contrário, já teria acabado ao longo da história”.

 

Atos 8:

1.E também Saulo consentiu na morte dele [Estevão]. E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os apóstolos.

2.E uns varões piedosos foram enterrar Estevão e fizeram sobre ele grande pranto.

3.E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.

Atos 22:

4.Persegui este Caminho até a morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres,

5.como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.

Atos 26:

9. Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus, o Nazareno, devia eu praticar muitos atos,

10.o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles.

11.E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos de Paulo, antes da sua conversão. Ele tinha a fama de perseguidor da Igreja em seu princípio. Ele mesmo fez uma digressão para registrar seu passado inglório como implacável perseguidor da Igreja. Sendo um fariseu zeloso (Fp.3:5), tornou-se líder destacado do judaísmo (Gl.1:14). Levantou-se como ferrenho perseguidor da Igreja; como uma fera selvagem, respirava ameaças e morte contra a igreja (Atos 9:1); assolou e devastou a Igreja (At.8:3; Gl.1:13); exterminou discípulos de Cristo em Jerusalém (At.9:21).

Paulo perseguiu o “Caminho” até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres (Atos 22:4). Fez muitas coisas contra o nome de Cristo (At.26:9). Encerrou muitos dos santos em prisão e votava contra eles quando eram condenados à morte (At.26:10). Afligia os crentes nas sinagogas, forçando-os a blasfemar e, enfurecido, os perseguia até por cidades estranhas (At.26:11). Era como um touro indomável que não queria ser amansado (At.26:14). Teve de ser jogado ao chão e quebrantado para reconhecer que o Jesus que ele perseguia era o Messias que tanto o seu povo esperava. Sua conversão foi uma grande bênção para a Igreja. Somente em Jesus Cristo o ser humano pode receber a devida transformação de caráter. No mundo de hoje existe perseguição em todos os lugares e de todas as facetas; esperamos que o Senhor transforme os perseguidores da Igreja, que não são poucos, em fiéis seguidores de Cristo e defensores da flâmula do Evangelho.

I. SAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL

1. Saulo se descreve como “blasfemo”, “perseguidor” e “opressor” (1Tm.1:13)

“...dantes, fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade” (1Tm.1:13).

Neste texto Paulo usa três palavras para descrever a si mesmo no período que ele perseguia os cristãos:

ü  A primeira palavra: blasfemo. Ele falava mal dos cristãos e de seu Senhor, Jesus Cristo.

ü  A segunda palavra: perseguidor. Efe prendeu os cristãos, açoitou-os, forçou-os a blasfemar e deu voto para matá-los ao perceber que a religião do Caminho era uma ameaça ao judaísmo.

ü  A terceira palavra: insolente. Para levar a cabo seu plano opressor, ele sentia um prazer mórbido em afligir de forma violenta os cristãos.

Como blasfemo, afligiu os cristãos apenas com palavras insultuosas. Como perseguidor, infligiu sofrimento físico. Como insolente, atacou os cristãos com crueldade e abuso. Ele “respirava ameaças e morte” contra os discípulos de Jesus (At.9:1); não via nenhum problema em prender e arrastar presos para Jerusalém todos os que professavam o nome do Nazareno (At.9:2). Ele acreditava piamente que, com esse comportamento, estava agradando a Deus. Apoiado pela casta sacerdotal que odiava o nome de Jesus, Saulo usava dos meios legais para atacar os cristãos. Por causa de sua truculência, os seguidores de Jesus tiveram que fugir para outras cidades. Contudo, para com esse homem bárbaro a graça de Deus superabundou; ele foi plenamente alcançado pela misericórdia de nosso Senhor Jesus.

2. As ameaças de Saulo de Tarso

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote” (Atos 9:1).

Antes de sua conversão a Cristo, tudo o que Paulo pensava, falava e fazia era dominado pelo seu desejo de aniquilar os seguidores de Jesus Cristo. Munido de cartas do sumo sacerdotes da época, rumou para Damasco, respirando ameaças e morte, com o objetivo de prender homens e mulheres seguidores de Cristo, levando-os manietados a Jerusalém. Damasco era residência de muitos judeus; a cidade era um centro comercial para onde convergiam caravanas de todas as direções do mundo antigo e onde a fé cristã começou a florescer. Paulo percebeu que, de Damasco, o evangelho de Cristo se espalharia por todo o mundo.

O sumo sacerdote era o cabeça do Sinédrio, o qual, como corpo judiciário, possuía jurisdição sobre os judeus residentes em Jerusalém, na Palestina e na dispersão. Assim, tinha o poder de expedir mandados para as sinagogas de Damasco, a fim de prender os cristãos judeus que ali residiam. Como a Igreja de Jerusalém foi duramente perseguida (Atos 8:3), muitos cristãos fugiram, mas não deixaram de pregar o evangelho (Atos 8:4). Alguns deles, escapando da implacável perseguição, foram para Damasco, onde havia muitas sinagogas. Paulo sabendo disto, e munido de cartas de autorização do sumo sacerdote, ou seja, de ordens de extradição, ainda respirando ameaças e morte contra os discípulos do Senhor dispõe-se a ir a Damasco para manietar, prender e arrastar presos para Jerusalém aqueles que confessavam o nome de Cristo (Atos 9:1,2).

Paulo perseguia os discípulos de Cristo do mesmo modo que uma fera selvagem caça a sua presa. Na linguagem dos crentes de Damasco, Paulo era um exterminador (Atos 9:21). Em suas próprias palavras, ele estava demasiadamente enfurecido. Era um monstro malfeitor, um carrasco impiedoso, um perseguidor truculento, um tormento na vida dos cristãos no princípio da Igreja.

3. Por que Saulo perseguia os cristãos?

Diante do Sinédrio, Paulo disse: “Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres” (Atos 22:4). Ao ouvir a pregação de Paulo, logo depois de sua conversão, o povo de Damasco reafirmou como Paulo perseguiu implacavelmente os crentes: “...Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?” (Atos 9:21).

Por que, então, Saulo perseguia ferozmente os cristãos? Por causa de seu zelo destrutivo pela Lei mosaica (a Torah) e o suposto fato religioso de que Jesus era um impostor, um “blasfemo”. Logo, não aceitava que um nazareno, crucificado como um criminoso, pudesse ser o Messias prometido por Deus. Não aceitava que os cristãos anunciassem a ressurreição daquele que havia sido pendurado numa cruz. Não aceitava que uma pessoa pregada na cruz, considerada maldita (Dt.21:23), pudesse ser o Salvador do mundo. Por isso, para Saulo, nosso Senhor não passava de um blasfemo. Mais tarde, por ocasião de sua conversão, ele descobriu que Cristo assumiu a maldição da Lei e, por isso, nos livrou dessa maldição (Gl.3:13). O zelo sem entendimento pode levar um homem a fazer loucuras.

Na verdade, o ódio de Paulo não era propriamente contra os cristãos, mas contra Cristo, pois ao perseguir a Igreja, ele estava perseguindo o próprio Cristo. Por isso, ao aparecer a ele no caminho para Damasco, Jesus pergunta: “Saulo, Saulo, por que me persegues? “ (Atos 9:4). Ele, então, retruca: “Quem és tu, Senhor?” E obtém a resposta: “E sou Jesus, o Nazareno a quem tu persegues” (Atos 9:5). Paulo testemunhou ao rei Agripa sobre isso: “na verdade, a mim me parecia que muitas cousas deviam eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (Atos 26:9). Seu coração estava cheio de ódio e sua mente estava envenenada por preconceitos.

II. A PERSEGUIÇÃO CONTRA A IGREJA DE CRISTO

1. Contra os seguidores de Jesus

Paulo atacou furiosamente os cristãos. Ananias, morador de Damasco, disse ao Senhor acerca dele: “...Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e para aqui trouxe autorização dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome” (Atos 9:13,14).

Paulo era uma fera selvagem, uma ameaça concreta para todos aqueles que confessavam o nome de Jesus. Não poupava homens nem mulheres. Perseguiu os seguidores de Cristo até à morte (Atos 22:4). Estava determinado a praticar muitas coisas contra o nome de Jesus, o Nazareno (Atos 26:9). Ele estava determinado a banir da terra o cristianismo. O fanatismo religioso sem fundamento, ilógico, fora da baliza bíblica, baseado apenas nos dogmas humanos, faz com que o fanático cometa loucuras.

A Bíblia faz descrições dos variados métodos usados por Paulo para perseguir os seguidores de Cristo (adaptado do livro Paulo, de Hernandes Dias Lopes). Cito apenas três métodos:

a) Paulo perseguia os seguidores de Cristo usando o recurso da Lei. Paulo usava sua influência e seu trânsito no sinédrio para munir-se de cartas de autorização dos principais sacerdotes a fim de encerrar em prisões e matar os cristãos (Atos 26:10). Sua perseguição tinha um ar de legalidade e oficialidade. Ele representava o braço repressor da Lei religiosa. Ele lançava mão de artifícios legais para impor aos discípulos de Cristo as mais duras sanções. É importante ressaltar que nem tudo o que é legal é moral. Nem tudo que é lícito é conveniente. Nem tudo o que a lei permite deve ser feito. Há muitos facínoras que se escondem atrás da lei para matar e oprimir os inocentes. Há muitos espertalhões que, despudoradamente, beneficiam-se das filigranas da lei para se abastecerem e oprimirem o pobre e indefesos. Há aqueles que fazem as leis, torcem-nas e as manipulam para alcançar seus propósitos escusos e inconfessos.

b) Paulo perseguia os seguidores de Cristo em seus redutos religiosos. Paulo perseguia e castigava os cristãos por todas as sinagogas em Jerusalém, bem como por cidades estranhas (Atos 26:1). Sua área de jurisdição transcendia os limites da Palestina. Suas cruzadas furiosas avançavam além dos limites de Israel e chegavam até Damasco, na Síria (Atos 9:1,2). As sinagogas eram os locais principais de reunião, onde os judeus se congregavam para estudar a Lei e orar. Ali também os cristãos se reuniam para adorar Cristo e cultuá-lo. Porém, o lugar de comunhão transformou-se num palco de opressão. O abrigo da sinagoga tornou-se um corredor de perseguição. Paulo não respeitava os recintos sagrados. Ele pensava com isso estar prestando um serviço a Deus. Ledo engano! Muitos fanáticos religiosos desta estirpe continuam existindo no mundo de hoje, aos montões.

c) Paulo empregava a tortura psicológica. A perseguição impetrada por Paulo não consistia apenas em sanções legais contra os novos convertidos. Ele os castigava não apenas fisicamente, mas também psicologicamente. Ele mesmo testemunha isso: “muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar...” (Atos 26:11). Ele era blasfemo (1Tm.1:13) e forçava os neófitos a blasfemarem. Alguns crentes, novos na fé, com medo da morte, recuavam e blasfemavam. Outros, porém, suportavam os açoites, as prisões e a morte, permanecendo fiéis (Atos 26:10). A tortura psicológica é pior do que o castigo físico. Os campos de concentração nazistas usaram esse artificio maligno e levaram muitas pessoas à loucura. Ainda hoje, a tortura é um dos instrumentos mais aviltantes e ignominiosos, usados para arrancar confissões e declarações que incriminam as vítimas ou aqueles que se quer condenar.

2. Saulo de Tarso e Estevão

Estêvão é considerado o primeiro mártir do cristianismo, e Paulo teve uma participação crucial em sua morte. Ele teve plena culpa, pois era uma autoridade do Sinédrio e tinha o poder de impedir aquele massacre. Está escrito que quando Estêvão foi apedrejado em Jerusalém, e se derramava o seu sangue, Paulo consentia em sua morte, e fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a Igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os apóstolos (Atos 8:1). Está escrito que Paulo guardava as vestes daqueles que apedrejavam Estêvão (Atos 22:20).

Mas, a perseguição e a morte de Estêvão foram como o vento que atiçou o fogo do Espírito; em vez de desanimar a Igreja, animou-a, promoveu-a. O martírio de Estêvão provocou a perseguição; a perseguição desembocou na dispersão (Atos 8:4); e a dispersão redundou na evangelização – “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a Palavra” (Atos 8:4).

Do ponto de vista humano, aquele foi um dia tenebroso para os crentes, mas do ponto de vista de Deus foi o começo de uma grande revolução espiritual, quando a Igreja alargou suas fronteiras em direção aos confins da terra. Com a morte de Estêvão um vento forte de perseguição soprou sobre a Igreja. Mas a perseguição é como o vento em relação à semente, apenas a espalha.

3. Uma intolerância religiosa e política contra a Igreja atual

Desde o seu nascedouro, a Igreja foi e está sendo perseguida. Satanás nunca a deixou quieta. Assim que uma pessoa aceita a Cristo e passa a pertencer à Igreja, começa a ter em seu encalço o adversário, que não descansa enquanto não conseguir tirar essa pessoa da Luz, trazendo-a de volta para as trevas. É uma luta incansável do adversário e, por isso, o Senhor nos manda ter bom ânimo, pois não podemos nos cansar. Enquanto a Igreja estiver aqui na Terra, passará por perseguições. O apóstolo Paulo ressaltou isso quando escreveu ao jovem Timóteo: “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm.3:12).

Estêvão, um dos primeiros mártires da Era Cristã, sentiu na pele o peso da perseguição (Atos 7:52), mas não apenas ele, a Igreja primitiva pagou um alto preço por seguir a Jesus (Hb.11:38; 1João 3:12); basta ler as histórias dos mártires do Coliseu para constatar. Paulo é um caso especial de alguém que perseguiu e depois passou a ser perseguido (At.9:1-9; Fp.3:6; 1Co.15.32; 2Co.11.23). No Apocalipse, a igreja de Esmirna, tipifica a Igreja perseguida e vitoriosa (Ap.2:9,13).

As perseguições contra a Igreja nunca cessaram; Satanás sempre “bateu” de frente com a Igreja, mas perdeu todas. O Senhor Jesus havia dito que “...as portas do inferno não prevalecerão contra ela”(Mt.16:18). A opressão sofrida pela Igreja, ao longo do tempo, se deu de várias maneiras: por meios religiosos, teológicos, em cumprimento a determinações legais, políticos e/ou culturais.

Em muitos lugares esses elementos foram e são aplicados de modo integrado a fim de que os perseguidos não encontrem escapatória. Na Idade Média, vários foram os instrumentos destrutivos que os Papas usavam para intimidar os crentes fiéis, e uma delas, foi a satânica “santa inquisição”. Muitos cristãos foram queimados vivos nas fogueiras do ódio, mas Satanás fracassou outra vez. Os cristãos perseguidos por toda Europa, começaram a migrar para a América. Acabaram construindo nela a maior potência da Terra e, através dela, o Evangelho foi sendo alcançado por todo o mundo, tendo inclusive chegado ao Brasil. Deu tudo errado para Satanás. A Igreja tendo o Senhor Jesus como seu Comandante, venceu, e seguiu triunfante.

Como bem diz o pr. Elienai Cabral, “a igreja atual continua a despertar fúrias de certas autoridades políticas e religiosas que não aceitam a mensagem de liberdade e vida que o Evangelho proporciona. Nossos irmãos, que servem a Deus em países políticos e religiosamente fechados para o Evangelho, continuam a pagar, com a própria vida, a fidelidade à mensagem de Cristo”.

Além da perseguição tradicional aos cristãos, há a perseguição mais sofisticada, que se dá no campo cultural. Por exemplo, quando tentam reduzir a vivência da fé à vida privada dos cristãos, trata-se de uma perseguição cultural e ideológica. A perseguição cultural, também, manifesta-se por meio da literatura anticristã e através da indústria de entretenimento. Escritores e intelectuais seculares, a serviço do inferno, têm feito de tudo para profanar e perverter o evangelho de Cristo. Certo autor, de renome internacional, publicou alguns anos atrás um livro que relata uma falsa história sobre a vida sentimental de Jesus. Além da literatura, outras manifestações culturais têm sido usadas para desqualificar e desacreditar o Cristianismo. Peças teatrais, filmes como "a última tentação de Cristo", músicas, pinturas, e outras formas de expressão artística têm sido manipuladas pelo Diabo para afastar as pessoas do evangelho de Cristo.

Hoje, a perseguição é camuflada; Satanás, sutilmente, está usando pessoas de dentro da Igreja (falsos mestres e falsos pastores) para persegui-la, com disseminação de falsas teologias, falsas doutrinas, falsos ensinos. Peçamos a Deus o dom de discernimento, ele é indispensável nestes últimos dias da Igreja.

“A igreja permanece fiel ao seu caráter ao preservar sua distinguibilidade. Ela não faz nenhum favor à sociedade adaptando-se à cultura popular prevalecente, porque falha em sua tarefa justamente no ponto em que deixa de ser ela mesma. Quando a Igreja adota uma ética moral formada pela cultura popular prevalecente, está negando sua natureza. A igreja deve ser ela mesma pelo bem da humanidade. É o papel da Igreja servir e transformar a sociedade e suas instituições. Para realizar esta tarefa, a igreja deve ser a Igreja e não se assimilar com a cultura popular prevalecente” (JOHNS, C.B.;WHITE, V.W. A ética de ser: caráter, comunidade, práxis. In: PALMER, M.D. (ed.).

III. QUANDO UM SISTEMA SE VOLTA CONTRA A IGREJA

1. Como era a perseguição contra os primeiros discípulos?

A perseguição era violenta, selvagem, em excesso, sem medidas e contínua. A perseguição aos primeiros cristãos em Israel foi deflagrada pelos expoentes do judaísmo, dentre eles se destacava Saulo de Tarso. Este usou todas as suas forças e toda a sua influência nessa causa ensandecida. Como uma fera selvagem, que salta sobre a presa para devorá-la, esse fariseu fanático se lançou contra a Igreja de Deus, exterminando os discípulos de Jesus.

Paulo se revelou como antagonista implacável do evangelho porque ele se achava um judeu exemplar, um fariseu zeloso da Lei mosaica; ele entendia que praticar essas barbáries era defender a fé judaica, livrando os judeus dos “hereges”. Ele mesmo declarou aos destinatários da Epístola aos Gálatas, o seu passado de cruel perseguidor da Igreja: “Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gl.1:13). Ele assim se expressou aos irmãos filipenses: “circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu, segundo o zelo, perseguidor da igreja” (Fp.3:5,6). “As perseguições desmedidas brotam do zelo desmedido pelas tradições paternas”.

Paulo disse que era o menor dos apóstolos, que não era mesmo digno de ser chamado apóstolo, pois perseguiu a Igreja de Deus (1Co.15:9). Ele devastou a Igreja (Gl.1:13), assolou a Igreja (Atos 8:3) e exterminou em Jerusalém aqueles que invocavam o nome de Jesus (Atos 9:21). Ele prendia os cristãos, mandava açoitá-los e não havia escrúpulos nem mesmo com as mulheres e crianças (Atos 9:21; 22:5). Ele não respeitava domicílio doméstico, pois entrava nas casas e arrastava homens e mulheres para lançá-los na prisão (Atos 8:3). Não poupava nem os lugares sagrados, pois entrava nas sinagogas para castigar os crentes, forçando-os a blasfemar.

Depois de lançar muitos dos santos nas prisões, contra eles dava o seu voto, quando os matavam (Atos 26:9-11). Paulo perseguiu os cristãos (Atos 26:11), a religião dos cristãos (Atos 22:4) e o Deus dos cristãos (Atos 26:9). O próprio Jesus havia alertado os discípulos que eles seriam perseguidos: “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus” (João 16:2).

2. Perseguição, tortura e método

Como já disse no item 1 do tópico II, Paulo castigava os cristãos não apenas fisicamente, mas também psicologicamente. Ele mesmo testemunha isso: “muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar...” (Atos 26:11). Ele era blasfemo (1Tm.1:13) e forçava os cristãos a blasfemarem. Alguns crentes, novos na fé, com medo da morte, recuavam e blasfemavam; outros, porém, suportavam os açoites, as prisões e a morte, permanecendo fiéis (Atos 26:10). A tortura psicológica é pior do que o castigo físico. Os campos de concentração nazistas usaram esse artificio maldito e levaram muitas pessoas à loucura. Ainda hoje, a tortura é um dos instrumentos mais aviltantes e ignominiosos, usados para arrancar confissões e declarações que incriminam as vítimas ou aqueles que se quer condenar.

3. Perseguição aos pentecostais

A perseguição aos cristãos é um fenômeno que ocorreu em toda a história do Cristianismo, desde o seu nascimento, sob o judaísmo, passando pelos primeiros séculos, sob o Império Romano, e chegando até os nossos dias em que a perseguição é efetivada de forma cruel nos países mulçumanos e nos países de sistema de governo comunista. Atualmente, no mundo inteiro, principalmente nos países mulçumanos, na Índia, nos países sob capitalismo de Estado – como a China, a Coreia do Norte, Laos, Cuba, dentre outras – a perseguição aos cristãos, de várias denominações, está sendo brutalmente acontecida. Os órgãos que se dizem proteger os direitos humanos, fazem vistas grossas quando o assunto é perseguição aos cristãos, principalmente se os perseguidores forem os mulçumanos e o governo da China. Nos países muçulmanos, a lei islâmica proíbe a conversão de um muçulmano ao cristianismo. Os casos de maus tratos são bastante numerosos, pois, nesses países, pela lei, um muçulmano que se converte ao Cristianismo é passível de pena de morte, e, quando isto não acontece, há aprisionamentos, torturas e pesadas multas. A agressão não é somente física, também, principalmente, psicológica.

Muitos são os relatos das grandes dificuldades que nossos irmãos passam em países inimigos de Cristo por causa de sua fé. “Há países que, devido seus maiores envolvimentos com a economia global, não executam a matança em massas de cristãos, mas coloca a vida deles sob rígida vigilância. Entretanto, o que o regime considera ilegal, trata os cristãos supostamente fora da lei com prisão e brutalidade. Há outros regimes que nem aparência de civilidade há. Por isso, oremos pela igreja perseguida!”.

Aqui no Brasil, atualmente, temos uma aparente liberdade de culto e religião, amparado na Constituição. Mas, como bem diz o pr. Elienai Cabral, “no início do Movimento Pentecostal no Brasil, nossos pioneiros sofreram toda sorte de perseguição e violência. Muitos deles sofreram agressões físicas e psicológicas. Tudo isso porque pregavam uma doutrina que a religião oficial não aceitava. O que dizer de Daniel Berg e Gunnar Vingren, os primeiros pastores dos primórdios das Assembleias de Deus no Brasil? E tantos outros irmãos perseguidos nesses rincões brasileiros?”. Dentre os evangélicos, somos maioria no Brasil, mas ao olhar para o passado, devemos enxergar o presente e conscientizar-se de que a obra pentecostal custou um alto preço.

CONCLUSÃO

Desde o seu princípio, a Igreja é perseguida. Se ela não fosse uma instituição divina, edificada pelo próprio Cristo, ela não existiria mais. E enquanto ela estiver aqui na Terra, passará por perseguições; afinal, como bem ressaltou o apóstolo Paulo escrevendo ao jovem Timóteo, “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm.3:12). Mas não devemos temê-las, cientes de que as venceremos pela fé em Cristo (1João 5:4). Temos, também, a certeza dAquele que está conosco, de que as portas do inferno não resistirão a força de Sua Igreja (Mt.16:18).

-------------------

Fonte: Luciano de Paula Lourenço 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

12ª lição do 3º trimestre de 2021: REINADO DE JOSIAS


 

3º Trimestre/2021


Texto Base: 2 Reis 22:3-5,8; 23:2-5,21,22,25

 

“Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã; achei o livro da Lei na Casa do Senhor. E Hilquias deu o livro a Safã, e ele o leu” (2Rs.22:8).

 

V.P.: “Nos dias de hoje, Deus ainda levanta homens e mulheres dispostos a combater a cultura da idolatria que se perpetua através das gerações”.

2 Reis 22:

3.Sucedeu, pois, que, no ano décimo-oitavo do rei Josias, o rei mandou o escrivão Safã, filho de Azalias, filho de Mesulão, à Casa do SENHOR, dizendo:

4.Sobe a Hilquias, o sumo sacerdote, para que tome o dinheiro que se trouxe à Casa do SENHOR, o qual os guardas do umbral da porta ajuntaram do povo.

5.E que o deem na mão dos que têm o cargo da obra e estão encarregados da Casa do SENHOR; para que o deem àqueles que fazem a obra que há na Casa do SENHOR, para repararem as fendas da casa:

8.Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da Lei na Casa do SENHOR. E Hilquias deu o livro a Safã, e ele o leu.

2Reis 23:

2.E o rei subiu à Casa do SENHOR, e com ele todos os homens de Judá, e todos os moradores de Jerusalém, e os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se achou na Casa do SENHOR.

3.E o rei se pôs em pé junto à coluna e fez o concerto perante o SENHOR, para andarem com o

SENHOR, e guardarem os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o coração e com toda a alma, confirmando as palavras deste concerto, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo esteve por este concerto.

4.E o rei mandou ao sumo sacerdote Hilquias, e aos sacerdotes da segunda ordem, e aos guardas do umbral da porta que se tirassem do templo do SENHOR todos os utensílios que se tinham feito para Baal, e para o bosque, e para todo o exército dos céus; e os queimou fora de Jerusalém, nos campos de Cedrom, e levou as cinzas deles a Betel.

5.Também destituiu os sacerdotes que os reis de Judá estabeleceram para incensarem sobre os altos nas cidades de Judá e ao redor de Jerusalém, como também os que incensavam a Baal, ao sol, e à lua, e aos mais planetas, e a todo o exército dos céus.

21.E o rei deu ordem a todo o povo, dizendo: celebrai a Páscoa ao SENHOR, vosso Deus, como está escrito no livro do concerto.

22.Porque nunca se celebrou tal Páscoa como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Judá.

25.E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao SENHOR com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a Lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro tal.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do reinado de Josias, que governou o reino de Judá no período de 639-609 a.C. Ele tinha apenas oito anos quando se tornou rei das duas tribos meridionais de Israel - Judá e Benjamin; reinou trinta e uno anos (2Cr.34:1). Quando começou a reinar era muito jovem, por isso, no começo, alguns mais experientes o ajudaram a governar.

Josias foi um dos poucos bons reis de Judá; aliás, foi o último dos reis bons de Judá. Depois de já ter sido rei por sete anos, ele começou a buscar ao Senhor. O cronista escreveu dizendo que no oitavo ano de seu reinado, ou seja, quando tinha 16 anos de idade, o rei “começou a buscar o Deus de Davi, seu pai” (2Cr.34:3). Diferente de seu pai e avô, Josias prezou pelo culto ao verdadeiro Deus; ele seguiu o exemplo dos reis bons, tais como Davi, Jeosafá e Ezequias. Quando ele soube o que estava escrito no Livro da Lei, após ser encontrado dentro do Templo, iniciou em todo o reino a maior e mais impactante renovação religiosa e espiritual vista entre todas as tribos de Israel. Assim como fez Ezequias, ele expurgou o reino de Judá de todas as falsas divindades ali colocadas por seus ancestrais. Depois dele nunca mais houve um rei que se voltasse para o Senhor de todo o coração.

I. JOSIAS REPARA O TEMPLO

1. “Achei o Livro da Lei no Templo do Senhor”

No décimo oitavo ano de seu reinado, quando estava com 26 anos de idade, Josias liderou uma campanha de arrecadação de dinheiro e materiais para reparar o Templo, que estava abandonado. O dinheiro arrecadado para a reforma foi entregue a trabalhadores para custear a mão de obra e materiais. Uma vez que os trabalhadores eram honestos, não se pediu que prestassem conta do dinheiro que lhes foi entregue (cf. 2Reis 22:1-7). Nessa época, as Escrituras Sagradas estavam totalmente perdidas e esquecidas; por causa da longa sucessão de reis perversos, a Palavra de Deus perdeu-se; foi achado no meio dos entulhos que tinham se acumulado no interior do Templo. Enquanto os trabalhares faziam os reparos, o sumo sacerdote Hilquias encontrou uma cópia do Livro da Lei, talvez o Pentateuco completo ou o livro de Deuteronômio - “Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da Lei na Casa do SENHOR. E Hilquias deu o livro a Safã, e ele o leu” (2Rs.22:8). Isto demonstra com clareza como estava o nível de espiritualidade do povo de Judá; havia um claro desinteresse pelas coisas de Deus, e até mesmo o sumo sacerdote estava conivente e responsável direto por este desprezo pela Palavra de Deus; era ele quem deveria zelar, não apenas pelo Livro Sagrado, mas pelo cumprimento dos ditames divinos expressos nele.

Quando a Palavra de Deus foi encontrada, e ao saber do conteúdo do santo Livro, o escrivão Safã levou-o imediatamente ao rei Josias e o leu diante dele (2Rs.22:10). O rei Josias ao ouvir a leitura da Palavra de Deus, se deu conta do quanto a nação havia se afastado do Senhor; logo percebeu que eram necessárias drásticas mudanças para que o reino estivesse de acordo com os mandamentos do Senhor. Em nossos dias temos a Palavra de Deus em nossas mãos; que mudanças, então, devemos fazer a fim de adequar nossa vida aos padrões da Bíblia Sagrada?

2. O rei rasgou suas vestes

O rei Josias ficou tão fascinado diante da realidade de o povo haver descumprido o conteúdo do Livro Sagrado, que numa demonstração de profunda tristeza e amargura, rasgou as suas vestes e chorou (2Rs.22:11,19); ele não culpou a ninguém, simplesmente se humilhou rasgando suas vestes, demonstrando piedade no seu coração. Josias logo desejou entender, com maior certeza, o que Deus faria com o seu povo diante de tão vis pecados cometidos. Então enviou seus oficiais para consultar o Senhor, pois percebeu que o furor de Deus pairava sobre Judá por causa de seus pecados (2Rs.11-13).

“Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei as palavras do livro da Lei, rasgou as suas vestes. E o rei mandou a Hilquias, o sacerdote, e a Aicão, filho de Safã, e a Acbor, filho de Micaías, e a Safã, o escrivão, e a Asaías, o servo do rei, dizendo: Ide e consultai ao Senhor por mim, e pelo povo, e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem conforme tudo quanto de nós está escrito”.

Essa atitude de piedade de Josias comoveu o coração de Deus, que teve misericórdia dele, e o ouviu. Está escrito: “Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor, quando ouviste o que falei contra este lugar e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para maldição, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor” (2Reis 22:19).

Josias demonstrou seu arrependimento de acordo com os costumes de sua época. Em nossos dias, quando nos arrependemos, não rasgamos nossas vestes, mas choramos, jejuamos, retratamo-nos ou pedimos perdão a Deus e ao próximo (caso o nosso pecado tenha envolvido outras pessoas); isto demonstra a sinceridade de nosso arrependimento. A parte mais difícil do arrependimento é mudar as atitudes que inicialmente produziram o comportamento pecaminoso.

Após apenas uma leitura da Palavra de Deus, Josias mudou o curso da nação; propôs imediatamente rigorosas reformas, não só no aspecto material, mas, principalmente, no aspecto religioso. Hoje muitas pessoas possuem Bíblias de muitas versões e traduções, em papel e em meios eletrônicos, mas poucas pessoas são influenciadas pelas verdades encontradas na Palavra de Deus.

3. Entendendo a vontade de Deus

Por ordem de Josias, o sumo sacerdote Hilquias e seus auxiliares foram consultar a profetisa Hulda, que morava na cidade baixa de Jerusalém, numa região ou bairro da cidade. Não procuraram Jeremias nem Sofonias, que também exerciam o ministério de profeta na época. Deus escolhe livremente os seus servos para realizarem a sua vontade – ricos ou pobres, homens ou mulheres, reis, súditos, livres ou escravos (Jl.2:28-30). Hulda era obviamente respeitada pelo povo de sua época.

Josias queria saber se os pecados de Judá tinham atingido o nível do juízo divino, e a profetiza Hulda confirmou o temor do rei: Deus castigaria Judá em breve por causa da corrupção do povo; acrescentou, porém, que o castigo não aconteceria em seu tempo, pois o povo se humilhara e demonstrara arrependimento (2Rs.22:14-20). Contudo, o avivamento espiritual por intermédio de Josias apenas adiou a destruição iminente de Judá, mas não pode evitá-la (Jr.11:9 17; 13:27).

Quando o povo de Deus persiste no pecado, atinge um ponto em que o castigo será inevitável. Em Israel e em Judá, o povo de Deus, por um excessivo número de anos, zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e escarneceram dos seus profetas, até que o furor do Senhor contra o seu povo subiu tanto que mais nenhum remédio houve que evitasse o juízo divino (2Cr.36:16).

Assim como aconteceu com Josias, as Sagradas Escrituras deveriam causar em nós ações imediatas no sentido de reformular nossa vida, a fim de trazê-la à harmonia com a vontade de Deus. Há um mornidão, sem par, nas igrejas locais; estamos vivendo, com certeza, os últimos dias da Igreja na terra, antes da volta de Jesus Cristo. Profetizou o apóstolo Paulo: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm.4:3,4). Realmente, isto é o que estamos vendo.

II. A RENOVAÇÃO DO PACTO COM O SENHOR

1. A leitura do Livro diante do povo

Quando a Palavra de Deus, que estava perdida na Casa do Senhor, foi encontrada houve um grande avivamento em Judá. Josias compreendeu que a reforma não teria êxito se todos não fossem envolvidos; então, ele ordenou que todos os homens de Judá, todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, desde o menor até ao maior se reunissem com ele diante do Templo; em seguida, todas as palavras do Livro da Aliança, que fora encontrado na Casa do Senhor, foram lidas diante deles:

“E o rei subiu à Casa do SENHOR, e com ele todos os homens de Judá, e todos os moradores de Jerusalém, e os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se achou na Casa do SENHOR. E o rei se pôs em pé junto à coluna e fez o concerto perante o SENHOR, para andarem com o SENHOR, e guardarem os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o coração e com toda a alma, confirmando as palavras deste concerto, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo esteve por este concerto” (2Rs.23:2,3).

Feito isto, o rei se pôs em pé junto à coluna e fez aliança ante o Senhor, para O seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras dessa aliança, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo anuiu a esta aliança. Dessa forma, aconteceu um avivamento em Judá, quando o povo se arrependeu e retornou às práticas descritas por Deus em sua Palavra. Aquele avivamento trouxe maravilhosos resultados ao reino de Judá: os judeus puseram-se, com temor e com o coração cheio de júbilo, a celebrar as festas do Senhor (2Cr.35:18).

É muito difícil haver avivamento sem se voltar à Palavra de Deus, tendo-a como regra de fé e prática, como base de nossa vida espiritual. É preciso honrar e obedecer à Palavra de Deus, dando prioridade a ela, para que a nossa vida seja edificada e sejamos abençoados. É importante perceber que o Livro Sagrado foi perdido e abandonado dentro do Templo de Deus. Isto muitas vezes acontece em muitas igrejas na atualidade, as quais estão esquecendo a Palavra de Deus, excluindo quase por completo a liturgia do culto, dando prioridade ao louvorzão e entretendo os crentes com outras coisas, e o povo morrendo espiritualmente por falta do alimento espiritual, que é a Palavra de Deus. Tem muitas pessoas que dizem estar buscando uma renovação espiritual para sua vida, mas tem fastio de ouvir e de se alimentar da Palavra de Deus. Existem crentes que entra ano e sai ano, e ele não cresce espiritualmente, a sua vida espiritual é sempre raquítica e medíocre. O avivamento duradouro só virá se o crente ler e estudar a Palavra de Deus, e obedecê-la, com um coração contrito e piedoso.

2. A destruição dos ídolos

Quando Josias percebeu o terrível estado da vida religiosa e espiritual de Judá, fez algo urgente e necessário para corrigir isso: ele aboliu por completo a idolatria; destruiu todos os ídolos que existiam, aos quais o povo prestava culto. Com uma forte liderança, eliminou por toda a terra de Israel os sacerdotes idólatras sobre os altares nos quais prestavam sacrifícios aos deuses falsos; destruiu e profanou os objetos, altares, templos e monumentos aos deuses falsos. Para cumprir as palavras da Lei aboliu os médiuns, os feiticeiros, os ídolos do lar, os ídolos e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém. Certamente, foi uma obra de grande envergadura, tendo, inclusive, destruído os “intocáveis” bezerros de ouro construídos por Jeroboão, porque ouviu a Palavra de Deus, porque procurou saber o que estava escrito naquele Livro sagrado que fora achado na Casa de Deus. Veja o que diz o texto Sagrado em 2Rs.23:4-20; a lista das suas ações sugere a extensão da apostasia de Judá:

4.E o rei mandou ao sumo sacerdote Hilquias, e aos sacerdotes da segunda ordem, e aos guardas do umbral da porta que se tirassem do templo do SENHOR todos os utensílios que se tinham feito para Baal, e para o bosque, e para todo o exército dos céus; e os queimou fora de Jerusalém, nos campos de Cedrom, e levou as cinzas deles a Betel.

5.Também destituiu os sacerdotes que os reis de Judá estabeleceram para incensarem sobre os altos nas cidades de Judá e ao redor de Jerusalém, como também os que incensavam a Baal, ao sol, e à lua, e aos mais planetas, e a todo o exército dos céus.

6.Também tirou da Casa do SENHOR o ídolo do bosque para fora de Jerusalém até o ribeiro de Cedrom, e o queimou junto ao ribeiro de Cedrom, e o desfez em pó, e lançou o seu pó sobre as sepulturas dos filhos do povo.

7.Também derribou as casas dos prostitutos cultuais que estavam na Casa do SENHOR, em que as mulheres teciam casinhas para o ídolo do bosque.

8.E a todos os sacerdotes trouxe das cidades de Judá, e profanou os altos em que os sacerdotes incensavam, desde Geba até Berseba, e derribou os altos das portas, que estavam à entrada da porta de Josué, o chefe da cidade, e que estavam à mão esquerda daquele que entrava pela porta da cidade.

10.Também profanou a Tofete, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse passar a seu filho ou sua filha pelo fogo a Moloque.

11.Também tirou os cavalos que os reis de Judá tinham destinado ao sol, à entrada da Casa do SENHOR, perto da câmara de Natã-Meleque, o eunuco, que estava no recinto; e os carros do sol queimou a fogo.

12.Também o rei derribou os altares que estavam sobre o terraço do cenáculo de Acaz, os quais fizeram os reis de Judá; como também o rei derribou os altares que fizera Manassés nos dois átrios da Casa do SENHOR; e, esmigalhados, os tirou dali e lançou o pó deles no ribeiro de Cedrom.

13.O rei profanou também os altos que estavam defronte de Jerusalém, à mão direita do monte de Masite, os quais edificara Salomão, rei de Israel, a Astarote, a abominação dos sidônios, e a Quemos, a abominação dos moabitas, e a Milcom, a abominação dos filhos de Amom.

14.Semelhantemente quebrou as estátuas, e cortou os bosques, e encheu o seu lugar com ossos de homens.

15.E também o altar que estava em Betel e o alto que fez Jeroboão, filho de Nebate, que tinha feito pecar a Israel, juntamente com aquele altar, também o alto derribou; queimando o alto, em pó o desfez e queimou o ídolo do bosque.

16.E, virando-se Josias, viu as sepulturas que estavam ali no monte, e enviou, e tomou os ossos as sepulturas, e os queimou sobre aquele altar, e assim o profanou, conforme a palavra do SENHOR, que apregoara o homem de Deus, quando apregoou estas palavras.

19.De mais disso, também Josias tirou todas as casas dos altos que havia nas cidades de Samaria, e que os reis de Israel tinham feito para provocarem o Senhor à ira; e lhes fez conforme todos os atos que tinha praticado em Betel.

20.E sacrificou todos os sacerdotes dos altos, que havia ali, sobre os altares, e queimou ossos de homens sobre eles; depois, voltou a Jerusalém.

24.E também os adivinhos, e os feiticeiros, e os terafins, e os ídolos, e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, os extirpou Josias, para confirmar as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na Casa do Senhor.

Não é suficiente dizer que cremos no que é certo, devemos responder com atitudes e fazer o que a fé exige. Falar de necessidade de avivamento e arrependimento no meio do povo de Deus sem incluir mudança de atitude, significa que não há propósito real de mudança no coração e na maneira de viver de um povo. Verdade é que, após a morte de Josias, o povo, como em outros avivamentos, desviou-se, mas isto era consequência de séculos de inobservância da Palavra de Deus.

Também, não é de estranhar que em muitas de nossas igrejas, o ”Livro da Lei” de Deus esteja perdido; não no mundo, mas na própria Igreja Local, vemos a carência de que a pregação genuína e o ensino da Palavra de Deus sejam mais consistentes. Para que possamos ver o verdadeiro avivamento acontecer, precisamos retornar à Palavra. Nenhum avivamento é possível sem um retorno incondicional à Palavra de Deus. Enquanto ela não for achada, lida e crida, não poderá haver avivamento na Casa do Senhor. Urge que isto ocorra, senão, “quando vier Jesus, porventura, achará fé na Terra?” (Lc.18:8).

III. A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

A Páscoa é uma das mais importantes celebrações da Bíblia. Tais celebrações eram fundamentais para o povo se lembrar dos feitos do Senhor.

1. A celebração da Páscoa e a restauração do culto e dos ofícios do Templo

A sujeira espiritual da nação era tão grande que demorou um bom tempo para retirá-la. Somente depois de dezoito anos de reinado foi que Josias conseguiu comemorar a primeira Páscoa.

“E o rei deu ordem a todo o povo, dizendo: Celebrai a Páscoa ao Senhor, vosso Deus, como está escrito no livro do concerto. Porque nunca se celebrou tal Páscoa como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Judá. Porém, no ano décimo oitavo do rei Josias, esta Páscoa se celebrou ao Senhor, em Jerusalém” (2Reis 23:21-23).

As reformas de Josias se estenderam até Samaria. Ao que parece, ele obtivera controle da região, em grande parte por causa do declínio do poder da Assíria. Após destruir todos os ídolos e os idólatras dessa região, ele retornou a Jerusalém. Ao chegar, reinstituiu a Páscoa, segundo a Palavra do Senhor que havia lido:

“Então, Josias celebrou a Páscoa ao Senhor em Jerusalém; e mataram o cordeiro da Páscoa no décimo quarto dia do mês primeiro. E Josias estabeleceu os sacerdotes nos seus cargos e os animou ao ministério da Casa do Senhor” (2Cr.35:1,2).

Uma vez que a terra se encontrava devastada pelos assírios, Josias proveu a maior parte dos animais para a festa (2Cr.35:7). Os príncipes e sacerdotes ajudaram dentro do possível. As prescrições mosaicas para a Páscoa e para a Festa dos Pães Asmos foram seguidas à risca. Com cânticos de louvor, o rei e o povo celebraram a Páscoa mais notável desde os dias de Samuel. Não foi a maior celebração ou a mais sofisticada, mas foi a mais agradável a Deus, talvez pela qualidade da adoração (2Cr.35:7-19).

Também, Josias reestabeleceu a liturgia do culto, o sacerdócio, e diversos ofícios que eram praticados no Templo; tais como, sacerdotes, levitas, cantores, guardas do Templo etc.

2. A maior Páscoa da monarquia

Assim como Ezequias, Josias incentivou os sacerdotes e levitas a desempenharem seus papéis; deu ordem para que colocassem a Arca sagrada de volta ao Templo (alguns estudiosos sugerem que, talvez, os sacerdotes tenham levado a Arca sobre os ombros de um lugar para outro, a fim de evitar que fosse profanada. Manassés ou outro rei idólatra pode ter ordenado sua remoção, ou Josias pode tê-la colocado em outro lugar enquanto o templo era restaurado), se organizassem em seus respectivos turnos, assumissem seus cargos no Templo e se purificassem e preparassem para celebrar a Páscoa.

A celebração dessa Páscoa, incentivada por Josias, foi a maior desde os dias de Samuel; o cronista narra que “nunca, pois, se celebrou tal Páscoa em Israel, desde os dias do profeta Samuel, nem nenhuns reis de Israel celebraram tal Páscoa como a que celebrou Josias com os sacerdotes, e levitas, e todo o Judá e Israel que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalém” (2Cr.35:18).

A celebração da Páscoa deveria ser um feriado anual, celebrado em memória da grande libertação da nação israelita da escravidão do Egito (Ex.12), porém não era feita havia muitos anos; como resultado, “nunca se celebrou tal Páscoa como esta desde os dias dos juízes que julgaram Israel, nem durante os dias dos reis de Israel, nem nos dias dos reis de Judá” (2Reis 23:22).

Outras comemorações da Páscoa haviam sido maiores e mais sofisticadas, mas essa foi particularmente a mais fervorosa e mais agradável ao Senhor por causa do número e da devoção dos participantes, de seus sacrifícios e ofertas, e de sua exata observância dos ritos da festa.

A impressão que o texto nos dá é “que durante todo o restante do reinado de Josias a religião floresceu e as festas do Senhor foram muito cuidadosamente observadas; mas nessa Páscoa, a satisfação que eles tiveram no concerto recentemente renovado, o andamento da reforma realizada, e o renascimento de uma ordenança cujo original divino eles tinham encontrado recentemente no livro da Lei, e que tinha sido negligenciado por muito tempo ou guardado sem cuidado, os colocou em grande entusiasmo de santa alegria”. A Escritura menciona apenas três celebrações da Páscoa no período da monarquia: a celebração de Salomão (2Cr.8), a de Ezequias (2Cr.30) e a de Josias.

O que aconteceu com o rei Josias depois de tudo isso?

A Bíblia não fornece informação alguma sobre os treze anos seguintes do reinado de Josias. O rei estava com 39 anos quando saiu para lutar contra Neco, rei do Egito (2Reis 23:29; 2Cr.35:20-24). O exército egípcio encaminhava-se para guerrear junto com os assírios contra os babilônios (2Rs.23:29), e a Bíblia diz que “Josias lhe saiu ao encontro” (2Cr.35:20). Mas, o monarca do Egito manda-lhe um recado, que ele dizia que era de Deus - ”Então, ele lhe mandou mensageiros, dizendo: que tenho eu que fazer contigo, rei de Judá? Quanto a ti, contra ti não venho hoje, senão contra a casa que me faz guerra; e disse Deus que me apressasseguarda-te de te opores a Deus, que é comigo, para que não te destrua” (2Cr.35:21).

Josias não fazia ideia de que a mão de Deus estava por trás dos movimentos de Neco, e não consultou o Senhor para saber se as palavras de Faraó correspondiam à verdade. E o cronista narra que “Josias não virou dele o rosto; antes, se disfarçou, para pelejar com ele; e não deu ouvidos às palavras de Neco, que saíram da boca de Deus; antes, veio pelejar no vale de Megido” (2Cr.35:22). Apesar de ter se disfarçado, foi morto na batalha; aliás, ele foi mortalmente ferido em Megido, mas definitivamente veio a falecer depois de ser transportado para Jerusalém (cf. 2Cr.35:24). O povo lamentou profundamente a morte de Josias, e aqueles que criam na Palavra do Senhor sabiam que, com a morte de Josias, a fúria divina era iminente (2Cr.34:22-28).

O cronista diz que as palavras do rei do Egito “saíram da boca de Deus” (2Cr.35:22), mas o rei não obedeceu. Como interpretar estes fatos? Josias perdeu a salvação por causa da desobediência? Não, pois a profetiza Hulda afirmou que o rei morreria “em paz” (2Cr.34:28). Faraó Neco era profeta de Jeová? Não, pois Deus falara diretamente a reis pagãos em várias ocasiões sem lhes transformar o coração (cf. Gn.12:17-20; 20:3-7). Observe que Deus chamou Nabucodonosor, rei pagão e idólatra, de “meu servo” (Jr.27:6). Podemos concluir que o Senhor desejava manobrar o exército egípcio até o Eufrates para que Nabucodonosor destruíssem as tropas egípcias e assírias e, desse modo, cumprisse a advertência de que os babilônios conquistariam e disciplinariam Judá (cf.Jr.25:8-11).

CONCLUSÃO

O reinado e Josias, desde o início, foi de pleno zelo pela Palavra de Deus e pelo cumprimento dos mandamentos de Deus. O zelo de Josias era tão grande que foi motivado a livrar Judá de toda idolatria que dominava completamente o reino de Judá e Israel. O coração do crente cheio do Espírito Santo não tolera ídolos ou qualquer outra prática que desagrade ao Senhor. O que podemos apreciar sobre Josias é o seu exemplo de total compromisso. Nenhum de nós poderia fazer um pedido mais importante do que sermos como Josias, que se converteu ao Senhor de todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças (2Reis 23:25). 


Fonte: Luciano de Paula Lourenço