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sexta-feira, 31 de março de 2023

1ª Lição do 2º trimestre de 2023: Quando a Família Age por Conta Própria



 LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 12.1-3; 16.1-5

Gênesis 12

1 - Ora, O Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

2 - E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, engrandecerei O teu nome, e tu serás uma benção.

3 - E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.


Gênesis 16

1- Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2 - E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 - Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã. 

4- E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 - Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu e, teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti.


INTRODUÇÃO

Ao longo deste trimestre, estudaremos assuntos relacionados à família. Nesta oportunidade, especificamente, ponderamos que, diferentemente de outros trimestres, os assuntos referem-se aos problemas do cotidiano familiar. Veremos o que a Palavra de Deus tem a nos ensinar quanto a problemas de comunicação conjugal, ciúmes, rebeldia, porfias, mentira, mágoas e educação de filhos, dentre outros assuntos. atitudes precipitadas de Sarai e Abrão, ao decidirem não esperar o cumprimento da promessa de Deus e agirem por conta própria, “ajudando-O” no cumprimento da promessa. Veremos as consequências de quando deixamos de ouvir a voz de do Senhor para “ouvir” a voz de um coração enganoso.


I – DEUS FAZ PROMESSAS A ABRÃO

 

1. O encontro de Deus com Abrão.

Abrão vinha de uma jornada de conquistas e vitórias pessoais desde que saiu de Ur dos Caldeus e, depois, de Harã (Gn 11.31; 12.1-4). Entretanto, o casal Abrão e Sarai não tinha filhos. No capítulo 12 de Gênesis, o patriarca tinha 75 anos de idade quando Deus lhe prometeu uma grande descendência (Gn 12.4). No capítulo 15, o Senhor lhe faz uma promessa específica de um herdeiro. E, finalmente, quando Isaque, o filho da promessa, nasceu, o patriarca tinha 100 anos (Gn 21.5). Assim, podemos dizer que Abraão esperou por 25 anos pelo cumprimento da promessa divina. 

 

2. A dúvida diante da espera.

Após a promessa de uma descendência (Gn 12), veio uma preocupação a Abrão: “Senhor Jeová, que me hás de dar? Pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer” (Gn 15.2). Esse questionamento revela que sua fé estava em crise. Abrão não conseguia ver a realização do sonho do casal, uma vez que Sarai era estéril. Não é diferente conosco também. Às vezes somos bloqueados por dúvidas que nos impedem de, pela fé, enxergar a operação do sobrenatural.

 

3. Deus garante a Abrão o cumprimento da promessa.

Como vimos, Gênesis 15.4 traz a promessa de um filho. No versículo 7, o Senhor diz: “Eu sou o Senhor” (Gn 15.7). De modo que Ele desfez a preocupação do patriarca, especificando uma promessa: “Este não será o teu herdeiro [Ismael]; mas aquele que de ti será gerado, esse será o teu herdeiro [Isaque]” (Gn 15.4). Aqui, Deus está afirmando a Abrão que suas promessas têm base no próprio caráter, pois Ele não é homem para mentir, nem filho do homem para se arrepender; “porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19). Deus cumpre fielmente a sua Palavra (Sl 89.34). Infelizmente, porém, Abrão vacilaria na fé e não transmitiria a Sarai confiança na promessa (Gn 16.2,3).

 

II – INTERFERÊNCIA NO PLANO DE DEUS

 

1. A tentativa de Sarai em “ajudar” a Deus.

Pelo processo natural, Sarai não podia gerar filhos por causa de sua esterilidade e, naquele contexto, ela estava ainda com a idade avançada. Por isso, Sarai persuadiu Abrão de que a melhor forma de ele ter um herdeiro seria tomar a serva egípcia Agar e com ela conceber um filho (Gn 16.2).

 

Naquele tempo era permitido fazer isso para que um homem tivesse um herdeiro. Essa tentativa de “ajudar a Deus” no cumprimento da promessa de um filho foi uma atitude precipitada de Abrão. Na vida conjugal, é importante que o casal crente consulte a Deus em tudo. Nesse sentido, Abrão  deveria convencer sua mulher a esperar em Deus, pois Ele cumpre a sua Palavra (1 Rs 8.56).

 

2. Os dois vacilam na fé.

No capítulo 15, Abrão é um homem de fé. Porém, no capítulo 16, a situação muda completamente porque ele preferiu ouvir a voz de sua mulher, conforme Gênesis 16.2: “E ouviu Abrão a voz de Sarai”. A verdade é que, diante da reclamação de sua esposa, Abrão aquietou-se e preferiu aceitar o argumento dela e não acreditar no milagre de ambos gerarem um filho conforme a promessa.

Os dois deixaram a lógica da fé e se apegaram à lógica meramente humana. Devemos cuidar para não interferir nos desígnios de Deus, pois isso pode significar o desvio da vontade divina. Não podemos, por causa de uma decisão precipitada, querer intervir no plano original divino.

 

3. O problema da precipitação.

Sarai abandonou e desprezou a confiança em Deus, preferindo resolver o problema ao seu modo, além de induzir seu marido à mesma atitude equivocada e incrédula. Ao afastar-se da dependência de Deus, o casal não conseguiu evitar as consequências desastrosas para sua vida (Gn 16.5-9).

 

Agar engravidou e teve o filho que Abraão sonhava ter, mas provocou o conflito familiar histórico entre Abrão e Sarai, entre Sarai e Agar e, posteriormente, entre os filhos de ambas, Ismael e Isaque. Muitos conflitos são gerados nos lares por causa de atitudes precipitadas da parte dos cônjuges. A consequência dessa precipitação de Abrão permanece até hoje, com as sementes de Ismael e Isaque, ou seja, judeus e árabes.


AUXÍLIO TEOLÓGICO

A ESPOSA SUBSTITUTA

“O tempo passou e Sarai continuava sem filhos. Deus não prometeu que o filho sairia dela [Agar] (15.4) e o problema de uma promessa não cumprida permanecia. Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da pátria de onde vieram. Este costume dizia que a esposa sem filhos tem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendência seria considerada sua. Sarai tinha uma serva egípcia chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão. Abrão aceitou a oferta e pouco tempo depois Agar teve um filho.

 

Emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providências legais. Agar ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude. [...] Era contrário ao costume da pátria de onde vieram as esposas servas mostrarem desrespeito à esposa principal. Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que Sarai agisse como quisesse” (Comentário Bíblico Beacon: Gênesis a Deuteronômio. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.63.).

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“O Senhor me tem impedido de gerar

Entre o povo da Mesopotâmia, o costume, quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filho com o esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. (1) Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (2.24). (2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do esforço humano – [...] (Gl 4.29).” Amplie mais o seu conhecimento, lendo Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, p.55.

 

III – AS CONSEQUÊNCIAS DE UMA DECISÃO PRECIPITADA

 

1. O conflito na família de Abrão.

A precipitação do casal acabou criando o conflito entre Abrão e Sarai, provocado pela nova situação a que se submeteu Agar. Discórdia e desarmonia suscitaram uma situação insustentável dentro desse lar. Agar, sentindo-se privilegiada dentro da casa de Abrão, visto que ele estava dando atenções especiais para com ela por causa do seu filho em seu ventre, provocou ciúmes em Sarai. Esta, então, começou a hostilizar sua serva (Gn 16.4-6). Essa situação ficou bem difícil dentro da casa do patriarca.

 

2. A fraqueza de Abrão.

Depois de toda a experiência com Deus e de ouvir as suas promessas divinas para a vida pessoal e familiar, Abrão optou pela fraqueza e carnalidade. Não teve firmeza para persuadir Sarai, diante do conselho de ter esse filho com Agar, a confiar em Deus e em suas promessas (Gn 16.6). Essa história nos ensina que não podemos apenas olhar para as soluções humanas. Há momentos em nossa vida que só a mão de Deus pode operar. Tenhamos sensibilidade espiritual para discernir o que está sob nossa responsabilidade e o que só depende única e exclusivamente de Deus (cf. Êx 14.15-18).

 

3. Uma opinião equivocada acerca de Deus.

Quando Sarai diz a Abrão que “o Senhor me tem impedido de gerar” parecia estar afirmando que Deus havia falhado com ela para gerar filhos (Gn 16.2). Ela afastou-se do lugar de absoluta dependência de Deus e preferiu decidir por si mesma, usando Agar como meio para o cumprimento da divina promessa. Seu coração carnal fez com que ela desprezasse a fé. Nesse sentido, a fraqueza de Abrão não foi tanto a de não agir sabiamente com Sarai quanto a convencê-la a acreditar no milagre de Deus em sua vida. Sua esposa precisava de uma experiência com Deus capaz de dar-lhe o conhecimento suficiente para entender que seu marido tinha razão no que dizia. Portanto, é preciso atentar para uma preciosa lição: os homens de Deus têm um papel de mentores espirituais em suas casas e, por isso, não podem deixar de governá-la com sabedoria (cf. 1 Tm 3.5,6).

SINÓPSE III

Uma decisão precipitada gera consequências que vão desde conflitos na família a equívocos acerca de Deus.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

Consequências da união de Abrão com Agar

“Aqui temos as más consequências imediatas do infeliz casamento de Abrão com Agar. Um grande mal se produz rapidamente. Quando nós não agimos bem, o pecado e os problemas estão à porta. E podemos agradecer a nós mesmos pela culpa e pela tristeza que nos acompanham quando saímos do caminho do nosso dever. Veja isto nesta história.

 

1. Sarai é desprezada, e, desta maneira, sente-se provocada e se irrita, v.4. Tão logo, Agar percebe estar grávida de um filho do seu senhor, passa a considerar a sua senhora com desprezo, talvez criticando-a pela sua esterilidade, insultando-a, para irritá-la (como em 1 Sm 1.6).

 

Ela estava se gabando das perspectivas que tinha de trazer um herdeiro a Abrão, para aquela boa terra, e para o cumprimento da promessa. Agora ela se julga uma mulher melhor do que Sarai, mais favorecida pelo Céu, e com probabilidade de ser mais amada por Abrão. E por isso já não é mais submissa como costumava ser.

 

Observe: 1. Os espíritos [pessoas] inferiores e servis, quando favorecidos e promovidos, seja por Deus ou pelo homem, podem se tornar arrogantes e insolentes, e esquecer seu lugar e origem. Veja Provérbios 29.21; 30.21-23. É difícil atribuir a honra àqueles que realmente devem ser honrados.

 

2. Nós sofremos, com razão, por causa daqueles a quem agradamos de maneira pecaminosa. E é justo que Deus converta em instrumentos de nossa aflição aqueles aos quais tornamos instrumentos do nosso pecado, e que nos aprisione nos nossos próprios maus conselhos: o que revolve a pedra, esta sobre ele rolará” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.94,95).

 

CONCLUSÃO

Esta lição nos ensina a respeito das promessas de Deus para a vida do crente. Entretanto, ela alerta para o perigo de nos precipitarmos com interferências no cumprimento dessas promessas. Vimos que esse tipo de atitude trouxe consequências graves para a família de Abrão. Que Deus nos livre de tentarmos interferir em seus planos, pois sabemos que sua vontade é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).

 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

5ª lição do 3º trimestre de 2022: A SUTILEZA DO MATERIALISMO E DO ATEÍSMO


 

3° Trimestre de 2022


“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Rm.1:20).

Romanos 1:

18. Porque do céu se manifesta a ira de Deus Sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;

19. porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

20.Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

21.porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e 0 seu coração insensato se obscureceu.

22.Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

23.E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da “sutileza do materialismo e do ateísmo”. São dois pensamentos que o mundo sem Deus, que está no maligno (1João 5:19b), tem privilegiado, e que tem alcançado a adesão de milhões de seres humanos. O materialismo é a posição que se recusa a crer em algo além do estritamente material, que se volta única e exclusivamente para as coisas da natureza, para as coisas desta terra. O ateísmo é a recusa à crença na existência de Deus.

Estes dois pensamentos têm sido terrivelmente agressivos e inimigos da fé cristã. Apesar de serem dois pensamentos distintos, seus princípios norteadores são os mesmos. Logo, pode-se considerar que ambos são como duas faces de uma mesma moeda.

Nos dias difíceis em que estamos vivendo, o materialismo e o ateísmo têm alcançado grande projeção no “modus vivendi” das pessoas, e tem engodado a vida de muitos que dizem ser cristãos. Infelizmente, o materialismo invadiu a vida da igreja, até mesmo sua doutrina e expectativa escatológica, pois a visão da eternidade futura está carregada de cobiça material. Os crentes são encorajados a esperarem as mesmas coisas que buscam aqui, como amplas moradias (mansões), ruas bem pavimentadas com ouro e diamante, e constante lazer e descanso. Precisamos ter cuidado com os ardis de satanás que pertinaz tem se utilizado dessas ferramentas para confundir os fiéis da Igreja de Cristo.

I. COMPREENDENDO O MATERIALISMO E O ATEÍSMO

1. O Materialismo

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define “materialismo” como sendo a “doutrina que identifica, na matéria e em seu movimento, a realidade fundamental do universo, com a capacidade de explicação para todos os fenômenos naturais, sociais e mentais”. Portanto, o materialismo caracteriza-se como todo e qualquer pensamento que entende que, no universo, só existe a matéria, ou seja, substância sólida, corpórea. Este pensamento não é novidade na história da humanidade. Os primeiros filósofos ocidentais, na Grécia, voltaram-se para a discussão a respeito do que seria a matéria e não poucos deles viram a realidade como sendo puramente material. Demócrito (460-370 a.C.), por exemplo, apresentou uma teoria em que “supõe a gênese da natureza, e até da alma humana, a partir do movimento, da agregação e da dissociação de porções mínimas e indivisíveis de matéria, os átomos, que não foram criados nem antecedidos por qualquer divindade ou força imaterial”. Para este filósofo, a origem de todas as coisas era fruto dos átomos, partículas materiais que seriam as fontes de todas as coisas que existiam no universo, átomos estes que não teriam sido criados por ninguém. Tudo, inclusive a alma, seria material, portanto, formada destes átomos. O pensamento de Demócrito encontrou grande guarida no mundo grego e, por conseguinte, em todo o mundo conhecido de então, já que Demócrito viveu numa época em que a cultura grega estava se espalhando pelo mundo todo.

O Materialismo sustenta a eternidade da matéria; é propagado que foi dela e nela que todas as coisas existentes tiveram seu início, incluindo a vida. Por conseguinte, o Universo se reduz à matéria e, além dela, nada existe. Então, se Deus não é formado de matéria, segue-se que Deus não existe, segundo a cosmovisão materialista. Propagam também que o homem é simplesmente um animal, ou uma máquina, é um produto de transformação, e que a vida humana está limitada ao tempo entre a fecundação e a morte; a morte é, pois, o ponto final, o fim da linha, ou onde e quando tudo se acaba; não creem, portanto, na alma e no espírito do ser humano, que são eternos.

Quando os materialistas comparam o homem a uma máquina por certo que imaginam que nunca na história a natureza produziu uma máquina. Atrás dela sempre há uma inteligência superior, quer na sua fase de projeto, de fabricação, e de produção. Porém, os materialistas não reconhecem a existência dessa inteligência superior criadora e sustentadora do ser humano.

Coerentes com o princípio da inexistência de Deus, os materialistas rejeitam toda e qualquer manifestação de cunho espiritual ou sobrenatural. Mas, a Bíblia afirma que Deus preexiste a tudo, que Ele é eterno, e que foi Ele quem criou todas as coisas visíveis e invisíveis. Está escrito: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Col.1:16).

2. O Ateísmo

O Ateísmo é a doutrina que nega a existência de Deus, sobretudo, a de um Deus pessoal conforme revelado na Bíblia. Não existindo Deus, segue-se que não existe o mundo espiritual - céu, inferno, Satanás, anjos, demônios.... Assim, segundo o ateu, qualquer manifestação de cunho espiritual ou sobrenatural deve ser rejeitada. Também a Bíblia Sagrada não é tida como sendo a Palavra de Deus, mas apenas um livro comum.

Considera-se dois tipos de ateu: o prático e o teórico:

- O Ateu prático. Este pode até nem saber que é ateu, e na prática não confessa ser; porém, pela sua maneira de viver, nega a existência de Deus. Ele vive como se Deus não existisse, como se não fosse o seu Criador e o seu Sustentador. Na prática, pouco, ou nada, se difere dos irracionais. 

- O Ateu teórico. Este não é bobo, nem inocente; é apenas louco, ou néscio, aquele referido pelo Salmista Davi, nos Salmos 14:1 e 53:1 – “Disse o néscio no seu coração: não há Deus. Têm-se corrompido e têm cometido abominável iniquidade...” (Salmos 53:1). São, geralmente, filósofos, como Shopenhauer e seu discípulo Friedrich Nietzche, tristemente famoso por ter proclamado a morte de Deus. São dele estas palavras: “que nos importa em nossos dias Deus, a crença em Deus? Deus não é hoje senão uma palavra sem sentido, nem mesmo um conceito”. Ainda, segundo ele, “Deus não é senão uma ilusão do homem inquirindo uma compensação de sua miséria. Sonho mau que leva a um escape fora do mundo e das magnas tarefas humanas”. Para ele, Deus é como uma caricatura do homem, sendo que o homem não foi criado à imagem de Deus, mas, sim, Deus é que foi feito à semelhança do homem. O Cristianismo, segundo ele, é como a mais deletéria das seduções e dos embustes, é a grande mentira e a blasfêmia personificada. Do seu pedestal de orgulho, bestialmente afirmou: “De fato, nós filósofos e espíritos livres, sentimo-nos, à notícia de que o velho Deus está morto, como que iluminados pelos raios de uma nova aurora...”.

Para Friedrich Nietzche, anunciar a morte de Deus era dar ao homem todas as chances de se engrandecer. Ele se orgulhava de debochar do cristianismo e de Deus; dizia-se sábio ao propagar a sua filosofia tresloucada e sem fundamento. Para pessoa dessa estirpe, Paulo chamou de louco (Rm.1:22) – “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”. Muitos destes “sábios” (sábios?) abraçaram o ateísmo por vaidade, pelo desejo de serem diferentes dos demais mortais, por orgulho, conforme declarou o Salmista – “Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma, bendiz ao avarento e blasfema do Senhor. Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: não há Deus” (Salmos 10:3,4).

Ao homem vaidoso, orgulhoso, é cômodo dizer-se ateu quando tudo, inclusive a saúde, vai bem. Todavia, ao sentir a proximidade da morte, a realidade é outra. A história nos mostra que sentindo a proximidade da morte, muitos disseram como disse um famoso poeta - “Rasguem meus versos, creiam na eternidade”.

A ignorância de Deus é um fato transitório. Os mais avançados estudos antropológicos não detectaram ainda pessoas que tenham passado pela vida sem nunca haverem tido uma noção de Deus. Isto porque toda a natureza está ordenada pela inteligência divina para que o homem possa descobrir e ver Deus através da própria natureza, conforme afirmou Paulo - “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas” (Rm.1:20).

Portanto, o ateísmo nada mais é que o resultado da cegueira espiritual, de escuridão e obscurecimento que o inimigo implanta na mente dos incrédulos (2Co.4:3,4). O salmista chama o ateu de “néscio”, ou seja, “ignorante”, “sem conhecimento”. Somente quem não tem conhecimento, quem é ignorante é capaz de dizer “não há Deus” (Sl.14:1; 53:1). Por isso, quando vemos o contínuo aumento do pecado no mundo (Mt.24:12), percebemos como tem se intensificado o ateísmo sobre a face da Terra, sendo, aliás, como demonstram as estatísticas e as pesquisas, crescente o número de pessoas que se dizem ateias ou sem qualquer religiosidade no mundo todo, a comprovar como tem operado o espírito do anticristo, o mistério da injustiça nestes dias derradeiros antes da volta de Cristo.

Por fim, o ateísmo, embora se diga uma doutrina que nega a existência de um Deus, nada mais é que um artifício maligno para atacar o único e verdadeiro Deus, uma forma de levar a descrédito a ideia de Deus. O intuito do inimigo não é que o homem não creia em coisa alguma, mas que, ao rejeitar a Deus, aceite adorar o próprio adversário, o que, efetivamente, ocorrerá de forma maiúscula na Grande Tribulação. Por isso, o ateísmo é apenas mais um passo para que a humanidade perdida seja levada a adorar e idolatrar Satanás.

II. RAÍZES DO MATERIALISMO E ATEÍSMO

O Materialismo e o Ateísmo são consequências diretas do pecado e da cegueira espiritual idealizada pelo deus deste século.

1. A consequência do pecado

Segundo a Bíblia Sagrada, o Ateísmo é uma consequência da Queda. A partir da queda, todos os homens nascem caídos, contaminados e corrompidos pelo pecado; todos os seres humanos foram lançados no abismo do pecado (Rm.5:19). O homem tornou-se inimigo de Deus, rendido ao pecado. Com a entrada do pecado no mundo, a incredulidade e a consequente rejeição a Deus tomaram conta do coração humano. Portanto, a queda de Adão foi o maior desastre da História. Dessa queda decorrem todos os desastres subsequentes.

Os efeitos da Queda são universais. Porque estávamos nos lombos de Adão quando ele pecou, tornamo-nos pecadores nele e com ele. Embora o pecado já tivesse ocorrido no mundo angelical com a queda de Lúcifer, na história humana o pecado foi introduzida pela queda de Adão. O pecado é uma conspiração contra Deus; é a transgressão da sua lei, um ato de rebeldia e desobediência a Deus. O pecado não é algo neutro ou inofensivo, é maligníssimo; é um atentado e uma conspiração contra Deus e o seu projeto. O pecado atrai a ira de Deus; por isso, os que vivem no pecado não podem agradar a Deus; antes, permanecem sob sua ira; estão sob sentença de condenação.

Não há desculpa para o ímpio no grande dia do julgamento final, pois, mesmo que nunca tenha ouvido o evangelho da salvação em Cristo Jesus, a criação proclama a glória de Deus (Salmos 19; 29:3-9; 104:1-4; Rm.1:20). Em Romanos 1:18-23, Paulo destaca que Deus pode ser conhecido através das coisas criadas. A natureza é suficiente para mostrar a majestade de Deus. John Stott destaca que a criação é uma manifestação visível do Deus invisível. A criação ou revelação natural fala sobre os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua divindade. Deus deixou sobre sua obra criada as “impressões digitais” de sua glória, que se torna manifesta a todos. Portanto, a Criação revela o Criador, o que deveria conduzir os homens a buscarem e glorificarem a Deus; contudo, isso não acontece porque os homens que se dizem sábios “se tornaram tolos” (Rm.1:22).

Deus criou todas as coisas. O universo não é fruto de geração espontânea; não é resultado de uma explosão cósmica, uma vez que a desordem não produz a ordem nem o caos produz o cosmo; não é consequência de uma evolução de bilhões e bilhões de anos. Antes, é obra de Deus e arauto de Deus. Todo o cosmo é um testemunho eloquente da existência de Deus (Salmos 19:1).

Portanto a revelação natural é suficiente para tornar o homem indesculpável perante Deus (Rm.1:20). Mesmo que a revelação natural não seja suficiente para salvar o homem, é suficiente para responsabilizá-lo. Todos os homens são indesculpáveis perante Deus porque a verdade de Deus tem-se manifestado a eles tanto na luz da consciência como no testemunho da criação (Rm.1:19,20), Os homens não poderão fazer apologia em seu próprio favor. Ninguém poderá dizer a Deus no dia do juízo: “Ah! Eu na sabia que o Senhor existia, não sabia que o Senhor é criador do universo”. Portanto, cai por terra a teoria do índio inocente, dos povos remotos que estão em estado de inocência. Não é esta a teologia de Paulo. Todos os povos são indesculpáveis diante de Deus. Eles pecam contra Deus conscientemente e deliberadamente. Paulo está dizendo também que o Ateísmo é uma grande tolice. Ninguém nasce ateu. Os ateus se fazem assim. O ateísmo não é uma questão intelectual, mas moral.

2. A cegueira espiritual

Outra raiz do Materialismo e do Ateísmo é a cegueira espiritual. As Escrituras mostram que a cegueira espiritual também é causada por Satanás. É exatamente isso o que o apóstolo Paulo diz: “nos quais o deus deste mundo cegou o entendimento dos descrentes, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co.4:4). O diabo não dorme, não tira férias nem descansa. Ele age diuturnamente buscando obstaculizar a obra da evangelização. Ele age não nas emoções, mas na mente. Ele cega não os olhos, mas o entendimento. Ele torna o evangelho ininteligível para os descrentes e para aqueles que perecem. Assim como os judeus tinham um véu sobre o coração que só era removido pela conversão (2Co.3:15,16), assim também, ainda hoje, o diabo que é o príncipe das trevas (Ef.2:2), mantém os incrédulos sob um manto de trevas para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da gloria de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Os que estão perdidos não são capazes de entender a mensagem do evangelho, pois satanás os mantem em trevas.

Em Corinto, muitos se recusavam a aceitar o evangelho, e, para estes, ele permanecia encoberto. A causa disso, porém, não se achava no próprio evangelho, que era suficientemente claro, nem em Cristo, que havia comissionado os apóstolos, mas nos ouvintes que rejeitavam a mensagem de Cristo. William Macdonald ilustra essa verdade dizendo que em nosso universo físico, o sol está sempre brilhando, contudo, nem sempre nós o vemos brilhar. A razão disso é que, algumas vezes, nuvens densas se interpõem entre nós e o sol. Assim acontece com o evangelho. A luz do evangelho está sempre brilhando. Deus está sempre buscando resplandecer sua luz nos corações dos homens. Mas satanás põe várias barreiras entre os incrédulos e Deus. Pode ser a nuvem do orgulho, da rebelião, da injustiça própria, do materialismo, do ateísmo ou centenas de outras coisas. Como foi dito anteriormente, o Materialismo e o Ateísmo nada mais são que o resultado de cegueira espiritual, de escuridão e obscurecimento que o inimigo implanta na mente dos incrédulos.

III. PRESSUPOSTOS DAS DOUTRINAS MATERIALISTAS E ATEÍSTAS

1. Negação da existência de Deus

Diante do que foi dito anteriormente, negar a existência e Deus é uma aberração e uma clara rebelião contra o Criador. Só os ignorantes e os que têm cegueira espiritual negam a existência de Deus cuja evidência é clara em tudo que nos rodeia. Todos os seres humanos têm condição de perceber a existência de Deus, porque Ele criou todas as coisas e a criação manifesta a Sua existência (Sl.19:1-3; Rm.1:19,20). Mas, além da criação, o Senhor se revelou de forma especial ao homem através da Bíblia Sagrada, a sua Palavra.

O homem dominado pelo pecado, cego e completamente tolo, chega a discutir a própria existência de Deus; só que a existência de Deus não precisa ser demonstrada com base na lógica humana. A própria natureza, o corpo humano, cuja complexidade e grandiosidade deixam perplexos a todos, tanto os sábios e eruditos, quanto os simples e humildes, demonstram a sua existência. Entretanto, para as gerações corrompidas pela natureza pecaminosa, o adversário pôde apresentar a questão da existência de Deus, pois, se o homem crer que Deus não existe, terá muita facilitada a sua tarefa da divinização, vez que o ateísmo é a forma mais fácil de justificar as pretensões humanas de senhorio e de determinação do certo e do errado, do bem e do mal. Ao negar a existência de Deus, não resta qualquer ser superior ao homem e, deste modo, é muito mais aceitável a ideia de que o homem pode decidir tudo a seu respeito. As próprias Escrituras informam a existência deste pensamento desde a Antiguidade, vez que a Bíblia chama de “néscios”, isto é, ignorantes, despidos de sabedoria, aqueles que dizem que Deus não existe (Sl.14:1; 53:1).

Os homens buscam, de todas as formas, uma maneira de se provar a existência de Deus por intermédio da razão, mas isto é totalmente dispensável para quem se baseia nas Escrituras, que, já no seu introito, mostra Deus como o Ser que existe, aquele que é o que é (Ex.3:14). Daí porque não haver qualquer sentido em se ficar indagando sobre provas de que Ele exista ou não, pois a Bíblia se contenta em revelar que Deus existe e ponto final (1Co.8:6; 2Co.4:4; Hb.11:5).

Os materialistas e os ateístas tentam se firmar em pressupostos científicos para negarem a existência de Deus e das demais verdades espirituais. Contudo, como bem afirma o pr. José Gonçalves, a negação de Deus por parte do ateu e do materialista não acontece em razão de fatos cientificamente provados, mas porque eles se recusam em reconhecer as evidências apresentadas. As Escrituras deixam claro que “Deus Lho manifestou” (Rm.1:19). Em outras palavras, o ateu depende da não-fé dele, e não da ciência, para tentar provar que Deus não existe, uma vez que Ele já se manifestou claramente.

Embora não seja preocupação das Escrituras trazer argumentos pelos quais possamos conceber a existência de Deus, apresentamos alguns fatores, dentre muitos, que fazem com que percebamos a Sua existência:

a) A criação do mundo. A grandeza da criação de todas as coisas, a imensidão do universo e tudo o que foi criado, tem por finalidade mostrar ao homem a glória de Deus (Sl.19:1). A natureza, dizem os estudiosos da doutrina de Deus, é o primeiro livro escrito por Deus ao homem, de tal maneira que a criação, por si só, é suficiente para revelar Deus ao ser humano e torná-lo sem desculpa diante de uma eventual rejeição ao Seu senhorio (Rm.1:20).

b) A consciência. A consciência dá-nos a demonstração clara e evidente de que existe alguém que está acima de nós, indicando o que é o correto e o que não o é, ou seja, a consciência nos desperta a crer na existência de um ser que comanda todas as coisas e que a todos julgará pelas suas ações. A compreensão que temos de que fizemos algo justo ou injusto, bom ou mau, ao contrário do que dizem muitos “sábios” do nosso tempo, não é resultado puro e simples de nossa educação ou do ambiente em que vivemos, pois, se assim fosse, não haveria o arrependimento ou a convicção interna, muitas vezes não confessada, de que erramos ao tomarmos esta ou aquela atitude, ainda que tal gesto tenha tido a aprovação do ambiente em que vivemos. A consciência é considerada verdadeira “filial” divina em nosso ser; uma verdadeira “lei escrita nos corações” (Rm.2:15), que nos indica a presença de um Ser superior, a dizer o que se deve, ou não, fazer. Este Ser não é outro senão o próprio Deus.

c) Jesus Cristo, o Emanuel, ou seja, Deus conosco (Mt.1:23). Através de Cristo, sabemos quem é Deus (Lc.10:22; Jo.1:16; 14:6,9). Como disse o escritor aos hebreus, o Filho é “o resplendor da sua glória, a expressa imagem da sua pessoa” (Hb.1:3). Por isso, Jesus foi bem claro ao afirmar que quem O conhecia, conhecia o Pai.

f) A experiência pessoal da salvação. Quando somos salvos, Deus vem habitar em nosso interior (Jo.14:23) e, então, notamos que Deus existe e que está disposto a estar conosco para sempre. Sentimos que Deus não está distante de nós; não mais tateamos, mas com Ele mantemos um relacionamento, um permanente diálogo, que nos traz a certeza de que não só Deus existe como também que somos seus filhos (Ef.2:13; Gl.4:6; Mt.6:9).

Portanto, através destes e outros fatores todo ser humano consegue perceber que Deus existe. A Bíblia diz que jamais nenhum ser humano poderá dizer que nunca teve a oportunidade ou a possibilidade de perceber que Deus existia; por isso que não devemos achar que, no julgamento do Trono Branco (o chamado “juízo final”), haverá pessoas que possam apresentar a Deus esta desculpa, pois todo ser humano é capaz de perceber, por sua consciência e pela criação, que Deus existe e que é o Senhor de todas as coisas e a quem, portanto, se deve obediência e submissão.

2. Negação de que o homem é um ser singular

Outro pressuposto utilizado pelos materialistas e ateístas é a negação da singularidade do homem. O homem é o ser mais singular da criação; é a coroa da criação, a imagem e semelhança Deus (Gn.1:26). Quando observamos o relato bíblico da criação, de imediato se percebe que o homem foi criado de forma distinta dos demais seres criados na Terra. Enquanto os demais seres foram criados tão somente pela palavra do Senhor, o homem foi objeto de cuidado especial, tendo Deus deixado bem claro que ele seria um ser diferente, pois seria feito à imagem e semelhança de Deus e que, além disso, seria constituído como superior em relação aos demais.

É por este motivo que não se pode considerar que a estrutura do homem seja idêntica a dos demais seres criados na Terra, como querem pretender as teorias evolucionistas que dominaram as ciências biológicas a partir do século XIX, com as obras de Lamarck e de Darwin, pois há uma distinção fundamental entre o homem e os demais seres. Todos os seres criados na Terra, com exceção do homem, são guiados pelo instinto e, se são dotados de alguma inteligência, esta se dá e se revela apenas por força do adestramento, da repetição, sem qualquer consciência, como ocorre com os primatas ou com outros animais, ao passo que o homem é totalmente diferente, tendo a capacidade de inferir, de criar, de adquirir novos conhecimentos além dos que foram aprendidos e absorvidos pela repetição e observação.

No relato da criação do homem a Bíblia já nos informa que ele seria um ser diferenciado dos seres criados na Terra; ele é o único ser que é tricotômico, que é dotado de espírito, alma e corpo. Esta estrutura é a única que explica por que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, bem assim como teria capacidade de dominar sobre os demais seres. Para os materialistas e ateístas, porém, o ser humano não possui uma alma imortal e, por isso, não passa de um simples produto da cadeia evolutiva. Essa conclusão, porém, é pura explosão de rebelião e de oposição a Deus.

O homem é a síntese da criação terrena; recebeu o fôlego de vida diretamente de Deus. O seu interior (alma e espírito), considerada a sua parte imaterial, é sinal da sua relação especial e peculiar para com o seu Criador. A alma é considerada a sede dos sentimentos, do entendimento e vontade – é a marca da individualidade de cada ser humano; já o espírito é a sede da consciência da existência de uma relação de dependência do homem em relação a Deus – é a ligação do homem com o seu Criador.

IV. RESPONDENDO AO MATERIALISMO E AO ATEÍSMO

1. Afirmando as verdades da Bíblia

Para responder ao Materialismo e ao Ateísmo não existe arma mais eficaz do que a Bíblia Sagrada; Ela é uma das armaduras que o Espírito dispõe à Igreja contra as sutilezas de satanás (Ef.6:17). Jesus quando foi tentado pelo diabo no deserto, Ele usou esta arma (Mt.4:3,4). A todas as investidas de satanás, Jesus respondeu com: “está escrito”. É isto que significa, na guerra espiritual, a “Espada do Espírito”, que é a Palavra de Deus - é você responder as dúvidas, questionamentos, repelir a mentira, as acusações, a culpa, com “está escrito”. Portanto, qualquer resposta ao Materialismo e ao Ateísmo, e a seus derivados, como o Neoateísmo, precisa partir das Escrituras Sagradas; são nelas que encontramos as verdades sobre Deus de uma forma precisa e sem erros. É na Bíblia que aprendemos que Deus é o Criador dos céus e da terra (Gn.1:1,2), é o sustentador e mantenedor do universo (Hb.1:3). Só a Bíblia explica por que existe beleza e feiura, vida e morte, saúde e doença, amor e ódio. Só a Bíblia fornece relato verdadeiro e confiável da origem de todas as entidades básicas da vida e de todo o universo.

Observe que a Bíblia Sagrada - a Espada do Espírito - é arma de ataque. Vencemos os ataques do diabo e triunfamos sobre ele por meio da Palavra. A Palavra é poderosa, viva e eficaz. Moisés quis libertar os israelitas do Egito com a espada do homem carnal, e fracassou; mas quando usou a Espada do Espírito o povo foi liberto. Pedro quis defender Cristo com a espada humana, e fracassou; mas quando brandiu a Espada do Espírito, multidões se renderam a Cristo. Precisamos conhecer bem a Palavra de Deus. Infelizmente, há multidões de crentes mais comprometidos com as mídias sociais do que com a Palavra de Deus. Isso é lamentável!

2. Fazendo uso correto da razão

Deus nos deu a razão para que fôssemos superiores às demais criaturas terrenas. Ela é muito importante e poderosa, porém tem seus limites. A vida, a morte e o universo não podem ser explicados exclusivamente pela razão. Por quê? A mente possui uma capacidade impressionante para processar informações, entretanto, não temos à nossa disposição todos os dados sobre todos os assuntos, principalmente no que tange à espiritualidade. E quando recebemos algum conhecimento nesse sentido, faltam-nos parâmetros de avaliação, pois a nossa lógica está restrita a elementos terrenos. Até no campo natural estamos bastante limitados. A ciência, por mais avançada que esteja, não sabe como funciona o cérebro de uma pulga. É verdade que muitas descobertas úteis e invenções extraordinárias têm sido produzidas, mas tudo isso está localizado dentro de um limite intransponível.

A razão faz parte de nosso ser, contudo, não devemos nos estribar nela para tomar decisões importantes no campo espiritual. Está escrito: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv.3.5). Observe que o sábio recomenda: “não te estribes”; “estribar” significa “firmar-se”, “apoiar-se” em algo. Quando se vai montar num cavalo, coloca-se o pé no estribo, que é o ponto de apoio para se tomar o impulso necessário à montaria. O mesmo equipamento ajuda no equilíbrio do cavaleiro durante a cavalgada.

Qual é o nosso “estribo” na vida? Em que nos firmamos para fazer nossas escolhas, tomar nossas decisões e determinar o nosso destino? Será que a razão humana é suficiente para garantir nosso êxito em todas as áreas? Se nos firmarmos em algo instável, poderemos ser vítimas de uma queda perigosa ou até fatal. A ordem de não se estribar no entendimento não significa que devamos desprezá-lo. Entretanto, é necessário que compreendamos que existe o campo da razão e o campo da fé, embora haja uma considerável interseção entre ambos.

Muitos desprezam a fé em Deus e vivem guiados por sua própria razão; estão firmados no entendimento intelectual como se este fosse totalmente eficaz e confiável para todos os fins. Trata-se de uma forma de antropocentrismo. Segundo o pr. José Gonçalves, o Ateísmo e o Materialismo recorrem ao uso da razão, apoiado na ciência, para fundamentar seus pressupostos. Contudo, convém dizer que aquilo que eles denominam de “ciência”, na verdade, é um cientificismo, ou seja, a ciência usada fora de seus parâmetros e princípios para confirmar uma crença ou ideologia já previamente adotada; isso porque a boa ciência, na verdade, não nega a existência de Deus, mas a confirma.

Fé e razão caminham juntas até certo ponto. Daí se falar em “culto racional” (Rm.12:1) e “razão da esperança” (1Pd.3:15), passíveis de explicação e compreensão (Pv.1:2; 1:6; 2:5; 2:9; 14:8). Nossa fé não dependerá da razão, mas não será necessariamente contrária a ela. Vamos além da razão, mas nem sempre estaremos contra a razão. O bom senso não pode ser abandonado, exceto em situações necessárias, quando se faz algo aparentemente absurdo por causa de uma ordem de Deus. Foi o caso de Noé construindo a arca. Em casos extremos como esse, é imprescindível uma ordem direta de Deus, de modo que não haja nenhuma dúvida. Entretanto, algumas pessoas fazem loucuras em nome de Jesus sem que Ele lhas tenha mandado; nesse caso, a razão e a fé foram abandonadas e a presunção tomou o seu lugar. Precisamos, sempre que possível, conciliar a fé e a razão; se abandonarmos uma das duas, correremos em direção ao fanatismo ou ao racionalismo. Devemos usar nossa fé e também a nossa razão quando expressamos nossa confiança em Deus.

CONCLUSÃO

Os defensores do Materialismo, do Ateísmo e do Neoateismo dizem que se valem de argumentos científicos para negar a fé e a existência de Deus; porém, o que se observa é que suas teses e argumentos são de natureza meramente ideológica, e não cientifica; eles adotam o cientificismo, um discurso que está estreitamente ligado ao materialismo filosófico. Para eles, a realidade última do universo é a matéria. Assim, o que não passar pelo crivo dos supostos argumentos científicos deve ser rejeitado. Segundo o pr. José Gonçalves, o fato é que a ciência não refuta Deus, mas antes confirma a sua existência. A negação desse fato não se baseia em provas científicas, mas numa simples incredulidade que se recusa a admitir as evidências que demonstram a existência de um Criador. A todos que cristãos dizem ser precisam estar revestidos das armaduras de Deus para resistir as sutilezas do Materialismo, do Ateísmo e do Neoateismo, que têm se fortalecido nestes últimos tempos, e que tem procurado espreitar a Igreja de Cristo.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço